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Por Luis Cosme Pinto* Veio de Ruy Castro a primeira informação. E quando ele assina embaixo costumo acreditar. Escritor, jornalista, ele tem intimidade com o samba, com a bossa nova, com a turma das marchinhas... entende a alma da MPB. O Ruy, sabe tudo também da música negra americana. Foi assim, num arranjo de jazz com bossa nova que ele citou Matt Dennis. Vamos à história: na época do lançamento da biografia de Chet Baker, Ruy escreveu uma crítica em que dizia que sempre acreditou que João Gilberto se inspirava em Chet Baker. Ruy enxergou semelhanças, mas quando entrevistou João ouviu: - que nada Ruy, conheço e admiro o Chet, mas gostava mesmo era de outro, do Matt Dennis. Matt Dennis? Li com surpresa o nome desconhecido. Uma informação instigante no caderno de cultura daquela edição de domingo. Matt Dennis, americano de Seattle, filho de um cantor com uma violinista; era cantor, compositor  e pianista, tocou nos anos 40 e 50 e formou algumas bandas famosas na época. Depois, como tanta gente de talento, sumiu. Agora a coincidência: o autor do livro sobre a vida de Chet Baker também levantou a mesma bola. Chet Baker teria se inspirado em João Gilberto? Os amigos de Chet responderam pelo craque do jazz americano morto em 1988, Chet conhecia e gostava do João, mas tentava cantar como... Matt Dennis. Mal terminei de ler o texto e saí em busca do CD de Matt. Um qualquer que fosse. Entrei numa loja especializada, mas para minha surpresa ninguém tinha ouvido falar de Matt, um dos vendedores me indicou um colega especialista em Jazz, lá fui eu ao segundo andar e a frustração só aumentou. - Matt o quê? Um cliente, também conhecedor, me olhou intrigado por cima dos óculos. Tentamos a internet mas o Google nada acrescentou. Encontrar o cd era questão de honra para o vendedor e um disco apareceu, apenas um, numa loja de... Tóquio. Para quem não sabe, os japoneses tem algumas das maiores e melhores discotecas do mundo. O disco custava 150 reais e a encomenda levaria 15 dias para chegar. A vontade de ouvir me fez pagar sem choro. É, o único disco da loja japonesa custava uns 4 ou 5 do próprio Chet ou do João, mas enfim, Matt era o mentor dos gênios... Vejo a  foto. Matt tem topete avantajado e sorriso sereno. Acredite, lembra um pouco Chet e João. Um pouco, mas lembra. Quinze dias depois recebi a encomenda. Adorei. Ouvia no caminho para o trabalho e lá contava e recontava a história. Não emprestava para ninguém, mas aos poucos o coração amoleceu. Uma amiga pediu, depois outra insistiu, em seguida um colega... e como ela ainda estava com o disco, passou diretamente para ele. Mais uma semana e outra pessoa já estava encantada com a voz e o piano de Matt. Nesse toma lá dá cá, Matt parou em mãos desonestas, alguém pegou e não devolveu. " A gente só empresta o que pode perder", me disseram. Ok, então não devia ter emprestado. Perdi o Matt e junto já queria também perder umas amizades, que amigo é esse que pega e não devolve? Mas reclamar do que e de quem se eu nem lembrava quem tinha ouvido Matt pela última vez? Voltei à loja, ensaiei um discurso que ia terminar em pechincha diante dos 150 reais, mas o disco não estava mais disponível. Havia outro, mas o brilho e a performance de Matt e seu coral não eram os mesmos. Comprar eu comprei, mas cá entre nós, She Dances Overhead é um disco fraco. Tentei em outras lojas, numa viagem à Nova Iorque procurei em lugares especializados, pedi ajuda a um repórter que é correspondente internacional... um fracasso atrás do outro. Pela primeira vez tive saudade de um disco, cantarolava sozinho e cheguei a sonhar que ouvia as músicas enquanto dirigia. Nem eu sabia o quanto gostava dele. 5 ou 6 anos depois, num plantão interminável, minha amiga Marcia Cunha, editora especial do Jornal da Record, uma Ruy Castro da internet, me ajuda e consigo o que parecia impossível: Play and Sings, o cd de Matt Dennis , aquele, está novamente à venda. Marcia não entende bem minha euforia, mas executa a operação. Clica, digita os números do cartão e pronto. Uma semana depois, Angel Eyes finalmente chega. Três dias depois, a surpresa: chega outro. Seria um anjo protetor dos esquecidos e irresponsáveis? Não sei, nem vou saber. A fatura do cartão de crédito esclarece: dois cds, agora a 40 reais cada um. Não entendi, mas adorei. Um engraçadinho a quem dei carona fica sabendo da história, pede para ouvir uma faixa do disco e provoca: "Agora você pode emprestar à vontade". Aumento o volume, Matt brinca com a voz e o piano, enquanto os pupilos Chet e João esperam a vez no porta-luvas, quietinhos.   Ouça abaixo as faixas Will You Still Be Mine?, Angel Eyes, Everything Happens to Me, When You Love a Fella e Let's Get Away from It All.

Matt Dennis - Will You Still Be Mine? por perolasblogs no Videolog.tv.

Matt Dennis - Angel Eyes por perolasblogs no Videolog.tv.

Matt Dennis - Everything Happens to Me por perolasblogs no Videolog.tv.

Matt Dennis - When You Love A Fella por perolasblogs no Videolog.tv.

Matt Dennis - LET'S GET AWAY FROM IT ALL por perolasblogs no Videolog.tv.

*Luis Cosme Pinto é jornalista e editor executivo do Domingo Espetacular.
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