Publicado em 30/09/2014 às 10h36

Crime de ódio de Levy Fidelix não é motivo de riso

levy fidelix 2 Crime de ódio de Levy Fidelix não é motivo de riso

Discurso do ódio: o candidato à Presidência Levy Fidelix (PRTB) - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos EDUARDO ENOMOTO

Foram de revirar o estômago as frases proferidas impunemente pelo candidato à Presidência pelo PRTB, Levy Fidelix, no último debate da Record. Veja o que ele disse no vídeo abaixo:

A expressão de espanto de Luciana Genro condizia com a de milhões de brasileiros naquele momento que, como bem definiu o jornal inglês The Guardian, representou um "dia triste na democracia brasileira".

Triste porque os milhares que arriscaram seus trabalhos, suas famílias, seus corpos e suas vidas — e muitos a perderam — pela democracia o fizeram pelo direito de diferentes coexistirem no mesmo espaço social com respeito mútuo neste nosso Brasil.

A ideia de exterminar o outro já foi vencida pelo mundo em 1945, com a morte de Hitler e o fim da 2ª Guerra Mundial. E seu levante não pode ser tolerado por nenhuma nação.

Ao contrário do que pensa, Levy Fidelix não representa a "maioria", como faz questão de bradar como um senhor de engenho do século 19. Basta ver a quantidade de votos declarados nele. E, mesmo se um dia seu pensamento representasse a maioria do povo brasileiro, não teria o direito de dizer o que disse. Nem de fazer aquelas propostas.

Porque não é questão de ser maioria ou minoria. É questão de respeito básico aos direitos humanos. De respeito ao outro, à diversidade de modos de ser, de pensar, de agir, de crer e de enxergar o mundo.

Porque a Constituição, em seu artigo 1º, diz que um de seus fundamentos é "a dignidade da pessoa humana" para, no artigo 3º, declarar que estão entre seus objetivos "construir uma sociedade livre, justa e solidária" e "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas de discriminação". Para não haver dúvida, o artigo 5º diz: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade".

Ao contrário da tese de Levy Fidelix, os direitos garantidos na Constituição não são válidos somente a quem pratica sexo apenas com fins reprodutivos, coisa que nem casais heterossexuais fazem mais.

Mais do que tacanha e baixa, a fala de Levy Fidelix é criminosa e altamente violenta. Ele incitou em rede nacional o ódio e a perseguição de uma parcela da população. Isso pode soar como uma pólvora propulsora e legitimadora do ódio já existente no País campeão de crimes contra homossexuais. Basta ver os noticiários.

O discurso de enfrentamento do que pensa ser diferente ou inferior ao modelo que ele próprio tem de ser humano ou de família é semelhante ao discurso dos nazistas que ascenderam ao poder na Alemanha dos anos 1930 e que culminou, infelizmente, com 6 milhões de judeus mortos nos campos de concentração idealizados por Hitler e sua corja.

A democracia, ao contrário do que pensa Levy Fidelix, não é para lhe dar o direito de proferir todo pensamento que lhe vier à cabeça em rede nacional de televisão. Não se pode pedir o fim do outro, conclamar que "essa gente" fique "bem longe". Isso é crime e não condiz a um homem que se postula ao cargo de Presidente da República, cargo que pede o respeito e o zelo à diversidade, até mesmo por ser representativo de toda — e não apenas uma parcela — da população.

Apenas mais uma coisa machuca tanto a sociedade quanto o discurso de ódio de Levy Fidelix e o silêncio dos demais candidatos: os risos que ecoaram pelo estúdio e foram captados pelos microfones enquanto ele falava. Como se fosse engraçado propor o extermínio de uma minoria. Não é.

levy fidelix Crime de ódio de Levy Fidelix não é motivo de riso

Levy Fidelix, nos bastidores do debate na Record: apesar dos risos que o Brasil ouviu, propor o extermínio de uma minoria não é engraçado - Foto: Eduardo Enomoto

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Publicado em 30/09/2014 às 03h10

Espetáculo quebra preconceito com respeito e dança

Olhar de Neblina foto Andre Stefano DSC 2102 Espetáculo quebra preconceito com respeito e dança

Cena do espetáculo de dança Olhar de Neblina: sessões grátis em SP - Foto: André Stéfano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os limites estão aí para serem ultrapassados. E os preconceitos, para serem quebrados. Afinal, a liberdade e o respeito ao próximo, ao diferente, é o que importa.

Um espetáculo de dança celebra isso em São Paulo. A diretora Fernanda Amaral reuniu um grupo de cegos e cadeirantes para dançar ao lado de outros bailarinos sem "deficiências".

Por que, não?

Olhar de Neblina é o nome da montagem inspirada na obra do fotógrafo esloveno Evgen Bavcar, cego desde os 12 anos. O nome do grupo não poderia ser outro: Cia. Dança sem Fronteiras.

As sessões, gratuitas, acontecem nos dias 1º e 8 de outubro, às 21h, na SP Escola de Teatro da praça Roosevelt, 210, perto do metrô República. Já nos dias 18, às 20h, e 19 de outubro, às 19h, a montagem estará no Centro da Cultura Judaica, na rua Oscar Freire, 2.500, próximo ao metrô Sumaré.

No elenco estão os bailarinos Camilla Rodrigues do Carmo, Beto Amorim, Zilda Gonçalves, que é cega, Lucineia dos Santos, que só tem 20% da visão, e Rafael Barbosa, que é cadeirante.

Todos simplesmente artistas.

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Publicado em 29/09/2014 às 03h09

Mafalda faz 50 anos: 7 curiosidades da personagem

mafalda Mafalda faz 50 anos: 7 curiosidades da personagem

50 anos atrás: primeiro desenho de Mafalda foi publicado em 29/9/1964 na Argentina pelo desenhista Quino, criador da personagem politizada e inteligente - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi exatamente há 50 anos, no dia 29 de setembro de 1964, que Mafalda foi publicada pela primeira vez na Argentina.

A personagem criada por Joaquin Salvador Lavado Tejón, o Quino, logo conquistou leitores em todo o mundo com seu humor inteligente e politizado.

Quando Mafalda surgiu, o mundo ainda vivia dividido entre capitalismo e socialismo, com uma nova guerra mundial podendo ser deflagrada a qualquer momento.

A personagem era um verdadeiro respiro de liberdade em um mundo tão dividido. Ela antecipou os anos sombrios de ditaduras sanguinárias que viriam por toda a América Latina e logo tornou-se símbolo da resistência democrática e da liberdade de expressão.

Por conta do cinquentenário de uma das personagens mais interessantes que o quadrinho mundial produziu, o blog selecionou sete curiosidades sobre Mafalda. Veja aí:

1 - Mafalda representa a juventude idealista dos anos 1960, que sonhava transformar o mundo em um lugar melhor, com mais liberdade e democracia. Ela é fã das bandas Os Beatles e Los Pajaros Locos.

2 - Susanita, a melhor amiga de Mafalda, é o oposto dela: é fútil e vaidosa, quer se casar com marido rico, ter filhos. E, para piorar: é um poço de preconceitos.

3 - Mafalda tem um irmãozinho, nascido em 1968: Guille. O menino é fã de Brigitte Bardot, musa francesa da década de 1960.

4 - Sobre a personagem, o escritor argentino Julio Cortázar declarou: "Não tem importância o que eu penso sobre Mafalda. O que me importa é o que Mafalda pensa sobre mim".

5 - Até  hoje qualquer tirinha de Mafalda continua atual. Não é à toa que o livro Toda Mafalda nunca deixa de ser um dos mais vendidos na Argentina.

6 - Mafalda e seus amiguinhos moram no histórico bairro de San Telmo, na região central de Buenos Aires. Em 2009, na esquina de ruas Defensa e Chile foi colocada uma estátua da personagem, que logo se tornou um dos mais fotografados pontos turísticos argentinos. Na época em que criou Mafalda, Quino vivia no prédio ali em frente, no qual hoje também há uma placa indicativa de lugar histórico.

7 - Quem é fã de Mafalda não pode esquecer uma coisa: ela odeia sopa.

Ps. Em tempo: em dezembro, São Paulo recebe na Praça das Artes a exposição O Mundo de Mafalda, para celebrar seu cinquentenário. Imperdível!
mafalda 1 Mafalda faz 50 anos: 7 curiosidades da personagem
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Publicado em 28/09/2014 às 10h00

Daniel Martins: Qual o problema de Sexo e as Negas?

 

sexo nega soraia maria bia flavio tolezani patrao joao miguel junior Daniel Martins: Qual o problema de Sexo e as Negas?

Cena da polêmica série Sexo e as Negas: os atores Maria Bia, como a empregada negra, e Flávio Tolezani, como o patrão branco - Foto: João Miguel Júnior

Por DANIEL MARTINS*
Especial para o R7


Há alguns dias, deparei-me com uma chamada na TV. Quatro mulheres negras são rapidamente apresentadas, tendo uma ou outra característica ressaltada. Cheguei a pensar que se tratava de algo no estilo da série Antônia. 

E, em letras brilhantes realçadas por um fundo rosa, surgiu o título:
 Sexo e as Negas. Não levou um segundo para que me viesse a cabeça toda uma história de violência praticada contra as mulheres negras em nosso país. Considerei um título infeliz.

Nos dias que se sucederam, encontrei pela internet toda uma discussão em torno do seriado. Vozes contra e a favor, discussões interessantes ou simples trocas de ofensas. Notícias de representações contra a série e justificativas dadas por Miguel Falabella, seu autor. E o programa ainda nem havia estreado!
 

Era preciso deixar de lado a sensação de “não vi e não gostei” para se ter uma noção mais concreta sobre do que se tratava o programa. E
 considerando tudo o que vi na série, e o que li por aí, chego a uma conclusão: Sexo e as Negas sofre de um problema de inadequação do conteúdo à sua forma.

 

sexo negas estevam avellar1 Daniel Martins: Qual o problema de Sexo e as Negas?

"Seria um bom começo termos uma narrativa feminina" - Foto: Estevam Avellar

Um homem como narrador?

A série tem como base a produção americana
 Sex and the City. Apresenta o cotidiano de quatro mulheres ressaltando suas experiências sexuais e afetivas em meio ao dinamismo da cidade grande. 

E nisso reside o primeiro problema de forma e conteúdo. Se a série apresenta mulheres como pretensas protagonistas, por que o narrador é um homem? Qual o lugar de fala da mulher negra na série?
 

Na produção americana, a narração fica a cargo da personagem de Sarah Jessica Parker. Na brasileira, a voz que surge é a de Falabella. Pode parecer pouco, mas se a série se propõe a conceder protagonismo à mulher, seria um bom começo termos uma narrativa feminina.


Negras com profissões de sempre

Pensando ainda nas quatro protagonistas, temos mulheres negras que tem como ocupações as profissões, digamos, de sempre, quando o assunto é TV. Será que não existe na localidade onde se passa a trama uma mulher negra estudante universitária, comerciante, advogada?
 

É sensacional termos quatro mulheres negras como protagonistas de uma série. Sabe-se como são limitados os papéis concedidos aos negros em nossa dramaturgia. Ruth de Souza, a primeira atriz negra a subir ao palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, certa vez comentou sobre a limitação dos papéis para atores negros e sobre como a mulher negra, invariavelmente, era apresentada como uma personagem sexy e em ocupações subalternas.
 

É o que vemos novamente em
 Sexo e as Negas. Que tal mostrarmos a pluralidade de mulheres negras que existem em nossa sociedade? Variar as perspectivas justamente pra não estabelecer e reforçar estereótipos na representação da mulher negra.

sexo negas pulseira estevam avellar Daniel Martins: Qual o problema de Sexo e as Negas?

Cena de racismo de Sexo e as Negas: problemática não é discutida - Foto: Estevam Avellar

Racismo não é discutido

Quando você tem uma série brasileira com quatro protagonistas negras, é de se esperar que o racismo apareça em algum momento da trama. E de fato o autor não o ignora em seu texto. Mas os momentos em que se manifesta mais abertamente não são aprofundados. Não são discutidos.


Em certa medida, o racimo parece ser naturalizado, como na cena da pulseira — a atriz branca diz à camareira negra que ela pode usar sua pulseira valiosa, porque no braço da serviçal ninguém vai pensar que é uma peça verdadeira —, no primeiro episódio.
 

Perde-se uma grande oportunidade de escancarar o preconceito que insiste e persiste, mas que se torna objeto de discussão apenas em momentos específicos, como no recente caso do goleiro Aranha.


Perspectiva masculina

Temos ainda a questão do empoderamento da mulher. É muito bom ver na televisão aberta, personagens femininos que se apresentam como cientes da própria sexualidade, de seus desejos, donas de seus corpos. Que deixam claro que a busca pelo prazer feminino não pode mais ser encarada como tabu.
 

Mas, novamente, temos sobre esse empoderamento a mão do homem. E não é difícil perceber, por exemplo, pelos ângulos de câmera escolhidos para retratar as cenas de sexo que se trata de uma perspectiva masculina. Basta reparar em como o corpo da mulher é o elemento central das cenas.


Falar é fácil

Após dois episódios a sensação que fica é a de que
 Sexo e as Negas poderia ser muito mais do que é. Poderia aproveitar seu espaço para colocar em pauta questões relevantes, sem se descuidar do humor, seu ingrediente principal. 

Não se trata de criar um panfleto televisivo, mas de dar atenção as dezenas, centenas, ou quem sabe milhares de mulheres negras que foram até a internet expressar de maneira indignada sua opinião sobre a série.
 

É muito cômodo falar sobre tudo isto da minha posição. Eu, homem branco, assim como Falabella. Entretanto entendo que em situações como esta, é fundamental ouvir a voz daquelas que se sentiram ofendidas e mesmo violentadas, pois só elas sabem a dor que sentem ao viverem determinada situação.

Não se trata de patrulha do politicamente correto, mas de reconhecer as mulheres negras como dignas de respeito e de consideração, inclusive pela forma como querem ser vistas.

daniel martins r7 cultura Daniel Martins: Qual o problema de Sexo e as Negas?
*DANIEL MARTINS é bacharel em Ciências Sociais e mestre em Sociologia pela UFMG. É doutorando em Sociologia pela Unicamp, onde dedica-se ao estudo da Sociologia da Cultura. Colunista convidado, escreve no R7 Cultura todo quarto domingo do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

sexo1 Daniel Martins: Qual o problema de Sexo e as Negas?

O elenco de protagonistas de Sexo e as Negas, Lilian Valeska, Karin Hils, Maria Bia e Corina Sabbas, com a diretora, Cininha de Paula, e o autor, Miguel Falabella, ao centro - Foto: Alex Carvalho

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Publicado em 28/09/2014 às 03h08

Brigitte Bardot, a musa dos anos 60 faz 80

 

brigitte bardot 3 Brigitte Bardot, a musa dos anos 60 faz 80

Eterna musa: Brigitte Bardot foi ícone da beleza na década de 1960 - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Na década de 1960, só deu ela. Os fotógrafos não a deixavam em paz. Tudo que fazia era clique, era notícia.

As bancas de revista estampavam seus olhos, seu rosto, sua boca, seu corpo.

Com seu excesso de charme e de lábios, a atriz francesa Brigitte Bardot logo se converteu na mulher mais desejada do mundo.

Aqui no Brasil, causou furor em suas férias em 1964 em Búzios, cidade que viveu um antes e um depois de sua passagem. Pouco tempo depois, viraria letra de Caetano Veloso. O baiano a citou no inesquecível verso "Em dentes, pernas, bandeiras; bomba e Brigitte Bardot", da clássica Alegria, Alegria.

Ela completa 80 anos neste domingo (28).

Hoje ferrenha defensora dos animais e mais reclusa, às margens do Mar Mediterrâneo, Brigitte Bardot não é mais a menina fogosa de antes, ainda que não tenha jamais deixado de ser a maior musa daqueles tempos de uma juventude repleta de coragem e utopia.

brigitte bardot 2 Brigitte Bardot, a musa dos anos 60 faz 80

Brigitte Bardot foi musa de uma juventude cheia de utopia - Foto: Divulgação

 

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Publicado em 27/09/2014 às 16h00

Adirley Queirós, o Robin Hood do cinema brasileiro

adirley queiros foto humberto araujo 5 Adirley Queirós, o Robin Hood do cinema brasileiro

Adirley Queirós dividiu o prêmio de R$ 250 mil por melhor filme com os outros diretores que concorriam no Festival de Brasília - Foto: Humberto Araujo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos HUMBERTO ARAUJO

"Da nossa memória falamos nois mesmo". A frase, com o erro gramatical fazendo todo o sentido, é cravada pelo diretor Adirley Queirós no fim do filme Branco Sai. Preto Fica. Seu longa, produzido com o CeiCine, o Coletivo de Cinema de Ceilândia, levou 11 prêmios no 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, entre eles o de melhor filme.

Por conta deste último, ganhou a bolada de R$ 250 mil, mas preferiu dividir igualmente com os outros cinco diretores concorrentes em uma ação inédita no mais tradicional evento cinematográfico do País.

Adirley prefere fazer discurso e prática andarem juntos. Deixa bem claro que é de Ceilândia, cidade satélite de Brasília, por mais que tenha de ouvir do apresentador do Festival de Brasília que lá é muito longe. Sabe que tudo depende do ponto de referência. De qual classe você pertence. Ele é da quebrada, da periferia, com muito orgulho.

"Brasília é branca e fálica", define a cidade planejada pelos modernistas. Talvez por isso brinque com a figura de um jumento para explodir de vez o apartheid social vigente no Distrito Federal em seu filme, pondo abaixo prédios como o Congresso Nacional. Diz que "é filme de vingança terrorista mesmo", porque "não há diálogo com quem está com uma arma na mão".

E vem mais porrada por aí. Revela que seu próximo filme será Era Uma Vez Brasília. Conta que será "tipo Jaspion", com personagem gigante lutando com seres de outro planetas. Outra vez, a Capital Federal será destruída nas batalhas. Queirós não tem medo de provocar. De desestabilizar.

"Setor de domésticas norte"

"Brasília tem muito espaço vazio. Proponho criarem o setor de domésticas norte. E o setor de vigias sul. Deveriam construir casas nesses vazios pro povão não precisar passar duas horas esperando ônibus lotado na Rodoviária do Plano Piloto", afirma.

Também quer fazer O Grande Sertão das Quebradas, filme que define como um Mad Max do sertão brasileiro. "O objetivo dos justiceiros será queimar os cartórios. Essa galera aí que tem terra, registrou na base da grilagem em cartórios lá do interior. Vamos botar fogo neles", provoca.

Espera com esses filmes de destruição em massa ganhar algum patrocínio e mais salas, como acontece com as produções norte-americanas do gênero. "Quem sabe assim viramos filme de mercado? Porque se você coloca que é filme de arte, ganha R$ 200 mil. Se põe que é de mercado, leva R$ 3,5 milhões. Já vou avisando: não coloca no edital que é de arte".

Com o sucesso de Branco Sai. Preto Fica, fará cópias para vender nas ruas de Ceilândia. "Se ninguém quiser comprar a gente dá de graça". E afirma que a ausência do Estado nas periferias é recado claro. "A presença nula do Estado nestes lugares é ideológica. É um ato pensado e deliberado".

Com tanto discurso potente, faz questão de avisar, já que são tempos de eleições: "Não sou candidato a nada. Não me sinto representante de Ceilândia, nem lá de casa". Ele é apenas o Robin Hood do cinema nacional.

adirley queiros foto humberto araujo 7 Adirley Queirós, o Robin Hood do cinema brasileiro

Adirley Queirós, diretor de Branco Sai. Preto Fica: ele quer explodir tudo com o seu cinema politizado - Foto: Humberto Araujo

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Veja os vencedores do Festival de Brasília 2014

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Publicado em 27/09/2014 às 15h10

Juliana Perdigão na Babilônia chamada São Paulo

juliana perdigao Juliana Perdigão na Babilônia chamada São Paulo

Juliana Perdigão, uma mineira na Babilônia chamada SP - Foto: Aline Xavier

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Dizem que Belo Horizonte é um ovo. Acho que dizem o mesmo de muitas cidades por aí. Fato é que durante os 25 anos que lá morei acabei nunca cruzando com ela. Mas, também é verdade, temos amigos em comum e seu nome sempre esteve por perto. Assim, fui admirando de longe a cantora e instrumentista potente que ela sempre foi.

Agora, Juliana Perdigão está mais perto. Resolveu também se mudar para São Paulo, onde já é amiga de um monte de gente e manda ver nas peças musicais do Teat(r)o Oficina. Sobre a cidade, já tem posição a declarar: "Eu me sinto bem, adoro essa Babilônia. São Paulo é demais".

Só fomos formalmente apresentados neste mês, no último Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, no qual comandou as frenéticas pistas noturnas na comedoria do Sesc Santos com seus amigos do Oficina.

De volta à metrópole, faz show neste sábado (27), às 21h, na Casa do Mancha, ali na rua Felipe de Alcaçova, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. O ingresso do jeito que a gente gosta, bem barato: R$ 20. Pra todo mundo ir.

Sobe ao palco acompanhada dos "queridos" Chicão no piano, Moita na guitarra, João Antunes no baixo e Pedro Gongom na bateria. Além de tocar clarineta e flauta, ela também vai cantar músicas de Luiz Gonzaga, Tião Duá, Milton Nascimento, Makely Ka e Jards Macalé, entre outros compositores que fazem sua cabeça.

Não é à toa que diz que sua música tem "multifaces, múltiplas influências, reflexo do nosso tempo". Mantém olho no presente, passado e futuro. "Gosto de cantar e tocar músicas de agora, muitas de compositores os quais admiro e tenho afinidade. E lançar outro olhar sobre canções já conhecidas", explica, com todo o carinho do mundo.

Ainda estão no repertório Moondog, Negro Leo, Kiko Dinucci, Kristoff Silva, Nuno Ramos, Renato Negrão e Pablo Castro. E qual é a melhor e a pior parte de se fazer música brasileira de qualidade nos dias de hoje? Ela responde na lata: "Acho que não tem pior parte, poder fazer música já é um grande presente".

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Publicado em 27/09/2014 às 12h00

Vania Abreu quer botar música boa na praça

Vania Abreu credito Zezinho Vania Abreu quer botar música boa na praça

Vania Abreu: cantora quer lançar novos artistas no mercado fonográfico - Foto: Zezinho

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A cantora Vania Abreu, baiana radicada em São Paulo desde 1995, agora só quer saber de lançar novos artistas de qualidade no mercado fonográfico brasileiro. Desde que assumiu a direção artística do selo Friends Music, braço da produtora Friends Áudio, a irmã de Daniela Mercury resolveu apostar em nomes que conhece muito bem.

Os primeiros álbuns serão lançados até o mês de novembro. Entre eles, está o novo disco de Jau, cantor e compositor que já foi do Olodum e é queridinho na juventude descolada de Salvador, onde músicas dele como Flores da Favela e Sandália de Couro são hits.

O coletivo Os Marchistas também já assinou com o novo selo. Todos os trabalhos serão inéditos e autorais. Vania, que já lançou sete discos próprios, diz que seu objetivo agora é "espalhar música que mova ideias, pensamentos, sentimentos e tire a imaginação do lugar".

Desde 2011, ela está na empreitada da produção musical e já coleciona êxitos como o disco Mundão de Ouro, que resgatou o sambista baiano Riachão à cena musical nacional para a alegria de todos nós.

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Publicado em 27/09/2014 às 03h10

Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

antunes filho foto bob sousa 20131 Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

Miguel Arcanjo Prado entrevista o diretor Antunes Filho em 2013 - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Já se vão cinco anos desde que o primeiro clique do primeiro internauta foi dado no R7. Como representante da primeiríssima equipe do portal, histórias não faltam para contar... Pensando nisso, resolvi mergulhar em nossos arquivos e pinçar sete frases de sete entrevistas inesquecíveis que fiz por aqui ao longo destes cinco anos de história. É claro que a seleção é só uma amostra pequenina comemorativa. Espero que goste. E parabéns, R7!

r7 aguinaldo silva Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

O novelista Aguinaldo Silva - Foto: Zé Paulo Cardeal

"Adoro um barraco. Todo mundo adora. Até os esquimós são barraqueiros."
Aguinaldo Silva, novelista, falando sobre sua relação com as polêmicas, 28/9/2009

r7 chico anysio Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

O humorista Chico Anysio - Foto: Alex Carvalho

"Aquela frase do 'ninguém é insubstituível' não se aplica à comédia. Porque na comédia todos nós somos insubstituíveis. Nunca mais haverá um Mussum, um Zacarias, um Rogério Cardoso, um Francisco Milani, um Grande Othelo, um Oscarito, um Bussunda, um Chico Anysio."
Chico Anysio, humorista, respondendo à questão de quem seria um novo Chico Anysio, 30/9/2009

r7 gloria maria Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

A jornalista Glória Maria - Foto: João Miguel Junior

"Se minhas filhas são negras? É lógico! Ou você acha que eu adotaria duas branquinhas?"
Glória Maria, jornalista, falando da adoção das duas filhas na Bahia, 2/10/2009

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A cantora Vanusa - Foto: Divulgação

"Cantar o Hino na abertura da Olimpíada seria uma grande honra para mim. Eu estou muito magoada com o Hino, por causa daquela coisa toda, mas se eu fosse convidada, valeria a pena cantá-lo novamente, sim."
Vanusa, cantora, respondendo se aceitaria um convite para cantar o Hino Nacional na abertura das Olimpíadas de 2016, 3/10/2009

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"Vou ter que lavar os banheiros da Globo para pagar a vinda da Xuxa e da Ana Maria Braga."
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O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso - Foto: Bob Sousa

"Sou uma pessoa cara. Gosto de vinho e maconha. R$ 500 mil dá para fazer muita coisa... Vou fazer muita coisa por mim, porque eu preciso me cuidar, meus remédios são caros, já que tenho problema no coração, e também vou fazer muito pelo meu teatro. É uma vitória coletiva, porque sempre trabalhei em equipe."
José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, diretor de teatro, falando sobre o que faria com o dinheiro recebido de indenização por ter sido vítima da ditadura militar, 8/4/2010

r7 antunes filho foto bob sousa 20134 Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

O diretor de teatro Antunes Filho - Foto: Bob Sousa

"O ator tem de ter técnica, técnica, técnica. De boa vontade eu estou com o saco cheio de ver!"
Antunes Filho, diretor de teatro, respondendo o que um ator precisa ter, 22/9/2013

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Publicado em 26/09/2014 às 16h30

Retrato do Bob: Gilberto Gil e o reencontro

gilberto gil bob sousa1 Retrato do Bob: Gilberto Gil e o reencontroFoto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Gilberto Gil volta a João Gilberto, seminal em sua música, e volto a Gil, que me faz lembrar-me de onde vim.

Sua voz, velha conhecida, ecoa já no corredor do Theatro NET São Paulo. Gil está no palco, passa o som. Canta tranquilo, repleto de paz.

Acerto detalhes. Tudo é rápido. Um susto. No meio do diálogo, Gil, do palco, me olha. Retribuo. É como se passasse a cantar para mim, que sou um pedaço de alguém que lhe chamava de “meu neguinho”.

A passagem de som termina. Marquinhos, assessor do Gil, nos chama para ir ao camarim. Na chegada, após um turbilhão inesperado, Gil ainda mantém a paz.

Olha profundamente para Bob Sousa, que não perde o clique. Sinto Gil ali, de verdade. No rápido diálogo artístico possível. Bob termina seu trabalho.

Crio coragem e conto a Gil de quem sou neto. Ele me surpreende e revela se lembrar de vovó, do encontro que tiveram em Belo Horizonte, quando ela o chamou para ser padrinho do Afoxé Ilê Odara, mais de 30 anos atrás. Lembra com carinho.

Autografa os discos, sem pressa. Para, me encara, e pergunta, já sabedor da resposta, se ela ainda está com a gente. Digo que não, que vovó já se foi, mas que eu, ali, sou um pedaço dela nestes reencontros simples da vida.

No momento em que Gil reencontra João, redescubro em seu doce olhar dona Oneida Oliveira, que tanto me faz falta. Ele sorri e me dá aquele abraço.

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Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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