Publicado em 27/09/2014 às 16h00

Adirley Queirós, o Robin Hood do cinema brasileiro

adirley queiros foto humberto araujo 5 Adirley Queirós, o Robin Hood do cinema brasileiro

Adirley Queirós dividiu o prêmio de R$ 250 mil por melhor filme com os outros diretores que concorriam no Festival de Brasília - Foto: Humberto Araujo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos HUMBERTO ARAUJO

"Da nossa memória falamos nois mesmo". A frase, com o erro gramatical fazendo todo o sentido, é cravada pelo diretor Adirley Queirós no fim do filme Branco Sai. Preto Fica. Seu longa, produzido com o CeiCine, o Coletivo de Cinema de Ceilândia, levou 11 prêmios no 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, entre eles o de melhor filme.

Por conta deste último, ganhou a bolada de R$ 250 mil, mas preferiu dividir igualmente com os outros cinco diretores concorrentes em uma ação inédita no mais tradicional evento cinematográfico do País.

Adirley prefere fazer discurso e prática andarem juntos. Deixa bem claro que é de Ceilândia, cidade satélite de Brasília, por mais que tenha de ouvir do apresentador do Festival de Brasília que lá é muito longe. Sabe que tudo depende do ponto de referência. De qual classe você pertence. Ele é da quebrada, da periferia, com muito orgulho.

"Brasília é branca e fálica", define a cidade planejada pelos modernistas. Talvez por isso brinque com a figura de um jumento para explodir de vez o apartheid social vigente no Distrito Federal em seu filme, pondo abaixo prédios como o Congresso Nacional. Diz que "é filme de vingança terrorista mesmo", porque "não há diálogo com quem está com uma arma na mão".

E vem mais porrada por aí. Revela que seu próximo filme será Era Uma Vez Brasília. Conta que será "tipo Jaspion", com personagem gigante lutando com seres de outro planetas. Outra vez, a Capital Federal será destruída nas batalhas. Queirós não tem medo de provocar. De desestabilizar.

"Setor de domésticas norte"

"Brasília tem muito espaço vazio. Proponho criarem o setor de domésticas norte. E o setor de vigias sul. Deveriam construir casas nesses vazios pro povão não precisar passar duas horas esperando ônibus lotado na Rodoviária do Plano Piloto", afirma.

Também quer fazer O Grande Sertão das Quebradas, filme que define como um Mad Max do sertão brasileiro. "O objetivo dos justiceiros será queimar os cartórios. Essa galera aí que tem terra, registrou na base da grilagem em cartórios lá do interior. Vamos botar fogo neles", provoca.

Espera com esses filmes de destruição em massa ganhar algum patrocínio e mais salas, como acontece com as produções norte-americanas do gênero. "Quem sabe assim viramos filme de mercado? Porque se você coloca que é filme de arte, ganha R$ 200 mil. Se põe que é de mercado, leva R$ 3,5 milhões. Já vou avisando: não coloca no edital que é de arte".

Com o sucesso de Branco Sai. Preto Fica, fará cópias para vender nas ruas de Ceilândia. "Se ninguém quiser comprar a gente dá de graça". E afirma que a ausência do Estado nas periferias é recado claro. "A presença nula do Estado nestes lugares é ideológica. É um ato pensado e deliberado".

Com tanto discurso potente, faz questão de avisar, já que são tempos de eleições: "Não sou candidato a nada. Não me sinto representante de Ceilândia, nem lá de casa". Ele é apenas o Robin Hood do cinema nacional.

adirley queiros foto humberto araujo 7 Adirley Queirós, o Robin Hood do cinema brasileiro

Adirley Queirós, diretor de Branco Sai. Preto Fica: ele quer explodir tudo com o seu cinema politizado - Foto: Humberto Araujo

Marcelo Ikeda: Festival de Brasília reencontra identidade crítica

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Publicado em 27/09/2014 às 15h10

Juliana Perdigão na Babilônia chamada São Paulo

juliana perdigao Juliana Perdigão na Babilônia chamada São Paulo

Juliana Perdigão, uma mineira na Babilônia chamada SP - Foto: Aline Xavier

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Dizem que Belo Horizonte é um ovo. Acho que dizem o mesmo de muitas cidades por aí. Fato é que durante os 25 anos que lá morei acabei nunca cruzando com ela. Mas, também é verdade, temos amigos em comum e seu nome sempre esteve por perto. Assim, fui admirando de longe a cantora e instrumentista potente que ela sempre foi.

Agora, Juliana Perdigão está mais perto. Resolveu também se mudar para São Paulo, onde já é amiga de um monte de gente e manda ver nas peças musicais do Teat(r)o Oficina. Sobre a cidade, já tem posição a declarar: "Eu me sinto bem, adoro essa Babilônia. São Paulo é demais".

Só fomos formalmente apresentados neste mês, no último Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, no qual comandou as frenéticas pistas noturnas na comedoria do Sesc Santos com seus amigos do Oficina.

De volta à metrópole, faz show neste sábado (27), às 21h, na Casa do Mancha, ali na rua Felipe de Alcaçova, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. O ingresso do jeito que a gente gosta, bem barato: R$ 20. Pra todo mundo ir.

Sobe ao palco acompanhada dos "queridos" Chicão no piano, Moita na guitarra, João Antunes no baixo e Pedro Gongom na bateria. Além de tocar clarineta e flauta, ela também vai cantar músicas de Luiz Gonzaga, Tião Duá, Milton Nascimento, Makely Ka e Jards Macalé, entre outros compositores que fazem sua cabeça.

Não é à toa que diz que sua música tem "multifaces, múltiplas influências, reflexo do nosso tempo". Mantém olho no presente, passado e futuro. "Gosto de cantar e tocar músicas de agora, muitas de compositores os quais admiro e tenho afinidade. E lançar outro olhar sobre canções já conhecidas", explica, com todo o carinho do mundo.

Ainda estão no repertório Moondog, Negro Leo, Kiko Dinucci, Kristoff Silva, Nuno Ramos, Renato Negrão e Pablo Castro. E qual é a melhor e a pior parte de se fazer música brasileira de qualidade nos dias de hoje? Ela responde na lata: "Acho que não tem pior parte, poder fazer música já é um grande presente".

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Publicado em 27/09/2014 às 12h00

Vania Abreu quer botar música boa na praça

Vania Abreu credito Zezinho Vania Abreu quer botar música boa na praça

Vania Abreu: cantora quer lançar novos artistas no mercado fonográfico - Foto: Zezinho

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A cantora Vania Abreu, baiana radicada em São Paulo desde 1995, agora só quer saber de lançar novos artistas de qualidade no mercado fonográfico brasileiro. Desde que assumiu a direção artística do selo Friends Music, braço da produtora Friends Áudio, a irmã de Daniela Mercury resolveu apostar em nomes que conhece muito bem.

Os primeiros álbuns serão lançados até o mês de novembro. Entre eles, está o novo disco de Jau, cantor e compositor que já foi do Olodum e é queridinho na juventude descolada de Salvador, onde músicas dele como Flores da Favela e Sandália de Couro são hits.

O coletivo Os Marchistas também já assinou com o novo selo. Todos os trabalhos serão inéditos e autorais. Vania, que já lançou sete discos próprios, diz que seu objetivo agora é "espalhar música que mova ideias, pensamentos, sentimentos e tire a imaginação do lugar".

Desde 2011, ela está na empreitada da produção musical e já coleciona êxitos como o disco Mundão de Ouro, que resgatou o sambista baiano Riachão à cena musical nacional para a alegria de todos nós.

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Publicado em 27/09/2014 às 03h10

Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

antunes filho foto bob sousa 20131 Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

Miguel Arcanjo Prado entrevista o diretor Antunes Filho em 2013 - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Já se vão cinco anos desde que o primeiro clique do primeiro internauta foi dado no R7. Como representante da primeiríssima equipe do portal, histórias não faltam para contar... Pensando nisso, resolvi mergulhar em nossos arquivos e pinçar sete frases de sete entrevistas inesquecíveis que fiz por aqui ao longo destes cinco anos de história. É claro que a seleção é só uma amostra pequenina comemorativa. Espero que goste. E parabéns, R7!

r7 aguinaldo silva Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

O novelista Aguinaldo Silva - Foto: Zé Paulo Cardeal

"Adoro um barraco. Todo mundo adora. Até os esquimós são barraqueiros."
Aguinaldo Silva, novelista, falando sobre sua relação com as polêmicas, 28/9/2009

r7 chico anysio Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

O humorista Chico Anysio - Foto: Alex Carvalho

"Aquela frase do 'ninguém é insubstituível' não se aplica à comédia. Porque na comédia todos nós somos insubstituíveis. Nunca mais haverá um Mussum, um Zacarias, um Rogério Cardoso, um Francisco Milani, um Grande Othelo, um Oscarito, um Bussunda, um Chico Anysio."
Chico Anysio, humorista, respondendo à questão de quem seria um novo Chico Anysio, 30/9/2009

r7 gloria maria Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

A jornalista Glória Maria - Foto: João Miguel Junior

"Se minhas filhas são negras? É lógico! Ou você acha que eu adotaria duas branquinhas?"
Glória Maria, jornalista, falando da adoção das duas filhas na Bahia, 2/10/2009

r7 vanusa1 Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

A cantora Vanusa - Foto: Divulgação

"Cantar o Hino na abertura da Olimpíada seria uma grande honra para mim. Eu estou muito magoada com o Hino, por causa daquela coisa toda, mas se eu fosse convidada, valeria a pena cantá-lo novamente, sim."
Vanusa, cantora, respondendo se aceitaria um convite para cantar o Hino Nacional na abertura das Olimpíadas de 2016, 3/10/2009

r7 hebe camargo julia chequer Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

A apresentadora Hebe Camargo - Foto: Julia Chequer

"Vou ter que lavar os banheiros da Globo para pagar a vinda da Xuxa e da Ana Maria Braga."
Hebe Camargo, ao voltar a gravar seu programa no SBT após a primeira internação por conta de um câncer e ver as apresentadoras da Globo sentadas na plateia, 8/3/2010

r7 ze celso bob sousa1 Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso - Foto: Bob Sousa

"Sou uma pessoa cara. Gosto de vinho e maconha. R$ 500 mil dá para fazer muita coisa... Vou fazer muita coisa por mim, porque eu preciso me cuidar, meus remédios são caros, já que tenho problema no coração, e também vou fazer muito pelo meu teatro. É uma vitória coletiva, porque sempre trabalhei em equipe."
José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, diretor de teatro, falando sobre o que faria com o dinheiro recebido de indenização por ter sido vítima da ditadura militar, 8/4/2010

r7 antunes filho foto bob sousa 20134 Sete frases inesquecíveis de entrevistas ao R7

O diretor de teatro Antunes Filho - Foto: Bob Sousa

"O ator tem de ter técnica, técnica, técnica. De boa vontade eu estou com o saco cheio de ver!"
Antunes Filho, diretor de teatro, respondendo o que um ator precisa ter, 22/9/2013

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Publicado em 26/09/2014 às 16h30

Retrato do Bob: Gilberto Gil e o reencontro

gilberto gil bob sousa1 Retrato do Bob: Gilberto Gil e o reencontroFoto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Gilberto Gil volta a João Gilberto, seminal em sua música, e volto a Gil, que me faz lembrar-me de onde vim.

Sua voz, velha conhecida, ecoa já no corredor do Theatro NET São Paulo. Gil está no palco, passa o som. Canta tranquilo, repleto de paz.

Acerto detalhes. Tudo é rápido. Um susto. No meio do diálogo, Gil, do palco, me olha. Retribuo. É como se passasse a cantar para mim, que sou um pedaço de alguém que lhe chamava de “meu neguinho”.

A passagem de som termina. Marquinhos, assessor do Gil, nos chama para ir ao camarim. Na chegada, após um turbilhão inesperado, Gil ainda mantém a paz.

Olha profundamente para Bob Sousa, que não perde o clique. Sinto Gil ali, de verdade. No rápido diálogo artístico possível. Bob termina seu trabalho.

Crio coragem e conto a Gil de quem sou neto. Ele me surpreende e revela se lembrar de vovó, do encontro que tiveram em Belo Horizonte, quando ela o chamou para ser padrinho do Afoxé Ilê Odara, mais de 30 anos atrás. Lembra com carinho.

Autografa os discos, sem pressa. Para, me encara, e pergunta, já sabedor da resposta, se ela ainda está com a gente. Digo que não, que vovó já se foi, mas que eu, ali, sou um pedaço dela nestes reencontros simples da vida.

No momento em que Gil reencontra João, redescubro em seu doce olhar dona Oneida Oliveira, que tanto me faz falta. Ele sorri e me dá aquele abraço.

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Publicado em 26/09/2014 às 16h00

Festival de Brasília reencontra sua identidade crítica

festival brasilia foto humberto araújo Festival de Brasília reencontra sua identidade crítica

Plateia lota Cine Brasília para ver o Festival de Brasília: volta às origens - Foto: Humberto Araújo

Por MARCELO IKEDA*
Especial para o R7

A 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi histórica. O mais tradicional e importante festival de cinema no país estava passando por um período de crise.

Com o surgimento de outros festivais de cinema, como o Festival do Rio e de Paulínia, o Festival de Brasília buscava reencontrar sua identidade na cena brasileira.

adirley queiros foto humberto araujo 7 200x300 Festival de Brasília reencontra sua identidade crítica

Adirley Queirós, diretor de Branco Sai. Preto Fica: ele quer explodir tudo com o seu cinema politizado: o Robin Hood do cinema brasileiro - Foto: Humberto Araújo

E um festival com a tradição de Brasília precisava resgatar seu espírito crítico e provocativo. Sob a coordenação de Sara Rocha, neta de Glauber Rocha, esta edição de 2014, o evento apostou em uma curadoria que privilegiou filmes que buscavam a ousadia, a inquietude e o espírito crítico.

Todos os seis filmes exibidos na Mostra Competitiva proporcionaram enormes debates sobre as possibilidades no cinema brasileiro de hoje. Os filmes apresentaram modos de produção que fogem do convencional, com formatos híbridos entre a ficção e o documentário.

Sem pena, de Eugenio Puppo, e Brasil S/A, de Marcelo Pedroso, dialogaram com a tradição política do Festival. Outros filmes já optaram por um olhar intimista, como Pingo d´Água, de Taciano Valério, Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro, e Ela volta na quinta, de André Novais.

O vencedor do prêmio de melhor filme - Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós, parte da situação de opressão dos moradores da Ceilândia, cidade satélite de Brasília, para compor uma fábula político-futurista. A periferia explode em toda a sua potência criativa. Ou seja, os filmes foram da macro à micropolítica.

Leia ainda: Adirley Queirós, o Robin Hood do cinema brasileiro

Ao final, um gesto político coroou o espírito do festival. Os realizadores decidiram dividir entre si o principal prêmio, o de melhor filme de longa-metragem, no valor de R$250 mil.

Com esse gesto, percebe-se que, mais do que uma competição, o espírito dos filmes exibidos é o da troca, é o do compartilhamento de olhares. Mais do que a disputa por um prêmio em dinheiro, o que estava em jogo era a pluralidade da convivência de olhares, o respeito à diferença, a possibilidade de todos esses olhares distintos conviverem ali, sem que se precise dizer que um olhar é "melhor" do que o outro.

Esse lindo gesto coroou o encerramento dessa já histórica edição do Festival de Brasília de 2014.

*O cineasta Marcelo Ikeda é professor do Curso de Cinema da Universidade Federal do Ceará e organizador da Mostra Cinema de Garagem.

Veja os vencedores do Festival de Brasília 2014

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Publicado em 26/09/2014 às 15h36

Vídeo: Veja as dicas da Agenda Cultural da Record News desta sexta, 26/9/2014

agenda cultural Vídeo: Veja as dicas da Agenda Cultural da Record News desta sexta, 26/9/2014

Miguel Arcanjo Prado apresenta o quadro Agenda Cultural na Record News

O colunista Miguel Arcanjo Prado traz opções de diversão para o seu fim de semana na Agenda Cultural da Record News! Tem show de Ana Carolina em Salvador e de Gal Costa em Belo Horizonte. Nos cinemas, tem o resultado do Festival de Brasília, com a vitória de Branco Sai. Preto Fica, de Adirley Queirós, além da animação infantil Os BoxTrolls e do espetáculo Cabaret, o Musical, que faz as últimas sessões grátis em SP. Veja o vídeo:

Veja o vídeo:

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Publicado em 26/09/2014 às 14h00

Bem-vindo ao novo blog R7 Cultura!

miguel arcanjo eduardo enomoto Bem vindo ao novo blog R7 Cultura!

Miguel Arcanjo Prado edita o novo blog R7 Cultura - Foto: Eduardo Enomoto

Bem-vindo!

Este é o mais novo blog do portal, o R7 Cultura.

Nele, o jornalismo cultural, que anda tão maltratado por aí, tem vez.

E não serei o único autor dos textos aqui publicados.

Estou me cercando de um time de primeira de colaboradores. Em breve, você os conhecerá por aqui, com artigos pertinentes e fundamentais.

Espero que acompanhe o blog e, sempre que desejar, dê sua opinião nos comentários. Isso é fundamental para quem está do lado de cá.

Longa vida ao novo blog e, como eu sempre digo, muita cultura pra todos nós!

Miguel Arcanjo Prado

Ps. Ah, para não ter dúvida, continuo firme e forte à frente do blog Atores & Bastidores, sobre o mundo do teatro.

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Publicado em 21/07/2014 às 08h56

CELEBRIDADE

O humorista genial dizia muito com frases curtas.
trans CELEBRIDADE

Sobre as celebridades, Millor Fernandes escreveu: "Celebridade é um idiota qualquer que apareceu na televisão". Não deram importância.

Celebridade é palavra cada vez mais repetida nas redações, tem fama de engordar a audiência de tvs e sites. E assim muitos de nós lemos e escrevemos sobre elas muito mais do que o suportável. Atriz e modelo, alguns cantores do sertanejo universitário, falsos craques do nosso frágil futebol...são vários os perfis das tais celebridades, muitas celebram a vulgaridade, vivem dos paparazzi e blogueiros da fofoca, ao mesmo tempo alimentam e sustentam essas publicações e seus colaboradores. Bela parceria.

Apesar do meu mau humor reconheço que dei sorte com uma das primeiras celebridades que me apareceram pelo caminho. Talvez por ela não fazer parte do modelo que conhecemos, aliás na época não se dizia celebridade, falava-se célebre, palavra que transmitia importância.

As histórias do célebre personagem eram fantásticas, daquelas que a gente tem inveja por não ser o protagonista. Tão boas, pareciam inventadas, mas eram verdadeiras. Todas passadas no oeste paulista, em Bauru, terra de grandes jornalistas, cachaceiros e ferroviários. A celebridade de então já era saudade.  Arnaldo Duran, o jornalista da rádio Auri Verde, do Jornal da Cidade e da TV Globo Oeste já se despedira rumo à capital. Era repórter de destaque na antiga TV Manchete. Na redação de Bauru sobreviviam a memória das farras, das brincadeiras, das grandes reportagens. Nas cidades vizinhas nem se fala. Se a gente ia a Pirajuí alguém se aproximava sorridente: uma vez o Duran fez uma reportagem assim, assim; se parávamos na praça de Cafelândia, outro vinha até o carro de reportagem e queria saber: cadê o Duran, não volta mais não? Uma vez, cansados de viajar até o Pontal de Paranapanema, fomos parados na estrada por um caminhoneiro que nos pediu para enviar uma carta ao jornalista-ídolo. Nunca tinha visto o Duran pessoalmente o que só aumentava a admiração e a curiosidade. Até que a TV Manchete me fez uma proposta de trabalho e lá fui eu também para a capital. Acredite, alguns dias antes do primeiro dia na nova redação, o Duran se mudou para a Globo. Enquanto eu tentava encontrar notícia nas madrugadas geladas de 1987, o Duran brilhava no SPTV e também no Jornal Nacional. Agora as histórias divertidas eram contadas lá na emissora do seu Adolpho Bloch, numa casa antiga do bairro do Sumarezinho, na zona oeste de São Paulo. Os colegas lembravam que nas coletivas o Duran enfiava o dedo nas orelhas dos outros repórteres, desamarrava o sapato dos cinegrafistas. que num dia de festa acabou a comida e ele cozinhou ração de cachorro e serviu aos convidados. Alguns exageravam: o Duran  botou um pouco de creme de leite, acrescentou catchup e serviu como estrogonofe. Esta outra era um sucesso: num fim de semana ele se atrasou e antes de levar uma bronca desconcertou os chefes: "olha só vim por que é você que está aqui, fosse outro nem apareceria. Vé se me agradece em vez de ficar com essa cara."

Até que o dia chegou e finalmente nos conhecemos. O encontro aconteceu no SBT. Duran já era o âncora e fosse qual fosse a notícia a gente assistia com vontade de rir ao recordar das aventuras do Oeste, paulista ou paulistano. Era início dos anos noventa, máquinas Remington produziam uma barulheira ensurdecedora quando o fechamento se aproximava. A redação estava eternamente enevoada pela fumaça de muitos cigarros e as mesas de fórmica queimadas pelas guimbas depois apagadas em copos descartáveis com café frio. Jornalismo menos higiênico, menos comportado, talvez mais vivo e corajoso. Outro tempo, outra realidade, pilhas de papel, laudas corrigidas à mão com caneta Futura e o Duran lá, faceiro, estreando no "Aqui e Agora, o telejornal que mostra a A Vida Como Ela É", lembra? O SBT deu mais uma de SBT, acabou com os telejornais, demitiu muita gente. Duran viajou por aí, foi correspondente em Nova Iorque, se especializou no samba carioca depois de alguns anos na Globo Rio e há uns bons dez anos está na Record. Nos reencontramos por aqui, eu editor, ele sempre repórter, fizemos coberturas juntos na Bélgica, Itália, até na China.

Mas é aqui, no dia a dia da Barra Funda, que o trabalho abraça a diversão.

São muitas as vezes em que ele aparece nas longas noites de sexta-feira, noites de fechamento. Traz uma sacola lotada. às vezes com manga, às vezes com cebola, outras com dúzias de bananas. Ninguém tem fome, ninguém quer conversa e ele chega oferecendo:- quer que eu descasque uma manga para você? É manga espada! Prefere cebola de Guaratinguetá? Sabe a diferença da banana prata para a banana maçã?  Impossível os editores e outros repórteres não pararem por um segundo e gargalharem com mais uma do Duran. Dia desses alguém disse: quer salvar uma festa? convide o Duran, é alegria garantida.

Pois eu digo, quer uma redação feliz? Contrate o Arnaldo Duran.

Ele não é o Millor mas nos ensina: sempre há tempo e lugar para o humor.

Há duas semanas o Arnaldo Duran está de férias, parece que são dois meses.

 

Conheça aqui um pouco mais do trabalho do Duran.

 

Luis Cosme Pinto é editor executivo do Domingo Espetacular e autor do livro de crônicas Ponte Aérea.

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Publicado em 15/05/2014 às 15h44

Crônica do Cosme: De onde mesmo?

Entre cocorutos, orelhas e pescoços é possível ver que chegou mais um.

(mais...)

Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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