Publicado em 13/03/2015 às 12h00

Saiba como é viver o Método Marina Abramović

metodo abramovic Saiba como é viver o Método Marina Abramović

Público paulistano participa do Método Abramović em São Paulo - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

No começo parece que estamos em um filme de ficção científica. Uma coisa meio Stanley Kubrick em 2001 – Uma Odisseia no Espaço. A ordem é deixar os pertences em armários e seguir para uma sala onde há vários monitores de TV.

Quando todos se distribuem pelo espaço, de forma mais ou menos ordenada e em silêncio, eis que surge Marina Abramović. Só que apenas nas telas.

A imagem da performer mais celebrada em todo o mundo parece vinda do livro 1984, de George Orwell. Vestida com uma espécie de guarda-pó branco, com o logo de seu instituto, ela começa a dar ordens em uma voz suave, mas firme. Explica que é necessária uma série de exercícios para preparar o corpo para a vivência de seu método.

Assim, ordena a respiração e os principais sentidos dos participantes, com o auxílio de uma jovem assistente que aparece na tela executando os movimentos a serem copiados, enquanto a voz da artista soa em off, em inglês com legendas.

Com todos supostamente já preparados, fones de ouvidos tapadores de ruído são distribuídos pelos facilitadores, artistas que ajudam o público nas tarefas de forma quase que imperceptível.

Neste momento, o silêncio obrigatório se impõe. Depois, é só seguir o curso definido pelos facilitadores, cada qual com meia hora de duração e estritamente uma experiência individual: parado de pé, sentado, caminhando em câmera lenta e deitado.

Em cada posição, há uma vivência distinta do corpo e da mente, em uma simples redescoberta de si mesmo. Cada um faz das simples ferramentas dadas pelo Método Abramović o que pode. Não há regras. A subjetividade é parte do processo de vivência.

É assim que com seu Método, Marina Abramović traz do contexto artístico para o cotidiano paulistano a reflexão da simples existência. E acaba nos mostrando o quanto temos nos esquecido dela ao projetarmos o tempo todo no futuro e no outro. Valorizando a aproximação ao presente e a nós mesmos.

Leia entrevista com Marina Abramović

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Método Abramović: convite ao presente e ao que somos - Foto: Divulgação

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Publicado em 11/03/2015 às 17h00

#vaivENO: Liberdade Robocop por Eduardo Enomoto

enomoto roboco2 #vaivENO: Liberdade Robocop por Eduardo EnomotoFoto EDUARDO ENOMOTO

"Povos livres, lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada."
Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço (1712-1778)

*Eduardo Enomoto é fotojornalista do R7. Sua coluna, #vaivENO, é publicada toda quarta aqui no blog R7 Cultura.

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Publicado em 11/03/2015 às 03h03

Beleza da mulher madura é tema de projeto da fotógrafa Silvana Garzaro

silvana garzaro fotografa fotografia campo das flores2 Beleza da mulher madura é tema de projeto da fotógrafa Silvana Garzaro

A fotógrafa Silvana Garzaro, em autorretrato: beleza da mulher madura em foco

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos SILVANA GARZARO

Ao passar dos 40 anos, Silvana Garzaro, uma das mais atuantes fotógrafas da cena paulistana, começou a se incomodar com o lugar que o Brasil dá às mulheres maduras.

Certo dia, na cobertura de um evento — atualmente, ela fotografa para a coluna da jornalista Sonia Racy, no Estadão, mas já passou por veículos como Folha, Época, Veja São Paulo, Contigo!, IstoÉ Gente e Flash, dentre outros — ouviu, atenta, a frase dita por uma senhora: "Você está com 41 anos? Então, se prepare, minha filha, porque depois dos 40 a mulher fica invisível, principalmente no Brasil".

Refletindo sobre a afirmação, Silvana chegou à conclusão de que, realmente, muitas mulheres maduras são substituídas tanto na vida amorosa quanto na profissional por outras mais jovens, como se fossem objetos descartáveis pelo uso.

Justamente para ir de encontro a este tipo de pensamento e valorizar a mulher que passou dos 40, Silvana criou o projeto Campo das Flores, inspirado no poema homônimo do mineiro Carlos Drummond de Andrade. Nele, deseja fotografar mulheres maduras que se disponham a posar para suas lentes nos próximos meses na cidade de São Paulo. No momento está em busca de apoio ao projeto, que pretende transformar em uma exposição e, quem sabe, em um livro.

"As pessoas maduras têm, sim, beleza, sensualidade e muitas capacidades", afirma. Como deseja realizar o projeto sem pressa, começou a fotografar as mulheres em 2012 e segue com o trabalho neste ano. "Estou encontrando mulheres maravilhosas, cheias de vida, encarando como uma massagem no ego o ensaio. Aprendo e troco com elas. Cada uma é bela como é, em qualquer idade, altura, peso, filho, loucuras e hormônios [risos]", finaliza.

Nota do Editor: Mulheres maduras residentes em São Paulo que desejem participar do projeto Campo das Flores, de Silvana Garzaro, podem entrar em contato com a fotógrafa nesta página.

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Silvana Garzaro, em autorretrato: fotógrafa tem olhar delicado para os encantos da mulher madura no projeto Campo das Flores - Foto: Silvana Garzaro

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Publicado em 10/03/2015 às 13h07

“Não sou celebridade, estou aberta às pessoas”, diz Marina Abramović no Brasil

marina abramovic3 “Não sou celebridade, estou aberta às pessoas”, diz Marina Abramović no Brasil

Marina Abramović, ícone da performance no mundo, está no Brasil - Foto: Denise Andrade

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Maior referência da performance no mundo, arte que ajudou a ganhar o respeito no meio artístico e social, Marina Abramović está em São Paulo, onde abre nesta terça (10) a exposição gratuita Terra Comunal – Marina Abramović + MAI, em promoção do Sesc São Paulo no Sesc Pompeia, na zona oeste de São Paulo.

Esta é a maior retrospectiva sobre a artista sérvia radicada em Nova York em território brasileiro. Além de conhecer a trajetória de Marina, o público terá a chance de, nos próximos dois meses, conhecer e vivenciar o Método Marina Abramović, resultado de seus 40 anos de carreira.

E ela já está no Brasil, onde permanecerá até o fim da exposição, em 10 de maio. No encontro com a artista nesta segunda (9), o R7 Cultura quis saber o que ela espera ao fazer o público de uma grande cidade como São Paulo mergulhar em seu Método, com técnicas que fazem as pessoas se conectarem novamente com seus corpos.

Marina conta que uma das coisas que a motivaram estar no Brasil é a possibilidade de dialogar com pessoas de várias idades e classes sociais diferentes, como são os frequentadores do Sesc Pompeia: “Crianças, adultos, idosos, pessoas que vêm ler ou mesmo comer. Poder alcançá-las com minha arte me deixa muito satisfeita. Vai ser um grande laboratório”.

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Em tempos tecnológicos, Marina propõe encontro com o corpo - Foto: Denise Andrade

Para a performer, sua proposta “é muito simples”. E explica o porquê: “Hoje em dia a tecnologia tirou nosso tempo. Não temos tempo para fazer nada. Só a ação de chegar para fazer o Método, abrir o armário, guardar seus pertences, coloca cada pessoa de volta a um tempo de fazer algo para você mesmo”.

Ela aposta na simplicidade. “Trago movimentos simples da humanidade: andar, caminhar, sentar, deitar”. A performer conta que tudo isso tem um objetivo: “Acho válido qualquer coisa que lhe ajude a recuperar coisas que você perdeu no dia a dia. Acho que a responsabilidade de um artista, hoje em dia com essa vida tão corrida, é gerar atenção para as coisas que estamos perdendo”.

Marina Abramović conta que dá ao público “ferramentas para que experimentem”. E deixa nas mãos de cada um “como usá-las e aproveitá-las”. “Se 300 pessoas tiverem diante de uma obra e depois contar o que se passou, você terá 300 histórias diferentes”, explica.

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Marina Abramović com o diretor regional do Sesc em São Paulo, Danilo Santos de Miranda - Foto: Denise Andrade

Freio de arrumação

Em conversa com o R7 Cultura, o diretor regional do Sesc em São Paulo, Danilo Santos de Miranda, afirma que considera “essencial” a vinda de Marina Abramović à cidade de São Paulo. Para ele, a artista lida com conceitos conhecidos e novos e, mais do que  mostrar seu trabalho, sugere ideias e vivências ao público.

“Ela propõe exatamente esse freio de arrumação, uma parada para nos ajudar. E não faz isso como uma tentativa de pregação, mas oferecendo um modelo desenvolvido por uma artista performática”, diz Miranda, para quem o que Marina faz é muito claro: “É um convite para pararmos, refletirmos, sentirmos. Ela retoma um exercitar a meditação que muitas vezes abandonamos. Eu, particularmente, acho isso sempre útil. Ela junta este tipo de vivência à arte”, define.

O curador da exposição, Jochen Volz, conta que a negociação para a vinda da artista a São Paulo começou há cerca de um ano e, das conversas, veio a necessidade de Marina apresentar seu Método ao público: “Isso nos fez organizar a exposição como um momento de longa duração, o que faz parte da interlocução que Marina apresenta não só com o público como também com os artistas convidados”.

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Marina Abramović criou seu Método baseado nos 40 anos de carreira - Foto: Denise Andrade

Um método para Marina

A trajetória de Marina começou ainda na extinta Iugoslávia comunista, onde nasceu, em 1946. “Quando criança, eu me dei conta de que havia tantas culturas diferentes e não aguentava esperar o tempo em que pudesse sair e conhecê-las. Desde muito cedo, entendi que a ferramenta para mostrar a minha arte era meu corpo”.

Em sua busca criativa, Marina viveu um ano com aborígenes australianos, comendo apenas o que havia na tribo. Sua peregrinação artística também passou por lugares como a Índia, a Indonésia, a China e o próprio Brasil, onde teve contatos com xamãs, com os quais confessa “ter aprendido muito”.

Todo esse conhecimento ligado ao corpo e à natureza a levaram a decidir que sua arte precisaria ser apresentada no ambiente urbano. “Sempre pensei que a arte não precisa ser criada na natureza, porque a natureza já é perfeita. O que a gente tem de fazer na natureza é aprender e trazer para a cidade. É a cidade que precisa dos conhecimentos que vem da natureza, e não o contrário. Na sociedade ocidental, trabalhamos com o lado intelectual e acabamos não conhecendo os limites do nosso corpo, não sabemos o que fazer com ele. Nestes 40 anos de carreira, compreendi muitas coisas e escolhi as mais fáceis para mostrar para as pessoas com o meu Método”.

Marina explica que considera fundamental que o público tenha tempo para acompanhar sua obra, para que possa se estabelecer uma relação real de encontro e contato com o tempo presente.

Instituto imaterial

A artista está em busca de apoiadores para construir o edifício de seu Marina Abramović Institute, em Nova York.  “É um processo, porque sou uma artista de performance e não tenho tantos recursos. Coletar fundos para fazer um instituto demora muito. Por isso, mais do que o prédio, o instituto já existe aqui e agora, porque a arte da performance é imaterial e atemporal”.

Sobre o contato com os performers brasileiros selecionados por ela, diz que a experiência foi maravilhosa. Revela que os ajudou a limparem seus corpos e a condicioná-los para uma performance de dois meses. “Muitos artista têm força de vontade, mas não estão bem condicionados, estão gordos, bebem demais. É preciso se condicionar. Tem de estar muito preparado”, afirma. Ela deixou seus performers sem comer e falar por cinco dias e conta que a última tarefa foi a mais sentida. “Para os brasileiros é mais difícil ficar sem falar do que comer”.

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Marina Abramović na performance A Artista Está Presente, em 2010, no MoMA, em Nova York - Foto: Andrew Russeth

Celebridade mundial

Marina tem resposta pronta para intelectuais sisudos que se ressentem que ela, uma artista da performance, ter se tornado uma celebridade mundialmente conhecida, sobretudo após sua performance A Artista Está Presente, feita em 2010 no MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York.

“Quando comecei, nos anos 1960, era como a primeira mulher pisando na lua. Os professores na faculdade cuspiam em mim. Meus pais precisavam ir às reuniões do Partido Comunista para explicar o que eu estava fazendo. Por 30 anos, ninguém considerou isso que eu fazia como arte”, recorda.

E confessa que foi no MoMA que veio a grande virada. “Esse momento de reconhecimento chegou com A Artista Está Presente, no MoMa. Não precisava realmente fazer aquilo. Ir mostrar meu trabalho por oito horas por dia durante a semana e dez horas por dia aos fins e semana. Ninguém pediu para que doasse todos os átomos da minha existência. Ninguém pediu para eu ir lá e passar por aquela quantidade de emoção e dor. Quando propus ir lá e me sentar, o curador não acreditou. Ele me perguntou o que aconteceria se ninguém quisesse vir sentar-se à minha frente? Eu falei: eu ficarei sentada de qualquer maneira, não me importa se ninguém for”, lembra.

E logo a performance virou um frenesi, tornando-se a notícia artística mais aclamada de 2010 em Nova York. “Ninguém esperava que as pessoas dormiriam na fila em frente ao museu só para se sentar à minha frente. Os guardas do MoMA voltavam em seus dias de folga, vestidos à paisana, para se sentar à minha frente e também passar por aquela experiência. Por três meses não vi nada que não tivesse acontecendo naquele espaço do MoMA. Isso nunca havia acontecido com nenhum artista e mostrou o verdadeiro poder da performance. Quando levantei daquela cadeira sabia que tinha de compartilhar isso com o mundo. Quando saí, realmente, eu era uma celebridade, mas não era minha culpa. Eu, na verdade, não me sinto uma celebridade”, diz.

marina abramovic1 “Não sou celebridade, estou aberta às pessoas”, diz Marina Abramović no Brasil

Mestre da performance, Marina Abramović dá aula para Lady Gaga - Foto: Denise Andrade

Professora de Lady Gaga

O reconhecimento midiático ampliou as possibilidades de comunicação de sua arte e trouxe até celebridades com público muito mais abrangente ao encontro de Marina. “Estou sempre aberta ao contato com as pessoas. A cantora Lady Gaga, que é uma pessoa com 45 milhões de seguidores no Facebook, me procurou para fazer um workshop. Ela veio sinceramente querer aprender algo comigo”, conta.

A quem torce o nariz para esta aproximação com uma artista pop, Marina contesta. “Você pode pensar: agora a Marina trabalha com celebridade. Ou, então, pensar como eu vi: ela tem 45 milhões de seguidores que são fãs influenciados por tudo o que ela faz. E agora Lady Gaga faz workshop com Marina Abramović. Ela não está tomando drogas, mas tendo contato com uma artista da performance. E isso faz seus fãs se aproximarem dessa arte. Acho que isso é tudo o que tenho a dizer sobre ser celebridade”.

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Publicado em 10/03/2015 às 03h03

Record News faz homenagem a Inezita Barroso

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A cantora e apresentadora Inezita Barroso (1925-2015): ícone da cultura caipira brasileira - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7/2010

O Hora News desta sexta (9) homenageou na Record News a cantora e apresentadora Inezita Barroso, que morreu aos 90 anos neste domingo (8). Além de rever sua trajetória artística e mostrar como foi a despedida, o colunista de Cultura do R7 e do telejornal, Miguel Arcanjo Prado, preparou uma homenagem especial para ela. Veja o vídeo:

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Publicado em 09/03/2015 às 14h28

Inezita Barroso foi primeira cantora contratada da Record

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Inezita Barroso foi contratada pela Record em 1953 - Foto: Julia Chequer

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto JULIA CHEQUER

Inezita Barroso, que morreu aos 90 anos neste domingo (8), foi a primeira cantora contratada pela Rede Record, 62 anos atrás.

A emissora divulgou nota lamentando a morte da artista. No texto, diz que "recebeu com tristeza a notícia do falecimento da cantora e apresentadora Inezita Barroso".

A nota ainda conta que Inezita sempre foi solícita com a emissora, mesmo quando estava contratada da TV Cultura.  E afirma: "Temos o orgulho de ter em nossa trajetória o nome desta notável artista".

O texto revela que "Inezita foi, em 1953, a primeira cantora contratada pela Record, dando início a uma carreira com mais de 60 anos dedicados à televisão e à cultura caipira".

Para a Record, "a música brasileira, o cenário artístico e os folcloristas perdem uma das suas mais importantes figuras". A emissora da Barra Funda, bairro onde Inezita nsceu, externou sua "solidariedade aos familiares, amigos e fãs de Inezita Barroso".

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Publicado em 09/03/2015 às 00h23

“Não dou meu lugar pra ninguém”, dizia Inezita Barroso, que morreu aos 90 anos neste domingo (8)

inezita 2 Não dou meu lugar pra ninguém, dizia Inezita Barroso, que morreu aos 90 anos neste domingo (8)

Inezita Barroso morre aos 90 anos neste domingo (8): Brasil perde a grande defensora da música caipira na televisão - Foto: Julia Chequer/2010/Arquivo R7

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos JULIA CHEQUER

"Não pretendo largar o Viola, Minha Viola nunca e não dou o meu lugar para ninguém", assim respondeu-me Inezita Barroso quando perguntei, em 2010, se ela pretendia se aposentar um dia, nos bastidores de seu programa na TV Cultura. Infelizmente, seu lugar está vago desde este domingo (8), Dia Internacional da Mulher, quando ela morreu, aos 90 anos, recém completados na última quarta (4).

Contudo, uma coisa é preciso ser dita: Inezita Barroso é insubstituível. Ela foi a grande defensora da música interiorana tradicional na televisão, arte que sempre defendeu com unhas e dentes.

A paulistana nascida no bairro da Barra Funda tinha verdadeiro séquito de admiradores no mundo da música, na imprensa e na vida cotidiana. Bastava ir a uma gravação de seu programa para averiguar.

Muitos desses fãs a acompanhavam desde seus tempos de cantora, que antecederam o de apresentadora de TV, tarefa que exerceu ininterruptamente nos últimos 35 anos. Inezita sempre era atenciosa com todos. Sabia o nome de cada um.

Ela representou uma verdadeira fortaleza em defesa da música sertaneja caipira frente ao avanço do sertanejo universitário recente, com pegada mais pop e americanizada. Para pisar em seu palco, era preciso, sobretudo, ter respeito farto às tradições da música do campo.

Fazia questão que os músicos tocassem ao vivo. "Dublagem ou playback é uma porcaria", me disse, naquela mesma entrevista. "Fica um negócio tão falso. Tão idiota. Não quer cantar ao vivo não canta", decretou.

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Inezita recebe o beijo duplo de Almir Sater e Daniel: ela gostava de músicos que prestigiavam o sertanejo de raiz e exigia que tocassem ao vivo na televisão - Foto: Julia Chequer/2010/Arquivo R7

Inezita gostava de coisas de verdade, talvez por isso não ia muito com a cara do computador, desde que perdeu apostilas arquivadas na máquina de casa. Havia jogado os originais fora e ficou sem os documentos. Nunca mais perdoou a tecnologia.

Quando questionei se alguém um dia poderia ocupar seu lugar, ela pensou bastante. E respondeu, com ar de desapontamento. "Tenho assistido a uma coisa muito triste e a uma certa decadência em alguns aspectos. Os brasileiros estão copiando muita coisa de fora. Temos que mostrar aos estrangeiros que valorizamos o que nós temos aqui. A MPB teve grandes picos e elevações no passado, como Chico Buarque, Milton Nascimento e Caetano Veloso... Cadê essa gente? [silêncio] Essa coisa de [cantarolando em ritmo funk] “eu fui no baile, eu fui no baile...” criança faz. Eu não suporto e, mesmo assim, a gente é obrigada a ouvir. O que você vai fazer?".

Quando, na mesma conversa, citei nomes do tal do sertanejo universitário, ela fez questão de dizer que tratava-se "de um outro departamento": "É uma música de moda. Não sei quanto vai durar".

Resistente e guerreira, Inezita sempre lutou contra suas internações hospitalares, frequentes nos últimos anos por conta da idade avançada.

Na mesma entrevista exclusiva ao R7, de 2010, havia acabado de sair de uma internação. E tocou no tema, com coragem. "Anteontem eu estava morta. Estava lá no hospital. Saí do hospital ontem. É a raça. Tenho que ir. Meu público está me esperando. Tenho enorme respeito pelo meu público. Se eles se vestiram e vieram me ver, eu tenho que vir rastejando. Acabei de fazer uma inalação no camarim e vim cantar."

Infelizmente, a partir de agora, não poderemos mais ouvir a voz de Inezita, que trazia em seu som - a nostalgia daqueles tempos que, infelizmente, não voltam mais. Pobres de nós e de nossa música.

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Inezita Barroso no seu programa na Cultura - Foto: Julia Chequer/2010/Arquivo R7

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Publicado em 07/03/2015 às 03h03

Argentina não leva Oscar, mas vai a Miami

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Cena do filme argentino indicado ao Oscar Relatos Selvagens - Foto: Divulgação

Com EFE

A Argentina não levou o Oscar de melhor filme estrangeiro para Relatos Selvagens, mas o filme que conquistou críticos no mundo todo e também os brasileiros segue sua saga internacional em Miami.

Além dele, a pluralidade de estéticas e uma homenagem ao cinema independente cubano são o foco da 32ª edição do Festival Internacional de Cinema de Miami (MIFF), em EUA, que começou nesta sexta-feira (6). O evento está cada vez mais mais importante na cena cinematográfica norte-americana, graças à numerosa participação de atores, produtores e diretores.

A grande festa do cinema de Miami soube cultivar durante estes últimos anos um "estilo único", justificou o diretor do MIFF, Jaie Laplante, por reunir projeções e estreias mundiais, conversas, apresentação de estrelas e diversão.

A 32ª edição vai até 15 de março, com a expectativa de receber mais de 60 mil espectadores e o "triplo de profissionais da indústria do que em 2011", ressaltou Laplante.

A cerimônia inaugural desta noite no Olympia Theater do Gusman Center terá como prato principal a exibição do filme Relatos Selvagens, do cineasta argentino Damián Szifrón, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

O cinema ibero-americano é um dos protagonistas dessa edição. Um dos eixos do festival é, sem dúvida, a homenagem ao "cineasta independente cubano", que começa no próximo domingo com a estreia nos Estados Unidos de A Obra do Século (2015), do cubano Carlos Quintela, uma co-produção cubana, argentina e alemã.

O segundo trabalho de Quintela narra as expectativas criadas nos anos 80 na população da "cidade nuclear", perto de Cienfuegos, com a construção da primeira usina nuclear no Caribe. Mas este mundo de possibilidades desmorona com o afundamento da União Soviética.

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Publicado em 07/03/2015 às 02h16

Uma guerra de purpurina

purpurina1 Uma guerra de purpurina

POR SILVIA RIBEIRO

Com óculos de natação, a pequena Malu surgiu nos Arcos da Lapa nas costas de seu pai. A Malu é a criança mais foliã do Rio de Janeiro. Tem cinco anos e toca alfaia. Malu é um capítulo à parte.

Sorri ao ver a Malu se aproximar, já acostumada com sua onipresença nos blocos de Carnaval de rua e cercada de centenas de foliões.

Era o suspiro derradeiro do Carnaval deste ano. Domingo, dia 22 de fevereiro, por volta de 20h.

A presença da Malu se tornou plena quando, com um riso travesso, a criança derrubou sobre minha cabeça, lá de cima dos ombros do pai dela, um saco de purpurina prateada.

Aí os óculos de natação fizeram sentido. Aí senti na pele o propósito do evento a que fora convocada: a Guerra de Purpurina. Muito além do Carnaval oficial da Riotur — órgão de turismo da prefeitura, repito, turismo (e não cultura), gestor do Carnaval da capital fluminense —, que dá o Carnaval do Rio por encerrado com o Monobloco, há na cidade centenas de encontros "não oficiais" de foliões.

E nesse ano, a Guerra de Purpurina foi um dos que lacraram a farra momesca do Rio.

Malu me pegou desprevinida. Havia acabado de sair do plantão e não estava devidamente armada de purpurina para "enfrentá-la" naquele duelo. Digamos que a mim cabia brilhar.

Se não portava munição brilhante, ao menos tinha uma caixa de guerra emprestada — a pele da minha fora furada por um ritmista na Quarta de Cinzas — para tocar com o grupo de alunos da oficina da Orquestra Voadora que compunha o evento.

E assim me despedia do Carnaval 2015: brilhante, cheia de sons, amigos e sorrisos — uma boa síntese do que o Carnaval deveria significar.

O meu Carnaval é uma chance — ainda que breve — de me despir e praticar um exercício de alteridade, com todos os riscos e delícias que isso possa significar. Entrar na pele da fantasia.

Meu primeiro Carnaval foi em 1984 no Clube Banespa, na avenida Santo Amaro, em São Paulo. Eu então contava seis anos. Minha mãe costurou uma fantasia linda, de dançarina de frevo — tinha um bustiê, saia rodada de babados de cetim vermelho e verde e meia calça. Eu era só excitação para a grande estreia carnavalesca.

Mas eis que em meio ao salão, entristeci. Acho que me assustei com o arroubo de alegria, com a música alta, a dança. É... Alegria pode assustar. Me limitei a juntar confetes da folia dos outros no chão do baile.

E assim fui apresentada à Corte de Momo. O Carnaval passou a soar como uma alegria artificial. "É agora, nesses quatro dias você TEM QUE pular o Carnaval e engolir com tolerância, com um sorriso congelado, brincadeiras por vezes agressivas de gente bêbada."

Passados 32 anos, voltemos à Guerra de Purpurina, quando tal conceito havia há muito sido desconstruído e substituído para: "É agora, nesses quatro dias você pode se divertir, rir de si, rir do outro, abraçar, sapatear em poças d'água, olhar no olho de verdade, em suma, trocar afetos com as pessoas que você cruza diariamente nas ruas da cidade, mas que costumam estar enfiadas dentro de si, às voltas com seus problemas, assim como você própria."

E eis que, ao final daquela batalha, me dou conta que a purpurina não serve só para embelezar, mas para dar materialidade à troca. Explico: imaginem a infinidade de átomos e moléculas que estamos a todo tempo a trocar. Basta um esbarrão, um aperto de mão ou um abraço e trocamos infinitas nano partículas. A gente não vê, mas um pouco do outro sempre fica na gente.

Após me despedir da folia nos Arcos da Lapa, fui para casa e, ao chegar no prédio, fui avisada pelo porteiro que Elke Maravilha, minha vizinha, comemorava em seu apartamento a chegada dos 70 anos. Houve um breve diálogo. "Ah, vai lá." "Mas eu pouco a conheço... Tudo bem, vou dar um beijo na Elke."

Com uma belíssima peruca loura de dreads, Elke abriu um sorriso largo ao me avistar toda brilhante , no meio de sua sala. "Eu adoro penetras!", ela exclamou.

Elke e seus amigos também brindavam a vida, dançando na sala ao som de Blondie, The Human League e Alphaville (dessa última mais especificamente Big in Japan foi marcante).

Fui apresentada a seus amigos e, pouco tempo depois, quase todos tinham pontinhos de brilho. E assim a purpurina foi se espalhando e dando materialidade àquela troca — de contato, de alegria, de celebração da vida, de afeto.

 

*SILVIA RIBEIRO é editora executiva do R7 no Rio. Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo primeiro sábado do mês. A jornalista também integra o Blog Inverso. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

Publicado em 06/03/2015 às 20h39

Fotógrafo une Buenos Aires e São Paulo pelo olhar

bruno giovannetti Fotógrafo une Buenos Aires e São Paulo pelo olhar

Um olhar para as duas maiores cidades da América do Sul - Foto: Bruno Giovannetti

Da EFE

Fragmentos e recortes de São Paulo e Buenos Aires, colhidos minuciosamente pela câmera fotográfica do ítalo-brasileiro Bruno Giovannetti, abriram nesta quinta-feira (5) a programação cultural do Instituto Cervantes da capital paulista.

A exposição Olhares Urbanos. São Paulo-Buenos Aires constrói um quebra-cabeças de imagens, peculiaridades e diferenças que oferecem ao visitante uma radiografia de duas das maiores metrópoles da América Latina.

"Passear pela cidade pode ser muito revelador, porque são os detalhes que mostram a personalidade de um centro urbano", opinou Giovanneti durante a inauguração da mostra no centro de difusão do idioma e da cultura espanhola da maior cidade do País.

Imagens metropolitanas com foco na arte urbana, imortalizada em ruas, avenidas e edifícios que, como disse o fotógrafo, "chamam a atenção de um estrangeiro, mas são comuns para os locais".

Aparecem assim dezenas de grafites, cartazes, letreiros e vinhetas como protagonistas de um percurso por lugares e cantos escondidos, que só o olhar atento de Giovanneti consegue capturar e deixar registrado.

Por isso, o projeto também é uma denúncia social dos aspectos que, na opinião do artista, "não funcionam". Giovannetti citou como exemplo a fachada deteriorada do museu mais visitado da capital, o Museu de Arte de São Paulo (MASP). "É a demonstração do maior desinteresse e negligência do capitalismo selvagem", comentou.

Por sua vez, o professor e antropólogo italiano Massimo Canevacci destacou a importância da arte na construção do legado das cidades, durante a conferência de abertura da exibição. "A arquitetura, a arte e a comunicação deveriam provocar um choque que favoreça uma nova invenção da metrópole", disse Canevacci antes de sentenciar que "São Paulo deve evoluir, não pode ficar estagnada".

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Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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