Publicado em 27/05/2015 às 03h04

Segredos da arte contemporânea britânica desembarcam no Brasil

davenport Segredos da arte contemporânea britânica desembarcam no Brasil

Da EFE

Com obras repletas de cores vivas, uma das referências da nova arte contemporânea britânica, Ian Davenport, visita pela primeira vez o Brasil com uma exposição que explora as diferentes formas de percepção do espectador e oferece uma sensação hipnótica. Davenport, de 48 anos, levou a São Paulo uma mostra composta por 18 obras e produzida ao longo de 23 anos de sua trajetória, entre as quais está Colourade: Buzz, criada especialmente para a exposição.

— Todas estas peças serão exibidas em conjunto unicamente no Brasil.

Afastado do desenho, Davenport improvisa em cada uma de suas obras, já que, como explica, "quando se permite que a tinta seja derramada você está dizendo que o material e a forma como se propaga são mais importantes do que aquilo que se pretendia representar".

O artista, que aposta pela simplicidade na manipulação das cores e as formas, conta que desde sua infância apreciava a pintura por sua textura e não pelo que podia desenhar com ela.

— Quando estava no estúdio e pintava com latas de tinta percebi que o gotejamento que eu provocava ao seu ao redor era mais interessante que o próprio desenho que estava criando.

Centrado no estudo das cores, o artista despontou no cenário das artes visuais em meados dos anos 80, ao lado de outros da geração Young British Artists, como Michael Landy e Damien Hirst.

Entre as obras de destaque da exposição, que ficará em cartaz até 27 de junho, está uma das primeiras de Davenport, na qual o artista emprega o gotejamento utilizando exclusivamente as cores que compõem o seriado americano "Os Simpsons".

No lado oposto da sala de exposições, o público também será surpreendido ao observar seu próprio reflexo em outro dos trabalhos de Davenport, que afirma que "observar as pessoas olhando para este quadro é muito divertido pelas diferentes reações que ele provoca". Satisfeito com sua primeira visita, o artista expressou seu desejo de voltar à América do Sul em outra oportunidade, após mostrar seu trabalho em exposições já marcadas em Genebra, Bruxelas e Londres.

Exposição Ian Davenport
Quando: segunda a sexta, 10h às 18h, sábados, 10h às 13h. Até 27/6/2015
Onde: Dan Galeria (r. Estados Unidos, 1.638, Jardim América, São Paulo)
Quando: Grátis

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Publicado em 03/03/2015 às 03h03

Artistas chineses irmãos sofrem com falta de liberdade

gao brothers Artistas chineses irmãos sofrem com falta de liberdade

Gao Brothers: liberdade para arte ainda está distante na China - Foto: Divulgação

Por PALOMA ALMOGUERA
Da EFE, em Pequim

Ser artista independente, com obras com componentes de denúncia e irreverência, não é tarefa fácil na China. Isso para artistas famosos ou anônimos. Por isso, muitos optaram por sair do sistema para que ninguém dite suas obras, embora isso complique suas vidas.

"Muitos não se atrevem a cooperar conosco por causas políticas", disse à Agência Efe Gao Qiang, o menor dos "Gao Brothers" (Irmãos Gao), em uma cafeteria que os conhecidos artistas frequentam no distrito 798 de Pequim, uma antiga zona industrial ao norte da capital que atualmente acolhe modernas galerias de arte.

A sua está muito perto dali, mas hoje só é utilizada como lugar de trabalho. O governo chinês a fechou ao público em 2007, embora ali ainda estejam armazenadas várias de suas obras. Entre elas, a chamativa "Execução de Cristo", na qual seis réplicas de bronze de Mao Tsé-Tung apontam para um Jesus Cristo em posição indefesa, ou vários indecorosos bustos do líder também conhecido como "Grande Timoneiro" com o colo feminino e as extremidades abertas em postura de parto.

Claramente controversa, sua última exposição em Pequim foi permitida em 2010. Desde então, vive de seu êxito no exterior, onde a rebeldia de suas criações chamou a atenção de atores de Hollywood ou altos executivos de Wall Street, segundo fontes próximas aos artistas. Apesar de o governo chinês ter devolvido o passaporte aos artistas em 2003 e terem a permissão de viajar, eles asseguram que isso não é nenhuma garantia.

"Do que temos certeza agora, não quer dizer que teremos depois. Qualquer ação pode nos causar um problema. Na China, a política é como o ar: está em todas as partes", declarou à Agência Efe o mais velho dos irmãos, Zhen Gao. Mas isso não tira a coragem de seguirem em frente, pelo contrário. "Muitas das nossas obras têm a ver com a realidade da sociedade chinesa e queremos ver essa mudança aqui", comentou o mais novo dos artistas, cuja obra asseguram estar marcada por eventos como a Revolução Cultural (1966-1976).

Cárcere e trabalho forçado

Com a missão de "limpar" as influências do capitalismo na China, o então secretário do Partido Comunista, Mao Tsé-tung, ordenou o encarceramento e o envio de milhões de pessoas a campos de trabalho.

Entre essas pessoas estava o pai dos Gao Brothers, que, segundo a versão do governo, acabou se suicidando na prisão. Reminiscências desse período são sentidas agora, meio século depois, sob o mandato de Xi Jinping. Por ordem do governo, artistas e profissionais dos meios de comunicação terão que passar períodos no campo para deixar para trás a "escravidão do mercado", como expressou o líder há poucos meses.

"Não tiramos nem um fen (um centésimo de iuane) do Partido Comunista e não vamos ao campo como eles querem. Estamos fora do sistema e isso não nos afeta", contou à Efe Yang Weidong, autor de um volume de entrevistas sobre temas delicados na China (chamado "Sinal"), como a democracia, em um café de Pequim. Embora menos influentes que as obras dos Gao, seus livros e obras de arte também estão censurados na China continental, e, após receber ameaças por parte das autoridades, assegura que se protege "tentando controlar" o que diz.

Mordaz, intercala um tema com outro, assegurando que "90% dos chineses não acreditam no Partido Comunista", e que ele quer "apresentar o estado real das coisas", distinguido-se dos artistas que "estão dentro do sistema". "É como uma grande atuação. Eles têm salários pagos pelo Partido. Eles sim irão aos campos", acrescentou.

No entanto, a linha entre os artistas oficiais e os supostos independentes é difusa na China. Em círculos do setor, há críticas de que alguns artistas, como os Irmãos Gao e Ai Weiwei, estão protegidos pela fama internacional, ou que o governo é mais permissivo porque contam com um padrinho do Partido.

Mas Yang, que apesar de afirmar ser primo do vice-presidente Liu Yuanchao, diz que não o conhece pessoalmente, conta que "pelo menos cinco policiais" o vigiam "sempre" e acredita que as coisas pioraram para eles, embora os "antissistema" tentem unir forças criando associações como a Aliança de Artistas Independentes da China.

Artistas presos

Os Gao têm a mesma opinião e lembram que dezenas de artistas independentes foram detidos por mostrar simpatia aos protestos pró-democráticos de Hong Kong do final do ano passado, e que alguns seguem detidos.

Tendo ou não uma posição vantajosa, tanto os Gao como Yang decidiram ficar na China e aproveitar sua influência ainda dentro do país, com as limitações que enfrentam e apesar do governo de Xi se mostrar mais repressivo com relação a intelectuais, ativistas e artistas, sem reparar em sua fama ou prestígio.

"Eu encontro a liberdade em minhas obras", concluiu Yang, minutos antes de sair na rua e se encontrar de novo com os cinco policiais que o "escoltam".

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Publicado em 18/11/2014 às 03h05

Memorial ganha feira de arte independente

memorial Memorial ganha feira de arte independente

Artistas latino-americanos mostram suas obras no Memorial - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Memorial da América Latina, ao lado do metrô Barra Funda, em São Paulo, vai se transformar em um grande mercado de artes no começo do mês de dezembro, com entrada gratuita e aberta ao público.

É a FilaAC (Feira Independente LAtino-Americana de Arte Contemporânea), que acontece nos dias 4 (9h às 22h), 5 (9h às 18h), 6 (9hàs 18h) e 7 (10h às 20h) de dezembro, na Galeria Marta Traba, no Memorial.

Cada obra será vendida ao preço máximo de R$ 5 mil. Além de brasileiros, participam artistas argentinos, uruguaios, paraguaios, colombianos, bolivianos, venezuelanos, chilenos, mexicanos e cubanos.

O evento tem parceria com a Desvenda - Feira de Arte Contemporânea de Porto Alegre.

Segundo a organização, trata-se de "um evento inédito no universo das tradicionais feiras de artes, porque também será um eclético ponto de encontro entre artistas e agentes culturais latino-americanos".

A curadora Ângela Barbour diz que o objetivo é "estimular a criação de um mercado específico para as obras de arte e, simultaneamente, oferecer aos participantes a oportunidade de difundir e financiar suas produções artísticas".

 

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Publicado em 26/10/2014 às 03h08

Daniel Martins: Comida, diversão e arte?

Boi Caprichoso TL1 Daniel Martins: Comida, diversão e arte?

"Do boi de Parintins aos blocos afro de Salvador. Todas essas expressões culturais contribuem para o que somos como povo e nação", diz Daniel Martins - Foto: Divulgação

Por DANIEL MARTINS
Especial para o R7*

Neste domingo (26), milhões de brasileiros vão às urnas para o ato final de uma campanha política intensa, disputada como há muito tempo não se via.

Dois projetos, colocados frente a frente, à escolha do eleitor, que teve a sua disposição as propagandas eleitorais, uma dezena de debates televisivos e entrevistas para amadurecer sua decisão.

Em todo este processo, me chamou a atenção, de maneira negativa, o pouco espaço concedido à cultura. Raramente abordado em entrevistas, pouco explorado no horário eleitoral, a despeito de cantorias e declarações de votos de artistas, e inexistente nos debates.

Parece não haver espaço para a cultura na cumbuca do Bonner, nem na dos demais mediadores de debates realizados em quatro emissoras distintas, bem como para questões também no âmbito da cultura, em seu sentido antropológico, como os saberes, fazeres, viveres das populações tradicionais, indígenas e quilombolas, e seus ricos patrimônios culturais materiais e imateriais.

É claro que saúde, educação e segurança são as pautas primeiras de toda campanha eleitoral realizada no País, mas a incipiência da cultura nos discursos políticos deixa transparecer a falta de entendimento de nossos governantes sobre a importância e potencialidade da atividade cultural para toda e qualquer sociedade.

Ao envolver as atividades do agente, do propagador e do espectador cultural, a mesma contribui para a elaboração de uma identidade cultural que funda uma consciência de povo, valorizando e respeitando as diferenças próprias de cada região onde a cultura é produzida, difundida e apreciada. Contribui com o processo educativo para além dos muros da escola, para a diminuição da violência, para o exercício da cidadania, dentre outras.

Da apresentação de uma orquestra sinfônica ao duelo de MC’s debaixo de um viaduto. Da exposição dos painéis Guerra e Paz de Portinari ao grafite que colore as ruas de nossas cidades. Da literatura de Machado de Assis aos cordéis de João Martins de Athayde. Das formas de Amilcar de Castro à poesia concreta de Carybé e Mestre Vitalino. Do boi de Parintins aos blocos afro de Salvador. Todas essas expressões culturais contribuem para o que somos como povo e nação. São, desse modo, eminentemente políticas.

Diante das propostas de ambos os candidatos, vejo pontos importantes como a revisão da Lei Rouanet, investimentos em nosso sistema nacional de bibliotecas, ampliação de editais de cultura que contemplem negros e gays e valorização de manifestações culturais regionais que poderiam muito bem ser encampadas por qualquer dos futuros governos.

É uma pena que a campanha tenha chegado ao fim com estes e outros temas, como o relativo à participação do Estado na esfera cultural, deixados de lado. Há muito, os Titãs já deram o recado: a gente não quer só comida.

daniel martins r7 cultura Daniel Martins: Comida, diversão e arte?*DANIEL MARTINS é bacharel em Ciências Sociais e mestre em Sociologia pela UFMG. É doutorando em Sociologia pela Unicamp, onde dedica-se ao estudo da Sociologia da Cultura. Colunista convidado, escreve no R7 Cultura todo quarto domingo do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Dançarina belga apresenta o espetáculo Riff neste fim de semana

Amplamente influenciada por seu passado na companhia de Pina Bausch, enriquecida por diversos encontros e experiências coreográficas, Dominique Duszynski traz, pela primeira vez ao Brasil, o espetáculo Riff, em duas apresentações no Teatro Anchieta do Sesc Consolação.trans Dançarina belga apresenta o espetáculo Riff neste fim de semana

Ao lado da dançarina Zoi Efstathiou, Duszynski oferece um dueto, lançado como uma onomatopeia, um sopro, um “coro rítmico”.

Em um círculo de areia com oito metros de diâmetro, duas gerações de mulheres se encontram para partilhar a exploração. Um piscar de olhos ao tempo, às suas formas sinuosas, ritmadas pela mudança de expressão.
permitem modificar as cores da coreografia em uma sequência de sensações sensuais, suspensas, caóticas, cúmplices.

(Indicado por Ligia Braslauskas, gerente de jornalismo do R7, @ligiakas)

danca1 Dançarina belga apresenta o espetáculo Riff neste fim de semana

Riff

Quando: sábado (15), às 21h; domingo (16), às 18h. Recomendação etária livre.

Onde:
r. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque, tel.: 00xx11-3258-3830.

Quanto: R$ 20 (inteira); R$ 10 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 5 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes).

 

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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