Publicado em 20/03/2015 às 11h00

Exclusivo – Jorge Drexler fala sobre disco Bailar en la Cueva e a turnê que chega ao Brasil

DREXLER BAILAR EN LA CUEVA 5 Exclusivo   Jorge Drexler fala sobre disco Bailar en la Cueva e a turnê que chega ao Brasil

Uruguaio Jorge Drexler encerra turnê mundial Bailar en la Cueva com três shows no Brasil na próxima semana: São Paulo, Porto Alegre e Curitiba - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Jorge Drexler escolheu o Brasil para terminar a turnê mundial de seu mais recente disco, o dançante Bailar en la Cueva. Com oito artistas em cima do palco, abre o show com coreografia. Reencontra seu corpo neste trabalho pulsante, composto em uma praia.

A turnê se concentra na parte sul do Brasil, onde tem mais admiradores. O músico se apresenta em São Paulo no próximo dia 26, quinta-feira, no Teatro Bradesco. Na sexta, 27, o show é no Bar Opinião, em Porto Alegre, e no domingo, 29, encerra a turnê mundial no Vanilla Music Hall, Curitiba, onde toca pela primeira vez.

O músico ainda sonha em tocar mais ao norte, em Salvador, Recife e Fortaleza, mas espera conseguir fazer isso na próxima vinda.

Uruguaio radicado na Espanha, Drexler, que tem 50 anos, conquistou o mundo em 2005, quando sua música Al Otro Lado del Rio, tema do filme Diários de Motocicletas, de Walter Salles, foi a primeira em outro idioma que não o inglês a levar o Oscar de melhor canção original na história.

Impedido de cantar a música na cerimônia — ela foi interpretada por Antonio Banderas, nome mais hollywoodiano —, Drexler utilizou o tempo de agradecimento para cantar sua música. No mesmo instante, com a atitude corajosa e contestatória, abocanhou fãs em todo o planeta, sobretudo latino-americanos que sentiram-se identificados com seu gesto.

Direto de um hotel na Cidade do México, o cantor e compositor, que é formado em medicina, conversou, com exclusividade, com o R7 Cultura, sobre o disco Bailar en la Cueva. Entre outras coisas, falou da participação de Caetano Veloso na música Bolívia, que já entrou para a lista de suas músicas prediletas, das relações com a imprensa, com a tecnologia, com o mar, com o corpo e com a vida.

Leia com toda a calma do mundo.

DREXLER BAILAR EN LA CUEVA 4 Exclusivo   Jorge Drexler fala sobre disco Bailar en la Cueva e a turnê que chega ao Brasil

Aos 50 anos, Jorge Drexler redescobre o corpo com música - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO —Por que um disco para dançar?
JORGE DREXLER —
Olha, eu gosto do ser humano de uma maneira mais completa. Em relação seus diferentes componentes: a mente, as emoções, o corpo. Eu sempre tive a sensação de que escrevia mais desde a mente e as emoções. E eu sou um filho da ditadura no Uruguai. Eu me criei em uma sociedade onde não se dançava, na qual o corpo era o grande ausente, pela repressão da ditadura. Então, demorei a chegar ao meu corpo. Eu creio que terminei de me dar conta da importância do corpo neste ano que estou com 50 anos. Há alguns anos, comecei a me dar conta que o corpo não é infinito. E algo em mim, não sei o quê, me fez entrar mais no corpo. Escrevo desde o corpo como uma tentativa de ganhar a batalha contra a ditadura, trinta anos depois.

MIGUEL ARCANJO PRADO — E o que você pensa das pessoas que atualmente no Brasil estão pedindo a volta da ditadura militar?
JORGE DREXLER —
Não tenho ideia de que isso está acontecendo. Onde foi isso?

MIGUEL ARCANJO PRADO —Nas grandes cidades do Brasil houve protestos contra o governo Dilma e havia grupos que colocaram bandeiras do Brasil e muitas pessoas levaram cartazes pedindo a volta dos militares.
JORGE DREXLER —
Pedindo a volta dos militares?

MIGUEL ARCANJO PRADO — Isso.
JORGE DREXLER —
Que loucura, não?... Agora estou de turnê e quando estou de turnê não leio muito as notícias. Fico um pouco isolado.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Mudando de assunto, eu tenho uma amiga no Brasil que é filha de bolivianos e jornalista, a Elba Kriss. Ela gosta muito da canção Bolívia, do seu disco Bailar en la Cueva, porque se sente representada. Você sabe que em São Paulo há mais de 300 mil imigrantes bolivianos e muitos trabalham em situação irregular? Fale um pouco dessa música, sua relação com a Bolívia e a participação do Caetano Veloso.
JORGE DREXLER —
Para mim Bolívia é uma das canções mais importantes do disco por muitas razões. Há dois anos, quando fui tocar na Bolívia, eu me dei conta da dívida que tinha com este país. Senti que eu devia algo a Bolívia, porque a família de meu pai, em janeiro de 1939, saiu da Alemanha e o único país que os recebeu foi Bolívia, na América Latina. Em janeiro de 1939, as chancelarias das embaixadas latino-americanas, em um gesto vergonhoso, negaram a concessão de vistos para os judeus alemães. Isso se sabe pouco. Mas, foi assim. Meus pais, que eram de uma família de judeus alemães, conseguiram visto para entrar na Bolívia, porque os bolivianos foram muito valentes e mantiveram abertas suas chancelarias. Então, quando fui tocar na Bolívia, dois anos atrás, pela primeira vez, me dei conta que lhes devia algo e que estava muito agradecido. E, mais, me parecia mais maravilhoso o gesto porque vinha de um dos países mais pobres da América Latina. O mais pobre estava ajudando a cidadãos centro-europeus, recebendo refugiados centro-europeus. A importância que isso tinha como símbolo histórico, o significado. Como o pêndulo da história vai para um lado e logo para o outro. Como hoje em dia tratamos aos imigrantes bolivianos no Uruguai? E no Brasil?

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Drexler compôs Bolivia como agradecimento ao país que acolheu sua família - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO —No Brasil, muitos bolivianos são escravos clandestinos.
JORGE DREXLER —
Os mais de 300 mil imigrantes que há no Brasil, no Uruguai há muitos também, e nem sempre são bem tratados. É vergonhoso que não saibamos devolver esses favores. Cheguei à Bolívia e fiquei muito emocionado. Queria dedicar uma canção a um país valente e generoso, apesar de seus poucos recursos econômicos. Mas com muitos recursos humanos, muita generosidade, um país que conheço pouco, mas que me deixa maravilhado. Eu quis cantar essa história: que num momento da História todo mundo dizia que não, mas à minha família lhe disse que sim Bolívia [fazendo referência ao refrão da música: "Todos decían que no. Cuando dijo que sí, Bolivia"]. Uma homenagem à Bolívia.

MIGUEL ARCANJO PRADO — E a participação de Caetano?
JORGE DREXLER —
É uma parte importantíssima da canção, que necessitava uma voz com autoridade artística para cantar o recitado final: [cantarolando] "Y el péndulo viene y va y vuelve a venir e irse. Y tras alejarse vuelve. Y tras volver, se distancia"... E Caetano estava apresentado seu maravilhoso disco Abraçaço em Bogotá quando estava gravando meu disco. E Caetano nos convidou a ver o show e logo a comer com ele. Estávamos no jantar, conversando, e alguém perguntou: e vocês dois, para quando farão uma parceria? E Caetano respondeu: "ficaria encantado". Porque não tínhamos feito nada juntos ainda. Então, eu lhe mandei a canção e ele gravou os versos. E, na verdade, foi o som da canção, o significado da canção para mim e a voz de Caetano fizeram com que essa canção se transforme em uma das minhas canções favoritas de toda minha carreira.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Também gosto muito dessa canção. Agora, falando de outra do disco, em Data Data, você diz assim: "Nadie existe si nos es noticia" e também você fez outra canção, muito dura, em relação aos paparazzi, La Plegaria del Paparazzo, em forma de oração. Eu queria saber qual é sua relação com imprensa, sobretudo com a de celebridades.
JORGE DREXLER —
Bom, eu não sou uma celebridade, na verdade. Sou uma pessoa conhecida. Às vezes mais, às vezes menos, depende do país. Mas nunca me movi dentro do mundo das celebridades, um mundo que não me interessa. Nunca dei uma entrevista para esse tipo de revista. Em uma época, como minha mulher é atriz e é uma pessoa muito conhecida na Espanha, quando começamos a estar juntos, durante um tempo nos seguiram. E, depois, não sei se deram conta de que nossas vidas eram muito chatas, e que não tinham nada que encontrar aí. E tampouco nós entrávamos nesse jogo. Essa canção eu escrevi faz um tempo, quando isso me incomodava, me incomodou. Porque apareceram meus filhos em fotos e me senti invadido em um momento. Mas, olha, eu creio que cada um é responsável também da relação que tem com a imprensa de celebridades. Se você quer, de verdade, que te deixem tranquilo, te deixam tranquilo. É muito fácil fazer com que percam o interesse em você. E a maneira que descobri para que percam o interesse em mim é viver com naturalidade, sair em minha bicicleta por Montevidéu ou por Madri. Ir aos lugares como sempre, reunir-me com meus amigos, comer no mesmo restaurante até que se aborreçam e se dão conta que sua vida não é interessante. Nem vá discutir com eles e não vai dar nenhum motivo para que te sigam. Me deixaram em paz e pude gravar esta canção. É uma canção dura, mas é uma canção divertida, porque tem ironia. E tem, quase que ironicamente, um ponto de empatia com o paparazzo. Se coloca em seu lugar. Isto é, a canção diz o que pensaria a cabeça do paparazzo. "Que el pulso no me tiemble en el ultimo instante, que el foco no pierda detalle de los dos amantes". Digamos, o que ele pede a Deus.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que você acha, Drexler, destes tempos em que a gente quer ser notícia em seu meio familiar, no Facebook? As pessoas se fazem notícia o tempo todo. Que te parece estes tempos que não são mais Aquellos Tiempos?
JORGE DREXLER —
Bom, eu não sou uma pessoa nostálgica. O melhor tempo que tenho é o que vivo agora. É o único sobre o qual posso atuar. Não tenho nostalgia do passado. Eu não era mais feliz há 25 anos que agora. Nem me parece que o tempo era melhor que agora. Não sou uma pessoa nostálgica. Eu acho que esta é uma época muito interessante e muito difícil para viver. É tão interessante e tão difícil quanto têm sido todas, com diferentes dificuldades. O que sim está claro é que hoje em dia a notoriedade é um bem muito mais apreciado que antes. Todo mundo quer ganhar seus 15 minutos de fama, como dizia Andy Warhol. Todo mundo o vive realmente hoje em dia. Quando tem a possibilidade de ser notícia por um dia. E é muito importante para as pessoas, hoje em dia. A canção não é um juízo de valor. Não é uma crítica, é assim que o que eu vejo. O paradigma desta época é o surf, andamos pela superfície das coisas. Sabemos muito pouco de muitíssimas coisas. Antes, sabíamos muito de poucas coisas. Eu escutava um disco durante três meses antes. Agora escuto 40 canções diferentes por dia. Não é melhor, não é pior, mas é diferente. Agora, minha pergunta também é a seguinte: nessa avalanche, nessa catarata de informações, como você pode beber sem se molhar? É impossível. Não depende só da quantidade de água que tenha, se é fácil beber. Há tanta informação na internet que é muito difícil administrá-la. É como uma cachoeira de informações. Que você entra a beber e se molha de outras coisas.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Imagina um jornalista.
JORGE DREXLER —
Imagino. Mas, também, há que se considerar a ferramenta que você tem. Você quer fazer esta entrevista e dá um Google sobre mim e em duas horas tem mais informações sobre mim do que a que eu tenho.  Agora, a informação não é conhecimento. Necessita de outros componentes: de assimilação, de vivência. Muita gente confunde informação com conhecimento. Muita gente confunde amizade no Facebook com amizade. As palavras tem perdido um pouco seu valor. Quantos amigos tem? "Eu quero ter um milhão de amigos" [risos]. Todo mundo quer "um milhão de amigos".

MIGUEL ARCANJO PRADO — É verdade. Todos querem ser como Roberto Carlos.
JORGE DREXLER — Eu tenho oito ou nove amigos.

DREXLER BAILAR EN LA CUEVA Exclusivo   Jorge Drexler fala sobre disco Bailar en la Cueva e a turnê que chega ao Brasil

Jorge Drexler não tem um milhão de amigos: "Tenho oito ou nove amigos" - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO —Você falou de um tempo onde escutava um disco durante muito tempo. Escutei seu disco muito durante o verão, em uma praia aqui em São Paulo, e me pareceu que seu disco combinava com o cenário. Até tem uma canção que falava de praia, La Luna de Rasquí. Queria saber se acha seu disco solar, para acima, um disco de praia?
JORGE DREXLER —
É um disco de movimento, é um disco escrito desde os pés. Mas nem todo o disco é solar. Para mim, o que quero resgatar, que no Brasil, ademais, sabem muito disso, é que a dança, o movimento, serve para expressar toda a gama de sentimentos. Desde a alegria até a tragédia. Brasil sabe muito disso. Brasil tem muitos sambas de Caetano Veloso, Chico Buarque que são sambas escuros. Como a música Navio Negreiro, de Caetano. Vários sambas do Chico, como Construção, por exemplo, que não se pode dizer que são uma canção luminosa. Entretanto, têm um pode ritmo muito grande, então eu entendo que você estava luminoso porque estava no verão. Em que praia estavas?

MIGUEL ARCANJO PRADO — Maresias, uma praia do litoral norte de São Paulo.
JORGE DREXLER —
Eu conheço. Já estive em Maresias no verão. O disco está feliz de ter lhe acompanhado. Há canções como Data Data, La Noche no Es una Ciencia Exata, La Plegaria del Paparazzo, não sei se tem mais canções escuras. Também estão Bailar en la Cueva, La Luna de Rasquí que são canções muito luminosas. Eu escrevi este disco também em uma praia. Eu fui para o norte da Espanha, à praia de Somo, em Cantabria. Uma praia de veleiros (Eu gosto de surf. Na turnê, quando posso, vou surfar. Agora vamos ir a Costa Rica, e vou surfar lá. Já surfei em Florianópolis e sempre que posso me escapo). Então, eu fui com minha prancha e meu violão, a uma casa, sozinho, de frente para o mar. Aí, baixava à praia uma hora e voltava para compor. Queria que o disco surgisse do corpo, em uma atividade física, de uma relação física com a música. Queria ter o corpo desperto.

MIGUEL ARCANJO PRADO —Creio que conseguiu.
JORGE DREXLER —
Bom, fico feliz. Se o disco conseguiu. O show é muito físico também, se abre com uma coreografia. Onde você vai ver o show?

MIGUEL ARCANJO PRADO — Em Curitiba.
JORGE DREXLER —
Esse concerto, do dia 29, será muito especial para mim. Te conto o porquê. Curitiba é uma cidade que conheci 25 anos atrás. Eu fui com um amigo e nunca mais voltei. Sempre quis ir tocar lá. E esta vai ser a primeira vez que toco em Curitiba. E, além disso, este será o último show da turnê Bailar en la Cueva. Essa noite, eu me despeço da minha equipe e dos meus músicos no palco. E não sei quando voltaremos a tocar juntos, porque depois vou começar outro tipo de turnê, diferente.

DREXLER BAILAR EN LA CUEVA 2 Exclusivo   Jorge Drexler fala sobre disco Bailar en la Cueva e a turnê que chega ao Brasil

Drexler compôs Bailar en la Cueva em uma praia no norte da Espanha - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO —Vou estar então em uma noite histórica.
JORGE DREXLER —
Vamos estar todos muito emocionados.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Vou retomar outro verso seu nesta última pergunta: "No ves que yo no sé que hacer con mis dos universos paralelos". Como é ser um uruguaio que vive na Espanha, como é voltar ao Uruguai? É estrangeiro nos dois lados? Como lida com isso, de não estar em sua casa e sua casa já não ser mais sua casa?
JORGE DREXLER — A verdade é que o vivo sem drama hoje em dia. Sou um imigrante muito sortudo. Porque tenho a possibilidade de ir quando quero ao Uruguai. Vou três ou quatro vezes por ano. E de alguma maneira minha relação de pertencimento se abriu. Não sei como te explicar de outra maneira. Mas, me sinto em casa em muitos lugares. Eu me sinto em casa quando estou de viagem. Me sinto em casa no Equador, no México, Chile, Bolívia, no sul do Brasil. Na Argentina. Olha, de março do ano passado até agora, fiz praticamente 90 concertos de Bailar en la Cueva. E eu passei quase meio ano fora da minha casa. Então, um vai se acostumando à estrada, a estar longe. E faz vários anos que deixei de ter fortes saudades com Uruguai. Já me acostumei a estar num estado intermédio. Mas, na música Universos Paralelos, eu não falo dessa relação de Uruguai e Espanha. Falo da dissociação entre a vontade de uma pessoa, os atos de uma pessoa e seus desejos ocultos. É mais freudiana. É mais Freud que geografia.

Agradecimento: Juan Manuel Tellategui e Túlio Moura

SERVIÇO:

Bailar en la Cueva, de Jorge Drexler

São Paulo:
Data: 26/03/2015 (ESGOTADO)
Local: Teatro Bradesco (shopping Bourbon)
Horário: 21h00
Ingressos: www.ingressorapido.com.br

Porto Alegre:
Data: 27/03/2015
Local: Bar Opinião (Rua José do Patrocínio, 834, Cidade Baixa ­ Porto Alegre/RS)
Horário: 20h00
Ingressos: www.minhaentrada.com.br
PISTA 3 LOTE: R$200,00 (Inteira ­ 20% de desconto para Meia­Entrada)
MEZANINO: R$200,00 (Inteira ­ 20% de desconto para Meia­Entrada)

Curitiba:
Data: 29/03/2015
Local: Vanilla Music Hall (Rua Mateus Leme, 3690 ­ São Lourenço ­ Curitiba/PR)
Horário: 20h30
Ingressos: www.ingressorapido.com.br
PISTA 1 LOTE: R$160,00 (Inteira); R$80,00 (Meia­ Entrada)
CAMAROTE: R$260,00 (Inteira); R$130,00 (Meia­ Entrada)

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Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Em tempos que vemos secar nossas nascentes e represas, é mais do que primordial respeitar e divulgar a beleza de nossos rios.

Este é o foco da exposição gratuita Roteiro Poético do Imaginário das Grandes Bacias Fluviais Brasileiras, que está em cartaz no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo (av. Europa, 158, tel. 2117-4777) até 4 de janeiro.

A ideia da mostra partiu do livro Prata, São Francisco, Amazonas - União das Águas: Imaginário das Grandes Bacias Fluviais Brasileiras, organizado pelo artista plástico Bené Fonteles e pelo jornalista Marcelo Delduque.

Entre os fotógrafos estão José Medeiros, Claudia Andujar, Araquém Alcântara, Maureen Bisilliat, Elza Lima, Zé Paiva e Luciano Candisani, Mário Friedlander, Miguel Chikaoka, Rogério Assis, Christian Cravo e Fernanda Martins. Além das imagens, a exposição traz textos de nomes como Carlos Drummond de Andrade, Tetê Espíndola e Lucina, Nilson Chaves, Raymundo Moraes, Fernanda Martins e Paulo André Barata.

A exposição fica aberta gratuitamente de terça a sexta, das 11h às 21h; sábado, das 9h às 23h; e domingo e feriado, das 9h às 20h. Nossas águas agradecem a visita.

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As relações entre Brasil e Portugal sempre foram intensas, sobretudo no mundo das artes. O Consulado Geral de Portugal em São Paulo realiza, no próximo sábado (29), um bate-papo sobre a representação portuguesa na Bienal de Veneza e na Bienal de São Paulo, dois dos mais importantes eventos das artes plásticas no mundo.

As pesquisadoras de arte Lígia Afonso e Ughetta Molin Fopp participam do evento, previsto para começar às 18h na sede do consulado.

O encontro é um desdobramento da exposição Cartas de São Paulo, com curadoria de Ligia Afonso e Isabela Lenzi, em cartaz no local.

A mostra foca na correspondência sobre a cena artística paulistana publicada entre 1959 e 1996 na revista Colóquio Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, de Lisboa. O objetivo é, sobretudo, propor uma reflexão da presença portuguesa na Bienal de São Paulo.

A mostra traz arquivo de Wanda Swevo e da Biblioteca de Arte da Gulbenkian, além de uma obra da artista Mafalda Santos.

A exposição está em cartaz até 5 de dezembro na Sala Camões do Consulado Geral de Portugal em São Paulo (r. Canadá, 324, Jardim América, tel. 0/xx/11 3084-1800). A visitação é de segunda a sábado, das 12h às 17h. A entrada é gratuita.

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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