Publicado em 21/05/2015 às 03h04

No ano do centenário, viúva de Orson Welles desembarca no Brasil em mostra de cinema

Orson Welles e Oja Kodar3 No ano do centenário, viúva de Orson Welles desembarca no Brasil em mostra de cinema

Orson Welles e Oja Kodar - Foto: Divulgação

Do R7

Entre os dias 22e 27 de maio, em São Paulo, o Caixa Belas Artes prepara uma programação especial para comemoração do centenário de Orson Welles. Ao longo da mostra, 12 filmes importantes da obra do cineasta serão exibidos e também contará com a presença especial da viúva do gênio do cinema.

No sábado (23), ela participará d um bate-papo com o público após a exibição do filme Verdades e Mentiras, onde atua. Oja é croata e foi companheira de Orson Welles por 25 anos. Atualmente com 74 anos, ela vem ao Brasil e promete fazer números de mágica, uma das proezas que aprendeu com Welles.

Ela conheceu o cineasta enquanto ele filmava O Processo e, desde então, atuou como co-roteirista e coprodutora de seus filmes. Hoje é uma das responsáveis pela administração da obra do ex-companheiro.

Se estivesse vivo, Orson Welles teria completado cem anos no último dia 6 de maio. Ele inovou o cinema com sua ousadia estética e criatividade.

 Os filmes que serão exibidos são Cidadão Kane, A Dama de Shangai, Macbeth: Reinado de Sangue, Mr Arkadin, A Marca da Maldade,Verdades e Mentiras, O Processo, Jornada do Pavor, Falstaff, Othelo e O Terceiro Homem (de Carol Reed, com Orson Welles no elenco). Toda a programação com os horários de exibição pode ser vista no site do Caixa Belas Artes. Os ingressos também poder ser adquiridos com antecedência no www.ingresso.com.br.

adamadeshangai21 No ano do centenário, viúva de Orson Welles desembarca no Brasil em mostra de cinema

A Dama de Shangai - Foto: Divulgação

Mostra Centenário Orson Welles
Quando: de 22 a 27 de maio.
Onde: Caixa Belas Artes (r. da Consolação, 2423, próximo ao metrô Paulista. Telefone: 0/xx/ 11 2894-5781)
Quanto: R$12 (segunda), R$ 22 (terça a domingo)

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Publicado em 10/05/2015 às 03h04

Cem anos de Orson Welles em dez pontos

orson welles Cem anos de Orson Welles em dez pontos

Orson Welles teria completado cem anos neste mês de maio - Foto: Divulgação

Da EFE

Orson Welles, uma das figuras mais decisivas na história do cinema, que deixou lembranças indeléveis como diretor, ator e roteirista, completaria 100 anos na última quarta-feira (6). A Agência EFE listou dez pontos para entender a genialidade de Welles.

1. INÍCIOS NO TEATRO

Jovem prodígio e órfão desde criança, se apaixonou cedo pelo teatro e encontrou espaço na cena nova-iorquina graças ao programa governamental Federal Theatre Project, com o qual produziu adaptações de Macbeth - com um elenco completamente negro - e The Cradle Will Rock. Pouco depois e, após ser recomendado, entre outros, pelo romancista e dramaturgo Thornton Wilder, formou em 1937 a companhia do teatro Mercury junto com John Houseman. Sua primeira obra foi Julius Caesar, adaptada aos tempos modernos com uma alegoria sobre o fascismo.

2. A GUERRA DOS MUNDOS

A paranoia radiofônica criada em 1938 por Welles inspirada no romance de H.G. Wells. foi uma célebre produção da emissora CBS que provocou histeria na sociedade americana. Foram 60 minutos que recriaram a chegada de marcianos a Nova Jersey e a destruição de bairros inteiros com raios mortíferos. Na realidade, se tratava de uma piada na véspera do Halloween que deixou os ouvintes enlouquecidos.

3. OS ESTÚDIOS RKO

A brilhante travessura de A Guerra dos Mundos abriu as portas da Meca do cinema, e os estúdios RKO, uma das companhias clássicas da era dourada de Hollywood, assinaram seu primeiro contrato - e com um privilégio, controle artístico absoluto: com 26 anos interpretaria, dirigiria, escreveria e produziria seu próximo projeto. Essa confiança se tornou Cidadão Kane, um fracasso comercial que fez a empresa perder US$ 150 mil (uma fortuna na época). Por isso, nunca recuperou a confiança dos grandes estúdios.

4. CIDADÃO KANE

A estreia do artista (1941) é considerada um dos melhores filmes da história, candidato a nove prêmios Oscar, inclusive de melhor filme, melhor ator e melhor diretor (ambos para Welles). Ganhou o de melhor roteiro original, reconhecimento dividido pelo cineasta com Herman J. Mankiewicz. O filme conta a vida do magnata da imprensa Charles Foster Kane, uma figura fictícia baseada na vida de William Randolph Hearst.

5. ROSEBUD

É o último suspiro de Kane antes de morrer em uma sequência lendária que faz parte dos anais do cinema. É a palavra escrita no trenó em que o protagonista brincava quando criança na neve, e a cena, que continua a ser um grande mistério para muitos, ilustra a infância perdida do personagem milionário.

6. SHAKESPEARE

Sua grande paixão. Macbeth foi rodado em menos de um mês em 1948 dentro de um estúdio, enquanto a filmagem de Othello durou de 1949 a 1952 por problemas de financiamento, que o obrigaram a aceitar diferentes trabalhos para reunir o dinheiro necessário para finalizar o projeto. Apesar das várias críticas, conquistou a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Falstaff - O Toque da Meia Noite (1965) foi rodado em 1965 na Espanha com um orçamento ínfimo que o obrigou a fazer uma só tomada de cada cena.

7. CASAMENTO COM RITA HAYWORTH

Welles se casou três vezes e teve um filho com cada mulher. Sua primeira esposa foi Virgínia Nicholson, de 1934 até 1940. Três anos mais tarde se casou com a diva Rita Hayworth. Eles se divorciaram em 1948. Filmaram juntos A Dama de Xangai (1947). Em 1955 se casou com Paula Mori, união que durou até sua morte, apesar de não o ter impedido de manter um relacionamento de 19 anos com a atriz croata Oja Kodar.

8. A MARCA DA MALDADE

Possivelmente, uma das cenas mais analisadas e estudadas de sua filmografia é o plano sequência de mais de três minutos que abre o filme. Sem dúvida, um dos exemplos do virtuosismo e de sincronização de Welles com a câmera, com mudanças constantes do enquadramento, trocando planos e jogando com a amplitude do espaço.

9. AMOR PELA ESPANHA

As cinzas de Welles, fã da Espanha, especialmente da região de Andaluzia e de touradas, repousam em Ronda (Málaga), no sítio de propriedade do ex-matador de touros Antonio Ordóñez, depositadas ali pelo expresso desejo do cineasta em seu testamento.

10. RECONHECIMENTOS

John Huston apresentou o Oscar honorário a Welles em 1971 e o artista, que não esteve presente na cerimônia, o aceitou com um vídeo onde disse: "É mais divertido olhar adiante do que para o passado. 30 anos de carreira dão para muito, mas não posso esquecer que passei esse tempo sozinho". Em 1975 recebeu a homenagem do Instituto do Cinema Americano (1975) e voltou a emocionar: "Esta honra só posso aceitar em nome de todos os inconformistas. Podem ser livres, mas não se consideram únicos nem se veem como os melhores".

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Publicado em 05/05/2015 às 03h03

Crítica: O Sal da Terra descortina homem atrás da lente

o sal da terra Crítica: O Sal da Terra descortina homem atrás da lente

Sabastião Salgado nas montanhas de Minas, sua terra natal: saga do fotógrafo de fama mundial é contada no filme O Sal da Terra - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Para muita gente, Sebastião Salgado é só o nome que assina as fotos em preto e branco que comovem o mundo inteiro.

O filme O Sal da Terra, dirigido pelo cineasta alemão Wim Wenders e pelo filho do fotógrafo, Juliano Sebastião Salgado, busca justamente desvendar quem é o homem atrás de cada clique.

E o longa, indicado ao Oscar de melhor documentário neste ano, faz isso muito bem. Ao reunir um dos mais importantes cineastas do cinema europeu ao próprio filho de Salgado, o filme consegue ser um documentário íntimo, que envolve e toca profundamente o espectador.

Parece inacreditável que o longa consiga ter a mesma poesia das fotos que transformaram Sebastião Salgado em um nome de respeito planetário. E o espectador tem a chance única de conhecer como as imagens foram feitas.

O longa mostra a busca incansável de Salgado por gente e, depois, por animais e paisagens, e, sempre presente, está seu amor incomensurável ao homem e à natureza.

O Sal da Terra termina com uma lição de inesquecível: a lição da própria vida de Sebastião Salgado, um homem que jamais se acomoda enquanto caminha, tentando encerrar seu ciclo de forma límpida e exemplar.


O Sal da Terra

Avaliação: Ótimo
otimo Crítica: O Sal da Terra descortina homem atrás da lente

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Publicado em 02/05/2015 às 03h03

Animação Divertida Mente desvenda o cérebro infantil

divertida mente Animação Divertida Mente desvenda o cérebro infantil

Divertida Mente, a nova animação da Pixar, se passa em cérebro infantil - Foto: Divulgação

Por TEREZA BOUZA, da EFE, em São Francisco

O estúdio de animação Pixar se prepara para a estreia, no próximo dia 19 de junho, de Divertida Mente, que levou cinco anos para ficar pronto, e que mergulha no mundo emocional de uma menina que se muda com sua família para San Francisco.

Riley, uma menina de 11 anos, é a protagonista do filme junto com as cinco emoções que disputam espaço em sua mente, lideradas pela enérgica e otimista "Joy" (alegria), acompanhada pela tristeza (Sadness), medo (Fear), nojinho (Disgust) e fúria (Anger).

As cinco emoções moram no quartel-general, centro da mente de Riley, de onde controlam seu humor e a ajudam a navegar a cada novo dia.

"É um filme sobre o papel das emoções em nossas vidas e como nos conectam com os outros", explicou em entrevista à Agênca Efe na sede dos estúdios Pixar em Emeryville, na Califórnia, o diretor Pete Docter. Ele destacou que se trata de um filme "muito pessoal".

Docter contou que a transformação vivida por sua filha Ellie durante a adolescência foi uma das fontes de inspiração do filme, que se baseia também em sua própria "difícil" experiência nessa etapa da vida.

"Meus pais se mudaram para a Dinamarca quando eu tinha 11 anos e foi muito difícil para mim", afirmou Docter, que diz ter tido uma adolescência "triste", em que se sentia desligado das outras crianças e passava grande parte do tempo fechado em seu quarto desenhando.

"É um momento da vida em que qualquer quer encontrar a seu grupo, sua comunidade, e eu me sentia completamente fora de lugar", explicou o diretor de Divertida Mente, que lembrou que não falar dinamarquês acentuou esse sentimento de isolamento.

Mudança à vista

O filme mostra a infância feliz de Riley no estado de Minnesota e como as coisas se complicaram quando ela se muda com sua família para San Francisco. Joy tenta ganhar a batalha na mente de Riley, mas tem uma dura queda de braço com a tristeza e as outras emoções diante das dificuldades da protagonista em se adaptar à sua nova casa, seu novo colégio e todos os desafios que vieram com a mudança.

Seu primeiro dia de escola não começa bem e termina com Riley chorando em frente aos seus colegas depois de a tristeza dominar o resto das emoções. A tristeza, dublada pela atriz Phyllis Smith, é encarnada por uma figura baixinha, com óculos, de cor azul e personalidade insegura, altera também algumas das lembranças de Riley, o que complica ainda mais a experiência da protagonista. "Todas as emoções têm seu encantamento", disse Docter, que confessou que sua preferida é Joy, dublada pela comediante Amy Poehler.

"Joy tenta o tempo todo entusiasmar os outros. É vibrante, enérgica e estou encantado com a animação que alcançamos e como conseguimos criar este personagem com tanto glamour e energia", apontou o diretor, que acrescentou que a primeira emoção que visualizou foi Anger. "Podia imaginá-la claramente como uma espécie de bloco compacto, rígido e soltando fumaça", explicou.

O filme é muito diferente das produções anteriores da Pixar, e mostra paralelamente o mundo real e o mundo dentro da mente de Riley. Mais de 250 pessoas participaram da produção, que estreia em 19 de junho nos EUA e em 2 de julho no Brasil.

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Publicado em 01/05/2015 às 03h03

Balé Romeu e Julieta é exibido nos cinemas

4Romeu e Julieta3 Balé Romeu e Julieta é exibido nos cinemas

Romeu e Julieta: balé russo nos cinemas - Foto: Divulgação

Do R7

Quem curte a mais trágica história de amor da dramaturgia universal pode ver uma versão poética do texto de William Shakespeare nos cinemas neste fim de semana.

O balé Romeu e Julieta poderá ser visto nas telas da rede UCI de cinemas nos dias 2 e 3 de maio, sábado e domingo agora, às 15h30.

Encenado pela companhia russa Belé Bolshoi, a produção será exibida em 17 salas da rede distribuídas pelo Brasil.

Dirigido por Yuri Grigorovich e regido por Sergei Prokofiev,  o balé apresenta as performances estelares de Alexander Volchkov e Anna Nikulina para contar essa trágica história de amor.

O ingresso é R$ 50 a inteira.

Veja, abaixo, quais salas participam:

UCI Anália Franco (São Paulo), UCI Jardim Sul (São Paulo), UCI Santana Parque Shopping (São Paulo), UCI Kinoplex Norte Shopping (Rio de Janeiro), UCI New York City Center (Rio de Janeiro), UCI ParkShopping Campo Grande (Rio de Janeiro), UCI Kinoplex Plaza Casa Forte Shopping (Recife), UCI Kinoplex Recife Shopping (Recife), Iguatemi Fortaleza (Fortaleza), UCI Shopping Parangaba (Fortaleza), UCI Estação (Curitiba), UCI Palladium (Curitiba), UCI Bosque dos Ipês (Campo Grande), UCI Kinoplex Independência (Juiz de Fora), UCI Ribeirão (Ribeirão Preto), UCI Orient Shopping Barra (Salvador), UCI Kinoplex Shopping da Ilha (São Luís)

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Publicado em 28/04/2015 às 03h03

Crítica: Amor à Primeira Briga escancara juventude sem rumo do século 21

les combattants Crítica: Amor à Primeira Briga escancara juventude sem rumo do século 21

Adèle Haenel e Kévin Azaïs em cena de Amor à Primeira Briga - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Houve um tempo (anos 1960 e 1970) que a juventude tinha rumos de sobra a seguir. Ideologia (e outras coisinhas mais) para embarcar não faltavam. Paz e amor eram apenas alguns dos slogans e formas de vida possíveis.

Já neste século 21, no qual o socialismo foi derrotado sem dó nem piedade por um capitalismo cada vez mais selvagem e dominador das entranhas sociais, o que acontece é justamente o contrário do que já houve um dia: a ideologia está morta e, ao contrário de Cazuza, os jovens nem parecem mais querer uma para viver.

Isto é evidenciado pelos personagens centrais do filme francês Amor à Primeira Briga. O título em português é infinitamente inferior (e mais apelativo comercialmente) do que o título original em francês, Les Combattants (Os Combatentes), muito mais inteligente e próximo da pegada do filme.

O enredo é o encontro de dois adolescentes, Arnaud (Kevin Hazaïs) e Madeleine (Adéle Haenel), que vivem meio que sem rumo em uma cidadezinha litorânea.

Enquanto ele ajuda seu irmão no negócio familiar e ela faz exercícios físicos em sua piscina, a coisa mais emocionante que pode acontecer a ambos é se alistar no exército francês.

Enquanto embarcam na aventura, é claro que algo a mais surge entre eles, durante os enfrentamentos costumeiros.

Mas o mais importante do filme nem é a historinha romântica bem construída pelo diretor Thomas Cailley, mas, sim, seu pano de fundo: uma Europa em crise, onde os jovens já não têm perspectiva de futuro. E isto pode tornar-se um perigo: mentes vazias podem ser facilmente cooptadas por qualquer ideologia que se apresente em sua frente.

Porque, por mais que aparentem ser largados no mundo, os jovens de hoje ainda precisam de uma ideologia para viver.

Amor à Primeira Briga
Avaliação: Bom

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Publicado em 27/04/2015 às 15h28

Crítica: Pássaro Branco na Nevasca desconstrói ideia de família perfeita do sonho americano

passaro branco na nevasca Crítica: Pássaro Branco na Nevasca desconstrói ideia de família perfeita do sonho americano

Mark Indelicato, Gabourey Sidibe e Shailene Woodley em Pássaro Branco da Nevasca - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Editor de Cultura do R7 

O mérito do filme Pássaro Branco na Nevasca é a desconstrução que ele faz desde seu primeiro ao último minuto do mito da família perfeita norte-americana, aquela do sonho americano.

O longa dirigido por Gregg Araki poderia ser mais um filme chato sobre uma adolescente em conflito com sua mãe. Mas é muito mais do que isso.

A protagonista é a atriz Shailene Woodley, na pele de Katrina, uma típica adolescente do interior, cuja mãe insatisfeita com o pai pamonha desaparece misteriosamente.

Eva Green vive a mãe quarentona, que vê sua beleza ir embora jantar após jantar que prepara para o marido, vindo do trabalho cotidianamente em sua tediosa vida. Ambas atrizes estão bem no longa e há faísca em seus embates. O longa vai muito bem em expor o conflito que muitas mães vivem com suas filhas, que representam a beleza e a juventude que tiveram um dia, e isto lhes causa ódio ferino. Freud explica.

O filme mostra que nem sempre a família dita perfeita é tão perfeita assim. E isso vale muito no Brasil atual, no qual políticos religiosos querem manipular as leis para enfiar goela abaixo do País o modelo familiar que julgam perfeito. Modelo este que o filme mostra muito bem: nem sempre é tão perfeito assim. Basta sacudir um pouco o tapete que a sujeira surge de forma implacável.  Ou seja, tudo só é tão certinho sempre sob a ótica da hipocrisia.

É mais honesto estar ao lado da felicidade caminhando com a diversidade e o respeito mútuo, o que deveria ser a base de uma democracia.

No time de coadjuvantes do longa quem se destaca é a eterna Preciosa Gabourey Sidibe. Faz a melhor amiga da protagonista, uma adolescente gordinha que, na falta de sexo e pretendentes, se aventura com a bebida sem culpa alguma. Suas aparições são sempre interessantíssimas e cheias de ironia.

Outro destaque é o fato de o filme ser ambientado na virada dos anos 1980 para 1990, o que lhe garante uma trilha sonora com enorme potencial para pegar de jeito o espectador com mais de 30 anos. As cenas das festas adolescentes são pura memória afetiva reavivada. E mostra que a música atual é horrorosa mesmo.

O filme vai num banho morno para tentar dar uma grande guinada em seu momento final (inspiração em Beleza Americana?). A surpresa se dá em parte. Mas não contemos nada, senão perde a graça. Pássaro Branco na Nevasca é um filme despretensioso que, em sua simplicidade, consegue desconstruir mais tabus do que muito filme panfletário por aí.

Pássaro Branco na Nevasca
Avaliação: Bom
bom Crítica: Pássaro Branco na Nevasca desconstrói ideia de família perfeita do sonho americano

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Publicado em 15/04/2015 às 15h40

Qual é o enigma de Greta Garbo?

greta garbo Qual é o enigma de Greta Garbo?

Greta Garbo foi um dos rostos mais bonitos do cinema no mundo - Foto: Divulgação

Por ANNA BUJ, da EFE, em Nova York

Há 25 anos morreu, protegida pelo anonimato que escolheu durante quase meio século, Greta Garbo, que continua a ser uma das mais enigmáticas e belas figuras de Hollywood.

Em 15 de abril de 1990 morreu em Nova York, aos 84 anos, Greta Lovisa Gustafsson, a "esfinge sueca" que se aposentou do mundo do cinema com apenas 36 anos, quando era a atriz mais bem paga de Hollywood, para fugir de uma vida pública que, segundo muitos, sempre a aborreceu.

"Ela tentou ser uma figura misteriosa", afirmou o responsável pelo departamento de cinema do Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma), Charles Silver, sobre a personalidade evasiva, fechada e distante de uma mulher que ganhou a alcunha de "quem nunca sorri".

Rosto romântico

Através da produtora Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), Garbo foi o icônico rosto de muitos dos filmes românticos mais memoráveis da década de 1930, como "Grande Hotel" (1932), "Rainha Christina" (1933), "O Véu Pintado" (1934), "Anna Karenina" (1935), "Camille" (1936) e "Ninotchka" (1939).

"Pessoalmente acredito que provavelmente é a melhor atriz de cinema que tivemos", opinou Silver, na linha de muitos dos estudiosos do mundo cinematográfico, que consideram que o melhor dos filmes de Garbo é a própria Garbo.

Como em "A Mulher Divina" (1928), o filme perdido que a batizou com o apelido que a perseguiria até o fim de seus dias, Garbo costumava encarnar o sofrimento ao interpretar uma mulher desencantada com a vida que se via em uma busca rumo a um inesperado e desatinado amor.

greta garbo 21 Qual é o enigma de Greta Garbo?

Greta Garbo resolveu abandonar carreira no auge - Foto: Divulgação

Oscar

Suas interpretações valeram três indicações ao Oscar - que nunca ganhou, como ocorreu também com Rita Hayworth, Marilyn Monroe e Marlene Dietrich, com quem há quem diga que teve um romance. Hollywood somente deu a ela o sabor amargo de uma estatueta em honra por sua carreira, em 1954, que a diva sem se preocupou em receber.

Após ter consolidado sua carreira no cinema mudo, a descoberta de sua voz grave em seu primeiro filme sonoro, "Anna Christie" (1930), e a frase de promoção do filme -"Garbo fala!"- a elevaram ao estrelato. "Se aposentou tão jovem que muitos filmes bons foram perdidos depois da guerra", lamentou o curador, que trabalha organizando exibições de cinema no prestigiado museu nova-iorquino desde 1970.

A combinação entre um tímido sucesso comercial de seus últimos trabalhos, o começo da Segunda Guerra Mundial e o fato de "ela nunca ter estado contente sendo uma estrela e nem tendo uma vida tão pública" foram os motivos que Silver atribuiu à precoce aposentadoria da atriz.

Solidão por opção

"Quero estar só" foi a única explicação que deu para seu confinamento em um apartamento de Nova York próximo ao East River, onde viveu durante décadas, passeando pelas ruas de Manhattan com grandes óculos de sol e seu cabelo comprido, até morrer em um hospital próximo.

Garbo, nascida em 18 de setembro de 1905, chegou ao cinema por acaso. Ela foi forçada a deixar os estudos depois da morte de seu pai quando tinha apenas 14 anos e foi procurar emprego em lojas de departamento que a utilizaram como rosto de suas campanhas de publicidade.

Sua beleza sem precedentes - alguém disse que um rosto como o seu só aparece uma vez em cada mil anos - a ajudou a participar de dois curtas e dois longas entre 1920 e 1922, e chegou a estudar por dois anos na Academia Real de Teatro Dramático de Estocolmo, mas apenas em 1924 deu o salto para Hollywood, após ser descoberta pelo famoso diretor finlandês Mauritz Stiller.

Stiller a fez deixar seu longo nome sueco para trás, rodar "A Lenda de Gösta Berling" (1924) e que entrasse pela porta da frente em Hollywood pela MGM.

"Minha vida foi uma travessia de esconderijos, portas traseiras, elevadores secretos, e todas as maneiras possíveis de passar despercebida para não ser incomodada por ninguém", afirmou em uma das poucas vezes que falou com os jornalistas, obsessivos em fotografar Garbo. "Também fizemos uma retrospectiva no Moma e ela não apareceu", lembrou Silver, que transpareceu saudade quando disse haver se dado conta "de que já se passaram tantos anos sem a divina".

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Publicado em 12/04/2015 às 03h03

Em Portugal, Lázaro Ramos defende novos gêneros no cinema brasileiro

O Vendedor de Passados1 Em Portugal, Lázaro Ramos defende novos gêneros no cinema brasileiro

Lázaro Ramos lançou O Vendedor de Passados em Lisboa - Foto: Divulgação

Da EFE, em Lisboa

O ator Lázaro Ramos, que apresentou em Lisboa o filme O Vendedor de Passados, defendeu a importância da formação de novos públicos" no Brasil, que não se limite a sucessos de gêneros como comédia, violência urbana ou biografias.

"No Brasil, os filmes que vendem são as comédias, filmes sobre violência urbana e, às vezes, biografias. Investir em outros gêneros é importante, se não ficamos com um mercado muito limitado e sem formar novos públicos", disse o ator, que apontou gêneros como o suspense.

Presente no lançamento do Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa (FESTin), Lázaro, de 36 anos, é o protagonista de O Vendedor de Passados, um longa-metragem de suspense adaptado da obra do angolano José Eduardo Agualusa.

Vicente, o personagem de Lázaro, é um profissional especializado em recriar o passado de seus clientes, substituindo-o por uma versão aperfeiçoada de suas memórias através da manipulação digital.

"Temos como referência pessoas que estão insatisfeitas com seu físico e se submetem a cirurgias plásticas, pessoas que mudam de sexo, pessoas que vivem uma vida falsa na internet", assinalou.

O filme, dirigido pelo carioca Lula Buarque de Hollanda, fez sua pré-estreia mundial no FESTin, que acontece em Lisboa até 14 de abril. Alinne Moraes, 32, interpreta a misteriosa Clara, uma cliente que quer manter o anonimato.

Da literatura ao cinema, o filme passou por um processo de adaptação à realidade brasileira, e foi ambientado no Rio de Janeiro. O predominante gênero de suspense se mistura com o romance e o drama que resulta, segundo Lázaro, em "um gênero híbrido", quase um laboratório de experimentação para novos formatos no cinema brasileiro.

Carreira no cinema

Com mais de duas décadas de carreira, o baiano Lázaro Ramos começou como ator aos 15 anos, no Grupo de Teatro Olodum, formado só por atores negros. No cinema, teve papéis em alguns dos melhores filmes do cinema brasileiro Madame Satã (2002), Carandiru (2003), O Homem que Copiava (2003), Cidade Baixa (2005) e Ó Paí, Ó (2007).

Casado há quase 11 anos com a atriz carioca Taís Araújo, o casal tem dois filhos, João Vicente, de 3 anos, e Maria Antônia, de três meses.

"Já vivemos todas as fases, opinando mutuamente sobre nossas carreiras, mas hoje estamos em uma fase que é ótima, só de elogios", contou, em tom relaxado.

O papel de Foguinho, na telenovela Cobras&Lagartos, promoveu Lázaro internacionalmente. "Depois da novela, me convidaram para ir a Angola e quando cheguei ao aeroporto, havia oito garotos com o bigode pintado de loiro", disse, lembrando da homenagem ao personagem.

Conquistada a simpatia do público da África e de Portugal, Lázaro se revelou um entusiasta do fortalecimento das culturas luso-parlantes através do cinema.

Este ano lançará o filme O Grande Kilapy, uma co-produção entre Brasil, Portugal e Angola, em que interpreta um trapaceiro angolano. O ator antecipou que embarcará na direção de uma ficção filmada no continente africano, prevista para 2016. "Através dessa ideia de integrar os países de língua portuguesa, queremos encontrar um novo mercado e uma maneira de dialogar", destacou.

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Publicado em 07/04/2015 às 03h03

Estrela de Pulp Fiction, Maria de Medeiros faz show em SP

maria de medeiros eduardo enomoto1 Estrela de Pulp Fiction, Maria de Medeiros faz show em SP

Maria de Medeiros faz show em São Paulo nesta terça-feira (7) no Bourbon Street - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma das estrelas do filme Pulp Fiction, clássico de Quentin Tarantino de 1994, a estrela portuguesa Maria de Medeiros faz show em São Paulo nesta terça (5).

A apresentação começa às 21h, no Bourbon Street (r. dos Chanés, 127, Moema) com ingresso a R$ 90.

Ela vai cantar as músicas de seu terceiro disco, Pássaros Eternos.

Além de atuar e dirigir no cinema, Maria de Medeiros também é cantora. E das boas.

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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