Publicado em 25/10/2014 às 03h08

Mariana Queen: Por que Brasil rejeitou filme negro?

o dia de jerusa laura carvalho 2 Mariana Queen: Por que Brasil rejeitou filme negro?

Léa Garcia, em primeiro plano, no filme O Dia de Jerusa - Foto: Laura Carvalho

Por MARIANA QUEEN NWABASILI
Especial para o R7*

Nem a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, nem o Festival do Rio e nem o 42º Festival de Cinema de Gramado.

O curta-metragem O Dia de Jerusa, dirigido pela baiana e negra Viviane Ferreira, e protagonizado pelas atrizes, também negras, Léa Garcia (ilustríssima) e Débora Marçal, não foi selecionado para os festivais nacionais de cinema realizados neste ano.

No entanto, o reconhecimento estrangeiro surpreende: a obra foi uma das que integrou a programação do "Short Film Corner" (mostra de curtas-metragens) da 7ª edição do Festival de Cannes, ocorrida em maio deste ano na França.

Debate na USP

Em um debate realizado neste mês na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), Viviane mencionou que entre as justificativas da recusa de filme pelos festivais brasileiros estava o estranhamento – ou seria descabimento? – com o fato de o elenco ser composto totalmente por atores negros.

– O cinema que me disponho a fazer perpassa minhas observações e vivencias cotidianas, então é o cinema que eu sinto em minha pele, que reflito no brilho dos fios de meu cabelo. Mas, no Brasil, existe um cenário de total agressão às subjetividades negras. Por isso, não podemos parar de produzir nunca, e os diretores e diretoras negros vêm resistindo. O dia que abandonarmos nossas histórias, nossa estética e subjetividades, significa que o racismo venceu, diz Viviane em entrevista para este blog.

o dia de jerusa Mariana Queen: Por que Brasil rejeitou filme negro?

Léa Garcia no curta que o Brasil rejeitou, mas Cannes abraçou - Foto: Laura Carvalho

Elenco negro

A escolha da diretora pela representatividade exclusivamente negra na tela, bem como pelo roteiro, também tem relação com a proposta da produtora do filme. A Odun Formação e Produção trabalha com produções (cinema, teatro, dança e música) e formações (oficinas, palestras, cursos) sobre bens culturais, priorizando temas relacionados à cultura afrobrasileira.

Com 20 minutos de duração, O Dias de Jerusa se coloca como uma homenagem à tradição oral negra transmitida pelos relatos dos mais velhos. A história expõe a memória ancestral de Jerusa (Léa Garcia), uma senhora moradora de um sobrado no bairro do Bexiga em São Paulo. Ao fazer uma entrevista para uma pesquisa de opinião, concedida a Silvia (Débora Marçal), sobre o uso do sabão em pó, Jerusa passa a expor lembranças de toda uma vida.

Se no Brasil o enredo e o elenco não agradaram, no exterior o que agradou foi justamente o foco sobre uma história ocorrida com a moradora negra em meio um bairro muito habitado por negros – como tantos no Brasil, de periferias a quilombos.

Ajuda em Cannes

Mas nem tudo foi festa em Cannes. Ao jornal A Tarde, um dos poucos veículos que registrou o feito, a diretora Viviane contou que para se manter durante o festival teve a ajuda de diversas instituições e amigos.

Ela diz ainda que produtora Odun continuará a enviar o filme para outros festivais internacionais e nacionais que acontecem até março de 2015. Negociações com canais de TV também estão entre os planos.

— Fui para Cannes com a tranquilidade de que não é o holofote do glamour que me impulsiona a fazer cinema, mas consciente de que ele é essa impulsão é importante para jogarmos luz na realidade desigual que a indústria audiovisual submete cineastas negros brasileiros.

*MARIANA QUEEN NWABASILI é repórter de Educação do R7. É formada em jornalismo pela ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo). Colunista convidada, escreve no R7 Cultura todo quarto sábado do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 21/10/2014 às 19h15

Resistente da Boca do Lixo, Clery Cunha ganha homenagem na Mostra com Joelma 23º Andar

joelma Resistente da Boca do Lixo, Clery Cunha ganha homenagem na Mostra com Joelma 23º Andar

A atriz Beth Goulart em cena do filme Joelma 23º Andar, de Clery Cunha - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O goiano radicado em São Paulo Clery Cunha chega aos 75 anos com 50 anos de carreira. O cineasta foi um dos que resistiram na Boca do Lixo para que o nosso cinema hoje seja tão pungente.

E ainda tem novos filmes na cabeça, como o longa Tiradentes City SP Zona Leste, em fase de rodagem.

Na próxima segunda (27), recebe homenagem por sua trajetória na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na sala 3 do Espaço Itaú de Cinema no shopping Frei Caneca, às 14h.

Junto da homenagem, haverá exibição do filme Joelma 23º Andar, seu clássico sobre o incêndio que marcou a história do centro paulistano, com Beth Goulart no elenco.

O filme marcou o cinema brasileiro por ser o primeiro a ser rodado com cinco câmeras simultâneas e contou com fotografia de Cláudio Portioli.

A sessão especial, feita em parceria com a Cinemateca Brasileira, acontecerá justamente no Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual.

Nada mais justo. Afinal, Clery Cunha é patrimônio nosso.

clery Resistente da Boca do Lixo, Clery Cunha ganha homenagem na Mostra com Joelma 23º Andar

Clery Cunha: pioneiro no cinema brasileiro - Foto: Divulgação

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Publicado em 18/10/2014 às 13h00

Átila Moreno: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é sopro de renovação no cinema brasileiro

hoje eu quero voltar sozinho Átila Moreno: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é sopro de renovação no cinema brasileiro

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho representa Brasil na corrida pelo Oscar - Foto: Divulgação

Por ÁTILA MORENO*
Especial para o R7

Ventos de renovação têm passado pelo cinema brasileiro recentemente. O tratamento dado à sexualidade parece ter saído do olho do furacão mais conservador.

Algo já chamava atenção no relacionamento dos dois irmãos em Do Começo ao Fim (Aluizio Abranches, 2009), no romance entre uma arquiteta e uma escritora em Flores Raras (Bruno Barreto, 2012) e no amor entre um recruta do Exército e um dramaturgo em Tatuagem (Hilton Lacerda, 2013).

Diferentemente da grande parte das produções do passado, esses filmes deixaram os gays como personagens centrais das tramas.

Agora, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Daniel Ribeiro, 2014), indicado como representante brasileiro na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, vai além e derruba barreiras de uma só vez.

Dois adolescentes

O filme conta a história de Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego, que está na fase da descoberta da sexualidade e independência.

Com a chegada de Gabriel (Fabio Audi), a amizade desencadeia um dos mais tocantes e sensíveis romances que o nosso cinema já presenciou.

O filme é baseado no curta-metragem Eu Não Quero Voltar Sozinho, que também foi dirigido por Daniel Ribeiro, responsável por outro curta de temática homossexual: Café com Leite.

Eu Não Quero Voltar Sozinho já emocionava com a simples história de um primeiro beijo. Desta vez, o diretor conseguiu trazer uma dimensão maior do relacionamento entre os dois estudantes e dar peso às complexidades da trama.

Simplicidade é acerto

A sexualidade dos personagens e a deficiência física do protagonista foram tratadas com simplicidade e naturalidade ímpares. Aliás, naturalidade parece ter sido um fator essencial na estética do filme.

Fotografia, cenário, interpretação e figurinos caminham por essa linha. Tudo é muito natural em Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. Os tipos físicos dos estudantes e as situações reais vividas por eles são bom exemplo disso e fogem do estilo pasteurizado de Malhação, novela juvenil da Globo.

Algumas cenas são puramente desafiadoras. Vale destacar aquela em que Leonardo cheira e dorme abraçado com o casaco de Gabriel, e quando Gabriel vai tomar banho ao lado de Leonardo no banheiro do acampamento.

Os dois momentos em que eles andam juntos de bicicleta trazem para o cinema uma poesia incrível. Sem contar o recado dado no final.

Tudo isso é regado a uma trilha sonora intimista, com There´s So Much Love, da banda escocesa Belle & Sebastian; Modern Love, de David Bowie; Vagalumes Cegos, de Cícero e Beijo Roubado em Segredo, de Tatá Aeroplano e Juliano Polimeno.

Conto de fadas contemporâneo

Por mais que Hoje Eu Quero Voltar Sozinho remeta a um conto de fadas contemporâneo para o cinema gay, ele demarca inúmeros conflitos entre seus personagens, sem torná-los vítimas inertes da sociedade.

E nem sempre foi assim na história do cinema nacional. Antes desses bons ventos soprarem pro lado de cá, o personagem gay sempre foi tratado num ambiente perturbador, estereotipado, marginal e com vários desvios de comportamento. E claro, com desfechos trágicos pra lá de hollywoodianos.

Pelo menos, agora, temos uma produção essencialmente madura e que não tem medo algum de tocar em temas como bullying, preconceito e discriminação no início da adolescência. E o filme é bem mais corajoso quando trata da masturbação e da descoberta da sexualidade entre os dois rapazes.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho revelou o que a TV brasileira não conseguiu ser nos últimos 60 anos e deu um salto enorme na luta para rejuvenescer o legado dos romances gays no cinema nacional.

atila moreno 2 Átila Moreno: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é sopro de renovação no cinema brasileiro

*ÁTILA MORENO é jornalista graduado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC-Minas. Colunista convidado, escreve no R7 Cultura todo terceiro sábado do mês. A opinião dos colunistas convidados não reflete, necessariamente, a opinião do R7.

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Publicado em 17/10/2014 às 17h38

Crítica: Filme Hipóteses para o Amor e a Verdade é declaração dos Satyros de amor e dor a São Paulo

filme Crítica: Filme Hipóteses para o Amor e a Verdade é declaração dos Satyros de amor e dor a São Paulo

Cena de Hipóteses para o Amor e a Verdade, com Cléo De Páris e Robson Catalunha, no alto de um prédio na praça Roosevelt: como sobreviver a São Paulo? - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Viver em São Paulo dói. E, quando pensávamos que já havíamos passado todos os martírios advindos da falta de amor, eis que a água some da torneira enquanto o calor aumenta em proporção inversa, fazendo com que a umidade seja devorada pela poluição. Viver em São Paulo é um ato heroico de brava resistência diária.

Conseguir manter afeto diante da crueza é tarefa inglória. E é esta cidade ímpar que é descortinada com poesia e sutileza pelo diretor Rodolfo García Vázquez, no filme Hipóteses para o Amor e Verdade, com roteiro de Ivam Cabral. O longa estreou nesta quinta (16) na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (veja quem foi e saiba como foi).

Cheio de referências, brinca com a mistura de teatro e cinema. E o faz muito bem. Apresenta seus personagens de forma inteligente, sem afobação. O filme tem um tempo dicotômico em relação ao tempo frenético da cidade. Talvez aí more seu grande mérito artístico: ao fazer esta quebra, desconstrói a urgência paulistana que só leva ao isolamento e à solidão.

Os personagens vagam pela cidade e olham diretamente na câmera para fazer confissões - como Woody Allen em seus melhores filmes. Contudo, em vez de sacadas bem-humoradas do nova-iorquino, há a dor exposta dos paulistanos.

O plano sequência na abertura apresenta um ambiente corporativo, medíocre como tantos nos quais os paulistanos estão mergulhados em busca da grana que ergue e destrói coisas belas. O plano é bem executado e lembra alguns filmes de Stanley Kubrick. A direção de fotografia de Laerte Késsimos e Luiz Adriano Daminello é segura e unificadora. Abusa da beleza da musa dos Satyros Cléo De Páris e transforma algumas cenas em pinturas lisérgicas.

Elenco coeso

O elenco está coeso, alguns com mais peso. Paulinho Faria e Luiza Gottschalk acertam na construção do casal "traficante e prostituta". Parecem saídos de uma peça de Plínio Marcos, que nada mais fez do que revelar a realidade do submundo paulistano, tanto quanto o Satyros e seu filme fazem.

No escritório opressor, Tadeu Ibarra conquista a plateia com uma construção minimalista e de refinado humor do colega de trabalho burocrático, que pouco escuta o outro, imerso em suas metas próprias. Gustavo Ferreira, por sua vez, acerta ao desenhar seu personagem com traço leve: um jovem que não suporta mais a cidade e sonha com férias idealizadas em qualquer lugar onde haja calma, paz e afeto. Onde não haja o desprezo diário que vive com os colegas e do chefe petulante criado por Ricardo Pettine.

Phedra D. Córdoba, sem palavras alguma, rouba a cena a cada aparição, sempre ao lado de uma misteriosa Esther Antunes. É intensa e empresta peso de vida à velha mãe abandonada pelos filhos, a quem só a morte espera.

Pietà

Na pele dos filhos, Tiago Leal e Ivam Cabral fazem personagens que lidam com a distância de si próprios. Tiago é bom ator. Gaúcho, convence como um típico paulistano nato, com seu personagem que, para ser bem sucedido no mundo diurno, precisa dos bastidores noturnos. A forte cena na qual ele encontra Nany People, uma radialista transex da cidade, e esta lhe acolhe em seus braços tal qual uma Pietà, diz tudo e causa impacto. Nany, por sua vez, está bem também, em uma construção mais contida do que a Nany que estamos acostumados a ver na TV e, por isso, com muito mais peso dramático.

E o grande drama da história fica no embate entre o personagem de Ivam Cabral, o outro irmão que é um diretor de teatro atormentado por um erro no passado, e a de Cléo De Páris, que guarda um rancor profundo dele e busca consolo momentâneo no vício. Os personagens de ambos vagam pela cidade, como todos os outros, anestesiados, tristes e já sem esperança — estado cristalizado pelo jovem deprimido interpretado convincentemente por Robson Catalunha. O filme ainda tem Fábio Penna, como um ator que precisa expor sua vida em uma obra de teatro, como tantos que habitam a metrópole.

Em Hipóteses para o Amor e a Verdade, os Satyros conseguem transformar seu teatro, universalmente tão paulistano e tecnológico, em um filme que é uma declaração de amor e dor a São Paulo. E a faz com linguagem própria e qualidade artística inquestionável. A turma da praça Roosevelt mostra que, assim como conquistou seu lugar no teatro, veio com tudo para fincar os pés no cinema.

Hipóteses para o Amor e a Verdade
Avaliação: Muito Bom

Funcionário prejudica fim da sessão do filme na Mostra

Saiba como foi a estreia e veja quem apareceu!

gustavo ferreira Crítica: Filme Hipóteses para o Amor e a Verdade é declaração dos Satyros de amor e dor a São Paulo

Gustavo Ferreira, em cena de Hipóteses para o Amor e a Verdade - Foto: Divulgação


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Publicado em 17/10/2014 às 16h00

Funcionário da Mostra prejudica fim do filme Hipóteses para o Amor e Verdade, do Satyros

hipoteses1 Funcionário da Mostra prejudica fim do filme Hipóteses para o Amor e Verdade, do Satyros

Cena do filme Hipóteses sobre o Amor e a Verdade: longa do Satyros Cinema na Mostra - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A sessão de estreia do filme Hipóteses para o Amor a Verdade (leia a crítica), primeira produção de longa-metragem do Satyros Cinema, do grupo teatral Os Satyros, tinha tudo para ser uma noite de emoção fervilhante.  E foi.

O grupo que celebra 25 anos lotou a plateia da sala 4 do Espaço Itaú de Cinema da rua Augusta, em São Paulo, nesta quinta (16), para assistir ao longa dirigido por Rodolfo García Vázquez na Mostra Internacional de Cinema.

Com Cléo De Páris, Ivam Cabral, Nany People, Gustavo Ferreira, Robson Catalunha, Paulinho Faria, Luiza Gottschalk, Tiago Leal, Fábio Penna, Phedra D. Córdoba e Tadeu Ibarra, entre outros, o longa faz um poético retrato sobre a solidão dos moradores de São Paulo, expondo tanto a crueza da cidade quanto seus controversos habitantes.

Veja galeria de fotos de quem foi à estreia do filme dos Satyros

Som foi cortado e luzes se acenderam

Um fator, contudo, prejudicou o lançamento. Assim que a última cena foi ao ar e os créditos finais iriam começar, o funcionário da Mostra responsável pela exibição mandou cortar o som e acendeu a luz de serviço com a plateia ainda mergulhada na emoção da última cena.

Com ar impaciente, o funcionário avisou, diante da telona, com os créditos ainda subindo, que a equipe tinha horário para ir embora. Pouco passava das 23h. O metrô fecha à meia-noite.

Irritado com a intromissão na experiência estética da plateia com o fim do filme, o roteirista e ator Ivam Cabral pediu, "por favor, que se respeitasse o crédito final", que "as pessoas que trabalharam no filme estavam na plateia", que era um filme da cidade que "merecia essa atenção" da Mostra.

Mesmo assim, o funcionário não voltou com o som. Muito pelo contrário, saiu e entrou na sala 4 de forma impaciente, batendo a porta atrás de si, enquanto os nomes continuavam a subir na telona de forma melancólica e silenciosa.

Ao fim, Ivam Cabral compartilhou com a plateia seu desalento. Afirmou ser aquilo "um desrespeito com o cinema brasileiro". Rodolfo García Vázquez ainda respondeu a questões do público sobre a obra de forma rápida. Disse que o filme "tentou trazer elementos do teatro para o cinema". Mais calmo, Ivam Cabral ainda falou que ficou surpreso de ver que a peça Pessoas Perfeitas, que o grupo encena atualmente, é anunciada no filme de forma sutil e natural.

Pedido de desculpas

Presente na sessão, o R7 ficou espantado de ver algo assim justamente na Mostra Internacional de Cinema, que já em sua 38ª edição sempre se destacou por valorizar a produção cinematográfica nacional.

Procurada pela reportagem, a assessoria do evento informou a seguinte frase: "A Mostra pede desculpas pelo ocorrido e informa que já tomou as providências necessárias junto ao mediador do debate da noite".

Leia também a crítica do filme!

Veja galeria de fotos de quem foi à estreia do filme dos Satyros

hipoteses edson degaki1 Funcionário da Mostra prejudica fim do filme Hipóteses para o Amor e Verdade, do Satyros

Público assiste ao filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, do Satyros Cinema, na Mostra: créditos finais tiveram o som cortada e a luz acendeu "porque os funcionários tinham horário para irem embora" - Foto: Edson Degaki

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Publicado em 16/10/2014 às 16h54

Começa 38ª Mostra Internacional de Cinema de SP

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Marina Person e Serginho Groisman comandam cerimônia de abertura da 38ª Mostra Internacional de Cinema de SP; veja galeria - Foto: Mario Miranda Filho/Agência Foto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Sob comando de Marina Person e Serginho Groisman, uma pomposa cerimônia de abertura no Auditório Ibirapuera inaugurou a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O evento vai até o dia 29 de outubro com 331 filmes na programação em 35 salas da capital paulista.

O espanhol Pedro Almodóvar fez o cartaz, mas não apareceu na festa por compromissos de filmagens de seu próximo longa. Mesmo assim, a turma do cinema brasileiro comemorou a chegada do mais tradicional evento cinematográfico da metrópole.

O primeiro filme foi Relatos Selvagens, do argentino Damian Szifron. Depois da sessão, todos seguiram para a Praça das Artes, no centro, onde uma festa invadiu a madrugada desta quinta (16). Veja quem foi na galeria de fotos!

Conheça a programação da Mostra 2014!

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Publicado em 14/10/2014 às 03h08

Mortos-vivos atormentam público em praça de SP

A Volta dos Mortos Vivos Mortos vivos atormentam público em praça de SP

Cena do clássico do terror A Volta dos Mortos Vivos, de 1985 - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os filmes de terror dos anos 1980 eram realmente imbatíveis. Um dos clássicos do período, A Volta dos Mortos Vivos será exibido gratuitamente para os paulistanos na próxima quinta (16), às 19h30, na praça Victor Civita, na rua do Sumidouro, 580, em Pinheiros, pelo projeto Cine na Praça.

Além de a entrada ser gratuita, a organização ainda garante pipoca para o público.

Para quem não se lembra, o terror A Volta dos Mortos Vivos, de 1985, conta a história de um gás que faz os mortos do cemitério da cidade ressuscitarem. E eles voltam ao mundo ávido para comer os cérebros dos vivos.

Em tempo: a programação segue toda quinta, 19h30. E o blog adianta os próximos filmes: no dia 23 terá o longa Todo Mundo Quase Morto, de 2004; já no dia 30 será exibido Guerra Mundial Z, de 2013.

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Publicado em 07/10/2014 às 03h15

38ª Mostra: 331 filmes e Pedro Almodóvar

mostra poster 38ª Mostra: 331 filmes e Pedro Almodóvar

Cartaz da 38ª Mostra feito por Pedro Almodóvar: homenagem ao cinema espanhol - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os cinéfilos já estão contando os dias para a maior maratona cinematográfica do Brasil. Entre 16 e 29 de outubro acontece a 38ª Mostra.

O evento neste ano teve seu cartaz feito por ninguém menos do que o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que terá retrospectiva de sua obra durante o evento. Aliás, o cinema da Espanha é o grande homenageado nesta edição que conta ainda com uma exposição de Luís Buñel.

Grandes nomes não faltam na lista da Mostra. Carlitos, o emblemático personagem de Charles Chaplin, será homenageado na área externa do Auditório Ibirapuera, onde acontecerá a abertura e o encerramento.

O brasileiro Walter Salles vai fazer a estreia mundial de seu novo filme, o documentário Jia Zhangke - Um Homem de Fenyang, sobre o diretor chinês. O diretor e produtor francês Marin Karmitz também ganha uma retrospectiva com 30 filmes e ainda vai receber o Prêmio Humanidade no evento.

Para a abertura, no próximo dia 15, será exibido o filme argentino Relatos Selvagens. O diretor Damián Szifrón a atriz Érica Rivas e o produtor Martín Mosteirin estarão presentes. No encerramento, a presença de honra será Geraldine Chaplin, que apresenta Dólares de Areia, de Amélia Guzmán e Israel Cárdenas.

Nas duas semanas da Mostra serão exibidos331 filmes e mais quatro programas de curtas de variados países e diversas cinematografias em 35 salas de 29 espaços, entre cinemas, espaços culturais e museus espalhados por São Paulo.

Conheça a programação completa!

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Publicado em 04/10/2014 às 13h55

Brasil perde Hugo Carvana, o malandro do cinema

hugo carvana Brasil perde Hugo Carvana, o malandro do cinema

O ator Hugo Carvana em cena: mais de cem filmes no currículo - Foto: Divulgação

POR MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator e diretor Hugo Carvana, que morreu neste sábado (4), aos 77 anos, era, antes de tudo, um homem de cinema. Seus mais de cem filmes comprovam a tese.

Era da turma do cinema novo, dos tempos em que era preciso apenas uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, bem diferentes dos atuais desmiolados filmes comerciais que pululam nas telonas.

Hugo tinha aquele ar carioca, malandro, totalmente condizente com o subúrbio de Lins de Vasconcelos, onde nasceu filho de uma costureira e de um comandante da marinha.
Mas logo soube se impor na patota da zona sul, na Ipanema onde tudo acontecia, nas décadas de 1960 e 1970. Logo, bom de copo e bom de papo, conquistou os corações intelectuais brasileiros.

Sua mesa podia ter, ao mesmo tempo, Vinicius de Moraes, Tom Jobim e a turma do jornal O Pasquim, já que era casado com Martha Alencar, jornalista que também fez história no semanário mais emblemático do jornalismo brasileiro.

Todo mundo era amigo de Hugo Carvana. Talvez tenha imortalizado sua própria figura no filme clássico Vai Trabalhar, Vagabundo, de 1973. Era mesmo o nosso malandro do cinema brasileiro.

hugo carvana2 Brasil perde Hugo Carvana, o malandro do cinema

Hugo Carvana, no filme clássico Vai Trabalhar, Vagabundo, de 1973 - Foto: Divulgação

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Publicado em 28/09/2014 às 03h08

Brigitte Bardot, a musa dos anos 60 faz 80

 

brigitte bardot 3 Brigitte Bardot, a musa dos anos 60 faz 80

Eterna musa: Brigitte Bardot foi ícone da beleza na década de 1960 - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Na década de 1960, só deu ela. Os fotógrafos não a deixavam em paz. Tudo que fazia era clique, era notícia.

As bancas de revista estampavam seus olhos, seu rosto, sua boca, seu corpo.

Com seu excesso de charme e de lábios, a atriz francesa Brigitte Bardot logo se converteu na mulher mais desejada do mundo.

Aqui no Brasil, causou furor em suas férias em 1964 em Búzios, cidade que viveu um antes e um depois de sua passagem. Pouco tempo depois, viraria letra de Caetano Veloso. O baiano a citou no inesquecível verso "Em dentes, pernas, bandeiras; bomba e Brigitte Bardot", da clássica Alegria, Alegria.

Ela completa 80 anos neste domingo (28).

Hoje ferrenha defensora dos animais e mais reclusa, às margens do Mar Mediterrâneo, Brigitte Bardot não é mais a menina fogosa de antes, ainda que não tenha jamais deixado de ser a maior musa daqueles tempos de uma juventude repleta de coragem e utopia.

brigitte bardot 2 Brigitte Bardot, a musa dos anos 60 faz 80

Brigitte Bardot foi musa de uma juventude cheia de utopia - Foto: Divulgação

 

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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