Publicado em 07/01/2015 às 11h06

Jornal atacado em Paris é Pasquim da França

charlie hebdo capa Jornal atacado em Paris é Pasquim da França

Capa do semanário Charlie Hebdo: sempre polêmico - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O jornal satírico semanal francês Charlie Hebdo, que foi cenário de violento ataque terrorista em Paris nesta quarta-feira (7), quando homens armados fuzilaram a sede do jornal e mataram mais de uma dezena de pessoas, foi fundado em 1969, sob edição de François Cavanna.

Escrito em linguagem coloquial, o jornal tem traços semelhantes a O Pasquim, semanário brasileiro satírico que circulou entre 1969 e 1991, sendo retomado entre 2002 e 2004, com o título de O Pasquim 21.

Assim como seu irmão brasileiro, Charlie Hebdo também teve uma pausa em sua circulação. Ele funcionou até 1981, quando foi fechado, mas retomou suas atividades em 1992, sob comando de Phillipe Val. Este permaneceu no comando do semanário até 2009. A volta foi um sucesso e ele chegou a vender 100 mil exemplares por semana.

Críticas ferozes

A publicação, que sai toda quarta-feira, é de forte influência esquerdista, e sempre teve em charges, piadas e polêmicas seu ponto forte e que também sempre despertou polêmicas e crises internacionais, sobretudo com os povos islâmicos.

Libertário, o jornal sempre publica críticas ferozes não só à extrema direita como também às religiões, alfinetando tanto o catolicismo quanto o islamismo e o judaísmo.

Ódio islâmico

O jornal francês publicou um artigo em 2000, assinado por seu editor de então, Phillippe Val, que chamava os palestinos de “não-civilizados”. Na época, a jornalista Mona Chollet protestou contra o texto e foi demitida.

Outra polêmica aconteceu em 2009, quando o jornal publicou em sua capa uma caricatura do profeta Maomé, dizendo: “É difícil ser amado por idiotas”. A edição vendeu 160 mil cópias e outras 150 mil precisaram ser reimpressas às pressas. Além do sucesso comercial, a publicação atiçou a ira dos muçulmanos em todo o mundo. O jornal ganhou o ódio islâmico e foi processado por grupos islâmicos, mas ganhou a ação.

Na época, o presidente da França, Jacques Chirac, condenou a manchete, que poderia “inflamar paixões”. Já o presidente Nicolas Sarkozy e o atual François Hollande manifestaram, posteriormente, apoio ao jornal, defendendo “a liberdade de expressão”, uma das bases da sociedade francesa.

Provocação

Em 2011, a sede do jornal já havia sido atacada por terroristas. No ano seguinte, o jornal voltou a publicar charges de Maomé, inclusive com caricaturas do profeta nu. O ministro das Relações Exteriores da França na época, Laurent Fabius, falou que a publicação estava “derramando óleo em fogo”.

Na época, o jornal se defendeu, dizendo: “Nós fazemos caricaturas de todos. Só quando fazemos do Profeta é que isso é chamado de provocação”.

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Perfil

Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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