Publicado em 12/05/2015 às 03h04

Livro retrata o lado humano do Rio Amazonas

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Do R7

Pessoas do mundo inteiro viajam ao Norte do Brasil para se maravilhar com a imensidão do Rio Amazonas. O desafio do autor Marcelo Leite, engenheiro formado pela Poli e motociclista há 30 anos, era mostrar a face humana na geografia exuberante.

O livro Raízes do Rio Amazonas (Editora Gente) relata a incrível jornada do autor junto com sua equipe em busca da nascente do rio, desbravando a maior bacia hidrográfica do mundo.

Todo o percurso foi feito de motocicleta e barco, durou cerca de 60 dias, iniciando da costa atlântica até os 5.200 metros de altura do Nevado Mismi, no Peru.

O livro traz retratos, cenas cotidianas de pessoas que vivem de formas diferentes das nossas, culturas que têm muito a nos ensinar e histórias de quem tem a vida pautada pela natureza.

Marcelo Leite já tinha vivido desafio parecido em 2011, quando embarcou na Expedição 5 Continentes, que resultou no livro Estrada para os Sonhos (Editora Gente).

— Conseguimos reunir muitos registros da vida da região. São retratos de um mundo diferente, da água salobra da praia da Romana às águas geladas nas alturas andinas. Da mata fechada às areias dos altiplanos peruanos. Dos cosmopolitas manauaras às famílias ribeirinhas do Alto Solimões. Das comunidades Saterês-Mawê aos Boras, sem esquecer os Kokamas e os Tikunas. Um lugar mais surpreendente que o outro. Um mais lindo que o outro.

O coquetel de lançamento será no dia 27 de maio, às 19h, na Livraria da Vila, r. Fradique Coutinho, 915, em São Paulo.

 

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Publicado em 06/05/2015 às 03h04

Gabriel García Márquez foi mestre dos contos

 Gabriel García Márquez foi mestre dos contos

Gabriel García Márquez: um ano após a morte do autor, contos seus são analisados - Foto: Divulgação

Por GUSTAVO BORGES, da EFE, na Cidade do México

Se o colombiano Gabriel García Márquez não tivesse escrito "Cem anos de Solidão" ou qualquer outro romance, deveria receber o Prêmio Nobel de Literatura por seus contos, o lado menos divulgado de sua obra.

É o que pensam destacados escritores mexicanos, inclinados perante a perfeição de "O afogado mais bonito do mundo", "O rastro de teu sangue na neve", "O verão feliz da senhora Forbes", "Só vim telefonar" ou qualquer outro dos 34 contos escritos por Gabo.

"O conto é uma flecha no centro alvo e o romance é caçar coelhos", costumava dizer García Márquez, que apesar de ter sido um mestre da caçada, beirou a perfeição nas 38 vezes que usou seu arco entre 1947 e 1982.

"Sempre defendi a capacidade contista de García Márquez, pouco conhecida porque foi um grande romancista. Seus contos me impactaram cedo", declarou à Agência Efe Ignacio Padilla, um dos escritores de contos mais prestigiados do México.

Nas últimas semanas, quando os países hispano-americanos lembram o escritor no primeiro aniversário de sua morte, nas homenagens se repetem os nomes de Úrsula Iguarán, Florentino Ariza, Santiago Nasar e outros personagens de seus romances, mas também não faltaram os que lembraram seus contos.

Influência de Kafka

O colombiano era ainda um estudante de direito no dia em que seu companheiro de apartamento lhe emprestou um livro. Após se deitar na cama e terminar de ler aquela joia ("A metamorfose", de Franz Kafka) era outra pessoa.

Naquela mesma noite de 1947, com seus 20 anos, García Márquez escreveu "A terceira resignação", um relato publicado no jornal "El Espectador".

Élmer Mendoza, dramaturgo e romancista, opina que após escrever muito mais tarde "Relato de um náufrago", uma obra na metade do caminho entre o jornalismo e a ficção, García Márquez encontrou a via por onde transitar com liberdade e apostou mais no romance, um gênero imperfeito no qual soube jogar com as situações, os personagens e os tempos.

"Os contos impõem restrições, mas mesmo assim os escreveu com mestria e devemos resgatar essa parte de sua obra. Eu fico com 'O rastro de teu sangue na neve', mas todos são impressionantes. Agora que saiu uma edição de todos seus contos, tenho um bom pretexto para relê-los", comentou.

Contos excepcionais

Como fez em seus romances, García Márquez transformou em seus contos os fatos normais em excepcionais. A vivência de uma companheira de assento adormecida em uma viagem de avião, ou a de um brutal aguaceiro iniciado na manhã de um domingo foram tocados pela pluma do homem nascido em Aracataca e terminaram transformadas em relatos redondos e belos.

"É normal que fosse um extraordinário contista porque ele sempre estava fazendo contos, como se diz na Colômbia e em Cuba. Meu favorito é 'Só vim telefonar', no qual não há nada de seu realismo fantástico, é uma das obras de terror mais intensas da literatura hispano-americana", opinou a romancista Rosa Beltrán.

Beltrán acredita que no volume "Doze contos peregrinos", o vencedor do Nobel se desquita dessa Europa que vê aos latino-americanos como seres exóticos criando personagens europeus com olhar rarefeito ou como criaturas estranhas que não sabem viver.

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Publicado em 03/05/2015 às 03h03

Umberto Eco ataca mau jornalismo em Número Zero

umberto eco Umberto Eco ataca mau jornalismo em Número Zero

Umberto Eco faz crítica ao jornalismo tendencioso, tão comum nos dias atuais - Foto: Divulgação

Por CARMEN SIGÜENZA, da Efe, em Madri

O escritor e filósofo italiano Umberto Eco volta à carga com Número Zero, um romance que critica o mau jornalismo, a mentira e a manipulação da história.

Uma paródia sobre estes tempos convulsos, porque "essa é a função crítica do intelectual". "Essa é minha maneira de contribuir para esclarecer algumas coisas. O intelectual não pode fazer nada, não pode fazer a revolução. As revoluções feitas por intelectuais são sempre muito perigosas", explicou.

"Uma vez escrevi que o intelectual verdadeiro não é o que fala a favor de seu partido, mas contra", lembrou o autor de O Nome da Rosa, em entrevista feita em sua casa em Milão, em frente ao castelo Sforzesco, perto do Duomo.

Uma casa envolvida em livros, literalmente, com mais de 35 mil volumes ordenados por temas em seus infinitos corredores, e repleta de obras de arte onde Eco, aos 83 anos, recebe incansavelmente jornalistas para falar de Número Zero, que será lançado no Brasil pela editora Record ainda este ano.

Referência intelectual

Um dos semiólogos e intelectuais europeus mais importantes do século, Eco possui títulos tão simbólicos e bem-sucedidos como os romances O Nome da Rosa (1982), O Pêndulo de Foucault (1988) e O Cemitério de Praga (2010), além de ensaios O Problema Estético (1956), O Sinal (1973), Tratado Geral de Semiótica (1975) e o famoso Apocalípticos e Integrados (1964), referência nos cursos de comunicação em todo o mundo.

Isso pode se repetir com este novo romance jornalístico, mais curto que os anteriores, que costumavam ter 600 páginas; isso o faz soar um pouco diferente, disse o próprio autor.

"Este saiu com o ritmo de jazz, os outros eram como uma sinfonia de Mahler. Mais jazz pelo argumento, com temas mais rápidos, como é o jornalismo". Um ofício que o autor conhece bem, porque faz parte dele.

Eco escreve desde 1960 muitos artigos e ensaios sobre os "mass media", e por isso se sente à vontade para fazer a crítica "desde o interior" da profissão.

A história começa com a criação, por um empresário italiano (que remete a Silvio Berlusconi) de Número Zero, um exemplar teste de uma revista, em 1992.

Ela tem intenção não de informar, mas de ser ferramenta de poder para pressionar e desacreditar políticos e rivais, criar relatórios, notícias falsas e complôs.

"Há mais de dez anos tinha este romance em minha cabeça, sempre quis falar dos problemas do jornalismo e agora também da internet, onde se pode mentir muito. Eu a utilizei, por exemplo, para este romance, onde me informei sobre a autópsia de (Benito) Mussolini".

"Mas a internet é como o automóvel, não podemos passar a vida na internet como não se pode estar o dia todo dentro do carro", advertiu.

Pior do jornalismo e corrupção

Número Zero, além de ser uma radiografia sobre o pior do jornalismo, do poder e da corrupção, é uma visão da Itália dos últimos 30 anos, e traz outra questão: "não são as notícias que fazem o periódico, mas o periódico que faz as notícias; e saber juntar quatro notícias diferentes significa propor ao leitor uma quinta notícia", diz um personagem.

Uma Itália cuja história é a de "um povo de punhais e venenos", como diz uma das protagonistas. "Elegi 1992 para situar o livro porque nesse momento houve esperança, nasceu a operação 'Mãos Limpas' e parecia que tudo mudaria, havia a luta contra a corrupção, mas chegou Berlusconi e as coisas aconteceram exatamente ao contrário".

O livro termina com sabor agridoce porque, apesar de antes tudo era mais opaco, e revelar ou descobrir informação poderia custar a vida, mas "hoje, quando aparecem os nomes de corruptos e fraudadores e descobrimos mais, as pessoas não se importam, e só vão presos os albaneses ladrões de frangos", lamentou Eco. (alerta de spoiler) E isso acontece no romance, que termina com uma boa reportagem da "BBC", que após ser vista por um personagem diz: "As pessoas decentes continuarão votando nos trapaceiros porque não darão crédito à "BBC", porque não verão programas como o desta noite, porque estarão hipnotizados em reality shows".

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Publicado em 19/02/2015 às 03h03

Paulo Coelho passa a editar seus livros e ganha mais; autor desmente

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Paulo Coelho começa a editar seus livros - Foto: Emanuele Scorcelletti

Da EFE

O escritor Paulo Coelho deu um salto para a auto-edição e elegeu uma empresa espanhola, em Sevilha, especializada neste sistema, Lantia Publishing, que editou uma primeira obra do best seller em inglês que está sendo vendida há uma semana.

O livro escolhido é um dos primeiros de Coelho, O Dom Supremo, um ensaio de 68 páginas sobre o amor. E há uma segunda que o autor contratou com a empresa sevilhana, Ser como o Rio que Flui, publicado originalmente em 2008 e que sairá também só em inglês.

O Dom Supremo está sendo vendido só por impressão sob demanda através da Amazon e de qualquer livraria pela internet, explicou À Agência Efe o diretor da Lantia Publishin, Enrique Parrilla, que ainda não tem dados sobre as vendas desta primeira semana.

Paulo Coelho é o segundo escritor vivo mais traduzido do mundo, só atrás de J.K. Rowling, com 175 milhões de exemplares vendidos em 170 países, traduzido para 80 idiomas, além de contar com 26 milhões de seguidores no Facebook e 10 milhões no Twitter, e este êxito, segundo Parrilla, se deve ao seu "caráter inovador", o mesmo que, segundo ele, o levou a dar o salto para a auto-edição.

Ganhos maiores

O contrato assinado com Coelho é de estrita confidencialidade sobre os detalhes econômicos, mas Parrilla lembrou que na auto-edição 40% do lucro que normalmente vai para a editora e os 30% para distribuidora não existem, o que multiplica a margem do autor. Normalmente aos escritores — se não são estrelas capazes de negociar condições especiais para suas obras ou pelo menos para algumas — recebem 10% das vendas.

A Lantia Publishing nasceu há três anos no seio da editora sevilhana Ponto Vermelho e atualmente publica cem títulos ao mês. Ela possui outra sede em Houston, e a Ponto Vermelho tem escritório em Los Angeles, nos Estados Unidos, e em Madri, e deve abrir outra em Lisboa, de olho no mercado lusófono para em seguida dar um salto ao Brasil.

Autor desmente

O autor Paulo Coelho usou sua conta no Twitter para desmentir qualquer contrato com a Lantia. Ele ainda informou que ela terá de retirar todas as suas obras das plataformas digitais.

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Publicado em 13/11/2014 às 18h49

Manoel de Barros entendeu a simplicidade da vida

manoel de barros Manoel de Barros entendeu a simplicidade da vida

O poeta Manoel de Barros: 97 anos de vida simples e poética - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Infelizmente, vivemos no mundo que desaprendeu a apreciar e a dar a importância devida à poesia. Tudo é tão rápido e tão imediato que a reflexão das palavras fica isolada, num canto.

Mas, mesmo neste mundo cada vez mais voraz, ele soube impor a paz de seu escrito. Porque ele não tinha pressa. Muito pelo contrário. Tinha a arte de sua poesia a oferecer. Como poucos, o poeta Manoel de Barros entendeu a simplicidade da vida. Quem já leu algum de seus livros sabe disso muito bem.

Ele viveu muito: foram 97 anos até esta triste quinta-feira (13), quando seu coração simplesmente deixou de bater. O poeta nasceu em Cuiabá, no Mato Grosso, e morreu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Sempre foi daquele lado do Brasil onde o campo e a natureza convivem perto, na harmonia tão presente em sua obra.

Sua poesia já nasceu pós-moderna, ele sempre foi adiante de seu tempo. Sempre coerente com seus ideais. Tanto que não aceitou permanecer no Partido Comunista quando Luís Carlos Prestes resolveu apoiar o mesmo Getúlio Vargas que havia enviado a mulher deste, a judia Olga Benário, para o horror nazista.Tinha princípios.

Na juventude, depois de estudar direito no Rio, conheceu profundamente a América Latina, morando na Bolívia e no Peru. Tinha sede de saber nossas raízes, sem deixar de lado o seu ar cosmopolita, que o fez ir estudar no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Mas uma hora, a essência de seu ser o chamou de volta. E retornou ao Centro-Oeste brasileiro, onde foi cuidar de uma fazenda em Campo Grande. E, assim, calmamente, foi tocando sua vida, fazendo sua poesia.

O poeta faria 98 anos em 19 de dezembro de 2014. Aos que ficaram por aqui e ainda prezam pela sensibilidade e o tempo certo para as coisas que realmente importam, fica o chamado de, neste dia, ler uma poesia em homenagem ao grande Manoel de Barros. De preferência, no lugar mais silencioso que encontrar.

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Publicado em 24/05/2013 às 14h50

Márcia Milhazes apresenta Camélia neste fim de semana

Camélia, espetáculo da Márcia Milhazes Cia de Dança, acontece neste fim de semana. A obra tem cenografia da artista plástica Beatriz Milhazes, e iluminação da mãe delas, Glauce.

Cinco lustres cromáticos tridimensionais têm uma complexa função cênica. Uma dança do olhar, sem acomodações, por meio de múltiplos detalhes de formas geométricas articuladas e sobrepostas. O denso campo cromático cria um itinerário de sensações vertiginosas, promovendo um encontro de imagens em movimento.

camelia marcia milhazes danca arte cultura 4501 Márcia Milhazes apresenta <i>Camélia</i> neste fim de semana

Debruçados sobre a cena dourada, artistas da dança desenham com os seus corpos, gestos divididos em três interlúdios como sonetos sussurrados entre si.

A cena se revela numa rigorosa estrutura, em que películas de movimentos vão formando uma grande colagem apresentada em solos, duetos, trios e, assim, preenchendo um campo invisível da alma. A dança íntima converte bailarinos, cenário, música e arquitetura que os cercam numa massa amorosa, movida pelo desejo de caminhar dentro do outro.

Camélia

Quando: sábado (25), às 21h; domingo (26) às 18h. Duração: 60 min. Faixa etária livre.

Onde: Teatro Anchieta, r. Doutor Vila Nova, 245, Vila Buarque, centro, SP; tel.: 00xx11-3234 3000. 280 lugares.

Quanto: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, pessoas com mais de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes).

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Miguel Arcanjo Prado é editor de Cultura do R7, onde está desde o começo do portal, em 2009. É jornalista formado pela UFMG e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP. É crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Nasceu em Belo Horizonte e mora em São Paulo desde 2007, quando ingressou no Curso Abril de Jornalismo. Ainda em Minas, estreou como cronista do semanário O Pasquim 21, passando por TV UFMG e TV Globo Minas. Na capital paulista, foi repórter da Contigo!, da Ilustrada na Folha Online e do Agora São Paulo, no Grupo Folha. Edita e apresenta a Agenda Cultural da TV Record News.

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