aos nossos filhos irene nobrega2 Crítica: Peça mostra que cura gay não existe

Espetáculo Aos Nosso Filhos tem a estrela portuguesa do cinema Maria de Medeiros (de vermelho): ela contracena com a carioca Laura Castro, também autora, como mãe de uma filha lésbica - Foto: Irene Nóbrega

Por Miguel Arcanjo Prado

Em um País no qual a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprova o projeto de “cura gay” na surdina, enquanto o povo protesta nas ruas, a peça Aos Nossos Filhos se torna praticamente obrigatória a qualquer um que tenha interesse em ver uma discussão atual feita pelas artes cênicas.

Em cartaz no Teatro do Sesc Santana, a obra tem texto de Laura Castro, que contracena com a estrela portuguesa Maria de Medeiros – que estrelou o filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, em 1994.

As duas interpretam um embate de filha e mãe. Medeiros, a mãe, domina a cena em uma construção crível e que impressiona pelo trabalho da atriz em amenizar o sotaque, quase imperceptível. Ela é uma médica com passado de militância esquerdista nos tempos de ditadura militar, com direito a exílio fora do País. Contudo, o discurso libertário do passado enfraquece diante da homossexualidade dentro de casa. Castro, a filha lésbica, uma advogada individualista, comunica à mãe que esta será avó. Mas quem está grávida é sua mulher.

João das Neves, em uma direção tradicional e sem arroubos, aposta no embate freudiano entre mãe e filha. Uma relação doentia como muitas que existem por aí, ainda mais agravada pela questão da homossexualidade da última, que a mãe tentou no passado “curar” com namoradinhos e cobranças.

A crise da mãe em aceitar a homossexualidade da filha é a grande tensão dramática desta montagem, que não é reducionista ou inocente quanto ao tema.

Castro, que se sai melhor como dramaturga do que como atriz, acerta em não fazer uma peça maniqueísta. Coloca na personagem da filha lésbica valores nem sempre nobres e mostra que esta também é repleta de preconceitos.

aos nossos filhos 2 Crítica: Peça mostra que cura gay não existe

Embate entre mãe e filha é tema de Aos Nossos Filhos no Sesc Santana- Foto: Irene Nóbrega

O cenário de Rodrigo Cohen propõe uma espécie de castelo de areia prestes a desmoronar diante da mais fraca onda. É sobre este frágil piso que a relação de mãe e filha caminha, entre ressentimentos, conflitos, amor e ódio. Se Cohen acertou no cenário, não repete a façanha nos figurinos, sobretudo o de Castro, que é por demais sisudo e não condizente com a personagem.

A direção também poderia ter dado um corte preciso à obra, deixando-a mais enxuta e impactante. A peça teria um final perfeito com a cena na qual as cartas caem do céu, mas insiste em continuar.

A obra tem execução de música ao vivo em determinados momentos – sob responsabilidade dos pianistas Filipe Bernardo e Iuri Salvagnini.  Contudo a entrada do músico, sobretudo no momento derradeiro da obra, soa invasiva. Seria melhor que eles tivessem ficado em posição mais discreta, já que o embate ali é entre mãe e filha. Uma figura masculina presente no palco é forte por demais para não roubar a cena.

Contudo, Aos Nossos Filhos cumpre com uma função primordial do teatro, que é pensar o seu tempo.

Os homossexuais conquistam seus direitos civis, como o casamento, e formam novas famílias. Isso é irrevogável. Nem Feliciano, com sua sanha de transformar orientação sexual em doença vai conseguir mudar.

O grande recado da obra é que homossexualidade não é doença. E não precisa de cura. Muito pelo contrário, precisa de cabeças inteligentes dispostas a dialogar e aceitar aquilo que, num primeiro momento, soa diferente.

O que a peça explicita é que estas novas famílias precisam ser incorporadas sem preconceito à sociedade. Porque, felizmente, os tempos são outros.

Aos Nossos Filhos
Avaliação: Bom
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 18h. Até 30/6/2013
Onde: Sesc Santana (av. Luiz Dumont Villares, 579, Santana, Metrô Jardim São Paulo, tel. 0/xx/11 2971-8700)
Quanto: R$ 6 a R$ 24
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Peça mostra que cura gay não existe

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protesto eduardo enomoto2 Fui ao protesto em SP: sem polícia, não vi violência

Protesto em SP no lgo. da Batata, nesta segunda (17): mais de 100 mil nas ruas - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Resolvi ir ao protesto em São Paulo nesta segunda (17). Como jornalista, queria ver com meus olhos o que está acontecendo em meu País.

Assim como milhares de brasileiros, tomei tal decisão ao assistir, ao vivo pela TV, a violência policial na última quinta (13) contra os manifestantes e a imprensa no centro paulistano.

Nesta segunda, enquanto o carro com a equipe do R7 descia a rua Cardeal Arcoverde rumo ao largo da Batata, local marcado para o começo do protesto, vi centenas de pessoas caminhando de forma pacífica ao local. Muitos seguravam flores ou a bandeira do Brasil nas mãos.

Veja fotos do protesto em SP: mais de 100 mil nas ruas

rua Fui ao protesto em SP: sem polícia, não vi violência

Povo na rua: democracia - Foto: Eduardo Enomoto

Assim que cheguei ao largo da Batata, pouco antes das 17h, uma multidão já ocupava o lugar. Gente de todas as caras, idades ou posições socioeconômicas. Havia muitos jovens, mas também senhores, senhoras e crianças. Mais de 100 mil pessoas.

Um momento tenso da concentração foi quando uma equipe da TV Globo chegou ao local e foi expulsa, com palavras de ordem que acusavam a emissora de fazer cobertura tendenciosa das manifestações. Outro momento complicado foi quando partidos políticos tentaram levantar bandeiras e foram obrigados a baixá-las pelas palavras de ordem do povo. Ali, não havia espaço para politicagem.

sacada eduardo enomoto Fui ao protesto em SP: sem polícia, não vi violência

Moradores colocam panos brancos nas sacadas em apoio ao protesto em SP - Foto: Eduardo Enomoto

Os cartazes nas mãos davam o tom pacífico do objetivo daquela gente. Protestavam contra os 20 centavos de aumento no transporte público, mas também contra a PEC-37, o Estatuto do Nascituro, a homofobia, a corrupção, o investimento do dinheiro público em estádios para a Copa. Gritavam que um professor deveria valer mais do que um Neymar. Estavam ali celebrando seu direito democrático de exigir um Brasil melhor.

Nas janelas do entorno do largo da Batata e por toda avenida Faria Lima, moradores estenderam lençóis brancos na janela ou jogaram papéis picados em apoio à multidão. Muitos desceram dos apartamentos e escritórios e juntaram-se à manifestação.

Solidários, compartilhavam a água, comida, impressões e notícias. Logo, um avisou: “Invadiram o Congresso Nacional”.

A boa vontade dos paulistanos com o protesto era tanta que um morador permitiu que nosso fotógrafo subisse ao seu apartamento para fazer a imagem que abriu este texto. Outra moradora forneceu sua internet. Gente que queria dar sua contribuição.

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O jornalista Miguel Arcanjo Prado, durante o protesto na av. Faria Lima, em São Paulo, nesta segunda-feira (17) - Foto: Eduardo Enomoto

Com palavras de ordem que pediam um Brasil melhor, a parte da passeata que acompanhei – porque ela foi se ramificando – passou por toda a avenida Faria Lima, virou na avenida JK e depois parou a marginal Pinheiros, desde a estação Vila Olímpia até a altura do shopping Eldorado. Lá, se dispersou.

Durante todo trajeto, a polícia, ao contrário da última quinta, se manteve distante, quase invisível. Mesmo sem nenhum policial por perto, aquelas pessoas que pediam paz não se mostraram propensas à baderna ou ao vandalismo. Muito pelo contrário, a qualquer sinal de maior exaltação, todos conclamavam a paz.

Vi muitos manifestantes fazendo fila ordeira em uma loja de conveniência de um posto de gasolina da avenida JK, para comprar água, doces e salgadinhos. Só queriam ter energia para continuar.

Durante o trajeto, não encontrei aquele “ódio contra a cidade”, com discursou Arnaldo Jabor na última quarta (12). Pelo contrário, havia cidadãos conscientes de seu direito de protestar sem violência por aquilo que não concordam e de tentar mudar o País.

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"O povo acordou": jovem segura faixa de protesto em SP - Foto: Eduardo Enomoto

Veja fotos do protesto em SP: mais de 100 mil nas ruas

Veja, abaixo, fotos de artistas do teatro no protesto em SP:

fernando fecchio Fui ao protesto em SP: sem polícia, não vi violência

O ator Fernando Fecchio participou do protesto pelas ruas de São Paulo - Foto: Luna Martinelli

renata calmon Fui ao protesto em SP: sem polícia, não vi violência

A atriz Renata Calmon levou seu cartaz para o protesto em SP nesta segunda (17)

 

atores1 Fui ao protesto em SP: sem polícia, não vi violência

Protesto na av. Paulista: Diego Dac, Felipe Vasconcellos, Talita Avelino, Georgina Castro, Nelise Rodrigues, Cléa Maria, Claudio Dias, Moacir Casimiro e Ed Moraes

 

luna martinelli Fui ao protesto em SP: sem polícia, não vi violência

A atriz Luna Martinelli também levou seu cartaz às ruas nesta segunda (17) - Foto: Renata Melo

maria carolina dressler1 Fui ao protesto em SP: sem polícia, não vi violência

Na última quinta (13), a atriz Maria Carolina Dressler sofreu os efeitos das bombas de efeito moral lançadas pela PM na batalha na esquina das ruas Consolação e Maria Antônia, em São Paulo

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Foto de Bob Sousa

tatiana belinky foto bob sousa O Retrato do Bob: A falta de Tatiana Belinky

A escritora Tatiana Belinkymorreu aos 94 anos no último sábado (15). Era russa de nascimento e brasileira de coração, desde que para cá se mudou com a família, vinda de São Petesburgo, quando tinha apenas dez anos de idade. Fluente em português, russo, alemão e letão, deixou mais de 250 livros. Traduziu importantes obras de seu país natal, como clássicos teatrais de Tchekhov. Seu corpo foi enterrado neste domingo (16), no Cemitério Israelita da Vila Mariana, em São Paulo. Tatiana, que posou para o nosso Bob Sousa entre os amados livros de sua estante, foi um dos principais nomes do teatro feito para crianças no Brasil. No dia da foto, bem humorada, disse: "Bob, sua câmera me faz cócegas". Começou adaptando e traduzindo textos em 1948, que eram produzidos por seu marido, Julio de Gouveia, na Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Com a chegada da TV, o casal levou suas produções para a TV Tupi, entre 1951 e 1964, onde também adaptou pela primeira vez para a televisão o Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou que Tatiana Belinky foi “joia rara, sensível e produtiva”.  Vai fazer uma falta enorme.

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protesto Artistas do teatro e jornalistas condenam violência policial contra manifestantes em São Paulo

Imagens da violência policial contra a imprensa e os manifestantes em SP nesta quinta (13) - Montagem/R7

Por Miguel Arcanjo Prado

A violência da polícia contra manifestantes nesta quinta (13) em São Paulo provocou reação da classe artística e da imprensa.

A Cooperativa Paulista de Teatro divulgou nota condenando os "excessos cometidos pela Polícia Militar". Veja, abaixo:

"A Cooperativa Paulista de Teatro se posiciona veementemente contra os excessos cometidos pela Polícia Militar durante a manifestação pela redução da tarifa dos transportes públicos em São Paulo ocorrida ontem (13/06). É inadmissível que uma instituição criada para promover a segurança da população atue de modo a:

– criminalizar movimentos sociais impedindo o exercício da liberdade de expressão;
– deter manifestantes sob alegação de formação de quadrilha ou porte de vinagre;
– atacar indiscriminadamente manifestantes, civis e imprensa;
– obstruir vias públicas para impedir o acontecimento da manifestação, como fez na Avenida Paulista;

além de inúmeras outras formas de repessão, que têm sido amplamente divulgadas em redes sociais.

Tais excessos demonstram claramente o abuso de poder por parte do Estado, detentor da força bélica, que atuou com o objetivo de reprimir a população ao invés de apenas conter os possíveis infratores presentes entre os manifestantes.

Por isso, a Cooperativa Paulista de Teatro apoia as reivindicações legítimas dos manifestantes e rechaça o retrocesso causado pelas forças repressoras do Estado através da demonstração desmedida de poder."

Jornalistas presos e vítimas de violência

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo também divulgou nota condenando a violência policial contra a imprensa durante o protesto na esquina de ruas Maria Antônica com Consolação. Veja, abaixo:

reporter folha agredida pela pm Artistas do teatro e jornalistas condenam violência policial contra manifestantes em São Paulo

A repórter Giuliana Vallone, da Folha de S.Paulo, foi atingid ano olho por bala de borracha disparada pela PM - Foto: Diego Zanchetta/Estadão Conteúdo

"Novas cenas de agressões aos jornalistas foram presenciadas no início da noite desta quinta-feira (13) durante manifestação ocorrida no centro de São Paulo.  O jornalista Piero Locateli, da revista Carta Capital, e o repórter cinematográfico do portal Terra, Fernando Borges, foram vítimas de violência policial. O número de vítimas aumentou com os repórteres da TV Folha, Giuliana Vallone - que levou um tiro de bala de borracha no olho - e Fábio Braga, da Folha Online.

Nas manifestações, foram detidos e agredidos pela Polícia Militar, os profissionais Fernando Mellis, do Portal R7, Leandro Machado, repórter da Folha de S. Paulo, e Leandro Morais, repórter fotográfico do UOL. O repórter do jornal Metro, Henrique Beirange, foi atingido por um jato de spray de pimenta. Já o repórter do Portal Terra, Vagner Magalhães, levou um golpe de cacetete de um policial militar, enquanto seu colega, o fotógrafo, Fernando Borges, também foi detido e ficou preso por 40 minutos.

A entidade também exigiu a libertação do jornalista Pedro Ribeiro Nogueira [libertado nesta sexta (14)], do Portal Aprendiz, detido arbitrariamente durante os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público na noite de terça-feira (11) e solicitou às autoridades garantia de integridade física e direito à liberdade de imprensa aos profissionais de imprensa que trabalham na cobertura jornalística das manifestações.

Prevendo novos conflitos, a direção do SJSP enviou ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Tribunal de Justiça de São Paulo, Ouvidoria das Polícias de São Paulo, Corregedoria das Polícias Civil e Militar, Comandos da PM e GCM, ao Palácio dos Bandeirantes, ALESP, entre outros, exigindo providências contra as arbitrariedades ocorridas contra os jornalistas. Este é o teor do documento:

'Tendo em vista que muitos jornalistas foram agredidos e detidos por autoridades policiais enquanto realizavam seu trabalho jornalístico, fato ocorrido na última manifestação e amplamente divulgado pela imprensa, solicitamos garantia à integridade física e o direito à Liberdade de Imprensa aos Jornalistas que cobrem o evento para que possam trabalhar sem o “risco” de serem detidos ilegalmente ou constrangidos no exercício da função de informar o cidadão sobre este acontecimento de importância pública relevante.

Conforme assegura a Constituição Federal, a Liberdade de Imprensa e o Direito à Informação são requisitos fundamentais da democracia e dos princípios republicanos que norteiam o Estado brasileiro e o trabalho do jornalista tem por objetivo cobrir e dar publicidade imparcial aos fatos ocorridos'."

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artesão da alegria 2 076 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Enquanto o ar está irrespirável, ainda há o riso da criança: peça lembra poesia artesanal - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Sorriso de criança
Enquanto a rua pega fogo, a coluna tentou achar alguma imagem de esperança trazida pelo teatro. Porque a coisa está difícil. Mas encontrou este sorriso genuíno das crianças que participam do espetáculo Artesão da Alegria. A montagem as faz recordar que o brinquedo artesanal é melhor e bem mais poético que o industrial. A peça infantil circula por quatro cidades do Paraná neste mês, pelo projeto de circulação do Grupo Malasartes no Vale do Ribeira, que levou o Prêmio Funarte Myriam Muniz de 2012. Na obra, as crianças conhecem o ofício de quem constrói brinquedos. E todas colocam a mão na massa. Já foi vista por 10 mil pessoas em mais de 200 apresentações. A direção é de Luis Carlos Teixeira da Silva. No elenco, estão Adriane Havro e Vinícius Mazzon, que fizeram a dramaturgia ao lado do diretor. Ricarod Garanhani assina cenário e figurinos. Já Luciano Coelho fez o vídeo. Ainda há apresentações em Cerro Azul, no dia 20, em Ulysses, no dia 21, em Bocaiúva do Sul nos dias 27 e 28 de junho. Um toque de paz.

Agenda Cultural da Record News

Toque incômodo
Na estreia para convidados da peça Aos Nossos Filhos, no Sesc Santana, na última sexta (7), um celular insistia em tocar nos momentos mais dramáticos da obra. E tocou duas vezes. Uma vergonha.

Saiu à francesa
Após os aplausos às atrizes Maria de Medeiros e Laura Castro em Aos Nosso Filhos, a última chamou ao palco o diretor, João das Neves. Avesso a este tipo de exposição, ele fugiu para o saguão do teatro assim que escutou seu nome no palco. A coluna viu.

reporter folha agredida pela pm Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A repórter Giuliana Vallone, da Folha de S.Paulo, foi atingid ano olho por bala de borracha disparada pela PM - Foto: Diego Zanchetta/Estadão Conteúdo

Existe Guerra em SP 1
A quinta-feira (13) foi marcada pela violência policial contra manifestantes e a imprensa nas ruas de São Paulo. A manifestação não é só pelo aumento de 20 centavos no transporte público, a discussão vai bem mais além. Além de estudantes, vários artistas do teatro também fizeram parte da manifestação. A coluna falou com vários deles. Todos confirmaram que a polícia, como mostraram as imagens na TV, foi quem começou o confronto e partiu para a violência. A coluna prefere não dar os nomes dos artistas que tomaram as ruas, já que a repressão está de volta, urgindo feito gorila por aí. Assustadoramente.

Existe Guerra em SP 2

Na estreia da peça Uma Vida no Teatro, com Francisco Cuoco e Angelo Paes Leme, na noite desta quinta (13), o assunto no saguão era um só: a guerra em São Paulo entre polícia e manifestantes.

Existe Guerra em SP 3
A grande maioria apoiava o movimento na luta contra o aumento das tarifas do transporte público. “Eles estão mais do que certos”, era a frase que mais se ouvia no saguão do Teatro Vivo.

Existe Guerra em SP 4
As assessoras de imprensa da peça, Célia Forte e Daniela Bustos, ficaram presas no caminho na rua Augusta, no meio do confronto, no qual policiais atiraram balas de borracha e bombas vencidas nos manifestantes. Conseguiram sair ilesas por muito pouco. Chegaram ao teatro assustadas e dando todo o apoio aos manifestantes.

Existe Guerra em SP 5
A estreia da peça Festa no Covil no Sesc Consolação, próximo à rua Maria Antônia, onde houve parte da batalha, precisou ser adiada em 40 minutos por conta da guerra nas ruas.

Enquanto isso, a patriota
Na penúltima sessão da peça WWW para Freedom, no sábado (8), uma espectadora cantou junto com o ator Esio Magalhães o Hino da Proclamação da República, em uma das cenas da peça em que o palhaço Zabobrim ironiza o discurso patriótico bélico. Ela não deve ter entendido nada.

O fim
A coluna termina com estas tristes imagens das ruas de São Paulo. Sem mais.

protesto Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Imagens da violência policial contra a imprensa e os manifestantes em SP nesta quinta (13) - Montagem/R7

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erro ERRO Grupo se apresenta em Nova York, nos EUA, após ser a sensação do último Festival de Curitiba

ERRO Grupo vai apresentar a perfomance Pedras em Nova York - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Os catarinenses do ERRO Grupo não costumam passar incólumes por lugar algum. Após ser a grande polêmica do último Festival de Curitiba, quanto tiveram a peça Hasard interrompida pela polícia, e participar da Virada Cultural de São Paulo, a trupe vai se apresentar neste mês em Nova York.

O grupo, fundado em 2001, fará a performance Pedras, nas ruas de Manhattan.

A viagem é uma parceria com o Instituto Hemisférico de Performance e Política.

O diretor do ERRO, Pedro Bennaton, já está em solo norte-americano, onde faz residência na Brown University.

A nova performance do ERRO tem como pano de fundo a tragédia de 11 de Setembro de 2001 e sua repercussão na ilha de Florianópolis, onde está sediado.

Pedras será apresentada em Nova York no próximo dia 27 de junho, às 17 horas, na Times Square, Broadway St.. No dia 28, às 15 horas, será apresentada no Zucotti Park e St. Libetty . Já no dia 1 º de julho, o grupo também se apresentará na Broadway St., às 13 horas.

Além de Bennaton, que já está nos Estados Unidos, viajam para o país nos próximos dias, mais três integrantes: Luana Raiter, Sarah Ferreira e Luiz Henrique Cudo.

Luana Raiter conversou com o Atores & Bastidores do R7. Ela contou que esta é primeira vez que o ERRO Grupo se apresenta em Nova York. A trupe já esteve no Texas, na Colombia e na Argentina.  

— Estou muito curiosa para ver a reação das pessoas. É uma performance bem provocativa. Acho que o norte-americano médio, muitas vezes acredita que algo é simplesmente bom ou mal. Queremos ser vistos como uma reflexão e não como uma pura provocação. 

O ERRO Grupo fará um relato da viagem em seu site.

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zozima sinha trupe danilo dantas Crítica: Trupe Sinhá Zózima faz viagem poética para dentro da gente em ônibus pelo centro de SP

Trupe Sinhá Zózima: viagem poética dentro de um coletivo pelo centro de São Paulo - Foto: Danilo Dantas

Por Miguel Arcanjo Prado

Enquanto o fuzuê se faz nas filas dos coletivos do Terminal Parque Dom Pedro 2º, em pleno horário de pico no coração do centro paulistano, eis que, de repente, um grupo diminuto de passageiros é chamado a pegar suas malas antigas de couro e formar uma fila.

dentro malas christiane forcinito1 Crítica: Trupe Sinhá Zózima faz viagem poética para dentro da gente em ônibus pelo centro de SP

Público pega malas antigas de couro antes de embarcar n0 ônibus - Foto: Christiane Forcinito

Juntos, rumam para um ônibus velho que está parado na plataforma em frente. Ele será o veículo que vai transportar a todos a uma viagem poética para dentro de si e de suas mais tocantes lembranças no espetáculo Dentro É Lugar Longe, da Trupe Sinhá Zózima.

Rudnei Borges assina o texto, que foi criado a partir de reminiscências dos próprios atores sobre momentos de sua infância, em lembranças nas quais a vida recém-chegada se mistura com a inevitável aparição da morte. O texto é um dos mais bonitos apresentados neste ano pelo teatro paulistano. É poético, fluído e tocante.

Próximos do público, durante a viagem, ao rememorarem momentos tão tenros de seu passado, os atores levam todos a um mar de lembranças pessoais, sobretudo da infância, algumas já esquecidas pela crueza da vida adulta. Este é o maior mérito desta obra.

O elenco se esforça para ter uma unidade de registro cênico. Alessandra Della Santa, Maria Alencar, Tatiana Lustoza, Junior Docini e Priscila Reis realmente compõem um grupo. Contudo, os dois últimos se destacam. Junior, obviamente, por ser o único homem em cena e ainda tocar a sanfona. Mas também por ter uma leveza no olhar e na fala que traz o espectador sempre para junto dele. Priscila por sua vez também consegue demonstrar maior fluência do texto, que sai mais verdadeiro e menos técnico de sua boca. Mérito do trabalho da atriz.

Anderson Maurício conseguiu fazer uma direção que aproxima o público de cada história, fazendo com que os atores sejam cúmplices dos passageiros-espectadores. Estes são convidados a participar da obra, fornecendo novos elementos para a dramaturgia, sempre viva.

dentro e lugar longe christiane forcinito Crítica: Trupe Sinhá Zózima faz viagem poética para dentro da gente em ônibus pelo centro de SP

Balões coloridos levam poesia à praça Júlio Prestes, na região da cracolândia - Foto: Christiane Forcinito

Durante os 90 minutos da peça, o ônibus faz um percurso pelos principais pontos históricos do centro de São Paulo, em um diálogo verdadeiro com a cidade, no que ela tem de belo e de horror. Em uma das paradas, o público divisa pela janela do coletivo os atores brincando nas escadarias do Teatro Municipal. Em outra, uma das personagens corre eufórica pela praça Coronel Fernando Prestes, no Bom Retiro, ao encontro do pai morto. Há também momentos tensos, como quando o elenco convida o público a olhar pela janela e ver o amontoado de usuários de crack fazendo o uso da droga na região próxima à Estação Júlio Prestes.
 
E é lá que o ônibus chega à sua parada final. Os atores descem e andam de bicicleta pela praça, segurando balões coloridos. A imagem contrasta com alguns viciados que, já conhecedores deste momento da peça, se aproximam do público. E dialogam com a arte. Juntos do público, aplaudem no fim

Dentro É Lugar Longe
Avaliação: Bom
Quando: Quarta, 20h. 90 min. Última apresentação. Até 12/6/2013
Onde: Terminal Parque Dom Pedro 2º, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 96292-0447
Quanto: Grátis (retirar senhas uma hora antes; a capacidade é para apenas 28 passageiros)
Classificação etária: Livre
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Trupe Sinhá Zózima faz viagem poética para dentro da gente em ônibus pelo centro de SP

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julia chequer ze celso Depoimento de Zé Celso à polícia é adiado; diretor foi intimado a delatar atores de ato na PUC SP

Policía quer que o diretor do Teatro Oficina, Zé Celso, diga os nomes dos atores que participaram de ato artístico na PUC-SP em novembro de 2012 - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7-7/4/2010

Por Miguel Arcanjo Prado

Foi adiado o depoimento do diretor José Celso Martinez Corrêa à Policía Civil do Estado de São Paulo, que deveria ocorrer nesta terça-feira (11), às 17h. O artista, de 76 anos, foi intimado pelo 23º Distrito Policial de Perdizes, em SP, a comparecer ao local para prestar esclarecimentos e ainda identificar atores de sua companhia que participaram de uma ação artística durante protesto político na PUC-SP em novembro de 2012.

A notícia foi dada pelo blog Atores & Bastidores do R7 nesta segunda-feira (10) e teve ampla repercussão nas redes sociais.

O motivo do adiamento seriam questões burocráticas da própria delegacia, apurou o R7. Ainda não foi marcada a nova data do depoimento de Zé Celso ou de algum representante do Oficina à Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Zé Celso fez parte do grupo de artistas que defendeu a democracia e o fim do regime militar (1964-1985). Ele chegou a ser indenizado por ter sido perseguido e torturado durante a ditadura.

Protesto pelo ensino laico

O motivo da intimação que Zé Celso recebeu, assinada pelo delegado Percival de Moura Alcantara Junior, seria “elucidar os fatos e reconhecer atores de teatro em fotos ou vídeos postadas na web sob o título ‘Decapitação do Papa na PUC’ na ‘Ocupação da PUC’ pela Democracia’".

Em novembro de 2012, Zé Celso e artistas do Teatro Oficina participaram de uma manifestação de estudantes da PUC-SP contra a indicação da professora Anna Cintra à reitoria da universidade, já que ela havia ficado em terceiro lugar na eleição — ela tomou posse em fevereiro deste ano. O ato contou com a adaptação de uma cena da peça Acordes, na qual um boneco gigante, vestido com roupas sacerdotais para a ocasião, era degolado.

O Oficina, em nota, diz que estudantes “foram procurar os artistas do Oficina quando estávamos fazendo a peça Acordes, baseada em texto de Bertolt Brecht”. Ainda de acordo com a nota enviada pelo Oficina ao R7, “os estudantes tinham ocupado a PUC e convidaram a Uzyna Uzona para participar de uma ação pela liberdade do ensino laico. Em Acordes havia uma cena em que um boneco, representando o Capitalismo, era despedaçado por dois palhaços. A cena foi adaptada para a situação que a PUC estava passando e apresentada no evento promovido por estudantes e professores”.

"É um atentado à arte", diz Zé Celso

Zé Celso comentou a intimação recebida em seu blog.

Ele afirmou que “querer incriminar artistas de teatro por esta cena é um atentado à liberade de expressão do ator”. O diretor afirmou que o teatro é “o espaço da liberdade”. E lembrou de sua luta pela democracia e liberdade de expressão durante os anos de chumbo da ditadura militar.

— Nós das artes, que lutamos contribuindo para abolir a censura no Brasil durante a ditadura militar e ganhamos esta conquista não podemos recuar e aceitar a censura à nossa atividade [...] Este instrumento jurídico, que a Inquisição da PUC conseguiu passar para  uma delegacia de polícia, é uma intimação contra a Constituição do Estado Democrático Laico no Brasil, a favor da reinstauração da censura, contra a qual tanto lutamos nos tempos da ditadura militar. É um atentado à arte, considerada como crime. Não desejo ser cúmplice deste crime por isso vou por a boca no trombone do mundo.

Outro lado

O R7 falou com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e também com a assessoria de imprensa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

A assessoria da PUC afirmou: "Checamos a informação e a PUC-SP não abriu nenhum processo contra o diretor José Celso Martinez Corrêa".

Abaixo, a resposta da Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo:

“Apuramos que, por requisição do Ministério Público, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o fato. A natureza da investigação é o artigo 208 do Código Penal: ‘Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso’. O delegado que preside o inquérito é o titular do 23° DP, Marco Aurélio Floridi Batista.”

No começo do ano, a peça Edifício London, do grupo teatral Os Satyros, foi proibida de estrear em São Paulo por conta de uma decisão judicial.

ze celso martinez correa julia chequer r7 Depoimento de Zé Celso à polícia é adiado; diretor foi intimado a delatar atores de ato na PUC SP

O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, foi intimado a ir a uma delegacia por conta de um trabalho artístico feito com o Teatro Oficina - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7/7-4-2010

Veja a intimação recebida por Zé Celso:

intimacao ze celso Depoimento de Zé Celso à polícia é adiado; diretor foi intimado a delatar atores de ato na PUC SP

Cópia da intimação policial recebida pelo diretor Zé Celso no Teatro Oficina - Foto: Reprodução/Blog do Zé Celso

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Jose Dias e Antonio Grassi presidente da Funarte  Foto Celmi Yasuda José Dias faz de Teatros do Rio um livro definitivo

O autor de Teatros do Rio, José Dias (à esq.), e o presidente da Funarte, Antonio Grassi: obra de 744 páginas faz levantamento de 300 teatros do Estado do Rio do século 18 ao fim do século 20 - Foto: Celmi Yassuda/Funarte

Por Miguel Arcanjo Prado

A memória do teatro brasileiro, arte tão efêmera, é sempre maltratada e quase nunca se sabe, quase nada se tem. Pois é um alento ver iniciativas como a do recente livro A Crítica de João Apolinário, com um registro importante de um período de efervescência do teatro paulistano, e, agora, o livro de José Dias, carioca doutor em artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Ele acaba de lançar Teatros do Rio, com apoio da Funarte e do Ministério da Cultura.

Capa em BAIXA Livro da Funarte Teatros do Rio do Seculo XVIII ao Seculo XX José Dias faz de Teatros do Rio um livro definitivoA obra é uma investigação profunda de três centenas de salas de espetáculos do Rio de Janeiro, desde o século 18 até o fim do século 20. É claro que, diante de tal trabalho árduo, o prefácio tinha de ser assinado por ninguém menos do que Bárbara Heliodora, um dos maiores nomes da crítica teatral brasileira e principal crítica do Rio. “Em um País com pouca memória, e de menos memória ainda a respeito das artes, este levantamento e comentário a respeito dos teatros do Rio é uma contribuição preciosa não só para o teatro como também para todos os interessados em nossa vida cultural”, diz dona Bárbara. Falou tudo.

No livro, é possível descobrir qual teatro carioca era muito frequentado pela corte – e ele existe até hoje. Ou ainda saber que em 1826 foi criado um teatrinho na rua dos Arcos, na Lapa. Ficava nos fundos de uma casa e foi inaugurado com o drama O Desertor Francês. Só durou oito anos a diminuta sala. Outras salas que entraram para a história do teatro nacional são abordadas em minúcias pelo autor.

Diante de sua experiência renomada como cenógrafo, José Dias apresenta plantas e projetos estruturais das salas cuja história ele conta. E, é claro, cita aqueles espetáculos que marcaram época nos palcos do Rio.

Plural, o livro não fica restrito apenas à capital; faz também referências a teatros de outras cidades do Rio e também aos mais importantes e antigos teatros brasileiros, como o Teatro Ouro Preto, em Minas, o primeiro do Brasil, e o Santa Isabel, no Recife, entre outros.

Ainda há farto registro fotográfico das salas apresentadas, fazendo sua consulta algo didático e leve. Não é um livro pesado, sisudo. Muito pelo contrário, é atrativo e absolutamente necessário. José Dias fez de seu Teatros do Rio um livro definitivo. Mais uma obra obrigatória na estante de quem ama o teatro e a cultura do Brasil.

Teatros do Rio
Avaliação: Ótimo
Autor: José Dias
Editora: Edição Funarte
Páginas: 744
Quanto: R$ 70
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ José Dias faz de Teatros do Rio um livro definitivo

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ze celso martinez correa julia chequer r7 Polícia intima Zé Celso a dar depoimento por conta de cena de peça Acordes, do Teatro Oficina, em SP

O diretor José Celso Martinez Corrêa foi intimado a ir a uma delegacia por conta de ação artística feita pelo Oficina em protesto da PUC-SP; polícia pede que ele reconheça atores - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7

Por Miguel Arcanjo Prado

O diretor do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, foi intimado pela Polícia Civil de São Paulo a comparecer nesta terça (11), às 17h, ao 23º Distrito Policial de Perdizes, bairro da zona oeste paulistana.

O motivo, segundo a intimação assinada pelo delegado Percival de Moura Alcantara Junior, é “elucidar os fatos e reconhecer atores de teatro em fotos ou vídeos postadas na web sob o título ‘Decaptação do Papa na PUC’ na ‘Ocupação da Puc’ pela Democracia’".

Leia mais: Depoimento de Zé Celso é adiado

Em novembro de 2012, Zé Celso e integrantes do Teatro Oficina participaram de uma manifestação de estudantes da PUC-SP contra a indicação da professora Anna Cintra à reitoria da universidade, já que ela havia ficado em terceiro lugar na eleição — ela tomou posse em fevereiro deste ano. O ato contou com a adaptação de uma cena da peça Acordes, na qual um boneco gigante, vestido com roupas sacerdotais para a ocasião, era decapitado.

Segundo nota divulgada pela companhia teatral localizada na Bela Vista, bairro do centro paulistano, no ano de 2012 “os estuantes da PUC foram procurar os artistas do Oficina quando estávamos fazendo a peça Acordes, baseada em texto de Bertolt Brecht”.

Ainda de acordo com a nota enviada pelo Oficina, “os estudantes tinham ocupado a PUC e convidaram a Uzyna Uzona para participar de uma ação pela liberdade do ensino laico. Em Acordes havia uma cena em que um boneco, representando o Capitalismo, era despedaçado por dois Palhaços. A cena foi adaptada para a situação que a PUC estava passando e apresentada no evento promovido por estudantes e professores”.

Zé Celso comentou a intimação recebida em seu blog. Ele afirmou que “querer incriminar artistas de teatro por esta cena é um atentado à liberade de expressão do ator”. O diretor afirmou que o teatro é “o espaço da liberdade”. E lembrou de sua luta pela democracia e liberdade de expressão durante os anos de chumbo da ditadura militar.

— Nós das artes, que lutamos contribuindo para abolir a censura no Brasil durante a ditadura militar e ganhamos esta conquista não podemos recuar e aceitar a censura à nossa atividade [...] Este instrumento jurídico, que a Inquisição da PUC conseguiu passar para  uma delegacia de polícia, é uma intimação contra a Constituição do Estado Democrático Laico no Brasil, a favor da reinstauração da censura, contra a qual tanto lutamos nos tempos da ditadura militar. É um atentado à arte, considerada como crime. Não desejo ser cúmplice deste crime por isso vou por a boca no trombone do mundo.

O R7 falou com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e também com a assessoria de imprensa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

A assessoria da PUC afirmou: "Checamos a informação e a PUC-SP não abriu nenhum processo contra o diretor José Celso Martinez Corrêa".

Abaixo, a resposta da Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo:

“Apuramos que, por requisição do Ministério Público, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o fato. A natureza da investigação é o artigo 208 do Código Penal: ‘Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso’. O delegado que preside o inquérito é o titular do 23° DP, Marco Aurélio Floridi Batista.”

No começo do ano, a peça Edifício London, do grupo teatral Os Satyros, foi proibida de estrear em São Paulo por conta de uma decisão judicial.

intimacao ze celso Polícia intima Zé Celso a dar depoimento por conta de cena de peça Acordes, do Teatro Oficina, em SP

Cópia da intimação policial recebida pelo diretor Zé Celso no Teatro Oficina - Foto: Reprodução/Blog do Zé Celso

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