Todos os direitos reservados Copyright © 2013 Foto Nego Junior RaeldaRima 01 Rael mostra personalidade ao seguir seu coração

Cantor Rael segue politizado, mas um tanto quanto adocicado pelo amor em novo disco - Foto: Nego Júnior

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Nego Júnior

Aos 30 anos, o cantor Rael está maduro e sabe o que quer. Já atingiu a maturidade de fazer suas escolhas na vida e na arte. Aprendeu que é responsável por si mesmo.

Seu segundo álbum, Ainda Bem que Eu Segui as Batidas do Meu Coração, do selo Laboratório Fantasma, de Emicida, é a mais clara prova deste atual momento do músico.

Rael não é mais da Rima, apelido que o deixou conhecido. Mas o é também. E ainda é pop, é reggae, é soul, é samba, é hip hop, é música negra e brasileira que pulsa em seu ritmo. Ele se apropria de sons e os recria à sua forma, trilhando seu rumo “devagarinho” como canta na faixa Caminho. Sabe que é degrau a degrau.

O rapper continua com os pés no chão e uma visão de mundo que remete à sua origem de menino simples do Grajaú, na zona sul paulistana.  O cantor é crítico ferrenho da desigualdade social, da violência contra negros e pobres. Sabe que sua música tem posicionamento político, como evidencia na faixa Diferenças.

Continua o combativo Rael do primeiro álbum, MP3 – Música Popular do 3º Mundo, mas um tanto quanto adocicado pelo amor, como a romântica faixa Só Faltou Você deixa bem claro. A canção é uma das mais belas declarações de amor da música brasileira atual. Rael é do palco, dos fãs, mas também é de sua família. Não se deslumbra com as facilidades fáceis e falsas que um nome conhecido produz.

O show do segundo disco evidencia exatamente esta nova fase. Rael surge alinhado e elegante, de gravata – frouxa, claro, porque ele não é nenhum coxinha –, cheio de charme e com aquela sensualidade que tem o homem feito. Aquele que que sabe o que é. O que quer.

Rael levanta o público. Joga os braços. Samba com gosto. Se movimenta com segurança, envolve, seduz. Segue, sem pestanejar, o rumo da direção que apontam as batidas de seu coração. O que faz muito bem.

Todos os direitos reservados Copyright © 2013 Foto Nego Junior RaeldaRima 02 Rael mostra personalidade ao seguir seu coração

Parceiro de Criolo e Emicida, Rael é um dos mais talentosos nomes da música brasielira atual - Foto: Nego Júnior

Rael - Show do disco Ainda Bem que Eu Segui as Batidas do Meu Coração
Avaliação: Ótimo
Quando:
Domingo (26), às 18h. Única apresentação.
Onde: Sesc Ipiranga (r. Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3340-2000)
Quanto: R$ 18 (inteira)
Classificação etária: 10 anos
Baixe o disco Ainda Bem que Eu Segui as Batidas do Meu Coração, de Rael
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Rael mostra personalidade ao seguir seu coração

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Por Miguel Arcanjo Prado

São Paulo é um verdadeiro frenesi quando o assunto é teatro. Afinal, as cerca de 200 salas da capital paulista vivem em constante movimento de entra e sai de espetáculo. O Atores & Bastidores do R7 selecionou sete montagens que chegam ao fim na cidade neste fim de semana. Se você já havia pensando em ver alguma delas, é bom correr. Divirta-se!

teatro roberto silvia boriello Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

O ator Roberto Reineger é o protagonista da peça com saga farmacológica de um rapaz - Foto: Silvia Boriello

Roberto e a Filologia das Estrelas
A primeira peça do grupo A Tragédia Pop, com direção e dramaturgia do jovem Marcio Tito Pellegrini, conta a história de Roberto, um rapaz em meio a remédios, drogas e relações superficiais ao seu redor. Tudo diante de um contato dele com alienígenas. O texto é uma viagem biográfica e pós-moderna que é a cara de São Paulo e, sobretudo, da praça Roosevelt, onde está instalado o espetáculo. Preste atenção na atriz Marina Calvão, a que tem sotaque carioca. Ela é um verdadeiro charme. A peça ainda serve para refletir sobre como lidamos com um mundo cada vez mais tecnológicos e com contato humano cada vez mais fragmentado. Na trilha, Caetano Veloso canta com seu sotaque baiano a clássica canção do rock Come As You Are, do Nirvana. Duas vezes.
Sáb (25), 19h, no Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 210, centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345). R$ 20 ou nada. 16 anos. Até 25/5/2013.

teatro joao caldas Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Melissa Vettore e Leopoldo Pacheco vivem caso lendário de amor no mundo das artes - Foto: João Caldas

Camille e Rodin
Um tórrido amor uniu os artistas Auguste Rodin (1840-1917) e Camille Claudel (1864-1943). O romance não poderia ganhar palco melhor para sua adaptação teatral: o elegante do Teatro do Masp, um dos principais museus da cidade no coração da avenida Paulista. Leopolodo Pacheco e Melissa Vettore vivem o casal de artistas. As nuances de uma paixão que juntou mestre e discípula na mesma cama envolvem o público inteligente. Preste atenção no texto de Franz Klepper, um dos melhores dramaturgos do teatro brasileiro atual. A direção, assinada por Elias Andreato, também é cheia de poesia. Um drama romântico para ser visto com o amor ao lado.
Sex. (24) e sáb. (25), às 21h; dom. (26), às 19h30. No Grande Auditório do Masp (av. Paulista, 1578, Metrô Trianon, tel. 0/xx/11 3171-3627). R$ 20 a R$ 40. 12 anos. Até 26/5/2013.

teatro hotel trombose julieta bacchin Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Atriz Gislaine Nascimento integra o elenco da Cia. do Mofo em Hotel Trombose, no Tusp - Foto: Julieta Bacchin

Hotel Trombose
A peça é uma adaptação do romance de Felipe Valério pelo diretor Fernando Gimenes. A obra conta a história de cinco estrelas decadentes que vivem em um hotel de quinta categoria. A obra expõe o caráter duro das metrópoles, onde poucos se importam com o outro. A montagem tem histórias fortes, como a de um pedófilo que finge ser um super-heróis para atrair suas vítimas, as crianças. Ainda há espaço para dois irmãos que assistem à mãe morrer afogada em uma banheira, enquanto ambos comem docinhos de festa. Um espetáculo denso com a Cia. do Mofo. Só vá se não estiver deprimido. Ou não.
Sex. (24) e Sáb. (25), às 21h; dom (26), às 20h. No Tusp (rua Maria Antônia, 294, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3123-5233). R$ 20. 14 anos. Até 26/5/2013.

teatro magico oz Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Malu Rodrigues é a menina Dorothy no musical O Mágico de Oz - Foto: Amauri Nehn/AgNews

O Mágico de Oz
O musical rompe barreiras entre o mundo das crianças e dos adultos, fazendo com que todos embarquem na fantasia da menina Dorothy, vivida pela talentosa Malu Rodrigues, que canta deslumbrantemente. A montagem da tarimbada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho tem figurino preciso de Fause Haten e cenários de impressionar qualquer um. André Torquato confirma o talento de sempre como o Espantalho. O italiano Nicola Lama dá a simplicidade necessária a seu Homem de Lata. Heloísa Périssé, como a Bruxa Má do Oeste, mantém seu humor de sempre em improvisações que levam todos às gargalhadas. O único erro é Lúcio Mauro Filho e sua construção caricata do Leão Covarde. Mas a gente logo se esquece dele quando Luiz Carlos Miéle, o pai do showbizz brasileiro, entra em cena como o Mágico. As crianças ainda ficam encantadas com o cachorrinho de verdade que dá vida a Totó, o mascote da protagonista. Na verdade, o "personagem" é "interpretado" por três diferentes cãezinhos. Fofo.
Sex. (24), 21h30; sáb. (25), 16h e 20h; dom. (26), 15h e 19h. No Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, CPTM Santo Amaro, São Paulo, tel. 0/xx/11 5693-4000). R$ 40 a R$ 180. Livre. Até 26/5/2013.

teatro longo adeus Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Texto de Tennessee Williams mostra homem perdido com suas lembranças - Divulgação

Longo Adeus
O drama escrito pelo norte-americano Tennnesse Wiliams (1911-1983), um dos maiores dramaturgos de todos os tempos, ganha direção de Flávio Tolezani. O enredo conta a história de um escritor que precisa deixar o apartamento da família onde foi criado. Enquanto os carregadores vão levando os móveis e objetos de seu passado, ele acaba se perdendo em suas lembranças daquele lugar tão importante para a sua trajetória. Um espetáculo denso para refletirmos de como somos frutos de onde viemos.
Sex. (24), 21h30; sáb. (25), 21h; dom. (26), 19h. No Viga Espaço Cênico (r. Capote Valente, 1323, Metrô Sumaré, São Paulo. Tel 0/xx/11 3801-1843). R$ 30. 12 anos. Até 26/5/2013.

teatro primeiravista enriquediaz Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Drica Moraes e Mariana Lima fazem embate cênico no Sesc Pompeia - Foto: Enrique Diaz

A Primeira Vista
Duas ótimas atrizes, Drica Moraes e Mariana Lima vivem o embate de duas mulheres que têm uma relação de amor e carinho uma pela outra. A comédia dramática é do canadense Daniel MacIvor, um dos nomes fortes da atual dramaturgia mundial. As recém-conhecidas se tornam amigas e logo viram amantes, mas se separam, discutem a relação, enfim, vivem encontros e desencontros. A direção de Enrique Diaz aposta no talento das atrizes, que não deixam a dever. Uma peça para entender as DRs que fazem a cabeça das mulheres.
Sex. (24) e sáb. (25), 21h; dom. (26), 19h. No Teatro do Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, tel. 0/xx/11 3871-7700). R$ 24. 14 anos. Até 26/5/2013.

teatro milton Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Musical com 16 atores só tem dois negros no elenco para cantar obra de Milton Nascimento - Foto: Guga Melgar

Milton Nascimento - Nada Será como Antes - O Musical
A obra de Milton Nascimento, um dos maiores compositores e cantores da MPB, merecia homenagem melhor. O musical traz atores com cara de Malhação e vestidos como modelos de lojas de departamento para cantar, de forma corrida, os sucessos do astro que melhor representou a música mineira no cenário nacional. A obra empacota a produção de Milton em uma embalagem comercial para degustação de uma classe média sem referência cultural e que se deslumbra diante de qualquer coisa com roupagem Broadway. Preste anteção nas coreografias óbvias e em como os intérpretes parecem não saber o que estão cantando. Se assistir ao musical, depois que chegar em casa, tente ouvir todas as canções no original. Será um grande alívio.
Sex. (24), às 18h30 e 21h30; sáb. (25), às 21h; dom. (26), às 20h. No Teatro GEO (r. Coropés, 88, Metrô Faria Lima, São Paulo, tel. 0/xx/11 3728-4930). R$ 100 a R$ 150. 18 anos. Até 26/5/2013.

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piovani Além de dançar na televisão, Luana Piovani vai do infantil a Woody Allen no teatro em 2013

Além de participar do Dança dos Famosos, Luana Piovani fará duas peças - Foto: Roberto Filho/AgNews

Por Elba Kriss*
Especial para o Atores & Bastidores

Uma das línguas mais afiadas da internet brasileira, Luana Piovani vai voltar em breve ao teatro.

A atriz, que participa do Dança dos Famosos no Domingão do Faustão, contou que está animada com duas novas produções.

Após finalizar a novela Guerra dos Sexos (Globo), a atriz entrou de cabeça em dois projetos. Ambos para 2013.

Ao R7, ela falou, entusiasmada, sobre seus planos. O primeiro deles? Uma peça infantil.

— Este ano vou estrear o Mania de Explicação, da Adriana Falcão. O problema é que, agora, a gente não sabe quem é o diretor. Com isso, não sabemos se vai estrear no Rio ou em São Paulo.

Mania de Explicação será um espetáculo baseado no livro homônimo, em que uma menina com muita imaginação cria explicações para tudo.

Enquanto resolve as questões burocráticas e artísticas da montagem infantil, Luana se prepara para outro espetáculo. Desta vez, uma peça adulta.
— No final do ano, farei uma peça do Woody Allen, que se chama Dicas de um Sedutor. Quem vai dirigir é o Ernesto Piccolo.

Pelo jeito, Luana não para quieta.

*Elba Kriss é jornalista e repórter de Famosos e TV do R7.

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menina sem qualidades Felipe Hirsch aposta em temas adultos e gente do teatro na série A Menina sem Qualidades na MTV

A brasileira Bianca Comparato (à esq.) e a argentina Inés Efron em A Menina sem Qualidades (MTV) - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O curitibano Felipe Hirsch resolveu sair da posição confortável de grande diretor de teatro para se arriscar na televisão. Citando referências que vão de Paulo Leminski a Maiakovski, ele é o comandante da primeira série produzida pela MTV Brasil, A Menina sem Qualidades, adaptação feita por ele, Marcelo Backes e Renata Melo para o romance escrito pela alemã Juli Zeh.

O programa, que tem parceria com a produtora Quanta, foi apresentado à imprensa nesta segunda (20) e tem estreia marcada para a próxima segunda-feira (27), às 23h. Os 12 episódios serão exibidos em quatro semanas.

A série não tem medo de tabus. Já no primeiro capítulo, exibe beijo na boca lésbico entre a protagonista e sua namorada. Com cenas de sexo, de violência e de uso de cigarro, álcool e drogas, foi classificada para acima dos 16 anos. Isto evidencia a proposta da MTV em conquistar um público mais adulto.

bianca comparato Felipe Hirsch aposta em temas adultos e gente do teatro na série A Menina sem Qualidades na MTV

Frágil e forte: Bianca Comparato mostra talento como Ana, em A Menina sem Qualidades - Divulgação

Apesar de tratar da vida complicada de uma adolescente no ensino médio, a série tem temática que mais parece ser o retrato de uma garota urbana próxima aos 30, tamanha a densidade de sua protagonista, Ana, interpretada com competência por Bianca Comparato.

Com cara de menina, mas com 27 anos, Bianca consegue mesclar com perfeição a fragilidade e a força que sua personagem tem. É uma mulher forte, mas ainda adolescente.

A atriz conta que a cena mais complicada foi na qual sua personagem tira a virgindade de um colega, que acabou ficando de “uma forma atrapalhada mesmo, bem adolescente”.

— A Ana tem muita maturidade. Me preparei a vida inteira para este papel. Tudo foi um grande desafio. Não houve cena “simplesinha”.

Diferentes do mundo

O diretor de programação da MTV, Zico Góes, diz que A Menina sem Qualidades “é uma série para várias idades”.

— Não estamos só com adolescentes. A gente se propõe a fazer uma programação mais abrangente.

O executivo garante que a série com pegada de cinema “se encaixa na estratégia de programação da emissora” que deseja "fazer projetos diferentes do que todo mundo faz".

A inovação pode permitir à emissora, segundo Góes, vender o projeto a outros canais, sobretudo após a cota de produções nacionais para a TV paga. Apesar da vontade, Góes diz que as MTVs mundo afora, com produções cada vez mais comerciais e focadas na audiência, não estão em sua mira, mas, sim, canais como a rede HBO.

— Não sei se A Menina sem Qualidades cabe na ‘família MTV’.

javier1 Felipe Hirsch aposta em temas adultos e gente do teatro na série A Menina sem Qualidades na MTV

Intercâmbio: argentino Javier Drolas, de Medianeras, está na primeira série da MTV - Divulgação

A diretora da MTV Brasil, Helena Bagnoli, classifica a série como “um conteúdo mais sofisticado do que se encontra na TV aberta”. E afirmou que a emissora pretende continuar trilhando o caminho da teledramaturgia. Segundo a executiva, a MTV vai exibir uma série produzida pela Rio Filmes já no segundo semestre. E não descartou um novo projeto para Hirsch no canal.

— Quem sabe no ano que vem Hirsch não esteja com a gente em outro projeto?

Argentinos na tela

A série também chama a atenção por ter dois atores argentinos entre seus protagonistas. Ambos foram garimpados em filmes que fizeram sucesso no país vizinho: Javier Drolas, de Medianeras, e Inés Efron, de XXY.

Inés conta que aceitou o convite na base da confiança no trabalho de Hirsch, de quem já ouvia falar.

— Foi uma aventura. E fiquei impressionada com o modo de fazer aqui no Brasil, que é muito improvisado.

Drolas afirma que o intercâmbio de atores na série reflete “a situação atual de imigração entre os povos latinos”.

Bianca Comparato também ressalta de forma positiva o trabalho com os hermanos.

— Acho que uma proposta como esta abre mais oportunidades de trabalho entre artistas brasileiros e argentinos. Mais intercâmbio latino-americano. Aprendi muito com meus colegas argentinos, sobretudo a potência da sutileza e do simples.

luna martinelli Felipe Hirsch aposta em temas adultos e gente do teatro na série A Menina sem Qualidades na MTV

Com talento comprovado nos palcos, atriz Luna Martinelli é destaque de A Menina sem Qualidades, na MTV - Divulgação

Gente de teatro

Para fazer A Menina sem Qualidades, a MTV Brasil abriu seleção de elenco que contou com 9.000 inscritos, dos quais 60 fizeram testes com Hirsch e 15 ficaram na produção, compondo o núcleo jovem da série e participações pontuais.

Gente como a talentosa Luna Martinelli, que, apesar da pouca idade, segura o papel de mãe da protagonista. Na sessão para a imprensa e convidados, a aparição da atriz, segura e carismática, como a mãe bêbada que recebe a filha e seu coleguinha em casa, gerou reação positiva na plateia. Martinelli foi indicada a atriz revelação em 2012 pelo R7, por seu trabalho na peça Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete, da Cia. dos Inquietos.

Outro egresso dos palcos é José Sampaio, vindo do grupo teatral Os Satyros, que também se destaca no segundo episódio, como o amigo roqueiro da protagonista. A série ainda tem participações de estrelas do teatro paulistano, como Laerte Késsimos, que já integrou o Satyros e hoje faz parte do Núcleo Experimental, e Marcos Felipe, o protagonista da peça da Cia. Mugunzá Luis Antonio - Gabriela.

Público “noiado”

O diretor Felipe Hirsch afirma que sua série “tem capacidade de gerar paixão” e espera que isso aconteça com seus telespectadores.

Com cenas construídas com poucos planos e tomadas longas, com poéticos planos-sequências, ele sabe que vai na contramão da linguagem frenética da teledramaturgia brasileira atual, contaminada pela velocidade da internet e pela linguagem dos videoclipes difundidos pela própria MTV.

Questionado pelo R7 sobre a proposta visual incomum em tempos atuais, o diretor diz que ser diferente é realmente o objetivo.

— No momento em que todos vão para essa linguagem clipada, criada por ela mesma, a MTV vai para o outro lado. Independentemente do impacto todo da velocidade, temos de ficar atentos em relação ao olhar e à respiração. A gente exige tudo com muita luz, tudo muito frenético, muito “noiado”. Mas, existe outra maneira de se concentrar em algo. E isso tem a ver com apurar nossos sentidos. Tem a ver com o tempo. Com escutar o tempo. Isso é muito importante.

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Foto de Bob Sousa
Por Miguel Arcanjo Prado

angela ribeiro bobsousa O Retrato do Bob: Angela Ribeiro espera JoaquimAngela Ribeiro, uma das mais talentosas atrizes da nova geração, espera seu primeiro filho, Joaquim, no palco da Escola de Arte Dramática da USP. E foi no tablado da mais tradicional instituição de formação de atores do País que ela posou para o nosso Bob Sousa, pouco antes de encenar a montagem de formatura da turma 61, Zucco, dirigida por José Fernando Azevedo. Esta é a segunda obra teatral que Angela faz de barrigão.

No começo do ano, exibiu a gestação com os frenéticos passos de dança do ótimo Máquina de Dar Certo, dirigido por Roberto Audio, com a Cia. Bruta de Arte, no Teatro Martins Penna, na zona leste. Agora, encerra no palco, às vésperas de o filho nascer, sua trajetória de estudos na EAD. "Toda hora que penso nisso, fico chorando. Minha turma é muito especial", conta.

Com tanto agito — ela ainda teve tempo de fazer dois curtas-metragens —, assume: "Estou com dificuldade de parar. Parece que as coisas não param! Mas no dia 26, depois que a última sessão de Zucco acabar, prometo que fico quieta e espero ele nascer", jura. Na reta final da gravidez, Angela confessa estar tranquila. "Converso o tempo todo com meu filho e peço para ele esperar pelo menos até domingo para nascer", revela.

A previsão médica é que o bebê chegue por aqui em junho, depois do dia 6. "Não tenho medo do parto normal. Tudo que eu fiz foi para ajudar meu corpo para a chegada do Joaquim, para ele nascer bem". Ela diz que o filho já está acostumado com o mundo teatral. "Ele mexe muito mais quando eu fico emocionada em uma cena do que quando me movimento". Pelo jeito, o bebê já entende das coisas.

Primeiro fruto de sua união com o ator e diretor Thiago Balieiro, Joaquim "tem tudo para ser artista", nas palavras da mãe. Disso a gente não duvida. "Quero contar para ele tudo, falar dessa época, de eu grávida trabalhando. Estou registrando tudo isso para um dia mostrar para ele". Joaquim já nasce com currículo artístico extenso. Estamos à sua espera, garoto.

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Por Miguel Arcanjo Prado

Beth Goulart volta ao Rio de Janeiro com seu espetáculo solo Simplesmente Eu, Clarice Lispector (leia entrevista exclusiva com a atriz).

A estreia, para convidados, aconteceu nesta sexta (17), no Teatro Fashion Mall, no shopping Fashion Mall, em São Conrado, na zona sul carioca.

A união da família Goulart chamou a atenção dos presentes.

Paulo Goulart, que está em tratamento contra um câncer, fez questão de ir prestigiar a filha, acompanhado da mulher, Nicette Bruno.

A peça já foi vista por mais de 700 mil pessoas e caminha para bater o recorde de 1 milhão de espectadores.

Veja, algumas das imagens da noite de festa na família Goulart.

simplesmente eu poster daniel delmiro Paulo Goulart e Nicette Bruno aplaudem estreia da filha, Beth Goulart, no Rio de Janeiro

Família em festa no Teatro Fashion Mall: Acima e abaixo, Beth Goulart e Nicette Bruno paparicam Paulo Goulart; ao centro: Nicette, Paulo, Vanessa Goulartt (filha de Bárbara Bruno), Beth Goulart e seu filho, João Gabriel - Fotos: Daniel Delmiro/AgNews

Simplesmente Eu, Clarice Lispector
Avaliação: Ótimo
Quando: Sexta e sábado, 21h30; domingo, 20h. 60 min. Até 28/7/2013
Onde: Teatro Fashion Mall - Shopping Fashion Mall (estrada da Gávea, 899, São Conrado, Rio, tel. 0/xx/21 2422-9800)
Quanto: R$ 60 (sexta) e R$ 70 (sáb. e dom.)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Paulo Goulart e Nicette Bruno aplaudem estreia da filha, Beth Goulart, no Rio de Janeiro

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antropofagica foto bob sousa Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Atrizes da Cia. Antropofágica posam para o fotógrafo Bob Sousa: trilogia sobre o Brasil

Por Miguel Arcanjo Prado

Antropofágicas
Olha, aí acima, as belas meninas da Cia. Antropofágica posando com gosto para o nosso grande fotógrafo Bob Sousa. O grupo estreia a Trilogia Terror e Miséria no Novo Mundo, na qual vão bulinar com a história nacional. As três peças têm trilha sonora ao vivo e mistura de personagens reais e fictícios. A inspiração veio do livro Pau Brasil, de Oswald de Andrade. A estreia é neste sábado (18). Ficam em cartaz até 21 de julho. A Parte I (100 min.) é apresentada aos sábados, às 18h. Às 20h do mesmo dia, tem a Parte II (100 min.). Já a Parte III (180 min.) é apresentada aos domingos, às 19h. No Espaço Pindorama (r. Turiaçu, 481, Perdizes, Metrô Barra Funda, São Paulo). A entrada é gratuita, e os ingressos são distribuídos uma hora antes de cada sessão. Como só há 40 lugares, é bom chegar cedo. Informações pelo telefone: 0/xx/11 3871-0373. Merda.

Quase acabando
A Cia. do Mofo apresenta a peça Hotel Trombose até 26 de maio no Tusp (r. Maria Antônia, 294, Consolação, São Paulo). Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. A obra tem texto de Felipe Valério e direção de Fernando Gimenes e direção musical de Fabricio Zavanella. No elenco, estão Carla Zanini, Carolina Splendore, Dawton Abranches, Fanny Cabanas, Gabriela Teles, Gislaine Nascimento, Jonatã Puente, Rafael Augusto, Vânia Lima e William Simplício. Além da pianista Fanny Cabanas. O ingresso é R$ 20. A obra conta história de uma hospedaria de quinta com cinco estrelas hospedadas. Simples assim.

Barracão na Consolacão
Ésio Magalhaes, ator querido da coluna, manda avisar que o Barracão Teatro fará pequena temporada do espetáculo WWW para Freedom no Teatro CIT-ECUM, em SP, de sexta a domingo, entre esta sexta (17) e 9 de junho. Estão todos avisados.

Agenda Cultural


Puro glamour

Além do jogador Neymar e do cantor Cauby Peixoto, a atriz cubana Phedra D. Córdoba também prestigiou o aniversário de 84 anos da cantora Angela Maria, a eterna Rainha do Rádio, no Clube Piratininga, em Higienópolis, na última segunda (13). Dizem que Phedra foi umas das convidadas que mais chamaram a atenção.  A coluna não duvida. Além de esbanjar charme por aí, Phedra se prepara para estrear um novo show no Baixo Augusta, com direção de ninguém menos do que Gero Camilo. Poderosa.

phedra de cordoba eduardo enomoto Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Phedra D. Córdoba, com seu gato Primo Bianco, em sua casa: festança e novo show a caminho - Foto: Eduardo Enomoto

Mala na mão
O Grupo Quatroloscinco, de Belo Horizonte, vai aportar em Ouro Preto e Uberlândia, entre 18 e 22 de maio. Os artistas vão apresentar o espetáculo Outro Lado e ministrar o workshop O Ator-Criador e a Criação Coletiva para estudantes locais. A viagem faz parte do projeto Conexão Universitária 2013 contemplado pelo Prêmio Cena Minas. Boa viagem!

Agendado
Está marcado para 11 de junho a estreia do musical Pour Elise no Teatro Folha, em São Paulo. A obra mostra o amor em tempos de Segunda Guerra Mundial entre o pianista judeu Sbig (Claudio Goldman) e a cantora Elise (Gabriela Alves). O romance é embalado por música clássica. A autoria é de Flávio de Souza e a direção, de Pamela Duncan.

Se joga!
O show Frenéticos Molhados & Croquettes estreia nesta Virada Cultural. Vai ser apresentado às 23h30 do sábado, no palco Cabaret Copan Ipiranga. Como o nome indica, trata-se de uma homenagem tripla às Frenéticas, aos Dzi Croquettes e à banda Secos & Molhados. Promete ser bafo.

freneticos Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Os artistas Lufe Steffen e André Liberato sobem ao palco na Virada com Frenéticos Molhados & Croquettes - Foto: Divulgação

Circo no Sesc
A Cia. Suno, um dos mais importantes grupos circenses do Brasil, fará temporada de dez espetáculos no Sesc Consolação, em São Paulo, no mês de junho, para comemorar os 15 anos de vida. Parabéns!

Sesc na Virada
Falando em Sesc, a entidade programou farta quantidade de atrações em suas unidades para a Virada Cultural. O Sesc Consolação, por exemplo, terá a programação Pernamcubanos, que vai misturar a cultura de Pernamanbuco com a de Cuba. Irresistível. Para saber a programação completa do Sesc na Virada, clique aqui.

Teatro pros manos
Eloisa Vitz, diretora do Grupo Gattu, manda avisar que a obra Frisante volta no Teatro do Corinthians no dia 1° de junho. Ficam todo sábado, sempre às 21h. A obra conta a história da morte misteriosa de uma herdeira, com direito a muito riso.

Elenco Frisante 2. Foto Claudinei Nakasone Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Grupo Gatttu faz comédia policial Frisante, no Teatro do Corinthians em junho - Foto: Claudinei Nakasone


Alô, criançada!

Atenção, papais! A atriz Iara Jamra dá a oficina de arte Pinturas Gigantes na Viradinha Cultural. No domingo (19), das 11h às 15h, no Parque da Luz, em São Paulo. É de graça.

Uma ideia na cabeça

O artista Joaquim Lino, Muso do Teatro R7 e ator da peça ¡Salta!, em cartaz no Tusp com o Teatro Dodecafônico, entrou em campanha por financiamento coletivo de seu novo filme, O Semeador. O curta-metragem vai misturar profissionais do cinema com a família de Lino, com filmagens em São Paulo e na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O moço também é cineasta. O objetivo é arrecadar R$ 20 mil. Quem quiser conhecer melhor o projeto para contribuir pode clicar aqui.

joaquim lino eduardo enomoto Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cineasta e ator, Joaquim Lino está em busca de financiamento coletivo para filme O Semeador - Foto: Eduardo Enomoto

Shapiro em livro
Os meninos da mundana companhia avisam que vão lançar o livro Caderno de Atuação na sexta-feira da próxima semana, dia 24, no Instituto Cultural Capobianco (r. Álvaro de Carvalho, 97/103, São Paulo). A obra, que custa R$ 25, conta o processo criativo da peça Pais e Filhos, de 2012, que teve direção do russo Adolf Shapiro.

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Caderno de Atuação registra processo criativo da mundana companhia com russo Adolf Shapiro - Foto: Divulgação

Fofos no circo
A Cia. Os Fofos Encenam continua em sua viagem pelo mundo do circo, no projeto Baú da Arethuzza. A segunda peça, Vancê Não Viu Minha Fia?, estreia nesta sábado (18), às 21h, no espaço do grupo na rua Adoniran Barbosa, 151, na Bela Vista. Fica em cartaz até 27 de maio, de sábado a segunda. Na montagem, os atores propõem ao público uma viagem litearal pelo espaço. A entrada é R$ 20. Para quem gosta de quitutes, há uma cantina com cachorro-quente e pipoca. Que gostoso!

Oficinas grátis
O Coletivo Teatral Phila 7 vai continuar seus workshops gratuitos na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. O tema é Aparelhos de Superar Ausências. Entre 10 e 14 de junho, será ministrado o workshop Dramaturgia das Relações Palco/Estensões Midiáticas, e entre 24 e 28 de junho, Teatralidades, Imagéticas e Espaços Conectados. As vagas são limitadas. As inscrições podem ser feitas no site do grupo.

Abraço de Marbas
A atriz peruana radicada em São Paulo Marba Goicochea foi visitar sua mãe, Marva Pérez-Palma, no Peru. Olha que gostoso o abraço das duas, registrado especialmente para a coluna. Quem já está com saudade de Marba perlambulando pelos palcos e praça Roosevelt pode se tranquilizar. Ela manda avisar que volta ao Brasil já nesta semana. Só foi pasar o Dia das Mães em casa. O que fez muito bem.

marba Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

O abraço das de Marba Goicochea e "su madre" no Peru, especialmente para a coluna - Foto: Arquivo pessoal

Promoção
Por conta da Virada, neste fim de semana o espetáculo Oréstia, no Teatro Augusta, decretou: todos vão pagar meia-entrada, ou seja, R$ 25. Já os estudantes vão pagar meia da meia: R$ 12,50. O espetáculo tem no elenco o ator Otto Jr.

Tragédia farmacológica
Marcio Tito Pellegrini, jovem autor e diretor, avisa que quem quiser entrar de graça na peça Roberto e a Filologia das Estrelas (leia a crítica) não será impedido, pelo menos neste fim de semana. É neste sábado (18), às 19h em ponto, no Espaço dos Satyros Um, na praça Roosevelt, em São Paulo. Tudo por conta da Virada Cultural. Esperto ele.

Oficina black-tie
Zé Celso Martinez Corrêa quer pura elegância na Virada Cultura do Teatro Oficina. Fará ensaio aberto no sábado (18), às 18h, do primeiro capítulo da novela Cacilda!!! Glória no TBC. A entrada é grátis, mas o diretor faz uma exigência: o público tem de ir vestido a rigor, com figurino black-tie. As senhas serão distribuídas uma hora antes. A direção é do Zé, com co-direção de Marcelo Drummond (que vai interpretar Walmor Chagas) e Catherine Hirsch. A estreia oficial vai acontecer em julho. Camila Mota e Sylvia Prado vivem Cacilda Becker, a lendária atriz, na montagem que tem elenco de 60 artistas. Segundo Zé Celso, a peça é "um samba-enredo delírio musical sobre a vida de Cacilda". Como não é bobo nada, o diretor faz questão de avisar: "qualquer semelhança com pessoas vivas, ou mortas, é mero delírio!". Vai que a mãe de alguém resolve processar...

Cacilda na Virada foto Jennifer Glass Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Turma do Teatro Oficina, de Zé Celso Martinez Corrêa, está a postos para a Virada com Cacilda! - Foto: Jennifer Glass

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dias felizes leo koroth Crítica: Casamento fracassado ganha ares de musical

Rita Clemente, em cena de Dias Felizes: Beckett ganha tom de musical no CCBB-RJ - Foto: Leo Koroth

Por Átila Moreno, no Rio
Especial para o Atores & Bastidores*

Todos os dias, a senhora Winnie acorda e enfrenta um dos piores inimigos do ser humano: a rotina de um casamento fracassado.

Esse é o mote para a peça Dias Felizes, inspirada na obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989).

O tema não é novo. Beckett já falava disso em 1961.  No entanto, essa atual remontagem ganha uma mistura de musical e drama.

Também pesa tamanha responsabilidade, pois Fernanda Montenegro e Fernando Torres já atuaram numa adaptação brasileira, em 1995/96, com direção de Jacqueline Laurence.

Winnie carrega uma mala com inúmeros utensílios. Metáfora simples para aquilo que carregamos todos os dias. Quinquilharias dispensáveis que sobrecarregam coluna e alma.

Bem que a personagem tenta se desfazer de algumas coisas, como pasta de dente, escova e guarda-chuva, mas outras insistem perdurar. Principalmente, sua relação com Willie, um marido apático e dependente.

A semelhança entre os nomes dos personagens não é mera coincidência. Winnie e Willie são rimas que carregam algo metafórico: uma crítica a casais, que passam a vida se anulando, e que se aprisionam num universo solitário. Aquele tipo de autoajuda farsesca em que dois se tornam um só.

Nesta peça, dirigida por Rita Clemente e coescrita por José Antônio Zille, a trama se assemelha a uma partitura. Nove momentos musicais vão conduzir a história: Fuga, Rapsódia, Rondó, Fantasia, Moteto, Recitativo, Área, Vocalise e Prelúdio.

Elementos que ajudam a destacar os arranjos musicais que unem rock, pop e erudito, sem cair no gosto vulgar ou infame.

Além de uma voz doce, invejosamente afinada, Rita Clemente, que interpreta Winnie, trabalha bem sem perder o tom.

Seu coadjuvante, o marido Willie, traz uma boa performance musical de Márcio Monteiro, que também poderia ser mais bem explorado na atuação.

Infelizmente, os números musicais são curtos, o que talvez tenha ocasionado uma quebra de ritmo. Poesias e canções parecem disputar espaço em tão pouco tempo de espetáculo.

Por outro lado, não se pode deixar de perceber um figurino bem elaborado (também assinado por Rita Clemente). No texto de Beckett, Winnie era enterrada até o pescoço, um dos elementos que iria ajudar a configurar o discutível Teatro do Absurdo.

Já nesta adaptação, Rita Clemente usa um longo vestido que aparenta ter uma cauda interminável, e que se confunde com o palco, dando sinais que Winnie está presa eternamente naquele lar e no seu triste otimismo, de que um dia tudo irá melhorar.

*Átila Moreno é jornalista e escreveu esta crítica a convite do blog.

Dias Felizes
Avaliação: Bom
Quando:  Quarta a domingo, 19h30. 55 min. Até 26/05/2013
Onde: CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio. Tel. 0/xx/21 3808-2020)
Quanto: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Casamento fracassado ganha ares de musical

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beth goulart foto eduardo ielen Entrevista de Quinta: Vista por 700 mil pessoas, Beth Goulart sonha com público de 1 milhão para Simplesmente Eu, Clarice Lispector

Beth Goulart conta que sentiu o carinho do público nas mais de cem cidades onde esteve - Foto: Eduardo Ielen/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Eduardo Ielen

Não é qualquer peça, no Brasil atual, ainda mais em se tratando de um monólogo, que pode comemorar os números que Beth Goulart vive com o espetáculo Simplesmente Eu – Clarice Lispector.

Na estrada há cinco anos, a montagem já foi vista por mais de 700 mil pessoas em 982 sessões em 118 cidades brasileiras.

E os números não querem parar de crescer. Afinal, a obra volta ao cartaz nesta sexta (17), no Teatro Fashion Mall, no Rio, onde fica até o fim de julho. Beth já sonha com a marca de 1 milhão de espectadores.

Na peça, Beth aproveita a semelhança física para criar, com força surpreendente, uma das mais lendárias escritoras de nossa literatura: Clarice Lispector. O desempenho soberbo da atriz no papel lhe rendeu o merecido Prêmio Shell de melhor atriz em 2010.

Nesta Entrevista de Quinta ao R7, Beth Goulart contou que sente o carinho do público a cada apresentação. Afinal, vem de uma família muito bem quista pelos brasileiros: é filha de Paulo Goulart e Nicette Bruno, um dos casais mais amados dos palcos e da TV.

Durante a conversa, Beth contou como a família lida com o tratamento do pai contra o câncer e torce por sua recuperação total. Ela também falou sobre o reencontro com o público carioca e explicou como consegue manter a obra tanto tempo em cartaz. E, ainda, revelou qual é seu maior desejo neste momento.

Leia com toda a calma do mundo:

simplesmente eu cartaz Entrevista de Quinta: Vista por 700 mil pessoas, Beth Goulart sonha com público de 1 milhão para Simplesmente Eu, Clarice Lispector

Semelhança absurda: cartaz da peça Simplesmente Eu, Clarice Lispector - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Como é fazer um espetáculo que já tem cinco anos de estrada, sempre com tanto sucesso por onde passa?
Beth Goulart – É a maior alegria ter um trabalho que emociona e encanta tantas pessoas. Acredito que meu amor e admiração por Clarice me ajudaram a retratá-la com o coração. O espetáculo é meu olhar sobre ela e, neste sentido, coloco meus valores e minhas escolhas na concepção do espetáculo. Eu me utilizo de todos os elementos cênicos, como a luz, a música, a projeção, o cenário e os figurinos como auxiliares da narrativa. Com eles, desenho meus movimentos no espaço e as palavras ganham importância, assim como o silêncio. Vamos completar cinco anos de estrada em vários Estados e teatros do Brasil. Apesar de ser o mesmo espetáculo como estrutura, ele nunca é o mesmo e se renova em cada olhar.

Beth, me conta algumas apresentações marcantes, aquelas inesquecíveis.
Várias apresentações foram especiais, mas gostaria de ressaltar as apresentações no Teatro Odylo Costa Filho na UERJ, um teatro de 1.200 lugares lotados, em que fiz pela primeira vez o espetáculo em teatros grandes e senti que a magia não se perdeu. Ao contrário, se multiplicou. Outro que me marcou foi no Festival de Teatro de Curitiba, no Teatro da Reitoria, você estava lá. Foram duas apresentações muito especiais, em que senti a presença de Clarice Lispetor nos agradecimentos finais que foram de uma intensidade e de uma duração inexplicáveis e inesquecíveis. Foi muito emocionante! Para terminar, destaco o Teatro Riachuelo, em Natal, Rio Grande do Norte, com 1.500 lugares em apresentação única e totalmente lotada. Foi uma apresentação que parecia cinema, com uma boca de cena de 14 metros. Ficou lindo! Ah, lembrei de mais um. O Teatro da UFPE, em Recife, com 1.936 lugares cheios de emoção e aplausos. Na terra de Clarice fui abraçada pelo público e fiquei muito feliz.

Deve ter sido de arrepiar realmente. A peça já passou por quantas cidades?
A peça já esteve em 118 cidades pelo Brasil, vista até o momento por 703.993 pessoas em 982 sessões do espetáculo.

Uau! São números para cair para trás. E fico feliz de ver algo assim, porque hoje em dia é muito complicado peças ficarem muito tempo em cartaz. O que você acha deste movimento no teatro atual de temporadas bem curtas?
É uma pena ! É muito difícil fazer teatro no Brasil, enfrentamos muitas dificuldades.

O que espera dessa volta ao Rio?
Que tenhamos uma bela temporada para manter o espetáculo ainda por muito tempo.

Em qual tipo de teatro você acredita, Beth?
Acredito no teatro que é um espaço de liberdade, de reflexão, de atitude, de ideias. Acredito na capacidade de transformação do teatro e na força do coletivo.

simplesmente eu beth fabian Entrevista de Quinta: Vista por 700 mil pessoas, Beth Goulart sonha com público de 1 milhão para Simplesmente Eu, Clarice Lispector

Com monólogo, Beth Goulart levou o Prêmio Shell de melhor atriz em 2010 - Foto: Fabian

Quem foram seus maiores mestres no teatro?
Todos os diretores que trabalhei foram importantes e me ensinaram muito, mas gostaria de ressaltar Antonio Abujamra, meu primeiro diretor e mestre. Também destaco a Dulcina de Morais, pelo exemplo de dedicação e amor ao teatro, e Amir Haddad, um sábio na vida e na arte, que supervisionou este trabalho e alongou o meu olhar.

Como você conseguiu sustentar esta produção tanto tempo na estrada?
Tivemos patrocínio do Banco do Brasil para levantar o espetáculo e fazer as temporadas em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo . Conseguimos levar adiante o espetáculo graças ao apoio do Sesc Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio e do Sesi Rio . Também participamos de muitos festivais de teatro pelo Brasil afora.

Você pretende fazer a peça mais quanto tempo?
Enquanto houver interesse por parte do público, estarei a serviço do espetáculo.

Como foi para você levar o Prêmio Shell com este trabalho? O que sentiu na hora que viu seu nome anunciado?
Receber um prêmio sempre é um reconhecimento pelo nosso esforço e dedicação. Senti uma alegria imensa.

Se a visse agora a Clarice Lispector, o que falaria para ela?
Muito obrigada!!!

beth goulart foto fabian Entrevista de Quinta: Vista por 700 mil pessoas, Beth Goulart sonha com público de 1 milhão para Simplesmente Eu, Clarice Lispector

Beth Goulart "ressuscita" Clarice Lispector - Foto: Fabian

Beth, como você se mantém tão bonita sempre? Seu corpo é invejável, você sabe...
Agradeço o elogio. Tenho a sorte de uma genética que me favorece e tomo os cuidados normais de toda a mulher.

Você é de uma família muito querida do teatro e da TV brasileira. Sente esse carinho do público também na peça?
Com certeza, onde quer que eu vá, a imagem da família vai junto comigo. Meus pais são muito queridos e admirados .

Falando em família, como está o tratamento do seu pai [o ator Paulo Goulart, que luta contra o câncer]?
Está indo bem , se recuperando e continuando o tratamento.

A notícia da doença dele deixou a família mais unida?
Somos uma família muito amorosa. O que acontece com um atinge a todos nós. A união nos favorece.

Se você pudesse fazer um pedido agora para Deus, qual seria?
A total recuperação de meu pai. Saúde e paz para o mundo!

simplesmente eu fabian 3 Entrevista de Quinta: Vista por 700 mil pessoas, Beth Goulart sonha com público de 1 milhão para Simplesmente Eu, Clarice Lispector

De volta ao público carioca: atriz Beth Goulart fica em cartaz no Teatro Fashion Mall, no Rio, até fim de julho, com o monólogo Simplesmente Eu, Clarice Lispector - Foto: Fabian

Simplesmente Eu, Clarice Lispector
Avaliação: Ótimo
Quando: Sexta e sábado, 21h30; domingo, 20h. 60 min. Até 28/7/2013
Onde: Teatro Fashion Mall - Shopping Fashion Mall (estrada da Gávea, 899, São Conrado, Rio, tel. 0/xx/21 2422-9800)
Quanto: R$ 60 (sexta) e R$ 70 (sáb. e dom.)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Entrevista de Quinta: Vista por 700 mil pessoas, Beth Goulart sonha com público de 1 milhão para Simplesmente Eu, Clarice Lispector

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universos ronaldo gutierrez Crítica: Peça Universos desanda com saída de atriz

Renata Calmon (à esq.) foi substituída por Bruna Thedy (à dir.): a primeira faz muita falta - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por Miguel Arcanjo Prado

Teatro é arte efêmera. Uma mesma montagem pode ter distintas caras, dependendo do dia, da energia dos atores, da plateia. Por isso é sempre arriscado, porque depende, exclusivamente, daquele encontro.

Ciente disso, em 2012, o diretor Zé Henrique de Paula recriou, com maestria, um mesmo espetáculo. Sabia que um novo espaço/elenco pedia nova peça. Foi assim que Casa Cabul virou No Coração do Mundo e surpreendeu muita gente.

A obra, antes no palco italiano, ganhou o intimista e informal espaço de seu teatro, o Núcleo Experimental, levando o público a viajar junto com a protagonista vivida por Chris Couto para o Afeganistão. Este foi o grande acerto da montagem de 2012.

Contudo, quem viu Casa Cabul e No Coração do Mundo notou que uma coisa, pelo menos, não funcionava na nova versão: a substituição de Kelly Klein por Renata Calmon, na pele da filha da protagonista. Calmon destoava do elenco, com registro acima do tom, o que era reforçado ainda mais quando a atriz batia texto com Eric Lenate, ótimo em cena como um astuto afegão.

Pois veio a chuva de críticas, aqui inclusive, e Renata Calmon conseguiu digeri-las com elegância e sobriedade – coisa para poucos e mérito da atriz.

Leia também a Entrevista de Quinta com Beth Goulart!

Sabedora de que a melhor resposta é com um novo trabalho – até porque ninguém tem a obrigação de ser ótimo sempre –, ela voltou ao mesmo palco do Teatro do Núcleo Experimental, dessa vez de forma arrebatadora como protagonista da montagem Universos.

universos ledier calmon ronaldo gutierrez Crítica: Peça Universos desanda com saída de atriz

Thiago Ledier, ainda com Renata Calmon: ator parece perdido com a mudança - Foto: Ronaldo Gutierrez

Tradutora do texto original do britânico Nick Paine, Calmon tinha um domínio da fala, da voz e do corpo, fazendo crível sua cientista Melissa, par do apicultor Roger, na pele do cativante Thiago Ledier.

Pois eis que, por ironia do destino, logo quando acerta, Renata Calmon precisa deixar a obra duas semanas antes de a temporada terminar. Vai para um novo projeto, com o mesmo Eric Lenate parceiro de cena em No Coração do Mundo, agora na função de seu diretor.

Sem sua protagonista feminina, a Zé Henrique de Paula nada restava fazer a não ser substituí-la nas duas semanas derradeiras. E escalou a atriz Bruna Thedy para a difícil missão.

O R7, que viu a obra com Calmon em seu penúltimo dia em cena (leia a crítica), resolveu voltar na sessão desta terça (14), para ver o desempenho de Thedy no papel.

A primeira percepção é que, apesar do texto de inteligente e provocativo, a direção propositiva e a luz poética de Fran Barros, a chave do êxito da montagem estava na química que existia entre Calmon e Ledier.

E a conclusão: sem Calmon, a obra não funciona. Bruna Thedy tem o mérito de fazer sua Melissa completamente diferente, de não tentar copiar o que a colega fazia, até porque seria impossível. O problema é que sua Melissa não conquista e não convence.

A atriz comete o mesmo erro de Calmon em No Coração do Mundo: escolheu um registro fora do tempo da obra, e parece sozinha e abandonada, enquanto Thiago Ledier aparenta não saber o que fazer com aquela situação e liga o piloto automático, o que deixa a obra mais complicada.

Se o público ria à beça na sessão com Calmon, na última, parecia não conseguir entrar na história. Um clima de tensão pairava no ar. Faltava viço, faltava cor.

Se Calmon demonstrava cenicamente entendimento perfeito das reiterações de situações propostas pelo texto e pela direção, Bruna Thedy parece desconhecer as nuances no dizer que dariam sentido à montagem.

A atriz escolhe ir por um perigoso caminho superficial, deixando o espectador saudoso da segurança com um quê de arrogância que Calmon dava ao papel.

E, talvez, fosse exatamente por isso que o personagem de Ledier, como um cachorrinho aos pés da amada, ganhava o colo (e a torcida) do público, sensibilizado com as situações patéticas daquele rapaz convincentemente apaixonado.

O recado que esta substituição de Renata Calmon por Bruna Thedy dá é que o teatro é arte viva. Não é apenas técnico. Atores não são peças que podem ser substituídas assim, no meio de um processo. Pelo menos, se não for encontrado outro esteja à altura do desempenho anterior, ou então, que apresente proposta mais interessante. O que, infelizmente, não é o caso.

Universos
Quando: Quinta (16), às 21h. 70 min. Último dia.
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

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