Posts de 12/08/2012

estamira fotos emi hoshi DSC 7499 Estamira comove com catarse de uma grande atriz

Estamira traz Dani Barros em grande momento cênico - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado

Muitas vezes o palco torna-se espaço de catarse para artistas, que resolvem acertar suas contas com o passado no tablado.

Estamira - Beira do Mundo, apresentado com ingressos esgotados no espaço intimista do Sesc Pompeia em São Paulo até o último dia 29, é um espetáculo deste tipo. Nele, a atriz Dani Barros faz entrega desmedida à personagem em meio à dor e à loucura.

A montagem coloca o público de cara com Estamira, uma mulher misteriosa e cheia de conflitos internos que convivem com suas certezas instantâneas. E ela existiu de fato, morreu há um ano, sofria de esquizofrenia e trabalhava no aterro sanitário de Jardim Gramacho, no Rio. Ficou conhecida ao ser tema do premiado documentário de Marcos Prado que levou seu nome em 2005.

Contudo, a dramaturgia construída por Dani Barros em parceria com Beatriz Sayad, que também assina a direção, misturou a Estamira real do documentário com as memórias que a atriz tem de sua mãe, que sofria do mesmo transtorno mental da catadora de lixo.

Para ambientar o desabafo dessa sofredora Estamira, Aurora dos Campos construiu um lixão poético, composto de sacolas plásticas que voam ao leve sopro do ventilador, tal qual surgem os pensamentos da personagem, ao sabor do vento.

A branda luz de Tomas Ribas embala a história sem invadi-la, bem como o doce e remendado figurino de Juliana Nicolay, que veste a personagem com simplicidade e candura.

Em entrega visceral, Dani ora se distancia, ora se aproxima de sua Estamira. A diretora Beatriz Sayad impõe variações na interpretação que tornam o monólogo alvo da atenção do público a cada instante. A atriz consegue embarcar na loucura da personagem, mas também, em certos momentos, consegue deixá-la à deriva.

De modo tocante, Dani compartilha com o público agruras que perpassam sua alma diante da difícil relação com a doença da mãe e de Estamira. É nestes momentos mais personalistas que a obra ganha maior projeção. Em Estamira, Dani Barros faz a loucura ficar palpável, real e humana. Por mais que a história tenha durante muito tempo tentado tirar a humanidade dos sofredores de transtornos mentais.

O encerramento do espetáculo no fado português que surge na límpida voz de Soraya Ravenle poderia ter sido um belo e justo final. Mas a montagem ainda segue um pouco mais, talvez por ser difícil para a atriz desvencilhar-se assim de uma vez da tamanha força que o passado traz.

Diante da temporada esgotada no Sesc Pompeia, de sucesso absoluto, o blog deseja que o espetáculo volte em breve a São Paulo. Porque público não faltará.

Estamira – Beira do Mundo
Avaliação: Muito bom

Por trás do pano - Rapidinhas teatrais

Nelson Rodrigues granha mostra em SP

Travesti mais famoso do teatro volta a SP

Estreia de musical com obra de Milton Nascimento fortalece “Broadway nacional”

O Retrato do Bob: Paulo Cruz, um ator em constante experimentação

Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

O Retrato do Bob: Einat Falbel, toda a força de uma atriz pós-desilusão

Descubra agora o segredo de cada miss

Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Mito morto há 60 anos, Evita foi atriz consagrada

Musical sobre Milton Nascimento custou R$ 1 milhão

Coluna do Miguel Arcanjo n° 183: Adeus, Playcenter

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com