Posts de 13/08/2012

pedro vilela magiluth foto bob sousa O Retrato do Bob: Pedro Vilela, o sonhador coletivo

Torcedor do Náutico, o ator e diretor do Magiluth Pedro Vilela posa para Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

Pedro Vilela tudo resolve no Magiluth, grupo de Recife do qual São Paulo já sente saudade – eles passaram os últimos dois meses na metrópole paulista, em temporada de três espetáculos na Funarte.

Líder natural da companhia de seis atores pernambucanos, sabe a importância da palavra gestão. E faz valer o que diz desde que entrou no grupo para ser iluminador. Por isso, ganhou respeito e espaço.

Está acabando por se tornar um diretor natural da trupe. Com a montagem de Viúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues, que apresentam neste domingo (19) no Teatro Santa Isabel, o mais tradicional de Recife, faz sua segunda direção.

A encenação do Magiluth abre o 10° Festival Recifense de Literatura. Depois, esperam conseguir do Poder Público local um teatro que os abrigue na capital pernambucana, porque as coisas não andam nada fáceis para os artistas nos palcos de lá.

A primeira direção de Vilela foi em O Canto de Gregório, apresentando na temporada paulistana e que chega ao Rio em outubro agora.

Quando era pequeno, o menino Pedro, criado no centro recifense, ao lado da Igreja da Santíssima Trindade, chegou até a pensar em ser padre. Foi coroinha e tudo, encantado por toda aquela liturgia da Igreja.

Depois, torcedor do Náutico, quis ser jogador de futebol, mas logo percebeu que sua sina era ser artista. Afinal, qual lugar melhor do que o palco do teatro para realizar trapaças iguais àquelas com as quais se divertia menino, vendo Pica-Pau e Pernalonga aprontar?

No momento, mata a saudade de casa. Mas comemora a temporada em Sampa. Foi criativa. Moraram os seis em um apartamento que respirava arte em todos os cômodos. E usaram extenuantes ensaios na Funarte, a uma quadra do apê, para dar o toque do Magiluth à obra do centenário Nelson Rodrigues, que nasceu em Recife há exatos cem anos no próximo dia 23.

Foi Vilela quem escolheu montar Viúva, porém Honesta, uma farsa irresponsável de nosso dramaturgo, cheia de reviravoltas. A peça foi apresentada no Rio, no Teatro Dulcina, que reuniu artistas de todo o País para homenagear o mestre. Coincidência, ele e os meninos montaram a obra em dois meses, tempo igual ao que Nelson Rodrigues levou para escrevê-la e levá-la ao palco.

Para dar conta de tanta batalha, Pedro Vilela conta com a companhia de Maira Rusu, sua mulher há três anos. Ela passou e passa, a seu lado, por todos os perrengues e conquistas do grupo. Segura a barra.

Aos 27 anos, ele tem um sonho coletivo: ver o Magiluth crescer, conquistar sua sede, onde possam montar seus trabalhos, receber e formar novos artistas na capital pernambucana. Como líder nato, pensa em todos.

— O Magiluth não quer ser um estranho no ninho. Queremos contagiar todo Recife. Por isso, meu sonho é coletivo.

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Bibi Ferreira 2 Bibi Ferreira mostra aos 90 anos por que é diva

Afinada e com técnica impecável, Bibi Ferreira domina o palco - Foto: Studio Prime

Por Miguel Arcanjo Prado

Cantar perfeitamente aos 90 anos é coisa que só uma diva dos palcos mundiais consegue. E o nome dessa mulher é Bibi Ferreira. E o melhor: ela é brasileira e está entre nós.

O espetáculo Bibi – Histórias e Canções, em cartaz no Teatro do Shopping Frei Caneca, em São Paulo, é um verdadeiro depoimento vivo de técnica, talento e incrível força de uma grande atriz e cantora.

Espirituosa, Bibi segura o exigente público paulistano nas mãos. Afinal, íntima dos palcos da cidade, se sente em casa.

Sente-se tão à vontade que se permite brincar, tal qual uma garotinha de 13, 14 anos, a idade que jura que tinha quando os grandes fatos contados na montagem lhe aconteceram. O público ri. O público chora. O público é feliz com Bibi.

Este jornalista que vos escreve, na estreia se atreve a gritar “linda!”. Ela para tudo. E pede que a plateia repita o elogio. E ainda diz que, pelo fato de a imprensa andar espalhando por aí que ela tem 90 anos, ficou mais difícil arrumar namorado. E finaliza, afirmando estar solteira e disponível. O público delira com Bibi.

Ao revisitar as canções que marcaram sua trajetória de nove décadas de vida, Bibi Ferreira passa pelo que de melhor produziu a música do século 20, que viveu plenamente, com glória e saúde.

Dirigida por João Falcão e acompanhada da orquestra impecável regida pelo maestro Flávio Mendes, Bibi interpreta 30 músicas. Vai das grandes óperas e musicais da Broadway a clássicos de nossa MPB e até faz pilhéria com nosso Hino Nacional. Bibi pode. E, claro, canta Edith Piaf, e brinca dizendo que vive às custas da diva francesa há 27 anos.

O amigo e empresário Nilson Raman faz justa participação para fazer dobradinha com a diva. E conta que ela vai se apresentar em novembro em Nova York. Mais do que merecido. O mundo precisa testemunhar que o Brasil tem Bibi.

Palavras são pequenas para descrever o que é ver Bibi no palco. Porque ela é maior que o próprio palco. Bibi Ferreira é o próprio teatro brasileiro, vivo, resistente, talentoso e feliz. Viva Bibi.

Bibi – Histórias e Canções
Avaliação: Ótimo
Quando: Sexta e Sábado às 21h; Domingo às 19h. Até 30/9/2012
Onde: Teatro Shopping Frei Caneca (rua Frei Caneca, 569 - 6º Andar, São Paulo, tel. 0/xx/11 3472-2229 e 3472-2230)
Quanto: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada)
Classificação: 14 anos

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Coluna do Miguel Arcanjo n° 183: Adeus, Playcenter

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