foto Guga Melgar 131 Com dois negros no elenco, musical de Milton Nascimento enaltece os ouvidos

Apesar de elenco afinado, musical peca por ter apenas dois atores negros - Foto: Guga Melgar

Por Átila Moreno, no Rio
Especial para o Atores & Bastidores*

Imagine um musical com canções de artistas negros como Billie Holiday, Aretha Franklin, BB King, Ray Charles, Bezerra da Silva ou Gilberto Gil com a maior parte do seu elenco composta por atores brancos. Faria sentido?

Apesar de só ter dois atores negros entre seus 14 componentes do elenco, o musical carioca Milton Nascimento - Nada Será Como Antes não perde o enigmático brilho de sua produção.

Parece que para os diretores Charles Möeller e Cláudio Botelho isso em algum momento se justifica, já que a carreira do expoente cantor mineiro não se define numa música negra assumida ou delimitada. Vá saber... [Leia entrevista com o diretor Charles Möeller na qual ele falou sobre o polêmico tema].

Apesar de tudo, os dois atores-cantores negros, Wladimir Pinheiro e Cássia Raquel, ajudam a compor o espetáculo que traz as canções do expoente artista mineiro, em homenagem aos seus 50 anos de carreira e 70 de vida.

Há de se ressaltar que os outros 12 integrantes não deixam a desejar na afinação e no esforço em trazer toda a amplitude da bagagem musical de Milton Nascimento, que vai do jazz, passa pela bossa nova e emana no regionalismo mineiro e brasileiro.

Aliás, o grande destaque desse espetáculo é justamente a opção por uma produção menos pirotécnica e mais focada no talento vocal e musical dos seus atores (eles também cantam e tocam muito bem, apesar de um ou outro ali fingir fazer alguma coisa a mais).

Mesmo diante de tantas habilidades, faltou em boa parte deles um pouco mais de dramaticidade. Nisso, Cássia Raquel e Wladimir Pinheiro ganharam pontos a mais, já não bastasse a poderosa extensão vocal ímpar de ambos. Que se faça justiça também ao desempenho de Marya Bravo e Jules Vandystadt. Nota-se que esses quatros mereciam um destaque maior devido a tamanha expressividade no palco.

Se de um lado há musical tradicional à parte, por outro, as releituras das canções de Milton vão na contramão. Muitos acertos, outros nem tanto. O estilo bossa nova dá espaço ao rock que ganha vida em algumas adaptações louváveis.

Já em Canção da América, a produção escolhe trazer uma balada romântica em inglês no início da melodia. O que afrouxou uma música com forte emotividade expressa pela letra original.

O ponto alto é que repertório cria um clima nostálgico exemplar que cativa o público do início ao fim. E a memória coletiva ali se exacerba.

Percebe-se inclusive que nem o cenário (casarão do interior misturado ao estilo barroco) ou figurino (um ode aos hippies dos anos 70) brigam com os arranjos musicais, resultando numa combinação perfeita.

Para quem é fã de Milton Nascimento, o espetáculo não deixa de ser uma homenagem cativante que dá luz aos olhos e enaltece os ouvidos.

*Átila Moreno é jornalista e escreveu esta crítica a convite do blog.

Milton Nascimento – Nada Será Como Antes – O Musical
Avaliação: Regular
Quando:
Quinta a sábado, às 21h. Domingo, às 20h. Até 25/11/2012
Onde: Theatro Net Rio (r. Siqueira Campos, 143, 2º piso, Copacabana, Rio, tel. 0/xx/21 2147-8060)
Quanto: R$ 110 (plateia e frisas) e R$ 80 (balcão)
Classificação: Livre

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"Com dois negros no elenco, musical de Milton Nascimento enaltece os ouvidos"

14 de August de 2012 às 15:04 - Postado por Miguel Arcanjo Prado

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