aoutra A Outra Companhia esquenta SP com calor baiano

A Outra Companhia posa em frente à janela que dá para a av. São João, em São Paulo: (da esq. p/ a dir.) Luiz Antônio Jr., Luiz Buranga, Eddy Veríssimo, Israel Barretto e Roquildes Júnior - Fotos: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

A grandeza de São Paulo impressiona o grupo baiano A Outra Companhia de Teatro. Eles estreiam na cidade com dois espetáculos em cartaz na Funarte, Mar me Quer e Remendo, Remendó, dentro do projeto Nova Cena Nordestina, que também levou à metrópole os grupos Clowns de Shakespeare, de Natal, e Magiluth, de Recife.

Os soteropolitanos herdaram deste último o apartamento de frente ao Minhocão. De onde avistam os prédios do centro e o horizonte cinza.

Os atores Roquildes Junior, Israel Barretto, Eddy Veríssimo, Luiz Antônio Junior e Luiz Buranga, e também a iluminadora Catarina Campos, receberam a reportagem neste espaço, local onde se sentem seguros na capital de ar seco e quase irrespirável dos últimos dias.

Contam que tudo começou com o encontro “de um bando de atores querendo fazer alguma coisa” no Teatro Vila Velha, ponto de efervescência cultural em Salvador.

No início, se juntavam por lá para ensaiar. Como o espaço abrigava também grupos mais famosos da cena baiana, como o Bando de Teatro Olodum, sempre perguntavam quem eram eles. Respondiam: “somos a outra companhia”. Daí surgiu o nome.

Cada um dos cinco atores veio de um lugar diferente. Luiz Antônio Junior partiu de Alagoinhas, no Recôncavo Baiano, para estudar artes cênicas na Universidade Federal da Bahia. Eddy Veríssimo, a única mulher em cena, veio das oficinas culturais do bloco afro Araketu, assim como Roquildes Junior.

Luiz Buranga começou a atuar em Coração de Maria, sua cidade no sertão. Na capital baiana, viu no grupo a possibilidade de profissionalização do que antes fazia como brincadeira. Israel Barretto, do bairro Nazaré, em Salvador, começou a fazer teatro na escola e não parou mais.

A primeira peça veio em 2004, O Arlequim. Desde então, fizeram nove montagens e passaram por vários perrengues que quase acabaram com o grupo. O diretor inicial, Vinícios de Oliveira, deixou a trupe. Mas não desistiram. Roquildes resume bem.

— Somos o que restou da tempestade.

Sacudidos, aprenderam a fazer projetos, a se inscrever em editais. Acabaram conquistando prêmios e respeito na cena baiana.

E querem conquistar também o Brasil. Já se apresentaram nos festivais de Curitiba, de Recife, de Vitória e de Caxias do Sul. Agora, têm a possibilidade de se apresentar ao exigente público paulistano.

Roquildes diz que “acha tudo muito grande” e se sente ainda perdido, “sem saber os caminhos”, ao que Buranga revela “ficar curioso em descobrir a cidade gigante”. Eddy conta que sofreram no começo, mas agora já “se movimentam, correm atrás” dos espectadores. Luiz Antônio Jr. avalia a cidade como “dura e fria” e sente “falta do mar e da mistura de Salvador”.

Apesar dos pesares, aproveitam as novas possibilidades. Os novos encontros. Sofrem um pouco, mas crescem um bocado ainda maior.

A Outra Companhia em São Paulo
Mar me Quer e Remendo, Remendó
Onde: Funarte (al. Nothmann, 1.058, Campos Elíseos, Metrô Marechal Deodoro, São Paulo)
Quando: Sexta e sábado, às 21h (Mar me Quer); Domingo, às 16h (Remendo, Remendó)
Quanto: R$ 20 (sexta e sábado) e R$ 10 (domingo)
Classificação: 12 anos

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1 Comentário

"A Outra Companhia esquenta SP com calor baiano"

30 de August de 2012 às 15:05 - Postado por Miguel Arcanjo Prado

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Comentários
  • Entrevista de Quinta: “Quero ser um artista que não precise de atividades paralelas”, diz Luiz Antônio Jr - Teatro Atores & Bastidores - R7
    - 27/06/2013 - 6:06

    [...] ir ao cinema não é tarefa fácil. Afinal, o ator está mergulhado até a alma nas atividades de A Outra Companhia de Teatro. Formado por ele, Roquildes Junior, Eddy Veríssimo, Luiz Buranga e Israel Barretto, o grupo vem [...]

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