Posts de setembro/2012

Por Miguel Arcanjo Prado

O mês de setembro está chegando ao fim. E é hora da pergunta: quem foram os musos dos palcos brasileiros?

Veja os indicados pelo blog e vote logo abaixo. Escolha quem merece o título de Musa e Muso do Teatro R7 em setembro de 2012! O resultado sai na próxima segunda (1°).

musa cleodeparis Escolha muso e musa do teatro em setembro Cléo de Paris, atriz de Cabaret Stravaganza

musa fernandacastellobranco rabbit Escolha muso e musa do teatro em setembro Fernanda Castello Branco, atriz de Rabbit

musa mawusitulanibomretiro Escolha muso e musa do teatro em setembro Mawusi Tulani, atriz de Bom Retiro 958 Metros

musa renatacalmon valsan6 Escolha muso e musa do teatro em setembro Renata Calmon, atriz de Valsa N° 6

musa sandramodesto Escolha muso e musa do teatro em setembro Sandra Modesto, atriz de Luiz Antônio - Gabriela

Quem foi a musa do teatro em setembro de 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Cléo de Páris (Cabaret Stravaganza)
    54.8%
  • Fernanda Castello Branco (Rabbit)
    3.1%
  • Mawusi Tulani (Bom Retiro 958 Metros)
    1.5%
  • Renata Calmon (Valsa N°6)
    6%
  • Sandra Modesto (Luiz Antônio - Gabriela)
    34.6%

muso joaopaulolorenzon Escolha muso e musa do teatro em setembro João Paulo Lorenzon, ator de Eu Vi o Sol Brilhar em Toda a Sua Glória

muso josesampaio Escolha muso e musa do teatro em setembro José Sampaio, ator de Fim de Show

muso laertekessimos2 Escolha muso e musa do teatro em setembro Laerte Késsimos, ator de Mormaço

muso luizantoniojr Escolha muso e musa do teatro em setembro Luiz Antônio Jr., ator de Remendo Remendó

muso rodrigoeloi1 Escolha muso e musa do teatro em setembro Rodrigo Eloi, jornalista cultural

Quem foi o muso do teatro em setembro de 2012?

Esta enquete está encerrada
  • João Paulo Lorenzon (Eu Vi o Sol Brilhar em Toda a Sua Glória)
    15.3%
  • José Sampaio (Fim de Show)
    1.4%
  • Laerte Késsimos (Mormaço)
    6.5%
  • Luiz Antônio Jr. (Remendo Remendó)
    51.6%
  • Rodrigo Elói (jornalista cultural)
    25.3%

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coluna aquelesdois Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Aqueles Dois é o espetáculo de maior sucesso nacional da Luna Lunera - Foto: Diego Pisante

Por Miguel Arcanjo Prado

Mineiros no Rio
Os meninos da Luna Lunera, companhia teatral de Belo Horizonte, estão fazendo as malas. O destino é o Rio, onde ficam em temporada de 4 a 21 de outubro na Caixa Cultural. A Mostra Comemorativa de 10 anos da Luna Lunera levará aos cariocas os espetáculos Cortiços, Nesta Data Querida e Aqueles Dois (foto). Este último conta a história de Caio Fernando Abreu sobre a forte amizade entre dois amigos de uma repartição do centro de São Paulo. Tem uma poética cena de nudez masculina dos quatro atores do elenco. Imperdível.

Culpa do público
Atreva-se, de Jô Soares, prorrogou temporada no Teatro das Artes, em São Paulo, até 25 de novembro.

Acabou
Os Satyros encerram nesta sexta (28), às 21h, no Sesc Santo André (SP) a temporada da peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. Leia mais sobre o adeus.

Quase no fim
Só vão até domingo (30), as inscrições para as Satyrianas 2012, que acontece de 1º a 4 de novembro, na praça Roosevelt, em São Paulo. Quem tem um projeto artístico pode participar. Basta mandar e-mail pedindo a ficha de inscrição para inscricoesprojetos@gmail.com.

 Agenda Cultural
[r7video http://videos.r7.com/confira-destaques-da-agenda-cultural-em-sao-paulo/idmedia/5065c4a592bbdc2dfb1e2cdb.html]

O motivo
A turma da mundana companhia afirma que adiou a estreia da peça Pais e Filhos, desta sexta (28) para sábado (29), no Sesc Pompeia, em São Paulo, por “motivos técnicos”. Hoje, fazem uma espécie de ensaio abertos. Para jornalistas e convidados, só amanhã. Ah, leia a nossa entrevista exclusiva com o diretor, o russo Adolf Shapiro!

nabia Por trás do pano – Rapidinhas teatraisCadê Cabul?
A antiga peça Casa Cabul, dirigida por Zé Henrique de Paula, foi readaptada e mudou de nome: vai se chamar No Coração do Mundo. Estreia 16 de outubro, no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, com entrada grátis. Houve uma ceifa no elenco. Chris Couto permanece na obra. Um dos novos destaque é entrada da atriz mineira Nábia Villela (foto), que vai cantar em cena. Como o sobrenome entrega, a menina é sobrinha do diretor Gabriel Villela.

De menor
Começa nesta sexta (28) o 6º Festival Internacional de Teatro Infanto-juvenil Paidéia. Tem grupos da Alemanha, Chile, Holanda, Suíça e Turquia. Vai até dia 2 de outubro. Na sede da Cia. Paidéia (r. Darwin, 153, Alto da Boa Vista) e no Sesc Santo Amaro (r. Amador Bueno, 505), em São Paulo. Os ingressos são baratinhos, com preços de R$ 10 a R$ 20. Veja a programação completa.

Escurinho
A República Ativa de Teatro marcou para o dia 6 de outubro, às 16h, a estreia do espetáculo infantil Quem Apagou a Luz?. Será no Teatro Cacilda Becker (r. Tito, 295, Lapa), em São Paulo. Ficam por lá até 11 de novembro. O grupo é formado por ex-alunos do curso de artes cênicas da FPA, a Faculdade Paulista de Artes. Que graça.

coluna sim sergio baia Por trás do pano – Rapidinhas teatraisRumo ao altar
De olho no filão de moças desesperadas para usar vestido branco, véu e grinalda, estreia no Rio neste sábado (29), SIM – Senhoritas Interessadas em Matrimônio. A peça dirigida por Alexandre Brito fica no Teatro Cândido Mendes, de sexta a domingo. No elenco, Amanda Vides Veras, Lara Gay, Paula Mello e Thais Belchior. Detalhe curioso: parte do texto foi escrito por Thiago Bomilcar Braga a partir de vivências das próprias atrizes. Vai encarar?

Nirvana
O dramaturgo amigo da coluna Sergio Roveri manda avisar que sua peça Aberdeen – Um Possível Kurt Cobain reestreia dia 6 de outubro, no Armazém XIX (r. Mário Costa, 13, Vila Maria Zélia), em São Paulo. Fica até 21 de outubro, sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). José Roberto Jardim dirige o ator Nicolas Trevijano na viagem rumo ao Nirvana...

Recado do Zé Celso
A turma do Oficina está com inscrições abertas para a segunda turma da Universidade Antropófaga. A primeira fez o espetáculo Macumba Antropofágica. Quem estiver a fim devem encaminhar até 1º de outubro o material solicitado por Zé Celso para o e-mail acordes@teatroficina.com.br. Para saber o que o decano mestre quer (ele nomeia “chamamento”) tem de entrar no site do Oficina.

Tablado falante
Como Transformar a Cidade em um Grande Palco é o tema da palestra que Gilberto Dimenstein dará neste sábado (29), às 18h, na sede da praça Roosevelt da SP Escola de Teatro.

Praça aberta
Falando na famigerada praça, ela será devolvida à população paulistana, reformada, neste sábado (29). A turma do teatro vai marcar presença. E fazer barulho. Leia mais sobre a reforma.

Até logo, Lume!
O Grupo Lume encerra domingo (30) a peça Os Bem-Intencionados, no Sesc Pompeia, em São Paulo. O espetáculo dirigido por Grace Passô fez tanto sucesso que não há mais nenhuma entrada. Todas foram vendidas. Agora, rumam para Campinas, terra natal da trupe. Mas sonham em voltar em 2013 a Sampa, além de participar de festivais, é claro. Leia a crítica da peça!

Maravilha
Uma Alice Imaginária, peça da Cia. dos Imaginários concebida e dirigida por René Piazentin, estreia dia 5, no Teatro Commune, em São Paulo. Abaixo, imagem exclusiva para a coluna feita pela fotógrafa Lilian Segui.
Alice Imaginária cred LilianSegui Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Polêmica no interior
O dramaturgo e diretor Mateus Barbassa apresenta o espetáculo Nós Somos Jovens (foto abaixo), neste sábado (29), às 20h30, no Teatro Marista de Ribeirão Preto. Com Fernando Cardoso, Paloma Arantes, Laílson Nunes, Rayana Rodrigues, Guilherme Tsuji e Léo Fochi, a peça fala de temas polêmicos como bullying, suicídio e assédio sexual. Promete causar.
coluna nos somos jovens Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

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Veja a Agenda Cultural do telejornal Record News São Paulo:

(Com Nathalia Boscolo, editora da Record News)

[r7video http://videos.r7.com/confira-destaques-da-agenda-cultural-em-sao-paulo/idmedia/5065c4a592bbdc2dfb1e2cdb.html]

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vestido ivam cleo foto bob sousa Satyros dão adeus a Vestido de Noiva

O ator Ivam Cabral e a musa dos Satyros, Cléo De Páris, na apresentação de Vestido de Noiva no Teatro Cacilda Becker, SP, em agosto de 2012, mês do centenário de Nelson Rodrigues - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado

Em 2008, Vestido de Noiva foi o grande frenesi do Festival de Curitiba. Tudo por conta da montagem feita pelo grupo Os Satyros com Norma Bengell na pele da lendária personagem Madame Clessi, que contracenava com a Alaíde criada por Cléo de Páris.

Na época, uma confusão técnica impediu a estreia e Norma chorou diante do povo. Depois de muito disse-me-disse, o grupo finalmente conseguiu arrumar os aparelhos e se apresentar e arrancar aplausos efusivos do público, que emocionaram Norma, dessa vez de forma positiva.

vestido norma ivam Satyros dão adeus a Vestido de Noiva

Norma Bengell ganha abraço de Ivam Cabral em 2008 - Foto: Flávio Sampaio

Ao fim da segunda apresentação que deu certo, Norma Bengell, emocionada, disse a este repórter que “fazia parte do grupo e iria junto com ele até o fim”. Infelizmente, quatro anos depois, não é o que aconteceu.

Norma não estará na última apresentação da versão dos Satyros para Vestido de Noiva, na noite desta sexta-feira (28), no Sesc Santo André, em São Paulo. Última porque, imerso em novos projetos e por conta dos caríssimos direitos autorais, o grupo não pretende seguir com a montagem.

Como Norma está doente e em sérias dificuldades financeiras, Helena Ignez a substitui. Outra ausência sentida é de Alberto Guzik, que morreu em 2010. Ele foi substituído pelo jovem ator carioca Thadeo Ibarra.

A ousada montagem assinada pelo diretor Rodolfo García Vázquez é resultado de árdua pesquisa sobre a encenação original que revolucionou o teatro brasileiro com direção de Ziembinski em 1943, no tradicional palco do Teatro Municipal do Rio.

Apesar de se debruçar no passado, Vázquez olhou para o futuro e imprimiu linguagem própria que impressiona. A montagem foge do lugar comum para as encenações de Nelson Rodrigues. O Rio dos Satyros é gélido e pertubador.

O diretor abusa dos recursos tecnológicos, como projeções em vídeo que misturam teatro e cinema, para dar vez às alucinações de Alaíde, ainda vivida por Cléo de Páris em um papel já inscrito em sua carreira.

O diretor foi tão longe que fez o elenco dublar algumas falas pré-gravadas, talvez o maior ponto de incômodo do espetáculo. Apesar de se preocupar com esmero com a estética da encenação, percebe-se um leve descuido com o elenco, com cada ator interpretando em um registro distinto. Mas, justiça seja feita, o elenco mais jovem nada de braçadas e se sobressai.

Merece registro Phedra D. Córdoba, nossa diva do teatro alternativo paulistano, com entradas pontuais que ela faz ter graça inesquecível por ser a musa que é.

Quem ainda não conferiu Vestido de Noiva com Os Satyros tem de ver. Se está em São Paulo, a viagem ao ABC vale a pena. Porque é um espetáculo que se despede cheio de histórias para contar.

Vestido de Noiva
Avaliação: Bom
Quando: Sexta (28), às 21h (única apresentação)
Onde: Sesc Santo André (r. Tamaratutaca, 302, Santo André, tel. 0/xx/11 4469-1200)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada ou usuário do Sesc); R$ 5 (comerciários e dependentes)
Classificação: 14 anos

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Ivam Cabral e o sonho da SP Escola de Teatro

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Por Miguel Arcanjo Prado

Esta quinta (27) é dia de festa no R7. Afinal, o portal completa três anos de existência com crescimento recorde.

Fruto de muito trabalho de uma turma poderosa do jornalismo brasileiro. Gente que ainda está por aqui, e outros que já deram sua contribuição e foram para novos desafios, deixando saudade gostosa na gente.

Tenho orgulho de dizer que sou do primeiríssimo time do R7. Convocado pelo nosso diretor Antonio Guerreiro, cheguei por aqui na companhia de Fabíola Reipert, quase três meses antes da estreia. Cheio de garra para ajudar criar um portal que daria o que falar.

Afinal de contas, antes de mais nada, jornalismo dos bons se faz com gente talentosa e amiga.

Por isso, pincelei alguns momentos que traduzem estes últimos frenéticos três anos, desde a primeira imagem, com a turma do portal chegando na redação do jornalismo da TV Record, e a última, com Fabíola e eu na redação atual do R7 neste dia de festa.

Parabéns para todos nós, inclusive você, caríssimo internauta!

r7 tres anos miguel arcanjo prado R7 faz 3 anos: fotos que contam uma história

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Os Bem Intencionados fotos Alessandro Soave 2012 10 Lume olha para próprio umbigo em Os Bem Intencionados, parceria com Grace Passô

Espetáculo Os Bem-Intencionados encerra temporada em SP com ingressos esgotados - Foto: Alessandro Soave

Por Miguel Arcanjo Prado

Uma companhia de teatro chegar aos 27 anos é fato que merece rufar de tambores. O Grupo Lume, de Campinas, em São Paulo, conseguiu tal feito.

Depois de lançar livro comemorando os 25 anos (veja resenha abaixo), um espetáculo também celebra tanto tempo na estrada. Os Bem-Intencionados, em cartaz até este domingo (30) no Sesc Pompeia, em São Paulo, faz parte do pacote comemorativo.

O grupo resolveu sair do conforto e estabelecer a troca ao convidar a dramaturga e diretora mineira Grace Passô para assumir o trabalho, em tom colaborativo.

Diante do mais de quarto de século que possui, o Lume assume olhar para o próprio umbigo na montagem.

Inquieta e com uma poesia mineira e universal que é típica de seu trabalho, Grace acertou em colocar a encenação em um bar, com música executada ao vivo por excelente banda.

osbemintencionados Lume olha para próprio umbigo em Os Bem Intencionados, parceria com Grace PassôAlém do figurino inventivo de Warner Reis, a peça tem ambiente aconchegante com iluminação acertada de Nadja Naira, com variadas luzinhas coloridas no teto, com garrafas cortadas servindo de luminárias. Estas ajudam a criar clima para o despejo das angústias dos personagens. Em meio às mesas, os sete atores do Lume  – Ana Cristina Colla, Carlos Simioni, Jesser de Souza, Naomi Silman, Raquel Scotti Hirson, Renato Ferracini e Ricardo Puccetti – apresentam anseios, medos, traumas e confissões.

Os espectadores ficam no lugar de frequentadores do bar onde tudo se passa. Um grande acerto da produção é assumir o ambiente cênico de verdade, oferecendo bebida e petiscos ao público, que se esbalda com a cervejinha, o amendoim e a azeitona.

Questionamentos típicos dos artistas, como a incerteza da profissão, a necessidade de se adaptar “ao mundo capitalista” e “ter até CNPJ”, são declamados às vezes aos berros, às vezes em forma de um cochicho ao pé do ouvido. Regras internas do grupo, como a necessidade de dividir tudo “em sete partes iguaizinhas”, também ganham espaço e divertem.

O trabalho em alguns momentos poderia soar egocêntrico ou dirigido apenas à classe artística, mas acaba conquistando o público comum, movido pela curiosidade diante daquela terapia coletiva, mesmo diante da dramaturiga desconstruída.

A direção musical de Marcelo Onofri é um achado. Os músicos, Marcelo Onofri (teclado), Leandro Barsalini (percussão) e Eduardo Guimarães (acordeão) mostram virtuosismo pouco visto no teatro. Além disso, a seleção de músicas vai de Roberto Carlos a Carlos Gardel, passando por Fábio Jr. e Frank Sinatra. Inebria e entontece.

Numa brincadeira da trupe, há um falso final com My Way, de Frank Sinatra, cantado por Carlos Simioni. Se fosse tudo de verdade, nada seria mais piegas e previsível. Mas, na volta, o elenco se redime ao vociferar para a plateia, enquanto se despe: “Você vai ver o que você quer ver”.

Os Bem-Intencionados
Avaliação: Muito Bom
Quando: Quarta a sábado, às 21h, domingo, às 19h. 120 min. Até 30/9/2012
Onde: Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, tel. 0/xx/11 3871-7700)
Quanto: R$ 24 a R$ 6 (ingressos esgotados)
Classificação: 18 anos

Livro do Lume tem passagens emocionantes e divertidas

Lume Teatro: 25 Anos é o nome do livro que o grupo campineiro lança em comemoração a seu aniversário. Na verdade, eles já têm dois anos a mais de vida, mas o que vale é a comemoração.

lume livro Lume olha para próprio umbigo em Os Bem Intencionados, parceria com Grace PassôO livro é um compilado capitaneado por Naomi Silman, com a ajuda da dedicada jornalista Carlota Cafiero, de depoimentos dos sete membros do Lume e de pessoas que passaram pelo entorno do grupo desde sua fundação.

Luís Otávio Burnier, idealizador do grupo que morreu precocemente vítima de uma infecção generalizada, é personagem frequente e marcante da obra. A passagem da morte Burnier é um dos capítulos mais tocantes.

Com farta ilustração, há vigor e alegria no livro, como o relato de uma apresentação inusitada no Cairo, no Egito, ou a passagem do grupo pelo famoso festival Fringe, em Edimburgo, na qual se apertaram em um pequeno apartamento e batalharam até conseguirem conquistar o exigente público escocês.

Obrigatório a quem acompanha o teatro brasileiro, o livro é um registro histórico de um grupo de jovens que sonhou viver de teatro. E conseguiu.

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oincriveldrgreen Amanda Acosta e Nany People sustentam a comédia O Incrível Dr. Green, em SP

O Incrível Dr. Green fala da obsessão pela beleza no Teatro União Cultural, em SP - Foto: Gal Oppido

Por Miguel Arcanjo Prado

Ficar velho no Brasil é praticamente crime com direito a prisão perpétua. Portanto, falar da loucura pela beleza e juventude eterna é algo mais do que pertinente.

O Incrível Dr. Green, em cartaz no Teatro União Cultural, em São Paulo, toca justamente neste ponto: a obsessão, sobretudo a feminina, em ser jovem para todo o sempre, amém.

Conta a trajetória de quatro pacientes que buscam no consultório de cirurgias plásticas a resolução dos problemas de suas vidas, sob o olhar atento de um secretário e uma copeira.

Ricardo Severo assume a direção e também composição das canções, já que há números musicais. Na cidade com público cada vez mais exigente com o teatro musical, é arriscado colocar o elenco para cantar. Sobretudo se nem todos o fazem a contento.

Amanda Acosta é o grande destaque

O espectador percebe o abismo que separa a técnica vocal de Amanda Acosta dos demais colegas. Ela, que protagonizou My Fair Lady, um dos melhores musicais dos últimos tempos, é a única que realmente canta. Outro ponto de espanto num espetáculo que fala de beleza é a feiura do cenário cinza assinado por Laura Carone.

A direção é esmerada em criar desenhos cênicos e marcações que resultem em graça, mas nem todo o elenco parece entendê-las. Assim, bons achados do texto muitas vezes são perdidos por falta de consciência de quem o diz.

A dramaturga Gisela Marques tem bom texto. Mas falta assumir a comédia sem vergonha. O espetáculo ganharia se as histórias fossem mais interligadas e Karina, a menina feia interpretada por Amanda Acosta e que sonha em conquistar o corpo dos sonhos para ser aceita socialmente, ganhasse mais destaque. Porque é a personagem melhor construída não só pela dramaturgia como também pela atriz.

amanda acosta nany people Amanda Acosta e Nany People sustentam a comédia O Incrível Dr. Green, em SP

Amanda Acosta (acima) e Nany People se destacam no elenco da comédia

Se Amanda já chama a atenção no canto, não fica atrás no quesito interpretação. O corpo, a voz, a postura e a tranquilidade em cena evidenciam o estofo que o real trabalho de construção de um personagem – e não apenas ir atrás de uma caricatura dada – dá a um intérprete. Amanda está em um tempo tão distinto do elenco que deixa o público boquiaberto.

Nany People segura plateia

Justiça seja feita, Nany People é outra que não deixa a peteca cair. Apesar de contida pela direção, está em seu lugar de vedete, aquela com poder real sobre o público – e é isso que o espectador quer ver.

Nany tem experiência farta com a plateia e isso fica evidente, mesmo presa pelo texto e marcações. Ela segura os momentos mais tensos. A montagem ganharia se a direção a deixasse mais solta para improvisar e, sobretudo, contracenar mais com Amanda.

O restante do elenco fica distante de Amanda e Nany. Ana Andreatta, na pele da copeira muda da clínica, cumpre, educadamente, a função proposta. O mesmo se dá com Nyrce Levin, como a atriz decadente que pensa que ganhará o sucesso de volta com injeções de botox. Diverte com essa obsessão, mas poderia ter ido além.

Já Gabriela Alves, como a mãe recente que quer se ver livre de uma barriga que só ela enxerga, e Roberto Rocha, como Geraldinho, o secretário faz-tudo do cirurgião plástico (que jamais aparece) investem na representação de uma caricatura do que seriam seus personagens.

Mas o problema maior para o espetáculo fica por conta do personagem Geraldinho, já que é o elo que liga as demais pacientes.

Ávido por ver uma interpretação solar e espalhafatosa, o público é presenteado com uma atuação morna. Percebe-se que a direção optou por deixar o personagem tão soturno quanto o cenário. Assim, toda a graça que poderia advir dele se perde.

Se fosse interpretado, por exemplo, por um ator com o tempo de comédia de um Wilson de Santos – que tinha a plateia na mão no espetáculo Sua Excelência, o Candidato como mordomo –, a montagem seria outra. E bem melhor. Em comédia é preciso assumir a graça e o deboche sem culpa alguma.

Dessa forma, se não fosse o trabalho esmerado de atriz feito por Amanda Acosta e o domínio da plateia de Nany People, O Incrível Dr. Green seria uma cirurgia plástica cujo resultado não deu certo.

O Incrível Dr. Green
Avaliação: Bom
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; e domingo, às 19h30. Até 18/11/2012
Onde: Teatro União Cultural (r. Mario Amaral, 209, Paraíso, Metrô Brigadeiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 2148-2904)
Quanto: R$ 30 (sexta e domingo) a R$ 40 (sábado)
Classificação: 14 anos

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thadeo ibarra foto miguelarcanjoprado1 Tadeu Ibarra substitui Alberto Guzik em duas peças e diz: Lido com respeito a uma memória presente

Tadeu Ibarra fez o mesmo papel de Guzik em Liz e em Vestido de Noiva - Fotos: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

O grupo de teatro Os Satyros se despede, nesta sexta-feira (28), no Sesc Santo André, em São Paulo, da peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues.

A montagem dirigida por Rodolfo García Vázquez traz uma curiosidade: a participação do jovem ator carioca Tadeu Ibarra substituindo pela segunda vez o ator Alberto Guzik, que morreu em 2010.

Em conversa com o R7, em um café no centro de São Paulo, Tadeu revela que a primeira peça que viu dos Satyros foi Liz, no Rio, que tinha Guzik no elenco. Esta foi a única imagem que guardou do ator, já que acabou não o conhecendo pessoalmente.

A paixão pelo teatro que o grupo da praça Roosevelt fazia foi tão grande que levou Tadeu a abandonar a incipiente carreira como advogado – havia acabado de se formar em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – para se juntar à trupe paulista.

Quando chegou, Guzik já estava internado. Contudo, viu de perto a dor do grupo com a perda do ator e também jornalista de respeito na área cultural.

guzik Tadeu Ibarra substitui Alberto Guzik em duas peças e diz: Lido com respeito a uma memória presente

O ator dos Satyros e jornalista Alberto Guzik, morto em 26 de junho de 2010, vítima do câncer - Divulgação

Com os novos amigos, foi à missa de sétimo dia de Guzik, na Igreja da Consolação, em frente à sede dos Satyros.

— Quando o Guzik morreu estávamos no processo do espetáculo Roberto Zucco. Foi muito difícil para todos. Era uma tristeza tão grande que achamos que a peça nem estrearia. Os Satyros são como uma família. E havíamos perdido um membro.

Em meio à dor, a arte precisou continuar, e Tadeu foi chamado pelo diretor Rodolfo García Vázquez para substituir Guzik na mesma peça Liz, que foi decisiva para a vinda dele a São Paulo.

Depois, com a remontagem de Vestido de Noiva, espetáculo originalmente de 2008, mais uma vez Tadeu ficou no lugar deixado vago por Guzik.

— A responsabilidade é maior por substituir alguém tão querido. Sinto que estou lidando com uma memória presente. Tenho um respeito enorme por isso.

Tadeu lembra que a peça Vestido de Noiva é “muito de coxia” e que as lembranças estão por todos os lados.

— A Helena Ignez, atriz da peça, me disse que olhava para mim e se lembrava do Alberto Guzik. A Phedra de Córdoba, que também é do elenco, fala do Guzik o tempo inteiro. Eu fico arrepiado...

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Remendo Remendó por Sidney Rocharte02 A Outra conquista público com entrega verdadeira

As histórias do sertão baiano estão no espetáculo Remendo Remendó: (a partir da esq.) Israel Barretto, Luiz Antônio Jr., Luiz Buranga, Eddy Veríssimo e Roquildes Junior - Foto: Sidney Rocharte

Por Miguel Arcanjo Prado

O próximo fim de semana é o último de ocupação do espaço da Funarte em São Paulo pela A Outra Cia. de Teatro, que vem de Salvador. Ela encerra o projeto Nova Cena Nordestina, que também levou à capital paulista os grupos Magiluth, de Recife, e Clowns de Shakespeare, de Natal.

Formado pelos atores Eddy Veríssimo, Luiz Buranga, Israel Barretto, Roquildes Junior e Luiz Antônio Jr, sendo este último também responsável pela direção, o grupo apresenta dois espetáculos na cidade, Mar me Quer, às sextas e sábados, às 21h, e Remendo Remendó, aos domingos, às 16h.

Adaptação do texto original do escritor moçambicano Mia Couto, Mar me Quer vai fundo em um tema tão comum à Bahia e já visitado várias vezes por Jorge Amado – a relação dos pescadores com o mar, que impõe neles respeito e mistério.

A dramaturgia e direção de Luiz Antônio Jr. acertam em estabelecer um jogo cênico no qual os cinco atores em cena dividem todos os personagens. Ora são os mesmos. Ora são nenhum. Eddy Veríssimo e Luiz Antônio Jr. se destacam imprimindo maior verdade ao texto dito.

Mar Me Quer Sydnei Rocharte A Outra conquista público com entrega verdadeira

A luz azul de Mar me Quer - Foto: Sydnei Rocharte

O fato de o elenco executar a trilha ao vivo, bem como o figurino assinado por Luiz Santana, com proposta inventiva e simples, também conquistam. Já a iluminação proposta por AC Costa e Marcos Dedé, e executada por Catarina Campos, é bem mais tímida do que a proposta no cenário. Investe demais na luz azul, quando poderia ousar para deixar o espetáculo mais vistoso.

O preparo vocal, feito por Diana Ramos, é evidente, mas em muitos momentos o dizer do texto pelos atores é feito de modo monocórdico, o que tira parte de seu peso e lirismo. Os atores estão intensos no que fazem, mas falta um olhar de fora que os orientasse a dar nuances diferentes a passagens que são distintas.

Outro ponto importante seria maior consciência do espaço – uma sala pequena e com plateia bem próxima –, assim perceberiam que colocar a voz em um tom mais baixo tornaria algumas cenas bem mais impactantes.

Em Remendo Remendó o grupo sai do litoral e invade o sertão baiano, em busca de tradições e da alegria que é cartão de visita do Estado brasileiro.

A premissa do texto original de Cell Dantas, Inácio Deus e Vinício de Oliveira Oliveira é ágil e simples: um concurso de contadores de história promovido pelo prefeito de uma pequenina cidade interiorana.

Assim, pequenos causos se sucedem em ritmo vertiginoso proposto pela direção de Luiz Antônio Jr. Dessa vez quem assina a direção musical é Roquildes Junior, o que faz muito bem, já que o elenco demonstra afinação.

Mas a mesma consciência vocal tão presente no canto não é proporcional à da fala. Mais uma vez, o elenco peca por dizer o texto em tom alto e sem matizes.

O clima é de teatro de rua, mas o fato de estarem em um espaço fechado pede uma adaptação. Se Luiz Buranga e Luiz Antônio Jr. acertam em cheio no belíssimo figurino e conjunto de objetos cênicos, poderiam ter usado a mesma proposta multicor na iluminação.

Os dois espetáculos dos meninos de A Outra Cia. de Teatro mostram que eles fazem teatro com vigor e fé inabalável. Se há alguns tropeços, estes acontecem na vontade de acertar. E é essa entrega verdadeira em todos eles que cativa o público.

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A Outra Companhia em São Paulo
Mar me Quer e Remendo Remendó
Avaliação: Bom
Quando: Sexta e sábado, às 21h (Mar me Quer); Domingo, às 16h (Remendo, Remendó). Até 30/9/2012
Onde: Funarte (al. Nothmann, 1.058, Campos Elíseos, Metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3662-5177)
Quanto: R$ 20 (sexta e sábado) e R$ 10 (domingo)

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BOB SOUSA 0307 Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete faz curta temporada no Teatro Eva Herz

Espetáculo é apresentado toda terça, às 21h, no teatro da Livraria Cultura - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado

O inquieto Eric Lenate, um dos nomes mais ativos da nova geração de diretores paulistanos, é o responsável pela montagem de estreia da Cia. dos Inquietos, Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete.

A peça cumpre nova temporada em São Paulo, toda terça, às 21h, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O texto é do dramaturgo carioca Jô Bilac, que é encenado pela primeira vez por um grupo de São Paulo.

A obra conta a história de quatro personagens que desejam o sucesso a qualquer preço e brinca com a ideia de caricatura na construção da encenação.

No elenco estão Ed Moraes, Luna Martinelli, Mariah Teixeira e Daniel Tavares. Além de dirigir, Eric Lenate assina também o cenário, a sonoplastia, os figurinos – em parceria com David Schumaker – e a iluminação – com Karine Spuri.

Antes, a montagem já passou pelo Teatro Commune e Sesc Consolação.

O ator e produtor Ed Moraes conta ao Atores & Bastidores que eles acabam de se apresentar no Festival Internacional de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Depois da temporada atual, seguem viagem pelo interior de São Paulo com apoio do Sesi.

— O espetáculo tem um ano e meio e está vivo e rodando várias cidades. Já o fizemos na Paraíba e também no Festival Internacional de Teatro de Saõ José do Rio Preto. A nossa agenda está lotada até a véspera de Natal. Em 2013, queremos levar a peça para o Rio, já que é a terra do autor, o Jô Bilac.

Eclético, a Cia. dos Inquietos congrega artistas vindos de lugares distintos, como o Teatro Oficina, o CPT de Antunes Filho, a Cia. Fábrica São Paulo, dos Satyros, da Cia. Le Plat du Jour e o Núcleo Experimental de Zé Henrique de Paula.

Ou seja, só gente fina.

Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete
Quando: Terça-feira, às 21h. 60 min. Até 9/10/2012
Onde: Teatro Eva Herz (av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, São Paulo, tel. 0/xx/11 3170-4059)
Quanto: R$ 30
Classificação: 16 anos

 
 

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diego gazin capa foto miguelarcanjoprado1 Diego Gazin, o ator que faz acontecer

Diego Gazin é destaque do musical infantil de sucesso A Galinha Pintadinha - Fotos: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

Quem vai ao musical infantil A Galinha Pintadinha não imagina quantas histórias moram detrás dos atores no palco. Um deles, responsável por quatro personagens – o pai, o motorista, o fotógrafo e o sapo – tem muito o que contar.

Quando Diego Gazin desembarcou na rodoviária Barra Funda, em São Paulo, em 2000, com apenas 17 anos, só tinha um sonho: que as coisas dessem certo na carreira de ator que construiria a partir dali. Vinha sozinho da pequena Santa Fé, município de 10 mil habitantes no interior do Paraná.

diego gazin texto foto miguelarcanjoprado Diego Gazin, o ator que faz acontecerAprendeu logo que nada acontece da noite para o dia. Sofreu, chorou, correu atrás, levou muita porta na cara. Quase desistiu. Quis o destino que as coisas começassem a acontecer justo no dia em que resolveu que não era para ele aquela vida de batalha sem resultado. Assim foi. Aos poucos. Degrau a degrau.

Outro dia, sua mãe, Ivonete, viajou até São Paulo para vê-lo no palco. Apesar de o espetáculo ser para cima, chorou ao ver o filho num espaço nobre da metrópole, sendo aplaudido pelo público elegante que lotava o Teatro das Artes, no Shopping Eldorado. Foi testemunha da concretização daquela determinação do primogênito de seus três filhos com o comerciante Carlos Gazin. Um dia inesquecível para os dois.

Foi fazendo cursos na cidade natal com professores que vinham de Londrina e Curitiba que Diego resolveu que seria ator. Tinha uns 10, 11 anos. Sabia que debaixo das asas dos pais não teria chance alguma. Era preciso cair no mundo, se arriscar. Filho de família simples, chegou à conclusão que teria de ser por conta própria.

São Paulo foi cruel no começo. Como costuma ser aos forasteiros que se aventuram entre seus prédios e viadutos cinzas. Pegou muito trem lotado e comeu muito miojo. Diz que nunca deixou de ter fé em Deus. Por isso, não foi engolido pela cidade.

Mesmo diante do pouco que ganhava, o dinheiro do curso de teatro no Macunaíma sempre foi sagrado. Formou-se em 2004, com a peça O Pecado de João Agonia. A mãe veio também.

Demorou, mas desde 2006 consegue viver apenas da profissão de ator. Além de trabalhos nos palcos, faz publicidade, que ajuda a segurar as pontas. Quando fica tranquilo, ouve MPB, corre no Ibirapuera ou fica de bobeira em casa, acompanhando Laura Cardoso e Osmar Prado na TV, seus ídolos.

A primeira grande montagem foi em 2007, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, com direção de Vladimir Capella, no extinto Teatro Imprensa capitaneado por Cintia Abravanel, produtora responsável pelo lançamento de muitos talentos jovens. Desde então, as coisas melhoraram. E acontecem para ele, que não marca bobeira.

— É claro que tem hora que dá vontade de parar e de desistir. Mas aí eu penso no monte de coisas que já consegui construir. E se tem uma coisa que eu aprendi é que se a oportunidade não vem até você, você precisa ir atrás da oportunidade.

Hoje, com a maturidade que só a experiência dá, Diego quer mais. Fazer cinema e televisão. Realizar o sonho daquele menino simples de Santa Fé que subiu no ônibus com vontade de vitória.

diego gazin abaixo foto miguelarcanjoprado Diego Gazin, o ator que faz acontecer

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