miguel mirada Equipe do Mirada faz vídeo sobre cobertura do jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado no R7

Miguel Arcanjo Prado fala sobre seu trabalho como colunista teatral do R7 no Mirada - Foto: Reprodução

O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado foi entrevistado pela equipe de vídeo que registra o Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos. O evento vai até o próximo sábado (13), com 40 peças, das quais 25 são internacionais. Veja o vídeo produzido pela Querô Filmes:

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miguel arcanjo antonio netto Vídeo: Atores lotam ônibus em busca de sonho em Corrida ao Caos; veja entrevista com Antonio Netto

Miguel Arcanjo Prado entrevista o ator e diretor Antonio Netto, de Corrida ao Caos e Bar D'Hotel

O ator e diretor Antonio Netto conversou com o editor de Cultura do Portal R7, Miguel Arcanjo Prado, e falou sobre a peça Corrida ao Caos, que conta a história de passageiros que se espremem dentro de uma lotação com destino ao Pacaembu, para participar de um sorteio de uma rádio. O artista aproveitou também para falar sobre a obra Bar D'Hotel, na qual divide o palco com outros cinco atores. Veja o vídeo:

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jaime lorca Entrevista de Quinta: “Teatro não precisa ser difícil para ser bom”, diz chileno Jaime Lorca no Mirada

O ator e diretor chileno Jaime Lorca: teatro simples, sensível e inteligente no Mirada; sua peça Otelo é um dos destaques do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos - Foto: La Segunda/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

O ator, dramaturgo e diretor chileno Jaime Lorca fuma tranquilamente seu cigarro na calçada em frente ao Teatro Guarany, no centro histórico de Santos, litoral paulista. Afinal, precisa de um pouco de calma após viver um turbilhão de emoções no palco com Otelo. A peça que já é apontada como um dos grandes destaques do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, promovido pelo Sesc São Paulo e que nesta terceira edição homenageia o teatro do Chile, com sete obras deste país na programação.

Enquanto conversa com o Atores & Bastidores do R7, nesta Entrevista de Quinta, o importante nome do teatro chileno precisa parar a fala várias vezes para agradecer aos gestos espontâneos do público, que não se cansa de parabenizá-lo.

Sua versão de Otelo é simples e sofisticada. O texto clássico de William Shakespeare sobre o marido que desconfia da mulher até um fim trágico ganha novas nuances, novas miradas.

Em cena, ele e a atriz Teresista Iacobelli manipulam marionetes com precisão técnica aliada a muita emoção, criando uma história na qual é impossível não mergulhar. Isso acrescido da companhia da música de José Salinas, do figurino de Loreto Monsalve e da luz de Tito Velásquez, num conjunto harmonioso.

Na conversa, Lorca falou sobre seu teatro simples e inteligente ao mesmo tempo e ainda do sucesso no Mirada com a peça de sua Cia. Viajeinmóvil.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – Como vocês conseguem criar esta atmosfera tão impressionante como vista em Otelo?
Jaime Lorca – Fazemos sempre teatro com objeto, somando atores e marionetes. Até porque somos, antes de tudo, uma companhia de teatro. Os atores estão no centro.

Miguel Arcanjo Prado – Ficou impressionado com o aplauso tão caloroso, com direito a muitos gritos de “bravo” nas sessões de Otelo no Mirada?
Jaime Lorca – Foi uma reação muito linda. Eu creio que o público recebe a obra muito bem porque ela fala de temas que estão muito perto de cada um de nós. Shakespeare é universal, é próximo. Para entendê-lo, não é necessário ter antes uma gama de conhecimentos. Daí sua genialidade. Otelo é como um instrumento musical que tem todas as notas, desde aquelas mais difíceis e sublimas àquelas mais fáceis. Teatro não precisa ser difícil para ser bom.

Miguel Arcanjo Prado – Teatro pode ser inteligente e descomplicado?
Jaime Lorca – Sim! Claro. É bom lembrar que colocaram Shakespeare em um lugar difícil hoje em dia que não é o lugar dele. Ele escrevia suas peças nos anos 1600. Nessa época ninguém sabia ler e escrever. E ele se comunicava com todos. Por isso causa tanta comoção seus textos.

Miguel Arcanjo Prado – A obra tem múltiplas leituras?
Jaime Lorca – Sim. Muitas questões estão detrás de Otelo. No Chile, por exemplo, é muito associada ao femicídio, que é quando companheiros matam suas mulheres. É muito atual. Chegamos a apresentar a peça em uma prisão feminina e as detentas tinha reações muito fortes, comentavam a peça do começo ao fim. Gritavam, emocionadas: “assassino”, “estuprador”. Foi realmente muito impressionante. Fazer essa analogia com o homem de hoje é a nossa ideia.

Miguel Arcanjo Prado – É impressionante a sintonia sua com a companheira de cena, Teresita Iacobelli. Como vocês conseguem tamanha afinidade?
Jaime Lorca – A ideia da peça é fazer um jogo com os dois atores. Teresita e eu trabalhamos juntos há oito anos e desenvolvemos juntos essa técnica que você viu no palco.

Miguel Arcanjo Prado – A peça já viajou muito?
Jaime Lorca – Sim. No Brasil, já estivemos no Festival de Teatro de Curitiba, e também em Florianópolis e vamos para Belo Horizonte. Já viajamos muito. Agora, vamos começar uma turnê longa. Vamos passar por Argentina, Espanha, Portugal, México, Peru, Estados Unidos, Hungria e Bolívia.

Miguel Arcanjo Prado – Você não vai sair do avião...
Jaime Lorca – [risos] Isso mesmo... Nós gostamos muito do que fazemos. É artesanal. No Chile, também sempre percorremos o país de ponta a ponta. Teatro não é divertimento, é educação. Por isso, nossa peça quer dialogar com o público. Quero que as pessoas completem os espaços vazios. Não dá para comer pipoca no teatro.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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teatro coliseu Foto Dani Sandrini 3762 Público da Baixada Santista abraça o Mirada

Público na fachada do tradicional Teatro Coliseu, em Santos: uma das casas do Mirada - Foto: Dani Sandrini

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

O auxiliar de escritório Victor Oliveira e a estudante de teatro Jéssica Santos comentam, animados, na saída do Teatro Coliseu de Santos, o quanto gostaram do espetáculo Utopia, da bailarina e coreógrafa espanhola Maria Pagés.

Foi a segunda peça que os amigos assistiram no Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos. E pretendem ver outras até o próximo sábado (13), quando o evento chega ao fim tendo apresentado 40 espetáculos, dos quais 25 são internacionais, com organização do Sesc São Paulo.

“Os bailarinos dançam muito bem. Deu para sentir a história nos movimentos”, define Oliveira. Já Jéssica foca na importância do evento para a formação artística dos moradores da cidade. “Um festival assim, tão grande, por aqui, é muito bom”, diz.

Adesão

Enquanto os jovens continuam seus comentários sobre a obra de dança flamenca, sai da plateia, acompanhado por um séquito, o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda. Simpático, atende com um sorriso o pedido da reportagem para uma avaliação prévia do festival.

“Eu creio que o Mirada fortalece, sobretudo, o teatro da América Latina. E isto é muito importante. Estou gostando muito desta terceira edição. A reação do público está extraordinária. Está uma adesão maravilhosa da cidade, como você está vendo aqui”, afirma Miranda.

Aplauso caloroso

O espetáculo chileno Otelo, da Cia. Viajeinmóvil, causou impacto no Teatro Guarany, no centro histórico de Santos.

O texto de Shakespeare, apresentado por dois atores potentes, Jaime Lorca e Teresita Iacobelli, comoveu o público. Sobretudo pela encenação simples e sofisticada ao mesmo tempo, com o uso de marionetes. Muitos a apontam como a melhor peça do Mirada 2014.

Ainda emocionado com os fartos aplausos, Lorca, que também idealizou e dirige a montagem, falou ao R7.

"Foi uma reação muito linda a da plateia aqui do Mirada. Acho que a peça chegou ao coração das pessoas", afirmou.

Desceu a serra

O Mirada também atrai público de São Paulo. O dramaturgo e ator Victor Nóvoa, de A Digna Cia., passou o último fim de semana em Santos vendo peças do festival. E se sentiu em casa, apesar de viver na capital paulista desde 2001, revelou à reportagem que é santista. "O Mirada é uma oportunidade de conhecer outros fazedores de teatro", diz.

Já a atriz carioca radicada em São Paulo Helena Cardoso, amiga de Nóvoa, participa do Mirada pela segunda vez. "Este ano está mais amplo e mais interessante", avalia.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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puzzle Felipe Hirsch responde à crítica de Puzzle no Mirada

Imagem da peça Puzzle, apresentada no Mirada 2014, com direção de Felipe Hirsch - Foto: Divulgação

Nota do Editor: O diretor do projeto Puzzle, Felipe Hirsch, escreveu um texto em resposta à crítica Elenco de Puzzle potencializa discurso desesperançado sobre o Brasil de Felipe Hirsch. Abaixo, a argumentação do artista é reproduzida na íntegra:

"Amigos, eu não tenho por costume responder críticas e sei que o jornalista Miguel Arcanjo Prado fez seu trabalho com carinho, respeito e, pelo que se vê, admiração. Só o faço porque existem algumas suspeitas perigosas:

Primeiro, é importan...te situarmos o projeto com alguns textos aqui repetidos:

PUZZLE (a) fala sobre o extermínio da delicadeza.

É sobre isso a cena do menino com "a metralhadora suja".

Como disse o Wisnik, a reafirmação da violência avassaladora e generalizada.

Fala com raiva irracional, estupidez, enfim, com vários sentimentos que nos distanciam da sabedoria.

Puzzle é mal criado, mal educado.

Mas é, essencialmente, uma irônica peça de ficção científica (ultrapassada) que fala o que Jorge Mautner falou há 40 anos (e por isso mesmo, fala de novo) no conto Caos.

É também um grito primal sobre um país tão complexo, tão intraduzível, tão isolado, tão anestesiado, tão agredido e tão agressor.

Na parte (c) uma pessoa é arrastada para o teatro. E ela acha o teatro muito violento. Não a vida. O teatro. Íntimo demais. Próximo demais. Errado demais.

Puzzle é assim porque admitiu o acaso, o desespero, no meio de tantas opiniões e certezas.

O crítico aponta um erro gramatical cometido por um ator na estreia de Puzzle (d). E cobra isso. Afirma que "Puzzle (d) minimiza a língua portuguesa" mas, no entanto, não a usa com exatidão.

Ele acerta ao falar sobre o erro, mas desconsidera que uma palavra foi conjugada erradamente em uma sessão única na estreia do espetáculo. Um erro isolado no meio de um milhão de palavras em um único dia. Mas, está certo. Lembro do erro.

No entanto, ele está absolutamente equivocado quando afirma que "Puzzle (d) minimiza a língua portuguesa" (esta é a sua frase, infelizmente truncada, mas razoavelmente clara).

Delicadamente, explico:

PUZZLE (d)

começa falando sobre São Paulo e dos manifestos paulistanos (Somos Concretistas! diz o Antropofágico e anos depois o Noigandres).

Esses homens incríveis que pensaram uma arte brasileira genuína dentro de um contexto mundial.

Fala dos pixadores também, justiça e mais amor sp.

E relembra o Klavibm II do Duprat e do Damiano Cozzella.

Depois, ouvimos a tal declaração de Bolaño sobre a Academia Brasileira de Letras, o Paulo Coelho e sua "divulgação" da língua "Brasileira". Junto, um texto do Leminski sobre a inutilidade da arte em um mundo onde tudo tem que dar lucro.

Aqui está o foco da frase da crítica.

Atenção:

Falamos sobre a solidão de nossa língua. Falamos sobre o isolamento dos países da América Latina. Sobre o solipsismo dos seus poetas (todos com seus cursinhos de inglês e francês, e suas obras completas embaixo do braço).

Quanto aos muçulmanos, é triste ter que explicar a piada, mas vamos lá: o texto de André Sant'Anna repete frases ufanistas vazias, impostas e impositivas.

Falar que o Brasil é bom porque é e pronto.

Os marketeiros, o populismo evangélico.

Frases feitas, que opinam e repetem ideias pré-concebidas, não desenvolvidas, agressivas, preconceituosas etc. É claro que eu ou André, em hipótese alguma, afirmaríamos posições políticas contra ou a favor do estado Palestino, quando nosso assunto é outro. Bem distante desse.

Mais grave é a afirmação de que André Sant'Anna escreveu o texto do policial militar para culpar o povo, pobre e negro por sua desgraça. Um personagem está no palco. Um escritor se esconde atrás desse personagem. E ironiza na grandeza de um cargueiro de quatrocentas mil toneladas nossa desgraçada situação educacional.

Seria melhor ter lido o texto antes de escrever uma crítica perigosa dessas. Ainda que o faça com respeito, repito.

Copio aqui as últimas linhas do genial texto de André Sant'Anna para que tudo fique mais óbvio: "Essa é que a minha opinião sobre isso tudo que está por aí. Entendeu a metalinguagem, essas porra? Se não entendeu, é porque você é polícia, burro, burra. Você é burro hein?"

Por fim, o erro de leitura mais absoluto: a obra dos grandes artistas Dias & Riedwig chamada "O Universo do Baile" mostra Claudia Pantera lendo um capítulo da Constituição Federal sobre os direitos humanos. Como disse um jornalista, "é parte do jogo dos artistas e da própria Claudia, juntar a sensualidade que tem, que existe naquela boca, com a abjeção. Nesse momento então, alguns rirão com desdém, outros hesitarão e protestarão; o abjeto é aquilo que nos faz repensar. E é nesse momento que a obra demonstra seu lado extremamente humanista".

Qual a sua dose de nojo, reticência, vergonha e preconceito?

e

Quais são os direitos assegurados ao povo?

5 minutos antes do início do espetáculo, eu reuni todos os atores e equipe (todos são testemunhas) e disse: "A explosão de fúria dessa peça é justamente contra quem é capaz de ler essa última obra como um manifesto fascista contra negros, gays, pobres. Puzzle não ignora o desprezo com a educação no nosso país. Não o mascara. Não o ufaniza. Celebra o teatro, a música e, principalmente a literatura Brasileira com (como disse a crítica) alguns dos maiores artistas desse país.

O crítico afirma, indefinidamente, que eu "posso não ter tido o objetivo de ser racista".

Quem é estúpido a ponto de pensar que "negros e mestiços são culpados pelas mazelas do país", esses são o meu alvo.

A obra de Dias & Riedwig definitivamente não é racista.

Sobre Puzzle (a) cito, impressionado, um texto que o crítico ouviu (?) durante a mesma apresentação, ao lado de 500 pessoas. Esse texto é dito por um personagem, político, irônico e branco:

"Das milhões de pessoas consideradas indigentes no Brasil, 70% são negros. Eu tenho um orgulho de ser misturado, de sentir correndo pelas minhas veias, o sangue negro dos meus ancestrais africanos. É um país sem preconceitos".

Quer que eu desenhe? Quer que eu desenhe com tinta no papel do cenário?

Durante todo o período de produção e ensaios, por mais que saibamos o quanto Puzzle é perigoso e desafiador, nunca essa ideia de leitura infeliz foi sequer pensada. Eu tenho certeza que um dos motivos de ter escolhido essa profissão foi por me sentir livre para lidar com a ampla cultura de mouros, alemães, latinos e latino-americanos, anglo-saxões, judeus, negros, muçulmanos, esquimós etc. Enfim, acusações como essa são baseadas unicamente na subjetividade de uma interpretação injusta. Tentar atribuir preconceitos à força é cultivar sujeira comportamental na nossa sociedade. Esses supostos defensores de direitos humanos deformam o sério problema do preconceito e nos fazem perder o tempo precioso que dedicamos à cultura de nosso país.

Por fim, com respeito, me despeço do assunto definitivamente.

Felipe Hirsch"

Resposta do crítico Miguel Arcanjo Prado: É salutar que o diretor Felipe Hirsch deixe mais claro qual é seu ponto de vista, coisa que não fica evidente no espetáculo, que corre o perigo de ser apreendido como representante de um discurso oposto ao desejado. Até porque em um festival abrangente como o Mirada, o espetáculo não se comunica apenas com a classe teatral, muito pelo contrário, é visto por um público heterogêneo, formado por comerciários e aposentados em grande parte, como percebeu o R7. Não se pode exigir do espectador o domínio das referências intelectuais do diretor para compreensão da montagem. Tampouco que a veja em seu conjunto de quatro distintas encenações, já que apenas uma se apresentou na programação oficial. O artista precisa antever que um texto fora de seu contexto original pode gerar outras leituras por parte do espectador. Assim, o final de Puzzle (a) pode ser interpretado tal qual na crítica, mesmo que isso não tenha sido pensado intencionalmente pelo diretor. Fica o alerta.

Atualizado Às 23h29

Resposta do diretor Felipe Hirsch: Desculpe, Miguel. Mas o ponto de vista não ficou claro para você. Para outros, quem sabe? E sua tréplica é, ironicamente e ingenuamente, preconceituosa quando afirma que "o espetáculo não se comunica apenas com a classe teatral, muito pelo contrário, é visto por um público heterogêneo, formado por comerciários e aposentados". Quem disse que a classe teatral está mais preparada ou é mais sensível que um comerciário ou um aposentado? Que ideia estapafúrdia é essa? Não exijo referências intelectuais. Puzzle exige sensibilidade e dedicação. Coisa que lhe faltou. Não lhe vejo capaz de me dizer o que devo antever ou não. Sua leitura foi perigosa. Tenha medo dela. Não da peça. Não julgue ou adjetive um artista, precipitadamente, com "ismos de racismos". É covarde, despreparado, desrespeitoso e perigoso. E você não se parece com isso. Há quem possa lhe repetir cacatuamente. Há quem lhe possa repetir por conveniência. Um espaço deve ser honrado. Leia O Crítico como Artista de Oscar Wilde e siga.

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miguel arcanjo prado jair aguiar Vídeo: Musical Bar DHotel faz homenagem à era de ouro da noite de SP; veja entrevista com Jair Aguiar

Miguel Arcanjo Prado entrevista o diretor Jair Aguiar no R7: peça Bar D'Hotel - Foto: Reprodução

Jair Aguiar, diretor responsável pela direção do espetáculo Bar D'Hotel, em cartaz em São Paulo, conversou com o editor de Cultura do Portal R7, Miguel Arcanjo Prado para falar sobre a peça, encenada no hotel Cambridge, que relembra músicas das década de 50 e os tempos áureos do centro de São Paulo. Tem peça sábado, 21h; domingo, 19h, com entrada a R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia-entrada. Veja o vídeo:

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2014 09 08 Puzzle Foto Dani Sandrini 4515 Crítica: Elenco de Puzzle potencializa discurso desesperançado sobre o Brasil de Felipe Hirsch

Rodrigo Bolzan como um policial burro: melhor cena de Puzzle A, no Mirada - Foto: Dani Sandrini

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

Felipe Hirsch é inteligente, inventivo e contestador. E é importante que o diretor faça seu teatro com toda a liberdade possível. A obra que o representa no Mirada 2014, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, é parte de seu projeto Puzzle (quebra-cabeça, em inglês). Nome que o público custa a pronunciar, como observado durante o evento. Talvez comece daí sua provocação.

Até o momento, o projeto é divido em quatro distintos espetáculos. O último deles, a parte D, foi apresentada no lançamento do Mirada, em agosto passado, no Teatro Sesc Santos, e atacou o nacionalismo e a construção de uma identidade cultural latino-americana de forma visceral, mas nem por isso incontestável.

Em um dos atos, por exemplo, Puzzle D minimiza a língua portuguesa, enquanto o próprio texto comete um erro gramático contra ela, conjugando no plural o verbo haver no sentido de existir. O erro, isolado, soou complicado no contexto de quem quer ser dedo na ferida.

Outro momento tenso é quando o texto demoniza apenas os muçulmanos, como se fossem os únicos a promover a guerra na Palestina, esquecendo-se dos bombardeios de Israel. Ao se posicionar de um lado, perde força contestatória.

Fora isso, o espetáculo é repleto de momentos fundamentais, como aqueles que questionam o ufanismo demasiado de grande parte da Nação Verde-e-amarela.

Desesperança

Mas falemos de Puzzle A, que é o espetáculo oficialmente na programação do Mirada. Trata-se de um compilado de discursos de múltiplos autores, sempre com um ar de desesperança sobre a realidade brasileira.

O caos apresentado pela peça é compartilhado por qualquer um estupefato com o limbo do pensamento livre neste País.

Os artigos são repletos de ironia refinada e ganham potência teatral, sobretudo, por se valerem de alguns dos melhores atores do teatro brasileiro atual, escalados para dizerem os textos com toda a verdade possível e, por isso mesmo, tornando-os desconcertantes.

Hirsch foca no Rio de Janeiro, cidade mergulhada no caos há muito tempo e parece que não sairá dele tão cedo, entregue à disputa eterna entre milicianos e traficantes, com políticos corruptos no meio e polícia violenta que desconhece os direitos humanos.

O diretor aponta seu espetáculo, sobretudo, para a realidade deste lugar, representante do País no exterior, desconstruindo a imagem de paraíso associada à Cidade Maravilhosa.

Policial burro

O ator que mais se destaca é Rodrigo Bolzan, no melhor dos textos, na pele de um policial que discorre sobre sua burrice violenta que o leva a infringir torturas desumanas à população pobre. O ator faz a cena com domínio, levando a plateia a diversas emoções em poucos instantes, do riso ao ódio. Contudo, tal cena incorre em algo perigoso: culpa o povo, pobre e negro em sua maioria, por sua própria desgraça. Tal reducionismo a enfraquece.

A peça conta com uma verdadeira constelação do teatro nacional: Eric Lenate, substituindo Felipe Rocha de última hora, leu com propriedade seu texto, mas nem por isso deixou de imprimir atuação carismática ao discorrer sobre nossas desgraças, transformando-as em dados positivos.

Outro destaque é Luna Martinelli, uma das atrizes de peso da nova geração, que vive a dor de uma mulher cujo amante a abandonou. Seu discurso é traduzido simultaneamente para o alemão, por ninguém menos que Georgette Fadel, referência do teatro paulistano, e para o castelhano, por Javier Drolas.

Colocar o ator argentino para falar em seu idioma é um ato de inteligência do diretor, que sabe respeitar a expressividade natural do ator, colocando-o no espetáculo em lugar de igualdade com seus companheiros brasileiros.

Magali Biff, mais ao fim da obra, é uma verdadeira explosão. E das boas. A peça ainda tem Isabel Teixeira, Luiz Päetow e Jorge Emil. Todos dando peso a cada palavra dita.

Choque de realidade

Com uma estética de impacto tal qual a tinta preta no papel branco, Hirsch faz bem em descontruir a imagem cordial e otimista do brasileiro. Seu espetáculo é um choque de realidade, expondo com crueza o que muitos de nossos governantes tentam esconder. Este é seu maior mérito como artista.

Entretanto, algo incomodou este crítico, e com profundidade, ao fim do espetáculo. E não foi o problema que o elenco teve para rasgar os papéis do fundo do cenário, muito menos com a legenda que não funcionou durante boa parte da peça.

O lugar do negro?

O problema é com o epílogo audiovisual final: uma bandeira do Brasil invertida surge no meio de duas imagens fortes: à esquerda, um vídeo mostra um homossexual negro e desdentado lendo com muita dificuldade a Constituição Brasileira, expondo seus artigos que não são respeitados sequer pelo próprio Estado; à direita, imagens de corpos também negros requebram.

Tal visão, com negros como alegorias da imbecilidade nacional, é complicada e perigosa. Até porque não há negros no elenco – uma atriz negra de peso, como Grace Passô, teria feito bem à obra.

Por mais que este possa não ter sido o objetivo do diretor, o que esta crítica acredita, tais imagens finais podem ser interpretadas como afirmação de um pensamento ainda presente no Brasil, que culpa negros e mestiços pelas mazelas do País. Um discurso racista e inaceitável.

Leia a resposta do diretor Felipe Hirsch para esta crítica

Puzzle
Avaliação: Bom
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Elenco de Puzzle potencializa discurso desesperançado sobre o Brasil de Felipe Hirsch

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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montagem teatro Ana Paula Grande e Lucas Andrade são Musa e Muso do Teatro R7 de agosto de 2014

Ana Paula Grande e Lucas Andrade são Musa e Muso do Teatro R7 - Foto: Divulgação e Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Após uma semana de votação acirrada, o internauta escolheu a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto de 2014.

A atriz Ana Paula Grande e o ator Lucas Andrade foram os eleitos pela maioria do público.

Ana Paula Grande é atriz da peça Tem Alguém que Nos Odeia, em cartaz no Teatro da Livraria Cultura do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Ela, que é brasiliense radicada na capital paulista, obteve 10.779 votos, ou 42,5% da votação feminina.

Em segundo lugar ficou Cintia Fer, atriz de Cabaret, o Musical, em cartaz no Espaço Cia. das Artes, em São Paulo, com 10.447 votos, ou 41,2% do total.

Já Lucas Andrade é ator da peça Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada, do Teat(r)o Oficina, de São Paulo. O paulistano obteve 1.957 votos, o que corresponde a 42,1% da votação.

Em segundo lugar, ficou Gabriel Staufer, ator de O Grande Circo Místico, em cartaz no Theatro NET São Paulo, com 1.724 votos, o que corresponde a 37,1% da votação.

Em breve, você verá os vencedores aqui no blog.

Parabéns aos ganhadores e a todos que concorreram!

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la tristura materia prima Cinco peças do Mirada sobem a serra rumo a SP

Pré-adolescentes falam texto de adultos na peça espanhola Matéria Prima: curtíssima temporada no Teatro Anchieta do Sesc Consolação nesta terça (9) e quarta (10) no Extensão Mirada em SP - Foto: Mário Zamora

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Santos

Não só os moradores da Baixada Santista podem ter acesso a peças do Mirada 2014, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos.

A mostra, que vai até o dia 13 com 40 peças de 12 países, selecionou algumas montagens para subirem a serra e conquistarem palcos da capital paulista e de unidades no interior de São Paulo.

A partir desta terça (9) começa a programação do Extensão Mirada, com cinco diferentes peças até 21 de setembro em cinco unidades do Sesc São Paulo: Bom Retiro, Campo Limpo, Consolação e Pompeia, na capital, e São José do Rio Preto, no interior.

Estão na programação viajante as peças Matéria-Prima/Espanha (Sesc Consolação, dias 09 e 10/09), El Husar de la Muerte/Chile (Sesc Campo Limpo, dia 14/09), SPAM/Argentina (Sesc Bom Retiro, dias 17 e 18/09), El Vientre de la Ballena/Colômbia (Sesc São José do Rio Preto, dia 17/09); Sesc Pompeia dias 20 e 21/09) e La Imaginación del Futuro/Chile (Sesc Consolação, dias 24 e 25/09).

Os ingressos do Extensão Mirada custam de R$ 12 a R$ 40.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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Utopia Foto Dani Sandrini 3614 Crítica: Maria Pagés põe fogo no palco do Teatro Coliseu com flamenco contra a caretice do mundo

Maria Pagéns dança no Teatro Coliseu, em Santos, durante o Mirada 2014: em seu corpo a dança flamenca ganha contornos inimagináveis, como as da das curvas no concreto de Oscar Niemeyer - Foto: Dani Sandrini

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

O vermelho que envolve o corpo da bailarina Maria Pagés é um grito de resistência contra a morte da utopia. Afinal, se não há mais a possibilidade de se sonhar com algo melhor, o que nos resta?

No corpo de Pagés, a dança flamenca ganha contornos inimagináveis tais quais os das curvas propostas no concreto do arquiteto Oscar Niemeyer, com o qual dialoga no espetáculo Utopia, um dos destaques do Mirada 2014, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos realizado pelo Sesc São Paulo até o próximo dia 13.

Na montagem, a coreógrafa e bailarina espanhola e seu grupo investigam os limites da ideologia impossível no embalo da onda que se ergueu no mar. O espetáculo, apresentado diante de um boquiaberto Teatro Coliseu, em Santos, no último fim de semana, é um convite ao sonho que não pode ser esmagado pela realidade mesquinha e conservadora.

Marcha careta

Ela faz isso muito bem ao substituir uma marcha militar repleta de caretas medonhas por samba solar. É um samba de beira de praia, acompanhado de forma vibrante pelos bailarinos. É a forma de Pagés dialogar com o Brasil e a cidade que a recebe.

O espetáculo assume nuances distintas. Vai do fogo puro a momentos de introspecção. E mesmo após o samba, no Brasil praticamente o fim de tudo, ela consegue voltar a momentos mais densos, um grande feito.

A música, executada ao vivo por Ana Ramón, Chema Uriarte, Fred Martins, José Fyty Carrillo, Juan de Mairena, Rubén Levaniegos e Sergio Menem enche ainda mais a dança de sentido em um diálogo que atinge diretamente o coração do espectador, tudo sob o comando de som minucioso de Albert Cortada.
 
Bailarinos entregues

Maria Pagés, que não é boba, além de ter José Barrios como assistente coreográfico, faz questão de ser cercada de um time de bailarinos cheios de paixão e que merecem ser nomeados: Eva Varela, José Barrios, José Antonio Jurado, Isabel Rodríguez, Maria Pagés, Paco Berbel e Rubén Puertas.

Juntos formam um conjunto coeso e entregue, merecedor dos aplausos fartos no final da obra e que enganaram até o operador da cortina do Teatro Coliseu, que teimou em fechá-la antes do tempo correto do fim da obra na sessão vista pelo R7. Mas nada que a força de Maria Pagés e seu grupo não tirassem de letra.

Utopia
Avaliação: Ótimo
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Crítica: Maria Pagés põe fogo no palco do Teatro Coliseu com flamenco contra a caretice do mundo

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

Leia a cobertura do R7 no Mirada

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