homem de la mancha joao caldas1 Crítica: O Homem de la Mancha é o musical do ano

Cena de O Homem de la Mancha: a melhor produção do ano no gênero musical tem entrada grátis no Teatro do Sesi-SP, na avenida Paulista, até 21/12; Miguel Falabella dirige elenco potente - Foto: João Caldas

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O público paulistano tem a possibilidade de ver sem gastar um só centavo o melhor musical apresentado na cidade neste ano de 2014. Trata-se de O Homem de la Mancha, adaptado e dirigido por Miguel Falabella do texto original de Dale Wasserman, com música de Mitch Leigh e letras de Joe Darion, encenado pela primeira vez em 1965 e com produção brasileira histórica em 1972, com Paulo Autran, Bibi Ferreira, Dante Rui e Grande Othelo, sob direção de Flávio Rangel.

Prestes a completar cinco décadas de vida, o espetáculo celebra os 50 anos do Teatro do Sesi São Paulo, onde fica em cartaz com sessões de quarta a domingo até 21 de dezembro de 2014.

cletoohomemdelamanchaFoto Joao Caldas Fº 137697 Crítica: O Homem de la Mancha é o musical do ano

Cleto Baccic, como o protagonista, Dom Quixote: momento importante na carreira do ator - Foto: João Caldas

O Homem de la Mancha de Falabella é um musical redondo, bem produzido. Além de ser puro entretenimento, traz consigo um discurso político inquietante e questionador da sociedade na qual vivemos. Para completar, conta com atuações memoráveis tanto no quesito artístico quanto técnico.

Elenco expressivo

O diretor conseguiu reunir elenco de peso, com nomes expressivos do mundo do musical brasileiro neste século 21. E é generoso com este, dando às atuações papel fundamental na obra. O trio de protagonista é irretocável.

Cleto Baccic constrói um Dom Quixote que exala verdade em cada "loucura". O ator dá intensidade ao personagem, fazendo com que cada palavra que diga tenha perspicácia e sabedoria embutida com nuance. Há evidente trabalho de corpo e voz. E presença de sobra.

O ator segura a obra sem esforço aparente. O que, por si só, é resultado de muito trabalho. Sem dúvida, o personagem de Dom Quixote é um dos grandes momentos na carreira do artista.

sara sarresFoto Joao Caldas Fo 137541 Crítica: O Homem de la Mancha é o musical do ano

Sara Sarres, domínio de voz, corpo e técnica - Foto: João Caldas

Por sua vez, Sara Sarres, outra experiente atriz dos musicais, transmite toda força que sua Aldonza, ou Dulcinéia, necessita para fazer par com Baccic. Tem domínio de voz, corpo e técnica. Com forte presença cênica, empresta altivez e dignidade à sua personagem prostituta e tão maltratada pela vida. Quem não se apaixonar por ela é porque não tem libido.

Mas o grande charme no trio de protagonistas é, sem dúvida, Jorge Maya. Na pele de Sancho, o fiel escudeiro de Dom Quixote, o ator arrebata a plateia com um carisma genuíno e um preciso tempo para comédia.

O restante do elenco segue atrás do ritmo do trio de protagonistas. E o faz muito bem. Guilherme Sant'Anna, com sua voz de trovão, é sempre uma aparição interessante. Carlos Capeletti, mesmo em papel pequeno, se faz presente e mostra seu domínio do humor.

Outros grandes nomes dos musicais também aproveitam bem o que têm e mostram serviço, gente como Frederico Silveira, Ivan Parente (que segurou muito bem o posto de protagonista na produção anterior de Falabella, A Madrinha Embriagada) e Kiara Sasso, uma das estrelas do gênero, agora em um papel simples, mas que ela sabe potencializar.

Coro vigoroso

O coro segue no mesmo ritmo. Mesmo no fundo, no alto de uma escada ou num canto escuro do palco, estão todos ali, vivenciando cada emoção que a obra propõe. E o público percebe esse vigor dos artistas e se envolve com a história.

Por isso, merecem citação nome por nome: Ivanna Domenyco, Edgar Bustamente, Frederico Reuter, Arízio Magalhães, Fabi Bang, Luciana Milano, Anelita Gallo, Clarty Galvão, Carol Isolani, Ingrid Gaigher, Jana Amorim, Mariana Saraiva, Naomy Schölling, Elton Towersey, Ditto Leite, Felipe Guadanucci, Johnny Camolese, Jessé Scarpellini, Julio Mancini, Lázaro Menezes, Marcelo Góes, Pedro Arrais, Philipe Azevedo, Tiago Kaltenbacher, Tony Germano, Ygor Zago e Vandson Paiva.

Técnica em harmonia

Na parte técnica, Claudio Bauzys faz uma direção musical que faz a história fluir em ritmo harmonioso, e o mérito também é de Gabriel D'Angelo, que criou o desenho de som da obra. Nada soa agressivo, é tudo um fluído constante. Destaque para o talento da orquestra regida por Ronnie Kneblewski.

homem de la mancha joao caldas2 Crítica: O Homem de la Mancha é o musical do ano

Cena do musical O Homem de la Mancha: produção nacional de musicais mostra sua excelência - Foto: João Caldas

Kátia Barros, por sua vez, mostra criatividade revigorante nas coreografias que o elenco executa de forma precisa. Ultimamente, os musicais andam repletos de coreografias preguiçosas e ver este trabalho em cena é um alento a quem aprecia a dança.

A estética do musical teve forte inspiração na obra de Arthur Bispo do Rosário, ícone das artes plásticas brasileiras que passou a vida inteira internada num manicômio.

Ela está nos figurinos do emblemático Claudio Tovar, que exalam brasilidade em cada tela e são peças fundamentais na ambientação, dialogando constantemente com o cenário de Matt Kinley — outro achado diante dos pavorosos cenários de LED ou de plataformas de madeira que enfeiam muitos musicais em São Paulo.

Também merece menção a luz envolvente e inteligente de Drika Matheus, que dialoga diretamente com cada emoção da peça. E, em muitos momentos, a transforma em pintura.

O Homem de la Mancha é uma produção que mostra o nível de excelência conquistado pelo teatro musical nacional, que nada fica a dever para qualquer outro feito no exterior. Ele só precisa de apoio. De gente que acredite que é possível. E mostra isso ao fazer um clássico mundial com nossa pitada brasileira em uma resultado de qualidade inquestionável.

homem de la mancha joao caldas3 Crítica: O Homem de la Mancha é o musical do ano

O Homem de la Mancha: musical do ano de 2014 deve ser visto por todos - Foto: João Caldas

O Homem de la Mancha
Avaliação: Ótimo
Quando: quarta a sexta, 21h; sábado, 17h e 21h; domingo, 19h. 105 min. Até 21/12/2014
Onde: Teatro do Sesi-SP (av. Paulista, 1313, São Paulo, tel. 0/xx/11 3284-9787)
Quanto: Grátis (reservar pelo site ou telefone)
Classificação etária: 10 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Crítica: O Homem de la Mancha é o musical do ano

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rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto1 Celular no teatro perturba atores e público?

Rodolfo García Vázquez, dos Satyros: ele deixa público entrar com celular ligado - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator está no palco, no meio da mais dramática cena da obra e eis que um celular toca. Ou então, naquela cena onde a escuridão é fundamental, alguém mexe no celular, que logo acende sua potente luzinha de tela. E há mais: aqueles que teimam em gravar e fotografar a peça sem estarem devidamente autorizados e só param quando são repreendido pela produção ou, pior, pela segurança. O blog já viu todas estas cenas descritas em teatros nos quatro cantos do Brasil, do mais underground ao mais comercial.

Por mais que os avisos sonoros sejam dados antes de as sessões começarem, sempre tem algum esquecido, teimoso ou engraçadinho que teima em ficar com o celular ligado durante a peça.

juliana galdino daniel seabra Celular no teatro perturba atores e público?

Juliana Galdino parou peça para que senhorinhas desligassem o celular - Foto: Daniel Seabra

Atriz parou a cena

No mês passado, a atriz Juliana Galdino, que encenava Tríptico Samuel Beckett, no Espaço Sesc de Copacabana, no Rio, ficou revoltada com um grupo de senhorinhas.

Estas mexiam no celular, iluminando toda a plateia, com a peça em andamento. A atriz fez questão de parar a cena e pedir para que as tais senhoras desligassem seus aparelhos, como noticiou a colunista carioca Anna Ramalho. E só depois continuou a peça.

Ironia fina

A diretora Juliana Sanches, da peça América Vizinha, do Grupo XIX de Teatro, apresentada este mês em São Paulo, resolveu incorporar o celular à montagem. Não os dos espectadores, mas, sim, os dos próprios atores, que faziam cada qual uma selfie com o público de fundo na cena final. Uma crítica potente ao exibicionismo solitário da pós-modernidade.

Para o crítico Átila Moreno, que presencia constantemente este tipo de situação nos teatro cariocas, isso "é inadmissível".

— Imagina se um cirurgião parasse para atender o celular no trabalho? Eu acho que faltam bom senso e postura das pessoas de se colocarem no lugar do outro. Toda a equipe fica meses se preparando para apresentar a peça no palco. E aí alguém na plateia deixa o celular tocar. Eu não tolero.

América Vizinha 2097 crédito Adriana Balsanelli Celular no teatro perturba atores e público?

Ironia? Elenco da peça América Vizinha, do Grupo XIX de Teatro, faz selfie em cena - Foto: Adriana Balsanelli

Autorizado para estar de celular ligado

Diante do novo cenário, algumas montagens tentam se adaptar ao novo público. Caso do grupo paulistano Os Satyros. O diretor Rodolfo García Vázquez diz que não vai proibir o celular e que tenta lidar com essa realidade, pelo contrário, incorpora o celular à estética da obra.

— O mundo está em outro momento. Não posso falar: “não ligue o telefone” para meu público. Eu tenho é de fazer um espetáculo tão bom que a pessoa não queira ligar o telefone!

phedra Celular no teatro perturba atores e público?

Phedra D. Córdoba: dependendo da peça, ela deixa o celular, para ninguém a chamar de retrógrada - Foto: Bob Sousa

Na peça Hipóteses para o Amor e a Verdade, que acaba de virar filme homônimo que está sendo exibido na Mostra Internacional de Cinema, o público era encorajado a deixar o celular ligado o tempo todo. A atriz cubana Phedra D. Córdoba, que participou da peça e do filme, diz que, nestes casos, aceita o celular ligado.

— Quando é uma peça que o diretor pediu, tudo bem, porque o diretor quer essa modernidade em cena. Eu sou antiga, né? Mas aceito para não dizerem que sou retrógrada. Mas, em peças que a produção pede para desligar o celular, tem de ter educação e respeito em não deixá-lo tocar e nem com a luz acesa. Porque aí não estou de acordo.

"Dá muito desgosto"

O ator Fagundes Emanuel, que fez peça Nossa Cidade com o exigente Antunes Filho e atualmente está na novela Geração Brasil, na Globo, diz que "não é contra a tecnologia" e lembra que Zé Celso, em seu Teat(r)o Oficina, pede que os celulares fiquem ligados "junto com todos os sentidos".

Ele também lembra que os Parlapatões também dizem, com muito bom humor "não desliguem os celulares, vai que tua mãe ou algum familiar precise de ajuda".

— Quando o artista se propõe a essa e outras interações é interessantíssimo. Mas em uma peça que foi pedido para o celular ser desligado e alguém esquece, quando ele toca se quebra todo o clima.

Fagundes já passou por este tipo de situação.

— Desconcentra muito e já me ocorreu algumas vezes. E quando a pessoa está com pressa para ir embora e fica mandando mensagem para alguém? Dá muito desgosto. E a luz do celular é tão forte que o espectador fica mais iluminado do que os atores no palco [risos].

fagundes emanuel Celular no teatro perturba atores e público?

Fagundes Emanuel: quando o celular toca ou acende a luz "dá muito desgosto"- Foto: Miguel Arcanjo Prado

Você acha correto ficar com celular ligado no teatro?

  • Sim, vai que acontece alguma coisa e alguém precisa me avisar.
  • Não, é uma falta de educação e um desrespeito com os artistas.
  • Depende, se a peça permitir, tudo bem, agora, se o diretor pede para desligar, é bom respeitar.

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carolina de lorca Peça Carolina, de Lorca questiona maternidade

Carolina, de Lorca: reflexões sobre o papel social da mãe - Foto: Guto Muniz

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Gerar um filho costuma ser algo inquietante, sobretudo para mulheres artistas. De uma forma ou de outra, essa mudança na vida feminina reflete na obra produzida.

No caso da atriz e bailarina Carolina Corrêa, a gestação, com seus anseios e conflitos, foi parar no palco.

Ela está só no palco na peça Carolina, de Lorca, dirigida por Léo Kildare Louback e Antônia Claret, com realização do Grupo dos Dois.

Após fazer temporada em Buenos Aires e no Rio, a obra está em cartaz em Belo Horizonte neste sábado (18), 20h, e domingo (19), 19h, no Auditório do Centro de Referência da Moda (r. da Bahia, 1149), com entrada gratuita.

Quem pensa que a peça apresenta apenas uma visão lugar-comum da maternidade se engana.

Louback, também dramaturgo da obra, afirma que há “muita espera, dor e sofrimento na mulher obrigada a parir o menino, a ser mãe, atenciosa, competente e tudo o que o papel social pede, enquanto, muitas vezes, ela gostaria de estar em algum outro lugar da existência”.

A montagem buscou referências distintas, que passam pelo teatro documental e a performance, além de flertar com dança, música e cinema e, como entrega o título, com a obra de García Lorca, sobretudo a personagem Yerma, que lida com as questões da maternidade e se mescla à própria atriz no palco.

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coluna doze homens Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Doze Homens e uma Sentença está de volta no Teatro Nair Bello, em São Paulo - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Cadeia ou liberdade?
Uma das melhores peças dos últimos tempos, Doze Homens e Uma Sentença volta ao cartaz com elenco novo em São Paulo. A direção é de Eduardo Tolentino de Araújo. Com Norival Rizzo, Zécarlos Machado, Riba Carlovich, Adriano Bedin, Augusto Cesar, Brian Penido Ross, Fernando Medeiros, Gustavo Trestini, Ivo Muller, Manolo Rodrigues, Oswaldo Ávila, Ricardo Dantas e Rodolfo Freitas. Ufa.

Até quando?
Doze Homens e uma Sentença fica até 7 de dezembro, sexta e sábado, 21h30, e domingo, 18h, no Teatro Nair Bello do shopping Frei Caneca. A peça já teve no elenco o saudoso Zé Renato. O enredo mostra a reunião secreta de um titubeante júri que precisa decidir se o réu é culpado ou inocente. O ingresso é R$ 50 na sexta e no domingo e R$60 no sábado. Vai, gente.

Peça nova
Kiko Marques marcou para o próximo dia 25 de outubro, às 20h, a estreia da peça FazDeConta, que ele dirige. Será no Instituto Cultural Capobianco, no Anhangabaú. O texto é do britânico Alan Ayckbourn, queridinho do teatro mundial por sua perspicácia. Um detalhe: no elenco está Fernando Neves, do grupo Os Fofos Encenam. Esse povo do teatro adora um troca-troca...

Resume pra gente?
Na peça, em uma noite de tempestade, Justin e Julie-Ann irão anunciar formalmente seu noivado aos pais. Aí, uma visita inusitada faz com que se descortine diante do rapaz o futuro assustador que o espera com este casamento. Igual a muito relacionamento por aí. Ai, que medo!

Agenda Cultural da Record News

Trem de Minas
Reiner Tentente, ator experiente do mundo dos musicais, dará workshop em Belo Horizonte, neste sábado, na CASA (Centro de Artes Savassi). Quem faz a produção do curso é Suellen Ogando, a espevitada atriz mineira que vive fazendo aparições na TV.

Ausências
Na estreia do filme Hipóteses para o Amor e Verdade, todo mundo comentou a ausência da atriz Cléo De Páris, uma das estrelas do primeiro longa do Satyros. Outro do elenco que não pode ir foi o ator Tadeu Ibarra. E a estreia do filme caiu justo no aniversário dele.

Corre-corre
Robson Catalunha, também ator do filme, chegou esbaforido na última hora. Esse menino não para.

Divando
Phedra D. Córdoba estava linda, magra e diva. Recebeu cumprimentos de todos assim que o filme acabou. E fez questão de reforçar: ela está em dois filmes, já que o documentário Cuba Libre, que conta sua volta a Havana, estreou algumas semanas atrás. Essa Phedra é danada, né?

Carne Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Maria Carolina Dressler e Fernanda Azevedo em cena da peça Carne: questões femininas - Foto: Divulgação

Esse mundo é meu!
Depois de criticar a multinacional petrolífera ao receber o Prêmio Shell de Melhor Atriz neste ano, Fernanda Azevedo anda trabalhando como nunca. Agora, a atriz faz par com a colega Maria Carolina Dressler na peça Carne, da Kiwi Cia. de Teatro. Fernando Kinas dirige a montagem que fala sobre a opressão das mulheres. E ainda expõe a violência de gênero, infelizmente ainda tão comum no Brasil.

Adeus, Frida
Maria Carolina Dressler mal teve tempo de deixar Frida Kahlo, personagem que fazia na peça América Vizinha, do Grupo XIX de Teatro, e já caiu na estrada na companhia de Fernanda Azevedo. Carne fica em turnê até 1º de novembro. Elas se apresentam nas seguintes cidades: Catanduva (17/10), Buritama (18/10), José Bonifácio (19/10), Vargem Grande do Sul (23/10), Itapetininga (24/10), Palmital (30/10), Piraju (31/10) e Pompeia (1º/11). Anotou tudo direitinho? Porque como diz o coleguinha Marcelo Rezende, dá trabalho pra fazer...

Conselho de classe
A coluna pede que ninguém se mate por conta das eleições. Espera com fé que o dia 26 vai chegar. E vai passar.

colunafoto help bortz 01 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Peça Selvagens - Homens de Olhos Tristes fará sessão beneficente em São Paulo - Foto: Divulgação

Caridade
A peça Selvagens - Homem de Olhos Tristes resolveu fazer sessão beneficente nos dias 22 e 23 de outubro, sempre às 21h, no Club Noir, no centro paulistano. O espectador só precisa levar um quilo de alimento ou uma roupa em bom estado e trocar por um ingresso. Tudo será doado para a Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social). Porque, como dizia a Hebe, coisa boa a gente doa.

Sem choro nem vela
O grupo Coisa Antiga faz show no dia 25 de outubro, às 18h, no Memorial da América Latina, na Barra Funda, em São Paulo. A entrada é gratuita. O projeto de eventos com chorinho de Luis Avelima quer transformar o lugar, todo fim de tarde de sábado, em uma verdadeira meca do estilo musical. No repertório, estarão Pixinguinha e Waldir Azevedo. Estão todos convidados.

Bocejo
O Núcle Arte Ciência no Palco gosta de misturar teatro e educação. Na próxima quarta (22), estreia a peça Matéria Obscura, no palco do tradicional Teatro de Arena Eugênio Kusnet, no centro de São Paulo. A trama acontece no mágico intervalo que existe entre a vigília e o sono. Aquele que quando você viu já dormiu. Tipo na sala de aula...

coluna florilegio oto Joao Caldas Fo 2013a Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Florilégio: espetáculo homenageia a era de ouro do rádio brasileiro - Foto: João Caldas

Repertório
Cartola, Ataulfo Alves, Zé Keti, Dorival Caymmi, Assis Valente, Lupicínio Rodrigues... Não se trata de uma coletânea que será lançada, mas da volta do espetáculo Florilégio aos palcos paulistanos. No elenco, estão Carlos Moreno, Mira Haar e Patricia Gasppar. A nova temporada é no Teatro Alfa, até 30 de novembro. Sempre sábado e domingo, 20h, com ingresso a R$ 40. Viva a música brasileira.

Manos e minas
A Sala Renê Gumiel da Funarte de São Paulo recebe o projeto Identidade Hip Hop neste fim de semana dentro da Ocupação Ambargris - Cerco Choreográfico. É só chegar lá.

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Espetáculo paulista Sabiás do Sertão está fazendo sucesso Brasil afora - Foto: Divulgação

Mala feita
Depois de chamar a atenção do público e da crítica em importantes festivais teatrais neste ano, a Cia. Cênicas ganhou o ProAC para circular pelas ruas. Só nos próximos dias, o grupo estará em Florianópolis, em Caraguatatuba e Araçatuba, estas duas últimas no interior paulista. Vão apresentar Sabiás do Sertão e Auto da Anunciação. Em novembro também estão com a agenda cheia, vão passar por Ponta Grossa, no Paraná, e Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. É viagem que não acaba mais.

Mala desfeita
Depois de rodar esse mundão de Deus e enfrentar as mais diversas temperaturas e condições climáticas por conta do Palco Giratório do Sesc, os integrantes do Grupo Magiluth já descansam em suas respectivas residências em Recife.

magiluth Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Após meses na estrada, os meninos do Magiluth descansam (ou não) em Recife - Foto: Divulgação

Você acha certo brigar com amigo por conta da eleição?

  • Sim, se ele não pensa como eu não tem como sermos amigos.
  • Não, acho que amizade mora acima de política.
  • Ai, que complicado...Depende do que ele disser...

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mostra 10 Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra
O diretor Rodolfo García Vázquez e o roteirista e ator Ivam Cabral: filme na Mostra - Foto: Edson Degaki

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A turma da praça Roosevelt invadiu a rua Augusta. Na noite desta quinta (17), artistas do palco foram à sala 4 do Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo, para assistir à estreia do filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, do Satyros Cinema, com direção de Rodolfo García Vázquez e roteiro de Ivam Cabral. O fim da exibição foi prejudicado por um funcionário da Mostra Internacional de Cinema (entenda o porquê). Entre os convidados, estavam amigos do grupo e integrantes do elenco do longa. Ausências de Nany People e Cléo De Páris foram sentidas. Veja quem apareceu por lá:

Leia também a crítica do filme!

mostra12 Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra

Gustavo Ferreira e Paulinho Faria, do elenco de Hipóteses para o Amor e a Verdade - Foto: Edson Degaki

lorena borges phedra d cordoba Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra

Lorena Borges e Phedra D. Córdoba acompanharam o lançamento - Foto: Edson Degaki

 

mostra 1 Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra

O ator Ivam Cabral abraça o colega Fábio Penna, à esquerda, o ator Henrique Mello - Foto: Edson Degaki

mostra 5 Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra

Público vê Hipóteses para o Amor e a Verdade: à esq., em primeiro plano, o ator Paulinho Faria - Foto: Edson Degaki

mostra 13 Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra

O ator Tiago Leal, que vive um homem de classe média paulistana no filme - Foto: Edson Degaki

 

mostra 11 Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra

O ator Ivam Cabral e o psicanalista Contardo Calligaris depois da sessão - Foto: Edson Degaki

mostra 91 Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra

Público paulistano acompanha atentamente a chegada do Satyros ao cinema na Mostra 2014 - Foto: Edson Degaki

 

mostra 14 Turma do teatro prestigia filme do Satyros na Mostra

O ator Robson Catalunha, que interpreta um jovem depressivo no filme - Foto: Edson Degaki

Você acha que o grupo Satyros se dará bem no cinema tanto quanto no teatro?

  • Sim, eles são talentosos e ousados. Vão arrasar nos cinemas também.
  • Não, acho que o forte do grupo é só o teatro.
  • Sei lá, ainda não tenho uma bola de cristal!

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agenda cultural 17 10 2014 Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 17/10/2014

Miguel Arcanjo Prado conta para Lidiane Shayuri as dicas da Agenda Cultural - Foto: Divulgação

Sexta-feira é dia de Agenda Cultural na Record News. Miguel Arcanjo Prado conta para Lidiane Shayuri, no Hora News, as melhores dicas em todo o País. Tem Marcia Castro em Salvador, a performance 436, de Alexandre D'Angeli em São Paulo, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme Na Quebrada e ainda: o drama francês Por uma Mulher e a animação Festa no Céu. Com edição de Aline Rocha Soares. Veja o vídeo:

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geisy arruda cuca Quem deveria ser a nova Cuca?

Geisy Arruda e a nova Cuca do Sítio do Pica-pau Amarelo: ela ficou a cara da personagem? - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A família de Monteiro Lobato deve estar feliz. Afinal, o assunto virou um só no mundo das celebridades: muita gente acha que a nova franja de Geisy Arruda deixou a loira a cara da Cuca, a vilã do Sítio do Pica-pau Amarelo. A personagem é uma das mais emblemáticas do mundo infantil, sempre muito vaidosa com seu cabelo comprido e loiro, enquanto planeja maldades para Emília, Narizinho, Pedrinho e toda a turma do Sítio. No embalo da brincadeira, o blog pergunta a você: quem deveria ser a nova Cuca? Vote e se divirta!

Quem deveria ser a nova Cuca?

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Alexandre DAngeli performance 436 foto Léo Pinheiro 5 Entrevista de Quinta   Desmemória com ditadura é conveniência política, diz Alexandre DAngeli

O ator e performer Alexandre D'Angeli: lembrança de tempos tenebrosos no Memorial da Resistência, na Luz, em São Paulo, entre 19 e 25 de outubro, na performance 436, com entrada gratuita - Foto: Léo Pinheiro

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi na escola que o artista Alexandre D'Angeli descobriu que havia passado sua infância durante um dos mais tristes períodos da história brasileira: a ditadura civil-militar. Foi naquele momento que ganhou a consciência política que sempre invade sua arte.

Ele coloca o dedo na ferida ao realizar, entre 19 e 25 de outubro, a performance 436, com entrada gratuita. O título remete ao número de pessoas desaparecidas ou assassinadas pelo regime ditatorial que serão lembradas no ato, que contará com a participação do público, confeccionando 436 máscaras com ele, uma com o nome de cada vítima.

O lugar não poderia ser mais apropriado: o Memorial da Resistência (largo General Osório, 66, Luz), onde funcionou o temido Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (Deops/SP), centro de torturas da ditadura. Hoje, o lugar é uma espécie de museu que se dedica a mostrar a todos os brasileiros de hoje e do futuro que o horror é possível.

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, Alexandre D'Angeli, que além de ator é bonequeiro e figurinista, fala sobre a performance 436, a ditadura que vigorou entre 1964 e 1985 e a nova onda de conservadorismo que invade o País.

Leia com toda a calma do mundo.

Alexandre DAngeli performance 436 foto Léo Pinheiro 8 Entrevista de Quinta   Desmemória com ditadura é conveniência política, diz Alexandre DAngeli

Cada máscara terá o nome de um desaparecido político durante a ditadura - Foto: Léo Pinheiro

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tinha qual idade na época da ditadura, se lembra dessa época?
ALEXANDRE D'ANGELI — Estava com um ano de idade quando terminou o governo Médici em 1974, que foi o final do chamado “anos de chumbo”. Em 1979, quando iniciei no ensino fundamental e por viver numa cidade pacata do interior de São Paulo, não imaginava que essas atrocidades aconteciam.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quando você entendeu o que foi a ditadura?
ALEXANDRE D'ANGELI — Em 1985, o colégio onde eu estudava organizou uma semana para discutir a importância e se colocar a favor da luta pela anistia de políticos brasileiros e a respeito das eleições diretas para presidente da República. O tema me mobilizou de tal forma que naqueles dias participei de todas as atividades da programação e deixei loucos meus professores, tamanha minha curiosidade sobre o assunto.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Dá pra ver que você era uma criança interessada...
ALEXANDRE D'ANGELI — Além disso, havia em mim uma surpresa de tudo aquilo ter ocorrido durante minha infância, de ser algo tão próximo. De certa forma, fiquei aliviado por ter minha família sempre ao meu lado, imaginando o quão triste seria crescer sem tê-los por perto em razão de perseguições políticas. Penso que foi aí que comecei a ser mais crítico com o que lia e via sendo veiculado nos telejornais. Havia mesmo muitos elementos que caracterizavam aquilo como ditadura e não apenas como uma situação de autoridade.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem alguma história familiar com a ditadura?
ALEXANDRE D'ANGELI — Não. Apenas relatos. Minha mãe, que era uma jovem estudante em 1968, conta que havia um professor contra o regime, que em sala de aula atentava para os que quisessem criticar a política e a situação do país, que o fizessem apenas em sua aula, jamais em frente ao colégio. Outra situação que ela me contou é que houve um período, nos dias do golpe, que a volta para casa depois da aula era feita com escolta de militares do exército.

Alexandre DAngeli performance 436 foto Léo Pinheiro 4 Entrevista de Quinta   Desmemória com ditadura é conveniência política, diz Alexandre DAngeli

Artista Alexandre D'Angeli vai se encontrar com o público do Memorial da Resistência, para confeccionar máscaras que representam mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar - Foto: Léo Pinheiro

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que os brasileiros já se esqueceram dos horrores da ditadura?
ALEXANDRE D'ANGELI — Esquecer? Creio que não e penso que isso nem deva ser uma opção, sobretudo, pelo fato de cerca de 60% da atual população brasileira não ter vivido os tempos da ditadura. É necessário que se fale a respeito, que se conte o que realmente aconteceu e mantenha isso presente, conforme a frase dita por D. Paulo Evaristo Arns: “Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”. É importante destacar que neste momento, além de pesquisas, eventos e publicações; temos as Comissões em diversas instâncias, mobilizadas em descobrir a verdade, além das secretarias que avançam lentamente nas investigações, tensionando a Justiça brasileira na busca e punição dos culpados. Há diversos outros órgãos e institutos, como é o caso do Instituto Zuzu Angel e do Instituto Vladimir Herzog.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que, ao contrário de países como o Chile e Argentina, que mantêm sempre viva a memória dos anos de chumbo, o Brasil deixa essa parte de seu passado esquecida?
ALEXANDRE D'ANGELI — Há uma resistência que luta para que isso se mantenha no passado. Recentemente acompanhamos perplexos a liminar concedida pelo STF suspendendo a ação contra cinco militares reformados acusados pelo homicídio e ocultação de cadáver do ex-deputado Rubens Paiva. É triste e lamentável que ainda hoje isso ocorra – é a eternização da tortura, frase dita por Vera Paiva, filha de Rubens após saber da decisão. Do outro lado, temos iniciativas como é o caso do Memorial da Resistência de São Paulo, local onde realizo a performance 436, que desenvolve um trabalho maravilhoso e incansável. Um espaço de memória, que preserva registros importantes e está sempre mobilizado a desenvolver ações que nos sensibilizem para a compreensão e elaboração dos fatos. Um bom exemplo é a exposição 119 do artista chileno Cristian Kirby, que terá abertura neste sábado com 120 intervenções gráficas sobre fotografias de desaparecidos políticos durante a ditadura no Chile.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual o perigo desse esquecimento?
ALEXANDRE D'ANGELI — Prefiro chamar de “desmemória”, pois não é um esquecimento, mas uma conveniência política. Isso é ainda mais grave, pois nos distância da compreensão do que de fato ocorreu, impedindo que reconheçamos quais são as ferramentas usadas por um regime ditatorial. Essa “desmemória” também permite, por exemplo, que “Bolsonaros” sejam eleitos e o fato se reduza a mera discussão política, o que nos faz perceber qual o grau de despolitização e desconhecimento da sociedade. O grau de tolerância para com esses fatos e práticas repressivas do governo de São Paulo ocorridas durante os manifestos do ano passado é prova do quanto estamos anestesiados.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que você resolveu fazer essa performance?
ALEXANDRE D'ANGELI — Há tempos pensava em desenvolver 436. Na ocasião não tinha certo se seria uma ação performativa, mas me indignava muito pensar o que significa a condição de desaparecido para os familiares das pessoas que foram vítimas do regime militar. Sem dúvida, continuar desaparecido é a prova maior de que a repressão existe e ainda nos assombra. Dessa forma, quis criar uma obra onde pudesse materializar esse desejo. Os rostos de papel que monto durante a performance, – máscaras – estão destituídas de sua função cênica, como adereços que caracterizam tipos, personagens ou que faz referência à representação. Procurei utilizar a máscara como desejo pela presentificação, uma tentativa na busca da ideia “desse” outro – o desaparecido. Além disso, proponho pensar o esquecimento no sentido político, a partir do questionamento sobre o que se esqueceu ou o que deve ser esquecido, afim de que se possa construir novas memórias, menos amedrontadas e mais fidedignas ao que de fato ocorreu.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual a importância desse contato direto com o público para você?
ALEXANDRE D'ANGELI — Fundamental, tanto que tenho ampliado as ações em espaços públicos, como é o caso da intervenção OBJETOS DE VALOR que teve início no Terminal Rodoviário do Tietê durante a Virada Cultural de 2010, já passou por diversas cidades e Estados e em dezembro acontece na Avenida Paulista ou ainda LISTENING TO THE SHEEP SLEEPING, onde as pessoas podem deitar-se ao meu lado e escutar textos escritos especialmente para a obra pelo cartunista Caco Galhardo. A ação, que passou pelo Projeto É Logo Ali, do Sesc Ipiranga, retorna a partir de 7 de novembro na Casa das Rosas. Vale destacar, que uma ação performativa, como é o caso de 436, o público, ou a audiência, como costumamos chamar, pois as pessoas não irão ao Memorial para assistir a um espetáculo, mas para integrarem a obra. Os visitantes articulam como elemento colaborador para a existência daquela ação. A performance depende necessariamente da interação física e sensorial dessa audiência, sendo peça “construtiva” da proposição do artista, sem essa imersão a performance não se faz como performance.

Alexandre DAngeli performance 436 foto Léo Pinheiro 1 Entrevista de Quinta   Desmemória com ditadura é conveniência política, diz Alexandre DAngeli

"Em um encontro não há nada previamente definido", diz Alexandre D'Angeli sobre performance 436 - Foto: Léo Pinheiro

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você espera alguma reação das pessoas?
ALEXANDRE D'ANGELI — Trata-se de um encontro, portanto, a reação se dará no momento em que ambos estivermos frente a frente. Em um encontro não há nada previamente definido. O que há é uma grande preparação para manter-se disponível e sensível, pois será o Alexandre, performer e não um personagem, propondo e dividindo a montagem dos rostos de papel. Serão exatamente quatrocentos e trinta e seis encontros com pessoas desconhecidas e que continuarão desconhecidas, pois a ação prevê que não conversemos durante a ação. O que importa é a potência desse encontro e a peça resultante disso – a máscara.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quando foi a primeira vez que você foi ao Memorial da Resistência? O que sentiu?
ALEXANDRE D'ANGELI — Minha primeira visita se deu em 2010. Visitar a exposição permanente foi um mergulho em um dos recortes mais chocantes da história do País. Em diversos momentos senti calafrios ao saber das atrocidades que aconteceram naquele edifício, local que até 1983 sediou o Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (Deops/SP). Se pensarmos que memória não é algo confiável, é transitável, é humana, é social e, portanto, está suscetível ao esquecimento, locais como o Memorial da Resistência tem um papel fundamental na evolução política do país. Além disso, destaco a importância no que se refere a documentação, conservação e das ações de comunição desenvolvidas pelo Memorial por meio de suas exposições e núcleo educativo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você enxerga esse novo conservadorismo presente na sociedade brasileira? Você tem medo dele? Por quê?
ALEXANDRE D'ANGELI — Procuro estar muito atento a esses acontecimentos, sobretudo, quando esse conservadorismo motiva intolerância com as camadas menos favorecidas, como foi o caso da eleição de Marco Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Algo que me envergonha como cidadão. Creio ainda que isso não seja exclusividade só do Brasil, esse novo conservadorismo está presente em diversas partes do mundo. O que me preocupa são os poderosos instrumentos de convencimento e alienação, e o individualismo instaurado que não valoriza o convívio entre as pessoas e a importância do coletivo na sociedade.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que o Brasil pode vir a ter outra ditadura militar num futuro próximo?
ALEXANDRE D'ANGELI — Mais do que achar que podemos ter uma nova ditadura no país, prefiro admitir que há conflitos de interesse e que é necessário lutar fazendo resistência, nos mobilizando para afirmar os interesses ligados a preservação da vida e o exercício da nossa liberdade enquanto sujeitos. O que vejo e fico indignado é o quanto a força e a violência, armas que foram tão usadas pela ditadura, continuam sendo empregadas, sobretudo, nas ações comandadas pelo governo, em especial no Estado de São Paulo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Em quem você pretende votar no segundo turno? Por quê?
ALEXANDRE D'ANGELI — No primeiro turno votei em Luciana Genro do PSOL. Neste segundo turno, é certo que não votarei no Aécio Neves por um conjunto de ações que envolvem a ideia que o candidato tem sobre censura, corrupção, infração às leis ou ainda o histórico do seu governo em Minas Gerais nas áreas de Educação e Saúde, além de episódios ligados à violência contra a mulher.

Você acha que os torturadores da ditadura militar devam ser punidos?

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eleicoes atores teatro Eleições geram discórdia no teatro brasileiro

A partir do alto, em sentido horário: Pedro Vilela, Cléo De Páris, Leo Moreira Sá e Rodrigo Negrini: racha por conta do segundo turno das eleições para presidente chegou também na turma dos palcos - Fotos: Divulgação/Arquivo pessoal

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O clima não é dos melhores no meio teatral quando o assunto é o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo dia 26 de outubro. Assim como no resto do Brasil, os artistas estão em pé de guerra nas redes sociais. Tudo porque alguns votam em Dilma, outros em Aécio e ainda há os que não querem votar e são pressionados pelos dois lados.

As discussões prometem esquentar à medida que o pleito se aproxima. Há farpas por todos os lados. Mas também há demonstrações de amor ao candidato escolhido.

O apoio é mais explícito naqueles que votam em Dilma. Como os atores do Grupo Magiluth, de Recife, que trocaram suas fotos no perfil do Facebook por um retrato no qual suas imagens se fundem com a da candidata à reeleição.

Pedro Vilela, diretor da trupe pernambucana, ironizou, antes de postar um vídeo com o apoio de Chico Buarque à candidata do PT. "Enquanto os eleitores de Aécio postam vídeo com Alexandre Frota apoiando a candidatura, nos resta a doçura de Chico".

eleicoes leo moreira sa pedro vilela Eleições geram discórdia no teatro brasileiro

Leo Moreira Sá e Pedro Vilela: apoio à candidatura de Dilma em suas timelines - Foto: Reprodução

Já o ator e iluminador paulistano Leo Moreira Sá foi sucinto ao dizer porque vota em Dilma: "Se Feliciano está com Aécio, eu não estou", referindo-se ao deputado conhecido por sua homofobia latente e que apoia o tucano.

Mas também há fervor entre os fãs do PSDB. O ator Rodrigo Negrini, que acaba de fazer a temporada do musical Crazy for You com Claudia Raia, bradou em sua timeline: "Vai, Aécio!!!", assim que o nome do tucano foi confirmado no segundo turno. Ele aproveitou a frase para definir seu estado de espírito: "se sentindo esperançoso".

eleicoes cleo de paris rodrigo negrini Eleições geram discórdia no teatro brasileiro

Tucanos: Cléo De Páris e Rodrigo Negrini estão com Aécio no segundo turno - Foto: Reprodução

Outra tucana de carteirinha [e ex-petista, segundo relato da própria], Cléo De Paris, do grupo Os Satyros, já perdeu um monte de amigos virtuais nos últimos meses. Tudo por conta de seu posicionamento político. Cansada de tanto bate-boca virtual, esta semana ela avisou em sua timeline: "Amigo ou não, falou coxinha ou m... que corresponda NOS MEUS POSTS [com caixa alta mesmo], deletei". Recado dado.

O caminho da paz

Enquanto a guerra parece não ter fim, Zé Henrique de Paula, diretor do Núcleo Experimental, preferiu a paz.

Fez uma retirada elegante e até citou Guy Debord, autor do clássico A Sociedade do Espetáculo, de 1967 (se você não conhece, corra urgentemente para uma biblioteca próxima).

eleicoes ze henrique de paula Eleições geram discórdia no teatro brasileiro

Perfil do diretor do Núcleo Experimental Zé Henrique de Paula no Facebook está vazio - Foto: Reprodução

eleicoes ze henrique de paula eduardo enomoto Eleições geram discórdia no teatro brasileiro

Zé Henrique de Paula: Guy Debord para deixar rede social - Foto: Eduardo Enomoto

Zé Henrique se despediu assim: "E tchau pra todo mundo — me mandem e-mails ou me telefonem. Vamos tomar um café, uma cerveja, marcar um almoço, assistir a uma peça, fazer uma viagem, um projeto, uma pedalada. Mas fora daqui".

E postou o trecho abaixo do livro de Debord:

"Tudo que era antes vivido diretamente tornou-se mera representação. O espetáculo não é uma coleção de imagens; é a relação social entre pessoas que é mediada por imagens".

Você já brigou com algum amigo por causa da eleição?

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FOTO. CELINA GERMER 121 Vida Vlatt garante riso nas noites de sexta em SP

Vida Vlatt está de volta aos palcos na peça A Vida É uma Comédia - Foto: Celina Germer

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Ela ficou conhecida em todo o Brasil como a divertida empregada doméstica Ofrásia, no programa de Clodovil Hernandes.

Para quem anda com saudade de seu jeito despachado e divertido, Vida Vlatt está de volta aos palcos paulistanos, desta vez com o espetáculo solo A Vida É uma Comédia.

A nova montagem ocupa o Teatro MuBE Nova Cultural (r. Alemanha, 221, Pinheiros, São Paulo, tel. 0/xx/11 4301-7521). Tem sessão todas as sextas-feiras, entre 17 de outubro e 7 de novembro, sempre às 23h59.

A entrada custa R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia-entrada.

Além da serviçal divertida da TV, ela ainda interpreta outras personagens de seu repertório, como a vendedora Carmela, a retirante Severina, a esotérica Maria de Fátima, a culinarista Sarah Goldman e a menina peralta Magaléti.

Pelo jeito, riso não vai faltar para terminar a semana com muito humor.

Você se lembra da Ofrásia?

  • Sim, ela era a empregada do Clodovil.
  • Não, nunca vi esse nome na minha vida.

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