vera fischer Domingou: Deixem a Vera Fischer em paz!

Vera Fischer, na Marquês de Sapucaí, no auge da beleza de seus 62 anos, continua a nossa musa e tem o direito de beber o que quiser no Carnaval - Foto: Fernando Azevedo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Carnaval, como todo mundo sabe, é a festa da carne. Ou melhor, a festa dos prazeres da carne, como a etimologia do próprio nome diz. Daí a esbórnia coletiva quase obrigatória em todo o País e que faz do Brasil destino turístico de qualquer gringo que queira colocar as manguinhas de fora antes da Quarta-feira de Cinzas.

Jorge Amado, nosso grande escritor baiano, até nos definiu como O País do Carnaval, nome de um de seus inesquecíveis romances. Pois foi justo nesta terra e nesta época do ano, onde ver pessoas sóbrias nos desfiles e blocos é algo quase impossível, que surgiu a ideia de fazer de uma conhecida atriz o Judas da vez.

Vera Fischer, nossa eterna musa, no auge da beleza de seus 62 anos, surgiu um tanto quanto inebriada em uma entrevista na Sapucaí que logo virou hit na internet.

Na gravação, Vera, descontraidíssima, contou toda serelepe que havia resolvido sair de casa só para homenagear Boni, o ex-diretor da Globo homenageado pela escola de samba Beija-Flor. Tropeçando nas palavras e até mostrando a linguinha às vezes, Vera revelou que detesta multidão e que não tem mais paciência para os camarotes da avenida.

Vera estava bêbada, todos logo concluíram ao ver o vídeo, muitos chocadíssimos. Os amigos dela até tentaram dizer que foi uma queda de pressão, e não a bebida, que obrigou a atriz a deixar o sambódromo carregada. Ninguém acreditou e, logo, os juízes de plantão acusaram a musa de dar vexame. Como pôde Vera Fischer surgir bêbada assim no Carnaval?, questionaram os cuidadores da moral alheia.

Mas, minha gente, a pergunta a se fazer é outra: como há gente hipócrita assim no Brasil e, ainda mais, em pleno Carnaval? A quem ocorre a ideia de julgar Vera Fischer por ter bebido na madrugada na Sapucaí?

Qualquer um que já esteve num desses camarotes patrocinados por cervejaria e apinhados de celebridades sabe que beber é quase que obrigatório para suportá-los.

E outra coisa: quem pula Carnaval geralmente bebe. Tanto que esta é a época de ouro de vendas para qualquer bebida alcoólica. Os blocos que agitam o Brasil não são feitos de pessoas sóbrias. Muito  pelo contrário. Daí, a conclusão: se todo mundo pode beber e se acabar no Carnaval, por que só a pobre coitada da Vera Fischer tem de manter a linha na folia? Ela deu um show de verdade, enquanto muitos famosos por aí fazem tudo escondido. É assim que tem que ser?

Por favor, deixemos todos a hipocrisia de lado e olhemos para a vida com um pouco mais de leveza e humor. Deixem a Vera Fischer em paz! Vera, beba o que você quiser. Você é dona de seu nariz e ninguém tem nada com isso.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e acha que hipocrisia não combina com Carnaval. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

 

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sobre o conceito Crítica: Romeo Castellucci castiga a vida, destrói utopia e marca abertura da MITsp

Imagem observa cena e público com olhar sereno e onipresente - Foto: Klaus Lefebvre

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Nem a chuva torrencial que caiu sobre São Paulo entre o fim da tarde e o começo da noite da última sexta (7) impediu o público de lotar o Auditório Ibirapuera para a primeira sessão da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). O evento vai até o próximo domingo (16) com 11 espetáculos internacionais gratuitos em São Paulo.

A maioria do público da noite de pré-estreia era composta por estudantes das mais renomadas escolas de teatro da Grande São Paulo: a SP Escola de Teatro, a Escola de Arte Dramática da USP e a Escola Livre de Teatro de Santo André. Todos não se importaram de se submeter ao martírio de sair de casa em dia de dilúvio - e para completar era sexta-feira! - para ver de perto a criação do italiano Romeo Castellucci, um dos grandes nomes do teatro performativo.

Sobre o Conceito de Rosto no Filho de Deus, a peça que abriu a programação, traz a ousadia, a sensibilidade e a crueza que fizeram de Castellucci nome reverenciado em todo o mundo. A obra mostra um filho que tenta ir para o trabalho, mas precisa antes deixar o pai idoso confortável e limpo. O problema é que o senhor sofre de incontinência fecal, o que adia a saída do filho até o limite que ele possa suportar. Tudo isso sob o olhar voyeur da gigante pintura feita pelo também italiano Antonello de Messina (1430-1479) que retrata o rosto de Cristo, que observa onipresentemente público e cena.

Sobre o conceito de rosto no filho de Deus Foto Klaus Lefebvre 17 site Crítica: Romeo Castellucci castiga a vida, destrói utopia e marca abertura da MITsp

Jogo da vida em cena, por Romeo Castellucci, na abertura da MITsp, no Auditório Ibirapuera - Foto: Klaus Lefebvre

Castellucci leva os possíveis significados da palavra escatologia a níveis tão reais que a plateia fica mareada, mas segue firme diante da sensibilidade com que ele encadeia sua encenação. O diretor foge do maniqueísmo e não encerra as múltiplas interpretações da cena; dá a cada espectador o direito de ressignificar tudo o que vê. Assim, o choro, a culpa, a lembrança, a tristeza, o silêncio compungido e até uma sonora gargalhada nervosa ou desmiolada se tornam possíveis.

Em Sobre o Conceito de Rosto no Filho de Deus, o homem é posto em xeque diante de sua decadência física e religiosa. O filho, no auge de sua beleza e forma física é posto ao lado do pai, velho e decadente, que não pode sequer controlar suas funções fisiológicas. A velocidade da vida e seu triste fim são escancarados ao ponto de dar um nó na garganta do espectador. Não há certezas de nada, por mais que a imagem ao fundo pareça serena, cheia de compaixão. A vida não o é.

Castellucci castiga a vida, mostrando a crueza da condição humana junto das futuras gerações em confronto com a utopia. Um dos recados possíveis é que, independentemente do que se queira acreditar, caminhamos para um fim desesperançado e inevitável.

O conflito entre pai e filho apresentado é um jogo de carências que eles não conseguem preencher. Ambos medem forças. Existem apenas momentos. Que chegam. Atravessam. Há apenas gente, como diria Elis: "Vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas, aprendendo a jogar".

Sobre o Conceito de Rosto no Filho de Deus
Avaliação: Ótimo
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Crítica: Romeo Castellucci castiga a vida, destrói utopia e marca abertura da MITsp

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Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi publicada no Diário Oficial desta sexta (7) a lista dos contemplados na pré-seleção da 24ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro de São Paulo. Houve proposta de cortes nos valores propostos. Agora, os grupos aprovados precisam apenas adequar seus projetos aos novos valores. Eis quem levou:

Inscrição - Grupo - Valor Proposto - Corte - Valor Aprovado

6 - Folias d`Arte - 791.480,31 - 26,00% - 585.695,43
7 - Grupo Sobrevento - 661.468,50 - 17,00% - 549.018,86
21 - Kiwi Cia de Teatro - 541.937,82 - 17,00%  - 449.808,39
24 - Academia de Palhaços - 339.000,00 - 15,00% - 288.150,00
29 - Coletivo Território B - 548.921,00  - 17,00% - 455.604,43
44 - Cia Mungunzá de Teatro - 498.319,50 - 12,00% - 438.521,16
49 - Grupo Pandora de Teatro - 500.000,00 - 10,00% - 450.000,00
51 - Teatro Popular União e Olho Vivo - 840.000,00 - 30,00%  - 588.000,00
56 - Brava Companhia - 740.836,77 - 15,00% - 629.711,25
59 - Trupe Sinhá Zózina - 769.956,63 - 12,00% - 677.561,83
61 -  Cia Articularte – Teatro e Bonecos  - 444.395,93 - 25,00% - 333.296,95
62 - Pombas Urbanas - 804.878,00 - 30,00% - 563.414,60
68 - Capulanas Cia de Arte Negra - 601.650,06 - 12,00% - 529.452,05
73 - Velha Companhia - 615.266,10 - 30,00% - 430.686,27
75 - Buraco d`Oráculo - 762.606,47 - 17,00% - 632.963,37
80 - Pessoal do Faroeste - 554.000,00 - 22,50% - 429.350,00
95 - Projeto Bazar - 501.865,28 - 15,00% -  426.585,49
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coluna GÓLGOTA PICNIC 1 Foto Davir Ruano NET Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Espetáculo Gólgota Picnic, da Cia. La Carnicería, da Espanha, integra a programação da MITsp com direção de Rodrigo García; a peça tem 25 mil pães espalhados pelo palco como cenário - Foto: Davir Ruano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Teatro do bom grátis
A 1ª MITsp, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, começa neste sábado (8) e vai até o dia 16 com 11 peças internacionais gratuitas em vários palcos de São Paulo. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes de cada sessão. Nesta sexta (7), tem sessão exclusiva para convidados da peça Sobre o Conceito de Rosto no Filho de Deus, dirigida pelo italiano Romeo Castellucci. Outro destaque é a espanhola Gólgota Picnic, que tem 25 mil pães como cenário. Veja a programação completa!

Fomento
Saiu nesta sexta (7) a lista dos contemplados pelo Fomento ao Teatro de SP. Veja quem levou.

Hoje tem marmelada!
A Cia. Nau de Ícaros segue a ocupação no Sesc Pompeia, em São Paulo. Neste fim de semana, apresenta Os Artistas, com dois palhaços que divertem pais e filhos. No sábado (8) e domingo (9), às 17h.

Agenda Cultural da Record News

Tchau
A peça Bola de Ouro faz sua última sessão no Teatro Faap nesta sexta (7). A direção é de Marco Anônio Braz. A montagem é o primeiro texto do francês Jean-Pierre Sarrazac encenado no País. No elenco, estão Celso Frateschi, Walter Breda, Marlene Fortuna, Luiz Amorim e Carolina Gonzalez. Última chance.

Vinicius de Vida Amor e Morte 31 61   Miró Parma Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Fogo e paixão: peça vai mostrar a força de Vinicius de Moraes em São Paulo - Foto: Miró Parma

Poetinha
Já está tudo no ponto para a estreia da peça Vinicius de Vida, Amor e Morte, da Cia. Coisas Nossas de Teatro. É logo mais, na noite desta sexta (7), no Sesc Santo Amaro, em São Paulo, onde ficam em temporada até o fim do mês, sempre aos fins de semana. Dagoberto Feliz está todo prosa em dirigir o projeto. Salve, Vinicius!

Refestança 1
A festa Stapafúrdya, que anda fazendo sucesso entre a classe teatral, promete abalar as estruturas do Hotel Cambridge, no centro paulistano, na noite desta sexta (7). A balada vai celebrar os 25 anos do grupo Os Satyros, que estreia novo projeto no sábado (8), E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias. Leia entrevista exclusiva com o diretor Rodolfo García Vázquez sobre os espetáculos.

Refestança 2
No alto-falante da Stapafurdya “swings quentes tropicais e brasilidades com excitantes batidas”. O ingresso antecipado é R$ 20, na lista é R$ 25 (stapafurdya@gmail.com) e na porta sem lista custa R$ 30. A produção pede a quem deseja frequentar a festa ir “com leves e poucas roupas e, se desejar, fique sem também: o mais importante é que venha sem pudor e sem vergonha de ser feliz”. Recado dado.

coluna daniel viana Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Daniel Viana: de Shirley Temple no Carnaval

Quem perguntou?
O ator e escritor Daniel Viana, que já foi eleito Muso do Teatro R7, resolveu se vestir de Shirley Temple no Carnaval em homenagem à eterna atriz-mirim de Hollywood que morreu neste ano. Ao vê-lo fantasiado, uma amiga sem nenhum senso de humor vociferou seu preconceito: “Vi você vestido de mulherzinha no Carnaval. Acho horrível essas coisas”. Virou ex-amiga, é claro.

Sem lenço, sem documento
A atriz cearense Georgina Castro se jogou tanto na folia paulistana que terminou o Carnaval sem celular, chave de casa, identidade e cartão do banco. É que algum maldito espertinho aproveitou a muvuca para levar tudo. Mundo cruel.

Existe amor em SP
Georgina Castro escreveu para a coluna para contar que acharam sua carteira e devolveram seus documentos e os cartões também. Ufa!

Game over
Um amigo do ator Ed Moraes estava tão animado para ir curtir um bloco que deletou boa parte do que havia no computador do moço durante um dos esquentas para a folia. Ed entrou em desespero. Com razão.

Etiqueta carnavalesca
A coluna aproveita a onda foliã para estabelecer sete princípios de etiqueta carnavalesca que fariam bem a todos: 1º - Jamais reconheça um colega fantasiado, a menos que ele lhe cumprimente espontaneamente.  2º - Jamais comente de forma pejorativa a fantasia do amigo, lembre-se que Carnaval é época de deixar a caretice de lado. 3º - Jamais mexa no computador de seu amigo se estiver bêbado. 4º - Jamais leve todos os documentos e cartões de banco para a folia. 6º - Não fique se fotografando no bloco a cada instante. Tente vivê-lo. 6º - Não fique fotografando as outras pessoas do bloco, deixe as pobrezinhas curtirem o Carnaval em paz e sem chance de registro daquele momento lúdico para a posteridade. 7º - Se você não curte o Carnaval e prefere ficar no Facebook patrulhando a vida alheia, se esconda no meio do mato e desfrute sozinho de sua amargura.

colunaminimanual DMV 1594 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Alexandra Richter: de volta a São Paulo com comédia no Teatro Jaraguá, no centro - Foto: Divulgação

Viver a vida
Alexandra Richter, que está no ar na TV em Malhação, estreia nesta sexta (7), às 21h30, a comédia Minimanual de Qualidade de Vida. Ela faz sátira às palestras de autoajuda. Daniela Ocampo dirige a obra, que escreveu junto de Ana Paula Botelho.

Chumbo grosso
O Sesc Consolação fará a partir de 11 de março uma série de debates sobre os 50 anos do golpe militar no Brasil. Inscrições no site da instituição.

O drama de Ivam
Ivam Cabral quer retomar sua temporada de bafos no Facebook. É que o atore e diretor da SP Escola de Teatro não tem vontade de guardar a língua na boca. Ele foi sincero: “A vida anda tão chata que se eu começar a utilizar o espaço no Facebook para reclamar do País e de tudo que me aflige, esse perfil vai ficar insuportável”. A coluna dá todo o apoio a Ivam de falar o que bem entender.

festival de curitiba mariana e alice Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

As fofas Mariana e Alice vestiram a camisa do Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Mariela Kapper/Reprodução

Vestindo a camisa
Mariela Kapper, amiga de Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba, resolveu vestir suas filhinhas, as fofas Mariana e Alice, com a camisa do evento que começa no próximo dia 25 de março. As pequenas são fãs do teatro desde que estavam na barriga da mamãe. Mariela conta que são verdadeiras artistas: "São atrizes desde muito cedo, pois aqui em casa todo dia tem drama para mamar, comédia ao acordar e tragédia na hora de dormir!". A coluna já elegeu a linda dupla como as grandes musas do festival. São umas gracinhas, né?

Eu voltei
A peça Sala de Espera, dirigida por Thiago Franco Balieiro com a turma do Eco Teatral, volta ao cartaz nesta sexta (7), no Espaço dos Parlapatões, em São Paulo. No elenco, Chico Ribas, João Attuy, Luís Gustavo Luvizotto, Paulo Balistrieri e Rafael Lozano. Ficam por lá até 30 de maio, sempre às sextas, às 21h. O ingresso custa R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia-entrada. Ah, no sábado, no mesmo lugar à meia-noite, o grupo apresenta a peça Edgar. O valor da entrada é o mesmo também. Vai, gente.

coluna sala de espera giorgio donofrio Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Inspirada em Kafka, peça Sala de Espera está de volta no Parlapatões às sextas - Foto: Giorgio Donofrio

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rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto1 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez, na mesa de luz do Espaço dos Satyros Um: aposta no teatro expandido - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

O R7 chega ao escritório do grupo teatral Os Satyros, em cima de seu teatro, na praça Roosevelt, centro de São Paulo, e encontra o diretor Rodolfo García Vázquez em reunião com sua equipe. O relógio já passou das 14h e ele ainda não almoçou.

Assim que nos vê, aproveita a chegada da reportagem como desculpa para propor uma pausa para o almoço. Como o fotógrafo Eduardo Enomoto e eu já havíamos almoçado, aceitamos o convite para acompanha-lo em qualquer lugar onde se encontre comida nos arredores da praça que virou sinônimo da trupe de Rodolfo e Ivam Cabral, fundada há 25 anos.

Enquanto dá as últimas orientações, Rodolfo conta que mal teve tempo de comemorar seu aniversário, na terça-feira (4), tamanha a correria para a estreia do projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias, neste sábado (8), quando haverá uma maratona com as sete peças em sequência, cada uma representando um dos "sete mandamentos do mundo ciborgue", criados pelo grupo. Depois, cada uma vai ocupar um dia da semana no Satyros com entrada gratuita. Cada espetáculo tem um tema diferente e dramaturgia escrita por nome tarimbado de nossa sociedade. Um deles terá até "sexo ciborgue".

Assim que chega na calçada, Rodolfo se encontra com outro diretor, Alexandre Reinecke, que conta que também está ensaiando uma peça no teatro vizinho Parlapatões e dá um abraço de boa sorte no diretor dos Satyros.

Debaixo de chuva, chegamos a um restaurante na esquina da rua da Consolação com Nestor Pestana. Rodolfo pede bife à parmegiana com fritas e legumes salteados. A Entrevista de Quinta do Atores & Bastidores do R7 começa.

Leia com toda a calma do mundo.

jose sampaio evandro carvalho suzana muniz samira lochter marcelo maffei rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto3 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Tarde nos Satyros, com a maquete iluminada por pedaladas na bicicleta: (a partir da esq.) José Sampaio, Evandro Carvalho, Suzana Muniz, Samira Lochter, Marcelo Maffei e Rodolfo García Vázquez - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Como foi ganhar o Fomento [verba municipal de incentivo ao teatro; o Satyros obteve R$ 729 mil] para fazer este projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias?
Rodolfo García Vázquez –
Ficamos felizes. Até porque ficamos quatro anos sem ganhar. A última vez foi em Cabaret Stravaganza. E ainda mais por ganhar nestes nossos 25 anos.

Como o projeto surgiu?
Em 2009, começamos a pesquisar o que resultou a peça Hipóteses para o Amor e a Verdade, que virou filme que será lançado neste ano. Aí começamos com a pesquisa do Teatro Expandido. Percebemos que a humanidade está vivendo um outro momento. Nós não somos só os nossos corpos.

E somos o quê?
Nós somos o corpo mais as extensões tecnológicas dele. Não se pode viver mais na sociedade sem próteses cibernéticas. Acho que se a humanidade existe hoje assim, o teatro não pode passar ileso a isso. Na época do Hipóteses, a gente trabalhou com telefonia, ligava para o público, abria a internet em cena. É uma coisa que já vínhamos desenvolvendo. Cheguei a escrever um artigo sobre isso no primeiro número da revista A[L]BERTO, que é publicada pela SP Escola de Teatro [Rodolfo faz parte do time de formadores da instituição].

Para quem o Teatro Expandido quer falar?
Para a humanidade expandida. Em Cabaret Stravaganza a gente falava de cirurgia plástica, de internet, de medicamentos que as pessoas tomam e que criam novas personalidades para as pessoas. Tudo isso tem impacto e cria uma nova forma de ser humano. A noção de identidade não é só mais física, é também digital.

rodolfo garcia vazquez pablo benitez robo fabio ock bruno gael satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto21 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

A partir do alto, em sentido horário: Rodolfo García Vázquez se encontra com o colega Alexandre Reinecke na praça Roosevelt; o artista plástico uruguaio Pablo Benítez Tiscornia prepara os robôs; robô em cena no palco; e Fábio Ock e Bruno Gael terminam os vídeos do projeto - Fotos: Eduardo Enomoto

E quem compõe seu elenco?
Eu prefiro não chamar de elenco. Prefiro chamar de grupo de artistas. Temos umas 30 pessoas na equipe. São atores ciborgues falando para espectadores ciborgues. Os atores entram com celular em cena. Ele é uma prótese do ator.

Então, você não entrou na campanha contra o celular no teatro?
Eu não! Eu penso exatamente o contrário. O mundo está em outro momento. Não posso falar: “não ligue o telefone” para meu público. Eu tenho é de fazer um espetáculo tão bom que a pessoa não queira ligar o telefone!

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A energia dos Satyros: ator José Sampaio pedala para iluminar cidade-maquete - Foto: Eduardo Enomoto

Como são os sete espetáculos?
No sábado agora, vamos fazer todos em sequência, para a estreia, e depois, no primeiro mês, vamos fazer um por cada dia da semana, com entrada gratuita. São peças curtas, entre 45 e 60 minutos. Cada espetáculo partiu de um binômio da questão ciborgue e teve um texto de um provocador convidado.

Como assim?
Por exemplo, o primeiro, Não Amarás, partiu do binômio "amor e solidão". Os atores fizeram investigações a partir disso e o chamamos o psicanalista Contardo Calligaris para ser o provocador e escrever um texto. O segundo é Não Fornicarás, que aborda o sexo corporal e sexo digital, e teve texto da Rosana Hermann [colunista do R7]. O terceiro é Não Permanecerás, que aborda a relação espaço e tempo, com texto do jornalista Pedro Burgos. A quarta é Não Saberás, que fala de ciência e natureza, com texto do engenheiro genético Marcos Piani, que trabalhou no departamento de Defesa dos EUA. A quinta é Não Salvarás, que aborda fé e ateísmo e tem texto do escritor Xico Sá. A sexta é Não Morrerás, que aborda corpo e morte, com texto do médico Drauzio Varella. E, por último, a sétima é Não Vencerás, que fala de poder e individualidade, com texto da dramaturga Maricy Salomão.

Como você reuniu este time?
A gente já conhecia a maioria deles. Queríamos que escrevessem algo para eles mesmos. Lançamos um desafio e eles responderam.

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Rodolfo García Vázquez no escritório dos Satyros em meio à cenografia de E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias - Foto: Eduardo Enomoto

E vai ter mais peça nestes 25 anos dos Satyros?
Sim, estamos ensaiando um texto do seu colega [o jornalista] Sérgio Roveri, que se chama O que Vem com a Maré, que terá três versões assinadas cada um por um diretor, um deles sou eu e os outros ainda estamos definindo. Vamos estrear em abril. E ainda vamos ter um infantil.

Agora vamos para a parte polêmica. Que história é essa de “peça do Satyros terá sexo explícito”?
O que é sexo explícito neste novo mundo? Se você ligar para uma mulher num telefone de bate-papo e fizer sexo com ela, ela ter um orgasmo, isso é sexo explícito?

Eduardo Enomoto [fotógrafo do R7] – Eu acho que não.

Rodolfo García Vázquez – Por quê?

Eduardo Enomoto – Porque acho que sexo tem de ter contato, pegação. Senão é sexo virtual, ninguém enconstou em ninguém.

Rodolfo García Vázquez – É isso que estamos questionando. Estamos falando de sexo expandido.

Miguel Arcanjo Prado – Deixa eu ser mais claro, então: vai ter sexo físico, com penetração?
Rodolfo García Vázquez – Eu te devolvo a pergunta: qual é o nome do projeto? E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias. Não é E Se Fez a Humanidade Física em Sete Dias. Então, vai ter sexo ciborgue. Será a primeira peça de sexo explícito cibernético do teatro brasileiro.

Houve muito burburinho quando se falou no tal “sexo explícito” na peça de vocês... Teve gente que já saiu condenando...
A gente já passou dessa fase de se assustar com sexo. Gente, o povo não viu nossa Trilogia Libertina? [peças dos Satyros com versões para os textos de Marquês de Sade que marcaram a trajetória do grupo]. Já fizemos isso de sexo há muito tempo. Falar sem ver é fácil. É preciso ver o contexto. As pessoas estão muito caretas. Quando estávamos começando em 1990 fizemos A Filosofia na Alcova. Uma amiga me falou: “duvido que você tenha coragem de montar isso”. Mas isso já tem 25 anos! Como as pessoas ainda se preocupam tanto com isso? Naquela época a gente tinha 20 e poucos anos e queria barbarizar mesmo. Hoje, eu não estou mais nessa fase, é o que eu posso te dizer.

Acha que há muita censura até mesmo dentro da classe artística?
Olha, eu vou defender sempre a liberdade de expressão. Porque a direita está se organizando muito e ocupando lugares que a esquerda deixou livre para a direita ocupar. E estou com medo deste mundo de hoje.

rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto4 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez brinca com a boneca que integra a cenografia de sua obra - Foto: Eduardo Enomoto

Acha que as pessoas ainda não perceberam a força do mundo digital?
Eu sinto que as pessoas ainda não se deram conta do impacto brutal da ciência e da tecnologia em nossas vidas. Hoje você pode se confessar para o Papa pelo Twitter. A gente faz cenário com um aplicativo. Vou te mostrar [pega o celular e coloca um aplicativo que mostra o universo, com estrelas, planetas e constelações]. Olha isso, Miguel, se eu apontar para lá [virando-se para o balcão], ele me mostra que se eu for em linha reta eu chego em Júpiter. Isso é uma bússola astronômica.

O Galileu Galilei [astrônomo italiano, 1564-1642] iria cair para trás!
É isso que estou falando. Hoje qualquer um tem uma bússola astronômica! Você acha que tendo uma ferramenta como essa nas mãos eu vou me preocupar com pênis e vagina?

E como os atores reagiram à polêmica?
Eles ficaram com medo, é claro. Ficaram assustados. Porque teve gente de distorceu tudo. Olha, a gente já passou por muita polêmica na vida. E eu te digo uma coisa: Aqui nos Satyros nós não temos medo de polêmica!

Então me conta uma cena que você ainda não revelou para ninguém.
Está bom. Vou te contar. Tem dois atores vestidos de zebra. E eles simulam sexo. Aí, a gente transmite em tempo real para um site de encontros sexuais. E coloca essas pessoas que estão vendo no mundo todo ao vivo. Tem gente que gosta de ver duas pessoas vestidas de zebra transando. E até se masturba.

daniela machado carina moutinho suzana muniz rodolfo garcia vazquez vinicius alves satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Trabalho nos bastidores dos Satyros: (a partir da esquerda) Daniela Machado, Carina Moutinho, Suzana Muniz, Rodolfo García Vázquez e Vinicius Alves - Foto: Eduardo Enomoto

É um novo teatro que você está propondo?
O teatro do jeito que as pessoas estão pensando vai morrer. Eu não quero mais falar da tradição. Daqui a 30 anos ninguém vai ser capaz de acompanhar a evolução dentro de sua própria área de atuação. A ciência e a tecnologia vão explodir o conhecimento humano. E eu não consigo pensar em uma arte que não esteja conectada umbilicalmente com seu tempo. Tem gente que fala que a gente é futurista. Estão errados. Gente, 2001 – Uma Odisseia no Espaço [filme de 1968 do cineasta Stanley Kubrick] já passou. Isso era futurismo. Estamos em 2014, no século 21.

Vi que você acaba de passar para o mestrado em artes cênicas da USP. Está gostando de voltar a estudar lá?
Eu fiz ciências sociais na USP, acabei não concluindo e fui fazer administração na Fundação Getúlio Vargas. Mas depois voltei nas sociais para fazer mestrado. Agora, ir para a ECA é um privilégio poder voltar a uma instituição tão desafiadora. Espero aprender muito.

ivam cabral rodolfo garcia vazquez 1989 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

O começo de uma história chamada Satyros há 25 anos: Ivam Cabral (de barba) e Rodolfo García Vázquez em uma mesa de bar no largo do Arouche, centro de São Paulo, em foto de 1989 - Foto: Arquivo pessoal

Outro dia o Ivam Cabral [cofundador do Satyros com Rodolfo] colocou na internet uma foto de vocês dois em 1989 no largo do Arouche. O que mudou daquele menino para este Rodolfo que está na minha frente?
Eu acho que aprendi a confiar mais em mim. Eu era muito ambicioso, o Ivam também, A gente ficava pensando em fazer algo importante. A gente era mesmo muito louco. Acho que com o tempo deixamos de dar ouvido a coisas que nos magoavam muito. Acho que estou mais feliz comigo agora.

E do que você morre de saudade naquele menino sonhador que você foi um dia?
O que eu sinto falta daquele período é ter um horizonte grande à frente. Naquela época eu tinha uma página em branco. Hoje a página já está metade escrita. Eu sinto saudade dessa página em branco!

rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto6 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez em sua mesa de trabalho: "Sinto falta da página em branco" - Foto: Eduardo Enomoto

E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias
Quando: Sábado (8), maratona com todas as peças a partir das 16h até 1h; depois, uma peça a cada dia da semana, sempre às 19h. Até 28/9/2014.
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, metrô República, São Paulo, 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: grátis até 8/4/2014. Depois, R$ 20 cada peça.
Classificação etária: 16 anos

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Hysteria boa aérea Grupo XIX celebra dez anos com peças históricas

Últimas sessões: cena de Hysteria, primeira peça do Grupo XIX que está de volta - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O público paulistano tem a chance de celebrar os dez anos do Grupo XIX, um dos mais importantes da cidade, vendo seus espetáculos mais emblemáticos, em uma mostra na histórica Vila Maria Zélia, bairro operário pioneiro na zona leste, sede da trupe (r. Mário Costa, 13, entre ruas Cachoeira e dos Prazeres, Belém, São Paulo tel. 0/xx/11 2081-4647).

Até o dia 16 de março, sempre aos fins de semana, o grupo apresenta as peças Hygiene (sábado, 16h), Hysteria (domingo, 16h) e Nada Aconteceu, Tudo Acontece, Tudo Está Aconcendo (sábado e domingo, 18h30). Esta última tem sessões gratuitas. As duas primeiras têm entrada a R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia.

O diretor do grupo, Luiz Fernando Marques, o Lubi, diz que o objetivo é que “um maior número de pessoas conheça o trabalho do XIX”. Sobre a Vila Maria Zélia, tem opinião certeira.

—Queremos que os moradores da Vila e do entorno continuem a desfrutar deste espaço fértil e de vivência cultural, além de ampliar ainda mais a utilização do espaço, inclusive convidando outros grupos para ensaiar, apresentar e coabitar a Vila.

No enredo das peças estão temas ligados ao século 19. Em Hysteria, primeira peça do grupo, é abordado o período em que mulheres consideradas histéricas eram internadas em sanatórios. Em Hygiene, ganha vez a luta operária brasileira por direitos trabalhistas na virada do século 19 para o 20. Já em Nada Aconteceu, Tudo Acontece, Tudo Está Acontecendo, o grupo mergulha no universo de Nelson Rodrigues, a partir da obra Vestido de Noiva.

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a ultima sessao1 Crítica: Com dramaturgia confusa, elenco guerreiro e tarimbado sustenta espetáculo A Última Sessão

Elenco potente segura o espetáculo A Última Sessão, em cartaz em SP - Foto: João Caldas

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Um time de atores tarimbados nos palcos dá ao espetáculo A Última Sessão o suporte que a dramaturgia deixa faltar. Por isso, o elenco guerreiro é o grande destaque desta montagem.

É claro que merece forte aplauso a realização de um espetáculo com atores na faixa etária acima dos 60, 70 e até 80 anos. Em um País onde se cultua o jovem incessantemente, a iniciativa do autor e diretor Odilon Wagner merece elogios fartos.

Contudo, a sensação que se tem ao ver a peça é que o texto não está à altura do elenco que a produção conseguiu reunir.

No palco, Laura Cardoso, Nívea Maria, Etty Fraser, Sylvio Zilber, Miriam Mehler, Sonia Guedes, Gésio Amadeu, Yunes Chami, Gabriela Rabelo e Marlene Collé formam um grupo de pessoas na terceira idade que acabam por fazer um embate revelador de seus respectivos passados de erros, culpas e ressentimentos.

Se a montagem acerta ao mostrar estes idosos como pessoas comuns, com erros e acertos, não infantilizando a velhice, falta estopo a alguns personagens e há ainda situações incômodas: como o racismo explícito sofrido pelo personagem de Gésio Amadeu, com palavras duras que deixam a plateia constrangida. E o pior: depois a cena é vergonhosamente justificada e atenuada pelo próprio texto. Alguns personagens não se desenvolvem: a de Gabriela Rabelo parece sequer ter função na história. Em alguns momentos, a trama mergulha em enredos dignos da novelista cubana Glória Magadan.

ultimasessão Crítica: Com dramaturgia confusa, elenco guerreiro e tarimbado sustenta espetáculo A Última Sessão

Cena de A Última Sessão: elenco é mais potente do que a dramaturgia - Foto: João Caldas

Mesmo com tais empecilhos, a peça consegue, aos poucos, abarcar o público para a convenção proposta. Contudo, quando o espectador consegue finalmente mergulhar na história, ele é sacudido na cadeira por uma guinada perigosa da trama, que mergulha num abismo profundo de emoções psicodramáticas, quebrando o clima e a convenção até então estabelecidos.

O elenco faz milagre com o que tem. Laura Cardoso se destaca como uma senhora moderníssima, libertária e livre de culpas. É realmente uma atriz conhecedora de seu ofício e sabe como dominar a plateia. Sonia Guedes, com sua personagem contida e angustiada, também é outro destaque justamente indo por outro lado: com uma proposta sutil e crível. Etty Fraser também é outra que conquista a plateia sobretudo com os fartos palavrões na boca de sua personagem – coisa que os brasileiros adoram ouvir.

O elenco de A Última Sessão é realmente guerreiro, porque consegue segurar a verossimilhança e carisma de seus personagens mesmo quando a peça imerge em uma confusão psicodramática.

A Última Sessão
Avaliação: Bom
Quando:  Quinta, 16h; sexta e sábado, 21h; domingo, 18h. 90 min. Até 27/4/2014
Onde: Teatro Shopping Frei Caneca (r. Frei Caneca, 569, 7º piso, metrô Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3472-2229)
Quanto: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Com dramaturgia confusa, elenco guerreiro e tarimbado sustenta espetáculo A Última Sessão

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agora vai Bloco Agora Vai promete reunir turma do teatro

Agora Vai promete agitar a Barra Funda nesta Terça-feira de Carnaval - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A turma do teatro que está em São Paulo neste Terça-feira de Carnaval tem programa certo para o fim da tarde e começo da noite: o desfile do bloco Agora Vai, que celebra dez anos. O bloco sempre atrai atores, atrizes, diretores, dramaturgos, músicos, jornalistas e outros amantes das artes.

A concentração está marcada para começar às 17h, na rua Marta, nas proximidades do largo Padre Péricles, na Barra Funda, zona oeste da capital paulista.

Foliões fantasiados são bem-vindos.

Parte do desfile do bloco, previsto para começar às 19h, será feita em cima do Minhocão.

O desfile, gratuito, está previsto para durar até 22h.

A turma promete fazer um rolezinho no Elevado Costa e Silva, o horrendo nome oficial do Minhocão.

Veja fotos do desfile de 2013!

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carnaval ed moraes Artistas do teatro pulam o Carnaval

Com direito a fantasia, o ator e diretor Ed Moraes, da Cia. dos Inquietos, faz um Carnaval em homenagem ao Oriente Médio nas ruas de São Paulo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O clima de folia contagiou também os artistas do teatro brasileiro. O Atores & Bastidores do R7 fez uma pincelada e descobriu que alguns nomes importantes de nossos palcos andam se acabando na folia. Fazem muito bem.

carnaval luna martinelli Artistas do teatro pulam o Carnaval

A atriz Luna Martinelli se fantasiou de Frida, a pintora mexicana, e curtiu blocos de SP

carnaval lulu pavarin Artistas do teatro pulam o Carnaval

Lulu Pavarin (ao centro) brinca nos blocos de SP rodeada de amigos

carnaval cleo de paris Artistas do teatro pulam o Carnaval

A atriz Cléo De Páris, do grupo Os Satyros, saiu no Anhembi com a Vai-Vai

carnaval beto mettig danielle rosa Artistas do teatro pulam o Carnaval

Beto Mettig e Danielle Rosa, do Oficina, curtem o Carnaval de Salvador

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carnaval de rua bh2 Domingou: O Carnaval da resistência

Festa sem amarras e gratuita: Carnaval de rua renasceu em Belo Horizonte após anos de cidade vazia na folia - Foto: Divulgação/Comunidade Caranval de Rua BH

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Carnaval no Brasil surgiu como uma manifestação popular de resistência. Era o grito de liberdade possível, em quatro dias de folia que fosse, quando a turma que mandava em tudo fazia vista grossa para todo mundo junto e misturado.

Só que a festa de quem estava fora do sistema foi ficando tão grande, tão divertida e tão mais interessante, que logo o mercado resolveu botar as manguinhas de fora e cooptar o Carnaval do povo.

agora vai erica catarina Domingou: O Carnaval da resistência

Bloco Agora Vai: dez anos de resistência no Carnaval de rua de SP - Foto: Erica Catarina/Divulgação Bloco Agora Vai

Logo, os desfiles ganharam sambódromos com transmissão ao vivo para todo o mundo, arquibancadas caríssimas e, claro, os camarotes para as celebridades, que se tornaram o único assunto possível. Na Bahia, não foi diferente, com os blocos afro e afoxés jogados no escanteio em nome de estrelas fabricadas do axé.

Nos lugares onde não havia um Carnaval a ser vendido, o pouco que existia foi mirrado e pressionado por muitos governantes para deixar de existir. Assim, durante muitos anos vimos cidades brasileiras como São Paulo ou Belo Horizonte perderem seu Carnaval de rua que outrora havia sido tradicional e que nos novos tempos parecia absurdo de existir de forma espontânea sem que houvesse uma estrutura de venda por trás.

Pois, não é que o povo resistiu mais uma vez e reinventou o Carnaval?

Seja com a luta dos blocos afro em Salvador, botando a boca no trombone para terem mais visibilidade, ou os blocos de rua que hoje invadem Belo Horizonte e São Paulo, com ou sem permissão do poder público, além do Rio, onde já voltaram a ser tradição.

Porque o Carnaval não precisa de camarote nem de transmissão ao vivo na TV. Muito menos de celebridade. O Carnaval de fato, aquele que fez nosso País conhecido no mundo todo, só precisa de uma fantasia improvisada, um coração brasileiro – mesmo que estrangeiro – e aquele espírito de alegria simples e festiva que mora em todo folião que resiste.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e acredita na resistência. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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