magiluth2 victor juca Crítica: Magiluth debocha de tudo e é sensação no Festival de Curitiba com <i>Viúva, porém Honesta</i>

Magiluth assume seu caos sem nenhuma culpa e com muita ironia e vira destaque no Festival de Curitiba em 2013 - Foto: Victor Jucá/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

O Grupo Magiluth, de Recife (PE), estreou nesta quarta (3) sua montagem de Viúva, porém Honesta no Festival de Curitiba.

A trupe composta por seis atores pernambucanos – Pedro Vilela, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira, Mario Sergio Cabral, Lucas Torres e Pedro Wagner – apresenta uma versão irreverente e cheia de personalidade para o texto escrito por Nelson Rodrigues, conterrâneo centenário do grupo. É de se espantar que a obra não tenha feito parte da mostra oficial do evento.

Apesar do ingrato horário das 13h, a estreia aconteceu com casa cheia e vigorosos aplausos no TEUNI. A apresentação se repete sempre às 13h até sábado (6).

viuva sergio silvestri Crítica: Magiluth debocha de tudo e é sensação no Festival de Curitiba com <i>Viúva, porém Honesta</i>

Magiluth faz Nelson Rodrigues com deboche e irreverência - Foto: Sergio Silvestri/Clix

Em Viúva, porém Honesta, o Magiluth reforça o deboche presente na “farsa irresponsável”, como denominou o próprio Nelson Rodrigues quando a escreveu na década de 50. Integrantes da geração que adora ironizar a tudo e a todos em frases sob encomenda para as redes sociais, os Novos Pernambucanos do Teatro Brasileiro não salvam ninguém, nem a eles mesmos.

Descascam a hipocrisia sexual brasileira, a imprensa fazedora de manchetes, os críticos teatrais – com sua pompa de arrogância e excesso de sensibilidade – e o próprio teatro, ao desconstruir todas as estruturas cênicas sob os olhos do público.

Nem a expressão “batata”, lugar-comum na obra de Nelson Rodrigues, se salva e é personificada no palco para desespero do elenco e diversão do público diante da obviedade transgressora da proposta.

Até a faxineira do teatro, que teimou em ver a estreia pela fresta da cortina lateral, tornando evidente sua presença, contribuiu sem querer para que a balbúrdia fosse instaurada.

Sabedores de que a originalidade é o maior trunfo que um artista pode ter, os rapazes arretados do Magiluth recriam a obra de Nelson Rodrigues com seus olhares e corpos ímpares cheios de vigor.

Caos e pênis de borracha

Com a libido em riste, brincam com os personagens da peça sobre a jovem viúva filha de um dono de jornal, que passam pelas mãos de todos. A mistura é tanta que até eles se confundem. Ou não. E o público ri e os acompanha na festa quase sem fim.

A iluminação contribui para o caos, bem como os figurinos e os objetos cenográfico cheios de significados que ajudam na composição dos personagens – sejam tranças loiras, boinas, blocos ou até mesmo um pênis de borracha.

A desconstrução começa de cara. Enquanto a plateia se acomoda e recebe rosas vermelhas para serem atiradas nos aplausos final, os meninos do Magiluth se despem aos poucos do figurino elegante com o qual estão vestidos.

O espírito de grupo é presente em todos os momentos. Até nas atuações. Os garotos se defendem, se ajudam, se empurram e formam um todo bonito e coeso. Tudo converge para um destaque conjunto.

O caos está presente o tempo todo, seja nos pulos, nos berros, nos corpos, na mistura eclética ou mesmo nas coreografias cafonas para as músicas bizarras que passam por sucessos de Rita Cadilac ou do Loco Mía, aquele grupo composto por garotos espanhóis que cantavam no Xou da Xuxa nos anos 80.

Em Viúva, porém Honesta, o Grupo Magiluth é coerente com a trajetória arriscada e hipnotizante que desenham para si mesmos. Se arriscam. Pulam de cabeça sem medo. Há tanta verdade na loucura deles que ninguém consegue passar incólume à presença dos rapazes. É como se, num passe de mágica, todos ficássemos magiluthzados.

viuva sergio silvestri2 Crítica: Magiluth debocha de tudo e é sensação no Festival de Curitiba com <i>Viúva, porém Honesta</i>

Meninos do Magiluth no palco do Festival de Curitiba - Foto: Sergio Silvestri/Clix

Viúva, porém Honesta - Grupo Magiluth
Avaliação: Muito bom

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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dramaturgia Livro com quatro textos teatrais para crianças e jovens é lançado no Festival de Curitiba

Livro de Fátima Ortiz tem quatro espetáculos escritos em diferentes momentos da vida da autora - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

A dramaturga Fátima Ortiz realizou um antigo sonho e lançou em livro, no Festival de Curitiba, quatro textos de espetáculos infanto-juvenis escritos por ela.

O livro Dramaturgia Infantojuvenil traz as obras A História de Pã (1993), Que História É Essa (1995), Maria Pipoca (1998) e O Olho D'Água (2006).

A autora pretende alcançar novas plateias com a obra. Segundo a dramaturga, "leitor de peça de teatro é plateia em estado latente".

A peça Que História É Essa é encenada no Festival de Curitiba no Museu Oscar Niemeyer. Haverá apresentações nesta quinta (4), às 19h, e também nos dias 14 e 21 de abril, às 11h e 16h. A inteira custa apenas R$ 10.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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IMG 9780 02042013 FOTOS Daniel Isolani “Ele é só meu”, diz namorada do bilheteiro gato do Festival de Curitiba

A advogada Fabianne Candeo abraça o bilheteiro Erick Alessandro Herculano, seu namorado: ela não topa dividir o bonitão com mais ninguém - Foto: Daniel Isolani/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

Fotos de Daniel Isolani/Clix

Desde que o este blog Atores & Bastidores publicou aqui no R7 a entrevista – e as fotos – do bilheteiro bonitão do Festival de Curitiba, Erick Alessandro Herculano, uma pessoa não está tranquila.

IMG 9741 02042013 FOTOS Daniel Isolani “Ele é só meu”, diz namorada do bilheteiro gato do Festival de Curitiba

Fabianne Candeo é advogada criminalista e nunca quis ser atriz - Foto: Daniel Isolani/Clix

O nome dela é Fabianne Candeo, a namorada do rapaz.

Por conta do ocorrido, a advogada criminalista agora marca ponto todos os dias na bilheteria do TUC (Teatro Universitário de Curitiba).

É lá que o bilheteiro-ator trabalha no festival com a mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos, que integra o Fringe, a mostra paralela do maior evento do teatro brasileiro.

É que depois da reportagem do R7, o assédio a ele aumentou consideravelmente.

E há moças e moços assanhados de olho em Erick.

A reportagem perguntou a Fabianne se ela topa dividir o belo namorado com todo o universo teatral.

Eis a resposta.

– Jamais. Ciúme é uma coisa que me consome! Que ele é gato, eu sei, mas agora que você fez essa reportagem vai chover menina dando em cima dele. Ele é só meu.

IMG 9758 02042013 FOTOS Daniel Isolani “Ele é só meu”, diz namorada do bilheteiro gato do Festival de Curitiba

Após a reportagem do R7, Fabianne não deixa o namorado sozinho na bilheteria do TUC no Festival de Curitiba - Foto: Daniel Isolani/Clix

Fabianne conta que está muito satisfeita com o direito criminal e que nunca pensou em pisar em um palco. Não faz sua cabeça.

O contato é só por conta do namorado. Ela é boazinha, e até ajuda o moço no expediente na bilheteria. Conta que a turma de artistas é bem diferente do sisudo mundo do direito.

Aos 25 anos, diz que nunca teve vontade alguma de virar atriz.

Foi com muito custo que topou posar para o R7. Apesar da resistência, saiu-se muito bem no ensaio fotográfico.

Quando questionada pela reportagem o que o bilheteiro Erick Alessandro Herculano tem de bom, a advogada loira pensa um pouco e logo é bem enfática.

– Olha, não posso ficar fazendo elogio, senão vai chover olho gordo.

Sábia esta menina.

IMG 9749 02042013 FOTOS Daniel Isolani “Ele é só meu”, diz namorada do bilheteiro gato do Festival de Curitiba

Fabianne não quer saber de assédio ao namorado bilheteiro bonitão: "Ciúme é uma coisa que me consome!" - Foto: Daniel Isolani/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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portugues1 Portugueses viram mulheres para fazer discurso em nome da paz mundial no Festival de Curitiba

Portugueses se destacaram com luta das mulheres pela paz - Foto: Vanesa de Lara/Clix

Por Michel Ferrabbiamo, em Curitiba*
Especial para o Atores & Bastidores do R7

Uma das boas surpresas da mostra Fringe, no Festival de Curitiba, foi o espetáculo português 1325, do grupo Peripécia Teatro, que já tem nove anos.

A companhia chegou a Curitiba após se apresentar no 6º Festival Ibero-Americano de Teatro do Memorial da América Latina, em São Paulo, e também em Buenos Aires e La Plata, na Argentina. O grupo viajou com o apoio da Direção Geral das Artes de Portugal. Quatro artistas viajaram: os atores Sergio Agostinho, Ángel Fragua, Noelia Domingues e o técnico Paulo Alves.

A força da obra está no contexto no qual grandes mulheres da história que ajudaram a construir a paz ganham vida e vigor no palco.

Na montagem, três avós vivem num espaço habitado por memórias e roupas. São estas mesmas roupas que nos guiam pelo universo das mulheres descritas em cada uma das cenas na busca pela paz numa narrativa própria formada por vários quadros cênicos.

As roupas não estão dispostas no cenário por acaso, tudo traz um sentido próprio, desde as vestimentas soltas ao figurino que vestem os atores em cena até as disposições em araras e cabides ou amarradas pelo palco.

Formam, por exemplo, o mapa da África quando tratam das mulheres daquela região em uma cena conduzida de forma divertida mas sem perder o fio da meada.

A magia maior de 1325 é sem dúvida a sutileza com que tratam de cada tema em especial, sejam as avós e mães da Praça de Maio na argentina, seja a Guerra das Malvinas ou até mesmo o Holocausto.

Em tempo: o nome do espetáculo remete a uma resolução da ONU dedicada às mulheres. Os portugueses retornaram ao seu país no último domingo (31), com a esperança de voltar logo ao Brasil.

Conheça melhor o trabalho do grupo português Peripécia Teatro

*Michel Ferrabbiamo é produtor cultural de Ipatinga (MG) e escreveu esta crítica a convite do blog.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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*Michel Ferrabbiamo é produtor cultural e escreveu esta crítica a convite do blog.

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13820634 Polícia interrompe peça por cena de nudez no Festival de Curitiba

Atores confirmam novo espetáculo e Polícia garante presença (Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agência RBS)

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

A Polícia Militar do Paraná interrompeu a sessão do espetáculo Hasard, do Grupo Erro, de Florianópolis (SC). A trupe catarinense fazia uma apresentação na rua XV de Novembro, ponto turístico da capital paranaense. A montagem integra a programação do Fringe, a mostra paralela do Festival de Curitiba.

Por volta das 20h desta terça-feira (2), a equipe policial comandada pelo Primeiro Tenente Oliveira interrompeu uma das cenas, ameaçando os atores de prisão. A reportagem do R7, que presenciou o fato, questionou ao policial o porquê da ação.

- Na apresentação de ontem ficamos sabendo que eles tiraram a roupa completamente e ficaram nus. Sabemos que a Constituição garante a liberdade de expressão artística, mas ficar nu em uma praça pública é um atentado ao pudor. Ninguém foi preso hoje porque interrompemos antes da cena de nudez.

O R7 também conversou com o diretor do Erro, Pedro Bennaton, ele disse que a proposta do Grupo é discutir “a liberdade” e que eles não querem “ser acima da lei”.

- Nossa nudez é de apenas trinta segundos. Não é algo vulgar ou sexual. Queremos discutir as leis urbanas. Hoje, os policias vieram antes da cena de nudez e nos censuraram. Resolvemos parar porque não temos nenhum aparato jurídico. Ontem chegamos a ser ameaçados de prisão.

A reportagem apurou que a Companhia pretende repetir a performance nesta quarta (3), na rua XV de Novembro, nas imediações do Teatro HSBC. Os policiais também confirmaram ao R7 que estarão presentes.

HASARD 02 04 13 5 Polícia interrompe peça por cena de nudez no Festival de Curitiba

Carro da polícia paranaense chega para interromper sessão da peça Hasard - Divulgação

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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stefano belo FOTOS Daniel Isolani Ator se chicoteia em peça do Festival de Curitiba e dispara: Faço teatro para sofrer e ser feliz

Entrega desmedida de Stefano Belo virou sensação no Festival de Curitiba - Foto: Daniel Isolani/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Daniel Isolani/Clix

O público que foi ver a peça Wunderbar, do grupo O Estábulo de Luxo, no Festival de Curitiba, ficou com uma cena na cabeça: aquela em que o ator Stéfano Belo se chicoteia sem dó alguma, até provocar hematomas reais em seu braço.

Tudo é feito em nome da arte, é claro. A cena causou frisson no TUC (Teatro Universitário de Curitiba) e colocou a entrega desmedida do talentoso intérprete como uma das mais contundentes do festival. Virou personalidade do Fringe, a mostra paralela do evento.

Tal fama o faz sonhar em apresentar a peça no Espaço dos Satyros, reduto do teatro alternativo na praça Roosevelt, no centro paulistano.

stefno belo 2 daniel isolani Ator se chicoteia em peça do Festival de Curitiba e dispara: Faço teatro para sofrer e ser feliz

Stefano Belo: "sou um artista cigano" - Foto: Daniel Isolani/Clix

Artista cigano

Nascido em São Luiz do Maranhão, ele se considera baiano, já que foi criado em Salvador, onde morou dos dois aos 16 anos, quando se mudou para Curitiba. “Coloca que eu sou um artista cigano”, ordena à reportagem.

Na capital paranaense se entrou de corpo e alma ao teatro. Fez aulas com Ivam Cabral na época em que o grupo hoje paulistano Os Satyros tinha sede no Paraná. Sobre o processo de Wunderbar, diz que foi “corporal, físico e energético”.

Postura de diva

Já quando questionado sobre o gato que ele interpreta, que chega a ronronar nas pernas do público, diz que tudo foi vindo espontaneamente nos ensaios com o diretor Ricardo Nolasco.

– Assumi uma postura de diva no processo. Eu sou um provocador. E ser isso dói quase sempre. Muitas vezes, quem provoca se torna vilão.

Dublagem e chicote vagabundo

Outra cena em que Stéfano se destaca é quando faz uma dublagem perfeita.

Ele conta que sua mãe foi ver a adorou. E diz que dublar é um passatempo que vem de longo tempo. E a familiaridade com o inglês vem de ter sido professor do idioma. Conta que quando está no palco não teme nada. Ele sofre e é feliz sendo artista.

stefano belo 4 daniel isolani1 Ator se chicoteia em peça do Festival de Curitiba e dispara: Faço teatro para sofrer e ser feliz

Chicoteadas deixam marcas no braço de Stefano Belo - Foto: Daniel Isolani/Clix

– O teatro tem esta coisa de você ser amado em cena e depois ninguém liga para você. Isso tem a ver com o sadomasoquismo. Daí surgiu a ideia de me chicotear.

Sabedor do impacto que sua figura provoca em cena, diz que "acredita na linguagem da performance como elemento transformador".

– É preciso colocar em cena corpos de padrões diferentes. Isso também é uma forma de provocar.

Ele revela que, no primeiro dia da peça, o “chicote vagabundo de seis reais” que compraram para sua cena se rompeu logo na primeira chibatada.

Diante do imprevisto, ele precisou alterar a marcação original e, para manter o impacto da cena, deu violentos tapas no próprio rosto.

– Fiquei louco e comecei a me estapear. Doeu muito.

Conta que a densidade da peça mexe muito com ele e que durante o processo teve muitos momentos difíceis, "de pensar no brilho da cena e depois de se ver sozinho diante do espelho do camarim".

– É algo decadente. Eu nunca termino a peça bem. Mas eu faço teatro porque é um prazer intenso, mas é também muito dolorido. Faço teatro para sofrer e ser feliz. Olha que frase maravilhosa!

IMG 9639 02042013 FOTOS Daniel Isolani Ator se chicoteia em peça do Festival de Curitiba e dispara: Faço teatro para sofrer e ser feliz

Talento revelado no Fringe do Festival de Curitiba, Stefano Belo sonha em levar a peça Wunderbar, do grupo O Estábulo de Luxo, para a praça Roosevelt, em SP, e rever o antigo professor Ivam Cabral - Foto: Daniel Isolani/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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hamlet emi hoshi DSC 4093 Crítica: Clowns de Shakespeare derrapa em Hamlet

Os atores Dudu Galvão (Horácio) e Joel Monteiro (Hamlet) em cena de Hamlet no Festival de Curitiba: montagem do grupo potiguar Clowns de Shakespeare perdeu chance de ser contundente - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

Quem ficou impressionado com a força da penúltima obra do grupo potiguar Clowns de Shakespere, Sua Incelença Ricardo III, sob direção do mineiro Gabriel Villela, mal pôde acreditar que seja o mesmo grupo que encenou Hamlet, neste Festival de Curitiba em 2013 no Teatro Bom Jesus.

É um trabalho que não está à altura do nome que o grupo de Natal (RN) conseguiu construir junto ao público e à crítica.

É preciso maturidade para assumir o mais clássico texto de William Shakespeare. Diante de obra tão emblemática, não faz sentido reproduzir o já foi feito – e de forma bem melhor.

É preciso fazer aqui um parêntese e dar mérito ao norte-americano Wooster Group, que apresentou no mês passado sua versão tecnológica de Hamlet no Sesc Pompeia, em São Paulo. Mesmo com todos os entraves gerados pela parafernália técnica – que provocava certo distanciamento do público com a obra –, eles conseguiram inovar, verdade seja dita, e este é o maior mérito daquela montagem, além de ter bons atores na atuação.

Já a do Clowns de Shakespeare, não. Os potiguares derraparam feio em sua tentativa de contar a história do príncipe que tenta vingar a morte de seu pai, o rei da Dinamarca, envenenado pelo tio.

Falando em rei morto, a escolha de sua aparição como um fantasma concreto lembra o didatismo utilizado no teatro feito para crianças, apesar do evidente esforço do ator Marco França, um dos melhores em cena. A aparição do fantasma é sempre uma questão nas montagens de Hamlet, e já foi resolvida de maneiras bem mais inventivas do que o rosto iluminado atrás da cortina que só falta gritar “Bu”.

Já que chegamos à cortina, a troca do pano preto por outro vermelho durante a cena por dois técnicos prejudica ainda mais a já complicada montagem, desviando a atenção do público sem que o efeito disso se justifique artisticamente. Não bastasse, os técnicos entram em cena outras vezes, sem vestir a carapuça de nenhum personagem.

Alguém pode até dizer que isso faz parte da proposta do encenador Marcio Aurélio de trazer ares Brechtianos à obra de Shakespeare, desconstruindo a ilusão teatral aos olhos do público. Mas o que se vê de fato é uma proposta sem unidade estética ou estilística, a começar dos figurinos de Ligia Pereira e Marcio Aurélio que mais parecem saídos de coleções distintas de loja de departamento.

Há o começo de ares pretensamente pós-modernos com todo o elenco usando a máscara de Hamlet e declamando o monólogo do Ser ou Não Ser, o texto emblemático da obra. Contudo, a ideia de um Hamlet compartilhado por todos não é retomada e fica perdida nesta cena inicial. Ah, e eles usam microfones às vezes e até há um forçado número musical.

O grupo não se conteve e traz uma aparição tímida do gênero clown, que eles dominam. Acaba por ser o melhor momento da montagem. Mas a diminuta proposta clown se dilui na questão dramática, na qual fica evidente a imaturidade do grupo para tal tipo de abordagem artística.

Não há profundidade em quase nada. A Ofélia de Titina Medeiros é tão óbvia quanto uma personagem de novela mexicana, bem como não tem força alguma a Gertrudes de Renata Kaiser – nem quando morre envenenada. O protagonista, Joel Monteiro, não dá conta da grandeza do papel de Hamlet. O que faz pensar que um ator não deveria assumir tal personagem enquanto não tivesse capacidade para tal. Na dúvida, deveria ouvir opinião de amigos verdadeiros, porque às vezes o ego e a bajulação nos pregam peças.

Hamlet sensível

Apesar de alguns indícios, que soam a acidente de percurso, não fica claro para a plateia se a proposta era criar um Hamlet mais sensível, sobretudo a partir de sua relação com o Horácio, vivido por Dudu Galvão – que apesar de talentoso, peca por afetação demasiada neste personagem, sem que isso se justifique na montagem.

Se ficasse claro que a proposta da encenação era radicalizar ao criar um Hamlet gay, transpondo para a sexualidade a questão do ser ou não ser, sobretudo a partir de sua relação com Horácio, a peça ganharia novo sentido e ainda mandaria um forte recado para o Brasil que tem o deputado Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Em sua fraca montagem de Hamlet, o Clowns de Shakespeare desperdiçou a chance de fazer uma obra contundente ao tentar fazer um tipo de teatro para o qual ainda não está preparado. E isso fica evidente na apatia da plateia, que espera, desesperada e sonolenta, que a obra chegue logo ao fim.

Hamlet, com Clowns de Shakespeare
Avaliação: Ruim

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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yara de novaes FOTOS Daniel Isolani1 Yara de Novaes celebra 13 anos no Festival de Curitiba com mineirice e Guimarães Rosa

Yara de Novaes é uma das musas do Festival de Curitiba - Foto: Daniel Isolani/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Daniel Isolani/Clix

A atriz e diretora mineira Yara de Novaes já faz parte da história do Festival de Curitiba. Desta vez, está na capital paranaense com o espetáculo Maria Miss, que dirige e é baseado na obra do escritor mineiro Guimarães Rosa, dentro da mostra oficial.

Yarinha, doce que só, diz ao Atores & Bastidores do R7, brincando, que já virou "arroz de festa do evento".

Maria Miss é o nono espetáculo que apresenta no festival. O primeiro foi há exatos 13 anos, em 2000, Ricardo III, com a Cia. Odeon.

- Naquela época vir para Curitiba era como receber um prêmio. Chegamos meninos, éramos uma mineiraiada com cerca de 30 anos e chegamos de cara no Guairão, que é o teatro mais tradicional da cidade!

Ela conta que foi dali que o espetáculo aconteceu nacionalmente. Agora, faz uma espécie de caminho inverso. Traz o Maria Miss, já consagrado em São Paulo e viajado pelo País.

- O festival se popularizou e seguiu em direção ao público, mas ainda inova.

Sobre a mineirice ainda evidente, sobretudo com a obra de Rosa, poetiza.

- O Guimarães Rosa é mineiro, e isso é fundamental, mas ele alcança o universo inteiro. Minas tem essa coisa da física e da metafísica. A gente compreende a luz refratada da montanha e o profundo do azul do céu. E o Guimarães tem isso. E nós, mineiros, temos esse conhecimento que é herdado em forma de herança genética. Né, não?

É, Yarinha. Você tem toda a razão.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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Foto de Bob Sousa
Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

erivaldo oliveira bob sousa O Retrato do Bob: Erivaldo Oliveira, o ator do Grupo Magiluth que por pouco virou padre

Ator nascido em Caetés e criado em Garunhuns, em Pernambuco, Erivaldo Oliveira está apreensivo com a estreia de Viúva, porém Honesta no Festival de Curitiba, dentro da mostra paralela Fringe. Ele, que já levou o troféu de melhor ator de 2013 da Apacepe (Associação de Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco), apresenta o espetáculo de Nelson Rodrigues a partir de quarta (3), às 13h, no TEUNI. Está nervoso, porque está com dor de garganta. Ao mesmo tempo, quer que tudo passe logo, para o nervosismo ir embora. Mesmo assim, não perde a fala mansa, herdada da mãe, Severina Clara Oliveira, a dona Roxa, que completou 73 anos há poucas semanas. É o 17º filho dela. Caçula, sempre foi o príncipe de casa. Religiosa, a mãe, moradora de Garanhuns (PE), queria que ele fosse padre. Ele até tentou, mas o amor pelo teatro falou mais forte. Largou as expectativas de vestir a batina e entrou para o Magiluth em 2010. Desde então, só viu o grupo recifense crescer e conquistar os palcos do Brasil afora. Aos 27 anos, tem viajado muito. E em cada lugar por onde passa faz questão de comprar uma lembrancinha para a mãe, de quem morre de saudade. Foi ela quem lhe fez o pedido: "Por onde você passar, meu filho, me traz uma coisinha".

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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renata sorrah debora santos Artistas se unem para conseguir ingressos grátis para as peças do Festival de Curitiba

Débora Santos pede ingresso para Renata Sorrah: a primeira jura que não reconheceu a segunda - Foto: Divulgação/Movimento dos Sem Ingresso

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

Quem chega à porta do Memorial de Curitiba, sede do Festival de Curitiba, logo vê Debora Cristina dos Santos a postos pedindo se alguém tem algum ingresso sobrando da mostra oficial. Licenciada em teatro e produtora cultural, ela é ávida por alguma entrada dos 32 espetáculos selecionados pelos curadores do evento e cujos ingressos custam R$ 60.

Mas se engana que ela pensa em revendê-los. Muito pelo contrário. Como muitos atores e estudantes de teatro não tem tal quantia no bolso, Debora e sua turma do Movimento dos Sem Ingresso tentam descolar entradas para distribuir gratuitamente para a classe artística local por meio da página deles no Facebook.

Ela capitaneia a ação há dez anos e conta ao R7 que tem cerca de seis pessoas em sua equipe, todas trabalhando voluntariamente.

- As companhias nos doam muitas entradas. Nós conseguimos na semana passada 35 ingressos para o espetáculo coreano Pansori, mas não posso revelar quem nos deu.

Além de fazer mistério sobre a origem de algumas entradas que consegue, Débora conta, toda orgulhosa, que em 2012 conseguiu distribuir 2.000 ingressos. Neste ano, espera superar o número. Até o último fim de semana, já havia conseguido 400 entradas. Mas conta que o forte mesmo é esta semana derradeira do festival.

Além de angariar entradas, Debora prestigia espetáculos, sobretudo os do Fringe, a mostra paralela. Foi vista, por exemplo, dançando funk carioca com o elenco do espetáculo Wunderbar (leia a crítica), no palco do TUC (Teatro Universitário de Curitiba) na última sexta (29).

Ela está tão acostumada a pedir ingresso a todos que cruzam em sua frente que abordou até a atriz Renata Sorrah. Debora jura de pés juntos que não reconheceu a intérprete da vilã Nazaré da novela Senhora do Destino, que está em cartaz no evento com a peça Esta Criança (leia a crítica).

- Ela falou que, infelizmente, ninguém tinha dado ingresso para ela distribuir. Só depois que ela foi embora que eu percebi que era a Renata Sorrah [risos].

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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