modernos Quinteto moderninho chama a atenção no Mirada

A partir da esq.: Felipe, Ametônyo , Túlio, Gabriela e Isabela chamam a atenção do público do Mirada 2014 com seu visual moderninho; eles poderiam ou não ser uma banda de punk-rock em um filme de Almodóvar dos anos 80? - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

No prédio da Casa da Frontaria Azulejada, no centro histórico da cidade de Santos, um quinteto de  moderninhos chama a atenção de quem acaba de sair da sessão do espetáculo Entra A e B, do grupo paraguaio En Borrador Teatro en Construcción, que integra a programação internacional do Mirada 2014, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos.

Os cinco jovens amigos têm ares de quem acabou de sair daquele filme Pepe, Lucy, Bom y Otras Chicas del Montón, de Pedro Almodóvar, de 1980 - se não viu ainda, corra pra ver.

Exibem cada qual um visual punk-artístico que, combinados, formam um conjunto de forte poder visual. Poderiam ser uma banda de punk-rock de sucesso, se não estivéssemos nos tempos de funk e sertanejo universitário nas paradas de sucesso.

A reportagem quis conhecer melhor os meninos. São o ator paulista Felipe Rocha, o ator paraibano Ametônyo Silva, o bailarino catarinense Túlio Rosa, a atriz santista Gabriela Moraes e a bailarina paulista Isabela Gonçalves.

Felipe está trabalhando nas atividades formativas do Mirada, ao lado de Cibele Forjaz. Ametônyo faz artes cênicas na USP (Universidade de São Paulo) e está conhecendo o festival. Túlio, por sua vez, entrou de carona no carro que descia a serra e está descobrindo tudo. “É minha primeira vez no Mirada, minha primeira vez em Santos, meu primeiro dia, minha primeira peça. Simplesmente entrei no carro e estou aqui”, explica.

Já Gabriela, que também estuda artes cênicas na USP, faz as vezes de anfitriã, já que é nativa da cidade. “Vim em todos os Miradas”, diz, toda experiente. “Acho um festival muito relevante para a cena cultural brasileira”, decreta.

Já Isabela, a ruivinha de cabelo raspado do lado, conta que é de Presidente Prudente, mas mora em São Paulo. Ela também estreia no festival teatral que movimenta a Baixada Santista até o dia 13 de setembro. “Já tinha vindo na Bienal da Dança e quis conhecer o festival de teatro. Tenho amigos se apresentando. Vamos ver como é que é”.

A reportagem encerrou o bate-papo – até porque eles precisavam entrar na fila para ver outra peça, a paulista Stereo Franz – dizendo que eles deveriam montar uma banda urgentemente. Pelo menos visualmente, já estão prontos. Eles sorriram e responderam: Quem sabe?

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

 

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ricardo tabarro foto miguel arcanjo prado Dramaturgo misterioso intriga público do Mirada

Ricardo Tabarro: peças escritas durante o Mirada 2014 - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

Um senhor, elegantemente vestido com um terno cinza, chama a atenção de quem passa pelas mesinhas do café à beira da piscina do Sesc Santos. Artistas e público que estão no Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, logo o percebem, apesar de toda a sua discrição.

O homem sempre está com uma agenda do ano de 2010 e um caderninho de folhas pautadas, no qual escreve sem parar suas anotações com um lápis preto. Sempre com a mão esquerda. É canhoto.

Muita gente se pergunta: o que tanto ele escreve?

A reportagem, curiosa, quer saber quem ele é. Simpático, conta que se chama Ricardo Tabarro, que é descendente de italianos que vieram para São Paulo. Há três anos mora em Santos, com a irmã. Afirma ter 58 anos.

Diz que faz questão de acompanhar o Mirada, porque também é artista. “Sou escritor de peça de teatro”, afirma.

Ele ainda conta que teve um passado de glória. E que fez o filho de Sérgio Cardoso e Dina Sfat em uma novela na extinta TV Tupi. E de Paulo Goulart e Nicette Bruno também, segundo ele. E afirma que foi ao enterro de Sérgio Cardoso, onde viu uma cena inesquecível. “Eu vi ele se mexer no caixão”, declara, antes de voltar, compenetrado, aos seus escritos.

*Colaborou Fabiana Maly. O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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2014 09 06 Banhos Roma Foto Dani Sandrini 3456 Vida de boxeador decadente é pretexto para atores mexicanos refletirem mazelas de seu país no Mirada

Jorge León e Viany Salinas em cena de Baños Roma (Banhos Roma): história de lutador do México vira ponte para descortinar realidade do norte do país - Foto: Dani Sandrini

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Santos

Os mexicanos do Teatro Línea de Sombra já chegaram ao Mirada 2014 como um dos destaques do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, promovido pelo Sesc São Paulo na Baixada Santista até o próximo dia 13.

Se em 2012, causaram frenesi com Amarillo, obra na qual revelaram os horrores da imigração ilegal entre México e Estados Unidos. Desta vez, na peça Baños Roma (Banhos Roma), investiga uma figura mítica do box mundial: José Ángel Nápolis, ou apenas Mantequilla, apelido que consagrou o lutador cubano naturalizado mexicano.

No presente, Mantequilla refugiou-se em Ciudad Juárez, na fronteira com os Estados Unidos, em pleno deserto, desprovido da opulência dos tempos de outrora.

Com o pretexto de se aproximar desta figura pop emblemática de seu país, o grupo se aproxima de um universo bem maior de questões que vão além da história do boxeador que chegou a ser amigo de Alain Delon. Para o público brasileiro, Mantequilla poderia ser um Maguila dos dias atuais ou um Anderson Silva no futuro.

Relatos e tecnologia

Baños Roma vai na mesma linha estética de Amarillo: um teatro narrativo, com pitadas de documentário, mergulhado em um mar tecnológico acrescido de imagens poéticas, em uma descontrução pós-dramática.

E é nessa desconstrução que a construção da história se faz presente, na mistura dos relatos pessoais do elenco no palco à investigação da história do boxeador. Afinal, como dizem os artistas em cena: "quando uma história é contada ela já está alterada". Ou "as fotografias não mentem, tampouco revelam a verdade".

O embate que faz a peça ser vibrante e mantém a atenção do espectador durante toda a encenação. O elenco surge em um registro sem afetações, o que contribui ainda mais para dar peso à obra.

Alicia Laguna, uma potente atriz, se junta a Jorge León, ator que também já lutou boxe, Malcom Vargas – grafiteiro que faz uma simples e impactante cena na qual conta seus embates com os policiais de Ciudad Juarez durante a pesquisa para a peça, Viany Salinas – com sua voz diminuta, mas presente - e Zuadd Atala compõem o elenco, que conta ainda com o cantor Jesús Hernandez, com sua voz gutural já conhecida do público santista.

Revelações

Mais do que revelar a história de Mantequilla, Baños Roma descortina o processo pelo qual a peça foi feita, sem que isso soe chato ou apenas um exercício de ego, como é muito comum no teatro pós-moderno.

Tudo o que eles contam no palco tem peso e beleza artística, ademais de criarem imagens repletas de poesia enquanto fazem seus relatos.

Baños Roma que titula a peça na verdade é o clube social da cidade, que já viveu tempos de glória no passado, e hoje se tornou um lugar decadente. Uma analogia à própria história do boxeador Mantequilla, que hoje apenas fuma em frente à sua casa na cidade, e também à história de Ciudad Juárez, uma terra de ninguém, onde o medo está por perto.

Ao contar a saga para revelar Mantequilla, os atores do Línea de Sombra desvendam um pouco de si e, sobretudo, expõem parte das agruras de uma região do México entregue nas mãos dos traficantes e onde o direito básico de ir e vir precisa ser justificado a cada instante. Como em muitos lugares deste nosso Brasil.

Baños Roma (Banhos Roma)
Avaliação: Muito bom

Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Vida de boxeador decadente é pretexto para atores mexicanos refletirem mazelas de seu país no Mirada

Entrevista: Jorge León e Viany Salinas, atores de Baños Roma

R7 conversou com exclusividade com os atores mexicanos Jorge León e Viany Salinas, da peça Baños Roma (Banhos Roma), do Teatro Línea de Sombra, apresentada no Mirada 2014. Leia o bate-papo:

Miguel Arcanjo Prado – Jorge, você também é boxeador?
Jorge León – Comecei sendo ator antes de ser boxeador. Topei com um projeto que me exigiu aprender boxe. Aí lutei cinco anos. Fiz 21 lutas, obtive 18 vitórias, um empate e duas derrotas.

Miguel Arcanjo Prado – Então, você entrou no projeto por isso?
Jorge León – Também. Fiz teatro na Universidade Nacional Autônoma do México e fui aluno do Jorge Vargas [diretor do Teatro Línea de Sombra]. Comentei com ele que havia lutado boxe e ele me chamou para fazer este projeto. O mais curioso é que minha mãe, a atriz Sonia León, fez uma fotonovela com o Mantequilla em 1974. Então, foi uma coisa do destino.

Miguel Arcanjo Prado – Você também é do norte do México, lugar onde se passa a peça?
Jorge León – Sim, sou de Hermosillo Sonor. Há 15 anos vivo na Cidade do México. O norte do país foi isolado na guerra do narcotráfico. É a região mais violenta do país. Regressar ao norte para mim foi regressar às minhas origens.

Miguel Arcanjo Prado – O processo investigativo da peça foi complicado?
Jorge León – Nos passaram muitas coisas nestes dois meses que estivemos em Ciudad Juarez. Aí, um dia, no hotel, nos demos conta de que era tudo muito maior do que havíamos pensado no começo. É uma cidade onde tudo se sabe e havia muita desconfiança em relação ao nosso trabalho. Chegamos a receber ameaças por telefone. A obra fala de tudo o que nos sucedeu buscando contar a história de Mantequilla.
Viany Salinas – Eu não fui à viagem e soube de tudo por eles. E resolvemos colocar isso também na peça. As coisas aconteceram de uma maneira não planejada. Surgiram coisas surpreendentes no processo desta peça que precisavam ser contadas no palco.

Miguel Arcanjo Prado – Viany, você esteve no Mirada em 2012. Como é voltar para o festival?
Viany Salinas – Estivemos com Amarillo em 2012, o Jorge nesse ano veio também, mas com Incêndios. Acho que o Amarillo abriu portas para o grupo no mundo todo, inclusive aqui no Brasil. Tivemos muita sorte. Acho que este convite para voltar é sinal de que acreditam no nosso trabalho. Ficamos muito felizes com isso.

Miguel Arcanjo Prado – Jorge, é verdade que quando você contou para o Mantequilla que sua mãe havia feito uma fotonovela com ele nos anos 70 ele nem ligou?
Jorge León – Foi isso mesmo. Eu esperava que ele fosse ter uma reação forte, mas ele nem parecia se lembrar e não deu muita importância. Aí eu percebi que aquilo era muito mais importante para mim do que para ele. Aquela fotonovela era uma memória da minha infância.

Miguel Arcanjo Prado – Em Amarillo, o grupo descortinou a imigração ilegal para os EUA pela fronteira do México. Agora, fala da situação de medo no norte do País, ao contar a história de um boxeador que foi parar na região. Vocês gostam de fazer um teatro que exponha a problemática social?
Jorge León – Não entendemos um teatro que não sirva à realidade, que esteja apartado dela. Nossa prioridade é mexer com a realidade e desenvolver nossa estética a partir daí. É preciso falar o que está sucedendo. Curiosamente, o Teatro Línea de Sombra se apresenta mais no estrangeiro do que no México. É que há tems que não são muito cômodos de se verem no palco, sobretudo para os governantes mexicanos.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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azar valdemar foto bob sousa Coluna do Mate: Teatro e feira são semelhantes
Cena da peça Azar do Valdemar: feira e teatro têm semelhanças - Foto: Bob Sousa

As semelhanças entre os modos de seduzir utilizados por feirantes e por artistas do teatro de rua

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate: Teatro e feira são semelhantes

O pesquisador Alexandre Mate - Foto: Bob Sousa

Por ALEXANDRE MATE*
Especial para o R7

Ao consultar a origem histórica da palavra “feira” pode-se levar um imenso susto. Do latim fḝrîa, a palavra refere-se a dia consagrado ao repouso, festa, férias; folga, descanso. A palavra ganha, já ao tempo de sua criação, conotação dita vulgar, referindo-se indiretamente a mercado. Tal modificação no sentido da ação pressuposta pela palavra ocorre em razão de muitos dos dias de férias ou de festas existirem como consagração aos rituais de natureza religiosa e, por conseguinte, ao livre comércio, ou ao comércio praticado como decorrência à data consagrada.

É importante lembrar, que os dias de festa são aqueles consagrados ao ócio de boa parte da população, mas não às gentes do teatro e das feiras. Ainda nesse particular, e como até hoje, muitos desses dias têm sido consagrados à paz e à tranquilidade. Portanto, com o relaxamento do corpo e distensão do espírito, homens e mulheres estariam mais dispostos a relacionarem-se com ações distanciadas de seu cotidiano.

De qualquer modo, a convenção do(s) dia(s) de descanso, pela permanente desigualdade entre os que têm e os “despossuídos”, o que se sabe é que os dias de feira se estenderam, em muitos casos, de segunda a segunda. Gente à margem dos sistemas constituídos, feirantes e artistas de teatro de rua precisam, literalmente, montar a cena. Artistas do teatro de rua e os feirantes têm muitas semelhanças em seu trabalho, senão vejamos:

- preparação do “cenário” ou adequação ao cenário urbano já existente. Feirantes e artistas, nos dia de trabalho, precisam sair muito antes de casa, com os apetrechos às costas ou no meio de transporte a ser utilizado e uma super-disposição corporal. Ao chegar ao lugar de seu trabalho, rapidamente, e por intermédio de muita força física, artistas e feirantes transformam o lugar indistinto em espaço de trabalho, para iniciar a “função”.

- preparado o cenário, inicia-se a função. Sob o sol (escaldante ou tépido) ou sob a chuva (forte ou chuvisco), os artistas da cena de rua, montado o cenário, apresentam uma série de características para chamar a atenção e cativar o passante. Durante a função, ambos (feirantes e artistas) farão o possível para conservar e manter a atenção dos sujeitos aos motivos fundamentais de sua existência: comprar coisas ou assistir à obra.

- Moça bonita não paga, mas também não leva!

- Quem pode ou quer colaborar com o próximo número?

- Olhaí, olhaí... Tá fresquinho. Pode até apalpar pra sentir o gostinho da fruta...

- Tem alguém corajoso aqui, “mutcho macho” que pode colaborar?

Os bordões se seguem, permanentemente desafiando e conclamando os que passam e os que se aproximam para intervir e se relacionar.

Na rua, quem passam, quem compra, quem assiste, de modos diferenciados, mudam suas funções sociais: assumem novos papéis. Artistas de rua precisam ser sedutores! Precisam ter carisma, precisam trazer para perto a gente que “pisa nos astros distraída”... Desse modo, e pouco importam as condições exteriores (e tantas vezes as interiores também), os artistas da rua “vendem seu peixe”. Doam-se, com tanto contra, sua obra, que só existe em processo de troca. Assim, quando feirantes vendem, quando artistas recebem a participação do público, a feira (também como festa) se cumpriu.

tomate feira tl 20110505 Coluna do Mate: Teatro e feira são semelhantes

- Cumprida a função, o cenário é desmontado. Novamente, e de modo semelhante, feirantes e artistas guardam seus apetrechos, desmontam a barraca, carregam até o meio de transporte usado e dirigem-se para suas casas. Às vezes, os feirantes param nos entrepostos para reabastecer-se de mercadorias (mais horas de trabalho); artistas, às vezes, param na rua 25 de Março (ou outras) para restaurar suas traquitanas de uso.

Trabalho muito duro e estafante, mas que confere alegria ao viver. Os trabalhadores das duas diferentes cenas, apesar das dificuldades, em tantos casos, não gostariam de mudar de ofício.

Estranhos fenômenos de escolha para ser e estar no mundo, pensam tantos...

Invariavelmente, o teatro e o comércio populares foram sempre praticados por gente desterrada e colocada à margem. Indispostos quanto ao prestígio e impossibilitados de acesso ao construído e instituído pelos Estados, os sujeitos (feirantes ou artistas) expulsos dos mercados oficiais, teimosamente, criaram brechas para sobreviver e aporrinhar a paciência de quem gostaria de ver tudo nos seus respectivos quadrados

De qualquer forma, terminada a função, antes ou depois da parada para reabastecimento, os comentários sobre o vivido e o trocado caracterizam-se em narrativas tão importantes quanto o futebol, a telenovela, as conquistas amorosas... A oralidade reina antes e depois, as relações instituídas no cotidiano preenchem, de verdade, a vida.

Daqueles primeiros e aludidos dias de festa – que segregaram em centro e periferia a desigualdade entre aqueles que têm e os que, quase além de si, pouco têm –, a “feira do viver” estendeu-se pelos tempos. Desse modo, de resistência em resistência, a gente que não consegue ser enquadrada em estruturas montadas e preparadas para determinados fins tem permanecido.

Principalmente, esses homens e mulheres da resistência, estão nos espaços que mudam sua função habitual para facilitar a vida daqueles que, tantas vezes, tem dificuldade maior de ter acesso aos espaços consagrados a certo tipo de ação. Nas feiras-livre pode-se ver, sobretudo, os velhinhos que tem dificuldade maior de andar tanto para abastecer suas casas. Assistindo ao espetáculo de rua pode-se ver um imenso contingente de pessoas que não teriam acesso à linguagem teatral não fossem esses artistas em sua modalidade teatral, que é o teatro de rua.

De certo modo, o teatro de rua, apresentado no corpo vivo da cidade, se caracteriza em certa distensão das atividades mais ligadas ao cotidiano dos transeuntes, dos andarilhos, dos desmotorizados... Entretanto, a linguagem teatral, no que diz respeito à recepção, é complexa, intensa, múltipla e paradoxal. A mesma cena pode ser percebida por inúmeras, e às vezes, opostas interpretações. No chamado teatro de caixa (aquele apresentado dentro de espaços teatrais), tudo tende a ser preparado para que o foco de atenção do espectador conflua para a cena. De modo oposto, na rua, há uma disputa de muitas ações, que tendem a roubar o foco da cena teatral.

Em razão disso, e pelo fato de múltiplas terem sido as experiências de resistência dos artistas da rua e o desenvolvimento de expedientes para sobreviver, é que o teatro de rua, talvez de todas as modalidades à disposição, seja aquele que mais se renova ou que mais potencializa seus achados e a interação com o público.

Fazer teatro em palco é difícil, e é infinitamente mais difícil fazê-lo em espaços públicos. Será que os ditos e nomeados “monstros sagrados do teatro” conseguiriam fazer uma cena na rua? Enfrentando sol e chuva, a polifonia (barulhos, falas e ruídos) da cidade, as intervenções de não atores que querem participar do espetáculo??? Muito provavelmente, não! Então, se o teatro de rua é tão mais difícil, porque tantos o criticam? Por que a experiência profissional de artistas tão valorosos da vida teatral não consta das histórias do teatro? Que outro motivo, senão o preconceito de classe, mesmo, explicaria tanto descaso?

Por último, aos leitores desta coluna e interessados em teatro, atualmente, muitos espetáculos de rua têm sido apresentados em diferenciados locais da cidade. Sugiro que eles sejam assistidos e que se possa criar hipóteses dos motivos pelos quais as obras da rua sejam tão contestadas (tantas vezes sem mesmo conhece-las...).

No processo de luta contra os artistas populares, e múltiplas foram as contendas e lutas enfrentadas contra todo tipo de agressão (do descaso às condenações diversas), os artistas das ruas sempre tiveram de criar todo tipo de estratagema tático para sobrevier, lutar e resistir.

A busca pelas paisagens inusitadas e pelas cenas fantásticas, que cantam os homens e mulheres comuns, em seus cotidianos, tem epicizado (no sentido de levar assuntos da história social) a cena da rua. Na rua todos os gêneros e estilos se misturam e se aproximam. Todo tipo de recursos tem sido usados para apresentar as obras. Claro, como comentado, na rua a competição por focos de atenção é fundamental, então tudo cabe para apresentar histórias no/ do aqui-agora: fogos de artifício, brinquedos, bonecos, miniaturas... Tudo já foi experimentado pelos “feirantes do teatro” no sentido de construir a cena e fincá-la no coração de homens e mulheres, velhos e crianças, transeuntes apressados ou moradores de rua.

Tudo já foi experimentado, e muito, ainda, há a ser feito e apreciado.

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pesquisador de teatro. Ele escreve sua coluna no blog sempre no primeiro domingo de cada mês.

 

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anderson dkassio bob sousa Dois ou Um com Anderson DKássio

O ator Anderson D'Kássio: de Macapá para o teatro musical de São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto BOB SOUSA

O ator Anderson D´Kássio faz teatro desde que se entende por gente. Começou aos quatro anos, no teatro amador, em sua terra natal, Macapá, no Amapá, norte do Brasil. Veio para São Paulo com o sonho de se profissionalizar na profissão. Fez graduação e pós-graduação em artes cênicas na cidade. Entre os nomes com quem estudou e trabalhou estão Georgette Fadel, Wolf Maya e Fernanda Chamma. Ele acaba de se despedir do espetáculo Cabaret, o Musical, dirigido por André Latorre e que segue em cartaz com temporada gratuita no Espaço Cia. do Pássaro, onde posou para o fotógrafo Bob Sousa. Fazia o escritor Clifford Bradshaw. Agora, viaja em turnê nacional com o musical infantil Palavra Cantada, sem Pé nem Cabeça, com direção de Marília Toledo. Ele aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois Ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Macapá ou São Paulo?
Macapá é minha cidade de origem, minha família toda está lá. Escolhi São Paulo para construir uma nova etapa da minha carreira e sou muito feliz aqui. Macapá é o coração e São Paulo minha razão.

Literatura ou dança?
Sou apaixonado por literatura dramática e quero ainda poder me dedicar a isso. A dança mantém meu corpo e mente conectados, vivos. Mas sinto que me comunico melhor com as palavras.

Drama ou musical?
Musical. A força que o gênero musical tem é indescritível. Ele pode chegar em todas as camadas da sociedade de maneira ímpar por unir tantos atributos. Em algum aspecto a pessoa se identifica, seja na música, na dança ou no teatro.

Liza Minelli ou Beyoncé?
Liza é um ícone, faz parte da história. Mas Beyoncé tem o que precisamos na atualidade. Um rigor e uma disciplina capazes de trazer da rua, dos guetos, a massificação da arte transformando-a em “show business”. Ela impressiona em todos os aspectos, uma artista completa que será lembrada pelas próximas centenas de anos.

Dilma ou Marina?
Votei na Dilma na última eleição e admiro sua firmeza no agir e pela sua trajetória profissional. Marina é realmente uma figura diferente na política e mostra isso através das suas atitudes. Votarei nela este ano por achar que mudar e arriscar é o princípio da descoberta. O Brasil precisa se descobrir.

Israel ou Palestina?
Não tenho muito conhecimento sobre a situação do Oriente Médio, mas a guerra nunca é a melhor saída.

Preto ou branco?
Sou eclético. Preto e branco juntos é um conjunto sempre muito bom!

Metro ou ônibus?
Metrô. Pra mim é uma das melhores invenções da humanidade e precisamos investir mais neste tipo de transporte.

Praia ou montanha?
Já fui de praia, mas hoje sou de montanha.

Eu quero a sorte de um amor tranquilo ou vem comigo, no caminho eu explico?
No amor não há regras, existe a experiência. As vezes a tranquilidade e as vezes a aventura, o desconhecido. Sou ariano, movido de paixões, mas com um coração que adora repousar e saber que pode bater mais calmo.

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agenda 5 9 2014 Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 05/09/2014

Lidiane Shayuri recebe ao vivo o colunista Miguel Arcanjo Prado: dicas culturais na Record News toda sexta, meio-dia

Na Agenda Cultural da Record News o colunista Miguel Arcanjo Prado conta para a apresentadora do Hora News, Lidiane Shayuri, tudo o que rola no fim de semana. Tem o festival teatral Mirada, em Santos. Em São Paulo, tem o Festival do Teatro Brasileiro, com peças vindas da Bahia. Em Florianópolis tem show em homenagem a Jair Rodrigues, com seus filhos, Jair Oliveira e Luciana Mello. No Rio, tem o primeiro show da turnê comemorativa dos 50 anos de carreira de Paulinho da Viola. Nos cinemas, tem o filme De Menor, de Caru Alves de Souza e Bem-Vindo a Nova York. Com edição de Aline Rocha Soares, Cinthia Lima e Gabriele Moreno.

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einstein 1 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Einstein, com Carlos Palma, conta a vida do famoso cientista do Teatro de Arena, em SP - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Viva o Arena
O emblemático Teatro de Arena, ali na esquina da rua Teodoro Baima com rua da Consolação, no centro de São Paulo, recebe neste mês de setembro a ocupação Núcleo Arte Ciência no Palco da Cooperativa Paulista de Teatro. Neste sábado (6), às 21h, reestreia A Dança do Universo, com direção de Soledad Yunge e texto de Oswaldo Mendes. Já às quartas  e quintas, às 21h, fica em cartaz Einstein, peça sobre o célebre cientista escrita por Gabriel Emanuel e dirigida por Sylvio Zilber. E tem opção para os pequeninos também: No Mundo de Artur, aos sábados e domingos, às 16h, dirigida por Carlos Palma.

Eu canto e danço
A turma do Colégio Rio Branco, em São Paulo, resolveu entrar na onda dos musicais. Os alunos da chiquérrima escola do bairro de Higienópolis montaram Grease: Nos Tempos da Brilhantina. As apresentações são nesta sexta (5), às 20h, e neste sábado (6), às 16h.

Multidão
A encenação, que tem 40 artistas no elenco, é inspirada no espetáculo da Broadway dos anos 1970 é focada no público adolescente. A idealização é de José Vinícius Toro, ex-aluno da escola que foi estudar musicais nos EUA. A entrada é grátis.

Prorrogou
Por conta do sucesso, o ator Nilton Bicudo prorrogou a temporada de seu monólogo Myrna sou Eu até 13 de dezembro. Sempre aos sábados, às 18h, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. O ingresso é R$ 40. Nova chance para quem ainda não apareceu por lá.

laerte kessimos angelica dass Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Laerte Késsimos fez teste na internet e deu que deveria votar em Luciana Genro - Foto: Angelica Dass

Eleições
O ator Laerte Késsimos fez um teste na internet para ver com qual candidato à Presidência tinha mais afinidades. Deu Luciana Genro. “É que sou comunista”, explica.

Miami Beach
Falando em Laerte Késsimos, o filme Eric, do qual é protagonista, foi selecionado para o Festival de Curtas de Miami, na Flórida, EUA.

Fundo do mar
Submarino, com direção de Pedro Granato, volta ao cartaz no dia 9 de setembro no Centro Cultural São Paulo. As sessões serão terças e quartas, às 20h. Estão todos convidados.

Baianidade
A Bahia invadiu o teatro paulistano no Festival do Teatro Brasileiro. As peças no CCBB-SP são de graça. Conheça a programação.

Teatro Mínimo
A peça A Hora Errada fica em cartaz no Sesc Ipiranga, em São Paulo, até 30 de setembro. Sempre terça e quarta, 21h30. O texto é de Lourenço Mutarelli e a direção, de Tomás Rezende. A peça mostra uma nova ordem mundial.

Os Gigantes da Montanha Cia  Galpao Guto Muniz Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Os Gigantes da Montanha faz temporada no Sesc Pinheiros, em São Paulo - Foto: Guto Muniz

Pira no Pirandello
O Grupo Galpão já marcou as datas das apresentações do espetáculo Os Gigantes da Montanha no Sesc Pinheiros, em São Paulo. A trupe de Belo Horizonte sobe ao palco do Teatro Paulo Autran nos dias 12, 13 e 14 de setembro. Anotou?

Bob, o pesquisador
O fotógrafo Bob Sousa vai apresentar sua pesquisa sobre a fotografia do teatro no 12º Seminário Internacional de Estudos Literários da Unesp, onde faz mestrado. O evento acontece na Faculdade de Ciências e Letras de Assis, no interior paulista, entre os dias 9 e 11 de setembro. O nome da pesquisa de Bob é A Fotografia como Tradução da Cena Teatral. Coisa fina.

As Damas de Paus
Quatro mulheres tentam preservar as tradições familiares. Este é o enredo da comédia musical As Damas de Paus, de Mara Carvalho, que estreia dia 12 de setembro no Teatro Fernando Torres, no Tatuapé, em São Paulo.

ze camila jennifer glass Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Zé Celso e Camila Mota em cena de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

Malas prontas
A numerosa turma do Teat(r)o Oficina vai descer a serra pela rodovia Anchieta na próxima segunda (8). É que eles vão apresentar no Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos,  a peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, de Zé Celso.

Novidades
A curtíssima temporada santista, nos dias 9 e 10 de setembro, às 20h, terá novidades no elenco. Fred Steffen está de volta ao Oficina para fazer o papel do Robocop-Robogolpe, antes era feito por Acauã Sol. Joana Medeiros, que está causando como Tonia Carrero em Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada, também entrou para o coro, assim como os atores Beto Mettig e Ana Hertmann.

Charuto cubano
Outra novidade em Santos será o cubano Ariel Rocha, que anda causando faniquito no Bixiga como o cavalo da peça Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada.

Mais um
Para completar, também está no elenco de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe o ator Eduardo Pelizzari, que já fez Malhação e participou do reality A Fazenda, da Record. Ele agora é um novo homem no Oficina. Os tempos de playboy bad boy ficaram para trás. Quem o vê por lá diz que é um outro rapaz. E justiça seja feita: está excelente como ator na peça Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada. A coluna viu.

oficina Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

O Teat(r)o Oficina original: em Santos foi feita uma cópia de sua estrutura - Foto: Divulgação

Causou
A apresentação de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe no Mirada causou comoção na equipe de produção do festival. Tudo porque nenhum teatro de Santos se encaixava nos moldes do prédio do Oficina em São Paulo, projetado por Lina Bo Bardi e Edson Elito. Foi preciso construir um espaço com duas arquibancadas, uma de frente para a outra, e com uma passarela no meio, no Engenho do Samba. Zé Celso aprovou.

Padrinho
Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo e curador do Mirada, foi quem indicou a peça. Ele viu a montagem no Oficina e deu a ordem: quero Robogolpe em Santos. Dito e feito.

Boca de urna
Os meninos do Oficina contaram à coluna que a peça ganhou novos significados nesta véspera de eleição. Dizem que vai abalar as estruturas. Vão botar pra quebrar.

Balneário
Os meninos e meninas do Oficina já colocaram biquíni e sunga na mala. Querem ver se conseguem pegar uma prainha entre uma apresentação e outra. Tomara.

palacio das artes paulo lacerda Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Fachada do Palácio das Artes, em Belo Horizonte: edital de artes cênicas aberto - Foto: Paulo Lacerda

Edital 1
Saiu nesta semana o edital do Prêmio Fundação Clóvis Salgado de Estímulo às Artes Cênicas 2014/2015. É um dos mais importantes de Minas. Além de financiar propostas de teatro e dança nas categorias montagem e circulação no interior de Minas e temporada no Teatro João Ceschiatti, o prêmio agora tem a Categoria Marcello Castilho Avellar. O nome é uma homenagem ao importante crítico mineiro. Quem levar nesta categoria vai se apresentar no Grande Teatro do Palácio das Artes, a principal sala teatral de Minas Gerais. Fique por dentro.

Edital 2
O Centro Cultural São Paulo também está com edital aberto. É a 1ª Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos. Como explica o curador de teatro da instituição, Kil Abreu, “é um edital para autores, mas não é apenas um concurso de textos, já que será finalizado com até três montagens a serem estreadas no CCSP no primeiro semestre de 2015”. As inscrições vão até 11 de outubro. Saiba mais.

ccsp Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Centro Cultural São Paulo está com edital aberto para novas peças - Foto: Carlos Rennó

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banos roma roberto blenda Mexicanos do Teatro Línea de Sombra revivem glória do lutador Mantequilla no Mirada 2014

Teatro Línea de Sombra do México apresenta Baños Roma no Mirada - Foto: Roberto Blenda

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos (SP)

Uma das apresentações mais aguardadas do Mirada 2014, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, é a da peça Baños Roma (Banhos Roma), do grupo mexicano Teatro Línea de Sombra.

O motivo de tanta expectativa se explica. Na edição de 2012, o grupo da Cidade do México impactou o público com Amarillo, peça sobre a imigração ilegal na fronteira entre México e Estados Unidos.

mantequilla Mexicanos do Teatro Línea de Sombra revivem glória do lutador Mantequilla no Mirada 2014

O boxeador Mantequilla: dias de glória ficaram no passado - Foto: Divulgação

Desta vez, no espetáculo concebido por Eduardo Bernal e Jorge A. Vargas, este último também diretor da montagem, o grupo conta a história de um boxeador do passado refugiado no interior mexicano, mais precisamente na violenta Ciudad Juarez.

Nesta espécie de limbo, ele precisa se confrontar com as lembranças de seu passado de glória em seu novo cotidiano.

A obra é inspirada em um personagem real: o pugilista José "Mantequilla" Nápoles, cubano naturalizado mexicano nascido em 1940 e ainda vivo em Ciudad Juarez, onde os artistas o entrevistaram para criar a peça.

A peça faz apenas duas apresentações no Mirada: nesta sexta (5) e neste sábado (6), sempre às 18h, no C.A.I.S Vila Mathias, em Santos, com entrada a R$ 40 (inteira).

No elenco estão Alicia Laguna, Jorge León, Malcon Vargas, Viany Salinas e Zuadd Atala, além do cantor Jesús Cuevas.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

Leia a cobertura do R7 no Mirada

Conheça a programação do Mirada

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alexandre borges foto bob sousa1 Entrevista de Quinta: Não quero me isolar, quero ser da turma do teatro, diz Alexandre Borges

O bom filho à casa torna: ator de sucesso na TV e no cinema, Alexandre Borges dirige dois espetáculos em São Paulo, cidade onde começou sua carreira nos palcos - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

A calma no imponente saguão do hotel Maksoud Plaza contrasta com o trânsito caótico na região da avenida Paulista. Enquanto carros buzinam furiosos, Alexandre Borges surge com uma expressão tranquila e um sorriso aberto no rosto. O caos fica do lado de fora e a paz se instaura momentaneamente.

Apesar de ser uma estrela da TV e do cinema, afinal são 25 novelas e 28 filmes no currículo, ainda mantém aos 48 anos aquele menino que em 1985 saiu de Santos rumo a São Paulo com o sonho de se tornar ator.

Ele não só conseguiu realizá-lo muito bem, como agora também se aventura em outra função. Na última terça (2), estreou no Teatro Cemitério de Automóveis, a peça Uma Pilha de Pratos na Cozinha, de Mário Bortolotto, com sua direção.

Também está em cartaz na capital paulista até 26 de outubro outra peça com direção sua, Muro de Arrimo, no Teatro Brigadeiro, com Fioravante Almeida.

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, Alexandre Borges falou sobre muitas coisas importantes para ele: a volta ao teatro paulistano, a relação com a família e os colegas de profissão, e até sobre a participação no último episódio de A Grande Família. E, claro, sobre o artista que quer continuar a ser.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Quer dizer que você agora é também diretor de teatro?
Alexandre Borges —
Pois é. Surgiram estes convites de amigos, pessoas que conheço há muito tempo, que admiro. Estou trabalhando com atores de uma geração mais nova. Foram pintando essas oportunidades. Resolvi topar. O Fioravante Almeida, do Muro de Arrimo, é meu amigo desde os tempos em que trabalhamos juntos no Oficina, quando ele estava começando. O Mário Bortolotto eu conheci em 2001, quando ele fez uma participação no filme O Invasor, do Beto Brant. De alguma maneira temos trajetórias parecidas. Somos de outra cidade e viemos para São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — Você é de Santos?
Alexandre Borges — Eu sou.

Miguel Arcanjo Prado — Estou indo agora para lá cobrir o Mirada [Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos]. Na sua época lá não tinha um festival tão grande assim...
Alexandre Borges — Não! Quem dera...[risos]

Miguel Arcanjo Prado — Como foi a estreia de Uma Pilha de Pratos na Cozinha?
Alexandre Borges — Foi ótimo! O Cemitério de Automóveis é um divisor de águas no teatro de São Paulo. O Bortolotto e aquela turma dele trouxeram uma linguagem nova. É um grupo importante, que renovou o teatro na cidade.

alexandre borges foto bob sousa21 Entrevista de Quinta: Não quero me isolar, quero ser da turma do teatro, diz Alexandre Borges

Alexandre Borges: "No começo fazia de tudo, figuração em comercial, feiras..." - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você também começou no teatro de grupo?
Alexandre Borges — Foi. Quando cheguei fiz parte do grupo Boi Voador, fiquei dez anos fazendo peças. Vim de Santos em 1985. Já fazia teatro infantil lá com meu pai, o Tanah Corrêa [um dos grandes nomes do teatro santista]. Sempre tive o sonho de ser ator. A família sempre preocupada [risos]. Meus pais são separados, e a família da minha mãe é mais tradicional... Em 1985, tomei coragem e vim para fazer um teste com o Antunes Filho, no CPT [Centro de Pesquisa Teatral], e passei. E o Boi Voador era muito ligado ao Antunes nessa época. Meu começo foi ali no Sesc Consolação, na rua Dr. Vila Nova.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi sobreviver nesta época?
Alexandre Borges — Poxa, Miguel, era dureza [risos]. Fazia de tudo, figuração em comercial, feiras, qualquer coisa que pintasse. Mas é assim mesmo, tem de se virar, tentar a independência na profissão, viver disso. Foi assim no começo. Aí rolou o cinema. E a televisão só surgiu depois de dez anos em São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — Você vive no Rio há muito tempo. Qual sua relação hoje com São Paulo?
Alexandre Borges — Quando fui para o Rio, me casei [com a atriz Julia Lemmertz], comecei a fazer televisão – estou há 21 anos lá –, mas, sempre tive o vínculo com meus amigos, meus companheiros de luta, de começo de carreira em São Paulo. Isso marca muito. Fiz com a Júlia Eu Sei Que Vou te Amar, com o Jabor, que foi aqui em São Paulo. Aí meu filho, Miguel, nasceu eu dei um tempo de teatro.

Miguel Arcanjo Prado — Por quê?
Alexandre Borges — A televisão estava me exigindo bastante e eu quis ser um pai presente, estar junto, ver a evolução. Aí dei um tempo no teatro. Quatro anos atrás, retomei minha relação com o teatro. Aí surgiu Eu te Amo, outra montagem com o Jabor, e Poema Bar, um espetáculo de poesia que já fiz no Rio, em São Paulo e na Europa. Eu faço Vinícius de Moraes e Fernando Pessoa, com um pianista de Portugal. Depois, vieram os convites desses atores que me chamaram para dirigir.

Miguel Arcanjo Prado — Como você virou diretor?
Alexandre Borges — Foi o Fábio Amaral, produtor, quem falou que eu poderia dirigir uma peça. Dois anos depois surgiu Uma Pilha de Pratos na Cozinha. E depois veio a peça Muro de Arrimo, com o Fioravante. Falei: põe meu nome aí, estamos juntos.

Miguel Arcanjo Prado — Foi difícil encarar esta mudança?
Alexandre Borges — De alguma maneira, eu sempre fui me preparando para esse lado da direção. Fui observando, trabalhando, tendo o gosto de ver a coisa. Direção é desde o trabalho do ator, mas ao mesmo tempo o figurinista te traz um desenho, o cara do cenário te mostra algo, e você vai vendo o que é legal, o que precisa mudar... Em vez de ser luz azul pode ser vermelha, a foto do programa pode ser esta... Você vai participando de todo o processo em um trabalho conjunto. Acho que me preparei para isso, porque no teatro já operei som, fui contrarregra, fiz divulgação, produzi, ajudei montar luz, fui atrás de patrocínio, viajei... Aos poucos fui caminhando para este lugar.

Miguel Arcanjo Prado — Sua mulher é atriz, sua enteada [Luiza Lemmertz] também já começou a fazer teatro aqui em São Paulo, com o Zé Celso e o Antunes. Como é ser de uma família de artistas?
Alexandre Borges — Nunca tivemos expectativa de a Luiza seguir carreira... O Miguel não sabemos o que vai ser. Acho que o artístico é importante. Os pais têm de estimular, levar ao teatro, a uma exposição, a um museu, a um concerto. A criança precisa ser estimulada a ter um senso estético. Mais do que uma carreira artística, quero que o Miguel tenha esse olhar artístico, de sacar o que é uma música clássica, o que é um rock, o que é o trabalho do ator, do músico, da dança. Isso deixa a pessoa com um refinamento para a vida, não importa se vai ser jornalista, ator, engenheiro. Ele vem ver a peça em São Paulo, comenta. A Luiza foi a mesma coisa, a gente sempre procurou que ela participasse de nossa vida artística, viajasse com a gente. Ela já decidiu que quer ser atriz. Agora, o Miguel ainda não sabemos, ele ainda vai decidir.

alexandre borges foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: Não quero me isolar, quero ser da turma do teatro, diz Alexandre Borges

"Não quero me isolar. Quero ser da turma do teatro", diz Alexandre Borges - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — O que você anda fazendo além do teatro?
Alexandre Borges — Em cinema, lancei o Getúlio, que foi um grande sucesso [no filme ele interpreta Carlos Lacerda, rival do presidente]. Na TV estou dando um tempo. Vou participar do último capítulo de A Grande Família. Vão ligar para o Lineu e dizer que estão pensando fazer um seriado e vão estudar a família dele como referência. Aí vem o Daniel Filho e a turma da TV pra casa deles. Cada ator convidado vai fazer um personagem como se fosse de A Grande Família. Eu vou fazer o Evandro Mesquita. Adorei este convite, porque sou fã da série.

Miguel Arcanjo Prado — Como é reencontrar São Paulo depois de 20 anos no Rio?
Alexandre Borges — Tem um pouco da memória emotiva, de você andar em mesmos lugares onde andou 25 anos atrás. Reencontrando pessoas e conhecendo pessoas novas. Para mim é um reencontro muito emocional, me renova. O artista sempre tem de estar em xeque, procurar coisas novas, desafio. Quero me colocar em uma situação que não é confortável. Agora tenho uma responsabilidade maior, preciso entregar um produto para o produtor, para o ator, para o público. Saí da minha zona de conforto. E eu sou isso: esse cara que quer fazer coisas novas, participar junto dos atores da nova geração, estar na roda.

Miguel Arcanjo Prado — Voltar a fazer parte da turma?
Alexandre Borges — Sim. Isso mesmo. Não quero me isolar. Quero ser da turma do teatro. Isso me rejuvenesce, me faz voltar ao estado anterior, onde tinha de me virar fazendo figuração, feira, teatro infantil...

Miguel Arcanjo Prado — E ainda não se hospedava no Maksoud Plaza...
Alexandre Borges — Exatamente. O Maksoud é um upgrade [risos]. Isso tudo me faz sentir vivo, atuante. E tudo é para o público. O público de São Paulo me dá muito carinho.

Miguel Arcanjo Prado — Mesmo na TV, você sempre é chamado para fazer paulistanos. Eu me lembro de você em A Próxima Vítima, que era uma novela bem de São Paulo. Também agora em Tititi...
Alexandre Borges — Eu levo um pouco de São Paulo para o Rio. Adoro o Rio, adoro estar lá, mas muito da poluição de São Paulo está impregnado aqui ó [bate no braço, mostrando as veias e sorrindo].

alexandre borges foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: Não quero me isolar, quero ser da turma do teatro, diz Alexandre Borges

Alexandre Borges, de volta a SP: "O artista sempre tem de estar em xeque" - Foto: Bob Sousa

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ariadna seixas Vou sentir saudade de meus shows na noite, diz Ariadna Seixas, que troca São Paulo por Floripa

Ariadna Seixas, na avenida 9 de Julio, em Buenos Aires, com retrato de Evita ao fundo - Foto: Arquivo Pessoal

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quem frequenta o Espaço Beta e a sala de leitura no terceiro andar do Sesc Consolação, em São Paulo, notou nas últimas semanas uma ausência importante: a da atendente Ariadna Seixas.

Após conquistar o direito de ser mulher, ela virou notícia como exemplo a ser seguido ao passar em um concurso do Sesc São Paulo e ocupar o importante posto no Sesc Consolação, uma das unidades mais importantes da rede.

Sempre simpática com todos, Ariadna, que já foi miss, logo ganhou logo o carinho dos frequentadores do espaço. Mesmo assim resolveu se impor um desafio e revirar a vida pelo avesso.

ariadna seixas2 Vou sentir saudade de meus shows na noite, diz Ariadna Seixas, que troca São Paulo por Floripa

Ariadna Seixas, em Puerto Madero, com o marido: férias portenhas antes da mudança - Foto: Arquivo pessoal

Decidiu abandonar São Paulo e ir morar em Florianópolis, Santa Catarina.

Neste mês de setembro, curte férias em Buenos Aires, na Argentina, antes de colocar tudo em um caminhão: ela, o marido e a cachorrinha, e partir para a ilha catarinense.

O Atores & Bastidores do R7 conversou com a Ariadna, que contou o porquê da mudança.

— Na realidade deixei o Sesc Consolação desde o dia 11 de agosto, porque vou tentar algo novo em Floripa. Estou cansada de São Paulo e toda essa loucura, agitação, stress e poluição. Vou pra Floripa para ter uma qualidade de vida melhor, não que eu vá viver de sombra e água fresca, mas são outros ares, viver em uma ilha cercada de praias e natureza com certeza vai influenciar na vida, na saúde, na pele [risos].

Ela conta que já tem planos profissionais para Florianópolis.

— Lá em Floripa pretendo entrar no Sesc Cacupé, um Sesc estilo hotelaria, com certeza novos desafios. E se não der certo vou trabalhar com make up, que é o que eu amo fazer, não vou trabalhar com nada artístico, a não ser que as portas se abram por lá.

Saudade da noite paulistana

Ariadna ainda revelou do que sentirá falta de São Paulo.

— O que mais vou sentir saudade de São Paulo, a melhor lembrança é dos tempos que fazia shows na noite. Com certeza São Paulo me marca nisso. Em relação ao Sesc, jamais vou esquecer: o Sesc Consolação me abriu as portas, me aceitou, me respeitou e me fez crescer como pessoa e mulher. Saí de lá com muito aprendizado e, por que não, ensinando muito também.

Mesmo tendo feito tantos amigos na capital paulista, ela mostra estar resoluta em sua decisão.

— Com certeza sentirei falta, mas sou movida por desafios. Entrar em outro Sesc e reconquistar um novo espaço pra mim será maravilhoso, espero que consiga. Fico fora do Brasil agora em setembro e, voltando, me mudo para Floripa com meu marido e cachorinha. Já fechamos casa lá.

Boa sorte, Ariadna.

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