sabias jorge etecheber 3 Musical Sabiás do Sertão é raiz brasileira no FIT BH

Cena da peça musical Sabiás do Sertão: artistas paulistas encantam mineiros - Foto: Jorge Etecheber

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte*

Além de Minas Gerais e dos espetáculos internacionais, cinco Estados brasileiros mandaram seus artistas para o FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte), que acontece na capital mineira até o próximo dia 20.

Um destas companhias visitantes é a Cia. Cênica, vinda de São José do Rio Preto, cidade do interior de São Paulo também famosa por seu Festival Internacional de Teatro.

O grupo existe desde 2007 e tem foco nas tradições populares do Brasil. A produção deles é tão intensa que a trupe mantém atualmente cinco peças em circulação — todas com foco em temáticas nacionais.

A escolhida para participar do FIT-BH é Sabiás do Sertão, apresentada neste fim de semana no FIT-BH. A obra estreou na sexta (16), no Conjunto Estrela Dalva. Neste sábado (17), às 18h, será apresentada na praça Duque de Caixas, em Santa Tereza. Já no domingo (18), às 16h, será encenada no Parque Guilherme Lage.

A montagem é definida pelo grupo como "um teatro musical brasileiro em um ato, uma chegança e uma andança", com direção de Luiz Carlos Laranjeiras, com co-direção de Fagner Rodrigues, que merece reconhecimento por ser o autor de espetáculo tão importante em tempos que engolimos qualquer coisa vinda da Broadway e muitas vezes damos as costas para o que temos por aqui.

sabias estevam collar 1 Musical Sabiás do Sertão é raiz brasileira no FIT BH

Sabiás do Sertão: raízes no palco - Foto: Estevam Collar

Em foco, ícones da nossa música caipira: a dupla Cascatinha & Inhana, casal no palco e na vida real, espécie de porta-bandeira de nossa música de raiz.

A montagem, com dramaturgia de Clara Roncati, revive a história da dupla, que cantou no rádio e em circos interioranos, por meio de uma companhia teatral mambembe.

Ritmos como toadas, boleros e guarânias — que evidenciam a influência de nossos vizinhos aqui na América Latina — estão presentes na obra e cativam o público, que canta junto, emocionado em reviver um tempo e um tipo de arte tão caro à nossa história artística e musical.

Que bom que ainda há artistas que, tal qual um sabiá do sertão teimoso, resistem em falar e cantar as nossas coisas.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

Acompanhe a cobertura do R7 no FIT-BH!

Conheça a programação completa do FIT-BH

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

coluna Ou Você Poderia Me Beijar 2 ronaldo gutierrez Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Em primeiro plano, o ator Felipe Ramos, em cena da peça Ou Você Poderia me Beijar - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Beija eu
Está de volta a partir desta sexta (16) a peça Ou Você Poderia me Beijar, do britânico Neil Bartlett, com direção de Zé Henrique de Paula. A obra ocupa o palco do Teatro do Núcleo Experimental, com Clara Carvalho, Roney Facchini, Marco Antonio Pâmio, Thiago Carreira, Rodrigo Caetano, Felipe Ramos e Claudio Curi. No texto, um casal precisa lidar com a morte do cônjuge após 60 anos juntos. A peça aborda temas como direitos civis dos casais homossexuais e como a sociedade trata os idosos. “Numa sociedade em que cada vez mais os direitos civis dos homossexuais entram na pauta diária das discussões, cabe ao teatro, como manifestação cultural que dá voz aos anseios de diversos grupos sociais, discutir esse assunto em profundidade”, diz Zé Henrique de Paula. Falou bonito.

Prazo
A nova temporada vai até 27 de julho. Sempre sexta e sábado, 21h, e domingo, 19h. A inteira é R$ 50; a meia é R$ 25. Mas quem frequenta o Núcleo Experimental sempre e tem cadastro por lá paga apenas R$ 10 (informações pelo telefone 0/xx/11 3259-0898). O endereço é rua Barra Funda, 637, em São Paulo.

Agenda Cultural da Record News; veja o vídeo abaixo:

coluna ancestrais guto muniz Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Kelly Crifer em cena da peça Os Ancestrais, do Teatro Invertido: grátis na Caixa Cultural - Foto: Guto Muniz

Mineiros em viagem
A turma do Teatro Invertido, de Belo Horizonte, vai celebrar seus dez anos de grupo na Caixa Cultural, na praça da Sé, 111, em São Paulo. Eles apresentam a peça Os Ancestrais, com direção e texto de Grace Passô, entre 22 de maio e 1º de junho, sempre de quinta a domingo, 19h15, com entrada gratuita. A obra já passou pelo Festival de Teatro de Curitiba e pela 8ª Mostra Latino-americana de Teatro de Grupo. Leonardo Lessa, um dos fundadores do Invertido, diz que a obra “amadureceu” antes de chegar a São Paulo. Ele declara que o grupo não gosta de colocar “camisa de força” em seus trabalhos, permitindo que evoluam com o tempo.

Oficina
O Teatro Invertido também dará oficina O Processo Criativo em Questão, com a participação de Kenia Dias, diretora de movimento de Os Ancestrais. Inscrições com currículo e carta de interesse para contato@teatroinvertido.com.br.

Enredo
Os Ancestrais conta a história de um grupo de pessoas que estão soterradas. Sob os escombros, os membros refletem sua vida e sua realidade. O cenário, com terra de sobra, é assinado por Fernando Marés. No elenco, estão Dimitrius Possidônio, Kelly Crifer, Janaína Morse, Leonardo Lessa e Rita Maia.

Plínio na área
E tem mais Plínio Marcos nos palcos. Seu texto Navalha na Carne ganha nova montagem sob direção de Marcos Loureiro e inaugura novo espaço no Teatro Garagem, rua Silveira Rodrigues, 331, na Vila Romana, em São Paulo. Em cena, os dilemas da prostituta Neusa Sueli (Anette Naiman), do cafetão Vado (Fransérgio Araújo) e do gay Veludo (Wilson Loria). Loureiro diz que “adora Plínio” e que está contente em encenar “pela primeira vez” uma obra de nosso dramaturgo maldito.

Intimista
Apenas 25 pessoas podem assistir cada sessão de Navalha na Carne. A inspiração estética da montagem foi a rua Augusta, reduto boêmio paulistano. A temporada irá até 6 de julho, sempre sexta e sábado, 21h30 e domingo 20h, com entradas a R$ 40.

Por Acaso Navalha Foto Ronaldo Dimer 7 net Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Cena da peça Por Acaso, Navalha, com Bárbara Salomé, em primeiro plano - Foto: Ronaldo Dimer

Navalha 2
Está em cartaz outra montagem para Navalha na Carne, do mesmo Plínio Marcos e também intimista. É Por Acaso, Navalha, com direção de Fernando Aveiro. Fica até 4 de agosto no Espaço Mínimo, na rua Barão do Bananal, 854, na Vila Pompeia, em São Paulo. No elenco, Bárbara Salomé, como Neusa Sueli, Murilo Inforsato como Vado, e Humberto Caligari como Veludo. Sábado e segunda, 21h, domingo, 19h. Ingressos a R$ 30. Nesta só são aceitas 20 pessoas por sessão. A dica é ver as duas versões. E depois você conta para a coluna de qual gostou mais, tá?

Viva o Peru!
O espetáculo peruano Impulso será apresentado no Sesc Santo André, no ABC, nos dias 24, às 12h e 19h, e no dia 25 de maio, às 16h e às 19h, dentro da programação do Festival Internacional Sesc de Circo. A entrada é gratuita.

bob sousa Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Bob Sousa, em autorretrato: fotógrafo fala de sua arte no Senac Santana, em SP - Foto: Bob Sousa

Bob e o teatro
Bob Sousa, nosso grande fotógrafo do teatro brasileiro, participa nesta sexta (16), no Senac Santana, em São Paulo, do projeto Cena Redonda: Uma Arte, Diversos Olhares. Ele vai falar sobre olhar imprescindível em nossos palcos. O encontro faz parte da 6ª edição do Comunicarte. É isso aí, Bob!

Peruana
A atriz Marba Goicochea ensaia uma performance com Pedro Paulo Rocha, filho de Glauber Rocha. Saiba mais.

Teatro no livro
Leonardo Cortez e Marcelo Lazarato estão ansiosos. É que hoje estreia o texto do primeiro com direção do segundo no Centro Cultural São Paulo. O nome da peça é Maldito Benefício. Que for ver vai levar o texto da peça de presente. A edição é simples e charmosa, em forma de brochura. A temporada vai até 29 de junho, sempre sexta e sábado, 21h, e domingo, 20h. O ingresso custa R$ 20, mas no dia 23 de maio vai custar apenas R$ 3. Não dá para perder, né?

Os Crespos 059 o Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Sidney Santiago Kuanza, em cena do monólogo do grupo Os Crespos - Foto: Pablo Rodrigues

Malandro
Cartas a Madame Satã encerra temporada neste fim de semana no Teatro Studio Heleny Guariba, na praça Roosevelt. Tem sábado, 21h, e domingo, 19h, com entrada a R$ 15. Em cena, Sidney Santiago Kuanza assume o monólogo escrito por José Fernando de Azevedo e dirigido por Lucélia Santos. As sessões estão concorridas.

Solidão, que nada
A editora nVersos lança o livro da peça Córtex, de Franz Klepper. A obra é sobre um homem solitário e perturbado. O espetáculo teve encenação de sucesso em 2012 no CCBB de São Paulo, com Otavio Martins no palco, sob direção de Nelson Baskerville. O livro tem 112 páginas e custa apenas R$ 15.

coluna maria callas vera lafer foto annelize tozetto Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

A bailarina Vera Lafer no espetáculo que homenageia Maria Callas - Foto: Annelize Tozetto

Dança conjunta
Paixão e Fúria – Callas, o Mito é o espetáculo de dança que está fazendo sucesso no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A obra é parceria do Studio 3 Cia. de Dança com a bailarina Vera Lafer à frente do time de 20 bailarinos. Ainda há a participação especial de Marilena Ansaldi, que foi solista na década de 1950 do Theatro Municipal de São Paulo e na década de 1960 do Balé Bolshoi, na Rússia. A coreografia é de Anselmo Zolla, com roteiro e direção de José Possi Neto. Só tem mais duas sessões: nesta sexta e sábado, 21h, com entrada a R$ 40. Após Sampa, a obra irá para Milão e Paris. Chiquérrimo.

get out Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Assis Benevenuto no seu monólogo Get Out, que fala do medo de avião - Foto: Divulgação

Malas prontas
Depois de se apresentar neste fim de semana no Teatro da Biblioteca, em Belo Horizonte, dentro da programação do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua), a peça Get Out, do grupo Quatroloscinco, parte para o interior paulista. A obra participa do circuito Tusp. No dia 24, estará em Bauru, às 20h. No dia 25 de maio, às 20h, em São Carlos. Já no dia 30 de maio, às 21h, em Ribeirão Preto. Para terminar, no dia 31 de maio, às 20h, em Piracicaba. Coisa boa.

curitiba 1 jorge mariano whiskyehamburguer Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Patricia Vilela e Mario Bortolotto em Whisky e Hamburguer - Foto: Jorge Mariano/Clix

Extra, extra!
Amiga da coluna, a atriz gaúcha Patrícia Vilela manda avisar que a peça Whisky e Hamburguer, que ela faz ao lado de Mário Bortolotto, terá sessões extras neste fim de semana. Sexta e sábado, 21h30, e domingo, 20h30. Lá no Teatro Cemitério de Automóveis, na rua Frei Caneca, 384. Está todo mundo convidado.

Satyros em BH
Olha aí, abaixo, o elenco do espetáculo Adormecidos, do grupo Os Satyros, que participa do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte) neste fim de semana. Nesta sexta (16), José Sampaio, Tiago Leal, Luiza Gottschalk e Katia Calsavara aproveitaram para conhecer o CCBB-BH, na praça da Liberdade, antes de ir para a Funarte, na rua Januária, no bairro Floresta, onde se apresentam. Posaram com exclusividade para a coluna. Ô trem bão, sô!

satyros bh Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

José Sampaio, Tiago Leal, Luiza Gottschalk e Katia Calsavara, do Satyros: quase mineiros no FIT-BH - Divulgação

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

agenda cultural record news Veja as dicas da Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 16/05/2014

Agenda Cultural da Record News: muita cultura para todos nós - Fotos: Divulgação

Não falta cultura na Record News. Na Agenda Cultural do Hora News desta sexta-feira (16), o colunista Miguel Arcanjo Prado revela para a apresentadora Lidiane Shayuri as melhores dicas da Virada Cultural que vai acontecer no fim de semana em São Paulo. E ainda conta as novidades de dois festivais teatrais de Minas Gerais: o FIT-BH e o Tiradentes em Cena. No cinema, tem A Recompensa, com Jude Law, a Mostra do Filme Livre no CCBB-SP com o melhor da produção nacional recente, a estreia do filme Gata Velha Ainda Mia, de Rafael Primot com Regina Duarte, e a exibição de Como o Seu Dragão 2 em Cannes. Com edição de Aline Rocha Soares, editora da Record News. Veja o vídeo:

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 4 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Aos 24 anos, o artista carioca Otto Barros é o diretor de cena do Teatro Oficina, um dos mais importantes grupos teatrais do Brasil dirigido por Zé Celso Martinez Corrêa em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Quando deixou o tradicional bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, Otto Barros pensou que fosse parar em Buenos Aires, sonho antigo que ele não sabe direito explicar por quê.

otto barros foto eduardo enomoto 8 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Otto Barros: ele queria ir para Buenos Aires, mas terminou em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Acabou no meio do caminho, em São Paulo, ou Sampã, como dizem os integrantes do Teat(r)o Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa, do qual faz parte.

Otto tem nome que homenageia o tio que deu força para o namoro de seus pais. Nasceu no Rio, em um inverno, no dia 15 de junho de 1989. A vida artística deu sinais ainda na escola, nas peças infantis. Cresceu e o teatro invadiu sua vida.

A estreia profissional foi aos 15 anos, com a diretora Goreth Albuquerque, em Roda Mundo Severino, uma adaptação de Morte e Vida Severina, do poeta João Cabral de Mello Neto.

Depois, foi trabalhar com Nelsinho Rodrigues, filho do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, em uma adaptação para A Vida como Ela É.

O ano de 2010 chegou e com ele veio o desejo de ir embora do Rio. Entrou em uma crise e resolveu sair fora. Justamente nesta época, o Oficina estava em cartaz na cidade. Ele ainda não fazia ideia da existência do grupo.

Estava cansado das oficinas de teatro, “com aquela coisa de ficar andando pelo espaço”, e foi ver Cacilda!!. A então diretora de cena do Oficina, Elisete Jeremias, o confundiu com um dos oficineiros e pediu que o ajudasse a embalar algumas coisas. Obedeceu. Está no Oficina até hoje.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 5 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Em 2010, Otto Barros deixou o bairro de Vila Isabel, no Rio, pelo centro paulistano - Foto: Eduardo Enomoto

O convite inicial foi se mudar para São Paulo, para ser assistente de Elisete, que logo virou mestre. Sua mãe, Denise, ficou preocupada. Mas apoiou o filho. É do tipo “protetora à distância até hoje”, define.

Fez as malas sem pensar muito e chegou em São Paulo em 27 de novembro de 2010, justamente quando o grupo fazia Dionisíacas, logo após Silvio Santos ceder o terreno ao lado para o Oficina utilizar em suas peças, marco histórico na disputa entre Zé Celso e o empresário.

Após mais de três anos na cidade, diz que ainda não conhece a metrópole direito — a primeira vez que pisou no Memorial da América Latina foi para fazer esta reportagem. Também conta que ainda sofre com o frio. Revela que estar no Oficina é uma espécie de mergulho intenso, com uma relação de afeto com os companheiros de cena.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 31 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Após mais de três anos em São Paulo, Otto Barros diz que ainda não conhece a cidade - Foto: Eduardo Enomoto

Dois anos depois que chegou, Elisete Jeremias deixou o Oficina. Otto precisou assumiu as rédeas da função de diretor de cena. Já a tinha substituído certa vez, em Macumba Antropofágica, quando ela precisou ausentar-se para participar da Quadrienal de Praga.

“Sem dúvida foi uma passagem de bastão. Mas não foi uma substituição. Não cheguei porque ela saiu. Ficamos dois anos trabalhando juntos. A saída da Elisete foi algo natural. Sinto que ela vai voltar em algum momento. Ela é de casa. O Oficina sente assim. Ela só está dando um tempo”. Conta que os ensinamentos de Elisete são utilizados em seu cotidiano. “Quando surge um problema, eu penso: ‘como que a Elisete resolveria isso?’. Sempre me ajuda. Ela ainda está presente. Deixou um legado.”

No Oficina, o diretor de cena está evidente o tempo todo. Integra o elenco no teatro projetado por Lina Bo Bardi que aboliu a diferenciação entre palco, plateia e coxia. Não há bastidores. Tudo é cena. Otto considera isso maravilhoso: “Tudo se mistura e passa por mim”.

Como sua função que exige atenção o tempo todo — é responsável pelo bom andamento técnico dos espetáculos, que no Oficina podem ultrapassar as cinco horas —, diz que é um trabalhão atuar e manter-se atento ao mesmo tempo. Mas sempre tudo dá certo. “Tem uma magia, as pessoas estão atentas aos sinais”. Para estar alerta, faz questão de chegar cedo e se aquecer por pelo menos duas horas.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 61 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Otto Barros precisa estar atento o tempo todo durante as peças do Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Revela que a maquiagem pesada e o figurino que usa em Walmor Y Cacilda 64: O Robogolpe, a atual peça do Oficina, o ajuda a entrar no clima: “É uma pintura quântica. Tudo parece um quadro de Picasso”.

Otto conta que Zé Celso virou um “amigo muito querido”. Afirma que o diretor “é um encenador muito esperto, que sabe o que quer e aproveita muito as pessoas no jogo”. “O Zé é um gênio do amor, da sensibilidade e do teatro. Traduz nele mesmo sua direção. Ele faz um movimento e eu já saco o que ele quer. E não tem essa coisa de mito. Eu chego ao teatro e ele está lá, se alongando. Quando pede para eu ir buscar um lanche, o chapeiro da lanchonete já sabe fazer do jeito que ele gosta. O Zé é simples. E genial ao mesmo tempo”, define.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Otto Barros mora no 19º andar de um edifício na avenida São João - Foto: Eduardo Enomoto

Quando precisa de tempo para si, vai para a varanda de seu apartamento, no alto do 19º andar do edifício na esquina de avenida São João com Duque de Caxias, coração do centro paulistano. “Gosto do centro, da cidade. Essa coisa de ficar no campo andando a cavalo e comendo fruta não é comigo. Não consigo”. É claro que há inconvenientes, mas prefere ver o lado bom. “Outro dia roubaram minha bicicleta, mas agora estou andando a pé e estou achando ótimo”.

Sobre o futuro, diz não fazer planos: “Acho ótimo não saber tudo o que quero. Estou vivendo. Só sei que quero continuar no teatro. Ah, e quero mais dinheiro para o teatro do que para a Copa”.

Otto Barros Foto Eduardo Enomoto 2014 2 “Quero mais dinheiro para teatro do que para Copa”, diz Otto Barros, diretor de cena do Oficina

Otto Barros: "Mais dinheiro para teatro do que para Copa do Mundo" - Foto: Eduardo Enomoto

Walmor y Cacilda 64: O Robogolpe
Quando: Sábado, 21h; domingo, 19h. 120 min. Até 29/6/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores da Bela Vista, com comprovante de residência); grátis no dia 17/5/2014 por conta da Virada Cultural, ingressos distribuídos a partir das 20h
Classificação etária: 16 anos

Agradecimento: Memorial da América Latina (Marília Balbi) e Oficina (Beto Mettig).

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

de tudo aquilo Cia. Depois do Fim vê dilema da despedida e cria De Tudo Aquilo que Eu Fiz Apenas para te Dizer Adeus

Peça com egressos da Escola Livre de Teatro discute a dificuldade do adeus - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quando uma turma de escola de teatro chega ao fim sempre é um dilema: o que fazer? A turma 14 da Escola Livre de Santo André, que se formou após a confusão que a escola viveu no ano passado, com um quase fechamento abrupto, conseguiu a façanha de pegar o diploma e uma parte resolveu criar a Cia. Depois do Fim.

Em pauta no palco, o dilema da despedida, neste mundo repleto de relações velozes e líquidas, como define Zigmunt Bauman, um dos papas do pensamento pós-moderno.

de tudo aquilo 2 Cia. Depois do Fim vê dilema da despedida e cria De Tudo Aquilo que Eu Fiz Apenas para te Dizer Adeus

Como dar fim a um ciclo? Questionamentos viraram peça de teatro na Casa Livre - Foto: Divulgação

O resultado é a peça De Tudo Aquilo que Eu Fiz Apenas para te Dizer Adeus, com direção de Luiz Fernando Marques, o Lubi, do Grupo XIX. O nome lembra o de outra montagem dirigida que contou com colaboração de Lubi, Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você, do grupo Magiluth, de Pernambuco.

Thiago Antunes, da Cia. 8 Nova Dança, faz a co-direção e Fabricio Zavanella, da Cia. do Mofo, a direção musical. Estão em cartaz na Casa Livre, na Barra Funda [veja serviço ao fim], a convite de Cibele Forjaz.

A obra é fruto de um ano de pesquisa. Nos primeiro seis meses, viram filmes e leram textos sobre a temática da despedida. Depois, se concentraram na criação da peça, coletiva.

Dos 26 aprendizes só restaram seis no grupo: Binho Cidral, Filipe Ramos, Leonardo Henrique, Natália Nery, Rodrigo Polla e Romário Oliveira. Dizem que o trabalho "é fruto de um convívio diário, de descobertas, criações, lutas, onde rimos, choramos e nos demos as mãos".

De Tudo Aquilo que Eu Fiz Apenas para te Dizer Adeus
Quando: Sábados, 21h; domingos, 20h. Até 15/6/2014
Onde: Casa Livre (rua Pirineus, 107, metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3257 6652)
Quanto: R$ 16
Classificação etária: 14 anos

 

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

raul fora da lei Capital mineira do cinema, Tiradentes quer teatro

Em Tiradentes: ator Roberto Bomtempo vive Raul Seixas no musical Raul Fora da Lei - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A histórica Tiradentes, que se tornou a capital do cinema em Minas com sua tradicional Mostra de Cinema de Tiradentes — que fez sua 17ª edição no começo do ano —, agora também quer o título de capital teatral do Estado.

Enquanto em Belo Horizonte acontece até o dia 20 o FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua), o pequenino município do interior mineiro dá largada nesta sexta (16) à 2ª edição da Mostra de Teatro Tiradentes em Cena.

Apesar de jovem, o evento já tem números de impressionar. Neste ano, até o próximo dia 24 de maio, serão apresentados 28 espetáculos teatrais, além de intervenções cênicas, oficinas e palestras.

E o melhor: tudo de graça. Além de Minas, há peças fluminenses e paulistas.

Um palco já está montado na praça principal de Tiradentes. Atividades também vão acontecer no Sesi Centro Cultural Yves Alves, além de em outros espaços alternativos da cidade histórica.

Roberto Bomtempo, ao lado de sua mulher, a atriz Miriam Freeland, promete sacudir os mineiros no sábado à noite com o musical Raul Fora da Lei, uma homenagem ao roqueiro Raul Seixas que fez sucesso no Rio 15 anos atrás e volta especialmente para o festival.

Estão na programação peças como Calango Deu, com Suzana Nascimento, Bicho do Mato, com os Tapetes Contadores de Historia, Eu Vi o Sol Brilhar em Toda Sua Glória, com João Paulo Lorezon e Billdog, com Gustavo Rodrigues.

Idealizadora do evento, Aline Garcia diz que os moradores e os empresários de Tiradentes acolheram o festival teatral: "Isso prova que estamos no caminho certo, e reforça a vocação da cidade para eventos de qualidade", diz.

Neste ano, 382 espetáculos se inscreveram para o Tiradentes em Cena, dos quais sobraram os 28 escolhidos. Em 2014, a homenagem é ao grupo mineiro Ponto de Partida, com 33 anos de história com 21 artistas sempre trabalhando.

Conheça a programação do Tiradentes em Cena!

tiradentes as santinhas da comedia Capital mineira do cinema, Tiradentes quer teatro

Peça As Santinhas da Comédia é apresentada na praça de Tiradentes (MG) - Foto: Divulgação

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

eloisa vitz eduardo enomoto Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: em meio ao caos, diretora do Grupo Gattu escreveu peça - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Geralmente, momentos de caos costumam aguçar a criatividade artística. Foi assim com o aguerrido Grupo Gattu de Teatro, que acaba de abrir uma sala própria na zona norte de São Paulo: o Teatro do Sol, no bairro Santana, onde encena a comédia política Reino. O espaço é uma vitória após um grande pesadelo.

O nome é uma forma de espantar a tristeza que a companhia sentiu ao ter de fechar sua antiga sede, um belo casarão na rua dos Ingleses, na Bela Vista, região central de São Paulo, por não conseguir mais dar conta do alto aluguel.

Contudo, em vez de se afundar na depressão, o Gattu resolveu levantar a cabeça e seguir em frente com sua arte, mesmo sem apoio governamental.

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, a diretora da trupe, Eloisa Vitz, conta como foi o processo que culminou na criação do espetáculo Reino, que conta os ditames de uma rainha que não quer abandonar o poder. O público que interprete o recado como quiser.

Eloisa, que é formada pela Escola de Arte Dramática da USP (Universidade de São Paulo) e já integrou o Grupo Tapa, faz observações importantes nesta conversa, como a dificuldade de sobrevivência teatral sem o apoio governamental — o que é oferecido atualmente não dá conta de toda a produção teatral paulistana.

Leia com toda a calma do mundo.

eloisa vitz eduardo enomoto 4 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: Grupo Gattu passou por um pesadelo de sobrevivência - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Vocês chegaram a abrir sede na Bela Vista, mas que teve de ser fechada depois. Foi o preço do aluguel que expulsou vocês do centro?
Eloisa Vitz – Foi. Abrimos a sede e não conseguimos arcar com o aluguel. Ficou muito pesado e sem apoio nenhum, foi difícil, falimos, mas conseguimos nos recuperar!

Miguel Arcanjo Prado – O que acha de outros teatros estarem sofrendo com a especulação imobiliária?
Eloisa Vitz – Não acho que seja a especulação imobiliária que está afetando outros teatros, ou pelo menos não só. Há outros fatores que afetam grupos de pesquisa teatral como o Grupo Gattu. Muitos grupos precisam do apoio do Fomento ao Teatro [programa de incentivo da Prefeitura de São Paulo] para manter suas sedes. A bilheteria não consegue mais manter o grupo. E aí ficamos em uma encruzilhada, porque poucos grupos são contemplados e muitos ficam de fora. O apoio governamental seria fundamental para dar continuidade à pesquisa teatral.

Miguel Arcanjo Prado – Por que o Gattu foi para a zona norte paulistana?
Eloisa Vitz – Primeiro, porque tenho uma relação afetiva com o bairro, sou de Santana, nasci lá e amo aquele bairro. Depois, achamos interessante descentralizar a opção de cultura e levar para a zona norte mais um polo teatral. E construímos o Teatro do Sol, que ficou lindo, e charmoso. E agora é mais um teatro para a cidade de São Paulo. Parece que temos esta missão de construir teatros [risos].

eloisa vitz eduardo enomoto 2 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz é formada pela Escola de Arte Dramática da USP e criou o Grupo Gattu - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Como é voltar à região onde você cresceu?
Eloisa Vitz – Você sabe que fomos tão bem recebidos, a região norte pareceu bastante receptiva com a nossa vinda. Fiquei lisonjeada pela acolhida. Este reencontro está sendo muito produtivo. Estamos criando laços com várias outras companhias que também estão na região.

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que o teatro precisa descentralizar e criar o hábito de frequentá-lo em outras regiões da cidade?
Eloisa Vitz – A cidade de São Paulo é enorme e temos um problema de mobilidade. Acreditamos ser de fundamental importância criar polos de Cultura em todas as regiões, garantindo acessibilidade à cultura de qualidade. Ainda mais que esta peça está com ingressos gratuitos. É lindo e apaixonante poder oferecer este espetáculo assim, totalmente sem empecilhos para a população e seguirmos com a nossa outra missão a de formação de plateia.

Miguel Arcanjo Prado – Como o público tem reagido?
Eloisa Vitz – O público está reagindo de forma fantástica ao espetáculo. As gargalhadas são nosso maior trunfo!

Miguel Arcanjo Prado – Como surgiu a ideia da peça; como foi o processo?
Eloisa Vitz – O processo da peça foi muito interessante. Eu estava destruída, devolvendo a casa, meus atores faziam a mudança e eu não conseguia ajudar a desmontar o teatro lá na rua dos Ingleses. Então, sentei no sofá no meio do caos e comecei a escrever a peça. Foi minha salvação! Depois, estávamos exaustos, eles de carregar refletores, tapetes, cenários e eu de escrever. Parávamos e eu lia as cenas para eles. Estava nascendo O Reino no meio do caos. Estávamos pesquisando a comédia. Depois dos quatro Nelson Rodrigues, queríamos estudar a comédia. Aí, eles me desafiaram a escrever. A princípio não tive coragem de assinar o texto e arranjei o pseudônimo Tito Sianini. Como Tito, fiz Frizante e Rapunzel. Com a peça Reino, tomei coragem e assino [risos].

reino grupo gattu Amanda Semerjion Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz, com a coroa, posa com o elenco de O Reino, nova peça do Gattu - Foto: Amanda Semerjion

Miguel Arcanjo Prado – Já estava na hora! Como é o enredo?
Eloisa Vitz – O Reino é uma comédia política que tem como mote a trajetória de uma rainha que faz de tudo para manter-se no poder. O humor é nossa maior arma. Não temos como mudar nada. Mas denunciamos. Apontamos.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi a seleção do elenco?
Eloisa Vitz – Somos um Grupo com repertório e atores que já trabalham comigo há muitos anos. Então, só escolho dentro do meu elenco, aquele que se encaixa melhor para o personagem.

Miguel Arcanjo Prado – Como o Gattu sobrevive há 14 anos?
Eloisa Vitz – Com paixão. Vivemos com paixão pelo teatro. Isso inclui muito trabalho, de seis a oito horas de ensaio por dia. E o desafio de captar recurso através de Leis de Incentivo Fiscal.

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que a Copa prejudicou o teatro?
Eloisa Vitz – Não. Eu acho a Copa maravilhosa para o Brasil. A questão com a Copa não é o evento em si, mas sim como os políticos aplicaram a verba pública. O que irrita é a corrupção. O desvio de verbas e o superfaturamento das obras. Poderia ser um evento maravilhoso, trazendo divisas, turismo e prosperidade para o País.

Miguel Arcanjo Prado – O Gattu faz também teatro infantil. Qual a importância disso na formação de público?
Eloisa Vitz – Antes não fazíamos, mas confesso que depois da Rapunzel, eu me apaixonei pelo teatro infantil. Amo estar na plateia e ouvir as gargalhadas das crianças! Acho que queremos mais e penso que fazer um teatro infantil de qualidade forma um público fiel ao teatro.

Miguel Arcanjo Prado – Quais são os projetos para 2014 do grupo? E para 2015?
Eloisa Vitz – Primeiro é ficarmos ricos [risos]. Depois, temos o projeto de uma longa temporada com o Reino e outra peça adulta para o segundo semestre, que já estamos ensaiando. Para 2015, um infantil sobre uma lenda brasileira e outra peça adulta!

Miguel Arcanjo Prado – Qual é a cara do teatro que o Gattu faz?
Eloisa Vitz – A excelência artística é a cara do Grupo Gattu. É nosso norte. Depois, temos o humor que nos acompanha sempre e certo ar despretensioso [risos].

eloisa vitz eduardo enomoto 3 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: "O Grupo Gattu tem humor e certo ar despretensioso" - Foto: Eduardo Enomoto

Reino, com Grupo Gattu
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 20h. 75 min. Em cartaz por tempo indeterminado
Onde: Teatro do Sol (rua Damiana da Cunha, 413, Santana, São Paulo, tel. 0/xx/11 3091-2023)
Quanto: Grátis
Classificação etária: 14 anos

Conheça a trajetória de Eloisa Vitz

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

sp surrealista bob sousa Teatro do Incêndio inaugura novo espaço na Virada

Cena de São Paulo Surrealista: peça inaugura novo espaço do Teatro do Incêndio - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de BOB SOUSA

O Teatro do Incêndio, sob comando do diretor Marcelo Marcus Fonseca, vai aproveitar o frenesi da Virada Cultural, neste próximo fim de semana, para abrir seu novo espaço.

A trupe celebra maioridade, com 18 anos de história nos palcos paulistanos. A nova sede fica na rua da Consolação, 1.219, região central da metrópole. Antes, o grupo funcionava na rua Santo Antônio, na Bela Vista, mas precisou deixar o local por não suportar mais os altos valores cobrados de aluguel.

A primeira apresentação no novo espaço está marcada para o próximo sábado (17), às 22h, no galpão transformado em teatro de arena. Serão duas sessões seguidas da peça São Paulo Surrealista. Além disso, o grupo promete bloco carnavalesco, poesia e performances em frente ao teatro, antes e após as sessões.

O que você pretende curtir na Virada Cultural 2014 em SP?

  • Teatro
  • Shows
  • Exposições
  • Circo
  • Gastronomia
  • Tudo isso e mais um pouco!

Barriga do tamanduá

São Paulo Surrealista começa com  um altar com um “grande tamanduá humano”, onde os espectadores são recebidos ao som de um mantra de Rimbaud entoado pelos atores. Da barriga do tamanduá surge o rio Tietê, que leva a plateia até uma banca de jornal com notícias poéticas e caóticas da cidade.

Para completar, Baco visita a metrópole e invoca o escritor Mário de Andrade e o poeta Roberto Piva. No enredo de Marcelo Marcus Fonseca, ainda há espaço para a feminista Pagu, o teórico do teatro Antonin Artaud, o dramaturgo Nelson Rodrigues e o surrealista Salvador Dalí, que surge em uma roda de samba. A peça tem direção musical de Wanderley Martins.

No elenco, além de Fonseca e Martins, estão Sergio Ricardo, Caiti Hauck, Gabriela Morato, Vlad Rocha, Flavio Kage, Priscilla Lima, Camila Bertani, Caio Franco, Ana Cecília Moretto, Valcrez Siqueira, Guilherme Valente Dias, Luiz Castro, Diogo Cintra, Elena Vago, Gustavo Oliveira, Viviane Monteiro e Victor Dallmann.

Depois da maratona, a obra seguirá em temporada aos sábados e domingos.

Nova peça

O grupo revela que já pensa em novo projeto: a peça Pano de Boca, de Fauzi Arap, que já está em processo de ensaio.

“O grupo é um lugar para cerca de 20 jovens exercitarem sua vocação”, diz Fonseca, que deseja que o novo teatro seja “um espaço de pesquisa e formação, sobretudo de experimentação em todos os sentidos”.

sao paulo surrealista bob sousa Teatro do Incêndio inaugura novo espaço na Virada

"Teatro do Incêndio é espaço de experimentação em todos os sentidos", diz diretor - Foto: Bob Sousa

Teatro do Incêndio na Virada Cultural
Quando: 17/5/2014: 20h (Corte da Fita Amarela de Noel Rosa e abertura das portas); 22h (Espetáculo São Paulo Surrealista – primeira sessão); 23h15 (Bloco Carnavalesco  - percurso: Teatro do Incêndio, Casa Amarela e Teatro do Incêndio; e manifestações artísticas na entrada); 1h (Espetáculo São Paulo Surrealista – segunda sessão)
Onde: Teatro do Incêndio (r. da Consolação, 1219, São Paulo, tel. 0/xx/11 2609-3730)
Quanto: Grátis
Classificação etária: 16 anos

São Paulo Surrealista - Temporada
Quando: Sábados, 21h; domingo, 19h. 70 min. Até 7/9/2014
Onde: Teatro do Incêndio (r. da Consolação, 1219, São Paulo, tel. 0/xx/11 2609-3730)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 1 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

A leveza da atriz peruana Marba Goicochea: poesia na arte brasileira - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Numa cidade feita de gente de toda parte do Brasil e do mundo, cada qual carregando o seu sotaque, sua cultura, a fala da atriz peruana Marba Goicochea é a cara de São Paulo.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 2 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Marba Goicochea no Memorial da América Latina: peruana é a cara da arte de São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

O teatro paulistano, que afirma sempre por aí ter pretensões de dialogar com a diversidade a seu entorno, precisa saber que artistas como ela são fundamentais.

Por isso, a ausência de Marba Goicochea nos palcos empobrece a arte e a cidade.

Marba fez sucesso em peças como El Truco, com Os Satyros, em 2007, e Máquina de Dar Certo, com a Cia. Bruta de Arte, dirigida por Roberto Audio, em 2012.

Sempre utilizando sua figura ímpar como potência poética.

Marba veio de Lima, no Peru, já faz mais de dez anos. Até pouco tempo atrás, morava na praça Roosevelt, reduto do teatro paulistano, onde tem amigos por todos os lados.

Agora, está na vizinha rua Avanhandava, onde há menos barulho de skates e bares, permitindo um sono melhor. Afinal, ela acorda cedo para dar suas aulas de espanhol.

A atriz é doce. Tem uma energia do bem. Que encanta e comove. Passar um tempo ao lado de Marba mexe com a gente.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 8 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

É cheia de doçura e sensibilidade que Marba Goicochea posa para o fotógrafo Eduardo Enomoto

É com essa doçura que ela posa para o fotógrafo Eduardo Enomoto no Memorial da América Latina. Tímida, vai ouvindo as dicas. Aprende rápido. Faz bonito.

Depois, debaixo de uma sombra, tenta, com o português mais lindo do mundo, explicar sua ausência nos palcos. Diz não foi uma decisão só sua. Foram circunstâncias da vida. E também de oportunidades que não chegaram. Mas vão chegar.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 4 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Marba ficou mais de um ano longe dos palcos: circunstâncias da vida - Foto: Eduardo Enomoto

Seu retorno foi no último festival Satyrianas, no fim de 2013, na peça Escola de Tiranos, dirigida por Fransérgio Araújo, com a pesquisa Teatro Selvagem da Cia. Ópera Ritual.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 51 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

A atriz peruana Marba Goicochea: sem ela, e seu sotaque, o teatro fica sem sem poesia - Foto: Eduardo Enomoto

Mesmo no horário das 4h da madrugada houve fila e disputa por entradas. Muitos saíram falando que o grande charme era a menina que falava castelhano.

Por mais que ela seja tímida, sempre é assim quando ela é colocada sob os holofotes.

Marba gosta de trabalhar em processos colaborativos. Onde possa propor algo como artista. Assim será na performance Estylhaço Black!_Obra-Player, uma série de intervenções no espaço urbano, misturando realidade e ficção a partir de junho. A direção é de Pedro Paulo Rocha, filho do cineasta baiano Glauber Rocha, um dos maiores nomes do cinema brasileiro.

Enquanto outras oportunidades não vêm no teatro, no cinema e na TV, ela aproveita o tempo livre para estudar.

Já é formada em cinema e TV no curso de Ciências da Comunicação da Universidad de Lima. E também se formou em musicoterapia no Brasil. E acaba de trancar o oitavo semestre de psicologia para investir no curso de licenciatura em português e espanhol.

Revela que quer melhorar a língua falada de seu cotidiano brasileiro e ainda obter titulação para continuar suas aulas de espanhol em escolas também – Marba é professora requisitada na cidade, reverenciada por alunos que vão de empresários a crianças.

Se a língua máterna caminha junto de seu português, o sotaque sempre foi um fantasma. Que conseguiu assustá-la muitas vezes.

olhos marba goicochea foto eduardo enomoto 2014 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Os olhos de Marba Goicochea: a doce força de uma atriz que resiste - Foto: Eduardo Enomoto

Marba já escutou que precisava perder seu sotaque a qualquer custo. Senão, não teria trabalho. Mas – ainda bem – ouviu de gente mais sensível que seu sotaque trata-se, justamente, de seu bem mais precioso, seu diferencial expressivo.

Num mundo tão pasteurizado pela televisão, que uniformiza tudo e todos, é fundamental que o teatro abra espaço para a resistência de distintos sons. Sons que são realidade na metrópole cosmopolita.

Marba sabe que precisa enfrentar o preconceito por falar diferente dos demais. Mas, pelo menos, já desistiu de se tornar igual a todo mundo. O que faz muito bem.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 61 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Marba Goicochea já desistiu de tentar ser igual a todos e perder o sotaque, o que faz muito bem - Foto: Eduardo Enomoto

“Fico triste que ainda exista este tipo de preconceito, porque queria trabalhar muito mais. Já cheguei a pensar: será que eu devo mesmo perder o sotaque? Amo atuar. Ficar longe da minha profissão é muito duro. É triste. Quem é contra o sotaque internacional, também vai ser contra o sotaque baiano, mineiro... É um preconceito retrógrado nesta época de tanto intercâmbio mundial. Falar que eu preciso perder o sotaque é o mesmo que dizer que o brasileiro precisa se adaptar ao inglês americano para conquistar algum lugar no mundo. Por que tem de perder o sotaque? Se ele é justamente a nossa riqueza? É a diferença que deixa a vida mais bonita”, diz.

Marba está coberta de razão.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 31 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Marba Goicochea: "A diferença é que deixa a vida mais bonita" - Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Memorial da América Latina (Marília Balbi); Carmem San Diego (maquiagem); Finéias (cabelo) e Otto Barros.

Leia o perfil de Marba Goicochea!

Saiba mais sobre Marba Goicochea!

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

marrua parlendas Sabina Ciari Teatro de Rua: Marruá é oferta poética e sincera ao público que luta pela existência digna e resiste

Grupo Parlendas investigou raízes do Brasil para fazer a peça Marruá - Foto: Sabina Ciari

Por LUIZ EDUARDO FRIN*
Especial para o Atores & Bastidores do R7

Marruá é o nome dado ao boi não domesticado, que se desgarra do rebanho e se fortalece ao permanecer selvagem e livre.

Não por acaso, Marruá também é título do espetáculo do Grupo Teatral Parlendas, com direção de Luciano Carvalho para a criação coletiva, que será apresentado no próximo fim de semana no Sesc Itaquera, em São Paulo, dentro da programação da Virada Cultural [veja serviço ao fim].

marrua2 Teatro de Rua: Marruá é oferta poética e sincera ao público que luta pela existência digna e resiste

Marruá: oferta de Brasil ao público - Foto: Sabina Ciari

No fim de 2013, mais especificamente no dia 4 de dezembro, a obra foi apresentada na praça do Patriarca, no centro paulistano. Ao término, em meio ao frenesi da metrópole, com um sorriso, a atriz Natália Siufi convidou o público a comer uma melancia. Segurando a fruta que fora utilizada em cena, ela disse algo como: “Vamos comer, gente! A comida é pouca, mas a gente sabe repartir... Como repartimos com vocês essas histórias que criamos a partir de relatos de pessoas que vivem em comunidades de resistência, como assentamentos, que visitamos pelo Brasil".

A fala da atriz sintetizou o que o que acabara de ser mostrado: o espetáculo Marruá é uma grande oferenda e um grande convite.

Durante o espetáculo, a oferta de músicas e danças inspiradas na cultura popular convida o público a conectar-se, ou a reconectar-se, com referências estéticas esquecidas, abandonadas, ou, renegadas na grande cidade.

Compõem o elenco Asnésio Bosnic, Dara Freire, Danilo Villa, Elton Maioli, Marina Vecchione, Maria Gabriela D'Ambrozio, Mário Queiroz Viana e a já citada Natália Siufi. Já a parte musical é fruto do trabalho de Tião Carvalho, Eric D`Avila, Igor Giangrossi e Fábio Pinheiro.

A oferta de uma movimentação cênica com marcações precisas convida o espectador a adentrar no mundo da representação, da teatralidade; ao mesmo tempo em que compartilha com ele esses procedimentos contemporâneos de encenação.

marrua parlendas Sabina Ciari 22 Teatro de Rua: Marruá é oferta poética e sincera ao público que luta pela existência digna e resiste

Marruá tem sessão na Virada - Foto: Sabina Ciari

Também é contemporânea a estruturação fragmentada da dramaturgia. A oferta dos blocos narrativos que se sucedem convida o público a procurar por uma história, por uma fábula, e o faz constatar que a narrativa que se estrutura por retalhos é a que se apresenta concretamente, todos os dias, a cada espectador presente: Marruá é sobre a luta, a luta pelo existir com dignidade. A luta para se desgarrar do rebanho e enfrentar os desmandos dos poderosos de todos os lugares.

Os figurinos são funcionais e representativos; ou seja, servem como elemento neutro que veste atores e atrizes de um grupo de teatro em performance na rua, assim como demonstram características específicas das personagens representadas.

As movimentações cênicas são, em momentos, precisas com a proposição de se constituírem em elementos componentes das narrativas. Em outros, são livres e buscam incentivar a participação dos espectadores.

A cenografia, composta por objetos simples como bastões e cordas, serve ao objetivo de representar estruturas dos ambientes nos quais a ação se dá; como as cercas que delimitam territórios – físicos e simbólicos – e que precisam ser derrubadas.

Elemento importante do espetáculo é a poética e inspirada confecção dos adereços feitos por artistas de diferentes partes do País e que trazem, concretamente, para o palco, as andanças do grupo.

No final, como uma representante do grupo, Natália Siufi não esconde o orgulho de convidar a todos para que a partilha simbólica da arte seja realçada pela partilha do alimento.

O público não faz cerimônia e, em instantes e em festa, devora a melancia; e o espetáculo se completa.

*Luiz Eduardo Frin é ator formado pelo Indac- Escola de Atores, onde é professor de Montagem de Espetáculos, Estética e História do Teatro. Mestre e Doutorando em Artes Cênicas na Unesp (Universidade Estadual Paulista) sob a orientação do prof. dr. Alexandre Mate. Atuou e dirigiu diversos espetáculos teatrais, musicais e operísticos. A coluna Teatro de Rua é idealização do fotógrafo Bob Sousa; ela é escrita por pesquisadores da pós-graduação do Instituto de Artes da Unesp, onde ele faz mestrado.

Marruá, com o Grupo Parlendas
Quando: Sábado (17/5/2014), 18h30
Onde: Sesc Itaquera (av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000, Itaquera, São Paulo, tel. 0/xx/11 2523-9200)
Quanto: Grátis (programação Sesc da Virada Cultural)
Classificação etária: Livre

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com