3 6 popup Coluna do Mate — Uma rápida viagem por entre a produção teatral paulistana do século XVI ao XVIII

Pátio do Colégio, na região central de São Paulo - Foto: Divulgação

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate — Uma rápida viagem por entre a produção teatral paulistana do século XVI ao XVIII

Alexandre Mate: Foto: Bob Sousa

Por ALEXANDRE MATE*
Especial para o Atores & Bastidores

"Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá

[...]

Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê
Me tira a luz."

Chico Buarque de Hollanda e João Bosco (Sinhá).

Alguns versos da belíssima letra de Chico Buarque de Hollanda, na música Sinhá, podem demonstrar, de maneira exemplar, a luta dos artistas do teatro para conseguirem, ao longo da história, apresentar seu ofício. No Brasil, de modo idêntico ao que aconteceu, sobretudo com a cultura popular no mundo, a produção teatral, dos poucos documentos e referências de que se dispõe, em longo período histórico, teve de enfrentar todo tipo de proibição e perseguição.

De modo rigorosamente sucinto, o teatro brasileiro de influências europeias, porque os ritos das diversas tribos locais jamais foram considerados, começa a ser praticado no século XVI. Em tese, as versões históricas informam que foi o padre jesuíta José de Anchieta quem escreveu e “dirigiu” os primeiros espetáculos em certas áreas costeiras brasileiras. Em São Vicente e, posteriormente, no planalto paulista, sobretudo onde hoje fica ao Pátio do Colégio, o padre apresentou suas obras: o gênero teatral conhecido por auto, muitos deles falados em português, espanhol, expressões e frase em latim e línguas nativas. Nessa mistura, os índios rebeldes, assim como os demônios e as personagens do mal, sempre falavam em sua língua de origem. Claro, havia nessa proposta uma tentativa de os índios abrirem mão de sua cultura, religião e costumes para abraçar a dos portugueses.

Ao se consultar os poucos livros à disposição da produção teatral brasileira, aparece em quase todos eles, a ideia segundo a qual nos séculos XVII e XVIII, correspondendo, respectivamente, aos ciclos da cana de açúcar e do ouro, a linguagem teatral não teria se desenvolvido. Pelos relatos de alguns viajantes, tem-se acesso a informações de que as práticas teatrais eram apresentadas por negros, principalmente forros, porque o teatro, desde o período da Idade Média, fora considerado pelos representantes da igreja, uma prática do mal.

Por que os representantes da igreja assim se manifestaram sobre o teatro?

A resposta não é tão complicada. Houve esse julgamento, porque as práticas teatrais, que vieram da tradição romana (da Antiguidade), eram populares e irreverentes e apresentavam os valores de uma sociedade politeísta (com vários deuses e não apenas um como a igreja tentava impor).

Grande Otelo e Oscarito Coluna do Mate — Uma rápida viagem por entre a produção teatral paulistana do século XVI ao XVIII

Voltando ao Brasil, durante os séculos XVII e XVIII, o Estado português não incentivou a linguagem teatral, como fizera no século XVI, e, ao contrário disso, não via com bons olhos esse tipo de prática, sobretudo em razão de Portugal ser um país muito religioso. De qualquer modo, os negros “roubados” e trazidos à força ao Brasil, serviam também aos seus perversos senhores para diverti-los em ocasiões especiais. Assim, vez ou outra, principalmente em datas consagradas e normalmente religiosas, os negros apresentavam cenas de obras clássicas do teatro. Oscarito e Grande Otelo, ao apresentar um trecho, de modo bastante farsesco, de Romeu e Julieta de Shakespeare, no filme de 1949, dirigido por Watson Macedo: Carnaval no Fogo, pode se caracterizarem demonstração do procedimento. Evidentemente, Oscarito e Grande Otelo eram comediantes maravilhosos e com amplo domínio da linguagem da representação, mas a imagem, entretanto, com dois afrodescendentes, pode aproximar-se bastante do que poderia ter sido um tipo de representação nos séculos mencionados.

Apesar de o Brasil ser colônia de Portugal, e de as autoridades portuguesas dificultarem ou proibirem as práticas teatrais, o grande autor de comédias era conhecido com o nome de Antônio José da Silva. O Judeu, como também foi conhecido Antônio José da Silva, nasceu no Rio de Janeiro, em 1705; e, em 1739, foi queimado vivo, em auto de fé (fogueiras públicas em que se queimaram muita gente), condenado pelos representantes da igreja por práticas judaístas. O Judeu criou obras muito interessantes, dentre as quaisse pode indicar As Guerras do Alecrim e da Manjerona. Para conhecer um pouco da vida do autor, há um filme muito interessante, de Tom Job Azulay, chamado O Judeu (de 1995). Ainda no século XVII foram construídos os primeiros teatros em várias cidades do Brasil, chamadas de Casas da Ópera.

As Casas de Ópera não foram construídas para incentivar a produção nacional, mas, principalmente para receber as companhias estrangeiras em visita pelo Brasil. A Casa de Ópera de São Paulo, já demolida, ficava exatamente atrás do prédio onde hoje se encontra a Caixa Econômica Federal, na Praça da Sé. De todos esses teatros, o único ainda inteiro, em todo o Brasil, é a Casa da Ópera de Ouro Preto (1770), em Minas Gerais. Apesar de ser uma construção relativamente pequena, é um riquíssimo patrimônio teatral e arquitetônico brasileiro. A Casa de Ópera do Rio de Janeiro, durante certo período de tempo, foi administrada pelo padre Ventura, que teria dirigido muitas obras no espaço. Infelizmente, e como costumava acontecer, o teatro pegou fogo, uma segunda vez, quando se apresentava a peça Os Encantos de Medéia, de Antônio José da Silva. Depois disso, a casa não foi mais reconstruída.

CASADAOPERA JESSICAH AMPLIADA Coluna do Mate — Uma rápida viagem por entre a produção teatral paulistana do século XVI ao XVIII

Casa da Ópera de Ouro Preto - Foto: Divulgação

A partir deste mês e nos próximos, a ideia é apresentar alguns momentos, de modo panorâmico, do teatro no Brasil, com ênfase ao praticado em São Paulo. Desse modo, no próximo mês pretende-se abordar a produção teatral desenvolvida no século XIX; e, nos próximos meses, a ênfase, em diversos aspectos, estará centrada na produção do século XX. Para finalizar o panorama, o século XXI será destacado no segundo semestre.

Como sugestão, das obras em cartaz (e deverá voltar brevemente a ser apresentado), recomendo o espetáculo Cantata para Um Bastidor de Utopias, apresentado pela Companhia do Tijolo. De modo absolutamente poético e político, a direção do espetáculo, a cargo de Rogério Tarifa e Rodrigo Mercadante, misturam no espetáculo, obra e contexto do grande poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca e acontecimentos ocorridos durante a ditadura civil-militar brasileira.

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista), pesquisador de teatro e integra o júri do Prêmio Shell de Teatro. Ele escreve no blog sempre no dia 1º.

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LR2A9243 Dois ou Um com Bruno Fracchia

Bruno Fracchia cria peça sobre Paulo José - Foto: Fábio Medeiros

Por BRUNA FERREIRA*

Santista, 28 anos, Bruno Fracchia já era ator profissional quando viajou para São Paulo para estudar com a saudosa Cleyde Yáconis. Em 2007, entrou no curso de Artes Cênicas da USP (Universidade de São Paulo), onde se formou em Teoria do Teatro. Em 16 anos, estudou com Aguinaldo Silva, Jean-Pièrre Sarrazac, Maria Thaís, Silvia Fernandes, Sérgio Carvalho, entre outros. Atuou em mais de dez peças, fez TV e cinema. No final de 2012, conseguiu viabilizar a peça Algumas Histórias, sobre Paulo José, e fez 36 apresentações em nove cidades do interior e litoral paulista. Neste projeto, Bruno foi autor, ator e produtor. Suas apresentações foram na maioria em espaços alternativos, de forma gratuita. Nestes momentos, ele percebeu o alcance social de seu espetáculo. Bruno conseguiu um bom produtor e agora vai começar tudo de novo: “Vamos buscar apoio via leis de incentivo para proporcionar em outras localidades as belas experiências de 2013”.

Santos ou São Paulo?
Do ponto de vista profissional e cultural, sem dúvida São Paulo (sem negar a história da minha cidade, pioneira na questão abolicionista e berço de nomes como Vicente de Carvalho, Plínio Marcos, Gilberto Mendes, Neyde Veneziano e também de atores do país, como Ney Latorraca, Sérgio Mamberti, Nuno Leal Maia, Jonas Mello, Renata Zhaneta, Jandira Martini, entre outros). Já pensando em qualidade de vida, escolho Santos!

Paulo José ou Gianfrascesco Guarnieri?
Por toda a identificação que tenho com a história de vida dele (e também com sua ideologia artística), Paulo José! Mas Gianfrancesco Guarnieri também é um gigante que merece ter sua trajetória de vida registrada nos palcos e que não pode jamais ser esquecido ou ignorado por qualquer jovem que pense em começar a fazer teatro.

O Palhaço ou novela das nove?
Se eu penso na temática principal de O Palhaço, acho que dificilmente alguma novela me arrebataria da forma como esta obra-prima de Selton Mello me arrebata (uma das maiores declarações de amor à arte!). Já na questão formal, depende da novela das 21h [risos].
Ironias à parte, como se tratam de linguagens diferentes, não acho justo eu querer fazer comparações.

Atuar ou produzir?
Atuar!!! Para Algumas Histórias acontecer, precisei aprender a produzir (contando com a imensurável ajuda do meu pai!). Como aprendizado e crescimento profissional foi maravilhoso! No entanto, é atuando que me realizo. Como também gosto de escrever, demorei anos a entender e aceitar que atuar é uma atividade que está em primeiro lugar na minha vida!

Aguinaldo Silva ou Jean-Pièrre Sarrazac?
Os dois!!! Tenho um orgulho tremendo de ter sido aluno destes dois mestres! Ambos generosos. Ambos geniais em suas artes (pois considero também a teoria teatral uma arte). Aguinaldo é "apenas" um dos maiores telenovelistas de todos os tempos. Sarrazac, "apenas" o maior teórico teatral vivo! Mas nenhum dos dois se conforta em seus históricos inquestionáveis para esbanjar arrogância e impor distanciamento em relação aos alunos. A conduta de ambos como professores me mostrou que não existe genialidade sem generosidade!

Teatro de Arena ou teatro de rua?
Atualmente, respondo teatro de rua. Não tenho experiência nesta prática. Apenas uma única vez participei de uma experiência teatral feita ao ar livre. E foi maravilhoso.

Copa do Mundo ou Eleições 2014?
Embora, descrente com os políticos, Eleições 2014. Copa do Mundo é um Carnaval fora de época, neste ano feita à custas de muitos desvios de verba e sacrifícios (não por opção) dos brasileiros mais humildes (que só verão este circo pela televisão). Mesmo descrente dos políticos, creio na atividade política, que não tem a ver apenas com eleição.

Brasil ou Uruguai?
Uruguai! Qualidade de vida, investimento em educação, segurança, respeito ao povo. E o presidente? Não há no Brasil um único político com condições para ser um presidente como o Sr. José Mujica. Como não escolher o Uruguai? Há os românticos que me xingarão, sugerindo que para lá me mude, mas ao raciocínio "Brasil: ame-o ou deixe-o", eu deixo...para o pensamento destes radicais.

Tom Jobim ou Ney Matogrosso?
Ney Matogrosso. Cada um em sua arte, gênios inquestionáveis. Mas tenho identificação maior com aqueles mais próximos de minha área artística. E este é o caso de Ney Matogrosso. Pra mim,o maior intérprete brasileiro! Quero muito um dia interpretá-lo no teatro!

Ser aluno ou professor?
Não consigo escolher. Acredito que as duas atividades se complementam. Um verdadeiro professor está sempre a compartilhar tudo o que aprende e aprendendo também com seus alunos. Conheço muitos que sonegam conhecimento a seus aprendizes pelo medo de "secarem" o seu saber. Estes são apenas medíocres preguiçosos exercendo uma função docente. Ser professor é outra coisa. É como ser artista!

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

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nico rep faceboook Morre o artista Nico Nicolaiewsky, o maestro do espetáculo Tangos e Tragédias

Nico Nicolaiewsky apresenta o Tangos e Tragédias todo verão, desde 1987 - Foto: Reprodução/Facebook

Por BRUNA FERREIRA*

Morreu na manhã desta sexta-feira (7), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o artista Nico Nicolaiewsky, aos 56 anos, um dos criadores do espetáculo Tangos e Tragédias.

Segundo o boletim médico divulgado pelo Hospital Moinhos de Vento, ele morreu às 5h30, em decorrência de complicações relacionadas à leucemia mielóide aguda.

Tangos e Tragédias é um espetáculo musical, que se tornou um fenômeno, e que foi criado em 1984, por Nico e seu parceiro de trabalho Hique Gomez. Todo verão, desde 1987, o espetáculo era exibido no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, onde o corpo do artista será velado, segundo informou a equipe do espetáculo.

A turnê em espanhol chegou a passar por países como Argentina, Colômbia, Equador e Espanha. Em 2003 em Portugal, Tangos e Tragédias foi escolhido pelo público como o melhor espetáculo durante o Festival Internacional de Teatro de Almada e voltou em 2004 como Espetáculo de Honra.

Por conta da doença de Nico, a temporada deste ano precisou ser cancelada, pois ele seguia em tratamento contra o câncer.

A assessoria de imprensa do Theatro São Pedro informou que o velório acontece entre hoje e amanhã e será aberto ao público. Nesta sexta-feira (7), às 14h30, será realizada uma coletiva de imprensa no local com Dona Eva Sopher, diretora do teatro.

A sessão do espetáculo Adolescer, que aconteceria no próxim domingo (9), precisou ser cancelada. As sessões de Hell, espetáculo com Bárbara Paz, que serão apresentadas no próximo fim de semana, estão confirmadas.

tangos e tragedias rep facebook Morre o artista Nico Nicolaiewsky, o maestro do espetáculo Tangos e Tragédias

Tangos e Tragédias passou por vários países da América Latina - Foto: Facebook

 

tangos e tragedias 2 Morre o artista Nico Nicolaiewsky, o maestro do espetáculo Tangos e Tragédias

Hique Gomez com o parceiro Nico Nicolaiewsky - Foto: Facebook

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

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R encontro Paula Miessa. Foto de Gal Oppido 2b Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Paula Miessa em R-encontro - Foto: Gal Oppido/Divulgação

Tradição e modernidade
A atriz e bailarina Paula Miessa apresenta o espetáculo de dança e teatro R-entorno, no Teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista, em São Paulo, até o dia 19 de fevereiro, quartas e quintas, às 20h. Woody Santana assina concepção, coreografia e direção e a montagem é inspirada no mito grego de Medeia, retratada na tragédia de Eurípedes. Os ingressos custam R$ 20.

Peças por R$ 20
Três espetáculos ficam em temporada popular no CIT-Ecum, na Consolação, em São Paulo até o dia 23 de fevereiro. As peças Borandá, Quem Pode, Pode e Sacra Folia são da Fraternal Companhia de Arte e Malas Artes têm foco na linguagem do teatro popular. As apresentações acontecem aos finais de semana. Para mais informações, www.citecum.com.br.

Roderick Himeros e atrizes de CACILDA foto Jennifer Glass Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cacilda Becker é tema de dois musicais no Teat(r)o Oficina - Foto: Jennifer Glass/Divulgação

Cacilda!!! + Cacilda!!!!
Dois musicais que falam sobre a vida de Cacilda Becker seguem em nova temporada no Teat(r)o Oficina, um aos sábados e o outro aos domingos, em São Paulo, até o dia 23 de fevereiro. Cacilda!!! Glória no TBC e 68 AquiAgora e Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema & Teatro são dirigidas por José Celso Martinez Corrêa e Marcelo Drummond e estrearam no ano passado. Enquanto o primeiro foca nos anos da atriz no Teatro Brasileiro de Comédia e nos anos de chumbo, o segundo fala sobre o momento de devorar peças emblemáticas do teatro mundial e na criação da Vera Cruz. A inteira está R$ 40.

greta antoine Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Gianfrascesco Guarnieri ganha homenagem - Foto: Reprodução

Nostalgia

Olha só quem a atriz Greta Antoine decidiu homenagear em sua rede social nesta última quinta-feira (6). A morena divulgou a foto de pôster em que ela aparece com Gianfrancesco Guarnieri: “Olha quem está na parede da sala de ensaio! Eternamente grata por ter colocado os pés pela primeira vez no palco ao lado do meu ‘vozinho’ amado Guarni! Saudade imensa!”. Em julho deste ano, já faz oito anos da morte do ator.

Poesia e circo
Coprodução internacional, Memória Roubada reestreia nesta sexta-feira (7), no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana, em São Paulo, para uma curta temporada até o dia 9 de março. O espetáculo mistura poesia e circo, além de recursos multimídia. Memória Roubada fala sobre poder das histórias e de quem as conta. No elenco, Adriana Telg, Bruno Rudolf, Natalia Presser, Ricardo Rodrigues e Ziza Brisola. Do diretor australiano Mark Bromilow. Informações 0/xx/11 2221-3657. Inteira R$ 10.

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clematite 2 1 Entrevista de Quinta   “Meus pais me ensinaram a ser o homem que sou hoje”, diz Blota Filho

Blota Filho vira Dona Clematite em Chá das 5 - Foto: Divulgação

Por BRUNA FERREIRA*

Prepare a mesa, ponha comidas deliciosas e vale até caprichar na decoração para receber este convidado de hoje da Entrevista de Quinta. Blota Filho é daqueles que tem o que falar. Que deixa cada afirmação interessante. Bom de papo, inteligente, bem-humorado. Talvez, por isso mesmo, foi chamado para Chá das 5, espetáculo que está em cartaz no Teatro Augusta, em São Paulo, às sextas-feiras.

O espetáculo é composto por um elenco todo de homens, interpretando mulheres. Com texto de Regiana Antonini e direção de Eduardo Martini, a peça fala sobre a família de um jeito engraçado e profundo e traz para o público, a questão do abandono da ética em nome dos laços sanguíneos.

Blota interpreta Dona Clematite, uma senhora temida, rica, chique, que está sumida há anos, e que chega ao chá das meninas com um segredo para contar, que vai abalar todas as pessoas presentes.

Ao Atores & Bastidores, ele fala sobre o espetáculo, sobre as lições que aprendeu dos pais, sobre o “não” que levou de Antunes Filho e ainda comenta a competição no meio artístico com “mulheres-frutas e legumes” por aí.

041 Entrevista de Quinta   “Meus pais me ensinaram a ser o homem que sou hoje”, diz Blota Filho

Blota na novela Caminho das Índias - Foto: Divulgação

Atores & Bastidores — Blota, de onde partiu a ideia de fazer uma peça de teatro sobre mulheres, com apenas atores Blota Filho — O convite veio do próprio Eduardo Martini. Há 18 anos, a Regiana Antonini havia escrito esse texto pra ele e o Marcelo Sabag montarem lá no Rio de Janeiro. Não conseguiram. Um dia falando comigo sobre trabalhos e como ficamos reféns de produções com patrocínio e leis, principalmente, quando quase todas as empresas estão mais focadas em patrocinar a Copa, tivemos a ideia de tentar montar sem nada. Chamamos mais sete doidos que toparam na hora. E conseguimos montar um espetáculo com qualidade por menos de R$ 2.000. A ideia sempre foi de fazer Chá das 5 com homens vestidos de mulheres. O maior desafio foi não esteriotipar as personagens. Não somos drags em cena. Somos atores que vivem a alma feminina, o que é mais risível. Só um ator conseguiria dar a o tom de comédia a isso. Não que não tenhamos atrizes cômicas maravilhosas. Temos uma gama de atrizes maravilhosas, sim, mas um ator cômico teria outra visão das situações. O público vem pronto pra ver uma coisa pelo fato de ter homens vestidos de mulheres e se surpreendem com que se vê em cena. Uma comédia hilária, mas que faz a pessoa pensar em muitas situações de familia.

Existe uma certa graça já na caracterização dos personagens. Você está “confortável” com a caracterização?
Foi exatamente essa a preocupação do Eduardo Martini ao dirigir a gente, que estivéssemos confortáveis para viver essas garotas. E conseguiu, foi difícil, mas demos conta.

Como você imprimiu um olhar feminino na sua personagem. Ele é seu? Recebeu uma ajudinha de alguma mulher?
O trabalho do ator é o de observação do mundo. Todo homem tem seu lado feminino, sim, assim como todo ator ou atriz tem seu lado cinza que aflora na hora de viver um vilão, por exemplo. Observamos atrizes em cena, mulheres na rua, para que os detalhes fossem os mais parecidos. Não mudamos de voz, não falamos fino, colocamos os detalhes que estudamos na construção das personagens. E dentro de cada personalidade vimos que olhar seria o melhor, que comportamento ficaria melhor no olhar e na postura. Tem o olhar da gorda, da esotérica, da velha, da amarga, da rica falsa, da humilde, da adolescente, da mimada e por aí vai.

Qual é a melhor coisa em ser mulher? E a pior?
Não sei a melhor coisa em ser mulher, mesmo porque sou um homem, mas a pior, sem dúvida, é o salto alto [risos]. Na verdade, ter a atenção redobrada para não ser uma caricatura.

Você acha que as diferentes personalidades das personagens ajudam a não cair em um estereótipo ingênuo da mulher?
Eu acho que o não deixar cair no estereótipo está no fato de fazer com a maior verdade possível tudo o que o texto e a direção nos propôs. E ingênuas, nenhuma dessas mulheres são. Aliás, nenhuma mulher é mais ingênua, ela sabe exatamente o que quer e por que quer. Mulher é muito mais forte e inteligente do que o homem. Uma dor de dente na gente, parece a dor do parto que muitas mulheres passam.

CHA DAS 5 02 Entrevista de Quinta   “Meus pais me ensinaram a ser o homem que sou hoje”, diz Blota Filho

Blota Filho ao lado de Eduardo Martini em Chá das 5 - Foto: Divulgação

Sua mãe era atriz, certo? Em qual personagem você consegue identificá-la melhor?
Na personagem do Eduardo [Martini] vejo todas as mães, aquelas que têm o talento pra ser mãe. Que mesmo sabendo algo terrível sobre as filhas vira um leão para defender a família. Tenho muita coisa da personalidade de minha mãe. Dona Haydée e meu pai, o radialista Geraldo Blota, me ensinaram a ser o homem que sou hoje. De caráter, de simplicidade. Ver o outro como um igual, sem arrogância. Ser humilde, sem ser humilhante. Ela sempre me dizia: “Nunca esqueça de onde você saiu, chegando aonde você chegar”. E meu pai completava: “Mesmo porque você pode ter que voltar um dia”.

Se sua personagem pudesse ser vivida por uma atriz, quem seria?
Brinco muito que pela caracterização sou meio Aracy Balabanian em Sai de Baixo. Mas acho que a Susana Vieira faria muito bem Dona Clematite Soares.

Você está produzindo algo para este ano? TV ou teatro?
Não produzindo. Estou nessa peça, Chá das 5, em que somos atores e produtores e, ao mesmo tempo, ensaiando Felizes 30, que estreia em março.

01nao Entrevista de Quinta   “Meus pais me ensinaram a ser o homem que sou hoje”, diz Blota Filho

Blota Filho com Sandy em seriado da Globo - Foto: Arquivo

Soube que você foi recusado pelo Antunes Filho no passado. Ele disse que você jamais seria um ator. Com tantos anos de carreira, você acha que ele errou quando disse isso? Ou ele estava certo?
Ele estava coberto de razão, minha voz era ruim, dicção falha. Na verdade, o Antunes Filho me ajudou a ver que isso é uma profissão e, como tal, tenho que ter os instrumentos (voz, corpo e mente) preparados pra isso. Tenho talento, sim, mas ele me mostrou que só isso não basta.

Você acredita que o cenário artístico hoje é mais democrático e possível para quem está começando do que era quando você começou?
De maneira nenhuma. Hoje, nós, atores, concorremos com ex-BBB, ex-Fazenda, frutas e legumes, jogadores de futebol, pseudocelebridades de minutos e por aí vai. Se tem uma profissão nada democrática, essa é a minha. senão, não estaria sempre tentando, correndo, provando que sei e posso fazer. Estou sempre na fila dos sem emprego/trabalho. Sonho com o dia que terei um contrato longo, para poder planejar a vida, uma viagem, a compra de algo a longo prazo.

Tem algum personagem que você ainda não fez e gostaria de fazer?
Nossa, vários. É difícil me chamarem pra ala pobre. Queria fazer um personagem que vi num filme há anos: o comedor de pecados. Um homem que é chamado para levar os pecados de quem morreu através das comidas que os aldeões colocam sobre o morto. Vive no mato, sozinho. Tem que roubar uma criança de alguma prostituta para dar continuidade a essa maldição. Tem dono de padaria, de peixaria, gente do povo, de comunidade, algo que instiga a criação da personagem.

Por fim, qual o papel mais marcante de sua carreira?
O próximo sempre vai ser o mais marcante. Todo personagem te deixa cicatrizes de dor e amor. Gerar a personagem é algo que te marca pro resto da vida. Você entende os porquês dela. E muitas vezes, os seus também.

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

Chá das 5
Quando: Sextas, 21h30; até o dia 21/02
Onde: Teatro Augusta, sala principal (r. Augusta, 943, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3151-4141)
Quanto: R$ 50 (inteira)
Classificação indicativa: 12 anos

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Ou você poderia me beijar Roney Facchini e Cláudio Curi Foto de Ronaldo Gutierrez 1 Em tempos de beijo gay na TV, casal homossexual enfrenta a morte após 60 anos de companheirismo

Cláudio Curi e Roney Facchini serão casal gay que viveu junto por 60 anos - Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação

Por BRUNA FERREIRA*

Dois homens que se conheceram na África do Sul passam a viver uma história de amor e companheirismo que vai durar 60 anos, até que um deles, sofrendo com um enfisema pulmonar, precisa dar a notícia do fim ao parceiro. Enquanto conhecemos suas histórias, vamos percebendo as dificuldades e a dor do adeus.

Baseada em uma história real, Ou Você Poderia me Beijar é um espetáculo que estreia no dia 7 de fevereiro no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo, e que fica em cartaz até o fim de abril.

Com direção de Zé Henrique de Paula, o elenco conta com a atriz Clara Carvalho, interpretando todas as personagens femininas da montagem. Seis atores dão vida ao mesmo casal em fases distintas da vida. Roney Facchini e Cláudio Curi, são os dois homens aos 80 anos. Marco Antônio Pâmio e Rodrigo Caetano, são a dupla na maturidade, aos 50 anos. Os jovens apaixonados são vividos por Thiago Carreira e Felipe Ramos, ambos com 20 anos.

Em entrevista ao Atores & Bastidores, o ator Roney Facchini adianta um dos recursos usados na peça.

— Eu faço 32 anos de carreira no teatro agora em março e esta foi a coisa mais instigante que já fiz. As duplas de atores vivem o mesmo casal em idades diferentes, mas estamos os seis, ao mesmo tempo no palco. E não se tratam de memórias, cada casal está vivendo o seu tempo. É uma imagem muito poética.

Cláudio Curi, que interpreta o parceiro de Facchini na velhice, diz que os atores começaram a se preparar em outubro do ano passado, mas que só intensificaram o ritmo dos ensaios no início deste ano.

— Estamos ensaiando mesmo há um mês, com bastante intensidade, até por que vai ter música. Todos nós vamos cantar lá. Eu tô muito feliz de fazer esse espetáculo, é um lindo espetáculo, um trabalho superimportante. Essa peça veio de Londres, onde era encenada originalmente com bonecos. Tenho certeza que todo o público vai se emocionar.

Ou você poderia me beijar Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano Foto de Ronaldo Gutierrez 1 Em tempos de beijo gay na TV, casal homossexual enfrenta a morte após 60 anos de companheirismo

Público conhece casal em três fases da vida - Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação

Enquanto na última semana, se celebrava o beijo gay dos personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso, na novela Amor à Vida, no horário nobre, Ou Você Poderia me Beijar dá um passo adiante na questão dos direitos homoafetivos. Facchini diz ao R7, que o espetáculo não é militante.

— Ela não levanta uma bandeira. Na verdade, eu acho que já é o “passo 2” da luta contra a homofobia. Em um primeiro momento é preciso conseguir espaço, já em um segundo é preciso tratar com naturalidade. A peça trata do amor com simplicidade. Estive em San Francisco [nos Estados Unidos], pois um amigo meu mora lá e não tem aquela ideia de cidade gay. Existem famílias gays, mas é tudo muito natural. A nossa montagem se preocupa em falar de amor.

Curi concorda com o colega de elenco e reforça a ideia de que o espetáculo vai atingir em cheio a todos, independente da orientação. Inclusive,o grupo estuda a possibilidade de colocar o espetáculo em cartaz durante o Festival de Teatro de Curitiba deste ano.

— Não vai ter estereótipo. Vamos mostrar como é o amor de um casal. Na realidade, a história de amor é sempre universal. Vamos falar sobre durabilidade, o amor que perdura por épocas e sobre como é difícil aceitar o fim. Um dos personagens está morrendo e é muito difícil. Tem detalhes que precisam ser acertados, pensar o que fazer com a casa, o testamento e a dificuldade em aceitar a finitude.

 

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

 

Ou Você Poderia me Beijar
Quando: Sextas e sábados,21h; domingos; 19h. Até o dia 27 de abril
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, metrô Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 40 (inteira),R$ 20 (meia), R$ 10 (cadastrados)

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Além do Ponto 10 Grupo recebe cartas de homens negros para falar sobre homoafetividade em Cartas a Madame Satã

Falar sobre a afetividade de mulheres e homens negros é o compromisso de Os Crespos - Foto: Divulgação

Por BRUNA FERREIRA*

Dando continuidade ao projeto Dos Desmanches aos Sonhos — Poética em Legítima Defesa, o grupo teatral Os Crespos vai receber até o dia 06/02 cartas (identificadas ou anônimas) de homens negros que querem falar sobre a própria homoafetividade.

As correspondências são parte da pesquisa para criação do espetáculo que tem como título provisório Cartas a Madame Satã ou Eu me Desespero sem Notícias Suas. O projeto chega ao seu terceiro espetáculo, em todos eles abordando a afetividade de mulheres e homens negros.

Em entrevista ao Atores & Bastidores, a co-diretora do espetáculo Lucélia Sergio conta que já foram feitas algumas entrevistas presenciais com homossexuais negros, que compartilharam suas experiências.

— Entrevistamos cerca de 30 homens, inclusive, no sistema prisional. Muitas pessoas que marcaram com a gente, não foram às entrevistas, pois é um assunto que ainda está quase na clandestinidade. Por isso, achamos que seria interessante receber as cartas.

Nos dois primeiros espetáculos, a companhia também usou depoimentos. Lucélia revela que o grupo sempre se surpreende com a pesquisa.

— No primeiro deles, a gente se deparou com uma ausência de amor na lista de prioridades. Os entrevistados colocam o amor sempre em segundo plano. Há uma preocupação com questões de sobrevivência, com o racismo, então o amor fica de lado. No segundo, ficamos impressionados com o número de mulheres violentadas no ambiente doméstico. Sempre sem denúncia, a violência é quase aceita como natural. Neste terceiro,também vemos muita violência dentro de casa.

As histórias de violência doméstica apuradas pela companhia teatral são tão assustadoras, que só reforçam o compromisso do grupo em trazer essas questões à tona. O texto quer discutir a homoafetividade de homens negros diante dos estereótipos sexuais de virilidade que cercam suas experiências afetivas. Temas como identidade, alteridade, reclusão e marginalidade serão relacionados com o racismo em enredo ficcional.

— Para este terceiro espetáculo, vimos histórias de abuso dentro de casa. Há casos de meninos que sofreram estupros aos oito, dez, 11 e 13 anos de idade. Do irmão. Do pai. Tem ocasiões em que as mães sabiam ou, pelo menos, desconfiavam. E assim vai se criando aquela relação doente com o parente. Só que também nos surpreendemos em como o homem negro, homossexual, dá vazão a sua feminilidade, mesmo neste cenário

Quem quiser participar deve mandar e-mail ou pedir informações para oscrespos@gmail.com.

— A gente entra em estudos de orientação teórica agora. No dia 25 de fevereiro, teremos uma palestra pública sobre o tema, que vai acontecer na Funarte. Depois vamos fazer uma intervenção pública, que está marcada para o dia 9 de março, onde experimentamos algumas ferramentas que pensamos usar no espetáculo. Devemos estrear em abril, provavelmente no dia 18.

 

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

 

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Foto de BOB SOUSA
camila anjos foto bob sousa 14 O Retrato do Bob   Camila dos Anjos em evolução
A atriz Camila dos Anjos é dedicada a seu ofício. Formada pela Escola Superior de Artes Célia Helena, esta paulistana já trabalhou nos palcos com nomes como Mário Bortolotto, Vladimir Capella, Lenerson Polonini e Aury Porto. Também já se aventurou pelo cinema e pela televisão, indo do seriado Sandy e Junior às novelas Começar de Novo, na Globo, Essas Mulheres, na Record, e Amor e Revolução, no SBT. Afinal, Camila sabe que é uma atriz em constante evolução.

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publico fotos emi hoshi DSC 8152 editada Domingou   O tal do aplauso em pé

Só esperamos o fim para aplaudir em pé, como se deve. Ou não? - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por BRUNA FERREIRA*

É certo que qualquer coisa que banaliza incomoda mesmo. Criticamos, queremos saber os motivos, entender os processos e prever as consequências. Na semana passada,o jornal Folha de S.Paulo levantou a questão que já andava causando burburinho nas rodas de bate-papo após os espetáculo teatrais: o tal do aplauso em pé.

Claro que todo mundo já ficou emocionado com uma obra única, uma atuação ímpar ou um exemplo de superação nos palcos, como quando a atriz Cissa Guimarães voltou ao tablado com o espetáculo Doidas e Santas, após a morte do filho Rafael Mascarenhas, em 20 de julho de 2010, ao ser atropelado dentro de um túnel no Rio de Janeiro.

Só que nós também sabemos que não é qualquer espetáculo que nos traz esse tipo de arrebatamento. E vamos, sim, com o coração aberto! Essa história de “falta de sensibilidade” do público, me parece mais história da carochinha ou, como minha avó dizia, conversa para boi dormir.

O fato é que nem todos os espetáculos merecem o tal do aplauso em pé. Só que a gente aplaude. Todos. Como um estourar de pipoca, vai levantando um aqui, outro acolá, e quando vemos estamos lá ovacionando o diretor, o elenco, nós mesmos — que nos comportamos direitinho e desligamos os celulares.

Eu levanto. O Miguel Arcanjo Prado, a sábia voz da consciência deste blog, que está curtindo merecidas férias, já usa melhor o aplauso. No último Festival de Curitiba em que estivemos juntos, vi este bravo colunista censurar com o olhar só de “cogitar” aplaudir uma apresentação ruim. Foi sofrível mesmo, ele tinha razão.

Acontece que eu fico com pena daquele senhor, daquela menina, ou daquele perdido que foi o primeiro a se levantar para o aplauso. Não sei qual é a motivação deles. Se eles realmente amaram o espetáculo, se eles têm parentes no palco, se eles se sentem na obrigação de aplaudir em pé ou só estão deslocados.

É só um mais desavisado levantar, que lá vou eu, convicta, animada, assobiando até... Não adianta, os párias são sempre a minha nação. Os excluídos do teatro, então.

No fundo, a gente está lá aplaudindo, pois sabe que fazer de teatro no Brasil é trabalho para cabra valente. Viva todo mundo! Viva!

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

 

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marina palha felipe diniz div Dois ou Um com Marina Palha

A atriz Marina Palha fez "Rock In Rio — O Musical" e está na novela "Além do Horizonte" - Foto: Felipe Diniz

Por BRUNA FERREIRA*

A atriz Marina Palha, de 28 anos, pode roubar sua atenção pelo rosto de traços marcantes, o jeito de menina, pela atuação inteligente ou pela voz doce. Aos nove anos fez sua primeira peça, sem ter ideia de que seu futuro já estava traçado naquele momento. Aos 17 anos, fez parte do elenco da peça Confissões de Adolescente e desde então não parou mais. Atualmente no ar como a Joana, da novela global Além do Horizonte, foi no teatro que fez seu nome. Ela participou do musical Rock in Rio, interpretando a cantora Sandy. A oportunidade na TV fez com que ela desistisse do papel no espetáculo Elis, O Musical. É formada em artes cênicas pela UniRio e chegou a estudar em Roma e Los Angeles. Aqui na Dois ou Um ela mostra que gosta tanto das possibilidades quanto das escolhas.

Cantar ou dançar?
Dançar cantando! Impossível separar as duas coisas na minha vida.

Amazônia ou Los Angeles?
Estar na Amazônia me proporcionou momentos de grande sintonia com a natureza e consequentemente comigo mesma. Estar afastada dos grandes centros, naquela imensidão que é a nossa floresta e com os pés descalços na terra, foi um momento riquíssimo! Agora em Los Angeles é um encontro com o fervo da indústria cinematográfica, o que eu também não abriria mão jamais! Diria que fico com os dois, em momentos diferentes da vida.

Rock in Rio ou Os Saltimbancos?
Rock in Rio!

Sandy ou Júnior?
Fico com a individualidade de cada um.

Copa do Mundo ou Eleições 2014?
Pulo [risos]!

Casamento ou namoro?
Casamento. Acredito muito nos laços que a gente estabelece ao longo da vida. Sou de cultivar as relações. "A felicidade só é real quando compartilhada", do filme Na Natureza Selvagem.

Adolescentes ou balzaquianas?
Balzaquianas, certo! A gente melhora muito com o tempo…

Dinheiro ou vocação?
Vocação! Se você investe no que sabe, o dinheiro vem! Mais dia, menos dia, ele vem.

Rolezinho ou comerciantes?
Apoio qualquer tipo de movimento com uma causa. Sem violência, sem baderna, sem invadir o espaço alheio. Fora isso, não vejo sentido.

Cazuza ou Tim Maia?
Cazuza para os momentos de inquietude e Tim Maia no volume máximo.

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

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