alessandro ubirajara foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Ator, artista plástico e chef: Alessandro Ubirajara cuida da comida do Oficina - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

As peças do Teat(r)o Oficina exigem muito fisicamente de seus artistas. Nos espetáculos-ritual comandados por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, estar com vigor é fundamental.

No coro do grupo, um ator sempre se destacou, por sua intensidade: Alessandro Ubirajara. Com o tempo, um outro talento do jovem, que também é artista plástico, conquistou o paladar de seus colegas: as comidinhas que ele trazia para o camarim, todas minuciosamente preparadas.

Há um ano, resolveu que teria de ser um artista a comandar o posto de alimentar os artistas do Oficina. E assumiu o posto de chef do grupo.

Gaúcho radicado em São Paulo desde 2007, Ubirajara desenvolve pesquisa potente e pioneira sobre a comida no teatro. De forma antropofágica, diz: “Misturo cheiros e sabores para alimentar artistas”.

Quem quiser provar seu tempero pode ir hoje ao Jantar Orgânico que ele vai promover no restaurante A Leiteria da Canastra, no Butantã, zona oeste de São Paulo [veja serviço ao fim].

Em uma tarde de inverno no Oficina, Ubirajara conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta sobre este seu momento e também contou sua trajetória. Artimanha do destino, revelou que conheceu Zé Celso na Polícia Federal, onde trabalhava no setor de passaportes.

Leia com toda a calma do mundo.

alessandro ubirajara foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Radicado em São Paulo desde 2007, o gaúcho Alessandro Ubirajara é artista de diversas frentes; atualmente, busca aliar a alimentação saudável ao teatro no Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado —Por que Ubirajara?
Alessandro Ubirajara — Meu pai também é Ubirajara. Meu avô lia muito José de Alencar [risos].

Miguel Arcanjo Prado — De onde você é? Quem é sua família?
Alessandro Ubirajara — De Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul, bem perto da fronteira com o Uruguai. Lá faz muito frio. Até neva... Sou o mais velho da Maria do Carmo e do Charlei Ubirajara, meus pais. Tenho avó japonesa, avô negro do Uruguai, e também sangue italiano, alemão e índio.

Miguel Arcanjo Prado — Isso é que é antropofagia. E o que você queria ser quando crescesse?
Alessandro Ubirajara — Artista plástico. Tanto que me formei na área lá em Porto Alegre. Morei muito tempo em Sapucaia, que é perto. Meu avô era agente ferroviário. Cheguei a morar em muitas estações de trem. Sempre mudei muito.

Miguel Arcanjo Prado — Como você era quando pequenino?
Alessandro Ubirajara — Eu gostava de desenhar, colorir, pintar. Meu apelido na escola era Pintor. Todo mundo em Sapucaia lembra quando eu pintei o túnel da cidade...

Miguel Arcanjo Prado — E como você chegou em São Paulo?
Alessandro Ubirajara — Foi em 2007. Sempre ouvia falar daqui, do Masp, da Pinacoteca, da USP. Queria muito viver em São Paulo. Mas, cheguei tão ingênuo que fui nas galerias com uma pastinha na mão apresentar meus trabalhos, achando que iria expor de cara.

alessandro ubirajara foto bob sousa51 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara mudou-se para São Paulo com uma pasta debaixo do braço - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Levou muitos nãos?
Alessandro Ubirajara — Sim. Só a Casa da Xiclet, na Vila Madalena, aceitou meu trabalho. São Paulo tem uma frieza e um anonimato. Mas também tem uma liberdade absoluta. Quando eu me sinto inseguro, vou a lugares de arte, a museus e bibliotecas. Eu busquei o anticorpo para me possibilitar sobreviver na cidade.

Miguel Arcanjo Prado — E como você sobreviveu?
Alessandro Ubirajara — Foi difícil. Fui morar com uma amiga. Comecei em Guaianases [na zona leste], muito depois fui para Santa Cecília [bairro do centro]. Arrumei um emprego no setor de passaportes da Polícia Federal, na Lapa. Fiquei lá dois anos. E isso foi muito importante, porque um dia atendi a uma pessoa muito especial.

Miguel Arcanjo Prado — Quem?
Alessandro Ubirajara — O Zé Celso. Eu já tinha visto Os Bandidos em Porto Alegre e fiquei impressionado com o Oficina. Vendo aquela peça, parecia que tudo me entendia. Era completo e epifânico. Acho que meu destino era o Oficina. O Zé entrou na PF lendo um livro, como se não estivesse em lugar nenhum. Estava ligado na busca dele, em sua perspectiva artística. Isso mexeu comigo. Fiquei louco.

Miguel Arcanjo Prado — E vocês se aproximaram a partir daí?
Alessandro Ubirajara — Sim. Eu fiz o passaporte dele. E fiquei com aquilo do Oficina na cabeça. Ele me convidou para ver a exposição Ocupação Zé Celso. Quando cheguei lá, falei par ele: “eu quero ser artista”. No dia seguinte, ele me ligou e me chamou para fazer Cacilda !!.

alessandro ubirajara foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

No começo no Oficina, Alessandro Ubirajara conciliou trabalho na Polícia Federal, onde conheceu Zé Celso no setor de passaportes, e teatro: sempre um ator ativo e intenso nas peças - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E você conciliou a Polícia Federal com o Oficina?
Alessandro Ubirajara — No começo, sim. Era muito engraçado. Mas aí eu resolvi sair de lá, porque comecei a viajar com as peças. Fui aprendendo a produzir também, com a Elisete Jeremias, que era a diretora de cena do Oficina. Morei com ela um ano e aprendi muita coisa. Passei a ter de sobreviver de forma antropofágica, trabalhando e aprendendo.

Miguel Arcanjo Prado — E como veio a cozinha na sua vida?
Alessandro Ubirajara — A cozinha entrou nesse meu aprendizado antropofágico. É o lugar onde exploro potencialidades. Em 2012, fizemos um circo no terreno aqui ao lado do Oficina. E criamos um bar, eu, a Danielle Rosa e o Bruno Nogueira. Chamava-se Bambambã Cabaret Bar. Comecei a me interessar em pesquisar a cozinha no teatro. Era uma habilidade que eu já tinha, todo mundo amava minha polenta.

Miguel Arcanjo Prado — E você foi se aprofundando na cozinha?
Alessandro Ubirajara — Sim. Percebi que a cozinha era um ponto central, um ponto de encontro. Fizemos uma festa junina no Oficina que foi linda. Eu criei muitas comidas, assumi a cozinha, vieram vários chefes que me ensinaram muita coisa. Gente como a Bia Magalhães, a Elaine Vargas, o Paulo Franco.

alessandro ubirajara foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara, o artista da cozinha do Teat(r)o Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você se divide entre cozinha e palco?
Alessandro Ubirajara — Sim. Até Walmor y Cacilda 64: Robogolpe eu fiz isso. No Cacilda!!!!!, que estreia no fim do mês, eu vou ficar só na cozinha. Vai ser o primeiro que não vou estar em cena. Eu comecei uma pesquisa sobre a comida do ator, pensando na sua saúde e nutrição. Porque para fazer uma peça do oficina tem de estar forte, é comida de atleta, mas não pode ser pesada. Tem de ter comida no camarim. E, para que ela existisse de verdade, alguém precisava assumir isso. Adoro acordar cedo e ir na zona cerealista buscar os ingredientes. E faço de tudo: o Zé é cardíaco e tenho de fazer algo que não prejudique o coração dele. Já a Camila Mota é macrobiótica. Os nordestinos não comem sem carne. Então, alimento os corpos destes artistas diversos.

Miguel Arcanjo Prado — Você é um artista da cozinha?
Alessandro Ubirajara — Sim. A comida é ritual, é uma ligação. Ela dialoga. É um personagem. Sinto que estou ligado por este trabalho. O Zé Celso disse que minha força maior está na cozinha de teatro. A minha pesquisa artista neste momento é esta. Estou misturando sabores e cheiros. Eu já fui primeiro artista plástico, depois ator, agora chef. Estou buscando meu lugar, mas, durante a busca, não paro de criar.

alessandro ubirajara foto bob sousa11 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara, no palco do Oficina: ele alimenta artistas com consciência - Foto: Bob Sousa

Jantar Orgânico pelo chef Alessandro Ubirajara
Quando: Quinta (3/7/2014), 18h às 21h
Onde: A Leiteria da Canastra (rua Major Almeida Queiroz, 18, Butantã, São Paulo, tel. 0/xx/11 4563-9525 ou 0/xx/11 9-8120-1471)
Quanto: Couvert (R$ 10); jantar adulto (R$ 35); jantar infantil (R$ 20); taça de vinho (R$ 15); taça de suco de uva ou mexerica (R$ 4); aceita dinheiro e cheque
Classificação etária: livre

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robert wilson mikhail baryshnikov willem dafoe the old woman lucie jansch Bob Wilson e Baryshnikov já causam furor em SP

Ingressos para o espetáculo de Bob Wilson começam a ser vendidos no dia 8/7 - Fotos: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Já começou a corrida desenfreada para ver o espetáculo The Old Woman [A Velha], do encenador norte-americano Robert Wilson, ou Bob Wilson para os mais íntimos, em São Paulo.

theoldwoman Bob Wilson e Baryshnikov já causam furor em SP

The Old Woman terá legendas em português - Foto: Divulgação

Os ingressos para as 11 apresentações no Sesc Pinheiros, entre 24 de julho e 3 de agosto, serão disputados a tapa no site do Sesc, a partir do dia 8 de julho, e, se sobrar algum para contar história, nas bilheterias das unidades a partir do próximo dia 10.

O valor é R$ 60 a inteira. Para não haver maldade de nenhum guloso, cada comprador só poderá adquirir quatro entradas.

Tanta euforia se explica. No elenco, está ninguém menos do que o grande bailarino russo Mikhail Baryshnikov, lenda viva da dança. Ele atua com o ator norte-americano Willen Dafoe, nome forte das artes cênicas nos EUA.

A última peça de Wilson apresentada em São Paulo foi A Dama do Mar, no ano passado, com elenco brasileiro capitaneado por Ligia Cortez em grande performance.

O Sesc pede para avisar que os que não dominam o inglês não precisam ficar apreensivos. Nem fingir que entende. Todas as sessões terão legendas em português. Melhor, né?

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miranda por mirandafoto de Bruno Veiga Carmen Miranda ressuscita em São Paulo

Stella Miranda, como a diva Carmen Miranda no musical do Teatro Augusta - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Muito do imaginário coletivo mundial sobre o Brasil ainda é aquele construído pela atriz e cantora Carmen Miranda nos filmes que conquistaram Hollywood.

A Pequena Notável, como era chamada, criou o mito da mulher brasileira, feliz, cheia de malemolência e, claro, excessivamente tropical.

O ícone, com seus trejeitos inconfundíveis, é revisitado no musical brasileiríssimo Miranda por Miranda. Nele, a atriz Stella Miranda, que idealizou e dirige o projeto, assume a personagem.

Não faltam no repertório clássicos de nomes fundamentais do cancioneiro brasileiro, como Ary Barroso e Assis Valente.

Com elenco enxuto, Stella Miranda surge no palco acompanhada dos atores Luciano Andrey — que protagonizou o musical Priscilla, Rainha do Deserto —, Rogério Guedes, Renato Bellini e Will Anderson.

Além dos atores, a montagem conta com música executada ao vivo com banda sob comando do diretor musical Tim Rescala, composta por Laura Visconti, André Santos e Leandro Lui.

A figurinista Rita Murtinho chamou para si a responsabilidade de fazer uma releitura das roupas emblemáticas de Carmen, com auxílio de Ligia Rocha.

Pelo jeito, não vão faltar balangandãs.

Miranda por Miranda
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; e domingo, 19h. 80 min. Até 27/7/2015
Onde: Teatro Augusta (r. Augusta, 943, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3151-2464)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

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dione leal andre stefano Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Dione Leal em cena em Os Que Vêm com a Maré: atriz é destaque no elenco - Foto: André Stefano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É tudo sombrio quando a partida, sempre uma espécie de morte, ronda. Há um desacreditar que pode impulsionar a crença no que antes poderia ser o mais absurdo. Como suprir a falta? É preciso esquecer o ser amado ou reinventá-lo? O abandono é sempre cruel.

Tudo isso ronda a cabeça de quem vê a montagem de Maria Alice Vergueiro para o texto Os Que Vêm com a Maré, de Sérgio Roveri. A peça faz parte do projeto 3xRoveri, que montou o mesmo texto no Espaço dos Satyros 1, com três diferentes diretores, cada qual revolucionando o drama com sua encenação. Além de Vergueiro, do Grupo Pândega, teve ainda Rodolfo García Vázquez, do Satyros, e Fernando Neves, de Os Fofos Encenam.

No enredo, um casal (Dione Leal e Ricardo Pettine) vive às voltas com a imagem de um filho perdido (Robson Catalunha), não se sabe se para a vida ou para a morte.

O sopro de luz é a vizinha do lado (uma pulsante Suzana Muniz), que surge para relembrar os velhos tempos de pulsão de vida, mesmo hoje não sendo a mesma de outrora.

Vergueiro afirma no programa se inspirar em Jodorowsky ao criar uma estética baseada no “pânico-grotesco”. Assim, há gritos e força no desolamento.

O R7 assistiu à última apresentação da temporada, repleta de emoção, já que na plateia estavam o autor e a diretora, que via a tudo atentamente.

A atriz Dione Leal, na pele da mãe, é o grande destaque do elenco, revelando-se em uma atuação cheia de impacto, espécie de catalisadora emocional da obra. E a atriz condensa tanta força que se torna o centro pulsante do casal amargurado à espera do filho que um dia vai voltar.

Robson Catalunha também chama a atenção ao imprimir uma estética que remete aos protagonistas dos filmes de Tim Burton ao filho, assustado, acuado, vivo e morto ao mesmo tempo.

Se a escuridão ronda a tudo, Vergueiro traz instantes de flashes de vida para a cena. Porque, talvez, o momento em que a vida se torne mais potente seja realmente quando se defronta com a morte.

robson catalunha suzana muniz andre stefano Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Robson Catalunha e Suzana Muniz: ele imprime "ar Tim Burton"; ela, vida que já pulsou - Foto: André Stefano

Os Que Vêm com a Maré, direção de Maria Alice Vergueiro
Avaliação: Bom
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

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manoelita lustosa Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa era uma das principais atrizes mineiras - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz Manoelita Lustosa, que morreu nesta terça (1º), em Belo Horizonte, aos 72 anos, foi um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras.

Antes de ficar conhecida em todo Brasil por atuar em novelas na Record e também na Globo, a atriz fez marcantes montagens no teatro em Minas Gerais.

manoelita bruna Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa e Bruna Marquezine, em 2003, na novela Mulheres Apaixonadas: papel marcante - Foto: Divulgação

Ela morreu em casa, de insuficiência respiratória, às 9h. Sua filha, Maria Bethânia Diniz Lustosa, conversou com o Atores & Bastidores do R7.

Emocionada, contou que sua mãe foi exemplo de amor à profissão.

— A mamãe foi uma pessoa muito ativa na área cultural. Ela começou a carreira muito nova. Ela era muito competente no que fazia.

Segundo a filha, Manoelita era muito requisitada por jovens e experientes artistas.

— Vários artistas se espelhavam nela como exemplo de disciplina profissional. Ela era apaixonada pela arte e tinha um respeito enorme pelo trabalho que fazia. Ela amava ser atriz. Sempre foi muito dedicada. É uma perda enorme.

A filha conta que Manoelita não faltou ao teatro nem mesmo quando perdeu o marido, 18 anos atrás. No fim de semana da morte, subiu ao palco. Dizia que “a arte não pode parar”.

Manoelita deixa três filhas: Manoela, Maria Bethânia e Mariana, e seis netos — um casal de cada filha. O corpo será velado a partir do fim da tarde desta terça (1º), no Cemitério Parque da Colina, na região norte de Belo Horizonte, onde deverá ser sepultada na manhã desta quarta (2).

Artistas lamentam

A morte de Manoelita Lustosa foi sentida na classe artística. A diretora e atriz Yara de Novaes, afirmou que "foi uma honra" pode ter trabalho com a atriz, em Um Céu de Estrelas. O produtor Guilherme Marques, do CIT-Ecum, declarou que Manoelita deixou um "legado maravilhoso".

A atriz gaúcha Patrícia Vilela, que atuou ao lado da colega na novela Esmeralda, no SBT, contou ao R7 que ficou muito triste ao saber da notícia.

— A gente se deu tão bem nos bastidores da novela. Era uma grande atriz e uma pessoa maravilhosa.

O ator mineiro Odilon Esteves também lamentou a morte da amiga. E lembrou-se também do episódio em que ela trabalhou logo após perder o marido.

— Manoelita fazia Na Era do Rádio quando seu esposo faleceu. Eu era adolescente e ia ver o espetáculo quase todo dia. Então, saía com eles do teatro para ir ao hospital onde ele estava internado. Na sexta-feira em que ele se foi, não teve apresentação, nem no sábado, mas no domingo, Manoelita já estava de volta ao palco. E presenciei o que só mais tarde, na escola, fui aprender como sendo o caráter votivo dessa profissão: apesar de quase toda adversidade, o artista segue seu trabalho. Uma personagem de Manoelita  cantava Último Desejo, de Noel Rosa, no espetáculo, e naquele domingo as notas da canção se misturaram a um choro profundo. Os espectadores jamais saberiam que não se tratava de representação. Coração apertado hoje! Saudade de Manoelita! E gratidão!

Clássicos e comédia

Natural de Pirapora, às margens do Rio São Francisco, Manoelita foi criada em Sete Lagoas. Desde menina, era encantada com o rádio e, depois, o teatro a TV.

Manoelita Lustosa Terezinha Michel Angelo 2 Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa, como Terezinha em Dona Xêpa: último papel na TV - Foto: Michel Ângelo

Foi agitadora cultural e exerceu cargos políticos na área da Cultura na região do Vale do Aço, durante o tempo em que morou na cidade de Timóteo. Mas foi em Belo Horizonte, para onde se mudou no começo da década de 1990, que sua carreira artística deslanchou.

Sua estreia como atriz foi em Tio Vânia, de Tchekhov, dirigida por Luiz Carlos Garrocho e Walmir José. Logo, chamou a atenção de importantes diretores mineiros como Pedro Paulo Cava, com quem fez o musical Na Era do Rádio, e Ílvio Amaral, que a consagrou junto ao público em comédias como É Dando que se Recebe e A Comédia dos Sexos.

Logo, Manoelita se tornou uma das mais respeitadas atrizes da cena local. Atuou em comédias rasgadas e de grande bilheteria na cena belo-horizontina, como Perigo, Mineiros em Férias. Fez ainda textos clássicos do teatro brasileiro, como Perdoa-me por me Traíres, de Nelson Rodrigues.

Seu último papel na TV foi em 2013, como a pasteleira Terezinha, na novela Dona Xêpa, na Record. Outro papel marcante de sua carreira televisiva foi na novela Mulheres Apaixonada, de Manoel Carlos, em 2003, como Inês, a avó maldosa de Salete, papel da então menina Bruna Marquezine.

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abajur lilas Mundo cão de Plínio Marcos volta em Abajur Lilás

Mundo marginal no palco do Teatro Nair Bello, em São Paulo: Abajur Lilás - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O dramaturgo e jornalista Plínio Marcos, morto há 15 anos, é um dos maiores expoentes do teatro brasileiro. E continua montado como nunca. Só de sua peça Navalha na Carne, há três montagens em São Paulo. Como sempre, seus textos, inspiradas no ritmo caótico de São Paulo, dá voz a personagens urbanos marginais.

E outra peça dele está de volta. Desta vez, Abajur Lilás, montagem que o diretor André Garolli estreia no próximo dia 9 de julho no Teatro Nair Bello, em São Paulo.

Ele convocou os atores Fernanda Viacava, Isadora Ferrite, Josemir Kowalick, Daniel Morozetti e Carol Marques, para viver os personagens que habitam o prostíbulo comandado a mão de ferro por Giro.

A montagem faz parte do projeto Homens à Deriva, que já montou as peças As Moças e Histórias dos Porões. Sempre em cena a submissão do homem ao dinheiro.

Garolli diz que Plínio Marcos expõe “a solidão e a decadência humana”, mostrando “vidas degradadas e o beco sem saída da miséria e da violência”.

E lembra que a maior parte da dramaturgia do autor foi concebida durante os anos de chumbo da ditadura militar que foi instaurada no País 50 anos atrás.

“Sustento a ideia de que não há como analisar as obras dramáticas desse autor sem o entendimento do regime de opressão ao qual estiveram submetidos os cidadãos brasileiros”, afirma.

Abajur Lilás
Quando: Quarta e Quinta, 21h. 80 min. De 9/7/2014 a 14/8/2014
Onde: Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca 3º piso (rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3472-2414)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

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thiago liberdade magiluth foto bob sousa8 O Retrato do Bob: Thiago Liberdade, o fim e o início do Grupo Magiluth
Foto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Thiago Liberdade é onde começa e termina o Magiluth, principal grupo teatral surgido em Pernambuco nos últimos tempos. Nascido no Rio, filho de um pernambucano e de uma maranhense, chegou ao Recife com oito anos. Hoje, é pernambucano nato. Começou no teatro por acaso, na montagem que a irmã fazia na escola: Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare. Não parou mais. No vestibular, marcou artes cênicas e entrou para a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Em 2004, fundou o Magiluth com outros três amigos do curso. No nome, as iniciais de cada um. Logo o grupo cresceu, Thiago foi fazer intercâmbio em Portugal, voltou e resolveu que queria cursar design. Em março de 2010, pediu para sair e se concentrar no novo curso. Justamente neste período, o Magiluth circulou pelo Brasil e ganhou reconhecimento nacional. Viu tudo, de longe. Quando voltaram ao Recife, em 2012, para a apresentação consagradora no Teatro Santa Isabel de Viúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues, Thiago chorou como um menino. No dia seguinte, escreveu uma emocionada carta pedindo para voltar. Foi aceito de cara. Desde então, é responsável pela comunicação e arte gráfica do grupo, uma das melhores do teatro brasileiro contemporâneo. Competente nos bastidores, volta aos palcos aos poucos: já fez algumas substituições em turnês e estará no elenco da nova peça, prevista para estrear em 2015. Não se considera o filho pródigo do Magiluth: “Porque, mesmo de longe, sempre estive presente”, diz. E sabe que sua presença, hoje, é imprescindível: “A gente se mata e renasce todos os dias. Por isso temos unidade. Porque amamos fazer teatro”.

Visite o site de Bob Sousa

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neymar messi getty Domingou: Ódio ao outro não ganha Copa

Neymar e Messi, rivais só no campo: "Ódio ao outro não ganha Copa, mas bom futebol" - Fotos: Getty Images

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Outro dia, vi, em uma rede social, a foto de um cachorro da raça pit bull destroçando uma camisa da seleção argentina. Com todo ódio do mundo, é claro. Tudo comemorado pelo dono, com alta dose de orgulho.

Nesta semana, ouvi uma apresentadora dizer, no ar, que os brasileiros estavam tratando bem os turistas nesta Copa e soltou: "até os argentinos". Nas entrelinhas, a ideia de que o normal seria maltratá-los.

Por que tanto ódio ao outro? Não há confiança no futebol próprio? É preciso espinafrar o vizinho para tentar garantir algo?

comercial skol xenofobico Domingou: Ódio ao outro não ganha Copa

Incentivando o ódio, comercial da Skol explode os argentinos dentro de uma casa - Foto: Reprodução

A publicidade é rainha em disseminar ódio ao outro. Recente comercial de conhecida marca de cerveja brasileira debocha do Hino Nacional da Argentina, dizendo que ninguém aqui sabe cantá-lo. Como se os argentinos soubessem cantar o Hino do Brasil, coisa que nem o brasileiro sabe fazer direito até o fim. Para terminar de forma deplorável, o tal comercial termina com boa dose de violência: enxota um grupo de argentinos em uma casa, logo explodida feito um foguete.

Agora, de norte-americano ninguém debocha. Será mais fácil rir de nosso primo tão pobre quanto nós?

Entretanto, o ódio não é exclusivo para argentinos. Neste sábado (28), vi, com vergonha, parte dos brasileiros vaiar o Hino do Chile durante sua execução no Mineirão. Uma absoluta falta de respeito com o símbolo pátrio alheio. Uma pergunta: se fizessem o mesmo com o Brasil lá fora, como nos sentiríamos?

Mas, se não tratam com educação nem a presidente de seu país vão respeitar o hino dos outros? Não custa nada reforçar que o mundo já viu um povo achar que era superior aos demais: a Alemanha de Hitler.

Até vi como castigo merecido o sufoco que os canarinhos passaram para colocar o País nas quartas de final, deixando todos nós com o coração na mão até o último pênalti batido. E, verdade seja dita: o Chile jogou mais.

É lamentável que o Brasil, que se propõe a entrar para o time dos grandes países do mundo, ainda se comporte dessa forma com seus vizinhos. É bom o brasileiro entender que incentivar o ódio ao outro não ganha Copa. O que leva à vitória é algo bem mais simples e saudável: o bom futebol.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e prefere o amor ao ódio. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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acaua sol foto jennifer glass Dois ou Um com Acauã Sol

O ator Acauã Sol, que faz o papel de Robogolpe no Teat(r)o Oficina - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

No Teat(r)o Oficina de José Celso Martinez Corrêa, o golpe militar de 50 anos atrás virou o Robogolpe, em uma analogia antropofágica ao Robocop, herói do cinema norte-americano recentemente ressuscitado pelas mãos do cineasta brasileiro José Padilha. Na peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, que termina temporada neste fim de semana, em São Paulo, o ator paulistano Acauã Sol é quem dá vida ao famigerado papel. E ainda vive o delegado que interroga Cacilda Becker e Maria Della Costa no tenebroso Dops. Formado em artes cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde morou entre 2000 e 2008, também cursou atuação no Teatro-Escola Macunaíma de São Paulo. Com experiência no teatro, na dança, na TV e também no cinema — esteve no elenco do filme Linha de Passe, de Walter Salles —, atua no Oficina desde que voltou para a terra natal, em 2009. O artista aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Robocop ou Robocopa?
Robocop nunca. Robocopa só em Walmor y Cacilda 64.

José Padilha ou José Celso?
José Celso claro, mas gosto bastante de Tropas de Elite, do documentário sobre o ônibus 174, e quero ver ainda Robocop. Teatro e cinema, duas paixões.

Chile ou Brasil?
Quem jogar melhor. E, por favor, quero ver gol!

Rio ou São Paulo?
São Paulo pra ganhar dinheiro, Rio pra gastar (muito, hoje em dia).

Chico ou Caetano?
Caetano.

Elis ou Gal?
Elis sempre.

Cacilda Becker ou Fernanda Montenegro?
Boa atriz de qualquer jeito é bom. Todos os teatros são meu teatro.

Eduardo e Mônica ou Faroeste Caboclo?
Renato Russo.

Praça Roosevelt ou Oscar Freire?
Praça Roosevelt quase nunca. Oscar Freire de jeito nenhum.

Que seja eterno enquanto dure ou Te amo pra sempre te amo demais?
Amor sincero e parceria profunda enquanto feliz.

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BRtrans Foto Lina Sumizono alta1 BR Trans fecha temporada em SP com bate papo

Entrada grátis: cena da peça BR-Trans, que termina temporada em São Paulo - Foto: Lina Sumizono

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Após sucesso no último Festival de Curitiba, a peça BR-Trans termina curtíssima temporada gratuita em São Paulo neste sábado (28), às 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade (r. Três Rios, 363, Bom Retiro, tel. 0/xx/11 3222-2662).

O espetáculo traz o ator cearense Silvero Pereira em cena. Ele também é autor do texto, dirigido por ele e Jezebel De Carli. No enredo, o universo dos transgêneros, transformistas e transexuais. Em cena, muita graça e muita tristeza também.

Neste sábado (28), data em que se comemora o Dia Internacional do Orgulho LGBT,  o público paulistano pode participar de um bate-papo com Pereira, que integra o Coletivo Artístico As Travestidas. Começa às 17h.

Ele promete responder perguntas sobre o processo criativo da peça, que contou com investigação cênica na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. As entradas tanto para o bate-papo quanto para a peça podem ser retiradas sempre meia hora antes.

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