MundoMudo JorgeEtecheber 11 Companhia teatral reflete sobre o velho e o novo enquanto celebra 25 anos

MundoMudo reflete sobre o velho e o novo - Foto: JorgeEtecheber/Divulgação

A Cia Azul Celeste, de São José do Rio Preto, cidade do interior de São Paulo, tem mil motivos para celebrar em 2015. Neste ano, ela comemora 25 anos de existência e dá melhor forma possível: nos palcos.

O grupo estreia, no próximo dia 27 de maio, o espetáculo MUNDOMUDO, no Teatro do Sesc Pinheiros, com direção de Georgette Fadel e dramaturgia de Cíntia Alves.

No espetáculo, os atores Jorge Vermelho e Henrique Nerys dão vida a dois palhaços que investigam a relação cultural entre o velho e o novo por meio dos valores difundidos na sociedade contemporânea, mas não espere clichês. A atmosfera é cruel no picadeiro metafórico, cada um defende seu ponto de vista exibindo suas diferenças de poder.

A obra é inspirada no palhaço das obras de Samuel Beckett e também trata de assuntos como o isolamento, o aprisionamento e o abandono.

Antes de colocar o pé na estrada com 25 anos de existência, a companhia teatral chegou a cogitar um “recolhimento” no aniversário, mas decidiu, mais uma vez, colocar as coisas para acontecer, de acordo com Jorge Vermelho.

— Talvez nosso silencia não seria entendido. Foi então que decidimos investigar a relação humana por meio do não dito, as entrelinhas. Nesse mergulho surgiu a vontade de retomar a pesquisa sobre circo-teatro, pois a Cia. já havia investigado essa estética, o que resultou em dois trabalhos: O Céu Uniu Dois Corações, de 1991, e Coração Materno.

Georgette Fadel explica também a escolha por um tom sombrio.

— O que se vê em cena beira o grotesco e retrata as atrocidades da existência humana. O resultado foi uma peça de uma crueldade enorme, mas com uma plástica linda.Sorte a nossa que eles decidiram comemorar nos palcos.

MUNDOMUDO
Quando: Estreia dia 27 de maio, às 20h30. Temporada de quinta a sábado, às 20h30. Vai até o dia 4/6/2015.
Onde: Auditório do Sesc Pinheiros (R. Paes Leme, 195, Pinheiros. Telefone 0/xx/11 3095-9400)
Quanto: R$ 25
Classificação: 14 anos

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2 urubu comum foto de elenize dezgeniski 1024x682 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Cia. de Teatro do Urubu estreia primeira montagem - Foto: Elenize Dezgeniski

Do R7

Primeiros passos

A Cia. de Teatro do Urubu  ocupa o Teatro Novelas Curitibanas, a partir do dia 15 de Maio,  com sua primeira montagem: Urubu Comum – uma espécie tipicamente brasileira que vive no zoológico de Michelle Ferreira. O elenco conta com  Anderson Caetano, Gustavo Gusmão, Muhammad Chab, Michelle Pucci e Carolina Meinerz. A peça fica em cartaz de sexta à domingo, sempre às 20 horas, com entrada gratuita. A temporada se estende até o dia 31 de Maio. Com texto e direção de Michelle Ferreira, Urubu Comum coloca em cena um casal de professores que vivem em um apartamento decadente de uma grande metrópole. Senhora G e Senhor F, em um dia comum, recebem a visita do investigador T que busca desvendar um caso que ocorreu no edifício que os professores moram: quem foi o morador que jogou um peixe pela janela e acertou uma menina de rua provocando a sua morte? Enquanto isso, um urubu comum sobrevoa a cidade. Classificação 14 anos. Telefone: (41) 3321-3358.

Baladinha de fim de semana

O espetáculo Fortes Batidas estreia no Pequeno Ato (entre Ipiranga e Consolação, em SP) após uma temporada no Centro Cultural São Paulo. Na peça, com direção e dramaturgia de Pedro Granato, o público acompanha todo o desenrolar da trama na pista, junto com 15 personagens, que tentam driblar a solidão com bebida, música alta e na busca por novos relacionamentos. Parece uma balada, né? Na trilha tem Daft Punk, David Bowie e Depeche Mode. A temporada será de 15 de maio até 3 de julho, às sextas, às 21h30. Os ingressos custam R$ 40. Classificação 16 anos.

Farra na Maria Zélia

O Grupo XIX de Teatro promete agitar a Vila Maria Zélia, no Belenzinho, em São Paulo, um domingo por mês. O projeto Domingueira XIX prevê apresentações de teatro, exposições de artes plásticas e shows. Toda a programação é gratuita e aberta ao público em geral. A primeira edição será neste domingo (17), das 15h às 21h. “Será um dia de encontro, de festa e cultura que habitará as ruas, praça e armazéns da Vila, oferecendo à cidade uma experiência viva desse espaço tão diferenciado”, fala Luiz Fernando Marques, diretor do grupo (r. Mário Costa, 13, entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres). Telefone (11) 2081-4647.

fotinho Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Mateus Solano e Miguel Thiré reestreiam Selfie - Foto: Divulgação

De volta

Depois de temporada em 2014, Mateus Solano e Miguel Thiré reestreiam 15 de maio, no Teatro do Leblon, a peça Selfie. Com direção de Marcos Caruso e texto de Daniela Ocampo, a comédia fala da febre contemporânea da autoexposição e da necessidade de estar online acompanhando tudo e todos. O espetáculo fica em cartaz até 7 de julho com sessões às sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 20h. Os ingressos vão de R$ 90 a R$ 80. A classificação é 14 anos anos. Telefone: (21) 2529-7700. Mateus Solano acaba de virar papai do pequeno Benjamim, seu segundo filho com a atriz e escritora Paula Braun. Parabéns!

Fé na taba

Com texto original do escritor Daniel Munduruku (menção honrosa do Prêmio Literatura para Crianças e Jovens na Questão da Tolerância, da Unesco, em 2004) e direção de José Sebastião Maria de Souza, o espetáculo Meu Vo(o) Apolinário estreia no dia 16 de maio, sábado, no Teatro Jaraguá, em São Paulo, para temporada de dois meses, com sessões aos sábados, às 18h, e domingos, às 16h. O adolescente, narrador da história, sofre bulling, por sua origem indígena, e seu sofrimento diminui com a descoberta de uma sabedoria ancestral – transmitida por seu avô – que o leva para a aceitação de si, de sua origem e de sua cultura. Fica em cartaz até o dia 19 de julho. Os ingressos estão R$ 50 e a classificação é livre. Telefone: (11) 3255-4380.

Clássico para crianças

O espetáculo para crianças O Corcunda Quaquá estreia no dia 16 de maio, sábado, no Teatro Viradalata, em São Paulo, às 12h. Com texto e direção de Ricardo Ripa, a montagem foi inspirada no livro O Corcunda de Notre-Dame, do francês Victor Hugo (1802-1830). O enredo conta a história de Quaquá, um rapaz feio e corcunda que se revela doce e carismático, além de corajoso na hora de salvar a bela dançarina Esmeralda. De forma muito divertida, a montagem apresenta esse “herói” que foge ao estereótipo do “príncipe”, retratado nas histórias para crianças. Fica em cartaz até o dia 5 de julho. Ingressos:  R$ 15,00 (sábado) e R$ 30,00 (domingo).

image002 2 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Nanni Souza prepara show solo - Foto: Divulgação

Novos voos

Cantora e atriz indicada ao Prêmio Bibi Ferreira 2014 na categoria “Melhor Atriz Coadjuvante”, Nanni Souza ensaia seu primeiro show solo, Lady Sings the Blues, com estreia prevista para o segundo semestre de 2015, em São Paulo. Nanni foi indicada ao prêmio por sua performance no musical Rita Lee Mora ao Lado (atualmente em turnê pelo Brasil). No show Lady Sings the Blues, a cantora se apresenta acompanhada de um trio formado por baixo, bateria e piano, vertendo canções do cancioneiro brasileiro para jazz e blues, abordando o repertório de nomes como Etta James, Peggy Lee, Billie Holiday, Nina Simone, Amy Winehouse e Adele e Tata Veja. Ela conciliará a agenda de apresentações do espetáculo com a agenda de shows.

 

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por Elisa Gaivota 100ANCELMO Entrevista de Quinta – A voz de veludo de Maria Ceiça: “Tinha dúvida se seria atriz ou cantora”

Maria Ceiça será a dona de casa Encantada - Foto: Elisa Gaivota/Divulgação

Por BRUNA CRISTINA FERREIRA*

Maria Ceiça é uma daquelas pessoas que imagino sorrir apenas pela voz. A atriz conversou com o Atores & Bastidores logo cedo ao telefone no início desta semana. A conversa era para falar sobre a estreia do espetáculo Por Dentro da Música, que estreia no dia 22 de maio, no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro.

Na peça, Ceiça e Ilka Villardo soltam a voz na companha de Oscar Milito (piano), Pascoal Meirelles (na bateria) e Alex Rocha (no contrabaixo). O espetáculo conta as histórias por trás de grandes músicas de Gonzaguinha, Dorival Caymmi, Chico Buarque, Tom Jobim entre tantos outros.

Gravando a novela Os Dez Mandamentos, da Record, e prestes a estrear a peça, o tempo de Ceiça está escasso, entre um ensaio e outro, mas a alegria de voltar aos palcos cantando é evidente. Em Por Dentro da Música, ela é a dona de casa Encantada, que durante os afazeres domésticos sonha com as cantoras da rádio.

Para completar, ela ainda deu uma canjinha ao telefone. Para ler e reler, de preferência ao som de Dolores Duran.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Como você está conseguindo estrear uma peça junto com Os Dez Mandamentos?
MARIA CEIÇA – Está puxadíssimo [risos]! Na verdade, os dias em que eu não gravo a novela, eu ensaio a peça. O espetáculo é um musical e eu divido o palco com a Ilka [Villardo]. Nos dias em que não posso ensaiar, a equipe faz preparação com ela e assim vamos nos adaptando.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você sente falta de cantar?
MARIA CEIÇA – Pois é, eu estou sentindo muita falta disso. A música sempre me acompanhou na minha carreira artística. Lá no início, quando eu comecei, eu tinha dúvida se seria atriz ou cantora. Já tem muito tempo, que eu não faço trabalho com música, aí surgiu essa oportunidade.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Quando foi sua última peça de teatro?
MARIA CEIÇA – Foi em 2012, com Gimba, O Presidente dos Valentes, com o Silvio Guindane. Eu estava com muita vontade de voltar aos palcos e também estou produzindo o espetáculo. É a minha produtora, a Luminis, que está cuidando disso. Há um tempo eu vinha produzindo muito, mas a vontade de cantar e atuar falou mais alto.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – No espetáculo, vocês relembram vários nomes da música. Quem escolheu os homenageados?
MARIA CEIÇA – Na verdade, a ideia do espetáculo partiu muito de curiosidades nossas. A gente gosta muito de música, tem canções que marcaram no adolescência, infância, nossos romances e memórias, e tínhamos vontade de saber como os artistas criaram essas músicas. Passamos a nos questionar a motivação deles. A gente não faz ideia de como as músicas são criadas.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Alguma história te marcou em especial?
MARIA CEIÇA – A Dolores Duran, por exemplo, é uma compositora que eu adoro. Tem uma música que todos nós conhecemos, A Noite do Meu Bem, usamos muito para seresta.

[Neste momento, Ceiça canta um pouquinho ao telefone um trecho da música]

“Hoje, eu quero a rosa mais linda que houver e a primeira estrela que vier para enfeitar a noite do meu bem”

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Que lindo!
MARIA CEIÇA – Então, mas eu s[o vou contar a história dessa música lá na peça [risos]!

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Onde estará em cartaz?
MARIA CEIÇA – No Teatro Tom Jobim. E é ótimo que esteja lá, né? Ele é um dos artistas que relembramos na peça.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você disse que está há um tempo longe do teatro, mas 2012 não é tanto tempo assim... Você começou no teatro?
MARIA CEIÇA – Eu comecei nos palcos, mas minha carreira na televisão começou quase que ao mesmo tempo. Logo já estava fazendo novela da Globo, uma que fez muito sucesso foi Felicidade. Depois fiz Por Amor, do Manoel Carlos, fiz Fera Ferida. Fiz Tocaia Grande, na Manchete, e agora estou na Record. Gostaria de estar mais próxima ao teatro...

BRUNA CRISTINA FEREIRA – Mas você não parou nesse período, parou?
MARIA CEIÇA – Eu fiz muita televisão e cinema. Eu estou falando do teatro, mas também estava com saudade de fazer televisão. Já estava há quatro anos sem fazer novela. Voltei com tudo ao mesmo tempo [risos]!

BRUNA CRISTINA – E ainda conseguiu unir teatro à música.
MARIA CEIÇA – Sim! Os meus trabalhos eram bastante musicais também. Quando eu fiz Fera Ferida, não se falou muito na época, mas eu gravei a música-tema da minha personagem e entrou na trilha sonora. No filme Cruz e Souza, O Poeta do Desterro, eu canto em cena.

Por Dentro da Música por Elisa Gaivota 7 Entrevista de Quinta – A voz de veludo de Maria Ceiça: “Tinha dúvida se seria atriz ou cantora”

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você me disse que precisou escolher entre a música e a atuação, mas isso já não é mais assim. O que você acha?
MARIA CEIÇA – Com certeza, na época que eu comecei a trabalhar em televisão, existia uma coisa pejorativa, um preconceito. As pessoas diziam: “Olha, ela quer aproveitar a projeção para se lançar como cantora”. Agora não tem mais essa divisão. O artista precisa ser completo. Hoje em dia, todas as atividades somam.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – E os trabalhos na sua produtora?
MARIA CEIÇA – Eu montei Calango Deu! Os Causos da Dona Zaninha e viajamos todo o Brasil. Estamos em cartaz desde 2012 e ainda estou fazendo um documentário. Estou a mil [risos]! O documentário vai se chamar Que Bom Te Ver no Filme, uma homenagem aos nossos artistas negros brasileiros como o Antônio Pitanga e alguns atores mais jovens como Lázaro Ramos. O documentário está em processo. Quero terminar a novela e continuar.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Esse tempo em que ficou afastada da TV e dos palcos te mobilizou a trabalhar como produtora?
MARIA CEIÇA – Com certeza. A gente amadurece, consegue ver os caminhos a seguir. Eu tenho esse lado de produtora, sou uma pessoa de muitas ideias, já estou planejando outro longa-metragem. Vamos ver o que vai rolar!

*BRUNA CRISTINA FERREIRA é repórter do Portal R7 e cobre o blog interinamente durante as férias do colunista e editor de cultura Miguel Arcanjo Prado.

Por Dentro da Música
Quando: estreia 22 de maio, sextas e sábado, 21h, domingos, 20h. Até o dia 21/6/2015
Onde: Teatro Tom Jobim (r. Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro. Telefone 0/xx/21 2274-4012)
Duração: 120 minutos.
Quanto: R$ 40
Classificação: 12 anos

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1 Juliana Teixeira e Joaquim Lopes CreditoPapricaFotografia Joaquim Lopes divide o palco com Tonico Pereira em peça de Nelson Rodrigues

Joaquim Lopes em cena com Juliana Teixeira - Foto: Paprica/Divulgação

Do R7

A história já é velha conhecida: o mimado Oswaldinho é um herdeiro mulherengo e sem escrúpulos que faz de tudo para conquistar Joice, uma jovem suburbana, que vive com o pai viúvo. Sem receber atenção dela, o rapaz tenta “comprar” a moça.

A história central faz parte do espetáculo Anti-Nelson Rodrigues, penúltima peça do escritor, que morreu em 1980, escrita por insistência da atriz Neila Tavares. A primeira montagem, em 1974, contou com Neila, Paulo César Pereio, José Wilker e grande elenco.

Esta é a primeira vez que o espetáculo volta ao cartaz no Rio de Janeiro e fica em cartaz no CCBB, até o dia 31 de maio. A peça recebeu esse nome, pois Nelson Rodrigues acreditava que mudava seu estilo ao dar ao público um final aparentemente feliz.

Anti-Nelson Rodrigues tem direção de Bruce Gomlevsky. No elenco estão Tonico Pereira, que interpreta Simão Salim, o pai de Joice, Joaquim Lopes, no papel de Oswaldinho, Yasmin Gomlevsky, Juliana Teixeira, Rogério Freitas, Carla Cristina e Gustavo Damasceno.

6 Yasmin Gomlevsky e Tonica Pereira CreditoPapricaFotografia Joaquim Lopes divide o palco com Tonico Pereira em peça de Nelson Rodrigues

Yasmin Gomlevsky em cena com Tonico Pereira - Foto: Paprica/Divulgação

Esta é a primeira vez que Gomlevsky dirige uma obra do grande jornalista, escritor e dramaturgo.

— A peça, apesar da leveza, continua abrigando o retrato da sordidez humana, que nunca deixa de existir na obra de Nelson, sempre universal. E quero muito, um dia, atuar em uma peça dele. A heterogeneidade dos papéis torna difícil e rica essa escalação do elenco. São atores de diversas faixas etárias e backgrounds. Mas tivemos uma grande sorte e o elenco é excepcional. O resultado é que mostramos com fidelidade esse Anti-Nelson que é extremamente carioca, extremamente brasileiro e profundamente universal.

Anti-Nelson Rodrigues
Quando: De quarta a domingo, às 19h30. Até o dia 31/5/2015
Onde: Teatro III – CCBB (r. Primeiro de Março, 66, centro. Telefone 0/xx/21 3808-2020)
Quanto: R$ 10
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos

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o alvo1 Briga adolescente gera confusão de graves proporções em O Alvo

Amizade entre amigas ficará abalada após confusão - Foto: Matheus Heck/Divulgação

Do R7

Uma briguinha adolescente vira assunto sério quando a jovem Maria Claudia (“a menina mais zoada do colégio”) sai rolando escada abaixo e vai parar no hospital.

Apesar do mote muito sério, o espetáculo O Alvo, com texto e direção de Pedro Garrafa, trata de forma jovem e descontraída a questão do bullying na sociedade atual.

Amanda, Maria Anna, Rebecca e Nina são amigas inseparáveis desde o ensino fundamental, mas terão a amizade abalada após o acontecimento. A peça começa com as quatro na sala de espera da diretoria do colégio.

Pedro Garrafa, que também é professor de teatro, viu a necessidade de dialogar com os adolescentes sobre o assunto e reparou que, quase sempre, o bullying é atribuído ao outro, nunca é reconhecido em si.

O projeto foi concebido para auxiliar os educadores a tratarem o assunto nas instituições de ensino e fala também sobre vitimização, relações de poder e estrutura social dentro da escola.

No elenco estão Andressa Andreato, Julia Freire, Caroline Duarte, Natalia Viviani e Kuka Annunciato.

O Alvo
Quando: Estreia 16 de maio, sábados, às 17h30. Temporada até 4/6/2015
Onde: Teatro Livraria da Vila – Shopping JK Iguatemi (av. Juscelino Kubitschek, 2041, São Paulo)
Quanto: R$ 40
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre

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luiza torres foto bob sousa O Retrato do Bob: Luiza Torres, sempre artista

Foto BOB SOUSA*
Por BRUNA CRISTINA FERREIRA**

Luiza Torres nasceu e Niterói, no Rio de Janeiro, mas mora em São Paulo desde menina. O olhar marcante é de uma profissional que trabalha pela arte, em todas as frentes, como pode. Formou-se em direção teatral pela USP, representou o Brasil em um festival internacional promovido pela UNESCO, integra a Cia. da Revista, desde 2009, e está em cartaz na Ópera do Malandro, em cartaz na sede do grupo, na Santa Cecília. Trabalha, Luiza, que o teatro quer mais você.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos.

**BRUNA CRISTINA FERREIRA é repórter do Portal R7 e cobre o blog interinamente durante as férias do colunista e editor de cultura Miguel Arcanjo Prado.

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ManualDeAuroDefesaIntelectual VicenteLatorre e FernandaAzevedo foto divulgação bb Afinal, Elvis morreu ou não morreu? Espetáculo questiona crendices no Sesc Belenzinho

Vicente Latorre e Fernanda Azevedo em cena do espetáculo - Foto: Divulgação

Do R7

Hoje é a última oportunidade para conferir o espetáculo Manual de Autodefesa Intelectual, da Kiwi Companhia de Teatro, no Sesc Belenzinho, em São Paulo. A sessão será às 18h30, neste domingo (10).

O espetáculo, com direção de Fernando Kinas, fala sobre as “crendices” contemporâneas. Sabe aquelas coisas que “você não acredita e nem desacredita”? Então. A obra mistura reflexões filosóficas com números de mágica, numerologia, horóscopo e até a popular mídia empresarial.

As teorias da conspiração também têm vez no espetáculo como a misteriosa morte de Elvis Presley e até a chegada do homem à Lua. O elenco é formado por Fernanda Azevedo, Maíra Chasseraux, Maria Carolina Dressler e Vicente Latorre, além dos músicos Eduardo Contrera e Elaine Giacomelli.

Segundo o diretor Fernando Kinas, as superstições e o analfabetismo científico fazem com que muitas pessoas não apenas acreditem, mas organizem suas vidas a partir de explicações místicas e ficções.

— A confusão frequente entre opinião e conhecimento (doxa e episteme), os erros oriundos do pensamento circular e das relações inexistentes de causa e efeito, a presença ostensiva da fé no cotidiano, a tendência a aceitar premissas falsas como verdadeiras, a ausência da verificação das fontes, a aceitação passiva de argumentos de autoridade, entre outros procedimentos baseados na intuição, no senso comum, na mídia hegemônica e nas experiências imediatas e pessoais criam um ambiente propício ao engano e ao erro.

Manual de Autodefesa Intelectual
Quando: última chance domingo, 18h30.
Onde: Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1000, Belenzinho, São Paulo. Informações (11) 2076-9700)
Quanto: R$ 25
Classificação: 14 anos
Duração: 1h50

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seu nini joão caldas Dois ou Um com Seu Nini (Por Nilton Bicudo)

Seu Nini é convidado mais que especial do blog - Foto: João Caldas/Divulgação

Por BRUNA CRISTINA FERREIRA*

Seu Nini é um bancário aposentado, que já recebeu uma medalha por nunca ter errado um troco na vida. Seu filho e os médicos o proibiram de ir ao bingo e de fumar, mas o pior é ter que aguentar o "travesseiro de astronauta" que ganhou da nora. Para finalizar, Seu Nini costuma ter visões da falecida esposa e promete se se separar dela caso a encontre “do outro lado”. Seu Nini é também uma das facetas do ator Nilton Bicudo e está em cartaz no Teatro Eva Herz, aos sábados, às 18h, com o espetáculo A Graça do Fim, último texto de Fauzi Arap. A direção é de Elias Andreato (que também dirigiu Bicudo no sucesso Myrna Sou Eu). Na peça, Nilton faz parceria com Cleiton Santos. Nesta brincadeira para o Atores & Bastidores, criador e criatura se confundem de um jeito doce e divertido.

Teatro ou TV?
Teatro eu como, TV eu encho a cara!

Cigarro ou bingo?
Meu desejo é trocar o cigarro pelo bingo, mas tá proibido!

Idosos ou médicos?
Um médico idoso, de confiança da família, que te conheça desde criança e não te vire pelo avesso.

Solteiro ou casado?
Prefiro os casados.

Zico ou Cleiton Santos?
Cleiton é ótimo ator, tem coração. O Zico é criação dele, acredito em cada palavra.

Dilma ou Aécio?
Essa pergunta tá atrasada.

Juventude ou velhice?
Juventude e velhice

Fauzi Arap ou Nelson Rodrigues?
Nelson às 18h, aí tira a maquiagem e Fauzi às 21h.

Fazer rir ou fazer chorar?
Fazer rir. Mas se fizer rir e chorar no final, melhor ainda.

Nilton Bicudo ou Myrna?
Myrna sou eu.

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3S3B0054BXC Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Mãe ciumenta faz de tudo para o filho não se casar - Foto: Divulgação

Mãe VIP todo o fim de semana

As mães acompanhadas de seus filhos que forem ao Teatro Bibi Ferreira, neste fim de semana, assistir ao espetáculo De Artista e Louco Todo Mundo Tem um Pouco, terão entrada gratuita. Elas serão as grandes convidadas da vez! A comédia narra a história de uma mãe, que tenta impedir o casamento do filho com ajuda de um carteiro. Ciumenta, né? Se sua mãe vai se identificar com a personagem maluquinha, o espetáculo começa às 21h, às sextas e sábados, e às 20h, nos domingos. O espetáculo fica em cartaz até o dia 28 de junho e os ingressos custam R$ 50. Telefone (11) 3105-3129.

Promoção de Dia das Mães

Para os filhos que ainda não sabem como vão homenagear as mamães no próximo domingo (10), o blog traz uma dica de teatro. A comédia Homens no Divã, em cartaz no Teatro da APCD (Rua Voluntários da Pátria, 547, Santana – pertinho do metrô Tietê), está com uma promoção. A matriarca que chegar ao teatro acompanhada por um pagante tem entrada gratuita. A apresentação do dia 10 é às 19h. Na peça, três homens dividem suas neuras na sala de espera do consultório de uma psicanalista (cuja voz é de Marília Gabriela). O ingresso custa R$ 50 (inteira) e a classificação indicativa é 14 anos. Vale levar sua senhora para um jantar depois (com tudo pago, hein)! Informações www.compreingressos.com.

Para quem ainda não esqueceu

A derrota do Brasil para a Alemanha (por 7x1!) ainda machuca, né? Para quem não consegue esquecer o “apagão” da seleção brasileira na Copa do Mundo no ano passado, uma boa oportunidade de dividir o sofrimento com os outros é no espetáculo Muro de Arrimo, que reestreia nesta sexta-feira (8), às 21h, no Teatro UMC, em São Paulo. A peça original de Carlos Queiroz Telles falava sobre a derrota do Brasil em 1974, mas foi atualizada para os dias atuais. A direção é de Alexandre Borges com trilha de Otto. O pedreiro Lucas, protagonista da peça, carrega a responsabilidade de representar eu, você e todo mundo que torceu – e ainda torce – pelo Brasil. Fica em cartaz até o dia 14 de junho com sessões sextas, sábados e domingos. Informação (11) 2574-7749. Ah, Alexandre Borges prometeu aparecer na reestreia...

FOTO 09 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Pedofilia, religião, verdade, vingança e mais - Foto: Divulgação

Assunto delicado

A peça Tadzio, com texto de Zen Salles e direção de Dan Rosseto, não tem medo de se enfiar num terreno espinhoso. O espetáculo trata dos casos de pedofilia já cometidos pela igreja católica e que foram recriminados pelo Papa Francisco. No entanto, a peça vai além e faz um verdadeiro questionamento sobre verdade e mentira, desejo e vingança. Estreia dia 9 de maio, no Espaço Paralapatões, com André Grecco, Thalles Cabral e Nélida Lima. Fica em cartaz até o dia 27 de junho, com sessões aos sábados, meia-noite, com ingressos por R$ 30. Informações (11) 3258-4449.

Entre amigos

Traduzida e adaptada pelo ator e diretor Flavio Faustinoni, a comédia Tudo Sobre os Homens volta em cartaz no Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, dia 9 de maio para temporada até 28 de junho. No elenco, além de Flavio Faustinoni, estão Juan Alba e Denis Victorazo. Em cena, os três atores se revezam entre histórias de humor e de uma forte carga dramática, em que a vida cotidiana masculina é exposta de diferentes maneiras. As sessões são aos sábado, às 20h, e domingos, às 18h. A entrada está R$ 40.

Parada na Estação

Contemplados pelo edital Proac Circulação, a Cia Estável de Teatro segue com o projeto Expedições apresentando o espetáculo A Exceção e a Regra, clássico de Bertolt Brecht (1998/1956), nas estações da Companhia de Trens Metropolitanos de São Paulo (CPTM). O projeto chega agora na linha Coral. As apresentações acontecem na Estação Guaianazes, dia 8 de maio, sexta-feira, às 20h; Estação Poá, dia 12 de maio, terça-feira, às 20h; Estação Suzano, dia 21 de maio, quinta-feira, às 20h e Estação Mogi das Cruzes, dia 23 de maio, sábado, às 11h. As sessões são gratuitas.

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MG 9848 Entrevista de Quinta – Esther Góes sabe o que quer: “Uma obra tem que me deixar à beira do abismo”

Esther Góes fala sobre arte, teatro, entretenimento e política ao R7 - Foto: Divulgação

Por BRUNA CRISTINA FERREIRA*

Alguns entrevistados tornam a vida do jornalista muito simples. Assim foi com Esther Góes. Sua objetividade não é apenas a de quem sabe o que está falando, mas de quem sabe o que quer e suas motivações. Entre suas referências está justamente Helène Weigel, atriz, militante política e mulher de Bertolt Brecht, a quem homenageia no espetáculo Determinadas Pessoas – Weigel, que entra em cartaz para curtíssima temporada no Teatro Ruth Escobar, aos sábados e domingos, de 9 a 24 de maio.

Escrita “a quatro mãos” pela própria Esther e por Ariel Borghi, a peça fala sobre a vida da atriz que revolucionou o teatro em tempos difíceis de viver. Em entrevista ao Atores & Bastidores, Esther falou sobre a obra, teatro e ideais, sem medo de criticar a indústria que busca o entretenimento a todo custo. Para ler e reler quantas vezes puder.

BRUNA CRISTINA FERREIRA - Pessoas Determinadas volta aos palcos agora?
ESTHER GÓES – Sim. Nós fomos um dos ganhadores do Prêmio Zé Renato de itinerância pela cidade de São Paulo, um projeto da Secretaria de Cultura de São Paulo. Essa é uma das peças do repertório da companhia e estreou, na verdade, em 2008. A gente sempre volta para Weigel, porque ela responde ao momento que vivemos no Brasil. Encaixa como uma luva. Nós tivemos uma itinerância grande, fizemos 12 CEUs, dois espetáculos no Mackenzie e agora faremos seis apresentações, ao sábados e domingos, no Ruth Escobar. Encerrando a temporada.

BRUNA CRISTINA FERREIRA - Ela segue após a temporada no Ruth Escobar?
ESTHER GÓES – Será quase uma despedida do espetáculo mesmo. Não quisemos refazê-la, pois temos outros projetos, mas nada impede que, no futuro, voltemos a montá-la.

BRUNA CRISTINA FERREIRA - Você foi para a Alemanha pesquisar a história de Helène Weigel?
ESTHER GÓES – Sim, a peça demorou dois anos para ficar pronta. Na Alemanha tivemos a oportunidade de conhecer a grande biógrafa da Weigel, a Sabine Kebir, cujos livros nos deram uma noção muito maior da realidade, nua e crua, além de toda a pesquisa histórica que já tínhamos. Foi uma pesquisa muito extensa, nós fizemos a tradução da obra dela para o Brasil, queríamos apenas a verdade sobre a personagem. Tem muita lenda em torno da história dela, queríamos fazer as melhores escolhas, se ater aos fatos.

MG 9608 Entrevista de Quinta – Esther Góes sabe o que quer: “Uma obra tem que me deixar à beira do abismo”BRUNA CRISTINA FERREIRA – Como você conheceu a personagem e por que fazê-la agora?
ESTHER GÓES – Nós fizemos Bertolt Brecht a vida inteira. Em toda a obra dele, víamos a presença de Helène Weigel, a mulher dele, cocriadora do Berliner Emsemble, inspiradora da obra dele o tempo inteiro. Tinha uma admiração por essa figura, mas não sabia muitas coisas. Foi mais ou menos em 2007 e 2008, que procurei uma personagem que fosse uma referência, falando enquanto atriz, enquanto trabalhadora na arte. Eu queria alguém que significasse um pouco mais do que vaidade e valores fictícios, que pudesse ser uma referência para mim mesma. De repente, eu tinha um retrato dela na parede de casa, que ganhei de um amigo, e dei de cara com ela.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Literalmente?
ESTHER GÓES – Literalmente. Essa mulher tinha tudo para não conseguir fazer o que fez. Ela nunca acreditou em besteira, se manteve absolutamente fiel às coisas que acreditava. Ela chegou a ser considerada a melhor atriz do mundo, depois de enfrentar tanto preconceito. Quando ela alcançou o sucesso, o Brecht dizia que “Helène Weigel desceu para a fama”. Pensei: “Ela é a minha referência. É dela que eu preciso”. Assim como todos nós, pois a fome e a sede são as mesmas.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Era um risco não encontrar tudo o que você esperava, não?
ESTHER GÓES – O que a gente encontrou foram pessoas de uma autenticidade espantosa, de um caminho na arte que deixou uma contribuição que não morre. As contribuições que são feitas com essa verdade, elas não desaparecem. A gente encontrou uma pessoa maior e melhor do que era esperado e foi uma sorte.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Esther, você se formou na EAD nos anos de chumbo. Como era fazer teatro naquela época?
ESTHER GÓES – Era o teatro da metáfora, você nunca podia falar o que era, tinha que falar indiretamente. A obra do Brecht foi um instrumento importante, a gente falava o Brasil o tempo inteiro. Também tinha uma coisa muito bonita, que nos unia enquanto artistas. Tínhamos um objetivo de luta, uma função histórica, que produziu um teatro muito importante. Depois que a situação pesada passa, vemos a redemocratização, os valores de mercado avançam. Parece que a função da arte é apenas entreter, um teatro que não entende muito bem suas razões, prevalece o que há de pior. Tudo precisa ser um produto vendável e patrocinável. Para o teatro, isso significa zerar os seus reais objetivos. Esse teatro eu não quero fazer, eu não me alinho, eu me recuso.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você acha que falta memória no País?
ESTHER GÓES – A questão da memória é exatamente um dos motivos que nos levou a pesquisar sobre Weigel e Brecht. São pessoas que não podem ser esquecidas. No começo do século XX existiu uma geração extremamente forte, que quis mudar o mundo no sentido da igualdade e da generosidade. Eles acreditavam nisso enquanto o bem do humano. Quando o socialismo se tornou autoritário e traiu os ideais iniciais, todos sofreram e tiveram suas próprias decepções. Eles sentiram tudo isso, eles tiveram que viver isso.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Isso nos diz alguma coisa sobre o momento que vivemos hoje?
ESTHER GÓES – Ao trazer esse testemunho deles, a gente funciona como um espelho do século XX. Espelho do que vivemos e as pessoas se relacionam no aqui e agora imediatamente. No século XXI, os temas são os mesmos, as discussões sobre as posturas são as mesmas, assim como as ideologias. Até formas nazistas voltaram. Helène Weigel era judia e Brecht se casou com ela quando todo aquele horror começou. Era a postura de um cara muito grande, muito corajoso. A figura humana dele é bastante incrível e você o lê no espetáculo também.

esther Entrevista de Quinta – Esther Góes sabe o que quer: “Uma obra tem que me deixar à beira do abismo”

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você completa 70 anos ano que vem?
ESTHER GÓES – Deus me livre, não vou falar disso. Isso é muito chato! Eu falo e logo colocam a gente em um rótulo do qual você não sairá nunca mais.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Quero saber se é possível uma comemoração da data, peças especiais, homenagens...
ESTHER GÓES – Não tenho o menor saco. É uma energia que você gasta à toa. Tem tanta coisa para se fazer agora. A vida é sempre hoje. Eu comecei no teatro com Hair, em 1970 e a luta é muito grande. O Ariel Borghi e eu estamos criando uma obra autônoma, sem os grandes patrocínios. É o caminho mais difícil.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Já tem uma peça para depois da temporada?
ESTHER GÓES – A gente tem algumas linhas que quer perseguir, pesquisar mesmo. Para nós, enquanto companhia de teatro, precisamos descobrir qual é o texto, o que a gente necessita. É um tempo de resguardo mesmo. A gente sente que o teatro é cada vez mais importante, que a função dele é essencial.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Quando te veremos na televisão de novo?
ESTHER GÓES – Eu sou contratada da Record e estou emprestada fazendo Questão de Família, no GNT. Tenho feitos coisas bem significativas da Record como Plano Alto e Conselho Tutelar. São grandes obras e fiquei muito orgulhosa de participar. Quando a obra é boa, ela está contribuindo. Hoje em dia, não consigo avaliar uma obra como “ai, que bonito”. Tem que me tocar, tem que me deixar à beira do abismo. Temos que viver isso junto com a população, não dá para ficar lá fora com binóculos.

*BRUNA CRISTINA FERREIRA é repórter do Portal R7 e cobre o blog interinamente durante as férias do colunista e editor de cultura Miguel Arcanjo Prado.

Determinadas Pessoas - Weigel
Quando: Estreia dia 9 de maio. Sábados, 21h30, domingos, 19h30. Até o dia 24/5/2015. Curtíssima temporada.
Onde: Teatro Ruth Escobar (Rua dos Ingleses, 209, Bela Vista - o/xx/11 3289-2358)
Quanto: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 14 anos

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