miguel arcanjo agenda Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 27/02/2015

Lidiane Shayuri recebe o colunista Miguel Arcanjo Prado no Hora News - Foto: Divulgação

O colunista Miguel Arcanjo Prado conta para Lidiane Shayuri na Agenda Cultural da Record News as melhores dicas para seu fim de semana. Tem exposição sobre Mafalda em São Paulo, Márcia Castro com o projeto Pipoca Moderna em Salvador, a peça O Tribunal de Salomão e o Julgamento das Meias Verdades Inteiras, Orquestra Voadora, no Rio e Capital Inicial em Tubarão (SC). E ainda três dicas no cinema: o drama brasileiro Casa Grande, o francês Em Um Pátio de Paris, a ação com Will Smith e Rodrigo Santoro Golpe Duplo e a animação Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca. E mais: o lançamento do novo livro de Heródoto Barbeiro. Com edição de Aline Rocha Soares. Veja o vídeo.

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

IMG 9725 Entrevista de Quinta   Patrícia Vilela faz viciada em drogas no filme Nóia e vive desespero em cena

Patrícia Vilela em cena do filme Noia, de Elder Fraga: lançamento nesta quinta (26) - Foto: Glauco Bernardino

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O mundo de alguém entregue ao vício é desvendado no filme Nóia, dirigido por Elder Fraga e com roteiro de Maristela Bueno. E quem dá vida a todo este desespero é a atriz Patrícia Vilela, gaúcha radicada em São Paulo. O curta será lançado nesta quinta (26), às 20h, no MuBE (av. Europa, 218, Jardins, São Paulo; ingresso a R$ 5). Ainda estão no elenco Alexandre Barros, Angela Barros e Fransérgio Araújo.

A história é baseada em fatos reais e mostra a angústia de uma mulher completamente em crise por conta de sua dependência química. Maristela Bueno, que criou o roteiro após pesquisa com familiares de usuárias de drogas e mulheres que se envolveram com traficantes e usuários, afirma que foi o trabalho de Patrícia no teatro que a fez ganhar o papel. "Precisava de uma atriz com atuação visceral, despida de freios morais, pois a personagem exigia alguém que superasse suas limitações e ao mesmo tempo expressasse com delicadeza a subsistência de uma mulher abandonada à própria sorte", afirma.

A roteirista elogia o resultado: "Patrícia foi muito além do que o texto propunha, doou-se completamente, exacerbando seu talento numa atuação selvagem e sublinhada de emoções contraditórias. Houve uma sinergia tão forte entre o elenco que resultou num excelente conjunto de interpretações".

Elder Fraga, o diretor, também ressalta a entrega. "Patrícia fez um trabalho excelente. Pegou um personagem difícil e deu humanidade. Minha sorte foi ter um elenco incrível. Patrícia é grande atriz e espero voltar logo para o set com ela, que bateu um bolão com os outros atores, Alexandre Barros, Angela Barros e Fransergio Araújo. Achei fantástico poder pesquisar e trabalhar em cima das alucinações que muitos usuários de drogas tem, as vozes que eles ouvem, enfim, não posso contar muito senão entrego o filme e estrago a surpresa".

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, Patrícia Vilela fala sobre o desafio de viver uma personagem tão complexa.

Leia com toda a calma do mundo.

IMG 9707 Entrevista de Quinta   Patrícia Vilela faz viciada em drogas no filme Nóia e vive desespero em cena

Patrícia Vilela vive viciada em drogas que entra em desespero no filme Noia - Foto: Glauco Bernardino

MIGUEL ARCANJO PRADO —Como surgiu o convite do curta?
PATRÍCIA VILELA — O convite partiu da roteirista e produtora Maristela Bueno, que está investindo muito em produção para cinema, inclusive com outros projetos de curtas.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual o maior desafio em fazer esta personagem?
PATRÍCIA VILELA — Personagens são sempre um desafio. Com a experiência fiquei mais segura, mas não menos ansiosa e preocupada em fazer o melhor. O desafio desta personagem foi imprimir humanidade e verdade, porque personagens assim correm o risco de cair no estereótipo ou overacting, principalmente para o cinema, onde a tela aumenta cem vezes o seu rosto.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você construiu a personagem?
PATRÍCIA VILELA — A partir dos ensaios e, através da orientação e direção firme do Elder Fraga, fui entendendo a personagem e todo o problema de dependência química envolvido. Pesquisei as reações físicas de dependentes e me concentrei na paranoia, no desespero e todas as angústias que envolvem as pessoas que vivem numa situação de limite. Fiquei muito livre para criá-la, me senti segura nas gravações com uma equipe superprofissional, colegas de cena talentosos e um diretor, Elder Fraga, focado no trabalho do ator.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Mudando um pouco de assunto, você gostou de Birdman, do mexicano Iñarritu, ter ganhado o Oscar?
PATRÍCIA VILELA — Ainda não vi o filme. Mas achei ótimo um latino-americano ganhar. A América é multicultural. Se o vencedor é talentoso e mereceu, é isso que importa. Os latino-americanos vêm se destacando e é natural receber prêmios e o respeito do público e crítica.

IMG 9604 Entrevista de Quinta   Patrícia Vilela faz viciada em drogas no filme Nóia e vive desespero em cena

Patrícia Vilela contracena com o ator Alexandre Barros em Noia - Foto: Glauco Bernardino

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem relação frequente com o cinema como atriz?
PATRÍCIA VILELA — Atuei nos curtas Dark Angel, de Paulo Suckow, O Homen Perfeito e Suas Mentiras, de Thais Vetorelli, Versus, com roteiro de Roberto Soares e direção de Rodrigo Macedo, e Olho Mágico, de Wagner Molina. E, com direção de Cauê Angeli, o longa Whisky e Hambúrguer, que está em processo de finalização, com a trilha sonora composta especialmente por Marcelo Gross, guitarrista da banda Cachorro Grande. O filme é a peça escrita e dirigida por Mário Bortolotto, com que divido a cena e que estreou no ano passado no Festival de Teatro de Curitiba. E ainda tem mais dois curtas para este ano. E quero fazer muito mais cinema, porque sempre foi minha paixão.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Tem mais projetos para 2015?
PATRÍCIA VILELA — No momento, estou captando para um projeto de peça infantil que vou dirigir e produzir, e uma peça adulta onde vou atuar e produzir.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Patrícia, vamos falar de outro tema bem atual: você está com medo da crise hídrica?
PATRÍCIA VILELA — Tenho muita preocupação sim. Infelizmente muitas coisas no nosso país são resolvidas tardiamente. Sem planejamento algum, estamos à mercê da sorte que a chuva venha. Mas me espanta que muitas pessoas nunca pensaram que isso poderia acontecer. Nunca pensaram sequer em economia da água, desperdiçando sem dó. Pena que só no perigo eminente as pessoas têm consciência.

IMG 9944 Entrevista de Quinta   Patrícia Vilela faz viciada em drogas no filme Nóia e vive desespero em cena

Patrícia Vilela (dir.) abraça a atriz Ângela Barros no set de Noia - Foto: Glauco Bernardino

MIGUEL ARCANJO PRADO — Voltando à temática do filme, você é a favor da liberação da maconha no Brasil como ocorreu no Uruguai?
PATRÍCIA VILELA — Sou a favor da liberdade. Da liberdade de pensamento, de criação, expressão principalmente liberdade das escolhas do indivíduo. Mas escolhas implicam em responsabilidade. Será que o Brasil está preparado para isso?

MIGUEL ARCANJO PRADO — E como acha que o problema das drogas deveria ser resolvido? É um caso de polícia ou de caos social?
PATRÍCIA VILELA — Acho que é mais um problema de saúde pública do que policial ou social. O que falta é dar suporte aos dependentes. Se o governo oferecesse este suporte já seria um bom começo para resolver o problema.

IMG 9686 Entrevista de Quinta   Patrícia Vilela faz viciada em drogas no filme Nóia e vive desespero em cena

Patrícia Vilela em cena do curta Noia: "Falta dar suporte aos dependentes" - Foto: Glauco Bernardino

 

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

einat Crítica: Animais de Hábitos Noturnos mostra crueza do fracasso

A atriz Einat Fabel é o destaque da peça Animais de Hábitos Noturnos - Foto: Leekyung Kim

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Nem sempre os sonhos que temos para nós condizem com a realidade. E a não realização da expectativa sempre gera angústia e frustração. Estes sentimentos estão presentes na peça Animais de Hábitos Noturnos.

A obra tem texto e direção de Robson Phoenix, que se baseou na obra do gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996) — autor que soube como poucos dissecar o vazio da solidão na urbanidade.

No desfile de seres desiludidos, o clima soturno impera na obra, seja na escolha estética, casada com a própria temática, seja no caminho denso de atuação escolhido pela maioria do elenco, formado por André Fusko, Rodrigo Caetano, Wanessa Morgado e Einat Falbel.

Mas é esta última, ao propor um olhar irônico para o texto, que torna-se o destaque. Einat tem tempo preciso de fala e respiração que enchem de sentido, verdade e ironia qualquer coisa que diga. Assim, suas aparições são altamente interessantes e indispensáveis à obra.

andre fusko Crítica: Animais de Hábitos Noturnos mostra crueza do fracasso

O ator André Fusko em cena: atuação minimalista e convincente - Foto: Leekyung Kim

André Fusko consegue se sobressair no monólogo no qual faz um homem abandonado, em uma atuação minimalista e convincente. Faz a gente lembrar de como é dura a fossa. Porque, mesmo sem querer, a gente acaba conhecendo algum dia o outro lado do amor.

Se o tema da peça vai ao encontro de muitos espectadores, sobretudo por ser apresentada na praça Roosevelt, cenário onde os personagens poderiam facilmente perambular, o excesso narrativo e as reiterações acabam tirando  ritmo da obra. Um pouco de ação teria atenuado a sensação.

De todo modo, Animais de Hábitos Noturnos consegue construir sem julgamentos a dureza do fracasso e encontra no palco do Parlapatões, uma sala de teatro ao fundo de um movimentado bar, seu lugar ideal de diálogo artístico.

Animais de Hábitos Noturnos
Avaliação: Bom
Quando: Quinta e sexta, 21h. 80 min. Até 27/2/2015.
Onde: Espaço dos Parlapatões (praça Roosevelt, 158, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-4449)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 18 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Animais de Hábitos Noturnos mostra crueza do fracasso

 

 

 

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Conversas com meu pai  Milton Dória MG 0920 Conversas com Meu Pai faz turnê para calouros da USP

A atriz Janaina Leite na peça Conversas com meu Pai: turnê no interior de SP pela USP - Foto: Milton Dória

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A peça Conversas com Meu Pai, monólogo com a atriz Janaína Leite, é apresentada nesta semana para um público seleto: os novos alunos da USP (Universidade de São Paulo). A montagem foi encenada nesta segunda (23) em Piracicaba. Nesta quarta (25), estará em Ribeirão Preto. Já na quinta (26), será a vez de São Carlos; e na sexta (27), a peça é encenada em Bauru, todas cidades no interior paulista.

A atriz divide a direção a obra com Alexandre Dal Farra, que fez a dramaturgia. O espetáculo, que está em cartaz há três anos, mostra a relação da própria atriz com seu pai e com as doenças que ambos tiveram. Todas as apresentações pela USP são gratuitas. Veja, abaixo, os horários, dias e locais das próximas sessões:

25.02 | 19h | Ribeirão Preto

Auditório da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto. Avenida Bandeirantes, 3900 – Campus USP.

26.02 | 21h | São Carlos

Centro Cultural da USP de São Carlos. Av. Dr. Carlos Botelho, 1465.

27.02 | 20h | Bauru

Espaço Protótipo. Rua Monsenhor Claro 2-57.

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

natalia quadros foto bobsousa O Retrato do Bob: Natália Quadros, folia no palco
Foto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi numa Terça-feira de Carnaval que Natália Quadros veio ao mundo. Não deu outra: tinha mesmo de ser artista. Pequenina, imaginava tudo ao seu redor nas brincadeiras de criança. Hoje, é atriz e cantora na Cia. da Revista, com a qual já fez quatro espetáculos. A paulistana de 25 anos criada na Mooca é formada em artes cênicas pela USP (Universidade de São Paulo). Em 2015, se prepara para o espetáculo musical Reconstrução, com seu grupo, além de ainda apresentar Ópera do Malandro, de Chico Buarque. Pelo jeito, a menina segue fazendo sua folia no palco.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

Curta a nossa página no Facebook

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos palcos e nos bastidores

Descubra a cultura de uma maneira leve e inteligente

Todas as notícias que você quer saber em um só lugar

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

sobressalto matheus rocha Crítica: Eduardo Gomes cria atmosfera agonizante em Sobressalto

O ator Eduardo Gomes, em seu quarto, em cena de Sobressalto: teatro intimista - Foto: Matheus Rocha

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Numa cidade tão dura como São Paulo, onde as pessoas se empurram umas às outras sem que sejam ouvidas as palavras "desculpa" ou "com licença", um ator se propor a receber a plateia em seu quarto é um alento de humanidade. É isto que acontece em Sobressalto.

Talvez tamanha hospitalidade seja porque o ator Eduardo Gomes tenha um excesso de sensibilidade incomum na grande metrópole hostil. Talvez também porque seja baiano, povo que sempre soube exercer muito bem a arte de ser anfitrião.

Fato é que Eduardo deixa o diminuto público de cada sessão — são recebidas de uma a cinco pessoas apenas por apresentação, que agendam previamente sua ida com o próprio ator por meio de mensagem privada no Facebook — à vontade em seu apartamento.

Assim que adentra a sala, o espectador pode encontrar-se só ou dar-se de cara com os outros colegas de sessão. O ator não está por ali. O anfitrião apenas está presente nas letras a giz em um quadro com orientações de como proceder e encontrá-lo no espaço de encenação: seu quarto. Tudo é feito de forma exclusiva e aconchegante.

Sobressalto traz a angústia da morte à espreita. É resultado de uma inquietação do ator, que também dirige a obra, a partir do conto A Outra Costela da Morte, do escritor colombiano Gabriel García Márquez.

Na sessão vista pelo Atores & Bastidores do R7, em uma noite quente, cada espectador experimentou na própria pele o ar se tornar cada vez mais pesado e sufocante, enquanto o texto soava tal qual um mantra.

Quando, enfim, o ar se renovou, com a janela aberta diante de frondosa árvore em meio aos prédios, foi como se a vida voltasse outra vez, experiência sensorial que casou perfeitamente com o clima agonizante do texto narrativo saído da boca do ator.

Atento ao mínimo, Eduardo Gomes, em Sobressalto, cria atmosfera densa e propícia para que o simples respiro torne-se consciente e valorizado. Esta minúcia estética é o mérito da obra.

Sobressalto
Avaliação: Muito bom
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Eduardo Gomes cria atmosfera agonizante em Sobressalto

sobressalto matheus rocha 2 Crítica: Eduardo Gomes cria atmosfera agonizante em Sobressalto

Peça Sobressalto faz o espectador valorizar o simples ato de respirar - Foto: Matheus Rocha

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

gustavo ferreira Dois ou Um com Gustavo Ferreira

Gustavo Ferreira, ator do grupo Os Satyros, entra na peça Pessoas Perfeitas - Foto: André Stéfano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O paulistano Gustavo Ferreira se prepara para entrar, a partir do próximo fim de semana, na peça Pessoas Perfeitas, dirigida por Rodolfo García Vázquez, com o grupo Os Satyros. Vai dividir o papel Ruy com Ivam Cabral, que precisa deixar a peça por um tempo por conta de seu tratamento médico contra o câncer. Além de ator, Gustavo também é produtor cultural e coordenador geral do festival Satyrianas, que movimenta a cena cultural de São Paulo a cada primavera. Ele ainda será assistente de Ivam Cabral, ao lado de Robson Catalunha, na direção da cerimônia de entrega do Prêmio APCA, no próximo dia 17 de março, no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros. Em meio a tantas tarefas, ele topou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da nossa coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Pessoas perfeitas ou pessoas imperfeitas?
As imperfeições sempre me atraem.

Beija-flor ou Vai-Vai?
Vai-Vai, sem dúvida alguma.

Marília Pera ou Elis Regina?
Impossível escolher entre melhor cantora e melhor atriz. Pode ser Marília cantando Elis?

Satyrianas ou Festival de Curitiba?
Satyrianas é minha base, é o significado de alegria, suor e trabalho.

Roosevelt ou Benedito Calixto?
Roosevelt todos os dias, é claro!

Centro ou periferia?
Moro e trabalho no centro, mas tenho adoração pela periferia.

Gente ou bicho?
Gente! Não existe nada melhor que o ser humano. Os bichos nos completam.

Ivam ou Rodolfo?
Um é intrínseco ao outro. Não existe escolha. Ao escolher um, consequentemente estarei escolhendo o outro junto. Meus mentores.

Cinema ou teatro?
Adoro o cinema, mas o teatro é onde posso me renovar, trocar energia, viver...

Um namoro a dois ou chuva, suor e cerveja?
Cada um no seu momento da vida. Hoje? Namoro a dois em um dia chuvoso com a cerveja do lado... sem suor, prefiro ar condicionado.

Leia outras edições da coluna Dois ou Um

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

agenda cultural2 Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 20/02/2015

Lidiane Shayuri e Miguel Arcanjo Prado, na Agenda Cultural da Record News - Foto: Divulgação

O colunista de Cultura Miguel Arcanjo Prado dá as melhores dicas para o seu fim de semana na Agenda Cultural da Record News. Veja o vídeo:

Curta a nossa página no Facebook

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos palcos e nos bastidores

Descubra a cultura de uma maneira leve e inteligente

Todas as notícias que você quer saber em um só lugar

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

ivam cabral bob sousa Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Ivam Cabral: diretor da cerimônia do Prêmio APCA - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Ivam, o diretor
Ivam Cabral vai dirigir a cerimônia de entrega do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), entidade da qual este vosso colunista é membro, no próximo mês. Vai contar com a assistência dos atores Gustavo Ferreira e Robson Catalunha, seus braços direitos no Satyros.

Cerimônia
A entrega do Prêmio APCA está marcada para a noite do dia 17 de março, uma terça-feira, no Teatro Paulo Autran, do Sesc Pinheiros, em São Paulo, como manda a tradição.

Parceria
Falando neles, Gustavo Ferreira entra em Pessoas Perfeitas, que levou o APCA de melhor espetáculo de 2014 ao lado de O Homem de la Mancha. Vai dividir o mesmo personagem, Ruy, com Ivam Cabral. A reestreia é nesta sexta (20), no Espaço dos Satyros 1, na praça Roosevelt, quando Ivam ainda estará no elenco. Na próxima semana, entra Gustavo, porque Ivam vai continuar a radioterapia. Em tempo: a peça estará no Festival de Teatro de Curitiba.

Mudança de Hábito229291 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Karin Hils será Deloris, papel de Whoopi Goldberg no cinema - Foto: Jairo Goldflus

Mudança de Hábito
Karin Hils está com o coração na mão. A atriz tem a responsabilidade de bancar um dos personagens mais famosos do cinema no teatro. Ela estreia como protagonista do musical Mudança de Hábito no próximo dia 5 de março, no Teatro Renault, em São Paulo.

Mudança de Hábito 2
O filme com Whoopi Goldberg, de 1992, é a grande inspiração, com a história de uma cantora de boate que precisa se esconder num convento. O musical já foi visto por 5 milhões de pessoas em 11 países. Luciano Andrey e Bianca Tadini assinam a adaptação. Fernanda Chamma é a diretora residente, e Vânia Pajares, a diretora musical residente.

Achados e perdidos
O ator Laerte Késsimos está precisando de seu livro O Que É Ser Rio e Correr, de Alberto Guzik. Ele emprestou para alguém, mas não lembra para quem. Se a pessoa for leitora da coluna, devolva, por favor. Em tempo: nesta sexta (20), será exibido em Nova York, no Viva Latino Film Festival, o filme Polícia e Ladrão, dirigido por Marcela Cardoso e com Laerte no elenco.

fagundes emanuel Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Fagundes Emanuel toca tamborim no desfile do bloco Agora Vai - Foto: Carol Peres

Percussionista
O ator Fagundes Emanuel foi um dos destaques na bateria do bloco Agora Vai, que desfilou no Minhocão na Terça-feira de Carnaval. Generoso, deixava alguns foliões tocarem seu instrumento durante a passagem do bloco.

Mexicana
Luna Martinelli, musa de nossos palcos, foi ao Agora Vai vestida de Frida Kahlo.

Transformista
Já o ator Ed Moraes preferiu ir de "Ed-Vyna", sua versão feminina que só será revelada ao mundo outra vez no Carnaval de 2016, segundo o próprio.

barbara bonnie1 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Musa do bloco: Bárbara Bonnie (à esq.), ao lado das amigas Fernanda Machado e Paula Garulo Klein no desfile - Foto: Reprodução

Musa
Bárbara Bonnie mais uma vez foi a musa absoluta do Agora Vai. Além de linda, é ótima atriz e ainda sabe sambar. Como diria o radialista mineiro Tutti Maravilha: "Tomou, padudo?"

 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Theodoro Cochrane: deixem o menino beijar em paz - Foto: Divulgação

Hipocrisia
Parte da mídia, mais retrógrada hoje que nos tempos da ditadura (quem duvida que vá ler exemplares do extinto Pasquim), resolveu pegar no pé do ator Theodoro Cochrane. Tudo porque o moço deu um beijo no Carnaval. Como se fosse algo do outro mundo.

Hipocrisia 2
O jornal carioca Extra, das Organizações Globo, publicou manchete com estardalhaço, dizendo: "Theodoro Cochrane opta pelo silêncio após beijo gay durante o Carnaval de Salvador". Como se o ator tivesse de se pronunciar sobre um "crime cometido".

Hipocrisia 3
Kil Abreu, jornalista e crítico teatral respeitado no País inteiro, faz avaliação didática do caso. Escutemos: "Não existe 'beijo gay'; existe beijo, abraço, amasso e ponto. Adjetivar nesse lugar é só mais uma forma de tentar sinalizar que 'aquilo não é natural'. Por isso, o camarada tem que ir a julgamento. Vai falar o quê? 'Sim, sou culpado' ou 'Olha, sou inocente'? Se as manifestações do tesão e do afeto causa frisson e fazem alguma diferença, por que não vão atrás dos casais héteros pra investigar por que beijaram ou não beijaram? Aqui, até o colunismo de fofocas é fascistóide". Sábio Kil.

Hipocrisia 4
Só para finalizar o tema Theodoro: praticamente todas as músicas do Carnaval da Bahia só falam em beijo. Portanto, nada mais natural que beijar por lá. Quem cada um quiser.

Filma eu?
Falando nisso, que mania é essa de as pessoas ficarem fotografando e filmando os blocos carnavalescos o tempo todo como se fossem todos paparazzi? Vai pular, se divertir, gente! Deixa o registro pro dia do casamento, da formatura, do batizado... Antigamente, era muito mais fácil pular o Carnaval em paz...

A pergunta que não quer calar
Alguns museus lá fora já proibiram paus de selfies em suas dependências. Os teatros deveriam fazer o mesmo?

deborah evelyn hora amarela Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cena da peça Hora Amarela, dirigida por Monique Gardenberg: estreia em SP - Foto: Divulgação

Fanatismo
Monique Gardenberg estreia nesta sexta (20) no Sesc Bom Retiro a peça Hora Amarela. A obra do norte-americano Adam Rapp discute a intolerância religiosa e o preconceito. Quem comprou os direitos da peça, apresentada em Nova York com sucesso há três anos, foi Mônica Torres. Deborah Evelyn é a protagonista. Merda.

Prorrogou
Está decidido: a procura foi tanta que Branca de Neve fica no Teatro Bradesco, em São Paulo, até 28 de fevereiro.

felipe hirsch eduardo enomoto Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Felipe Hirsch: elegante com o público na estreia de Puzzle (D) em SP - Foto: Eduardo Enomoto

Quebra-cabeça
Grandes nomes do teatro paulistano estiveram presentes na estreia de Puzzle (D) na última sexta no Teatro do Sesc Vila Mariana. Nem parecia sexta-feira de Carnaval. Coisas de São Paulo. Se caísse uma bomba no local, o rombo nos palcos seria irreparável. Até Danilo Santos de Miranda, mandachuva do Sesc, foi.

Quebra-cabeça 2
Felipe Hirsch, o diretor, estava nervoso, mas recebeu o público elegantemente. Só relaxou no coquetel. Cida Moreira, que se apresentaria na noite, torceu o pé no ensaio e não conseguiu fazer sua participação. Felipe fez questão de justificar a ausência ao público antes de a peça começar. Um gentleman.

Quebra-cabeça 3
O comentário no coquetel de Puzzle (D) era um só: o talento de Magali Biff no palco.

Opinião de Hirsch
Falando em Felipe Hirsch, o diretor ficou estarrecido ao ver a Beija-Flor vencer o Carnaval carioca com patrocínio do ditador sanguinário da Guiné Equatorial: "Abro meu computador e leio a seguinte notícia: 'Beija-Flor é a campeã de 2015; Ditadura africana bancou o enredo'. Procuro ler outras matérias sobre o assunto e, sinceramente, acho que nosso País já está cavando o fundo do poço".

rodolfo garcia vazquez bobsousa2 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Rodolfo García Vázquez acha que o problema do Carnaval é bem maior do que a ditadura da Guiné - Foto: Bob Sousa

Opinião de Vázquez
Rodolfo García Vázquez, diretor do Satyros, também comentou a polêmica sobre a vitória da Beija-Flor com a grana da ditadura africana: "Quem reclama do ditador africano que financiou o desfile da Beija-Flor não entende nada de Carnaval brasileiro. Tráfico de drogas, crime organizado, lavagem de dinheiro de governos estaduais, jogo do bicho, tudo isso sempre esteve por trás do maior Carnaval do mundo. Sem falar do reforço ao machismo e da mercantilização do corpo da mulher na figura da Globeleza e nas disputas sanguinárias das madrinhas de baterias pela autopropaganda. Guiné Equatorial é fichinha perto de tudo isso".

Coisas do Brasil
Mudando de polêmica, enquanto o Brasil inteiro está assombrado porque uma mulher usou um top de renda no trem, tem político em Brasília tentando tirar direitos legais das minorias sociais. E com isso ninguém se espanta.

Gente do teatro
O ator e diretor Rodolfo Lima não para quieto. Ele acaba de fazer o projeto Em Busca de um Indivíduo Cênico, que integra seu projeto de investigação do teatro gay na Casa Contemporânea, em São Paulo. Veja aí, abaixo, ele, de azul escuro, no meio, com os outros artistas que participaram do encontro. Uma alegria só.

rodolfo lima Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Rodolfo Lima e os artistas do projeto Em Busca de um Indivíduo Cênico, na Casa Contemporânea - Foto: Divulgação

 

Curta a nossa página no Facebook

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos palcos e nos bastidores

Descubra a cultura de uma maneira leve e inteligente

Todas as notícias que você quer saber em um só lugar

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

ENO 0117 Entrevista de Quinta: Voltamos à idade média, diz Ary Fontoura

O ator Ary Fontoura, curitibano, 82 anos, em SP com a peça O Comediante - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos EDUARDO ENOMOTO

Ary Fontoura, quando anda por São Paulo, lembra-se de sua adolescência. Foi na cidade, aos 17 anos, durante uma visita com sua turma de escola, que viu, fugido de seu professor, Cacilda Becker no palco do TBC. Ali, decidiu que ser ator era sua vida.

Deu certo o sonho daquele menino. Aos 82 anos, 50 deles como ator contratado da Globo, tornou-se um dos artistas mais conhecidos e admirados do País.

Ele está em cartaz até o dia 15 de março em São Paulo, no Teatro Raul Cortez, com a peça O Comediante. A montagem é a última direção de José Wilker no teatro, que morreu repentinamente, vítima de um infarto, em abril do ano passado, durante o processo de ensaios. Anderson Cunha, que era seu assistente, tomou as rédeas e finalizou a obra, que já esteve em cartaz no Rio, com sucesso.

O texto de Joseph Meyer mostra um ator, Walter Delon, papel de Fontoura, que vive preso às lembranças do passado e tenta recuperar o sucesso perdido com uma autobiografia. No processo do livro, revive suas lembranças, imersas numa mistura de realidade e ficção.

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, Ary Fontoura fala sobre a peça, a partida de Wilker e o que pensa do teatro e do desrespeitos que artistas de sua geração sofrem nos dias atuais.

Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você é um artista que trabalha muito, sempre com reconhecimento. Teve algum período que você gostou mais?
ARY FONTOURA — Olha, havia uma época na televisão muito boa. Falo do fim dos 1960, 1970. Eu era um dos atores preferidos do Dias Gomes, que perdemos inclusive aqui em São Paulo, num acidente de carro. Eu fiz dez novelas com ele: A Ponte dos Suspiros, Bandeira 2, Assim na Terra como no Céu, O Espigão, Roque Santeiro... Trabalhar com ele é uma saudade que eu tenho. Tenho 50 anos de Globo e foi esta a época que eu mais gostei. Você sabe como o dia começou na Globo?

ENO 0119 Entrevista de Quinta: Voltamos à idade média, diz Ary Fontoura

Para Ary Fontoura, parceria com Dias Gomes foi glória na carreira - Foto: Eduardo Enomoto

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como?
ARY FONTOURA — Ele já escrevia para teatro e cinema. E aí o doutor Roberto [Marinho] queria ele no time de autores da Globo. O Dias começou a escrever na Globo praticamente foragido, por conta da política, que naquela época era tudo muito complicado [Dias Gomes era comunista e o Brasil vivia tempos de ditadura]. O doutor Roberto sabia de seu talento e queria ele de qualquer jeito. Ele falou, eu não posso, doutor Roberto, assinar "uma novela de Dias Gomes". Vão censurar. Aí botaram o nome dele de Stela Calderón. Foi o pseudônimo que ele usou para começar. Foi a Stela Calderón que fez A Ponte dos Suspiros, a primeira novela dele na Globo e eu estava nela.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Ary, falando um pouco da peça, vocês estavam ensaiando quando o Wilker morreu. Imagino que foi um momento muito difícil para todos.
ARY FONTOURA — O que acontece é o seguinte. Eu conheço o Wilker desde 1964. Ele era do Ceará, e eu, de Curitiba. Frequentamos muito no Rio os mesmos lugares do teatro, igual aqui em São Paulo tem o Gigetto. Começamos trabalhando juntos no teatro, na época difícil da ditadura militar. Ele merece ser lembrado com humor. A ida repentina dele foi uma brincadeira.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Realmente foi uma morte inesperada naquela manhã de sábado, 5 de abril de 2014...
ARY FONTOURA — Na sexta-feira anterior à morte, soube que ele iria a Nova York, onde faria uma consulta médica dos olhos, uma cirurgia de catarata. Ele falou: "Amanhã, antes da viagem, vamos passar tudo". Aí, eu perguntei: "E a cena final?". Ele me deu aquele sorriso irônico e me disse: "A última cena a gente marca depois"... A gente se acostuma com a vida, mas não solucionou a morte, sobretudo a que vem inesperadamente. Eu demorei alguns dias para entender que ele foi embora.

ENO 0106 Entrevista de Quinta: Voltamos à idade média, diz Ary Fontoura

Ary Fontoura conta que morte de Wilker abalou o elenco, que resolveu homenageá-lo seguindo adiante com o trabalho da peça O Comediante - Foto: Eduardo Enomoto

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como vocês resolveram continuar a peça?
ARY FONTOURA — No teatro a gente lida com emoções no palco, mas não atua 24 horas por dia. Nos reunimos para tratar do assunto e chegamos a uma certeza: que o Anderson tinha de continuar o espetáculo. Ele é jovem, simpático, gentil, com as mesmas características do Wilker e com vontade de crescer. Ele é tão dedicado que tinha todas as anotações dos ensaios. Porque o Wilker era muito metódico.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que lhe chamou a atenção em O Comediante?
ARY FONTOURA — Queria fazer uma peça que me desafiasse. O texto é de um autor jovem. A peça é baseada em Crepúsculo dos Deuses, é uma peça muito ligada ao cinema. O Wilker queria fazer uma coisa tecnológica, aí ele foi para Nova York e voltou zangado, porque um ator do Breaking Bad estava fazendo uma coisa parecida com o que ele queria fazer, interagindo com o público e com imagens. Eu só falava para ele: "Tomara que tenha público". O equipamento que ele queria usar custava o dobro do patrocínio que tínhamos do Bradesco! E iria precisar de 18 técnicos, imagine só viajar com isso? Eu falava para ele: "Você está querendo fazer um musical da Broadway". E ele me respondia: "A gente tem de pensar grande". E eu devolvia: "Você pensa grande demais. Se você voltar outra vez a Nova York onde vamos parar?" [risos]. Depois, ele voltou e me disse. "Eu acho que a peça é muito mais que uma projeção, mas não é uma simples projeção!" [risos].

MIGUEL ARCANJO PRADO — Foi complicado estrear a peça sem ele?
ARY FONTOURA — Sim. Primeiro, achamos que fazer uma homenagem não era conveniente. Pensamos: será que não vão pensar que estávamos nos aproveitando da morte dele? Nós precisávamos era trabalhar. Voltamos para a mesma sala de ensaios. Às vezes, você precisa enfrentar. Vai doer? Vai, mas é preciso. Agora, vamos deixar o Wilker descansando.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Está certo. Você estava afastado do teatro havia cinco anos?
ARY FONTOURA — Sim. Está muito difícil fazer teatro hoje. Antes, você pensava assim: tinha 50 mil, vendia o telefone e montava uma peça. Aí... era um sucesso ou um fracasso [risos]. Agora, você não consegue montar uma peça sem um auxílio extra. Voltamos à era medieval! Você precisa de apoio de hotel, da companhia aérea, de restaurante. E cada apoio custa muito. Não existe mais o público que banca a obra. Até porque todo mundo paga meia-entrada, quando paga. Idoso, mesmo os que têm dinheiro, pagam meia, estudante, mesmo que não estude, também paga meia... Resultado, a bilheteria é fraquíssima! Não poderíamos sobreviver de bilheteria. E na política cultural dos governantes, o teatro sempre é assunto secundário.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por quê?
ARY FONTOURA — Porque não querem deixar o povo raciocinar. Vejo colocando a gente sempre no canto. Falam de democracia do povo para o povo, é tudo mentira, tudo literatura. Isso afeta a vida de todos nós, não vai afetar a diversão? O teatro é cultura, mas também é diversão. Você precisa de cuidar de outras coisas para sobreviver. Tem de ter educação, saúde.

ENO 0105 Entrevista de Quinta: Voltamos à idade média, diz Ary Fontoura

Ary Fontoura não acredita nas promessas de políticos para o teatro - Foto: Eduardo Enomoto

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você não acredita quando os políticos dizem que vão ajudar o teatro?
ARY FONTOURA — Não. As promessas são infundadas. Quando chego a São Paulo e vejo uma maravilha de teatro como o Raul Cortez, onde a gente está agora, a gente não acredita. Eu tenho 82 anos e sempre foi assim, os governantes nunca ligaram para o teatro. Infelizmente, as coisas mudam para pior. Moro há muitos anos no Rio e lá, há 20 anos, não se constrói novos teatros. Se bem que teve esse novo, que custou milhões, o Cidade das Artes, que é um monstro cinza, não tem uma bandeira ou um cartaz na porta que diga: aqui se faz teatro. É horroroso. Até o jardim é mal cuidado. Tudo é ruim. Não há interesse no teatro. Essa é a política cultural que nos oprime. E isso é o que existe neste País.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quais são suas lembranças de São Paulo?
ARY FONTOURA — Na verdade não sou carioca nem paulista, sou curitibano. Morava em Curitiba e, quando comecei a fazer teatro, a cidade tinha 200 mil habitantes. Eu sabia que minha permanência lá seria por tempo determinado. Aí houve uma apresentação da EAD [Escola de Arte Dramática] do dr. Alfredo Mesquita lá em Curitiba. Aquilo me bateu, eu tinha 17 anos. Pensei, eu tenho que sair daqui e ir para São Paulo, meu Deus é isso que eu tenho de fazer! Perguntei ao doutor Alfredo, que estava lá em Curitiba, como seria a vida de ator em São Paulo. Ele me deu umas coordenadas. Fiquei com isso guardado.

MIGUEL ARCANJO PRADO — E quando veio para São Paulo pela primeira vez?
ARY FONTOURA — Aí, quando eu tinha 19 anos, eu vim para um simpósio de literatura infanto-juvenil com a turma do Colégio Estadual do Paraná, no Teatro Cultura Artística. Basta te dizer que eu apareci muito pouco no seminários [risos]. Foram dez dias que vi muito teatro. Fui ao TBC [Teatro Brasileiro de Comédia], vi Cacilda Becker, me encantei por São Paulo de uma maneira tal que não queria mais sair.

ENO 0124 Entrevista de Quinta: Voltamos à idade média, diz Ary Fontoura

Ary Fontoura: "Tirava foto no vale do Anhangabaú para provar que estava em São Paulo" - Foto: Eduardo Enomoto

MIGUEL ARCANJO PRADO — E você ficou?
ARY FONTOURA — Não! Estávamos hospedados no Estádio do Pacaembu. No domingo, quando teríamos que ir embora para Curitiba, eu me escondi no banheiro, mas me esqueci que dava para ver, por cima, que eu estava lá. O maldito do professor teve a ideia de subir numa cadeira e me viu pelo alto do boxe. Ele me disse: "você  pode até ficar depois, mas agora vai ter de voltar comigo, se quiser ficar tem de vir por você mesmo". Foi a pior viagem da minha vida, 24 horas dentro de um trem, eu chorando. Foi horrível voltar para Curitiba, eu não queria ficar lá, minha família me oprimia. Depois, vim para São Paulo por conta própria. Tirava fotografia no vale do Anhangabaú para mandar para a minha família e provar que eu estava em São Paulo. Então, sempre venho com prazer para cá. O Rio acabou sendo a minha casa, o lugar que escolhi para viver, até porque comecei a fazer televisão, mas eu amo São Paulo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O Comediante lida com um ator mais velho que tenta voltar aos holofotes. Como é a questão do ego na profissão de ator?
ARY FONTOURA — O ego é a pior coisa de todas na vida de qualquer ator. É uma profissão onde a gente exerce sobretudo esse culto ao eu. Baseado nisso, me agrada muito que o personagem seja engraçado, porque ele é tragicômico e profundamente humano. É uma histórica que provoca uma série de problemas no sentido do futuro. A pior coisa na arte é um individuo querer aparecer novamente e não poder. Há milhares pessoas que caem de repente e não são mais tão midiáticos. E isso acontece de uma maneira cruel dentro da própria televisão. Hoje em dia, o numero de atores da maior idade estão sendo jogado de escanteio. Está certo que os jovens cheguem e tomem seus lugares. Acredito que é preciso que haja renovação, mas é preciso que haja também entendimento de que quem ainda está aí tem uma capacidade de realizar e tem uma história, que hoje em dia, em pouquíssimas ocasiões, é respeitada. Você chega e as pessoas perguntam que nome você tem. Você trabalha anos e anos em uma organização e quando vai assinar um contrato tem um executivo da vida que entrou ali outro dia e não tem nada a ver com sua área e lhe pergunta: "Você veio assinar o contrato? Qual é seu nome, por favor?". Aí, ou você fica ou vai embora, não é? O Delon, meu personagem na peça, está inserido neste contexto. É uma pessoa esquecida. E, por ser esquecido, vive todo um conflito de uma profissão.

O Comediante
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h, domingo, 19h. 90 min. Até 15/3/2015
Onde: Teatro Raul Cortez (r. Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, metrô Trianon-Masp, São Paulo, tel. 0/xx/11 3254-1631)
Quanto: R$ 70 (sexta) e R$ 80 (sábado e domingo)
Classificação etária: 12 anos

Curta a nossa página no Facebook

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos palcos e nos bastidores

Descubra a cultura de uma maneira leve e inteligente

Todas as notícias que você quer saber em um só lugar

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com