vinganca Crítica: Vingança, o Musical faz amor rimar com dor

Vingança, o Musical está no Centro Cultural Banco do Brasil por R$ 6 - Foto: João Caldas

Por Miguel Arcanjo Prado

O mérito maior do espetáculo Vingança, o Musical, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, é trazer à baila o cancioneiro popular criado pelo gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), marcado por boemia, amantes e traições, e descortinar para as novas gerações um comportamento social que já deixou de existir, pelo menos nos grandes centros urbanos.

Num País que tem boa parte da classe média (a nova e a antiga) que se deslumbra com qualquer coisa que tenha um carimbo norte-americano, ver valorizada a obra de um compositor nosso em um musical é realmente motivante.

A atriz Anna Toledo assumiu a difícil missão de transformar em dramaturgia as canções deixadas pelo compositor, em uma minuciosa seleção entre as centenas de músicas deixadas pelo artista. Aliás, Lupicínio Rodrigues fez de sua vida parte fundamental de sua obra.

Menino de infância pobre em Porto Alegre, cidade onde sempre viveu, mergulhou profundamente na vida boêmia - tanto que foi dono de vários bares -, nas paixões fugazes e no sofrimento advindo destas.

Leia também a Entrevista de Quinta com Beth Goulart!

Seu maior sucesso é a triste e doce Felicidade, composição de 1932 que o transformou em estrela eterna da música popular brasileira. A execução singela da canção é um dos mais belos momentos do espetáculo. Outra pérola de seu cancioneiro é Nervos de Aço, imortalizada na voz de Paulinho da Viola, também presente na montagem.

E é neste ambiente notívago tão caro a Lupicínio que Toledo ambienta a história que costura as canções: três triângulos amorosos cujo vértice é o embate entre a irmã casada e senhora digna com a irmã mulher da noite. A ironia da vida marca o encontro das duas na disputa pelo mesmo homem, o marido da primeira.

Um Brasil pré-bossa nova se descortina na montagem. Brasil no qual a música se confundia com dor de cotovelo. País onde homens mantinham uma senhora honesta em casa e uma amante na rua. Um mundo de gente que ainda não havia conhecido o amor, o sorriso e a flor trazidos por Antônio Carlos Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto.

Apesar do acerto no pano de fundo, a dramaturgia da produção, feita com esmero pela Morente Forte, muitas vezes é óbvia, o que dá uma cara de novelão melodramático à montagem.

A direção de André Dias peca pelo mesmo simplismo, denotando certa falta de criatividade. Apesar de ser uma produção com menos recursos, quando comparada aos grandes musicais da Broadway costumeiramente em cartaz na cidade, o diretor poderia ter conduzido melhor seu elenco, as cenas e as movimentações no tablado.

Fábio Namatame, que costuma impressionar com os figurinos que faz, desta vez deixou o elenco pesado e balofo demais, sobretudo os homens. Uma silhueta mais justa poderia dar mais elegância à montagem ambientada nos anos 1950, época conhecida como os Anos Dourados. 

No elenco, Andrea Marquee é o destaque, com uma interpretação segura e debochada da empregada/cantora de bar Linda, cujo sonho é ser uma estrela do rádio. A personagem serve de elo de ligação entre os personagens e é quem provoca o desfecho da história, merecidamente. Além disso, Marquee canta como ninguém. 

Luciano Andrey, ator saído da EAD da USP e que no ano passado protagonizou a superprodução Priscilla - Rainha do Deserto, é subaproveitado pela direção, mas cumpre, com competência, o boêmio contraventor Alves. Outro com interpretação simples e eficiente é Sérgio Rufino, que defende seu personagem, Orlando, o dono do cabaré, com toda a certeza de quem sabe que menos é mais.

Por outro lado, falta força à personagem Maria Rosa, a irmã prostituta, interpretada por Ana Carolina Machado, que quase chega lá com sua protagonista. Jonathas Joba, na pele de Liduíno, homem casado apaixonado pela amante, vai no inverso da maioria do elenco e abusa do histrionismo. Para completar, Anna Toledo convence como a dona de casa abnegada, sofredora e vingativa Luzita.

Se a direção geral é irregular, Guilherme Terra acerta na direção musical, com elenco afinado e arranjos criativos para composições tão emblemáticas de nosso cancioneiro, executadas por seu piano, o violão de Jeferson de Lima e pela percussão de Ricardo Berti.

Apesar das observações, Vingança, o Musical consegue envolver a plateia e transportá-la para um mundo que já não existe mais, mundo embalado pelo samba-canção no qual amor rima com dor. Como, antes, tinha de ser. 

Vingança, o Musical
Avaliação: Bom
Quando: Terça a quinta, 20h. 90 min. Até 4/7/2013
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, Metrô São Bento ou Sé, São Paulo, tel.0/xx/11 3113-3651)
Quanto: R$ 6
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Vingança, o Musical faz amor rimar com dor

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paulo de tharso bob sousa Morre ator Paulo de Tharso aos 52 anos em SP

O ator e músico Paulo de Tharso morreu aos 52 anos em São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

Morreu, em São Paulo, nesta terça (14), o ator Paulo de Tharso, aos 52 anos.

O artista foi encontrado, pelo pai, morto em seu apartamento, na avenida São Luís, na região central de São Paulo, apurou o R7.

A família não divulgou a causa da morte.

O artista integrava a Cia. Cemitério de Automóveis, de Mário Bortolotto.

Emocionado, Bortolotto falou ao R7 sobre a perda do amigo e colega de trabalho.

— É uma perda para mim, como amigo, incomensurável. É difícil até falar. E, para o teatro, é uma perda irreparável. O Paulo era um ator brilhante. Antes de ser ator, era músico, era compositor e cantor de rock. Mas vi que ele era um ator nato e o convidei para trabalhar comigo. Tinha um carisma incrível. Era um grande artista.

O ator Sérgio Guizé, protagonista do próximo remake de Saramandaia na Globo, também falou ao R7 sobre o amigo, por telefone, do Projac, os estúdios da Globo, onde grava o folhetim nesta quarta (15).

— Foi um choque saber da morte dele. O Paulo de Tharso era uma das pessoas mais talentosas que eu conheci. Ele não era ator de formação, mas atuava com uma maestria e genialidade. Era um brilho realmente. É uma pena, é muito triste a partida dele, porque ainda tinha muita coisa a nos oferecer.

Guizé contou que, durante uma viagem a Barra do Una, no litoral paulista, ouviu em uma mesa de bar que ele precisava ler o livro de um tal de Paulo de Tharso. Ao que, para surpresa de todos na mesa, revelou que era amigo do autor.

— Ainda bem que tive a oportunidade de contar essa história para ele. Na última vez que estive em São Paulo, antes de ir para o Rio gravar, eu me encontrei com ele. Era sempre um grande presente vê-lo.

O ator Gabriel Pinheiro também lamentou a partida do amigo, a quem definou "artista genial".

— Infelizmente, poucas tiveram acesso ao trabalho dele. Talvez, agora, as pessoas comecem a entender a dimensão que ele teve como poeta, como cantor, como compositor, como artista. Era um cara genial, que fazia poesia no nível dos grandes poetas.

O corpo de Paulo de Tharso será velado na tarde desta quarta, na sede da Cia. Cemitério de Automóveis, na rua Frei Caneca, 384, na região central de São Paulo.

Depois, o corpo será cremado.

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joao apolinario Mestre da crítica teatral, João Apolinário ganha dois livros com precioso registro de sua obra

João Apolinário escreveu centenas de críticas teatrais no Última Hora - Foto: Arquivo pessoal

Por Miguel Arcanjo Prado

Um dos acervos mais preciosos do pensamento e da cobertura teatral no Brasil será lançado em dois livros na noite desta quarta (15), em São Paulo, a partir das 20h no Tuca, lendário espaço da resistência artística à ditadura militar.

São dois tomos com parte da obra do jornalista português João Apolinário (1924-1988), que fez carreira em São Paulo.

Farto em imagens (são 329 ao todo), o livro A Crítica de João Apolinário - Memória do Teatro Paulista de 1964 a 1971 reúne 332 críticas de João Apolinário, feitas entre 1964 e 1971, no jornal Última Hora de São Paulo, onde era o crítico teatral.

A obra tem edição da Imagens e apoio do programa Petrobras Cultural.

Os sete anos abordados pela obra coincidem com duro período da repressão a artistas encabeçada pela ditadura militar brasileira, com peças censuradas e atores agredidos.

Sempre com um viés crítico ao capitalismo, o jornalista ficou marcado por textos contundentes e corajosos em um cenário que a cultura brasileira efervescia, e militares levavam inimigos para os escuros porões.

O livro apenas é parte da produção intelectual de Apolinário, que escreveu mais de 500 críticas e deixou mais de 1,2 mil fotografias e 250 programas de espetáculos. O precioso acervo será doado para o Arquivo Edgar Leuenroth (AEL), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para que pesquisadores de teatro tenham acesso ao importante material. 

João Apolinário foi homenageado na última edição do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), entidade da qual este colunista é membro, em março deste ano. Apolinário foi entusiasta da transformação da APCT (Associação Paulista de Críticos de Teatro) na mais abrangente APCA, e foi um dos mais célebres presidentes da entidade e autor de seu estatuto.

Quem foi João Apolinário

Intelectual português que se exilou no Brasil em dezembro de 1963, por oposição cultural ao regime de António de Oliveira Salazar, João Apolinário nasceu no dia 18 de janeiro de 1924 em Belas, Sintra. Tinha dois anos de idade quando começou em seu país um período longo – 48 anos – de enorme austeridade social, política, econômica e cultural.

Tendo frequentado as Faculdades de Direito das Universidades de Coimbra e de Lisboa, onde se graduou, aos 21 anos de idade era jurista, poeta e jornalista.

Foi correspondente de guerra e nessa qualidade fez parte, como tenente do exército francês, em 1945, do primeiro contingente de jornalistas que viu na sua extensão real, física e humana, a devastação causada na Europa pelas forças em conflito na Segunda Guerra Mundial e os horrores dos campos de concentração, o que marcou sua trajetória.

De volta a Portugal em 1949, se opôs ao salazarismo e a todas as formas de opressão. 

Depois de 12 anos de exílio no Brasil voltou a Portugal e, no início de 1975, viveu a liberdade que a Revolução de 25 de Abril de 1974 permitiu. Até outubro de 1988, com 64 anos, em Marvão onde vivia com sua mulher, a pesquisadora brasileira Maria Luiza Teixeira Vasconcelos, João Apolinário preocupou-se muito com sua poesia, sempre irrealizada.

Nos seus últimos14 anos de vida, editou Apátridas, AmorfazerAmor, Poemas Cívicos, O Poeta Descalço, Eco Humus Homem Lógico e deixou inéditos os Sonetos Populares Incompletos.

João Apolinário morreu em 22 de outubro de 1988. É pai do músico João Ricardo, criador do grupo Secos & Molhados, e de Maria Gabriela.

joao apolinario livro Mestre da crítica teatral, João Apolinário ganha dois livros com precioso registro de sua obraCrítica: Dois volumes de A Crítica de João Apolinário são obrigatórios na estante de quem ama o teatro

Quem ama o teatro precisa ler e ter os dois tomos de A Crítica de João Apolinário. Isso não se discute. É obrigatório. Trata-se de memória farta e viva de uma arte efêmera consolidada no papel. Em texto (primoroso) e fotos. E, além disso, faz um panorama de anos importantíssimos para a consolidação de nosso teatro, que não temeu a feroz ditadura que bradava sobre ele, sabedora de que as artes do palco são transformadoras.

A historiadora Maria Luiza Teixeira de Vasconcelos fez organização dedicada da publicação, rica em imagens e com excelente diagramação, que deixa o texto gostoso de ler. Como tem de ser. É um livro acessível a qualquer pessoa que tenha certo interesse pela cultura brasileira.

Em um País sem memória, a edição de um livro como este deve ser aplaudida de pé. Com gritos de "bravo!". Afinal, quando teríamos assim, à mão, na estante de casa, a crítica que João Apolinário escreveu para Arena Conta Zumbi, ou para Opinião, com Nara Leão, ambas montagens de 1965 no lendário Teatro de Arena? Ou ainda, quando poderíamos saborear o texto sobre Liberdade, Liberdade, montagem também de 1965 com Paulo Autran e Tereza Rachel, no Teatro Oficina? E, falando de Oficina, a obra ainda nos dá o deleite de ler o que Apolinário escreveu sobre O Rei da Vela, peça que transformou Zé Celso Martinez Correia em mito, em 1967, e foi propulsora de movimentos sem volta que abalariam a cultura nacional, como a tropicália. E estes são apenas pinceladas entre um verdadeiro baú de pérolas que são os dois livros de João Apolinário. Obras para se ter.

Livros: A Crítica de João Apolinário – Memória do Teatro Paulista de 1964 a 1971; vol. 1 e 2
Avaliação:
Ótimo
Lançamento em São Paulo
Quando: 
Quarta-feira (15), 20h
Onde: TUCA (r. Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo)
Quanto: Volume 1: R$ 52,90 (552 páginas); Volume 2: R$ 59,90 (640 páginas)
Informações: http://memoriajoaoapolinario.blogspot.com.br/
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Mestre da crítica teatral, João Apolinário ganha dois livros com precioso registro de sua obra

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henrique mello eduardo enomoto 1 Henrique Mello, o ator com identidade consciente

Aos 30 anos, o ator Henrique Mello faz teatro há mais de uma década - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quando está livre, o ator Henrique Mello procura, incansavelmente, músicas novas. Gosta de estar à frente. Geralmente, escuta aquilo que todo mundo vai ouvir bem depois. Não curte o que todos ouvem. “É o tipo de música que só serve para trepar”.

O segundo dos três filhos de Ivaldo e Aparecida nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo. Durante a infância e a adolescência, tinha sonho de ser músico. Mas não foi assim.

Aos 17 anos, o teatro surgiu de forma inesperada. A caminho do trabalho, em uma copiadora, encontrou jogado na calçada um texto teatral. Levou para a casa e começou a brincar de decorá-lo. O prazer era tanto que descobriu uma possibilidade: atuar.

Correu para as aulas do Instituto Cultural Vila Leão, onde estudou teatro por quatro anos. Até que veio a grande mudança. Um amigo lhe falou da oficina de teatro do grupo Os Satyros, na praça Roosevelt, em São Paulo.

Entrou num ônibus rumo à metrópole. Um mês depois, recebeu convite para a reconhecida trupe de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

Sem lugar para ficar na cidade, terminou no porão da casa do amigo Heitor Saraiva. Depois, se virou, como todo mundo que chega a São Paulo com um sonho de vida.

Na época, namorava com a atriz Samira Lochter, também integrante da companhia, com quem foi dividir apartamento. O amor durou cinco anos. Mas, se a relação acabou, ficou a amizade. Diz que se cuidam.

No teatro frenético e urbano dos Satyros, fez de tudo. Uma montagem atrás da outra. 120 Dias de Sodoma, Justine, Filosofia da Alcova, Vestido de Noiva, Cabaret Stravaganza, Inferno na Paisagem Belga, peça que acaba de deixar. Teve contato com um mundo repleto de diversidade. Diz que isso foi essencial na construção de sua carreira.

Nascido em 11 de julho de 1982, é do signo de câncer com ascendente em touro. Fez 30 anos. Idade fatídica. Se deu conta disso no último Réveillon. Não se arrepende das “porralouquices” dos 20 e poucos e tantos anos, mas afirma: “Meus ídolos não morreram de overdose”.

Sabe que a época é de tomada de consciência. Chega à conclusão de que o corpo pede outras coisas. Envelhecer, não parece ser um problema. “Gosto de ficar mais responsável. Hoje, não me importo tanto com o que os outros pensam”.

No começo do ano, foi para Estocolmo, com a peça Cabaret Stravaganza. Ficou impressionado em como os suecos valorizam o teatro. Sonha com que um dia seja assim também no Brasil.

Apesar de ser um dos musos automáticos da praça Roosevelt, onde faz sucesso nas mesas e bares, diz que não se acha bonito. “Sou muito inseguro com minha aparência”. Conta que seus personagens nunca foram galãs, que já fez “até um libertino que matava a mãe e transava com homens”.

Revela que está solteiro, mas que “até o fim da vida” encontra “a pessoa ideal”. “Gostaria muito de amar”, conclui, com ar melancólico.

Espera, no futuro, fazer muito teatro. E quer trabalhar com cinema, e, se pintar, faz TV também. “Quero tocar meus projetos de forma digna, seguir os passos de um artista independente que consegue sobreviver de sua arte”.

Quando vê o que já fez na última década, diz, certeiro: “Não tenho nada para me arrepender”. E aponta para o futuro: “Já tenho uma identidade; agora, só preciso focar”.

henrique mello eduardo enomoto 4 Henrique Mello, o ator com identidade consciente

O ator Henrique Mello: "“Já tenho uma identidade; agora, só preciso focar” - Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Centro da Cultura Judaica de São Paulo

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anatomia woyzeck Barbeiro apunhala amante e vira peça de teatro

Anatomia Woyzeck encerra trilogia sobre violência da Cia. Razões Inversas no CCSP - Foto: João Caldas

Por Miguel Arcanjo Prado

Um barbeiro apunhala sua amante, na cidade alemã de Leipzig, sem motivo aparente. Tudo indica que foi um crime passional.

O crime ocorrido em 1921 é a base do enredo do espetáculo Woyzeck,  escrito pelo alemão Georg Büchner. A obra ganha adaptação no Brasil sob o título Anatomia Wyzeck e é levada ao palco do Centro Cultural São Paulo pela Cia. Razões Inversas.

A montagem fecha a trilogia do grupo sobre a violência, que contou com as peças Agreste (2004) e Anatomia Frozen (2009).

Peça clássica do teatro moderno, a obra de Büchner discute a origem social da violência e como ela surge na mente humana.

Marcio Aurélio assume a direção do drama, que foi a obra alemã pioneira em contar com personagens proletários. A peça foi listada por Artaud em sua seleção do Teatro da Crueldade.

Os atores Clóvis Gonçalves, Pedro Marcelo e Washington Luiz compõem o elenco.

Anatomia Woyzeck
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. 60 min. Até 30/6/2013
Onde: Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho (r. Vergueiro, 1000, Metrô Vergueiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3397-4002)
Quanto: R$ 10 (bilheteria abre duas horas antes); no dia 31/5/2013 o ingresso vai custar R$ 2
Classificação etária: 16 anos

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Foto de Bob Sousa

mel lisboa bobsousa O Retrato do Bob: Mel Lisboa, uma atriz aguerridaMel Lisboa é uma estrela da TV, mas mantém os pés no chão no teatro político. E foi como simples atriz em meio a ensaio que posou para o nosso Bob Sousa. Ela integra a Cia. Pessoal do Faroeste, em São Paulo, na qual é protagonista da peça Homem Não Entra, dirigida por Paulo Faria. Está em cartaz no espaço do grupo na rua do Triunfo, 305, em plena região da Cracolândia, no centro paulistano. A obra fala da expulsão das prostitutas do bairro Bom Retiro, em 1953, quando foram levadas para a Luz, onde permanecem até hoje. É apresentada aos sábados, às 23h, e aos domingos, às 17h, até 18 de agosto de 2013. O público paga quanto quiser. A atriz, que encena parte da montagem entre mendigos e viciados em crack no meio da rua, vive ao mesmo tempo o glamour do mundo das celebridades e a crua realidade dos vizinhos de seu teatro. Contudo, sabe que estar ali é militância. É voz de combate. É consciente que o peso de seu nome traz ilumina a Luz, berço da Boca do Lixo hoje mergulhado na decadência fruto do descaso do poder público e da sociedade. É por isso que Mel Lisboa é uma atriz aguerrida.

Agradecimento: Raphael Henry (make-up)

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the living room foto miguel arcanjo prado Crítica: The Living Room, de Thomas Richard, convida público a experiência sensorial inesquecível

Antes da última sessão, R7 faz registro exclusivo dos atores da peça The Living Room - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

O espetáculo The Living Room (A Sala de Estar) faz sua derradeira apresentação às 18h deste domingo (12), no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo. A montagem é dirigida por Thomas Richard com seus artistas do Workcenter de Jerzy Grotowski e Thomas Richards, localizado em Pontedera, na Itália.

Para o espectador do teatro tradicional, relacionar-se com novas estéticas, como no caso da performance, pode gerar, num primeiro momento, certa estranheza e incômodo.

A montagem propõe um encontro entre público e artistas/performers em uma sala de estar, como o próprio nome diz, montada no palco.

O espectador é recebido pelo eclético elenco, que lhe acomoda em confortável e aconchegante mobiliário, enquanto lhe oferece chá, café, suco, biscoitos e frutas, formando um desenho perfeito do exercício do bem receber, sendo os artistas exímios anfitriões na arte do interesse pelo outro.

No começo, há quem estranhe a proposta, sobretudo a exposição de comer diante dos outros, já que todos podem ver todos. O que leva certo comedimento inicial. Mas, logo os artistas tratam de deixar os espectadores à vontade. Levando-os à suspensão da percepção convencional da loucura da metrópole e abrir um parêntesis onde a experiência acontece. A experiência das relações interpessoais ganham poesia em atos tão corriqueiros como tomar um café, servir um copo de suco ou pegar um biscoito na mesa.

Trata-se de um grupo esteticamente interessante em sua composição física, onde o corpo dos performers já é a própria performance. Há cuidado no gesto, no movimento, um tempo dilatado para as ações, o que introduz o público em uma outra convenção: a tranquilidade de uma sala de estar, na qual artistas e plateia formam uma coisa só, a tertúlia.

Os tertulianos assistem à execução a capela de cantos e textos de tradições ancestrais de distintos povos. A destreza na execução do canto faz com que o espectador tenha a sensação de sound round dos home theaters 5.1. Só que a experiência ocorre sem uso de tecnologia alguma.

De forma sutil, o espetáculo dialoga com o que conhecemos no Brasil por Augusto Boal do espect-ator, que levava o espectador a acionar na obra. A velocidade que o espectador pode acabar com os biscoitos à sua frente é tão interessante e performática quanto a execução formal da proposta, falando em termos de inter-relação.

Em toda a performance há um limite, um risco ao qual o grupo se predispõe. Neste caso, trata-se de colocar, na sala de estar de casa, convidados não conhecidos. E, lidar com estes, é ingrediente constitutivo e quase indispensável desse encontro. E a não compreensão dos idiomas nos quais são cantadas as canções é quase que uma desculpa para que esse encontro aconteça, onde o mais rico está na sensibilidade para o que é sutil e ao que se dá por acaso.

the living room foto miguel arcanjo prado 2 Crítica: The Living Room, de Thomas Richard, convida público a experiência sensorial inesquecível

Anfitriões: atores de The Living Room, do Workcenter Jerzy Grotowski e Thomas Richard, recebem o R7 no palco do Teatro Anchieta, em SP, onde fizeram temporada até este domingo (12) – Foto: Miguel Arcanjo Prado

The Living Room (A Sala de Estar)
Avaliação: Ótimo
Quando: Domingo, 18h. Até 12/5/2013
Onde: Teatro Anchieta do Sesc Consolação (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo, tel. 0/xx/11 3234-300)
Quanto: R$ 32 (inteira)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro Crítica: The Living Room, de Thomas Richard, convida público a experiência sensorial inesquecível

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hasard Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Polêmica do Festival de Curitiba, espetáculo Hasard, do ERRO Grupo, estará na Virada - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Polêmica na Virada
O ERRO Grupo, de Santa Catarina, participará da Virada Cultural de São Paulo. Para quem não se lembra, a coluna refresca a memória: eles são o grupo que foi proibidos pela Polícia do Paraná de se apresentar no último Festival de Curitiba, por conta de uma possível cena de nudez na peça Hasard. Pois é justamente esta montagem que eles apresentarão no centro histórico paulistano. A obra com dramaturgia de Luana Raiter e Pedro Benaton, que também a dirige, será apresentada gratuitamente no dia 19 de maio, domingo, às 17h, no quarteirão das ruas do Comércio, São Bento, XV de Novembro e avenida São João. No elenco, estão os atores Luana Raiter, Luiz Henrique Cudo, Michel Marques e Sarah Ferreira, e os performers Dilmo Nunes e Paula Felitto. A montagem tem seu final baseado em um jogo de cartas. Dependendo da sorte da plateia, pode haver cena de nudez outra vez. Será que a polícia de SP também vai atormentar os meninos? É esperar para ver.

Dobradinha da Roosevelt
Amigos de praça Roosevelt, Hugo Possolo, do Parlapatões, e Rodolfo García Vázquez, do Satyros, se encontram nos palcos pela primeira vez, na peça Eu Cão Eu, dirigida pelo segundo com o primeiro em cena. Fica em cartaz de 24 de maio a 29 de junho, sextas e sábados, às 20h30, no auditório do terceiro andar do Sesc Pinheiros, em São Paulo, com inteira a R$ 20. O enredo conta a história de um homem que se depara com a liberdade de um vira-lata pelas ruas da cidade. Merda.

Milhas de Ivam
Quem acompanha Ivam Cabral no Facebook nos últimos dias ficou impressionado com a quantidade de países visitados pelo nosso ator. É tanta foto que Julio Verne, se visse, escreveria a parte 2 de A Volta ao Mundo em 80 Dias.

Inscrições abertas
A SP Escola de Teatro fará processo seletivo para vagas remanescentes nos curso gratuitos de dramaturgia, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco. As inscrições já estão abertas e vão até 6 de junho. Leia o edital.

Canto de Eline
A atriz Eline Porto, destaque da minissérie Rei Davi (Record),  da série Pé na Cova (Globo) e do musical Hedwig, vai fazer o show Tom de Chuva, na próxima quarta (15), às 20h, no Teatro Café Pequeno (av. Ataulfo de Paiva, 269, Leblon, Rio). O ingresso é R$ 20. No repertório, sucessos de Marisa Monte, Paulinho Moska e Adele, entre outros. Mistura fina.

Prestígio
O ator Robson Catalunha prestigiou a última apresentação da peça Como Ser uma Pessoa Pior, com Lulu Pavarin, nesta quinta (9), no Espaço dos Parlapatões, em São Paulo. Riu à beça.

mila Por trás do pano   Rapidinhas teatrais Reunião de condomínio
Mila Ribeiro (foto ao lado) está na comédia Edifício Shantung, ao lado dos atores Cleiton Souza e Célia Alencar. Mila vive uma síndica às voltas com as brigas dos moradores. Estreia na próxima quarta (15), no Teatro Itália, em São Paulo, onde fica em cartaz até o fim de junho, sempre às quartas, às 21h. O ingresso é R$ 30. A direção é de Eucir de Souza, que também assina cenografia e figurinos. Atualmente, ele está em cartaz com Alessandra Negrini em A Propósito de Senhorita Júlia, no CCBB-SP.

Agenda Cultural



Mineiros no Planalto
Falando em CCBB, a peça Prazer, da Cia. Luna Lunera, de Minas Gerais, estreia no CCBB de Brasília no dia 7 de junho. Leia a crítica.

Espasmo
A jornalista Gabriela Mellão, coleguinha da coluna de APCA, manda avisar que sua peça, Espasmo, com direção de Marcio Damaceno, está em cartaz no Sesc Consolação, em São Paulo, toda quinta e sexta, às 20h, até 7 de junho. Aviso dado.

Recado do Lee
Lee Thaylor, o grande ator amigo da coluna, pede para avisar que as incrições para seu curso Poética do Ator, no NAC do Centro da Cultura Judaica, vão até o dia 14 de junho. Saiba mais.

Eruditas de volta

O elenco da peça Academia das Eruditas, que está de volta ao Teatro Augusta, promete causar na noite desta sexta (10). A partir das 20h, eles vão andar caracterizados pela célebre rua Augusta, no centro paulistano, para convidar as pessoas para ver o espetáculo, que começa às 21h30. A comédia é uma livre adaptação do texto de Molière, com a história de duas irmãs que disputam o mesmo homem. Jolanda Gentilezza assina a direção.  No elenco, estão Lígia Hsu, Guilherme Vale,Daniela Dams, Laís Blanco, Priscila Ioli, Jolanda Gentilezza, Pablo Zorzetto, André Cunha e Rael Godoy. Eles ficam em cartaz até 7 de julho, sexta, às 21h30; sábado, às 21h; e domingo, às 19h. O ingresso é R$ 30. Bom passeio a todos.

Pulo da gata
Eloisa Vitz, diretora do Grupo Gattu, atriz das boas e querida da coluna, está com inscrições abertas para seu curso de teatro. Saiba mais.

Colker 1
A coreógrafa Débora Colker celebra os 20 anos de sua companhia de dança com a remontagem de Velox, o celebrado espetáculo de 1995. Será apresentado desta sexta (10) a domingo (12), no Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio, onde o belé estreou.

Colker 2
Dois livros vão comemorar os 20 anos da Companhia de Dança Deborah Colker. O primeiro, escrito por Francisco Bosco, será lançado em outubro. Já o segundo, uma espécie de diário de bordo de Deborah, ainda não tem data para sair do forno.

Musa
Diva maior do Festival de Curitiba 2013 como antecipou o blog, a atriz coreana JaRam Lee é capa da última edição da revista Antro Positivo, especializada no mundo teatral. Leia aqui.

antropositivo Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Coreana JaRam Lee, melhor atriz do Festival de Curitiba, é capa da Antro Positivo - Divulgação

Romeu & Julieta
A Turma da Mônica estreou, nesta quinta (9), para convidados, no Teatro GEO, em São Paulo, o espetáculo Mônica e Cebolinha no mundo de Romeu e Julieta. Veja, abaixo, uma imagem da pré-estreia feita por Paduardo, fotógrafo da AgNews, para a coluna.

Monica e Cebolinha no Mundo de Romeu  e Julieta 11paduardo Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Personagens de Mauricio de Sousa embarcam no romantismo de Shakespeare - Foto: Paduardo/AgNews

Teatro barroco 1
Começa neste sábado (11) a primeira edição da mostra de teatro Tiradentes em Cena, na charmosa cidade histórica mineira. Além de peças, o evento terá programação gratuita com debates, exposições, leituras, palestras e oficinas sobre as artes cênicas.

Teatro barroco 2
O Grupo Galpão vai ganhar homenagem no Tiradentes em Cena, por conta dos 30 anos da trupe de Belo Horizonte. A mostra ainda terá espetáculos cariocas, como Poema Bar, com o ator Alexandre Borges; Répétition, espetáculo de Walter Lima Jr, com Roger Gobeth, Alexandre Varella e Tatianna Trinxet; A Descoberta das Américas, de Júlio Adrião; o musical infantil Flicts, de Ziraldo; e o monólogo Estação Terminal, de Tuca Moraes.

História ipanemense
Beatriz é o nome da peça que celebra os 21 anos da Cia. Atores de Laura, que estreou nesta quinta (9), no Teatro Laura Alvim, em Ipanema. Daniel Herz dirige Ana Paula Secco e Paulo Hamilton na obra inspirada em dois livros do escritor Cristóvão Tezza, Beatriz e Um Erro Emocional. Fica por lá de quinta a domingo, até o fim de junho. Cariocas estão convidados.

Blog no ar
O blog do ator, jornalista e crítico teatral Alberto Guzik, que morreu em 2010, já está no ar novamente. Visite. Uma confissão: a coluna é muito fã dele.

alberto guzik Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Alberto Guzik fez produção história em seu blog: acesso público liberado - Foto: Divulgação

Teatropédia
Falando em internet, você sabia que existe uma Teatropédia, é uma espécie de enciclopédia virtual do teatro? Olha aqui para você ver. E o chique no último: este vosso colunista e nosso grande fotógrafo Bob Sousa ganharam verbetes. Não é o máximo?

Vermelho no Rio

Stênio Garcia foi levar seu abraço ao amigo Antonio Fagundes na estreia do espetáculo Vermelho nesta quinta (9), no Teatro do Sesc Ginástico, no Rio. Na peça, dirigida por Jorge Takla, Fagundes contracena com o filho, Bruno. Na montagem, o astro vive o famoso pintor Mark Rothko, e Bruno, um jovem aprendiz. Leia a crítica.

antonio stenio Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Antonio Fagundes recebeu o carinho de Stênio Garcia na estreia de Vermelho no Rio - Foto: Roberto Filho/AgNews

Aplausos
Olha aí, abaixo, os atores Leonardo Netto e Helio Ribeiro, recebendo os aplausos na estreia da peça Freud - A Última Sessão, no Teatro Clara Nunes, no Rio. A direção da montagem é de Ticiana Studart.

Leonardo Netto e Helio Ribeiro mais velho 1 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Leonardo Netto e Helio Ribeiro: estreia de peça no Rio - Foto: George Magaraia/Agência T.C.Granato

Nova casa
O musical 10ponto948 mudou de teatro. Está agora em cartaz no Teatro Bibi Ferreira (av. Brig. Luiz Antônio, 931), apenas aos domingos, às 21h, em São Paulo. Recado dado.

Gente de teatro
O jornalista Douglas Picchetti anda fazendo bonito como assessor de imprensa no mundo teatral. Sacudido, faz acontecer as peças e os artistas nos quais bota a mão. A coluna soube que ele agora é dono de seu próprio escritório. E lhe deseja toda a sorte do mundo na empreitada.

douglas picchetti Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

O jornalista Douglas Picchetti: fazendo barulho nos bastidores da divulgação teatral

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marcio tito pellegrini Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

Membro da nova geração, Marcio Tito Pellegrini é dramaturgo, ator e diretor - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

Marcio Tito Pellegrini acaba de fazer 22 anos. O que faz dele representante da nova geração do teatro brasileiro. Geração multiuso. É dramaturgo, diretor, ator, produtor, divulgador... Enfim, rala para fazer acontecer a arte na qual acredita. O sobrenome pomposo vem do irmão de seu bisavô, o ex-presidente argentino Carlos Pellegrini (1946-0906), mas conta que só sobrou a pompa.

Ele está em cartaz aos sábados, às 19h, até o fim do mês, com a primeira peça de seu grupo, A Tragédia Pop: Roberto e a Filologia das Estrelas. A obra causa burburinho no Espaço dos Satyros Um, na praça Roosevelt, reduto do teatro alternativo paulistano (leia a crítica).

Cria do Satyros, onde entrou para fazer a elenco de apoio na peça Roberto Zucco, Marcio Tito Pellegrini nasceu em São Paulo em 23 de abril de 1991. Estuda dramaturgia na SP Escola de Teatro e pensa em um dia cursar ciências sociais na USP. Enquanto isso, faz muito teatro. Do jeito que pode, de todos os modos.

Ele se encontrou com o Atores & Bastidores do R7 no bosque das esculturas do parque da Luz, no centro paulistano, em uma bela tarde de sol de outono. Falou de tudo. E se definiu como membro da “geração do para de reclamar e vai fazer”.

Leia com toda a calma do mundo:

marcio tito pellegrini 3 Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

Márcio Tito Pellegri é paulistano e diz que quer fazer um teatro político - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado – Você não é novo demais para se meter a escrever, dirigir e atuar?
Marcio Tito Pellegrini – Acho que sou novo, sim. É que comecei a fazer teatro com 15 anos. A vida do artista é muito intensa. No Satyros, tive uma vida muito efervescente. Montagens, amigos, projetos, enfim, muita coisa aconteceu.

Como foi sua infância?
Nasci em São Paulo, no bairro Higenópolis...

Nasceu rico.
Nasci rico, mas hoje em dia fudeu tudo [risos]... Sou de 23 de abril de 1991.

Você é do século passado, então.
Não, sou um jovem senhor dos anos 20 do século 21. Ah, faço aniversário junto com Shakespeare e o Léo Jaime [risos].

Quem são seus pais?
Minha mãe se chama Edinéia, e trabalha com alimentos, já meu pai, Mauro Pellegrini, sempre teve bar.

Você mora com os pais?
Eu moro com meus pais, mas vou voltar depois das três [risos]. Acho que isso coloca os pais no lugar de artistas também, porque de alguma forma viabilizam projetos. É tudo muito instável, eu sei, mas eles estão fazendo arte comigo.

Você namora?
Estou namorando a Amanda Magalhães. Ela é atriz e faz EAD [Escola de Arte Dramática da USP].

É filho único?
Não, isso é uma questão... Eu sou o único filho do meu pai e da minha mãe, mas tenho três meio-irmãos. Um por parte de mãe e dois por parte de pai, um deles com dois anos. Somos uma família moderna. Meu pai tem 64 anos e tem um filho bebê!

É. Seu pai está em ótima forma! [risos] O que você fazia quando era criança?
Eu lia muito. Eu sofria bullying e comecei a ler muito...

Te batiam na escola?
Não chegava a tanto. É que eu não era muito agregado.

marcio tito pellegrini 5 Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

Quando era criança, Marcio Tito Pellegrini gostava de ler na biblioteca - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Não se preocupa, eu também tinha um colega que me batia sempre. Hoje ele é policial militar! [risos]. Mas vamos falar de você. Você ficava lá quietinho na biblioteca da escola durante o recreio?
É... Eu passava os intervalos lendo na biblioteca. Engraçado, nunca joguei futebol, tentei jogar basquete e não deu certo... Eu não conseguia lidar com as coisas da minha idade de fato. Aí, entrei no mundo dos livros.

Como você começou teatro?
Foi aos 15 anos.

Foi por estar em uma crise?
Não, eu sempre fui assim. Eu não era de brigar, de ser revoltado. Se não gostava de algo, ignorava.

Não batia a porta do quarto na cara da sua mãe?
Não.

E como surgiu o teatro?
Como eu era essa pessoa retraída, meus pais me incentivaram a fazer teatro. Comecei a frequentar peças e fui fazer o curso da Escola de Atores Wolf Maya. Logo que entrei lá, vi que tinha uma coisa política a se fazer no teatro, mas vi que não era ali. Fiquei três anos e saí no último semestre para fazer Roberto Zucco nos Satyros.

Saiu logo na hora de tirar o DRT [registro profissional no Ministério do Trabalho]?
Pois é. Está vendo o que eu fiz na vida? Não tirei o DRT até hoje!

A Patrícia Vilela [atriz, atualmente no elenco de Malhação] foi sua professora?
Foi. Ela é ótima.

Eu gosto muito dela. E o Alberto Guzik [ator, jornalista e crítico teatral que morreu em 2010 vítima de câncer]?
Também. Ele me deu aula de história do teatro.

As pessoas têm muito preconceito com o Wolf, mas bons professores passam por lá, como a Patrícia, o Guzik, que é um cara que admiro muito. Ou seja, tem muita modelete, mas também tem como aprender, né?
Sim, no Wolf eu tive excelentes professores. Tive aula com o Zé Henrique de Paula, com a Sandra Corveloni, que ganhou melhor atriz em Cannes.

E foi o Guzik quem te levou para o Satyros?
Sim, ele convidava para ver as peças. Eu vi cinco vezes o Monólogo da Velha Apresentadora [peça na qual Guzik satirizava Hebe Camargo].

Eu também vi. Ele estava ótimo naquela peça. Acho que foi a última peça dele, né?
Pois é, ele era muito bom. Aí eu comecei a frequentar a Roosevelt e comecei a ficar sem grana para pagar o Wolf... Mas resolvi que não ia parar de fazer teatro. Chamei então a Priscilla Leão e o Marcos Santana e escrevi um texto para eles fazerm nas Satyrianas, As Dolosas Coxas.

Então, você já era meio capetinha, já tinha começado a descobrir os caminhos...
Sim, já era meio fervido. Aí, o Rodolfo precisava de alguém para parte do elenco de apoio de Roberto Zucco, aí eu fui fazer.

Você ficava pelado?
Não [risos]. Roberto Zucco foi minha primeira peça. E depois fiz as Satyrianas como dramaturgo.

Você tinha quantos anos nesta época?
17.

Ninguém devia dar bola para você...
Não dava, mas Os Satyros deu. O Rodolfo me chamou para dirigir o Satyros Teen, que acho que é o projeto mais importante que eu fiz na vida. Dirijo esse grupo, com jovens do centro da cidade há dois anos. É uma geração muito oprimida pela metrópole.

Bom, aí você foi se metendo em tudo. E você sabia o que queria da vida?
Na verdade eu sempre soube. Sempre quis ter uma postura política no teatro.

E como você entrou na SP?
O Rodolfo [García Vázquez, diretor dos Satyros] viu Cemitério dos Elefantes, peça minha que foi dirigida por Fábio Penna, e me deu uma puxada de orelha, falou “acho que não é por aí, você não quer estudar, não?”. Aí eu entrei em 2012 no curso de dramaturgia na SP Escola de Teatro.

marcio tito pellegrini 2 Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

"Sou cria do Satyros", diz Marcio Tito Pellegrini, fundador de A Tragédia Pop - Foto: Miguel Arcanjo Prado

E essa sua peça agora, Roberto e a Filologia das Estrelas. Como surgiu a ideia de ter seu próprio grupo de teatro?
No processo do espetáculo Satyros’ Satyricon, o Rodolfo propôs quem queria apresentar um projeto nas Satyrianas [festival teatral na primavera, na praça Roosevelt]. Eu tinha conhecido o Roberto Reiniger em uma oficina e tinha um texto sobre a vida dele. Aí me ofereci e comecei a ensaiar com atores que arregimentei no Satyricon, porque sou obsessivo. O Rodolfo viu e sugeriu que montássemos um grupo. Aí fundamos A Tragédia Pop.

Por que tem esse nome?
A minha visão como dramaturgo do grupo é que hoje em dia tudo é entendido pelo universo do pop. Se Édipo fosse hoje, a Beyoncé seria a Jocasta. Tudo que a gente louva no pop é uma coisa quase deprimente. Você escuta Thriller, do Michael Jackson, é uma música feliz, mas tem uma tristeza de fundo, um viés ressentido com o contemporâneo. E o Roberto, da peça, é um ressentido com o contemporâneo.

Como você define seu teatro?
Definir na primeira peça é difícil. Mas acho que vamos num caminho que aponta para a performatividade. Mas não importa a forma, nosso conteúdo será sempre político. Eu chamo de teatro contemporâneo. Mas o bom do contemporâneo é que está sempre no futuro.

Político de que lado?
O artista no Brasil não tem direito de querer ser petista nem tucano. Nem esquerda nem direita. Acho que temos de instaurar um lado novo, para inventar um novo Brasil. Este é o presente que vivemos? Está legal? Queremos viver à base de fármacos e McDonalds, que não deixa de ser um fármaco? Acho que o trabalho do Mano Brown nos Racionais é bom em termos de energia do discurso, de jogar essa bomba.

Você não tem vontade de fazer faculdade? Acho que você se daria bem na sociologia ou na filosofia...
É... Ainda dá tempo... Meu foco, neste ano é A Tragédia Pop. Estamos ensaiando mais duas peças. Um é teatro-dança baseado em O Estrangeiro, do Albert Cammus, e também uma outra peça, que vai se desdobrar em uma banda, baseada em Charles Bukowski. Se tudo correr bem, quero me formar na SP neste ano. E aí, no ano que vem, penso em fazer faculdade, penso muito em sociologia, em me preparar teoricamente.

Acho que vai ser importante para você. E como você dá conta de fazer esse monte de coisa: você estuda, ensaia, junta as pessoas, escreve, promove a peça no Facebook.
Acho que isso vem muito de uma insatisfação com o que tem sido feito. Então, mais do que reclamar, eu quero fazer. Sou da geração do para de reclamar e vai fazer.
E não dirijo por uma vontade clara. É que o dramaturgo hoje em dia tem de produzir. Enquanto o Zé Celso não me ligar pedindo peça, eu vou ter de me dirigir!

 

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Apesar do olhar triste nas fotos, Marcio Tito Pellegrini diz: "Sou um cara feliz" - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Você tem um olhar triste nas fotos. Mas ri aqui na entrevista. Você é triste ou feliz?
Eu sou um cara feliz. Acho que depois que a gente tem certa percepção de mundo, do sistema, a gente fica um pouco triste. Mas a gente também encontra brechas para não se deixar abater e tentar fazer alguma coisa transformadora. Só ainda não sei como administrar financeiramente o fazer teatro. Porque sobreviver disso é difícil.

Tem gente que te acha um menino que se acha demais?
Acho que muita gente evita conhecer seu trabalho para sair falando mal de você. Mesmo sem conhecer. Mas eu tenho amigos na Roosevelt e está tudo certo. Acho que, pelo menos lá, ninguém me odeia.  

Você é cria dos Satyros?
Sim, sem dúvida. Sou cria de uma visão crítica do Rodolfo. O olhar que ele imprime no Satyros para mim foi devastador. A escolha de repertório dos Satyros me move como criador, o meu olhar de mundo. É um caminho a ser seguido. Lado a lado. Porque os Satyros estão aí ainda. Quero fazer alguma coisa que faça barulho, que seja um grito como você mesmo definiu na crítica que fez da minha peça.

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"Quero fazer alguma coisa que faça barulho", diz Marcio Tito Pellegrini - Foto: Miguel Arcanjo Prado

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como ser uma pessoa pior Ganhe um par de ingressos para espetáculo Como Ser Uma Pessoa Pior, com Lulu Pavarin, em SP

Lulu Pavarin vive mulher que tenta sair de relacionamentos destrutivos - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A atriz Lulu Pavarin (leia entrevista) encerra nesta quinta-feira (9) a temporada da peça Como Ser Uma Pessoa Pior, dirigida por Mário Bortolotto.

Em nosso concurso cultural, o Atores & Bastidores do R7 dá um par de entradas para os três internautas que melhor responderem à pergunta: "Como ser uma pessoa pior?". Basta colocar sua resposta no espaço de comentários deste post.

Os ingressos são válidos para a sessão das 21h, desta quinta (9), no Espaço do Parlapatões (praça Roosevelt, 158, Consolação, Metrô República, São Paulo).

A peça conta a história de uma mulher que resolve sair de relacionamentos destrutivos e elabora uma lista de como se tornar uma pessoa pior, menos dependente dos outros.

O resultado com os ganhadores:

VENCEDORES:
Leandro Martins de Siqueira
Júlia Padula
Robson Liberal de Oliveira

ATENÇÃO: Os três ganhadores devem retirar um par de entradas, cada um, até 20h30 desta quinta (9), na bilheteria do Espaço dos Parlapatões, em São Paulo, portando documento de identidade com foto. Os nomes estarão na lista de convidados do espetáculo.

Como Ser uma Pessoa Pior
Quando: Quinta, 21h. 45 min. Até 9/5/2013
Onde: Espaço dos Parlapatões (praça Roosevelt, 158, centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-4449 )
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

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