perdas e ganhos Sob direção da filha Beth Goulart, Nicette Bruno expõe no palco a falta de Paulo Goulart

Nicette Bruno e a filha Beth Goulart: balanço da vida na peça Perdas e Ganhos - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi tarefa dificílima para Nicette Bruno encarar a partida de seu companheiro de toda a vida e grande amor Paulo Goulart, em março deste ano. Como artista, a atriz expurga no palco seus sentimentos, sob direção da filha Beth Goulart, na peça Perdas e Ganhos, com texto de Lya Luft.

A montagem foi gestada há quatro anos e contou com o apoio de Paulo Goulart para o primeiro monólogo da mulher.

A obra tem luz de Maneco Quinderé e cenário de Ronald Teixeira. Estreou em Porto Alegre e será apresentada em Curitiba neste sábado (6), 21h, e domingo (7), 20h, no Teatro Fernanda Montenegro, no Shopping Novo Batel, com entrada a R$ 80 a inteira e R$ 40 a meia-entrada.

Reflexões

O texto é repleto de emoção e também de reflexão sobre a família, a maturidade e as escolhas da vida. A obra ainda funciona como uma lição de superação diante das mudanças que o tempo traz.

Além de fazer o papel de narradora, Nicette também dá vida a três personagens da obra O Silêncio dos Amantes, também de Lya Luft, em um jogo teatral intenso.

"A vida é um processo de constantes transformações e isso nos assusta. Aprender a encontrar a força dentro de nós é uma das lições que a vida nos propõe. Às vezes precisamos perder para valorizar o que agora perdemos uma pessoa, a saúde, o emprego, amores ou a própria vida", diz Nicette.

Beth Goulart concorda: "Conhecer o pensamento de autores importantes aguça nosso próprio pensamento e amplia nosso olhar diante do mundo, da arte e do ser humano".

Depois de Curitiba, a peça segue para Campinas e Brasília. Em janeiro, estreia no Rio.

Veja as dicas da Agenda Cultural no vídeo abaixo:

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IMG 4149 small Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

André Fusko está em Animais de Hábitos Noturnos no Parlapatões - Foto: Otávio Rotundo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Eu voltei...
André Fusko está de volta aos palcos. O ator estreou nesta quinta (4) a peça Animais de Hábitos Noturnos, no Espaço dos Parlapatões, na praça Roosevelt. A peça, dirigida por Robson Phoenix, é inspirada na obra de Caio Fernando Abreu. Sessões quintas e sextas, 21h, até 19 de dezembro. Depois, volta ao cartaz de 8 a 30 de janeiro, com ingresso a R$ 40. Einat Falbel, a grande atriz, também está no elenco. Estão todos convidados.

Viva Fauzi
Até 16 de dezembro o Sesi São Paulo abriga o Projeto Fauzi Arap, que homenageia o grande diretor que morreu há um ano. Serão apresentadas três peças ao todo: Coisa de Louco, Chorinho e a inédita A Graça do Fim, com Elias Andreato e Nilton Bicudo. Segunda e terça, 20h, com entrada grátis.

Vamos brincar de índio
A bailarina Maria Mommenshohn é a estrela do espetáculo Mbochy, apresentado na Funarte de São Paulo nesta sexta (5) e sábado (6), 20h30, e domingo (7), 19h30, com ingresso a R$ 10. A obra tem inspiração na tribo indígena Mbyá-Guarani. A sessão integra a Ocupação Ambargris – Cerco Choreográfico.

Agenda Cultural da Record News

Vexame
Zé Celso definiu assim o despejo do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos de seu teatro: "O maior vexame em cima da arte teatral em 2014".

Menosprezo
E o grande diretor do Teat(r)o Oficina falou mais: "Este século 21 vive em seu início, sem exagero, um dos momentos de maior desprezo por esta arte multimilenar do teatro que é o mesmo menosprezo que se sente pela vida intensamente vivida ao vivo das pessoas humanas, quase uma das muitas espécies em extinção".

lina Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A arquiteta Lina Bo Bardi: criadora do Teat(r)o Oficina, Masp e Sesc Pompeia - Foto: Divulgação

Centenário
Nesta sexta (5), às 20h, o Oficina celebra o centenário de Lina Bo Bardi, em sua sede, na rua Jaceguai, 520, no Bixiga, em São Paulo.

Maratona
O Oficina fará a Odisseia Cacildas, com cinco espetáculos da saga sobre Cacilda Becker, entre 12 e 23 de dezembro. Zé o os meninos do Oficina pedem pra todo mundo aparecer.

Terra do nunca
A Cia. Le Plat du Jour manda avisar que será neste sábado (6) às 17h30 a reestreia de Peter Pan & Wendy. No Teatro Alfa, onde fica em cartaz até 14 de dezembro, sábado e domingo, neste horário. Levem as crianças.

 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Rodolfo Lima na peça Réquiem para um Rapaz Triste: sessão na Casa Contemporânea - Foto: Eloi Correa

Diversidade 1
Ferdinando Martins, professor da USP, participou na última terça (2) do projeto Em Busca de um Teatro Gay, de Rodolfo Lima, na Casa Contemporânea (r. Capitão Macedo, 370, Vila Mariana, tel. 0/xx/11 2337-3015), em São Paulo. Falou sobre as representações do gay no teatro contemporâneo.

Diversidade 2
O projeto ainda terá outros palestrantes, sempre às 20h. No dia 9, Helio Filho e Paco Llistó falam da relação da mídia segmentada com o teatro gay. Já no dia 12, Rodolfo García Vázquez e Osvaldo Gabrieli falam do processo de criação teatral. No dia 17 é a vez de Dagoberto Feliz falar do mesmo tema. O projeto continua em janeiro.

Diversidade 3
Rodolfo Lima apresenta duas peças no projeto. Desamador neste sábado (6), 21h, e Réquiem para um Rapaz Triste, no domingo (7), 17h e 19h. Já o ator Henrique Ponzi faz o monólogo Além do Ponto, com direção de Jackeline Stefanski no sábado (6), 19h. Vai, gente.

Documento novo
Andréa Zanelato, recepcionista transexual da SP Escola de Teatro, conseguiu tirar nova certidão de nascimento que garante a quem quiser ver: ela é do sexo feminino. "Quero agradecer meu advogado, Dinovan Oliveira e toda sua equipe por essa conquista. E a Deus, porque sei que ainda vou muito longe", conta. Parabéns.

ivam cabral Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Ivam Cabral em cena de Pessoas Perfeitas, que terminou no último domingo (30) - Foto: André Stéfano

Descansa, Ivam
Correu tudo bem na cirurgia que Ivam Cabral fez para retirada de um tumor maligno na tireoide, realizada na última quarta (3), no Hospital Sírio-Libanês. Agora, a ordem médica é descanso. O ator já está em sua casa em Parelheiros, na zona sul paulistana. “Obrigado a todos que mandaram boas energias. Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim”, diz.

Carinho
As últimas sessões de Pessoas Perfeitas, no último fim de semana, foram disputadíssimas no Espaço dos Satyros 1, coração da praça Roosevelt. Muita gente passou no camarim para dar um abraço em Ivam antes da cirurgia e desejar saúde. Ele ficou emocionado com tanto amor em SP.

Presentes
Entre os presentes recebidos pelo ator estão: terços, medalhinhas, flores, livros e até uma vela.

EuVouTirar VoceDeste LugarWatusi2redcreditobianchirj Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Retorno da diva: Watusi, em cartaz no musical que traz a obra de Odair José no CCBB-SP - Foto: Bianchi Jr.

Vozeirão
Watusi está divina, sobretudo quando canta com sua voz inconfundível, no musical Eu Vou Tirar Você Deste Lugar – As Canções de Odair José, em cartaz no CCBB de São Paulo, ali na Sé, com direção de Sergio Maggio. Esta é sua estreia, em grande estilo, no teatro brasileiro.

Currículo
Para quem não sabe, a nossa Watusi foi a estrela número 1 da lendária casa de shows Moulin Rouge, em Paris, entre 1978 e 1982. Nesta época, a revista Paris Match disse que ela era “o mais jovem talento negro surgido nos últimos tempos em solo francês”. Já Diário de Barcelona decretou para todo o sempe: “Se Watusi não existisse, teríamos de inventá-la”. O currículo não é para qualquer uma, meu bem.

gabriela correa Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Puro talento: Gabriela Correa é destaque no musical Eu Vou Tirar Você Desse Lugar - Foto: Tuca

Ela também brilha
Além de Watusi, outro destaque do musical que celebra a obra de Odair José é a atriz brasiliense Gabriela Correa. A moça é um talento só. Além de carisma e beleza, tem tempo preciso para a comédia. Rouba a cena assim que pisa no palco. Guardem este nome. E este rosto.

Bastidor
Ainda falando em Eu Vou Tirar Você Desse Lugar, o musical tem um time importante por trás do pano. A iluminação é assinada pelo ator Vinícius Ferreira, estrela do nosso bom cinema nacional. Já a ilustração de Odair José é obra de Fred Bottrel, cineasta que dirigiu o filme A Ala, premiado documentário sobre romances homossexuais nas prisões do Brasil.

Inconsolável
A diva cubana Phedra D. Córdoba está revoltada porque sua peça Madame Pompadour não foi selecionada em um edital público. “Eu fiquei muito nervosa, logicamente”, conta à coluna, logo após acordar, por telefone, diretamente de seu apartamento na praça Roosevelt. Phedrita revela que sua peça ficou em sexto lugar na lista de suplentes, o que "é um absurdo", tamanha sua importância no cenário teatral. Mesmo assim, não desiste de ser a lendária cortesã da Paris do século 18, que foi amante do Rei Luís XV e dava ordem a todos no Palácio de Versalhes. "O Robson [Catalunha] e o Gustavo [Ferreira, atores e produtores do Satyros] me contaram que talvez eu tenha uma chance de conseguir patrocínio ainda. Vamos torcer, né, meu amor?". Que assim seja.

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Phedra D. Córdoba: ela quer porque quer montar Madame Pompadour em 2015 - Foto: Bob Sousa

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agendinha Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 5/12//2014

Miguel Arcanjo Prado conta as melhores dicas para o seu fim de semana - Foto: Divulgação

O editor de Cultura do R7 Miguel Arcanjo Prado dá as melhores dicas para o seu fim de semana na Record News, no telejornal Hora News, na Agenda Cultural. Tem show da banda Casuarina em Salvador e do Sorriso Maroto em BH. Em São Paulo, tem a Feira Preta no domingo, no Anhembi. Já nos cinemas tem a comédia romântica Simplesmente Acontece e o filme Bob Esponja - Uma Aventura Fora D'água. Veja o vídeo:

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anette naiman bobsousa9 Entrevista de Quinta: A classe teatral precisa se unir mais, diz Anette Naiman, do Teatro Garagem

A atriz Anette Naiman no espelho do camarim de seu Teatro Garagem - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto BOB SOUSA

A atriz Anette Naiman é criadora do Teatro Garagem, em São Paulo. Tudo começou com um sonho antigo, de poder fazer arte sem se preocupar com o espaço. O início foi uma reforma na garagem de sua casa, na zona oeste paulistana. Acabou tendo a ideia de transformar o lugar em um teatro, que logo ganhou uma cara rock’n’roll.

O Teatro Garagem completa 10 anos de existência. Para celebrar, a artista encena o monólogo Frederic Chpin por George Sand, até 20 de dezembro, sexta e sábado, 21h, com ingresso a R$ 40 a inteira. O endereço é rua Silveira Rodrigues, 331, Vila Romana (tel. 0/xx/11 9-9122-8696).

Ernesto Hypólito, que foi criador do programa Metrópole, da TV Cultura, dirige a obra que inaugura o projeto Concerto Teatro e que ainda tem participação do pianista Adriano Heidrich.

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, Anette fala sobre o desafio de manter um centro cultural, o projeto de expansão em 2015 e ainda comenta a crise atual que vive os teatros paulistanos.

Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual é o conceito do seu teatro?
ANETTE NAIMAN — É um teatro independente, que na verdade é minha própria casa. Eu estudei no Indac [escola de atores de SP], que era uma casa, e essa influência ficou em mim. Fazíamos muitos experimentos pelas salas e quartos da casa que eram as salas de aula. Quando me formei, vi a luta para conseguir espaço para ensaiar e se apresentar. Isso me assustava e via que era fundamental para meu trabalho ter um espaço para conseguir levantar uma peça.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Aí resolveu criar um teatro em casa?
ANETTE NAIMAN — Estava grávida e resolvi criar um mezanino dentro da garagem, que tinha pé direito alto. Uma espécie de quarto de bagunça para as crianças. Nesta construção, teve de ser feito um desnível para o portão da garagem poder abrir. Aí me veio a ideia de que eu poderia fazer parte também da sala de bagunça. Comecei a chamar amigos, propor leituras, esse desejo que tinha de ter liberdade para criar se concretizou. Virou o Teatro Garagem.

anette Entrevista de Quinta: A classe teatral precisa se unir mais, diz Anette Naiman, do Teatro Garagem

A atriz Anette Naiman na porta do Teatro Garagem, em São Paulo - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como foi esse começo do espaço?
ANETTE NAIMAN — Li um texto de Ligia Fagundes Telles e resolvi montar. Procurei a Ligia em um evento, e uma amiga dela me perguntou quem era eu. Falei que era uma atriz que estava com um teatro em casa, e ela me sugeriu montar outro texto da Ligia, Apenas um Saxofone. Fiz com direção do Caetano Vilela. Começamos uma linguagem rock’n’roll e inauguramos a garagem, em um começo do sonho de ter um teatro independente e livre de burocracias. Desde então, mergulhei na literatura feminina. Agora, estou na Hilda Hilst.

MIGUEL ARCANJO PRADO — E como você fez com a burocracia?
ANETTE NAIMAN — Começou um teatro clandestino [risos]. Fui na Prefeitura e exigiram muitas coisas. Nunca incomodei vizinhos, inclusive os convidava para assistir. No começo foi muito tranquilo. Vinha público, mas não era uma coisa que bombava e não fazia questão de alardear porque ainda era um teatro experimental. Consegui ficar em cartaz entre 2004 e 2008 com um espetáculo solo. Em 2005, fui para o Fringe do Festival de Curitiba e foi muito boa a repercussão. Em 2008, senti necessidade de abrir o espaço. Comecei a elaborar a ideia de transformar a casa num espaço cultural.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você ainda mora no Teatro Garagem?
ANETTE NAIMAN — Não. Morei lá até o final de 2011, quando fui morar em uma casinha no Sumaré, onde estou até hoje. Fiz inúmeros parceiros, como Sergio Roveri, Pascoal da Conceição, Vinícius Piedade, Roberto Borenstein, Clóvys Torres, Jarbas Capusso, Manoela Ramalho... O teatro expandiu. Começou com 27 lugares, e agora expandimos. Em 2011, compramos a casa vizinha. A ideia de expansão se solidificou. Agora são duas casas, a Casa 1 e a Casa 2.

anette2 Entrevista de Quinta: A classe teatral precisa se unir mais, diz Anette Naiman, do Teatro Garagem

Interior de um dos espaços para o Teatro Garagem, em São Paulo - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você consegue sobreviver?
ANETTE NAIMAN — Na verdade, vale a pena registrar que meu grande apoiador e patrocinador é meu marido, o engenheiro Daniel Rosembaum, da Solonet, que faz projetos de fundações. Ele é a minha fundação. É legal contar que quando eu inaugurei o teatro ele era o bilheteiro e meus filhos, Sean, que hoje tem 14 anos, e Zoë, que está com 17 anos, ajudavam em tudo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você esta situação de teatros sendo fechados pela especulação imobiliária, que culminou no despejo do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos na semana passada, que é seu vizinho?
ANETTE NAIMAN — Em homenagem a todos esses fechamentos de teatro, essa coisa agressiva, convidei o Pascoal da Conceição para fazer essa abertura em 2014. Esta é minha mensagem. Mesmo tendo o espaço, também sofri muito. Nosso alvará só veio em 2013. Eu me mudei em 2011 e fiquei esperando até o final de 2013 a liberação desse alvará de funcionamento do Instituto Cultural. A partir do final de 2013 me senti livre para expandir. Poder ter um teatro neste momento é uma sensação ambígua, ter o privilégio de poder ser dona de um espaço, uma coisa que vislumbrei lá atrás, quando ainda era estudante e já vislumbrava as dificuldades. De certa forma, eu fui visionária nisso. A primeira coisa que me moveu a criar meu espaço foi ser livre em um espaço meu. Era ali que tinha minha liberdade e minha autonomia de ser artista. Apenas uma década depois eu vejo esse movimento que eu comecei lá atrás eu me sinto precursora. Eu batalhei muito lá atrás e hoje eu quero te dizer que eu me sinto muito triste de ver essa realidade do nosso teatro. Eu mesma tenho dificuldade de captar dinheiro. Nós somos muito solitários nesta luta. Eu acho que força da classe precisa ser maior. A classe teatral precisa se unir mais.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que planeja pra 2015?
ANETTE NAIMAN — Em 2015, como o espaço se ampliou, a gente quer receber propostas e projetos de artistas da cidade. A gente tem oito espaços de ocupação. E vamos inaugurar a nova garagem em 2015. Quero dizer que minha casa está aberta a todos os artistas. Dentro dessa crise horrível do teatro na qual as pessoas estão sendo despejados, e eu me incluo porque já passei por isso, eu tenho um privilegio de ter um espaço e poder dizer a todos os artistas que meu espaço está aberto sempre a receber companhias e grupos.

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incendios Marieta Severo faz Incêndios no Ibirapuera

A vida em tempos de guerra: Marieta Severo estrela peça Incêndios; sessões populares em SP - Foto: Leo Aversa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Marieta Severo segue firme em sua proposta de levar teatro de qualidade a todos.

Prova disso são as sessões a preço popular que a atriz fará de seu espetáculo, Incêndios, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

Dirigida por Aderbal Freire-Filho, a obra terá apresentações entre 17 e 19 de dezembro, sempre às 21h, com ingressos a R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entrada. Os ingressos começam a ser vendidos em 5 de dezembro. São 800 lugares por apresentação.

A montagem tem texto premiado do libanês Wajdi Mouawad e já foi adaptada ao cinema pelo diretor canadense Denis Villeneuve, chegando a ser indicada ao Oscar.

Na história, Marieta é Nawal, mulher cuja vida se passa em meio a uma guerra civil em seu país. Leia a crítica de Átila Moreno para a peça. Veja também a Entrevista de Quinta com Marieta Severo.

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WALMOR Y CACILDA23 CLAUDIA JUNQUEIRA Fentepp leva 7 mil ao teatro e vira gente grande

Zé Celso em cena de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe: grande estrela do Fentepp - Foto: Claudia Junqueira

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto CLAUDIA JUNQUEIRA

O Fentepp (Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente) chegou à sua 21ª sem medo de cumprir a maioridade. Pelo contrário, mostrou maturidade de quem virou gente grande no cenário dos festivais teatrais brasileiros. Prova disso são as 7 mil pessoas que o evento levou ao teatro entre 21 e 29 de novembro último, uma média de quase 800 espectadores por dia de evento.

Realizado pela Prefeitura de Presidente Prudente em parceria com o Sesc São Paulo e o Governo do Estado de São Paulo, o Fentepp 2014 teve 47 apresentações de 25 espetáculos. Entre eles, Nossa Cidade, de Antunes Filho, que abriu a programação, e Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, que encerrou o evento em uma espécie de catarse coletiva em defesa do teatro, quando o diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, defendeu as artes cênicas contra a especulação imobiliária que provoca fechamento de teatros em São Paulo.

Renata Salvador, gerente do Sesc Thermas de Presidente Prudente, conta ao R7 que a população da cidade abraçou o Fentepp. E isso ajudou para que o evento “fosse percebido de outra maneira no cenário nacional”.

— Fizemos muita coisa na rua, sempre pensando na qualidade da programação. O Fentepp 2014 foi um feliz encontro de ideias.

Ela ainda revela que um sucessos deste ano foi o ponto de encontro, “onde público e artistas puderam se encontrar após as peças, para trocar impressões”.

A curadoria do Fentepp foi feita por Rodrigo Eloi, Adriana Cruz Macedo, Luiz Fernando Marques Lubi e Denilson Biguete.

WALMOR Y CACILDA 13 Fentepp leva 7 mil ao teatro e vira gente grande

Os atores Daniel Kairoz, Juliane Elting e Nash Laila em cena de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe: peça do Oficina foi apresentada no ginásio de Presidente Prudente no 21º Fentepp - Foto: Claudia Junqueira

“Degrau por degrau”

O secretário de Cultura de Presidente Prudente, Fábio Nougueira, reconhece a maturidade do evento e faz questão de ressaltar que ela só ocorreu porque “o Fentepp galgou degrau por degrau”.

Ele conta ao R7 que, desde a primeira edição, realizada em 1985, o evento revela grandes nomes na cena teatral, como Mário Bortolotto e Marco Ricca, que participaram do festival no começo de suas carreiras. Nougueira lembra que, no começo, o evento era feito por amor ao teatro. Os artistas não recebiam cachê ou verba para alimentação e eram alojados “debaixo da arquibancada do ginásio municipal”.

— Hoje, o Fentepp lotou os três melhores hotéis da cidade e ganhou relevância nacional. Isso é fruto de um trabalho em equipe.

Destaque nacional

Tanta sintonia fez o Fentepp em 2014 ofuscar o FIT Rio Preto. O Festival Internacional de São José do Rio Preto fez uma edição morna em 2014, sem cobertura da imprensa nacional e ainda vive uma crise, com acusações de que não paga em dia os artistas contratados.

Tal situação do vizinho faz o Fentepp emergir não só como o grande festival do interior do Estado de São Paulo como o coloca na posição de um dos principais do País. E Prudente, pelo jeito, pretende continuar na rota teatral nacional durante todo o ano, já que inaugurou há seis meses o Teatro Municipal Paulo Roberto Lisboa, no Centro Cultural Matarazzo, como conta o secretário de Cultura do município.

— O que a gente quer é fazer bem feito, com os pés no chão. E com muito respeito ao artista, desde o camarim até o cachê pago, porque hoje estou secretário de Cultura, mas eu sou um homem de teatro. Queremos que Prudente seja a grande casa do teatro brasileiro.

WALMOR Y CACILDA37 CLAUDIA JUNQUEIRA Fentepp leva 7 mil ao teatro e vira gente grande

O ator Beto Mettig, que apresentou Walmor y Cacilda 64: Robogolpe com o Teat(r)o Oficina: "Fentepp está no caminho para se tornar, cada vez, mais um festival de peso e projeção nacional" - Foto: Claudia Junqueira

O cuidado é sentido pelos artistas. Kesler Contiero, integrante da Cia. dos Pés, de São José do Rio Preto, que apresentou a peça Expresso Caracol no evento, afirma que o Fentepp “tem uma equipe de apoio que trabalha junto com a gente”. Beto Mettig, que integrou o grupo de mais de 50 artistas do Teat(r)o Oficina, que foram ao Fentepp, concorda.

— Não é simples administrar uma estrutura grande como a do Oficina e tudo ocorreu sem problemas, sobretudo pelo empenho de toda equipe. Acho que o Fentepp está no caminho para se tornar, cada vez mais, um festival peso e projeção nacional.

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apca 2014 o homem de la mancha pessoas perfeitas Veja quem levou o APCA 2014 em teatro

Empate em melhor espetáculo de 2014 pela APCA: O Homem de la Mancha (à esquerda, com o ator Cleto Baccic na foto, também eleito melhor ator) e Pessoas Perfeitas, do grupo Os Satyros (à direita, com o ator Ivam Cabral na foto) - Fotos: João Caldas e André Stéfano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os membros da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), entidade da qual este jornalista é membro, realizaram na noite desta segunda (1º), no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, votação para a escolha dos melhores do ano pela 59ª edição do prêmio.

Votaram em teatro os críticos: Afonso Gentil, Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha, Carmelinda Guimarães, Edgar Olímpio de Souza, Evaristo Martins de Azevedo, José Cetra Filho, Kyra Piscitelli, Marcio Aquiles, Maria Eugênia de Menezes, Michel Fernandes, Miguel Arcanjo Prado, Tellé Cardim e Vinício Angelici. A cerimônia de entrega dos troféus deverá acontecer no fim do primeiro trimestre de 2015, em data ainda a ser divulgada, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, em São Paulo.

Veja a lista completa de vencedores em 2014 da APCA em todas as categorias!

O crítico teatral Vinicio Angelici diz que a votação é um "balanço final".

— A gente procura, da melhor maneira possível, premiar os melhores. Como são muitas peças em cartaz, fica difícil. Então, acaba às vezes ficando alguma peça injustiçada, mas procuramos sempre fazer o melhor.

O crítico Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha, que já presidiu a APCA, afirma que o processo de votação "é tenso" e "de muita responsabilidade", porque "há muita coisa boa".

—É sempre difícil, porque a temporada teatral paulista é muito rica e variada. Se fosse possível premiar muito mais a gente faria isso.

O crítico Evaristo Martins de Azevedo, por sua vez, revela que 2014 "sem dúvida, foi o ano mais disputado".

— Os debates foram muito acalorados, com votação até em três turnos. Se houve discussões com tantos argumentos favoráveis a tantos espetáculos é porque a cena foi realmente muito boa. Então, esses debates, apesar de sairmos frustrados algumas vezes ou contentes em outros momentos, refletem um momento muito importante para o teatro paulista.

Veja quem levou o APCA 2014 em teatro:

Melhor autor/dramaturgo
Newton Moreno e Alessandro Toller por O Grande Circo Místico

Melhor atriz
Laila Garin, por Elis, a Musical

laila garin bob sousa2 Veja quem levou o APCA 2014 em teatro

Laila Garin é eleita melhor atriz de 2014 pela APCA por Elis, a Musical - Foto: Bob Sousa

Melhor ator
Cleto Baccic, por O Homem de la Mancha

Melhor diretor
Marco Antônio Pâmio, por Assim É (Se lhe Parece)

Melhor espetáculo
Empate: O Homem de la Mancha e Pessoas Perfeitas, do grupo Os Satyros

Prêmio Especial
MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo)

Grande Prêmio da crítica
Laura Cardoso

laura cardoso foto bob sousa Veja quem levou o APCA 2014 em teatro

A atriz Laura Cardoso, em retrato de Bob Sousa: Grande Prêmio da Crítica da APCA

Veja a lista completa de vencedores em 2014 da APCA em todas as categorias!

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ze celso1 bob sousa O Retrato do Bob: Zé Celso, cabeça do teatroFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O que seria do teatro brasileiro sem José Celso Martinez Corrêa? Zé Celso é pura arte viva, inquietante, provocativa. Não teme, enfrenta. Não se acomoda, inova. Tem sede de teat(r)o sem fim. Em tempos de retrocesso, no último mês precisou depor no Fórum Criminal da Barra Funda por conta de uma cena teatral. Denunciou o absurdo. No último fim de semana, fez barulho no Fentepp, o Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente. Defendeu com veemência nossos palcos acuados pela especulação imobiliária. E ele ainda prepara muita coisa para dezembro, mês farto em seu Teat(r)o Oficina. Nesta terça (2), recebe a escola de samba Nenê de Vila Matilde para uma noite de samba, já que seu grupo será a ala Um Povo que Sorri, que encerrará o desfile da agremiação e do Carnaval paulista em 2015. Vão cantar Moçambique, velha conhecida de Zé Celso no exílio. No dia 5 de dezembro, celebra o centenário da arquiteta Lina Bo Bardi, que projetou o Oficina ao lado de Edson Elito. Já entre 12 e 23 de dezembro, faz apresentações dos cinco espetáculos da série Cacilda. No último dia, acontece também o Rito da Ethernidade de Luis, que rememora o irmão de Zé Celso, o diretor Luis Antônio Martinez Corrêa, assassinado em 1987. O teatro brasileiro precisa de Zé Celso, sua cabeça. Evoé.

Saiba mais sobre o Teat(r)o Oficina

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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WALMOR Y CACILDA CLAUDIA JUNQUEIRA Zé Celso protesta pelo teatro no fim do Fentepp

Zé Celso defende o teatro em fala no Fentepp e recebe o abraço do fotógrafo Bob Sousa - Foto: Claudia Junqueira

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quem assistiu à sessão de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe nesta sexta (28), no ginásio municipal de Presidente Prudente, interior de São Paulo, viu José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, fazer um discurso veemente em defesa dos teatros brasileiros contra a especulação imobiliária. O diretor foi motivado, sobretudo, pelo despejo do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos de sua sede, em São Paulo, no dia anterior.

O espetáculo do Teat(r)o Oficina encerra o 21º Fentepp (Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente), com a segunda sessão neste sábado (29). A organização do evento é da Prefeitura de Presidente Prudente em parceria com o Sesc São Paulo e apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Foram 25 espetáculos apresentados, entre eles o do Oficina e também Nossa Cidade, com direção de Antunes Filho, que abriu o evento.

bob sousa1 Zé Celso protesta pelo teatro no fim do Fentepp

Oficina incendeia o Fentepp com seu espetáculo Walmor y Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Bob Sousa

"Espaço sagrado"

Zé Celso falou sobre o despejo do Bartolomeu pela INK Incorporadora na última quinta (27), em São Paulo, fato que emocionou toda a classe teatral brasileira. Os pertences dos artistas foram retirados à força do local, por ordem da Justiça. Houve até acompanhamento policial para que os artistas não resistissem.

Indignado, Zé Celso bradou que "o teatro é um espaço sagrado".

— Onde for fechado um teatro deveria ser aberto outro no mesmo lugar.

Foi ovacionado pelo público. O fotógrafo Bob Sousa, colaborador do Atores & Bastidores do R7, estava na plateia e, ao fim do espetáculo, fez questão de cumprimentar Zé Celso pela atitude corajosa de defesa da classe teatral contra a especulação imobiliária. Para Bob, Zé é uma liderança necessária à classe artística.

— Um nome como Zé Celso encabeçar essa causa é muito importante para o teatro.

Zé Celso e seu Teat(r)o Oficina lutam há muito tempo também para manter o terreno no entorno do teatro, no Bixiga, que pertence ao Grupo Silvio Santos. Por conta da resistência dos artistas é que ainda não foram erguidas novas torres no local, o que prejudicaria a arquitetura do teatro criado por Lina Bo Bardi e Edson Elito há 20 anos.

Veja a cobertura do Fentepp no R7!

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IMG 9265 Grátis e pop, musical Hairspray discute preconceito

Liza Caetano vive a jovem Tracy no musical Hairspray: entrada grátis em SP- Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Baltimore, 1962. A cidade norte-americana vive a tensão da reivindicação dos direitos iguais entre negros e brancos. Parte destes últimos resiste, não querendo perder a posição privilegiada na sociedade. Outra prefere juntar-se aos negros em sua luta.

Este é o pano de fundo do espetáculo Hairspray - O Musical, da Cia. Instável de Teatro, dirigida por André Latorre com alunos de teatro da Faculdade Paulista de Artes. A obra estreia em São Paulo nesta segunda (1º), no Teatro Ruth Escobar, com entrada gratuita. A temporada vai até 10 de dezembro, de segunda a quarta [veja serviço ao fim].

Hairspray tem música de Marc Shaiman e Scott Wittman e roteiro por Mark O'Donnell e Thomas Meehan, baseados no filme de 1988 de John Waters — e que teve remake produzido em 2007 com direção de Adam Shankmann.

Para o Latorre, o discurso político da obra dialoga com o Brasil de hoje.

hairspray andre latorre Grátis e pop, musical Hairspray discute preconceito

André Latorre, diretor do musical Hairspray: "O preconceito ainda está vivo, mas todos podem e devem lutar pelos seus direitos", afirma o artista - Foto: Divulgação

— Na Baltimore dos anos 1960, as pessoas já sabiam que era errado ter atitudes separatistas,mas continuavam tendo atitudes equivocadas, de forma velada e também explícita. Para nosso desespero, a situação não mudou.

O diretor afirma que "hoje, vemos o preconceito vivo, com pessoas preconceituosas que, se interrogadas, certamente mentirão,dirão que não são preconceituosas".

— Hoje em dia, a cultura do ódio intensifica estas atitudes equivocadas. Mudou a época, mas a maneira de agir é a mesma.

Latorre manteve "falas absurdas" de vários personagens para deixar "explícito onde mora o erro, a segregação".

— Procurei manter isso muito vivo para fazer o público ver que existem pessoas horríveis como aquelas que estão no palco. Procuro intensificar a atitude errônea dos personagens para que isso cause um efeito reflexivo na plateia. Acho essencial ligar a temática com o que estamos vivendo, caso contrário nossa função como artista não se completa. O teatro é um documento e espelho de determinadas épocas.

Coreografias pop

Hairspray também tem diversão, já que a história está ambientada na efervescência da juventude da década de 1960, que acaba de descobrir o rock'n'roll e toda sua energia. Há muitos corpos bailando em cena, coreografados por Nhago Ramos. Muitos mesmo, como conta Latorre.

— Temos 47 atores.Tivemos um processo de trabalho agitado, mas de belas descobertas.Nosso maior desafio foi unir um elenco tão grande. Às vezes, o palco parecia pequeno demais.

Com tanta gente em cena, uma verdadeira engrenagem acontece nos bastidores para que o musical evolua. Capitaneando o elenco gigantesco, o diretor convocou a atriz Liza Caetano para protagonizar a obra.

Ela vive a a adolescente Tracy Turnblad, cujo maior sonho é ser dançarina de um programa de TV, mas que, ao longo da montagem, amadurece ao ponto de ser uma das líderes pelos direitos dos negros na sociedade. Para dar conta das duas sessões diárias, a atriz contou com a ajuda do preparador vocal Mauricio Mangini.

—O processo de ensaio foi pesado. Mas foi aquela coisa de cair de cabeça. Tento manter uma rotina em relação ao físico para ter a resistência que Hairspray me exige. Vejo o musical como uma lição de superação tanto no físico quanto no registro vocal.

liza caetano Grátis e pop, musical Hairspray discute preconceito

A atriz Liza Caetano: preparo vocal e físico para dar conta da adolescente Tracy - Foto: Divulgação

Além de assistir aos dois filmes, a atriz também utilizou sua experiência com o universo lúdico, já que atua na Trupe dos Brincantes, em espetáculos infantis nos CEUs da capital paulista.

— Tracy é diferente de tudo o que eu fiz. Sempre fiz personagens mais velhas. E ela é justamente o contrário: é mais nova, tem um frescor, uma inocência. Tentei construir minha Tracy com a maior veracidade possível.

Liza conta que está satisfeita em fazer um musical que mexe com a sociedade.

— O preconceito ainda está aí. Acho importante a forma como Tracy enfrenta o preconceito e luta por uma sociedade com mais equilíbrio. Diante de tanto preconceito hoje contra homossexuais, negros, nordestinos e mulheres, o Brasil parece que anda para trás. Esse musical é um simulacro da sociedade brasileira atual.

Latorre concorda com sua atriz. E também manda seu recado final.

Hairspray nos dá uma mensagem um tanto amarga, apesar de toda nuvem de laquê que parece fazer a peça ser leve e divertida. O texto nos faz lembrar que o preconceito ainda está vivo,mas que todos podem e devem lutar pelos seus direitos.

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Multidão: Hairspray - O Musical tem 47 artistas no palco do Teatro Ruth Escobar - Foto: Divulgação

Hairspray - O Musical
Quando: Segunda a quarta, 18h e 21h. 100 min. 1º até 10/12/2014
Onde: Teatro Ruth Escobar (r. dos Ingleses, 209, Bela Vista, metrô Brigadeiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3289-2358)
Quanto: grátis (musical universitário sem fins lucrativos)
Classificação etária: Livre

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