DSC 6308 ÓPERA DO MALANDRO Agosto 2014 Foto CRISTINA GRANATO  “Chico foi quem mais me influenciou”, diz João Falcão, diretor de Ópera do Malandro no Rio

Cena da montagem carioca de Ópera do Malandro, dirigida por João Falcão - Foto: Cristina Granato

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma sessão disputada reuniu convidados especiais como Elba Ramalho e Emiliano Queiroz para ver a versão carioca de Ópera do Malandro, de Chico Buarque, com direção de João Falcão, no Theatro NET Rio, nesta segunda (11). A peça estreou por lá no último fim de semana.

DSC 6333 Emiliano Queiroz ÓPERA DO MALANDRO Agosto 2014 Foto CRISTINA GRANATO  “Chico foi quem mais me influenciou”, diz João Falcão, diretor de Ópera do Malandro no Rio

Emiliano Queiroz aplaude Ópera do Malandro no Rio - Foto: Cristina Granato

Assim como em Gonzagão, musical de João Falcão visto por 100 mil pessoas e que celebrou com sucesso Luiz Gonzaga, a sua versão de Ópera do Malandro aposta num elenco basicamente masculino e só tem uma atriz: Larissa Luz.

Ainda integram o elenco Moyseis Marques, Adrén Alves, Alfredo del Penho, Bruce de Araújo, Davi Guilhermme, Eduardo Landin, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Léo Bahia, Rafael Cavalcanti, Renato Luciano, Ricca Barros e Thomás Aquino.

Os homens vivem também papeis femininos. “Colocar atores para interpretar mulheres vem ao encontro de uma tradição teatral secular e também com uma antiga pesquisa minha”, diz Falcão.

O diretor, que chamou Beth Lemos para a direção musical, conta que Chico foi a “figura artística que mais lhe influenciou”. Para compor a peça, misturou as músicas do espetáculo a canções do disco Malandro e também do filme homônimo dirigido por Ruy Guerra em 1985.

— É um momento muito inspirado e consagrador para o Chico. As canções de Ópera do Malandro ganharam fôlego fora do teatro. Tornaram-se tão conhecidas que muita gente não sabe que foram feitas para o palco.

Outra versão do mesmo musical é apresentada em São Paulo, com a Cia. da Revista, no CCBB-SP, com direção de Kleber Montanheiro.

Uma verdadeira enxurrada de montagens de obras teatrais de Chico Buarque estão nos palcos por conta dos 70 anos de vida do compositor. Na capital paulista ainda estão em cartaz Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, no Teatro Faap, e O Grande Circo Místico, que estreia nesta quinta (14), no Theatro NET São Paulo.

DSC 6353 Emilíano Queiroz João Falcão e Elba Ramalho ÓPERA DO MALANDRO Agosto 2014 Foto CRISTINA GRANATO  “Chico foi quem mais me influenciou”, diz João Falcão, diretor de Ópera do Malandro no Rio

O diretor João Falcão (ao centro), entre Emiliano Queiroz e Elba Ramalho, que foram ver sua versão para Ópera do Malandro, de Chico Buarque, no Rio - Foto: Cristina Granato

Ópera do Malandro
Quando: Quinta e sexta, 21h, sábado, 21h30, domingo, 20h. 150 min. Até 26/10/2014
Onde: Theatro NET Rio (r. Siqueira Campos, 143, 2º piso, Copacabana, Rio, tel. 0/xx/21 2147-8060)
Quanto: R$ 100 a R$ 150 (inteira)
Classificação etária: 14 anos

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Robin Williams 3 Morte de Robin Williams deixa nó na garganta

Morre Robin Williams: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é" - Foto: ArtStar/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A morte repentina e tão cedo do ator estadunidense Robin Williams, com apenas 63 anos, nesta segunda (11), deixa um buraco enorme em Hollywood. Ele foi achado morto, em casa, e a polícia suspeita de suicídio.

A perda é grande. Afinal, ele foi um dos mais talentosos e sensíveis atores do cinema recente. Fez uma carreira de escolhas felizes, encontrando em seu caminho personagens emblemáticos e nunca fúteis. Sempre com um discurso político ou social forte. Ele sempre tinha algo a dizer. E dizia. Mesmo em silêncio.

O homem que fazia tantos rir sofria de depressão. Mesmo nas comédias, tinha um ar grave, quase sisudo, dono de um olhar distante, desconcertante. Uma profundidade como poucos conseguem neste gênero. Ver Williams atuar era ver um pedaço de sua alma.

Filho de uma ex-modelo e de um alto executivo, era uma criança tímida em Chicago, que gostava de imitar a avó. Na adolescência, viu que poderia fazer graça para os outros e ganhar dinheiro com isso.

Tornou-se comediante de stand-up e entrou para a televisão. Daí, para o cinema, com tanto talento exposto, foi um pulo.

Nas telonas, sua memorável atuação em 1987 em Bom Dia, Vietnã lhe deu respeito junto ao público e à crítica. Em 1989, conquistou o público com Sociedade dos Poetas Mortos, que logo se tornou um clássico.

E a década de 1990 foi crucial. Emplacou um sucesso atrás do outro. Com uma carreira marcada por escolhas distintas e igualmente boas, foi o Gênio da animação Alladin, de 1992, e também encabeçou o elenco de A Gaiola das Loucas, de 1996, que abriu a discussão sobre o respeito à diversidade das famílias — isso bem antes de o casamento gay ser sancionado em muitos países. Ele já tinha se travestido em 1993 e feito todo mundo rir em Uma Babá Quase Perfeita.

Em 1997, ganhou Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação em Gênio Indomável. E não parou de nos dar atuações memoráveis, como em Path Adams (1998), em O Homem Bicentenário (1999) ou em Inteligência Artificial (2001).

Ao ver sua partida abrupta, nos damos conta de que talvez Williams não tenha conseguido lidar com tanta sensibilidade, com tanto talento. Ele nos deixa com a certeza de que poderia ter nos dado ainda muito mais. Por isso, essa tristeza gigante, o vazio cortante, o nó na garganta. Não há espaço para julgá-lo. Talvez, seja como cantou Caetano: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

Lembre a carreira de Robin Williams

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festival teatro cidade sp Vinte peças concorrem no Festival de Teatro Cidade de São Paulo

Festival de Teatro Cidade de São Paulo terá 20 peças até 7 de setembro - Fotos: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os paulistanos têm a chance de ver 20 peças na 5ª edição do Festival de Teatro Cidade de São Paulo.

O evento, produzido por Eduardo Martins, joga o holofote no trabalho de jovens grupos teatrais, servindo de plataforma de lançamento para vários artistas no cenário nacional.

Todos têm seu trabalho avaliado por um júri especializado e concorrem ao Troféu Arlequim.

As peças são encenadas a partir desta terça (12), no Teatro União Cultural (r. Mário Amaral, 209, metrô Brigadeiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 2148-2904), até o dia 7 de setembro, com entrada a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).

A mostra competitiva adulta vai de 12 de agosto a 4 de setembro, sempre terças, quartas e quintas, às 21h. Já a mostra competitiva infantil, será de 16 de agosto a 7 de setembro, sempre aos sábados e domingos, às 16h.

Integram a mostra adulta as peças O Homem, Seu Cachorro e Mais Um, do Grupo Provisório de Teatro em Pesquis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Grupo Artemis de Teatro, Escola de Mulheres, da Cia. Los Barones de Teatro, O Longo Caminho Que Vai de Zero a Ene, 4a Reticência, O Monstro de Jackson, da Cia. Teatral Um Peixe, Hamelete, do Grupo Caret, Amor Fragmentado em 70 Minutos, da Cia. Surya de Arte, S-Antas, da Amadododito Cia. Teatral, e Viúva, Porém Honesta, da Cia. Loucos do Tarô.

Já na programação infantil, participam Violeta, a Menina Leitora, do Grupo Obinha! de Teatro, Meia, sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé, da Cia. Batnuá de Atores, O Sorriso do Gato de Alice, do Grupo Trapo, Quem Comeu as Historinhas?, da Cia. Hum, Xaulim e as Estátuas, do Grupo Teatrorama, Chapeuzinho Vermelho e Os Defensores da Natureza, da Companhia Teatral Poaense, e Vovô Fugiu de Casa, da Cia. Dom Caixote.

Vale a pena conferir de perto. Conheça a programação completa.

 

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Teatro Solo Matias Umpierrez Oficina de Costura1 Diretor argentino faz teatro para um espectador

TeatroSOLO será apresentado em São Paulo em cinco lugares até setembro - Foto: Camilla Loreta

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Argentina e Brasil sempre mantiveram trocas teatrais intensas. Afinal, nossos hermanos do sul produzem um dos teatros mais potentes do mundo. Uma das mais exitosas criações contemporâneas portenhas que vem repercutindo em lugares como Espanha e Estados Unidos é o TeatroSOLO.

O projeto é do diretor teatral e cineasta argentino Matias Umpierrez, que coordena a área teatral do Centro Cultural Rojas, da Universidade de Buenos Aires. A estreia em São Paulo será nesta quinta (14), onde fica até 24 de setembro, em promoção da Oficina Cultural Oswald de Andrade, dirigida por Celso Curi.

No trabalho, Umpierrez faz sessões para apenas um espectador por vez. Ele pretende fazê-las em cinco lugares distintos da capital paulista: Pacto ocupa um escritório abandonado no bairro Bom Retiro; Promessa é encenada em uma oficina de costura do mesmo bairro; Amnésia acontece nos bastidores do Teatro Sérgio Cardoso; enquanto Retrato, na Pinacoteca do Estado de São Paulo; e, por fim, Exodus é encenada em um apartamento familiar no bairro Campos Elíseos.

Tal visão intimista vai ao encontro dos ritos de transmissão de histórias ancestrais, já que o artista quer “libertar o teatro de sua estrutura convencional”. Assim, tira o ator do palco e o coloca dentro de uma cena real, dando ao espectador poder dentro da performance.

matias umpierrez 04 Diretor argentino faz teatro para um espectador

O diretor argentino Matias Umpierrez - Foto: Divulgação

Teatro privado e subjetivo

Em conversa exclusiva com o R7, Matias Umpierrez revela que escolheu o elenco brasileiro em maio, em uma audição com 90 inscritos, dos quais apenas nove foram selecionados. Há três semanas trabalha intensamente com o grupo.

— A peça é repetida oito vezes por dia. Eleva a proposta do trabalho do ator de teatro, que tem capacidade de reproduzir as emoções em oito sessões seguidas. É uma experiência performática diária.

Umpierrez diz que seu teatro caminha na fronteira entre o teatro, as artes visuais e o cinema e que os lugares paulistanos escolhidos "dialogam com essa proposta".

— Faço um teatro privado e subjetivo. O que sucede aí é que está passando algo para o espectador. Outra pessoa que viva esta experiência, a viverá de forma distinta. Nesta época de globalização e redes sociais, quero tirar o público desta situação coletiva e possibilitar ao espectador uma experiência privada e subjetiva.

Os ingressos, disputadíssimos, podem ser reservados pelo site da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Depois, o espectador receberá por e-mail as orientações sobre como acompanhar sua performance.

O projeto ainda tem assistência de direção de Gabriela Caraffa, direção de arte de Camilla Loreta, e assistência de produção de Gustavo Valezi. Além de residentes de produção coordenados por Daniele Sampaio.

Teatro Solo Matias Umpierrez z Apartamento Diretor argentino faz teatro para um espectador

Cena que será feita em um apartamento paulistano do TeatroSOLO - Foto: Camilla Loreta

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debora rebecchi bob sousa 1 O Retrato do Bob: Debora Rebecchi, desafiadoraFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz Debora Rebecchi se prepara para fazer sua primeira novela, a próxima do horário das 19h da Globo, Alto Astral. Fará Liz, personagem filha dos atores Edson Celulari e Silvia Pfeifer. Cria do teatro paulistano, é formada pela EAD (Escola de Arte Dramática) da USP (Universidade de São Paulo). Nos cinemas, além de ter atuado em mais de dez curtas, fez também o longa-metragem Satyrianas, 78 Horas em 78 Minutos. Já foi dirigida por nomes poderosos da cena, como Celso Frateschi, Roberto Audio, Vladimir Capella e Bete Dorgam, entre outros. Na TV paga, em 2015, estará no elenco de uma série. Posou para nosso Bob Sousa cheia de atitude. Pelo jeito, a atriz não teme desafios.

Visite o site de Bob Sousa

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tigre Domingou: O tigre, o pai, o menino e o Chico

Fim trágico: menino brinca com tigre em zoológico de Cascavel (PR) enquanto o pai filma - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É triste que pouco antes deste Dia dos Pais, um pai e um filho tenham virado notícia em uma situação que terminou de forma trágica.

Realmente foi impactante ver a imagem do menino brincando com os felinos no zoológico, enquanto o pai filmava tudo em detalhes, como se fosse bonito infringir as regras e deixar o filho pular praticamente dentro da jaula só para fazer bonito na internet depois. O custo disso foi o braço do menino, como já sabemos.

Aqui não se pretende julgar o pai, nem o filho, muito menos o zoológico. Também não vamos colocar em debate o modelo educacional de permissividade com o qual muitos filhos são criados hoje em dia. Cada cabeça sua sentença.

O que gostaríamos de levantar é um debate sobre essa necessidade de muitos conseguir mais uma curtida nas redes sociais, fazendo o que for preciso para que a experiência do presente se torne algo potencialmente vendável aos outros.

Diante desta loucura dos tempos contemporâneos, a sanha aparecida parece não ter limites. A ponto de um pai colocar a vida do filho em risco sem dar-se conta. O instinto de proteção da cria é suplantado pelo exibicionismo fútil. Tudo é permitido. Tudo é possível. Desde que cause impacto ou seja engraçadinho. Mesmo que passe dos limites do sensato.

Será que não é mais possível viver simplesmente sem que o presente seja o tempo todo projetado para o futuro diante dos olhos dos outros? É preciso julgar tudo a todo instante? É preciso a reprodução instantânea? Deveríamos parar um pouco, deixar o frenesi esfriar e tentar entrar em contato conosco e com o que nos rodeia. Nem tudo precisa ser relatado freneticamente como em uma transmissão de um canal 24 horas de notícias.

Algumas coisas são para ser apenas vividas. Com verdade, intensidade e, claro, sabedoria.

*****

chico buarque Domingou: O tigre, o pai, o menino e o Chico

Chico não deu muita bola para seus 70 anos, mas o teatro comemora mesmo assim - Foto: Divulgação

Apesar dele não ter dado muita bola à data, os 70 anos de Chico Buarque, completados em 19 de junho, rendem comemoração potente nos palcos de São Paulo: quatro musicais celebram nosso grande compositor.

A Cia. da Revista apresenta no CCBB-SP a Ópera do Malandro. Teve estreia de arromba na última quinta (7). O mesmo grupo estreia em setembro Reconstrução, em sua nova sede no bairro de Santa Cecília.

Já no Teatro Faap, desde a última sexta (8) está em cartaz Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, dirigido pela tarimbada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, os Reis dos Musicais.

Já a partir da próxima quinta (14), em sessão para convidados, estreia com direção de João Fonseca O Grande Circo Místico no Theatro NET São Paulo, o novo espaço dentro do Shopping Vila Olímpia.

Viva Chico. E feliz Dia dos Pais.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de coisas simples. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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nao fornicaras Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Como nos velhos tempos: Satyros volta a ser ousado e debochado em Não Fornicarás - Foto: André Stéfano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma forma inimaginável de dublagem da delicada canção Codinome Beija-Flor, de Cazuza, surge diante dos olhos do público da peça Não Fornicarás, em performance do ator Ivam Cabral. A entrega é desmedida e digna de respeito.

Diante do impacto, o espectador costumeiro do grupo Os Satyros se satisfaz em reencontrar aquela velha conhecida ousadia que se mistura à própria história da trupe e que andava um pouco sumida ultimamente. Em Não Fornicarás, vemos o Satyros dos velhos tempos.

A montagem, dirigida por Rodolfo García Vázquez, faz parte do pacote comemorativo dos 25 anos da trupe da praça Roosevelt no projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias. Em pauta, as relações do homem com a tecnologia.

Em Não Fornicarás, o texto-provocação da colunista do R7 Rosana Hermann serve de base para explicitar como o homem não detém seus impulsos sexuais primitivos diante da máquina. Muito pelo contrário, a utiliza como forma de obter prazeres inconfessáveis.

A encenação de Vázquez abusa de recursos simples, porém eficientes, para criar o clima no qual o pecado mora ao lado. Ou, melhor, bem próximo, a um clique.

satyros Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Acima, Robson Catalunha brinca com a boneca inflável; abaixo, Julia Bobrow discute a perda da inocência e o abuso tecnológico - Foto: André Stéfano

Cheio de libido, o elenco está comprometido com o discurso da obra e leva o público o tempo todo à atmosfera proibida que a peça revela.

O horário da meia-noite, no qual o R7 viu a montagem, talvez fosse mais apropriado, já que ajudava a entrar no clima — agora, a peça está no horário carola de domingo, às 19h, mas nada que a prejudique.

O ator Robson Catalunha é uma espécie de mestre de cerimônias, papel em que sempre se sai muito bem. Conversa com a plateia e conduz as cenas. Aos atores Fabio Penna e Julia Bobrow cabem viver as situações dramáticas apresentadas, como a da garotinha púbere que se vê conectada com um pedófilo.

É impressionante ver a mesma Bobrow que encarna a lascívia na cena da abertura, usando apenas sua voz, logo depois virar o retrato da inocência prestes a ser desmantelada.

Pablo Benitez Tiscornia e Giovanna Romanelli, desnudos, são uma espécie de Adão e Eva dos novos tempos tecnológicos, expondo seus corpos sem pudor aos olhares devoradores por todos os lados.

Completa o elenco o casal Marcelo Thomaz e Nina Nóbile. Ambos intensos sob a segunda pele de zebra e responsáveis pela cena que fez a fama da peça antes mesmo de sua estreia: o tal do sexo explícito transmitido pela internet para todo o mundo em tempo real. Esta crítica prefere não se ater aqui a detalhes sensacionalistas, mas dizer a quem morre de curiosidade para saber o que realmente se passa: vá ver a peça.

No dia em que o R7 assistiu à montagem, completaram o elenco Ivam Cabral, com sua perfomance de impacto já mencionada, e Henrique Mello, aniversariante do dia que entrou em cena para ganhar os parabéns — que público e elenco cantaram de bom grado no meio do espetáculo (nada mais Satyros).

E são coisas simples assim, sem pompas ou medos, que fazem da peça um reencontro do grupo consigo mesmo. Em Não Fornicarás, o Satyros lida muito bem com um tema que lhe é velho conhecido: o sexo, ainda visto por muitos como tabu.

Em uma encenação pulsante, volta a dialogar com seu público primeiro, aquele que lotava todas as sessões da Trilogia Libertina do Marquês de Sade, formado por jovens de todas as idades perdidos pela praça Roosevelt. Gente que encontra no palco do Satyros um sentido para o absurdo da repressão e da hipocrisia que rodeia a vida contemporânea.

Em Não Fornicarás, o Satyros volta para os braços do underground. É debochado, atrevido, contestador. É, sobretudo, jovem. É Satyros. Nem que por apenas mais uma sessão cheia de verdade artística.

Não Fornicarás
Avaliação: Muito bom
Quando: Domingo, 19h. 50 min. Até 28/9/2014
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 18 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

nao fornicaras 2 Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Cena de Não Fornicarás: Satyros volta a tocar em tema que domina: sexo tabu - Foto: André Stéfano

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rene ramos Dois ou Um com Rene Ramos

Rene Ramos estreia espetáculo solo Ulisses e Odisseu no dia 16 de agosto no Top Teatro, em SP - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Rene Ramos é ator, diretor e dramaturgo e se prepara para a estreia de seu espetáculo solo Ulisses e Odisseu. Será no dia 16 de agosto, às 21h, no Top Teatro (r. Rui Barbosa, 201, Bela Vista), em São Paulo. Fará temporada por lá até 29 de setembro, sempre aos sábados, às 18h. A peça mistura o caos do trânsito paulistano com o clássico Odisseia. O artista aceitou o convite do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Palco ou rua?
A Rua é o palco maior.

São Paulo ou Grécia?
A Grécia que há em São Paulo. É só investigar e você encontra.

Ônibus ou metrô?
Ônibus. Sempre fujo do subterrâneo.

Carro ou bicicleta?
Bicicleta. Com ela você voa sem ameaçar ninguém de morte.

Parque ou praia?
Praia. Navegar é preciso.

Oriente Médio ou Crimeia?
Os dois. Já existem disputas demais por lá.

Renato Russo ou Cazuza?
Quero a fúria dos dois.

Zé Celso ou Antunes?
Sou bobo, não. Sempre ascendo uma vela para Dionísio (Zé Celso) e outra para Apolo (Antunes).

Satyros ou Tapa?
Se misturasse viraria um coquetel explosivo. E do bom!

Drama ou musical?
Música sempre. Drama, em doses homeopáticas.

Leia outras edições da coluna Dois ou Um

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coluna vinicius piedade Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Vinícius Piedade celebra dez anos de espetáculo no CCSP - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Multiartista
O ator Vinícius Piedade comemora os dez anos da peça Carta de um Pirata, que já fez 700 sessões Brasil afora. Entre 15 e 17 de agosto fará apresentações gratuitas no Centro Cultural São Paulo. Polivalente, Piedade assina texto, direção, dramaturgia, coreografia, iluminação e atuação solo da peça. Haja fôlego!

Agenda Cultural da Record News

Coitada da cultura
Depois de declarar que o foco do Vale Cultura seriam o teatro, os livros e a música, agora a ministra da Cultura, Marta Suplicy, diz que o dinheiro poderá ser gasto para pagamento de TV por assinatura no futuro.

Falha
É um martírio para um cadeirante entrar e se acomodar no novo Teatro J. Safra, na Barra Funda.

coluna gisele frade11 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Gisele Frade entrou para peça no Teatro Cemitério de Automóveis - Foto: Divulgação

Mergulho no underground
Gisele Frade, que integrou o elenco da primeira versão de Chiquititas, no SBT, e também marcou época em Malhação, na Globo, acaba de entrar para o elenco do espetáculo Cadafalso. Toda quarta, 21h, no Teatro Cemitério de Automóveis, em São Paulo. Está toda feliz.

Quem não tem colírio...
A marca de óculos Triton Eyewear, que patrocina Cadafalso, sorteia uma peça para o público a cada apresentação. O povo adora.

coluna bolivia Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Filhas de imigrantes bolivianos se vestem de roupas típicas no Memorial - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Festança andina
A comunidade boliviana de São Paulo, que já tem 300 mil imigrantes de nosso vizinho andino, faz festa no Memorial da América Latina neste sábado (9) e domingo (10) para celebrar a Independência da Bolívia. Com muito folclore e barraquinhas de comidas típicas. A entrada é dois quilos de alimento não perecível.

Por quê?
As crianças vivem querendo saber o motivo de tudo. A peça Por quê?, da Cia. Cênica, foca justamente nesta eterna dúvida dos pequeninos. Terá sessão grátis pelo Circuito SP de Cultura, no dia 17 de agosto, às 16h, com entrada gratuita. Vai, gente.

Belezura
O projeto Circuito SP de Cultura pretende integrar todas as regiões de São Paulo por meio das artes. Até o fim do ano, serão mais de 1.000 atrações. Que beleza!

gilda nomacce Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A atriz Gilda Nomacce: convite para apresentar festival cinematográfico - Foto: Divulgação

Mestre de cerimônia
A atriz Gilda Nomacce, que está arrebentando na peça Gostas D'água em Pedras Escaldantes, foi convidada para apresentar o Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, entre 20 e 31 de agosto. Poderosa. Saiba mais sobre o evento.

Escuridão
Depois que repercutiu na imprensa o fato de não haver feito o pagamento de artistas dentro do prazo acordado, a direção do FIT Rio Preto decidiu não mais convidar jornalistas para cobrir o tradicional festival teatral do interior paulista. O Sesc São Paulo não é mais parceiro do evento, agora capitaneado apenas pela Prefeitura de São José do Rio Preto. A 14ª edição acontece de 21 a 30 de agosto longe dos holofotes da imprensa nacional. Uma pena.

coluna Eliana Rocha Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Eliana Rocha: temporada musical no Teatro Guarany de Santos - Foto: Divulgação

De volta ao lar
A atriz Eliana Rocha, a Luz Divina da série Pé na Cova, de Miguel Falabella, faz os últimos ensaios do espetáculo musical Todo Sentimento. A montagem sobe ao tradicional palco do Teatro Guarany, em Santos, terra natal da atriz, nos dias 15 e 16 de agosto. O ingresso custa R$ 60, mas quem comprar antecipado até o dia 14 de agosto paga só R$ 30. Coisa boa.

Será?
“O paulistano é, antes de tudo, um egoísta”. A frase foi proferida nesta semana pela dramaturga Michelle Ferreira, da peça Sit Down Drama. Causou polêmica, é claro. Falando nisso, a obra encerra temporada no domingo (10), no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo.

Bilheteiro
Não se espante em ser atendido na bilheteria por um rapaz barbudinho no novo Theatro NET São Paulo, onde estreia o musical O Grande Circo Místico no próximo dia 14. Trata-se do dono do espaço, Frederico Reder. Esperto, sabe que é o olho do dono que engorda o gado.

coluna cleo de paris Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cléo De Páris: fora dos palcos, ela frequenta a cena cultural paulistana - Foto: Divulgação

Aprovado
Cléo De Páris, a musa maior da praça Roosevelt, aproveita que não está em cena com seu grupo Satyros para frequentar a cena cultural paulistana. Tem ido muito ao cinema e ao teatro. Outro dia, foi ver E Se Elas Fossem para Moscou, no Sesc Belenzinho. Saiu por aí dizendo que é “delicado, forte e ousado”.

Violência na Roosevelt
O crítico teatral Michel Fernandes foi assaltado, nesta semana, na praça Roosevelt. Como Michel é cadeirante, desconhecidos ofereceram para ajudá-lo a entrar em um táxi e ele acabou sendo furtado. Os larápios levaram o laptop e a carteira do jornalista. Um absurdo. Michel, sempre com pensamento positivo, preferiu superar o episódio deprimente e declarou: “Não perdi a vida nem quem gosto. Sou um cara de sorte”. A coluna é solidária ao colega.

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agenda cultural 8 8 2014 pq Veja as dicas da Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 08/08/2014

Agenda Cultural da Record News: as melhores dicas em todo o Brasil - Foto: Divulgação

Veja as melhores dicas para você se divertir com o editor de Cultura Miguel Arcanjo Prado. Tem Ivete em Florianópolis, Capital Inicial em Curitiba, Fábio Jr. no Rio, Festa da Independência da Bolívia em São Paulo, Festival de Gramado no Rio Grande do Sul, o filme mexicano Paraíso e entrevista com o ator Felipe Tavolaro, do elenco do espetáculo Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos no Teatro Faap. Com edição de Aline Rocha Soares e produção de Cinthia Lima. Veja o vídeo:

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