jim 3 Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

Eriberto Leão em Jim: ele não vive Jim Morrison, mas um fã - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de ANNELIZE TOZETTO/Clix

Jim Morrison, que morreu em uma banheira em 1971 sob suspeita de overdose de heroína aos 27 anos, foi um dos maiores nomes do rock mundial. Autêntico, criou com sua banda, The Doors, um estilo musical que seria fartamente copiado nos anos vindouros.

Ícone da geração jovem da década de 1960, ele mergulhou fundo nas drogas em busca do autoconhecimento, reforçado no discurso psicodélico que bebia na fonte da geração beat e em nomes como Rimbaud e Nietzche.

Quem vai à peça Jim — protagonizada por Eriberto Leão, rosto conhecido da TV — à espera de um show cover do The Doors não se decepciona de todo. Na sessão da obra no Festival de Teatro de Curitiba, boa parte da plateia estampava camisetas do grupo de rock californiano. Muitos pareciam ávidos por ver Jim Morrison ressurreto no palco.

Festival de Curitiba 2014 teve público de 230 mil pessoas

Na sessão da última quarta (2), no Teatro Guairão, Leão se esforçou para cantar os 11 hits do repertório, mesmo com uma evidente rouquidão. Pelos fartos aplausos ao fim, a peça agradou aos fãs da banda neste quesito. Destaque para o grupo de músicos no palco, os excelentes roqueiros Zé Luiz Zambianchi, no teclado, Felipe Brandão, na guitarra, e Rorato, na bateria. Certamente, os melhores em cena.

Contudo, quem foi à espera da parte "teatro" da obra, divulgada também como um drama, logo percebeu que não havia consistência para tanto. Primeiro, porque a peça não é biográfica e não aposta no que teria de melhor para contar: a vida de Jim Morrison. Vai por caminho oposto. Apenas usa o cantor de pretexto para contar a história de João Motta, um insosso fã do The Doors interpretado por Leão. Um homem descrente, cansado de fracassos e à beira de acabar com a própria vida. O enredo até poderia tornar-se algo interessante, mas, a dramaturgia de Walter Daguerre nada mais é do que um compilado de citações.

jim 4 Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

Eriberto Leão e Renata Guida: par no palco em meio à música do The Doors - Foto: Annelize Tozetto/Clix

A direção de Paulo de Moraes opta em um protagonista que diz frases em um mesmo tom monocórdico. O mesmo ocorre com Renata Guida, que surge no meio da peça como um  par etéreo do protagonista. A obra poderia ser um pouco mais interessante se os atores demonstrassem na atuação serem atravessados pelo que dizem. A sensação é de automatismo.

Por mais que os personagens possam estar mergulhados em uma viagem letárgica, é enfadonho para o público a falta de peso diferenciado para frases distintas.

jim 2 Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

Eriberto Leão canta 11 hits do The Doors - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Assim como acontece durante os números musicais, a luz de Maneco Quinderé também alivia a mesmice textual, já que dialoga com os momentos soturnos do personagem e propõe novas nuances.

Apesar dos percalços, é perceptível a entrega de Eriberto Leão ao projeto. Fã confesso de Jim Morrison, ele parece usar a obra como forma de catapultar um discurso estagnado em sua garganta.

Ao fim dos aplausos na sessão vista pelo R7, o ator deixou isso evidente ao fazer um discurso politizado, no qual bradou: "Ano de Copa é o caralho. É ano de eleições". Pelo jeito, o mergulho na obra do The Doors serviu para inquietar o artista.

É evidente que, sobretudo pelo forte apelo emocional, Jim agrada aos fãs do ídolo homenageado. Contudo, a dependência afetiva, que habita o inconsciente coletivo dos fãs, não permite que se manifeste um discernimento sobre a qualidade artística do espetáculo em sua totalidade.

Tal fenômeno também está presente nas plateias de musicais biográficos recentes de ídolos brasileiros.

Mas, fato é, que, como espetáculo teatral, Jim, assim como alguns outros, ainda tem largo caminho a percorrer.

jim 1 Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

Eriberto Leão, em Jim: fãs curtem show-homenagem; mas falta teatro - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Jim
Avaliação: Regular
Avalicacao Regular R7 Teatro PQ Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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curitiba 11 otempoefluidoaqui jorge mariano Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Jovens atores ocuparam o palco na peça O Tempo É Fluido Aqui - Foto: Jorge Mariano/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*

O Fringe é a mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba, que chega ao fim neste domingo (6), após 13 dias de festa teatral na capital paranaense e público total de 230 mil pessoas no maior evento das artes cênicas do Brasil. Destacar-se em meio a mais de 400 peças é tarefa difícil. O Atores & Bastidores do R7 reuniu algumas imagens de montagens que marcaram o evento com sua proposta de diversidade, como a obra curitibana O Tempo É Fluido Aqui (foto acima), dirigida e escrita por Alexandre Bonin, que reuniu jovem elenco para discutir as escolhas de cada um.

Veja, abaixo, outras peças que deram seu recado no Fringe:

curitiba 1 jorge mariano whiskyehamburguer Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Patricia Vilela e Mario Bortolotto em Whisky e Hamburguer - Foto: Jorge Mariano/Clix

Dramaturgo reconhecido, Mario Bortolotto estreou no Festival de Teatro de Curitiba seu novo drama, Whisky e Hamburguer, no qual contracenou com Patricia Vilela. A obra conta a história de um homem abandonado pela mulher, que mergulha na depressão até receber a visita de uma amiga.

curitiba 2 resta um jorge mariano Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Resta 1 foi a a posta da Cia. Antropofocus no Festival de Curitiba 2014 - Foto: Jorge Mariano/Clix

E no Fringe não faltou espaço para comédia. A peça Resta 1, da Antropofocus, de Curitiba, reuniu um verdadeiro time de improvisadores no palco. Com direção de Andrei Moscheto, a obra divertiu o público do Teatro Regina Vogue.

curitiba 3 sobreatosepalavras annelize tozetto1 Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Mineiros se inspiraram em Goethe para criar Sobre Atos e Palavras - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Vindos de Belo Horizonte, os artistas da Cia. Exposta de Teatro apresentaram a peça Sobre Atos e Palavras. Em cena, um embate entre um escritor e um advogado inspirado no livro Fausto, de Goethe. Com direção de Mariana Bizzotto, a obra foi encenada por Bia Rodrigues, Thiago Di Nazaré e Marco Fugga.

curitiba 4 nordeste pra frente lina sumizono Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

A turma do grupo Bando do Padim Vô, de Camaçari (BA), mostrou a força nordestina no palco - Foto: Lina Sumizono/Clix

O Fringe também guardou lugar para as tradições nordestinas. O espetáculo Nordeste pra Frente, do Bando do Padim Vô, de Camaçari, na Bahia, levou o ritmo de sua terra para o palco do Solar do Barão. O público vibrou com o musical composto de cordéis dos nove Estados da região mais alegre do País. A direção é de Enoque Norberto.

curitiba 5 e toda vez que ela passa susan sampaio Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

João Butoh dirigiu atores da melhor idade em E Toda Vez que Ela Passa Vai Levando Qualquer coisa Minha - Foto: Susan Sampaio/Clix

E houve espaço também para atores da melhor idade. A peça E Toda Vez que Ela Passa Vai Levando Qualquer Coisa Minha, dirigida por João Butoh com artistas da cidade paulista de São Simão, comoveu os curitibanos com seus fantasmas andando pelo centro histórico.

curitiba 6 o testamento do cangaceiro lina sumizono Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Vindo de Catanduva (SP), espetáculo O Testamento do Cangaceiro agradou quem assistiu à obra no centro curitibano - Foto: Lina Sumizono/Clix

A força do cangaço brasileiro invadiu as ruas do centro curitibano com a peça O Testamento do Cangaceiro, da Cia. Dell'arte, de Catanduva, no interior de São Paulo. Contaram a história de Cearin, um moço nordestino que tenta a sorte na cidade grande. O povo aplaudiu.

curitiba 7 oqueequeobaianotem daniel isolani Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Força e charme do povo da Bahia povoaram a peça O Que É Que Esse Baiano Tem?, do grupo Teatral Aslucianas, do Rio - Foto: Daniel Isolani/Clix

Quem viu a apresentação da peça O Que É Que Esse Baiano Tem? poderia imaginar que o grupo era de Salvador. Grande engano, a montagem é carioquíssima. Na verdade, é uma homenagem à Bahia feita pelo Grupo Teatral Aslucianas, do Rio, embalada pelas canções de Dorival Caymmi, que completaria 100 anos em 2014. Belo presente.

curitiba 8 para poe humberto araujo Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Thiago Inácio em cena de Para Poe, da Cia. Transitória, de Curitiba - Foto: Humberto Araújo/Clix

A turma da Cia. Transitória manteve sua presença forte na mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos, no TUC (Teatro Universitário de Curitiba), dentro do Fringe. Uma das obras apresentadas foi Para Poe, com um ser exótico com dramas existenciais vindos direto da década de 1980. Surreal.

curitiba 9 inquilibrio ester gehlen Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Adriano Brandão, de Cascavel, interior do Paraná dá o grito que o transforma no palhaço Tupisco Papipaquígrafo - Foto: Ester Gehlen/Clix

O palhaço também foi para a rua durante o Festival de Teatro de Curitiba. Neste caso, vindo diretamente de Cascavel, no interior do Paraná. Seu nome? Tupisco Papipaquígrafo, criação do artista Adriano Brandão, que conclamou o público a usar a imaginação em Inquilíbrio. Coisa boa.

curitiba 10 mercedez com z jorge mariano Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Comédia do Distrito Federal foi representada com Mercedes com Z - Foto: Jorge Mariano/Clix

Os brasilienses não poderiam ficar de fora do Fringe. A trupe Os Melhores do Mundo levou sua peça Mercedes com Z, dirigida por Adriana Nunes. Com um cenário digno de Almodóvar, contou as mazelas de uma simples dona de casa. Com direito a muito riso e também emoção.

curitiba 12 ohomemqueacreditava susan sampaio Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Vindo de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, monólogo O Homem que Acreditava homenageou o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu - Foto: Susan Sampaio/Clix

E houve direito também a homenagem literária no Festival de Teatro de Curitiba, 2014. O monólogo O Homem que Acreditava lembrou a obra de Caio Fernando Abreu no Fringe, no Teatro Mini-Guaíra. Marcio Meneghell, do Núcleo Rindo à Toa, subiu ao palco dirigido por Edson Bueno. Comoveu a plateia.

curitiba 13 oolhardeneuza lina sumizono Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Fabiana Ferreira assumiu o palco com o monólogo O Olhar de Neuza - Foto: Lina Sumizono/Clix

E entre os monólogos do Fringe esteve O Olhar de Neuza, sobre as agruras de uma mulher na menopausa. A peça da Cia do Abração, de Curitiba, integrou a Mostra Internacional de Solos do evento.Fabiana Ferreira assumiu a personagem-título, sob direção de Letícia Guimarães. Mostrou que é preciso se redescobrir.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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protesto eduardo enomoto2 Protestos viram comédia musical Geração dos 20 Centavos no Festival de Teatro de Curitiba

Protesto em junho de 2013 no largo da Batata, em SP - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Foto EDUARDO ENOMOTO

Os protestos que movimentam o Brasil desde junho de 2013 já chegaram ao palco. E no Festival de Teatro de Curitiba ganharam um representante no Fringe, a mostra paralela do maior evento teatral do País. Trata-se da peça Geração 20 Centavos, do Apolo Grupo de Teatro, de Mauá, na Grande São Paulo.

A peça, que estreia nesta sexta no auditório dos Correios, na capital paranaense, conta a história de Jojo Metralha, um cantor alienado que se vê, de uma hora para a outra, sob a acusação de ser um líder revolucionário.

O produtor do grupo, Felipe Rodrigues, conta que os artistas foram às marchas.

Festival de Curitiba 2014 teve público de 230 mil pessoas

– Estivemos presentes no movimento contra o aumento dos transportes públicos. Nossa peça é uma crítica às pessoas que não fazem nada e só ficam em casa, atrás do computador, falando mal dos outros.

A obra é uma comédia musical, com músicas e direção de Caio Evangelista. Estreia no dia 11 de abril no Teatro Municipal de Mauá. Já no dia 24 de abril inicia temporada no Teatro do Ator, na praça Roosevelt, no centro de São Paulo.

Rodrigues diz que o grupo “não é de direita nem de esquerda”. Muito pelo contrário.

– Estamos negando este sistema político. Mas não vamos levantar bandeiras de partidos.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9566 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Interpretadas por elenco masculino, professoras conquistam Festival de Curitiba - Foto: Lina Sumizono/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de LINA SUMIZONO/Clix

Se num passado distante algumas escolas públicas brasileiras chegaram a ser exemplos de ensino de qualidade, hoje o ensino público virou sinônimo de completo descaso e caos. Uma verdadeira balbúrdia na qual professores mal remunerados precisam enfrentar, sozinhos e desamparados pelas autoridades, o nível abissal da educação de um País que, ironicamente, teve um Paulo Freire.

A Cia. dos Atores, do Rio de Janeiro, expõe esta dura realidade de forma inventiva, mas também ferina, na peça Conselho de Classe, apresentada no Sesc da Esquina, dentro da programação da mostra oficial do 23º Festival de Teatro de Curitiba. A obra é exemplo do melhor teatro possível. Aquele que revela e questiona sua sociedade.

Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9568 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Perfis diferentes de professoras duelam entre si na peça - Foto: Lina Sumizono/Clix

Com humor refinado e discurso perspicaz, a dramaturgia de Jô Bilac consegue agarrar a plateia para dentro da história. A identificação com aquele cenário de escola pública no palco é imediata, sobretudo para quem estudou a vida inteira em instituições de ensino municipais, estaduais ou federais - como é o caso deste vosso crítico teatral.

As diretoras Bel Garcia e Susana Ribeiro imprimem ritmo intenso e inteligente à encenação e conseguem levar o público para a convenção proposta. Esta mostra um grupo de professoras, todas interpretadas por atores homens, em um conselho de classe de fim de ano improvisado - já que a maioria sequer apareceu e preferiu ir à praia, culpa do verão infernal carioca, que também serve de metáfora para a panela de pressão prestes a explodir que é a própria escola.

As educadoras precisam resolver uma crise política na qual a instituição está mergulhada, após uma revolta dos alunos insuflada por uma das docentes. Um diretor provisório (um intenso Paulo Verlings), enviado pela Secretaria de Educação, precisa acalmar os ânimos naquela quadra que mais parece um campo onde a guerra fria de tempos atrás se tornou peleja real, com quase mortos e feridos.

Em sintonia, Cesar Augusto, Leonardo Netto, Marcelo Olinto e Thierry Trémouroux dão vida às professoras. Cada qual faz uma construção minuciosa de sua personagem. Todas facilmente parte da realidade de qualquer escola pública brasileira.

Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9545 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Conselho de Classe presta serviço ao País ao lançar uma discussão social importante - Foto: Lina Sumizono/Clix

Está lá a professora que as décadas de magistério tiraram da sala de aula e a colocaram na biblioteca, mas que resiste bravamente em ser descartada. Também está presente aquela mais preocupada em vender seus cosméticos e bugigangas às colegas do que com o ensino. Ainda há lugar para a cética professora de educação física com leves pitadas de tirania, defensora da ordem acima de tudo e sabedora das artimanhas legais para defender sua mediocridade. E, claro, existe, acuada, a professora de artes idealista que acaba por perceber que a realidade é bem mais complexa do que lhe ensinou a cartilha da universidade.

Em Conselho de Classe, a Cia. dos Atores presta um serviço importante ao País ao levar para o holofote do palco do maior festival teatral brasileiro uma discussão que poucos gostam de fazer, sobretudo os governantes: o abismo no qual está mergulhada a educação pública brasileira, sobretudo as de níveis fundamental e médio.

Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9564 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Cena de Conselho de Classe: calor infernal do Rio serve de metáfora - Foto: Lina Sumizono/Clix

Ao ver a peça, que consegue a proeza de ser leve e bem-humorada ao mesmo tempo em que é inteligentíssima em sua confrontação, o público ri de nervoso, porque está também tão descrente quanto aquelas professoras no palco.

E o que esperar de um País onde todos - população e governantes - já deram como vencida a guerra por uma educação de qualidade no ensino público. É a pergunta que fica no ar, com sabor amargo.

O que o grupo de artistas da Cia. dos Atores faz é dar um grito artístico que esfrega na cara da sociedade o mal que a resignação faz. Com mediocridade e olho para o próprio umbigo, nenhuma mudança se faz.

Conselho de Classe deveria ser vista por todos os educadores e gestores de educação do País e, mais ainda, pelos políticos corruptos que costumam roubar até a verba da merenda escolar, empurrando a nossa educação ainda mais para o fosso que parece sem fundo.

Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9575 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Trabalho potente da Cia. dos Atores, do Rio, Conselho de Classe mostra o buraco sem fundo no qual nossa educação pública está mergulhada - Foto: Lina Sumizono/Clix

Conselho de Classe
Avaliação: Muito bom
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

 

 

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.


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laerte kessimos cirurgia Ator toma soco e quebra maxilar em São Paulo

Laerte Késsimos, no hospital, antes de fazer a cirurgia no maxilar - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Laerte Késsimos deve passar por uma cirurgia nas próximas horas, no Hospital Igesp, na Bela Vista, em São Paulo, onde está internado por conta de uma lesão no maxilar que sofreu durante uma confusão na rua Augusta, região central de São Paulo.

Mineiro radicado em São Paulo, Késsimos já realizou peças em importantes grupos da cena teatral paulistana, como Os Satyros e Núcleo Experimental. Sua obra mais recente foi Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, dirigida por Eric Lenate.

Segundo o próprio ator publicou em uma rede social, "rolou uma situação de assalto quando chegava em casa".

Festival de Curitiba 2014 teve público de 230 mil pessoas

De acordo com o relato do artista, "uma travesti roubou o celular" do bolso do ator, que reagiu. Ao ver os dois discutindo, um homem que passava na rua pensou que seria Késsimos quem estaria tentando agredir a travesti e lhe desferiu um "murro na cara".

"Ele acertou em cheio e quebrou meu maxilar. O celular foi recuperado", escreveu o ator revelado na peça Transex, do grupo Os Satyros, em 2004.

A notícia logo reverberou na classe artística. A atriz Lulu Pavarin se manifestou.

— Tomara tenha alguma câmera possa depois identificar quem são essas pessoas horríveis. Desejo que se recupere o mais rápido possível.

O Atores & Bastidores do R7 conseguiu falar com Késsimos neste domingo (6). Ele afirmou que, na confusão, o homem que lhe golpeou fugiu. E que não chegou a chamar a polícia.

Ele está no hospital acompanhado de familiares e amigos. Apesar do maxilar quebrado, Késsimos consegue falar pausadamente. Ele agradeceu a preocupação de todos.

laerte kessimos 3 ator foto eduardo enomoto r71 Ator toma soco e quebra maxilar em São Paulo

Laerte Késsimos é ator e já trabalhou em peças dos Satyros e do Núcleo Experimental - Foto: Eduardo Enomoto

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ERN 4972 Gianecchini dá piti no Festival de Curitiba; já Maria Fernanda Cândido é um amor no evento

Gianecchini em Curitiba: cara de poucos amigos durante o Festival - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de ERNESTO VASCONCELOS/Clix

O ator Reynaldo Gianecchini estava com toda pressa do mundo na hora de divulgar sua peça, A Toca do Coelho, que encerra o Festival de Teatro de Curitiba neste domingo (6) no Teatro Guairão.

Ao contrário de suas colegas de elenco, Maria Fernanda Cândido e Simone Zucatto, que foram simpáticas com todos, o galã estava com cara de poucos amigos.

Reclamando o tempo todo, ele dizia que estava com fome e que queria almoçar.

A coletiva de sua peça foi às 14h deste sábado (5). Teve gente que comentou que, já que estava com tanta fome, Giane deveria ter comido um pão de queijo ou uma coxinha, para conseguir realizar seu trabalho com profissionalismo. Afinal, muitos jornalistas também não haviam almoçado ainda, e aguardaram para entrevistar o ator.

Festival de Curitiba 2014 teve público de 230 mil pessoas

Não custa nada lembrar que divulgar a peça junto à imprensa é obrigação de todo artista.

Selma Egrei, a veterana atriz que integra o elenco da peça de Giane, percebeu o clima azedo e ficou quieta na coletiva.

Maria Fernanda Cândido, por exemplo, foi educada com todos que se aproximaram dela e pediram fotos ou entrevista.

Na hora de ir embora, fez questão de agradecer aos jornalistas presentes e  à equipe do Festival.

Já Gianecchini foi embora sem se despedir e foi correndo para o restaurante do evento.

Todos comentaram a má educação.

ERN 5011 Gianecchini dá piti no Festival de Curitiba; já Maria Fernanda Cândido é um amor no evento

Maria Fernanda Cândido e Gianecchini observam Simone Zucatto falar de A Toca do Coelho: as mulheres da obra foram um amor, já Giane só reclamava - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix


*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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jose wilker globo José Wilker é homenageado no Festival de Curitiba

Homenagem no Festival de Teatro de Curitiba, o maior do Brasil, ao ator José Wilker (1941-2014): um ator com conteúdo teatral que virou galã da TV

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*

O ator José Wilker, que morreu de infarto aos 66 anos neste sábado (5), será homenageado no Festival de Teatro de Curitiba.

Artistas de peças do Festival pretendem pedir um minuto de silêncio e também um forte aplauso a Wilker nas últimas apresentações do Festival, que termina neste domingo (6), com público de 230 mil pessoas em 13 dias de festa do teatro na capital paranaense. Afinal, Wilker começou nos palcos, onde foi ator engajado e depois virou galã da televisão.

Os atores Reynaldo Ginaecchini, Simone Zucatto e Maria Fernanda Cândido, que apresentam a peça A Toca do Coelho no Teatro Guairão às 21h deste sábado, pretendem homenagear o colega. Pouco antes de ir para o teatro, Giane afirmou ao R7 que gostava muito de Wilker.

- Fiquei surpreso quando soube da morte dele. É uma grande tristeza. O José Wilker era um artista admirável, tanto no seu trabalho como ator quanto à sua trajetória de vida.

Maria Fernanda Cândido também lamentou a perda do ator e diretor, que esteve também com peças em Curitiba em 2009 e em 2012.

- Estive junto com ele várias vezes, e o José Wilker sempre foi muito querido comigo. A sua morte foi algo inesperado, que pegou todo mundo de surpresa. O Brasil perde um grande artista, um grande homem que fazia diferença na cena cultural brasileira. Ele deixou uma linda história não só na TV como também no teatro e no cinema.

Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba, disse que “Wilker era amigo do Festival”. E lembrou de sua participação no evento em 2012, dirigindo Palácio do Fim, e como ator em 2009, com uma peça dirigida por Jô Soares.

– Quando ele fez a peça A Cabra ou Quem É Sylvia, o cenário atrasou e só conseguimos montá-lo 30 minutos antes de a sessão começar. E ele foi de um profissionalismo incrível. Além disso, no começo da carreira dele, ele fez uma peça com a minha mãe [a atriz Ester Troib Knopfholz]. Que pena. É uma grande perda para o Brasil.

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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ERN 3551 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Ator brinca com espectador no Risorama, o espetáculo mais visto, com público de 12 mil pessoas no Festival de Teatro de Curitiba 2014 - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de ERNESTO VASCONCELOS/Clix

O Festival de Teatro de Curitiba, que termina nesta domingo (6), conseguiu levar 230 mil pessoas ao teatro em 13 dias. O número, que faz dele o maior do País, foi divulgado pelo diretor do evento, Leandro Knopfholz, em conversa com o Atores & Bastidores do R7. Segundo ele, foram 160 mil ingressos vendidos. Dos quase 500 espetáculos na programação, 71 tiveram entradas gratuitas.

Knopfholz conta que a 23ª edição manteve o foco em “ser um panorama do teatro brasileiro” e também do mundial, já que teve cinco espetáculos estrangeiros – número que ele pretende manter ou ampliar em 2015, sem prejudicar o teatro brasileiro.

ERN 4853 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Leandro Knopfholz: "Festival de Curitiba é panorama nacional e mundial" - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

– Quando voltei a dirigir o Festival, em 2008, eram 18 peças na Mostra Oficial. Hoje, não consigo fazer com menos do que 30.

No caso de peças internacionais, a negociação demanda mais tempo e ainda é preciso pensar questões logísticas, como contratos de trabalho internacional e produção local de cenário em muitas das ocasiões.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

Mais de 1.000 sessões

No Fringe, a mostra paralela para a qual “vem quem quer” segundo o diretor, contou com novidades, como a Mostra ES em Cena, com artistas capixadas. Em contraposição, a mostra com artistas de Minas Gerais deixou de existir. “Eles conseguiram patrocínio de última hora, quando a programação já estava fechada”, diz Knopfholz.

De acordo com o diretor, foram apenas 5% de peças canceladas no Fringe, em um universo de mais de 400 espetáculos. “Tivemos mais de 1.000 sessões”, diz.

Acidente com ator na abertura

Leandro Knopfholz também comentou, a pedido do R7, o acidente que marcou a abertura do evento, no dia 25 de março. Uma pesada peça de gesso se desprendeu do teto e atingiu a cabeça do ator gaúcho Fagner Zadra, que segue internado em um hospital curitibano.

fagner zada 200x300 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

O ator gaúcho Fagner Zadra permanece internado: "Ele terá recuperação total", diz diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz - Foto: Divulgação

O jovem de 30 anos, que integra o grupo de humor Tesão Piá, sofreu fratura na cervical e, aos poucos, recupera a movimentação.

O diretor do Festival de Curitiba define o ocorrido como “uma infelicidade enorme”.

– Quando soube da gravidade da situação, procurei um amigo cirurgião que é referência nesta área, de quem sou padrinho de casamento, que se dispôs na hora a cuidar do Fagner. Foi tudo muito rápido. Ele foi operado, já saiu da UTI e o prognóstico é que ele vai ter recuperação total. A gente espera que em três meses ele já esteja bem melhor. Vamos dar todo apoio a ele até que ele esteja correndo de novo.

O Festival de Curitiba divulgou nota na qual afirma que “até o momento não tem como apontar com precisão que fatores desencadearam o ocorrido” e que “iniciou uma perícia na peça decorativa para identificar as causas do acidente”.

Knopfholz conta que o dia após o acidente “foi o mais difícil para todos do Festival de Curitiba”.

– Aos poucos, fomos levantando a cabeça, porque tínhamos de cumprir o compromisso firmado com o público, os artistas e a imprensa de realizar o Festival. Tenho de agradecer à ótima equipe que tenho, todos superprofissionais e proativos.

Ausência de Gerald Thomas

gerald thomas foto © Nil Caniné 5243 200x300 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Gerald Thomas não apareceu: "Ninguém tem porta fechada", diz diretor do Festival de Curitiba - Foto: Nil Caniné

Sobre o cancelamento da peça Entredentes do diretor Gerald Thomas, após esta ter sido confirmada e divulgada na programação, Leandro Knopfholz dá uma declaração franca.

– É um saco [a desistência de última hora de Thomas]. Já estavam contratados e com o dinheiro depositado. Aí vem e-mail falando que não vão conseguir estrear. Fazer o quê?

A reportagem perguntou se, por conta do ocorrido, Thomas ficará com as portas fechadas no maior festival teatral do Brasil. Eis a resposta de Knopfholz.

– Não. Ninguém tem porta fechada por aqui.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

Risorama ou Clube do Bolinha?

O Risorama, a mostra de stand-up que teve a 11ª edição neste ano, teve público de 12 mil pessoas. É o evento mais visto do Festival de Curitiba.

bibi nanypeople Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Nany People: após dez anos, ela fez falta no Risorama - Foto: Divulgação

Neste ano, após dez anos apresentando o evento idealizado pelo humorista curitibano Diogo Portugal, a atriz Nany People deixou a festa por não chegar a um acordo de contrato com o Festival. Foi de pronto substituída por Marcio Ballas.

Composto majoritariamente por homens, a reportagem quis saber se o Risorama não se tornou uma espécie de Clube do Bolinha. O diretor do Festival de Curitiba disse que “não tinha pensado nisso” e afirmou que “pode até ser...”. Mas revelou que, apesar de os homens dominarem o palco, a maioria do público do Risorama é feminina.

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Cena da peça Hamlet na Máfia, do Fringe: espaço para todos - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Oficinas e bar do Festival

Questionado sobre mais espaço para oficinas e debates com artistas de renome que participam do evento, Knopfholz afirma que “este não é o principal objetivo do Festival”, mas diz que “adoraria receber uma proposta de alguma instituição de ensino neste sentido”.

Sobre existir um espaço de encontro informal para os artistas, público e a imprensa no Festival, Knopfholz afirmou que a Prefeitura de Curitiba proibiu venda de bebidas alcoólicas nos espaços públicos. Assim, o Bar do Festival que ficava no Memorial de Curitiba precisou ser desativado.

O diretor disse que também sente falta de um espaço assim, mas não sabe se ele vingaria. “Sobretudo à noite, as pessoas se dispersam muito”, avalia. Mas, promete estudar a ideia.

– O que a gente faz no Festival de Teatro de Curitiba é aproximar possibilidades.

ERN 4857 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Curitiba: "Possibilidades" - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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jose wilker anos 70 José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker, no começo da carreira: ele teve um início politizado - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba* 

O Brasil descobriu, assustado, na manhã deste sábado (5), a partida abrupta do ator José Wilker. Ele foi vítima de um infarto fulminante na casa da namorada, Claudia Montenegro, em Ipanema, no Rio. Tinha apenas 66 anos.

Na última vez que vi José Wilker, ele estava sorridente, no saguão do Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, em São Paulo. Moderno como sempre, tinha tênis All Star vermelhos nos pés. Estava satisfeito com a estreia de sua peça Palácio do Fim, com Vera Holtz em grande desempenho no palco.

Wilker sorria e abraçava a todos, que celebravam com ele aquela peça que falava do absurdo da guerra. Dizia obrigado com sua voz grave inconfundível.

jose wilker celso akin agnews José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

Sempre jovem, de All Star vermelho nos pés: José Wilker, em 2012, no saguão do Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo: felicidade em dirigir teatro na peça Palácio do Fim - Foto: Celso Akin/AgNews

O crítico teatral carioca Macksen Luiz afirma ao R7 que Wilker fez nesta obra “uma direção impecável”.

– Em Palácio do Fim ele mostrou novamente a solidez que tinha como artista, como homem de teatro. O Wilker começou nos palcos, só lamento que ele tenha feito mais TV ao longo da carreira e não explorado tanto essa grandeza que ele tinha no teatro.

No Festival de Teatro de Curitiba, que termina neste domingo (6), a morte do ator foi recebida com assombro.

Leandro Knopfholz, diretor do evento que foi interrompido com a informação da morte durante a entrevista coletiva de balanço final, afirmou que “Wilker era amigo do Festival”. E lembrou de sua participação no evento em 2009, com uma peça dirigida por Jô Soares.

– Quando ele fez a peça A Cabra ou Quem É Sylvia, o cenário atrasou e só conseguimos montá-lo 30 minutos antes de a sessão começar. E ele foi de um profissionalismo incrível. Além disso, no começo da carreira dele, ele fez uma peça com a minha mãe [a atriz Ester Troib Knopfholz]. Que pena. É uma grande perda para o Brasil.

jose wilker funarte José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker (de óculos), com Fauzi Arap, Glauce Rocha, Clarice Lispector e Dirce Migliaccio conversam sobre adaptação da peça Perto do Coração Selvagem, em 1965 - Foto: Carlos/Cedoc/Acervo Funarte

 

Trajetória politizada

Cearense de Juazeiro do Norte, José Wilker fez parte do Movimento de Cultura Popular em Recife na década de 1960, com espetáculos experimentais e politizados junto ao Partido Comunista, com o objetivo de “conscientizar a classe operária”. Com o golpe militar, em 1964, transferiu-se para o Rio, onde logo fez parcerias com nomes como Marília Pêra e Dulcina de Moraes. No Grupo Opinião, dirigido por João das Neves, marcou época na peça Antígona, em 1968. Em 1969, é premiado com o Molière de melhor ator por seu desempenho em O Arquiteto e o Imperador da Assíria.

Na década de 1970 fez espetáculos considerados de vanguarda, como Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, ícone dos palcos e da juventude daquela época.

Em meados da década de 1970, é descoberto pela televisão, na qual logo se torna um galã reconhecido e admirado no mundo todo. Fez importantes papeis no cinema: em 1976, fez Vadinho em Dona Flor e Seus Dois Maridos, filme de Bruno Barreto, adaptado do romance de Jorge Amado, que foi recordista de bilheteria. Fez o famoso triângulo amoroso com Sônia Braga e Mauro Mendonça. Em 1979, atuou em outro clássico Bye, Bye, Brasil, de Cacá Diegues.

Na década de 1980, se reaproximou dos palcos, assumindo a direção da Escola de Teatro Martins Pena, ao lado de Aderbal Freire-Filho e Alcione Araújo. Em 1985 volta a encenar uma peça, Assim É (Se lhe Parece), dirigido por Paulo Betti. Mais uma vez ganhou o Molière.

Emenda várias peças e faz sucesso em 1994 com Querida Mamãe, de Maria Adelaide Amaral. Na mesma década produz e protagoniza o filme Guerra de Canudos, dirigido por Sérgio Rezende, um dos marcos da retomada.

Galã

Na televisão, logo o ator engajado virou galã. Desde a primeira novela, Bandeira 2, em 1972, fez papeis memoráveis, como o presidente Juscelino Kubitschek na minissérie JK (1996) ou o empresário Fábio na minissérie Anos Rebeldes (1992). Foi ainda Mundinho Falcão na primeira versão de Gabriela (1975) e Roque na novela Roque Santeiro (1985), quando contracenou com Regina Duarte e Lima Duarte.

Um de seus papeis mais populares na TV foi o bicheiro Giovanni Improtta, na novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, em 2004.  O personagem fez tanto sucesso que virou filme. Seu último papel foi Herbert, na novela Amor à Vida, que terminou neste ano.

José Wilker deixa duas filhas: Isabel e Mariana.

jose wilker globo José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker (1941-2014): um ator com conteúdo que virou galã da TV

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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simone zucatto daniel sorrentino Parceira de Gianecchini, Simone Zucatto comemora Festival de Curitiba e diz: Adoro sotaque daqui

Simone Zucatto diz que adora o sotaque e a comida curitibanos - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Foto DANIEL SORRENTINO/Clix

Simone Zucatto participa pela primeira vez do Festival de Teatro de Curitiba.

Ela é companheira de Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido na peça A Toca do Coelho, que integra a programação da Mostra Oficial do evento neste fim de semana com ingressos esgotados, segundo a atriz, que também é produtora do projeto.

Simone conta ao R7 que adora Curitiba, sobretudo de comer o barreado, a típica comida paranaense. E comemora a boa trajetória da peça, desde a estreia em São Paulo, no ano passado.

– Depois do festival, continuamos a temporada da peça no Rio até junho. Depois, viajaremos por dez capitais. E, em dezembro, estaremos em Portugal.

Festival de Curitiba 2014 teve público de 230 mil pessoas

Quando não está no teatro, ela passeia pelo centro histórico curitibano, onde sente o típico friozinho da cidade.

– Eu adoro o sotaque dos curitibanos. É só ficar aqui um pouquinho que eu já pego.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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