the old woman 8 lucie jansch Veja fotos de The Old Woman   A Velha, peça Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willen Dafoe

Milhail Baryshnikov e Willen Dafoe estão na peça que Bob Wilson apresenta em São Paulo - Foto: Lucie Jansch

Por MIGUEL ARCANJO PRADO A peça mais aguardada do mês no Brasil é The Old Woman - A Velha, do diretor norte-americano Robert Wilson, ou apenas Bob Wilson. No elenco, dois grandes nomes: o bailarino russo Mikhail Baryshnikov e o ator norte-americano Willen Dafoe. A criação do diretor e de seus atores se baseia no sombrio romance russo homônimo, escrito por Daniil Kharms em 1939. No enredo, um escritor em crise é atormentado pela imagem de uma velha mulher. A montagem estreou em 2013 na Inglaterra. E sua estreia no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, acontece no dia 24, mas os ingressos começam a ser vendidos no dia 8 no site do Sesc (saiba mais) . Para saciar um pouco de sua curiosidade sobre a obra, o blog separou alguns cliques da encenação feitos pela fotógrafa Lucie Jansch. Veja que beleza:

the old woman 9 lucie jansch Veja fotos de The Old Woman   A Velha, peça Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willen Dafoe

Os dois atores surgem em cena estilizados como palhaços em The Old Woman - Foto: Lucie Jansch

 

THE OLD WOMAN credit Lucy Jansch Veja fotos de The Old Woman   A Velha, peça Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willen Dafoe

Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe colaboraram no processo de criação com Bob Wilson - Foto: Lucie Jansch

the old woman 7 lucie jansch Veja fotos de The Old Woman   A Velha, peça Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willen Dafoe

A peça terá apenas 11 sessões entre 24 de julho e 3 de agosto em São Paulo - Foto: Lucie Jansch

the old woman 4 Veja fotos de The Old Woman   A Velha, peça Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willen Dafoe

The Old Woman ficará em cartaz no Sesc Pinheiros, no Teatro Paulo Autran - Foto: Lucie Jansch

The Old Woman 1 foto lucie jansch1 Veja fotos de The Old Woman   A Velha, peça Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willen Dafoe

Ingressos para The Old Woman - A Velha começam a ser vendidos dia 8 no site do Sesc SP e dia 10 na bilheterias das unidades: custa R$ 60 a inteira, R$ 30 a meia e R$ 20 para comerciários e dependentes - Foto: Lucie Jansch

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colunaAS ROSAS NO JARDIM DE ZULA vagner antonio Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

História barra pesada no palco dos Parlapatões: Rosas no Jardim de Zula - Foto: Vagner António

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Trauma familiar
Imagine uma mãe que um dia resolve abandonar os três filhos e ir morar nas ruas, onde se envolve com drogas e prostituição? Pois é. A história barra pesada aconteceu de verdade na família de uma das atrizes da Cia. Um Dia e serviu de dramaturgia para a peça As Rosas no Jardim de Zula. Estreia dia 10 de julho, no Espaço dos Parlapatões, na praça Roosevelt, em São Paulo. No comando, a diretora mineira Cida Falabella, que é prima da atriz Débora Falabella. No elenco, Talita Braga e Andreia Quaresma. Prepare seu coração...

Agenda Cultural da Record News

Valor da vida 1
O diretor e dramaturgo Sergio Maggio, da Criaturas Alaranjadas Cia. de Teatro, de Brasília, ficou impressionado com uma cena que presenciou em Ceilândia, cidade satélite do Distrito Federal.

Valor da vida 2
Eis o relato: “Estava dentro de um ônibus quando ele pegou de raspão um ser humano. O motorista parou de pronto e foi verificar o estado do ser humano, jogado contra a calçada. Houve um alvoroço no coletivo. Outros humanos se apinhavam para ver o ser humano atingido”, conta Maggio.

Valor da vida 3
Contudo, houve uma mudança insperada na comoção pública. “Uma voz feminina constatou. ‘Ah, é um morador de rua, tadinho’. Houve um silêncio e muitos voltaram à posição original, mexendo em seus aparelhos contemporâneos. Parecem que perderam, ao menos, a curiosidade ou a compaixão. Não sei, melhor não julgar o pensamento alheio e seguir acreditando em humanos, como este motorista", finaliza.

coluna Ou voce  poderia me beijar Roney Facchini e Cla udio Curi Foto de Ronaldo Gutierrez 3 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Roney Facchini e Claudio Curi: casal gay diante de um grande dilema após 60 anos juntos no Teatro do Núcleo Experimental; tem peça depois do jogo do Brasil - Foto: Ronaldo Gutierrez

Após o jogo
Zé Henrique de Paula e a turma do Núcleo Experimental mandam avisar que nesta sexta (4) tem sessão normal da peça Ou Você Poderia me Beijar, no teatro do grupo, na Barra Funda, em São Paulo. Começa às 21h. Vai, gente!

Novo endereço
O CIT-Ecum teve mesmo de sair no último dia 30 do edifício em frente ao cemitério da Consolação, em São Paulo. Mas não precisa se desesperar. O teatro que mais mobilizou gente nos últimos tempos já está devidamente instalado em novo endereço, na mesma região: em um charmoso casarão localizado na rua Pedro Taques, uma travessa da Consolação, no número 110. Anotou?

Junto e misturado
Teatro e cinema estão juntinhos na peça E Se Elas Fossem para Moscou, que estreia dia 17 de julho no Sesc Belenzinho, sob direção de Christiane Jatahy. Ao mesmo tempo em que a peça é apresentada, um filme é rodado. Uma plateia assiste ao espetáculo e, na sala ao lado, outra assiste ao filme. E a diretora avisa: "Não é teatro filmado. São dois espaços diferentes entrelaçados". Entendeu?

ivam cabral fumando transex andre stefano Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Ivam Cabral fuma cigarro em cena da peça Transex: ele tenta abandonar o vício na vida real - Foto: André Stéfano

À flor da pele
O ator Ivam Cabral, do Satyros, está tentando parar de fumar. O moço, que tragava 40 cigarros por dia, já está na abstinência há duas semanas. Se ele ficar nervoso e brigar com você nos próximos dias, releve. Força, Ivam!

Musical nacional
O Musical Ivam Lins em Cena, em cartaz todas as terças de julho às 21h no Teatro Folha, em São Paulo, já fechou sua primeira turnê. Em agosto, fica em cartaz no Teatro Amil, em Campinas, interior paulista. Pede a banda pra tocar um dobrado!

De olho no lance
A peça O Duelo está sendo apresentada em Avignon, na França. De lá, o elenco, que tem Camila Pitanga, Aury Porto e Pascoal da Conceição, acompanha o Brasil na Copa por aqui. Chiquérrimos.

coluna oriki Foto Angela Belei 3 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Oriki, da Cia do Pássaro, volta aos palcos em agosto para quatro sessões - Foto: Angela Belei

Retorno
A peça Oriki, da Cia. do Pássaro, vai voltar ao cartaz em curtíssima temporada em agosto, na SP Escola de Teatro, na praça Roosevelt. Dawton Abranches, diretor da montagem, avisa que haverá sessões nos dias 2, 3, 9 e 10 de agosto, sempre sábado, 20h30; e domingo, 19h, com entrada a R$ 20. Vai juntando o dinheirinho pra não ter de pedir convite amigo...

Filme queimado
A turma do teatro mineiro está com ódio do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, após suas declarações desastrosas depois do viaduto que desabou. Ele disse que estava até estranhando que não tinha acontecido nenhum acidente com tantas obras na cidade. O político já não era muito querido pela classe artística, agora o nível de ódio ultrapassou todos os níveis possíveis.

colunaTeatro Uma Noite em Claro divulgação Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cena da peça Uma Noite em Claro, do uruguaio Rafael Curci: temporada no Sesc Itaquera - Foto: Divulgação

Viva Uruguai!
O Uruguai saiu da Copa, mas sua arte continua no Brasil. O uruguaio Rafael Curci é responsável pela dramaturgia, direção e manipulação do espetáculo de teatro de bonecos Um Ratinho e a Lua. Para criá-lo, se inspirou no cinema mudo de Charlis Chaplin e no desenho animado Tom & Jerry. Tem sessão neste domingo (6), às 13h, no Sesc Itaquera, em São Paulo. Na quarta (9), no mesmo horário, ele encena Por uma Flor. Já no domingo (20), apresenta Uma Noite em Claro Lua, também às 13h. Após todos os espetáculos, o artista dará uma oficina de teatro de bonecos. Que beleza!

Síndrome de Gloria Maria?
A atriz Lulu Pavarin passou mal nesta sexta (4) e precisou ir ao hospital. Ela publicou foto de sua fichinha de identificação, mas fez questão de, antes, apagar o item idade. Nem doente ela deixa de ser danada. A coluna deseja melhoras.

Consultório
Falando em visita média, a atriz Maria Carolina Dressler ficou impressionada outro dia, ao ir ao otorrinolaringologista. É que, na sala de espera, em vez das costumeiras revistas de celebridade e aquela revista semanal odiada pelos artistas, só tem livros de arte e de música. Que sirva de exemplo.

suellen ogando 2 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Suellen Ogando virou uma das estrelas do programa Máquina da Fama - Foto: Divulgação

Garota da TV
A atriz mineira Suellen Ogando anda fazendo bonito na TV, no programa Máquina da Fama, do SBT. A moça sabe tudo de musicais, tanto que obteve a maior nota já dada na atração. Logo, virou figurinha tarimbada do programa. No dia 28 de julho, vai interpretar a nossa Carmen Miranda. Parabéns.

Revolta
A atriz Cléo De Páris avisou que não vai compartilhar nada no seu Facebook se o "amigo" disser no texto: "compartilhe". Ela explica: "Odeio imperativo". Está coberta de razão.

Performático
O artista Alexandre D'Angeli é mais um daqueles que gostam de revolucionar a ideia de teatro. Tanto que promete botar pra quebrar em sua nova performance, Listening to the Sheep Sleeping. Começa neste sábado (5), sempre às 19h e às 22h. Todos os sábados de julho lá no Sesc Ipiranga, em São Paulo. Eis a sinopse: "a ação performativa traz um sujeito híbrido, um homem carneiro deitado sobre uma cama de casal, onde o público pode se deitar ao lado do performer e escolher entre quatros textos, que foram gravados e disponibilizados em áudio por meio de aparelhos de mp3 e fones de ouvido". Anota, para não esquecer.

colunafoto montagem LISTENING TO THE SHEEP SLEEPING Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Performance Listening to the Sheep Sleeping promete abalar o Sesc Ipiranga - Foto: Divulgação

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agenda cultural diego gazin Veja as dicas da Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 04/07/2014

Lidiane Shayuri recebe o colunista de Cultura Miguel Arcanjo Prado no Hora News desta sexta-feira (4); a Agenda Cultural teve ainda o ator Diego Gazin - Foto: Divulgação

Veja as dicas do editor do R7 e colunista de Cultura do Hora News, na Record News, Miguel Arcanjo Prado. Ao lado da apresentadora Lidiane Shayuri, ele dá dicas de diversão após o jogo do Brasil em Salvador e em Olinda. Também tem festa com shows gratuitos em Ouro Preto, para celebrar o aniversário da cidade histórica. E show de Dalton em Florianópolis. Há ainda o show A Harpista e o Roqueiro em Brasília, com um ex-integrante da Legião Urbana. E nos cinemas tem o filme infantil nacional O Menino no Espelho. No estúdio, Arcanjo entrevista Diego Gazin, ator do musical Ivan Lins em Cena, em cartaz no Teatro Folha, em São Paulo. Com edição de Aline Rocha Soares. Veja o vídeo:

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Ou Você Poderia Me Beijar 4 Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Thiago Carreira, Roney Facchini e Claudio Curi em Ou Você Poderia me Beijar - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Há diversos discursos sobrepostos no palco em Ou Você Poderia me Beijar, direção de Zé Henrique de Paula, com seu Núcleo Experimental. O texto é de Neil Bartlett e da Handspring Puppet Company, que o montou com bonecos em Londres e até então inédito no Brasil.

A peça conta a história de um casal gay na África do Sul, já na terceira idade, que têm de lidar com o desagradável: com a doença terminal de um deles, eles precisam procurar uma advogada para levá-los a um cartório, com o intuito de oficializar a relação e preservar os direitos de herança do companheiro que fica.

nucleo experimental Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Cena de Ou Você Poderia me Beijar, em cartaz na Barra Funda, São Paulo, até dia 27 - Foto: Ronaldo Gutierrez

Zé Henrique, diretor sensível que é, consegue revelar a história dos dois aos poucos, sobrepondo os tempos, desde o encontro intenso e jovem do casal em uma praia nos anos 1970, até a iminência do fim desta relação seis décadas depois. A atriz Clara Carvalho, no papel das mulheres que rodeiam essa trajetória, é uma espécie de condutora neutra deste fio da vida.

O diretor tem o domínio estético de sua montagem, já que também assina a cenografia enxuta e os figurinos que são uma verdadeira aula de moda recente, com assistência de Cy Teixeira.

A encenação sofisticada de Zé, mesmo com a morte por perto e o preconceito sempre à espreita, não assume ar soturno, tampouco melodramático. Vira uma tragicomédia, já que ele extrai de seu elenco, formado por Marco Antônio Pâmio, Rodrigo Caetano, Claudio Curi, Roney Facchini, Thiago Carreira, Felipe Ramos, nos papeis do casal em três distintas etapas da vida, frases espirituosas e imagens surreais e também divertidas, como a cena do mar ou a pista de dança setentista.

Roney Facchini é o grande ator desta peça, com atuação sob medida para a estética da obra. Está ali, sem truques, crível. No elenco jovem, Carreira também se sobressai com uma verdade doce em sua atuação.

Ou Você Poderia Me Beijar 2 Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Em primeiro plano, o ator Felipe Ramos em cena: o começo de uma história de amor - Foto: Ronaldo Gutierrez

Fernanda Maia embala a história com trilha que dialoga com todos os sentimentos que surgem, o mesmo faz a luz de Fran Barros, sempre personagem das peças do Núcleo Experimental.

Aos mais modernos, a montagem poderia soar um retrato museológico, já que vivemos em uma cidade em que gays já podem se casar no cartório tal qual um casal heterossexual. Mas é preciso também lembrar que, se por um lado as coisas soam avançadas, por outro, ainda são medievais. Há, nesta mesma metrópole, notícias recorrentes de casais gays espancados nas ruas simplesmente por existir, sem que o poder público tome medidas eficientes para acabar com tal absurdo.

E é por isso que Ou Você Poderia me Beijar é tão pertinente e fundamental. Ela mostra que um casal gay é apenas um casal. Tornando-o humano, simplesmente.

Ah, um detalhe precisa ser mencionado: a peça ainda tem nesta sua realização um viés de solidariedade: a temporada atual é resultado de financiamento coletivo pela internet. Prova de que ainda tem gente que acredita no teatro. E no amor. E que resiste. Ainda bem.

Ou Você Poderia me Beijar
Avaliação: Muito bom
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. 80 min. Até 27/7/2014
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (rua Barra Funda, 637, metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

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alessandro ubirajara foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Ator, artista plástico e chef: Alessandro Ubirajara cuida da comida do Oficina - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

As peças do Teat(r)o Oficina exigem muito fisicamente de seus artistas. Nos espetáculos-ritual comandados por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, estar com vigor é fundamental.

No coro do grupo, um ator sempre se destacou, por sua intensidade: Alessandro Ubirajara. Com o tempo, um outro talento do jovem, que também é artista plástico, conquistou o paladar de seus colegas: as comidinhas que ele trazia para o camarim, todas minuciosamente preparadas.

Há um ano, resolveu que teria de ser um artista a comandar o posto de alimentar os artistas do Oficina. E assumiu o posto de chef do grupo.

Gaúcho radicado em São Paulo desde 2007, Ubirajara desenvolve pesquisa potente e pioneira sobre a comida no teatro. De forma antropofágica, diz: “Misturo cheiros e sabores para alimentar artistas”.

Quem quiser provar seu tempero pode ir hoje ao Jantar Orgânico que ele vai promover no restaurante A Leiteria da Canastra, no Butantã, zona oeste de São Paulo [veja serviço ao fim].

Em uma tarde de inverno no Oficina, Ubirajara conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta sobre este seu momento e também contou sua trajetória. Artimanha do destino, revelou que conheceu Zé Celso na Polícia Federal, onde trabalhava no setor de passaportes.

Leia com toda a calma do mundo.

alessandro ubirajara foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Radicado em São Paulo desde 2007, o gaúcho Alessandro Ubirajara é artista de diversas frentes; atualmente, busca aliar a alimentação saudável ao teatro no Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado —Por que Ubirajara?
Alessandro Ubirajara — Meu pai também é Ubirajara. Meu avô lia muito José de Alencar [risos].

Miguel Arcanjo Prado — De onde você é? Quem é sua família?
Alessandro Ubirajara — De Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul, bem perto da fronteira com o Uruguai. Lá faz muito frio. Até neva... Sou o mais velho da Maria do Carmo e do Charlei Ubirajara, meus pais. Tenho avó japonesa, avô negro do Uruguai, e também sangue italiano, alemão e índio.

Miguel Arcanjo Prado — Isso é que é antropofagia. E o que você queria ser quando crescesse?
Alessandro Ubirajara — Artista plástico. Tanto que me formei na área lá em Porto Alegre. Morei muito tempo em Sapucaia, que é perto. Meu avô era agente ferroviário. Cheguei a morar em muitas estações de trem. Sempre mudei muito.

Miguel Arcanjo Prado — Como você era quando pequenino?
Alessandro Ubirajara — Eu gostava de desenhar, colorir, pintar. Meu apelido na escola era Pintor. Todo mundo em Sapucaia lembra quando eu pintei o túnel da cidade...

Miguel Arcanjo Prado — E como você chegou em São Paulo?
Alessandro Ubirajara — Foi em 2007. Sempre ouvia falar daqui, do Masp, da Pinacoteca, da USP. Queria muito viver em São Paulo. Mas, cheguei tão ingênuo que fui nas galerias com uma pastinha na mão apresentar meus trabalhos, achando que iria expor de cara.

alessandro ubirajara foto bob sousa51 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara mudou-se para São Paulo com uma pasta debaixo do braço - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Levou muitos nãos?
Alessandro Ubirajara — Sim. Só a Casa da Xiclet, na Vila Madalena, aceitou meu trabalho. São Paulo tem uma frieza e um anonimato. Mas também tem uma liberdade absoluta. Quando eu me sinto inseguro, vou a lugares de arte, a museus e bibliotecas. Eu busquei o anticorpo para me possibilitar sobreviver na cidade.

Miguel Arcanjo Prado — E como você sobreviveu?
Alessandro Ubirajara — Foi difícil. Fui morar com uma amiga. Comecei em Guaianases [na zona leste], muito depois fui para Santa Cecília [bairro do centro]. Arrumei um emprego no setor de passaportes da Polícia Federal, na Lapa. Fiquei lá dois anos. E isso foi muito importante, porque um dia atendi a uma pessoa muito especial.

Miguel Arcanjo Prado — Quem?
Alessandro Ubirajara — O Zé Celso. Eu já tinha visto Os Bandidos em Porto Alegre e fiquei impressionado com o Oficina. Vendo aquela peça, parecia que tudo me entendia. Era completo e epifânico. Acho que meu destino era o Oficina. O Zé entrou na PF lendo um livro, como se não estivesse em lugar nenhum. Estava ligado na busca dele, em sua perspectiva artística. Isso mexeu comigo. Fiquei louco.

Miguel Arcanjo Prado — E vocês se aproximaram a partir daí?
Alessandro Ubirajara — Sim. Eu fiz o passaporte dele. E fiquei com aquilo do Oficina na cabeça. Ele me convidou para ver a exposição Ocupação Zé Celso. Quando cheguei lá, falei par ele: “eu quero ser artista”. No dia seguinte, ele me ligou e me chamou para fazer Cacilda !!.

alessandro ubirajara foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

No começo no Oficina, Alessandro Ubirajara conciliou trabalho na Polícia Federal, onde conheceu Zé Celso no setor de passaportes, e teatro: sempre um ator ativo e intenso nas peças - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E você conciliou a Polícia Federal com o Oficina?
Alessandro Ubirajara — No começo, sim. Era muito engraçado. Mas aí eu resolvi sair de lá, porque comecei a viajar com as peças. Fui aprendendo a produzir também, com a Elisete Jeremias, que era a diretora de cena do Oficina. Morei com ela um ano e aprendi muita coisa. Passei a ter de sobreviver de forma antropofágica, trabalhando e aprendendo.

Miguel Arcanjo Prado — E como veio a cozinha na sua vida?
Alessandro Ubirajara — A cozinha entrou nesse meu aprendizado antropofágico. É o lugar onde exploro potencialidades. Em 2012, fizemos um circo no terreno aqui ao lado do Oficina. E criamos um bar, eu, a Danielle Rosa e o Bruno Nogueira. Chamava-se Bambambã Cabaret Bar. Comecei a me interessar em pesquisar a cozinha no teatro. Era uma habilidade que eu já tinha, todo mundo amava minha polenta.

Miguel Arcanjo Prado — E você foi se aprofundando na cozinha?
Alessandro Ubirajara — Sim. Percebi que a cozinha era um ponto central, um ponto de encontro. Fizemos uma festa junina no Oficina que foi linda. Eu criei muitas comidas, assumi a cozinha, vieram vários chefes que me ensinaram muita coisa. Gente como a Bia Magalhães, a Elaine Vargas, o Paulo Franco.

alessandro ubirajara foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara, o artista da cozinha do Teat(r)o Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você se divide entre cozinha e palco?
Alessandro Ubirajara — Sim. Até Walmor y Cacilda 64: Robogolpe eu fiz isso. No Cacilda!!!!!, que estreia no fim do mês, eu vou ficar só na cozinha. Vai ser o primeiro que não vou estar em cena. Eu comecei uma pesquisa sobre a comida do ator, pensando na sua saúde e nutrição. Porque para fazer uma peça do oficina tem de estar forte, é comida de atleta, mas não pode ser pesada. Tem de ter comida no camarim. E, para que ela existisse de verdade, alguém precisava assumir isso. Adoro acordar cedo e ir na zona cerealista buscar os ingredientes. E faço de tudo: o Zé é cardíaco e tenho de fazer algo que não prejudique o coração dele. Já a Camila Mota é macrobiótica. Os nordestinos não comem sem carne. Então, alimento os corpos destes artistas diversos.

Miguel Arcanjo Prado — Você é um artista da cozinha?
Alessandro Ubirajara — Sim. A comida é ritual, é uma ligação. Ela dialoga. É um personagem. Sinto que estou ligado por este trabalho. O Zé Celso disse que minha força maior está na cozinha de teatro. A minha pesquisa artista neste momento é esta. Estou misturando sabores e cheiros. Eu já fui primeiro artista plástico, depois ator, agora chef. Estou buscando meu lugar, mas, durante a busca, não paro de criar.

alessandro ubirajara foto bob sousa11 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara, no palco do Oficina: ele alimenta artistas com consciência - Foto: Bob Sousa

Jantar Orgânico pelo chef Alessandro Ubirajara
Quando: Quinta (3/7/2014), 18h às 21h
Onde: A Leiteria da Canastra (rua Major Almeida Queiroz, 18, Butantã, São Paulo, tel. 0/xx/11 4563-9525 ou 0/xx/11 9-8120-1471)
Quanto: Couvert (R$ 10); jantar adulto (R$ 35); jantar infantil (R$ 20); taça de vinho (R$ 15); taça de suco de uva ou mexerica (R$ 4); aceita dinheiro e cheque
Classificação etária: livre

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robert wilson mikhail baryshnikov willem dafoe the old woman lucie jansch Bob Wilson e Baryshnikov já causam furor em SP

Ingressos para o espetáculo de Bob Wilson começam a ser vendidos no dia 8/7 - Fotos: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Já começou a corrida desenfreada para ver o espetáculo The Old Woman [A Velha], do encenador norte-americano Robert Wilson, ou Bob Wilson para os mais íntimos, em São Paulo.

theoldwoman Bob Wilson e Baryshnikov já causam furor em SP

The Old Woman terá legendas em português - Foto: Divulgação

Os ingressos para as 11 apresentações no Sesc Pinheiros, entre 24 de julho e 3 de agosto, serão disputados a tapa no site do Sesc, a partir do dia 8 de julho, e, se sobrar algum para contar história, nas bilheterias das unidades a partir do próximo dia 10.

O valor é R$ 60 a inteira. Para não haver maldade de nenhum guloso, cada comprador só poderá adquirir quatro entradas.

Tanta euforia se explica. No elenco, está ninguém menos do que o grande bailarino russo Mikhail Baryshnikov, lenda viva da dança. Ele atua com o ator norte-americano Willen Dafoe, nome forte das artes cênicas nos EUA.

A última peça de Wilson apresentada em São Paulo foi A Dama do Mar, no ano passado, com elenco brasileiro capitaneado por Ligia Cortez em grande performance.

O Sesc pede para avisar que os que não dominam o inglês não precisam ficar apreensivos. Nem fingir que entende. Todas as sessões terão legendas em português. Melhor, né?

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miranda por mirandafoto de Bruno Veiga Carmen Miranda ressuscita em São Paulo

Stella Miranda, como a diva Carmen Miranda no musical do Teatro Augusta - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Muito do imaginário coletivo mundial sobre o Brasil ainda é aquele construído pela atriz e cantora Carmen Miranda nos filmes que conquistaram Hollywood.

A Pequena Notável, como era chamada, criou o mito da mulher brasileira, feliz, cheia de malemolência e, claro, excessivamente tropical.

O ícone, com seus trejeitos inconfundíveis, é revisitado no musical brasileiríssimo Miranda por Miranda. Nele, a atriz Stella Miranda, que idealizou e dirige o projeto, assume a personagem.

Não faltam no repertório clássicos de nomes fundamentais do cancioneiro brasileiro, como Ary Barroso e Assis Valente.

Com elenco enxuto, Stella Miranda surge no palco acompanhada dos atores Luciano Andrey — que protagonizou o musical Priscilla, Rainha do Deserto —, Rogério Guedes, Renato Bellini e Will Anderson.

Além dos atores, a montagem conta com música executada ao vivo com banda sob comando do diretor musical Tim Rescala, composta por Laura Visconti, André Santos e Leandro Lui.

A figurinista Rita Murtinho chamou para si a responsabilidade de fazer uma releitura das roupas emblemáticas de Carmen, com auxílio de Ligia Rocha.

Pelo jeito, não vão faltar balangandãs.

Miranda por Miranda
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; e domingo, 19h. 80 min. Até 27/7/2015
Onde: Teatro Augusta (r. Augusta, 943, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3151-2464)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

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dione leal andre stefano Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Dione Leal em cena em Os Que Vêm com a Maré: atriz é destaque no elenco - Foto: André Stefano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É tudo sombrio quando a partida, sempre uma espécie de morte, ronda. Há um desacreditar que pode impulsionar a crença no que antes poderia ser o mais absurdo. Como suprir a falta? É preciso esquecer o ser amado ou reinventá-lo? O abandono é sempre cruel.

Tudo isso ronda a cabeça de quem vê a montagem de Maria Alice Vergueiro para o texto Os Que Vêm com a Maré, de Sérgio Roveri. A peça faz parte do projeto 3xRoveri, que montou o mesmo texto no Espaço dos Satyros 1, com três diferentes diretores, cada qual revolucionando o drama com sua encenação. Além de Vergueiro, do Grupo Pândega, teve ainda Rodolfo García Vázquez, do Satyros, e Fernando Neves, de Os Fofos Encenam.

No enredo, um casal (Dione Leal e Ricardo Pettine) vive às voltas com a imagem de um filho perdido (Robson Catalunha), não se sabe se para a vida ou para a morte.

O sopro de luz é a vizinha do lado (uma pulsante Suzana Muniz), que surge para relembrar os velhos tempos de pulsão de vida, mesmo hoje não sendo a mesma de outrora.

Vergueiro afirma no programa se inspirar em Jodorowsky ao criar uma estética baseada no “pânico-grotesco”. Assim, há gritos e força no desolamento.

O R7 assistiu à última apresentação da temporada, repleta de emoção, já que na plateia estavam o autor e a diretora, que via a tudo atentamente.

A atriz Dione Leal, na pele da mãe, é o grande destaque do elenco, revelando-se em uma atuação cheia de impacto, espécie de catalisadora emocional da obra. E a atriz condensa tanta força que se torna o centro pulsante do casal amargurado à espera do filho que um dia vai voltar.

Robson Catalunha também chama a atenção ao imprimir uma estética que remete aos protagonistas dos filmes de Tim Burton ao filho, assustado, acuado, vivo e morto ao mesmo tempo.

Se a escuridão ronda a tudo, Vergueiro traz instantes de flashes de vida para a cena. Porque, talvez, o momento em que a vida se torne mais potente seja realmente quando se defronta com a morte.

robson catalunha suzana muniz andre stefano Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Robson Catalunha e Suzana Muniz: ele imprime "ar Tim Burton"; ela, vida que já pulsou - Foto: André Stefano

Os Que Vêm com a Maré, direção de Maria Alice Vergueiro
Avaliação: Bom
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

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manoelita lustosa Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa era uma das principais atrizes mineiras - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz Manoelita Lustosa, que morreu nesta terça (1º), em Belo Horizonte, aos 72 anos, foi um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras.

Antes de ficar conhecida em todo Brasil por atuar em novelas na Record e também na Globo, a atriz fez marcantes montagens no teatro em Minas Gerais.

manoelita bruna Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa e Bruna Marquezine, em 2003, na novela Mulheres Apaixonadas: papel marcante - Foto: Divulgação

Ela morreu em casa, de insuficiência respiratória, às 9h. Sua filha, Maria Bethânia Diniz Lustosa, conversou com o Atores & Bastidores do R7.

Emocionada, contou que sua mãe foi exemplo de amor à profissão.

— A mamãe foi uma pessoa muito ativa na área cultural. Ela começou a carreira muito nova. Ela era muito competente no que fazia.

Segundo a filha, Manoelita era muito requisitada por jovens e experientes artistas.

— Vários artistas se espelhavam nela como exemplo de disciplina profissional. Ela era apaixonada pela arte e tinha um respeito enorme pelo trabalho que fazia. Ela amava ser atriz. Sempre foi muito dedicada. É uma perda enorme.

A filha conta que Manoelita não faltou ao teatro nem mesmo quando perdeu o marido, 18 anos atrás. No fim de semana da morte, subiu ao palco. Dizia que “a arte não pode parar”.

Manoelita deixa três filhas: Manoela, Maria Bethânia e Mariana, e seis netos — um casal de cada filha. O corpo será velado a partir do fim da tarde desta terça (1º), no Cemitério Parque da Colina, na região norte de Belo Horizonte, onde deverá ser sepultada na manhã desta quarta (2).

Artistas lamentam

A morte de Manoelita Lustosa foi sentida na classe artística. A diretora e atriz Yara de Novaes, afirmou que "foi uma honra" pode ter trabalho com a atriz, em Um Céu de Estrelas. O produtor Guilherme Marques, do CIT-Ecum, declarou que Manoelita deixou um "legado maravilhoso".

A atriz gaúcha Patrícia Vilela, que atuou ao lado da colega na novela Esmeralda, no SBT, contou ao R7 que ficou muito triste ao saber da notícia.

— A gente se deu tão bem nos bastidores da novela. Era uma grande atriz e uma pessoa maravilhosa.

O ator mineiro Odilon Esteves também lamentou a morte da amiga. E lembrou-se também do episódio em que ela trabalhou logo após perder o marido.

— Manoelita fazia Na Era do Rádio quando seu esposo faleceu. Eu era adolescente e ia ver o espetáculo quase todo dia. Então, saía com eles do teatro para ir ao hospital onde ele estava internado. Na sexta-feira em que ele se foi, não teve apresentação, nem no sábado, mas no domingo, Manoelita já estava de volta ao palco. E presenciei o que só mais tarde, na escola, fui aprender como sendo o caráter votivo dessa profissão: apesar de quase toda adversidade, o artista segue seu trabalho. Uma personagem de Manoelita  cantava Último Desejo, de Noel Rosa, no espetáculo, e naquele domingo as notas da canção se misturaram a um choro profundo. Os espectadores jamais saberiam que não se tratava de representação. Coração apertado hoje! Saudade de Manoelita! E gratidão!

Clássicos e comédia

Natural de Pirapora, às margens do Rio São Francisco, Manoelita foi criada em Sete Lagoas. Desde menina, era encantada com o rádio e, depois, o teatro a TV.

Manoelita Lustosa Terezinha Michel Angelo 2 Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa, como Terezinha em Dona Xêpa: último papel na TV - Foto: Michel Ângelo

Foi agitadora cultural e exerceu cargos políticos na área da Cultura na região do Vale do Aço, durante o tempo em que morou na cidade de Timóteo. Mas foi em Belo Horizonte, para onde se mudou no começo da década de 1990, que sua carreira artística deslanchou.

Sua estreia como atriz foi em Tio Vânia, de Tchekhov, dirigida por Luiz Carlos Garrocho e Walmir José. Logo, chamou a atenção de importantes diretores mineiros como Pedro Paulo Cava, com quem fez o musical Na Era do Rádio, e Ílvio Amaral, que a consagrou junto ao público em comédias como É Dando que se Recebe e A Comédia dos Sexos.

Logo, Manoelita se tornou uma das mais respeitadas atrizes da cena local. Atuou em comédias rasgadas e de grande bilheteria na cena belo-horizontina, como Perigo, Mineiros em Férias. Fez ainda textos clássicos do teatro brasileiro, como Perdoa-me por me Traíres, de Nelson Rodrigues.

Seu último papel na TV foi em 2013, como a pasteleira Terezinha, na novela Dona Xêpa, na Record. Outro papel marcante de sua carreira televisiva foi na novela Mulheres Apaixonada, de Manoel Carlos, em 2003, como Inês, a avó maldosa de Salete, papel da então menina Bruna Marquezine.

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abajur lilas Mundo cão de Plínio Marcos volta em Abajur Lilás

Mundo marginal no palco do Teatro Nair Bello, em São Paulo: Abajur Lilás - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O dramaturgo e jornalista Plínio Marcos, morto há 15 anos, é um dos maiores expoentes do teatro brasileiro. E continua montado como nunca. Só de sua peça Navalha na Carne, há três montagens em São Paulo. Como sempre, seus textos, inspiradas no ritmo caótico de São Paulo, dá voz a personagens urbanos marginais.

E outra peça dele está de volta. Desta vez, Abajur Lilás, montagem que o diretor André Garolli estreia no próximo dia 9 de julho no Teatro Nair Bello, em São Paulo.

Ele convocou os atores Fernanda Viacava, Isadora Ferrite, Josemir Kowalick, Daniel Morozetti e Carol Marques, para viver os personagens que habitam o prostíbulo comandado a mão de ferro por Giro.

A montagem faz parte do projeto Homens à Deriva, que já montou as peças As Moças e Histórias dos Porões. Sempre em cena a submissão do homem ao dinheiro.

Garolli diz que Plínio Marcos expõe “a solidão e a decadência humana”, mostrando “vidas degradadas e o beco sem saída da miséria e da violência”.

E lembra que a maior parte da dramaturgia do autor foi concebida durante os anos de chumbo da ditadura militar que foi instaurada no País 50 anos atrás.

“Sustento a ideia de que não há como analisar as obras dramáticas desse autor sem o entendimento do regime de opressão ao qual estiveram submetidos os cidadãos brasileiros”, afirma.

Abajur Lilás
Quando: Quarta e Quinta, 21h. 80 min. De 9/7/2014 a 14/8/2014
Onde: Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca 3º piso (rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3472-2414)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

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