opalhaco livro Celebrado, roteiro do filme O Palhaço vira livro

Roteiro do filme de Selton Mello ganha versão em livro - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Uma ótima dica de presente para qualquer artista neste fim de ano é o livro O Palhaço - Roteiro do Filme, que acaba de ser lançado pelas Edições Sesc em parceria com a Ouro sobre Azul.

O texto, como o nome já diz, é o roteiro completo do longa escrito por Selton Mello e Marcelo Vindicatto, um dos mais sensíveis do cinema nacional recente. Tanto que o filme O Palhaço representa o Brasil na corrida por uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

O longa-metragem ainda é vencedor de 12 categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, incluindo roteiro original.

Encadernada em capa dura, a obra ainda traz ilustrações de Conrado Almada e fotografias de Guilherme Maia, na direção de arte assinada por Ana Luisa Escorel. A responsável pela edição da obra é Laura Escorel. O preço é R$ 25.

No texto de apresentação da obra, Selton Mello faz questão de avisar: "Aí está o roteiro, antes de virar filme. Porque no início é apenas uma folha em branco preenchida com um bocado de palavras e sonho. E depois as folhas ficam de pé, carregadas de humanidade e seguem seu caminho". Como toda boa obra de arte.

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melhores teatro 2012 r7 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Ano de 2012 foi de muitas boas novidades no teatro brasileiro; você escolhe as melhores!

O ano de 2012 foi de muitas novidades teatrais aqui no Atores & Bastidores do R7, espaço no qual as cortinas sempre estiveram abertas para as artes do palco. Como não poderia deixar de ser, em nosso primeiro ano, ninguém melhor do que você, nosso fiel internauta, para escolher quem foram os Melhores do Teatro R7 2012.

O crítico Miguel Arcanjo Prado e o fotógrafo Bob Sousa, que acompanham de perto a cena teatral, escolheram cinco grandes destaques em 16 diferentes categorias: Espetáculo, Diretor, Ator, Atriz, Autor, Revelação, Iluminação, Cenário, Figurino, Personalidade, Trilha/Música, Festival, Grupo, Projeto, Teatro e Instituição. Agora, você escolhe, abaixo, quem merece ganhar em cada categoria. A votação vai até o dia 27 de dezembro, quando o resultado será publicado aqui no blog.

Que vençam os melhores!

Espetáculo

1 melhor espetaculo 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Bichado, Máquina de Dar Certo, O Livro de Itens do Paciente Estevão, Pessoas Absurdas e Priscilla

Qual o melhor espetáculo Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Bichado
    48.4%
  • Máquina de Dar Certo
    32.5%
  • O Livro de Itens do Paciente Estevão
    7.5%
  • Pessoas Absurdas
    3.6%
  • Priscilla - Rainha do Deserto
    8%

Diretor

2 melhor diretor 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Diretor: Felipe Hirsch, Marco Antonio Braz, Roberto Alvim, Roberto Audio e Zé Henrique de Paula

Qual o melhor diretor Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Felipe Hirsch (O Livro de Itens do Paciente Estevão)
    3.3%
  • Marco Antonio Braz (Boca de Ouro e A Falecida)
    2.5%
  • Roberto Alvim (Projeto Peep Clássic Ésquilo)
    39.7%
  • Roberto Audio (Máquina de Dar Certo)
    8.6%
  • Zé Henrique de Paula (Bichado, Mormaço, No Coração do Mundo e Senhora dos Afogados)
    46%


Ator

3 melhor ator 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Ator: Danilo Ghrangheia, Eric Lanate, Giordano Castro, Rodolfo Lima e Tiago Abravanel

Qual o melhor ator Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Danilo Grangheia (O Livro de Itens do Paciente Estevão)
    0.3%
  • Eric Lenate (No Coração do Mundo)
    51.9%
  • Giordano Castro (Um Torto e Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você)
    38.7%
  • Rodolfo Lima (Réquiem para um Rapaz Triste)
    8.7%
  • Tiago Abravanel (Tim Maia - Vale Tudo)
    0.4%


Atriz

4 melhor atriz 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Atriz: Dani Barros, Einat Falbel, Juliana Galdino, Luciana Paes e Vera Holtz

Quem foi a melhor atriz Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Dani Barros (Estamira - Beira do Mundo)
    2.5%
  • Einat Falbel (Bichado)
    65.4%
  • Juliana Galdino (Oresteia)
    24.2%
  • Luciana Paes (Ficção)
    6.1%
  • Vera Holtz (Palácio do Fim)
    1.7%

Autor

5 melhor autor 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Autor: Aldri Anunciação, Cássio Pires, Franz Klepper, Newton Moreno e Ricardo Inhan

Quem foi o melhor autor Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Aldri Anunciação (Namíbia, Não!)
    48.7%
  • Cássio Pires (Ifigênia)
    46.3%
  • Franz Klepper (Córtex e Camille e Rodin)
    1.9%
  • Newton Moreno (Maria do Caritó e Terra Santa)
    0.6%
  • Ricardo Inhan (Mormaço)
    2.4%

Revelação

6 revelacao 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Revelação: André Torquatto, Bárbara Bonnie, Luna Martinelli, Marba Goicochea e Marcos de Andrade

Quem foi a revelação Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • André Torquato (Priscilla - Rainha do Deserto)
    0.1%
  • Bárbara Bonnie (Barafonda e Senhora dos Afogados)
    53.6%
  • Luna Martinelli (Limpe Todo Sangue Antes que Manche o Carpete)
    10.3%
  • Marba Goicochea (Máquina de Dar Certo)
    36%
  • Marcos de Andrade (Toda Nudez Será Castigada)
    0.1%


Iluminação

7 iluminacao 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Iluminação: Breu, Cabaret Stravaganza, No Coração do Mundo, Os Bem-Intencionados e SP Surrealista

Qual a melhor iluminação Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Breu (Tomás Ribas)
    0.5%
  • Cabaret Stravaganza (Rodolfo García Vázquez e Léo Moreira Sá)
    3.3%
  • No Coração do Mundo (Fran Barros)
    10.9%
  • Os Bem-Intencionados (Nadja Naira)
    24.7%
  • SP Surrealista (Rodrigo Alves)
    60.6%


Cenário

8 cenario 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Cenário: A Família Addams, Bichado, Rabbit, Satyros' Satyricon (Trincha, Satyricon e Suburra) e Vermelho

Qual o melhor cenário Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • A Família Addams (Phelim McDermott e Julian Crouch)
    0.6%
  • Bichado (Zé Henrique de Paula)
    3.2%
  • Rabbit (Eric Lenate)
    63.6%
  • Satyros' Satyricon - Trincha, Satyricon e Suburra (Criação coletiva)
    32.3%
  • Vermelho (Jorge Takla)
    0.3%


Figurino

9 figurino 20121 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Figurino: Acordes, Cabaret Stravaganza, Hamlet, No Coração do Mundo, Priscilla, Rainha do Deserto

Qual o melhor figurino Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Acordes (Sônia Ushiyama Souto)
    22.7%
  • Cabaret Stravaganza (Daíse Neves)
    64%
  • Hamlet (Cássio Brasil)
    2.1%
  • No Coração do Mundo (Zé Henrique de Paula)
    9.2%
  • Priscilla - Rainha do Deserto (Tim Chappel e Lizzy Gardiner)
    1.9%


Personalidade

10 personalidade 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Personalidade: Cleyde Yáconis, Maria Alice Vergueiro, Phedra D. Córdoba, Renato Borghi e Zé Celso Martinez Corrêa

Qual a personalidade Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Cleyde Yáconis
    1.5%
  • Maria Alice Vergueiro
    39.5%
  • Phedra D. Córdoba
    50.2%
  • Renato Borghi
    0.7%
  • Zé Celso Martinez Corrêa
    8.1%


Trilha/Música

11 trilha musica 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Trilha/Música: Acordes, Máquina de Dar Certo, Priscilla - Rainha do Deserto, Senhora dos Afogados e Tim Maia

Qual a melhor trilha/música Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Acordes
    29.7%
  • Máquina de Dar Certo
    25.5%
  • Priscilla - Rainha do Deserto
    1.8%
  • Senhora dos Afogados
    41.4%
  • Tim Maia - Vale Tudo
    1.6%


Festival

12 festival 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Festival: Festival de Curitiba, FIT-BH, Mostra Fomento Dez Anos, Mirada e Satyrianas

Qual o melhor festival Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Festival de Curitiba (PR)
    66%
  • FIT-BH (MG)
    0.7%
  • Fomento Dez Anos (SP)
    2.4%
  • Mirada (Santos-SP)
    0.9%
  • Satyrianas (SP)
    29.9%

Grupo

13 grupo 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Grupo: Clowns de Shakespeare, Cia. Bruta de Arte, Cia. Estável, Cia. São Jorge de Variedades e Grupo Magiluth

Qual o melhor grupo Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Clowns de Shakespeare
    1.5%
  • Cia. Bruta de Arte
    4.2%
  • Cia. Estável
    15.2%
  • Cia. São Jorge de Variedades
    41%
  • Grupo Magiluth
    38.2%


Projeto

14 projeto 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Projeto: Barafonda, Bom Retiro - 978 Metros, Galpão 30 anos, Agosto 100 Nelson e Nova Cena Nordestina

Qual o melhor projeto Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Barafonda
    52.9%
  • Bom Retiro - 978 Metros
    8%
  • Galpão 30 Anos
    7.3%
  • Agosto 100 Nelson
    11.7%
  • Nova Cena Nordestina
    20.1%


Teatro

15 teatro 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Teatro: Anchieta - Sesc Consolação, Club Noir, Espaço dos Parlapatões, Núcleo Experimental e Viga Espaço Cênico

Qual o melhor Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Anchieta - Sesc Consolação
    5.9%
  • Club Noir
    38.4%
  • Espaço dos Parlapatões
    2.6%
  • Núcleo Experimental
    51.6%
  • Viga Espaço Cênico
    1.5%


Instituição

16 instituicao 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Instituição: Cooperativa Paulista de Teatro, Funarte, Sesc-SP, SP Escola de Teatro e Tusp

Qual é a melhor instituição Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Cooperativa Paulista de Teatro
    2.6%
  • Funarte
    1.8%
  • Sesc-SP
    10.1%
  • SP Escola de Teatro
    83.1%
  • Tusp
    2.4%

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pampulha1 Coluna do Miguel Arcanjo nº 186: Niemeyer e eu

Desenho de Oscar Niemeyer para a Igrejinha da Pampulha, construída nos anos 40 em Belo Horizonte: "Conseguia intuir de alguma forma que Niemeyer havia conseguido sintetizar no concreto aquilo que eu era"

Por Miguel Arcanjo Prado*

Sou filho da cidade que serviu de laboratório para as curvas sensuais da arquitetura revolucionária de Oscar Niemeyer, que nos deixou pouco antes de completar 105 anos.

Em Belo Horizonte, onde construiu a Pampulha na década de 40, a pedido do então prefeito Juscelino Kubitscheck, o mestre sempre foi reverenciado como um inconfidente. Digno de destaque tal qual um Tiradentes no ensino escolar.

Pequeno, aprendi a admirar as obras do nosso grande arquiteto. Meu primeiro contato consciente com sua arte foi por meio das curvas da Igreja de São Francisco de Assis, que nós belo-horizontinos chamamos, carinhosamente, de Igrejinha da Pampulha.

Tinha oito anos e foi Tia Eliana, minha professora na segunda série primária, quem a apresentou. Contou sua história, mostrou suas curvas e disse que ela foi embrionária de tudo o que viria depois, sobretudo Brasília.

pampulha2 Coluna do Miguel Arcanjo nº 186: Niemeyer e euLembro-me que ao chegar em casa, após essa aula, passei horas a fio, na mesa da cozinha, tentando reproduzir os contornos suaves da igreja, tamanho o impacto que ela causou em mim. Mesmo com a inocência de uma criança, conseguia intuir de alguma forma que Niemeyer havia conseguido sintetizar no concreto aquilo que eu era.

Meu estado de encantamento foi tão grande que passei boa parte da infância desenhando a Igrejinha da Pampulha. Cadernos, agendas, rascunhos e pedaços de papel a abrigaram de forma generosa. Durante um tempo, mais para frente, até cheguei a pensar que poderia ser arquiteto, não fosse o talento ainda mais concreto para o jornalismo.

No dia em que Oscar Niemeyer morreu eu fiquei triste. Porque o sentia alguém muito próximo a mim. Um amigo querido de infância. Alguém que traduziu minha mineiridade barroca em curvas suaves como as das montanhas da minha terra.

Corri para a janela de casa e olhei para o Memorial da América Latina. Coincidência do destino, quis Deus que morasse de frente às construções projetadas por ele num sentimento tão lindo de integração latino-americana. Percebi que Niemeyer me ensinou que a liberdade tem forma. E ela é solta, livre, suave e cheia de sensualidade. Tal qual a gente que, em meio a um mundo tão conturbado, luta diariamente para encontrar beleza nesta vida. Obrigado, Niemeyer.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e ainda gosta de desenhar.

pamulha3 Coluna do Miguel Arcanjo nº 186: Niemeyer e eu

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regina duarte raimunda raimunda Regina Duarte se perde em Raimunda, Raimunda

Mesmo equivocada como diretora, Regina Duarte dá o máximo da atriz em Raimunda, Raimunda - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Regina Duarte foi bem-intencionada ao montar o espetáculo Raimunda, Raimunda, escrito pelo piauiense Francisco Pereira da Silva (1918-1985). Contudo, a peça apresentada no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, até este domingo (16), deixa algo bem claro: Regina é uma atriz dedicada e talentosa, mas, pelo menos por enquanto, não é uma boa diretora.

Depois de tentar, sem sorte, encontrar um profissional que assumisse seu projeto, ela resolveu tomar as rédeas da direção de sua volta ao teatro.

Leia entrevista com Regina Duarte

Com assistência de direção de Amanda Mendes, ela costurou, sem nenhuma coerência aparente, em dois atos díspares, dois textos do escritor nordestino.

O primeiro, Ramanda e Rudá, tem ares futuristas. Nele, Regina interpreta uma mulher acompanhada por um hermafrodita, por quem tem desejos sexuais, em um mundo transformado em caos.

O espectador, no começo perdido da peça, até se sente tocado pela discussão de pano de fundo ecológico, mas logo esta é suplantada pela vulgar sanha sexual da personagem de Regina em cima do rapaz, que nada quer com ela.

Já o segundo ato, Raimunda Pinto, mais dinâmico e ao mesmo tempo tão absurdo quanto o primeiro, conta a história de Raimunda, menina pobre do sertão cearense que sofre com lábio leporino. A moça tenta se tornar enfermeira no Rio de Janeiro. A viagem, cheia de peripécias, acaba por revolucionar sua vida.

Nesta parte da obra, de ar mambembe, Regina surge mais solta como atriz, fazendo uma personagem leve e divertida, mesmo diante da adaptação complicada.

Em muitos momentos, a encenação de Raimunda, Raimunda se parece com teatro escolar, de tão simplória que são as soluções cênicas encontradas por Regina diretora.

O cenário assinado por José Dias é pobre e preguiçoso. Não ajuda muito. Já os figurinos de Regina Carvalho, com colaboração de Beth Filipecki, até fazem uma graça em determinados momentos, mas sem grandes arroubos, bem como a iluminação de Djalma Amaral e Wilson Reiz.

regina duarte apos encenar raimunda raimunda Regina Duarte se perde em Raimunda, Raimunda

Elenco não acompanha Regina Duarte - Divulgação

Mas a parte mais triste desta história é o jovem elenco que contracena com a atriz: Allan Souza Lima, André Cursino, Creo Kellab, Henrique Pinho, Ricardo Soares, Rodrigo Becker, Rodrigo Candelot e Saulo Segreto.

Nenhum dos rapazes parece acreditar no que fazem ali e surgem no palco de forma insossa. O resultado é uma interpretação covarde e sem entrega, enquanto Regina fica ali ao lado, sozinha, dando o máximo de si numa crença praticamente cega no projeto que ela embalou com tanto esmero.

Pelo menos, nossa grande atriz é coerente até o fim, quando, do nada, se transforma na bomba de Hiroshima e sai rolando pelo palco.

Raimunda, Raimunda
Avaliação: Ruim
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h, domingo, 18h. Até 16/12/2012
Onde: Teatro Raul Cortez (rua Doutor Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3254-1631)
Quanto: R$ 50 a R$ 60
Classificação: 14 anos

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bruno motta Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Humorista Bruno Motta resolveu colocar seus textos de comédia na internet - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Riso de Motta
Quem vive reclamando por aí que não há bom texto de comédia no teatro atual é porque não conheceu a produção dramatúrgica do humorista e escritor Bruno Motta. Para ninguém reclamar, ele acaba de reunir seus textos, muitos em parceria com Daniel Alves, em seu site (veja aqui). Ótima ideia.

Fim do Mundo
A Gambiarra promove a Festa do Fim do Mundo, nesta sexta (14), a partir das 23h, no Metrópole (av. São Luiz, 187, São Paulo). O ingresso na porta é R$ 50. Mas dá para comprar mais barato no site. O povo vai pirar o cabeção.

vanessa Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Vanessa Goulartt: paródia do Rei - Divulgação

O Rei e eu
Está fazendo o maior sucesso na internet a paródia que a atriz Vanessa Goulartt fez da nova música do Rei Roberto Carlos, Esse Cara Sou Eu. Ela, que se mudou recentemente de São Paulo para o Rio, deixando a turma da praça Roosevelt inconsolável, mostrou criatividade de sobra em sua versão, intitulada A Cagada Sou Eu (escute a música aqui). O objetivo é satirizar a difícil vida de uma atriz. Em conversa com a coluna direto de Ipanema, onde habita no momento, ela contou que resolveu abrir para o mundo esse seu lado bem-humorado, já conhecido de sua família – ela é filha de Bárbara Bruno, sobrinha de Beth Goulart e neta de ninguém menos do que o eterno casal 20 da TV Paulo Goulart e Nicette Bruno. “Estou pensando em fazer um clipe da música e quem sabe montar uma comédia falando dos ossos do ofício?”. A coluna dá todo o apoio a você, Vanessa.

Novidade
Marcelo Airoldi vai dirigir o espetáculo Sonata Kreutzer, que estreia no dia 18 de janeiro, no Sesc Pinheiros. Fazem parte do elenco André Capuano e Ernani Sanchez. Cássio Pires assina a dramaturgia. Merda.

APCA
Foi tranquilíssima a votação para os melhores do teatro pela turma da APCA. Os três novatos, este vosso colunista, Gabriela Mellão e Maria Eugênia de Menezes, foram recebidos com garbo e carinho pelos veteranos membros. O resultado está aqui.

Sharon Stone
As belas pernas de Maria Eugênia de Menezes, que teimavam em se revelar sob as fendas de seu vestido, foram o comentário da votação. Tímida, ela ficou vermelha ao saber da repercussão pelo crítico Edgar Olimpio de Souza.

Coisa de mulher
A homoafetividade feminina é foco do espetáculo A Última Noite, com direção de André de Araújo. É apresentado diariamente, até 21 de dezembro, às 21h e 23h, no Espaço Confraria, que fica na rua Hanói, 194, em Itapevi, na Grande São Paulo. A apresentação é grátis, mas quem quiser ir precisa se inscrever pelo e-mail: araujomartinspa@hotmail.com

mormaco Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Uma pose para a posteridade do elenco de Mormaço no Núcleo Experimental - Foto: Ronaldo Gutierrez

Turma reunida
Ronaldo Gutierrez fez o registro do elenco de Mormaço, de Ricardo Inhan, no Teatro do Núcleo Experimental do Zé Henrique de Paula. Só gente bonita.

Musos do Teatro
Para saber mais sobre a vida dos Musos do Teatro R7 basta clicar em seus nomes: Angela Ribeiro e Alysson Salvador.

Baixou
A comédia O Olho Azul da Falecida reduziu o preço do ingresso no Teatro Geo, em São Paulo. Vai custar R$ 20 nesta sexta e R$ 30 neste sábado e domingo. São as últimas apresentações da peça da Cia. Limite 151 em São Paulo neste ano.

requien Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Rodolfo Lima comemora dez anos de seu espetáculo inspirado em Caio Fernando Abreu

Viva Rodolfo Lima!
Rodolfo Lima, que a coluna considera um dos melhores atores de São Paulo, fará de 20 de janeiro a 24 de fevereiro de 2013 a mostra Réquiem para Um Rapaz Triste – 10 anos. O objetivo é comemorar uma década do celebrado espetáculo criado por Rodolfo com base nos textos de Caio Fernando Abreu. Será na Casa Contemporânea (rua Capitão Macedo, 370, Vila Mariana, São Paulo, tel. 0/xx/11 2337-3015), em São Paulo. Integram a mostra exposição de fotos, vídeos e os espetáculos Cerimônia do Adeus, Bicha Oca, inspirado em contos de Marcelino Freire, e DESamaDor, adaptação do livro O Amor Esquece de Começar, do poeta Fabrício Carpinejar. Todo mundo tem de ir.

Mistureba boa
O monólogo Artaud dos Rosários será apresentado neste sábado (15), às 21h, no Espaço dos Satyros 2, na praça Roosevelt, em São Paulo.  Escrito por Sandro Karnas, é uma homenagem a Antonin Artaud, Arthur Bispo do Rosário e Kazuo Ohno. Só gente boa. Ah, o ingresso é preço único: só R$ 10. Prestigia, gente!

Programa de férias
Atenção: começa nestas sexta (14) e vai até o dia 27 de dezembro a Mostra Coleção BGA – Brasil Golden Art no Mube (av. Europa, 218, Jardim Paulista; ter. a dom., 10h – 19h). A entrada é gratuita. São 70 obras de artistas contemporâneos das artes plásticas brasileiras. Entre os nomes, estão as conhecidas Adriana Varejão e Beatriz Milhazes. Chiquérrimas.

pipoca circo tihany eduardo enomoto Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Pipoca do palhaço do Tihany voa para a boca do espectador, no registro de Eduardo Enomoto

Pipoca moderna
Eduardo Enomoto, mestre do fotojornalismo e parceiro querido do blog, fez este impressionante registro acima. O exato momento em que o palhaço do Circo Tihany Spectacular joga uma pipoca na boca do espectador. Parabéns, Edu, pelo belíssimo flagrante que traz em si a alegria do circo. Ah, a lona está armada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

Terceira edição
A SP Escola de Teatro lança o terceiro número da revista A[L]BERTO nesta terça (18), às 19h, na sede da praça Roosevelt, 210, em São Paulo. O diretor Ivam Cabral manda avisar que está todo mundo convidado. A capa, abaixo, é de ninguém menos que Angeli. A tiragem é de 4.000 exemplares. Cada um custa R$ 15. A coordenação da edição é de Silvana Garcia. O nome homenageia o jornalista, crítico teatral e ator Alberto Guzik, que morreu em 2010 e de quem a coluna é fã. Viva Guzik.

alberto Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cada da edição número 3 da revista teatral A[L]BERTO, da SP Escola de Teatro - Divulgação


Gente nova no palco
Falando na SP Escola de Teatro, Nayara Zattoni, aprendiz de direção da instituição, registrou com sensibilidade os últimos experimentos cênicos feitos por lá no encerramento deste semestre. A coluna dá um gostinho do que aconteceu, abaixo. Parabéns a todos!

naiara zattoni Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Os experimentos teatrais da nova turma do teatro sob o olhar da futura diretora Naiara Zattoni

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alysson salvador poster1 eduardo enomoto Alyssson Salvador, o músico que o teatro encontrou

Mineiro de Belo Horizonte, Alysson Salvador integra o elenco de Zumbi - Fotos: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

O mineiro Alysson Salvador, eleito Muso do Teatro R7, é um músico que se achou na turma do teatro. Ele é destaque no espetáculo Zumbi, apresentado nas últimas semanas no Sesc Pompeia, em São Paulo, e que aporta na Funarte de Belo Horizonte neste fim de semana [veja o serviço e a crítica ao fim do texto]. Os drads do moço fazem sucesso, sobretudo com o público feminino.

Caçula de cinco irmãos filhos do casal formado pelo metalúrgico Salvador Cruz e a dona de casa Adelina Cruz, foi criado no bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte. O nome artístico é uma homenagem ao pai, que morreu em 2007.

A música sempre correu em suas veias. Tem avôs maestro e violinista. O pai lhe ensinou a apreciar grandes clássicos, chorinho e a música nordestina do centenário Luiz Gonzaga.

alysson salvador poster5 eduardo enomoto Alyssson Salvador, o músico que o teatro encontrou

Alysson Salvador aprendeu a tocar violão sozinho - Foto: Eduardo Enomoto

Os laços com interior de Minas sempre foram fortes. O pai veio da histórica Mariana, a mãe, de Barbacena. Durante um tempo pensou que seria atleta. Jogou handball em clubes da capital mineira dos 11 aos 18 anos. Mas foi aos 16 que tudo mudou: aprendeu, sozinho, a tocar violão, emprestado por Tia Dadá. Djavan e Gilberto Gil embalavam seus primeiros acordes.

Logo, o esporte ficou de lado e a música ganhou vez. Integrou as bandas de forró Cipó Cravo e Cincopados, o Trio Ara, com Babu Xavier e Adriane Tocafundo, e o grupo Samba de Luiz. Tocou em casas importantes da noite belo-horizontina como Utópica Marcenaria e Vinil. Começou a compor.

A perda do pai foi um divisor de águas. “Quando ele se foi, passei a morar sozinho e comecei a pensar no futuro”, diz.

Em 2010, resolveu levar a sério os estudos musicais. Foi para a Bituca Universidade de Música Popular em Barbacena, apadrinhada por ninguém menos do que Milton Nascimento. “Fui estudar música na cidade em que meu avô foi maestro da banda militar”, conta.

O professor Gilvan de Oliveira o apresentou ao diretor teatral João das Neves e o teatro lhe abriu as portas. Logo, conheceu também Maurício Tizumba, grande agitador da cena cultural mineira, com quem passou a trabalhar. “Comecei fazendo música no teatro, mas sempre em cena também”.

No último ano, veio o convite para integrar o elenco de Zumbi, remontagem do texto clássico do teatro negro escrito por Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri 47 anos atrás. Após turnê no Rio e em São Paulo, o espetáculo aporta em sua cidade natal neste fim de semana. A família vai comparecer. E uma pessoa é especial: a mulher, a nutricionista Maria Fernanda Marent.

Já ensaia dois novos espetáculos para 2013, com Maurício Tizumba: Clara e o Avarento. E deixa as coisas acontecerem. “Sou muito tranquilo. Nada veio fácil, mas quando se caminha corretamente, as coisas vêm. Tenho o sonho de me consolidar como compositor. O passo é curto, mas é firme. Vou seguindo, dizendo algo com minha arte e buscando cada vez mais o conhecimento. Porque é um pilar que ninguém derruba”.

alysson salvador poster2 eduardo enomoto Alyssson Salvador, o músico que o teatro encontrou

Alysson Salvador ensaia dois novos espetáculos para 2013: Clara e O Avarento - Fotos: Eduardo Enomoto

Zumbi
Avaliação: Regular
Quando: Quinta a sábado, 20h; domingo, 19h. Até 16/12/2012
Onde: Funarte de Belo Horizonte (r. Januária, 68, Floresta, BH, Metrô Estação Central)
Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)
Classificação: 14 anos

Crítica de Zumbi:

Marco do teatro político e da própria história da dramaturgia nacional, o texto de Zumbi, escrito por Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri em 1965, ganha montagem 47 anos depois de marcar época no Teatro de Arena. O diretor João das Neves assume a nova versão. Após passar pelo Rio e por São Paulo, a saga de Zumbi dos Palmares chega a Belo Horizonte, com suas músicas compostas por Edu Lobo.

O destaque da remontagem é a boa direção musical, assinada pela cantora mineira Titane, que criou inventivos arranjos e afinou os atores. Mas o bom som não esconde a inexperiência cênica do elenco, que incorre em uma interpretação rasa e pouco convincente.

O cenário é inventivo, mas peca por encobrir boa parte da encenação, deixando o público em uma busca frustrada pelas expressões do elenco. Apesar do mérito em remontar um texto que fez história em nosso teatro e de recuperar a história de um importante líder negro, a sensação final que se tem é que o espetáculo é datado, bem como sua dramaturgia. É como se entrássemos em uma máquina do tempo e fôssemos transportados para aquela época em que o discurso maniqueísta e simplório fazia sentido, em um tempo onde havia a luta do bem contra o mal. As coisas não são mais tão simples assim. Nem o teatro.

Conheça também a Musa do Teatro Angela Ribeiro!

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HELENA CERELLO 1 Entrevista de Quinta: Helena Cerello, atriz

Cria do teatro, Helena Cerello está na série Como Aproveitar o Fim do Mundo - Fotos: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

A partir desta quinta-feira (13), a atriz Helena Cerello, 35 anos, rosto conhecido dos palcos paulistano, estará também na TV. Ela participa dos próximos dois episódios da série Como Aproveitar o Fim do Mundo (Globo), na qual interpreta a irmã da protagonista vivida por Alinne Moraes.

Em janeiro de 2013, ela também estará na série Família Imperial, do canal pago Futura, na qual viverá a amante do imperador Dom Pedro 2º.

Seja na TV, no cinema ou no teatro, Helena faz sua arte chegar a gente de todas as idades. É também protagonista de Alice no País das Maravilhas, elogiada peça infantil da Le Plat du Jour que está em sua nona temporada. Recentemente, idealizou a montagem de Il Viaggio, texto inédito de Fellini no Brasil que, após temporada paulistana, faz turnê no interior paulista em março de 2013. E ainda sobra tempo para cantar na banda performática Cabareteras.

Casada com o também ator Raul Barretto, do grupo Parlapatões, com quem tem uma filha, Aurora, de dois anos, Helena esteve na sede da Record, na Barra Funda, em São Paulo, onde conversou com a reportagem do Atores & Bastidores do R7 sobre este momento especial em sua carreira na Entrevista de Quinta. Leia com toda calma do mundo:

HELENA CERELLO 3 Entrevista de Quinta: Helena Cerello, atriz

A atriz Helena Cerello nasceu em São Paulo - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado - Como foi fazer essa participação na série Como Aproveitar o Fim do Mundo?
Helena Cerello - Acho que dei muita sorte desde o começo, porque o Zeca Bittencourt, que fez meu registro na Globo, me recebeu muito bem. Aí me chamaram, fiz o teste e passei. Dei sorte de cair na equipe do diretor José Alvarenga Jr., que é quase um ambiente de um grupo de teatro.

Miguel Arcanjo Prado - Qual é sua personagem?
Helena Cerello - Vou fazer a Lívia, que é irmã da Kátia, personagem da Alinne Moraes, que é um doce de pessoa.

Miguel Arcanjo Prado - Ela é mesmo doce. Passei um dia com ela gravando um comercial e me lembro que ela comia mais do que eu, um pratão de arroz, feijão e farinha! [risos]
Helena Cerello - Ela é uma luz. Ela não é linda, é uma miragem! E o Danton Mello é um fofo também. Minha personagem é a irmã que aparece com o marido, que será o Renato Caldas, que também ator de São Paulo. Gravamos em uns 20 dias. Eu sou uma irmã que ela procura em um momento de dificuldade...

Miguel Arcanjo Prado - É a irmã rica?
Helena Cerello - Muito! [risos] E elegantérrima! Ela é chique, mas tem momentos muitos patéticos.

Miguel Arcanjo Prado - Como foi entrar em contato com a linguagem da TV?
Helena Cerello - O Alvarenga foi maravilhoso, explicou detalhadamente tudo o que queria. Ele falou: "Vamos afinar vocês, sei que vocês vêm do teatro, de São Paulo", foi muito cuidadoso. Ele entende muito bem a linguagem do humor. Teve uma cena na qual até o câmera começou a dar risada, e ele teve de parar. Aí, percebi que estava funcionando.

Miguel Arcanjo Prado - Vamos agora falar um pouco do teatro. Alice é um sucesso...
Helena Cerello - Alice para a minha vida é um marco. Cheguei a engravidar e estava com três semanas e descobri que havíamos ganho o Proac com Le Plat du Jour. Só que acabei perdendo aquele bebê. Então, Alice veio para me ajudar em um momento de tristeza muito grande. Foi um sucesso trabalhar com a recepção calorosa das crianças que nos acolheram. É um espetáculo que foi muito prestigiado pela imprensa e o público. Está na nona temporada!

Miguel Arcanjo Prado - Como você consegue o frescor de uma menina?
Helena Cerello - Acho que veio da dança, que faço desde pequena. Fiz balé, contemporânea, brasileira, capoeira... Então, entendi logo o físico da Alice. Ela é pré-púbere. Não é mais só uma criança e o corpo dela diz isso. A Alice vai porque ela quer. Ela tem a consciência de seu domínio e de sua sedução, mesmo ainda sendo algo leve, infantil. A Alice cresce e se redescobre.

HELENA CERELLO 4 Entrevista de Quinta: Helena Cerello, atriz

Helena Cerello foi responsável por trazer texto inédito de Fellini ao Brasil - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado - E você também foi responsável pela montagem de um texto inédito de Federico Fellini, Il Viaggio. Como foi isso?
Helena Cerello - Sou descendente de italianos e estive na Itália em 2008 para tirar passaporte de lá. Estava andando um dia por Milão e entrei em uma livraria, onde fiquei cinco horas. Veio uma mulher ruiva que me trouxe um monte de livros. Entre eles, estava o roteiro italiano de Il Viaggio. Comprei na hora. Engravidei e, depois que tive minha filha, fiquei mais quieta e consegui traduzir. Pensei: quero montar essa história! E corri atrás.

Miguel Arcanjo Prado - Como foi a formação do elenco, que é bem eclético? Tem o Ésio Magalhães, do Barracão Teatro, o Ed Moraes, da Cia. dos Inquietos...
Helena Cerello - O Ésio Magalhães eu já tinha vontade de trabalhar há um tempão. Já tinha tido ele como preparador. A Bete Dorgam era outra... Eu fui pensando com quem eu tinha afinidades. E gente que tinha a ver com Fellini. Ele dizia na época que queria filmar esse roteiro com grandes palhaços de sua época. Então, peguei pessoas ligadas a este universo. E os palhaços são ótimos para trablahar. Se você quiser montar um elenco tranquilo, chame palhaços, porque eles não dão trabalho nenhum! [risos]

Miguel Arcanjo Prado - A peça continua em 2013?
Helena Cerello - Sim. A agenda de todos é complicada. Mas vamos reestrear em março no interior de São Paulo, vamos passar por Ribeirão Preto, Santos, Araras e Jaguariúna. Mas queremos voltar, sim, para São Paulo. E quem sabe fazer no Rio também? O Marcelo Rubens Paiva, que adaptou o texto para o teatro, tem esse sonho também.

Miguel Arcanjo Prado - Você é bem relacionada!
Helena Cerello - O Paiva é meu padrinho de casamento! Faço teatro desde 1996, mas desde que comecei a namorar com o Raul [Barretto, do Parlapatões] e me casei com ele, acabei tendo contato com muita gente que já tinha uma relação carinhosa com os Parlapatões. Teatro é tão difícil que se a gente não achar a nossa turma, em quem possamos confiar, fica complicado. E eu sou apaixonada pela turma do circo. É uma familiona.

Miguel Arcanjo Prado - Você é paulistana?
Helena Cerello - Nasci aqui, mas minha família vem do interior. Meu pai se chama Antenor Cerello e é advogado. É uma figura, um personagem de Fellini. Bravo e divertidísismo, uma fonte de inspiração para mim. Tem mais de 60 anos e trabalha muito. Minha mãe se chama Márcia Cerello, é socióloga e é das artes. Faz pintura. Tenho também uma irmã advogada, Virgínia Cerello, que se casou com um italiano, foi morar em Milão e agora está começando a tralhar com moda.

Miguel Arcanjo Prado - Como você era quando criança?
Helena Cerello - Eu era muito tímida. Quando ia para o interior, ficava impressionada com aquelas pessoas que sabiam contar histórias. E também sempre gostava de fazer dupla de palhaços nas festas. Mas acabei deixando isso de lado e fiz faculdade de administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas. Entrei novinha, com 17 anos, e aquele universo duro dos números começou a mexer muito comigo. Então, comecei a fazer cursos livres de teatro.

Miguel Arcanjo Prado - Era para você ser uma executiva?
Helena Cerello - Era! [risos] Eu me formei e recebi uma proposta para ganhar R$ 10 mil. Não contei para ninguém, porque não queria. Meu pai sempre cobrava o diploma. Cheguei a entrar um pouco em crise, saí da faculdade, mas meu pai conseguiu fazer eu voltar. Depois que me formei, resolvi fazer uma boa escola de teatro. Fiz o Célia Helena, onde fiz muitos amigos, como a Ligia Cortez. O que me levou a fazer teatro foi a sede que tinha por essas coisas que me conectam com outros indivíduos e a possibilidade de contar grandes histórias.

Miguel Arcanjo Prado - Como você conheceu o Raul?
Helena Cerello - Foi muito engraçado. Quando eu tinha 12 anos, achei um livro que mandava eu escrever o nome de uma pessoa que seria importante na minha vida. Não sei porque escrevi Raul. E passaram-se muitos anos e acabei conhecendo ele! Estamos juntos há dez anos e temos uma filha linda de dois anos, a Aurora.

Miguel Arcanjo Prado - E como concilia a vida de atriz com ser mãe?
Helena Cerello - Sempre você está abrindo mão. Fui no Rio gravar e nunca tinha ficado uma semana longe da Aurora. É difícil. É uma equação que não fecha. Só as mães entendem. É claro que o pai e os avós ajudam, mas a gente sempre fica com o coração dividido. Eu divido muito com minhas amigas que também são mães e amam seus trabalhos. O segredo também é produzir suas coisas.

Miguel Arcanjo Prado - E o que mudou ao ser mãe?
Helena Cerello - Ser mãe é ter a consciência da finitude. Porque quando você é jovem você não pensa na morte. Mas quando você tem um filho, aquele bebê sai da sua barriga, mal respira direito, você toma consciência da responsabilidade que você tem diante daquele bichinho que respira, que tem vida.

HELENA CERELLO 2 Entrevista de Quinta: Helena Cerello, atriz

Helena Cerello é mãe da pequena Aurora: "Ser mãe é ter consciência da finitude" - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado - E sua relação com cinema?
Helena Cerello - Todo ator quer fazer cinema, porque tem mais liberdade para contar grandes histórias do que a TV. O Maistroianni falava que cinema é a possibilidade de viajar e conhecer o mundo por lugares onde você não entra como um turista comum. Já fiz participações nos filmes Garotas do ABC e Quando Dura o Amor?. Também fiz um filme do diretor dinamarquês Jorgen Leth, The Erotic Man, produdizdo por Lars Von Trier. Filmamos em 2008 e foi lançado em 2010.

Miguel Arcanjo Prado - Você também estará na série Família Imperial?
Helena Cerello - Sim! Vou ser a amante do Dom Pedro II, a Condessa de Barral. Muita gente de teatro participou. O legal é que essa personagem história foi tutora da Princesa Isabel e deu uma educação liberal para ela. Tanto que depois ela aboliu a escravidão...

Miguel Arcanjo Prado - Quando você pensa em futuro, onde você deseja chegar?
Helena Cerello - Vou citar o Fellini: "Eu quero fazer sucesso suficiente para poder fazer meu próximo filme". Gostaria muito que meu trabalho atual me levasse para outros. E, pensando na minha função com artista, quero sempre ter clareza para encontrar histórias que minha voz consiga dar amplitude. Histórias que façam sentido e transformem as pessoas, em prol de algo mais justo, mais humano.

Miguel Arcanjo Prado - E valeu a pena deixar de ser executiva para virar atriz?
Helena Cerello - Depois de aprender a mexer na bolsa de valores em inglês, eu só te digo uma coisa: tem que jogar mesmo tudo para o alto se é para fazer aquilo que se gosta. E meu lugar é o palco. É o que me faz feliz.

CONVERSA Entrevista de Quinta: Helena Cerello, atriz

O jornalista Miguel Arcanjo Prado conversa com a atriz Helena Cerello para a Entrevista de Quinta do R7

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namibia nao blog rubens nemitz jr Teatro negro ocupa o Arena 47 anos após Zumbi de Augusto Boal e Guarnieri com Namíbia, Não!

Flávio Bauraqui e Aldri Anunciação em Namíbia, Não!, com direção de Lázaro Ramos - Foto: Rubens Nemitz Jr./Clix

Por Miguel Arcanjo Prado

No fictício ano de 2016, os brasileiros "de melanina acentuada" são obrigados por um decreto goveranmental a ser deportados de volta à África, de onde seus antepassados foram trazidos escravizados. Este é o argumento da peça Namíbia, Não!, carro-chefe da ocupação do histórico Teatro de Arena, em São Paulo, na mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada.

O evento acontece 47 anos depois de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal escreverem a peça Arena Conta Zumbi, marco da temática negra no teatro nacional. O texto precisou ser escrito por dois descendentes de imigrantes europeus, italianos e portugueses, respectivamente. Agora, eis que o próprio negro toma as rédeas da dramaturgia e da encenação de sua história.

O espetáculo Namíbia, Não! é de autoria do baiano Aldri Anunciação, que além de escrever o texto, contracena com o ator gaúcho Flávio Bauraqui.  A direção é do também baiano Lázaro Ramos. Todos negros. A comédia dramática foi um dos destaques do Festival de Curitiba deste ano.

"Negros são invisíveis"

O R7 se encontrou com Aldri e Flávio no hotel onde estão hospedados, na Vila Mariana, em São Paulo, nesta quinta (13). Durante um bate-papo descontraído, Aldri, idealizador da mostra, contou que tudo partiu de uma pergunta feita por uma repórter no Sul do Brasil. Ela questionou por que havia tão poucos autores negros na dramaturgia nacional.

"Na hora, pensei de cara em uns dez nomes, como a mineira Grace Passô, e vi que estávamos invisíveis. Resolvi mostrar a nossa força nesta mostra, onde estão presente 18 autores negros da dramaturgia contemporânea brasileira, além da leitura dramática de dez novos espetáculos".

O debate também está garantido, com dez palestras ao longo da programação. Aldri quer dar amplitude ao discurso artístico do negro. Em sua opinião, o assunto racial não precisa ser foco único: "O negro já é tão estereotipado na atuação. Por que também estereotipar o autor negro?".

No futuro próximo, ele pretende levar a questão para o ambiente acadêmico: "Quando fiz UFBA [Universidade Federal da Bahia] e depois me transferi para a UniRio [Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro] percebi que a academia era carente da história da dramaturgia negra. O único autor negro que estudávamos era o Abdias do Nascimento, e mesmo assim por um viés social e não artístico. Quero levar essa discussão para a universidade".

Negro dono do discurso

Flávio, que já teve atuações destacadas no cinema nacional, como em Madame Satã, afirma gostar de que a peça surja em um momento em que o Brasil discute a situação do negro. O ator é a favor das cotas raciais, assim como Aldri, que mudou de opinião em 2006, depois de ser contra por um tempo.

Os dois concordam que "por enquanto, não há outra saída". Para o gaúcho, "a nova geração tem uma cabeça diferente da anterior para as relações sociais, sexuais e raciais". Ele conta que os estudantes são os mais vibrantes na plateia, o que o faz acreditar que "estamos evoluindo".

Ao dar voz ao discurso do negro no palco histórico do Arena, Aldri recusa o lugar de acusação ou culpa. Mas busca integração: "O probelma racial não é só nosso. Afinal de contas, todo mundo tem melanina", provoca. "Apresentar a peça neste palco é tão especial porque há 47 anos éramos um objeto e agora somos sujeitos com nosso ponto de vista. Fazer Namíbia, Não! e a ocupação da Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada no Arena, onde foi encenado Zumbi, é uma inversão de posições. O negro passa a ser o sujeito responsável por seu discurso, que não é segregador, mas de união, porque esse assunto não é só do negro, mas de toda a sociedade".

Namíbia, Não!
Avaliação: Bom
Quando: Quinta a domingo, 20h. Até 17/2/2012 (recesso entre 17/12 e 9/1)
Onde: Teatro de Arena (r. Teodoro Baima, 92, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3256-9463 )
Quanto: R$ 20
Classificação: 14 anos

Veja a programação completa da mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada!

namibia nao poster rubens nemitz jr Teatro negro ocupa o Arena 47 anos após Zumbi de Augusto Boal e Guarnieri com Namíbia, Não!

Imagens da peça Namíbia, Não! pela sensível lente do fotógrafo Rubens Nemitz Jr., da Agência Clix, que fotografou o Festival de Curitiba 2012

Crítica: Namíbia, Não! dá voz ao discurso do negro

Um dos mais comentados textos do recente teatro baiano, Namíbia, Não!, dirigido por Lázaro Ramos, é assinado pelo baiano Aldri Anunciação, que também atua na obra. A dramaturgia do espetáculo é calcada em uma bem construída reflexão sobre o papel do negro na sociedade brasileira.

O conflito desenvolvido ao longo da encenação surge com um decreto governamental promulgado em 2016, que obriga todos os cidadãos brasileiros “de melanina acentuada” – em uma ótima brincadeira aos termos politicamente corretos vigentes – a retornarem a seus países africanos de origem.

Ao receber a notícia, dois primos negros, o aspirante a um cargo no Itamaraty Antonio (Aldri Anunciação) e o estudante de direito André (Flávio Bauraqui), decidem manter-se encarcerados no apartamento onde vivem para evitar a “deportação” obrigatória caso pisem na rua. Tal aprisionamento provoca nos dois reflexões e mudanças de postura diante da situação.

O cenário cria o interior do apartamento clean onde vive a dupla de primos, todo em cores brancas, em um funcional e belo trabalho de cenografia assinado por Rodrigo Frota.

Despido de qualquer referência à moda afro, os modernos e bem cortados figurinos de Diana Moreira servem para dar aos personagens um ar futurista, não deixando de acentuar a subjugação deles aos padrões estéticos ocidentais como forma de sobrevivência e ascensão social. Apesar disso, as roupas são pretas, contrastando com o ambiente branco onde vivem, numa simbologia do discurso da montagem.

Apesar de provocar risadas na plateia em alguns momentos mais espirituosos, o discurso do texto é forte e preciso. Questiona o tempo todo o papel de marginalidade dado ao negro na sociedade brasileira, lembrando desde a violência dos navios negreiros e dos chicotes nas fazendas Brasil afora até o total desamparo social vindo com a Lei Áurea de 1888, que deixou o negro em um lugar marginal dentro da sociedade brasileira.

O espetáculo tem boas contribuições de vídeos e áudios, gravados por uma turma tarimbada que vai de Wagner Moura a Suely Franco e Luis Miranda. Num inventivo recurso da direção, as vozes e os vídeos contracenam com os personagens e ajudam a conduzir a história.

Contudo, a direção de Lázaro Ramos, apesar dos aspectos positivos já mencionados, peca em deixar os atores investirem na caricatura em muitos momentos, fazendo uso de um registro teatral mais infantilizado como forma de sublinhar os momentos mais dramáticos. Bem conduzida e amarrada no começo, a dramaturgia também se perde na parte final do espetáculo, sobretudo com o falso fim, que na verdade se revela ao público como a porta de entrada para a parte mais confusa da peça.

Mesmo diante dessas escorregadas, a obra tem o mérito inquestionável de levar ao espectador uma discussão corajosa e tão necessária em nossa sociedade, que está muito longe de uma utópica igualdade racial e social. Sociedade esta que deixa o negro, muitas vezes, em um lugar desfavorável. Namíbia, Não! exacerba tal situação para levantar o debate.

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heloisa Heloísa Périssé resolve virar bruxa má em musical

Heloísa Périssé assinou contrato para substituir Maria Clara Gueiros em musical - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Maria Clara Gueiros não será mais a personagem Bruxa Má do Oeste, no musical O Mágico de Oz.

Na temporada paulistana do espetáculo, ela será substituída por Heloísa Périssé.

A direção é da dupla Claudio Botelho e Charles Moëller, que confirmou em seu site oficial a informação.

A estreia em São Paulo está marcada para o dia 22 de fevereiro, no Teatro Alfa.

Luis Carlos Miele, como o Mágico, e Malu Rodrigues, como a menina Dorothy, continuam no elenco, bem como Lucio Mauro Filho, no papel do Leão.

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shrek Rodrigo Santanna e Sara Sarres se preparam para a estreia do musical Shrek no Rio de Janeiro

Contagem regressiva: Rodrigo Sant'anna e Sara Sarres estão no musical Shrek, no Rio - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Os atores Rodrigo Sant'anna e Sarra Sarres estão contando as horas para a estreia do musical Shrek, nesta sexta-feira (14), no Teatro João Caetano, no Rio. Eles vão interpretar, respectivamente, os personagens Burro e Fiona.

Dirigido por Diego Ramiro, a superprodução tem as versões das canções em português assinadas por Claudio Botelho.

A temporada vai até o fim de abril, de sexta a domingo. Os ingressos variam de R$ 25 a R$ 110 (inteira). Saiba mais!

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