eloisa vitz eduardo enomoto Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: em meio ao caos, diretora do Grupo Gattu escreveu peça - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Geralmente, momentos de caos costumam aguçar a criatividade artística. Foi assim com o aguerrido Grupo Gattu de Teatro, que acaba de abrir uma sala própria na zona norte de São Paulo: o Teatro do Sol, no bairro Santana, onde encena a comédia política Reino. O espaço é uma vitória após um grande pesadelo.

O nome é uma forma de espantar a tristeza que a companhia sentiu ao ter de fechar sua antiga sede, um belo casarão na rua dos Ingleses, na Bela Vista, região central de São Paulo, por não conseguir mais dar conta do alto aluguel.

Contudo, em vez de se afundar na depressão, o Gattu resolveu levantar a cabeça e seguir em frente com sua arte, mesmo sem apoio governamental.

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, a diretora da trupe, Eloisa Vitz, conta como foi o processo que culminou na criação do espetáculo Reino, que conta os ditames de uma rainha que não quer abandonar o poder. O público que interprete o recado como quiser.

Eloisa, que é formada pela Escola de Arte Dramática da USP (Universidade de São Paulo) e já integrou o Grupo Tapa, faz observações importantes nesta conversa, como a dificuldade de sobrevivência teatral sem o apoio governamental — o que é oferecido atualmente não dá conta de toda a produção teatral paulistana.

Leia com toda a calma do mundo.

eloisa vitz eduardo enomoto 4 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: Grupo Gattu passou por um pesadelo de sobrevivência - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Vocês chegaram a abrir sede na Bela Vista, mas que teve de ser fechada depois. Foi o preço do aluguel que expulsou vocês do centro?
Eloisa Vitz – Foi. Abrimos a sede e não conseguimos arcar com o aluguel. Ficou muito pesado e sem apoio nenhum, foi difícil, falimos, mas conseguimos nos recuperar!

Miguel Arcanjo Prado – O que acha de outros teatros estarem sofrendo com a especulação imobiliária?
Eloisa Vitz – Não acho que seja a especulação imobiliária que está afetando outros teatros, ou pelo menos não só. Há outros fatores que afetam grupos de pesquisa teatral como o Grupo Gattu. Muitos grupos precisam do apoio do Fomento ao Teatro [programa de incentivo da Prefeitura de São Paulo] para manter suas sedes. A bilheteria não consegue mais manter o grupo. E aí ficamos em uma encruzilhada, porque poucos grupos são contemplados e muitos ficam de fora. O apoio governamental seria fundamental para dar continuidade à pesquisa teatral.

Miguel Arcanjo Prado – Por que o Gattu foi para a zona norte paulistana?
Eloisa Vitz – Primeiro, porque tenho uma relação afetiva com o bairro, sou de Santana, nasci lá e amo aquele bairro. Depois, achamos interessante descentralizar a opção de cultura e levar para a zona norte mais um polo teatral. E construímos o Teatro do Sol, que ficou lindo, e charmoso. E agora é mais um teatro para a cidade de São Paulo. Parece que temos esta missão de construir teatros [risos].

eloisa vitz eduardo enomoto 2 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz é formada pela Escola de Arte Dramática da USP e criou o Grupo Gattu - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Como é voltar à região onde você cresceu?
Eloisa Vitz – Você sabe que fomos tão bem recebidos, a região norte pareceu bastante receptiva com a nossa vinda. Fiquei lisonjeada pela acolhida. Este reencontro está sendo muito produtivo. Estamos criando laços com várias outras companhias que também estão na região.

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que o teatro precisa descentralizar e criar o hábito de frequentá-lo em outras regiões da cidade?
Eloisa Vitz – A cidade de São Paulo é enorme e temos um problema de mobilidade. Acreditamos ser de fundamental importância criar polos de Cultura em todas as regiões, garantindo acessibilidade à cultura de qualidade. Ainda mais que esta peça está com ingressos gratuitos. É lindo e apaixonante poder oferecer este espetáculo assim, totalmente sem empecilhos para a população e seguirmos com a nossa outra missão a de formação de plateia.

Miguel Arcanjo Prado – Como o público tem reagido?
Eloisa Vitz – O público está reagindo de forma fantástica ao espetáculo. As gargalhadas são nosso maior trunfo!

Miguel Arcanjo Prado – Como surgiu a ideia da peça; como foi o processo?
Eloisa Vitz – O processo da peça foi muito interessante. Eu estava destruída, devolvendo a casa, meus atores faziam a mudança e eu não conseguia ajudar a desmontar o teatro lá na rua dos Ingleses. Então, sentei no sofá no meio do caos e comecei a escrever a peça. Foi minha salvação! Depois, estávamos exaustos, eles de carregar refletores, tapetes, cenários e eu de escrever. Parávamos e eu lia as cenas para eles. Estava nascendo O Reino no meio do caos. Estávamos pesquisando a comédia. Depois dos quatro Nelson Rodrigues, queríamos estudar a comédia. Aí, eles me desafiaram a escrever. A princípio não tive coragem de assinar o texto e arranjei o pseudônimo Tito Sianini. Como Tito, fiz Frizante e Rapunzel. Com a peça Reino, tomei coragem e assino [risos].

reino grupo gattu Amanda Semerjion Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz, com a coroa, posa com o elenco de O Reino, nova peça do Gattu - Foto: Amanda Semerjion

Miguel Arcanjo Prado – Já estava na hora! Como é o enredo?
Eloisa Vitz – O Reino é uma comédia política que tem como mote a trajetória de uma rainha que faz de tudo para manter-se no poder. O humor é nossa maior arma. Não temos como mudar nada. Mas denunciamos. Apontamos.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi a seleção do elenco?
Eloisa Vitz – Somos um Grupo com repertório e atores que já trabalham comigo há muitos anos. Então, só escolho dentro do meu elenco, aquele que se encaixa melhor para o personagem.

Miguel Arcanjo Prado – Como o Gattu sobrevive há 14 anos?
Eloisa Vitz – Com paixão. Vivemos com paixão pelo teatro. Isso inclui muito trabalho, de seis a oito horas de ensaio por dia. E o desafio de captar recurso através de Leis de Incentivo Fiscal.

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que a Copa prejudicou o teatro?
Eloisa Vitz – Não. Eu acho a Copa maravilhosa para o Brasil. A questão com a Copa não é o evento em si, mas sim como os políticos aplicaram a verba pública. O que irrita é a corrupção. O desvio de verbas e o superfaturamento das obras. Poderia ser um evento maravilhoso, trazendo divisas, turismo e prosperidade para o País.

Miguel Arcanjo Prado – O Gattu faz também teatro infantil. Qual a importância disso na formação de público?
Eloisa Vitz – Antes não fazíamos, mas confesso que depois da Rapunzel, eu me apaixonei pelo teatro infantil. Amo estar na plateia e ouvir as gargalhadas das crianças! Acho que queremos mais e penso que fazer um teatro infantil de qualidade forma um público fiel ao teatro.

Miguel Arcanjo Prado – Quais são os projetos para 2014 do grupo? E para 2015?
Eloisa Vitz – Primeiro é ficarmos ricos [risos]. Depois, temos o projeto de uma longa temporada com o Reino e outra peça adulta para o segundo semestre, que já estamos ensaiando. Para 2015, um infantil sobre uma lenda brasileira e outra peça adulta!

Miguel Arcanjo Prado – Qual é a cara do teatro que o Gattu faz?
Eloisa Vitz – A excelência artística é a cara do Grupo Gattu. É nosso norte. Depois, temos o humor que nos acompanha sempre e certo ar despretensioso [risos].

eloisa vitz eduardo enomoto 3 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: "O Grupo Gattu tem humor e certo ar despretensioso" - Foto: Eduardo Enomoto

Reino, com Grupo Gattu
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 20h. 75 min. Em cartaz por tempo indeterminado
Onde: Teatro do Sol (rua Damiana da Cunha, 413, Santana, São Paulo, tel. 0/xx/11 3091-2023)
Quanto: Grátis
Classificação etária: 14 anos

Conheça a trajetória de Eloisa Vitz

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sp surrealista bob sousa Teatro do Incêndio inaugura novo espaço na Virada

Cena de São Paulo Surrealista: peça inaugura novo espaço do Teatro do Incêndio - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de BOB SOUSA

O Teatro do Incêndio, sob comando do diretor Marcelo Marcus Fonseca, vai aproveitar o frenesi da Virada Cultural, neste próximo fim de semana, para abrir seu novo espaço.

A trupe celebra maioridade, com 18 anos de história nos palcos paulistanos. A nova sede fica na rua da Consolação, 1.219, região central da metrópole. Antes, o grupo funcionava na rua Santo Antônio, na Bela Vista, mas precisou deixar o local por não suportar mais os altos valores cobrados de aluguel.

A primeira apresentação no novo espaço está marcada para o próximo sábado (17), às 22h, no galpão transformado em teatro de arena. Serão duas sessões seguidas da peça São Paulo Surrealista. Além disso, o grupo promete bloco carnavalesco, poesia e performances em frente ao teatro, antes e após as sessões.

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Barriga do tamanduá

São Paulo Surrealista começa com  um altar com um “grande tamanduá humano”, onde os espectadores são recebidos ao som de um mantra de Rimbaud entoado pelos atores. Da barriga do tamanduá surge o rio Tietê, que leva a plateia até uma banca de jornal com notícias poéticas e caóticas da cidade.

Para completar, Baco visita a metrópole e invoca o escritor Mário de Andrade e o poeta Roberto Piva. No enredo de Marcelo Marcus Fonseca, ainda há espaço para a feminista Pagu, o teórico do teatro Antonin Artaud, o dramaturgo Nelson Rodrigues e o surrealista Salvador Dalí, que surge em uma roda de samba. A peça tem direção musical de Wanderley Martins.

No elenco, além de Fonseca e Martins, estão Sergio Ricardo, Caiti Hauck, Gabriela Morato, Vlad Rocha, Flavio Kage, Priscilla Lima, Camila Bertani, Caio Franco, Ana Cecília Moretto, Valcrez Siqueira, Guilherme Valente Dias, Luiz Castro, Diogo Cintra, Elena Vago, Gustavo Oliveira, Viviane Monteiro e Victor Dallmann.

Depois da maratona, a obra seguirá em temporada aos sábados e domingos.

Nova peça

O grupo revela que já pensa em novo projeto: a peça Pano de Boca, de Fauzi Arap, que já está em processo de ensaio.

“O grupo é um lugar para cerca de 20 jovens exercitarem sua vocação”, diz Fonseca, que deseja que o novo teatro seja “um espaço de pesquisa e formação, sobretudo de experimentação em todos os sentidos”.

sao paulo surrealista bob sousa Teatro do Incêndio inaugura novo espaço na Virada

"Teatro do Incêndio é espaço de experimentação em todos os sentidos", diz diretor - Foto: Bob Sousa

Teatro do Incêndio na Virada Cultural
Quando: 17/5/2014: 20h (Corte da Fita Amarela de Noel Rosa e abertura das portas); 22h (Espetáculo São Paulo Surrealista – primeira sessão); 23h15 (Bloco Carnavalesco  - percurso: Teatro do Incêndio, Casa Amarela e Teatro do Incêndio; e manifestações artísticas na entrada); 1h (Espetáculo São Paulo Surrealista – segunda sessão)
Onde: Teatro do Incêndio (r. da Consolação, 1219, São Paulo, tel. 0/xx/11 2609-3730)
Quanto: Grátis
Classificação etária: 16 anos

São Paulo Surrealista - Temporada
Quando: Sábados, 21h; domingo, 19h. 70 min. Até 7/9/2014
Onde: Teatro do Incêndio (r. da Consolação, 1219, São Paulo, tel. 0/xx/11 2609-3730)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

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Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 1 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

A leveza da atriz peruana Marba Goicochea: poesia na arte brasileira - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Numa cidade feita de gente de toda parte do Brasil e do mundo, cada qual carregando o seu sotaque, sua cultura, a fala da atriz peruana Marba Goicochea é a cara de São Paulo.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 2 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Marba Goicochea no Memorial da América Latina: peruana é a cara da arte de São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

O teatro paulistano, que afirma sempre por aí ter pretensões de dialogar com a diversidade a seu entorno, precisa saber que artistas como ela são fundamentais.

Por isso, a ausência de Marba Goicochea nos palcos empobrece a arte e a cidade.

Marba fez sucesso em peças como El Truco, com Os Satyros, em 2007, e Máquina de Dar Certo, com a Cia. Bruta de Arte, dirigida por Roberto Audio, em 2012.

Sempre utilizando sua figura ímpar como potência poética.

Marba veio de Lima, no Peru, já faz mais de dez anos. Até pouco tempo atrás, morava na praça Roosevelt, reduto do teatro paulistano, onde tem amigos por todos os lados.

Agora, está na vizinha rua Avanhandava, onde há menos barulho de skates e bares, permitindo um sono melhor. Afinal, ela acorda cedo para dar suas aulas de espanhol.

A atriz é doce. Tem uma energia do bem. Que encanta e comove. Passar um tempo ao lado de Marba mexe com a gente.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 8 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

É cheia de doçura e sensibilidade que Marba Goicochea posa para o fotógrafo Eduardo Enomoto

É com essa doçura que ela posa para o fotógrafo Eduardo Enomoto no Memorial da América Latina. Tímida, vai ouvindo as dicas. Aprende rápido. Faz bonito.

Depois, debaixo de uma sombra, tenta, com o português mais lindo do mundo, explicar sua ausência nos palcos. Diz não foi uma decisão só sua. Foram circunstâncias da vida. E também de oportunidades que não chegaram. Mas vão chegar.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 4 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Marba ficou mais de um ano longe dos palcos: circunstâncias da vida - Foto: Eduardo Enomoto

Seu retorno foi no último festival Satyrianas, no fim de 2013, na peça Escola de Tiranos, dirigida por Fransérgio Araújo, com a pesquisa Teatro Selvagem da Cia. Ópera Ritual.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 51 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

A atriz peruana Marba Goicochea: sem ela, e seu sotaque, o teatro fica sem sem poesia - Foto: Eduardo Enomoto

Mesmo no horário das 4h da madrugada houve fila e disputa por entradas. Muitos saíram falando que o grande charme era a menina que falava castelhano.

Por mais que ela seja tímida, sempre é assim quando ela é colocada sob os holofotes.

Marba gosta de trabalhar em processos colaborativos. Onde possa propor algo como artista. Assim será na performance Estylhaço Black!_Obra-Player, uma série de intervenções no espaço urbano, misturando realidade e ficção a partir de junho. A direção é de Pedro Paulo Rocha, filho do cineasta baiano Glauber Rocha, um dos maiores nomes do cinema brasileiro.

Enquanto outras oportunidades não vêm no teatro, no cinema e na TV, ela aproveita o tempo livre para estudar.

Já é formada em cinema e TV no curso de Ciências da Comunicação da Universidad de Lima. E também se formou em musicoterapia no Brasil. E acaba de trancar o oitavo semestre de psicologia para investir no curso de licenciatura em português e espanhol.

Revela que quer melhorar a língua falada de seu cotidiano brasileiro e ainda obter titulação para continuar suas aulas de espanhol em escolas também – Marba é professora requisitada na cidade, reverenciada por alunos que vão de empresários a crianças.

Se a língua máterna caminha junto de seu português, o sotaque sempre foi um fantasma. Que conseguiu assustá-la muitas vezes.

olhos marba goicochea foto eduardo enomoto 2014 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Os olhos de Marba Goicochea: a doce força de uma atriz que resiste - Foto: Eduardo Enomoto

Marba já escutou que precisava perder seu sotaque a qualquer custo. Senão, não teria trabalho. Mas – ainda bem – ouviu de gente mais sensível que seu sotaque trata-se, justamente, de seu bem mais precioso, seu diferencial expressivo.

Num mundo tão pasteurizado pela televisão, que uniformiza tudo e todos, é fundamental que o teatro abra espaço para a resistência de distintos sons. Sons que são realidade na metrópole cosmopolita.

Marba sabe que precisa enfrentar o preconceito por falar diferente dos demais. Mas, pelo menos, já desistiu de se tornar igual a todo mundo. O que faz muito bem.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 61 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Marba Goicochea já desistiu de tentar ser igual a todos e perder o sotaque, o que faz muito bem - Foto: Eduardo Enomoto

“Fico triste que ainda exista este tipo de preconceito, porque queria trabalhar muito mais. Já cheguei a pensar: será que eu devo mesmo perder o sotaque? Amo atuar. Ficar longe da minha profissão é muito duro. É triste. Quem é contra o sotaque internacional, também vai ser contra o sotaque baiano, mineiro... É um preconceito retrógrado nesta época de tanto intercâmbio mundial. Falar que eu preciso perder o sotaque é o mesmo que dizer que o brasileiro precisa se adaptar ao inglês americano para conquistar algum lugar no mundo. Por que tem de perder o sotaque? Se ele é justamente a nossa riqueza? É a diferença que deixa a vida mais bonita”, diz.

Marba está coberta de razão.

Marba Goicochea Foto Eduardo Enomoto 2014 31 A poesia do sotaque peruano de Marba Goicochea

Marba Goicochea: "A diferença é que deixa a vida mais bonita" - Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Memorial da América Latina (Marília Balbi); Carmem San Diego (maquiagem); Finéias (cabelo) e Otto Barros.

Leia o perfil de Marba Goicochea!

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marrua parlendas Sabina Ciari Teatro de Rua: Marruá é oferta poética e sincera ao público que luta pela existência digna e resiste

Grupo Parlendas investigou raízes do Brasil para fazer a peça Marruá - Foto: Sabina Ciari

Por LUIZ EDUARDO FRIN*
Especial para o Atores & Bastidores do R7

Marruá é o nome dado ao boi não domesticado, que se desgarra do rebanho e se fortalece ao permanecer selvagem e livre.

Não por acaso, Marruá também é título do espetáculo do Grupo Teatral Parlendas, com direção de Luciano Carvalho para a criação coletiva, que será apresentado no próximo fim de semana no Sesc Itaquera, em São Paulo, dentro da programação da Virada Cultural [veja serviço ao fim].

marrua2 Teatro de Rua: Marruá é oferta poética e sincera ao público que luta pela existência digna e resiste

Marruá: oferta de Brasil ao público - Foto: Sabina Ciari

No fim de 2013, mais especificamente no dia 4 de dezembro, a obra foi apresentada na praça do Patriarca, no centro paulistano. Ao término, em meio ao frenesi da metrópole, com um sorriso, a atriz Natália Siufi convidou o público a comer uma melancia. Segurando a fruta que fora utilizada em cena, ela disse algo como: “Vamos comer, gente! A comida é pouca, mas a gente sabe repartir... Como repartimos com vocês essas histórias que criamos a partir de relatos de pessoas que vivem em comunidades de resistência, como assentamentos, que visitamos pelo Brasil".

A fala da atriz sintetizou o que o que acabara de ser mostrado: o espetáculo Marruá é uma grande oferenda e um grande convite.

Durante o espetáculo, a oferta de músicas e danças inspiradas na cultura popular convida o público a conectar-se, ou a reconectar-se, com referências estéticas esquecidas, abandonadas, ou, renegadas na grande cidade.

Compõem o elenco Asnésio Bosnic, Dara Freire, Danilo Villa, Elton Maioli, Marina Vecchione, Maria Gabriela D'Ambrozio, Mário Queiroz Viana e a já citada Natália Siufi. Já a parte musical é fruto do trabalho de Tião Carvalho, Eric D`Avila, Igor Giangrossi e Fábio Pinheiro.

A oferta de uma movimentação cênica com marcações precisas convida o espectador a adentrar no mundo da representação, da teatralidade; ao mesmo tempo em que compartilha com ele esses procedimentos contemporâneos de encenação.

marrua parlendas Sabina Ciari 22 Teatro de Rua: Marruá é oferta poética e sincera ao público que luta pela existência digna e resiste

Marruá tem sessão na Virada - Foto: Sabina Ciari

Também é contemporânea a estruturação fragmentada da dramaturgia. A oferta dos blocos narrativos que se sucedem convida o público a procurar por uma história, por uma fábula, e o faz constatar que a narrativa que se estrutura por retalhos é a que se apresenta concretamente, todos os dias, a cada espectador presente: Marruá é sobre a luta, a luta pelo existir com dignidade. A luta para se desgarrar do rebanho e enfrentar os desmandos dos poderosos de todos os lugares.

Os figurinos são funcionais e representativos; ou seja, servem como elemento neutro que veste atores e atrizes de um grupo de teatro em performance na rua, assim como demonstram características específicas das personagens representadas.

As movimentações cênicas são, em momentos, precisas com a proposição de se constituírem em elementos componentes das narrativas. Em outros, são livres e buscam incentivar a participação dos espectadores.

A cenografia, composta por objetos simples como bastões e cordas, serve ao objetivo de representar estruturas dos ambientes nos quais a ação se dá; como as cercas que delimitam territórios – físicos e simbólicos – e que precisam ser derrubadas.

Elemento importante do espetáculo é a poética e inspirada confecção dos adereços feitos por artistas de diferentes partes do País e que trazem, concretamente, para o palco, as andanças do grupo.

No final, como uma representante do grupo, Natália Siufi não esconde o orgulho de convidar a todos para que a partilha simbólica da arte seja realçada pela partilha do alimento.

O público não faz cerimônia e, em instantes e em festa, devora a melancia; e o espetáculo se completa.

*Luiz Eduardo Frin é ator formado pelo Indac- Escola de Atores, onde é professor de Montagem de Espetáculos, Estética e História do Teatro. Mestre e Doutorando em Artes Cênicas na Unesp (Universidade Estadual Paulista) sob a orientação do prof. dr. Alexandre Mate. Atuou e dirigiu diversos espetáculos teatrais, musicais e operísticos. A coluna Teatro de Rua é idealização do fotógrafo Bob Sousa; ela é escrita por pesquisadores da pós-graduação do Instituto de Artes da Unesp, onde ele faz mestrado.

Marruá, com o Grupo Parlendas
Quando: Sábado (17/5/2014), 18h30
Onde: Sesc Itaquera (av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000, Itaquera, São Paulo, tel. 0/xx/11 2523-9200)
Quanto: Grátis (programação Sesc da Virada Cultural)
Classificação etária: Livre

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ze celso jennifer glass Zé Celso impressiona gringos e prorroga temporada de Walmor y Cacilda 64 : Robogolpe no Oficina

Zé Celso em cena de Walmor y Cacilda 64 - Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Cerca de seis diretores estrangeiros que participam do fórum sobre os 450 anos de nascimento de William Shakespeare, People’s Palace Projects, no Centro Cultural Banco do Brasil, estiveram no Teat(r)o Oficina no último domingo (11), em São Paulo.

Entre o grupo, havia o artista inglês e diretor artístico do projeto, Paul Heritage, além de um diretor indiano e até uma diretora vinda da Malásia.

Eles foram assistir à peça Walmor y Cacilda 64: o Robogolpe, a nova montagem com autoria e direção de José Celso Martinez Corrêa, o nosso Zé Celso. A peça aborda o período em que a ditadura militar foi imposta ao Brasil, bem como seus efeitos catastróficos na classe artística.

walmor fred steffen danielle rosa Zé Celso impressiona gringos e prorroga temporada de Walmor y Cacilda 64 : Robogolpe no Oficina

Os atores Fred Steffen e Danielle Rosa em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

Copa e legendas em inglês

Os gringos foram os primeiros a se beneficiar das legendas em inglês, que foram implementadas na obra neste último fim de semana. Eles ficaram impressionados com o que viram; não só com a encenação, como também com o elenco jovem do Oficina.

O Oficina resolveu incorporar as legendas em inglês à peça para facilitar a vida dos estrangeiros que estão no Brasil por conta da Copa do Mundo. Cosmopolita, o grupo convida a todos a conhecer o trabalho. Uma dica: quem quiser aproveitar as legendas, deve sentar-se do lado direito do teatro para quem está entrando. Assim, consegue ver melhor o letreiro projetado no telão acima da banda.

Oficina na Virada

Walmor y Cacilda 64: Robogolpe vai participar da Virada Cultural no próximo sábado (17), com entrada gratuita. A sessão começa 21h, mas os ingressos começarão a ser distribuídos às 20h. A dica é chegar cedo, porque, com certeza, haverá fila.

Um detalhe curioso sobre a peça: ela tem "apenas" duas horas de duração, coisa rara no Oficina, que costuma realizar obras com mais de cinco horas.

Temporada prorrogada

Por conta da grande procura pela peça, Zé Celso resolveu prorrogar a temporada até 29 de junho, sempre aos sábados, 21h, e domingo, 19h. A classificação etária é 16 anos.

O endereço Teat(r)o Oficina fica na rua Jaceguai, 520, no Bixiga, região central de São Paulo. O ingresso custa R$ 40.

walmor cacilda jennifer glass Zé Celso impressiona gringos e prorroga temporada de Walmor y Cacilda 64 : Robogolpe no Oficina

Zé Celso e a turma do Teat(r)o Oficina: ditadura militar em debate - Foto: Jennifer Glass

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pesadelo Crítica: Cabeça decapitada falante trava guerra fantástica com homem no musical Pesadelo

Musical Pesadelo, da Cia Sala Escura de Teatro, está em cartaz no Rio de Janeiro - Foto: Humberto Araújo

Por ÁTILA MORENO, no Rio
Especial para o Atores & Bastidores*

Inimigos declarados também são aliados ocultos, já dizia Deepak Chopra no livro Efeito Sombra. Por mais que o escritor indiano não seja uma referência assumida no espetáculo Pesadelo, em cartaz no Rio, a última parte da Trilogia da Cia Sala Escura de Teatro, há de se considerar que esta frase e a filosofia por trás do livro caem muito bem no abismo enigmático encenado pelo grupo.

A história mirabolante conquista pelo seu realismo fantástico. O personagem principal, interpretado pelo convincente Bruno Quaresma, se depara, depois de um dia estressante, num universo particular e intrigante.

pesadelo maria assuncao1 Crítica: Cabeça decapitada falante trava guerra fantástica com homem no musical Pesadelo

A atriz Maria Assunção vive a cabeça decapitada no musical de realismo fantástico - Foto: Humberto Araújo

A cabeça de uma mulher (a atriz Maria Assunção) toma vida e resolve raptar o protagonista para um mundo onírico/paralelo. Ali, ambos vão travar um duelo sem saída.

E detalhe, tudo isso orquestrado por uma banda ao fundo e mais 12 atores em cena, desfilando pelo inferno ou purgatório, como queira o espectador. Sim, estamos falando de um musical fantasmagórico, em que os delírios se tornam bastante inquietantes, por sinal.

O autor e diretor Iuri Kruschewsky, que se inspirou nas obras do psiquiatra suíço Carl Jung e do romancista britânico Lewis Carroll, de Alice no País das Maravilhas, consegue trazer uma originalidade, difícil de encontrar hoje nos palcos, inclusive nos musicais.

O texto é afiadíssimo, propositalmente confuso e irônico, e não poupa espaço para dilacerar as sensações do público.

Por mais que Pesadelo caia na tentação de trazer tantas referências e cacofonias, e ainda com elenco de apoio fraco, a peça acerta justamente por agrupar outros notáveis elementos teatrais.

A coreógrafa e bailarina Lavínia Bizzotto não poupa movimentos para expressar a sexualidade reprimida de seus personagens.

A cenografia de Flávio Graff invade realmente o palco, com passarelas e vitrines, indicando um labirinto mental. A figurinista Elisa Faulhaber dá o tom claustrofóbico e escuro que a peça exige.

No entanto, o ponto alto está nas mãos de Maria Assunção. A atriz tem a difícil tarefa de convencer o público de que ali está uma cabeça falante. Mas ela vai além. Dá consistência a seu complexo personagem, com os mais variados níveis de tensão, rancor e solidão, vociferados sem dó para o público.

Pesadelo vai desmembrando as agruras de homem aparentemente preso no seu próprio pesadelo? Ou é a batalha dele contra seus medos? Ou mesmo uma interminável guerra contra o seu passado? Não espere respostas prontas e se atente para um final desafiador.

Pesadelo
Avaliação: Bom
Quando: Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 20h. 1h25. Até 25/05/2014
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto (Rua Humaitá 163, Humaitá, Rio, tel. 0/xx/21 2535-3846)
Quanto: R$ 30
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Cabeça decapitada falante trava guerra fantástica com homem no musical Pesadelo

*Jornalista mineiro radicado no Rio, Átila Moreno é graduado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC-Minas.

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Foto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

enrico bonavera bob sousa 2014 O Retrato do Bob: O mestre italiano Enrico Bonavera, porta bandeira da commedia dell’arte

O mestre italiano Enrico Bonavera posa no Teatro Commune, em SP - Foto: Bob Sousa

Enrico Bonavera é um dos maiores nomes da commedia dell’arte. O italiano, estrela do Piccolo Teatro de Milão, está em São Paulo, onde começa uma oficina sobre este gênero teatral nesta segunda (12), no Teatro Commune, em parceria com a SP Escola de Teatro. É a sexta vez que visita o Brasil. Além de São Paulo, conhece Campinas, Rio, Salvador, Foz do Iguaçu e Ouro Preto. Diz ser “apaixonado pela cultura brasileira” e revela escutar “Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil”. Desde 1980, estuda o personagem Arlecchino, o nosso arlequim, que considera “muito difícil” de fazer. “É uma psicologia muito elementar, é como uma criança. É preciso regressar às origens”, diz. E declara ser apaixonado pelo jogo no palco: “Teatro é vida, é experiência, é humano”. Conta que trouxe “suas coisas” para o personagem. “Como o palhaço, um arlequim só está pronto depois de décadas, porque o tempo madura a capacidade de se comunicar e emocionar o público. Isso é importante; a técnica é só um veículo”. E entrega quem é seu mestre: “Ferruccio Soleri, que tem 85 anos e ainda atua". Sobre a commedia dell’arte na atualidade, é temeroso. “O problema é sério. Muita gente não entende que commedia dell’arte é teatro; não é só caricatura. Muitos atuam de uma maneira superficial. É preciso evoluir”. Se puxa a orelha de alguns, também elogia: “Gosto do trabalho do Lume Teatro, de Campinas; é o grupo que mais gosto no Brasil”. Lembra que é preciso compreender o tempo teatral. “Muitas vezes, tenho a sensação de que vivemos um fast food no teatro”, define. Para quem deseja se aprofundar, recomenda a leitura do livro A Arte Mágica [Editora É Realizações], de Amleto Sartori e Donato Sartori, lançado no Brasil no ano passado. E ele sabe o que diz. Já colaborou com o Odin Teatro de Eugenio Barba e ganhou na Itália o Prêmio Arlecchino de Ouro, troféu antes concedido apenas a mestres do quilate de Marcel Marceau, Dario Fo e Ferruccio Soleri. Antes de ser retratado pelo nosso Bob Sousa, empunhando sua primeira máscara de Arlecchino, que conserva com carinho desde 1980, faz questão de dar uma última, e importantíssima, dica: “O teatro é um trabalho de relações”.

Saiba informações da oficina com Enrico Bonavera

Visite o site de Enrico Bonavera

Visite o site de Bob Sousa

Baixe o livro Retratos do Teatro, de Bob Sousa

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rosa papel crepom Domingou: Feliz Dia das Mães!

"Com medo de que se amassassem, escolhia um cantinho estratégico para colocar a rosa e o cartão"

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Na escola, a gente sempre fazia uma rosa de papel para dar para ela. Durante a semana, a professora logo avisava que todos teriam de ilustrar também seus respectivos cartões para entregá-la em seu dia.

Era todo um frenesi. Uma boa quantidade de lápis de cor sobre a mesa, para dar aquele belo colorido. Quem não tinha tantas opções assim, recorria aos colegas mais afortunados, aqueles que tinham caixas de 24, 36 cores, o suprassumo.

E, junto do cartão, tinha a rosa de papel crepom. Que, se molhada, soltava tinta. A gente mesmo fazia, uma a uma, com a ajuda da professora. Os mais desenvoltos ajudavam os desastrados. Afinal, era bem trabalhoso. Tinha de ter todo o cuidado do mundo.

E aí a gente levava tudo escondido na mochila, ao fim da aula de sexta-feira. Com medo de que se amassassem, escolhia um cantinho estratégico para colocar a rosa e o cartão. O sábado demorava a passar. A ansiedade pelo domingo era grande.

Até que, após o sono rápido de criança, amanhecia. A gente acordava correndo. E, antes mesmo de lavar o rosto ou escovar os dentes, buscava as preciosidades no cantinho secreto e corria para o quarto dela.

E ela, meio sonolenta ainda, abria aquele sorriso ao ver a gente, com o cartão e a rosa na mão, dizer da forma mais carinhosa e simples do mundo: Feliz Dia das Mães!

Para Nina, minha mãe

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e acha a sua mãe a melhor mãe do mundo. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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lidiane shayuri sarah Lidiane Shayuri leva pequena Sarah para ver musical infantil O Menino Maluquinho em São Paulo

A apresentadora Lidiane Shayuri e sua filha, Sarah, posam frente ao cartaz do musical - Foto: Michael Keller

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Apresentadora do telejornal Hora News, na Record News, a jornalista Lidiane Shayuri levou sua filha, a pequena Sarah, para assistir ao musical O Menino Maluquinho, em São Paulo.

A superprodução, baseada no texto clássico do jornalista, cartunista e escritor mineiro Ziraldo, está em cartaz no Teatro Bradesco, no shopping Bourbon, até 25 de maio.

Lidiane conta que Sarah é fã do personagem desde pequena e que a menina "ficou encantada com a peça".

Admiradora dos palcos, desde pequena a garota acompanha a mãe em espetáculos infantis que estão em cartaz na capital paulista.

Um ótimo exemplo de arte unindo mãe e filha neste Dia das Mães.

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robson catalunha foto rodolfo magalhaes Dois ou Um com Robson Catalunha

O ator paulista Robson Catalunha, integrante do grupo Os Satyros - Foto: Rodolfo Magalhães

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Robson Catalunha é ator. Paulistano que passou parte da adolescência em Sorocaba, no interior, voltou à capital em 2009 para integrar o elenco do grupo Os Satyros. Em 2010, protagonizou a montagem Zucco. Desde então, integra as produções da trupe, seja no palco ou nos bastidores. No momento, está na maratona E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias e também em Os Que Vêm com a Maré, no Espaço dos Satyros 1, na praça Roosevelt, centro paulistano. O artista aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Amor pra sempre ou amizade colorida?
"Paixão cruel desenfreada"

Satyros 1 ou Satyros 2?
Satyros em qualquer lugar.

São Paulo ou Sorocaba?
São Paulo desenfreada, louca, alucinada; Sorocaba, raízes.

Esquerda ou direita?
Ainda existe isso?

Azul ou amarelo?
Preto.

Brecht ou Stanilasvski?
Artaud, porque não me diz o que fazer; me instiga a pensar.

Geisy Arruda ou Leila Diniz?
Leila Diniz, porque transava de manhã, de tarde e de noite.

Antunes Filho ou Zé Celso?
Antunes e Zé: porque Apolo e Dioniso precisam conviver juntos.

Rodolfo García Vázquez ou Ivam Cabral?
Onde termina um começa o outro.

No palco ou na praça?
Teatro em todos os lugares.

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