beto andretta Quero é transgredir, diz Beto Andretta, que estreia espetáculo da Pia Fraus em Curitiba

Beto Andretta, no Festival de Teatro de Curitiba com a Cia. Pia Fraus - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*

"Eu quero é transgredir", assim define o diretor Beto Andretta o sentimento que move a Cia. Pia Fraus em seu 30º aniversário, comemorado com a estreia de Transgressões no Festival de Teatro de Curitiba 2014.

O grupo usou seu acervo de bonecos criados por Beto Lima, que morreu em 2005, como ponto de partida da montagem.

O diretor propôs uma pergunta provocante aos artistas de sua trupe: o que te excita?

Por isso, ele avisa, trata-se de uma obra adulta, que faz manipuladores e bonecos dialogarem de uma forma provocante.

Chegar perto dos limites da sensualidade humana é o objetivo. E não há espaço para o preconceito, já que "as possibilidades são múltiplas", avisa o diretor.

—Transgredir algo é ultrapassar um limite estabelecido e, portanto, é também criar um novo paradigma.

O grupo fez criação conjunta do texto. Mergulharam em nomes poderosos, como Sófocles, Miguel de Cervantes, Guimarães Rosa e Nelson Rodrigues, além, é claro, de cada um ter fornecido elementos pessoais. Wanderley Piras divide a direção com Beto Andretta.  No elenco estão Ana Elisa Mattos, Cristiano Bacelar, David Caldas e Natália Gonsales.

A última sessão de Trangressões em Curitiba acontece nesta quarta (2), no Teatro Paiol.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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festival debora falabella ernesto vasconcelos2 Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Débora Falabella no Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*

Todas os dias, durante o Festival de Teatro de Curitiba, a sala de imprensa do evento, no Memorial de Curitiba, no centro histórico da capital paranaense, recebe visitantes ilustres. São atores, atrizes, diretores e dramaturgos que vão até lá para defender suas peças em entrevista coletiva com a imprensa que cobre o maior evento do teatro brasileiro. Afinal, conseguir um lugar ao sol entre quase 500 espetáculos na programação é mesmo complicado. Por isso, cada um vende seu peixe. Veja, abaixo, algumas das estrelas de nossos palcos que passaram pelo local:

festival einat falbel ernesto vasconcelos Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Einat Falbel falou sobre a solidão presente no espetáculo Bichado - Foto: Ernesto Vasconcelos

A atriz Einat Falbel foi divulgar o espetáculo Bichado, do Núcleo Experimental, dirigido por Zé Henrique de Paula, no qual interpreta a garçonete Agnes. Afirmou que o tema do texto "é a solidão".

festival bruno mazzeo daniel sorrentino Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Filho de Chico Anysio, Bruno Mazzeo interpreta personagens hipócritas em Curitiba - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Já o comediante Bruno Mazzeo, filho de Chico Anysio, foi falar sobre sua peça Sexo, Drogas & Rock'n'roll e disse que seus personagens são "todos hipócritas".

festival debora falabella ernesto vasconcelos1 Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Débora Falabella falou sobre o jogo de poder na peça Contrações - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Débora Falabella conversou sobre Contrações, que lhe rendeu o Prêmio APCA de melhor atriz dividido com a colega de cena Yara de Novaes. Afirmou que a história da peça, sobre uma funcionária humilhada por uma gerente, "poderia se passar em qualquer lugar".

festival kiko marques ernesto vasconcelos Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Kiko Marques, autor consagrado com prêmios neste ano, participa do evento - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Kiko Marques, dramaturgo que levou os prêmios Shell e APCA por Cais, ou da Indiferença das Embarcações, explicou sua obra aos jornalistas que cobrem o Festival de Teatro de Curitiba. Falou que a obra revela suas lembranças da Ilha Grande, "é uma mistura de pesquisa e das minhas memórias".

festival chico carvalho  Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Chico Carvalho, protagonista de Ricardo III, chamou a atenção pela bandana - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Eleito o melhor ator de 2013 pelo Prêmio Shell de Teatro, Chico Carvalho falou sobre a peça Ricardo III, que ele protagoniza.  Disse que “Ricardo III é um personagem improvável, que reúne tudo que há de mal no ser humano".

festival mayara magri ernesto vasconcelos Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Mayara Magri falou sobre a produção paulistana Ricardo III, da qual participa - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Mayara Magri, que também faz a montagem paulistana para a peça Ricardo III, de William Shakespeare, também participou do bate-papo.

festival eriberto leao annelize tozetto1 Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Eriberto Leão discute a vida e a obra de Jim Morrison no Festival de Curitiba - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Eriberto Leão levou a psicodelia do The Doors para a sala de imprensa do Festival de Teatro de Curitiba, onde defendeu sua peça, Jim. " “Essa é minha homenagem ao artista que abriu as portas da minha inquietação, das artes dramáticas, da literatura e da percepção”, definiu.

festival claudio fontana ernesto vasconcelos Atores defendem suas peças no Festival de Curitiba

Claudio Fontana estava compenetrado ao divulgar sua peça, Um Réquiem para Antônio - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Já Claudio Fontana foi divulgar a peça Um Réquiem para Antônio, ao lado do companheiro de cena Elias Andreato. Disse que a "metáfora poética e circense ajuda muito a contar essa história". A obra fala do embate entre dois compositores: Mozart e Salieri.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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beatriz aquino foto bob sousa 143 Conheça Beatriz Aquino, a beleza e o talento da musa do teatro que veio do mundo dos negócios

Beatriz Aquino, no palco do Espaço dos Satyros: musa do teatro - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Quem viu a peça Lou&Leo sabe que a atriz Beatriz Aquino é uma musa indiscutível. Chamou tanto a atenção nos palcos do Centro Cultural São Paulo e do Espaço dos Satyros 1 que foi eleita Musa do Teatro R7 pelos internautas do portal.

Cearense de Fortaleza, Beatriz teve o primeiro contato com a arte por meio da dança. Fã de Fernanda Montenegro, Pedro Paulo Rangel e Cassia Kiss, fazia balé e dança contemporânea nos tempos de pré-adolescência.

Sentiu pela primeira vez aquele frio na barriga do palco quando se apresentava em festivais. “Adorava aquela sensação”, confessa. Conta que herdou a sensibilidade da mãe, que é artesã. É caçula de oito irmãos. Em casa, “sempre foi uma bagunça”.

Com o crescimento veio a necessidade do trabalho. E a arte precisou ser deixada de lado. Mudou-se para São Paulo aos 17 anos e se formou em publicidade e propaganda pela Anhembi Morumbi, mas foi para o mundo dos negócios.

“Trabalhei durante anos como headhunter [caçadora de talentos coorporativos] em consultorias internacionais”. Conta que morou em lugares como Paris, Milão e Nova York. Mas não se sentia completa. “As relações eram muito frias, sempre voltadas ao business e à produtividade”.

Mesmo com dinheiro no bolso, se sentia “sufocada”. Decretou, então, uma revolução em sua vida; não queria mais aquilo, mas não sabia direito como recomeçar.

beatriz aquino foto bob sousa 141 Conheça Beatriz Aquino, a beleza e o talento da musa do teatro que veio do mundo dos negócios

Beatriz Aquino é de Fortaleza, morou em Paris, Nova York e Milão, e hoje vive em São Paulo - Foto: Bob Sousa

“Nesse processo de autoconhecimento, me lembrei da sensação que tinha quando dançava”, revela. Ainda em Paris, se matriculou em um centro cultural. Fez dança do ventre, capoeira, dança moderna e yoga. Com sede de aprendizado, fez workshop com a turma do Theatre du Soleil.

Assim que voltou ao Brasil, em 2010, se matriculou na Escola de Teatro Macunaíma: “Ali, nos palcos, realmente me encontrei”. Viveu “anos mágicos” no contato com professores e colegas artistas. Teve contato com textos profundos, como de Federico García Lorca.

Em 2012, estreou profissionalmente como atriz, no espetáculo A Flor de Varsóvia, texto de Luccas Papp e direção de Jacy Lage. E foi um grande desafio, já que fazia a antagonista, uma psiquiatra francesa que enlouquece ao perder os filhos na 2ª Guerra Mundial.

Sede de aprendizado

Foi ao ver a peça Luis Antonio – Gabriela, da Cia. Mugunzá, que decidiu que queria trabalhar com o diretor Nelson Baskerville. A montagem era sobre o irmão travesti do diretor. Um sucesso de público e de crítica. “Ele consegue tirar sensibilidade e beleza de um mundo ainda muito marginalizado. Acho que esse é o papel da arte no mundo. Dar voz a quem não tem”, define.

Ao saber que Baskerville dirigiria Lou&Leo, a peça biográfica sobre Leo Moreira Sá, que nasceu mulher e se tornou um homem, ela se ofereceu para dar assistência na peça. “Estava disposta a fazer qualquer trabalho desde que pudesse estar perto do Nelson, aprendendo”.

No dia a dia de leituras e ensaios ganhou a personagem Gabi, par romântico do protagonista. “No início, o Nelson não queria que a Gabi fosse personificada, mas durante o processo foi surgindo muita coisa e a Gabi nasceu”.

Para ela, a personagem é “quase um ser etéreo, meio anjo, meio demônio”. No palco, foi desafiada mais uma vez. “Tive de repensar minha relação com o corpo, pois, na peça, eu tirava a parte de cima da roupa”. E ainda cantava, conquistando de vez o público.

Em 2014, sonha em conseguir uma personagem de forte carga dramática. Acaba de voltar de Florença, na Itália, onde estudou o teatro italiano. Mergulhou em Pirandello e na comédia dell’arte.

Sem depender do tônus da pele

Revela que lida bem com a beleza. E confessa que se acha bonita, sim. “Não todos os dias, claro”, diz, sorrindo.

— Senti isso quando trabalhava no mundo corporativo. É aquela velha história, você tem que provar em dobro que é bom. Mas hoje já mudou. No Teatro não tem espaço pra isso. Você tem que estar entregue. Se for ali pra se exibir, leva uma rasteira na hora! É por isso que me apaixonei, pois posso fazer teatro até ficar velhinha, sem depender do tônus da minha pele [risos].

No futuro, quer fazer muito teatro e cinema. Num futuro mais distante, sonha em montar uma escola de teatro para crianças, em uma cidadezinha do interior de Minas ou de São Paulo.

Por conta de sua conexão com o mundo espiritual, diz que perdeu os medos. E cita Elis Regina para definir o que lhe deixa completa.

— “Eu quero uma casa no campo, onde eu passa ficar do tamanho da paz”. Este é meu conceito de felicidade.

beatriz aquino foto bob sousa 142 Conheça Beatriz Aquino, a beleza e o talento da musa do teatro que veio do mundo dos negócios

Beatriz Aquino: seu ideal de felicidade é "uma casa no campo" - Foto: Bob Sousa

 

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regina duarte ernesto vasconcelos Acompanhada da filha, Regina Duarte se empolga, anda de van e tira foto no Festival de Curitiba

Empolgada, atriz Regina Duarte fotografa com seu celular a festa de abertura do Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de ERNESTO VASCONCELOS/Clix

A atriz Regina Duarte deixou saudades no Festival de Teatro de Curitiba. Ela esteve por quatro dias na festa do teatro da capital paranaense, acompanhada pela filha, Gabriela Duarte.

Além de ver espetáculos, como Otelo, no Teatro Guairão, Regina andou de van com artistas e ainda fez questão de fotografar tudo como seu celular.

Era uma simpatia só por onde andava e não se desgrudava de uma das curadoras do evento, Lúcia Camargo. E fazia questão de usar seu crachá de identificação.

No almoço e no jantar servido a quem participa do evento, Regina conversou de mesa em mesa, além de distribuir beijos e abraços a quem quis.

Uma graça.

regina duarte ernesto vasconcelos 2 Acompanhada da filha, Regina Duarte se empolga, anda de van e tira foto no Festival de Curitiba

Com direito a crachá de credenciadas, Gabriela Duarte acompanha a mãe, Regina Duarte, no Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

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mario pazini foto eduardo toledo Morre aos 51 anos o ator e diretor Mário Pazini, famoso como Jesus na Paixão de Cristo de Taboão

O ator e diretor Mario Pazini, em seu papel mais emblemático, o de Jesus Cristo, na Paixão de Taboão da Serra, no ano de 2006: morte precoce após um ano de luta contra o câncer - Foto: Eduardo Toledo/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O diretor e ator Mário Pazini morreu nesta segunda (31), em São Paulo, aos 51 anos, vítima de câncer, doença contra a qual lutava havia um ano.

Ele nasceu em 26 de novembro de 1962. O artista ficou conhecido por interpretar o papel de Jesus na famosa encenação da Paixão de Cristo de Taboão da Serra, na Grande São Paulo. O espetáculo foi criado por seus pais antes de seu nascimento.

Segundo nota divulgada pelo Grupo Clariô de Teatro, ao qual o artista pertenceu, o corpo é velado no Cemitério da Saudade, em Taboão, onde será sepultado às 16h. O endereço é av. Laurita Ortega Mari, 831, no bairro Parque Pinheiros.

Pazini deixa três filhas e a esposa, Naruna Costa, que também é atriz.

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festival curitiba ricardo 3 Lina Sumizono humberto araujo Atores duelam por Ricardo III no Festival de Curitiba

No mesmo palco do Sesc da Esquina, o carioca Gustavo Gasparani e o paulistano Chico Carvalho disputam a preferência do público do Festival de Teatro de Curitiba em Ricardo III, de Shakespeare - Fotos: Lina Sumizono e Humberto Araújo/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Duas versões da mesma peça do inglês William Shakespeare disputam a preferência do público paranaense no Festival de Teatro de Curitiba 2014.

E a briga é boa, já que o duelo é travado entre cariocas e paulista. A obra é Ricardo III, apresentada em duas distintas montagens, uma do Rio e outra de São Paulo. Ambas no mesmo palco do Sesc da Esquina.

A montagem carioca tem ares pós-modernos. Encenada nos últimos dias 27 e 28, traz Gustavo Gasparani na pele de 22 dos 44 personagens da obra. A versão condensa a peça original de quatro horas em uma hora e meia e conquista a plateia.

Sérgio Modena assume a direção e diz "que o público se diverte vendo como o ator se desdobra e resolve uma cena em que há sete personagens contracenando".

Já a montagem paulistana, protagonizada por Chico Carvalho, que levou o Prêmio Shell de Teatro de melhor ator pelo papel, é mais tradicional. "Ricardo III é um personagem improvável, que reúne tudo que há de mal no ser humano. Por isso ele não é realista, não o encontramos em todos os lugares, mas a sua ambição de poder, sim", define o ator.

A peça, que foi apresentada no fim de semana também Sesc da Esquina, integra o projeto que prevê montagem de todos os 39 textos de Shakespeare num prazo de dez anos ao custo de R$ 40 milhões. A direção é de Marcelo Lazzaratto.

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tom ze Artistas refletem 50 anos do golpe militar com programação diversa no Centro Cultural São Paulo

Tom Zé fará show com canções de disco lançado durante a ditadura militar - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os 50 anos do golpe militar no Brasil serão ponto de partida para a elaboração de um pensamento a respeito deste período, em uma programação especial no CCSP (Centro Cultural São Paulo), que começa nesta terça (1º): O Imaginário dos 50 Anos do Golpe.

Serão três shows, dois concertos de música erudita, uma exposição, oito peças teatrais e 11 filmes. A grande maioria da programação tem entrada gratuita ou a R$ 1 (caso do cinema).

O objetivo é refletir o período sombrio de nossa história recente, bem como mostrar quais tentáculos do antigo regime permanecem presentes na sociedade brasileira.

Variados artistas foram convidados pelo CCSP a criar obras que tivessem como ponto de partida a ditadura que existiu no país por 21 anos a partir do dia 1º de abril de 1964. A programação engloba várias áreas artísticas.

Curador teatral do CCSP, Kil Abreu conta que “a ideia é de ‘descomemorar’ os 50 anos do golpe”.

—Achamos que a melhor forma de fazer essa “descomemoração” seria colocar os artistas para trabalhar. Temos uma avaliação destes 50 anos na voz dos próprios artistas.

Corinthinas meu amor Artistas refletem 50 anos do golpe militar com programação diversa no Centro Cultural São Paulo

Corinthians, Meu Amor, da Brava Companhia, está na programação especial do CCSP - Foto: Divulgação

Na parte teatral, Abreu adianta que haverá uma mostra com oito trabalhos, dos quais três foram criados especialmente para a programação especial.

A Cia. do Latão mistura a autobiografia de Augusto Boal com William Shakespeare na intervenção Hamlet e o Filho do Padeiro; a obra contará com a participação de Cecília Boal, viúva do grande diretor e  dramaturgo. O Club Noir apresentará a peça Revolução, e a Cia. Les Comediens Tropicales faz a intervenção Site Specific, inspirada em Mauser, de Heiner Muller.

A programação ainda guarda outros espetáculos que já estiveram em cartaz na cidade, como Ópera dos Vivos, Corinthians, Meu Amor, Três Movimentos e Liberdade É Pouco, que abre a programação nesta terça (1º).

Ainda haverá show especial de Tom Zé (às 19h do dia 12 de abril) e uma exposição com preciosidades garimpadas no acervo do CCSP. Conheça a programação completa!

Rampas de acesso ao Piso Caio Graco Foto Carlos Rennó Artistas refletem 50 anos do golpe militar com programação diversa no Centro Cultural São Paulo

Exposição vai mostrar preciosidades do acervo do CCSP durante a ditadura - Foto: Divulgação

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dias Coluna do Mate: Teatro tomou partido contra ditadura civil militar brasileira, entre 1964 e 1985

Dias Gomes: um dos muitos artistas que resistiram à ditadura civil-militar - Foto: Reprodução

Sujeitos e grupos teatrais se posicionaram contra regime instaurado 50 anos atrás

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate: Teatro tomou partido contra ditadura civil militar brasileira, entre 1964 e 1985

Alexandre Mate: Foto: Bob Sousa

Por ALEXANDRE MATE
Especial para o Atores & Bastidores*

Toda ditadura é perversa: não há boa ditadura. Ditaduras se impõem e passam por cima de tudo feito tratores e se instauram de modos intervencionistas. Nenhuma ditadura é apenas militar, mesmo aquelas chamadas de militares – como a brasileira (de 1964 a 1985) – sempre contaram com sujeitos e instituições da vida civil para apoiá-las e trabalhar a seu serviço. A ditadura civil-militar brasileira, dentre outros apoios institucionais, teve apoio de órgãos da grande imprensa, talvez por haja tanta insistência em se suprimir a participação civil em sua designação.

Os mais diversos motivos, ao longo de toda a história, têm levado os artistas a escolherem os assuntos que darão sustentação aos textos dramatúrgicos. Acontecimentos históricos, singularidades humanas, ocorrências pessoais, narrações ouvidas, necessidade de registrar as mais diversas impressões sobre assuntos candentes, ou não... Tudo pode servir de base para a criação de uma história apresentada por ato representacional no qual atores e atrizes venham a assumir total ou parcialmente as personagens da narrativa. Experimentos assumidamente estético-sociais tendem a colher seus assuntos do momento histórico vivido. Em razão disso, e tendo em vista a amplitude da forma teatral, cujo fenômeno acontece quando o espetáculo é apresentado, escolhas temáticas podem facilitar as trocas relacionais entre a obra e o público. A organização pelos assuntos de natureza mais amplos, complexos e histórico-políticos, normalmente, se organiza a partir de pressupostos ligados ao que se chama de teatro épico.

O teatro épico compreende a junção de diversos expedientes, quase sempre estruturados na condição de obra que se assume teatral, isto é, que considera o público (mesmo que a luz da plateia esteja apagada) e se relaciona com ele. Nesse modo de apresentar um espetáculo, a relação essencial pressupõe o jogo que se estabelece entre artistas e espectadores: o espectador não sente apenas as emoções das personagens, mas consegue ter um ponto de vista crítico com relação às personagens e ao tema.

Nesse particular, e no sentido de atingir seus alvos, o teatro épico organiza-se a partir de uma narrativa episódica (dividida em partes autônomas e independentes e articuladas ao tema geral). A independência dos episódios forma unidades de significação (como cada capítulo de uma telenovela), os assuntos são sociais e históricos; as personagens precisam ser mais concisas e sem tantos meandros psicológicos.

brecht Coluna do Mate: Teatro tomou partido contra ditadura civil militar brasileira, entre 1964 e 1985

Bertolt Brecht: teatro educa e diverte - Foto: Divulgação

O dramaturgo alemão Bertolt Brecht, ao retomar expedientes do teatro popular e de feira, e sempre atento ao teatro como um experimento estético-social afirma que o teatro tem como função educar e divertir: para ele, educar no sentido de construir uma sociedade mais justa; e, divertir, no sentido de ampliar, de modo prazeroso, a própria apreensão da realidade social. Fundamentado em preceitos brechtianos, o diretor Antônio Mercado, que dirigiu o texto Campeões do mundo, de Dias Gomes, afirma no prefácio da obra, publicada (em 1979), que o teatro é um importante instrumento de ampliação de consciências, que nada muda por si, mas que pode levar o espectador a tornar-se um agente ou protagonista das mudanças fora do palco, no “grande teatro do mundo”.

O teatro também, dependendo de como se apresente (conteúdos, espaços, modos de produção e de recepção), pode ser uma forma de luta contra a opressão, injustiça, os procedimentos de exclusão... Entretanto, trata-se de uma forma estética, que pode mudar certos modos de ver e conceber as estruturas e comportamentos sociais, mas, em si, o teatro não muda as estruturas. A produção dramatúrgica brasileira, e em sendo o Brasil um país periférico, desenvolve-se de modo desigual.

Obras que recortam seus assuntos das crises reais do mundo e apontam o “verdadeiro teatro” como aquele presente no mundo real, tendem, pelo assunto e função social atribuída à arte, a ser épicas, por excelência. Quando a ditadura civil-militar brasileira tomou de assalto a democracia diversos textos, sujeitos e grupos teatrais posicionaram-se contra o novo regime.

No sentido de entender, de algum modo, aquela dramaturgia de texto mais ligada ao momento histórico, e nesse caso, dramaturgia ligada ao processo ditatorial pelo qual passou o país, diversos textos poderiam ser evocados e aqui lembrados.

gianfrancesco guarnieri Coluna do Mate: Teatro tomou partido contra ditadura civil militar brasileira, entre 1964 e 1985

Gianfrancesco Guarnieri: peças contra a censura - Foto: Divulgação

Dentre tantos outros, podem ser destacadas: À prova de fogo (1968), de Consuelo de Castro; Bumba, meu queixada (1978), de César Vieira; Milagre na cela (1977), de Jorge Andrade; O último carro (1967), de João das Neves; Sinal de vida (1972-1979), de Lauro César Muniz; Campeões do mundo (1979), Dias Gomes; Murro em ponta de faca (1978), de Augusto Boal; os textos presentes no livro Feira brasileira de opinião (1978): O engano*, de Carlos Henrique Escobar; Última instância*, de Carlos Queiroz Telles; O túnel*, de Dias Gomes; Janelas abertas*, de Gianfrancesco Guarnieri; O quintal*, de João das Neves; A zebra, de Jorge Andrade; O mito, de Lauro César Muniz; Sobrevividos, de Leilah Assunção; Contatos amazônicos do terceiro grau, de Márcio Souza; Cemitério sem cruzes, de Maria Adelaide Amaral. Com relação às obras apontadas com asterisco, todas estão coligidas no livro Feira brasileira de opinião (1978), e, segundo a apresentação de Ruth Escobar, que foi também quem organizou o espetáculo censurado, assim aparece em seu texto:

A Feira Brasileira de Opinião se coloca na trincheira que batalha os novos tempos – o homem novo, o homem integral que será o produto da superação de todas essas divisões herdadas: divisão de classes, divisão de trabalho intelectual e manual, divisão entre o culto da arte e arte popular.

E quando reunimos os autores em torno da proposta de uma Feria Brasileira não pensamos em termos de arte. Mas sobretudo em termos de retratar o homem brasileiro “aqui e agora”, sobretudo com a preocupação de apontar o perfil dos subúrbios do Brasil, onde este governo revela seu verdadeiro rosto.

Os sujeitos são portadores de um conjunto de crenças. Crenças, tantas vezes idealistas e contraditórias, entretanto, chamados para escrever sobre o que se passava nos subúrbios do país, os 10 autores da Feira Brasileira de opinião não se negaram a fazê-lo. O conjunto dos textos revela um documento absolutamente singular do país sob Estado de Sítio, desde 13 de Dezembro de 1968, quando foi decretado o Ato Institucional número 5 (AI-5) que cessava os direitos constitucionais.

Outros textos, igualmente importantes a tematizar o Brasil sob a ditadura foram: A ferro e fogo (1981), de Luiz Carlos Moreira, apresentado em São Paulo pelo Grupo Apoena (hoje chamado de Engenho Teatral); Bailei na curva (1986), de Júlio Conti Neto, estreou em Porto Alegre com o Grupo Do Jeito que Dá; Bella ciao (1982); Gota d’água (1975), de Paulo Pontes e Chico Buarque de Hollanda; Morte aos brancos, a lenda de Sepé Tiaraju (1984), de César Vieira, apresentado pelo grupo Teatro Popular União e Olho Vivo; Ponto de partida (1976), de Gianfrancesco Guarnieri – tematizando o assassinado, em setembro de 1975 do jornalista Vladimir Herzog, nas dependências do DOI-Codi de São Paulo; Patética (1976), de João Chaves Ribeiro Neto; Rasga coração (1974), de Oduvado Vianna Filho.

Tendo em vista os limites do espaço aqui disponível, seria impossível apresentar informações das obras aqui apontadas, mas conhecê-las (e à exceção de A ferro e fogo) todas as obras foram publicadas. Se determinadas obras lidam e se estruturam a partir de sujeitos isolados, naquelas acima apontadas os sujeitos protagonistas (ou com função protagônicas), apresentam-se normalmente agrupados e compreendem muito mais do que apenas a si mesmos. Representando agrupamentos sociais, nas obras apontadas, homens e mulheres lutam contra forças destruidoras e arrasadoras.

bella ciao cartaz Coluna do Mate: Teatro tomou partido contra ditadura civil militar brasileira, entre 1964 e 1985

Cartaz de Bella Ciao, marco do teatro brasileiro - Foto: Divulgação

Bella ciao, por exemplo, encontra-se entre os mais importantes textos da década de 1980. Segundo seu autor, Luís Alberto de Abreu - que na ocasião assinou a obra como Alberto de Abreu -, “O processo de trabalho de Bella Ciao iniciou-se no final de 1980 quando a classe trabalhadora, depois de anos de silêncio forçado, solidificava sua posição dentro do espaço político nacional. E sentimos a necessidade de tentarmos aproximar a nossa arte da realidade que palpitava nas ruas.” Trata-se, portanto, de acordo com a declaração que aparece no programa da peça, dirigida por Roberto Vignati, de obra atenta ao processo de democratização do país, a partir de greve de trabalhadores deflagrada em São Bernardo do Campo. Segundo diversas declarações dos integrantes do Grupo Arte Viva - formado por Cacá Amaral, Calixto de Inhamuns, Christiane Tricerri, Gabriela Rabelo, Mário César Camargo, Rosaly Grobman e Zécarlos Machado – do consistente processo de pesquisa sobre os acontecimentos da vida política brasileira, Abreu produziu Bella ciao e Cala boca já morre, cuja estreia ocorre em novembro de 1981, com direção de Ednaldo Freire. Cenografia e figurinos: Irineu Chamiso Jr. Expressão corporal: Rosa Almeida. Efeitos sonoros e escolha de músicas: Roberto Vignati. Música Addio bella Itália, com Solano de Carvalho. De 09/11/1982 a 01/01/1984. Teatro de Arte Israelita Brasileiro (TAIB).

Do ponto de vista de gênero, Bella ciao é um drama épico, dividido em dois atos, sendo no primeiro e no segundo ato. A narrativa desenvolve-se de 1905 (na Itália) até 1937, quando, politicamente, ocorre a implantação de uma ditadura civil por Getúlio Vargas, denominada por Estado Novo (1937 a 1945). Basicamente, aspectos da história do Brasil (e em particular da cidade de São Paulo), atravessam uma família italiana migrante, e moradora na pauliceia desvairada.

Cenografia e figurinos: Irineu Chamiso Jr. Expressão corporal: Rosa Almeida. Efeitos sonoros e escolha de músicas: Roberto Vignati. Música Addio bella Itália, com Solano de Carvalho. De 09/11/1982 a 01/01/1984. Teatro TAIB.

Patética (ou A verdadeira história de Glauco Horowitz), de João Ribeiro Chaves Netto, narrra, no circo, a história de uma família judia, que foge do nazismo e cujo único filho acaba sendo assassinado em uma ditadura militar. Trata-se da história do já mencionado Vladimir Herzog. O texto participou e foi o primeiro prêmio do Concurso Nacional de Dramaturgia do Serviço Nacional de Teatro (SNT), de 1977. A montagem teve a seguinte ficha técnica: Direção: Celso Nunes. Assistência de direção: Edson Barbieri. Cenografia e figurinos: Flávio Império. Cenotécnica: Adilson Tadeu e Chimanski. Iluminação: Luís Ricardo Oliveira. Elenco: Ewerton de Castro, Antonio Petrin, Regina Braga, Lílian Lemertz, Vicente Tuttoilmondo e Orlando Oliveira Silva. De 30/04/1980 a 30/11/1980. Teatros Arthur Azevedo, João Caetano e Auditório Augusta.

Obs.: pelo fato de o texto fazer referência a Vladimir Herzog, a obra ficou censurada por aproximadamente 5 anos. Segundo matéria de divulgação, a peça foi escrita em 20 dias, logo após a notícia do “suicídio” do jornalista, ocorrido em 25/10/1975, nas dependências do DOI-CODI, de São Paulo. Cf. Em cartaz, as peças que voltaram do exílio. In: O Estado de S. Paulo, 27/04/1980, p.44.

Nesse ano em que se (anti)comemora os 50 anos do golpe civil-militar é importante ficar atento às programações culturais que serão apresentadas na totalidade das cidades brasileiras. Não apenas é preciso manter viva a memória do ocorrido com relação ao momento histórico e lembrar, citando o filósofo Walter Benjamin que nem mesmo os mortos estarão a salvo se nos esquecermos, e não tentarmos mudar o estado de barbárie que nos cerca por todos os lados.

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pesquisador de teatro. Ele escreve no blog sempre no dia 1º.

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Foto de BOB SOUSA
elias andreato foto bob sousa O Retrato do Bob: Elias Andreato, por toda parte
Elias Andreato é nome fundamental de nosso teatro. Ator, diretor, dramaturgo. É um dos artistas mais respeitados dos palcos brasileiros. Nesta semana, se apresenta no Festival de Teatro de Curitiba com a peça Um Réquiem para Antonio, nos dias 1º e 2 de abril no Teatro da Reitoria, na capital do Paraná, seu Estado natal. Mas também mantém presença em São Paulo, onde vive, como diretor da peça Meu Deus!, com Irene Ravache e Dan Stulbach. Porque Elias Andreato está por toda a parte. E sabe tudo.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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laila garin Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

A baianinha Laila Garin tem aquilo que Deus deu; ela vive Elis Regina no Teatro Alfa - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Na noite deste sábado (29), vi Laila Garin reviver a seu modo Elis Regina e arrepiar a plateia do Teatro Alfa, em São Paulo, no espetáculo Elis, a Musical, com direção de Dennis Carvalho. Independentemente dos percalços da obra, Laila permanece intacta e consegue se transmutar naquela que foi a maior cantora do Brasil. E acaba por merecer também a mesma alcunha.

Baiana de Salvador, onde se formou em teatro na UFBA (Universidade Federal da Bahia), Laila tem aquilo que Deus deu. E técnica também. E força também. E carisma também. E tudo também.

laila garin elis vert Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

Laila não repete Elis; a reinventa - Foto: Divulgação

Laila Garin não repete Elis. A reinventa. A reverencia ao mesmo tempo em que se impõe como artista.

E a artista já havia me impressionado absurdamente em outras duas ocasiões. A primeira delas, quando a conheci no palco, foi em 2011, em uma noite em que resolvi conferir o musical Eu te Amo Mesmo Assim, que reabria o Teatro Itália, no subsolo do Edifício Itália, coração do centro paulistano.

Laila dividia o palco com Osvaldo Mil, com direção de João Sanches e supervisão de João Falcão. Ambos executavam canções de amor e dor de cotovelo. Mas Laila fazia tudo com tanta verdade que a gente ficava com um nó na garganta.

Ao escutar a voz de Laila, tomei um susto e pensei na hora comigo: como esta menina aí no palco não é uma cantora celebrada e conhecida por todos? Onde estão nas lojas os discos de Laila Garin? Fiquei triste de estar em um  País que tinha uma Laila Garin e não lhe dava todo holofote possível. Porque tomei consciência naquele momento que tratava-se de uma grande artista. Foi com esta sensação que saí caminhando pela avenida Ipiranga após ver a obra, com a certeza de que Laila Garin é a maior cantora surgida no país desde o aparecimento de Marisa Monte, que, por sua vez, foi a primeira grande após Elis.

O tempo passou e eis que, no Festival de Teatro de Curitiba de 2013, me reencontro com Laila Garin no palco do gigante Teatro Positivo. Era a estrela absoluta do musical Gonzagão, dirigido por João Falcão. Fazia estripulias com as músicas de Luiz Gonzaga, enchendo-as de vida e cor.

Na época, escrevi, na crítica do espetáculo: "Única mulher em cena, Laila Garin tem uma voz inacreditavelmente suave, além da presença e carisma que a faz desejada não só por todos os homens da trupe quanto por qualquer espectador com alguma libido". Recordo que o produtor teatral mineiro Michel Ferrabbiamo, que me acompanhava naquela sessão, ficou tão apaixonado pela atriz quanto eu. Saímos hipnotizados com sua presença. Os dois sem fala diante daquele momento de suspensão coletiva.

Agora, revejo Laila em uma produção ainda maior, já laureada com o Prêmio Shell de melhor atriz por seu desempenho como Elis. Ainda com aquela força inicial intacta, aquela presença única, aquela energia que contamina tudo e traz para bem perto de si.

Repito: Laila Garin é a maior cantora surgida no Brasil dos últimos tempos. As Anittas e suas baboseiras que me perdoem. Agora, torço ardentemente que o Brasil acorde da dormência anencéfala e a veja. E a celebre. Porque Laila Garin é um verdadeiro achado. Laila Garin é preciosidade raríssima, daquelas que já não se fazem mais.

Leia mais sobre Laila Garin no R7

laila garin elis Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

O Brasil precisa celebrá-la: Laila Garin protagoniza Elis, a Musical e arrepia plateia - Foto: Divulgação

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de ver no palco artistas de verdade. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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