fagner zada Ator do grupo Tesão Piá é ferido com queda de bloco de isopor na abertura do Festival de Curitiba

Fagner Zadra está internado no Hospital Evangélico de Curitiba - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator gaúcho Fagner Zadra, do grupo curitibano de humor Tesão Piá, foi removido do Hospital Evangélico para o Hospital Marcelino Champagnat de Curitiba, na madrugada desta quarta (26), onde segue internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ele deverá ficar sob observação nas próximas 72 horas. Em nota, o grupo teatral do artista divulgou que seu estado de saúde "é delicado".

Na noite desta terça (25), uma peça de isopor que fazia parte da decoração caiu na cabeça do jovem, na pista de dança da festa de abertura do Festival de Teatro de Curitiba, no Expo Renault Barigui.

EXCLUSIVO: "Vendemos mais ingresso que Rock in Rio", diz Leandro Knopfholz

O ator de 30 anos ficou famoso com seu grupo ao fazer sátiras do jeito de ser do curitibano. O Tesão Piá integra a programação do Fringe, a mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba. Zadra também faria uma apresentação solo no evento, com o espetáculo Rizadra, previsto para esta sexta (28) e sábado (29) no auditório do Museu Oscar Niemeyer. As apresentações estão canceladas.

A assessoria do evento informou ao R7 que Fagner não corre risco de morrer e que está dando toda a assistência necessária ao artista. Uma tomografia feita assim que o arista chegou ao centro médico informou que Fagner sofreu uma lesão cervical. Ainda não há previsão de alta. O diretor do Festival de Teatro de Curitiba, Leandro Knopfholz, passou a noite no hospital com o jovem, de quem é amigo.

O Festival de Teatro de Curitiba divulgou a seguinte nota na manhã desta quarta (26). Leia na íntegra:

"Em relação ao acidente ocorrido nesta terça-feira (25/03), a produção do Festival de Curitiba informa:

O humorista Fagner Zadra estava participando como convidado do evento de abertura.

Por uma fatalidade, foi atingido por uma peça alegórica da decoração, construída em isopor, que estava suspensa sobre a pista. A peça se desprendeu de seu suporte e atingiu o ator. Naquele momento, poucas pessoas estavam no local, uma vez que já havia sido iniciada a solenidade de abertura numa área ao lado, separada por arquibancadas.

Zadra recebeu imediatamente os primeiros socorros de paramédicos de plantão no evento. Foi conduzido então até uma ambulância, onde os procedimentos médicos tiveram continuidade. Segundo informações dos médicos que o atenderam, o quadro não era grave, mas inspirava cuidados. Por precaução ele foi levado de ambulância até o Hospital Evangélico.

Zadra foi acompanhado por amigos e membros da sua produção, além de representantes do Festival de Curitiba.

No Hospital Evangélico, exames apontaram que a lesão era mais grave do que inicialmente havia sido diagnosticado. O humorista havia sofrido uma lesão na coluna cervical.

Ao ser informado do acidente, o diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz, que é amigo de Zadra, se dirigiu ao Hospital Evangélico. Com suporte do Festival, o comediante foi removido para o Hospital Marcelino Champagnat. No local passou por uma cirurgia , da qual se recupera. É preciso aguardar as próximas horas pela evolução do quadro dele para ser feito um prognóstico.

Em sua 23ª edição, com mais de 4.000 espetáculos apresentados neste período, o Festival de Curitiba jamais havia registrado um incidente como este. A segurança de artistas, produção e público de todos seus eventos sempre foi preocupação prioritária.

Produção – Festival de Curitiba"

 

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Foto Joao Caldas Fº 105651a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

Dan Stulbach abraça Irene Ravache em cena de Meu Deus!: sonho realizado - Foto: João Caldas Filho

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quando, no começo da década de 1990 ele dava os primeiros passos na carreira e ainda era contrarregra de espetáculos, Dan Stulbach sonhava em um dia, quem sabe, atuar com Irene Ravache sob direção de Elias Andreato. Naquele então, trabalhar em uma montagem com os dois nomes tarimbados encabeçada pela dupla de produtoras Selma Morente e Célia Forte parecia algo distante ao jovem ator recém saído da EAD (Escola de Arte Dramática) da USP (Universidade de São Paulo).

Quase um quarto de século depois, eis que toca o telefone de Stulbach. Do outro lado da linha, as "meninas da Morente Forte" lhe fazem o convite tão esperado. E, de quebra, ainda oferecem a ele o papel de Deus. O ator conta isso ao Atores & Bastidores do R7 com os olhos marejados.

Nesta sexta (28), estreia no Teatro Faap, em São Paulo, a peça Meu Deus!, montagem do texto da israelense Ana Gov com adaptação de Jorge Schussheim e versão brasileira assinada por Célia Regina Forte.

Foto Joao Caldas Fº 105287a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

Na peça, Deus, papel de Dan Stulbach, é mostrado em uma situação inusitada: em uma consulta com a psicóloga Ana, papel de Irene Ravache - Foto: João Caldas Filho

Na obra, Deus é mostrado em uma situação inusitada. Em crise, resolve procurar uma psicóloga ateia para tentar resolver seus conflitos diante do que se tornou o mundo que criou. Além dos protagonistas Dan Stulbach e Irene Ravache, a peça tem a estreia do ator Pedro Carvalho, na pele do filho da personagem de Irene.

Foto Joao Caldas Fº 105316a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

Na peça, Stulbach vive Deus - Foto: João Caldas Filho

Para criar o personagem, Stulbach, que é judeu assim como a autora, conversou com pessoas de diferentes religiões, que expuseram ao ator sua ideia de Deus. Ele comemora o personagem incomum.

— Só no teatro é possível alguém falar "eu sou Deus" e o outro acreditar.

Comédia leve e inteligente

Irene conta que sua personagem, a princípio, não acredita que o paciente diga a verdade e que, como terapeuta, ela percebe que ele "tem um problema sério".

Os dois afirmam que a peça não é pretensiosa. Muito pelo contrário, é uma comédia leve, mas inteligente. O diretor Elias Andreato afirma ao R7 que a obra tem "gosto pelo sutil".

—O ser humano precisa acreditar em alguma coisa. A versão da peça que a Célia Forte fez preserva essa poesia, a delicadeza e o humor. Nosso objetivo é divertir, mas não fazer rir a qualquer custo.

O Deus de cada um

Quando a reportagem provoca os artistas e pede para que falem da relação que eles próprios têm com Deus, cada um vai por um caminho.

Elias Andreato conta "que já acreditou", como também já "deixou de acreditar". E que não "sabe se acredita no momento". Para ele, "Deus é uma dúvida permanente".

—Eu não sei acreditar em Deus sem desespero. Mas é no teatro que me sinto próximo a alguma coisa desconhecida.

Foto Joao Caldas Fº 105503a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

A peça marca a estreia de Pedro Carvalho (à dir.), descoberto por Elias Andreato - Foto: João Caldas Filho

Irene Ravache conta que sempre achou bonito os rituais religiosos e que acha "a figura de Jesus o máximo". Ela não gosta muito de ter de definir Deus. Definir tudo certinho não é muito sua praia. Prefere a vida mais leve, mais solta. Sem tantas certezas. "Tirando  que escovar os dentes todos os dias é bom, eu devo ter só mais umas quatro certezas na vida".

— Mas, se tiver num avião e cair uma tempestade, vou pedir a Deus para me dar uma mão. Quando filho e neto tem febre acima de 38 graus também não há quem não se lembre de Deus. Me agrada ter um Deus, assim como me agrada ter um marido, uma família. Gostaria de morrer e me encontrar com um Deus forte, de barba, que me colocasse no colo. Acho que ele gostaria de mim também.

Dan Stulbach, por sua vez, lembra que sua origem religiosa é o judaísmo. Ele é filho de poloneses que vieram para o Brasil fugidos da perseguição nazista na 2ª Guerra Mundial. Chegou a fazer o bar mitzvah, a iniciação na religião judaica masculina, aos 13 anos, para agradar o avô.

—Nunca parei para pensar se Deus existe ou não.

Tirando as divagações religiosas, Stulbach prefere mesmo é focar no momento profissional que vive, com sucesso não só nos palcos, como também na TV, onde chamou a atenção substituindo Fátima Bernardes nas manhãs da Globo. Mesmo com os elogios, afirma que seu grande lugar de realização é mesmo o teatro.

—Eu sonhei com este momento aqui. Sou fã do Elias e da Irene desde menino. Estou me realizando fazendo esta peça.

Foto Joao Caldas Fº 105245a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

No enredo da ficção dirigida por Elias Andreato, o personagem Deus procura uma psicóloga e expõe seus problemas com o mundo - Foto: João Caldas Filho

Meu Deus!
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 19h e 21h30; domingo, 18h. 80 min. Até 27/7/2014
Onde: Teatro Faap (r. Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo, tel. 0/xx/11 3662-7233)
Quanto: R$ 60 (sexta), R$ 70 (domingo) e R$ 80 (sábado)
Classificação etária: 12 anos

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morro kiwi foto bob sousa7 Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Fernanda Azevedo, em cena da peça Morro como um País, premiada com o Shell de melhor atriz; obra volta ao cartaz no CIT-Ecum em São Paulo nesta quarta (26) - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de BOB SOUSA

A Kiwi Cia. de Teatro resolveu se manifestar sobre as críticas recebidas por Fernanda Azevedo por membros da própria classe teatral depois que ela protestou ao receber o Prêmio Shell de melhor atriz há uma semana. O grupo publicou o texto, que o blog reproduz abaixo, originalmente em seu site. Leia na íntegra:

"MISÉRIA. Reflexão sobre o Prêmio Shell de Teatro 2014.

Texto da Kiwi Companhia de Teatro sobre a repercussão do Prêmio Shell concedido a Fernanda Azevedo

Miséria

A 26ª edição paulistana do Prêmio Shell de Teatro, em março de 2014, provocou alguma discussão em função do discurso da atriz Fernanda Azevedo, que recebeu o prêmio de interpretação por seu trabalho em Morro como um País – Cenas sobre a Violência de Estado, criado pela Kiwi Companhia de Teatro.

O discurso em questão, além dos agradecimentos - de praxe, mas também sinceros - à comissão julgadora, da qual fizeram parte pequisadores de teatro que merecem nosso respeito, e às demais concorrentes ao prêmio de melhor atriz, fez referência à personagem Antígona, para quem “passado abandonado jamais se torna passado” e, como finalização, citou algumas linhas de um artigo do escritor uruguaio Eduardo Galeano, em que ele analisa a colaboração ativa da Shell com a ditadura nigeriana em meados dos anos 1990. Eis o trecho citado: “No início de 1995, o gerente geral da Shell na Nigéria explicou assim o apoio de sua empresa à ditadura militar nesse país: 'Para uma empresa comercial, que se propõe a realizar investimentos, é necessário um ambiente de estabilidade. As ditaduras oferecem isso.'”

MIGUEL ARCANJO PRADO - Deixem a Fernanda Azevedo falar!
BRUNO MACHADO - Fernanda tem direito à incoerência
KIL ABREU - Fernanda desafiou a fantasia e apanhou

Morro como um País, trabalho cênico pelo qual a atriz recebeu a premiação, discute o conceito de “estado de exceção permanente”, as violências praticadas pelo Estado, as ditaduras do cone-sul (com referências à ditadura dos coronéis na Grécia e ao genocídio em Ruanda) e o papel da arte e da cultura diante de graves crises sociais. Em uma das nossas cenas mencionamos a Ultragás,  empresa dirigida nos anos 1960 por Henning Boilesen, que apoiou e financiou a ditadura civil-militar brasileira. Na cena a Ultragás representa, sem prejuízo da sua responsabilidade pela colaboração direta com a ditadura, o grande empresariado, nacional e internacional, que se associou ao terrorismo de Estado.

Ou seja, investigar e denunciar, por todos os meios, a conivência entre empresas e regimes ditatoriais, fazem parte do nosso trabalho. No caso da Shell, além do apoio à ditadura nigeriana, que resultou na condenação da empresa e consequente pagamento de uma compensação de 15,5 milhões de dólares aos familiares de ativistas assassinados, há material consistente sobre sua conivência com a ditadura civil-militar brasileira, o que, infelizmente, não consistia exceção entre as grandes corporações empresariais, comerciais e financeiras que atuavam na época.

fernanda azevedo paduardo agnews pb Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Agraciada com Prêmio Shell de melhor atriz, Fernanda Azevedo discursa contra a empresa; fala da atriz gerou reação controversa de membros da classe artística - Foto: Paduardo/AgNews

Até agora, quase nada sobre estes fatos foi publicado na imprensa e nas redes sociais. Fala-se, no entanto, sobre a “incoerência” da atriz em criticar a Shell e aceitar o prêmio, incluindo o valor em dinheiro, R$ 8.000. Para os moralistas de plantão, ciosos em denunciar esta abominável contradição e rápidos em apontar o dedo, nós faremos outra citação, desta vez de Robert Kurz. O trecho foi utilizado, há alguns anos, no programa de outro trabalho cênico do grupo, teatro/mercadoria #1: “Faz parte da dialética do pensamento e da ação emancipatórios que a crítica do dinheiro custe dinheiro. Toda a circulação é burguesa, mas a crítica da forma burguesa, incluindo a própria circulação, tem de abrir caminho através da circulação, porque nem sequer existe outra possibilidade de divulgar os conteúdos da crítica a uma escala maior. Temos noção das contradições que se encontram associadas a esta relação entre a forma [Kurz refere-se à revista EXIT!, portanto, uma mercadoria, editada por ele] e o conteúdo (a crítica da forma da mercadoria por parte da EXIT!). A necessidade de nos debruçarmos sobre os problemas que daí resultam faz-se sentir até ao cerne das situações relacionais do nosso contexto. Isso não altera em nada o fato de que precisam ser financiadas as atividades da EXIT!, que, para além da edição da revista teórica, incluem a manutenção do website, a organização de seminários e encontros de coordenação etc..”

MIGUEL ARCANJO PRADO - Deixem a Fernanda Azevedo falar!
BRUNO MACHADO - Fernanda tem direito à incoerência
KIL ABREU - Fernanda desafiou a fantasia e apanhou

Não se trata de convencer aqueles que pensam de outra forma, inclusive porque muitos não avançam argumentos, mas apenas invectivas e frases que misturam preconceitos de classe e desonestidade intelectual. Sobre Ken Saro-Wiwa e o povo Ogoni; sobre as violações repetidas aos direitos humanos praticadas pelas grandes corporações, ontem e hoje!; sobre a infâmia da não punição de assassinos e torturadores da ditadura brasileira; sobre a atuação genocida da PM decretando a pena de morte para pobres e negros nas periferias (herança da “revolução redentora” de 64): nada. Silêncio. Mais vale fazer analogias simplistas com o convidado para jantar que critica a refeição servida (que grande tirada, hein?). Ou ainda mencionar a suposta insignificância da atriz e da peça porque o autor do comentário não as conhecem. Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano. Ou ainda argumentar [sic] que fatos antigos não merecem ser mencionados (já que o episódio nigeriano remonta há quase duas décadas). De fato, vamos esquecer a escravidão, o holocausto, o golpe militar e até mesmo a data de aniversário da minha avó, lá se vão tantos anos, afinal.

Em 1847, Marx publicou Miséria da Filosofia, ironizando uma obra de Proudhon (Filosofia da Miséria) e assentando as bases de uma nova concepção de história. Nosso tempo é de uma inacreditável miséria. Não custa lembrar que cerca de um bilhão de pessoas passa fome todos os dias. Mas além da gravidade deste fato, também é miserável saber que muitos que fazem três refeições diárias são capazes de negar o direito à crítica e incapazes de enxergar ou denunciar o modelo social em que vivemos. É miserável constatar que muitos justificam seu pequeno conforto, mas não reconhecem a legitimidade daqueles que o criticam. Miserável também é a situação da cultura no país, refém de orçamentos irrisórios, leis de renúncia fiscal e estratégias de marketing empresarial. Assim como é miserável ler comentários espirituosos sobre o nome do nosso grupo (uma sigla, aliás, caso alguém se interesse) diante da absoluta insensibilidade com a miséria, em todos os sentidos da palavra, que nos assola.

Nada disso, no entanto, é novo. Como não é novo dar golpes militares, manipular informações e ideias, torturar as palavras e oficializar o cinismo, para manter, ampliar ou readquirir privilégios. Como disse o presidente da Shell, no lugar da luta de classes, precisamos todos de um “ambiente de estabilidade”, não é verdade?

Kiwi Companhia de Teatro

www.kiwiciadeteatro.com.br

São Paulo, 23 de março de 2014"

morro kiwi foto bob sousa1 Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Fernanda Azevedo, em cena de Morro como um País: atriz sofreu ataques de colegas por ter protestado no Prêmio Shell de Teatro - Foto: Bob Sousa

Nota do Editor: A Kiwi Cia. de Teatro é formada por Fernanda Azevedo, Fernando Kinas, Luiz Nunes, Dani Embón, Mônica Rodrigues, Eduardo Contrera, Luciana Fernandes Amparo, Fabio Salvatti, Demian Garcia, Maysa Lepique, Marie Ange Bordas, Paulo Emílio Buarque Ferreira e Gavin Adams. A peça Morro como um País volta ao cartaz nesta quarta (26) no CIT-Ecum (r. da Consolação, 1623, metrô Paulista), em São Paulo. Fica em cartaz quarta e quinta, às 21h, até 17 de abril, com entrada a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

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golpe militar foto arquivo 31 3 1964 estadao conteudo Artistas descomemoram 50 anos do golpe militar na 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de SP

Tanque militar circula no bairro das Laranjeiras, no Rio, em 31 de março de 1964 - Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Começou nesta segunda (24) e vai até o próximo domingo (30), a 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de São Paulo.

O evento integra uma série de atividades culturais pela cidade que lembram os 50 anos do golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil em 1964. O objetivo é fazer uma "descomemoração" da data.

A realização é do Núcleo do 184, da Cooperativa Paulista de Teatro e da Cia. do Feijão.

As apresentações acontecem no Teatro Studio Heleny Guariba e também na sede da Cia. do Feijão, no centro paulistano [veja endereços ao fim].

 

alem do ponto os crespos Artistas descomemoram 50 anos do golpe militar na 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de SP

Os Crespos se apresentam na mostra com Além do Ponto - Foto: Divulgação

Integram a programação no Guariba os espetáculos Iracema – a Paulistada: um Solo Manifesto, da Cia. de Solistas (25/03, às  20h); Milagre na Cela, de Jorge Andrade, com leitura do Grupo Kaus (26/03, às 20h); Além do Ponto, da Cia. Os Crespos (27/03, às 20h); Utopia, de Thomas Moore, encenada pela Cia. Esquizocênica (30/03, às 17h). O Núcleo do 184 também faz as peças A Necessidade da Arte, de Ernst Fischer (28/03, às 20h); O Rato Pensador, de Agenor Bevilacqua (29/03, às 16h); Caixa de Retratos (29/03, às 20h); e Jonas/Bacuri/ Bacuri/Jonas (30/03, às 19h30).

Já na Cia. do Feijão serão encenadas Clarisse, Virgínia, Catarina, do grupo Mal Amadas Poética do Desmonte (26/03, às 20h); O Interrogatório Brasileiro, com leitura do Núcleo do 184 (28/03, às 16h); Reis de Fumaça, da Cia. do Feijão (28/03, às 18h); e O Mundo das Águas, da Cia. A Jaca Est (29/03, às 15h).

A mostra será encerrada com a leitura de Poesia de Resistência, pelo ator Roberto Ascar e pelo músico Beto Kapeta, no dia 30 de março, às 20h, no Teatro Studio Heleny Guariba.

2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos
Quando: 24 a 30 de março de 2014
Quanto: grátis
Onde: Teatro Studio Heleny Guariba (praça Roosevelt, 184, São Paulo, metrô República)
Espaço da Cia. do Feijão (rua Doutor Teodoro Baima, 68, São Paulo, metrô República)
Informações: 0/xx/11 3259-6940

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 Em 13 dias de festa nos palcos, Festival de Teatro de Curitiba terá 450 peças, das quais 66 grátis

Público assiste espetáculo de rua no Festival de Teatro de Curitiba: maior festa das artes cênicas no Brasil começa nesta terça-feira (25) - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA e DANIEL SORRENTINO

Artistas de todos os cantos do País rumam para Curitiba a partir desta semana. O motivo da peregrinação é um só: fazer parte do maior evento das artes cênicas do Brasil. Afinal, ser visto na maior vitrine do teatro nacional pode representar tempos novos na vida de uma companhia.

EL HOMBRE VENIDO DE NINGUNA PARTE 02 Divulgação bxa Em 13 dias de festa nos palcos, Festival de Teatro de Curitiba terá 450 peças, das quais 66 grátis

El Hombre Venido de Ninguna Parte abre o evento na capital do Paraná - Foto: Elio Falgone Piña

Começa nesta terça (25) a 23ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, com a estreia da obra chilena El Hombre Venido de Ninguna Parte, a partir das 19h, no Expo Renault Barigüi.

Tentar ganhar destaque em sua programação é tarefa árdua. Afinal, até o dia 6 de abril, o maior evento das artes cênicas no Brasil vai apresentar 450 espetáculos em 65 espaços da capital paranaense.

EXCLUSIVO: "Vendemos mais ingresso que Rock in Rio", diz Leandro Knopfholz

Mas olhos não faltarão: só de jornalistas credenciados são mais de 60, fora os 25 diretores de festivais internacionais e seis olheiros de emissoras de TV que já confirmaram presença.

Dezenove Estados brasileiros mandaram representantes. Outros quatro países também participam com produções internacionais. São mais de 430 diferentes grupos teatrais, o que reflete a farta produção cênica no Brasil contemporâneo.

 Em 13 dias de festa nos palcos, Festival de Teatro de Curitiba terá 450 peças, das quais 66 grátis

Leandro Knopfholz: "Festival de Teatro de Curitiba é o maior panorama das artes cênicas no País" - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Se os R$ 60 da inteira para os 35 espetáculos da Mostra Oficial podem ser pesado para o bolso de muitos, o evento terá 66 espetáculos gratuitos, dos quais 56 serão nas ruas e praças de Curitiba. A rua vai abrigar importantes obras, como O Gigante da Montanha, do grupo Galpão, ou El Hombre Venido de Ninguna Parte, da companhia chilena Gran Reyneta. Na programação em teatros, há sucessos nacionais como Bichado e Cais - Ou da Indiferença das Embarcações, e também internacionais como o inglês The Rape of Lucrece.

Panorama do teatro nacional

O criador e diretor do evento, Leandro Knopfholz, diz que o objetivo segue sendo "traçar um panorama do que está acontecendo no teatro brasileiro". Ele revela que o orçamento do festival é de R$ 6,5 milhões, mas que o valor seria bem maior se ele e sua equipe não corressem atrás de parcerias.

Para ele, o festival dialoga com o mundo, com as companhias estáveis brasileiras e mesmo com espetáculos baseados em experiências pessoas de artistas. E seu principal objetivo segue sendo agradar o público. O evento, em sua última edição, levou 220 mil pessoas ao teatro, o que faz dele o maior do País em sua área de atuação.

A importância e repercussão do evento é sabida pelos artistas. A atriz Einat Falbel e o diretor Zé Henrique de Paula, da peça Bichado, do Núcleo Experimental, que integra a programação da Mostra Oficial, contam ao R7 que o grupo comemora a ida para Curitiba.

Zé Henrique de Paula, que está em Londres e não poderá acompanhar de perto o Festival, revela que é "uma oportunidade única" estar com sua peça "de diálogos rápidos e afiados carregados de humor negro, muitas vezes sarcástico". E espera que a obra conquiste os curitibanos.

Einat Falbel foto bob sousa Em 13 dias de festa nos palcos, Festival de Teatro de Curitiba terá 450 peças, das quais 66 grátis

Einat Falbel já esteve no Fringe com o Grupo Tapa; agora volta na Mostra Oficial com o Núcleo Experimental de Zé Henrique de Paula em Bichado - Foto: Bob Sousa

Einat lembra que já esteve no evento, no Fringe, com o Grupo Tapa.

— Era uma peça chamada Moço em Estado de Sítio, sob a direção de Eduardo Tolentino. Lembro que foi incrível para o grupo, que tivemos uma troca com outros grupos do Brasil e que foi um experiência muito enriquecedora para todos.

Fringe tem de tudo

O Fringe, a grande mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba que recebe qualquer artista que queria entrar na festa cênica desde 1998, está maior do que nunca em 2014: tem mais de 400 peças na sua programação. Ele é inspirado no Festival Internacional de Edimburgo, que existe na Escócia desde 1947, que é referência mundial. No Fringe, além dos brasileiros, há grupos da Argentina, de Moçambique e do Paraguai.

Como forma de se destacar na multidão, algumas companhias se uniram em mostras especiais: "Coletivos de Pequenos Conteúdos, Espírito Santo em Cena, Mostra Internacional de Solos (MIS), Mostra Ademar Guerra [com espetáculos paulistas], Mostra Ateliê de Histórias, Mostra Ave Lola, Mostra Baiana, Mostra Novos Repertórios, Mostra Sesi Dramaturgia, Mostra Seu Nariz e Mostra Sonora Cena.

Com o objetivo de ampliar os horizontes, o festival mantêm este ano outras mostras especiais: o Risorama, sucesso de público com espetáculos do gênero stand-up e humor de personagens, Mish Mash, que engloba números de magia e circo, o Guritiba, com programação variada de teatro infantil, e o Gastronomix, a feira gastronômica que ocorre durante o festival e que reúne chefs de restaurantes estrelados no Brasil. Além de tudo isso, dez eventos especiais, como bate-papos e lançamentos de livros, integram a programação.

EL HOMBRE VENIDO DE NINGUNA PARTE 01 elio falgone pina Divulgaçao bxa Em 13 dias de festa nos palcos, Festival de Teatro de Curitiba terá 450 peças, das quais 66 grátis

Chileno El Hombre Venido de Ninguna Parte abre o evento nesta terça (25) - Foto: Elio Falgone Piña

Conheça a programação do 23º Festival de Teatro de Curitiba!

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Foto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

gustavo ferreira foto bob sousa O Retrato do Bob: Gustavo Ferreira, máquina teatral
Gustavo Ferreira não para. É uma espécie de coração da máquina teatral do grupo Os Satyros. Assume produção e palco ao mesmo tempo, ciente de tudo. Quando a primavera chega, ele tem sua missão maior: coordenar um dos maiores festivais teatrais do País, as Satyrianas, que reúne milhares de pessoas e artistas sedentos de palco na praça Roosevelt e seus arredores, em São Paulo. O evento, que já até virou filme, rendeu a ele e à turma de Os Satyros o último Prêmio Shell de Teatro, na categoria inovação. No palco, emocionado, ao lado dos companheiros, Gustavo leu discurso escrito por Ivam Cabral. Compartilhou o troféu com todos que fizeram a história do festival. Porque Gustavo gosta mesmo é de andar junto. Afinal de contas, ele é da turma.

Visite o site de Bob Sousa

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morro kiwi foto bob sousa1 Domingou: Deixem a Fernanda Azevedo falar!

Fernanda Azevedo, em cena de Morro como um País: atriz sofreu ataques de colegas por ter protestado no Prêmio Shell de Teatro - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Foi só a atriz Fernanda Azevedo dizer quatro linhas a mais em seu agradecimento ao Prêmio Shell de melhor atriz, nesta última semana, que parte do mundo teatral resolveu crucificá-la.

Expliquemos.

A atriz, que faz a peça Morro como um País, na qual conta as agruras do golpe militar no Brasil que ainda chegam até nós, resolveu trazer a informação no palco de que a Shell foi uma das empresas que apoiaram a ditadura. Diante da situação inesperada, o clima foi de perplexidade.

O dilema não está no que Fernanda disse, afinal, ela exerceu sua liberdade de expressão. Ele está nas reações que ela provocou.

BRUNO MACHADO: Fernanda Azevedo tem direito à incoerência
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

Ainda vivemos em uma democracia, é sempre bom lembrar. Como também é importante reiterar que artistas costumam ser questionadores e apresentar novas formas de ver o mundo.

morro kiwi foto bob sousa4 Domingou: Deixem a Fernanda Azevedo falar!

Fernanda Azevedo com Vlado no peito: homenagem ao jornalista assassinado nos porões da ditadura militar - Foto: Bob Sousa

A reação contrária a Fernanda surgiu em parte da classe artística, sobretudo nas redes sociais, aproveitando a impunidade das relações virtuais. E que bom que todos têm o direito democrático de manifestar-se.

Muitos tomaram as dores da Shell e criticaram Fernanda com veemência. A transformaram em um pária. Diante da fúria de alguns, até parecia que a atriz havia cometido um crime. Como ela pôde se rebelar contra uma grande empresa que lhe honrou com um prêmio?

Houve até quem baixasse o nível da discussão, afirmando que ela foi à festa, comeu e bebeu champanhe, para depois criticar. Como um cachorro que não reconhece o dono e morde a mão que lhe dá de comer.

Leia entrevista exclusiva com Fernanda Azevedo
Veja a cobertura completa do Prêmio Shell de Teatro de SP

Diante de tudo isso fica a questão: será que o fato de uma multinacional do petróleo oferecer alguns quitutes e bebidas à classe teatral é o suficiente para toda esta defesa passional? Ou o ataque explícito à atriz é um pedido de "me premiem, por favor, que não faço a desfeita".

Não custa nada lembrar que uma grande empresa oferecer comes e bebes em uma premiação nada mais é do que uma ação de marketing. Tudo em troco de fotografar os artistas com seu logo atrás. Como foi feito com Fernanda e todos que estavam na Estação São Paulo na última terça (18). Isso não é beneficência. O preço sai até barato diante da propaganda espontânea.

BRUNO MACHADO: Fernanda Azevedo tem direito à incoerência
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

No afã contra a colega, houve até quem dissesse que Fernanda não poderia criticar o Shell, já que levou os R$ 8.000 do prêmio. Mais um argumento falacioso. Afinal, se o júri acha que ela mereceu e resolveu concedê-la, ela tem direito de ir, receber e falar mal do prêmio se assim desejar.

Convenhamos, R$ 8.000 é uma quantia infinitesimal diante da receita da Shell, que é de quase US$ 500 bilhões, com lucro anual de mais de US$ 30 bilhões nos mais de 140 países onde atua, o que a coloca entre as três maiores empresas do mundo. E todo esse lucro, não custa nada reforçar, é feito com o suor de muita gente que parte do teatro prefere esquecer, enquanto artistas como Fernanda ainda insistem em lembrar.

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Ps1. No fatídico 1968, a polêmica se deu porque os artistas do teatro paulista resolveram devolver os prêmios Saci ao jornal O Estado de S. Paulo, por este defender a censura em um editorial. Uma importante atriz encabeçou a lista do protesto. Seu nome era Cacilda Becker.

Ps2. O mesmo jornal publicou, nesta semana, que a MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo), cuja primeira edição neste mês foi sucesso de público, deveria repensar a gratuidade dos ingressos, sugerindo explicitamente que o evento tenha entrada paga na próxima edição. Pela lógica apresentada, se lotou demais não é bom. A saída seria cobrar ingresso e tirar o povo da parada. Para que gente que não pode pagar precisa de espetáculo internacional? E esqueçamos todos que parte da conta da MITsp foi paga com dinheiro público. Assim, a solução apresentada nada mais é do que a revogação do direito a um bem cultural por parte de todos os cidadãos que o financiaram. Salvo a distância, revogação de direitos civis é algo que foi mote 50 anos atrás neste País com apoio de parte da sociedade e de empresas beneficiadas, como Fernanda Azevedo bem lembrou em seu discurso.

BRUNO MACHADO: Fernanda Azevedo tem direito à incoerência
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

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Fernanda Azevedo em Morro como um País: discurso que incomoda muita gente - Foto: Bob Sousa

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morro kiwi foto bob sousa8 Domingou: Fernanda tem direito à incoerência

Fernanda Azevedo, em cena de Morro como um País: direito à incoerência - Foto: Bob Sousa

Por BRUNO MACHADO*
Especial para o Atores & Bastidores
Fotos de BOB SOUSA

Da indiferença ao constrangimento, o silêncio se tingiu de diversos tons, em meio a uma festa cujo clima lembrava um cândido baile de debutante. Foi na última terça-feira (18), durante a entrega do 26º Prêmio Shell.

Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia. de Teatro, vencedora na categoria de melhor atriz por Morro Como Um País, subiu ao palco para agradecer a láurea e criticar o apoio da petrolífera à ditadura na Nigéria, na década de 1990.

Em meio ao complicado trânsito de bandejas de casquinhas de siri e bobós de camarão, entre as quais se distinguia um ou outro ator ou diretor, já meio enfadado, ou apenas trôpego, o eloquente silêncio, como uma onda, foi crescendo para desaguar verborrágico nas áridas praias do Facebook.

Houve quem considerasse o discurso de Fernanda hipócrita. Houve quem preferisse defendê-la. Outros optaram por ridicularizar o nome da companhia teatral da qual a atriz é integrante – onde já se viu grupo de teatro de esquerda com nome de kiwi, não é mesmo?

MIGUEL ARCANJO PRADO: Deixem a Fernanda Azevedo falar
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

Incoerência é falha?

Cinquenta anos depois do golpe que catapultou os militares ao poder, as liberdades garantidas pela Constituição Federal permitiram que uma empresa que apoiou a ditadura, por meio de um júri, premiasse Fernanda por sua crítica às ditaduras e, de quebra, que ela aceitasse o reconhecimento. E ainda que todos, sem ressalvas, pudessem expor sua opinião sobre o caso. Cheia de nuances e questões pertinentes, a discussão, como quase todas as outras que rondam a esfera pública brasileira, degradou-se a uma pura e simples disputa entre direita e esquerda, Fla versus Flu, solteiros contra casados.

morro kiwi foto bob sousa5 Domingou: Fernanda tem direito à incoerência

Fernanda Azevedo, em Morro como um País: incoerência agora virou falha de caráter - Foto: Bob Sousa

Exigiu-se coerência de Fernanda como se seu discurso fosse uma redação para um exame de vestibular, e não uma posição política, nunca isenta de contradições. Os críticos de Fernanda pareceram enxergar na coerência uma espécie de pedra angular que, ausente do seu discurso e do seu trabalho artístico, fez desabar um edifício de falácias e enganos. Dos seus escombros, restou apenas um vexaminoso arremedo de militância vazia. A coerência foi, então, alçada à condição de qualidade imprescindível, sem a qual o locutor perde qualquer legitimidade e direito de fala. A incoerência se tornou falha de caráter, demérito artístico e profissional imperdoável.

Leia entrevista exclusiva com Fernanda Azevedo
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Opressor financia oprimido

Sobretudo, se exaltou a coerência como se a maioria das manifestações artísticas produzidas no Brasil não fossem movidas pelas contradições e incongruências típicas do capitalismo, sistema que permite, entre outras aberrações, que o opressor financie o oprimido. Sendo assim, a única ação coerente possível seria a recusa do prêmio, bem como de qualquer salário, patrocínio, prêmio ou edital. E não só por Fernanda, mas por toda a classe teatral que, de mãos dadas, iria viver de sonhos e artesanato vendido na praia.

Talvez coerente fosse, então, recusar os serviços de quase todas as empresas existentes no mercado, uma vez que, certamente, elas diretamente apoiaram ou estiveram ligadas a apoiadores da ditadura no Brasil, na Nigéria ou em qualquer outro lugar do mundo. Ler ou escrever jornais também estaria fora de cogitação. A maciça maioria dos veículos de comunicação apoiou a opressão militar e chegou até mesmo a endossar a censura que os calava. No paroxismo, seria necessário fazer uma investigação em profundidade acerca dos mais triviais serviços prestados ao cidadão coerente, como o inocente gás de cozinha. E mesmo esse seria rechaçado uma vez que a Ultragás chegou a emprestar seus carros para que agentes da opressão pudessem entregar, sem deixar rastro ou suspeita, cidadãos subversivos na porta do DOI-CODI.

MIGUEL ARCANJO PRADO: Deixem a Fernanda Azevedo falar
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

Ditadura de contradições

A fala de Fernanda na festa de entrega do Shell expõe não só a ditadura de contradições sob a qual todos nós, artistas ou não, vivemos todos os dias. Cotidiano em que a incoerência é regra e não exceção. Evidencia também a fratura sobre a qual equilibra-se o teatro brasileiro, proibido de fazer qualquer reclamação sobre a esmola recebida.

O discurso de Fernanda contra as ditaduras, que trazem estabilidade e segurança ao florescimento do capital, acaba também por ser contra mecanismos não menos opressores, que controlam financeira e ideologicamente a produção de obras de arte e impossibilita os seus agentes de andarem com suas próprias pernas. Concluído um projeto, para dar início ao próximo, é preciso reiniciar do zero o velho processo de mendicância conhecido da classe artística.

A despeito do que dizem seus críticos, a crítica marxista de que Fernanda faz uso em seu discurso e em seu teatro não apregoa o franciscanismo. Afirma que as contradições e incoerências – a chamada dialética – são essenciais ao debate, ao surgimento do novo e da transformação social. Se a atriz vencedora do Shell foi contraditória ao receber o troféu ou não, é questão menor.

Toda a seara de questionamentos que o seu ato suscita já deixa clara a sua posição política e a coerência com o projeto artístico da sua companhia com nome de fruta exótica: o oprimido pode e até mesmo deve aceitar o dinheiro do opressor, e por meio dele, lutar pelos seus ideais, pela justiça social; pode até mesmo lutar contra o opressor. O capitalismo e a democracia, incoerentes por excelência, garantem esse direito. O capitalismo e a democracia asseguram à Fernanda Azevedo o direito à incoerência.

*Bruno Machado é jornalista formado pela ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo).

MIGUEL ARCANJO PRADO: Deixem a Fernanda Azevedo falar
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

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Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia. de Teatro, foi atacada pelo discurso contra a Shell - Foto: Bob Sousa


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sala de espera giorgio donofrio2 Crítica: Peça Sala de Espera faz grito contra burrice do sistema com humor fino e inteligente

Sala de Espera: grito contra o sistema com humor inteligente - Foto: Giorgio Donofrio

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma estudante conta à amiga que quase foi agredida porque confundiu o número de sua senha em uma sala de espera e, por pouco, não passou na frente de uma senhora, que começou a insultá-la com veemência.

Em um apertado guichê de uma repartição federal, novos imigrantes paulistanos penam para conseguir vistos de permanência no País. Atendentes são pouco claros quanto aos documentos exigidos, fazendo com que o processo seja penoso e duradouro. Porque sempre falta um documento ou uma autenticação.

Situações angustiantes e corriqueiras como estas estão por toda parte, em cada sala de espera espalhada pelo mundo. A energia destes locais, aos quais só vamos se obrigados pelas circunstâncias, costuma ser mesmo pesada. É possível sentir no ar a irritação de todos naquele tempo suspenso, quase sem fim.

sala de espera giorgio donofrio4 Crítica: Peça Sala de Espera faz grito contra burrice do sistema com humor fino e inteligente

Carimbos e autenticações: a burrice do sistema é exposta no espetáculo Sala de Espera - Foto: Giorgio Donofrio

O grupo Eco Teatral resolveu lançar um olhar poético e artístico para tal situação incômoda e incontornável na peça Sala de Espera.

Na montagem, o diretor Thiago Franco Balieiro – que contou com assistência de Bruna Lima – abusa de imagens e coreografias com seu elenco para criar situações com as quais qualquer um se identifica. É uma obra que comunica com o homem, explicitando como as pequenas situações de poder geralmente andam casadas com a mediocridade. Assim, Sala de Espera é uma obra universal.

O enredo foi inspirado na fábula Diante da Porta da Lei, integrante do livro O Processo, do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Nele, um homem se vê diante da burocracia na qual está mergulhado um detentor de poder público.

A repartição, com toda sua frieza, se instaura no palco, onde o homem, acompanhado de outros três reclamantes na fila, precisa, pacientemente, aguardar sua vez, com a senha em mãos, em meio a muita espera.

A encenação aposta em uma teatralidade inspirada no cinema mudo, com gestos grandes e próximos ao mundo circense. Assim, boa parte dos sons emitidos pelos personagens são ininteligíveis, sem prejudicar, contudo, a compreensão das cenas.

A direção aposta em signos simples que são reforçados por uma atuação intencionalmente exagerada. Contudo, surge um pequeno ruído: nas cenas em que o homem (Luiz Gustavo Luvizotto) e o funcionário público (Paulo Balistrieri) falam português audível, há um embate com a estética já estabelecida na obra. Assim, tais cenas vão de encontro ao todo da montagem, já que tiram o espectador da fantasia na qual já embarcou. Ouvir palavras conhecidas parece sublinhar desnecessariamente o que já estava subtendido com a intenção tão presente no elenco.

O grupo de atores está unido e coeso na proposta da encenação. A energia masculina domina a montagem, com a força a todo o momento entrando em confronto com a razão – até porque a razão presente parece irracional.

O trio que faz o coro é a grande costura na dramaturgia. São eles quem dão sentido a tudo simplesmente com sua permanência, ora violenta, ora resignada.

João Attuy surge simples e poético com sua gaita, com um corpo já amansado pela espera e a desilusão. Já Chico Ribas abusa da ironia na construção de seu personagem. Rafael Lozano também tem ótimos momentos, sobretudo quando sustenta ares de macho alfa naquele grupo de personagens à beira do fracasso moral.

sala de espera giorgio donofrio3 Crítica: Peça Sala de Espera faz grito contra burrice do sistema com humor fino e inteligente

O tempo não passa: angústia das salas de espera mundo afora é explicitada - Foto: Giorgio Donofrio

Luvizotto mergulha na angústia de forma crível, com uma atuação que caminha por linha tênue, mas condizente com a obra. O desespero de seu personagem é perceptível e chega à plateia. No momento em que seu personagem resolve agir de forma revolucionária e enfrentar o sistema, sofre as consequências de tal decisão, como sempre acontece.

Se Balistrieri parece exagerado no começo da obra, logo seu frenesi é justificado pela estética da encenação – e até mesmo pela dramaturgia, que explicita a excitação com cheiradas que mantêm o personagem ligado em sua função.

Como diretor, Balieiro se destaca ao pensar o palco como um quadro no qual desenha belas imagens – algumas até flertando com a dança para criar coreografias. A cena do hospital é realmente um grande achado na encenação, pela simplicidade e veracidade com que transforma tudo como num passe de mágica.

Sala de Espera é um espetáculo de humor fino e inteligente, que toca em um assunto recorrente de uma forma simples, mas que consegue unir poesia à força de um grande ataque. O espetáculo é um curto grito contra a burrice do sistema, antes que surja alguém para abafá-lo.

Sala de Espera
Avaliação: Bom
Quando: Sexta, 21h. 50 min. Até 30/5/2014
Onde: Espaço dos Parlapatões (pça. Roosevelt, 158, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-4449)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Peça Sala de Espera faz grito contra burrice do sistema com humor fino e inteligente

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bibi ferreira studio prime Bibi Ferreira faz show grátis no Ibirapuera

A diva Bibi Ferreira, aos 91 anos, está cheia de vigor no palco - Foto: Studio Prime

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Aos 91 anos, a cantora e atriz Bibi Ferreira sobe ao palco na área externa do Auditório Ibirapuera, no parque Ibirapuera, em São Paulo, neste sábado (22).

A diva dos palcos se apresenta às 20h.

Acompanhada de uma orquestra, ela fará o show Bibi - Histórias e Canções, que comemora suas nove décadas de vida.

A entrada é gratuita.

Em maio, Bibi Ferreira estreia seu novo espetáculo no Teatro Shopping Frei Caneca, Bibi canta Sinatra.

Em 1º de junho próximo a artista completa 92 anos de vida.

Leia a crítica do espetáculo de Bibi Ferreira!

Nove artistas declaram seu amor a Bibi Ferreira

 

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