lauanda varone marco keppler Jovens dramaturgos querem conquistar público para novas peças de teatro durante a Copa do Mundo

Em primeiro plano, a atriz Lauanda Varone na peça Vende-se de Marco Keppler - Foto: Marco Keppler

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Em plena época de Copa do Mundo, um grupo de quatro novos dramaturgos estão confiantes em seus textos. Tanto que colocam no palco, com entrada gratuita, suas primeiras obras justamente no mês em que o futebol domina a pauta. Afinal, querem mesmo é saber de teatro.

O nome do projeto é Cenas Insurgentes, criado no Teatro de Narradores. Ele abarca o Coletivo de Dramaturgos, com autores teatrais recém-formados no curso de dramaturgia da SP Escola de Teatro.

Cristiano alfer e cristina santos foto lucas venturin Jovens dramaturgos querem conquistar público para novas peças de teatro durante a Copa do Mundo

Os atores Cristiano Alfer e Cristina Santos em cena de Habeas Porcus, de Lucas Venturin - Foto: Lucas Venturin

Todas as peças serão apresentadas entre 13 e 22 de junho com entrada gratuita. Saiba um pouco sobre cada uma delas:

Jairo Alves mergulha no universo em crise de um homem desempregado em Nomes, Verbos e Objetos, com direção de Eder Bastos. Ficará no Teatro Alfredo Mesquita (av. Santos Dumont, 1770, Santana, zona norte ). Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h.

Lucas Venturin usou o mundo interiorano para criar Habeas Porcus, com direção de Jonas Mendes. Estará em cartaz no Teatro Zanoni Ferrite (av. Renata, 163, Vila Formosa, zona leste). Sexta e sábado, 20h, domingo, 19h.

Marco Keppler desvenda um baú de memórias na peça Vende-se, que ganha direção de Victor Ribeiro. Estará em cartaz no Teatro Leopoldo Fróes (r. Antonio Bandeira, 114, Santo Amaro, zona sul). Sexta e sábado, 20h, domingo, 19h.

Mariana Menezes, por sua vez, entrou no espinhento tema das ausências familiares para compor a obra Restos, com direção de Vane, que ocupará o Teatro Cacilda Becker (r. Tito, 295, Lapa, zona oeste). Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h.

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femsa Cesar Gouvea melhor diretor e melhor espetáculo infantil 6 Artistas do teatro infantil e jovem são consagrados no 21º Prêmio Femsa em SP; veja quem ganhou

Cesar Gouveia, eleito melhor diretor por A Rainha Procura, recebe Prêmio Femsa - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma noite de festa reuniu os principais nomes do teatro infantil e jovem do Brasil na semana passada.

Foi entregue no HSBC Brasil, em São Paulo, na última quarta (28), o Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem, que completou sua 21ª edição.

femsa Fernanda Maia melhor trilha sonora Artistas do teatro infantil e jovem são consagrados no 21º Prêmio Femsa em SP; veja quem ganhou

Fernanda Maia: melhor trilha sonora - Foto: Divulgação

A festa contou com a presença de nomes conhecidos de nossos palcos, como Rosi Campos, Claudia Missura, Hugo Possolo e Fabiano Augusto, que entregaram alguns dos disputados troféus.

O evento teve direção artística de Marcelo Romagnoli, e coordenação de Luiza Jorge.

O maior vencedor foi Lampião e Lancelote, indicado em 11 categorias, levando cinco estatuetas: espetáculo Jovem, ator, atriz coadjuvante, figurino e autor de texto adaptado. A peça permanece no cartaz no Teatro João Caetano, em São Paulo, até 22 de junho. Outra que saiu consagrada na noite foi a peça A Rainha Procura, com três prêmios: atriz, espetáculo infantil e direção.

Outra peça que recebeu destaque, com três troféus, foi A Rainha Procura, que levou para casa os prêmios de atriz, espetáculo infantil e direção.

Equipe de Lampião e Lancelote melhor espetáculo Infantil Artistas do teatro infantil e jovem são consagrados no 21º Prêmio Femsa em SP; veja quem ganhou

Equipe da peça Lampião e Lancelote, eleito o melhor espetáculo jovem no Prêmio Femsa - Foto: Divulgação

Veja a lista completa, abaixo, com quem levou a 21ª edição do Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem:

Prêmio Crystal Eco de Sustentabilidade
Esparrama pela Janela

Melhor Iluminação
Kléber Montanheiro: Crônicas de Cavaleiros e Dragões: O tesouro dos Nibelungos

Melhor Figurino
Márcio Vinicius: Lampião e Lancelote

Melhor Cenografia
Sidney Caria: O Buraco No Muro

Melhor Trilha Sonora
Fernanda Maia: Menino Lua

Melhor Música Originalmente Composta
Gustavo Kurlat e Rubem Feffer: Uma Trilha Para Sua História

 

femsa Iarlei Rangel diretor vencedor das categorias revelação e sustentabilidade 4 Artistas do teatro infantil e jovem são consagrados no 21º Prêmio Femsa em SP; veja quem ganhou

Acompanhado do elenco de Esparrama na Janela, apresentado no Minhocão, em São Paulo, Iarlei Rangel comemora prêmio duplo - Foto: Divulgação

Revelação
Iarlei Rangel: Esparrama Pela Janela

Melhor na Categoria Especial
Operilda na Orquestra Amazônica: Pela valorização de músicos da cultura erudita, folclórica e popular

Texto Adaptado
Bráulio Tavares: Lampião e Lancelote

Melhor Texto Original
Gustavo Kurlat: Uma Trilha Para Sua História

femsa melhor ator coadjuvante thiago ledier melhor atriz coadjuvante Luciana Carnielli Artistas do teatro infantil e jovem são consagrados no 21º Prêmio Femsa em SP; veja quem ganhou

Prêmio Femsa 2014: melhor ator coadjuvante, Thiago Ledier atuou em Judas em Sábado de Aleluia; já a melhor atriz coadjuvante, Luciana Carnielli, é do elenco de Lampião e Lancelote - Foto: Divulgação


Melhor Ator Coadjuvante
Thiago Ledier: Judas em Sábado de Aleluia

Melhor Atriz Coadjuvante
Luciana Carnielli: Lampião e Lancelote

Melhor Ator
Daniel Infantini: Lampião e Lancelote

Melhor Atriz
Rhena de Faria : A Rainha Procura

femsa 2014 melhor ator daniel infantini melhor atriz rhena faria Artistas do teatro infantil e jovem são consagrados no 21º Prêmio Femsa em SP; veja quem ganhou

Daniel Infantini, melhor ator por Lampião e Lancelote; Rhena de Faria, melhor atriz por A Rainha Procura; espetáculos foram destaque no Prêmio Femsa 2014 - Fotos: Divulgação

Melhor Direção
César Gouvêa: A Rainha Procura

Melhor Produção
Mauricio de Sousa Produções: Mônica e Cebolinha no mundo de Romeu e Julieta

Melhor Espetáculo Jovem
Lampião e Lancelote

Melhor Espetáculo Infantil
A Rainha Procura

femsa lampiao e lancelote a rainha procura Artistas do teatro infantil e jovem são consagrados no 21º Prêmio Femsa em SP; veja quem ganhou

À esq., Lampião e Lancelote, melhor espetáculo jovem; à dir., A Rainha Procura, melhor espetáculo infantil no Prêmio Femsa 2014 - Foto: Divulgação

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marcos loureiro foto bob sousa O Retrato do Bob: Marcos Loureiro, por perto
Foto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O paulistano Marcos Loureiro começou ator e hoje é muito mais diretor. Deu seus primeiros passos nas artes cênicas tendo aulas com professores lendários do Teatro Escola Macunaíma. Gente do cacife de Myriam Muniz, Klauss Vianna, Antunes Filho e Fauzi Arap. Este último foi quem o encaminhou à direção, de forma certeira. Juntos, dirigiram Chorinho, sucesso nos palcos com Claudia Mello, Caio Blat e, depois, Denise Fraga. No momento, dá vida ao texto de um outro ex-professor seu, Plínio Marcos, um de seus dramaturgos preferidos. Assina a direção de mais uma montagem para Navalha na Carne, no Teatro da Garagem. Habitué da praça Roosevelt, reduto do teatro alternativo paulistano, Loureiro conhece a noite da cidade, retratada na peça. Na metrópole que não para, coleciona sucessos, como Hotel Lancaster, com Mario Bortolotto, e A Louca de Chaillot. com Cleyde Yáconis. Afinal, quando o assunto é teatro, Marcos Loureiro está sempre por perto.

Visite o site de Bob Sousa

Baixe o livro Retratos do Teatro, de Bob Sousa

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negra li em jesus cristo superstar marcos di ferreira azar do valdemar foto bob sousa 2014 Coluna do Mate: Produção teatral tem 2 realidades

Duas realidades teatrais na produção paulistana: à esq., Negra Li no musical Jesus Cristo Superstar, de Jorge Takla; à dir., Marcos Di Ferreira, em Azar do Valdemar, da Cia. dos Inventivos - Fotos: Bob Sousa

 De um lado, teatro de grupo despertando a cidadania cultural; de outro, o teatro comercial com altas cifras e grande público; vida é feita de escolhas, e a arte também

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate: Produção teatral tem 2 realidades

O pesquisador Alexandre Mate: Foto: Bob Sousa

Por ALEXANDRE MATE
Especial para o Atores & Bastidores
Fotos de BOB SOUSA

A produção teatral paulistana da última década tem importância semelhante, na condição de fenômeno social, por exemplo, a algumas das conquistas mobilizatórias da União do Movimento de Moradias, das Jornadas de Junho de 2013.

Pode haver certo exageramento na afirmação, sobretudo no que diz respeito ao número de participantes, entretanto, o chamado movimento de teatro de grupo da cidade de São Paulo, com mais de 300 grupos em atividade, espalhados por toda a cidade, tem mobilizado as comunidades nas quais se insere.

No processo de reivindicações e lutas por mudanças sociais, diversos são os coletivos teatrais que participam das mobilizações sociais, em prol da dignificação da vida e dos direitos à moradia, à justiça, à saúde, à educação...

Apesar de os números com relação à produção teatral serem bem menores, quando comparado àquele das mobilizações lembradas, nas comunidades de atuação dos grupos, diversos têm sido, também, os conjuntos de ações culturais que mobilizam as comunidades locais. O teatro tem se entranhado, estética socialmente, na vida das mais diversas comunidades da cidade.

Teatro de grupo

Na periferia como um todo tem havido teatro. Tem havido muito teatro!

barafonda bob sousa3 Coluna do Mate: Produção teatral tem 2 realidades

Barafonda, da Cia. São Jorge de Variedades, que envolveu o bairro paulistano Barra Funda no projeto - Foto: Bob Sousa

Os coletivos teatrais, esparramados feito “batatinha pelo chão”, além de obras produzidas de modo colaborativo pelos próprios grupos, tem promovido diferentes ações: desde mostras, em que outros grupos participam e apresentam suas obras; encontros teóricos; as mais diferenciadas formas de oficinas expressivas; deslocamentos de parte das próprias comunidades para participarem de outras atividades culturais... Enfim, o estético, o pedagógico e o cívico, por intermédio das ações propostas pelo teatro de grupo, tem se juntado e instaurado, efetivamente, um conceito de cidadania cultural.

Esse tipo de proposta teatral, cujos assuntos tendem, majoritariamente, a serem coletados das ruas e das gentes que nelas trafegam, pedem ao sujeito sua participação como cidadão, aliando o indivíduo ao sujeito histórico. Claro, por ser fomentado economicamente pelo Estado, o teatro de grupo é híbrido e não cabe em palcos tradicionais; tampouco cobra ingressos. Além de a atividade artística, e nela a teatral, ser concebida como um direito, na totalidade desses coletivos o acesso é uma realidade de fato e não uma retórica propagandística ou populista.

Inquietude

O teatro de grupo é uma das realidades teatrais da cidade. Trata-se de um movimento inquieto: que peregrina de espaços em espaços; que busca parcerias políticas e estéticas; que intervém, por meio de suas obras, na polis como um todo; que convida todo tipo de gente para participar, de intelectuais a professores, de artistas aos cidadãos sem vocação ou prática teatral, de artistas da ativa a artistas aposentados (e tantas e tantas vezes esquecidos); que participa de diversas ações por entender que o artista é um cidadão e um trabalhador.

brecht Coluna do Mate: Produção teatral tem 2 realidades

Brecht: "Construir homem novo" - Foto: Divulgação

Pedro Osório, na década de 1970, musicou um poema do teatrólogo alemão Bertolt Brecht, e o português Grupo Outubro cantou. Assim aparece nos versos: “Não basta ser livre/ É preciso construir o homem novo/ O homem novo/ Onde a liberdade já não seja discutida/ E por ser de todos nunca mais seja perdida”. É mais ou menos por aí que tem pensado e agido muitos coletivos ligados ao movimento de teatro de grupo da cidade.

O teatro é estética; é luta pela liberdade e direito de usar os símbolos para se comunicarem com todos os homens e mulheres, próximos ou distantes; é espaço para discutir história e transformá-la em linguagem artística; é território de disputa e de denúncia, de inventário e de devaneio.

Enfim, das produções teatrais na cidade, que buscam intervir na polis; que renovam o estético, por um permanente processo de criação coletivo; que incorpora as mais distintas vozes e sujeitos sociais; que tem feito a forma teatral respirar e renovar-se, efetivamente, o teatro de grupo tem dito presente aos principais acontecimentos da vida contemporânea e se presentificado inquietantemente.

Teatro comercial

Correndo por outras pistas, sendo mobilizados por outros interesses, frequentada por outro tipo de gente... há uma outra produção teatral sendo apresentada e desenvolvida na cidade. Trata-se da realidade do chamado teatro comercial, cujos temas, amplitude social, processo de criação, espaços de apresentação, possibilidade de acesso são diametralmente opostos àqueles do teatro de grupo.

Tais espetáculos, normalmente, são apresentados por agrupamento especialmente formado para um fim específico, ou seja, montar uma obra e cujo processo de criação e de produção depende da decisão de um sujeito ou pequeno grupo deles, que são os produtores.

Esses espetáculos, algumas vezes, são montados por sujeitos selecionados em processos de ensaio ou por indicação; outras vezes, e isso tem sido mais comum, são obras montadas tendo um astro ou estrela da televisão, que pelo reconhecimento de que dispõem tem facilidade para suas obras serem patrocinadas.

Em tese, a maioria desses espetáculos repetem formas já consagradas. Difícil a ousadia ou partilhamento do processo colaborativo, cujo processo é muito mais lento. Invariavelmente, e pelo fato de o público pagante preferir obras de mais fácil recepção, a ousadia da obra apresenta-se não nos temas (que invariavelmente transitam por problemas individuais), mas nos aspectos visuais da obra. Normalmente, alguém consagrado e com público distinto, prefere obras mais tradicionais e, normalmente, aprovadas nos grandes centros culturais do mundo, ou seja, Estados Unidos da América e algumas capitais da Europa.

Tantas e tantas vezes, evocando a universalidade nas artes, o teatro comercial não reconhece a produção dramatúrgica de seu país e pouco faz para incentivar a dramaturgia local. Algumas exceções poderiam, entretanto, serem lembradas, em produções de 2013.

Experimentais

A primeira delas, por seu caráter ousado, em direção da sempre irreverente e criativa Georgette Faddel. Na obra O Duelo, de Anton Tchekhov, a atriz Camila Pitanga, contratada da Rede Globo, participou do espetáculo bastante experimental.

andrea beltrao foto bob sousa 2013 Coluna do Mate: Produção teatral tem 2 realidades

Andrea Beltrão fez Jacinta em São Paulo - Foto: Bob Sousa

De certo modo, a atriz abriu mão de seu caráter de atriz consagrada para, em experimento teatral, participar do elenco na condição de coro. A sempre surpreendente Andreia Beltrão protagonizou Jacinta – A Pior Atriz do Mundo, no texto de Newton Moreno. Em obra também experimental e de autoria de jovem autor brasileiro, não é a primeira vez que a atriz, também, contratada da Globo, se apresenta no teatro. Esses dois espetáculos foram apresentados, respectivamente, no Centro Cultural São Paulo e no teatro do Sesc Vila Mariana, cujos preços são mais simbólicos e acessíveis.

Claudia Raia e Miguel Falabella

Cláudia Raia, também contratada da Globo, atriz com potencialidade para a dança e o canto, além da interpretação, resolveu remontar Cabaret, filme norte-americano de mega sucesso de 1972. A obra foi apresentada no Teatro Procópio Ferreira, e segundo as fontes documentais à disposição, foi um grande sonho realizado pela atriz, teve ingressos vendidos de R$ 50 a R$ 200.

Tanto a obra já era conhecida como os valores foram inacessíveis à totalidade absoluta da população. Bom lembrar que o texto e músicas foram adaptações de Miguel Falabella, que tem apresentado uma obra atrás da outra, normalmente com patrocínios milionários. Fã de musicais, o ator-produtor, faz algum tempo, não monta obras de dramaturgia brasileira.

Em um país como o nosso de imensa tradição com o teatro de revista, é difícil acreditar que não há/ houve tetro musical entre nós. Em fontes veiculadas pela grande imprensa, o último trabalho de Falabella, A Madrinha Embriagada, apresentada no Teatro do Sesi da Paulista, cujo espetáculo tinha entrada gratuita, teve investimento da instituição mencionada de R$ 12 milhões. Algumas cenas enchiam os olhos, mas e diversas perguntas poderiam ser feitas, dentre elas: qual a importância estético-social da obra? Que significados e contribuições trouxe/ representa a obra para o teatro paulistano? Qual a importância da obra para nossas vidas, para o nosso aprimoramento e percepção estéticas?

Escolhas

Nem melhor, nem pior. Ao longo da vida fazemos escolhas. Alguns, pelos mais diversos motivos, gostam de manter a tradição e os privilégios daí decorrentes. Outros, sempre descontentes com o andar e o fazer dos acontecimentos, optam por inserirem-se em permanentes processos de ousadia, que aprimoram o olhar.

Escolhas, apenas escolhas... Somos, quase sempre parte daquilo que escolhemos.

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pesquisador de teatro. Ele escreve no blog sempre no dia 1º.

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fitbh melhores espetaculos r7 Internautas do R7 elegem Sabiás do Sertão, Acontecimento em Vila Feliz e Salada Mista as melhores peças do FIT BH 2014

Agradaram ao público mineiro: Sabiás do Sertão, Acontecimento em Vila Feliz e Salada Mista são as melhores peças do FIT-BH 2014 na opinião dos internautas do portal R7 - Fotos: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os internautas do R7 elegeram as melhores peças apresentadas no FIT-BH 2014 (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte), que terminou no último domingo (25).

Na categoria melhor espetáculo nacional, Sabiás do Sertão, da Cia. Cênicas, de São Paulo, obteve 76,5% dos votos e foi o preferido do público.

Já na categoria melhor espetáculo mineiro, foi escolhido Acontecimento em Vila Feliz, da Cia. Pierrot Lunar, de Belo Horizonte, com 30% dos votos.

Para completar, na categoria melhor espetáculo do Fitinho, a mostra infantil, ganhou Salada Mista, da pernambucana Cia 2 em Cena, com 77,8% dos votos.

Parabéns aos vencedores!

Acompanhe a cobertura do R7 no FIT-BH!

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phedra cordoba bob sousa2 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Phedra D. Córdoba, a maior diva dos palcos alternativos de São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Ando meio desligada...
Phedra D. Córdoba, a diva cubana que fez aniversário na última segunda (26), não pôde, infelizmente, acompanhar os parabéns na internet — hoje em dia, só os muito elegantes telefonam. Tudo porque a Vivo ainda não instalou a internet em seu novo computador. Phedra saiu do antigo apartamento no Anhangabaú e agora está morando na praça Roosevelt, no centro paulistano. Já ligou um monte de vezes e os técnicos não aparecem. Assim, tadinha, passou seu cumpleaños desconectada.

Sonho
Phedra ainda está esperando a montagem de sua sonhada peça Madame Pompadour. Enquanto isso, faz aos domingos de junho e julho, às 21h, Não Morrerás, no Espaço dos Satyros 1. Canta Beatles.

Agenda Cultural da Record News

coluna1405 Carmen Ensaio geral por Desirèe Furoni 64 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Amor quente nos palcos do Theatro Municipal de SP: Carmen é um furor - Foto: Desirèe Furoni

Fina flor
Foi concorridíssima a pré-estreia da ópera Carmen, na última segunda (26), no Theatro Municipal de São Paulo. O evento foi beneficente para a CIP (Congregação Israelita Paulista). Na plateia, a fina flor da sociedade, se é que vocês me entendem.

Corta!
O diretor cênico Felippo Tonon resolveu suprimir o intervalo entre o terceiro e quarto ato para que a obra não avance a madrugada. Faz bem.

Pavarotti magro
Teve gente que saiu impressionadíssima do Municipal com a potência da voz do tenor Thiago Arancam, brasileiro de apenas 32 anos e... magríssimo.

Farta
Já Carmen é vivida pela voluptuosa cantora lírica israelense Rinat Shaham. A moça é um escândalo em cena.

Número
Entre músicos, cantores, atores e bailarinos, são 315 artistas envolvidos em Carmen. É este número mesmo que você leu. E foi contado só para a coluna saber.

Esgotou
Todos os ingressos para Carmen já foram vendidos. Agora, só nos cambistas em frente ao Municipal...

Festança
O Cineclube Latino-Americano de São Paulo comemora seu primeiro ano com a festa La Noche de las Brujerias, no Pavilhão da Criatividade, do Memorial da América Latina, a partir das 21h deste sábado (31). A entrada é gratuita. Tem gente que já se pergunta: com que roupa eu vou?

coluna carlos gardel Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Músicas de Carlos Gardel vão embalar público no Memorial - Foto: Divulgação

Tango
Falando em Memorial, os 204 anos da Revolução de Maio Argentina serão comemorados na praça onde fica a famosa mão latino-americana de Oscar Niemeyer, também no sábado (31), a partir das 16h. É quando acontece o show grátis da banda argentina de tango Che Bandoneon Show.

Viva Gardel
O grupo tem os argentinos Ivan Barrera, na guitarra e na voz, Miguel Morganti, no bandoneon, Juan Carlos, na voz, e Negrito, o único uruguaio, no bandoneon e no baixo elétrico. A apresentação também contará com os bailarinos Alex e Vanessa, com direção de Leonardo Larrosa. No repertório, clássicos de Carlos Gardel, como El Dia Que me Quieras, Caminito, Mano a Mano e Volver. Nostalgia pura.

Telona
Quer saber como se faz cinema em São Paulo? Corra para o debate sobre a produção cinematográfica na cidade neste sábado (31), entre 15h e 19h, no CCBB-SP, na Sé. O evento faz parte da 13ª Mostra do Filme Livre. Um bom lugar para fazer contatos.

Acidente
A atriz Antonia Mattos quebrou o nariz durante um ensaio da peça Relampião. Por isso, a obra não será mais apresentada neste sábado (31) no largo do Rosário, em São Paulo. Melhoras.

coluna aoperadomendigo4 fotodivulgacao Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

A Ópera do Mendigo é a montagem de formatura da turma 15 da ELT - Foto: Divulgação

Eu vou samplear
Neste fim de semana acontecem as últimas apresentações da peça A Ópera do Mendigo, do britânico John Gay. É o espetáculo de formatura da turma 15 da Escola Livre de Teatro (ELT) de Santo André. Alexandre Tenório assume a direção. Tem sessão sábado (31), 21h, e domingo (1º), 19h, no Teatro Conchita de Moraes, a sede da ELT. É pertinho da estação Prefeito Saladino da CPTM. O charme autêntico da montagem é a trilha sonora: composta do tecnobrega paraense. Eita!

Circo voador?
Começa neste sábado, no circo da Unesp, em frente ao metrô Barra Funda, o espetáculo Mahagonny Marragoni, da Cia. Antropofágica. Serão quatro apresentações, sempre aos sábados e domingos, às 18h, até o dia 8 de junho. Estão todos convidados.

barbara salome eduardo enomoto Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Bárbara Salomé: Entrevista de Quinta com a atriz de Por Acaso, Navalha bombou - Foto: Eduardo Enomoto

Prestígio
O dramaturgo Ricardo Sil ficou feliz da vida porque a atriz Bárbara Salomé, da peça Por Acaso, Navalha, citou seu nome na última Entrevista de Quinta. Ele escreveu o primeiro monólogo da vida da moça: Brazil Quem USA sou EUA, que eles encenaram com sucesso em Ouro Preto, Minas Gerais.

Falando na moça...
Bárbara Salomé adora frequentar um restaurante vegetariano do centro de São Paulo com seu namorado, o ator José Sampaio, da peça Adormecidos, que estará em Campinas neste sábado (31), na programação da Virada Cultural Paulista.

coluna Playground foto divulgação 1 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Playground vai animar as crianças no Sesc Vila Mariana aos fins de semana - Foto: Divulgação

Inverno feliz
Não vai ter frio para a criançada nos domingos de junho e junho. Pelo menos para as que forem ao Sesc Vila Mariana, em São Paulo, ver a peça Playground – Uma Pequena Comédia Humana. A Cia. La Mala apresenta gratuitamente a obra às 15h30. O grupo nasceu em 2005, na Escola Livre de Teatro de Santo André. E estão aí na batalha com toda a graça do mundo.

Seletiva
A atriz Cléo De Páris resolveu que não vai mais sair aceitando todo mundo de amigo no Facebook. Está certíssima.

Questão
Falando nisso, a pergunta que não quer calar na praça Roosevelt é: por que Cléo De Páris não está na série E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias, do Satyros?

No forno
A Cia. Balagan, a da peça Recusa, está preparando um livro para celebrar seus 15 anos. Dizem por aí que a obra vai abalar as estruturas.

coluna arte da serrinha Oficina de dança no Festival 2013 Carol Quintanilha Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Oficina de dança no último Festival Arte da Serrinha - Foto: Carol Quintanilha

Inverno cultural
A 13ª edição do Festival de Arte Serrinha já tem data marcada. Será entre 7 e 27 de julho. O tema deste ano será Raízes. Fabio Delduque assume a curadoria. Darão oficinas nomes pomposos de nossas artes, como o estilista mineiro Ronaldo Fraga e o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. Além das tradicionais oficinas, cujas inscrições já estão abertas, estão programados shows, filmes, exposições e performances. Tudo na cidade de Bragança Paulista, no interior de São Paulo, é claro.

África
A SP Escola de Teatro vai mandar um aprendiz (que é como eles chamam os alunos da instituição) para fazer intercâmbio em Cabo Verde, em parceria com a Associação Artística e Cultural de Mindelo. A turma de sonoplastia, para a qual a vaga está destinada, disputa a viagem a tapa.

cit ecum Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Teatro CIT-Ecum, em São Paulo, está ameaçado de fechar as portas - Foto: Divulgação

Salvem o CIT-Ecum!
Ruy Cortez mandou carta aberta ao secretário municipal de Cultura de São Paulo, Juca Ferreira, pedindo ajuda para a situação tensa no CIT-Ecum, na rua da Consolação, em São Paulo. O teatro, apesar de jovem, já virou referência de programação de qualidade na cidade. E está ameaçado de fechar as portas em 1º de julho porque o dono do imóvel, que é alugado, quer vendê-lo. A turma da Cooperativa Paulista de Teatro enviou um pedido de tombamento do espaço ao poder público. A polêmica é grande.

Cabala
Serão sete o número de apresentações da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico da peça Amor de Improviso, no Sesc Ipiranga, com direção de Marcelo Lazzaratto. De 6 a 15 de junho. Sempre de quinta a sábado, 20h30, e domingo, 18h30. Anotou?

coluna JC 1541 credito Fabio Resende Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Cena da peça JC, da Brava Companhia: em cartaz no Sacolão das Artes, em SP - Foto: Fabio Resende

Jesus Cristo Superstar
A Brava Companhia se inspirou na história de Jesus Cristo para compor a peça JC, com direção de Fábio Resende e dramaturgia de Ademir de Almeida. O espetáculo chega aos palcos nesta sexta (30), Às 20h, no Sacolão das Artes, em São Paulo. Vai, gente.

Não é sensual
Falando em Jesus, o musical Jesus Cristo Superstar termina neste fim de semana no Complexo Cultural Tomie Ohtake, em São Paulo. É a última chance de ver o dorso de Igor Rikli.

coluna kyra piscitelli Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Kyra Piscitelli: de olho no palco - Foto: Arquivo pessoal

Gente de teatro
Amante das artes cênicas, a jornalista e crítica teatral paulistana Kyra Piscitelli tem deixado sua marca nos palcos. Sempre está por dentro de tudo. Tanto que já virou Gente de Teatro.

Pira Pirandello
A peça Assim É se lhe Parece fica até 11 de junho no Teatro Jaraguá, em São Paulo. Clássico de Luigi Pirandello, a obra mistura humor e suspense. Marco Antonio Pâmio dirige a montagem, que fica em cartaz quartas e quintas, às 21h. Bete Dorgam, nossa mestre do humor, encabeça o elenco.

coluna oquemetocaemeutambem Foto de João Saen Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Peça do Instrumento de Ver integra o Circos vinda do DF: acrobacias no palco - Foto: João Saen

Acrobacias
A peça O Que me Toca É Meu Também chega neste fim de semana ao Teatro Anchieta do Sesc Consolação. O coletivo brasiliense Instrumento de Ver é o criador da montagem, que participa do Circos – Festival Internacional Sesc de Circos. A atriz e acrobata Julia Henning diz que o objetivo da trupe é “transportar o público a partir da imaginação e trazer o ambiente de ensaio para o palco”. As apresentações serão nesta sexta (30) e sábado (31), às 21h, e domingo (1º), às 18h. O ingresso custa R$ 25 a inteira, mas comerciário e dependente paga apenas R$ 5. Você tem carteirinha?

COLUNA Conversas com meu pai 12 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Conversas com Meu Pai: Juliana Sanches revive relação de pai e filha no palco em SP- Foto: Divulgação

Divã
Está de volta a peça Conversas com meu Pai, com a atriz Janaina Leite, uma das estrelas do Grupo XIX de Teatro. Desde esta quinta (29), faz oito apresentações grátis na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Bom Retiro, em São Paulo. Na obra, a artista faz um diálogo artístico com o pai, que perdeu a capacidade de falar. Agora, ela descobre que está deixando de ouvir. Um forte encontro familiar cheio de poesia. Quinta a sábado, 20h, até 14 de junho. Ingressos são distribuídos meia-hora antes. Imperdível.

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agenda cultural 111 Veja as dicas da Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 30/5/2014

O jornalista Miguel Arcanjo Prado apresenta a Agenda Cultural na Record News - Divulgação

Na Agenda Cultural do Hora News, na Record News, nesta sexta (30), o colunista e editor de Cultura do R7 Miguel Arcanjo Prado dá as melhores dicas. Tem teatro para os paulistanos com a peça Maldito Benefício, no Centro Cultural São Paulo. E, para os baianos, tem show de Larissa Luz. Também tem trio mineiro Tiãoduá fazendo show em São Paulo. E concertos grátis da Ocam, a Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes da USP. Nos cinemas, tem estreia dos documentários SetentaRio em Chamas. De Hollywood vem Malévola, com Angelina Jolie. E tem riso nacional com Os Homens São de Marte e É pra lá Que Eu Vou, com Mônica Martelli. Veja o vídeo:

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barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0094 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

A atriz Bárbara Salomé conquista teatro paulista e vira Neusa Sueli: a emblemática prostituta de Plínio Marcos, na peça Por Acaso, Navalha, da Cia. Caxote - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Não é fácil para uma atriz encarar a prostituta decadente Neusa Sueli, personagem emblemático do dramaturgo paulista Plínio Marcos (1935-1999). Cheia de coragem e talento, a atriz Bárbara Salomé assume tal missão.

Ao lado de Humberto Caligari, como o travesti Veludo, e Murilo Inforsato, como o cafetão Vado, ela é a estrela da peça Por Acaso, Navalha. O papel de Neusa Sueli já foi vivido por grandes atrizes, como Vera Fischer.

Na versão intimista do diretor Fernando Aveiro, da Cia. Caxote, apenas 20 pessoas assistem cada sessão no Espaço Mínimo, na Pompeia, zona oeste paulistana [veja serviço ao fim].

Bárbara ganhou a personagem da produtora Camila Biodan, que preferiu ficar nos bastidores e deu Neusa Sueli de presente para a amiga.

Bem humorada, a atriz, que também é palhaça e está em cartaz com a peça infantil Mitos Indígenas com o grupo Os Satyros, conversou com exclusividade com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta.

Contou desde o comecinho, na pequena Piedade de Ponte Nova, no interior mineiro, até o desafio de viver hoje uma das personagens mais importantes de nossa dramaturgia.

Leia com toda a calma do mundo.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0001 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Bárbara Salomé é a estrela da peça Por Acaso, Navalha, em cartaz em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado — Você é de Minas também, né?
Bárbara Salomé — Sou de Piedade de Ponte Nova.

Miguel Arcanjo Prado — Quantos habitantes tem?
Bárbara Salomé — Uns 4.000, fica na Zona da Mata.

Miguel Arcanjo Prado —Você é filha de quem?
Bárbara Salomé —Meu pai era policial, Sebastião, e minha mãe, Dejaci, era professora. Eles estão aposentados hoje. Apesar da profissão, meu pai é muito sensível, gosta de desenhar...

Miguel Arcanjo Prado —Foi dele que você puxou a veia artística?
Bárbara Salomé — Foi. E da minha avó materna também. A dona Jacira. Ela gostava muito de teatro. Na minha família os homens são mais sensíveis e as mulheres, mais fortes.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0118 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Mineirinha de Piedade de Ponte Nova, Bárbara Salomé conquista o Brasil - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —A dona Jacira fazia teatro em Piedade de Ponte Nova?
Bárbara Salomé — Fazia. Quando ela ficou caduca, só se lembrava dos textos das peças. Porque em Minas as pessoas ficam caducas. Essa história de Alzheimer eu só fui ouvir aqui em São Paulo [risos].

Miguel Arcanjo Prado —Você tem irmãos?
Bárbara Salomé — Tenho, o Aurélio, que é mais novo. Na verdade, tive dois, porque uma irmã minha, a Thyanna, morreu quando éramos bem pequenas.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi viver uma situação forte tão cedo?
Bárbara Salomé — Foi um baque. Minha mãe ficou muito mal, fiquei uns tempos com minha avó. Mas criança tem um jeito de lidar bem com qualquer situação. Era muito pequena, brincava na rua, não ficava pensando naquilo. Tinha muitas mães na vizinhança que cuidavam de mim. Porque interior tem disso: um cuida do outro.

Miguel Arcanjo Prado —Quando você começou no teatro?
Bárbara Salomé — Foi na escola e na igreja. Também fazia jazz. Adorava inventar apresentação nas festas da cidade. Colocava texto e tudo. Aí, quando fiz 15 anos, um grupo de Ouro Preto foi se apresentar lá. Fiquei encantada. Lembro que as atrizes usavam umas roupas modernas, com meias diferentes e óculos escuros. Vi e pensei: quero ser assim.

Miguel Arcanjo Prado — E quando você saiu de lá?
Bárbara Salomé — Foi aos 16 anos. Prestei para o curso de teatro da Universidade Federal de Ouro Preto e passei.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0113 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Aos 16 anos, Bárbara Salomé saiu de casa em busca do sonho de atriz - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —Como foi a mudança?
Bárbara Salomé — Foi uma loucura. Primeiro fui morar com um amigo. Depois, fui morar em uma porão que tinha um doido vizinho que batia na janela de noite. Eu morria de medo! Depois, fui para a república Escândalo. Fiz amigos que estão comigo até hoje.

Miguel Arcanjo Prado —E como você lidava com a loucura estudantil?
Bárbara Salomé —Era muito nova. Não bebia nem fumava. Fui fazendo minhas coisas, em meio às festas. Fiz meu primeiro monólogo lá: Brazil Quem USA sou EUA, escrito pelo Ricardo Silva. Era um texto muito politizado e muito debochado também. Tem muita coisa boa que acontece no teatro fora de São Paulo. Muitas vezes quem vive aqui não faz ideia.

Miguel Arcanjo Prado —E o que você fez quando o curso acabou?
Bárbara Salomé —Entrei para o Oficinão do Grupo Galpão, em Belo Horizonte. Aos 19 anos, estava me mudando outra vez. BH foi mais difícil que Ouro Preto.

Miguel Arcanjo Prado —Onde você foi morar?
Bárbara Salomé —Fui para uma pensão que só tinha velhas, na avenida Augusto de Lima, perto do Edifício Maleta.

Miguel Arcanjo Prado — E era bom?
Bárbara Salomé —Era o horror [risos]. Em BH lidei mais com essa coisa da profissionalização. Era tudo muito competitivo. Fiz A Vida É Sonho, do Julio Maciel, e também Decameron, com o Kalluh Araújo.

Miguel Arcanjo Prado —Eu vi essa peça! Todo mundo nu... Lembro que todo mundo comentava o espetáculo em BH na época [risos]
Bárbara Salomé —Pois é. Eu nunca tinha ficado pelada no palco. E o diretor amava o Zé Celso. Foi uma grande experiência. Eu fui fazendo, fui vivendo, seguindo o fluxo.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0079 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Após estudar teatro em Ouro Preto, na UFOP, Bárbara foi atuar em Belo Horizonte - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —E seus pais?
Bárbara Salomé —Sempre me deram apoio. Claro que tem sempre aquela pergunta: tem certeza que você quer isso mesmo? Por que você não faz teatro por hobby? [risos]

Miguel Arcanjo Prado —E como você veio parar em São Paulo?
Bárbara Salomé — Cheguei a São Paulo em 2007. Antes, fiz um espetáculo empresarial para a Vale e viajei o Brasil todo. Aprendi muito. Foi nessa época, passei a admirar o trabalho do Thiago Lopes, que hoje tem o grupo Território do Avesso, em Governador Valadares. Ele é um excelente palhaço, muito talentoso. Foi por causa dele que quis ser palhaça também.

Miguel Arcanjo Prado —E você veio para São Paulo ser palhaça e tentar a vida no teatro?
Bárbara Salomé — Sim. O primeiro ano foi horrível. Morava perto do aeroporto de Congonhas. Então, meu passeio era ir ao Extra e ao Habbibs. Depois, morei em repúblicas, passei muito perrengue.Tentei tudo que você pode imaginar. Fiz teste pro Antunes [Filho, diretor], e não passei. Fiquei acabada. Desisti do teatro e fiquei dois anos só fazendo palhaço com os Amigos do Nariz Vermelho. Minha palhaça se chamava Judith. Fiz muita coisa empresarial.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0041 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Bárbara Salomé chegou a São Paulo em 2007: árduo caminho até o palco - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —E quando o teatro voltou?
Bárbara Salomé —Em 2009, consegui juntar uma grana e ir morar sozinha na Santa Cecília, no centro. Minha vida mudou completamente. Amo aquele bairro até hoje! Prestei a SP Escola de Teatro e fiz parte da primeira turma de humor. Conheci um monte de gente! Um dia, o Rodolfo [García Vázquez, diretor do Satyros e professor da escola] me chamou para fazer uma substituição em Zucco. Foi aí que voltei pro palco. A personagem era bem pequenininha: uma prostituta. Fiz ela engraçada e me inspirei na Amy Winehouse! Depois, trabalhei também com a Luciana Ramin, do Andar7 Agrupamento. Fiz Fausto in Progress, no Tusp, e também com a ExCompanhia de Teatro, no projeto Eu - Negociando Sentidos, que foi muito bacana também.

Miguel Arcanjo Prado —E agora você volta a fazer outra prostituta, só que desta vez como protagonista: a Neusa Sueli, criada por Plínio Marcos. Como foi encarar esta personagem?
Bárbara Salomé — Recebi o convite dos meninos da Cia Caxote no fim de 2013. Na terceira leitura, me apaixonei pela personagem. Comecei a ver Neusas Suelis por toda a parte.

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Bárbara Salomé criou uma Neusa Sueli arquetípica: "tem muita mulher gasta por aí" - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —Como é a sua Neusa Sueli?
Bárbara Salomé —Primeiro pensei: como vou fazer essa mulher de 50 anos? Depois pensei: tem menina de 25 que já é gasta, que não fez escolhas na vida. A vida foi levando e ela ficou gasta. A minha Neusa é arquetípica. Quis ampliá-la. Essa pergunta: "será que eu sou gente?" não é só para prostituta. Minha amiga tem uma irmã modelo que está em crise porque fez 23 anos e está se sentindo velha, entende? Hoje, a questão da velhice está descolada da idade.

Miguel Arcanjo Prado —Você fez laboratório?
Bárbara Salomé —Vi muito filme do Fellini, documentários, fui na Luz [centro de prostituição no centro paulistano]. Também usei a Joana D'arc; queria outras referências, dar uma mesclada.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0021 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

"Não tem divisão entre palco e plateia", diz Bárbara Salomé sobre a montagem Por Acaso, Navalha, uma adaptação de Navalha na Carne, texto clássico do teatro brasileiro, de Plínio Marcos - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —Como está a temporada?
Bárbara Salomé —Está ótima. É bem intimista. Só para 20 pessoas. Não tem divisão entre palco e plateia. Então, muda todo dia. É ótimo fazer porque é um desafio enorme.

Miguel Arcanjo Prado —Você tem vontade de fazer cinema e TV?
Bárbara Salomé —Tenho muita vontade de fazer cinema e também televisão. Mas, tem de ter a oportunidade. Eu confio muito no meu trabalho. Essa coisa de ficar em casa esperando ser chamado não dá. Tem de trabalhar, tem de fazer. Tem de ter a troca antes para gerar frutos depois.

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Bárbara Salomé acaba de fazer 30 anos: ´"Saí do buraco da lacraia" - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —Como foi fazer 30 anos?
Bárbara Salomé —Fazer 30 é maravilhoso. Essa coisa de ter 28, 29 é que é horrível. É o buraco da lacraia [risos]. Passei essa fase no limbo. Mas, aí fiz 30 e mudei completamente. Até mudei de nome. Antes era Bárbara Mello. Agora, virei Bárbara Salomé.

Miguel Arcanjo Prado —Por quê?
Bárbara Salomé — Minas é muito felliniana... Todo mundo tem apelido.... Mas, respondendo à sua pergunta, não sei. Mudei porque mudei. Porque precisava. Veio da intuição. Acho que foi um sopro. Falando desse jeito o povo vai pensar que eu virei a Baby do Brasil [risos].

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0090 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Bárbara Salomé, que antes era Bárbara Mello: "Mudei porque mudei. Veio da intuição. Acho que foi um sopro. Desse jeito o povo vai pensar que virei a Baby do Brasil" - Foto: Eduardo Enomoto

Por Acaso, Navalha
Quando: Sábado, 21h; domingo, 19h; segunda, 21. 55 min. Até 4/8/2014
Onde: Espaço Mínimo (r. Barão do Bananal, 854, Pompeia, São Paulo, tel. 0/xx/11 9-8919-2773)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

 

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teatro pereira Vote: Qual foi a melhor peça nacional do FIT BH?

Cena do paranaense A Pereira da Tia Miséria, um dos espetáculos nacionais do FIT-BH - Foto: Glenio Campregher)

O FIT-BH terminou no último domingo (25). Agora, chegou a hora de você escolher qual foi o melhor espetáculo nacional do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte. Vote até a manhã de sábado (31), quando o resultado será publicado aqui no blog!

Qual foi a melhor peça nacional do FIT-BH 2014?

Esta enquete está encerrada
  • A Cobra Vai Fumar - Uma História da FEB (Teatro Popular União e Olho Vivo, SP)
    0%
  • À Distância - Lado A Lado B (Dearaque Cia. de Teatro, SC)
    2.9%
  • A Pereira da Tia Miséria (Núcleo Ás de Paus, PR)
    0%
  • Adormecidos (Cia. Os Satyros - SP)
    7.4%
  • As Raízes do Mineiro Pau e do Boi Pintadinho (Cia Folclórica Boi de Miracema, RJ)
    2.9%
  • CINE_MONSTRO (Enrique Diaz, RJ)
    5.9%
  • Café? (Cia. Efêmera, SP)
    2.9%
  • Duas Mulheres em Preto e Branco (Remo Produções Artísticas, PE)
    1.5%
  • Sabiás do Sertão (Cia. Cênicas - SP)
    76.5%

Acompanhe a cobertura do R7 no FIT-BH!

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osgigantes Vote: Qual é a melhor peça mineira do FIT BH 2014?

Os Gigantes da Montanha, do Galpão, foi uma das peças locais do FIT-BH 2014 - Foto: Guto Muniz

O FIT-BH terminou no último domingo (25). Agora, chegou a hora de você escolher qual foi o melhor espetáculo mineiro do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte. Vote até a manhã de sábado (31), quando o resultado será publicado aqui no blog!

Qual foi a melhor peça mineira do FIT-BH 2014?

Esta enquete está encerrada
  • A Noite Devora seus Filhos (Paisagem Poética, BH)
    5%
  • Acontecimento em Vila Feliz (Cia. Pierrot Lunar, BH)
    30%
  • Aldebaran (Grupo Oficcina Multimédia, BH)
    0%
  • As Rosas no Jardim de Zula (Zula Cia. de Teatro, BH)
    5%
  • De Nós Dois.Só (Quik Cia de Dança, Nova Lima)
    0%
  • De Mala às Artes (Cia Circunstância, BH)
    0%
  • Fábrica de Nuvens (TAZ, BH)
    5%
  • Get Out! (Quatroloscinco, BH)
    10%
  • Isso É para Dor (Primeira Campainha, BH)
    0%
  • John e Joe (Trama, Contagem)
    0%
  • Klássico (com K) (Mayombe Grupo de Teatro, BH)
    5%
  • O Caboclo Zé Vigia (Tirana Cia. de Teatro, BH)
    0%
  • O Líquido Tátil (Espanca!, BH)
    0%
  • O Quadro de Uma Família (Pigmalião Escultura que Mexe, BH)
    5%
  • Oratório - A Saga de Dom Quixote e Sancho Pança (Burlantins, BH)
    0%
  • Os Gigantes da Montanha (Galpão, BH)
    10%
  • Órbita (Companhia Suspensa, BH)
    5%
  • Prazer (Luna Lunera, BH)
    0%
  • Por Pouco (Cangaral, BH)
    10%
  • Pereiras = Festival de Idéias Brutas ep. 01 + Açougue dos Pereiras (Pereira e Pereira, BH)
    0%
  • Para Se Tá Mal, ensaio de uma manifestação para poder poder (Cóccix Companhia Teatral, BH)
    0%
  • …E peça que nos perdoe (Fernando Barcelo e Lira Ribas, BH)
    5%
  • S/ título, óleo sobre tela (Cia do Chá, BH)
    5%

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