coluna ophelia project ney matogrosso tiago martelli Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Morte de Ofélia: Ney Matogrosso e Tiago Martelli posam na praia dos Amores, no Rio - Foto: Sergio Santoian

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Ney e Shakespeare
Ney Matogrosso, nosso grande artista, posou com o ator Tiago Martelli para o fotógrafo carioca Sergio Santoian, para o Ophelia Project. A ideia é abusar da criatividade para recriar a morte de Ofélia, da peça Hamlet, de William Shakespeare. Sempre em cenários naturais. A ambientação escolhida para Ney e Tiago foi a praia dos Amores, no Rio. Além de livro, o projeto também vai virar uma peça a ser encenada até o fim do ano. Também já fotografaram Erom Cordeiro, Alexandre Nero, Angela Dip, Charles Fricks e Marcia Nemer. Coisa fina...

Nova casa
Lee Taylor, querido da coluna, acaba de fechar parceria com a Unesp (Universidade Estadual Paulista) para sediar seu NAC (Núcleo de Artes Cênicas). E já está com inscrições abertas. Ele segue em cartaz com a peça Lilith S.A., no Sesc Consolação, em São Paulo, que dirigiu a quatro mãos com Luiz Claudio Cândido. Leia entrevista com a dupla.

coluna A História do Comunismo Vitor Iemini baixa Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Peça em cartaz no Teatro Cacilda Becker tem comunismo e loucura juntos - Foto: Vitor Iemini


Comunistas?
Os diretores André Abujamra e Miguel Hernandez acreditam que o título da peça A História do Comunismo Contada aos Doentes Mentais vai ajudar a chamar público para a montagem. Ela estreia nesta sexta (28), no Teatro Cacilda Becker, em São Paulo. É a primeira vez que o texto do romeno radicado na França Matéi Visniec é encenado no País. Hernandez revela que "todos que ouvem o nome do espetáculo ficam curiosos para saber do que se trata. Comunismo e doença mental são termos muito fortes. Na mesma frase, as duas expressões criam um impacto ainda maior”. É verdade.

Stalinistas?
O enredo da obra da Cia. Anjos Pornográficos se passa na Moscou que acaba de ver a morte do ditador Stálin. A peça aborda não só a ideologia comunista como também o tema dos hospitais psiquiátricos. Apesar da dureza dos assuntos, é uma comédia de fina e ácida ironia.

Reforma agrária?
Um verdadeiro acampamento de nomes tarimbados está na coxia da obra: Wagner Freire assina a luz; já André Cortez é responsável pelo cenário. Compõem o numero elenco Alexandre Paes Leme, Camila Velluto, Cassio Prado, Fernanda Oliveira, João Carlos Mattos, Jonathan Natalício, Juliane Arguello, Leonardo Vaz, Ludmila Corrêa, Marcus Veríssimo, Mariana Barbosa, Marieli Goergen, Pipo Beloni, Priscila Dieminger, Rafael Simões, Valdano Souza e Victoria Moliterno. Ufa.

Discurso polêmico?
Miguel Hernandez diz que a mensagem que eles querem transmitir ao público é simples: "O homem precisa de utopias e que elas não morreram com o fim do comunismo. Falar em ideais como o bem comum e a valorização do ser humano é mais do que necessário numa época que não acredita mais na coletividade. Há um individualismo exacerbado e o mercado é que dita as leis. Somos escravizados pelo dinheiro". Vai ter gente que vai adorar o discurso, enquanto outros vão falar mal pelas costas...

Dever de casa
Além de palestras com militantes antimanicomiais e com vítimas de perseguição na ditadura militar, a turma da Cia. Anjo Pornográfico ficou um semestre estudando o comunismo a fundo. Leram de O Manifesto Comunista, de Marx e Engels, a O Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung. A coluna faz questão de ressaltar que ninguém no grupo come criancinhas. Do jeito que o mundo anda, é bem capaz de ter gente que ainda acredita nisso...

Serviço
Ah, a peça A História do Comunismo Contada aos Doentes Mentais fica no Teatro Cacilda Becker (r. Tito, 295, Lapa) até 27 de abril. Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h. O ingressó é baratíssimo: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Estão todos convidados.

coluna acto3 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Encontro Acto 3 reúne expressivos grupos de teatro em BH - Foto: Ramon Brant

Gente jovem reunida
Termina neste fim de semana em Belo Horizonte o Acto3! - Encontro de Teatro.  O evento é promovido pelo mineiro Grupo Espanca!. Além deles, também participam os curitibanos da Cia. Brasileira, os paulistanos do Grupo XIX de Teatro e os pernambucanos do Grupo Magiluth. Isso é praticamente uma gangue teatral. Das boas.

Gente jovem reunida 2
Marcelo Castro e Gustavo Bones, do Espanca!, vibram com o sucesso da terceira edição do encontro. "O Acto! Encontro de Teatro é fruto do desejo de radicalizar o intercâmbio e a colaboração na criação; de transformação a partir da troca; de criar um intercâmbio que identifique, diferencie e reinvente seus convidados e pessoas interessadas em participar deste encontro", diz Bones à coluna. Já Castro, por sua vez, afirma que o evento "por meio de apresentações de espetáculos, demonstrações de trabalho e conversas entre amigos, alia prática, teoria e reflexão criando um espaço rico de trocas de impressões sobre o teatro, o mundo e sobre nós mesmos". Recado dado.

As Moças O Ultimo Beijo21 604kb Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Angela Figueiredo e Fernanda Cunha estão na peça As Moças: O Último Beijo - Foto: Ricardo Martins

Diversidade
A atriz Angela Figueiredo faz seu primeiro personagem homesseuxal na vida em As Moças. Estreia no dia 2 de abril no Espaço dos Parlapatões, em São Paulo. André Garolli dirige. Ela faz par com a atriz Fernanda Cunha. O texto é de Isabel Câmara. Conta a história de um amor turbulento entre uma jornalista e uma atriz.

Brecht no Tusp
O Programa de Leituras Públicas do Núcleo de Experiência e Apreciação Teatral do Tusp apresenta a série Brecht contra a Pátria em seu 11º ciclo de leituras. Serão nove textos do dramaturgo alemão, feitos em época de resistência ao nazismo, lidos entre março e junho nas cidades de São Paulo, Piracicaba, São Carlos Bauru e Ribeirão Preto. Em São Paulo, na sede histórica da rua Maria Antônia, 294, o primeiro dia será no próximo dia 7 de abril, com A Exceção e a Regra (1929). A noite terá participação da atriz argentina Laura Brauer. A série continua toda segunda, 17h, com entrada gratuita. Estão todos convidados.

Publicado
A revista Samuel vai publicar neste fim de semana a reportagem Vertigem: Cena em Desequilíbrio. Ela foi feita por Leandro Nunes, Helena Yamagata e Ítalo Rufino como trabalho de conclusão de curso de jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo. Parabéns.

Dobradinha
A Cia. Louis Louis comemora 18 anos com direito a dose dupla no Espaço dos Parlapatões, na praça Roosevelt, em São Paulo, entre 5 de abril e 29 de junho. Aos sábados, às 21h, apresentam 700 Mil Horas. Já no domingo, às 19h, é a vez de Falas de um Mímico. Vai, gente.

coluna FarneseDeSaudade VandréSilveira foto de RodrigoCastro 3b Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Vandré Silveira vira o artista mineiro Farnese de Andrade na Caixa Cultural da Sé - Foto: Rodrigo Castro

Memória viva
O artista plástico mineiro Farnese de Andrade (1926-1996), ícone internacional nos anos 1970, tem sua vida e obra abordadas no espetáculo-instalação Farnese de Saudade. Vandré Silveira vive o artista sob direção de Celina Sodré. Faz temporada de 10 a 17 de abril na Caixa Cultural, na Sé, em São Paulo, com entrada gratuita.  Leia a crítica de Atila Moreno para a peça.

Gorilas
A partir do dia 1º de abril o Centro Cultural São Paulo abre programação especial para lembrar os 50 anos do golpe militar no Brasil. É bom ter memória para que não se repita.

Vigília
O Satyros também entrou na onda e faz uma Vigília pela Liberdade na praça Roosevelt neste fim de semana.

coluna silvana garzaro retrato Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A fotógrafa Silvana Garzaro: cliques para atores da cena paulistana - Foto: Divulgação

Minha vida é um flash
Silvana Garzaro, que já fotografou os principais artistas do Brasil e do mundo, assumiu os books dos atores agenciados da D'Lauro Casting. Silvana, que já foi atriz antes de se tornar uma das mais requisitadas profissionais da fotografia paulistana, resolveu matar as saudades da turma das artes. Faz muito bem.

Ai, minha dor de cotovelo!
Sabe aquele sofrimento quando você é abandonado pelo seu grande amor? Pois é este drama que vai embalar o musical Salve a Dor Cotovelo, com direção de Eduardo Mansur e protagonizado por Luiz Araújo e Naíma, que já se odiavam no musical Zorro e agora se amam. O espetáculo tem músicas brasileiras compostas entre 1920 e 1970, por grandes nomes que vão de Lamartine Babo e Dalva de Oliveira. Claro, que não vai faltar música da Maysa, aquele que sofria demais. Estreia dia 11 de abril, no Teatro Augusta.

Feministas
O Teatro Ágora vai fazer uma temporada de espetáculos solos de mulheres a partir do dia 4 de abril. Já está confirmada na programação Monga, com Maria Carolina Dressler e direção de Juliana Sanches.

Agenda Cultural

coluna fagner zadra Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Fagner Zadra: ele pediu aos amigos para continuarem no Festival de Curitiba - Foto: Divulgação

Humor que segue
Apesar do acidente com o ator Fagner Zadra na abertura do Festival de Teatro de Curitiba, o seu grupo, o Tesão Piá, manteve todas as apresentações no evento, que acontecerão entre 1º e 6 de abril no Teatro Regina Vogue. Após ser atingido na cabeça por uma peça de isopor da decoração da festa do festival, o rapaz de 30 anos segue internado na capital paranaense e apresentou melhoras nas últimas horas. Ele pediu aos companheiros que mantivessem a programação do grupo. O único espetáculo cancelado foi o solo de Fagner Zadra, Rizadra, previsto para este fim de semana no Museu Oscar Niemeyer. Além de Zadra, integram o Tesão Piá Cadu Scheffer, Jéssica Medeiros, Luana Roloff e Samuel Machado. Convidados especiais amigos do ator ferido vão substituir o artista. "A ideia é manter a estrutura da peça e também fazer uma corrente positiva pela rápida recuperação do Fagner”, diz o produtor do grupo, Nizo Gomide.

Comentário curitibano
Tem muita gente que esperava mais da peça Concreto Armado, do jovem carioca Diogo Liberano...

Comentário curitibano 2
Yara de Novaes, da peça Contrações, é uma simpatia só em Curitiba.

mamberti meirelles Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Sergio Mamberti e Marcio Meirelles: encontro em jantar curitibano na última quarta (26) - Foto: Divulgação

Encontro marcado
O paulista Sergio Mamberti se encontrou com o baiano Marcio Meirelles em um jantar no Festival de Teatro de Curitiba. Deram aquele abraço.

Time reunido
Gente tarimbada da cena paulistana como Paulinho Fabiano, Marcelo Lazzaratto, Lúcia Kakazu, Bernadeth Alves, Lu Favoreto, Lúcia Gayotto e Beth Beli fizeram parte do time que preparou a Cia. de Teatro Heliópolis para a peça Um Lugar ao Sol. Eles estreiam neste sábado (29) com direção de Miguel Rocha. A temporada será até 27 de abril, na Casa de Teatro Maria José de Carvalho (r. Silva Bueno, 1.533, Ipiranga). Willian Costa Lima assina a dramaturgia e William Paiva, a direção musical. Tem peça todo sábado, às 20h; e domingo, 19h. Dalma Régia, David Guimarães e Klaviany Costa estão no elenco. A entrada é R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Não dói no bolso de ninguém.

coluna um lugar ao sol Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Um Lugar ao Sol é a nova peça da Companhia de Teatro Heliópolis - Fotos: Leo Papel

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ademar guerra os cogitadores Paulistas do interior querem conquistar Curitiba

Jovens atores do grupo Os Cogitadores: oito espetáculos do interior de SP fazem parte da Mostra Ademar Guerra no Festival de Curitiba; programação inclui também bate-papos no Teatro da UFPR - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Num mundo de quase 500 espetáculos conseguir destaque é tarefa árdua. Sabedores disso, os artistas do interior e litoral de São Paulo se reúnem na Mostra Ademar Guerra no Festival de Teatro de Curitiba.

Esta é a primeira vez que o Projeto Ademar Guerra, existente há 16 anos, participa do evento. Ele fomenta grupos teatrais no interior paulista com recursos estaduais.

Artistas do Espírito Santo também querem destaque

Oito espetáculos foram selecionados pelo curador do projeto, Sergio Ferrara. Direto da capital paranaense, ele conta ao Atores & Bastidores do R7 que participar do Fringe, a mostra paralela do evento, "é importante para que os grupos dialoguem com o público e melhorem seus trabalhos".

— Participar do Festival de Curitiba traz a estes grupos o caráter de profissionalização.

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Sergio Ferrara no Festival de Teatro de Curitiba: grupos do interior querem profissionalização nas artes cênicas - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Segundo Ferrara, o Projeto Ademar Guerra está presente em 90 municípios e atende 200 artistas. Estão em Curitiba grupos vindos de cidades como São José do Rio Preto, Botucatu, Presidente Prudente, Tatuí, São José dos Campos, Batatais e Presidente Prudente. Eles comemoram a viagem.

— É primeira vez que o projeto sai do Estado de São Paulo. Viemos para o Festival de Curitiba porque ele tem tradição muito grande e visibilidade enorme. E também para que os grupos entrem em contato com a diversidade artística.

casa de bonecas Paulistas do interior querem conquistar Curitiba

Cena da peça Casa de Bonecas, de Os Bárbaros Cia. de Teatro - Foto: Divulgação

Ferrara conta que os jovens estão empolgados com "a estrutura grande e instigante" do evento. E lembra que já esteve três vezes na Mostra Oficial ao lado de nomes como Maria Alice Vergueiro e Esther Góes, com textos de gente consagrada como Plínio Marcos e Ignacio de Loyola Brandão.

— Tenho orgulho de poder trazê-los a um lugar onde fui reconhecido e aprendi muito.

EXCLUSIVO: "Vendemos mais ingresso que Rock in Rio", diz Leandro Knopfholz

A turma paulista faz apresentações até o fim do festival, em 6 de abril, no Teatro da UFPR, que fica na praça Santos Andrade, no centro curitibano.

Serão apresentados na Mostra Ademar Guerra os espetáculos Cordel do Amor sem Fim, da Cia Atores em Conserva; Um Pequeno Animal Selvagem, da Os Cogitadores Cia. de Teatro; Histórias Lá da Serra, do Grupo Anônimos da Arte; Quadrado, Cia. Núcleo 2; O Arquiteto e o Imperador da Assíria, da Cia. de 2; Angústia, do Mênades & Sátiros Cia. de Teatro; A Barca do Inferno, do Grupo do Athos; e Casa de Bonecas, da Os Bárbaros Cia. de Teatro.

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es em cena wesley telles ernesto vasconcelos clix Artistas do Espírito Santo fazem Mostra ES em Cena para conseguir destaque no Festival de Curitiba

Wesley Telles, organizador da ES em Cena: "Queremos visibilidade no Brasil" - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de ERNESTO VASCONCELOS/Clix

No meio dos gigantes São Paulo, Minas e Rio na região Sudeste, nunca foi fácil para o Espírito Santo se destacar nacionalmente. Contudo, a turma do teatro deste Estado quer mudar esta realidade. Pelo menos no âmbito dos palcos.

EXCLUSIVO: "Vendemos mais ingresso que Rock in Rio", diz Leandro Knopfholz

Os espírito-santenses chegaram eufóricos ao frenesi do Festival de Teatro de Curitiba. Eles resolveram somar forças e se reunir, pela primeira vez, em uma mostra especial dentro do Fringe, a Mostra ES em Cena. E encontraram palco privilegiado: ocupam a concorrida Sala Londrina, no Memorial de Curitiba, até 30 de março com seus espetáculos.

estorias de um povo Artistas do Espírito Santo fazem Mostra ES em Cena para conseguir destaque no Festival de Curitiba

Cena da peça Estórias de um Povo de Lá, da Mostra ES em Cena no Festival de Curitiba - Foto: Divulgação

O artista Wesley Telles, organizador do projeto, diz que está satisfeito. Natural de Colatina, no norte do Espírito Santo, e radicado em Vitória, capital do Estado, ele conta que esta é a primeira vez que participam da maior festa das artes cênicas do Brasil.

— Trouxemos cinco companhias. O objetivo é romper as barreiras do Espírito Santos e ganhar visibilidade.

bernarda por detras Artistas do Espírito Santo fazem Mostra ES em Cena para conseguir destaque no Festival de Curitiba

Cena de Bernarda por Detrás das Paredes - Foto: Divulgação

A mostra tem apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo e do Ministério da Cultura. A verba serviu para financiar o transporte e a hospedagem da turma em Curitiba. Telles conta que o grupo é uma alegria só na cidade.

— Os atores estão extremamente satisfeitos e emocionados em se apresentar em um festival com essa proporção.

Contudo, quem pensa que os artistas são virgens em viagens se engana redondamente. Antes de aportar no festival, o grupo se apresentou em Salvador, em outubro de 2013, e em São Luís do Maranhão, em janeiro deste ano. E parecem ter gostado de arrumar e desfazer as malas. Querem seguir viajando, como adianta Telles.

— Estaremos entre 23 e 27 de abril no Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte. No segundo semestre, queremos nos apresentar no Rio, em São Paulo e em Brasília.

Pelo jeito, a turma gostou da agenda movimentada.

A Mostra ES em Cena tem os seguintes espetáculos: Insone, do Grupo Z, Bernarda por Detrás das Paredes, da Cia. Repertório, Mefisto, da Cia Teatro Urgente, O Pastelão e a Torta, da Cia. Folgazões, e Estórias de um Povo de Lá, do Grupo Gota, Pó e Poeira.

Todas as peças têm entrada gratuita. Após as sessões, os artistas conversam com o público em um bate-papo.

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 Entrevista de Quinta: Vendemos mais ingresso que o Rock in Rio, diz Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba

Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba: mesmo sem Metallica na programação, ele tem mais público que o Rock in Rio: tem 220 mil contra 80 mil do concorrente musical - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de DANIEL SORRENTINO/Clix

Há 23 anos, esta época do ano é tempo de ver o teatro se espalhar por todas os cantos da capital paranaense no Festival de Teatro de Curitiba. O evento começou no último dia 25 e vai até 6 de abril com mais de 450 espetáculos, dos quais 66 têm entrada gratuita. E quem está à frente de tudo é o curitibano Leandro Knopfholz.

Na última terça (25), o empresário se viu diante de uma situação delicada. Um acidente, o primeiro grave em 23 anos de evento, marcou a festa de abertura no Expo Renault Barigui, quando uma peça de isopor da decoração caiu na cabeça do ator gaúcho Fagner Zadra, de 30 anos, que segue internado em um hospital paranaense. Leandro, que é amigo do artista ferido, acompanha de perto o caso, além de ter se responsabilizado por toda a assistência médica ao jovem. Após o ocorrido, definiu seu estado ao R7 como "Triste, muito triste".

Apesar da tristeza em seu início, o festival segue no ritmo de sua programação vertiginosa. Leandro comanda um contingente de mais de 500 postos de trabalho diretos, além dos mais de 1.000 indiretos que o evento gera. Só para se ter uma ideia da quantidade de gente envolvida, neste ano são 216 profissionais envolvidos com cenários, 65 maquinistas, 15 camareiras, 12 motoristas, 60 técnicos de luz, 40 técnicos de som, 68 produtores, 22 fotógrafos, 30 montadores e mais de 60 jornalistas vindos dos quatro cantos do País.

Apesar de ter transformado o teatro em sucesso comercial e de público: o Festival de Teatro de Curitiba tem orçamento de R$ 6,5 milhões e público de 220 mil pessoas, Leandro Knopfholz também já se acostumou a ouvir críticas. Mas, diante delas, não se fecha. Diz que está aberto a quem quiser procurá-lo.

Nesta exclusiva Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, concedida antes da abertura do festival, ele dá detalhes de bastidores do principal evento das artes cênicas no Brasil e também comemora ter público maior do que o Rock in Rio, que vende 80 mil ingressos. Leandro faz questão de reforçar que isso se dá sem ter a banda Metallica entre suas atrações; o que ele tem a oferecer são espetáculos teatrais.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Esta 23ª edição do Festival de Teatro de Curitiba está com 450 espetáculos e é a maior de todas. Como consegue crescer tanto?
Leandro Knopfholz — É que tudo cresce. A cidade de Curitiba cresceu e o teatro brasileiro também. Temos apenas de nos adequar. O festival tem uma característica que é descobrir e reinventar novas salas para a cidade. Nossa premissa é essa. No Fringe [a mostra paralela] garantimos espaço para todos que quiserem vir. Nossa regra é essa. A gente busca sala de teatro até em colégios antigos e salões paroquiais.

Qual característica você tem para fazer o festival dar certo há tanto tempo?
Eu estava pensando nisso esses dias. O festival me deu habilidade de relacionamento com as pessoas. Estamos suscetíveis a uma serie de situações que transcendem o evento. A gente trabalha com uma característica diferente: porque é gente para todos os lados. Não é uma fábrica com produto. Convivemos com muitas variáveis. Acho que uma característica que desenvolvi foi entender os tempos e os momentos de cada um. Porque o ego sempre está presente nas negociações. E precisamos conciliar tudo isso com nossa limitação logística, técnica e financeira.

Por que este ano o Festival não investiu em coproduções como no ano passado?
Em 2013, tínhamos uma situação diferente, com outros envolvidos. Estabelecemos parcerias como com o Sesc São Paulo e o Itaú Cultural. Agora, sozinho fica mais complicado produzir. Mas a gente não abandonou totalmente a produção. Para viabilizar a vinda de 2 x Matei estamos construindo o cenário aqui. Quem Tem Medo de Virginia Woolf? também estamos construindo o cenário, assim como o do The Rape of Lucrece e Sonata de Outono. O que abrimos mão neste ano foi pegar uma ideia do zero e transformar em um espetáculo, porque isso não depende só da gente.

Por que o Festival de Teatro de Curitiba é tão popular quando comparado aos outros festivais?
Não temos a pretensão de sermos o melhor. Mas temos três pessoas que assistem teatro no Brasil e no mundo o ano inteiro. Queremos fazer um recorte da produção nacional e internacional, dando prioridade sempre a companhias estáveis do teatro brasileiro e prestando atenção aos novos dramaturgos da cena contemporânea. Neste ano, temos um viés de histórias pessoais que viraram dramaturgia, como em BRTrans e Se Fosse Fácil Não Teria Graça. Também gostamos de peças que incorporam tecnologia à cena. Tentamos trazer representantes de tudo que vimos. Isso não quer dizer que trazemos os melhores. Trazemos aqueles que conversam com nosso discurso curatorial. Não somos melhores do que ninguém, só queremos fazer o nosso.

A Nany People apresentava há dez anos o Risorama, que é o maior sucesso de público do festival com suas noites de stand-up. Por que ela deixou o evento neste ano?
Aconteceu porque não chegamos a um acordo comercial que agradasse a ambas as partes. A Nany é madrinha do Risorama, começou na primeira edição. Isso ninguém vai mudar. Ela faz parte da história do evento. Ela continua super bem-vinda. Como não fechamos com ela, estamos com o Marcio Ballas de mestre de cerimônias neste ano. Teve um ano em que a Nany precisou faltar alguns dias e substituímos pela Dani Calabresa. A falta da Nany é uma perda enorme. Ela tem espaço para voltar quando quiser. Inclusive a chamamos para vir nem que fosse um dia, mas ela preferiu não. Quem sabe no próximo ano ela está de volta?

 Entrevista de Quinta: Vendemos mais ingresso que o Rock in Rio, diz Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba

O empresário curitibano Leandro Knopfholz transformou o teatro em um grande negócio e administra orçamento de R$ 6,5 milhões no Festival de Teatro de Curitiba: "Passo o fim de semana buscando promoção de passagem aérea barata na internet" - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por que tanta gente fala mal do Festival de Teatro de Curitiba? É inveja?
Sinceramente, não sei porque falam mal. O que a gente pretende é ser aberto a todo mundo e coerente com nossa proposta. Conversando muito com nosso público. Chamar a gente de comercial ou entretenimento para mim é elogio, não é ofensa. Temos 200 mil lugares para vender. O Rock in Rio tinha 80 mil entradas, mas tinha o Metallica de atração e é um evento casado com uma grande emissora. Nós, não. Somos independentes e fazemos teatro. E mesmo assim vendemos mais ingresso que o Rock in Rio. Se tem gente que acha que nos tachando de comerciais faz insulto, está nos fazendo um grande elogio na verdade.

O que o evento tem de bom e de ruim?
Em relação a organização, temos evoluído em todos os sentidos. Questões técnicas é difícil reclamarem. Somos conhecidos por entregar bastante as necessidades técnicas, mas existe uma reclamação do Fringe, que ele é grande e não dá apoio. Que no Fringe é cada um por si, mas essa é a proposta. A gente quer continuar crescendo. Existe gente mais acomodada, acostumado a outro modelo. Eu acho que as pessoas têm o direito e muitas vezes tem razão de criticar, não tenho pretensão de ser perfeito. Pretendo usar as críticas para melhorar cada edição. Gosto que a critica seja feita direta à gente. Eu sou um cara acessível. Ninguém precisa falar pelas costas. Se alguém tem um incômodo, pode me ligar que eu vou escutar. Estou aberto a entender as reclamações e tentar ajeitar tudo.

Chegou a circular o boato de que você sairia do Festival de Teatro de Curitiba e alguém de sua família assumiria. Isso é verdade?
Teve esse boato? Isso não é verdade. Não procede. O que eu adoraria é que, cada vez mais, o festival fosse menos personificado em mim e que, cada vez mais, pudesse ter profissionais dedicados ao evento trabalhando nele. Tenho esse plano de tentar achar mais gente que possa assumir situações. Só que estes gestores precisam ter características específicas.

[interrompendo] Que só tem quem faz o festival há 23 anos...
Pois é... Mas, a ideia ainda é trazer pessoas para fazer comigo. Mas eu te garanto, Miguel, que num prazo dos próximos três ou quatro anos eu não me vejo fora do Festival de Teatro de Curitiba.

Qual o orçamento do Festival de Curitiba?
Ele está orçado em R$ 6,5 milhões em gasto financeiro. Só que as coisas ficariam na realidade bem mais caras se não houvesse uma boa gestão. Contamos com permutas e negociações comerciais. Passo o fim de semana buscando promoção de passagem aérea na internet. Se não fossem coisas assim, o orçamento seria o dobro.

Qual a importância do curitibano para o sucesso do Festival?
O curitibano se acostumou bastante com o teatro e com o Festival. Hoje, em termos de produção teatral, Curitiba só perde para São Paulo e Rio. Só no ano passado foram produzidos 120 espetáculos na cidade. Além disso, cada vez mais na TV temos artistas saídos de Curitiba, que também foram ajudados pela visibilidade que o Festival traz aos artistas da cidade. O Festival de Teatro de Curitiba traz luz e visibilidade para a cena curitibana. Ele encurta caminhos de muitos profissionais e promove muitos encontros. Além disso, é fundamental na formação de público teatral. Hoje, para o curitibano médio, teatro é uma linguagem familiar. Não é mais mitificada.

Você tem muitos olheiros nesta edição?
Só de olheiros de emissoras de TV temos seis. Fora olheiros do Sesc, do Sesc e 25 diretores de festivais internacionais. De jornalistas, temos mais de 60 vindos de todos os cantos do País, como você. Temos jornalistas de Manaus a Porto Alegre.

Como é esta época do ano para você: no meio do festival acontecendo?
Quer que eu seja sincero? É o período do ano que eu mais sofro. O dia mais feliz para mim é quando o Festival de Teatro de Curitiba termina e eu vi que deu tudo certo.

 Entrevista de Quinta: Vendemos mais ingresso que o Rock in Rio, diz Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba

Com 450 espetáculos em 13 dias e público de 220 mil pessoas, Festival de Teatro de Curitiba, dirigido por Leandro Knopfholz, é o maior evento teatral do Brasil - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

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Aventureiros Tatá Aeroplano Luiz  Gayotto e Gero Camilo fotos de Giovanna Cóppola Mônica Bento e Celina Germer Satyros reúne artistas na praça Roosevelt em Vigília pela Liberdade nos 50 anos do golpe militar

Aventureiros estão na programação da Vigília pela Liberdade: Tatá Aeroplano, Luiz Gayotto e Gero Camilo - Fotos: Giovanna Cóppola, Mônica Bento e Celina Germer

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O grupo paulistano Os Satyros não poderia ficar de fora das ações que lembram os 50 anos do golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil em 1964. Tanto que a turma aceitou o convite de Asdrúbal Serrano em fazer uma Vigília pela Liberdade. O objetivo é “relembrar a história do ponto de vista das artes e da cultura através de uma releitura feita por artistas contemporâneos das manifestações culturais em evidência na época do golpe”. E tem espaço para todas áreas artísticas. Além do teatro, haverá também ações de música, de literatura e de cinema. Tudo com entrada gratuita na praça Roosevelt, reduto do teatro alternativo paulistano, entre os dias 30 de março e 1º de abril.

Veja, abaixo, a programação completa:

LITERATURA
Quando: 30 de março (domingo)
Onde: SATYROS III

NO TEMPO DA LITERATURA
Um evento literário, com curadoria e apresentação de Marcelino Freire, para celebrar a democracia, às vésperas dos 50 anos do golpe militar, e também para homenagear o escritor paulistano Marcelo Rubens Paiva.
18h: Marcelino Freire (contista e autor do romance “Nossos Ossos”) convida as escritoras Ivana Arruda Leite (autora de “Falo de Mulher”) e Paula Bajer Fernandes para, juntos, conversarem sobre ditadura e literatura com Beatriz Bracher, autora, entre várias obras, do romance “Não Falei”, livro que conta as memórias de um professor, militante da educação, que participou da luta armada nos anos 60 e 70.
19h30: Marcelino Freire convida os escritores, e militantes literários, Binho (poeta criador do Sarau do Binho) e Wilson Freire para, juntos, conversarem sobre realidade e ficção com Marcelo Rubens Paiva, numa mesa que também será uma homenagem ao autor, entre outros, do livro “Feliz Ano Velho”, ele que é reconhecido por sua obra e por sua incansável luta (ao lado da mãe) para esclarecer o desaparecimento do pai, o ex-deputado federal socialista Rubens Paiva.

ESPECIAL: Na ocasião, serão lançados: o livro “A Única Voz”, do pernambucano Wilson Freire, com ilustrações de Germano Rabelo, publicado pela Editora Mariposa Cartonera e que tem como pano de fundo a ditadura militar brasileira; e o jornal “50 Anos Daquele 64”, organizado por Regina Junqueira Agnelli e com textos inéditos, feitos exclusivamente para o evento e assinados pelas integrantes do coletivo paulistano Martelinho de Ouro, do qual participa a escritora convidada Paula Bajer Fernandes (autora do romance “Viagem Sentimental ao Japão”).

MÚSICA

Show Aventureiros – O trio formado por Gero Camilo, Tatá Aeroplano e Luiz Gayotto, acompanhados de uma banda especialíssima, comanda um show em 4 partes, com a presença dos convidados Rubi, Tata Fernandes e Paula Cohen, revisitando os principais gêneros musicais da década de 1960: Tropicália, Jovem Guarda, Bossa Nova e MPB. Duração: 2 horas. Quando: 30 de março, domingo. Local e horário a definir.


CINEMA

luz nas trevas1 Satyros reúne artistas na praça Roosevelt em Vigília pela Liberdade nos 50 anos do golpe militar

Luz nas Trevas: filme com Ney Matogrosso será exibido na Vigília pela Liberdade - Foto: Divulgação

Exibição do filme “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla e de sua continuação, “Luz nas Trevas”, filme atual sobre a ditadura com apresentação da atriz Djin Sganzerla. A exibição dos filmes será seguida de um debate promovido por Helena Ignez. Quando: 01 de abril, terça-feira. Local e horário a definir.

TEATRO

DRAMAMIX

Quando: 31 de março (segunda-feira)

Onde: Teatro de Arena (horários a definir)

Encenação de 3 textos curtos escritos por autores convidados relevantes na cena contemporânea brasileira que tem como mote a Ditadura no Brasil. Os 3 autores confirmados são Lauro César Muniz, Marcelo Rubens Paiva e Sergio Rovery.

Os grupos convidados que realizarão a leitura encenada dos textos são: “Núcleo Bartolomeu de Depoimentos” com direção de Claudia Schapira, “Os Fofos Encenam”, com direção de Fernando Neves e “Pessoal do Faroeste”, com direção de Paulo Faria.
CENAS CONTEMPORÂNEAS

Os grupos Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, sob a direção de José Celso Corrêa e Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, sob a direção de Claudia Schapira, apresentarão durante a Vigília cenas de peças contemporâneas que abordam o período da ditadura.

Walmor e Cacilda 64 - O Robogolpe - “Foi decretado estado de sítio. Suspensão dos direitos políticos. Cassação! O Teatro está como ponto de mira. Gorilas e entreguistas encenam essa Produção”. A violência da censura foi imediatamente dirigida à arte: invasão a teatros, prisões de artistas, malas de objetos, perucas e figurinos de teatro sendo enterrados e amurados para escapar da repressão. Dentre as inúmeras perseguições dirigidas a artistas e a militantes, Cleyde Yáconis se torna alvo e é presa pelo DOPS. Cacilda Becker entra em cena convocando os meninos do Oficina e do Teatro de Arena, fazendo do DOPS palco da ação revolução teatral, ao mesmo tempo que as ruas eram feitas palco do teatro do mundo.

A violência da repressão dirigida aos artistas é combatida com beleza: artistas de teatro tomam a delegacia vestidos com máscaras de carnaval e paletós, carregando consigo a força cômica do teatro, transformando a maldade em teatralidade. Cacilda, diante do delegado do DOPS, toma frente do partido do teatro, da política do teatro, que é a provocação, agitação transformadora, força da qual ela mesma é prova viva em carne.Tendo vivido Antígone no palco, Cacilda afirma: “O humano que experimenta uma vez na vida Antígone, esquece o clone- não mais baixa a cabeça, nem reza ou curva a coluna para um César”. Direção: José Celso Martinez Corrêa. Elenco: Artistas da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Onde: Teatro Oficina. Quando: 01 de abril, terça-feira às 20h. Duração: 90 minutos.


Hiphopera Brasileira: trechos musicais de Orfeu mestiço! - 
A partir do espetáculo “Orfeu Mestiço – Uma Hiphopera Brasileira”, a Cia Teatral Núcleo Bartolomeu de Depoimentos faz um painel histórico-musical da época da ditadura e de algumas situações que repercutiram durante esse período. Especificamente situam a ação na cena que retrata os festivais de música, utilizando esse instante para emoldurar músicas e alguns textos criando um painel fragmentado da ditadura e da obra como um todo. Texto e Direção: Claudia Schapira. Direção Musical: Eugênio Lima e Roberta Estrela D’Alva. Direção de Movimento e Coreografias: Luaa Gabanini. Atores-MCs (elenco): Cristiano Meirelles, Daniela Evelise, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Ricardo Leite e Roberta Estrela D’Alva. Músicos-Ogãs e Dançarinos: Cássio Martins e Giovane Di Ganzá, Alan Gonçalves, Daniel Laino, Antônio Malavoglia, Bruna Braga, Bruna Maria e Lígia Nicácio. Onde: SP Escola de Teatro. Duração: 40 minutos. Classificação: 12 anos. Quando: 30 de março, domingo às 17h.


50 ANOS EM 5 ATOS INSTITUCIONAIS – Farsa Cinquentenária

Onde: Satyros II

O projeto, com direção geral de Asdrúbal Serrano, percorre por meio de cinco peças teatrais denominadas “Atos Institucionais”, cinquenta anos do golpe militar a partir de peças tragicômicas desenvolvidas ao longo dos últimos anos pelo Nupeac – Núcleo de Pesquisa e Ação em Arte Comunitária. Na montagem as pesquisas transcorreram quatro eixos estruturantes: o Teatro Dialético (de Bertolt Brecht), o Teatro do Oprimido (de Augusto Boal), o Teatro Pobre (de Jerzy Grotowski) e o Teatro Popular (de Idibal Pivetta do Teatro Popular União e Olho Vivo).

Ato Institucional Nº 1 - A Cidade Morena da Vaquinha Mococa – Comédia em um ato. A peça percorre cinquenta anos do golpe militar a partir da cidade de Caconde. O espetáculo mostra as peculiaridades de seus personagens ao longo de décadas e traça um perfil social e político que percorre desde a ditadura militar (que elegeu provisoriamente o “cacondense” Ranieri Mazzilli) à contemporaneidade (com a omissão dos seus representantes políticos). Texto e Direção de Asdrúbal Serrano. Com o Teatro Popular Cara e Coragem. Classificação 14 anos. Duração 60 minutos. Quando: 31 de Março, segunda-feira às 21h.

Ato Institucional Nº 2 - Etty Fraser é Mulher? – Comédia em oito quadros. As desventuras de uma trupe de artistas populares contrários ao golpe militar que ocupa um teatro abandonado e, naquele local, discutem uma revolução das ideias políticas, sociais e ideológicas na valorização da liberdade. Texto: Asdrúbal Serrano. Direção: Elenir Rodrigues. Com a Cia Mambembe. Classificação Livre. Duração 60 minutos. Quando: 31 de março, segunda-feira às 19h.

Ato Institucional Nº 3 - Tapa na Cara - Sessão de Teatro do Oprimido. A partir de recortes de jornal das décadas de 1960 e 1970, a peça refaz os caminhos tomados pelos chefes da repressão militar contra os movimentos sociais e os estudantes. Coordenação: Asdrúbal Serrano. Com a Cia Mambembe e Teatro Popular Cara e Coragem. Quando: 30 de março, domingo às 18h. Espetáculo seguido de homenagem a Etty Fraser, Idibal Pivetta, José Celso Martinez Corrêa, Antônio Abujamra e Lauro César Muniz.

Ato Institucional Nº 4 - Quase Pagu - Leitura Dramática com Eduardo Suplicy e Soninha Francine. Tragicomédia em três atos. Um jovem ator de Teatro Popular, enquanto se prepara para a montagem de uma peça sobre a Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, é perseguido por uma militar que o acusa de ser um subversivo e perigoso terrorista. Texto e Direção: Asdrúbal Serrano.  Com o Teatro Popular Cara e Coragem. Classificação 14 anos. Duração 90 minutos. Quando: 30 de março, domingo às 16h.

Ato Institucional Nº 5 - Meninos de Brodowski - Peça em dois atos. Revoltados com a tortura, dois internos da FEBEM de Batatais expropriam o rascunho original de “A Criança Morta” de Cândido Portinari e entregam para uma militante de esquerda. Texto e Direção: Asdrúbal Serrano. Com o Teatro Popular Cara e Coragem. Duração 60 minutos. Classificação 14 anos. Quando: 30 de março, domingo às 14h.

ESPECIAL

O grupo Parlapatões confirmou presença no evento com uma apresentação no dia 01/04.

O evento tem apoio da Funarte e da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

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el hombre daniel sorrentino3 Humanizaram a máquina e robotizaram o homem, diz chileno que abriu o Festival de Curitiba 2014

Chileno El Hombre Venido de Ninguna Parte abriu o Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de DANIEL SORRENTINO

O ator chileno Claudio Vega, do grupo La Rayneta, um dos principais do Chile, integra o espetáculo El Hombre Venido de Ninguna Parte, que abriu a programação do Festival de Teatro de Curitiba na noite desta terça (25), no Expo Renault Barigui, na capital paranaense.

O evento vai até o dia 6 de abril, com mais de 450 peças, das quais 66 grátis. O espetáculo internacional ainda é apresentado nesta quarta (26) e quinta (27), às 19h30, na praça Santos Andrade, no centro curitibano.

Em conversa exclusiva com o Atores & Bastidores do R7 nesta quarta (26), Claudio Vega comemora que seu grupo tenha sido escolhido para a abertura.

el hombre daniel sorrentino Humanizaram a máquina e robotizaram o homem, diz chileno que abriu o Festival de Curitiba 2014

Claudio Vega espera que o Festival de Curitiba abra portas para seu grupo no Brasil - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

— Para nós foi realmente maravilhoso termos sido escolhidos entre quase 500 espetáculos para abrir o Festival de Curitiba. Ontem, as pessoas aplaudiram de pé. Hoje e amanhã esperamos um público grande também.

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Vega afirma que participar do maior evento de artes cênicas do Brasil é uma espécie de "janela para o teatro latino-americano". Ele espera que a participação possa gerar convites para outros festivais brasileiros e na América Latina.

— Em Curitiba se abrem janelas ao mercado teatral latino-americano. Sabemos que é um festival com peso importante. A televisão chilena deveria cobri-lo.

O artista vê como positiva a escolha de uma peça latino-americana para abrir a festa, em vez de uma europeia ou norte-americana.

— Isso valoriza nossa região. No mundo de hoje trabalhamos em redes, é preciso estabelecer alianças entre nós mesmos, latino-americanos, para viralizar o teatro. Por isso, fazemos sessões para mais de 1.000 pessoas nas ruas.

O ator lembra que tão importante quanto se apresentar em Curitiba é fazer trocas artísticas com outros que participam do evento.

— É na hora da cerveja, à noite, ou no almoço que estabelecemos contatos e criamos vínculos que vão frutificar depois em prol do teatro. É assim que começamos a construir uma mudança de paradigma social. Deus queira que Curitiba nos abra uma janela para o Brasil no Chile e vice-versa.

Ele conta que El Hombre Venido de Ninguna Parte, feita sem diálogo e com música ao vivo, é uma obra "poética e mágica" que "tem uma história muito simples".

— É a história de um homem que tem uma acidente e faz uma viagem por um mundo surrealista. Ele passa por temas universais como amor, sofrimento, perda, inocência, relação com o dinheiro e o poder. A simplicidade aparente do espetáculo deixa espaços que são completados pelo espectador. O menino vai ver uma coisa, o adolescente outra, o adulto outra ainda. O público completa história com suas próximas experiências.

Para ele, a obra cria uma "atmosfera singular" que vem da dicotomia vivida pelo homem atual.

— Hoje, humanizamos a máquina e robotizamos o ser humano. É preciso repensar isso e criar uma atmosfera que emocione o público. É isso que fazemos.

el hombre daniel sorrentino2 Humanizaram a máquina e robotizaram o homem, diz chileno que abriu o Festival de Curitiba 2014

O espetáculo chileno El Hombre Venido de Ninguna Parte faz apresentações grátis na praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, nesta quarta (26) e quinta (27), às 19h30 - Foto: Daniel Sorrentino

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fagner zada Ator do grupo Tesão Piá é ferido com queda de bloco de isopor na abertura do Festival de Curitiba

Fagner Zadra está internado no Hospital Evangélico de Curitiba - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator gaúcho Fagner Zadra, do grupo curitibano de humor Tesão Piá, foi removido do Hospital Evangélico para o Hospital Marcelino Champagnat de Curitiba, na madrugada desta quarta (26), onde segue internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ele deverá ficar sob observação nas próximas 72 horas. Em nota, o grupo teatral do artista divulgou que seu estado de saúde "é delicado".

Na noite desta terça (25), uma peça de isopor que fazia parte da decoração caiu na cabeça do jovem, na pista de dança da festa de abertura do Festival de Teatro de Curitiba, no Expo Renault Barigui.

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O ator de 30 anos ficou famoso com seu grupo ao fazer sátiras do jeito de ser do curitibano. O Tesão Piá integra a programação do Fringe, a mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba. Zadra também faria uma apresentação solo no evento, com o espetáculo Rizadra, previsto para esta sexta (28) e sábado (29) no auditório do Museu Oscar Niemeyer. As apresentações estão canceladas.

A assessoria do evento informou ao R7 que Fagner não corre risco de morrer e que está dando toda a assistência necessária ao artista. Uma tomografia feita assim que o arista chegou ao centro médico informou que Fagner sofreu uma lesão cervical. Ainda não há previsão de alta. O diretor do Festival de Teatro de Curitiba, Leandro Knopfholz, passou a noite no hospital com o jovem, de quem é amigo.

O Festival de Teatro de Curitiba divulgou a seguinte nota na manhã desta quarta (26). Leia na íntegra:

"Em relação ao acidente ocorrido nesta terça-feira (25/03), a produção do Festival de Curitiba informa:

O humorista Fagner Zadra estava participando como convidado do evento de abertura.

Por uma fatalidade, foi atingido por uma peça alegórica da decoração, construída em isopor, que estava suspensa sobre a pista. A peça se desprendeu de seu suporte e atingiu o ator. Naquele momento, poucas pessoas estavam no local, uma vez que já havia sido iniciada a solenidade de abertura numa área ao lado, separada por arquibancadas.

Zadra recebeu imediatamente os primeiros socorros de paramédicos de plantão no evento. Foi conduzido então até uma ambulância, onde os procedimentos médicos tiveram continuidade. Segundo informações dos médicos que o atenderam, o quadro não era grave, mas inspirava cuidados. Por precaução ele foi levado de ambulância até o Hospital Evangélico.

Zadra foi acompanhado por amigos e membros da sua produção, além de representantes do Festival de Curitiba.

No Hospital Evangélico, exames apontaram que a lesão era mais grave do que inicialmente havia sido diagnosticado. O humorista havia sofrido uma lesão na coluna cervical.

Ao ser informado do acidente, o diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz, que é amigo de Zadra, se dirigiu ao Hospital Evangélico. Com suporte do Festival, o comediante foi removido para o Hospital Marcelino Champagnat. No local passou por uma cirurgia , da qual se recupera. É preciso aguardar as próximas horas pela evolução do quadro dele para ser feito um prognóstico.

Em sua 23ª edição, com mais de 4.000 espetáculos apresentados neste período, o Festival de Curitiba jamais havia registrado um incidente como este. A segurança de artistas, produção e público de todos seus eventos sempre foi preocupação prioritária.

Produção – Festival de Curitiba"

 

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Foto Joao Caldas Fº 105651a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

Dan Stulbach abraça Irene Ravache em cena de Meu Deus!: sonho realizado - Foto: João Caldas Filho

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quando, no começo da década de 1990 ele dava os primeiros passos na carreira e ainda era contrarregra de espetáculos, Dan Stulbach sonhava em um dia, quem sabe, atuar com Irene Ravache sob direção de Elias Andreato. Naquele então, trabalhar em uma montagem com os dois nomes tarimbados encabeçada pela dupla de produtoras Selma Morente e Célia Forte parecia algo distante ao jovem ator recém saído da EAD (Escola de Arte Dramática) da USP (Universidade de São Paulo).

Quase um quarto de século depois, eis que toca o telefone de Stulbach. Do outro lado da linha, as "meninas da Morente Forte" lhe fazem o convite tão esperado. E, de quebra, ainda oferecem a ele o papel de Deus. O ator conta isso ao Atores & Bastidores do R7 com os olhos marejados.

Nesta sexta (28), estreia no Teatro Faap, em São Paulo, a peça Meu Deus!, montagem do texto da israelense Ana Gov com adaptação de Jorge Schussheim e versão brasileira assinada por Célia Regina Forte.

Foto Joao Caldas Fº 105287a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

Na peça, Deus, papel de Dan Stulbach, é mostrado em uma situação inusitada: em uma consulta com a psicóloga Ana, papel de Irene Ravache - Foto: João Caldas Filho

Na obra, Deus é mostrado em uma situação inusitada. Em crise, resolve procurar uma psicóloga ateia para tentar resolver seus conflitos diante do que se tornou o mundo que criou. Além dos protagonistas Dan Stulbach e Irene Ravache, a peça tem a estreia do ator Pedro Carvalho, na pele do filho da personagem de Irene.

Foto Joao Caldas Fº 105316a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

Na peça, Stulbach vive Deus - Foto: João Caldas Filho

Para criar o personagem, Stulbach, que é judeu assim como a autora, conversou com pessoas de diferentes religiões, que expuseram ao ator sua ideia de Deus. Ele comemora o personagem incomum.

— Só no teatro é possível alguém falar "eu sou Deus" e o outro acreditar.

Comédia leve e inteligente

Irene conta que sua personagem, a princípio, não acredita que o paciente diga a verdade e que, como terapeuta, ela percebe que ele "tem um problema sério".

Os dois afirmam que a peça não é pretensiosa. Muito pelo contrário, é uma comédia leve, mas inteligente. O diretor Elias Andreato afirma ao R7 que a obra tem "gosto pelo sutil".

—O ser humano precisa acreditar em alguma coisa. A versão da peça que a Célia Forte fez preserva essa poesia, a delicadeza e o humor. Nosso objetivo é divertir, mas não fazer rir a qualquer custo.

O Deus de cada um

Quando a reportagem provoca os artistas e pede para que falem da relação que eles próprios têm com Deus, cada um vai por um caminho.

Elias Andreato conta "que já acreditou", como também já "deixou de acreditar". E que não "sabe se acredita no momento". Para ele, "Deus é uma dúvida permanente".

—Eu não sei acreditar em Deus sem desespero. Mas é no teatro que me sinto próximo a alguma coisa desconhecida.

Foto Joao Caldas Fº 105503a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

A peça marca a estreia de Pedro Carvalho (à dir.), descoberto por Elias Andreato - Foto: João Caldas Filho

Irene Ravache conta que sempre achou bonito os rituais religiosos e que acha "a figura de Jesus o máximo". Ela não gosta muito de ter de definir Deus. Definir tudo certinho não é muito sua praia. Prefere a vida mais leve, mais solta. Sem tantas certezas. "Tirando  que escovar os dentes todos os dias é bom, eu devo ter só mais umas quatro certezas na vida".

— Mas, se tiver num avião e cair uma tempestade, vou pedir a Deus para me dar uma mão. Quando filho e neto tem febre acima de 38 graus também não há quem não se lembre de Deus. Me agrada ter um Deus, assim como me agrada ter um marido, uma família. Gostaria de morrer e me encontrar com um Deus forte, de barba, que me colocasse no colo. Acho que ele gostaria de mim também.

Dan Stulbach, por sua vez, lembra que sua origem religiosa é o judaísmo. Ele é filho de poloneses que vieram para o Brasil fugidos da perseguição nazista na 2ª Guerra Mundial. Chegou a fazer o bar mitzvah, a iniciação na religião judaica masculina, aos 13 anos, para agradar o avô.

—Nunca parei para pensar se Deus existe ou não.

Tirando as divagações religiosas, Stulbach prefere mesmo é focar no momento profissional que vive, com sucesso não só nos palcos, como também na TV, onde chamou a atenção substituindo Fátima Bernardes nas manhãs da Globo. Mesmo com os elogios, afirma que seu grande lugar de realização é mesmo o teatro.

—Eu sonhei com este momento aqui. Sou fã do Elias e da Irene desde menino. Estou me realizando fazendo esta peça.

Foto Joao Caldas Fº 105245a Em Meu Deus! Dan Stulbach realiza sonho de trabalhar com Irene Ravache e Elias Andreato

No enredo da ficção dirigida por Elias Andreato, o personagem Deus procura uma psicóloga e expõe seus problemas com o mundo - Foto: João Caldas Filho

Meu Deus!
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 19h e 21h30; domingo, 18h. 80 min. Até 27/7/2014
Onde: Teatro Faap (r. Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo, tel. 0/xx/11 3662-7233)
Quanto: R$ 60 (sexta), R$ 70 (domingo) e R$ 80 (sábado)
Classificação etária: 12 anos

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morro kiwi foto bob sousa7 Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Fernanda Azevedo, em cena da peça Morro como um País, premiada com o Shell de melhor atriz; obra volta ao cartaz no CIT-Ecum em São Paulo nesta quarta (26) - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de BOB SOUSA

A Kiwi Cia. de Teatro resolveu se manifestar sobre as críticas recebidas por Fernanda Azevedo por membros da própria classe teatral depois que ela protestou ao receber o Prêmio Shell de melhor atriz há uma semana. O grupo publicou o texto, que o blog reproduz abaixo, originalmente em seu site. Leia na íntegra:

"MISÉRIA. Reflexão sobre o Prêmio Shell de Teatro 2014.

Texto da Kiwi Companhia de Teatro sobre a repercussão do Prêmio Shell concedido a Fernanda Azevedo

Miséria

A 26ª edição paulistana do Prêmio Shell de Teatro, em março de 2014, provocou alguma discussão em função do discurso da atriz Fernanda Azevedo, que recebeu o prêmio de interpretação por seu trabalho em Morro como um País – Cenas sobre a Violência de Estado, criado pela Kiwi Companhia de Teatro.

O discurso em questão, além dos agradecimentos - de praxe, mas também sinceros - à comissão julgadora, da qual fizeram parte pequisadores de teatro que merecem nosso respeito, e às demais concorrentes ao prêmio de melhor atriz, fez referência à personagem Antígona, para quem “passado abandonado jamais se torna passado” e, como finalização, citou algumas linhas de um artigo do escritor uruguaio Eduardo Galeano, em que ele analisa a colaboração ativa da Shell com a ditadura nigeriana em meados dos anos 1990. Eis o trecho citado: “No início de 1995, o gerente geral da Shell na Nigéria explicou assim o apoio de sua empresa à ditadura militar nesse país: 'Para uma empresa comercial, que se propõe a realizar investimentos, é necessário um ambiente de estabilidade. As ditaduras oferecem isso.'”

MIGUEL ARCANJO PRADO - Deixem a Fernanda Azevedo falar!
BRUNO MACHADO - Fernanda tem direito à incoerência
KIL ABREU - Fernanda desafiou a fantasia e apanhou

Morro como um País, trabalho cênico pelo qual a atriz recebeu a premiação, discute o conceito de “estado de exceção permanente”, as violências praticadas pelo Estado, as ditaduras do cone-sul (com referências à ditadura dos coronéis na Grécia e ao genocídio em Ruanda) e o papel da arte e da cultura diante de graves crises sociais. Em uma das nossas cenas mencionamos a Ultragás,  empresa dirigida nos anos 1960 por Henning Boilesen, que apoiou e financiou a ditadura civil-militar brasileira. Na cena a Ultragás representa, sem prejuízo da sua responsabilidade pela colaboração direta com a ditadura, o grande empresariado, nacional e internacional, que se associou ao terrorismo de Estado.

Ou seja, investigar e denunciar, por todos os meios, a conivência entre empresas e regimes ditatoriais, fazem parte do nosso trabalho. No caso da Shell, além do apoio à ditadura nigeriana, que resultou na condenação da empresa e consequente pagamento de uma compensação de 15,5 milhões de dólares aos familiares de ativistas assassinados, há material consistente sobre sua conivência com a ditadura civil-militar brasileira, o que, infelizmente, não consistia exceção entre as grandes corporações empresariais, comerciais e financeiras que atuavam na época.

fernanda azevedo paduardo agnews pb Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Agraciada com Prêmio Shell de melhor atriz, Fernanda Azevedo discursa contra a empresa; fala da atriz gerou reação controversa de membros da classe artística - Foto: Paduardo/AgNews

Até agora, quase nada sobre estes fatos foi publicado na imprensa e nas redes sociais. Fala-se, no entanto, sobre a “incoerência” da atriz em criticar a Shell e aceitar o prêmio, incluindo o valor em dinheiro, R$ 8.000. Para os moralistas de plantão, ciosos em denunciar esta abominável contradição e rápidos em apontar o dedo, nós faremos outra citação, desta vez de Robert Kurz. O trecho foi utilizado, há alguns anos, no programa de outro trabalho cênico do grupo, teatro/mercadoria #1: “Faz parte da dialética do pensamento e da ação emancipatórios que a crítica do dinheiro custe dinheiro. Toda a circulação é burguesa, mas a crítica da forma burguesa, incluindo a própria circulação, tem de abrir caminho através da circulação, porque nem sequer existe outra possibilidade de divulgar os conteúdos da crítica a uma escala maior. Temos noção das contradições que se encontram associadas a esta relação entre a forma [Kurz refere-se à revista EXIT!, portanto, uma mercadoria, editada por ele] e o conteúdo (a crítica da forma da mercadoria por parte da EXIT!). A necessidade de nos debruçarmos sobre os problemas que daí resultam faz-se sentir até ao cerne das situações relacionais do nosso contexto. Isso não altera em nada o fato de que precisam ser financiadas as atividades da EXIT!, que, para além da edição da revista teórica, incluem a manutenção do website, a organização de seminários e encontros de coordenação etc..”

MIGUEL ARCANJO PRADO - Deixem a Fernanda Azevedo falar!
BRUNO MACHADO - Fernanda tem direito à incoerência
KIL ABREU - Fernanda desafiou a fantasia e apanhou

Não se trata de convencer aqueles que pensam de outra forma, inclusive porque muitos não avançam argumentos, mas apenas invectivas e frases que misturam preconceitos de classe e desonestidade intelectual. Sobre Ken Saro-Wiwa e o povo Ogoni; sobre as violações repetidas aos direitos humanos praticadas pelas grandes corporações, ontem e hoje!; sobre a infâmia da não punição de assassinos e torturadores da ditadura brasileira; sobre a atuação genocida da PM decretando a pena de morte para pobres e negros nas periferias (herança da “revolução redentora” de 64): nada. Silêncio. Mais vale fazer analogias simplistas com o convidado para jantar que critica a refeição servida (que grande tirada, hein?). Ou ainda mencionar a suposta insignificância da atriz e da peça porque o autor do comentário não as conhecem. Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano. Ou ainda argumentar [sic] que fatos antigos não merecem ser mencionados (já que o episódio nigeriano remonta há quase duas décadas). De fato, vamos esquecer a escravidão, o holocausto, o golpe militar e até mesmo a data de aniversário da minha avó, lá se vão tantos anos, afinal.

Em 1847, Marx publicou Miséria da Filosofia, ironizando uma obra de Proudhon (Filosofia da Miséria) e assentando as bases de uma nova concepção de história. Nosso tempo é de uma inacreditável miséria. Não custa lembrar que cerca de um bilhão de pessoas passa fome todos os dias. Mas além da gravidade deste fato, também é miserável saber que muitos que fazem três refeições diárias são capazes de negar o direito à crítica e incapazes de enxergar ou denunciar o modelo social em que vivemos. É miserável constatar que muitos justificam seu pequeno conforto, mas não reconhecem a legitimidade daqueles que o criticam. Miserável também é a situação da cultura no país, refém de orçamentos irrisórios, leis de renúncia fiscal e estratégias de marketing empresarial. Assim como é miserável ler comentários espirituosos sobre o nome do nosso grupo (uma sigla, aliás, caso alguém se interesse) diante da absoluta insensibilidade com a miséria, em todos os sentidos da palavra, que nos assola.

Nada disso, no entanto, é novo. Como não é novo dar golpes militares, manipular informações e ideias, torturar as palavras e oficializar o cinismo, para manter, ampliar ou readquirir privilégios. Como disse o presidente da Shell, no lugar da luta de classes, precisamos todos de um “ambiente de estabilidade”, não é verdade?

Kiwi Companhia de Teatro

www.kiwiciadeteatro.com.br

São Paulo, 23 de março de 2014"

morro kiwi foto bob sousa1 Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Fernanda Azevedo, em cena de Morro como um País: atriz sofreu ataques de colegas por ter protestado no Prêmio Shell de Teatro - Foto: Bob Sousa

Nota do Editor: A Kiwi Cia. de Teatro é formada por Fernanda Azevedo, Fernando Kinas, Luiz Nunes, Dani Embón, Mônica Rodrigues, Eduardo Contrera, Luciana Fernandes Amparo, Fabio Salvatti, Demian Garcia, Maysa Lepique, Marie Ange Bordas, Paulo Emílio Buarque Ferreira e Gavin Adams. A peça Morro como um País volta ao cartaz nesta quarta (26) no CIT-Ecum (r. da Consolação, 1623, metrô Paulista), em São Paulo. Fica em cartaz quarta e quinta, às 21h, até 17 de abril, com entrada a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

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golpe militar foto arquivo 31 3 1964 estadao conteudo Artistas descomemoram 50 anos do golpe militar na 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de SP

Tanque militar circula no bairro das Laranjeiras, no Rio, em 31 de março de 1964 - Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Começou nesta segunda (24) e vai até o próximo domingo (30), a 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de São Paulo.

O evento integra uma série de atividades culturais pela cidade que lembram os 50 anos do golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil em 1964. O objetivo é fazer uma "descomemoração" da data.

A realização é do Núcleo do 184, da Cooperativa Paulista de Teatro e da Cia. do Feijão.

As apresentações acontecem no Teatro Studio Heleny Guariba e também na sede da Cia. do Feijão, no centro paulistano [veja endereços ao fim].

 

alem do ponto os crespos Artistas descomemoram 50 anos do golpe militar na 2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos de SP

Os Crespos se apresentam na mostra com Além do Ponto - Foto: Divulgação

Integram a programação no Guariba os espetáculos Iracema – a Paulistada: um Solo Manifesto, da Cia. de Solistas (25/03, às  20h); Milagre na Cela, de Jorge Andrade, com leitura do Grupo Kaus (26/03, às 20h); Além do Ponto, da Cia. Os Crespos (27/03, às 20h); Utopia, de Thomas Moore, encenada pela Cia. Esquizocênica (30/03, às 17h). O Núcleo do 184 também faz as peças A Necessidade da Arte, de Ernst Fischer (28/03, às 20h); O Rato Pensador, de Agenor Bevilacqua (29/03, às 16h); Caixa de Retratos (29/03, às 20h); e Jonas/Bacuri/ Bacuri/Jonas (30/03, às 19h30).

Já na Cia. do Feijão serão encenadas Clarisse, Virgínia, Catarina, do grupo Mal Amadas Poética do Desmonte (26/03, às 20h); O Interrogatório Brasileiro, com leitura do Núcleo do 184 (28/03, às 16h); Reis de Fumaça, da Cia. do Feijão (28/03, às 18h); e O Mundo das Águas, da Cia. A Jaca Est (29/03, às 15h).

A mostra será encerrada com a leitura de Poesia de Resistência, pelo ator Roberto Ascar e pelo músico Beto Kapeta, no dia 30 de março, às 20h, no Teatro Studio Heleny Guariba.

2ª Mostra Teatral de Direitos Humanos
Quando: 24 a 30 de março de 2014
Quanto: grátis
Onde: Teatro Studio Heleny Guariba (praça Roosevelt, 184, São Paulo, metrô República)
Espaço da Cia. do Feijão (rua Doutor Teodoro Baima, 68, São Paulo, metrô República)
Informações: 0/xx/11 3259-6940

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