reino 4 Crítica: Na comédia Reino, Grupo Gattu renova teatro político com leveza, ironia e inteligência

Reino, do Grupo Gattu: discussão inteligente e bem humorada do Brasil no Teatro do Sol - Foto: Ary Brandi

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Muita gente por aí pensa que o teatro político precisa ser sisudo e enfadonho. Ou ter um certo ar de catequese, no qual pobres bons aprenderão que ricos são maus. Nada disso.

O espetáculo Reino, escrito e dirigido por Eloisa Vitz e encenado por seu Grupo Gattu, prova exatamente que o teatro político pode ser o contrário de tudo isso e, assim, bem mais potente em seu discurso:  é uma comédia política pop, que consegue ser leve, irônica e inteligente ao mesmo tempo. E nada inocente.

Primeiro texto assinado por Eloisa Vitz — que já escreveu Rapunzel e Frisante sob o pseudônimo Tito Sianini —, conta a história de uma rainha déspota que se sente ameaçada de perder seu poder. A arrogância com que trata os subalternos pode gerar a qualquer momento nos mesmos uma traição. Este é seu verdadeiro temor. Porque o povo ela sabe que já está domesticado.

reino 2 Crítica: Na comédia Reino, Grupo Gattu renova teatro político com leveza, ironia e inteligência

Daniel Gonzales e Miriam Jardim - Foto: Ary Brandi

A premissa do texto serve para um desabafo da própria autora e seu grupo para o Brasil atual. Naquele reino longínquo os problemas são muito parecidos com os do nosso cotidiano, como a água que periga secar nas torneiras da maior cidade do País sem que nenhum governante assuma a responsabilidade. Ou a liquidação de cargos em Brasília por um apoio interesseiro e desavergonhado.

Diante de Reino, a gente ri muito, mas é de desespero, por tornar-se consciente de não ter por onde escapar. O Gattu, com seu teatro de poucos recursos financeiros, mas cheio de perspicácia, aclara tudo de forma desconcertante.

Num primeiro momento, a montagem pode até ter ares de teatro infantil, mas que o espectador não se confunda. Logo, a peça revela que sua complexidade vai bem além. É teatro mais do que adulto. Seu diálogo com a linguagem do infantil serve, inclusive, para mostrar como muitas vezes ainda somos crianças quando o assunto é evolução social. Quem sabe contando a nossa periclitante situação com ares de conto de fadas acordemos do mundo da fantasia no qual nos instalamos.

Como diz certa hora o texto: o rio fede e nem percebemos mais. Acostumamo-nos com o descaso, com as regras já dadas, em nossa passividade cotidiana. E quem está no poder tripudia do povo alienado — seja os da dita direita ou os da dita esquerda. Este é o grito do Gattu.

Em um palco praticamente desprovido de cenário e vestidos por Ana Fernandes, a produção foca no trabalho de seus atores o sustento da obra. E eles estão ali, presentes. Eloisa Vitz é atriz potente. Faz uma rainha que não titubeia e reina sobre a peça. Ela tem uma das vozes femininas mais bonitas do teatro paulistano; assim, ouvi-la é sempre um grande prazer. Além disso, sabe dar peso exato a cada palavra, coisa rara hoje em dia.

reino 7 Crítica: Na comédia Reino, Grupo Gattu renova teatro político com leveza, ironia e inteligência

A autora e diretora de Reino, Eloisa Vitz - Foto: Ary Brandi

Outro achado no elenco é Marilia Goes, que se divide em variados papéis. A atriz tem frescor e um tempo para comédia evidente. Nas coreografias — sim, os personagens dançam muitas vezes, o que é ótimo — é a que baila com maior graça, sincronia e destreza.

Miriam Jardim faz o papel de uma espécie de escada para o humor da peça, como o assessor-capacho da rainha. Seu personagem serve até para cutucar a soberba da crítica de arte preguiçosa e pretensiosamente intelectualizada. Ainda completam o elenco em sintonia os atores Daniel Gonzales, Laura Vidotto e Victor Delboni, este substituindo temporariamente Mariana Fidelis, e a cantora lírica Gabriela Pastorin.

A peça é encenada no novo espaço aberto pela trupe, o Teatro do Sol, na zona norte paulistana. Charmoso e sofisticado como as melhores salas alternativas do teatro europeu, portenho ou nova-iorquino. A turma do Gattu tem bom gosto, demonstrado já no hall de entrada e confirmado nas poltronas vermelhas e confortáveis na qual recebe seu público e até no monumental espelho do banheiro.

Em Reino, o que Eloisa Vitz e o Grupo Gattu fazem é um grande desabafo. De quem quer fazer teatro neste País que pouco dá valor às artes. A peça renova o teatro político brasileiro, aproximando-o do grande público, aquele tanto necessita refletir. E compartilha com este o seu discurso, dando ao espectador o poder de decisão do final da obra. Ao descortinar as entranhas do poder com deboche, o Grupo Gattu mostra que é guerreiro, resistente e que não desistirá assim tão fácil.

Melhor para o teatro brasileiro e para todos nós.

Reino
Avaliação: Muito bom
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 20h. 75 min. Até 28/9/2014 com possibilidade de prorrogar
Onde: Teatro do Sol (r. Damiana da Cunha, 413, Santa Terezinha, Santana, São Paulo, tel. 0/xx/11 3791-2023)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Na comédia Reino, Grupo Gattu renova teatro político com leveza, ironia e inteligência

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muso musa do teatro r7 thiago carreira giovanna romanelli Thiago Carreira e Giovanna Romanelli são Muso e Musa do Teatro R7 de julho de 2014

Conquistaram internautas: Thiago Carreira e Giovanna Romanelli são Muso e Musa do Teatro R7 - Fotos: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Após uma votação intensa, os internautas elegeram o Muso e a Musa do Teatro R7 de julho de 2014.

Com 62,6% da votação masculina, somando 1.018 votos, Thiago Carreira é o novo Muso do Teatro R7. Ele integra o elenco da peça Ou Você Poderia Me Beijar, do Teatro do Núcleo Experimental, em São Paulo.

Em segundo lugar, ficou Daniel Carvalho Faria, da peça Vermelho Amargo, em cartaz no Sesc Pinheiros, com 32,1%, que equivalem a 522 votos.

Com 59,2% da votação feminina, somando 1.570 votos, Giovanna Romanelli é a nova Musa do Teatro R7. Ela atua na peça Não Fornicarás, do Satyros, no Espaço dos Satyros Um, em São Paulo.

Em segundo lugar, ficou Einat Falbel, atriz da peça Bichado, em cartaz no Viga Espaço Cênico, com 36,8%, equivalentes a 975 votos.

Parabéns aos vencedores e a todos os concorrentes!

Em breve, aqui no blog, você verá entrevista perfil e ensaio fotográfico exclusivo com os novos musos.

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DSC 6308 ÓPERA DO MALANDRO Agosto 2014 Foto CRISTINA GRANATO  “Chico foi quem mais me influenciou”, diz João Falcão, diretor de Ópera do Malandro no Rio

Cena da montagem carioca de Ópera do Malandro, dirigida por João Falcão - Foto: Cristina Granato

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma sessão disputada reuniu convidados especiais como Elba Ramalho e Emiliano Queiroz para ver a versão carioca de Ópera do Malandro, de Chico Buarque, com direção de João Falcão, no Theatro NET Rio, nesta segunda (11). A peça estreou por lá no último fim de semana.

DSC 6333 Emiliano Queiroz ÓPERA DO MALANDRO Agosto 2014 Foto CRISTINA GRANATO  “Chico foi quem mais me influenciou”, diz João Falcão, diretor de Ópera do Malandro no Rio

Emiliano Queiroz aplaude Ópera do Malandro no Rio - Foto: Cristina Granato

Assim como em Gonzagão, musical de João Falcão visto por 100 mil pessoas e que celebrou com sucesso Luiz Gonzaga, a sua versão de Ópera do Malandro aposta num elenco basicamente masculino e só tem uma atriz: Larissa Luz.

Ainda integram o elenco Moyseis Marques, Adrén Alves, Alfredo del Penho, Bruce de Araújo, Davi Guilhermme, Eduardo Landin, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Léo Bahia, Rafael Cavalcanti, Renato Luciano, Ricca Barros e Thomás Aquino.

Os homens vivem também papeis femininos. “Colocar atores para interpretar mulheres vem ao encontro de uma tradição teatral secular e também com uma antiga pesquisa minha”, diz Falcão.

O diretor, que chamou Beth Lemos para a direção musical, conta que Chico foi a “figura artística que mais lhe influenciou”. Para compor a peça, misturou as músicas do espetáculo a canções do disco Malandro e também do filme homônimo dirigido por Ruy Guerra em 1985.

— É um momento muito inspirado e consagrador para o Chico. As canções de Ópera do Malandro ganharam fôlego fora do teatro. Tornaram-se tão conhecidas que muita gente não sabe que foram feitas para o palco.

Outra versão do mesmo musical é apresentada em São Paulo, com a Cia. da Revista, no CCBB-SP, com direção de Kleber Montanheiro.

Uma verdadeira enxurrada de montagens de obras teatrais de Chico Buarque estão nos palcos por conta dos 70 anos de vida do compositor. Na capital paulista ainda estão em cartaz Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, no Teatro Faap, e O Grande Circo Místico, que estreia nesta quinta (14), no Theatro NET São Paulo.

DSC 6353 Emilíano Queiroz João Falcão e Elba Ramalho ÓPERA DO MALANDRO Agosto 2014 Foto CRISTINA GRANATO  “Chico foi quem mais me influenciou”, diz João Falcão, diretor de Ópera do Malandro no Rio

O diretor João Falcão (ao centro), entre Emiliano Queiroz e Elba Ramalho, que foram ver sua versão para Ópera do Malandro, de Chico Buarque, no Rio - Foto: Cristina Granato

Ópera do Malandro
Quando: Quinta e sexta, 21h, sábado, 21h30, domingo, 20h. 150 min. Até 26/10/2014
Onde: Theatro NET Rio (r. Siqueira Campos, 143, 2º piso, Copacabana, Rio, tel. 0/xx/21 2147-8060)
Quanto: R$ 100 a R$ 150 (inteira)
Classificação etária: 14 anos

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Robin Williams 3 Morte de Robin Williams deixa nó na garganta

Morre Robin Williams: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é" - Foto: ArtStar/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A morte repentina e tão cedo do ator estadunidense Robin Williams, com apenas 63 anos, nesta segunda (11), deixa um buraco enorme em Hollywood. Ele foi achado morto, em casa, e a polícia suspeita de suicídio.

A perda é grande. Afinal, ele foi um dos mais talentosos e sensíveis atores do cinema recente. Fez uma carreira de escolhas felizes, encontrando em seu caminho personagens emblemáticos e nunca fúteis. Sempre com um discurso político ou social forte. Ele sempre tinha algo a dizer. E dizia. Mesmo em silêncio.

O homem que fazia tantos rir sofria de depressão. Mesmo nas comédias, tinha um ar grave, quase sisudo, dono de um olhar distante, desconcertante. Uma profundidade como poucos conseguem neste gênero. Ver Williams atuar era ver um pedaço de sua alma.

Filho de uma ex-modelo e de um alto executivo, era uma criança tímida em Chicago, que gostava de imitar a avó. Na adolescência, viu que poderia fazer graça para os outros e ganhar dinheiro com isso.

Tornou-se comediante de stand-up e entrou para a televisão. Daí, para o cinema, com tanto talento exposto, foi um pulo.

Nas telonas, sua memorável atuação em 1987 em Bom Dia, Vietnã lhe deu respeito junto ao público e à crítica. Em 1989, conquistou o público com Sociedade dos Poetas Mortos, que logo se tornou um clássico.

E a década de 1990 foi crucial. Emplacou um sucesso atrás do outro. Com uma carreira marcada por escolhas distintas e igualmente boas, foi o Gênio da animação Alladin, de 1992, e também encabeçou o elenco de A Gaiola das Loucas, de 1996, que abriu a discussão sobre o respeito à diversidade das famílias — isso bem antes de o casamento gay ser sancionado em muitos países. Ele já tinha se travestido em 1993 e feito todo mundo rir em Uma Babá Quase Perfeita.

Em 1997, ganhou Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação em Gênio Indomável. E não parou de nos dar atuações memoráveis, como em Path Adams (1998), em O Homem Bicentenário (1999) ou em Inteligência Artificial (2001).

Ao ver sua partida abrupta, nos damos conta de que talvez Williams não tenha conseguido lidar com tanta sensibilidade, com tanto talento. Ele nos deixa com a certeza de que poderia ter nos dado ainda muito mais. Por isso, essa tristeza gigante, o vazio cortante, o nó na garganta. Não há espaço para julgá-lo. Talvez, seja como cantou Caetano: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

Lembre a carreira de Robin Williams

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festival teatro cidade sp Vinte peças concorrem no Festival de Teatro Cidade de São Paulo

Festival de Teatro Cidade de São Paulo terá 20 peças até 7 de setembro - Fotos: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os paulistanos têm a chance de ver 20 peças na 5ª edição do Festival de Teatro Cidade de São Paulo.

O evento, produzido por Eduardo Martins, joga o holofote no trabalho de jovens grupos teatrais, servindo de plataforma de lançamento para vários artistas no cenário nacional.

Todos têm seu trabalho avaliado por um júri especializado e concorrem ao Troféu Arlequim.

As peças são encenadas a partir desta terça (12), no Teatro União Cultural (r. Mário Amaral, 209, metrô Brigadeiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 2148-2904), até o dia 7 de setembro, com entrada a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).

A mostra competitiva adulta vai de 12 de agosto a 4 de setembro, sempre terças, quartas e quintas, às 21h. Já a mostra competitiva infantil, será de 16 de agosto a 7 de setembro, sempre aos sábados e domingos, às 16h.

Integram a mostra adulta as peças O Homem, Seu Cachorro e Mais Um, do Grupo Provisório de Teatro em Pesquis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Grupo Artemis de Teatro, Escola de Mulheres, da Cia. Los Barones de Teatro, O Longo Caminho Que Vai de Zero a Ene, 4a Reticência, O Monstro de Jackson, da Cia. Teatral Um Peixe, Hamelete, do Grupo Caret, Amor Fragmentado em 70 Minutos, da Cia. Surya de Arte, S-Antas, da Amadododito Cia. Teatral, e Viúva, Porém Honesta, da Cia. Loucos do Tarô.

Já na programação infantil, participam Violeta, a Menina Leitora, do Grupo Obinha! de Teatro, Meia, sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé, da Cia. Batnuá de Atores, O Sorriso do Gato de Alice, do Grupo Trapo, Quem Comeu as Historinhas?, da Cia. Hum, Xaulim e as Estátuas, do Grupo Teatrorama, Chapeuzinho Vermelho e Os Defensores da Natureza, da Companhia Teatral Poaense, e Vovô Fugiu de Casa, da Cia. Dom Caixote.

Vale a pena conferir de perto. Conheça a programação completa.

 

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Teatro Solo Matias Umpierrez Oficina de Costura1 Diretor argentino faz teatro para um espectador

TeatroSOLO será apresentado em São Paulo em cinco lugares até setembro - Foto: Camilla Loreta

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Argentina e Brasil sempre mantiveram trocas teatrais intensas. Afinal, nossos hermanos do sul produzem um dos teatros mais potentes do mundo. Uma das mais exitosas criações contemporâneas portenhas que vem repercutindo em lugares como Espanha e Estados Unidos é o TeatroSOLO.

O projeto é do diretor teatral e cineasta argentino Matias Umpierrez, que coordena a área teatral do Centro Cultural Rojas, da Universidade de Buenos Aires. A estreia em São Paulo será nesta quinta (14), onde fica até 24 de setembro, em promoção da Oficina Cultural Oswald de Andrade, dirigida por Celso Curi.

No trabalho, Umpierrez faz sessões para apenas um espectador por vez. Ele pretende fazê-las em cinco lugares distintos da capital paulista: Pacto ocupa um escritório abandonado no bairro Bom Retiro; Promessa é encenada em uma oficina de costura do mesmo bairro; Amnésia acontece nos bastidores do Teatro Sérgio Cardoso; enquanto Retrato, na Pinacoteca do Estado de São Paulo; e, por fim, Exodus é encenada em um apartamento familiar no bairro Campos Elíseos.

Tal visão intimista vai ao encontro dos ritos de transmissão de histórias ancestrais, já que o artista quer “libertar o teatro de sua estrutura convencional”. Assim, tira o ator do palco e o coloca dentro de uma cena real, dando ao espectador poder dentro da performance.

matias umpierrez 04 Diretor argentino faz teatro para um espectador

O diretor argentino Matias Umpierrez - Foto: Divulgação

Teatro privado e subjetivo

Em conversa exclusiva com o R7, Matias Umpierrez revela que escolheu o elenco brasileiro em maio, em uma audição com 90 inscritos, dos quais apenas nove foram selecionados. Há três semanas trabalha intensamente com o grupo.

— A peça é repetida oito vezes por dia. Eleva a proposta do trabalho do ator de teatro, que tem capacidade de reproduzir as emoções em oito sessões seguidas. É uma experiência performática diária.

Umpierrez diz que seu teatro caminha na fronteira entre o teatro, as artes visuais e o cinema e que os lugares paulistanos escolhidos "dialogam com essa proposta".

— Faço um teatro privado e subjetivo. O que sucede aí é que está passando algo para o espectador. Outra pessoa que viva esta experiência, a viverá de forma distinta. Nesta época de globalização e redes sociais, quero tirar o público desta situação coletiva e possibilitar ao espectador uma experiência privada e subjetiva.

Os ingressos, disputadíssimos, podem ser reservados pelo site da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Depois, o espectador receberá por e-mail as orientações sobre como acompanhar sua performance.

O projeto ainda tem assistência de direção de Gabriela Caraffa, direção de arte de Camilla Loreta, e assistência de produção de Gustavo Valezi. Além de residentes de produção coordenados por Daniele Sampaio.

Teatro Solo Matias Umpierrez z Apartamento Diretor argentino faz teatro para um espectador

Cena que será feita em um apartamento paulistano do TeatroSOLO - Foto: Camilla Loreta

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debora rebecchi bob sousa 1 O Retrato do Bob: Debora Rebecchi, desafiadoraFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz Debora Rebecchi se prepara para fazer sua primeira novela, a próxima do horário das 19h da Globo, Alto Astral. Fará Liz, personagem filha dos atores Edson Celulari e Silvia Pfeifer. Cria do teatro paulistano, é formada pela EAD (Escola de Arte Dramática) da USP (Universidade de São Paulo). Nos cinemas, além de ter atuado em mais de dez curtas, fez também o longa-metragem Satyrianas, 78 Horas em 78 Minutos. Já foi dirigida por nomes poderosos da cena, como Celso Frateschi, Roberto Audio, Vladimir Capella e Bete Dorgam, entre outros. Na TV paga, em 2015, estará no elenco de uma série. Posou para nosso Bob Sousa cheia de atitude. Pelo jeito, a atriz não teme desafios.

Visite o site de Bob Sousa

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tigre Domingou: O tigre, o pai, o menino e o Chico

Fim trágico: menino brinca com tigre em zoológico de Cascavel (PR) enquanto o pai filma - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É triste que pouco antes deste Dia dos Pais, um pai e um filho tenham virado notícia em uma situação que terminou de forma trágica.

Realmente foi impactante ver a imagem do menino brincando com os felinos no zoológico, enquanto o pai filmava tudo em detalhes, como se fosse bonito infringir as regras e deixar o filho pular praticamente dentro da jaula só para fazer bonito na internet depois. O custo disso foi o braço do menino, como já sabemos.

Aqui não se pretende julgar o pai, nem o filho, muito menos o zoológico. Também não vamos colocar em debate o modelo educacional de permissividade com o qual muitos filhos são criados hoje em dia. Cada cabeça sua sentença.

O que gostaríamos de levantar é um debate sobre essa necessidade de muitos conseguir mais uma curtida nas redes sociais, fazendo o que for preciso para que a experiência do presente se torne algo potencialmente vendável aos outros.

Diante desta loucura dos tempos contemporâneos, a sanha aparecida parece não ter limites. A ponto de um pai colocar a vida do filho em risco sem dar-se conta. O instinto de proteção da cria é suplantado pelo exibicionismo fútil. Tudo é permitido. Tudo é possível. Desde que cause impacto ou seja engraçadinho. Mesmo que passe dos limites do sensato.

Será que não é mais possível viver simplesmente sem que o presente seja o tempo todo projetado para o futuro diante dos olhos dos outros? É preciso julgar tudo a todo instante? É preciso a reprodução instantânea? Deveríamos parar um pouco, deixar o frenesi esfriar e tentar entrar em contato conosco e com o que nos rodeia. Nem tudo precisa ser relatado freneticamente como em uma transmissão de um canal 24 horas de notícias.

Algumas coisas são para ser apenas vividas. Com verdade, intensidade e, claro, sabedoria.

*****

chico buarque Domingou: O tigre, o pai, o menino e o Chico

Chico não deu muita bola para seus 70 anos, mas o teatro comemora mesmo assim - Foto: Divulgação

Apesar dele não ter dado muita bola à data, os 70 anos de Chico Buarque, completados em 19 de junho, rendem comemoração potente nos palcos de São Paulo: quatro musicais celebram nosso grande compositor.

A Cia. da Revista apresenta no CCBB-SP a Ópera do Malandro. Teve estreia de arromba na última quinta (7). O mesmo grupo estreia em setembro Reconstrução, em sua nova sede no bairro de Santa Cecília.

Já no Teatro Faap, desde a última sexta (8) está em cartaz Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, dirigido pela tarimbada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, os Reis dos Musicais.

Já a partir da próxima quinta (14), em sessão para convidados, estreia com direção de João Fonseca O Grande Circo Místico no Theatro NET São Paulo, o novo espaço dentro do Shopping Vila Olímpia.

Viva Chico. E feliz Dia dos Pais.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de coisas simples. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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nao fornicaras Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Como nos velhos tempos: Satyros volta a ser ousado e debochado em Não Fornicarás - Foto: André Stéfano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma forma inimaginável de dublagem da delicada canção Codinome Beija-Flor, de Cazuza, surge diante dos olhos do público da peça Não Fornicarás, em performance do ator Ivam Cabral. A entrega é desmedida e digna de respeito.

Diante do impacto, o espectador costumeiro do grupo Os Satyros se satisfaz em reencontrar aquela velha conhecida ousadia que se mistura à própria história da trupe e que andava um pouco sumida ultimamente. Em Não Fornicarás, vemos o Satyros dos velhos tempos.

A montagem, dirigida por Rodolfo García Vázquez, faz parte do pacote comemorativo dos 25 anos da trupe da praça Roosevelt no projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias. Em pauta, as relações do homem com a tecnologia.

Em Não Fornicarás, o texto-provocação da colunista do R7 Rosana Hermann serve de base para explicitar como o homem não detém seus impulsos sexuais primitivos diante da máquina. Muito pelo contrário, a utiliza como forma de obter prazeres inconfessáveis.

A encenação de Vázquez abusa de recursos simples, porém eficientes, para criar o clima no qual o pecado mora ao lado. Ou, melhor, bem próximo, a um clique.

satyros Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Acima, Robson Catalunha brinca com a boneca inflável; abaixo, Julia Bobrow discute a perda da inocência e o abuso tecnológico - Foto: André Stéfano

Cheio de libido, o elenco está comprometido com o discurso da obra e leva o público o tempo todo à atmosfera proibida que a peça revela.

O horário da meia-noite, no qual o R7 viu a montagem, talvez fosse mais apropriado, já que ajudava a entrar no clima — agora, a peça está no horário carola de domingo, às 19h, mas nada que a prejudique.

O ator Robson Catalunha é uma espécie de mestre de cerimônias, papel em que sempre se sai muito bem. Conversa com a plateia e conduz as cenas. Aos atores Fabio Penna e Julia Bobrow cabem viver as situações dramáticas apresentadas, como a da garotinha púbere que se vê conectada com um pedófilo.

É impressionante ver a mesma Bobrow que encarna a lascívia na cena da abertura, usando apenas sua voz, logo depois virar o retrato da inocência prestes a ser desmantelada.

Pablo Benitez Tiscornia e Giovanna Romanelli, desnudos, são uma espécie de Adão e Eva dos novos tempos tecnológicos, expondo seus corpos sem pudor aos olhares devoradores por todos os lados.

Completa o elenco o casal Marcelo Thomaz e Nina Nóbile. Ambos intensos sob a segunda pele de zebra e responsáveis pela cena que fez a fama da peça antes mesmo de sua estreia: o tal do sexo explícito transmitido pela internet para todo o mundo em tempo real. Esta crítica prefere não se ater aqui a detalhes sensacionalistas, mas dizer a quem morre de curiosidade para saber o que realmente se passa: vá ver a peça.

No dia em que o R7 assistiu à montagem, completaram o elenco Ivam Cabral, com sua perfomance de impacto já mencionada, e Henrique Mello, aniversariante do dia que entrou em cena para ganhar os parabéns — que público e elenco cantaram de bom grado no meio do espetáculo (nada mais Satyros).

E são coisas simples assim, sem pompas ou medos, que fazem da peça um reencontro do grupo consigo mesmo. Em Não Fornicarás, o Satyros lida muito bem com um tema que lhe é velho conhecido: o sexo, ainda visto por muitos como tabu.

Em uma encenação pulsante, volta a dialogar com seu público primeiro, aquele que lotava todas as sessões da Trilogia Libertina do Marquês de Sade, formado por jovens de todas as idades perdidos pela praça Roosevelt. Gente que encontra no palco do Satyros um sentido para o absurdo da repressão e da hipocrisia que rodeia a vida contemporânea.

Em Não Fornicarás, o Satyros volta para os braços do underground. É debochado, atrevido, contestador. É, sobretudo, jovem. É Satyros. Nem que por apenas mais uma sessão cheia de verdade artística.

Não Fornicarás
Avaliação: Muito bom
Quando: Domingo, 19h. 50 min. Até 28/9/2014
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 18 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

nao fornicaras 2 Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Cena de Não Fornicarás: Satyros volta a tocar em tema que domina: sexo tabu - Foto: André Stéfano

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rene ramos Dois ou Um com Rene Ramos

Rene Ramos estreia espetáculo solo Ulisses e Odisseu no dia 16 de agosto no Top Teatro, em SP - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Rene Ramos é ator, diretor e dramaturgo e se prepara para a estreia de seu espetáculo solo Ulisses e Odisseu. Será no dia 16 de agosto, às 21h, no Top Teatro (r. Rui Barbosa, 201, Bela Vista), em São Paulo. Fará temporada por lá até 29 de setembro, sempre aos sábados, às 18h. A peça mistura o caos do trânsito paulistano com o clássico Odisseia. O artista aceitou o convite do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Palco ou rua?
A Rua é o palco maior.

São Paulo ou Grécia?
A Grécia que há em São Paulo. É só investigar e você encontra.

Ônibus ou metrô?
Ônibus. Sempre fujo do subterrâneo.

Carro ou bicicleta?
Bicicleta. Com ela você voa sem ameaçar ninguém de morte.

Parque ou praia?
Praia. Navegar é preciso.

Oriente Médio ou Crimeia?
Os dois. Já existem disputas demais por lá.

Renato Russo ou Cazuza?
Quero a fúria dos dois.

Zé Celso ou Antunes?
Sou bobo, não. Sempre ascendo uma vela para Dionísio (Zé Celso) e outra para Apolo (Antunes).

Satyros ou Tapa?
Se misturasse viraria um coquetel explosivo. E do bom!

Drama ou musical?
Música sempre. Drama, em doses homeopáticas.

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