julia chequer ze celso Zé Celso é chamado para depor no Fórum Criminal; diretor ataca marcha a favor da ditadura militar

Zé Celso terá de depor no Fórum Criminal da Barra Funda, em SP - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7-7/4/2010

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Nesta quarta (5), José Celso Martinez Corrêa, o  Zé Celso, 77 anos, terá de depor, às 14h, no Juizado Especial Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda, em São Paulo, onde tem audiência preliminar do processo 0056740-71.2013.8.26.0050, no caso movido por um promotor da Justiça Pública.

+ Zé Celso se recusa a pagar multa por cena de peça; no Fórum Criminal, atores do Oficina pedem paz

A Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, da qual Zé Celso é diretor, é acusada de “crime contra a paz pública”. Tudo porque Zé Celso e seus artistas encenaram uma adaptação de uma cena do musical Acordes em 2012, no campus da PUC-SP.

A encenação pública do texto inspirado em Bertolt Brecht foi realizada em novembro de 2012 a convite dos estudantes em protesto contra a posse de Anna Maria Marques Cintra, que havia ficado em terceiro lugar na eleição para o cargo de reitor da instituição.

Os artistas da companhia farão um ato pela paz em frente ao Fórum no horário do depoimento.

Em texto publicado em seu blog quando a ação foi movida, Zé Celso definiu sua convocação pela Justiça de “um ato contra a liberdade de expressão”.

— Querer incriminar os artistas de teatro por esta cena é um atentado à liberdade de expressão do ator.

Assombro

O diretor vê com assombro o crescente conservadorismo no País. Ele e seus artistas também ficaram assustados com a passeata na avenida Paulista que pediu a intervenção militar no País no último sábado (1º).

Sempre antenado com seu tempo, a marcha da extrema direita estará no palco do Oficina no próximo fim de semana, quando o grupo encerra o Festival das Cacildas, com entrada gratuita. O depoimento desta quarta (5) também deverá entrar na obra.

Vítima da ditadura

O Teat(r)o Oficina foi uma das grandes vítimas da ditadura civil-militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985.

ze celso julia chequer r7 Zé Celso é chamado para depor no Fórum Criminal; diretor ataca marcha a favor da ditadura militar

Zé Celso, no dia em que recebeu o pedido de desculpas de representates do governo federal por ter sido torturado durante a ditadura militar, em 2010 - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7/7-4-2010

Durante os anos de chumbo, os atores do grupo foram violentamente agredidos, e Zé Celso precisou partir para o exílio na década de 1970, após ser preso e torturado.

Mas ele e seu Oficina sobreviveram ao horror e estão aí para confrontar com arte o rompante antidemocrático da extrema direita brasileira.

Cenas reais

Zé Celso colocou no palco cenas reais dos golpistas em marcha pela Paulista, com suas vestimentas ufanistas em verde e amarelo e até discurso do cantor Lobão.

O ator Beto Mettig conta ao R7 que imagens reais passarão nos telões do Oficina.

— Tanto Cacilda!!!!! quanto Walmor y Cacilda são montagens vivas. A cada semana elas refletem o que os artistas vivem e o que o próprio País está passando, tanto no texto quanto nas interações que o espetáculo tem.

Só mais duas sessões

Serão apenas duas sessões: uma apresentação de Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada, no sábado (8), 19h, e de Walmor y Cacilda 64 – Robogolpe, no domingo (9), 19h. Ambas com legendas em inglês.

Cerca de 60 artistas desfilam pela passarela-palco do Oficina nas duas montagens, agora, mais politizadas do que nunca.

Cacilda!!!!! descortina o embate entre Cacilda Becker e Tônia Carrero, mostrando o fim de uma era do teatro nacional, marcada pelas produções luxuosas do TBC, o Teatro Brasileiro de Comédia.

Walmor y Cacilda é um espetáculo-manifesto de Zé Celso sobre os horrores praticados pelo golpe civil-militar de 1964, sobretudo no mundo artístico.

Festival e dezembro pulsante

Ainda neste mês, o grupo se apresentará com Walmor y Cacilda no Fentepp (Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente), que acontece entre 22 e 29 de novembro.

Em dezembro, o Oficina fará outra maratona: apresenta cinco espetáculos da série Cacilda um após o outro, entre 12 e 23 de dezembro. Antes, fará a Lavagem do Bixiga, no dia 2 de dezembro, e no dia 5 de dezembro uma concorrida festa em homenagem a Lina Bo Bardi.

Zé Celso e sua aguerrida turma não param. Ainda bem.

oficina2 Zé Celso é chamado para depor no Fórum Criminal; diretor ataca marcha a favor da ditadura militar

A atriz Juliane Elting em cena de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Gal Oppido

Festival das Cacildas
Quando: sábado (8) e domingo (9), às 19h
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do Bixiga)
Classificação etária: 14 anos

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 Petrônio Gontijo vive produtor de rádio decadente

Caros Ouvintes, com Petrônio Gontijo, faz rir e também comove o público - Foto: Priscila Prade

Com CENTRAL RECORD DE COMUNICAÇÃO

O ator Petrônio Gontijo está em cartaz em São Paulo no espetáculo Caros Ouvintes, no Auditório do Masp, em São Paulo. Ele interpreta um produtor de radionovelas, na montagem que mostra esta forma de entretenimento perdendo espaço irremediavelmente para a televisão. Leia a crítica do R7 para a peça. Abaixo, Petrônio faz um convite para os internautas assistirem à obra. Veja o vídeo:

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phedra rebeca Gata de Phedra D. Córdoba engole botão e atriz cubana se desespera para pagar veterinário

Phedra D. Córdoba, com sua gatinha Rebeca, no apartamento da atriz na praça Roosevelt: conta do veterinário chegou perto dos R$ 4.000 e ela precisa de ajuda - Foto: Júlia Bobrow

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A diva cubana do teatro brasileiro Phedra D. Córdoba vive uma situação tensa. Não é porque o documentário Cuba Libre, sobre seu retorno a Havana, foi um sucesso. Nem por sua atuação destacada no filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Tampouco porque participou recentemente do Programa do Jô, na Globo.

O motivo da aflição é de âmbito financeiro: Phedra não tem dinheiro para pagar a conta de quase R$ 4.000 do veterinário, depois que sua gatinha caçula Rebeca "engoliu um botão enorme" e precisou fazer cirurgia às pressas.

Tudo aconteceu na semana que Phedra deu entrevista a Jô Soares. Phedra gravou na segunda. Já na terça, percebeu que sua gatinha de sete meses estava estranha. "Ela começou a vomitar, ficar quietinha e não conseguia fazer cocô direito", conta ao R7.

A bichana foi piorando ao longo da semana. Na sexta, logo após ver a glória de sua entrevista no Programa do Jô, Phedra resolveu levar a gata ao veterinário, na madrugada. Botou na bolsa todo o dinheiro que tinha em casa: R$ 800.

Lá, o diagnóstico foi preciso: Rebeca havia engolido um botão. A ordem de cirurgia foi imediata para salvar a vida da gatinha. Ficou quatro dias internada.

Ao receber a conta, na alta do animal, Phedra quase caiu para trás ao ver a cifra próxima aos R$ 4.000.

Desesperada, ligou para amiga Júlia Bobrow, que também é atriz do grupo Os Satyros e é conhecida em São Paulo por ser ferrenha defensora dos animais.

rebeca Gata de Phedra D. Córdoba engole botão e atriz cubana se desespera para pagar veterinário

Rebeca, durante sua internação para fazer cirurgia e tirar o botão que ela engoliu - Foto: Júlia Bobrow

Prestativa, Júlia conversou com a direção do centro veterinário, se comprometendo que a conta seria paga.

Antenada, Júlia fez um comunicado aos fãs de Phedra e amantes dos animais, pedindo que ajudem a atriz por meio de uma vaquinha virtual (saiba como doar).

Phedra está desolada com a situação.

— Eu fico chateada! Ai, é uma vergonha! Não sei o que fazer, se não fosse a Julinha...

A diva cubana conta que "Rebequinha" já está em casa, onde foi recebida com festa por seu outro gato, o já famoso Primo Bianco.

— Ele estava muito nervoso nos dias em que ela ficou no hospital, agora ele vem dar lambidinhas na cabecinha dela.

O R7 perguntou a Phedra se ela acha muito estranho acontecer tudo isso com sua gata justo na semana em que ela brilhou sentada ao lado de Jô Soares. Eis a resposta.

— Muita gente botou olho ruim em mim, sim. Eu sei que muita gente teve inveja de eu ir lá no Jô Soares. Acho que pegou na gata, porque eu tenho o corpo fechado. Sei que foi um comentário danado na praça Roosevelt... Mas eu e minha gatinha vamos sair dessa com a ajuda da Júlia Bobrow e de quem gosta da gente!

phedra de cordoba eduardo enomoto Gata de Phedra D. Córdoba engole botão e atriz cubana se desespera para pagar veterinário

Phedra D. Córdoba, com o gato Primo Bianco: ele ficou nervoso com Rebeca no hospital - Foto: Eduardo Enomoto

Você acha que a gata de Phedra engoliu o botão por conta de olho gordo de gente invejosa porque ela foi no Jô Soares?

  • Sim, ela lançou dois filmes, fez peças e ainda apareceu no Jô. Foi mau olhado, sim!
  • Não, acho essa coisa de crendice uma grande besteira. Foi apenas um acidente doméstico!

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rafael steinhauser bob sousa1 O Retrato do Bob: Rafael Steinhauser, o ator executivo
Foto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Rafael Steinhauser acaba de estrear o projeto Karamázov, dirigido por Ruy Cortez na SP Escola de Teatro, baseado no livro Os Irmãos Karamázov, clássico do russo Fiódor Dostoiévski adaptado em palcos brasileiros pela primeira vez. Ele reencontra o diretor com quem tem antiga parceria. Sua paixão pelos palcos surgiu primeiro como espectador. Antes de subir nos tablados, o argentino naturalizado brasileiro construiu uma bem sucedida carreira no mundo corporativo, no qual é um respeitado executivo. Só depois é que se arriscou em um curso de teatro. Mas, ele tomou tanto gosto pela coisa que resolveu levar a sério e estudou na Escola-Teatro Célia Helena. Desde então, faz uma peça atrás da outra, sem abandonar o mundo dos negócios. É o ator-executivo dos palcos brasileiros, com aquele charme portenho.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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mate NucleoPavanelli AquiNaoSrPatrao 4 795240 Coluna do Mate: Resistências e criações artísticas da periferia, na condição de zona de fronteira

Cena da peça Aqui Não, Senhor Patrão, no Núcleo Pavanelli, em São Paulo - Foto: Divulgação

"Todo dia, era dia de índio [...] mas agora ele só tem o dia 19 de abril."
Jorge Ben Jor (Todo Dia Era Dia de Índio)

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate: Resistências e criações artísticas da periferia, na condição de zona de fronteira

O pesquisador teatral Alexandre Mate - Foto: Bob Sousa

Por ALEXANDRE MATE*
Especial para o R7

Para se pensar de modo mais amplo e histórico, é preciso buscar os sentidos primeiros e precisos dos acontecimentos. Do mesmo modo, é preciso, também, buscar os primeiros sentidos de origem das palavras. Para desenvolver o tema, busquei alcançar pela pesquisa alguns sentidos históricos, e me lembrei de Carlos Drummond de Andrade, no poema “O Lutador”, que afirma que as palavras esplendem (brilham) “[...] na curva da noite, que todas me envolvem”, portanto, se as palavras brilham, não há de ser pequeno o brilho da palavra periferia.

Nos dicionários a palavra, de origem grega, refere-se a peri, que significa: “acerca, em roda, ao redor”; “em volta, por cima, em cima de”; sobretudo, “ao redor de”. Periferia, do grego periphéreia, tem sentido de redondeza, e, em sentido figurado, representa: “estar fora de caminho direto”; “erro”. Por aí, então, pode-se entender que o sentido da palavra diz respeito a algo fora de algo central, principal. O dramaturgo alemão Bertolt Brecht, no texto A Vida de Galileu, criou uma cena em que os representantes da Igreja se negavam a olhar um binóculo e comprovar que a Terra não era o centro do Universo. O argumento dos religiosos era o seguinte: Deus teria feito os homens à sua imagem e semelhança. Portanto, admitir que a Terra não fosse o centro do Universo seria conceber, por tabela, Deus como um ente secundário... Realmente, os homens são periféricos (ou errados) em relação a Deus, logo, errados e periféricos, porque marginais.

O teatro na Antiguidade clássica grega apoiou o teatro erudito e expulsou da Ágora (praça principal das cidades-estado gregas) os artistas populares: portanto, o teatro popular, assim como os humanos, nasceu marginal e errado.

O bairro em que você mora está na periferia? Mas, se pensarmos que o Brasil é um país periférico, qualquer bairro, em âmbito aos países centrais, é periférico: os Jardins, Higienópolis, Moema, o centro da cidade, os centrinhos dos bairros distantes ou próximos, dependendo das referências adotadas... é tudo periferia. O Brasil, no que se refere à organização global, obedece e cumpre ordens, de órgãos “de cima”: como a ONU, o FMI, a OMS, o Banco Mundial etc, cujas sedes não estão por perto. Então, é correto dizer, que pelo poder que dispõe, uns poucos países estão no centro. Pensar de outro modo, talvez, como diziam nossas avós, seja conversa mole para boi dormir. Não fosse assim, porque tanto do que dizemos precisa ser dito em inglês?

De fato, o mundo anda mal das pernas, exatamente pela divisão (naturalizada) entre os raros centros e as tantas e incontáveis periferias. Então, novamente com Drummond, agora no poema “Infância”, é preciso entender que nossa história pode ser “[...] mais bonita do que a de Robson Crusoé”.

Artistas (da periferia) nascidos em espaços urbanos com poucos recursos, têm criado obras lindíssimas, que dão o que pensar, senão vejamos:

Emicida (Leandro Roque de Oliveira), em fragmento de Hoje Cedo:

"[...] É rima que cês quer? Toma duas, três
Farta pra infartar cada um de vocês
Num abismo sem volta, de festa, ladainha
Minha alma afunda igual minha família
Em casa, sozinha
Entre putas, como um cafetão
Coisas que afetam
Sintonia
Como sonhei em tá aqui um dia
Crise, trampo, ideologia, pause
E é aqui, onde nóis entende a Amy Winehouse"

Criolo (Kleber Cavalcante Gomes), em fragmento de Não Existe Amor em SP:

"Não existe amor em SP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever

[...]

São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você
Não existe amor em SP

Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu

Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você [...]"

Esses e outros autores têm cantado “suas” periferias como muitos artistas eruditos não conseguem, em relação aos seus belos e higienizados centros... Talvez isso ocorra porque eles não se concebam periféricos. Então, se assim for, o centro que eles cantam provavelmente estejam a milhares de quilômetros de onde seus pés, objetivamente, pisam. Lembro, novamente, o texto citado acima de Bertolt Brecht. Talvez o que falte à totalidade dos artistas eruditos seja uma consciência que os periféricos tenham de sua marginalidade, que, nesse caso, significa, também, liberdade.

mate uniao olho vivo1 Coluna do Mate: Resistências e criações artísticas da periferia, na condição de zona de fronteira

Cena de espetáculo do grupo Teatro Popular União Olho Vivo, de São Paulo - Foto: Divulgação

Na década de 1980, em obra ligada à teologia da libertação que, dentre outras ações, tomava partido contra o golpe civil-militar brasileiro de 1964, os propositores de “Missa dos Quilombos”, Pedro Casaldáliga, Pedro Tierra, com músicas de Milton Nascimento, denunciam, por intermédio da obra-missa, o caráter perverso e predatório e as injustiças impostas pela ditadura mencionada. “Missa dos Quilombos” apresenta, na forma de espetáculo cantante, misturando o hierofânico (sagrado) e o profano (aquilo que está fora do templo), parte da luta dos negros no Brasil. Na obra alguns ritos católicos se misturam a expressões manifestas da cultura afrobrasileira. De modo tocante e muito forte, “Missa dos Quilombos” apresenta uma louvação a Xangô (que é o orixá da justiça), e a cultura negra é manifestada pelos toques de jongo, por mitos fundantes do candomblé, pelas danças dos orixás. No ritual de ligação (religare), há participação do Maculelê, da Congada Mineira, do bumba-meu-boi do Maranhão.

Que seja, então, em nome da letra de Nome de Deus, meu tributo a Pedro Casaldáliga e a Milton Nascimento:

"Em nome do Deus de todos os nomes
Javé/ Obatalá/ Olorum/ 0ió.

Em nome do Deus, que a todos os Homens
nos faz da ternura e do pó.

Em nome do Pai, que fez toda carne,
a preta e a branca, vermelhas no sangue.

Em nome do Filho, Jesus nosso irmão,
que nasceu moreno da raça de Abraão.
Em nome do Espírito Santo,
bandeira do canto do negro folião.

Em nome do Deus verdadeiro
que amou-nos primeiro sem dividição.

Em nome dos Três
que são um Deus só,
Aquele que era, que é, que será.

Em nome do Povo que espera,
na graça da Fé, à voz do Xangô,
o Quilombo-Páscoa que o libertará.

Em nome do Povo sempre deportado
pelas brancas velas no exílio dos mares;

Marginalizado: nos cais, nas favelas e até nos altares.

Em nome do Povo que fez seu Palmares,
que ainda fará Palmares de novo
Palmares, Palmares, Palmares do Povo!!!"

Quantas missas mais teremos de fazer? Quantos quilombos terão ainda de ser construídos?

Desde 1999, oficialmente, a produção teatral paulistana tem se transformado e, do mesmo modo, a tudo ao seu redor. Naquele ano, um conjunto de artistas, docentes, intelectuais, interessados no teatro... reúnem-se para retomar a questão essencial de que o teatro é um experimento estético-histórico e social. Tal consciência quanto à necessidade de reunião decorre da chamada mercantilização desenfreada das artes: a arte estava se transformando em mera mercadoria. De modos mais históricos, tal modificação acontecia de modo mais acelerado pelas imposições de Margareth Tatcher e o presidente-ator Ronald Reagan, que impunham internacionalmente a ideologia neoliberal. Os dois dirigentes mundiais, pela crise do capitalismo, impunham novos caminhos e ampliavam as distâncias entre pobres e ricos, destruindo uma série de conquistas da classe trabalhadora, nomeada em inglês de Welfare State (o bem estar social, que compreendia múltiplas conquistas). A partir desses líderes, em artes, era preciso, como em outros momentos históricos, fazer com que a arte servisse aos novos detentores do poder; então, não era possível investir em obras experimentais, contestatórias, inovadoras...

mate Este Lado Para Cima A Brava crédito Fabio Hirata 4635 Coluna do Mate: Resistências e criações artísticas da periferia, na condição de zona de fronteira

Cena do espetáculo Este Lado para Cima, do grupo teatral Brava Companhia - Foto: Fabio Hirata

Discordantes daquele estado de coisas, parcela da categoria teatral, ao discordar daquelas ordens, promove encontros que serão chamados de Arte Contra a Barbárie. Desses encontros se criou o Programa Municipal de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, no sentido de incentivar a produção teatral do sujeito histórico denominado “teatro de grupo” , ou seja: coletivos organizados de modo coletivo e cooperativo, com obras buscando temas históricos ou épicos, com inserção real em comunidades de que viessem a fazer parte. Transformado em lei, e desde 2002, o projeto tem possibilitado a inúmeros grupos da periferia (agora em sentido mais amplo) a um processo de pesquisa intenso de criação.

Como decorrência desse processo de luta, o teatro inserido em comunidades mais distantes de espaços com grande infraestrutura, tem se transformado, sobretudo por novos modos de produção (cooperativa e colaborativa: interna e externamente) e pelos assuntos que provocam uma expansão e pesquisa do conceito que se poderia denominar aqui de nova forma.

Retomando a questão anterior, o teatro tem feito a lição de casa e instituído verdadeiros territórios teatrais ou quilombos estético-teatrais. Nesses novos espaços (muitas vezes também e carinhosamente chamados de “mocós”), as comunidades locais participam, como artistas, como sujeitos que definem os temas, que participam das tarefas de manutenção, como espectadores críticos... Grupos ditos da periferia usam suas sedes para: encontros teóricos; cursos e oficinas, de diversas naturezas; espetáculos musicais, de dança e performances; saraus; fiestas; mostras ou festivais artísticos etc. Em todas as zonas da cidade, e em perspectiva ampliada, novos grupos de teatro – invariavelmente “filhotes” de grupos fincados em comunidades -, têm surgido e ampliado o panorama artístico-teatral da cidade. Atualmente, tendo em vista a quantidade de grupos e de eventos culturais é impossível a uma única pessoa acompanhar a totalidade de obras em processo de criação e apresentação.

mate dolores  Coluna do Mate: Resistências e criações artísticas da periferia, na condição de zona de fronteira

Praça é tomada pela arte no bairro Arthur Alvim, em SP, pelo Dolores Mecatrônica - Foto: Divulgação

Se até determinado momento da história das artes, a produção desenvolvida e apresentada nas periferias (agora usando o conceito ideológico de suposta superioridade de sujeitos, espaços e bairros) não era conhecida por quase ninguém, à exceção daqueles que participavam das ações, hoje, com o processo de ampliação das redes de intercâmbio, o quadro tem mudado substancialmente.

Tem se caracterizado em prática bastante comum aos grupos fomentados promoverem mostras de teatro para que as comunidades espalhadas pelos 1.522 Km. de extensão da cidade de São Paulo. Não fosse por outra questão, este fato de acessibilidade torna o teatro absolutamente popular: como nunca, aliás, no Brasil, ele o foi.

Perto de 300 grupos hoje, na cidade de São Paulo, inserem-se na categoria teatro de grupo. Desse total (e talvez se tenha mais do que esse número), fiz mentalmente uma conta, mais de 100 encontram-se sediados em espaços distintos das quatro zonas da cidade (excluindo aquela que se refere à dita central). O número não é pequeno. Como característica algo comum, a totalidade desses grupos, tem, sim, cantado sua aldeia. Nesse canto, os bairros e sua gente,  seus costumes, seus sonhos e dificuldades têm tido função protagônica, tomando as características do teatro épico (assuntos históricos e não exclusivamente de indivíduos). Portanto, e do ponto de vista estético-político, a organização dos sujeitos da cena teatral (em todas as suas variáveis), no sentido da criação de novas propostas formais e procedimentos relacionais, entre si e com o público, decorre, em grande parte, dos embates e lutas que começam a ser deflagradas durante a década de 1980 contra a ditadura civil-militar brasileira.

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Núcleo Pavanelli apresenta o espetáculo Aqui Não, Senhor Patrão - Foto: Divulgação

Nesses tempos de democracia e de conquistas, muitos coletivos, espalhados pelo território que compõe a cidade de São Paulo, têm alegrado e conscientizado as gentes com pouco acesso às manifestações culturais. Nesses tempos de periferia, é preciso cantar e entender o conceito de Zona de Fronteira (versos da música composta por Wally Salomão, Antônio Cícero e João Bosco):

"Rei/ Eu sei que sou/ Sempre fui/ Sempre serei/ Oba
De um continente por se descobrir

Já/ Alguns sinais/ Estão aí/ Sempre a brotar/ Do ar
De um território que está por explodir/ Sim
Mas é preciso ser sutil/ Pois justo na terra de ninguém/ Sucumbe um velho paraíso
Sim, bem em cima do barril/ Exato na zona de fronteira/ Eu improviso o Brasil.

Rei/ Sei que sou/ Sempre fui/ Sempre serei/ Oba
De um continente por se descobrir

Já/ Alguns sinais/ Estão aí/ Sempre a brotar/ Do ar
De um território que está por explodir
E/ Minha cabeça voa assim/ Acima de todas as montanhas e abismos/ Que há no país
Mas algo chama a atenção/ Ninguém jamais canta duas vezes uma mesma canção."

*ALEXANDRE MATE é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho") e pesquisador de teatro. Ele escreve sua Coluna do Mate no blog sempre no primeiro domingo de cada mês.

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boca suja Domingou: A boca fala do que o coração está cheio


"Com tanto ódio compartilhado, os corações estão prestes a explodir de tanta coisa ruim estocada" - Foto: Thinkstock

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Lá em Belo Horizonte, minha mãe sempre diz, desde que me entendo por gente: "A boca fala do que o coração está cheio".

A frase de Cristo nunca foi tão apropriada quanto nestes últimos dias, em que vimos, incrédulos, pessoas conhecidas vomitando preconceito nas redes sociais, sem ao menos pensar duas vezes antes de apertar enter.

É um sintoma dos nossos tempos de relações líquidas, como definiu o sociólogo polonês Zigmund Bauman. Como é tudo virtual, a pessoa diz o que quer sem ver, presencialmente, a reação do outro. O outro não importa neste mundo de tanto egoísmo.

No conforto do lar e diante de seu computador, é muito mais fácil ser covarde e criminoso. Se fosse, por exemplo, na mesa do bar, seria preciso encarar o desagravo dos demais, a réplica imediata e, até mesmo, a expulsão da mesa, dependendo da gravidade do impropério proferido.

Mas a internet é essa terra de ninguém. As redes sociais que serviriam para integrar tudo e todos em uma comunicação instantânea viraram uma arena de ideologias deformadas e de informações propagadas sem o mínimo de verificação. E, claro, de ataques.

Pessoas se ofendem sem pensar duas vezes. Destroem num clique relações de anos. É um excesso de demência e covardia.

Uma coisa é certa: falta leitura inteligente ao nosso povo, que compra qualquer "verdade" pré-fabricada com este fim: servir como discurso pronto a ser repetido pelas matracas da vida.

Pensar por conta própria é difícil. Exige tempo, referências, esforço e, sobretudo, inteligência para a análise minuciosa de tudo. Não é tarefa simples.

Com tanto ódio compartilhado, os corações estão prestes a explodir de tanta coisa ruim estocada. Para evitar a morte imediata, resta a estes seres abrir a boca em uma explosão de falta de respeito ao outro, de amor ao próximo.

Vendo tudo isso, penso eu, quieto no meu canto: minha mãe estava coberta de razão quando sempre me advertiu, repetindo com toda confiança a bela frase de Jesus Cristo: "A boca fala do que o coração está cheio".

*MIGUEL ARCANJO PRADO é jornalista e anda com medo de gente. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada aos domingos no blog Atores & Bastidores do R7.

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ANNA CECILIA JUNQUEIRA BAIXA Dois ou Um com Anna Cecilia Junqueira

A atriz Anna Cecilia Junqueira em cena de Cora Coralina - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Anna Cecilia Junqueira tem a missão de dar vida no palco às poesias da goiana Cora Coralina (1889-1985) até 30 de novembro, no espetáculo Cora Coralina - Removendo Pedras e Plantando Flores. A montagem está no Teatro do MuBE (av. Europa, 218), em São Paulo, sábado, 15h, e domingo, 11h, com entrada a R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia-entrada. A direção é de Lavínia Pannunzio com texto de Mauro Hirdes. A atriz aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Aécio ou Dilma?
Acredito no voto secreto. Não panfletário, não manipulador de outros, não preso a ideologias. O voto tem de ser o espelho do seu caminho de vida e das coisas pelas quais você já passou e deseja passar. E isso só interessa a cada um.

Ciência ou religião?
As duas de mãos dadas. A física quântica veio para acabar com este “ou” e promover o encontro das duas para um bem maior, que é a evolução do ser humano.

Medo ou esperança?
Esperança de vencermos nossos medos diariamente. E perseverança na superação de cada um deles que tenhamos.

Musical ou drama?
Adoro musicais, mas confesso que os dramas tocam mais a minha alma.

Israel ou Palestina?
A paz e o respeito às diferenças.

Tudo junto e misturado ou apartheid?
Sempre tudo junto. É através do outro que enxergamos nossas luzes e sombras, não é?!

O Amor, o Sorriso e a Flor ou Que País é Esse?
Legião Urbana desde a adolescência e para sempre.

Eu preciso aprender a ser só ou eu preciso aprender a só ser?
Eu preciso aprender a só ser é uma das tarefas mais difíceis que lidamos atualmente. E está é uma das minhas buscas de vida e, principalmente, no palco. Só sendo você está inteiro para o acaso e aí é que acontece a magia da vida, ao meu ver. Sem máscaras, sem expectativas, sem muletas. Só sendo.

Movimento ou repouso?
Vivo no movimento, na transformação, na renovação, seja de atitudes ou conceitos. Mesmo quando estamos em repouso, acredito que o movimento exista.

Funk Ostentação ou Cinema Transcendental?
Cinema Transcendental.

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agenda cultural3102014 Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 31/10/2014

Miguel Arcanjo Prado dá as melhores dicas para o seu fim de semana - Foto: Divulgação

O colunista e editor de Cultura Miguel Arcanjo Prado conta as melhores dicas para o seu fim de semana na Agenda Cultural da Record News. Tem 8ª Semana Ticket Cultura e Esportes, com mais de 300 atrações de graça em São Paulo. Ainda na capital paulista, tem a 7ª edição do Festival Contemporâneo de Dança em cinco espaços da cidade. O Cine Olido tem mostra com filmes africanos com entrada a R$ 1. Em Recife, tem o aniversário do Grupo Magiluth, que celebra dez anos. Vanessa da Mata faz show em Salvador. Nos cinemas tem a cinebiografia Tim Maia e a animação nacional Até que a Sbórnia nos Separe.

Editado por Aline Rocha Soares e Miguel Arcanjo Prado, com produção de Gabriele Moreno.
Colaboram: André de Jesus, Giva Edilene, Clesio Meneses, Moacir Moreira e José Claudio Manso, da Record News.

 

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fabio joaqui do vale Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Zé Geraldo Jr. e Nani de Oliveira em cena da peça no Galpão do Folias - Foto: Cacá Bernardes

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Cadeião
O Grupo Folias D’Arte, um dos mais respeitados da cena paulistanas, manda avisar que o dramaturgo Samir Yazbek fará debate com o público após a apresentaão de Medeia: 1 Verbo, na sessão deste domingo (2). Mas a peça não é dele. O texto é de outro dramaturgo de destaque na cena paulista, Sérgio Roveri, com direção de Marco Antônio Rodrigues.

Radical
O texto clássico ganhou uma versão bem atual: a ação é ambientada em um presídio feminino para onde Medeia (Nani de Oliveira) é conduzida sob a acusação de ter matado os dois filhos. A peça está no Galpão do Folias, até 30 de novembro: sexta e sábado, 21h, e domingo, 20h, ali na rua Ana Cintra, 213, do lado do metrô Santa Cecília, até 30 de novembro. A entrada custa R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Vai, gente!

Estado de choque
A coluna ficou tão chocada com comentários preconceituosos contra nordestinos proferidos por gente do teatro, por conta das eleições, que prefere nem comentar. É um vergonha, uma tristeza...

Preconceito
Racismo é o tema da peça Preto no Branco, que Zé Henrique de Paula estreia hoje no Sesc Bom Retiro. Vai dar o que falar... Saiba mais.

SESI 18 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Cabelo ao vento, gente jovem reunida: E Eles Eram Eles Mesmos está no Teatro do Sesi - Foto: Divulgação

Reclame
O diretor Francisco Medeiros, o nosso Chiquinho, pede, gentilmente, à coluna que espalhe a seguinte boa-nova na praça: além da peça Tudo o Mais Permanece o Mesmo, ele também dirige E Eles Eram Eles Mesmos? no Centro Cultural Fiesp, na sala Ruth Cardoso.

Revoluções por minuto
A trama tem texto de Vinicius Garcia Pires e mostra um bando de jovens que investiga maneiras e possibilidades de ações para “mudar o mundo” ou, pelo menos, para descobrir o que se pode fazer para construir um lugar melhor para se viver. O que a gente faria sem a juventude, né?

Serviço completo
A peça tem sessões aos sábados às 20h30 e domingos às 18h e às 20h (8, 9, 22 e 23 e novembro e 6 e 7 de dezembro) e de quarta a sexta às 20h30 (12, 13, 14, 26, 27 e 28 de novembro e 10, 11 e 12 de dezembro). Entrada é gratuita, mas é bom retirar ingressos com antecedência. Anotou o serviço direitinho?

Recado de Guaxupé
Ricardo Inhan, dramaturgo querido da coluna, avisa, diretamente de Guaxupé, Minas Gerais: "É para todo mundo ir ver Tão Pesado Quanto o Céu, na Funarte, até 16 de novembro, sábado e domingo, 20h, com entrada a R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia". Como a coluna tem Ricardo em mais alta cota, aparecerá por lá neste fim de semana. O menino sabe das coisas.

o dia em que sam morreu foto juliana hilal1 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Otto Jr contracena com Jopa Moraes: a força do sistema contra a utopia de aparência fraca; contradições presentes em O Dia em que Sam Morreu, agora no Sesc Consolação, em São Paulo - Foto: Juliana Hilal/Clix

Protesto
Depois de fazer sucesso na Europa e no último Festival de Curitiba, a peça O Dia em Que Sam Morreu está dando o que falar no Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, onde fica até 23 de novembro. A montagem dirigida por Paulo de Moraes expõe a corrupção brasileira e os protestos recentes da juventude de uma forma nua e crua. No elenco, na pele de um médico inescrupuloso, está o ótimo ator Otto Jr.

MPB
No mesmo Sesc Consolação, só que no CPT (Centro de Pesquisa Teatral), Antunes Filho e Emerson Danesi voltam com o musical Lamartine Babo, que completa cinco anos em cartaz. Fique por dentro.

casarao ipiranga Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Fachada do Casarão do Sesc Ipiranga, que se despede nesta sexta (31): cinco meses de arte para todos - Foto: Divulgação

Adeus, casarão!
O Casarão do Ipiranga, anexo do Sesc Ipiranga, em São Paulo, que foi celeiro de arte nos últimos cinco meses, encerra suas atividades nesta sexta (31). A partir das 19h30, quatro atividades ocupam o espaço para a despedida. Tudo começa com a Discotheque, com o coreógrafo Luís Ferron, no clima dos anos 1980, com entrada gratuita. Também haverá o espetáculo Nervura, com Gícia Amorin, às 21h (a única atividade paga, R$ 2,40 a R$ 12). Outra performance de dança, Sumo, com Julia Rocha, também começa às 21h. Por fim, haverá a intervenção literária Portas Abertas, a partir das 21h30, com grupos teatrais que participaram de atividades no casarão, como a Cia. Livre e o Teatro da Vertigem. A previsão é que a festa dure até o começo da madrugada. Coisa boa.

Dupla sagrada
Acontece no fim de novembro o Fentepp, o Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente, com realização do Sesc São Paulo em parceria com a Prefeitura do município paulista. Antunes Filho vai abrir com Nossa Cidade. Já Zé Celso fecha a programação com Walmor y Cacilda 64: Robogolpe. Uau.

Anhembi
Já estão chovendo inscrições de gente interessada em desfilar na ala do Teat(r)o Oficina na Nenê de Vila Matilde, no Carnaval de São Paulo 2014, com enredo em homenagem a Moçambique. A direção da ala é de Elisete Jeremias e Otto Barros. Quer sair na folia também? Saiba tudo.

morente forte2 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Selma Morente, Daniela Bustos, Beth Gallo e Célia Forte: 29 anos da Morente Forte - Foto: Alceni "Chininha" Braz

Viva a Morente Forte!
Só Célia Regina Forte e Selma Morente para reunir tanta gente das mais variadas matizes de nosso teatro em uma noite de karaokê. O motivo da festança, realizada na noite desta quinta (30), na sala Hebe Camargo do Coconut, em Saõ Paulo, foram os 29 anos da Morente Forte Comunicações, empresa das duas mulheres mais amadas do teatro brasileiro.

Momento rock
Depois de muita bagaceira no karaokê, Daniela Bustos, da equipe da Morente Forte, resolveu brindar a todos com um momento de rock. E cantou Renato Russo, pala a alegria de alguns convivas.

Momento reggae
Já Beth Gallo, também integrante da Morente Forte, preferiu O Erê, da banda Cidade Negra. Ela até teve companhia na cantoria de um jornalista que a coluna não revela o nome nem sob tortura.

Festa do interior
Robson Catalunha e Gustavo Ferreira, atores dos Satyros, resolveram pegar uma mesa. Mas logo resolveram se levantar e causar um pouco. Fizeram muito bem.

Cerol na mão
Henrique Mello e Julia Bobrow, também do grupo Os Satyros, estavam animadíssimos na festa. Mostraram desenvoltura no funk, cantando Cerol na Mão, aquela do “Quer dançar? Quer dançar? O Tigrão vai te ensinar!”. Foi praticamente um escândalo.

Divulgação no busão
Com tanta tecnologia, como todo mundo fotografando tudo e todos, Selma Morente lembrou: “Quando começamos, em 1985, nem existia motoboy ou fax. Era telex, correio, carro e ônibus, que nosso querido office-boy Marcelo dos Santos, que percorria dezenas de quilômetros com o material de divulgação, para cima e para baixo, com releases e fotos 10 x15 ou 13 x18 e os cromos”. Quem tem história para contar é outra coisa...

Parceiras
As jornalistas Cláudia Rolim e Erika Riedel, costumeiras colaboradoras da Morente Forte, também estavam na festa, celebrando ao lado das amigas.

#Rumoaos30
Assim que viu a coluna na festa, Célia Forte, com seu jeito despachado e querido de sempre, foi logo avisando: “Se prepare que ano que vem são os 30 anos. Você vai ver o que vamos aprontar!”. A gente imagina. E espera ansioso.

talita lima Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Talita Lima ficou com vaga de Andressa Urach em comédia de James Akel - Foto: Divulgação

Pediu pra sair
Andressa pediu para sair da peça República das Calcinhas, escrita e dirigida por James Akel, que também integra o elenco da obra. A ex-Miss Bumbum disse ao diretor que recebeu um convite para participar de um filme. Foi substituída por Talita Lima, que encerrou a temporada no Teatro Maria Della Costa no último sábado (25). James revelou à coluna que o espetáculo voltará nas férias de janeiro. Só ainda não se decidiu se a temporada será no Teatro no Maria Della Costa ou no Teatro Ruth Escobar. “A Andressa foi uma grata surpresa, mas posso te dizer que a Talita deu um show. Mas preciso enfatizar que gostei das duas”, afirmou, politicamente correto.

Phedra no Jô
Phedra D. Córdoba não se cabe até agora de alegria com sua entrevista a Jô Soares, no Programa do Jô exibido na última sexta (24). Foi o assunto da semana na praça Roosevelt.

Nervosismo
Ruy Cortez está apreensivo com a estreia, neste fim de semana, de seu projeto Karamázov, que adapta para os palcos brasileiros pela primeira vez o clássico de Dostoiévski.

FOTO 041 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

O Lugar de Onde se Vê está em cartaz no Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK, em SP - Foto: Divulgação

Alô, criançada!
É bom levar as crianças desde cedo ao teatro. Para criar o hábito, né? Pois uma dica imperdível é a peça O Lugar de Onde se Vê, que reestreia neste sábado (1º) às 15h, no Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK, em São Paulo. A montagem da Cia. Ouro Velho com direção de Paulo Marcos conta a história da menina Eva. Ela descobre um antigo teatro, onde vivem as musas da Tragédia, da Comédia e do Drama. O trio resolve ajudá-la a reencontrar sua alegria perdida. Uma graça.

Remelexo
Está rolando a sétima edição do Festival Contemporâneo de Dança, em São Paulo. Não perca.

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Luiz Serra (ao centro): ator celebra 50 anos de carreira revelando como foi prisão na ditadura - Foto: Divulgação

Tempos de chumbo
A peça História dos Porões celebra os 50 anos de carreira do ator Luiz Serra contando um período importante de sua carreira. A obra fica em cartaz no Top Teatro (r. Rui Barbosa, 201, Bela Vista), em São Paulo, até 23 de novembro. Toda sexta e sábado, 21h, e domingo, 19h, com entrada a R$ 20. Só cabem 50 pessoas por sessão, já que a obra é bem intimista. A montagem revela sua prisão pelo regime militar, quando encenava a emblemática montagem O Balcão, dirigida pelo argentino Victor García, no Teatro Ruth Escobar. É imperdível.

Peça polêmica
A dramaturga e atriz Michelle Ferreira estreia na próxima quinta (6), às 20h30, com sua A Má Companhia Provoca a peça Reality (Final) no Sesc Pinheiros. Michelle também está no elenco, que conta ainda com Flávia Strongolli, Maura Hayas e Solange Akierman, além dos atores convidados André Corrêa e Paula Brandão. Ramiro Silveira assina a direção da montagem, que mostra um reality show com doentes terminais. Pura polêmica.

Há vagas
O festival Satyrianas, que acontece no feriadão da Consciência Negra, neste mês de novembro, busca pessoas interessadas em fazer parte da equipe do evento. Currículos devem ser enviados para o e-mail: apoiosatyrianas2014@gmail.com. É preciso mandar breve currículo, foto e carta dizendo por que deseja trabalhar nas Satyrianas. Recado dado.

FOTO CARLOS QUEIROZ TELLES1 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Carlos Queiroz Telles, ícone da dramaturgia, ganha mostra no Aliança Francesa - Foto: Divulgação

Memória viva
Todo mundo reclama que o Brasil não tem memória. Assim, qualquer ação para lembrar nosso passado artístico deve ser comemorada. Estreia nesta sexta (31), junto do espetáculo Muro de Arrimo, a Exposição Multimídia Memorial Carlos Queiroz Telles, no hall do Teatro Aliança Francesa, na República, em São Paulo. Gente graúda como Antonio Fagundes, Alexandre Borges e Etty Fraser contam por meio de depoimentos, entrevistas e debates um pouco sobre a vida e obra desse grande autor da nossa dramaturgia teatral. Viva!

Festança
O Grupo Magiluth faz festa neste sábado (1º) em Recife para celebrar seus dez anos de teatro. Saiba mais.

Rei do Baião
O Ballet Stagium faz homenagem a Luiz Gonzaga no espetáculo Mané Gostoso. Com direção de Décio Otero e Márika Gidali, a obra estará de 31 de outubro a 9 de novembro no Teatro J. Safra, em São Paulo.

Conte sur moi Plateau271 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Conto sobre Mim volta para nova temporada no Teatro Aliança Francesa - Foto: Divulgação

Brasil-Canadá
Após duas apresentações com casa cheia da peça Conto sobre Mim, dentro das comemorações dos 50 anos do Teatro Aliança Francesa, o espetáculo da Cia. Da Travessia, com direção da premiada diretora canadense Julie Vincent, está de volta. Eles vão fazer um mês de temporada no Teatro da Aliança Francesa, todas às quintas, às 20h30, a partir de 6 de novembro. Vai, gente.

Eu voltei...
A atriz Milena Filó volta com a peça Teatro de Bonecas, na qual atua sob direção de Adriano Cypriano. A reestreia é neste sábado (1º), no Teatro Pequeno Ato, na República. A obra coloca a identidade em xeque. Tem sessão sábado, 21h, e domingo, 19h, até 30 de novembro. No elenco está também Jackeline Stefanski.

Fugitiva
Começa neste sábado (1º) a temporada da Cia. Pia Fraus de Kachtanka, de Tchekhov, com adaptação de Beto Andreetta  e direção de Wanderley Piras. Será no Teatro J. Safra, em São Paulo. Até 9 de novembro, sábado e domingo, 16h. Ah, Kachtanka é uma cachorrinha que se perde de seus donos durante o Carnaval e vive incríveis aventuras. Não faltarão bonecos, atores e números circenses. Uma fofura só.

get out Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

O ator Assis Benevenuto no seu monólogo Get Out, que fala do medo de avião: peça abre ocupação do grupo Quatroloscinco, de Minas Gerais, no Sesc Belenzinho, com peças e oficinas também - Foto: Divulgação

Ê trem bão, sô!
Os mineiros do grupo Quatroloscinco fazem ocupação no Sesc Belenzinho neste mês de novembro. Vão apresentar quatro peças por lá: Get Out!, É Só Uma Formalidade, Humor e Outro Lado. Avisam que querem todos os paulistanos na plateia. Os coleguinhas da classe artística também poderão fazer duas oficinas com os belo-horizontinos: O Ator e a Criação Coletiva e Laboratório de Dramaturgia. Não durma no ponto!

Condecoração
A atriz Suellen Ogando ganhará Moção de Parabenização no dia 30 de novembro, às 18h, na Casa Legislativa de Lagoa Santa. A espevitada artista não para quieta e promove como ninguém o teatro musical em Minas Gerais. A moça marcou a trajetória do programa Máquina da Fama, do SBT, onde alcançou a nota mais alta já dada pelo júri. Danada.

suelle ogando Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Suellen Ogando: homenagem na Câmara de Vereadores de Lagoa Santa - Foto: Divulgação

 

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2 Preto no branco Bruna Thedy e Sidney Santiago Foto Ronaldo Gutierrez Racismo e preconceito são foco de Preto no Branco

Bruna Thedy e Sidney Santiago Kuanza em cena da peça Preto no Branco - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O diretor Zé Henrique de Paula parece sempre antenado com a sociedade. Tanto que estreia nesta sexta (31), no Teatro do Sesc Bom Retiro, em São Paulo, a peça Preto no Branco.

O espetáculo aborda espinhentos temas, como racismo, preconceito, consumismo e alienação. Ou seja, infelizmente tudo a ver com o Brasil de hoje, que viu vergonhosas — e criminosas — manifestações nesta semana de puro preconceito nas redes sociais.

Antes pudéssemos dizer que a temática da peça é algo ultrapassado. Quem dera...

3 Preto no branco Clara Carvalho e Marco Antônio Pâmio Foto Ronaldo Gutierrez Racismo e preconceito são foco de Preto no Branco

Clara Carvalho e Marco Antônio Pâmio em Preto no Branco - Foto: Ronaldo Gutierrez

O texto é do jovem autor londrino Nick Gill. Aliás, de teatro inglês Zé Henrique de Paula entende, já que fez na Inglaterra seu mestrado, quando foi correspondente internacional para este blog com a coluna Zé in London, um grande sucesso no R7.

Para a montagem com seu Núcleo Experimental, o diretor convocou atores potentes, muitos dos quais já fazem parte de sua turma: Marco Antônio Pâmio, Clara Carvalho, Thiago Carreira, Bruna Thedy e Sidney Santiago.

O enredo mostra a reação de uma família britânica branca com o novo namorado da filha, um jovem negro de religião muçulmana. Zé diz que o que o chamou a atenção no texto foi a "maneira como ele explora o tema do racismo, com muito humor e ironia".

— A peça nos coloca frente a frente com nossos preconceitos e, especialmente, com uma estrutura social de classes em que há opressão do capital, colonialismo e segregação, elementos que, apesar de a peça ser inglesa, são infelizmente universais e ecoam as manchetes dos jornais no Brasil de hoje.

Como é de seu feitio, Zé assina também figurinos e cenário. Já a trilha ficou a cargo de sua velha e talentosa parceira Fernanda Maia. Fran Barros, outro talento, assume a luz.

Sempre um alento na cena paulistana, o Núcleo Experimental já produziu 11 peças que lhe renderam 14 indicações a prêmios e público de quase 100 mil pessoas. O grupo congrega 55 atores e 14 técnicos. Gente da melhor qualidade.

Preto no Branco
Quando: Sexta, 20h, sábado, 19h. 90 min. Até 30/11/2014
Onde: Sesc Bom Retiro (al. Nothmann, 185, Campos Elíseos, São Paulo, tel. 0/xx/11 3332-3600)
Quanto: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia) e R$ 9 (comerciários e dependentes)
Classificação etária: 14 anos

O Brasil ainda é um país racista e preconceituoso?

  • Sim, infelizmente. É uma vergonha e temos de lutar para acabar com isso.
  • Não, nunca soube de nenhum preconceito por aqui.

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