agenda 15 8 2014 lidiane shayuri miguel arcanjo prado record news Veja as dicas da Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 15/08/2014

A apresentadora do Hora News Lidiane Shayuri recebe o colunista Miguel Arcanjo Prado na Agenda Cultural: dicas de diversão e cultura em todo o Brasil - Foto: Divulgação

Quer ser divertir com muita cultura? Veja as dicas do colunista Miguel Arcanjo Prado no telejornal Hora News, na Record News, na Agenda Cultural desta sexta-feira (15). Tem Axé Brasil em Belo Horizonte, exposição sobre Frida Kahlo no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, show de Michel Teló em Florianópolis, o museu Memorial JK em Brasília, Ana Carolina em Sorocaba, e ainda atrações em São Paulo: a dança do Grupo Corpo no Teatro Alfa e o TeatroSOLO em cinco espaços da cidade, do diretor argentino Matías Umpierrez. Nas telonas, tem duas opções de cinema brasileiro: Estação Liberdade, de Caíto Ortiz, e Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, de Gustavo Galvão, com Vinícius Ferreira. Com edição de Aline Rocha Soares e Cinthia Lima e Veja o vídeo!

 

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Cena da peça argentina Rey Lear, que integra o Mirada 2014: 40 peças de 12 países - Foto: Nora Lezano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

Uma peça polêmica lançou a terceira edição do Mirada – Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos, na noite desta quinta (14), no Sesc Santos.

mirada puzle Com 40 peças de 12 países, Mirada é lançado com peça polêmica; venda de ingressos abre nesta sexta

Cena de Puzzle - Parte D, que lançou o Mirada em sessão polêmica no Sesc Santos - Foto: Divulgação

Puzzle – Parte D, com a Cia. Ultralíricos, dirigida por Felipe Hirsch, cutucou o ufanismo brasileiro e ainda ironizou aspectos da cultura latino-americana e da língua portuguesa – apesar de o texto da obra incorrer em erro linguístico, conjugando no plural o verbo haver utilizado no sentido de existir.

A polêmica foi grande durante o coquetel após a peça, com pessoas discutindo seu conteúdo. A obra foi falada em português, castelhano e portunhol. O elenco ofereceu a encenação ao ator Guilherme Weber, que não conseguiu se apresentar porque perdeu a mãe no mesmo dia.

Os 785 lugares do Teatro do Sesc Santos foram lotados por autoridades, classe artística da Baixada Santista e personalidades.

Com um nariz de palhaço, a atriz Raquel Rollo, da Trupe Olho da Rua, apresentou a festa e pediu um minuto de silêncio em respeito às vítimas do acidente aéreo de um dia antes em Santos, no qual morreu o candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos.

Ingressos à venda

O Mirada começa no próximo dia 4 de setembro e vai até o dia 13 do mesmo mês com 25 produções internacionais e 15 nacionais, totalizando 40 espetáculos. As vendas de ingressos ocorrem desde as 14h desta sexta (15) no site do Sesc São Paulo e nas bilheterias das unidades.

miradaLA REUNIÓN fotógrafo JORGE BECKER Com 40 peças de 12 países, Mirada é lançado com peça polêmica; venda de ingressos abre nesta sexta

Peça chilena La Reunión: Chile é homenageado neste Mirada com sete peças - Foto: Jorge Becker

Como nas outras edições, haverá ônibus gratuito diário ligando São Paulo e Santos para o público da capital paulista que comprar entradas.

“A receptividade do povo de Santos ao Mirada indica que estamos no caminho certo”, diz Luiz Galina, superintendente administrativo do Sesc São Paulo, que representou o diretor regional Danilo Santos de Miranda.

Sete peças do Chile

O Chile é o país homenageado em 2014. Tem sete peças na programação. “Brasil e Chile têm longa tradição de cooperação artística”, afirma Lorena Sepúlveda, produtora do festival Santiago a Mil.

Sergio Luís Oliveira, que integra a equipe de gerência de ação cultural do Sesc São Paulo, diz ao R7 que o principal objetivo neste ano é ocupar a cidade. “O Mirada é um lugar de troca artística, de interação entre pessoas por meio do teatro”, afirma.

Assim como nas duas edições anteriores, o evento bianual quer fazer parte da geografia de Santos. “A cidade tem arquitetura muito modernista. Isso está presente na identidade visual do Mirada”, diz Hélcio Magalhães, gerente de artes gráficas do Sesc São Paulo. “Queremos chamar a atenção da população”, completa.

Marcos Carvalho, gerente de publicidade e propaganda do Sesc São Paulo revela ao R7 que a acolhida é sentida na compra dos ingressos: “Na última edição, vendemos 20% das entradas no primeiro dia e 80% das compras eram feitas em Santos. Isso sinalizou que a população estava envolvida com o Mirada”.

mirada cubos Com 40 peças de 12 países, Mirada é lançado com peça polêmica; venda de ingressos abre nesta sexta

Cubo do Mirada foi desconstruído em 2014: nova identidade visual pelas ruas de Santos - Foto: Divulgação

Mirada no celular, na foto e na Baixada

O tradicional cubo que representava o Mirada foi desconstruído nesta edição. Com três pontas tridimensionais, o totem será espalhado pelos principais pontos de Santos. Nestas estruturas, será possível que o morador baixe a programação no celular.

Luiz Ernesto Figueiredo, o Neto, gerente do Sesc Santos, afirma que o objetivo é ficar mais próximo do povo. “O Mirada começou com um olhar para fora, agora estamos trazendo este olhar para dentro. Queremos que Santos seja retratada nele”. E adianta que, durante os dez dias do evento, 20 coletivos fotográficos vão registrar o Mirada. “Seremos transformados pelo olhar do outro”, espera.

E o teatro do Mirada vai extrapolar as fronteiras de Santos. “Desta vez ele vai a mais seis cidades da Baixada Santista”, conta Isabel Ortega, que integra a curadoria do Mirada, inspirado no Festival de Cádiz, na Espanha. Bertioga, Cubatão, Guarujá, Praia Grande, São Vicente e Peruíbe também receberão peças.  “O festival cresceu demais nesta terceira edição, mas tenho sensação de segurança, porque a base dele é muito boa”, declara a curadora.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

Conheça a programação completa do Mirada 2014

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coluna crazy rodrigo negrini lank hawkins Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Volta a SP: O ator Rodrigo Negrini, no camarim do musical Crazy for You - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Diga, espelho meu
Olha aí o ator Rodrigo Negrini se preparando para a volta do musical Crazy for You a São Paulo. Na superprodução de Claudia Raia, ele vive o caipira Lank Hawkins. Reestreia dia 28 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em temporada popular. Os ingressos vão de R$ 50 a R$ 60 em preço de inteira e já estão à venda. A temporada vem com novidades, como a atriz Marilice Cosenza em novos papeis.

Incorporou
A língua do povo diz que o ator Emílio Dantas, protagonista do musical Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz, está mesmo igualzinho a Cazuza. Inclusive nos bastidores.

Guerreira
Falando no musical, Lucinha Araújo, a mãe de Cazuza, tinha dito ao diretor João Fonseca que veria o espetáculo todos os dias. Depois, diante do baque de ver no palco a história do filho recontada, inclusive o período de tanto sofrimento, preferiu ser mais sensata. "Acho que vou ver só uma vez por semana", mandou avisar. Faz bem.

Mirada 2014
O Mirada terá totens com sua logomarca espalhados por Santos, nos quais o público poderá baixar com o celular a programação do festival que acontece entre 4 e 13 de setembro na Baixada Santista. São 45 espetáculos, dos quais 25 internacionais. O lançamento da programação foi nesta quinta (14), no Sesc Santos. A coluna esteve por lá. Felipe Hirsch causou sensação com seu Puzzle - Parte D. Saiba mais.

Minuto de silêncio
Raquel Rollo, da Trupe Olho da Rua, de Santos, pediu a todos um minuto de silêncio pela morte do político Eduardo Campos, candidato à Presidência pelo PSB, e das outras vítimas no desastre aéreo em Santos, na quarta (13). Também houve comoção no elenco da peça Puzzle, porque Guilherme Weber perdeu a mãe no dia do lançamento do Mirada e não pode se apresentar.

Nervosismo
Diante de situação tão tensa, o diretor Felipe Hirsch não parava de caminhar para lá e para cá nos corredores do Teatro do Sesc Santos, enquanto a peça não começava. É mais do que compreensível.

Para todos
O Sesc Itaquera, em São Paulo, vai sediar entre 16 de agosto e 27 de setembro a 13ª Copa da Inclusão. O encontro reúne cultura, esporte e saúde mental. Cerca de 70 centros de serviço participam do encontro que deve reunir 2.400 participantes. "Queremos combater o isolamento das pessoas com deficiência e ver protagonismo, autonomia e emancipação dessas pessoas em relação à doença", diz Ed Osuka, da ONG Sã Consciência, que promove o projeto. Coisa boa.

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Tem teatro no evento Festas Brasileiras: Caixa Parangolé será encenada no Sesc Itaquera - Foto: Divulgação

Macunaíma
Os Brasis de Macunaíma é o nome da Festa Brasileira que acontece entre 16 e 31 de agosto, sempre a partir das 15h, aos sábados e domingos, também no Sesc Itaquera. Em foco, o multiculturalismo do Brasil antropofágico. Vai lá.

Teatro no parque
O diretor paulistano Pedro Granato estreia sua versão de Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare. É neste sábado, 15h, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Vai ter temporada sempre sábado e domingo, 15h, até 14 de setembro. Com entrada gratuita, a peça é encenada ao lado do campo de futebol. Não vá se perder...

coluna muro de arrimo Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Fioravante Almeida vive o pedreiro Lucas em Muro de Arrimo no Teatro Brigadeiro, em SP - Foto: Divulgação

Operário em construção
Estreia nesta sexta (15), no Teatro Brigadeiro, em São Paulo, a peça Muro de Arrimo. O texto de Carlos Queiroz Telles faz parte da história de nosso teatro. Desta vez o pedreiro Lucas será vivido por Fioravante Almeida. A peça marca a estreia de Alexandre Borges como diretor teatral em São Paulo. Fica por lá até 26 de outubro. Depois da temporada no Brigadeiro, a peça vai para o Teatro Aliança Francesa. Vale a pena conferir.

Encontro marcado
Na próxima terça (19), acontecerá às 20h, um debate sobre teatro com a diretora francesa Anne Kessler e o crítico e diretor brasileiro Sérgio Salvia Coelho. Será no Teatro Aliança Francesa, na rua General Jardim, 182, na República. A entrada é gratuita. Vai, gente!

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Matías Umpierrez: depois de Nova York, ele conquista SP - Foto: Divulgação

Na boca do povo
Está dando o que falar o TeatroSOLO, do diretor argentino Matias Umpierrez, em cartaz em São Paulo, a convite de Celso Curi da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Cada sessão é vista apenas por uma pessoa. Saiba mais.

Plínio com tudo
Já que Plínio Marcos voltou à moda nos teatros paulistanos, reestreia nesta sexta (15), às 21h, no Teatro Nair Bello, no shopping Frei Caneca, a peça Abajur Lilás. A direção é de André Garolli. A nova temporada vai até 14 de setembro. No elenco, está a mulher do diretor e também atriz Fernanda Viacava. Amor no palco e nos bastidores.

Novo palco
A turma da peça Sit Down Drama pede para a coluna avisar que não precisa ninguém se desesperar porque a temporada no Teatro Anchieta do Sesc Consolação terminou no último domingo (10). Já está acertada a ida para o Teatro Gazeta, na av. Paulista, 900, onde estreia dia 22 de agosto. Fica até 14 de setembro. O ator Danilo Grangheia rouba a cena, como sempre.

Aplauso
Na última sessão no Teatro Anchieta, vários atores estavam na plateia. Entre eles, Maria Casadevall. Aplaudiu calorosamente no fim.

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José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso: 53 anos de Oficina na rua Jaceguai, 520 - Foto: Bob Sousa

É pique, é pique!
Zé Celso manda avisar que o Teat(r)o Oficina faz 53 anos de instalação no mesmo endereço neste sábado (16). A festança será com a peça Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada no emblemático espaço da rua Jaceguai, 520, no Bixiga. O ingresso custa R$ 30 a inteira e dá para levar aquele amigo gringo, já que peça tem legendas em inglês.

Comes e bebes
Os meninos do Oficina reforçam que depois da peça quem quiser pode dar pinta no Nick Bar, que fica no famigerado terreno de Silvio Santos nos fundos do teatro. As gostosuras são feitas pelo restaurante Le Cassarole, aquele famoso do largo do Arouche que até música do Criolo virou.

Festas múltiplas
São três datas emblemáticas na história do Oficina: além de 16 de agosto de 1961, quando o Teat(r)o Oficina foi inaugurado, comemora-se também 3 de outubro de 1993, quando foi inaugurado o atual edifício projetado por Lina Bo Bardi e Edson Elito, chamado de Terreiro Eletrônyko, e 28 de outubro de 1958, quando foi encenada a primeira peça do grupo de Zé Celso.

Sanduíche íche
Em 1961, quando foi inaugurado no mesmo 520 da rua Jaceguai, o Oficina tinha um palco entre duas arquibancadas, uma de frente para a outra. Na época, ganhou o apelido de teatro-sanduíche.

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Foto histórica do ensaio de A Vida Impressa em Dólar, do Oficina, em 1961 - Foto: Arquivo Oficina

Perda do cabaço
A peça que inaugurou o Teat(r)o Oficina em 1961 foi A Vida Impressa em Dólar, de Clifford Odets, com direção de Zé Celso, é claro.

Confusão
Um dia após a estreia a censura proibiu o espetáculo e mandou lacrar o teatro. A peça só voltou ao cartaz depois que o presidente Jânio Quadros renunciou.

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Vista lateral do Teat(r)o Oficina, um dos principais grupos do teatro brasileiro - Foto: Felipe Stucchi

Mineira na EAD
Grace Passô, diretora do Grupo Espanca! de Belo Horizonte, foi convidada para trabalhar com a turma 63 da Escola de Arte Dramática da USP, a EAD. Fez direção e dramaturgia da peça Carne Moída. Fica em cartaz por lá no Campus Butantã até 24 de agosto. Grace está podendo.

Um charme
O Teatro do Sol, do Grupo Gattu, é sofisticado e charmoso. Um verdadeiro oásis intelectual na zona norte paulistana. As poltronas vermelhas nas quais se senta o público são confortabilíssimas. Saiba mais sobre a peça Reino, que está em cartaz por lá.

Gente do povo
Márcio Araújo, que dirigiu o musical Nara, está de volta ao batente com uma nova temporada paulistana de Um Mestre Brasileiro. A montagem, que celebra o maranhense Mestre Raimundo Irineu Serra, ficará em cartaz entre 29 de agosto e 28 de setembro no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana, na zona norte de São Paulo. Popular, o espetáculo é uma espécie de homenagem ao teatro de rua e aos heróis anônimos deste Brasil. Uma belezura!

coluna mestre Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Peça Um Mestre Brasileiro será encenada no Teatro Alfredo Mesquita em São Paulo - Foto: Divulgação

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frederico reder bob sousa31 Entrevista de Quinta: “Theatro NET não tem preconceito”, diz Frederico Reder

Frederico Reder: aos 30 anos, ele tem um teatro no Rio e outro em São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

O produtor Frederico Reder passou o último mês em uma correria desatada. Dono do Theatro NET São Paulo, que completa um mês de vida no próximo dia 18 de agosto no Shopping Vila Olímpia, ele se revezou entre administração, atendimento ao público, vendas na bilheteria, contato com os artistas e com a imprensa e o que mais aparecesse na sua frente.

Obsessivo, acompanha de perto o trabalho das cerca de 90 pessoas que fazem do Theatro NET Rio, há dois anos, e do Theatro NET São Paulo, há quase um mês, uma receita de sucesso. Com programação eclética, ele afirma que seu palco "não tem preconceito".

Nesta Entrevista de Quinta ao R7, concedida na plateia de sua sala paulistana, Reder falou de sua paixão pelos palcos e do tanto que aprendeu em São Paulo, quando mudou-se para a metrópole aos 19 anos a convite de Cíntia Abravanel, que fez história à frente do Teatro Imprensa até este ser fechado por seu pai, Silvio Santos, em 2011.

O executivo do teatro, que tem apenas 30 anos, ainda afirmou que quer diálogo com a classe artística paulistana e declarou que suas portas estão abertas a novas ideias.

Leia com toda calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Você é o carioca que veio para conquistar as terras paulistanas?
Frederico Reder – Não. Eu quero conquistar o Brasil e o mundo, São Paulo ainda é pequeno [risos]. Estou brincando. Conquistei São Paulo dentro de mim quando vim morar aqui com 19 anos. Eu nasci no Rio e a Cíntia Abravanel me convidou para vir para cá em 2002 e em 2003 eu vim. Agora, volto com um teatro que é uma receita de sucesso no Rio. Conquistar São Paulo é uma delícia, é minha segunda casa. Desde 2003 tenho casa aqui e quero ficar.

frederico reder bob sousa11 Entrevista de Quinta: “Theatro NET não tem preconceito”, diz Frederico Reder

Frederico Reder: antes de abrir dois teatros, ele teve preciosas lições com Cíntia Abravanel - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Então você é cria da Cintia Abravanel e daquela turma dela do Teatro Imprensa?
Frederico Reder – Eu tinha uma produção de um espetáculo, que era o Cantarolando. Era um infantil onde eu já era louco, produzia, dirigia, fazia cenário, figurino, maquiagem. A Cíntia achou lindo e maravilhoso. Que bom que ela gostou. Porque aí minha vida mudou e eu vim morar aqui. Depois do Imprensa fizemos várias temporadas em São Paulo. Fui muito feliz, minha filha nasceu, muita coisa mudou.

Miguel Arcanjo Prado — Como surgiu a ideia do Theatro NET no Rio e como ele chegou em São Paulo?
Frederico Reder –
Primeiro, uma coisa que sempre digo é que nunca sonhei em ter um teatro. Eu sempre sonhei em ter um circo. E eu tive meu circo. Mas depois de um tempo surgiu a oportunidade de revitalizar o Theatro Tereza Rachel no Rio. Ainda em São Paulo, um amigo produtor me propôs revitalizar um teatro. Mas, tinha 20 anos e achei aquilo muito longe da minha realidade. No fim de 2009 e começo de 2010, chegou o momento e comecei uma negociação com a Tereza Rachel que durou dois anos. Em 4 de abril de 2012 inauguramos e inventamos esse palco para todas as artes, com plateia para todos os públicos. Sempre tentando acertar e colocando em prática tudo que nós pudemos conviver em outras praças e casas e ser o melhor para o artista e o público.

Miguel Arcanjo Prado — Como veio o nome NET?
Frederico Reder –
A NET já era minha patrocinadora no projeto Circuito Cultural. Então, resolvi convidar a NET para ser mantenedora. Será que você não me ajuda a pagar essa conta e fazer tudo bem feito? Ela topou e foi uma delícia. Estamos aqui, dois anos e meio de sucesso no Rio, e quase um mês de sucesso em São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — Sei que foi uma correria a véspera da inauguração do teatro, vocês tiveram de cancelar uma apresentação para convidados do show do Gil. Foi um parto difícil?
Frederico Reder –
Foram alguns meses de parto, estou me recuperando ainda, o pós-parto é doloroso. Principalmente um teatro de 2.000 metros quadrados, 800 lugares e um teatro que inaugura com Gilberto Gil. Imagina o tamanho desta minha barriga. Mas pari e estou feliz. A criança é linda, as pessoas estão gostando, está no berçário, já saiu da incubadora e agora é rumo ao sucesso.

Miguel Arcanjo Prado — Todo mundo que chega aqui no Theatro NET São Paulo percebe que o clima de teatro não rola só no palco. Tem toda uma ambientação que faz você se sentir em um cenário o tempo todo. Como foi essa ideia?
Frederico Reder –
Sempre acreditei que a noite precisa ser um espetáculo. A saída com o cônjuge, o primo, o filho, a avó, a tia ou mesmo sozinho, você quer que o programas seja completo. Para isso o espetáculo e o atendimento tem de ser incrível. Acredito muito neste "sistema Disney de operação". Se a gente puder sempre se dedicar para a pessoa se surpreender do banheiro ao foyer a forma como o público vai ser recebido no teatro, que ótimo. É nosso foco. Quero melhorar a cada dia!

Miguel Arcanjo Prado — Por que o Gil para abrir?
Frederico Reder –
No Rio eu tive a alegria de Bibi Ferreira inaugurar meu palco. O Gil tinha feito a comemoração dos dois anos do Theatro NET Rio e resolvemos abrir aqui com ele, com pé direito. Gil é um dos maiores artistas deste País. É nosso ex-ministro e um grande articulador da cultura. Bibi e Gil são os primeiros da minha lista sempre.

Leia também: Guerra põe amor à prova em O Grande Circo Místico

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Dono de teatro no Rio e em São Paulo, Frederico Reder comanda equipe de 90 pessoas - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Como você faz a programação?
Frederico Reder – Eu não faço nada e ao mesmo tempo faço tudo. Coordeno uma equipe grande, com cerca de 30 pessoas. É a mesma que faz Theatro NET Rio e Theatro NET São Paulo. E cada teatro tem mais 30 pessoas para operar, então são quase cem pessoas. Na realidade, quero que o espaço seja democrático. Eu quero tudo. Abrimos com Gil, agora estreia O Grande Circo Místico, um dos maiores musicais, com músicas do Edu Lobo e do Chico Buarque.

Miguel Arcanjo Prado — O Theatro NET é um teatro sem preconceito?
Frederico Reder – Totalmente. O Theatro NET não tem preconceito. Acho que preconceito não mora aqui e não tem vez no nosso palco. A cortina não abre para o preconceito por aqui. Ele não existe nem na coxia.

Miguel Arcanjo Prado — A gente sabe que o teatro paulistano tem sua turma, suas especificidades, sua tradição. Você abre o teatro nesta cidade onde ele é muito importante. O que você tem a dizer para a classe teatral paulistana?
Frederico Reder – Primeiro, quero dizer que a  cortina vermelha é a minha praia mais do que a areia. Então, mesmo sendo carioca, mesmo morando no Rio, o teatro é mais  minha praia do que o mar. E eu sou muito mais “paulistano” da forma de fazer do que carioca. Sou carioca com muito orgulho, na verdade eu sou fluminense, porque nasci em São Gonçalo. Mas aprendi muito com São Paulo, nesta coisa do atendimento, do serviço de excelência. Os grupos paulistanos são muito bem-vindos. Quero que me procurem, porque eu já estou atrás deles. Convido todo mundo da classe teatral a vir aqui. Mas deixo uma dica: quero fazer coisas diferentes. Não venha me oferecer o que já foi feito. Este palco é para ousar. É para a gente ir além e provocar o público. Vamos inventar moda. Estou aqui para isso.

frederico reder bob sousa41 Entrevista de Quinta: “Theatro NET não tem preconceito”, diz Frederico Reder

Frederico Reder, do Theatro NET: "Vamos inventar moda. Estou aqui para isso" - Foto: Bob Sousa

Leia também: Guerra põe amor à prova em O Grande Circo Místico

 

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grande circo 2 Guerra põe amor à prova em O Grande Círco Místico

Guerra ambienta as canções criadas pela dupla Edu Lobo e Chico Buarque em 1982 - Foto: Leo Aversa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Músicas velhas conhecidas são unidas por uma nova história. Na qual ganham vida personagens emblemáticas como a sensual Lily Braun ou a bailarina perfeita Beatriz. Esta é a proposta do musical O Grande Circo Místico, com melodias de Edu Lobo e letras de Chico Buarque. A obra estreia nesta quinta (14), em sessão para convidados, no Theatro NET São Paulo.

grande circo 5 Guerra põe amor à prova em O Grande Círco Místico

Lily Braun dá as caras no musical - Foto: Leo Aversa

Originalmente, as músicas foram compostas para o Ballet do Teatro Guaíra, de Curitiba, em 1982. As produtoras Maria Siman e Isabel Lobo incumbiram os dramaturgos Newton Moreno e Alessandro Toller de criar a história que unisse as canções inspiradas no poema O Grande Circo Místico, do livro A Túnica Inconsúltil, escrito pelo poeta alagoano Jorge de Lima em 1938.

Leia também a Entrevista de Quinta com Frederico Reder, do Theatro NET

Eles criaram um melodrama circense ambientado em clima de guerra, aproveitando a efeméride dos 100 anos da 1ª Guerra Mundial neste 2014. "Tivemos total liberdade para criar a história que ligasse estas canções emblemáticas para tantas gerações", conta Moreno. "A história é contada a partir das músicas", completa Toller.

Quem assume o comando da empreitada é o diretor João Fonseca, responsáveis por musicais de sucesso como Tim Maia - Vale Tudo e Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz, este último em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo. "O brasileiro tem a música muito forte em sua cultura", afirma.

A montagem traz ainda o visagismo (maquiagem) assinado pelo também ator Leopoldo Pacheco. "Fiz uma maquiagem funcional. Algumas deram mais trabalho, como a da mulher barbada", afirma. E conta que o clima nos bastidores é mesmo de circo, como se todos fossem uma grande família. "Sou muito amigo de todos no espetáculo; fiz o visagismo de Maria do Caritó, que o João Fonseca dirigiu com a Lilia Cabral; e também já trabalhei muito com Os Fofos Encenam, do Newton Moreno, então, sinto-me em casa", revela.

No elenco encabeçado por Fernando Eiras e Letícia Colin, estão ainda os atores Isabel Lobo, Gabriel Stauffer, Ana Baird, Reiner Tenente, Paula Flaibann, Marcelo Nogueira, Felipe Habib, Renan Mattos, Thadeu Torres, Leonardo Senna, Juliana Medella, Leo Abel, Natasha Jascalevich, Douglas Ramalho, Luciana Pandolfo e Beatriz Lucci.

grande circo Guerra põe amor à prova em O Grande Círco Místico

Gabriel Satuffer, que vive o mocinho, canta em uma das cenas de O Grande Circo Místico - Foto: Leo Aversa

A banda, que executa ao vivo as canções dos dois atos, é formada por João Bittencourt, Daniel Filho, Evandro Bezerra, Sá Reston e Paulinho Vicente. Todos sob direção musical de Ernani Maleta. A equipe técnica ainda tem Tania Nardini na coreografia, luz assinada por Luiz Paulo Nenen, cenário por Nello Marrese e figurinos desenhados por Carol Lobato.

Para o diretor, João Fonseca, o gênero musical está atraindo cada vez mais público para o teatro. "É um processo lento, o público vai sendo formado e educado aos poucos. Mas já há uma demanda muito grande, o que é ótimo para todos nós artistas", finaliza.

grande circo 3 Guerra põe amor à prova em O Grande Círco Místico

Elenco numeroso faz o musical O Grande Circo Místico no Theatro NET São Paulo - Foto: Leo Aversa

O Grande Circo Místico
Quando: Quinta a sábado, 21h, domingo, 19h. 180 min. Até 28/9/2014
Onde: Theatro NET São Paulo (r. Olimpíadas, 360, Shopping Vila Olímpia, São Paulo, tel. 0/xx/11 4003-1212)
Quanto: R$ 50 a R$ 150
Classificação etária: 12 anos

Leia também a Entrevista de Quinta com Frederico Reder, do Theatro NET

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zé celso eduardo campos Estou em estado de choque, diz Zé Celso sobre morte de Eduardo Campos

O diretor do Teat(r)o Oficina Zé Celso Martinez Corrêa (à esq.) lamenta a morte trágica do político pernambucano Eduardo Campos (à dir.) em acidente aéreo: amigo da família - Fotos: Julia Chequer/Arquivo R7 e Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A notícia da morte de Eduardo Campos, candidato à Presidência do Brasil pelo PSB, nesta quarta (12), em um acidente aéreo em Santos (SP), foi recebida com muito pesar pelo diretor teatral José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso. Leia, abaixo, o depoimento exclusivo do artista do Teat(r)o Oficina ao R7:

"Acordei tarde porque trabalhei até ás 5h. Soube da notícia há pouco tempo e estou em estado de choque neste dia 13 de agosto.

Ontem mesmo comentávamos no Studio Paraíso, onde moro, da qualidade da entrevista dele na Globo, onde se saiu muito bem, e sentimos que Campos na Presidência era uma possibilidade muito boa para o Brasil, mesmo já tendo decidido meu voto para Dilma.

Amo muito a família de Eduardo Campos. Em Paris, fui muito bem acolhido por sua tia-avó Violeta Arraes no tempo de exílio.

Tornei-me amigo de seus tios: Guel Arraes e seus irmãos.  É mais um Capítulo da Tragédia Brasileira neste dia em que há nove anos morria seu avô: o magnífico Miguel Arraes , amado pelo povo pernambucanoe brasileiro como o Rei do Baião Luiz Gonzaga.

Vai fazer muita falta no Brasil em que se conta nos dedos os políticos com o talento de Eduardo.

É como morrer uma pessoa muito próxima.

Estou de luto.

Zé Celso"

Outros artistas do teatro também lamentam morte de Eduardo Campos

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eduardo campos Morte de Eduardo Campos choca artistas do teatro

Eduardo Campos morreu nesta quarta (13) em um desastre aéreo em Santos (SP) - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A morte de Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência da República do Brasil nas próximas eleições, causou forte repercussão junto à classe teatral brasileira.

Vários artistas se manifestaram sobre o desastre aéreo que tirou a vida do político aos 49 anos, em Santos, nesta quarta-feira (13).

Veja alguns depoimentos:

"Estou em estado de choque."
Zé Celso, diretor teatral

"Estou abalado com essa tragédia, com a interrupção de uma vida em seu clímax. Os ingredientes de grande dramaticidade que envolvem esse acidente fazem com que eu abandone os maniqueísmos e repare no que está por traz do fato, no ser humano e sua complexidade."
Renato Andrade, dramaturgo

"Lamento profundamente a morte de Eduardo Campos. Penso na família dele agora. Não tem como não ficar chocada."
Lulu Pavarin, atriz

"Apesar de discordâncias quanto ao desenvolvimento das políticas culturais em Pernambuco, a morte de Eduardo Campos é uma grande perda para a democracia brasileira. Além dele, morreram também no desastre amigos próximos. O Grupo Magiluth estende seus sentimentos à família de Campos e também aos familiares de todas as vítimas deste acidente."
Pedro Vilela, diretor do Grupo Magiluth, de Recife

"Perdem seus eleitores, mas perde, principalmente, a democracia brasileira"
Marilice Cosenza, atriz

“Morreu o melhor político disparado desse País, na minha opinião . Estou órfão de candidato. Muito triste.”
Ricardo Gelli, ator

"Vibrações para a passagem de todos os que estavam no jato que caiu, e força às famílias. E força para nós, nessa perplexidade diante de tanta coisa em pouco tempo."
Letícia Tomazella, atriz

"Chocado com a morte de Eduardo Campos e com as reações que provocou".
Mario Viana, dramaturgo

"Nessas horas em que alguém morre, independentemente de quem seja, as redes sociais acabam revelando aquilo que as pessoas são."
Mateus Barbassa, diretor teatral

"O Brasil perde muito com a morte de Eduardo Campos."
Pedro Lucínio, cineasta

"Triste a morte do Eduardo Campos. Triste mesmo."
Cléo De Páris, atriz

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marilice cosenza foto caio galucci Claudia Raia faz mudanças em Crazy for You para temporada popular em São Paulo

Marilice Cosenza ganhou duas personagens no musical Crazy for You - Foto: Caio Galucci

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O musical Crazy for You volta a São Paulo no próximo 28 de agosto, em temporada popular no Teatro Sérgio Cardoso, após excursionar pelas principais capitais brasileiras. O musical ficará desta vez em cartaz até 21 de setembro, de quinta a domingo, com entrada a R$ 50 e R$ 60.

O espetáculo voltará à capital paulista com mudanças no elenco.

Claudia Raia e seu namorado, Jarbas Homem de Mello, continuam no posto de protagonistas, é claro. Contudo, a atriz Marilice Cosenza, que já integrava o coro, agora ganhou também as personagens  Lottie Child e Patricia Fodor, conforme anunciado pela produção.

Marilice tem no currículo grandes musicais como Garota Glamour, de Wolf Maya, e a produção da Broadway Avenida Q. A atriz está empolgada com o desafio. "Tenho de agradecer a toda a equipe pela confiança em meu trabalho", diz. Ela ainda afirma que fará da nova temporada uma experiência "muito divertida".

crazy claudia Claudia Raia faz mudanças em Crazy for You para temporada popular em São Paulo

Claudia Raia nos bastidores da superprodução musical Crazy for You: de volta a SP - Foto: Divulgação

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Bacall Lauren 15 817x1024 Morre atriz Lauren Bacall aos 89 anos

Lauren Bacall morreu em casa, aos 89 anos, nos Estados Unidos, nesta terça (12) - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Após perder Robin Williams nesta segunda (11), os Estados Unidos perdeu nesta terça (12) mais um grande nome de Hollywood. Lauren Bacall morreu aos 89 anos em sua casa.

Ela foi casada com o ator de Casablanca Humphrey Bogart e estrelou filmes de sucesso, entre eles Como se Casar com um Milionário, ao lado de Marilyn Monroe, em 1953.

Nova-iorquina, Lauren começou sua carreira no teatro, na Broadway.

Estreou em 1942, na peça Johnny Two by Four (Johnny Dois por Quatro, em tradução livre).

Era fã de Bette Davis e fez o papel de Margo Channing na versão musical de A Malvada, filme de 1950 estrelado por Davis.

Ela ganhou o Tony, o Oscar do teatro norte-americano, em 1970, com a peça Aplauso, e em 1981, com A Mulher do Ano.

Em 1996, ganhou o Globo de Ouro e foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua atuação no longa O Espelho Tem Duas Faces.

Ela deixa três filhos.

A morte da atriz foi noticiada pelo site norte-americano TMZ, o mesmo que deu a morte de Michael Jackson.

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Lauren Bacall ao lado de Marilyn Monroe, com quem estrelou Como Agarra um Milionário - Foto: Divulgação

 

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reino 4 Crítica: Na comédia Reino, Grupo Gattu renova teatro político com leveza, ironia e inteligência

Reino, do Grupo Gattu: discussão inteligente e bem humorada do Brasil no Teatro do Sol - Foto: Ary Brandi

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Muita gente por aí pensa que o teatro político precisa ser sisudo e enfadonho. Ou ter um certo ar de catequese, no qual pobres bons aprenderão que ricos são maus. Nada disso.

O espetáculo Reino, escrito e dirigido por Eloisa Vitz e encenado por seu Grupo Gattu, prova exatamente que o teatro político pode ser o contrário de tudo isso e, assim, bem mais potente em seu discurso:  é uma comédia política pop, que consegue ser leve, irônica e inteligente ao mesmo tempo. E nada inocente.

Primeiro texto assinado por Eloisa Vitz — que já escreveu Rapunzel e Frisante sob o pseudônimo Tito Sianini —, conta a história de uma rainha déspota que se sente ameaçada de perder seu poder. A arrogância com que trata os subalternos pode gerar a qualquer momento nos mesmos uma traição. Este é seu verdadeiro temor. Porque o povo ela sabe que já está domesticado.

reino 2 Crítica: Na comédia Reino, Grupo Gattu renova teatro político com leveza, ironia e inteligência

Daniel Gonzales e Miriam Jardim - Foto: Ary Brandi

A premissa do texto serve para um desabafo da própria autora e seu grupo para o Brasil atual. Naquele reino longínquo os problemas são muito parecidos com os do nosso cotidiano, como a água que periga secar nas torneiras da maior cidade do País sem que nenhum governante assuma a responsabilidade. Ou a liquidação de cargos em Brasília por um apoio interesseiro e desavergonhado.

Diante de Reino, a gente ri muito, mas é de desespero, por tornar-se consciente de não ter por onde escapar. O Gattu, com seu teatro de poucos recursos financeiros, mas cheio de perspicácia, aclara tudo de forma desconcertante.

Num primeiro momento, a montagem pode até ter ares de teatro infantil, mas que o espectador não se confunda. Logo, a peça revela que sua complexidade vai bem além. É teatro mais do que adulto. Seu diálogo com a linguagem do infantil serve, inclusive, para mostrar como muitas vezes ainda somos crianças quando o assunto é evolução social. Quem sabe contando a nossa periclitante situação com ares de conto de fadas acordemos do mundo da fantasia no qual nos instalamos.

Como diz certa hora o texto: o rio fede e nem percebemos mais. Acostumamo-nos com o descaso, com as regras já dadas, em nossa passividade cotidiana. E quem está no poder tripudia do povo alienado — seja os da dita direita ou os da dita esquerda. Este é o grito do Gattu.

Em um palco praticamente desprovido de cenário e vestidos por Ana Fernandes, a produção foca no trabalho de seus atores o sustento da obra. E eles estão ali, presentes. Eloisa Vitz é atriz potente. Faz uma rainha que não titubeia e reina sobre a peça. Ela tem uma das vozes femininas mais bonitas do teatro paulistano; assim, ouvi-la é sempre um grande prazer. Além disso, sabe dar peso exato a cada palavra, coisa rara hoje em dia.

reino 7 Crítica: Na comédia Reino, Grupo Gattu renova teatro político com leveza, ironia e inteligência

A autora e diretora de Reino, Eloisa Vitz - Foto: Ary Brandi

Outro achado no elenco é Marilia Goes, que se divide em variados papéis. A atriz tem frescor e um tempo para comédia evidente. Nas coreografias — sim, os personagens dançam muitas vezes, o que é ótimo — é a que baila com maior graça, sincronia e destreza.

Miriam Jardim faz o papel de uma espécie de escada para o humor da peça, como o assessor-capacho da rainha. Seu personagem serve até para cutucar a soberba da crítica de arte preguiçosa e pretensiosamente intelectualizada. Ainda completam o elenco em sintonia os atores Daniel Gonzales, Laura Vidotto e Victor Delboni, este substituindo temporariamente Mariana Fidelis, e a cantora lírica Gabriela Pastorin.

A peça é encenada no novo espaço aberto pela trupe, o Teatro do Sol, na zona norte paulistana. Charmoso e sofisticado como as melhores salas alternativas do teatro europeu, portenho ou nova-iorquino. A turma do Gattu tem bom gosto, demonstrado já no hall de entrada e confirmado nas poltronas vermelhas e confortáveis na qual recebe seu público e até no monumental espelho do banheiro.

Em Reino, o que Eloisa Vitz e o Grupo Gattu fazem é um grande desabafo. De quem quer fazer teatro neste País que pouco dá valor às artes. A peça renova o teatro político brasileiro, aproximando-o do grande público, aquele tanto necessita refletir. E compartilha com este o seu discurso, dando ao espectador o poder de decisão do final da obra. Ao descortinar as entranhas do poder com deboche, o Grupo Gattu mostra que é guerreiro, resistente e que não desistirá assim tão fácil.

Melhor para o teatro brasileiro e para todos nós.

Reino
Avaliação: Muito bom
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 20h. 75 min. Até 28/9/2014 com possibilidade de prorrogar
Onde: Teatro do Sol (r. Damiana da Cunha, 413, Santa Terezinha, Santana, São Paulo, tel. 0/xx/11 3791-2023)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Na comédia Reino, Grupo Gattu renova teatro político com leveza, ironia e inteligência

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