dione leal andre stefano Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Dione Leal em cena em Os Que Vêm com a Maré: atriz é destaque no elenco - Foto: André Stefano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É tudo sombrio quando a partida, sempre uma espécie de morte, ronda. Há um desacreditar que pode impulsionar a crença no que antes poderia ser o mais absurdo. Como suprir a falta? É preciso esquecer o ser amado ou reinventá-lo? O abandono é sempre cruel.

Tudo isso ronda a cabeça de quem vê a montagem de Maria Alice Vergueiro para o texto Os Que Vêm com a Maré, de Sérgio Roveri. A peça faz parte do projeto 3xRoveri, que montou o mesmo texto no Espaço dos Satyros 1, com três diferentes diretores, cada qual revolucionando o drama com sua encenação. Além de Vergueiro, do Grupo Pândega, teve ainda Rodolfo García Vázquez, do Satyros, e Fernando Neves, de Os Fofos Encenam.

No enredo, um casal (Dione Leal e Ricardo Pettine) vive às voltas com a imagem de um filho perdido (Robson Catalunha), não se sabe se para a vida ou para a morte.

O sopro de luz é a vizinha do lado (uma pulsante Suzana Muniz), que surge para relembrar os velhos tempos de pulsão de vida, mesmo hoje não sendo a mesma de outrora.

Vergueiro afirma no programa se inspirar em Jodorowsky ao criar uma estética baseada no “pânico-grotesco”. Assim, há gritos e força no desolamento.

O R7 assistiu à última apresentação da temporada, repleta de emoção, já que na plateia estavam o autor e a diretora, que via a tudo atentamente.

A atriz Dione Leal, na pele da mãe, é o grande destaque do elenco, revelando-se em uma atuação cheia de impacto, espécie de catalisadora emocional da obra. E a atriz condensa tanta força que se torna o centro pulsante do casal amargurado à espera do filho que um dia vai voltar.

Robson Catalunha também chama a atenção ao imprimir uma estética que remete aos protagonistas dos filmes de Tim Burton ao filho, assustado, acuado, vivo e morto ao mesmo tempo.

Se a escuridão ronda a tudo, Vergueiro traz instantes de flashes de vida para a cena. Porque, talvez, o momento em que a vida se torne mais potente seja realmente quando se defronta com a morte.

robson catalunha suzana muniz andre stefano Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Robson Catalunha e Suzana Muniz: ele imprime "ar Tim Burton"; ela, vida que já pulsou - Foto: André Stefano

Os Que Vêm com a Maré, direção de Maria Alice Vergueiro
Avaliação: Bom
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

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manoelita lustosa Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa era uma das principais atrizes mineiras - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz Manoelita Lustosa, que morreu nesta terça (1º), em Belo Horizonte, aos 72 anos, foi um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras.

Antes de ficar conhecida em todo Brasil por atuar em novelas na Record e também na Globo, a atriz fez marcantes montagens no teatro em Minas Gerais.

manoelita bruna Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa e Bruna Marquezine, em 2003, na novela Mulheres Apaixonadas: papel marcante - Foto: Divulgação

Ela morreu em casa, de insuficiência respiratória, às 9h. Sua filha, Maria Bethânia Diniz Lustosa, conversou com o Atores & Bastidores do R7.

Emocionada, contou que sua mãe foi exemplo de amor à profissão.

— A mamãe foi uma pessoa muito ativa na área cultural. Ela começou a carreira muito nova. Ela era muito competente no que fazia.

Segundo a filha, Manoelita era muito requisitada por jovens e experientes artistas.

— Vários artistas se espelhavam nela como exemplo de disciplina profissional. Ela era apaixonada pela arte e tinha um respeito enorme pelo trabalho que fazia. Ela amava ser atriz. Sempre foi muito dedicada. É uma perda enorme.

A filha conta que Manoelita não faltou ao teatro nem mesmo quando perdeu o marido, 18 anos atrás. No fim de semana da morte, subiu ao palco. Dizia que “a arte não pode parar”.

Manoelita deixa três filhas: Manoela, Maria Bethânia e Mariana, e seis netos — um casal de cada filha. O corpo será velado a partir do fim da tarde desta terça (1º), no Cemitério Parque da Colina, na região norte de Belo Horizonte, onde deverá ser sepultada na manhã desta quarta (2).

Artistas lamentam

A morte de Manoelita Lustosa foi sentida na classe artística. A diretora e atriz Yara de Novaes, afirmou que "foi uma honra" pode ter trabalho com a atriz, em Um Céu de Estrelas. O produtor Guilherme Marques, do CIT-Ecum, declarou que Manoelita deixou um "legado maravilhoso".

A atriz gaúcha Patrícia Vilela, que atuou ao lado da colega na novela Esmeralda, no SBT, contou ao R7 que ficou muito triste ao saber da notícia.

— A gente se deu tão bem nos bastidores da novela. Era uma grande atriz e uma pessoa maravilhosa.

O ator mineiro Odilon Esteves também lamentou a morte da amiga. E lembrou-se também do episódio em que ela trabalhou logo após perder o marido.

— Manoelita fazia Na Era do Rádio quando seu esposo faleceu. Eu era adolescente e ia ver o espetáculo quase todo dia. Então, saía com eles do teatro para ir ao hospital onde ele estava internado. Na sexta-feira em que ele se foi, não teve apresentação, nem no sábado, mas no domingo, Manoelita já estava de volta ao palco. E presenciei o que só mais tarde, na escola, fui aprender como sendo o caráter votivo dessa profissão: apesar de quase toda adversidade, o artista segue seu trabalho. Uma personagem de Manoelita  cantava Último Desejo, de Noel Rosa, no espetáculo, e naquele domingo as notas da canção se misturaram a um choro profundo. Os espectadores jamais saberiam que não se tratava de representação. Coração apertado hoje! Saudade de Manoelita! E gratidão!

Clássicos e comédia

Natural de Pirapora, às margens do Rio São Francisco, Manoelita foi criada em Sete Lagoas. Desde menina, era encantada com o rádio e, depois, o teatro a TV.

Manoelita Lustosa Terezinha Michel Angelo 2 Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa, como Terezinha em Dona Xêpa: último papel na TV - Foto: Michel Ângelo

Foi agitadora cultural e exerceu cargos políticos na área da Cultura na região do Vale do Aço, durante o tempo em que morou na cidade de Timóteo. Mas foi em Belo Horizonte, para onde se mudou no começo da década de 1990, que sua carreira artística deslanchou.

Sua estreia como atriz foi em Tio Vânia, de Tchekhov, dirigida por Luiz Carlos Garrocho e Walmir José. Logo, chamou a atenção de importantes diretores mineiros como Pedro Paulo Cava, com quem fez o musical Na Era do Rádio, e Ílvio Amaral, que a consagrou junto ao público em comédias como É Dando que se Recebe e A Comédia dos Sexos.

Logo, Manoelita se tornou uma das mais respeitadas atrizes da cena local. Atuou em comédias rasgadas e de grande bilheteria na cena belo-horizontina, como Perigo, Mineiros em Férias. Fez ainda textos clássicos do teatro brasileiro, como Perdoa-me por me Traíres, de Nelson Rodrigues.

Seu último papel na TV foi em 2013, como a pasteleira Terezinha, na novela Dona Xêpa, na Record. Outro papel marcante de sua carreira televisiva foi na novela Mulheres Apaixonada, de Manoel Carlos, em 2003, como Inês, a avó maldosa de Salete, papel da então menina Bruna Marquezine.

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abajur lilas Mundo cão de Plínio Marcos volta em Abajur Lilás

Mundo marginal no palco do Teatro Nair Bello, em São Paulo: Abajur Lilás - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O dramaturgo e jornalista Plínio Marcos, morto há 15 anos, é um dos maiores expoentes do teatro brasileiro. E continua montado como nunca. Só de sua peça Navalha na Carne, há três montagens em São Paulo. Como sempre, seus textos, inspiradas no ritmo caótico de São Paulo, dá voz a personagens urbanos marginais.

E outra peça dele está de volta. Desta vez, Abajur Lilás, montagem que o diretor André Garolli estreia no próximo dia 9 de julho no Teatro Nair Bello, em São Paulo.

Ele convocou os atores Fernanda Viacava, Isadora Ferrite, Josemir Kowalick, Daniel Morozetti e Carol Marques, para viver os personagens que habitam o prostíbulo comandado a mão de ferro por Giro.

A montagem faz parte do projeto Homens à Deriva, que já montou as peças As Moças e Histórias dos Porões. Sempre em cena a submissão do homem ao dinheiro.

Garolli diz que Plínio Marcos expõe “a solidão e a decadência humana”, mostrando “vidas degradadas e o beco sem saída da miséria e da violência”.

E lembra que a maior parte da dramaturgia do autor foi concebida durante os anos de chumbo da ditadura militar que foi instaurada no País 50 anos atrás.

“Sustento a ideia de que não há como analisar as obras dramáticas desse autor sem o entendimento do regime de opressão ao qual estiveram submetidos os cidadãos brasileiros”, afirma.

Abajur Lilás
Quando: Quarta e Quinta, 21h. 80 min. De 9/7/2014 a 14/8/2014
Onde: Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca 3º piso (rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3472-2414)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

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thiago liberdade magiluth foto bob sousa8 O Retrato do Bob: Thiago Liberdade, o fim e o início do Grupo Magiluth
Foto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Thiago Liberdade é onde começa e termina o Magiluth, principal grupo teatral surgido em Pernambuco nos últimos tempos. Nascido no Rio, filho de um pernambucano e de uma maranhense, chegou ao Recife com oito anos. Hoje, é pernambucano nato. Começou no teatro por acaso, na montagem que a irmã fazia na escola: Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare. Não parou mais. No vestibular, marcou artes cênicas e entrou para a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Em 2004, fundou o Magiluth com outros três amigos do curso. No nome, as iniciais de cada um. Logo o grupo cresceu, Thiago foi fazer intercâmbio em Portugal, voltou e resolveu que queria cursar design. Em março de 2010, pediu para sair e se concentrar no novo curso. Justamente neste período, o Magiluth circulou pelo Brasil e ganhou reconhecimento nacional. Viu tudo, de longe. Quando voltaram ao Recife, em 2012, para a apresentação consagradora no Teatro Santa Isabel de Viúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues, Thiago chorou como um menino. No dia seguinte, escreveu uma emocionada carta pedindo para voltar. Foi aceito de cara. Desde então, é responsável pela comunicação e arte gráfica do grupo, uma das melhores do teatro brasileiro contemporâneo. Competente nos bastidores, volta aos palcos aos poucos: já fez algumas substituições em turnês e estará no elenco da nova peça, prevista para estrear em 2015. Não se considera o filho pródigo do Magiluth: “Porque, mesmo de longe, sempre estive presente”, diz. E sabe que sua presença, hoje, é imprescindível: “A gente se mata e renasce todos os dias. Por isso temos unidade. Porque amamos fazer teatro”.

Visite o site de Bob Sousa

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neymar messi getty Domingou: Ódio ao outro não ganha Copa

Neymar e Messi, rivais só no campo: "Ódio ao outro não ganha Copa, mas bom futebol" - Fotos: Getty Images

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Outro dia, vi, em uma rede social, a foto de um cachorro da raça pit bull destroçando uma camisa da seleção argentina. Com todo ódio do mundo, é claro. Tudo comemorado pelo dono, com alta dose de orgulho.

Nesta semana, ouvi uma apresentadora dizer, no ar, que os brasileiros estavam tratando bem os turistas nesta Copa e soltou: "até os argentinos". Nas entrelinhas, a ideia de que o normal seria maltratá-los.

Por que tanto ódio ao outro? Não há confiança no futebol próprio? É preciso espinafrar o vizinho para tentar garantir algo?

comercial skol xenofobico Domingou: Ódio ao outro não ganha Copa

Incentivando o ódio, comercial da Skol explode os argentinos dentro de uma casa - Foto: Reprodução

A publicidade é rainha em disseminar ódio ao outro. Recente comercial de conhecida marca de cerveja brasileira debocha do Hino Nacional da Argentina, dizendo que ninguém aqui sabe cantá-lo. Como se os argentinos soubessem cantar o Hino do Brasil, coisa que nem o brasileiro sabe fazer direito até o fim. Para terminar de forma deplorável, o tal comercial termina com boa dose de violência: enxota um grupo de argentinos em uma casa, logo explodida feito um foguete.

Agora, de norte-americano ninguém debocha. Será mais fácil rir de nosso primo tão pobre quanto nós?

Entretanto, o ódio não é exclusivo para argentinos. Neste sábado (28), vi, com vergonha, parte dos brasileiros vaiar o Hino do Chile durante sua execução no Mineirão. Uma absoluta falta de respeito com o símbolo pátrio alheio. Uma pergunta: se fizessem o mesmo com o Brasil lá fora, como nos sentiríamos?

Mas, se não tratam com educação nem a presidente de seu país vão respeitar o hino dos outros? Não custa nada reforçar que o mundo já viu um povo achar que era superior aos demais: a Alemanha de Hitler.

Até vi como castigo merecido o sufoco que os canarinhos passaram para colocar o País nas quartas de final, deixando todos nós com o coração na mão até o último pênalti batido. E, verdade seja dita: o Chile jogou mais.

É lamentável que o Brasil, que se propõe a entrar para o time dos grandes países do mundo, ainda se comporte dessa forma com seus vizinhos. É bom o brasileiro entender que incentivar o ódio ao outro não ganha Copa. O que leva à vitória é algo bem mais simples e saudável: o bom futebol.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e prefere o amor ao ódio. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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acaua sol foto jennifer glass Dois ou Um com Acauã Sol

O ator Acauã Sol, que faz o papel de Robogolpe no Teat(r)o Oficina - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

No Teat(r)o Oficina de José Celso Martinez Corrêa, o golpe militar de 50 anos atrás virou o Robogolpe, em uma analogia antropofágica ao Robocop, herói do cinema norte-americano recentemente ressuscitado pelas mãos do cineasta brasileiro José Padilha. Na peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, que termina temporada neste fim de semana, em São Paulo, o ator paulistano Acauã Sol é quem dá vida ao famigerado papel. E ainda vive o delegado que interroga Cacilda Becker e Maria Della Costa no tenebroso Dops. Formado em artes cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde morou entre 2000 e 2008, também cursou atuação no Teatro-Escola Macunaíma de São Paulo. Com experiência no teatro, na dança, na TV e também no cinema — esteve no elenco do filme Linha de Passe, de Walter Salles —, atua no Oficina desde que voltou para a terra natal, em 2009. O artista aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Robocop ou Robocopa?
Robocop nunca. Robocopa só em Walmor y Cacilda 64.

José Padilha ou José Celso?
José Celso claro, mas gosto bastante de Tropas de Elite, do documentário sobre o ônibus 174, e quero ver ainda Robocop. Teatro e cinema, duas paixões.

Chile ou Brasil?
Quem jogar melhor. E, por favor, quero ver gol!

Rio ou São Paulo?
São Paulo pra ganhar dinheiro, Rio pra gastar (muito, hoje em dia).

Chico ou Caetano?
Caetano.

Elis ou Gal?
Elis sempre.

Cacilda Becker ou Fernanda Montenegro?
Boa atriz de qualquer jeito é bom. Todos os teatros são meu teatro.

Eduardo e Mônica ou Faroeste Caboclo?
Renato Russo.

Praça Roosevelt ou Oscar Freire?
Praça Roosevelt quase nunca. Oscar Freire de jeito nenhum.

Que seja eterno enquanto dure ou Te amo pra sempre te amo demais?
Amor sincero e parceria profunda enquanto feliz.

Leia outras edições da coluna Dois ou Um

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BRtrans Foto Lina Sumizono alta1 BR Trans fecha temporada em SP com bate papo

Entrada grátis: cena da peça BR-Trans, que termina temporada em São Paulo - Foto: Lina Sumizono

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Após sucesso no último Festival de Curitiba, a peça BR-Trans termina curtíssima temporada gratuita em São Paulo neste sábado (28), às 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade (r. Três Rios, 363, Bom Retiro, tel. 0/xx/11 3222-2662).

O espetáculo traz o ator cearense Silvero Pereira em cena. Ele também é autor do texto, dirigido por ele e Jezebel De Carli. No enredo, o universo dos transgêneros, transformistas e transexuais. Em cena, muita graça e muita tristeza também.

Neste sábado (28), data em que se comemora o Dia Internacional do Orgulho LGBT,  o público paulistano pode participar de um bate-papo com Pereira, que integra o Coletivo Artístico As Travestidas. Começa às 17h.

Ele promete responder perguntas sobre o processo criativo da peça, que contou com investigação cênica na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. As entradas tanto para o bate-papo quanto para a peça podem ser retiradas sempre meia hora antes.

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agenda cultural 17 Veja as dicas da Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 27/06/2014

Agenda Cultural da Record News: os apresentadores Lidiane Shayuri e Miguel Arcanjo Prado

O colunista Miguel Arcanjo Prado dá as melhores dicas na Agenda Cultural do telejornal Hora News, na Record News, na companhia da apresentadora Lidiane Shayuri. Com edição de Aline Rocha Soares. Tem Jogo do Brasil e Chile no Memorial da América Latina, com direito a festa junina latino-americana e show de variedades. Tem dança da Quasar Cia. de Dança no CCBB em Brasília, com o espetáculo No Singular. Em BH, tem a mostra Gênesis, do fotógrafo Sebastião Salgado. Também tem fim da temporada da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, no Teatro Oficina, em São Paulo. Na Bahia, tem show de Mariella Santiago na Caixa Cultural de Salvador. Nos cinemas, tem o filme argentino O Estudante, o longa norte-americano Paixão Inocente, e o infantil Os Muppets 2 - Procurados e Amados. Veja o vídeo:

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coluna rita cadillac Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Rita Cadillac se empolga após gol do atacante Fred: ela vai repetir a dose - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Isso é que é amor à Pátria
Rita Cadillac, a musa do Grupo Magiluth, assiste aos jogos do Brasil na Copa do Mundo na rua Canuto do Val, região boêmia de Santa Cecília, no centro paulistano, a convite da empresária Lilian Gonçalves, donas dos barres da região. Na partida contra o Camarões, na última segunda (23), ficou tão empolgada que tirou peças de sua vestimenta a cada gol do Brasil. A eterna chacrete promete repetir a performance durante o jogo contra o Chile, neste sábado (28). Ah, ela é louca pelo atacante Fred. É bom para o moral!

Copa latina 1
Já que a Copa do Mundo é mesmo dos países da América Latina, nada melhor do que ver a partida entre Brasil e Chile, neste sábado (28), 13h, no Memorial da América Latina, do lado do metrô Barra Funda, em São Paulo. A entrada é grátis. Um telão será montado ao lado da galeria Marta Traba, onde está instalada a exposição Futebol em Registro, com preciosidades do esporte mais querido do continente. Assim que a partida acabar, começa a festa junina no local.

Copa latina 2
Depois do balancê para chilenos e brasileiros, a partir das 20h acontece também no Memorial o Cabaré Verietê, com entrada grátis. O Duo Elias Tokman, da Argentina, tocará tangos para abrir a noite. Depois, o Cabaré das Martas, do Chile, vai animar o público com música, teatro e números circenses. E tudo vai terminar ao som do candombe uruguaio, com o grupo A Fuego Lento e o palhaço Gonzalo Caraballo, que será o mestre de cerimônias da noite. Quem ainda tiver fôlego, no fim da noite será exibido um filme do mestre do humor mexicano Cantinflas, no bar do Cineclube Latino-Americano. Soy loco por ti América!

Olha o jogo!
Dezesseis atores estão em cena em um bar, durante um jogo da Copa do Mundo, na peça As Horas Vivas. A montagem, dirigida por Pedro Granato, faz suas últimas sessões nesta sexta (27) e sábado (28), às 21h30, no Teatro Pequeno Ato, em São Paulo. Estão todos convidados.

Agenda Cultural da Record News

cleo de paris andre stefano Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A atriz Cléo De Páris saltitou na festa junina da SP Escola de Teatro - Foto: André Stéfano

Pula, Cléo!
Cléo De Páris não gosta da Copa. Mas curte o São João. A musa da praça Roosevelt foi devidamente caracterizada para celebrar a festa junina da SP Escola de Teatro, que aconteceu na sede do Brás. O fotógrafo André Stefano pediu para ela saltitar, para sua série fotográfica Saltando por El Mundo. Olha que graça.

Festa black
A Academia Paulista de Letras, no largo do Arouche, em São Paulo, recebe no dia 30 de junho o Cabaré Negro. A celebração, comandada pelo estilista e produtor Heitor Werneck, comemora os 30 anos do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo. As cantoras Izzy Gordon e Célia Nascimento estarão presentes. Também haverá capoeira e dança africana. A entrada é grátis e a comemoração começa às 19h.

Martelo batido
A peça que vai estrear o Theatro NET São Paulo é O Grande Circo Místico, com direção de João Fonseca. Estreia em agosto.

Bebê a bordo
A atriz Julia Lemmertz, protagonista da novela Em Família, disse para a revista Contigo! desta semana que está louca para ser avó. Mas, será que a filha, Luiza Lemmertz, que atua na peça Nossa Cidade, de Antunes Filho, está mesmo querendo ficar grávida?

Antessala 02 da esq. para dir. Carmen Frenzel e Lucília de Assis crédito foto de Alcinoo Gianginoto menor Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Peça AnteSsala: encontro inusitado e engraçado na consulta ao terapeuta - Foto: Alcino Gianginoto

Quase loucas
“Eu só posso frequentar lugares onde só é permitida a entrada de pessoas estranhas”. A frase está na peça AnteSsala, que estreia nesta sexta (27), no Teatro Café Pequeno, no Leblon, Rio, onde fica até 20 de julho. Com direção de Guida Vianna e Rui Cortez, a obra tem no elenco Carmen Frenzel e Lucília de Assis, que escreveu o texto também. Elas formam a Dupla Companhia e interpretam duas mulheres que se encontram na sala de espera da análise. É claro que crise não vai faltar.

Subiu a rua Augusta
Depois de fazer sucesso no Espaço dos Parlapatões, na praça Roosevelt, o espetáculo As Moças – O Último Beijo agora está na Sala Experimental do Teatro Augusta, em São Paulo. Em cena, Angela Figueiredo e Fernanda Cunha vivem um casal em crise. A direção para o texto de Isabel Câmara é de André Garolli. Dores de amor em tempos de revolução.

magiluth estelita Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Grupo Magiluth se engajou na campanha em prol do movimento Resiste Estelita - Foto: Divulgação

#ResisteEstelita
O Grupo Magiluth, de Recife, acaba de voltar de Portugal e já se movimenta pela campanha em prol do movimento social Resiste Estelita, que pede ao poder público pernambucano maior sensibilidade sobre as questões urbanas. Essa gente poderosa precisa entender que quem propõe um novo pensamento não precisa apanhar. Mas, sim, ser ouvido em um debate sadio e democrático.

Sei que ainda vou voltar...
A música Sabiá, de Chico Buarque e Tom Jobim, inspira a peça de mesmo nome, em cartaz no Teatro MuBE Nova Cultural, em São Paulo. A ditadura militar, cujo inicio completou recentemente 50 anos, é o pano de fundo da história. A temporada vai até 6 de julho, sexta e sábado, 21h30, domingo, 18h. Paulo Faria é o autor e o diretor da obra. Vai, gente.

coluna priscilla yokoi foto andre bankai Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Priscilla Yokoi: bailarina quer ajudar crianças carentes a se interessar pela dança - Foto: André Bankai

Balé na Cracolândia
A bailarina Priscilla Yokoi está em busca de talentos para a dança em comunidades carentes de São Paulo, como Paraisópolis, Heliópolis e até a Cracolândia. Príncipe Harry que se cuide.

Vamos brincar de índio
Bugiganga em casa só costuma dar trabalho. Pensando nisso, o Sesc Itaquera, em São Paulo, faz neste domingo (29), a partir das 13h, a Feira de Troca de Brinquedos, no Quiosque da Praça de Eventos. Aquele brinquedo antigo, que você deixou num cantinho empoeirado, pode fazer a alegria de uma criança.

coluna a visita foto rodrigo parreiras Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A Visita: drama gay na cela de uma cadeia em teatro da zona norte de SP - Foto: Rodrigo Parreiras

Amor bandido
O casal gay Dalmo e Tales se encontra na cela de uma cadeia. Esta é a premissa da peça A Visita, que estreia no dia 5 de julho, no Piccolo Teatro (av. Guapira, 753), no Tucuruvi, na zona norte de São Paulo, com ingresso a R$ 30. O espetáculo é baseado no livro homônimo de Alex Francisco, que dirige também a montagem. Ele jura que tudo é inspirado em fatos reais. “É uma peça que fala de sentimentos”, afirma. Estão no elenco Thiago Chagas, Rodrigo Fagundes, Willian Young, Jéssica Batista e Alex Francisco. A temporada vai até 26 de julho, sempre aos sábados, 21h. Cheia de fogo e paixão, é claro.

Fim de festa
O Oficina promete festa neste domingo (28), na última sessão da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe.

Mundo da lua
Sabe quando fatos inventados se confundem com histórias imaginadas na cabeça de alguém? Pois é, a Palhaça Rubra resolveu mergulhar neste universo comum ao mundo infantil (e também presente na cabeça de muitos adultos) para criar seu novo espetáculo: Desmiolações. Estreia neste domingo (29), no Teatro Alfa, em São Paulo. Fica até 7 de setembro, sábado e domingo, 17h30. Marcelo Romagnolli dirige a trupe, formada por Rubra (Lu Lopes), Palhaço Adão (Paulo Federal) e Palhaço Comendador Nelson (Luiz Fernando Bolognese). Uma alegria só!

coluna palhaca rubra Paulo Federal Lu Lopes Luiz Fernando Bolognese MG 5732 foto Carol Santiago Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Nova da Rubra: Paulo Federal, Lu Lopes e Luiz Fernando Bolognese - Foto: Carol Santiago

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michelle ferreira foto bob sousa51 Entrevista de Quinta: “Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem”, diz Michelle Ferreira

Michelle Ferreira: atriz formada na EAD vira dramaturga de sucesso - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

Michelle Ferreira desconstrói a imagem que muita gente ainda tem da figura do dramaturgo. Jovem, bonita, articulada e decidida, já é um dos novos nomes da cena teatral paulistana, sobretudo após a ter escrito e dirigido a elogiada peça Os Adultos Estão na Sala.

Nesta sexta (27), vive momento marcante. Estreia no palco do Teatro Anchieta do Sesc Consolação, um dos mais tradicionais de São Paulo, sua peça Sit Down Drama, com elenco de 12 atores capitaneados pelo diretor Eric Lenate. A obra conta a história de um humorista que se dá mal após fazer uma piada ao vivo na TV.

A estreia é uma espécie de volta para a casa. Já que integrou por oito anos o Círculo de Dramaturgia do CPT (Centro de Pesquisa Teatral), sob comando de Antunes Filho, que fica no mesmo prédio do teatro.

Em uma tarde de sol de inverno no Teat(r)o Oficina, ela se encontrou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta.

Falou sobre o enredo de sua peça se parecer com a história real ocorrida com Rafinha Bastos e Wanessa Camargo, contou seu começo com uma peça escolar e falou sobre este momento de destaque.

Leia com toda a calma do mundo.

michelle ferreira foto bob sousa32 Entrevista de Quinta: “Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem”, diz Michelle Ferreira

Michelle Ferreira é autora da peça Sit Down Drama, que estreia em SP - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — A história da sua peça lembra muito o caso Rafinha Bastos versus Wanessa Camargo. Se alguém falar que você se inspirou nele o que você diz?
Michelle Ferreira — Que é mentira. Porque eu escrevi a peça antes de tudo isso acontecer. Vou até brincar: ele que deveria me pagar os direitos da própria história [risos]. Desenvolvi a história de 2008 para 2009 [o episódio Rafinha x Wanessa, quando ele disse no ar no CQC que comeria Wanessa e seu bebê, gerando sua demissão da Band, ocorreu em 2011]. E a história não é igual ao que aconteceu com ele. É só parecida. Sit Down Drama representa outras coisas também.

Miguel Arcanjo Prado — O que você acha dessa coincidência de escrever um argumento que logo depois aconteceu de verdade?
Michelle Ferreira — A coincidência é engraçada, louca, inusitada. Eu não acredito em nada, sou ateia, mas as coisas estão aí... A gente respira o mesmo ar...

Miguel Arcanjo Prado —Você quis em sua peça criticar o politicamente correto?
Michelle Ferreira — A gente vive um momento de muito politicamente correto. O que aconteceu com o Rafinha Bastos é por causa desse “Vigiar e Punir” quem cria. Tomara que ele vá assistir. Eu respeito a história dele, mas a peça não é ela, é muito mais do que isso. A diferença para o Rafinha Bastos é que meu personagem não se redime. É através dessa derrocada que o personagem se entende.

Miguel Arcanjo Prado — Como você escreve?
Michelle Ferreira — Depende. Quando estava no CPT [Centro de Pesquisa Teatral do Sesc Consolação, comandado por Antunes Filho] e não tinha perspectiva em montar, tomava mais tempo... Mas, você sabe, o melhor amigo do escritor é o deadline.

Miguel Arcanjo Prado — Do jornalista também.
Michelle Ferreira — Pois é. Normalmente, escrevo rápido. Preciso de uma teia mental antes para sentar e escrever. Mas, no momento em que escrevo, não consigo sossegar até acabar. Sou obsessiva. É vertical o negócio. Quando estou escrevendo, nem vivo direito.

Miguel Arcanjo Prado — Como você começou a escrever?
Michelle Ferreira — Desde muito criança. Eu dizia na EAD [Escola de Arte Dramática da USP], logo que eu entrei, com uns 20 anos, que eu já tinha 20 anos de carreira. Porque a minha avó me emprestou bebê para fazer o presépio vivo. Fiz o Menino Jesus, um grande papel [risos].

Miguel Arcanjo Prado — Como foi sua infância?
Michelle Ferreira — Sim. Sou filha única. Na verdade, sou neta única, porque fui criada pelos meus avós. Então, minhas companheiras de brincadeira eram a enciclopédia Barsa e o livro do Alexandre Dumas. Fui alfabetizada muito cedo. Gostava mais do mundo dos adultos do que das crianças.

Miguel Arcanjo Prado — Onde você morava?
Michelle Ferreira — Em Atibaia [região serrana próxima a São Paulo], em uma casa de campo. Fiquei lá dos sete aos 14 anos. Ficava isolada, não tinha vizinho. E meu avô me deu uma Olivetti [máquina de datilografia] quando eu tinha nove anos. Comecei a escrever muito.

Miguel Arcanjo Prado — E na escola?
Michelle Ferreira — Tinha uma professora de português descendente de alemães, chamada Hildegard, e um dia a contrariei.

Miguel Arcanjo Prado —Por quê?
Michelle Ferreira — Ela propôs de montarmos a peça Quem Casa Quer Casar, do Martins Pena. Achei uó. Eu já tinha visto muito coisa, muito cinema, nas fitas do meu avô: vi tudo do Charles Chaplin, O Poderoso Chefão, 2001 — Uma Odisseia no Espaço, Taxi Driver... Então, queria fazer outra coisa.

Miguel Arcanjo Prado —E você brigou com a professora?
Michelle Ferreira — Eu falei que não gostava da peça. Aí ela falou que já que eu achava a peça ruim, por que então não escrevia uma. Passei o fim de semana escrevendo e, na segunda, entreguei a ela minha primeira peça.

Miguel Arcanjo Prado — E ela montou?
Michelle Ferreira — Sim! Se chamava A Ascensão e Queda de um Político Corrupto. Estávamos na Era Collor, então criei um personagem que nascia no morro e terminava no Planalto. Mas tinha um fim moralista que hoje eu mudaria. O personagem termina a peça no inferno [risos].

michelle ferreira foto bob sousa41 Entrevista de Quinta: “Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem”, diz Michelle Ferreira

Michelle Ferreira escreveu sua primeira peça na infância - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você já sabia que faria teatro profissionalmente?
Michelle Ferreira — Sabia. Sempre soube. Outra coisa não ia dar... Meus avós sempre me deram muita força. Quando fiquei adolescente a gente voltou para São Paulo, porque queria me preparar para o vestibular, fazer um colegial mais forte. Eles me deram toda força. Fui muito estimulada. Mas antes do vestibular fiz intercâmbio.

Miguel Arcanjo Prado — Onde?
Michelle Ferreira — Connecticut, nos Estados Unidos. Fui crescer, me virar.

Miguel Arcanjo Prado — E o que fez na volta?
Michelle Ferreira — Queria fazer cinema por um tempo. Mas aí prestei vestibular para ciências sociais na FFLCH [Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP]. No segundo ano da faculdade, passei na EAD. Cheguei a fazer as duas juntas por dois anos, mas depois fiquei só na EAD.

Miguel Arcanjo Prado — Como era na EAD?
Michelle Ferreira — É um curso muito focado para atuação. Mas eu continuei a escrever por conta própria.

Miguel Arcanjo Prado — E como entrou para o Círculo de Dramaturgia do CPT?
Michelle Ferreira — Recebi um recorte de uma notinha no jornal, falando que estavam com processo seletivo aberto. Mandei dois textos e passei. Fiquei oito anos, de 2003 a 2011.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi?
Michelle Ferreira — Era tudo focado na produção independente de casa um. A gente levava porrada do Antunes, mas sempre dentro do nosso universo. Foi no CPT que me tornei uma dramaturga de fato. Ele acabou comigo e me mandou ir em frente. O Antunes diz que é mais fácil ser campeão de Fórmula 1 do que um bom dramaturgo. A primeira peça que escrevi lá é Urubu Comum, que ainda não foi montada.

Miguel Arcanjo Prado —E a carreira foi deslanchando?
Michelle Ferreira — Pois é. Fui conhecendo muita gente. A primeira peça montada é metade minha e metade do Germano Mello, que é Como Ser uma Pessoa Pior, com a Lulu Pavarin. A segunda também não é só minha, Estudo Hamlet.com, que fiz para o Cacá Carvalho. A primeira só minha montada profissionalmente foi Os Adultos Estão na Sala, com a Má Cia. Provoca, que é o meu grupo.

Miguel Arcanjo Prado —Você descontrói a imagem que muita gente tem do dramaturgo.
Michelle Ferreira — Todo mundo pensa no velho barbudo no gabinete, né? [risos]

Miguel Arcanjo Prado —E Sit Down Drama?
Michelle Ferreira — O Ricardo Grasson me pediu uma peça para poucos atores. Falei: não tenho condição agora de fazer uma nova. E ofereci essa. Ele leu, gostou, aí eu joguei o nome do Eric Lenate para dirigir, porque sempre quis trabalhar com ele. Só que ele me pediu uma peça com poucos atores e são 12 pessoas em cena! [risos]

Miguel Arcanjo Prado — Como você lida com essa repercussão do seu trabalho na classe artística e também junto aos críticos?
Michelle Ferreira — Eu tento achar tudo normal, embora não seja [risos]. Acho tudo louco. Isso de estrear sexta agora na casa do mestre. Chego lá no Teatro Anchieta do Sesc Consolação com o maior respeito. Não sei como vai ser. Vamos ver o que as pessoas vão achar. Podemos sair aplaudidos ou dentro de um camburão. O que é bom também, porque faz parte do folclore.

Miguel Arcanjo Prado — Tem novos projetos?
Michelle Ferreira — Vou estrear no segundo semestre Reality Final, que é uma peça que faz dupla com Sit Down Drama. Vai ser com meu grupo, a Má Cia. Provoca, que tem eu, a Flávia Strongoli, a Michelle Boeschie, o Ramiro Silveira, a Maura Hayas e a Solange Akerman. Também tenho uma produtora audiovisual, a No Cubo Filmes. Tenho feito pilotos para TV... Em julho, estreia em Porto Alegre a peça A Vida Dele. Neste ano, também vai estrear Animais na Pista, outro texto meu.

Miguel Arcanjo Prado — Você quer fazer, além de teatro, cinema e TV?
Michelle Ferreira — Sim. Eu gosto do sim para tudo.

Miguel Arcanjo Prado —Qual é a cara do seu trabalho?
Michelle Ferreira — [pensativa] Qualquer outra pessoa responderia essa sua pergunta muito melhor do que eu... Voltando à sua pergunta, não sei que cara que é, mas sei que tem.

michelle ferreira foto bob sousa21 Entrevista de Quinta: “Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem”, diz Michelle Ferreira

"Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem", diz Michelle Ferreira - Foto: Bob Sousa

Sit Down Drama
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 18h. 80 min. Até 10/8/2014
Onde: Sesc Consolação - Teatro Anchieta (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo, tel. 0/xx/11 3234-3000)
Quanto: R$ 6 a R$ 30
Classificação etária: 16 anos

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