Por Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha*
Especial para o Atores & Bastidores 

Fauzi Arap foi um ser humano especial, sempre atento ao outro, interessado nas verdades mais profundas da vida.A primeira vez que o vi, eu tinha 15 anos, fui assitir O Inspetor Geral, de Gogol, memorável espetáculo do Teatro de Arrena de São Paulo, direção de Augusto Boal.

fauzi arap21 Domingou: Fauzi Arap tinha visão ampla do mundo

Fauzi Arap morreu aos 75 anos - Foto: SP Escola de Teatro

Fauzi fazia, brilhantemente, o papel do Governador. Tinha um presença forte no palco, marcante, era um ator possuído por seus personagens.

Um ano ou dois depois, o vi novamente em cena no antigo Teatro Cacilda Becker, da avenida Brigadeiro Luis Antônio, fazendo O Fardão, ótimo texto de Bráulio Pedroso (nessa peça, a grande Yara Amaral fazia um pequeno papel, mas já era uma atriz de impressionante presença em cena).

Nos anos seguintes, Fauzi enveredaria por outros caminhos, interessado em outras buscas. Passou a escreveu, é autor de textos teatrais relevantes, um nome importante da dramaturgia brasileira.

Como diretor, encenou espetáculos magníficos, a começar pelo musical Rosa dos Ventos, com a maravilhosa Maria Bethânia, no início da década de 1970.

Eu o vejo como um grande diretor autoral, com dimensão imensa, da mesma forma que assim vejo também Antunes Filho e José Celso, com marcas próprias e registradas no teatro brasileiro.

Ficamos amigos, eu tinha verdadeiramente prazer em ficar junto a ele, conversar com ele, impressionado com sua inteligência aguda, sua sensibilidade, sua cultura, e principalmente com sua visão de mundo.

Não era homem convencional, preso a regras, formalismos etc. Tinha visão ampla e dinâmica do mundo.

Saímos juntos certa vez da casa de Myriam Muniz, depois de uma longa e agradável noite de conversa, e continuamos a conversar num barzinho da praça Oswaldo Cruz, perto de onde ele morava, até alta madrugada.

Quando me iniciei na crítica profissional, Fauzi demonstrou grande carinho e amizade, com um olhar cúmplice, amigo.

Estava há pouco como responsável pela coluna de crítica teatral do jornal Diário Popular, quando nos encontramos num ensolarado sábado pela manhã, na esquina da alameda Santos com rua Manuel da Nóbrega.

Fauzi demonstrou muita alegria pelo encontro, e me incentivou a escrever, deu-me apoio, dizendo mais ou menos o seguinte: você gosta tanto de teatro, que suas críticas vão contribuir, vão incentivar o teatro brasileiro.

Foi fundamental para mim essas palavras, vindas de quem vinha. E sempre escrevi críticas para isso, para contribuir, para somar, do ponto de vista teórico, afastado da criação artística.

Essa generosidade e interesse de Fauzi pelo outro, bem visíveis no exemplo pessoal que dei, se multiplicava em relação aos artistas, aos seus colegas de teatro.

Um ser humano especial, um nome fundamental do teatro brasileiro contemporâneo.

*Crítico teatral membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), entidade da qual é ex-presidente, Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha escreveu este texto a convite do blog. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

Leia: Morre Fauzi Arap aos 75 anos

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beto mettig foto bob sousa Dois ou Um com Beto Mettig
Por Miguel Arcanjo Prado

Foto de Bob Sousa

Beto Mettig é baiano, mas já entendeu São Paulo há um bom tempo. Radicado na metrópole paulista há quatro anos, é formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, onde também fez o Curso Livre de Artes Cênicas da UFBA. Atualmente, se divide no Teat(r)o Oficina de José Celso Martinez Corrêa entre os papéis de ator e também de jornalista responsável pela assessoria do grupo. Recentemente, juntou os dois no palco em Cacilda!!!, espetáculo da saga sobre Cacilda Becker no qual viveu, entre outros personagens, o crítico teatral Decio de Almeida Prado. Bem antes, ainda em sua Salvador natal, aprontou muito com a Cia. Baiana de Patifaria, além de ter feito o musical Lábaro Estrelado, no qual contracenava com Laila Garin, que hoje vive Elis Regina no aclamado musical carioca. Beto, que é cheio de charme e tem muita história para contar, topou participar da nossa coluna Dois ou Um. Dez perguntas diretas cheias de possibilidades. Ou não.

Silvio Santos ou Zé Celso?
Que tal os dois numa banheira de espuma, sem culpa nenhuma? O Brasil, o teatro e a TV iam ganhar muito!

Cidade da Bahia ou Sampa Desvairada?
Trago Salvador dentro de mim. Vivo desvairadamente feliz aqui em Sampã.

Gil ou Caetano?
Caetano.

Bandeira vermelha ou azul?
Joga um branco no meio e vira a bandeira da Bahia! Tem que ter axé para encarar uma guerra ou viver em paz.

Ator ou jornalista?
Minha gente é a do teatro. Meu vocabulário, meu texto, minhas referências, meu humor, tudo vem daí.  Quando sou jornalista, sou também ator.

José Genoino ou José Serra?
José Celso.

Manifesto Antropofágico de 1922 ou Tropicália ou Panis et Circencis de 1968?
Sou cada vez mais inclusivo. Quero todos!

Nudez ou caretice?
Precisa responder...!? A caretice está cada vez mais perigosa.

Cacilda ou Sertões?
Fui público em Os Sertões. Em Cacilda estou em cena, na criação, e não tem nada comparável a viver uma experiência como essa. Mas essas duas odisseias do Oficina estão mais ligadas do que parece...

Bixiga ou Higienópolis?
Edifício Louveira, na rua Piauí, ou Oficina, na rua Jaceguai...? Posso ser feliz com Vilanova Artigas e Lina Bo Bardi. Temos os dois em São Paulo, não precisamos reduzir nada! Mas a mistura de culturas do Bixiga ainda tem o poder, como poucos, de fazer São Paulo lembrar de onde vem muita coisa incrível dessa cidade.

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leandro knopfholz ivam cabral Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Leandro Knopfholz (à esq.) e Ivam Cabral: diretor do Festival de Curitiba convidou o diretor da SP Escola de Teatro para ser curador do evento em sua 23ª edição, em 2014- Fotos: Daniel Sorrentino/Clix e Arquivo SP Escola de Teatro

Por Miguel Arcanjo Prado

Dupla dinâmica
Leandro Knopfholz, diretor geral do Festival de Curitiba, convidou Ivam Cabral para ocupar cargo de curador no evento em 2014.

Entre no cartaz
Em tempo, o 23º Festival de Curitiba acontece entre 25 de março e 6 de abril de 2014. As inscrições para espetáculos já estão abertas aqui.

Agenda Cultural (toda sexta, meio-dia-na Record News)

Calma, Betty!
Tem ator por aí que se acha o centro do universo. Não contente com novela, teatro comercial e participação em talk show noturno, o moço fica nervoso quando não consegue todos os espaços do mundo só para ele. Ainda bem que o povo que faz teatro sofrido na periferia de São Paulo não é assim. E teria bem mais direito de reclamar do que o nosso artista ególatra.

Esgotou
Estão sendo disputados a tapa os ingressos da última sessão da peça Genet - O Poeta Ladrão, dirigido por Sergio Ferrara, no Espaço Beta do Sesc Consolação, nesta sexta (6).

jose renato Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

José Renato, que morreu em 2011 aos 85 anos: vai nomear prêmio em São Paulo - Foto: Zineb Benchekchou

Homenagem
José Renato, nosso grande saudoso diretor, vai virar nome de prêmio teatral. O projeto já foi aprovado na Câmara dos Vereadores de São Paulo. Rudifran Pompeu, da Cooperativa Paulista de Teatro, está em festa. A gente também.

Heroína da resistência
Cléo De Páris, nossa musa, está revoltada com o teatro. Diz que o público não foi prestigiar a peça Nosferatu, que terminou temporada no Espaço dos Satyros Um. A moça está pensando cada vez mais em abandonar o tablado e abrir uma floricultura. Não faz isso com a gente, Cléo!

Formado
Bruno Machado acaba de ganhar dez em seu trabalho de conclusão de curso em jornalismo defendido na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O moço, que é apaixonado pela cobertura teatral, agora é jornalista diplomado. Bem-vindo ao time, rapaz!

Obra
Maria Lúcia Candeias lança o livro Strindberg e o Poder (Coleção Teatro Popular do Sesi) no dia 16 de dezembro de 2013, a partir das 19h, no Bar Balcão, em São Paulo.

Visita rápida
Zé Henrique de Paula, nosso diretor que faz mestrado em Londres, passará o fim do ano em São Paulo.

Debates
Começa no próximo dia 10, na SP Escola de Teatro, o Seminário 150 Anos Stanislavski, coordenado por Ney Piacentini. Ah, a escola está com um bocado de cursos grátis para o período de férias. Saiba mais aqui.

Causaram
Falando em SP Escola de Teatro, o experimento de encerramento do curso do Módulo Vermelho, Partysía, foi o mais impactante dos últimos tempos na escola. E quem diz não é a coluna, que perdeu, mas, sim, a voz do povo. Quem viu sabe.

Vai pro Tusp!
Até o dia 15 de dezembro, a I Bienal Internacional de Teatro da USP apresenta três espetáculos internacionais inéditos no Brasil: The Island (Cisjordânia), Damned Be the Traitor of his Homeland! (Eslovênia) e Macbeth: Leila & Ben - a bloody history (Tunísia). As obras trazem aos palcos reflexões sobre o apartheid, o desmembramento da ex-Iugoslávia e o mundo árabe. Quem for esperto irá. Veja a programação completa.

inferno Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Inferno na Paisagem Belga: peça do grupo Os Satyros vai estar na abertura da Copa do Mundo - Foto: André Stefano

Teatro na Copa do Mundo
Imagens do espetáculo Inferno na Paisagem Belga, do grupo Os Satyros, estarão no vídeo sobre São Paulo que será exibido na abertura da Copa do Mundo de 2014. Será a única peça da cidade a aparecer no filme, que tem direção da cineasta baiana Letícia Simões, radicada em São Paulo há um ano. Ela contou à coluna que está emocionada com a empreitada. "Dirigi imagens que serão vistas pelo mundo todo. E o melhor é que pude passar minha visão sobre São Paulo". Também vão aparecer um espetáculo de dança e a Osesp tocando na Sala São Paulo, como símbolos da cultura paulista. No filme, além do espetáculo dos Satyros dirigido por Rodolfo García Vázquez e com Ivam Cabral no elenco, vão aparecer também cartões postais da cidade, como a Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, o restaurante Fasano e a Pinacoteca do Estado, no parque da Luz. Viva.

Pertinho do Natal
A turma do musical A Madrinha Embriagada manda avisar que ele ficará em cartaz até 22 de dezembro de 2013. Depois, faz uma pausa de fim de ano, e volta no dia 8 de janeiro de 2014. Quase 50 mil pessoas já viram a produção, assinada por Miguel Falabella, e que tem entrada gratuita no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso, na avenida Paulista.

Frase
"Machistas, não passarão!"

Ria muito!
Bruno Motta comanda o espetáculo de humor Finalmente Juntos no Teatro Folha, no shopping Higienópolis, em São Paulo, até 14 de dezembro de 2014. A obra reestreia no dia 6 de janeiro. Sempre sexta e sábado à meia-noite. Os ingressos estão a preço popular. Vão de R$ 10 a meia-entrada em um dos setores na sexta a R$ 40 a inteira no melhor lugar no sábado.

bruno motta Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Comediante Bruno Motta, um dos grandes nomes do stand-up, dirige comédia em SP - Foto: Rodrigo Fonseca

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musos teatro novembro 2013 Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro

Musos e Musas chamaram a atenção do espectador brasileiro nos palcos - Fotos: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O penúltimo mês do ano foi de muita correria, mas diversas peças chamaram a atenção dos espectadores, e, claro, seus atores também. E chegou a hora de escolher quem merece o título de Muso e Musa do Teatro R7 de novembro de 2013.

Veja os indicados, abaixo, e escolha os seus preferidos.

Os vencedores ganharão perfil e ensaio exclusivos no R7. O resultado sai aqui no blog na manhã da próxima segunda (9).

Boa sorte!

Quem é a Musa do Teatro R7 de novembro de 2013?

Esta enquete está encerrada
  • musa bruna thedy a casa de bernarda alba Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Bruna Thedy (A Casa de Bernarda Alba)
    53.7%
  • musa camila mota cacilda Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Camila Mota (Cacilda!!!)
    12.2%
  • musa luana piovani sonhos de um sedutor Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Luana Piovani (Sonhos de um Sedutor)
    2%
  • musa maria fernanda candido toca do coelho Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Maria Fernanda Cândido (A Toca do Coelho)
    3.7%
  • musa yara de novaes contracoes Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Yara de Novaes (Contrações)
    28.3%

Quem é o Muso do Teatro R7 de novembro de 2013?

Esta enquete está encerrada
  • muso joao paulo bienemann limpe Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    João Paulo Bienemann (Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete)
    5.1%
  • muso oscar silva edipo na praca1 Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Óscar Silva (Édipo na Praça)
    33.6%
  • muso reynaldo gianecchini toca do coelho Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Reynaldo Gianecchini (A Toca do Coelho)
    0.8%
  • muso tiago leal adormecidos Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Tiago Leal (Adormecidos)
    57.8%
  • muso tony reis cacilda Escolha o Muso e a Musa do Teatro R7 de novembro
    Tony Reis (Cacilda!!!)
    2.7%

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oduelo Crítica: O Duelo produz instantes sublimes de teatro

Aury Porto e Camila Pitanga, em cena de O Duelo, da mundana companhia, no CCSP - Foto: Divulgação

Por Beth Néspoli*
Especial para o Atores & Bastidores

Vi O Duelo, da mundana companhia, no Centro Cultural São Paulo. Minha experiência como espectadora leva-me a dizer: se você teve vontade de ver e hesitou devido à longa duração (3h20), atravesse essa barreira e vá correndo, porque a temporada está no fim.

No teatro, às vezes, experimenta-se simultaneamente o envolvimento emocional e/ou racional com a ficção e prazer propiciado pela observação dos procedimentos criativos. Há muitos momentos assim em O Duelo.

Num deles, o grupo consegue instaurar com poucos elementos o intenso frescor do banho de mar, com direito a mergulho e natação, compartilhado pelas mulheres interpretadas por Camila Pitanga e Carol Brada.

Toda a ação transcorre na região do Cáucaso, em uma Rússia quente e litorânea e, nessa cena, o espectador não apenas é tocado pela situação ficcional, na qual a leveza do momento de lazer contrasta com a peso das emoções veladas da personagem vivida por Camila, como pode deleitar-se com as soluções cênicas criadas para colocar no palco o mar e seus fluxos.

Em outro momento do espetáculo, discreto estímulo sonoro, coreografia precisa que beira à imobilidade e algumas poucas palavras são elementos mobilizados para convocar a imaginação do espectador na criação de um amplo cenário.

O silêncio denso que se segue produz um daqueles instantes sublimes de teatro em que sentimos o próprio corpo plantado no presente e, ao mesmo tempo, transportado para a ficção. Experiência para ficar na memória.

O Duelo diverte o espectador, sem nada ter de frívolo. Mais do que isso, é encenação relevante para o momento histórico vivido no Brasil, esse nosso tempo em que ‘a ferro e fogo’ deixou de ser apenas uma metáfora para disputas de pensamento.

O tradicional duelo, com padrinhos e pistolas se faz presente, mas passa ao largo do motivo banal e não se restringe ao momento específico em que dois homens empunham armas.

Em jogo está um embate de visões de mundo que atravessa todo o espetáculo. Em uma das pontas um homem em crise existencial (Aury Porto) flagrado num momento de passagem e muitas dúvidas. Abandonou um modo de ser, mas ainda não se apropriou do que quer vir a ser.

Na outra ponta, um cientista determinado e pleno de certezas (Pascoal da Conceição). Para mediar o constante duelo entre eles Tchekhov cria um personagem (Vanderlei Bernardino), não por acaso um médico como ele próprio o era, que respeita diferenças e aposta no diálogo.

Já as partes em conflito só conseguem ver duas soluções para suas diferenças: o afastamento geográfico ou a eliminação do oponente. Não é um teatro de tese. O que acompanhamos no palco são atos de gente em seu cotidiano. E a abordagem não é coral. É atravessando subjetividades e relações interpessoais que Tchekhov trata da sociabilidade.

O homem em crise é de origem aristocrática e deixou a cosmopolita São Petersburgo para viver no distante Cáucaso, com sua mulher (Camila Pitanga) que, por sua vez, ousou abandonar o marido para se lançar na aventura. Porém dois anos depois – é quando tem início a narrativa – ambos se sentem entediados e solitários.

Cada cena do espetáculo está repleta de pequenos duelos, alguns com desdobramentos terríveis, muitos originados da oposição entre o comportamento do casal e os hábitos conservadores da distante província.

A linguagem do drama – mesmo que quebrado por procedimentos épicos como faz a mundana companhia – exige intérpretes com domínio técnico para dar forma não estereotipada a emoções e sentimentos múltiplos e contraditórios.

Nesse quesito é inegável a qualidade do conjunto de atores de O Duelo e não raro aquele já citado duplo prazer é proporcionado pela atuação do elenco. Por exemplo, na cena que poderíamos chamar de duelo final entre a mulher vivida por Camila Pitanga e seu opressor, o policial interpretado por Sérgio Siviero que a assedia sexualmente, é possível estar a um só tempo em estado de comoção pela tragédia iminente e apreciar o investimento criativo conjunto de atores e direção.

Uma miríade de sentimentos é trazida à tona por meios de recursos como o movimento corporal da atriz que oscila entre o vergar-se e o aprumar-se, a modulação da sua voz e a manipulação do figurino. Tudo na sua atuação converge para intensificar a atmosfera de impotência da presa que no breve instante que antecede a captura faz as últimas tentativas para escapar.

Do lado do predador, em vez do esperado gesto curto e reto da força bruta, Siviero opta pelo movimento sinuoso e por botes curtos, o que amplia em muito a densidade do momento. O desenho final contribui para ressaltar a opressão sobre o feminino como questão cultural grave.

Embora situado na Rússia de dois séculos atrás, o espetáculo diz muito sobre os nossos tempos. O Duelo fica em cartaz no CCSP até o dia 15 de dezembro de 2013. Não deixe de ver.

*Beth Néspoli é jornalista especializada em teatro e doutoranda em artes cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo).

O Duelo
Quando: Quinta a domingo, 19h30. 210 min. Até 15/12/2013
Onde: Centro Cultural São Paulo (r. Vergueiro, 1.000, metrô Vergueiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3397-4002)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

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mandela Nelson Mandela mostrou ao mundo que sonho de igualdade entre homens é única verdade possível

Nelson Mandela: homem que pagou com a própria liberdade por sonho de igualdade - Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Como, um dia, negros e brancos foram separados por leis racistas? A pergunta, esperamos todos, deverá surgir com ar de espanto em uma criança no futuro, sem entender como as coisas já foram tão cruéis e estúpidas neste mundo.

E, quem quer que responda ao questionamento, terá de mencionar um homem que, em meio a um cenário tão hostil ao seu redor, dedicou sua vida a simplesmente acreditar que negros e brancos são iguais.

Homem que ensinou ao mundo que todos, independentemente de etnia, somos apenas seres humanos. E que qualquer tipo de segregação racial é um torpe crime contra a humanidade. O nome deste homem é Nelson Mandela, que o mundo perdeu nesta quinta-feira (5), aos 95 anos.

Foi por meio de Mandela e sua luta, mesmo feita em grande parte de dentro de uma prisão, que o mundo soube do horror do apartheid, o regime racista da África do Sul que instaurou uma barreira de privilégios para brancos em detrimento de negros oprimidos entre 1948 e 1994 – sim, é absurdo que tenha durado até tão pouco tempo atrás.

A trajetória de Mandela é em si só uma vitória. Oriundo de família simples, foi o primeiro a estudar na sua casa. E não fez feio. Formou-se advogado e logo viu que seu caminho era o luta por igualdade. E por ela pagou preço caro: sua própria liberdade, amargando 27 anos na cadeia após ter sido preso em uma manifestação contra o apartheid.

Mas o homem que deu sua liberdade por conta do sonho de igualdade, jamais desistiu. Com sua obstinação e carisma, convenceu o mundo inteiro de que o seu sonho era a única verdade possível para a África do Sul: um lugar onde negros e brancos pudessem conviver de forma igualitária e em paz. Porque as coisas devem ser assim.

Tal qual sonhou também o mártir norte-americano Martin Luther King, assassinado por conta da luta contra o racismo nos EUA, Mandela inspirou gente no mundo todo – no Brasil foi cantado pelo Olodum. E, ao contrário do norte-americano, pôde viver para ver seu desejo se tornar realidade.

Da prisão foi para o posto de presidente de seu País, elevado de condição de vergonha mundial para o posto de mais próspero país africano e que recebeu a última Copa do Mundo, quando fez sua última aparição pública.

Mandela se vai, mas nos deixa intocadas sua garra, sua obstinação, seu exemplo, sua vida. Vida esta que o fez um dos grandes nomes da humanidade. Que o futuro saiba respeitar e propagar seu legado de igualdade.

Salve, Mandela!

Saiba também sobre a morte de Fauzi Arap, aos 75 anos

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fauzi arap21 Morre Fauzi Arap aos 75 anos em SP   Ele se preparou e morreu sereno, diz sobrinho

Fauzi Arap morreu aos 75 anos - Foto: SP Escola de Teatro

Por Miguel Arcanjo Prado

Será velado na noite desta quinta (5) na Catedral Ortodoxa do bairro do Paraíso, em São Paulo, o corpo do diretor, dramaturgo e ator Fauzi Arap.

Ele morreu em casa, na capital paulista, aos 75 anos, na madrugada desta quinta, segundo divulgou o site da SP Escola de Teatro, ligada ao governo estadual paulista. O artista sofria de câncer na bexiga.

O enterro do corpo será nesta sexta (6), às 11h, no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, na zona oeste.

Leia também: Morre Nelson Mandela

O R7 conversou com Fábio Atui, sobrinho de Fauzi Arap que é médico e cuidou do familiar. Segundo ele, a partida do tio foi do modo como ele queria.

– Ele morreu sereno e viveu a vida como ele quis. Ele se preparou para este momento. Ele detestava as coisas materiais e arrumou tudo para partir.

Crítico teatral e ex-presidente da APCA, Aguinaldo Cristófani Ribeiro da Cunha afirmou que ficou "profundamente chocado" com a morte de Arap. Ele conheceu o diretor por meio de sua prima, Myriam Muniz.

– É uma perda enorme para o teatro brasileiro, por seu talento e postura como homem de teatro. Perda irrecuperável para nós, seus amigos. Seu teatro era autoral, personalíssimo, desde sempre.

Claudia Mello, que está em cartaz na obra Chorinho, dirigida e escrita por Arap, ao lado de Denise Fraga, falou, emocionada ao R7. A atriz era amiga do diretor havia mais de 40 anos.

– Ele deixa uma contribuição incrível ao teatro brasileiro. Ele uniu estética e ética. Ele tinha uma sensibilidade única e revolucionou a forma de se fazer teatro. Eu sempre ia visitá-lo.

Claudia Mello revelou que ela e Denise Fraga irão homenagear Fauzi Arap em Brasília, neste fim de semana, onde apresentam Chorinho no Teatro Brasil 21 Cultural, de sexta (6) a domingo (8). Ela ainda contou que planejava com Denise Fraga montar um novo texto de Arap, Doutor, Eu Quero Alta, em 2014.

Homem do teatro

Arap integrou o Teatro Oficina no começo do grupo, ao lado de José Celso Martinez Corrêa. Ganhou o Prêmio Saci, oferecido pelo jornal O Estado de S. Paulo, e também o Prêmio Governador do Estado, como melhor ator coadjuvante na peça A Vida Impressa em Dólar, de 1961.

Natural de São Paulo, onde nasceu em 1938, Arap era engenheiro civil pela USP (Universidade de São Paulo). Ele também trabalhou no Teatro de Arena.

Como diretor, apresentou textos de autores que se consagrariam mais tarde, como Plínio Marcos e Antônio Bivar. Em 1971, dirigiu Maria Bethânia no show Rosa dos Ventos. Recentemente, escreveu e dirigiu a peça Chorinho, que estreou em 2007 com Claudia Mello e Caio Blat, depois substituído por Denise Fraga no elenco.

fauzi arap Morre Fauzi Arap aos 75 anos em SP   Ele se preparou e morreu sereno, diz sobrinho

Fauzi Arap, à esq., conversa com José Wilker, Glauce Rocha, Clarice Lispector e Dirce Migliaccio sobre o espetáculo Perto do Coração Selvagem, primeira vez de um texto de Clarice no teatro, dirigido por Fauzi, em 1964 - Foto: Acervo Funarte

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Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

É uma perda enorme para o teatro brasileiro, por seu talento e postura como homem de teatro. Perda irrecuperável para nós, seus amigos. Estou profundamente chocado. Fauzi era muito querido. Homem e artista de grande e singular personalidade. Ganhou o Grande Prêmio da Crítica da APCA não faz muito tempo, não foi buscá-lo pessoalmente, é claro, mas enviou seus queridos amigos Nilton Bicudo, Cláudia Mello e Denise Fraga para representá-lo na cerimônia no Teatro Paulo Autran. Seu teatro era autoral, personalíssimo, desde sempre, que me lembre (Rosa dos Ventos e tantos outros grandes espetáculos). Muito amigo de Flávio Império. Eu o conheci através de Miriam Muniz, de quem era amigo e cuja casa frequentava com assiduidade. Ficamos amigos. Lembro-me dele, extraordinário ator, ao lado de Guarnieri e de Miriam, em O Inspetor Geral, e ao lado de Cleyde Yáconis em O Fardão. Fauzi era muito querido. Homem e artista de grande e singular personalidade. Ganhou o Grande Prêmio da Crítica da APCA não faz muito tempo, não foi buscá-lo pessoalmente, é claro, mas enviou seus queridos amigos Nilton Bicudo, Cláudia Mello e Denise Fraga para representá-lo na cerimônia no Teatro Paulo Autran. Seu teatro era autoral, personalíssimo, desde sempre, que me lembre (Rosa dos Ventos e tantos outros grandes espetáculos). Muito amigo de Flávio Império. Eu o conheci através de Miriam Muniz, de quem era amigo e cuja casa frequentava com assiduidade. Ficamos amigos. Lembro-me dele, extraordinário ator, ao lado de Guarnieri e de Miriam, em O Inspetor Geral, e ao lado de Cleyde Yáconis em O Fardão.Seu teatro era autoral, personalíssimo, desde sempreSeu teatro era autoral, personalíssimo, desde sempre.

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BOB SOUSA 0307 Crítica: Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete faz de sanha consumista patético fracasso

Ed Moraes e Daniel Tavares em cena de Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Bob Sousa

Sabe quando aquela sensação de fracasso iminente paira no ar? E que qualquer tentativa de fugir dele só o tornará mais forte e palpável? Pois no espetáculo Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete, da Cia. dos Inquietos, isso está mais do que evidente, quase sufocante.

E o fracasso ganha contornos irônicos que beiram o ridículo. Porque assim ele o é. Quem duvidar do patético da peça, pode dar uma voltinha na vida real e ver o quanto ela é encenada e absurda também.

A primeira montagem paulista para um texto do carioca Jô Bilac, considerado autor promissor da nova geração, ganha encenação inventiva de Eric Lenate. O diretor se apropria do discurso do texto e cria formas que o acentuam, tornando-o mais forte e impactante.

A peça conta a história de Wilson, um jovem que tenta inserir-se no mercado de trabalho, após ter se tornado uma espécie de celebridade escolar infanto-juvenil como menino gênio, coisa da qual ninguém se lembra mais, para sua decepção. Ele namora uma ambiciosa cuidadora de idosos, cujo sonho maior é um apartamento de frente para o mar – conjugado nem pensar.

Outros dois personagens completam a história: um jovem bonitão que disputa com Wilson uma vaga importante em uma grande empresa; e a amiga de sua noiva, também cuidadora de idosas - representadas por velhas vitrolas, em um grande achado da direção.

O texto é uma grande alegoria que explicita a sanha pós-moderna que vivemos, na qual é preciso se encaixar no sistema de mercado como forma de sobrevivência e status, e a vida mais se define pelo ter do que pelo ser.

A força empresarial sobre a vida das pessoas, que são capazes de tudo para manter um posto de trabalho – incluindo aí humilhar-se a si próprias e aos outros ao redor –, é encenada em cenas hilárias de impacto profundo.

Lenate impõe sua forma diante do bom texto de Bilac. E o resultado é um espetáculo teatral envolvente e que segura o espectador até o fim.

Ed Moraes constrói seu Wilson com propriedade. Faz o personagem patético, do qual ninguém tem pena, sobretudo diante da mediocridade que o mesmo exala.

Já sua noiva, que antes estava a cargo de uma inspirada Luna Martinelli, que deu interpretação definitiva à personagem, agora é assumida por Rita Batata – Luna precisou se ausentar desta temporada da montagem para integrar o projeto Puzzle, de Felipe Hirsch. Rita segue o rastro deixado por Luna, mas é complicado assumir uma personagem consagrada por outra atriz. Mesmo assim, demonstra coragem em fazê-lo e assumir o risco.

Daniel Tavares faz o jovem almofadinha concorrente de Wilson, que crê em sua predestinação em dominar o mundo corporativo. Ele encarna uma figura conhecida de todos nós nos escritórios e repartições da vida, crentes de que o seu servir aos grandes lhe dá algum tipo de poder. Na realidade, um pobre coitado. E o personagem é desmistificado ao fim da obra, tendo suas vísceras expostas por um feroz e acuado Wilsinho, em um grande momento da obra com o embate entre os dois personagens no qual as máscaras caem.

Já o charme desta recente montagem figura em João Paulo Bienemann, que assume a colega cuidadora da noiva de Wilson. Ele faz uma jovem em faniquito, cujo maior sonho de vida é ser a Rainha de Sabá, sim, a monarca bíblica que encantou o Rei Salomão. É hilária a cena na qual a personagem é corrompida pelo sonho de consumo: é o melhor momento do ator em cena, no qual vai da doçura tenra à uma fome animalesca pelo dinheiro.

Limpe Todo Sangue Antes que Manche o Carpete é mais um espetáculo que explicita o caos que vivemos, com relações subjugadas pelo sistema, onde o dinheiro domina sem alternativas e subir na vida é tarefa obrigatória. Contundente, o espetáculo joga na cara da plateia que o conto de fadas do consumismo pós-moderno, na verdade pode ser um pesadelo sem fim, um grande fracasso. Tal qual deixa claro a corda amarrada ao pescoço do protagonista. E é aí que mora seu grande mérito.

BOB SOUSA 0274 Crítica: Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete faz de sanha consumista patético fracasso

Limpe Todo Sangue Antes que Manche o Carpete é dobradinha de Jô Bilac e Eric Lenate - Foto: Bob Sousa

Limpe Todo Sangue Antes que Manche o Carpete
Avaliação: Muito bom
Quando: Quinta e sexta, 21h. 70 min. Até 13/12/2013
Onde: CIT-Ecum (r. da Consolação, 1623, Consolação, metrô Paulista, tel. 0/xx/11 3255-5922)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete faz de sanha consumista patético fracasso

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sonhos de um sedutor Crítica   Peça carioca Sonhos de um Sedutor é Woody Allen divertido, mas sem profundidade

Luana Piovani, George Sauma, Heitor Martinez e Georgiana Góes em Sonhos de um Sedutor - Foto: Matheus Cabral

Por Átila Moreno, no Rio*
Especial para o Atores & Bastidores

Adaptar uma obra de Woody Allen já é uma responsabilidade tamanha. Imagine quando a trama traz um protagonista que carrega o alter-ego desse cineasta e dramaturgo norte-americano.

Coube ao diretor Ernesto Piccolo essa difícil missão em Sonhos de um Sedutor, que está em cartaz no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro.

A peça foi encenada em 1969. Três anos depois, Woody Allen levou a história para os cinemas e também interpretou o personagem principal, com a direção de Herbert Ross.

Na montagem brasileira, George Sauma, que ficou conhecido na série Toma Lá Dá Cá, dá vida a Allan Felix,  um crítico de cinema, fã dos clássicos, que se encontra angustiado, após ser abandonado pela mulher. O ator se sai bem quando o texto exige o lado cômico e sua caracterização se assemelha bastante ao próprio Woody Allen.

sonhos de um sedutor cena credito matheus cabral Crítica   Peça carioca Sonhos de um Sedutor é Woody Allen divertido, mas sem profundidade

Diane Keaton e Woody Allen em versão carioca: Luana Piovani e George Sauma - Foto: Matheus Cabral

Georgiana Góes, que ficou famosa pela série Confissões de Adolescente, faz a namorada e também se debruça em outras seis mulheres, que entram na lista de conquistas desse novo solteiro. A atriz é o ponto alto do espetáculo.

Para enfrentar a solidão, a estratégia de caça é criada pelo casal de amigos, Dick (Heitor Martinez) e Linda (Luana Piovanni, que domina muito bem o papel que foi de Diane Keaton). Só que Allan não contava que iria se apaixonar pela esposa do melhor amigo.

O time de ajuda se completa com Rick,  do filme Casablanca, de 1942. É isso mesmo. Bem ao estilo Woody Allen, o personagem sai da televisão para dar conselhos ao tímido e desiludido amante. Heitor Martinez é quem se desdobra no palco para dar vida a esse co-protagonista, que foi eternizado pelo galã Humphrey Bogart.

E as referências ao clássico filme não param por aqui. Play it Again, Sam, título original da peça, se origina de Play it, Sam,uma das frases da atriz Ingrid Bergman na trama.

Por meio das desilusões amorosas, é que Allan tenta entender, escapar e dominar um jogo ao qual ele sempre perde. Woody Allen deu a exata projeção de como é problemático esse tabuleiro de sedução para as pessoas inseguras.

Talvez tenha faltado a esta montagem brasileira uma maior dimensão dramática.  Sonhos de um Sedutor funciona como comédia. O elenco é afinado, o cenário casa com ambientação intimista do personagem principal e o figurino segue esse mesmo estilo.

Mas falta algo, e é, justamente, no aprofundamento das relações amorosas ao qual Allan tenta costurar.

*Átila Moreno é jornalista formado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC Minas.

Sonhos de um Sedutor
Avaliação:
Bom
Quando:
 quinta, sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. 75 min. Até 15/12/2013
Onde:
 Teatro Ipanema (r. Prudente de Moraes, 824, Ipanema, Rio, tel. 0/xx/21 2267-3750)
Quanto:
 R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação etária:
 livre
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica   Peça carioca Sonhos de um Sedutor é Woody Allen divertido, mas sem profundidade


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danielle rosa 1 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Criada em Vitória da Conquista, na Bahia, Danielle Rosa é o furacão do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quem vê Danielle Rosa no palco do Teat(r)o Oficina, em São Paulo, fica boquiaberto. A atriz exala confiança em cada cena. Seduz. Um verdadeiro furacão.

Quando a gente se encontra com Danielle fora do contexto cênico percebe que ela é calma, tranquila. Parece um pouco tímida, mas se entrega. É verdadeira.

Nasceu em Campinas, São Paulo, por um mero acaso. Considera-se baiana de Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha, onde morou de um aos 18 anos, quando abandonou a terra natal para estudar artes cênicas na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.

Caçula dos cinco filhos da dona de casa Dinalva Rosa Oliveira e de João de Oliveira, que já morreu, infelizmente, ela diz ser filha "de família meio nômade".

— Decidi ser atriz com 11 anos. Lembro-me que um dia acordei e falei: vou ser atriz. Foi como se tivesse ouvido um chamado.

danielle rosa 3 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Danielle Rosa é formada em artes cênicas pela UFBA e faz teatro desde os 15 anos - Foto: Eduardo Enomoto

Só começou nos palcos aos 15, primeiro com o grupo teatral do Instituto de Educação Euclides Dantas, onde estudou. Depois, com o grupo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia).

— Mudei-me para Salvador em 2013. Fui morar na Casa do Estudante da UFBA. Logo, montei com amigos o grupo Finos Trapos.

Mas a Bahia logo ficou pequena para o sonho simples e tão difícil de Danielle: sobreviver de sua profissão de atriz. Foi quando viu Os Sertões, encenação de José Celso Martinez Corrêa para o romance de Euclydes da Cunha com o Oficina em 2007. Conheceu ali o teatro que queria fazer. Decidiu que era hora de mudar-se mais uma vez.

— Vim para São Paulo com a cara e a coragem. Pensei comigo: não posso ficar esperando, preciso correr atrás do que acredito.

Sofreu muito na metrópole, mas decidiu "aguentar até o limite". Quando sente falta do acolhimento baiano, volta à terra natal para fazer "um respiro".

Entrou para o Oficina em 2011. No ano seguinte, embarcou com o grupo para a Europa, onde se apresentou na Bélgica e em Portugal com o espetáculo Bacantes. Depois, integrou Acordes, e, agora, Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1, no qual chamou a atenção do R7 e de todo o público como aquela sereia do inconsciente de todos nós.

danielle rosa 2 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Sensual e de forte presença, Danielle Rosa foi um dos destaques de Cacilda!!! do Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Agora, viaja com o quarto e último espetáculo da saga sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema e Teatro, que tem estreia marcada no palco do Oficina para o próximo dia 14 de dezembro.  Em meio a tantas peças, Danielle sonha ainda em fazer cinema, em conquistar estabilidade profissional cada dia mais.

Diz que gosta do jeito de fazer teatro de Zé Celso e sua turma. Conta que em "cada dia de ensaio é preciso estar plena", que vive "uma descoberta diária". Questionada de onde vem a força que demonstra em cena, pensa e responde.

— O aqui e agora é único. Isso dá muita vida a tudo o que acontece. Cada dia em que saio do fosso para fazer a cena é especial.

Sobre o destaque que teve em Cacilda!!!, explica de forma serena.

— Acho que aconteceu em parte porque sou a primeira a aparecer nua [risos]. Eu lido de forma natural com a nudez. Não penso nisso e busco a segurança no olhar das pessoas. Acredito muito em meu trabalho e neste teatro que faço. E também sou segura com meu corpo. Acho, que de alguma forma, o público sente isso também. No Oficina, sempre estou à vontade.

danielle rosa 4 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

De alma baiana, a atriz Danielle Rosa é um furacão cheio de serenidade - Foto: Eduardo Enomoto

 

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