Foto de Bob Sousa

mel lisboa bobsousa O Retrato do Bob: Mel Lisboa, uma atriz aguerridaMel Lisboa é uma estrela da TV, mas mantém os pés no chão no teatro político. E foi como simples atriz em meio a ensaio que posou para o nosso Bob Sousa. Ela integra a Cia. Pessoal do Faroeste, em São Paulo, na qual é protagonista da peça Homem Não Entra, dirigida por Paulo Faria. Está em cartaz no espaço do grupo na rua do Triunfo, 305, em plena região da Cracolândia, no centro paulistano. A obra fala da expulsão das prostitutas do bairro Bom Retiro, em 1953, quando foram levadas para a Luz, onde permanecem até hoje. É apresentada aos sábados, às 23h, e aos domingos, às 17h, até 18 de agosto de 2013. O público paga quanto quiser. A atriz, que encena parte da montagem entre mendigos e viciados em crack no meio da rua, vive ao mesmo tempo o glamour do mundo das celebridades e a crua realidade dos vizinhos de seu teatro. Contudo, sabe que estar ali é militância. É voz de combate. É consciente que o peso de seu nome traz ilumina a Luz, berço da Boca do Lixo hoje mergulhado na decadência fruto do descaso do poder público e da sociedade. É por isso que Mel Lisboa é uma atriz aguerrida.

Agradecimento: Raphael Henry (make-up)

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the living room foto miguel arcanjo prado Crítica: The Living Room, de Thomas Richard, convida público a experiência sensorial inesquecível

Antes da última sessão, R7 faz registro exclusivo dos atores da peça The Living Room - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

O espetáculo The Living Room (A Sala de Estar) faz sua derradeira apresentação às 18h deste domingo (12), no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo. A montagem é dirigida por Thomas Richard com seus artistas do Workcenter de Jerzy Grotowski e Thomas Richards, localizado em Pontedera, na Itália.

Para o espectador do teatro tradicional, relacionar-se com novas estéticas, como no caso da performance, pode gerar, num primeiro momento, certa estranheza e incômodo.

A montagem propõe um encontro entre público e artistas/performers em uma sala de estar, como o próprio nome diz, montada no palco.

O espectador é recebido pelo eclético elenco, que lhe acomoda em confortável e aconchegante mobiliário, enquanto lhe oferece chá, café, suco, biscoitos e frutas, formando um desenho perfeito do exercício do bem receber, sendo os artistas exímios anfitriões na arte do interesse pelo outro.

No começo, há quem estranhe a proposta, sobretudo a exposição de comer diante dos outros, já que todos podem ver todos. O que leva certo comedimento inicial. Mas, logo os artistas tratam de deixar os espectadores à vontade. Levando-os à suspensão da percepção convencional da loucura da metrópole e abrir um parêntesis onde a experiência acontece. A experiência das relações interpessoais ganham poesia em atos tão corriqueiros como tomar um café, servir um copo de suco ou pegar um biscoito na mesa.

Trata-se de um grupo esteticamente interessante em sua composição física, onde o corpo dos performers já é a própria performance. Há cuidado no gesto, no movimento, um tempo dilatado para as ações, o que introduz o público em uma outra convenção: a tranquilidade de uma sala de estar, na qual artistas e plateia formam uma coisa só, a tertúlia.

Os tertulianos assistem à execução a capela de cantos e textos de tradições ancestrais de distintos povos. A destreza na execução do canto faz com que o espectador tenha a sensação de sound round dos home theaters 5.1. Só que a experiência ocorre sem uso de tecnologia alguma.

De forma sutil, o espetáculo dialoga com o que conhecemos no Brasil por Augusto Boal do espect-ator, que levava o espectador a acionar na obra. A velocidade que o espectador pode acabar com os biscoitos à sua frente é tão interessante e performática quanto a execução formal da proposta, falando em termos de inter-relação.

Em toda a performance há um limite, um risco ao qual o grupo se predispõe. Neste caso, trata-se de colocar, na sala de estar de casa, convidados não conhecidos. E, lidar com estes, é ingrediente constitutivo e quase indispensável desse encontro. E a não compreensão dos idiomas nos quais são cantadas as canções é quase que uma desculpa para que esse encontro aconteça, onde o mais rico está na sensibilidade para o que é sutil e ao que se dá por acaso.

the living room foto miguel arcanjo prado 2 Crítica: The Living Room, de Thomas Richard, convida público a experiência sensorial inesquecível

Anfitriões: atores de The Living Room, do Workcenter Jerzy Grotowski e Thomas Richard, recebem o R7 no palco do Teatro Anchieta, em SP, onde fizeram temporada até este domingo (12) – Foto: Miguel Arcanjo Prado

The Living Room (A Sala de Estar)
Avaliação: Ótimo
Quando: Domingo, 18h. Até 12/5/2013
Onde: Teatro Anchieta do Sesc Consolação (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo, tel. 0/xx/11 3234-300)
Quanto: R$ 32 (inteira)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro Crítica: The Living Room, de Thomas Richard, convida público a experiência sensorial inesquecível

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hasard Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Polêmica do Festival de Curitiba, espetáculo Hasard, do ERRO Grupo, estará na Virada - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Polêmica na Virada
O ERRO Grupo, de Santa Catarina, participará da Virada Cultural de São Paulo. Para quem não se lembra, a coluna refresca a memória: eles são o grupo que foi proibidos pela Polícia do Paraná de se apresentar no último Festival de Curitiba, por conta de uma possível cena de nudez na peça Hasard. Pois é justamente esta montagem que eles apresentarão no centro histórico paulistano. A obra com dramaturgia de Luana Raiter e Pedro Benaton, que também a dirige, será apresentada gratuitamente no dia 19 de maio, domingo, às 17h, no quarteirão das ruas do Comércio, São Bento, XV de Novembro e avenida São João. No elenco, estão os atores Luana Raiter, Luiz Henrique Cudo, Michel Marques e Sarah Ferreira, e os performers Dilmo Nunes e Paula Felitto. A montagem tem seu final baseado em um jogo de cartas. Dependendo da sorte da plateia, pode haver cena de nudez outra vez. Será que a polícia de SP também vai atormentar os meninos? É esperar para ver.

Dobradinha da Roosevelt
Amigos de praça Roosevelt, Hugo Possolo, do Parlapatões, e Rodolfo García Vázquez, do Satyros, se encontram nos palcos pela primeira vez, na peça Eu Cão Eu, dirigida pelo segundo com o primeiro em cena. Fica em cartaz de 24 de maio a 29 de junho, sextas e sábados, às 20h30, no auditório do terceiro andar do Sesc Pinheiros, em São Paulo, com inteira a R$ 20. O enredo conta a história de um homem que se depara com a liberdade de um vira-lata pelas ruas da cidade. Merda.

Milhas de Ivam
Quem acompanha Ivam Cabral no Facebook nos últimos dias ficou impressionado com a quantidade de países visitados pelo nosso ator. É tanta foto que Julio Verne, se visse, escreveria a parte 2 de A Volta ao Mundo em 80 Dias.

Inscrições abertas
A SP Escola de Teatro fará processo seletivo para vagas remanescentes nos curso gratuitos de dramaturgia, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco. As inscrições já estão abertas e vão até 6 de junho. Leia o edital.

Canto de Eline
A atriz Eline Porto, destaque da minissérie Rei Davi (Record),  da série Pé na Cova (Globo) e do musical Hedwig, vai fazer o show Tom de Chuva, na próxima quarta (15), às 20h, no Teatro Café Pequeno (av. Ataulfo de Paiva, 269, Leblon, Rio). O ingresso é R$ 20. No repertório, sucessos de Marisa Monte, Paulinho Moska e Adele, entre outros. Mistura fina.

Prestígio
O ator Robson Catalunha prestigiou a última apresentação da peça Como Ser uma Pessoa Pior, com Lulu Pavarin, nesta quinta (9), no Espaço dos Parlapatões, em São Paulo. Riu à beça.

mila Por trás do pano   Rapidinhas teatrais Reunião de condomínio
Mila Ribeiro (foto ao lado) está na comédia Edifício Shantung, ao lado dos atores Cleiton Souza e Célia Alencar. Mila vive uma síndica às voltas com as brigas dos moradores. Estreia na próxima quarta (15), no Teatro Itália, em São Paulo, onde fica em cartaz até o fim de junho, sempre às quartas, às 21h. O ingresso é R$ 30. A direção é de Eucir de Souza, que também assina cenografia e figurinos. Atualmente, ele está em cartaz com Alessandra Negrini em A Propósito de Senhorita Júlia, no CCBB-SP.

Agenda Cultural



Mineiros no Planalto
Falando em CCBB, a peça Prazer, da Cia. Luna Lunera, de Minas Gerais, estreia no CCBB de Brasília no dia 7 de junho. Leia a crítica.

Espasmo
A jornalista Gabriela Mellão, coleguinha da coluna de APCA, manda avisar que sua peça, Espasmo, com direção de Marcio Damaceno, está em cartaz no Sesc Consolação, em São Paulo, toda quinta e sexta, às 20h, até 7 de junho. Aviso dado.

Recado do Lee
Lee Thaylor, o grande ator amigo da coluna, pede para avisar que as incrições para seu curso Poética do Ator, no NAC do Centro da Cultura Judaica, vão até o dia 14 de junho. Saiba mais.

Eruditas de volta

O elenco da peça Academia das Eruditas, que está de volta ao Teatro Augusta, promete causar na noite desta sexta (10). A partir das 20h, eles vão andar caracterizados pela célebre rua Augusta, no centro paulistano, para convidar as pessoas para ver o espetáculo, que começa às 21h30. A comédia é uma livre adaptação do texto de Molière, com a história de duas irmãs que disputam o mesmo homem. Jolanda Gentilezza assina a direção.  No elenco, estão Lígia Hsu, Guilherme Vale,Daniela Dams, Laís Blanco, Priscila Ioli, Jolanda Gentilezza, Pablo Zorzetto, André Cunha e Rael Godoy. Eles ficam em cartaz até 7 de julho, sexta, às 21h30; sábado, às 21h; e domingo, às 19h. O ingresso é R$ 30. Bom passeio a todos.

Pulo da gata
Eloisa Vitz, diretora do Grupo Gattu, atriz das boas e querida da coluna, está com inscrições abertas para seu curso de teatro. Saiba mais.

Colker 1
A coreógrafa Débora Colker celebra os 20 anos de sua companhia de dança com a remontagem de Velox, o celebrado espetáculo de 1995. Será apresentado desta sexta (10) a domingo (12), no Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio, onde o belé estreou.

Colker 2
Dois livros vão comemorar os 20 anos da Companhia de Dança Deborah Colker. O primeiro, escrito por Francisco Bosco, será lançado em outubro. Já o segundo, uma espécie de diário de bordo de Deborah, ainda não tem data para sair do forno.

Musa
Diva maior do Festival de Curitiba 2013 como antecipou o blog, a atriz coreana JaRam Lee é capa da última edição da revista Antro Positivo, especializada no mundo teatral. Leia aqui.

antropositivo Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Coreana JaRam Lee, melhor atriz do Festival de Curitiba, é capa da Antro Positivo - Divulgação

Romeu & Julieta
A Turma da Mônica estreou, nesta quinta (9), para convidados, no Teatro GEO, em São Paulo, o espetáculo Mônica e Cebolinha no mundo de Romeu e Julieta. Veja, abaixo, uma imagem da pré-estreia feita por Paduardo, fotógrafo da AgNews, para a coluna.

Monica e Cebolinha no Mundo de Romeu  e Julieta 11paduardo Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Personagens de Mauricio de Sousa embarcam no romantismo de Shakespeare - Foto: Paduardo/AgNews

Teatro barroco 1
Começa neste sábado (11) a primeira edição da mostra de teatro Tiradentes em Cena, na charmosa cidade histórica mineira. Além de peças, o evento terá programação gratuita com debates, exposições, leituras, palestras e oficinas sobre as artes cênicas.

Teatro barroco 2
O Grupo Galpão vai ganhar homenagem no Tiradentes em Cena, por conta dos 30 anos da trupe de Belo Horizonte. A mostra ainda terá espetáculos cariocas, como Poema Bar, com o ator Alexandre Borges; Répétition, espetáculo de Walter Lima Jr, com Roger Gobeth, Alexandre Varella e Tatianna Trinxet; A Descoberta das Américas, de Júlio Adrião; o musical infantil Flicts, de Ziraldo; e o monólogo Estação Terminal, de Tuca Moraes.

História ipanemense
Beatriz é o nome da peça que celebra os 21 anos da Cia. Atores de Laura, que estreou nesta quinta (9), no Teatro Laura Alvim, em Ipanema. Daniel Herz dirige Ana Paula Secco e Paulo Hamilton na obra inspirada em dois livros do escritor Cristóvão Tezza, Beatriz e Um Erro Emocional. Fica por lá de quinta a domingo, até o fim de junho. Cariocas estão convidados.

Blog no ar
O blog do ator, jornalista e crítico teatral Alberto Guzik, que morreu em 2010, já está no ar novamente. Visite. Uma confissão: a coluna é muito fã dele.

alberto guzik Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Alberto Guzik fez produção história em seu blog: acesso público liberado - Foto: Divulgação

Teatropédia
Falando em internet, você sabia que existe uma Teatropédia, é uma espécie de enciclopédia virtual do teatro? Olha aqui para você ver. E o chique no último: este vosso colunista e nosso grande fotógrafo Bob Sousa ganharam verbetes. Não é o máximo?

Vermelho no Rio

Stênio Garcia foi levar seu abraço ao amigo Antonio Fagundes na estreia do espetáculo Vermelho nesta quinta (9), no Teatro do Sesc Ginástico, no Rio. Na peça, dirigida por Jorge Takla, Fagundes contracena com o filho, Bruno. Na montagem, o astro vive o famoso pintor Mark Rothko, e Bruno, um jovem aprendiz. Leia a crítica.

antonio stenio Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Antonio Fagundes recebeu o carinho de Stênio Garcia na estreia de Vermelho no Rio - Foto: Roberto Filho/AgNews

Aplausos
Olha aí, abaixo, os atores Leonardo Netto e Helio Ribeiro, recebendo os aplausos na estreia da peça Freud - A Última Sessão, no Teatro Clara Nunes, no Rio. A direção da montagem é de Ticiana Studart.

Leonardo Netto e Helio Ribeiro mais velho 1 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Leonardo Netto e Helio Ribeiro: estreia de peça no Rio - Foto: George Magaraia/Agência T.C.Granato

Nova casa
O musical 10ponto948 mudou de teatro. Está agora em cartaz no Teatro Bibi Ferreira (av. Brig. Luiz Antônio, 931), apenas aos domingos, às 21h, em São Paulo. Recado dado.

Gente de teatro
O jornalista Douglas Picchetti anda fazendo bonito como assessor de imprensa no mundo teatral. Sacudido, faz acontecer as peças e os artistas nos quais bota a mão. A coluna soube que ele agora é dono de seu próprio escritório. E lhe deseja toda a sorte do mundo na empreitada.

douglas picchetti Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

O jornalista Douglas Picchetti: fazendo barulho nos bastidores da divulgação teatral

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marcio tito pellegrini Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

Membro da nova geração, Marcio Tito Pellegrini é dramaturgo, ator e diretor - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

Marcio Tito Pellegrini acaba de fazer 22 anos. O que faz dele representante da nova geração do teatro brasileiro. Geração multiuso. É dramaturgo, diretor, ator, produtor, divulgador... Enfim, rala para fazer acontecer a arte na qual acredita. O sobrenome pomposo vem do irmão de seu bisavô, o ex-presidente argentino Carlos Pellegrini (1946-0906), mas conta que só sobrou a pompa.

Ele está em cartaz aos sábados, às 19h, até o fim do mês, com a primeira peça de seu grupo, A Tragédia Pop: Roberto e a Filologia das Estrelas. A obra causa burburinho no Espaço dos Satyros Um, na praça Roosevelt, reduto do teatro alternativo paulistano (leia a crítica).

Cria do Satyros, onde entrou para fazer a elenco de apoio na peça Roberto Zucco, Marcio Tito Pellegrini nasceu em São Paulo em 23 de abril de 1991. Estuda dramaturgia na SP Escola de Teatro e pensa em um dia cursar ciências sociais na USP. Enquanto isso, faz muito teatro. Do jeito que pode, de todos os modos.

Ele se encontrou com o Atores & Bastidores do R7 no bosque das esculturas do parque da Luz, no centro paulistano, em uma bela tarde de sol de outono. Falou de tudo. E se definiu como membro da “geração do para de reclamar e vai fazer”.

Leia com toda a calma do mundo:

marcio tito pellegrini 3 Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

Márcio Tito Pellegri é paulistano e diz que quer fazer um teatro político - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado – Você não é novo demais para se meter a escrever, dirigir e atuar?
Marcio Tito Pellegrini – Acho que sou novo, sim. É que comecei a fazer teatro com 15 anos. A vida do artista é muito intensa. No Satyros, tive uma vida muito efervescente. Montagens, amigos, projetos, enfim, muita coisa aconteceu.

Como foi sua infância?
Nasci em São Paulo, no bairro Higenópolis...

Nasceu rico.
Nasci rico, mas hoje em dia fudeu tudo [risos]... Sou de 23 de abril de 1991.

Você é do século passado, então.
Não, sou um jovem senhor dos anos 20 do século 21. Ah, faço aniversário junto com Shakespeare e o Léo Jaime [risos].

Quem são seus pais?
Minha mãe se chama Edinéia, e trabalha com alimentos, já meu pai, Mauro Pellegrini, sempre teve bar.

Você mora com os pais?
Eu moro com meus pais, mas vou voltar depois das três [risos]. Acho que isso coloca os pais no lugar de artistas também, porque de alguma forma viabilizam projetos. É tudo muito instável, eu sei, mas eles estão fazendo arte comigo.

Você namora?
Estou namorando a Amanda Magalhães. Ela é atriz e faz EAD [Escola de Arte Dramática da USP].

É filho único?
Não, isso é uma questão... Eu sou o único filho do meu pai e da minha mãe, mas tenho três meio-irmãos. Um por parte de mãe e dois por parte de pai, um deles com dois anos. Somos uma família moderna. Meu pai tem 64 anos e tem um filho bebê!

É. Seu pai está em ótima forma! [risos] O que você fazia quando era criança?
Eu lia muito. Eu sofria bullying e comecei a ler muito...

Te batiam na escola?
Não chegava a tanto. É que eu não era muito agregado.

marcio tito pellegrini 5 Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

Quando era criança, Marcio Tito Pellegrini gostava de ler na biblioteca - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Não se preocupa, eu também tinha um colega que me batia sempre. Hoje ele é policial militar! [risos]. Mas vamos falar de você. Você ficava lá quietinho na biblioteca da escola durante o recreio?
É... Eu passava os intervalos lendo na biblioteca. Engraçado, nunca joguei futebol, tentei jogar basquete e não deu certo... Eu não conseguia lidar com as coisas da minha idade de fato. Aí, entrei no mundo dos livros.

Como você começou teatro?
Foi aos 15 anos.

Foi por estar em uma crise?
Não, eu sempre fui assim. Eu não era de brigar, de ser revoltado. Se não gostava de algo, ignorava.

Não batia a porta do quarto na cara da sua mãe?
Não.

E como surgiu o teatro?
Como eu era essa pessoa retraída, meus pais me incentivaram a fazer teatro. Comecei a frequentar peças e fui fazer o curso da Escola de Atores Wolf Maya. Logo que entrei lá, vi que tinha uma coisa política a se fazer no teatro, mas vi que não era ali. Fiquei três anos e saí no último semestre para fazer Roberto Zucco nos Satyros.

Saiu logo na hora de tirar o DRT [registro profissional no Ministério do Trabalho]?
Pois é. Está vendo o que eu fiz na vida? Não tirei o DRT até hoje!

A Patrícia Vilela [atriz, atualmente no elenco de Malhação] foi sua professora?
Foi. Ela é ótima.

Eu gosto muito dela. E o Alberto Guzik [ator, jornalista e crítico teatral que morreu em 2010 vítima de câncer]?
Também. Ele me deu aula de história do teatro.

As pessoas têm muito preconceito com o Wolf, mas bons professores passam por lá, como a Patrícia, o Guzik, que é um cara que admiro muito. Ou seja, tem muita modelete, mas também tem como aprender, né?
Sim, no Wolf eu tive excelentes professores. Tive aula com o Zé Henrique de Paula, com a Sandra Corveloni, que ganhou melhor atriz em Cannes.

E foi o Guzik quem te levou para o Satyros?
Sim, ele convidava para ver as peças. Eu vi cinco vezes o Monólogo da Velha Apresentadora [peça na qual Guzik satirizava Hebe Camargo].

Eu também vi. Ele estava ótimo naquela peça. Acho que foi a última peça dele, né?
Pois é, ele era muito bom. Aí eu comecei a frequentar a Roosevelt e comecei a ficar sem grana para pagar o Wolf... Mas resolvi que não ia parar de fazer teatro. Chamei então a Priscilla Leão e o Marcos Santana e escrevi um texto para eles fazerm nas Satyrianas, As Dolosas Coxas.

Então, você já era meio capetinha, já tinha começado a descobrir os caminhos...
Sim, já era meio fervido. Aí, o Rodolfo precisava de alguém para parte do elenco de apoio de Roberto Zucco, aí eu fui fazer.

Você ficava pelado?
Não [risos]. Roberto Zucco foi minha primeira peça. E depois fiz as Satyrianas como dramaturgo.

Você tinha quantos anos nesta época?
17.

Ninguém devia dar bola para você...
Não dava, mas Os Satyros deu. O Rodolfo me chamou para dirigir o Satyros Teen, que acho que é o projeto mais importante que eu fiz na vida. Dirijo esse grupo, com jovens do centro da cidade há dois anos. É uma geração muito oprimida pela metrópole.

Bom, aí você foi se metendo em tudo. E você sabia o que queria da vida?
Na verdade eu sempre soube. Sempre quis ter uma postura política no teatro.

E como você entrou na SP?
O Rodolfo [García Vázquez, diretor dos Satyros] viu Cemitério dos Elefantes, peça minha que foi dirigida por Fábio Penna, e me deu uma puxada de orelha, falou “acho que não é por aí, você não quer estudar, não?”. Aí eu entrei em 2012 no curso de dramaturgia na SP Escola de Teatro.

marcio tito pellegrini 2 Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

"Sou cria do Satyros", diz Marcio Tito Pellegrini, fundador de A Tragédia Pop - Foto: Miguel Arcanjo Prado

E essa sua peça agora, Roberto e a Filologia das Estrelas. Como surgiu a ideia de ter seu próprio grupo de teatro?
No processo do espetáculo Satyros’ Satyricon, o Rodolfo propôs quem queria apresentar um projeto nas Satyrianas [festival teatral na primavera, na praça Roosevelt]. Eu tinha conhecido o Roberto Reiniger em uma oficina e tinha um texto sobre a vida dele. Aí me ofereci e comecei a ensaiar com atores que arregimentei no Satyricon, porque sou obsessivo. O Rodolfo viu e sugeriu que montássemos um grupo. Aí fundamos A Tragédia Pop.

Por que tem esse nome?
A minha visão como dramaturgo do grupo é que hoje em dia tudo é entendido pelo universo do pop. Se Édipo fosse hoje, a Beyoncé seria a Jocasta. Tudo que a gente louva no pop é uma coisa quase deprimente. Você escuta Thriller, do Michael Jackson, é uma música feliz, mas tem uma tristeza de fundo, um viés ressentido com o contemporâneo. E o Roberto, da peça, é um ressentido com o contemporâneo.

Como você define seu teatro?
Definir na primeira peça é difícil. Mas acho que vamos num caminho que aponta para a performatividade. Mas não importa a forma, nosso conteúdo será sempre político. Eu chamo de teatro contemporâneo. Mas o bom do contemporâneo é que está sempre no futuro.

Político de que lado?
O artista no Brasil não tem direito de querer ser petista nem tucano. Nem esquerda nem direita. Acho que temos de instaurar um lado novo, para inventar um novo Brasil. Este é o presente que vivemos? Está legal? Queremos viver à base de fármacos e McDonalds, que não deixa de ser um fármaco? Acho que o trabalho do Mano Brown nos Racionais é bom em termos de energia do discurso, de jogar essa bomba.

Você não tem vontade de fazer faculdade? Acho que você se daria bem na sociologia ou na filosofia...
É... Ainda dá tempo... Meu foco, neste ano é A Tragédia Pop. Estamos ensaiando mais duas peças. Um é teatro-dança baseado em O Estrangeiro, do Albert Cammus, e também uma outra peça, que vai se desdobrar em uma banda, baseada em Charles Bukowski. Se tudo correr bem, quero me formar na SP neste ano. E aí, no ano que vem, penso em fazer faculdade, penso muito em sociologia, em me preparar teoricamente.

Acho que vai ser importante para você. E como você dá conta de fazer esse monte de coisa: você estuda, ensaia, junta as pessoas, escreve, promove a peça no Facebook.
Acho que isso vem muito de uma insatisfação com o que tem sido feito. Então, mais do que reclamar, eu quero fazer. Sou da geração do para de reclamar e vai fazer.
E não dirijo por uma vontade clara. É que o dramaturgo hoje em dia tem de produzir. Enquanto o Zé Celso não me ligar pedindo peça, eu vou ter de me dirigir!

 

marcio tito pellegrini 6 Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

Apesar do olhar triste nas fotos, Marcio Tito Pellegrini diz: "Sou um cara feliz" - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Você tem um olhar triste nas fotos. Mas ri aqui na entrevista. Você é triste ou feliz?
Eu sou um cara feliz. Acho que depois que a gente tem certa percepção de mundo, do sistema, a gente fica um pouco triste. Mas a gente também encontra brechas para não se deixar abater e tentar fazer alguma coisa transformadora. Só ainda não sei como administrar financeiramente o fazer teatro. Porque sobreviver disso é difícil.

Tem gente que te acha um menino que se acha demais?
Acho que muita gente evita conhecer seu trabalho para sair falando mal de você. Mesmo sem conhecer. Mas eu tenho amigos na Roosevelt e está tudo certo. Acho que, pelo menos lá, ninguém me odeia.  

Você é cria dos Satyros?
Sim, sem dúvida. Sou cria de uma visão crítica do Rodolfo. O olhar que ele imprime no Satyros para mim foi devastador. A escolha de repertório dos Satyros me move como criador, o meu olhar de mundo. É um caminho a ser seguido. Lado a lado. Porque os Satyros estão aí ainda. Quero fazer alguma coisa que faça barulho, que seja um grito como você mesmo definiu na crítica que fez da minha peça.

marcio tito pellegrini 4 Entrevista de Quinta – “Sou da geração do para de reclamar e vai fazer”, diz Marcio Tito Pellegrini

"Quero fazer alguma coisa que faça barulho", diz Marcio Tito Pellegrini - Foto: Miguel Arcanjo Prado

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como ser uma pessoa pior Ganhe um par de ingressos para espetáculo Como Ser Uma Pessoa Pior, com Lulu Pavarin, em SP

Lulu Pavarin vive mulher que tenta sair de relacionamentos destrutivos - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A atriz Lulu Pavarin (leia entrevista) encerra nesta quinta-feira (9) a temporada da peça Como Ser Uma Pessoa Pior, dirigida por Mário Bortolotto.

Em nosso concurso cultural, o Atores & Bastidores do R7 dá um par de entradas para os três internautas que melhor responderem à pergunta: "Como ser uma pessoa pior?". Basta colocar sua resposta no espaço de comentários deste post.

Os ingressos são válidos para a sessão das 21h, desta quinta (9), no Espaço do Parlapatões (praça Roosevelt, 158, Consolação, Metrô República, São Paulo).

A peça conta a história de uma mulher que resolve sair de relacionamentos destrutivos e elabora uma lista de como se tornar uma pessoa pior, menos dependente dos outros.

O resultado com os ganhadores:

VENCEDORES:
Leandro Martins de Siqueira
Júlia Padula
Robson Liberal de Oliveira

ATENÇÃO: Os três ganhadores devem retirar um par de entradas, cada um, até 20h30 desta quinta (9), na bilheteria do Espaço dos Parlapatões, em São Paulo, portando documento de identidade com foto. Os nomes estarão na lista de convidados do espetáculo.

Como Ser uma Pessoa Pior
Quando: Quinta, 21h. 45 min. Até 9/5/2013
Onde: Espaço dos Parlapatões (praça Roosevelt, 158, centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-4449 )
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

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herbert silva miguel arcanjo prado 3 Ator vive menino que vê desenterro de cadáveres

Herbert Silva está no elenco da peça Nekrópolis, que tem entrada franca em SP - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

Mesmo com 24 anos, o ator paulistano Herbert Silva ainda tem cara de menino. E vai se aproveitar disso para encarar um personagem forte no teatro, na peça Nekrópolis, que estreia nesta quinta (9) em São Paulo, com direção de Juliana Galdino e que fica em cartaz até o fim de junho, às quintas e sextas, às 21h, com entrada gratuita no Club Noir.

herbert silva miguel arcanjo prado 2 Ator vive menino que vê desenterro de cadáveres

Herbert Silva vai interpretar na peça um garoto vê desenterro de cadáveres - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Ele viverá um garoto de dez anos que vê uma gangue desenterrar cadáveres e os expõe no parquinho onde costuma brincar. “É uma criança viciada em videogames violentos”, revela o ator, que acredita que “a peça faz uma crítica ao descaso público”.

Herbert, que já fez as peças Hi-5 e Bicha Oca, esta última fazendo par com Rodolfo Lima em cena, entrou no elenco após fazer um curso com a diretora.

Diz que aprendeu muito. Até porque cada integrante do elenco tinha um estilo próprio e todos precisaram ser moldados ao modo de fazer teatro do Club Noir.

— Eu gosto muito da direção da Juliana Galdino, porque eu me identifico com essa visão do teatro que quebra o realismo. Ela é rígida e exige muito do ator. Então, é uma troca constante entre ator e diretor.

Nekrópólis
Quando: Quinta e sexta, 21h. Até o fim de junho de 2013
Onde: Club Noir (r. Augusta, 331, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3257-8129)
Quanto: Grátis (ingressos distribuídos uma hora antes)
Classificação etária: 18 anos

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universos nucleo experimental Bruna Thedy substituti Renata Calmon em Universos

Bruna Thedy (à esq.) fica no lugar deixado por Renata Calmon (à dir.) no Núcleo Experimental - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Como diz o velho ditado, rei morto, rei posto.

No caso, sai a ruivice e entra a loirice no papel da protagonista feminina da peça Universos.

thiago ledier Bruna Thedy substituti Renata Calmon em Universos

Thiago Ledier continua como o charmoso apicultor Roger na peça - Foto: Ronaldo Gutierrez

A atriz Bruna Thedy passa a fazer a personagem Melissa na montagem com texto de Nick Paine e direção de Zé Henrique de Paula a partir desta terça (7), no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo.

Ela entra no lugar de Renata Calmon, que deixou a produção para fazer a nova peça do diretor Eric Lenate e já abandonou os cabelos ruivos da personagem.

O papel de Roger, o charmoso apicultor que se apaixona pela cientista, permanece com o ator Thiago Ledier.

Leia a crítica que o R7 fez para a obra!

Universos
Avaliação: Muito bom
Quando: Terça, quarta e quinta, às 21h. 70 min. Até 16/5/2013
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

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roberto silvia boriello Crítica: Roberto e a Filologia das Estrelas é grito de angústia de geração instável da modernidade líquida

Roberto e a Filologia das estrelas é primeira obra de A Tragédia Pop - Foto: Silvia Boriello

Por Miguel Arcanjo Prado

Marcio Tito Pellegrini é artista inquieto, cheio de ideias na cabeça fervilhante. Jovem diretor e dramaturgo expoente do teatro feito na praça Roosevelt, em São Paulo, acaba de criar o coletivo teatral Tragédia Pop, que inaugura o que ele chama de Tragédia Popular Brasileira com o espetáculo Roberto e a Filologia das Estrelas. A peça é encenada aos sábados, às 19h, no Espaço dos Satyros Um, até o fim do mês.

roberto silvia boriello 21 Crítica: Roberto e a Filologia das Estrelas é grito de angústia de geração instável da modernidade líquida

Marina Calvão é destaque no elenco - Foto: Silvia Boriello

Com roteiro e encenação de ares pós-modernos, aborda a vida e os questionamentos de Roberto Gustavo Reiniger (personagem que tem o mesmo nome do ator que o interpreta e na vida do qual a peça se inspira).

Trata-se de um jovem insatisfeito com o andamento do rumo da humanidade e que busca refúgio em um mundo de drogas farmacológicas e ilícitas, é claro. Porque é difícil aguentar de cara limpa.

Os devaneios do personagem, que questiona o rumo das relações humanas diante de um iminente contato alienígena, ganham corpo no elenco formado, além de Reiniger, por Thaís Giovanetti, Eduardo Prado, Gabriel Fernandez, Felipe Ferraciolli e Marina Calvão, que se destaca com forte carisma.

Apesar do ar impensado da trilha e da reiteração do recurso da vela de fogo de artifício como artefato de iluminação, a direção do jovem Pellegrini demonstra força ao conseguir coesão no elenco heterogêneo. O grupo surge em sintonia fina.

Contudo, a coordenação do diretor Rodolfo García Vázquez se faz presente e acaba por dar uma “cara Satyros” ao espetáculo – o que é esperado, já que o grupo foi forjado no espaço no qual Pellegrini se formou como artista.

Fruto de um contexto cultural globalizado pop-midiático, Pellegrini dá um berro feroz diante das incertezas e angústias do mundo pós-moderno, ou da modernidade líquida, como definiu o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, repleto de possibilidades fajutas e falta de modelo concreto para seguir.

Diante de tudo isso, até a falta de foco da obra, com sua metralhadora giratória, faz todo o sentido e consegue tocar o espectador, mergulhado na mesma angústia de uma geração cujo sonho de paz e tranquilidade lhe foi roubado. Diante do caos, realmente só é possível gritar. Como Marcio Tito Pellegrini faz.

roberto andre stefano Crítica: Roberto e a Filologia das Estrelas é grito de angústia de geração instável da modernidade líquida

Marcio Tito Pellegrini (à esq.), com o elenco de Roberto e a Filologia das Estrelas - Foto: André Stéfano

Roberto e a Filologia das Estrelas
Quando:
Sábado, às 19h. 55 min. Até 31/5/2013
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 ou nada
Classificação etária: 16 anos

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gaivota Beto Bellini leva Tchekhov à praça Roosevelt

Peça "e teatro dentro do teatro" segundo o diretor Beto Bellini - Foto: Demian Golovaty

Por Miguel Arcanjo Prado

Após realizar a montagem Slavianski Bazaar no ano passado, na qual comparava a efervescência cultural da praça Roosevelt, em São Paulo, ao lendário bar russo onde se reunia os membros do Teatro de Arte de Moscou, o diretor Beto Bellini resolveu investir em um clássico teatral, mas a seu modo.

Adaptou livremente A Gaivota, de Tchekhov, no que resultou o espetáculo A Gaivota no Infinito do Espelho, que pode ser visto no Espaço dos Satyros 1, em São Paulo, sempre às quartas e quintas, às 21h, até 6 de junho.

Como também integra o elenco, convidou Marcelo Galdino para dirigir a peça com um "grupo heterogêneo" composto por 13 atores.

Bellini define obra como “teatro dentro do teatro”, já que, em seu espetáculo, os personagens estão às voltas com uma montagem de A Gaivota. Mas tudo não passa de lembranças de um homem que resolve refletir sobre sua vida em um cemitério.

O diretor, que já produziu uma montagem de A Gaivota no Rio, em 1996, com direção de Jorge Takla, diz que “os textos de Tchekhov são de abrangência universal” e que, ao refazer clássicos quer “agregar pessoas, para o exercício do pensamento”.

O elenco da produção do Faz Centro de Criação é composto por Gisa Guttervil, Beto Bellini, Flávio Quental, Deborah Graça, Joana Pegorari, Danilo Amaral, Amanda Pereira,Gustavo Merighi, Letícia Trebbi, Rebeca Zadra, Paloma Souza, Arthur Alavarse e Luci Savassa.

A peça tem cenografia do próprio diretor, iluminação de Pâmola Cidrack, figurinos de Daíse Neves e trilha sonora de Henrique Mello.

A Gaivota no Infinito do Espelho
Quando:
Quarta e quinta, às 21h. 80 min. Até 6/6/2013
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-0994)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada); moradores da praça Roosevelt, com comprovante de endereço, pagam R$ 5
Classificação etária: 14 anos

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OS FILHOS DA DITA Grupo de Teatro Arlequins foto 02 Ditadura militar é tema de peça na zona leste de SP

Ana Maria Quintal e Camila Scudeler integram elenco do espetáculo Os Filhos da Dita - Foto: Marisa Quintal

Por Miguel Arcanjo Prado

Enquanto o cantor Lobão sai por aí falando mal de colegas e defendo militares, além de culpar a esquerda pela feroz ditadura que assolou o Brasil entre 1964 e 1985, tudo para promover seu livro, outros artistas preferem tocar no tema de forma mais sensata e responsável.

Este é o caso da peça Os Filhos da Dita, espetáculo de Éjo de Rocha Miranda e Ana Maria Quintal com o Grupo de Teatro Arlequins.

Resultado de ampla pesquisa, a obra tenta construir uma ponte entre os anos de chumbo e a formação do Brasil contemporâneo. O grande achado é conseguir abordar um tema tão espinhoso de forma bem humorada.

A história recente do País é apresentada na obra como desdobramento não apenas da ditadura, mas, sobretudo, de um ano fatídico para a realidade nacional: o de 1968, aquele que o jornalista Zuenir Ventura alcunhou como sendo “o ano que não terminou”, em seu livro homônimo.

Basta lembrar que, repleto de agitação civil e militar, 1968 culminou com a promulgação do Ato Institucional n° 5, que cassou os direitos e as liberdades civis.

Segundo os meninos do Arlequins, grupo que tem 27 anos e já fez 11 espetáculos, é importante relembrar que a realidade democrática é fruto de árduo envolvimento político de jovens do passado, sobretudo diante da crise pela qual passa a contemporânea “juventude sem perspectiva”.

Sérgio Santiago assina a direção do espetáculo, que tem Ana Maria Quintal e Camila Scudeler no elenco.

OS FILHOS DA DITA Grupo de Teatro Arlequins foto 03 Ditadura militar é tema de peça na zona leste de SP

Teatro Arlequins faz ponte entre os tempos da ditadura e o Brasil atual - Foto: Marisa Quintal

 

Os Filhos da Dita
Quando: Sexta e sábado, 20h; domingo, 19h. 65 min. Até 2/6/2013
Onde: Teatro Teatro Zanoni Ferrite – Biblioteca Paulo Setúbal (avenida Renata, 163, Vila Formosa, São Paulo, tel. 0/xx/11 2216-1520)
Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

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