roberto silvia boriello Crítica: Roberto e a Filologia das Estrelas é grito de angústia de geração instável da modernidade líquida

Roberto e a Filologia das estrelas é primeira obra de A Tragédia Pop - Foto: Silvia Boriello

Por Miguel Arcanjo Prado

Marcio Tito Pellegrini é artista inquieto, cheio de ideias na cabeça fervilhante. Jovem diretor e dramaturgo expoente do teatro feito na praça Roosevelt, em São Paulo, acaba de criar o coletivo teatral Tragédia Pop, que inaugura o que ele chama de Tragédia Popular Brasileira com o espetáculo Roberto e a Filologia das Estrelas. A peça é encenada aos sábados, às 19h, no Espaço dos Satyros Um, até o fim do mês.

roberto silvia boriello 21 Crítica: Roberto e a Filologia das Estrelas é grito de angústia de geração instável da modernidade líquida

Marina Calvão é destaque no elenco - Foto: Silvia Boriello

Com roteiro e encenação de ares pós-modernos, aborda a vida e os questionamentos de Roberto Gustavo Reiniger (personagem que tem o mesmo nome do ator que o interpreta e na vida do qual a peça se inspira).

Trata-se de um jovem insatisfeito com o andamento do rumo da humanidade e que busca refúgio em um mundo de drogas farmacológicas e ilícitas, é claro. Porque é difícil aguentar de cara limpa.

Os devaneios do personagem, que questiona o rumo das relações humanas diante de um iminente contato alienígena, ganham corpo no elenco formado, além de Reiniger, por Thaís Giovanetti, Eduardo Prado, Gabriel Fernandez, Felipe Ferraciolli e Marina Calvão, que se destaca com forte carisma.

Apesar do ar impensado da trilha e da reiteração do recurso da vela de fogo de artifício como artefato de iluminação, a direção do jovem Pellegrini demonstra força ao conseguir coesão no elenco heterogêneo. O grupo surge em sintonia fina.

Contudo, a coordenação do diretor Rodolfo García Vázquez se faz presente e acaba por dar uma “cara Satyros” ao espetáculo – o que é esperado, já que o grupo foi forjado no espaço no qual Pellegrini se formou como artista.

Fruto de um contexto cultural globalizado pop-midiático, Pellegrini dá um berro feroz diante das incertezas e angústias do mundo pós-moderno, ou da modernidade líquida, como definiu o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, repleto de possibilidades fajutas e falta de modelo concreto para seguir.

Diante de tudo isso, até a falta de foco da obra, com sua metralhadora giratória, faz todo o sentido e consegue tocar o espectador, mergulhado na mesma angústia de uma geração cujo sonho de paz e tranquilidade lhe foi roubado. Diante do caos, realmente só é possível gritar. Como Marcio Tito Pellegrini faz.

roberto andre stefano Crítica: Roberto e a Filologia das Estrelas é grito de angústia de geração instável da modernidade líquida

Marcio Tito Pellegrini (à esq.), com o elenco de Roberto e a Filologia das Estrelas - Foto: André Stéfano

Roberto e a Filologia das Estrelas
Quando:
Sábado, às 19h. 55 min. Até 31/5/2013
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 ou nada
Classificação etária: 16 anos

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

gaivota Beto Bellini leva Tchekhov à praça Roosevelt

Peça "e teatro dentro do teatro" segundo o diretor Beto Bellini - Foto: Demian Golovaty

Por Miguel Arcanjo Prado

Após realizar a montagem Slavianski Bazaar no ano passado, na qual comparava a efervescência cultural da praça Roosevelt, em São Paulo, ao lendário bar russo onde se reunia os membros do Teatro de Arte de Moscou, o diretor Beto Bellini resolveu investir em um clássico teatral, mas a seu modo.

Adaptou livremente A Gaivota, de Tchekhov, no que resultou o espetáculo A Gaivota no Infinito do Espelho, que pode ser visto no Espaço dos Satyros 1, em São Paulo, sempre às quartas e quintas, às 21h, até 6 de junho.

Como também integra o elenco, convidou Marcelo Galdino para dirigir a peça com um "grupo heterogêneo" composto por 13 atores.

Bellini define obra como “teatro dentro do teatro”, já que, em seu espetáculo, os personagens estão às voltas com uma montagem de A Gaivota. Mas tudo não passa de lembranças de um homem que resolve refletir sobre sua vida em um cemitério.

O diretor, que já produziu uma montagem de A Gaivota no Rio, em 1996, com direção de Jorge Takla, diz que “os textos de Tchekhov são de abrangência universal” e que, ao refazer clássicos quer “agregar pessoas, para o exercício do pensamento”.

O elenco da produção do Faz Centro de Criação é composto por Gisa Guttervil, Beto Bellini, Flávio Quental, Deborah Graça, Joana Pegorari, Danilo Amaral, Amanda Pereira,Gustavo Merighi, Letícia Trebbi, Rebeca Zadra, Paloma Souza, Arthur Alavarse e Luci Savassa.

A peça tem cenografia do próprio diretor, iluminação de Pâmola Cidrack, figurinos de Daíse Neves e trilha sonora de Henrique Mello.

A Gaivota no Infinito do Espelho
Quando:
Quarta e quinta, às 21h. 80 min. Até 6/6/2013
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-0994)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada); moradores da praça Roosevelt, com comprovante de endereço, pagam R$ 5
Classificação etária: 14 anos

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 

OS FILHOS DA DITA Grupo de Teatro Arlequins foto 02 Ditadura militar é tema de peça na zona leste de SP

Ana Maria Quintal e Camila Scudeler integram elenco do espetáculo Os Filhos da Dita - Foto: Marisa Quintal

Por Miguel Arcanjo Prado

Enquanto o cantor Lobão sai por aí falando mal de colegas e defendo militares, além de culpar a esquerda pela feroz ditadura que assolou o Brasil entre 1964 e 1985, tudo para promover seu livro, outros artistas preferem tocar no tema de forma mais sensata e responsável.

Este é o caso da peça Os Filhos da Dita, espetáculo de Éjo de Rocha Miranda e Ana Maria Quintal com o Grupo de Teatro Arlequins.

Resultado de ampla pesquisa, a obra tenta construir uma ponte entre os anos de chumbo e a formação do Brasil contemporâneo. O grande achado é conseguir abordar um tema tão espinhoso de forma bem humorada.

A história recente do País é apresentada na obra como desdobramento não apenas da ditadura, mas, sobretudo, de um ano fatídico para a realidade nacional: o de 1968, aquele que o jornalista Zuenir Ventura alcunhou como sendo “o ano que não terminou”, em seu livro homônimo.

Basta lembrar que, repleto de agitação civil e militar, 1968 culminou com a promulgação do Ato Institucional n° 5, que cassou os direitos e as liberdades civis.

Segundo os meninos do Arlequins, grupo que tem 27 anos e já fez 11 espetáculos, é importante relembrar que a realidade democrática é fruto de árduo envolvimento político de jovens do passado, sobretudo diante da crise pela qual passa a contemporânea “juventude sem perspectiva”.

Sérgio Santiago assina a direção do espetáculo, que tem Ana Maria Quintal e Camila Scudeler no elenco.

OS FILHOS DA DITA Grupo de Teatro Arlequins foto 03 Ditadura militar é tema de peça na zona leste de SP

Teatro Arlequins faz ponte entre os tempos da ditadura e o Brasil atual - Foto: Marisa Quintal

 

Os Filhos da Dita
Quando: Sexta e sábado, 20h; domingo, 19h. 65 min. Até 2/6/2013
Onde: Teatro Teatro Zanoni Ferrite – Biblioteca Paulo Setúbal (avenida Renata, 163, Vila Formosa, São Paulo, tel. 0/xx/11 2216-1520)
Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Foto de Bob Sousa
Por Miguel Arcanjo Prado

patricia pichamone bob sousa O Retrato do Bob: O encanto de Patricia PichamonePatricia Pichamone é a grande estrela da peça Cândida, espetáculo de Bernard Shaw no Teatro do Núcleo Experimental, em São Paulo, sob direção de Zé Henrique de Paula. Formada pela Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio, em 1996, a capixaba chegou a fazer a Oficina de Atores da Globo no ano seguinte. Em 2000, transferiu-se para São Paulo, para trabalhar com o reconhecido Grupo Tapa. Ficou por dez anos na trupe, com a qual levou o Prêmio APCA de melhor espetáculo em 2006, por Camaradagem. Patrícia também faz bonito no cinema. Sua atuação no longa Amores Imperfeitos lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Petrópolis. Há seis anos, integra o Núcleo Experimental, onde brilha no palco e nos bastidores. Doce e linda, como posou para o nosso Bob Sousa. Um encanto que só.

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 

valeska reis eduardo enomoto Musical sobre samba procura artistas negros

Musical quer atores, cantores e bailarinos negros, como a bela Valeska Reis, em pose no Carnaval de São Paulo em 2013 - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado

Atores negros têm a oportunidade de participar de um novo musical paulistano: O Fino no Samba, que vai cantar nosso ritmo mais celebrado.

O Teatro Itália, que produzirá a obra com texto de Elisio Lopes Jr., direção de Kleber Bortes Sobrinho e direção musical de Bruno Elisabetsky, está em busca do elenco.

Podem se inscrever atores, cantores e bailarinos negros, entre 20 e 40 anos. É preciso comprovar experiência artística. Os currículos com foto podem ser enviados para o e-mail audicaofinodosamba@gmail.com até esta terça (7).

Os selecionados para a audição, que será realizada no Teatro Itália (av. Ipiranga, 344, subsolo do Edifício Itália, São Paulo), na segunda (13), será avisados por email até esta quinta (9).

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

paulinho faria Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Paulinho Faria vive um homem que tenta se matar em espetáculo da Cia. Contraponto - Foto: Mateus Lima

Por Miguel Arcanjo Prado

Bala de revólver 1
Um homem à beira de se matar. O público que entrar no Espaço Contraponto, na Vila Madalena, a partir desta sexta (3), vai se deparar com tal cena tensa na peça O Homem com a Bala na Mão, escrita por Paulinho Faria, que também interpreta o monólogo. "Estava sentado um dia, pensando que reclamava muito da vida. Então, comecei a pensar no que se passava na cabeça de uma pessoa que decide acabar com a própria vida. Acho que essa peça fala da apatia do ser humano", diz o ator à coluna.

Bala de revólver 2
Paulinho conta que seu personagem está permeando vários sentimentos. "No começo, é estranho e misterioso. Ao passar da peça, o silêncio começa a tomar conta do lugar". Este é seu terceiro espetáculo como dramaturgo. Aos 35 anos, o paulista de Limeira mora em São Paulo há 13. Faz teatro desde os seis anos.

Bala de revólver 3
Paulinho Faria já passou pelas mãos de nomes importantes do teatro contemporânio, como Antunes Filho e Mário Bortolotto. Desta vez, é dirigido por Elisa Fingermann, diretora que volta ao País após estudar teatro em Buenos Aires e Londres. "Trabalhamos com a pesquisa do ator sugestivo, na qual usamos como base as artes marciais junto ao teatro físico, o que dá um resultado minimalista".

Bala de revólver 4
O Homem com a Bala na Mão é apresentada sempre às sextas, às 21h30; e aos sábados, às 21h, até o fim de maio. O ingresso é R$ 20. Mas quem for de bicicleta paga R$ 15. O endereço é rua Medeiros de Albuquerque, 55, na Vila Madalena, em São Paulo. Serviço dado.

Gutto 3 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Gutto Thomaz tem 19 anos e largou a escola para se dedicar ao ilusionismo - Divulgação

Jovem mágico 1
Gutto Thomaz tem apenas 19 anos, mas já é um dos mais destacados ilusionistas do Brasil. Ele é uma das atrações do Circos, o Festival Internacional Sesc de Circos. Vai se apresentar neste domingo (5), no ginásio do Sesc Santana. E na quarta (8) e quinta (9), na praça do Sesc Itaquera. Sempre às 14h.

Jovem mágico 2
O adolescente paulistano se interessou por mágica há apenas quatro anos. O interesse foi tanto que largou a escola só para se dedicar a preparar seus truques. “Logo, comecei a fazer shows infantis e participar de congressos de ilusionismo em vários países”, conta à coluna.

Jovem mágico 3
Gutto Thomaz já esteve na Inglaterra, Argentina, Chile, México e Guatemala. Ele diz que não gosta de ser chamado de mágico. Acha muito reducionista. Diz que sua arte é bem mais que isso, é uma mistura “de mágica, clown, teatro e outras artes”.

Inspiração
O livro Rútilo Nada, que deu o Prêmio Jabuti de literatura a Hilda Hilst há 20 anos, é a inspiração do espetáculo de dança homônimo que estreia dia 8 na Sala Paschoal Carlos Magno no Teatro Sérgio Cardoso. A direção é de Daniel Fagundes. A obra conta o amor entre dois homens, interpretados pelos bailarinos Wellington Duarte e Donizeti Mazonas. Tema atualíssimo.

Exemplo
A atriz Camila Pintanga foi flagrada andando de metrô em Sampa nesta semana. Como qualquer mortal. A foto é do atento jornalista Matheus Tolotti, que compartilhou o transporte público com a musa e mandou o registro para o blog em primeiríssima mão. Camila fará um espetáculo na cidade em breve ao lado de Aury Porto, da mundana companhia. Os paulistanos, sempre apressados, foram educadíssimos com a atriz.

camila pitanga matheus tolotti Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Com projetos teatrais na cidade, Camila Pitanga anda no metrô paulistano - Foto: Matheus Tolotti

Exemplo 2
Débora Falabella também anda livre pela cidade. No feriado do Dia do Trabalhador, levou sua filha para brincar no Sesc Pompeia, na zona oeste paulistana. Educadíssimos, os frequentadores do local agiram como se Débora fosse apenas mais uma por lá. Exemplo de civilidade.

Milhas satyrianas
O grupo paulistano Os Satyros estão com prestígio em alta lá fora. Segundo contou o diretor Rodolfo García Vázquez, em junho, a trupe leva A Filosofia da Alcova para Los Angeles, com co-produção do Theater Asylum. Já no ano que vem, voltam a Estocolmo, onde estiveram neste ano com Cabaret Stravaganza. Esses meninos da Roosevelt são fogo!

Desejo de Ivam
Falando neles, Ivam Cabral revelou nesta semana que tem um novo sonho: construir um hospital na praça Roosevelt.

Tá podendo
Lee Taylor já recebeu mais de 250 inscrições para a oficina de teatro que vai dar no NAC, o Centro da Cultura Judaica. Ao fim, a turma fará um espetáculo dirigido por Eric Lenate, como Lee contou ao blog.

Muso no palco
Joaquim Lino, belo ator que causou congestionamento no blog por conta de seu perfil, assinado por este colunista, e ensaio fotográfico clicado por Eduardo Enomoto, volta aos palcos dia 8, em  ¡Salta!, no Tusp. Ficam por lá até o dia 30, quarta e quinta, às 21h. A direção é de Verônica Veloso, com o Coletivo de Teatro Dodecafônico.

Prorrogou
A peça Divórcio prorrogou temporada no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, até 30 de junho.

 

renata calmon Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Renata Calmon: cabelo novo

Look novo
A atriz Renata Calmon cortou e tirou o ruivo do cabelo que usava na a peça Universos. Ela deixou a montagem do Núcleo Experimental para integrar novo projeto do diretor Eric Lenate. Foi substituída por Bruna Thedy, que agora fará par com Thiago Ledier. Leia a crítica da peça.

Tilelê
É hoje a volta do espetáculo Barafonda, da Cia. São Jorge de Variedades. Às 15h, na praça Marechal Deodoro, em São Paulo. A atriz Bárbara Bonnie estará, linda, à frente do cortejo.

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

joaquim lino 9 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

O inquieto artista Joaquim Lino, que gosta de andar pelo mundo - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado

Muso do Teatro R7, Joaquim Lino, de 32 anos, é paulista de Botucatu. Mas foi criado Brasil afora.

Terceiro dos quatro filhos de Beatriz e Fernando Lino, acompanhou os pais nas mudanças quase ciganas durante a vida. Morou em Ouro Fino, Uruaçu, Recife, Birigui e Chapadão do Céu.

joaquim lino 2 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

Após rodar Brasil com a família, Joaquim Lino morou na Inglaterra e na Argentina - Foto: Eduardo Enomoto

Com tanto perambular, ficou difícil criar raízes. “Nunca tive amigo de infância”, diz.

O sotaque acabou neutralizando diante da miscelânea de acentos que escutou. Mas também teve seu lado bom. Ficou “muito adaptativo”.

Aos 18 anos, depois de cursar ensino médio técnico em contabilidade, sentiu “necessidade de sair”. Criar sua própria história. Pegou um avião e foi trabalhar por um ano em uma ONG no interior da Inglaterra.

No dia a dia, ouvia dos colegas: “Joaquim, você tem de ser ator”. Ficou com aquilo na cabeça.

De lá, foi para a Dinamarca, onde ficou quatro meses antes de retornar ao Brasil meio que às pressas. “Teve o 11 de Setembro e meus pais me mandaram voltar. Ainda consegui ficar até dezembro”, lembra.

Quando voltou, pegou a família mudando-se para o interior de Goiás. Chegou à conclusão de que aquela vida nômade tinha dado para ele. “Vi que a minha história era outra”.

Fez a mala e foi morar com a tia Suzi Lino no bairro Alto da Lapa, em São Paulo. Resolveu investir naquilo que haviam lhe dito. Se matriculou em cursos de teatro, ficou sem grana, sofreu, sentiu saudades, chorou, mas ficou. “Esperava que as coisas fossem mais fáceis, que tudo estivesse pronto me esperando. Era inocente, claro. E vi que as coisas não eram assim. É o choque da vida”, afirma.

A primeira peça foi Evergreen, em 2004, na Casa das Caldeiras. Resolveu aprofundar o estudo artístico e entrou para a graduação em artes do corpo, na PUC-SP. “O curso é maravilhoso e me ajudou a compreender a arte como movimento, até por interligar a dança, o teatro e a performance”, conta.

Em 2007, fez o infantil Luna Clara e Apolo Onze, dirigido por Cris Lozzano. Tomou coragem e resolveu escrever e dirigir seu próprio projeto: Casa de Tijolos, um infantil que acabou ganhando o Proac e tinha Leo Moreira no elenco, ainda antes de virar dramaturgo de sucesso com a Cia. Hiato.

joaquim lino 5 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

Joaquim Lino está em ¡Salta!, peça do Coletivo Dodecafônico inspirada na obra da cineasta argentina Lucrécia Martel com direção de Verônica Veloso, que reestreia no Tusp em 8 de maio - Fotos: Eduardo Enomoto

Neste meio tempo, para ganhar grana, deu aulas de inglês em uma escola bilíngue. Em 2010, enveredou-se na dança, com a Cia Aberta de Dança, com o espetáculo Sapatos Cegos. E viu despertar em si o desejo de fazer cinema: “Escrevi e dirigi o curta A Criança, a Mulher e os Homens”.

joaquim lino 10 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

Sempre de projeto novo, Joaquim Lino dirigiu Cleyde Yáconis no cinema em um curta - Foto: Eduardo Enomoto

E o ímpeto nômade gritou outra vez nas veias e resolveu ir morar na Argentina, onde estudou roteiro em Buenos Aires. Enquanto fazia tantas coisas, teve de se despedir de uma pessoa muito amada, sua avó, Tereza Lino. “Ela foi uma referência feminina muito importante para mim”.

Logo após a perda, num impulso artístico-emocional, foi para a casa dela, no interior, mergulhou naquele mundo e naquelas roupas, e fez a performance Investigação Feminina e o Flerte com a Morte. “Eu tinha sonhos que invadiriam a casa e, quando terminamos, chegaram uns homens na casa, que seria vendida”.

E veio o segundo curta, Fala Comigo Agora, com a história de um quarentão que trabalha na noite vestido de mulher. O filme contou com elenco de peso: Cleyde Yáconis, Antônio Petrin, Cadú Favero e Marat Descartes. Em 2012, veio a surpresa com o convite para fazer a peça ¡Salta!, do Coletivo Teatro Dodecafônico, que volta no dia 8 de maio ao cartaz no Tusp. “Reencontrei a amiga Katia Lazarini e ela acabou fazendo a ponte”.

Diz que não ficou preocupado com a cena de nudez que fecha a montagem. “Fiquei tranquilo, mas tive de correr atrás do corpo [risos]”. “Ser o único homem da peça já traz automaticamente um destaque, porque a força masculina é diferente e tem outro peso. Saio da peça exausto”.

Assim que a nova temporada da peça acabar, vai para Goiás, onde fará com a família um curta experimental: O Homem Semeador. Depois, pretende viajar outra vez: “Quero ir para Nova York estudar roteiro”.

Pelo jeito, o desejo de mover-se pelo mundo está mesmo na veia de Joaquim Lino, o artista nômade.

joaquim lino 1 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

Além de atuar e dançar, Joaquim Lino também é roteirista e cineasta - Foto: Eduardo Enomoto

Veja, abaixo, imagens da carreira de Joaquim Lino:

joaquim lino poster carreira Joaquim Lino, o artista nômade

Uma carreira em quatro tempos: no alto: à esq., Joaquim Lino, em cena da peça ¡Salta! (Foto: Cacá Bernardes); à dir., Joaquim Lino na performance Investigação Feminina (Foto: Bernardo Baptista), que fez após perder sua avó; abaixo, à esq., Cleyde Yáconis em cena do curta Fala Comigo Agora, dirigido por Joaquim Lino; à dir., cena do curta A Criança, a Mulher e os Homens, também de Joaquim Lino (Foto: Ligiane Braga) - Arquivo Joaquim Lino

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Gueminho Bernardes 02   foto Vanessa DAguiar Humorista tira sarro de autoajuda em stand up Como Fracassar na Vida e Ser Infeliz no Amor

Gueminho Bernardes faz apresentação única em SP - Foto: Vanessa D'Aguiar

Por Miguel Arcanjo Prado

As prateleiras de qualquer livraria estão repletas de livros que vendem soluções milagrosas para a vida profissional e pessoal. Segundo tais obras, basta você seguir todos os passos descritos para atingir o sucesso.

Pois o humorista Gueminho Bernardes não acredita em nada disso. Muito pelo contrário, tira sarro da onda autoajuda em seu espetáculo de stand-up Como Fracassar na Vida e Ser Infeliz no Amor, que faz apresentação única em São Paulo nesta sexta (3), no Espaço dos Parlapatões, às 23h59. Ele explica ao R7 o porquê da peça.

— Eu não quis tirar onda; na verdade, quis triturar os paradigmas do autoajuda. Essa coisa do motivacional me irrita muito. Sucesso e felicidade não são coisas que cabem em fórmulas. Isso tudo é uma bobagem, mas sustenta uma indústria que funciona muito bem.

Apesar do discurso contestatório, Bernardes, que também é redator do humorístico da Globo Zorra Total, entrou na onda literária e lançou o texto da peça em livro homônimo pela Editora Giostri.

— Busquei inspiração na minha própria vida. O título é muito provocativo e incomoda as pessoas. Resolvi mostrar o outro lado da moeda, o inverso do caminho da autoajuda. As pessoas procuram o sucesso, mas não procuram saber por que elas fracassam. É um trabalho de humor, mas humor com opinião. No palco, defendo meu ponto de vista.

Morador de Juiz de Fora (MG), onde nasceu, ele é criador do Teatro de Quintal, com o qual já montou mais de 40 textos. Entre suas criações mais conhecidas do grande público, está a personagem Dilma do Zorra Total, feita em parceria com Gustavo Mendes.

Como Fracassar na Vida e Ser Infeliz no Amor
Quando: Sexta (3), às 23h59. 80 min. Apresentação única
Onde: Espaço dos Parlapatões (praça Franklin Roosevelt, 158, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258.4449)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

lee taylor eduardo enomoto r7 Entrevista de Quinta – Antunes Filho continua meu mestre, diz Lee Taylor após saída do CPT

Lee Taylor deixou o CPT e agora comanda o NAC do Centro da Cultura Judaica - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Após quase uma década trabalhando diretamente com o diretor Antunes Filho, no Centro de Pesquisa Teatral, o CPT do Sesc Consolação, em São Paulo, o ator goiano Lee Taylor resolveu que era chegada a hora de seguir seu próprio caminho.

Logo após o anúncio de sua saída do CPT, notícia que causou burburinho nos meios teatrais, Lee assumiu a coordenação do NAC, o Núcleo de Artes Cênicas do Centro da Cultura Judaica, inaugurado no mês passado. 

Foi lá que ele se encontrou com Atores & Bastidores do R7 para esta Entrevista de Quinta.

Com a fala calma que lhe é característica, Lee esclareceu a polêmica sobre sua saída do CPT, onde fez história como protagonista das peças A Pedra do Reino (2006), Senhora dos Afogados (2008) e Policarpo Quaresma (2010), entre outras. Ele ainda contou como ficou a relação com Antunes, revelou os trabalhos no cinema e declarou com qual diretor pretende trabalhar.

Leia com toda a calma do mundo:

lee taylor eduardo enomoto r7 4 Entrevista de Quinta – Antunes Filho continua meu mestre, diz Lee Taylor após saída do CPT

"O mérito do mestre é habilitar o discípulo a fazer o seu próprio caminho", Lee Taylor - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Por que você resolveu sair do CPT?
Lee Taylor – Exclusivamente por uma questão financeira.

Como surgiu o convite para fazer o NAC?
Surgiu algumas semanas após a minha saída do CPT. Em um jantar informal a diretora executiva do Centro da Cultura Judaica, Yael Steiner, ao saber da minha saída, perguntou se eu teria interesse em enviar um projeto de artes cênicas para a instituição. Fiz o projeto do NAC, alguns dias depois ela aprovou sem nenhuma restrição. A Yael é a maior entusiasta do projeto, sempre aberta a novas propostas, procurando atender às nossas necessidades com muita disposição.

Qual linha você vai adotar como coordenador do projeto?
A linha da emancipação do indivíduo e consequentemente do artista, que procurará se lapidar nas experiências propostas no decorrer do curso. Vou colocar em prática a pesquisa que tenho realizado a respeito da arte do ator e de uma pedagogia para o ator.

Como é a abordagem?
É uma abordagem que buscará dar consciência ao sujeito, potencializando suas virtudes e não procurando formatá-lo em uma ou outra técnica de ator. O objetivo é dar condições para que o indivíduo alcance meios para desenvolver a sua própria técnica, pois entendo que quanto mais singular for sua poética, mais legítima ela será. Portanto, o curso terá uma abordagem múltipla que buscará diálogos individuais, sempre na tentativa de compartilhar experiências por meio de reflexões e práticas ligadas às necessidades artísticas de cada um. Com o tempo, as individualidades se articularão como grupo.

Você terá liberdade artística no NAC?
Na minha visão liberdade e artístico são uma coisa só. Não acredito em nada que se diga artístico sem a premissa da liberdade.

lee taylor eduardo enomoto r7 3 Entrevista de Quinta – Antunes Filho continua meu mestre, diz Lee Taylor após saída do CPT

"Pretendo ter uma relação de proximidade com os grupos latino-americanos", diz Lee Taylor - Foto: Eduardo Enomoto

Como Antunes Filho reagiu à sua saída do CPT?
Tivemos uma boa conversa. Apesar de não ser da vontade de ambos, ele entendeu o motivo. Nos falamos praticamente todos os dias. Eu ainda estou dando de duas a três aulas por semana no CPT.

Você acha que já era hora de dar os passos com suas próprias pernas e abandonar o mestre? Como foi este momento na sua cabeça?
Eu não o abandonei, ele continua e continuará sempre sendo meu mestre. Mas a condição de discípulo, no sentido da dependência, é temporária. O verdadeiro mérito do mestre é habilitar o discípulo a fazer o seu próprio caminho. Nesse sentido, depois de quase dez anos de trabalho, penso que esse momento uma hora ou outra iria chegar. Talvez seja a etapa mais importante do aprendizado que se configura nessa relação.

O que você pretende fazer no NAC?
Além do curso semestral gratuito para atores, teremos uma programação mensal também gratuita e em breve a produção de espetáculos profissionais. O curso será dividido em dois módulos. Módulo 1: Formação, três meses com atividades de segunda à quinta, das 18h às 22h. E Módulo 2: Montagem, no qual se produzirá um espetáculo, que visa compartilhar com o público a experiência vivenciada no NAC. Para a programação regular criamos a Mise en scène. São experimentações cênicas que acontecem uma vez por mês nos fins de semana, sempre às 17h30. A cada três meses troca-se a experimentação. Começamos com uma leitura que vai até junho. A partir de julho, a próxima Mise en scène será uma dança com a performer e dançarina de butoh Emilie Sugai. O primeiro espetáculo profissional provavelmente deverá acontecer em 2014.

Você vai trabalhar com parceiros no NAC?
O teatro é uma arte de natureza coletiva, já tenho sido procurado e venho procurando parcerias. Só temos a ganhar com propostas que fortaleçam a coletividade desde que não sejam em detrimento do indivíduo. Venho articulando uma parceria com artistas poloneses que me procuraram e pretendo ter uma relação de proximidade com os grupos latino-americanos, além de obviamente manter diálogos estreitos com os grupos e coletivos de São Paulo.

Você vai ser um coordenador bravo e forte como o Antunes? Qual será seu estilo à frente do núcleo?
Serei como o bambu, que enverga, mas não quebra.

Como está sua carreira acadêmica?
Estou na pós-graduação em Artes Cênicas na ECA/USP. Farei a qualificação de mestrado em breve, tenho mais um ano para apresentar a dissertação. Minha orientadora, Maria Thais, tem sido uma grande aliada nessa árdua tarefa de escrever sobre a pedagogia do Antunes.

Você é um ótimo ator. Vai continuar nos palcos?
Pretendo continuar meu trabalho como ator com a mesma frequência e com o mesmo comprometimento. Acredito que o trabalho de pesquisa acadêmica e a pedagogia teatral são complementares ao meu trabalho como ator.

Você tem vontade de ser dirigido por qual diretor no teatro?
Tenho uma grande admiração pelos trabalhos dirigidos pelo Eric Lenate. Vejo uma enorme potencialidade criativa em suas encenações. Inclusive, ele será o diretor da primeira montagem com os participantes do curso no NAC.

Como vai sua carreira no cinema?
No ano passado fiz dois filmes, Riocorrente do Paulo Sacramento e A Pele do Cordeiro do Paulo Moreli. Fiz também um curta-documentário, sobre o trabalho do ator, com a Cássia Kiss e o Yoshi Oida, direção da Laís Bodanzky. Tenho recebido alguns convites, mas com o mestrado e os trabalhos em teatro não tenho conseguido conciliar.

E TV? Ainda diz não ao veículo?
Não é o meu foco.

Você vai ser o Antunes Filho do futuro?
O Antunes é único.

lee taylor eduardo enomoto r7 2 Entrevista de Quinta – Antunes Filho continua meu mestre, diz Lee Taylor após saída do CPT

"Serei como o bambu, que enverga, mas não quebra", diz Lee Taylor, coordenador do NAC - Foto: Eduardo Enomoto

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Universos   Foto Ronaldo Gutierrez 1 Crítica: Universos brinca com vida que podemos ter

Thiago Ledier e Renata Calmon: casal cheio de química na peça Universos - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por Miguel Arcanjo Prado

O que de fato é real? Qual o limite de sustentação de uma relação? Qual o peso de pequenas ações cotidianas na construção de nosso destino? Qual o limite de nossa racionalidade diante do amor?

Questionamentos como estes são plausíveis ao espectador que assiste ao espetáculo Universos, em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo. A montagem é a primeira de uma trilogia sobre o amor capitaneada pelo diretor Zé Henrique de Paula.

Paula volta a investir em um teatro urbano e questionador, dessa vez com o mais recente texto do jovem dramaturgo britânico Nick Payne, que mistura física quântica e amor em seu enredo. Com uma montagem dinâmica e cheia de reiterações, o diretor acaba fazendo uma homenagem ao próprio fazer teatral.

A peça mostra os encontros e desencontros do casal formado pela cientista Melissa (Renata Calmon) e o apicultor Roger (Thiago Ledier), após se conhecerem em um churrasco de amigos. Esta quinta (2), é o último dia de Renata Calmon na peça. A partir de terça (7), Melissa passa a ser papel da atriz Bruna Thedy.

Como pano de fundo para as idas e vindas do casal, em cortes precisos no tempo/espaço em inventiva solução da direção, o espetáculo aborda ainda a constante perda de memória de Melissa. Nisso, faz referência sutil ao filme Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet em 2004. O cabelo vermelho de Calmon é o mesmo de Winslet e o pôster do filme fica escondido em meio aos badulaques do apartamento de Melissa.

Por falar no apartamento, a cenografia de Zé Henrique de Paula é coesa ao aglutinar em cada canto do palco a morada de cada personagem – na verdade, amontoados de objetos que fazem sentido a cada um deles –, fazendo do sofá, ao centro do palco, o ponto de encontro. O piso também integra os ambientes, com uma estampa que tanto pode simbolizar átomos estudados por Melissa quanto colmeias cultivadas por Roger.

Os figurinos, também assinados pelo diretor, ajudam na construção da passagem de tempo, representando o desenrolar daquela história em diferentes estações do ano. Em contrapartida, a luz de Fran Barros, ao dialogar o tempo todo com o que se passa no palco, impulsiona os sentimentos dos espectadores, que torcem para que aquele romance dê certo.

O casal de atores tem química que faz o espetáculo crescer além da proposta do autor e do diretor. Thiago Ledier envolve o público com seu personagem, uma espécie de representação da fragilidade masculina diante de uma mulher emancipada. O ator é preciso, claro e comovente em sua simplicidade, como quando faz a cena na qual pede a mão de Melissa em casamento.

Também em boa atuação, Renata Calmon, por sua vez, além do domínio do texto – traduzido por ela mesma –, demonstra segurança cênica que deixa sua personagem ainda mais forte, mesmo diante da fragilidade de uma doença. E ainda é preciso ressaltar a voz lapidada que a atriz apresenta nesta obra, seduzindo a audição de quem ouve.

Universos é uma peça simples e complexa ao mesmo tempo, como é a vida, ou as versões que fazemos dela. É uma peça na qual se pode rir e chorar. E, ao fim, chegar à conclusão de que as pequenas decisões cotidianas são as peças fundamentais que constroem ou derrubam a nossa realidade.

Avaliacao Muito Bom R7 Teatro Crítica: Universos brinca com vida que podemos ter

Universos
Avaliação: Muito bom
Quando: Terça, quarta e quinta, às 21h. 70 min. Até 16/5/2013
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Nota do Editor: a partir da próxima terça a personagem Melissa será feita pela atriz Bruna Thedy.

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com