Saiba o que fazer neste fim de semana. Veja as dicas do jornalista Miguel Arcanjo Prado no telejornal Record News São Paulo desta sexta-feira (8).
Com Fernanda Morbidelli e Cinthia Pimenta, editoras da Record News
Saiba o que fazer neste fim de semana. Veja as dicas do jornalista Miguel Arcanjo Prado no telejornal Record News São Paulo desta sexta-feira (8).
Com Fernanda Morbidelli e Cinthia Pimenta, editoras da Record News
Por Miguel Arcanjo Prado
A partir deste sábado (8), em cada canto da capital mineira haverá teatro. É neste dia que começa a 11ª edição do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua), que vai até o dia 24 com mais de 143 apresentações em 60 espaços espalhados nas nove regiões da cidade.
O evento já tem 18 anos de vida e, dessa vez, bate todos os recordes anteriores. A grandiosidade dos números faz do FIT-BH um dos cinco maiores festivais teatrais de toda América Latina. Serão 19 espetáculos internacionais, 12 nacionais e 10 locais.
Como o próprio nome já diz, não faltarão estrangeiros em BH. Além do Brasil, é claro, 12 países mandaram seus representantes: Argentina, Itália, França, Inglaterra, Peru, Chile, Colômbia, República Tcheca, Alemanha, Guatemala, Espanha e Israel.
Os curadores afirmam que trazem o que há de melhor no mundo, sempre com a premissa da “descentralização dos eixos e fluxos de produção teatral”, como explica Thaís Pimentel, presidente da Fundação Municipal de Cultura, que realiza o FIT em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte.
— O FIT já é patrimônio imaterial da cidade. Nesses 18 anos de história, ele transformou a maneira do mineiro perceber o teatro. Este é, sem dúvida, o maior FIT da história.
O diretor artístico do festival, Marcelo Bones, diz que, mais do que somar peças, o evento propõe “uma reflexão sobre o teatro a produção cultural de nosso tempo”. Por isso, foram escolhidas produções de linguagens distintas.
Destaques gringos e nacionais
Na programação internacional, há destaques. O celebrado diretor argentino Daniel Veronese leva ao FIT sua obra Los Hijos se Han Dormido. O país hermano apresenta ainda outra montagem, Tecer Cuerpo, da Cia. Timbre 4.
Os 165 artistas gringos vão invadir as ruas belo-horizontinas, como a turma alemã da peça Time Out, e os guatemalenses de Oxlajuj B’Aqtun. Já os peruanos da peça El Último Ensayo prometem causar em um espaço alternativo da capital.
Nos 12 espetáculos nacionais, há repetecos do Festival de Curitiba, realizado em março, como Eclipse, do mineiro Galpão, Estamira, do Rio, e a peça quase sem fim O Idiota, de São Paulo. Os baianos do Bando de Teatro Olodum levam a montagem Bença ao evento. Mas o grande charme é a volta, 20 anos depois, da obra de rua Romeu & Julieta, que consagrou o Galpão e que acaba de ser apresentada em Londres, abrindo o festival neste fim de semana.
Os artistas poderão se reciclar com oficinas e palestras grátis durante todo o festival. E a estreante Virada Cultural Teatral promete programação ininterrupta das 12h do dia 23 às 12h do dia 24 de junho, quando o festival acaba.
Se não tem mar, tem bar
Mas, como mineiro não vive sem bar, o evento mais uma vez repete o tradicional Ponto de Encontro, todas as noites, dentro do Parque Municipal. Mais de 50 artistas farão a festa para os participantes, com barraquinhas de comidas típicas e bebidas, como pede o frio mês de junho.
E a plateia será eclética, afinal o FIT tem a participação de 358 artistas, sendo 165 internacionais, 146 vindos de seis Estados brasileiros e 47 mineirinhos mesmo, além é claro das 64 pessoas envolvidas na produção. É gente para ninguém botar defeito. Viva o teatro!
Veja a programação completa do FIT-BH!
Silvana Garzaro, a fotógrafa que era atriz
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Silvana Garzaro é do tipo que não se deslumbra e que sabe o que faz - Fotos: Vitor Pavão e André Ligeiro
Por Miguel Arcanjo Prado
Silvana Garzaro é a fotógrafa de maior personalidade do mercado paulistano. Talvez, isso venha de seu passado de atriz. Diz o que pensa. Não faz tipo. Não se intimida pela celebridade do momento. Fã do filme A Malvada, com Betty Davis, sabe que toda fama passa. Por isso, fotografa com o mesmo profissionalismo e respeito Chico Buarque ou o mais novo ator de Malhação. E exige o mesmo do outro lado da lente. Faz muito bem.
Nascida em Santo André, no ABC paulista, em pleno flower power de 19 de fevereiro de 1971, Silvana pensava que seria bailarina. Dançava sem parar. O bambolê e as pulseiras multicores ajudavam a compor o estilo.
Mas o passo ficou sem graça quando fez dez anos, e sua mãe, Isaura, morreu de um derrame cerebral. Caçula de três irmãos, aprendeu que esta vida não é coisa fácil. Mas nunca teve medo de enfrentá-la.
De bilheteira a atriz; de atriz a fotógrafa
Já em São Paulo, aos 18 anos, começou a estudar teatro. Decidiu que seria atriz. No meio do caminho, casou-se com César Raspini, filho da atriz Aldine Müller, com quem partiu rumo a Criciúma, em Santa Catarina. Não gostou do frio e voltou a São Paulo.
Foi morar na Bela Vista e arrumou emprego com o amigo Sérgio Mamberti na bilheteira no Teatro Crowne Plaza. Logo, o diretor Sergio Tastaldi resolveu dar a chance de ela fazer um teste. Competiu com atrizes recém-formadas pela USP e passou. Fez a personagem mais engraçada, é claro.
Porém, com as sessões, percebeu que estar no palco não era muito sua onda. Diz que “não tinha pegada de atriz”. Até que Sergio Mamberti a chamou para uma conversa definitiva.
— Ele me disse, daquele jeitão dele, “Silvana, não é que você não tenha talento, isso você tem. Você não tem é vocação para atriz”. E ele estava certo. Ator é que nem bicha. Ninguém vira, já nasce [risos].
Ficou sem carreira. Angustiava-se pensando para que serviria nesta vida. O casamento acabou e, perdida no mundo, recebeu um recado de uma amiga, Meire, que trabalhava na fotografia da revista Veja. A grande editora de fotografia da revista Caras, Nellie Solitrenick, estava precisando de uma assistente. Foi com a cara, a coragem, e seu atrevimento peculiar, e conseguiu o emprego.
— Cheguei lá com meu currículo pobrezinho de atriz. A Nellie amassou meu currículo e disse: “Bem-vinda ao outro lado. Eu sei que você não entende nada do assunto, mas eu gostei de você”.
Em oito meses de aula prática diária, Silvana aprendeu tudo com a mestre.
— A Nellie criticava com propriedade e técnica todas as fotos que recebia. E eu ficava escutando e assimilando tudo. Aprendi o que era abertura de diafragma, velocidade do obturador, uso correto do flash...
Até que veio a morte repentina de Lady Di. Sob comando de Nellie, Silvana ajudou a fechar três revistas Caras em um fim de semana: a normal, a especial Lady Di brasileira e a especial Lady Di argentina. Por ser “ponta firme”, conquistou respeito definitivo de sua mestre.
A primeira foto publicada foi do desfile de João Armentano no Morumbi Fashion, embrião do que viria ser a São Paulo Fashion Week. Quando pegou a câmera na mão, sentiu algo inexplicável: encontrou a resposta para o que queria ser.
Não parou mais. No começo, a atriz que virou fotógrafa sofreu resistência dos colegas. Mas não desistiu e encontrou o seu respeitado lugar no mercado. Trabalhou na Caras, na Contigo, na Junior e nas revistas mais celebradas do país. Fez parte do time de fotografia que criou as revistas IstoÉ Gente, Época e Flash, de Amaury Jr., da qual guarda doces lembranças.
Paparazzi de Gisele Bündchen
Na IstoÉ Gente foi apelidada de paparazzo oficial de Gisele Bündchen, na época no auge da carreira e namorando ninguém menos que Leonardo DiCaprio. Por conta da gaúcha, protagonizou uma discussão brava com Mônica Monteiro, na época empresária da top e que queria impedi-la de fazer fotos da modelo. Tempos depois, a própria Mônica procurou Silvana para dar seu veredicto sobre a tal discussão.
— Estava em um camarote do Anhembi, no Carnaval, e a Mônica Monteiro chegou para mim e me disse: “Você é aquela fotógrafa que brigou comigo?”. Eu, morrendo de medo, respondi que sim e pedi desculpas, e ela: “Menina, eu viajo o mundo inteiro com a Gisele e você é a fotógrafa mais esperta que já vi. Está de parabéns. Eu defendi o meu, e você o seu”. De vilã, eu virei herói [risos].
Encontro histórico de Maria Rita e Ângela Maria
Viveu história hilárias, como ser atropelada por um touro na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, e importantes, como ter promovido o primeiro encontro das cantoras Ângela Maria e Maria Rita.
—Dei a ideia dessa matéria, porque estávamos em Portugal com a Ângela Maria, e a Maria Rita fazia sua primeira turnê por lá. Na hora, lembrei do tanto que a Elis Regina foi fã da Ângela, e dei a sugestão da pauta. Deu trabalho, mas conseguimos promover esse encontro tão significativo para a música brasileira. Acho que a Elis iria gostar disso que eu fiz. Todo mundo chorou muito naquele camarim. Inclusive eu, enquanto fotografava tudo, é claro.
Certa vez, ao fotografar Padre Marcelo no auge do sucesso, percebeu que ele estava cheio de medalhinhas de Santo Antônio. Espirituosa, contou ao sacerdote que seu “Santo Antônio estava em casa, de castigo, de cabeça para baixo, enfiado em um balde com gelo”. O padre achou graça.
— Ele começou a rir e a foto ficou incrível. Aí, depois que terminei, ele me disse: “Filha, venha cá que eu vou rezar para você se casar”. Ele rezou, mas até hoje não deu certo [risos].
Mas e os palcos, Silvana? Será que há a possibilidade de um dia a fotógrafa virar atriz outra vez?
— Sei lá... Às vezes eu penso em voltar a fazer teatro. Não para ser atriz famosa, porque eu sei mais do que ninguém que isso é muito perigoso. Mas porque seria uma boa válvula de escape. Mas tem também essa coisa de entrega total que um ator tem de ter, de virar outra pessoa. Isso me bloqueia um pouco. Eu não consigo ir trabalhar e deixar a Silvana em casa. E esse é meu maior defeito, porque sou o que sou sempre. E, por isso, ou me amam ou me odeiam [risos].

Momentos da carreira de Silvana Garzaro: o encontro de Maria Rita e Ângela Maria; Barretos, quando foi atroplada por um touro; e Gisele Bündchen com a então sogra, mãe de DiCaprio - paparazzo oficial da top model
O Retrato do Bob: a doce brutalidade de Otto Jr.
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Saiba quem são os musos do teatro em maio de 2012
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Celulares atormentam Eriberto Leão
Por Miguel Arcanjo Prado
Idosos jogando xadrez, adolescentes ensaiando passos de street dance, atores criando personagens para a próxima peça, mulher bonita tomando sol, músicos com o violão debaixo do braço e estudantes que correm apressados para a biblioteca.
O Centro Cultural São Paulo tem tudo isso e mais um pouco.
Localizado ao lado da estação Vergueiro do metrô, ele acaba de completar 30 anos de vida como plataforma de lançamento de arte e conhecimento.
O Atores & Bastidores conversou com o diretor geral do CCSP, Ricardo Resende. Ele falou sobre a missão do lugar, a seleção de espetáculos teatrais e ainda revelou que gente como Lilia Cabral e Alexandre Borges deram os primeiros passos na carreira por lá. Leia o bate-papo:
Atores & Bastidores – O CCSP é responsável pelo lançamento de muitos artistas no cenário. Quem você pode citar?
Ricardo Resende – Não afirmaria que são nomes que começaram aqui no centro, mas nomes que por aqui passaram no começo de suas carreiras e tiveram sua consagração com o público e reconhecimento com a crítica especializada. Vou citar alguns. Mas a lista poderia se tornar enorme. São eles Mário Bortolotto, da Cia. Cemitério de Automóveis, que celebra 30 anos em 2012 - A Cia. começou sua carreira em São Paulo no CCSP, Lilia Cabral, Cláudia Missura, Bárbara Paz, Jairo Matos, Nilton Bicudo, Pedro Paulo Rangel, Alexandre Borges, entre outros.
Muitos artistas visuais em início de carreira também tiverem notoriedade no nosso Programa de Exposições Anual criado em 1990 e que funciona ininterruptamente desde então. Este programa é a referência mais importante para artistas jovens na cidade de São Paulo.
Atores & Bastidores – A programação teatral do CCSP sempre traz coisas relevantes à cena. Por exemplo, foi aí que estreou Luis Antonio - Gabriela, depois aclamado. Como é feita a seleção dos espetáculos que são apresentados aí?
Ricardo Resende – De forma bastante democrática. Contamos com uma curadoria que funciona como uma banca de projetos. Temos editais em que os artistas individualmente ou em grupo apresentam suas propostas em um processo seletivo feito por uma comissão de profissionais da cultura. Os selecionados recebem uma verba para ajudar na produção do espetáculo. Outra forma é feita por convite direto da curadoria para autores, artistas e grupos relevantes e com destaque na produção contemporânea de arte. Por fim, como um espaço público que somos também se recebe propostas dos próprios artistas que são depois analisadas pela equipe curatorial da instituição. Tem funcionado bem e o CCSP é uma referência para os artistas como um fomentador nas linguagens aqui representadas como a música, o teatro, a literatura e poesia, a dança, as artes visuais e o cinema.
Atores & Bastidores – Qual a principal missão do CCSP?
Ricardo Resende – A missão ou a meta deste centro cultural é abrigar as 800 mil pessoas que frequentam anualmente as nossas atividades e as outras tantas não contabilizadas que apenas vêm para este espaço não fazer “nada”. A nossa missão é continuar a ser este espaço plural, democrático, onde se pode fazer inúmeras atividades ou assistir a programas culturais sem ter que desembolsar nada. A meta é ser este local de encontro onde todas as manifestações culturais urbanas se projetam. Uma construção que funciona no tecido urbano como uma rua e que transforma ao adentrar-se na sua arquitetura em uma praça silenciosa, acolhedora e transparente. Um lugar, como disse o arquiteto Paulo Mendes da Rocha em palestra recente no CCSP, da imprevisibilidade da vida. A missão por fim, seria a ser o “templo” da cultura contemporânea para a cidade de São Paulo.
O Retrato do Bob: a doce brutalidade de Otto Jr.
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Charme musical: Luiz Carlos Miéle (à esq.) atua com Nicola Lama, o Homem de Lata - Foto: Robert Schwenck
Com investimento de R$ 8 milhões, a superprodução musical O Mágico de Oz estreia nesta sexta (8), no Teatro João Caetano, no tradicional praça Tiradentes, no centro do Rio, com promessa de chegar a São Paulo em 2013.
O grande charme da estreia, claro, é a grande volta de Luiz Carlos Miéle aos palcos.
Este é o maior presente do multiartista pelos seus 74 anos, completados no último 31 de maio.
Gênio do nosso entretenimento, Miéle foi responsável por lançar ao estrelato ninguém menos que Elis Regina, ao lado do eterno parceiro Ronaldo Bôscoli.
Como o blog Atores & Bastidores é fã declarado de Miéle, faz questão de dar a você, caro internauta, uma foto exclusiva dele na pele do Mágico de Oz, ao lado de Nicola Lama, ator que faz o Homem de Lata.
O 31º musical de Cláudio Botelho e Charles Möeller tem um contingente de 35 atores e 16 músicos.
Além do nosso Miéle, estão no elenco Maria Clara Gueiros, como a Bruxa Má, Lúcio Mauro Filho, como o Leão Covarde, e Pierre Baitelli, como o Espantalho, além de Malu Rodrigues, como a menina Dorothy, papel que imortalizou Judy Garland no cinema em 1939.
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Celulares atormentam Eriberto Leão
Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa
Quem vê o porte e a barba cerrada do ator Otto Jr. logo pensa que ele é bravo.
Ledo engano. O mineiro de Ubá, criado entre São João Del Rey, Unaí e Belo Horizonte, é um doce de pessoa, como demonstra enquanto posa para Bob Sousa.
O ator conquistou o público paulistano. Estava em A Mecânica das Borboletas, que encerrou temporada em maio no Sesc Consolação, na qual vivia o rude irmão gêmeo de Eriberto Leão. E ainda está em Outros Tempos, no Teatro Augusta, onde é a ponta de um turbulento triângulo amoroso.
Antes de resolver que o palco seria sua vida, tentou de tudo na capital mineira: de administração a educação física. Mas a crise de identidade só foi resolvida quando entrou para um curso de teatro. E resolveu ir rumo ao Rio, aos 25 anos.
Logo, entrou para a CAL (Casa de Artes Laranjeiras), onde aquietou a alma. Taurino, diz ser teimoso, do tipo que não tem medo de enfrentar a vida.
Na Cia. de Teatro Autônomo, aprendeu a fazer pesquisa teatral. Mas a grande virada na carreira foi em 2000, quando atuou em Hamlet, com Diogo Villela. O teatro comercial lhe abriu as portas e ficou mais fácil pagar as contas.
É casado há oito anos e meio com a gestora teatral Daniela Amorim, com quem tem o pequeno Jorge, de seis anos. Moram no Humaitá, na zona sul carioca. Gosta de ouvir Criolo e Michael Jackson.
Se a TV ainda teima em dar destaque ao moço, o cinema, não. Esteve no Festival de Cannes no ano passado, para divulgar o filme O Abismo Prateado, que estreia em julho agora. Faz o marido que abandona Alessandra Negrini. Também atuou em A Novela das Oito, onde fez par com Claudia Ohana.
Seus personagens abusam do perfil fortemente masculino que tem. Mas diz não ser machão. Nem brutamontes.
— Todo mundo que me conhece sabe que eu não tenho nada de bruto. Eu sou bastante cavalheiro.
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Ester Laccava (em cena, com Kiko Vianello) é quem rouba a cena na comédia - Foto: Luciana Serra/Div.
Fazer rir sem vulgarizar é tarefa difícil nos palcos. Mesmo assim, a comédia Pessoas Absurdas, do inglês Alan Ayckbourn, em cartaz no Teatro Jaraguá, cumpre o objetivo.
Diante do texto inteligente e mordaz, um elenco afinado pela direção de Otávio Martins garante riso inteligente ao espectador.
O enredo mostra a trajetória, financeira sobretudo, de três casais amigos (por interesse, é claro), durante três noites de Natal, cada uma delas em uma das casas, em anos consecutivos.
Como em toda festa residencial, a cozinha de cada uma das propriedades se torna o lugar principal da festa, onde os dramas cheios de graça aparecem.
O texto, originalmente ambientado na psicodélica década de 70, agora se passa nos coloridos anos 80. A trilha de Ricardo Severo, com os hits da década perdida tocando nos radinhos da cozinhas, levam os espectadores direto ao túnel do tempo. Uma ótima sacada, já que tais músicas mexem com lembranças do público acima dos 30 anos.
O figurino de Theodoro Cochrane demonstra dedicada pesquisa. Ele coloca os personagens, sobretudo as mulheres, com aquelas roupas espalhafatosas que toda tia da gente usava nas festas de 25, 30 anos atrás, achando que estavam com a vestimenta mais simples do mundo. Dá nostalgia e provoca graça.
Com o palco iluminado por Hugo Peake, Mira Andrade fez um inventivo trabalho de cenografia e constrói, magicamente, as três distintas cozinhas. As rápidas e eficientes trocas de cenário surpreendem o público. A diferença entre os ambientes ajuda a contar a história, já que o mobiliário denota o tamanho da conta bancária de cada casal.
Martins e seu elenco dão pitadas mais fortes ao comedido humor inglês, tornando o texto mais quente e próximo ao público brasileiro, povo que também tem por costume resolver suas pendengas nas cozinhas da vida.
O grande barato da obra é conseguir ser inteligente todo o tempo. Não é daquela comédia para gargalhar até perder o fôlego por qualquer idiotice dita. Não há o baixo recurso do uso do palavrão para obter gargalhada. Muito pelo contrário, as situações engraçadas surgem das situações loucas e ao mesmo tempo críveis nas quais se envolvem os personagens. Afinal de contas, a vida é mesmo absurda.
Os produtores Carlos Mamberti e Daniel Palmeira tiveram a sorte de formar uma equipe talentosa e afinada. E isso se reflete no palco.
Ao mostrar o dinheiro mudando de mãos, o texto dialoga de forma direta com o Brasil emergente de hoje, a mostrar o preconceito financeiro e o intrigante jogo de interesses da vida em sociedade.
O casal Jane e Sidney (os ótimos Fernanda Couto e Marcelo Airoldi) começa a obra ávido por subir na vida. A própria festa de Natal que eles promovem é uma tentativa de se aproximar do dinheiro dos outros convidados. Os dois são patéticos e medíocres, mas utilizam tal postura para não assustar e, como o enredo vai mostrar, atingir seus objetivos.
O outro casal é Geofrey e Eva, interpretados com competência por Kiko Vianello e Ester Laccava. É Ester quem definitivamente rouba a cena, como uma viciada em antidepressivos. A atriz conseguem desenhar a triste situação na qual vive sua personagem sem perder o tempo de humor que pede a montagem. O público ri, mas também se comove, em uma mistura de sentimentos que só grandes atrizes conseguem provocar no espectador.
Para finalizar, o casal Ronald e Marion, vividos pelos competentes Eduardo Semerjian, como o sisudo velho rico, e Fabiana Gugli, como uma afetada e fútil dondoca, representam os ricos tradicionais que viram o furacão econômico tirar de si suas posses e sua pompa, obrigando-os a ver o dinheiro parar nas mãos de gente que desprezam. Muito parecido com o atual e esdrúxulo lamurio da “velha classe média brasileira” diante da ascensão da nova classe C ao fabuloso mundo do consumo.
Pessoas Absurdas
Avaliação: muito bom
Quando: sextas, às 21h30; sábado, às 21h; e domingo, às 19h. Até 28/10/2012.
Onde: Teatro Jaraguá (Novotel Jaraguá, r. Martins Fontes, 71, centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-4380)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação: 12 anos
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Veja, no vídeo, as dicas do jornalista Miguel Arcanjo Prado, no telejornal Record News São Paulo, com apresentação de João Santos.
Com Nathalia Boscolo, editora da Record News
Por Miguel Arcanjo Prado*
Riso carioca
O ator Raul Gazzolla (foto acima) avisa que seu monólogo de humor Pressão Alta estreia nesta sexta (1º), no Rio, no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca. A peça já fez sucesso em São Paulo. A ideia surgiu depois de o ator ter um piripaque. Só que, em vez de sofrer, resolveu fazer graça.
Riso paulistano
Vida Vlatt, a eterna Ofrásia, estreia neste sábado (2), às 23h30, a comédia Baião de Dois (foto ao lado), que tem texto e direção dela própria. No palco, atua com Renato Galvão. Sempre neste dia e horário no Teatro Itália (av. Ipiranga, 344, São Paulo, R$ 50). Vida promete que o público vai chorar de rir. Que assim seja.
Ele não para
O incansável Roberto Alvim pede para avisar que seu Club Noir estreia no dia 8, próxima sexta, às 21h, o projeto Peep Classic Ésquilo. Serão seis peças do pai da tragédia, Ésquilo, até dezembro. A primeira é As Suplicantes. A quem interessar possa, a coluna avisa: não tem Caco Ciocler no elenco.
Seios à mostra?
Juliana Didone ensaia nova peça. O nome é um tanto quanto inusitado: O Decote. Ela contou à coluna que a estreia será em 10 de julho, na Casa de Cultura Laura Alvim – o teatro mais bem localizado do País, já que é em frente à praia de Ipanema. A global revela que fará quatro personagens na obra. Cada uma de um jeito. “Tenho que trocar de roupa e mudar a maquiagem muito rápido. É uma loucura”. Nossa, quanto fôlego!
Leitura na Roosevelt
A SP Escola de Teatro inaugura nesta terça (5) o projeto SP Dramaturgia. A cada 15 dias, sempre terça, às 19h30, uma peça será lida na sede da escola, na praça Roosevelt, 210, no centro paulistano (foto ao lado). A entrada é grátis. A primeira será Três, texto de Camila Damasceno, com Renata Konsso, Marina Santos, Luciano Tito, David Sousa e Luana Hansen. A nova dramaturga se inspirou no quadro Os Amantes, pintado por Magritte em 1928, para criar mais um triângulo amoroso nos palcos. Resta saber se deu certo.
Filha de peixe
Depois de causar aparecendo nua no filme Luz nas Trevas, em cartaz, Djin Sganzerla aporta no Espaço dos Satyros 1, a partir deste sábado (2), às 21h, com sua peça O Belo Indiferente. A obra será apresentada todo sábado até o fim de julho, com ingresso a R$ 30. A atriz repete no palco papel já interpretado pela mãe, Helena Ignez, que a dirige na montagem assim como no filme. Essa gosta mesmo de trabalhar em família...
Novos Pernambucanos
Os cinco meninos do grupo Magiluth, de Recife, vão dividir um apartamento nos arredores do Minhocão durante a temporada de três obras da trupe na Funarte da Alameda Nothman, em São Paulo, neste mês. Resta saber quem lavará os pratos e fará aquela faxina no banheiro. É tanta sintonia que os meninos já foram apelidados pela coluna de Os Novos Baianos do Teatro. Ou melhor, Os Novos Pernambucanos.
Quem viver verá
Já está um fuzuê danado para conseguir entrada para a única apresentação da peça Réquiem para um Rapaz Triste. O versátil Rodolfo Lima (foto abaixo) faz uma colagens das personagens femininas de Caio Fernando Abreu, sob direção de Ivania Davi. A sessão será no dia 9 de junho, sábado, às 21h, no CCSP (av. Vergueiro, 1.000, Metrô Vergueiro). Os 50 ingressos serão disputados a tapa uma hora antes. Caso a briga por entradas gere ameaças de morte entre o público, Rodolfo, bonzinho, topa fazer uma segunda sessão logo em seguida. Generoso, né?

Rodolfo Lima (foto) faz disputada apresentação no Centro Cultural São Paulo - Foto: Elói Correa/Divulgação
*Colaboraram Luiza Camargo, em São Paulo, e Rafael Cavalcanti, no Rio.
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Por Miguel Arcanjo Prado
O teatro que se prepare. A partir desta semana, uma nova leva de críticos promete agitar o mundo dos palcos.
Todos são cria do jornalista e pesquisador do teatro Kil Abreu. Ele encerrou nesta terça (29) seu curso Exercício da Crítica Teatral para a Cena Contemporânea, na sede da praça Roosevelt da SP Escola de Teatro, em São Paulo. Entre os alunos, este vosso colunista.
Conhecido na cena, Kil fez nome com crítico da Ilustrada, na Folha de S.Paulo, e da revista Bravo!. Além de ter gerido os teatros públicos paulistanos e atuar como curador dos festivais de Curitiba, de Recife e de São José do Rio Preto.
Entre outras coisas, ensinou à nova geração de críticos que, como prega o mestre Antonio Cândido, é preciso fazer textos integrativos. Não adianta apenas sair por aí emitindo juízo de valor sobre uma peça. É preciso dialogar com a forma e os significados de cada espetáculo.
Como bem reitera Kil, “crítica não é o exercício da maldade”. Falou e disse. Quem ganha é o teatro.
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