Posts com a tag "ator"

henrique mello eduardo enomoto 1 Henrique Mello, o ator com identidade consciente

Aos 30 anos, o ator Henrique Mello faz teatro há mais de uma década - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quando está livre, o ator Henrique Mello procura, incansavelmente, músicas novas. Gosta de estar à frente. Geralmente, escuta aquilo que todo mundo vai ouvir bem depois. Não curte o que todos ouvem. “É o tipo de música que só serve para trepar”.

O segundo dos três filhos de Ivaldo e Aparecida nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo. Durante a infância e a adolescência, tinha sonho de ser músico. Mas não foi assim.

Aos 17 anos, o teatro surgiu de forma inesperada. A caminho do trabalho, em uma copiadora, encontrou jogado na calçada um texto teatral. Levou para a casa e começou a brincar de decorá-lo. O prazer era tanto que descobriu uma possibilidade: atuar.

Correu para as aulas do Instituto Cultural Vila Leão, onde estudou teatro por quatro anos. Até que veio a grande mudança. Um amigo lhe falou da oficina de teatro do grupo Os Satyros, na praça Roosevelt, em São Paulo.

Entrou num ônibus rumo à metrópole. Um mês depois, recebeu convite para a reconhecida trupe de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

Sem lugar para ficar na cidade, terminou no porão da casa do amigo Heitor Saraiva. Depois, se virou, como todo mundo que chega a São Paulo com um sonho de vida.

Na época, namorava com a atriz Samira Lochter, também integrante da companhia, com quem foi dividir apartamento. O amor durou cinco anos. Mas, se a relação acabou, ficou a amizade. Diz que se cuidam.

No teatro frenético e urbano dos Satyros, fez de tudo. Uma montagem atrás da outra. 120 Dias de Sodoma, Justine, Filosofia da Alcova, Vestido de Noiva, Cabaret Stravaganza, Inferno na Paisagem Belga, peça que acaba de deixar. Teve contato com um mundo repleto de diversidade. Diz que isso foi essencial na construção de sua carreira.

Nascido em 11 de julho de 1982, é do signo de câncer com ascendente em touro. Fez 30 anos. Idade fatídica. Se deu conta disso no último Réveillon. Não se arrepende das “porralouquices” dos 20 e poucos e tantos anos, mas afirma: “Meus ídolos não morreram de overdose”.

Sabe que a época é de tomada de consciência. Chega à conclusão de que o corpo pede outras coisas. Envelhecer, não parece ser um problema. “Gosto de ficar mais responsável. Hoje, não me importo tanto com o que os outros pensam”.

No começo do ano, foi para Estocolmo, com a peça Cabaret Stravaganza. Ficou impressionado em como os suecos valorizam o teatro. Sonha com que um dia seja assim também no Brasil.

Apesar de ser um dos musos automáticos da praça Roosevelt, onde faz sucesso nas mesas e bares, diz que não se acha bonito. “Sou muito inseguro com minha aparência”. Conta que seus personagens nunca foram galãs, que já fez “até um libertino que matava a mãe e transava com homens”.

Revela que está solteiro, mas que “até o fim da vida” encontra “a pessoa ideal”. “Gostaria muito de amar”, conclui, com ar melancólico.

Espera, no futuro, fazer muito teatro. E quer trabalhar com cinema, e, se pintar, faz TV também. “Quero tocar meus projetos de forma digna, seguir os passos de um artista independente que consegue sobreviver de sua arte”.

Quando vê o que já fez na última década, diz, certeiro: “Não tenho nada para me arrepender”. E aponta para o futuro: “Já tenho uma identidade; agora, só preciso focar”.

henrique mello eduardo enomoto 4 Henrique Mello, o ator com identidade consciente

O ator Henrique Mello: "“Já tenho uma identidade; agora, só preciso focar” - Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Centro da Cultura Judaica de São Paulo

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herbert silva miguel arcanjo prado 3 Ator vive menino que vê desenterro de cadáveres

Herbert Silva está no elenco da peça Nekrópolis, que tem entrada franca em SP - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

Mesmo com 24 anos, o ator paulistano Herbert Silva ainda tem cara de menino. E vai se aproveitar disso para encarar um personagem forte no teatro, na peça Nekrópolis, que estreia nesta quinta (9) em São Paulo, com direção de Juliana Galdino e que fica em cartaz até o fim de junho, às quintas e sextas, às 21h, com entrada gratuita no Club Noir.

herbert silva miguel arcanjo prado 2 Ator vive menino que vê desenterro de cadáveres

Herbert Silva vai interpretar na peça um garoto vê desenterro de cadáveres - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Ele viverá um garoto de dez anos que vê uma gangue desenterrar cadáveres e os expõe no parquinho onde costuma brincar. “É uma criança viciada em videogames violentos”, revela o ator, que acredita que “a peça faz uma crítica ao descaso público”.

Herbert, que já fez as peças Hi-5 e Bicha Oca, esta última fazendo par com Rodolfo Lima em cena, entrou no elenco após fazer um curso com a diretora.

Diz que aprendeu muito. Até porque cada integrante do elenco tinha um estilo próprio e todos precisaram ser moldados ao modo de fazer teatro do Club Noir.

— Eu gosto muito da direção da Juliana Galdino, porque eu me identifico com essa visão do teatro que quebra o realismo. Ela é rígida e exige muito do ator. Então, é uma troca constante entre ator e diretor.

Nekrópólis
Quando: Quinta e sexta, 21h. Até o fim de junho de 2013
Onde: Club Noir (r. Augusta, 331, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3257-8129)
Quanto: Grátis (ingressos distribuídos uma hora antes)
Classificação etária: 18 anos

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joaquim lino 9 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

O inquieto artista Joaquim Lino, que gosta de andar pelo mundo - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado

Muso do Teatro R7, Joaquim Lino, de 32 anos, é paulista de Botucatu. Mas foi criado Brasil afora.

Terceiro dos quatro filhos de Beatriz e Fernando Lino, acompanhou os pais nas mudanças quase ciganas durante a vida. Morou em Ouro Fino, Uruaçu, Recife, Birigui e Chapadão do Céu.

joaquim lino 2 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

Após rodar Brasil com a família, Joaquim Lino morou na Inglaterra e na Argentina - Foto: Eduardo Enomoto

Com tanto perambular, ficou difícil criar raízes. “Nunca tive amigo de infância”, diz.

O sotaque acabou neutralizando diante da miscelânea de acentos que escutou. Mas também teve seu lado bom. Ficou “muito adaptativo”.

Aos 18 anos, depois de cursar ensino médio técnico em contabilidade, sentiu “necessidade de sair”. Criar sua própria história. Pegou um avião e foi trabalhar por um ano em uma ONG no interior da Inglaterra.

No dia a dia, ouvia dos colegas: “Joaquim, você tem de ser ator”. Ficou com aquilo na cabeça.

De lá, foi para a Dinamarca, onde ficou quatro meses antes de retornar ao Brasil meio que às pressas. “Teve o 11 de Setembro e meus pais me mandaram voltar. Ainda consegui ficar até dezembro”, lembra.

Quando voltou, pegou a família mudando-se para o interior de Goiás. Chegou à conclusão de que aquela vida nômade tinha dado para ele. “Vi que a minha história era outra”.

Fez a mala e foi morar com a tia Suzi Lino no bairro Alto da Lapa, em São Paulo. Resolveu investir naquilo que haviam lhe dito. Se matriculou em cursos de teatro, ficou sem grana, sofreu, sentiu saudades, chorou, mas ficou. “Esperava que as coisas fossem mais fáceis, que tudo estivesse pronto me esperando. Era inocente, claro. E vi que as coisas não eram assim. É o choque da vida”, afirma.

A primeira peça foi Evergreen, em 2004, na Casa das Caldeiras. Resolveu aprofundar o estudo artístico e entrou para a graduação em artes do corpo, na PUC-SP. “O curso é maravilhoso e me ajudou a compreender a arte como movimento, até por interligar a dança, o teatro e a performance”, conta.

Em 2007, fez o infantil Luna Clara e Apolo Onze, dirigido por Cris Lozzano. Tomou coragem e resolveu escrever e dirigir seu próprio projeto: Casa de Tijolos, um infantil que acabou ganhando o Proac e tinha Leo Moreira no elenco, ainda antes de virar dramaturgo de sucesso com a Cia. Hiato.

joaquim lino 5 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

Joaquim Lino está em ¡Salta!, peça do Coletivo Dodecafônico inspirada na obra da cineasta argentina Lucrécia Martel com direção de Verônica Veloso, que reestreia no Tusp em 8 de maio - Fotos: Eduardo Enomoto

Neste meio tempo, para ganhar grana, deu aulas de inglês em uma escola bilíngue. Em 2010, enveredou-se na dança, com a Cia Aberta de Dança, com o espetáculo Sapatos Cegos. E viu despertar em si o desejo de fazer cinema: “Escrevi e dirigi o curta A Criança, a Mulher e os Homens”.

joaquim lino 10 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

Sempre de projeto novo, Joaquim Lino dirigiu Cleyde Yáconis no cinema em um curta - Foto: Eduardo Enomoto

E o ímpeto nômade gritou outra vez nas veias e resolveu ir morar na Argentina, onde estudou roteiro em Buenos Aires. Enquanto fazia tantas coisas, teve de se despedir de uma pessoa muito amada, sua avó, Tereza Lino. “Ela foi uma referência feminina muito importante para mim”.

Logo após a perda, num impulso artístico-emocional, foi para a casa dela, no interior, mergulhou naquele mundo e naquelas roupas, e fez a performance Investigação Feminina e o Flerte com a Morte. “Eu tinha sonhos que invadiriam a casa e, quando terminamos, chegaram uns homens na casa, que seria vendida”.

E veio o segundo curta, Fala Comigo Agora, com a história de um quarentão que trabalha na noite vestido de mulher. O filme contou com elenco de peso: Cleyde Yáconis, Antônio Petrin, Cadú Favero e Marat Descartes. Em 2012, veio a surpresa com o convite para fazer a peça ¡Salta!, do Coletivo Teatro Dodecafônico, que volta no dia 8 de maio ao cartaz no Tusp. “Reencontrei a amiga Katia Lazarini e ela acabou fazendo a ponte”.

Diz que não ficou preocupado com a cena de nudez que fecha a montagem. “Fiquei tranquilo, mas tive de correr atrás do corpo [risos]”. “Ser o único homem da peça já traz automaticamente um destaque, porque a força masculina é diferente e tem outro peso. Saio da peça exausto”.

Assim que a nova temporada da peça acabar, vai para Goiás, onde fará com a família um curta experimental: O Homem Semeador. Depois, pretende viajar outra vez: “Quero ir para Nova York estudar roteiro”.

Pelo jeito, o desejo de mover-se pelo mundo está mesmo na veia de Joaquim Lino, o artista nômade.

joaquim lino 1 foto eduardo enomoto Joaquim Lino, o artista nômade

Além de atuar e dançar, Joaquim Lino também é roteirista e cineasta - Foto: Eduardo Enomoto

Veja, abaixo, imagens da carreira de Joaquim Lino:

joaquim lino poster carreira Joaquim Lino, o artista nômade

Uma carreira em quatro tempos: no alto: à esq., Joaquim Lino, em cena da peça ¡Salta! (Foto: Cacá Bernardes); à dir., Joaquim Lino na performance Investigação Feminina (Foto: Bernardo Baptista), que fez após perder sua avó; abaixo, à esq., Cleyde Yáconis em cena do curta Fala Comigo Agora, dirigido por Joaquim Lino; à dir., cena do curta A Criança, a Mulher e os Homens, também de Joaquim Lino (Foto: Ligiane Braga) - Arquivo Joaquim Lino

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lee taylor eduardo enomoto r7 Entrevista de Quinta – Antunes Filho continua meu mestre, diz Lee Taylor após saída do CPT

Lee Taylor deixou o CPT e agora comanda o NAC do Centro da Cultura Judaica - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Após quase uma década trabalhando diretamente com o diretor Antunes Filho, no Centro de Pesquisa Teatral, o CPT do Sesc Consolação, em São Paulo, o ator goiano Lee Taylor resolveu que era chegada a hora de seguir seu próprio caminho.

Logo após o anúncio de sua saída do CPT, notícia que causou burburinho nos meios teatrais, Lee assumiu a coordenação do NAC, o Núcleo de Artes Cênicas do Centro da Cultura Judaica, inaugurado no mês passado. 

Foi lá que ele se encontrou com Atores & Bastidores do R7 para esta Entrevista de Quinta.

Com a fala calma que lhe é característica, Lee esclareceu a polêmica sobre sua saída do CPT, onde fez história como protagonista das peças A Pedra do Reino (2006), Senhora dos Afogados (2008) e Policarpo Quaresma (2010), entre outras. Ele ainda contou como ficou a relação com Antunes, revelou os trabalhos no cinema e declarou com qual diretor pretende trabalhar.

Leia com toda a calma do mundo:

lee taylor eduardo enomoto r7 4 Entrevista de Quinta – Antunes Filho continua meu mestre, diz Lee Taylor após saída do CPT

"O mérito do mestre é habilitar o discípulo a fazer o seu próprio caminho", Lee Taylor - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Por que você resolveu sair do CPT?
Lee Taylor – Exclusivamente por uma questão financeira.

Como surgiu o convite para fazer o NAC?
Surgiu algumas semanas após a minha saída do CPT. Em um jantar informal a diretora executiva do Centro da Cultura Judaica, Yael Steiner, ao saber da minha saída, perguntou se eu teria interesse em enviar um projeto de artes cênicas para a instituição. Fiz o projeto do NAC, alguns dias depois ela aprovou sem nenhuma restrição. A Yael é a maior entusiasta do projeto, sempre aberta a novas propostas, procurando atender às nossas necessidades com muita disposição.

Qual linha você vai adotar como coordenador do projeto?
A linha da emancipação do indivíduo e consequentemente do artista, que procurará se lapidar nas experiências propostas no decorrer do curso. Vou colocar em prática a pesquisa que tenho realizado a respeito da arte do ator e de uma pedagogia para o ator.

Como é a abordagem?
É uma abordagem que buscará dar consciência ao sujeito, potencializando suas virtudes e não procurando formatá-lo em uma ou outra técnica de ator. O objetivo é dar condições para que o indivíduo alcance meios para desenvolver a sua própria técnica, pois entendo que quanto mais singular for sua poética, mais legítima ela será. Portanto, o curso terá uma abordagem múltipla que buscará diálogos individuais, sempre na tentativa de compartilhar experiências por meio de reflexões e práticas ligadas às necessidades artísticas de cada um. Com o tempo, as individualidades se articularão como grupo.

Você terá liberdade artística no NAC?
Na minha visão liberdade e artístico são uma coisa só. Não acredito em nada que se diga artístico sem a premissa da liberdade.

lee taylor eduardo enomoto r7 3 Entrevista de Quinta – Antunes Filho continua meu mestre, diz Lee Taylor após saída do CPT

"Pretendo ter uma relação de proximidade com os grupos latino-americanos", diz Lee Taylor - Foto: Eduardo Enomoto

Como Antunes Filho reagiu à sua saída do CPT?
Tivemos uma boa conversa. Apesar de não ser da vontade de ambos, ele entendeu o motivo. Nos falamos praticamente todos os dias. Eu ainda estou dando de duas a três aulas por semana no CPT.

Você acha que já era hora de dar os passos com suas próprias pernas e abandonar o mestre? Como foi este momento na sua cabeça?
Eu não o abandonei, ele continua e continuará sempre sendo meu mestre. Mas a condição de discípulo, no sentido da dependência, é temporária. O verdadeiro mérito do mestre é habilitar o discípulo a fazer o seu próprio caminho. Nesse sentido, depois de quase dez anos de trabalho, penso que esse momento uma hora ou outra iria chegar. Talvez seja a etapa mais importante do aprendizado que se configura nessa relação.

O que você pretende fazer no NAC?
Além do curso semestral gratuito para atores, teremos uma programação mensal também gratuita e em breve a produção de espetáculos profissionais. O curso será dividido em dois módulos. Módulo 1: Formação, três meses com atividades de segunda à quinta, das 18h às 22h. E Módulo 2: Montagem, no qual se produzirá um espetáculo, que visa compartilhar com o público a experiência vivenciada no NAC. Para a programação regular criamos a Mise en scène. São experimentações cênicas que acontecem uma vez por mês nos fins de semana, sempre às 17h30. A cada três meses troca-se a experimentação. Começamos com uma leitura que vai até junho. A partir de julho, a próxima Mise en scène será uma dança com a performer e dançarina de butoh Emilie Sugai. O primeiro espetáculo profissional provavelmente deverá acontecer em 2014.

Você vai trabalhar com parceiros no NAC?
O teatro é uma arte de natureza coletiva, já tenho sido procurado e venho procurando parcerias. Só temos a ganhar com propostas que fortaleçam a coletividade desde que não sejam em detrimento do indivíduo. Venho articulando uma parceria com artistas poloneses que me procuraram e pretendo ter uma relação de proximidade com os grupos latino-americanos, além de obviamente manter diálogos estreitos com os grupos e coletivos de São Paulo.

Você vai ser um coordenador bravo e forte como o Antunes? Qual será seu estilo à frente do núcleo?
Serei como o bambu, que enverga, mas não quebra.

Como está sua carreira acadêmica?
Estou na pós-graduação em Artes Cênicas na ECA/USP. Farei a qualificação de mestrado em breve, tenho mais um ano para apresentar a dissertação. Minha orientadora, Maria Thais, tem sido uma grande aliada nessa árdua tarefa de escrever sobre a pedagogia do Antunes.

Você é um ótimo ator. Vai continuar nos palcos?
Pretendo continuar meu trabalho como ator com a mesma frequência e com o mesmo comprometimento. Acredito que o trabalho de pesquisa acadêmica e a pedagogia teatral são complementares ao meu trabalho como ator.

Você tem vontade de ser dirigido por qual diretor no teatro?
Tenho uma grande admiração pelos trabalhos dirigidos pelo Eric Lenate. Vejo uma enorme potencialidade criativa em suas encenações. Inclusive, ele será o diretor da primeira montagem com os participantes do curso no NAC.

Como vai sua carreira no cinema?
No ano passado fiz dois filmes, Riocorrente do Paulo Sacramento e A Pele do Cordeiro do Paulo Moreli. Fiz também um curta-documentário, sobre o trabalho do ator, com a Cássia Kiss e o Yoshi Oida, direção da Laís Bodanzky. Tenho recebido alguns convites, mas com o mestrado e os trabalhos em teatro não tenho conseguido conciliar.

E TV? Ainda diz não ao veículo?
Não é o meu foco.

Você vai ser o Antunes Filho do futuro?
O Antunes é único.

lee taylor eduardo enomoto r7 2 Entrevista de Quinta – Antunes Filho continua meu mestre, diz Lee Taylor após saída do CPT

"Serei como o bambu, que enverga, mas não quebra", diz Lee Taylor, coordenador do NAC - Foto: Eduardo Enomoto

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Foto de Bob Sousa

ze roberto jardim bob sousa O Retrato do Bob: José Roberto Jardim, a leveza bruta dos palcosO ator paulistano José Roberto Jardim é nome forte do teatro. Sua bela figura é leve e bruta. Formado pela Escola de Arte Dramática da USP, começou na Ópera de Pequim, em 1989. E fez sucesso na China, onde foi premiado três vezes por suas performances. A experiência lhe deu estofo para assumir movimentos cênicos e coreografias de diversos espetáculos e vídeos. Desde 2001, integra a Cia. Teatral Os Fofos Encenam, que tem sede no Bixiga, tradicional bairro teatral paulistano. Com a mesma, coleciona prêmios. Na TV, já foi visto nas novelas Da Cor do Pecado (Globo), Cidadão Brasileiro e Luz do Sol (Record). Há pouco, terminou a temporada de Terra de Santo, com Os Fofos, montagem da qual foi destaque. Foi no camarim de lá que posou para o nosso Bob Sousa. E agora segue em turnê com  Aberdeen - Um Possível Kurt Cobain, espetáculo que dirige com a história do roqueiro rebelde. O moço é assim, sempre com propostas cheias de arte.

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thiago inacio3 Ator e produtor, Thiago Inácio não para no Festival de Curitiba: Sou um artista proponente

Ritmo frenético: Thiago Inácio integra a Cia. Transitória, de Curitiba - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Daniel Sorrentino/Clix

Não tem tempo feio para o curitibano Thiago Inácio, de 28 anos. Máquina de trabalhar, o moço não para no Festival de Curitiba.

thiago inacio Ator e produtor, Thiago Inácio não para no Festival de Curitiba: Sou um artista proponente

No topo do mundo: o produtor e ator Thiago Inácio faz as coisas acontecerem - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Ator e produtor da Cia. Transitória, ele é trabalha com a Mostra Baiana e também dá expeidente na mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos, com grupos curitibanos, da qual é coordenador.

Ele conta que a veia de produtor veio aos poucos, porque ele acabava resolvendo os pepinos que apareciam nas produções em que atuou.

- Sempre fui agilizado e bem relacionado. Então, de uma certa forma, ajudava os espetáculos a acontecerem. Mas não gosto que falem que sou produtor. Sou um artista proponente. Não vou abrir mão de atuar!

Em 2013, por conta da correria, não conseguiu subir no palco. Mas revela que volta em breve aos holofotes.

- Nós ganhamos o prêmio Myriam Muniz, da Funarte, e vamos começar a ensair nova peça em julho. Devemos estrear no ano que vem. Vai se chamar Para Poe. Vai ser um humor ácido calcado no absurdo, com dramaturgia colaborativa, assinada por mim e pela Clarissa Oliveira.

thiago inacio2 Ator e produtor, Thiago Inácio não para no Festival de Curitiba: Sou um artista proponente

Thiago Inácio, que não subiu ao palco neste Festival de Curitiba, promete voltar a atuar no espetáculo Para Poe, cujos ensaios começam em julho - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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stefano belo FOTOS Daniel Isolani Ator se chicoteia em peça do Festival de Curitiba e dispara: Faço teatro para sofrer e ser feliz

Entrega desmedida de Stefano Belo virou sensação no Festival de Curitiba - Foto: Daniel Isolani/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Daniel Isolani/Clix

O público que foi ver a peça Wunderbar, do grupo O Estábulo de Luxo, no Festival de Curitiba, ficou com uma cena na cabeça: aquela em que o ator Stéfano Belo se chicoteia sem dó alguma, até provocar hematomas reais em seu braço.

Tudo é feito em nome da arte, é claro. A cena causou frisson no TUC (Teatro Universitário de Curitiba) e colocou a entrega desmedida do talentoso intérprete como uma das mais contundentes do festival. Virou personalidade do Fringe, a mostra paralela do evento.

Tal fama o faz sonhar em apresentar a peça no Espaço dos Satyros, reduto do teatro alternativo na praça Roosevelt, no centro paulistano.

stefno belo 2 daniel isolani Ator se chicoteia em peça do Festival de Curitiba e dispara: Faço teatro para sofrer e ser feliz

Stefano Belo: "sou um artista cigano" - Foto: Daniel Isolani/Clix

Artista cigano

Nascido em São Luiz do Maranhão, ele se considera baiano, já que foi criado em Salvador, onde morou dos dois aos 16 anos, quando se mudou para Curitiba. “Coloca que eu sou um artista cigano”, ordena à reportagem.

Na capital paranaense se entrou de corpo e alma ao teatro. Fez aulas com Ivam Cabral na época em que o grupo hoje paulistano Os Satyros tinha sede no Paraná. Sobre o processo de Wunderbar, diz que foi “corporal, físico e energético”.

Postura de diva

Já quando questionado sobre o gato que ele interpreta, que chega a ronronar nas pernas do público, diz que tudo foi vindo espontaneamente nos ensaios com o diretor Ricardo Nolasco.

– Assumi uma postura de diva no processo. Eu sou um provocador. E ser isso dói quase sempre. Muitas vezes, quem provoca se torna vilão.

Dublagem e chicote vagabundo

Outra cena em que Stéfano se destaca é quando faz uma dublagem perfeita.

Ele conta que sua mãe foi ver a adorou. E diz que dublar é um passatempo que vem de longo tempo. E a familiaridade com o inglês vem de ter sido professor do idioma. Conta que quando está no palco não teme nada. Ele sofre e é feliz sendo artista.

stefano belo 4 daniel isolani1 Ator se chicoteia em peça do Festival de Curitiba e dispara: Faço teatro para sofrer e ser feliz

Chicoteadas deixam marcas no braço de Stefano Belo - Foto: Daniel Isolani/Clix

– O teatro tem esta coisa de você ser amado em cena e depois ninguém liga para você. Isso tem a ver com o sadomasoquismo. Daí surgiu a ideia de me chicotear.

Sabedor do impacto que sua figura provoca em cena, diz que "acredita na linguagem da performance como elemento transformador".

– É preciso colocar em cena corpos de padrões diferentes. Isso também é uma forma de provocar.

Ele revela que, no primeiro dia da peça, o “chicote vagabundo de seis reais” que compraram para sua cena se rompeu logo na primeira chibatada.

Diante do imprevisto, ele precisou alterar a marcação original e, para manter o impacto da cena, deu violentos tapas no próprio rosto.

– Fiquei louco e comecei a me estapear. Doeu muito.

Conta que a densidade da peça mexe muito com ele e que durante o processo teve muitos momentos difíceis, "de pensar no brilho da cena e depois de se ver sozinho diante do espelho do camarim".

– É algo decadente. Eu nunca termino a peça bem. Mas eu faço teatro porque é um prazer intenso, mas é também muito dolorido. Faço teatro para sofrer e ser feliz. Olha que frase maravilhosa!

IMG 9639 02042013 FOTOS Daniel Isolani Ator se chicoteia em peça do Festival de Curitiba e dispara: Faço teatro para sofrer e ser feliz

Talento revelado no Fringe do Festival de Curitiba, Stefano Belo sonha em levar a peça Wunderbar, do grupo O Estábulo de Luxo, para a praça Roosevelt, em SP, e rever o antigo professor Ivam Cabral - Foto: Daniel Isolani/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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wendell duarte3 Wendell Duarte se despede de Aser de <i>José do Egito</i>: Fizemos história na teledramaturgia

Wendell Duarte foi um dos destaques da minissérie José do Egito, na Record - Foto: Alex Mendes

Por Miguel Arcanjo Prado

Destaque em José do Egito, o ator mineiro de Belo Horizonte Wendell Duarte já sente aquela tristeza de ter de se despedir de Aser, que ele interpretou na superprodução da Record.

O personagem foi seu primeiro de peso na TV.

— Fui muito bem recebido na Record por toda a equipe e fiz amigos que vou levar para a vida toda. Foi uma produção bem gostosa de se trabalhlar, com sentimento de equipe. Fizemos história na teledramaturgia.

A simpatia mineira de Wendell fez sucesso nos bastidores da minissérie. Afinal, sua entrada na produção foi fruto de muita batalha, desde que deixou a família humilde em Belo Horizonte rumo ao sonho de ser ator no Rio (leia a história dele aqui).

— Eu me considero um homem de sorte, porque pude trabalhar ao lado de grandes feras da televisão, que sempre me ajudaram.

Agora, é esperar para rever Wendell, que começou nos palcos de BH, em breve de volta à TV.

Abaixo, alguns momentos marcantes do ator na minissérie da Record:

poster wendell duarte Wendell Duarte se despede de Aser de <i>José do Egito</i>: Fizemos história na teledramaturgia

O ator mineiro Wendell Duarte foi destaque em José do Egito como Aser - Divulgação

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alexandre cruz foto eduardo enomoto 2 Espetáculo <i>As Cinzas do Velho</i> marca estreia de Alexandre Cruz como ator e produtor teatral

O ator paulista Alexandre Cruz: agora o moço é também é produtor teatral - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

A noite do próximo sábado (16) é de tensão e realização para o ator Alexandre Cruz. Às 21h deste dia, no palco do Teatro União Cultural, em São Paulo, ele estreia o espetáculo As Cinzas do Velho (leia também o blog da peça), sonho embalado por ele nos últimos tempos. Mas o frio na barriga não é só por conta da atuação.

Além de estar no palco, Alexandre também é responsável pela produção, com sua produtora Dois Caras, ao lado do também colega de cena Marcelo Braga.

— É minha primeira produção. Escolhi um texto rápido e novo, que fosse algo que eu quisesse dizer. Trabalhei que nem camelo nos bastidores desde que conheci a peça em uma viagem aos Estados Unidos, até fazer o contato com o autor, conseguir os diretos e levantar a produção. É uma grande realização para mim.

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Com direção de Luís Artur Nunes, a peça do dramaturgo norte-americano Kelly McAllister ficará em cartaz até 2 de junho, sempre aos sábados, às 21h, e domingos, às 19h. Alexandre conta que a veia produtor foi surgindo naturalmente, sem que entrasse em conflito com a de ator.

— Adoro atuar, mas sempre acabei me envolvendo de alguma forma na produção dos espetáculos nos quais trabalhei. Acredito que é possível estar no palco e também correr atrás nos bastidores. Acho que nomes como Miguel Falabella e Marco Nanini são grandes exemplos neste sentido. E tudo que vi no palco como ator, tentei melhorar como produtor.

alexandre cruz foto eduardo enomoto 4 Espetáculo <i>As Cinzas do Velho</i> marca estreia de Alexandre Cruz como ator e produtor teatral

Alexandre Cruz conheceu o texto da peça durante viagem aos Estados Unidos - Foto: Eduardo Enomoto

Encontro de irmãos

O enredo da peça se passa quando dois irmãos perdem o pai e precisam se encontrar para ir depositar as cinzas do velho, daí o nome, no lugar inusitado que ele indicou. Na jornada, eles se encontram com outros personagens e a peça se aventura, ao mesmo tempo, pelo humor e pelo drama.

Na montagem, Alexandre Cruz vive Bobby, “o irmão descolado”, enquanto Marcelo Braga é o irmão certinho.

— É uma história que fala sobre pessoas. É um espetáculo cheio de humanidade.

No elenco, ainda estão Antoniela Canto, Ricardo Ripa, Lívia Camargo e Leandro Medeiros.

alexandre cruz foto eduardo enomoto 1 Espetáculo <i>As Cinzas do Velho</i> marca estreia de Alexandre Cruz como ator e produtor teatral

Alexandre Cruz é de Araraquara - Foto: Eduardo Enomoto

De Araraquara para a USP

Paulista de Araraquara, Alexandre é filho da dona de casa Aparecida e do industrial Antônio Cruz. Durante a infância, na escola, a veia artística começou a aparecer. Na adolescência, incentivado pela irmã mais velha, Cláudia, que fazia teatro, entrou também para o mundo dos palcos no grupo amador Jaguar, na Casa de Cultura de Araraquara.

Gostava de participar de tudo quanto era agito cultural na cidade natal de José Celso Martinez Corrêa. Lembra que começou, naquela época, a escutar nomes difíceis como Stanislavski e Shakespeare. A primeira peça profissional foi com o grupo Texc. Fez o sobrinho na montagem infantil O Palhaço Era meu Tio, com direção de Ariovaldo dos Santos.

Mas logo Araraquara ficou pequena e partiu rumo a São Paulo, onde entrou passou de cara na EAD (Escola de Artes Dramáticas) da USP (Universidade de São Paulo). Começou no ano de 2003. E perambulou por casas de amigos e repúblicas até se formar, no fim de 2006. Desde então, caiu na vida de ator.

— Logo que me formei, fiquei seis meses sem fazer nada. Acho que foi o tempo para eu entender como funcionava o mundo do teatro.

Personagens fortes

Em 2007, fez sua primeira peça pós-EAD, Mojo, com o diretor Zé Henrique de Paula. Entre uma peça e outra, emendou pequenas participações na TV. Fez os seriados Alice e Carandiru na Globo, e as novelas Amigas e Rivais (SBT) e Caminhos do Coração (Record).

Em 2008, fez o espetáculo Amor e Restos Humanos, com direção de Marco Antônio Pamio. No ano seguinte, entrou para uma grande produção: a peça Maria Stuart, com Julia Lemmertz e Ligia Cortez. Em 2011, voltou ao teatro alternativo, com Amor que Não Ousa Dizer seu Nome, que abordava a temática das relações homossexuais com inspiração em Oscar Wilde e direção de Milton Morales Filho.

O ano de 2012 foi de trabalho intenso. Foi assistir ao amigo de EAD Luciano Andrey em Mambo Italiano, peça que tinha como tema um gay que resolvia sair do armário. Meses mais tarde, foi chamado para substituir o colega, que precisou deixar a montagem para protagonizar o musical Priscilla – Rainha do Deserto.

— Foi uma experiência incrível, porque trabalhei ao lado da Claudia Mello, da Jussara Freire e sob a direção o Marcos Caruso. Mambo foi um grande presente. Quando vi o Luciano fazer o personagem, jamais imaginaria que eu iria substituí-lo meses depois.

No meio tempo, ainda conseguiu fazer interpretar o pai, no infantil O Empinador de Estrelas.

— Com esta obra fui indicado ao Prêmio Femsa de melhor ator. Foi uma grande alegria que me deu vontade de fazer mais.

Com um currículo tão diverso, Alexandre conta que gosta de “personagens desafiadores” e que tenham “uma trajetória forte”.

— Gosto de personagens realistas, de entender os caminhos dele, de estuda-los e compreendê-los.

alexandre cruz foto eduardo enomoto 5 Espetáculo <i>As Cinzas do Velho</i> marca estreia de Alexandre Cruz como ator e produtor teatral

Alexandre Cruz é ator e produtor da peça As Cinzas do Velho - Foto: Eduardo Enomoto

As Cinzas do Velho
Quando: Sábado, 21h; domingo, 20h. Estreia em 16/3/2013. Até 2/6/2013.
Onde: Teatro União Cultural (r. Mario Amaral, 209, Paraíso, São Paulo, tel.0/xx/11 2148-2904)
Quanto: R$ 40 (sábado) e R$ 30 (domingo)
Classificação etária: 12 anos

Veja imagens da peça:

as cinzas do velho fotos vitor vieira Espetáculo <i>As Cinzas do Velho</i> marca estreia de Alexandre Cruz como ator e produtor teatral

Cenas da peça As Cinzas do Velho  e também de toda a equipe do espetáculo - Fotos: Vitor Vieira

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andre torquato amauri nehn Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

Apesar da pouca idade, André Torquato já é estrela das superproduções - Foto: Amauri Nehn/AgNews

Por Miguel Arcanjo Prado

Parece inacreditável que alguém nascido em 17 de junho de 1993 já seja uma das grandes estrelas do teatro musical brasileiro. Mas é verdade. O nome em questão é o do brasiliense André Torquato, atualmente em cartaz como o Espantalho no musical O Mágico de Oz, no Teatro Alfa, em São Paulo.

Apesar de ter chegado tão cedo ao topo, o rapaz de 19 anos demonstra humildade e tem fala tranquila e centrada. Mora em São Paulo desde 2009, no bairro Vila Mariana, onde divide apartamento com o primo Rafael Villar, que é seu professor de canto.

No palco, costuma surpreender o público não só com a voz, mas também com uma postura corporal impecável.

André deixou a família em Brasília, há quatro anos, quando foi aprovado para viver uma das crianças do musical A Noviça Rebelde, dirigido pela tarimbada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, a mesma que agora o convidou para ser um dos protagonistas de O Mágico de Oz.

O convite veio após ele ganhar o respeito da crítica como a espevitada drag queen Felícia, do musical Priscilla, Rainha do Deserto, que encerrou temporada no fim de 2012 com casa lotada.

Ouvinte de jazz e fã do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, André Torquato conversou com o Atores & Bastidores do R7 com exclusividade. Falou sobre sucesso, juventude e futuro.

Leia com toda a calma do mundo:

andre torquato2 Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

André Torquato nasceu em Brasília (DF) - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – André, você se destacou em Priscilla, e agora nem fez teste para O Mágico de Oz, foi convidado. Você chegou muito cedo aonde muito ator quer chegar. Como você se segura para não ficar se achando demais?
André Torquato – Em toda profissão, não só a de ator, você nunca chega ao topo. Tem sempre de estudar, buscar novas técnicas e ter pé no chão para sempre ter em mente que precisa aprender. Ninguém é melhor do que ninguém. Cada um tem seu próprio mérito por suas conquistas. Eu cheguei a um lugar legal, mas sempre tem onde chegar mais e aprender mais.

Miguel Arcanjo Prado – O que vc vai fazer depois deste espetáculo?
André Torquato – Vou para Nova York passar seis meses estudando. Como comecei muito cedo, ainda não tive tempo de parar para estudar. Vou para lá estudar teatro.

Miguel Arcanjo Prado – Isso mesmo, porque você está em uma idade na qual todo mundo está começando a faculdade...
André Torquato – É isso mesmo. Por isso, quero estudar para crescer como pessoa também.

andre torquato novica Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

O começo nos musicais: André Torquato (acima, à esq.) em A Noviça Rebelde - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Eu me lembro de você começando, em A Noviça Rebelde. O fato de ter iniciado muito jovem lhe ajudou a perder o medo e também não se deslumbrar com a profissão?
André Torquato – Eu me lembro que eu era muito deslumbrado no começo. Porque era muito novo mesmo, como você falou.  Tinha 14, 15 anos. Depois que comecei a trabalhar mais, o deslumbre caiu, porque comecei a fazer parte daquilo. Foi bom eu ter começado com personagem menor em Noviça, depois fiz Gipsy e As Bruxas de Eastwick... Aí veio Priscilla e esse boom. E, agora, o Espantalho. Mas você nunca está acomodado, porque o teatro musical é uma arte que se renova muito. Sempre aparecem pessoas novas e muito boas.

andre torquato priscilla onibus Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

Grande momento em 2012: André Torquato canta sobre o ônibus de Priscilla, Rainha do Deserto - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Priscilla foi um grande momento. Como segurou a peteca de ver todo mundo aos seus pés? Deu vontade de que aquilo durasse para sempre?
André Torquato – Tem de ter um trabalho psicológico para desapegar do personagem. No final é difícil, principalmente Priscilla, que foi especial em todos os aspectos. Mudou a vida de todo mundo que fez. Espero que de quem assistiu também. Priscilla mudou a forma que eu encarava o papel de artista. Depois de Bruxas, eu me senti um pouco de funcionário público. O Priscilla me resgatou essa coisa de ser um artista. De contar uma história que transforme as pessoas. Meu papel é esse! Plantar uma semente por meio da arte, sem levantar bandeira ou fazer protesto. Foi muito difícil dizer adeus [para a personagem Felícia]. Porque estávamos com a expectativa de ir para o Rio e estava lotando até o final. Mas, por questões de patrocínio e produção, acabou. Mas o desapego faz parte da nossa função como ator.

Miguel Arcanjo Prado – Mas você deu sorte de terminar um e receber convite para outro, o que é coisa rara...
André Torquato – Fui convidado, graças a Deus. Porque teste é um horror. Eu detesto teste. É terrível. Sempre fico muito nervoso.

Miguel Arcanjo Prado – Como é fazer o Espantalho?
André Torquato – É diferente de tudo que eu já fiz. É desafiador. A Felícia [personagem em Priscilla] era mais fácil, porque tinha essa coisa explosiva. E eu tenho muito isso, essa coisa à flor da pele, tenho 19 anos, não tem como, né? [risos] Já o espantalho tem essa coisa de articulação frouxa... Então, tenho de me preparar mais antes do Espantalho do que para a Felícia.

Miguel Arcanjo Prado – O teatro musical valoriza muito o corpo. E você tem 19 anos. O que vai fazer quando não for tão novinho e bonitinho? Você tem medo de envelhecer?
André Torquato – Acho que não. Quando o ator envelhece, ganha mais vivência. A idade vai me dar sentimentos que eu ainda nunca vivi, porque tenho 19 anos. Então, o tempo vai me dar mais recursos para criar bons personagens. Por isso não tenho medo de envelhecer. Sei que é fato que o teatro musical exige muito fisicamente do ator. Eu quero curtir essa fase agora, enquanto posso. Mais para frente, penso fazer teatro convencional, TV e cinema. Enquanto isso não chega, quero sugar tudo que puder do teatro musical.

andre torquato magico Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

André Torquato (à dir.) posa com o elenco do musical O Mágico de Oz, em cartaz em São Paulo - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Você pensa em fazer alguma faculdade?
André Torquato – Sim. Eu tenho um pouco a veia de produção no meu sangue. Meu pai é muito empreendedor, minha irmã também, minha mãe adora produção... Estava na dúvida se fazia faculdade ou não. Acho que, quando voltar de Nova York, vou entrar numa faculdade de produção cultural.

Miguel Arcanjo Prado – Você vai virar um Claudio Botelho do futuro?
André Torquato – [risos] Olha, o Claudio é muito talentoso, é compositor, produtor, diretor... Aí eu já não sei. Depende de onde o curso vai me levar... Eu não achava nunca que seria o Espantalho e cá estou eu [risos].

Miguel Arcanjo Prado – Você quer chegar aonde?
André Torquato – Quero poder continuar transformando as pessoas, no palco, na minha função de artista. É isso que mais amo fazer. Quero fazer isso para o resto da minha vida, não importa que seja no musical, no teatro convencional, no cinema ou na produção.

andre torquato espantalho Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

Papel sem fazer teste: André Torquato foi convidado para viver Espantalho de O Mágico de Oz - Divulgação

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