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IMG 5762 1024x682 Exclusivo   Ator Fagner Zadra fala sobre acidente no Festival de Curitiba que o deixou tetraplégico

Guerreiro: diagnosticado tetraplégico, um ano depois o ator Fagner Zadra toma café sozinho enquanto conversa com o R7 em Curitiba - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos ANNELIZE TOZETTO/Clix

Na festa de abertura do Festival de Teatro de Curitiba do ano passado, uma peça de isopor da decoração se desprendeu do teto e caiu na cabeça do ator gaúcho Fagner Zadra.

Ele ficou consciente o tempo todo e revela que, naquele momento, percebeu que havia perdido os movimentos dos braços e pernas. Diante da constatação, seu objetivo era se manter vivo. "Na hora fiquei desesperado, mas depois pensei: eu tenho de continuar respirando para manter a oxigenação do meu cérebro", revela em entrevista exclusiva ao Atores & Bastidores do R7.

Um ano depois do acidente, Zadra, de 31 anos, conta com a juda de enfermeiro e fisioterapeuta, além do apoio fundamental de sua família, de Leandro Knopfholz (diretor do Festival de Teatro de Curitiba) e do carinho do público.

Resolveu enfrentar a situação de estar em uma cadeira de rodas com humor: voltou a fazer seu espetáculo solo no último dia 8 de março, no Teatro Positivo, onde foi aplaudido de pé assim que entrou na plateia.

Nesta conversa, o artista, que estudou engenharia civil na UFPR (Universidade Federal do Paraná) e agora estuda cinema, fala sobre o acidente, como vem se recuperando e afirma que nunca pensou em processar o Festival. Prefere encarar o que aconteceu como uma fatalidade.

Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO - Você conseguiu superar o acidente?
FAGNER ZADRA - Cara, você tem que ter uma meta na vida. A minha primeira meta era ficar vivo. Depois, voltar para meu trabalho, fazer o que gosto. Isso, mais a força, mais os cuidados, o Festival me cuidou muito, minha mãe, minha família, o público. Isso tudo e uma força de vontade imensa me fez voltar. Um ano depois, já estou aí trabalhando, com peças lotadas no Festival.

MIGUEL ARCANJO PRADO - Seu acidente aconteceu na festa de abertura do Festival no ano passado. Você chegou a pensar em processar o Festival?
FAGNER ZADRA - Não, em nenhum momento. Ate porque o Leandro [Knopfholz, diretor do Festival de Curitiba] é meu amigo. Surgiram boatos, mas eram todos falsos. Isso de processar nunca existiu em nenhum momento.

MIGUEL ARCANJO PRADO - Você buscou culpar alguém pelo que aconteceu ou acha que foi uma fatalidade?
FAGNER ZADRA - Não adianta culpar ninguém. O que aconteceu aconteceu. Culpar o quê? Eu acho que era para acontecer, não adianta ficar olhando para trás. É olhar o que vou fazer com isso agora. Ficar procurando culpado para quê? Já estou eu ferrado, para que vou ferrar mais alguém também?

MIGUEL ARCANJO PRADO - Qual foi seu diagnóstico?
FAGNER ZADRA - Teoricamente eu fiquei tetraplégico. Pelo meu nível de lesão eu não deveria estar aqui. Deveria estar só na cama, mexendo só a cabeça [o ator deu a entrevista em um café curitibano, e bebia sozinho seu café sem ajuda de terceiros]. Minha medula ainda está muito inchada. Minhas evoluções não deveriam ter acontecido tecnicamente. Mas a minha vida sempre foi excêntrica.

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Fagner Zadra: um ano após o acidente, ele já está de volta aos palcos - Foto: Annelize Tozetto/Clix

MIGUEL ARCANJO PRADO - Você rompeu qual vértebra?
FAGNER ZADRA - A C5, C6, C7 e T1, foi bem extensa a lesão. Geralmente, quem tem uma lesão dessa só começa a mexer os braços após um ano. E eu já estou aí, na rua, independente.

MIGUEL ARCANJO PRADO - Quem te deu mais apoio?
FAGNER ZADRA - A minha família, a minha mãe, meu pai, o Leandro, do Festival, que nunca me deixou. Meus amigos também, meu tio Geraldo, que mora aqui também. Minha mãe veio do Rio Grande do Sul no dia do acidente e nunca mais voltou. Fica grudada comigo como se fosse o primeiro dia do acidente.

MIGUEL ARCANJO PRADO - Você está namorando?
FAGNER ZADRA - Não.
MIGUEL ARCANJO PRADO - Você botou uma cadeira de rodas no símbolo do seu show; fazer piada com isso é uma forma de superar?
FAGNER ZADRA - A minha vida inteira, meus textos e shows foram baseados em mim, nas minhas desgraças e minhas vitórias. No humor, sempre tem que ter um alvo. Acho mais fácil atirar em mim mesmo. Lógico que faço piada do cotidiano, mas agora que estou nessa condição, faço piada disso. Por que não fazer? Não fazer seria uma forma de exclusão. Quando estreei meu show no Teatro Positivo, no dia 8 de março agora, havia muitos tetraplégicos. Eles adoraram. Porque ninguém brinca com eles. E não brincar com isso também é uma forma de discriminação.

MIGUEL ARCANJO PRADO - Você tem uma empatia muito grande dos moradores de Curitiba pelo sucesso do Tesão Piá, que ironizava os curitibanos. Como foi a reação do público?
FAGNER ZADRA - É fantástico. As pessoas vêm na rua para me dar um abraço. Cheguei em Curitiba com uma mala e 20 reais no bolso sem saber o que iria fazer. Sou de Sarandir, no Rio Grande do Sul. E dez anos depois eu vejo a cidade me abraçar. Isso me emociona muito. Quando voltei com meu solo, eu fui aplaudido de pé. É um carinho que nem tenho como retribuir.

MIGUEL ARCANJO PRADO - Qual humorista é seu ídolo?
FAGNER ZADRA - O Chico Anysio, que trabalhou e criou personagens até o fim. Ele é o maior referencial.

MIGUEL ARCANJO PRADO - O que você espera para o futuro?
FAGNER ZADRA - Estou estudando cinema, penso em continuar fazendo humor, dirigir. Também estou cuindando do canal Foca no Circo, no YouTube, além do meu próprio canal. Quero fazer as pessoas rirem até onde der. Até porque não sei se no dia de amanhã vai cair alguma coisa na minha cabeça de novo. Vai saber, né [risos]. Quero levar felicidade e alegria para a galera. Agora, eu vejo a vida por outra forma. Não só pela altura, né. Tenho 1,80 metro, mas agora vejo todo mundo na altura do glúteo [risos].

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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Velson DSouza03398x10 low res Entrevista de Quinta   Velson D’Souza troca SP por Nova York e conquista Broadway

Ator Velson D'Souza trocou São Paulo por Nova York e não se arrepende - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator brasileiro Velson D’Souza realiza o sonho de muitos colegas de profissão: atualmente trabalha na Broadway, em Nova York.

O moço está no elenco da peça I Catch You Dreaming, escrita pelo porto-riquenho Rafael Albarran e que transformou-se em sucesso de público na maior cidade dos EUA, no Teatro Flamboyan.

Na obra, faz o papel de um jovem gay que tem uma família católica e se apaixona por um ator.

A carreira do rapaz em solo norte-americano é cuidada pela agente Ann Steele, além dos menagers da Richard Rosenwald Associates. Ele ainda atua com dublagens na Stewart Talent e na Abrams Agency. Inclusive foi convocado para dublar o craque Neymar na campanha mundial da Nike na última Copa.

Antes de partir para o sonho americano, Velson atuou em espetáculos como o infantil A Odisséia de Arlequino, que levou o Prêmio APCA de melhor elenco, e A Sessão da Tarde, sucesso da Cia. Teatro Rock que ganhou o Prêmio Femsa.

O Atores & Bastidores do R7  conversou com o rapaz sobre o atual momento internacional de sua carreira nesta Entrevista de Quinta. Ele confessou que o ator é mais respeitado nos EUA do que no Brasil.

Leia com toda a calma do mundo.

I Catch You Dreaming 1 Entrevista de Quinta   Velson D’Souza troca SP por Nova York e conquista Broadway

Cena da peça I Catch You Dreaming: sucesso da Broadway tem brasileiro no elenco - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como foi partir para o sonho de atuar nos EUA?
VELSON D’SOUZA — Quis fazer um intercâmbio entre as duas culturas. Sempre fui fascinado pela cultura norte-americana. Quando houve a possibilidade de fazer a mudança, não pensei duas vezes. O desafio também me interessou muito.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você pensa em voltar?
VELSON D’SOUZA — Hoje minha base é aqui em Nova York e tenho projetos neste momento que impossibilitam minha ida ao Brasil. E minha intenção é continuar fazendo o intercâmbio entre as duas culturas aqui nos EUA e executar aqui projetos culturais similares aos que fiz parte no Brasil.  Mas recebi sondagens ano passado e esse ano para projetos de cinema e teatro em São Paulo. Seria um prazer poder trabalhar em projetos no Brasil no futuro, não sei quando acontecerá. Tudo depende do projeto e se este se encaixa na agenda daqui.

I Catch You Dreaming 3 Entrevista de Quinta   Velson D’Souza troca SP por Nova York e conquista Broadway

O ator em cena de I Catch You Dreaming - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como foi se adaptar a Nova York? Foi desafiante?
VELSON D’SOUZA — A adaptação leva um tempo. Nova York é uma cidade muito cara e muita gente pensa que Nova York é a Times Square, a Estátua da Liberdade, etc. Nova York é muito mais que isso. Eu acho que a adaptação à culinária e ao estilo de vida de uma cidade que move num ritmo muito superior a uma cidade como São Paulo, por exemplo, são os grandes desafios. Ah! Para brasileiros, diria que com certeza o tempo. Em Nova York você tem a experiência das quatro estações do ano ao extremo. É tremendamente quente no verão e úmido. No inverno, é intensamente frio e seco!

MIGUEL ARCANJO PRADO — Onde percebeu mais dificuldade para um ator: em São Paulo ou em Nova York?
VELSON D’SOUZA — Depende. Cada lugar tem suas dificuldades e é diferente. No Brasil, existem poucas oportunidades para o ator. Produtores sérios passam anos tentando aprovar seus projetos em leis e depois anos tentando captar o dinheiro para realização do projeto. No Brasil, não existe um sindicato sério, que lute de verdade pelo ator. Bom, existir até existe. Acho que o ator no Brasil é muito explorado e pouco reconhecido. E também parece que é cada um por si. O povo só vai ao teatro no Brasil para ver ator famoso. Talvez eu esteja sendo um pouco radical, porém, é extremamente difícil para o ator viver só disso no Brasil. Nos EUA, é um pouco diferente. O ator é muito mais respeitado. O povo vai ao teatro, e eu não estou apenas falando de Broadway. Mas tem muito teatro regional que tem casa cheia todo espetáculo. Sem contar que nos Estados Unidos existem sindicatos para cada área que protegem o ator (não somente atores mas todos envolvidos, diretores, câmera man, etc). Pra você ter uma ideia, o ator que faz um comercial que vai passar em rede nacional tem contrato supervisionado pelo sindicato , SAG-AFTRA, recebe um valor fixo para gravar o comercial, e depois, recebe um valor por cada vez que o comercial passa na TV. O ator aqui é respeitado e protegido. Seria uma maravilha se isso acontecesse no Brasil. Claro que aqui tem suas dificuldades também, porém tem muito mais oportunidades.

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156211 Claudio Marzo foi o ator de teatro que virou galã

Claudio Marzo, na novela Desejo Proibido, de 2007, na Globo - Foto: João Miguel Jr.

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Claudio Marzo, que morreu neste domingo (22), aos 74 anos, no Rio, foi um dos grandes atores que o Brasil conheceu, sobretudo por uma das mais bem sucedidas carreiras na televisão, onde fez personagens de destaque. Começou no teatro, mas foi na TV que se tornou galã de sucesso e reconhecido.

O paulistano integrou o começo do Teat(r)o Oficina, dirigido até hoje por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso. Além de atuar no palco, como na peça Pequenos Burgueses, de 1963,  também fazia dublagens. Em 1965, recebeu a proposta para entrar no primeiro elenco da Globo, e mudou-se de São Paulo para o Rio. Na segunda novela da emissora, A Moreninha, já estava no elenco.

Mas, Marzo já tinha experiência em televisão. Tinha sido figurante da TV Paulista e também ator da TV Tupi. Ao projeto Memória Globo, ele declarou o que pensava em sua juventude: "Na época, eu acreditava, ingenuamente até, que o teatro pudesse modificar o mundo”, afirmou.

regina claudio Claudio Marzo foi o ator de teatro que virou galã

Com Regina Duarte, Claudio Marzo formou um dos casais de maior sucesso na TV - Foto: Divulgação

Foi em Véu de Noiva, de 1969, de Janete Clair, na qual fez par com Regina Duarte que se tornou um galã reconhecido em todo o País. Mas foi em 1970 que conheceu o sucesso estrondoso da novela Irmãos Coragem, também de Janete e na qual deu vida a Duda, um dos irmãos mineiros.

Ainda em depoimento para o Memória Globo, ele revelou que foi difícil lidar com o sucesso televisivo, sobretudo por ter vindo dos palcos. Este era seu grande dilema: um ator de teatro que virou galã: "Eu não queria fazer sucesso em televisão. Eu queria ser ator de teatro, entende? E achava que, na minha cabeça, na época, fazer sucesso em televisão era uma coisa que te queimava. Novela, televisão, isso era uma coisa inferior. Mas eu precisava trabalhar”, declarou.

Entre 1988 e 1993, ficou fora da Globo, período em que trabalhou na extinta TV Manchete, onde participou, entre outras produções, do clássico Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, uma de suas novelas preferidas. A volta à Globo foi em Fera Ferida, de Walther Negrão, em 1993. Em 1995, atuou no remake de Irmãos Coragem, como o coronel Pedro Barros. O trabalho mais recente do ator na TV foi na série Guerra e Paz, de 2009, como Capitão Guerra.

Entre suas peças marcantes, estão O Santo Inquérito, de 1976, A Serpente, de 1980, O Tiro Que Mudou a História, de 1991, e Anos de Fausto e Fausto, de 1999.

No cinema, atuou em produções clássicas, como O Homem Nu, baseado no romance de Fernando Sabino e com direção de Hugo Carvana, em 1997. Por seu desempenho, levou o Kikito de melhor ator no Festival de Gramado.

1997 o ator claudio marzo em cena do filme o homem nu de hugo carvana 1379514222698 666x1024 Claudio Marzo foi o ator de teatro que virou galã

Claudio Marzo em cena do filme O Homem Nu, de Hugo Carvana - Foto: Divulgação

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natal daniel carvalho faria Artistas do teatro contam seu Natal inesquecível

Daniel Carvalho Faria: ele jamais esquece de sua bicicleta - Foto: Arquivo pessoal

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Todo mundo tem um Natal que não dá para esquecer. E, neste Dia de Natal, o Atores & Bastidores do R7 descobriu qual foi o momento mais marcante nesta data especial na vida de alguns artistas de nosso teatro. Feliz Natal!

daniel carvalho faria Artistas do teatro contam seu Natal inesquecível

O ator Daniel Carvalho Faria não esquece da bicicleta e do tênis - Foto: Divulgação

"Meu Natal inesquecível foi quando criança, sete anos de idade, ganhei uma bicicleta com rodinhas e um tênis que acendia uma luzinha vermelha atrás. Era um tênis pisca-pisca. Achei aquilo o máximo. Foi minha primeira bicicleta!"
Daniel Carvalho Faria, ator

lili rossetti Artistas do teatro contam seu Natal inesquecível

A atriz e bailarina Lili Rossetti: presente em noite com Papai Noel - Foto: Divulgação

"Quando eu tinha 9 anos, na noite de Natal, o Papai Noel estava distribuindo presentes na casa da minha madrinha, e eu atravessei a rua e fui ate lá! Só que não tinha presente para mim, mas, de ultima hora, minha madrinha embrulhou uma bola e me deu! Fiquei tão feliz, mas tão feliz, que foi inesquecível para mim!"
Lili Rossetti, atriz e bailarina

 

alexandre de angeli Artistas do teatro contam seu Natal inesquecível

Alexandre De Angeli: Natal marcante foi quando nasceu o filho do performer - Foto: Divulgação

"Meu Natal inesquecível foi em 1996, ano em que meu filho Luigi nasceu e, portanto, seu primeiro Natal comigo."
Alexandre De Angeli, artista e performer

alvaro jorquera2 Artistas do teatro contam seu Natal inesquecível

O Natal inesquecível do ator Alvaro Jorquera foi em Santiago do Chile - Foto: Divulgação

"Meu Natal inesquecível foi na casa da minha avó materna, já falecida, em Santiago do Chile. onde nasci. Porque reuniu dois grandes amores meus: minha avó e minha terra."
Alvaro Jorquera, ator

marcos di ferreira Artistas do teatro contam seu Natal inesquecível

Marcos Di Ferreira se lembra de um Natal em família em 2012 - Foto: Divulgação

"Natal sempre me deixou 'meio no bode', fica uma certa melancolia no ar, mas me lembro que em 2012 tive um Natal com um significado diferente para mim, e acho que para minha família também. Fizemos juntos uma oração, mas naquela ocasião foi a primeira vez que eu tinha puxado uma oração ali na roda da família, dai fiz a oração do Hoponopono, uma oração que pede perdão ao universo, aos ancestrais. Foi inesquecível e emocionante para mim aquele momento. Penso eu que estas datas são grandes ciclos universais e por isso devemos comemorar do nosso jeito sempre, é claro. Boas festas! Boas energias e um 2015 primoroso!"
Marcos Di Ferreira, ator

marcelo marcus fonseca bob sousa Artistas do teatro contam seu Natal inesquecível

Marcelo Marcus Fonseca: Natal ensaiando peça no Oficina - Foto: Bob Sousa

"Meu Natal inesquecível foi ensaiando Baal - O mito da Carne em 1996 para reestrear no Teatro Oficina no dia do aniversário do Oswald de Andrade em janeiro de 1997. Aquela era a primeira peça montada pelo grupo e era a primeira vez que o Oficina abria as portas depois da sua reinauguração para outra companhia. Passamos o fim do ano refazendo a peça para a pista da Lina Bo Bardi tenho a impressão que acertamos."
Marcelo Marcus Fonseca, ator e diretor

Leandro Luna 01 Artistas do teatro contam seu Natal inesquecível

Leandro Luna não se esquece um Natal que teve confusão em família - Foto: Divulgação

"Um Natal inesquecível foi ha pelo menos 15 anos na casa da minha avó, onde sempre costumávamos passar a noite do Natal, e naquele ano, as famílias 'exageraram' um pouco nos drinks e saiu um quebra pau homérico com direito a pratos e copos voadores! Foi uma noite muito emocionante (risos). Por fim, tudo ficou bem mas com certeza registrado na memória de todos. Aproveitando a ocasião, mando um beijo pra minha avó Maria que passou por toda essa aventura e muitas outras em sua vida e que neste ano se despediu de nós. Como sendo o primeiro Natal sem sua presença física, certamente também será um natal inesquecível."
Leandro Luna, ator

 

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giuliano ricca Produtor teatral e irmão do ator Marco Ricca, Giuliano Ricca está desaparecido desde outubro

O produtor cultural Giuliano Ricca: família pede informações - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O sócio-diretor da produtora teatral Ricca Produções, Giuliano Ricca, está desaparecido desde o mês de outubro.

Ele é irmão do ator Marco Ricca, seu sócio e também diretor da produtora. A peça mais recente lançada pelo escritório foi Através de um Espelho, com a atriz Gabriela Duarte.

O desaparecimento do produtor teatral é investigado pela Polícia Civil de São Paulo. Giuliano não é visto desde 19 de outubro, quando viajava de São Paulo para o Rio, de carro, pela rodovia Presidente Dutra.

A família pede a quem tiver informações sobre ele que colabore com as investigações.

Veja, abaixo, o comunicado do ator Marco Ricca sobre o desaparecimento de seu irmão:

"Eu e minha família estamos passando por um momento muito difícil.

Desde o dia 19 de outubro de 2014, meu irmão Giuliano Ricca, produtor cultural, desapareceu enquanto viajava em seu carro CRV Preta, placa EMO 9888, saindo de São Paulo para o Rio de Janeiro, pela Rodovia Presidente Dutra.

Durante todo este tempo contei com o apoio da Polícia Civil de São Paulo, que investiga o caso.

A decisão de não divulgar o desaparecimento do  Giuliano, até agora, mesmo com indagações por parte da imprensa, foi para não prejudicar o andamento das investigações e nem comprometer o sigilo das informações.

Porém, chegamos a um ponto em que qualquer dado sobre o paradeiro do meu irmão é fundamental para a conclusão do caso.

A família agradece o trabalho incansável da Polícia Civil de São Paulo, a solidariedade dos inúmeros amigos e o apoio da imprensa na publicação da foto.

Para informações sobre o Giuliano, por favor, entrar em contato com Centro de Comunicações do DHPP - CECOP, através do telefone (11) 3311-3950 e através dos emails cecop.dhpp@policiacivil.sp.gov.br e sia.dhpp@policiacivil.sp.gov.br.

Marco Ricca"

 

marco ricca Produtor teatral e irmão do ator Marco Ricca, Giuliano Ricca está desaparecido desde outubro

O ator Marco Ricca: em busca de notícias de seu irmão Giuliano, desaparecido - Foto: Divulgação

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ivam cabral bob sousa6 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

Ator e dramaturgo do grupo Os Satyros e diretor da SP Escola de Teatro, o paranaense Ivam Cabral é uma das forças que movem o teatro brasileiro contemporâneo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto BOB SOUSA

A chuva se anuncia, enquanto funcionários da Prefeitura colocam luzes de Natal nas árvores da praça Roosevelt. A mesma praça que num passado recente era um lugar perigoso e violento, antes da chegada do grupo Os Satyros e seu teatro em diálogo constante com a cidade. É meio da tarde, faz um pouco de calor. No prédio ao lado do Espaço dos Satyros 1, ocupado pela SP Escola de Teatro, no terceiro andar uma porta se abre. Ivam Cabral surge com um sorriso no rosto. Dá boas vindas, pede que fiquemos à vontade. Tenta desanuviar o peso de uma notícia que precisa contar.

Paranaense de Ribeirão Claro, Ivam Cabral, 51 anos, é um dos mais bem sucedidos artistas do teatro brasileiro. Atuando apenas nos palcos, viu o Satyros conquistar o respeito do público, da crítica e da sociedade, além de atualmente comandar uma das mais importantes escolas artísticas do Brasil, onde nos recebeu para esta exclusiva Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7.

Na quarta-feira passada, 19 de novembro de 2014, enquanto se preparava para realizar a maior edição do festival Satyrianas da história de São Paulo, ele recebeu o diagnóstico de que estava com um tumor maligno na tireoide. A ordem médica foi cirurgia imediata, marcada para a próxima quarta (3), no Hospital Sírio-Libanês. Ele ainda aprende a lidar com esta realidade.

Com fala marcada pela emoção misturada à coragem, Ivam comemorou o ano intenso e falou sobre o delicado momento que vive.

Leia com toda a calma do mundo.

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Ivam Cabral, em sua sala na SP Escola de Teatro, na praça Roosevelt, aquela que foi transformada por seu grupo Os Satyros de um lugar perigoso e violento em polo cultural do teatro brasileiro - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como que você recebeu a indicação de Pessoas Perfeitas para o APCA de melhor espetáculo?
IVAM CABRAL — Foi surpreendente. A gente não esperava... É uma peça que a gente fez de forma despretensiosa, sem expectativa. Então, tudo o que acabou acontecendo com a peça foi surpreendente. A gente fez uma peça e, de repente, fez um sucesso. Estamos convidados, e isso te dou em primeira mão, para os festivais de Havana, Cabo Verde, Curitiba, Rio, Brasília e Porto Alegre. É maravilhoso que isso se deu de uma forma tão digna e espontânea.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Vocês fizeram um ano vibrante para o Satyros, cheio de projetos. Como deu conta ?
IVAM CABRAL — Foi um ano surpreendente. Mas muitos projetos começaram antes. A gente viu o Satyros Cinema estrear com o filme Hipóteses para o Amor e a Verdade na Mostra Internacional de Cinema, mas o filme começou muito antes. O projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias também foi gestado ano passado. 2014 foi um ano em que fizemos de tudo: livro, cinema e muito teatro, foram 12 peças inéditas! É uma equipe muito apaixonada. Mas também foi um ano que tivemos condições mínimas para trabalhar, pois tínhamos o incentivo do Fomento ao Teatro. Não é sempre assim. Agora vamos começar uma fase mais complicada, porque não temos subsídios. Mas isso também a gente já conhece, faz parte da nossa rotina ter momentos mais bacanas e momentos de maior aperto.

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O ator Ivam Cabral; no detalhe, capa do livro da peça Pessoas Perfeitas - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — A Satyrianas 2014 foi um grande sucesso, que sei que não aconteceu da noite para dia, afinal Os Satyros tem 25 anos e o festival, 15 edições. Mas é fato que hoje vocês chegaram a um lugar de muita importância na cidade. Como o  underground lida com agora ser mainstream?
IVAM CABRAL — Teve uma coisa que eu considero divisor de águas neste ano: a apropriação da Satyrianas pela classe teatral. Muitas companhias incríveis, que não participariam em edições passadas, agora procuraram a gente, quiseram estar juntas. E estar juntos não é só levar este selo da Satyrianas, mas estar junto na apropriação de um espaço público. Então, conquistar isso para nós foi surpreendente. Foi o ano que tivemos a relação mais legal com vizinhos. Por isso, foi surpreendente quando anunciei: 60 mil pessoas e zero de ocorrência policial. Não que a gente esperasse alguma coisa, mas estamos falando de um evento que acontece na rua, então, é involuntário que algum problema pudesse acontecer. Por isso, não ter nenhum registro policial é para se vibrar muito. É o teatro chegando num lugar onde ele tem saúde, tem maturidade. A gente recebe isso com uma alegria que você não tem ideia. Todo mundo que estava na Satyrianas, como você mesmo com sua cobertura no seu blog, estava se sentindo responsável por aquilo dar certo. Acho que o melhor não foi ter crescido em números, mas crescido em projetos, ideias, em maturidade do público e da classe teatral.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que vocês do Satyros vão encerrar mais cedo a temporada de Pessoas Perfeitas [prevista para ir até 14 de dezembro, a temporada termina no domingo, dia 30 de novembro; veja serviço ao fim]?
IVAM CABRAL — Então..., eu já algum tempo estava investigando... E eu descobri um tumor na tireoide. E daí a gente tem de parar para ver o que é que é, né? E eu comecei a ir atrás... E é maligno, e ele tem de ser retirado imediatamente. Não posso esperar mais nem uma semana. Então, eu vou fazer uma cirurgia na semana que vem, morrendo de medo... Mas vamos embora,  vamos ver o que é que é. Dos cânceres é o mais tranquilo, estou falando pelo que meus médicos me falaram. Pode parar aí e não ter nenhum problema, mas pode ter o problema da metástase, então, é isso que eu tenho de cuidar agora, para que não vá para outro lugar do meu corpo e essa história se encerre aí.

ivam cabral bob sousa2 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

O ator Ivam Cabral conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em sua sala de trabalho - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você recebeu a notícia?
IVAM CABRAL — Eu parei de fumar e quis ver como estava meu pulmão e quando você faz o exame, mostra daqui pra baixo [apontando o pescoço]. Daí meu pulmão estava ótimo, mas apareceu esse nódulo. Num primeiro momento, quando falava para as pessoas, elas diziam: "fulano tem, não é nada". Desde abril estou investigando, sempre achando que não era nada. Aí, fiz umas punções e as primeira não davam nada. E a última foi na véspera da Satyrianas. Passei a Satyrianas medindo pressão e coração, fugindo da muvuca... O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas... Voltando a falar deste ano incrível, parar a peça no dia 14 de dezembro já era muito cedo, a gente sempre pensou até próximo do dia 20 de dezembro. Ter de parar agora, então, é brochante. Dá uma dor, até porque tem uma equipe. São muitas pessoas trabalhando com você e de repente você ser responsável porque esse trem pare é chato, você ser o responsável por parar.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Nao tem de ter culpa nenhuma, Ivam. A saúde é o mais importante... Como você viu isso logo no fim de um ano que foi tão produtivo?
IVAM CABRAL — Será que são sinais para dar uma freada e parar? É muito trabalho, eu não fico menos do que oito, nove, dez, 11 horas aqui na SP Escola de Teatro. É todo dia. E daí tem os Satyros, e daí tem os meus projetos pessoais... Eu passei este ano dormindo quatro, cinco horas por noite e achando que isso era normal. Eu nunca achei que dormir menos do que cinco horas por noite não era normal. Pensava: "estou no meu pique, que legal". Talvez isso tudo venha para... Eu tive um problema de saúde muito grande, há três anos, que eu perdi a visão do meu olho direito. Aconteceu durante a peça Cabaret Stravaganza. Na época, poderia ser um tumor, mas não era, o doutor Drauzio Varella me ajudou muito. Mas eu cheguei perto desse horror da vida. Perder uma visão é muito cruel. Então, cara, na época do Cabaret isso já tinha sido um pouco um recado, mas agora vem de verdade. Porque agora é um câncer. E foda-se que ele ele é pequenininho, foda-se que eu vou sair dessa... Mas é para dormir mais, é para ter uma alimentação mais saudável, porque na onda de tudo isso, você não tem tempo para se cuidar, come em qualquer lugar...

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem de sair de São Paulo, parar de respirar esse ar, parar com tanta coisa...
IVAM CABRAL — Eu tenho uma casinha em Parelheiros [extremo sul de São Paulo], no meio do mato, que é uma delícia, mas eu não tenho tempo de ir para lá. Termina a peça aqui, eu vou para lá, só durmo, para acordar ouvindo o passarinho cantando, mas já volto para cá, porque tenho muitas coisas para resolver.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem fé?
IVAM CABRAL — Daí vem o lado caipira do Ivam... Eu sou do interior do Paraná [risos].

MIGUEL ARCANJO PRADO — E eu sou de Minas...
IVAM CABRAL — A minha colonização é toda mineira. A minha região foi ocupada pelos mineiros e a gente é muito mineiro nesse sentido. Eu sou muito cristão. Eu acredito em muitas coisas, não acredito só em uma. Então, eu tenho uma força muito grande. Puta que pariu, eu quero viver muito! Tem muita coisa que eu quero fazer! A SP Escola de Teatro está só engatinhando... Aqui na SP foi um ano de muitos projetos, a gente tem aprendizes dirigindo na Polônia, temos gente na África, na Europa, enfim, a gente quer abrir aqui a Coordenação de Cinema, a de Circo já começa a existir.. No Satyros temos planos de produzir e, sobretudo, levar adiante o Satyros Cinema que está começando. Então, eu tenho muita coisa para fazer, eu não posso ficar mal. Para eu continuar acreditando, o melhor é me apagar aos meu projetos e pensar que a vida segue, entende?

ivam cabral bob sousa3 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

Ivam Cabral: "O que todo mundo pode fazer é torcer para mim pra caramba" - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como as pessoas do seu entorno reagiram?
IVAM CABRAL — Na verdade, nem todo mundo ainda sabe. Você tem uma coisa entre a vítima e o herói nessa hora. Eu posso falar, ai, Miguel, ninguém carrega um peso maior do que suporta. Você conhece a Andrea Zanelato [funcionária da SP Escola de Teatro que enfrenta um câncer]? Então, ela tem vivido essa história com um heroísmo absurdo. E você tem o extremo disso, que é aquela pessoa que começa a reclamar, "ai, vou morrer". Eu não queria ser protagonista nessa hora, eu não sei o que fazer. Aqui na escola pouca gente sabe. Então, é difícil você encontrar um equilíbrio... Eu fico pensando em tantas histórias. Imagina o que a Drica Moraes passou [atriz que enfrentou a leucemia]? O meu diagnóstico é uma fagulhazinha perto do que ela viveu. Se essa mulher chegou nesse ponto de superação, a gente vai encontrando bons exemplos pela vida para ir se inspirando neles para poder também pensar que a gente vai continuar aqui. Mas ainda eu não sei o que fazer com essa história.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Muita gente vai ler esta entrevista e ficar mexido com essa história, porque muita gente gosta de você. O que você diz a essas pessoas?
IVAM CABRAL — O que elas podem fazer é torcer por mim pra caramba, que seja só um susto e um aviso para eu ir mais devagar. Porque eu tenho muita coisa para fazer ainda. Eu estou muito tranquilo, não quero entrar nesse lugar, "ai, meu Deus", e nem de herói. Aí, cara, é só uma virada de história. Espero ainda rir disso, desse nosso encontro, de falar: "meu Deus eu pensava assim naquela época"...

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que você quer agora?
IVAM CABRAL — Eu quero ficar bom de saúde. É só o que me interessa. E o que eu quero para o futuro é saúde. Porque capacidade de trabalho eu tenho. Eu costumo dizer que cheguei muito mais longe do que eu imaginaria, pela minha origem, da pobreza, do lugar de onde eu venho. Essa disposição é tudo na vida. E ela só vem se você pode respirar, levantar, ir à luta. Ter saúde. Porque aí eu posso sonhar. E sonho eu consigo transformar em algo real e vital. Agora, sem saúde é terrível. Torçam por mim.

ivam cabral  bob sousa5 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

O ator Ivam Cabral brinca com sua cachorra Cacilda, mascote da SP Escola de Teatro: "Eu quero ficar bom de saúde. É só o que me interessa", diz o artista - Foto: Bob Sousa

Pessoas Perfeitas
Avaliação: Muito Bom
Quando: Sexta, sábado e domingo, 21h. 80 min. Até 30/11/2014
Onde: Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 214, República, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores da praça Roosevelt)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

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Vinícius Ferreira Foto 6 de Minervino Júnior Dois ou Um com Vinícius Ferreira

Vinícius Ferreira, do filme Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, em cartaz nos cinemas - Foto: Minervino Júnior

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Vinícius Ferreira é o protagonista do filme Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, do diretor Gustavo Galvão, de Brasília. No road movie, vive Pedro, um homem que resolve partir de casa e partir sem rumo pelas estradas do cerrado. O longa está em cartaz nas principais capitais brasileiras e tem no elenco nomes da cena paulistana, como Marat Descartes e Mário Bortolotto. Há cerca de um ano, Vinícius deixou Brasília para morar em São Paulo. Ainda está em clima de romance com a metrópole. Ele aceitou o convite do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Cerrado ou floresta?
Os dois. Do cerrado, adoro o clima seco, o horizonte a perder de vista e toda a variedade da flora. São inúmeras as flores que brotam por lá. Mas as florestas me deixam extasiado com sua magnitude verde. Adoro, sobretudo, a Mata Atlântica, mas confesso que me sinto afogado com toda aquela umidade.

Pé na estrada ou pé na porta?
Não gosto de arrombar portas. Apesar de ariano, prefiro o velho e educado "toc... toc...". Pé na estrada, isso sim faz sentido.

Brasília ou São Paulo?
Brasília pra criar filhos e Sampa pra ser livre.

Só danço samba ou não sei sambar?
Sou pé de valsa. Quando danço me sinto em algum lugar entre as nuvens e o céu.

Piada a qualquer preço ou respeito ao próximo?
Acho o politicamente correto chato e redundante, mas respeito... sempre.

Concreto confuso ou concreto planejado?
Sou da cidade da arquitetura de concreto. Portanto: Concreto Planejadamente Confuso.

Asa Norte ou Asa Sul?
Asa Sul, que é mais misturada. Da Asa Norte, prefiro os bares com os amigos.

Cinema ou teatro?
Sou um homem de teatro e minha amante é o cinema.

Dia ou noite?
Noite! Mas aprendi a apreciar o dia pelos meus filhos.

Não existe amor em SP ou ele ficou bestificado com a cidade?
"Pra quem vem de outro sonho feliz de cidade aprende depressa a chamar-te de realidade, por que és o avesso do avesso". Estou em romance com São Paulo. Aprendi a blindar suas mazelas e olhá-la sob a perspectiva do amor. Dou bom dia às pessoas e tudo. Curto bastante o som do Criolo, mas tenho Renato Russo em meu DNA.

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TeatrodeBonecas ze aires Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Milena Filócomo e Jackeline Stefanski em cena de Teatro de Bonecas - Foto: Zé Aires

Breves apontamentos sobre a importância das escolas de formação de atores e atrizes

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Alexandre Mate: Foto: Bob Sousa

Por ALEXANDRE MATE*
Especial para o Atores & Bastidores

A paixão (e, quase sempre, a necessidade) de dedicar-se ao teatro poucas vezes consegue ser explicada racionalmente. Por intermédio de entrevistas ou relatos de artistas pode-se conhecer as aventuras e dificuldades que a quase totalidade teve de vencer para que sua necessidade se transformasse em ação.

Verdade que atualmente, e sobretudo graças inicialmente ao cinema, e no caso brasileiro à televisão, o preconceito contra a arte da representação diminuiu sobremaneira. Portanto, se a representação teatral foi condenada, levando artistas, inclusive à morte, em boa parte da Idade Média na Europa central, hoje, os chamados bem sucedidos na profissão tem uma vida repleta de glórias e de reconhecimento.

O grande poeta português Luís Vaz de Camões, em Sonetos, afirma: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança:/ Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades.”

Em tese, o preconceito contra a representação (ou contra os atores e atrizes) existe no mundo ocidental desde a invenção da linguagem teatral pelos gregos da Antiguidade clássica. No teatro popular, homens e mulheres sempre estiveram juntos na cena, mas, no teatro erudito, as mulheres vão para a cena apenas no século 17.

Patriarcal e machista

Como se sabe, vivemos em uma sociedade, desde sempre, patriarcal (e machista, como se costuma dizer). Desse modo, o controle sobre as mulheres vem sendo exercido desde o início da humanidade.

Ibsen  Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Ibsen, criador de Casa de Bonecas - Foto: Divulgação

Em teatro isso também existiu. Apenas para se ter uma ideia do controle exercido sobre as mulheres, a obra teatral mais proibida de toda a história da dramaturgia mundial (e até hoje, de diferentes modos) é o texto de 1879 “Casa de Bonecas”, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen.

De modo bastante sucinto: Nora, casada com Torvald, durante oito anos paga um empréstimo feito às escondidas para salvar o marido de grave doença. Nora faz o empréstimo de um agiota, falsificando a assinatura do próprio pai. Passados oito anos, e liberta do grande pesadelo, o marido está prestes a ser o novo gerente do banco e quer demitir algumas pessoas; uma delas é o agiota. Este não aceita a decisão e chantageia Nora.

Caso ela não o defenda, o agiota diz que escreverá carta contando tudo ao marido. Desesperada, mas acreditando no amor e dedicação ao marido e família durante os oito anos, Nora conta a verdade. Torvald não aceita e condena a esposa sumariamente: ele não pode ter sua imagem afetada.

O agiota se arrepende, Torvald “perdoa” Nora. Esta, absolutamente desamparada, e consciente de ter vivido uma mentira durante os últimos oito anos, vai embora de casa: abandonando o marido e os filhos. Desesperado, Torvald pede-lhe para ficar ainda aquela noite, Nora responde não poder dormir com um estranho!

teatrodebonecas ze aires 2 Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Cena de Teatro de Bonecas, com direção de Adriano Cypriano para o texto de Ibsen - Foto: Zé Aires

Por que a obra Casa de Bonecas vem sendo proibida? Simplesmente porque, pela moral vigente até hoje, não se admite que uma mãe possa abandonar os filhos. Os pais que fazem isso podem até ganhar alguma crítica, mas, o mesmo não é admitido com relação às mães. Montagens antológicas, e mesmo adaptações, vêm sendo feitas da obra. Recentemente, Milena Filócomo adaptou a obra, dirigida por Adriano Cypriano, batizada Teatro de Bonecas.

Escolas têm importância vital

O assunto deste texto são as escolas de formação de intérpretes, prioritariamente em São Paulo. Desse modo, a introdução apresentada oferece algumas determinações na importância do teatro no contexto sociocultural da humanidade. Algumas pessoas aproximam-se do teatro pela representação, outras pelo seu alcance, outras pelas transformações que podem propor na vida das pessoas... Enfim, há uma gama de intenções que aproximam os seres da linguagem. Para facilitar o acesso, preparar os sujeitos, descortinar o mundo do teatro as escolas de formação têm importância vital.

retrato de alfredo mesquita Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Retrato de Alfredo Mesquita, fundador da EAD, pintado por Octávio Araújo em 1976, hoje no acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo - Reprodução

Basicamente, e até determinado momento da história, o processo de formação de atores e atrizes ocorria de modo autodidata, isto é, se aprendia fazendo, em cena. Basicamente, e de modo sistemático, a primeira escola de formação de intérpretes em São Paulo foi a Escola de Arte Dramática, a EAD, fundada em 1948, por Alfredo Mesquita.

Sucintamente, a escola foi fundada para formar atores e atrizes para ingressarem no Teatro Brasileiro de Comédia, fundado no mesmo ano e coordenado por Franco Zampari. De lá para cá, a prestigiadíssima escola já formou mais de 60 turmas.

De todas as turmas formadas na escola, o Grupo 59 de Teatro, sem dúvida pode ser destacado. Formado em 2011, e com quatorze integrantes, o grupo montou e mantém em seu repertório: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, dirigida por Cristiane Paoli Quito, Mockinpó, dirigida por Claudia Schapira e a Última História, dirigida por Tiche Vianna.

Fundação das Artes de São Caetano do Sul

A Fundação das Artes de São Caetano do Sul foi criada, em 25 de abril de 1968, pelo saudoso Milton Andrade. Mantida por intermédio do poder público, a escola teve problemas para sua manutenção, e, em sua história, formou inúmeras turmas.

homem cavalo sociedade anonima foto bob sousa Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Cena de Homem-Cavalo & Sociedade Anônima - Foto: Bob Sousa

De todas elas a mais conhecida é a Companhia Estável, formada em 2000, e com mais de dez espetáculos já montados. Atualmente, o grupo apresenta, em espaços híbridos, A Exceção e a Regra, trabalho com direção coletiva; prepara intervenção fundamentada em teatro de agitprop (agitação e propaganda), com direção de Renata Zhaneta e mantém em seu repertório o espetáculo Homem-Cavalo & Sociedade Anônima.

Teatro-escola Macunaíma

Fundada em 1974 pelo casal de Myriam Muniz e Silvio Zilber, o Teatro-escola Macunaíma, atualmente oferece cursos profissionalizantes e livres, para crianças, jovens e adultos.

Exatamente pelos anos de existência e pela quantidade de cursos oferecidos, há uma brincadeira entre os artistas de teatro segundo a qual, não há profissional na cidade que não tenha ministrado aulas na instituição.

Apesar de ter tido grandes profissionais a ensinar e grandes intérpretes formados na instituição, não há um grupo especificamente formado na escola. Atores e atrizes da escola estão espalhados em muitos dos quase 300 grupos de teatro da cidade.

Teatro-escola Célia Helena

O Teatro-escola Célia Helena foi fundado pela inesquecível atriz Célia Helena, em 1977. Atualmente, a escola oferece uma variedade significativa de processos de formação: profissionalizante de ator; cursos livres para crianças, adolescentes e adultos; curso de interpretação superior e curso de pós-graduação lato sensu.

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Cena de O Jardim das Cerejeiras - Foto: Valéria Mesquita

Das propostas de formação, o mais tradicional é o curso de formação de atores. De todas as companhias formadas pela escola, a mais conhecida, e com mais de dez montagens, sempre dirigidas por Marcelo Lazaratto, é a Companhia Elevador de Teatro Panorâmico, formada em 2000. Até o mês passado, a companhia ficou em cartaz com O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov.

Escola Livre de Teatro de Santo André

A Escola Livre de Teatro de Santo André foi fundada em 1990 e por ser mantida pelo poder municipal passou por problemas de manutenção. Idealizada pela excepcional criadora e pesquisadora Maria Thais, a escola transformou-se em referência nacional, sobretudo pelos procedimentos de criação, fundamentados no conceito de processo colaborativo.

Compreendendo, pelo menos, três anos de formação, as turmas passam por módulos específicos de formação: teatro épico, teatro realista, circo etc. Até pouco tempo atrás, o incentivo no processo de criação compreendia o desenvolvimento em potência de aprendizes- criadores. Música, coreografia, texto, cena, figurino, maquiagem eram experimentados e criados pelo conjunto de aprendizes.

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Cena de Azar do Valdemar - Foto: Bob Sousa

Decorrentes de improvisação e ancorados no conceito de práxis, depois de amplos processos de experimentação, desenvolvia-se um processo de costura ou elaboração final de profissional específico. Das diversas turmas formadas na escola, a Companhia d’Os Inventivos, formada em 2005, e dedicada ao teatro de rua, tem em seu repertório (decorrente da adaptação do romance Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro) uma trilogia que compreende: Canteiro; Bandido É Quem Anda em Bando e Azar do Valdemar, espetáculos dirigidos por Edgar Castro.

Outras instituições

Além das instituições apresentadas, ainda como escolas profissionalizantes, podem ser citadas: Braapa Escola de Atores, Conservatório Dramático Emílio Fontana, Escola de Atores Wolf Maya, Incenna Escola de Teatro, Televisão e Cinema, Instituto de Artes e Ciência – mais conhecida como Indac, RecriArte – Escola de Atores. Entretanto, buscou-se neste texto apresentar nomes de grupos e não de indivíduos. Como no processo de pesquisa não se conseguiu encontrar nomes de companhias formadas nas escolas citadas, destacou-se apenas os nomes destas outras instituições de formação.

Ensino superior

Além das escolas específicas de formação de intérpretes, várias instituições de ensino superior, tanto públicas como particulares, têm ministrado cursos de formação em teatro (licenciatura e bacharelado). Dentre elas, podem ser destacadas: Escola de Comunicações e Artes da USP (bacharelado e licenciatura) – sem dúvida esta é uma das mais importantes instituições na formação de artistas; o Instituto de Artes da Unesp (bacharelado e licenciatura) – escola importante na formação de professores, implantou o curso de formação de intérpretes em 2014; Instituto de Artes da Unicamp (bacharelado) – escola criada na década de 1966, mas o curso de teatro inicia-se na década posterior e foi organizado pelo diretor Celso Nunes; comunicação e artes do corpo da PUC-SP (bacharelado) – a universidade forma profissionais para atuar nas áreas de artes cênicas, como dramaturgo ou criador-intérprete; as universidade São Judas Tadeu, Mozarteum e Anhembi Morumbi, em tese, desenvolvem cursos de licenciatura em artes cênicas.

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pesquisador de teatro. Ele escreve no blog sempre no começo de cada mês.

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jose wilker anos 70 José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker, no começo da carreira: ele teve um início politizado - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba* 

O Brasil descobriu, assustado, na manhã deste sábado (5), a partida abrupta do ator José Wilker. Ele foi vítima de um infarto fulminante na casa da namorada, Claudia Montenegro, em Ipanema, no Rio. Tinha apenas 66 anos.

Na última vez que vi José Wilker, ele estava sorridente, no saguão do Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, em São Paulo. Moderno como sempre, tinha tênis All Star vermelhos nos pés. Estava satisfeito com a estreia de sua peça Palácio do Fim, com Vera Holtz em grande desempenho no palco.

Wilker sorria e abraçava a todos, que celebravam com ele aquela peça que falava do absurdo da guerra. Dizia obrigado com sua voz grave inconfundível.

jose wilker celso akin agnews José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

Sempre jovem, de All Star vermelho nos pés: José Wilker, em 2012, no saguão do Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo: felicidade em dirigir teatro na peça Palácio do Fim - Foto: Celso Akin/AgNews

O crítico teatral carioca Macksen Luiz afirma ao R7 que Wilker fez nesta obra “uma direção impecável”.

– Em Palácio do Fim ele mostrou novamente a solidez que tinha como artista, como homem de teatro. O Wilker começou nos palcos, só lamento que ele tenha feito mais TV ao longo da carreira e não explorado tanto essa grandeza que ele tinha no teatro.

No Festival de Teatro de Curitiba, que termina neste domingo (6), a morte do ator foi recebida com assombro.

Leandro Knopfholz, diretor do evento que foi interrompido com a informação da morte durante a entrevista coletiva de balanço final, afirmou que “Wilker era amigo do Festival”. E lembrou de sua participação no evento em 2009, com uma peça dirigida por Jô Soares.

– Quando ele fez a peça A Cabra ou Quem É Sylvia, o cenário atrasou e só conseguimos montá-lo 30 minutos antes de a sessão começar. E ele foi de um profissionalismo incrível. Além disso, no começo da carreira dele, ele fez uma peça com a minha mãe [a atriz Ester Troib Knopfholz]. Que pena. É uma grande perda para o Brasil.

jose wilker funarte José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker (de óculos), com Fauzi Arap, Glauce Rocha, Clarice Lispector e Dirce Migliaccio conversam sobre adaptação da peça Perto do Coração Selvagem, em 1965 - Foto: Carlos/Cedoc/Acervo Funarte

 

Trajetória politizada

Cearense de Juazeiro do Norte, José Wilker fez parte do Movimento de Cultura Popular em Recife na década de 1960, com espetáculos experimentais e politizados junto ao Partido Comunista, com o objetivo de “conscientizar a classe operária”. Com o golpe militar, em 1964, transferiu-se para o Rio, onde logo fez parcerias com nomes como Marília Pêra e Dulcina de Moraes. No Grupo Opinião, dirigido por João das Neves, marcou época na peça Antígona, em 1968. Em 1969, é premiado com o Molière de melhor ator por seu desempenho em O Arquiteto e o Imperador da Assíria.

Na década de 1970 fez espetáculos considerados de vanguarda, como Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, ícone dos palcos e da juventude daquela época.

Em meados da década de 1970, é descoberto pela televisão, na qual logo se torna um galã reconhecido e admirado no mundo todo. Fez importantes papeis no cinema: em 1976, fez Vadinho em Dona Flor e Seus Dois Maridos, filme de Bruno Barreto, adaptado do romance de Jorge Amado, que foi recordista de bilheteria. Fez o famoso triângulo amoroso com Sônia Braga e Mauro Mendonça. Em 1979, atuou em outro clássico Bye, Bye, Brasil, de Cacá Diegues.

Na década de 1980, se reaproximou dos palcos, assumindo a direção da Escola de Teatro Martins Pena, ao lado de Aderbal Freire-Filho e Alcione Araújo. Em 1985 volta a encenar uma peça, Assim É (Se lhe Parece), dirigido por Paulo Betti. Mais uma vez ganhou o Molière.

Emenda várias peças e faz sucesso em 1994 com Querida Mamãe, de Maria Adelaide Amaral. Na mesma década produz e protagoniza o filme Guerra de Canudos, dirigido por Sérgio Rezende, um dos marcos da retomada.

Galã

Na televisão, logo o ator engajado virou galã. Desde a primeira novela, Bandeira 2, em 1972, fez papeis memoráveis, como o presidente Juscelino Kubitschek na minissérie JK (1996) ou o empresário Fábio na minissérie Anos Rebeldes (1992). Foi ainda Mundinho Falcão na primeira versão de Gabriela (1975) e Roque na novela Roque Santeiro (1985), quando contracenou com Regina Duarte e Lima Duarte.

Um de seus papeis mais populares na TV foi o bicheiro Giovanni Improtta, na novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, em 2004.  O personagem fez tanto sucesso que virou filme. Seu último papel foi Herbert, na novela Amor à Vida, que terminou neste ano.

José Wilker deixa duas filhas: Isabel e Mariana.

jose wilker globo José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker (1941-2014): um ator com conteúdo que virou galã da TV

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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paulo goulart rafael franca globo Paulo Goulart era como se fosse nosso pai

Classe artística de luto: o ator Paulo Goulart (1933-2014) formou com Nicette Bruno uma das famílias mais queridas  e admiradas do mundo das artes no Brasil - Foto: Rafael França/Globo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Paulo Goulart, que perdemos nesta quinta-feira (13), aos 81 anos, após lutar bravamente contra um câncer, era praticamente pai de todos nós.

Nos acostumamos a ver seu rosto na TV ou no teatro, sempre com personagens marcantes onde empenhava seu conhecido talento. Além disso, ao lado de Nicette Bruno, tão grande atriz quanto ele foi um ator de peso, formou uma das famílias mais queridas e admiradas do teatro e da televisão. Um tipo de gente generosa e inteligente, como já, infelizmente, se tornou coisa rara.

Entrevistei Paulo Goulart várias vezes. Sempre me recebeu com um carinho incomensurável e uma generosidade que me faziam sentir como se fosse da família, como se a conversa não fosse entre um jornalista e um ator, mas, sim, entre dois amigos. Era de um respeito profissional com a imprensa e com a classe artística que servia de escola aos demais.

Jamais vou me esquecer quando entrevistei o casal Bruno-Goulart em 2008, no Festival de Teatro de Curitiba, na capital paranaense.

Cheguei no Teatro Guaíra sem avisar ninguém. Falei que era jornalista na portaria, e um produtor me deixou passar, mas contou que os dois ainda não haviam chegado. Resolvi esperar.

Pouco depois, vi aparecerem Paulo e Nicette, de mãos dadas, como um casal de adolescentes apaixonados. Expliquei que queria muito fazer uma matéria exclusiva com os dois, por conta do aniversário de 54 anos de casamento que eles celebravam no palco. Elegantes, aceitaram de cara o convite e me convidaram a continuar a conversa no camarim.

Enquanto a entrevista seguia, Paulo falou que queria ir ao palco. Estava preocupado se todos da plateia teriam uma boa visão do palco do Guairão, um dos maiores teatros do País, com mais de 2.000 lugares. O espetáculo era O Homem Inesperado, na qual ele fazia um escritor que se encontrava com uma fã em um trem. Fã esta vivida por Nicette. Os dois estavam formidáveis em cena. E o público se apaixonava por ambos, é claro.

Durante a conversa, os dois se lembraram do dia em que se conheceram e do dia do casamento, na Igreja de Santa Cecília, no centro paulistano. Naturalmente, percebi que continuavam igualmente apaixonados um pelo outro.

Fui embora do teatro naquele dia feliz. Por ainda ter tido tempo de conviver com artistas da geração do Paulo e da Nicette, gente que de fato ama a profissão de ator e sabe que ela pouco tem a ver com o novo discurso da "celebridade".

A última vez que falei com Paulo foi em 2011. Infelizmente, foi um dia triste. Nos encontramos no velório do diretor José Renato, no Teatro de Arena. Paulo sentia a perda de um amigo. E agora, é nossa vez de sentir sua perda.

Paulo Goulart era, antes de tudo, um artista preocupado com seu tempo e com o seu Brasil. Sobretudo com a educação das futuras gerações. Tanto que criou o projeto Teatro nas Universidades, que se propõe a levar as artes cênicas para universitários em todo País. Era seu xodó.

Seus filhos e netos, que são todos a cara dele tanto quanto de Nicette, seguem firmes por aí, herdeiros do talento, do carisma e da sensibilidade dos patriarcas desta família tão digna e cara às nossas artes. São como irmãos de todos nós. Porque Paulo Goulart era como se fosse o nosso pai. Adeus, Paulo. Seus filhos já morrem de saudade.

PS. O velório de Paulo Goulart será no Theatro Municipal de São Paulo, a partir das 23h30. O enterro será às 14h desta sexta (14), no Cemitério da Consolação, também na capital paulista.

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