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giuliano ricca Produtor teatral e irmão do ator Marco Ricca, Giuliano Ricca está desaparecido desde outubro

O produtor cultural Giuliano Ricca: família pede informações - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O sócio-diretor da produtora teatral Ricca Produções, Giuliano Ricca, está desaparecido desde o mês de outubro.

Ele é irmão do ator Marco Ricca, seu sócio e também diretor da produtora. A peça mais recente lançada pelo escritório foi Através de um Espelho, com a atriz Gabriela Duarte.

O desaparecimento do produtor teatral é investigado pela Polícia Civil de São Paulo. Giuliano não é visto desde 19 de outubro, quando viajava de São Paulo para o Rio, de carro, pela rodovia Presidente Dutra.

A família pede a quem tiver informações sobre ele que colabore com as investigações.

Veja, abaixo, o comunicado do ator Marco Ricca sobre o desaparecimento de seu irmão:

"Eu e minha família estamos passando por um momento muito difícil.

Desde o dia 19 de outubro de 2014, meu irmão Giuliano Ricca, produtor cultural, desapareceu enquanto viajava em seu carro CRV Preta, placa EMO 9888, saindo de São Paulo para o Rio de Janeiro, pela Rodovia Presidente Dutra.

Durante todo este tempo contei com o apoio da Polícia Civil de São Paulo, que investiga o caso.

A decisão de não divulgar o desaparecimento do  Giuliano, até agora, mesmo com indagações por parte da imprensa, foi para não prejudicar o andamento das investigações e nem comprometer o sigilo das informações.

Porém, chegamos a um ponto em que qualquer dado sobre o paradeiro do meu irmão é fundamental para a conclusão do caso.

A família agradece o trabalho incansável da Polícia Civil de São Paulo, a solidariedade dos inúmeros amigos e o apoio da imprensa na publicação da foto.

Para informações sobre o Giuliano, por favor, entrar em contato com Centro de Comunicações do DHPP - CECOP, através do telefone (11) 3311-3950 e através dos emails cecop.dhpp@policiacivil.sp.gov.br e sia.dhpp@policiacivil.sp.gov.br.

Marco Ricca"

 

marco ricca Produtor teatral e irmão do ator Marco Ricca, Giuliano Ricca está desaparecido desde outubro

O ator Marco Ricca: em busca de notícias de seu irmão Giuliano, desaparecido - Foto: Divulgação

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ivam cabral bob sousa6 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

Ator e dramaturgo do grupo Os Satyros e diretor da SP Escola de Teatro, o paranaense Ivam Cabral é uma das forças que movem o teatro brasileiro contemporâneo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto BOB SOUSA

A chuva se anuncia, enquanto funcionários da Prefeitura colocam luzes de Natal nas árvores da praça Roosevelt. A mesma praça que num passado recente era um lugar perigoso e violento, antes da chegada do grupo Os Satyros e seu teatro em diálogo constante com a cidade. É meio da tarde, faz um pouco de calor. No prédio ao lado do Espaço dos Satyros 1, ocupado pela SP Escola de Teatro, no terceiro andar uma porta se abre. Ivam Cabral surge com um sorriso no rosto. Dá boas vindas, pede que fiquemos à vontade. Tenta desanuviar o peso de uma notícia que precisa contar.

Paranaense de Ribeirão Claro, Ivam Cabral, 51 anos, é um dos mais bem sucedidos artistas do teatro brasileiro. Atuando apenas nos palcos, viu o Satyros conquistar o respeito do público, da crítica e da sociedade, além de atualmente comandar uma das mais importantes escolas artísticas do Brasil, onde nos recebeu para esta exclusiva Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7.

Na quarta-feira passada, 19 de novembro de 2014, enquanto se preparava para realizar a maior edição do festival Satyrianas da história de São Paulo, ele recebeu o diagnóstico de que estava com um tumor maligno na tireoide. A ordem médica foi cirurgia imediata, marcada para a próxima quarta (3), no Hospital Sírio-Libanês. Ele ainda aprende a lidar com esta realidade.

Com fala marcada pela emoção misturada à coragem, Ivam comemorou o ano intenso e falou sobre o delicado momento que vive.

Leia com toda a calma do mundo.

ivam cabral bob sousa5 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

Ivam Cabral, em sua sala na SP Escola de Teatro, na praça Roosevelt, aquela que foi transformada por seu grupo Os Satyros de um lugar perigoso e violento em polo cultural do teatro brasileiro - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como que você recebeu a indicação de Pessoas Perfeitas para o APCA de melhor espetáculo?
IVAM CABRAL — Foi surpreendente. A gente não esperava... É uma peça que a gente fez de forma despretensiosa, sem expectativa. Então, tudo o que acabou acontecendo com a peça foi surpreendente. A gente fez uma peça e, de repente, fez um sucesso. Estamos convidados, e isso te dou em primeira mão, para os festivais de Havana, Cabo Verde, Curitiba, Rio, Brasília e Porto Alegre. É maravilhoso que isso se deu de uma forma tão digna e espontânea.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Vocês fizeram um ano vibrante para o Satyros, cheio de projetos. Como deu conta ?
IVAM CABRAL — Foi um ano surpreendente. Mas muitos projetos começaram antes. A gente viu o Satyros Cinema estrear com o filme Hipóteses para o Amor e a Verdade na Mostra Internacional de Cinema, mas o filme começou muito antes. O projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias também foi gestado ano passado. 2014 foi um ano em que fizemos de tudo: livro, cinema e muito teatro, foram 12 peças inéditas! É uma equipe muito apaixonada. Mas também foi um ano que tivemos condições mínimas para trabalhar, pois tínhamos o incentivo do Fomento ao Teatro. Não é sempre assim. Agora vamos começar uma fase mais complicada, porque não temos subsídios. Mas isso também a gente já conhece, faz parte da nossa rotina ter momentos mais bacanas e momentos de maior aperto.

ivam cabral bob sousa1 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

O ator Ivam Cabral; no detalhe, capa do livro da peça Pessoas Perfeitas - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — A Satyrianas 2014 foi um grande sucesso, que sei que não aconteceu da noite para dia, afinal Os Satyros tem 25 anos e o festival, 15 edições. Mas é fato que hoje vocês chegaram a um lugar de muita importância na cidade. Como o  underground lida com agora ser mainstream?
IVAM CABRAL — Teve uma coisa que eu considero divisor de águas neste ano: a apropriação da Satyrianas pela classe teatral. Muitas companhias incríveis, que não participariam em edições passadas, agora procuraram a gente, quiseram estar juntas. E estar juntos não é só levar este selo da Satyrianas, mas estar junto na apropriação de um espaço público. Então, conquistar isso para nós foi surpreendente. Foi o ano que tivemos a relação mais legal com vizinhos. Por isso, foi surpreendente quando anunciei: 60 mil pessoas e zero de ocorrência policial. Não que a gente esperasse alguma coisa, mas estamos falando de um evento que acontece na rua, então, é involuntário que algum problema pudesse acontecer. Por isso, não ter nenhum registro policial é para se vibrar muito. É o teatro chegando num lugar onde ele tem saúde, tem maturidade. A gente recebe isso com uma alegria que você não tem ideia. Todo mundo que estava na Satyrianas, como você mesmo com sua cobertura no seu blog, estava se sentindo responsável por aquilo dar certo. Acho que o melhor não foi ter crescido em números, mas crescido em projetos, ideias, em maturidade do público e da classe teatral.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que vocês do Satyros vão encerrar mais cedo a temporada de Pessoas Perfeitas [prevista para ir até 14 de dezembro, a temporada termina no domingo, dia 30 de novembro; veja serviço ao fim]?
IVAM CABRAL — Então..., eu já algum tempo estava investigando... E eu descobri um tumor na tireoide. E daí a gente tem de parar para ver o que é que é, né? E eu comecei a ir atrás... E é maligno, e ele tem de ser retirado imediatamente. Não posso esperar mais nem uma semana. Então, eu vou fazer uma cirurgia na semana que vem, morrendo de medo... Mas vamos embora,  vamos ver o que é que é. Dos cânceres é o mais tranquilo, estou falando pelo que meus médicos me falaram. Pode parar aí e não ter nenhum problema, mas pode ter o problema da metástase, então, é isso que eu tenho de cuidar agora, para que não vá para outro lugar do meu corpo e essa história se encerre aí.

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O ator Ivam Cabral conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em sua sala de trabalho - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você recebeu a notícia?
IVAM CABRAL — Eu parei de fumar e quis ver como estava meu pulmão e quando você faz o exame, mostra daqui pra baixo [apontando o pescoço]. Daí meu pulmão estava ótimo, mas apareceu esse nódulo. Num primeiro momento, quando falava para as pessoas, elas diziam: "fulano tem, não é nada". Desde abril estou investigando, sempre achando que não era nada. Aí, fiz umas punções e as primeira não davam nada. E a última foi na véspera da Satyrianas. Passei a Satyrianas medindo pressão e coração, fugindo da muvuca... O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas... Voltando a falar deste ano incrível, parar a peça no dia 14 de dezembro já era muito cedo, a gente sempre pensou até próximo do dia 20 de dezembro. Ter de parar agora, então, é brochante. Dá uma dor, até porque tem uma equipe. São muitas pessoas trabalhando com você e de repente você ser responsável porque esse trem pare é chato, você ser o responsável por parar.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Nao tem de ter culpa nenhuma, Ivam. A saúde é o mais importante... Como você viu isso logo no fim de um ano que foi tão produtivo?
IVAM CABRAL — Será que são sinais para dar uma freada e parar? É muito trabalho, eu não fico menos do que oito, nove, dez, 11 horas aqui na SP Escola de Teatro. É todo dia. E daí tem os Satyros, e daí tem os meus projetos pessoais... Eu passei este ano dormindo quatro, cinco horas por noite e achando que isso era normal. Eu nunca achei que dormir menos do que cinco horas por noite não era normal. Pensava: "estou no meu pique, que legal". Talvez isso tudo venha para... Eu tive um problema de saúde muito grande, há três anos, que eu perdi a visão do meu olho direito. Aconteceu durante a peça Cabaret Stravaganza. Na época, poderia ser um tumor, mas não era, o doutor Drauzio Varella me ajudou muito. Mas eu cheguei perto desse horror da vida. Perder uma visão é muito cruel. Então, cara, na época do Cabaret isso já tinha sido um pouco um recado, mas agora vem de verdade. Porque agora é um câncer. E foda-se que ele ele é pequenininho, foda-se que eu vou sair dessa... Mas é para dormir mais, é para ter uma alimentação mais saudável, porque na onda de tudo isso, você não tem tempo para se cuidar, come em qualquer lugar...

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem de sair de São Paulo, parar de respirar esse ar, parar com tanta coisa...
IVAM CABRAL — Eu tenho uma casinha em Parelheiros [extremo sul de São Paulo], no meio do mato, que é uma delícia, mas eu não tenho tempo de ir para lá. Termina a peça aqui, eu vou para lá, só durmo, para acordar ouvindo o passarinho cantando, mas já volto para cá, porque tenho muitas coisas para resolver.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem fé?
IVAM CABRAL — Daí vem o lado caipira do Ivam... Eu sou do interior do Paraná [risos].

MIGUEL ARCANJO PRADO — E eu sou de Minas...
IVAM CABRAL — A minha colonização é toda mineira. A minha região foi ocupada pelos mineiros e a gente é muito mineiro nesse sentido. Eu sou muito cristão. Eu acredito em muitas coisas, não acredito só em uma. Então, eu tenho uma força muito grande. Puta que pariu, eu quero viver muito! Tem muita coisa que eu quero fazer! A SP Escola de Teatro está só engatinhando... Aqui na SP foi um ano de muitos projetos, a gente tem aprendizes dirigindo na Polônia, temos gente na África, na Europa, enfim, a gente quer abrir aqui a Coordenação de Cinema, a de Circo já começa a existir.. No Satyros temos planos de produzir e, sobretudo, levar adiante o Satyros Cinema que está começando. Então, eu tenho muita coisa para fazer, eu não posso ficar mal. Para eu continuar acreditando, o melhor é me apagar aos meu projetos e pensar que a vida segue, entende?

ivam cabral bob sousa3 Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

Ivam Cabral: "O que todo mundo pode fazer é torcer para mim pra caramba" - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como as pessoas do seu entorno reagiram?
IVAM CABRAL — Na verdade, nem todo mundo ainda sabe. Você tem uma coisa entre a vítima e o herói nessa hora. Eu posso falar, ai, Miguel, ninguém carrega um peso maior do que suporta. Você conhece a Andrea Zanelato [funcionária da SP Escola de Teatro que enfrenta um câncer]? Então, ela tem vivido essa história com um heroísmo absurdo. E você tem o extremo disso, que é aquela pessoa que começa a reclamar, "ai, vou morrer". Eu não queria ser protagonista nessa hora, eu não sei o que fazer. Aqui na escola pouca gente sabe. Então, é difícil você encontrar um equilíbrio... Eu fico pensando em tantas histórias. Imagina o que a Drica Moraes passou [atriz que enfrentou a leucemia]? O meu diagnóstico é uma fagulhazinha perto do que ela viveu. Se essa mulher chegou nesse ponto de superação, a gente vai encontrando bons exemplos pela vida para ir se inspirando neles para poder também pensar que a gente vai continuar aqui. Mas ainda eu não sei o que fazer com essa história.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Muita gente vai ler esta entrevista e ficar mexido com essa história, porque muita gente gosta de você. O que você diz a essas pessoas?
IVAM CABRAL — O que elas podem fazer é torcer por mim pra caramba, que seja só um susto e um aviso para eu ir mais devagar. Porque eu tenho muita coisa para fazer ainda. Eu estou muito tranquilo, não quero entrar nesse lugar, "ai, meu Deus", e nem de herói. Aí, cara, é só uma virada de história. Espero ainda rir disso, desse nosso encontro, de falar: "meu Deus eu pensava assim naquela época"...

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que você quer agora?
IVAM CABRAL — Eu quero ficar bom de saúde. É só o que me interessa. E o que eu quero para o futuro é saúde. Porque capacidade de trabalho eu tenho. Eu costumo dizer que cheguei muito mais longe do que eu imaginaria, pela minha origem, da pobreza, do lugar de onde eu venho. Essa disposição é tudo na vida. E ela só vem se você pode respirar, levantar, ir à luta. Ter saúde. Porque aí eu posso sonhar. E sonho eu consigo transformar em algo real e vital. Agora, sem saúde é terrível. Torçam por mim.

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O ator Ivam Cabral brinca com sua cachorra Cacilda, mascote da SP Escola de Teatro: "Eu quero ficar bom de saúde. É só o que me interessa", diz o artista - Foto: Bob Sousa

Pessoas Perfeitas
Avaliação: Muito Bom
Quando: Sexta, sábado e domingo, 21h. 80 min. Até 30/11/2014
Onde: Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 214, República, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores da praça Roosevelt)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Entrevista de Quinta: O diagnóstico veio um dia antes da Satyrianas, diz Ivam Cabral

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Vinícius Ferreira Foto 6 de Minervino Júnior Dois ou Um com Vinícius Ferreira

Vinícius Ferreira, do filme Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, em cartaz nos cinemas - Foto: Minervino Júnior

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Vinícius Ferreira é o protagonista do filme Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, do diretor Gustavo Galvão, de Brasília. No road movie, vive Pedro, um homem que resolve partir de casa e partir sem rumo pelas estradas do cerrado. O longa está em cartaz nas principais capitais brasileiras e tem no elenco nomes da cena paulistana, como Marat Descartes e Mário Bortolotto. Há cerca de um ano, Vinícius deixou Brasília para morar em São Paulo. Ainda está em clima de romance com a metrópole. Ele aceitou o convite do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Cerrado ou floresta?
Os dois. Do cerrado, adoro o clima seco, o horizonte a perder de vista e toda a variedade da flora. São inúmeras as flores que brotam por lá. Mas as florestas me deixam extasiado com sua magnitude verde. Adoro, sobretudo, a Mata Atlântica, mas confesso que me sinto afogado com toda aquela umidade.

Pé na estrada ou pé na porta?
Não gosto de arrombar portas. Apesar de ariano, prefiro o velho e educado "toc... toc...". Pé na estrada, isso sim faz sentido.

Brasília ou São Paulo?
Brasília pra criar filhos e Sampa pra ser livre.

Só danço samba ou não sei sambar?
Sou pé de valsa. Quando danço me sinto em algum lugar entre as nuvens e o céu.

Piada a qualquer preço ou respeito ao próximo?
Acho o politicamente correto chato e redundante, mas respeito... sempre.

Concreto confuso ou concreto planejado?
Sou da cidade da arquitetura de concreto. Portanto: Concreto Planejadamente Confuso.

Asa Norte ou Asa Sul?
Asa Sul, que é mais misturada. Da Asa Norte, prefiro os bares com os amigos.

Cinema ou teatro?
Sou um homem de teatro e minha amante é o cinema.

Dia ou noite?
Noite! Mas aprendi a apreciar o dia pelos meus filhos.

Não existe amor em SP ou ele ficou bestificado com a cidade?
"Pra quem vem de outro sonho feliz de cidade aprende depressa a chamar-te de realidade, por que és o avesso do avesso". Estou em romance com São Paulo. Aprendi a blindar suas mazelas e olhá-la sob a perspectiva do amor. Dou bom dia às pessoas e tudo. Curto bastante o som do Criolo, mas tenho Renato Russo em meu DNA.

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TeatrodeBonecas ze aires Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Milena Filócomo e Jackeline Stefanski em cena de Teatro de Bonecas - Foto: Zé Aires

Breves apontamentos sobre a importância das escolas de formação de atores e atrizes

alexandre mate foto bob sousa Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Alexandre Mate: Foto: Bob Sousa

Por ALEXANDRE MATE*
Especial para o Atores & Bastidores

A paixão (e, quase sempre, a necessidade) de dedicar-se ao teatro poucas vezes consegue ser explicada racionalmente. Por intermédio de entrevistas ou relatos de artistas pode-se conhecer as aventuras e dificuldades que a quase totalidade teve de vencer para que sua necessidade se transformasse em ação.

Verdade que atualmente, e sobretudo graças inicialmente ao cinema, e no caso brasileiro à televisão, o preconceito contra a arte da representação diminuiu sobremaneira. Portanto, se a representação teatral foi condenada, levando artistas, inclusive à morte, em boa parte da Idade Média na Europa central, hoje, os chamados bem sucedidos na profissão tem uma vida repleta de glórias e de reconhecimento.

O grande poeta português Luís Vaz de Camões, em Sonetos, afirma: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança:/ Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades.”

Em tese, o preconceito contra a representação (ou contra os atores e atrizes) existe no mundo ocidental desde a invenção da linguagem teatral pelos gregos da Antiguidade clássica. No teatro popular, homens e mulheres sempre estiveram juntos na cena, mas, no teatro erudito, as mulheres vão para a cena apenas no século 17.

Patriarcal e machista

Como se sabe, vivemos em uma sociedade, desde sempre, patriarcal (e machista, como se costuma dizer). Desse modo, o controle sobre as mulheres vem sendo exercido desde o início da humanidade.

Ibsen  Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Ibsen, criador de Casa de Bonecas - Foto: Divulgação

Em teatro isso também existiu. Apenas para se ter uma ideia do controle exercido sobre as mulheres, a obra teatral mais proibida de toda a história da dramaturgia mundial (e até hoje, de diferentes modos) é o texto de 1879 “Casa de Bonecas”, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen.

De modo bastante sucinto: Nora, casada com Torvald, durante oito anos paga um empréstimo feito às escondidas para salvar o marido de grave doença. Nora faz o empréstimo de um agiota, falsificando a assinatura do próprio pai. Passados oito anos, e liberta do grande pesadelo, o marido está prestes a ser o novo gerente do banco e quer demitir algumas pessoas; uma delas é o agiota. Este não aceita a decisão e chantageia Nora.

Caso ela não o defenda, o agiota diz que escreverá carta contando tudo ao marido. Desesperada, mas acreditando no amor e dedicação ao marido e família durante os oito anos, Nora conta a verdade. Torvald não aceita e condena a esposa sumariamente: ele não pode ter sua imagem afetada.

O agiota se arrepende, Torvald “perdoa” Nora. Esta, absolutamente desamparada, e consciente de ter vivido uma mentira durante os últimos oito anos, vai embora de casa: abandonando o marido e os filhos. Desesperado, Torvald pede-lhe para ficar ainda aquela noite, Nora responde não poder dormir com um estranho!

teatrodebonecas ze aires 2 Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Cena de Teatro de Bonecas, com direção de Adriano Cypriano para o texto de Ibsen - Foto: Zé Aires

Por que a obra Casa de Bonecas vem sendo proibida? Simplesmente porque, pela moral vigente até hoje, não se admite que uma mãe possa abandonar os filhos. Os pais que fazem isso podem até ganhar alguma crítica, mas, o mesmo não é admitido com relação às mães. Montagens antológicas, e mesmo adaptações, vêm sendo feitas da obra. Recentemente, Milena Filócomo adaptou a obra, dirigida por Adriano Cypriano, batizada Teatro de Bonecas.

Escolas têm importância vital

O assunto deste texto são as escolas de formação de intérpretes, prioritariamente em São Paulo. Desse modo, a introdução apresentada oferece algumas determinações na importância do teatro no contexto sociocultural da humanidade. Algumas pessoas aproximam-se do teatro pela representação, outras pelo seu alcance, outras pelas transformações que podem propor na vida das pessoas... Enfim, há uma gama de intenções que aproximam os seres da linguagem. Para facilitar o acesso, preparar os sujeitos, descortinar o mundo do teatro as escolas de formação têm importância vital.

retrato de alfredo mesquita Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Retrato de Alfredo Mesquita, fundador da EAD, pintado por Octávio Araújo em 1976, hoje no acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo - Reprodução

Basicamente, e até determinado momento da história, o processo de formação de atores e atrizes ocorria de modo autodidata, isto é, se aprendia fazendo, em cena. Basicamente, e de modo sistemático, a primeira escola de formação de intérpretes em São Paulo foi a Escola de Arte Dramática, a EAD, fundada em 1948, por Alfredo Mesquita.

Sucintamente, a escola foi fundada para formar atores e atrizes para ingressarem no Teatro Brasileiro de Comédia, fundado no mesmo ano e coordenado por Franco Zampari. De lá para cá, a prestigiadíssima escola já formou mais de 60 turmas.

De todas as turmas formadas na escola, o Grupo 59 de Teatro, sem dúvida pode ser destacado. Formado em 2011, e com quatorze integrantes, o grupo montou e mantém em seu repertório: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, dirigida por Cristiane Paoli Quito, Mockinpó, dirigida por Claudia Schapira e a Última História, dirigida por Tiche Vianna.

Fundação das Artes de São Caetano do Sul

A Fundação das Artes de São Caetano do Sul foi criada, em 25 de abril de 1968, pelo saudoso Milton Andrade. Mantida por intermédio do poder público, a escola teve problemas para sua manutenção, e, em sua história, formou inúmeras turmas.

homem cavalo sociedade anonima foto bob sousa Coluna do Mate: Formação é importante no teatro

Cena de Homem-Cavalo & Sociedade Anônima - Foto: Bob Sousa

De todas elas a mais conhecida é a Companhia Estável, formada em 2000, e com mais de dez espetáculos já montados. Atualmente, o grupo apresenta, em espaços híbridos, A Exceção e a Regra, trabalho com direção coletiva; prepara intervenção fundamentada em teatro de agitprop (agitação e propaganda), com direção de Renata Zhaneta e mantém em seu repertório o espetáculo Homem-Cavalo & Sociedade Anônima.

Teatro-escola Macunaíma

Fundada em 1974 pelo casal de Myriam Muniz e Silvio Zilber, o Teatro-escola Macunaíma, atualmente oferece cursos profissionalizantes e livres, para crianças, jovens e adultos.

Exatamente pelos anos de existência e pela quantidade de cursos oferecidos, há uma brincadeira entre os artistas de teatro segundo a qual, não há profissional na cidade que não tenha ministrado aulas na instituição.

Apesar de ter tido grandes profissionais a ensinar e grandes intérpretes formados na instituição, não há um grupo especificamente formado na escola. Atores e atrizes da escola estão espalhados em muitos dos quase 300 grupos de teatro da cidade.

Teatro-escola Célia Helena

O Teatro-escola Célia Helena foi fundado pela inesquecível atriz Célia Helena, em 1977. Atualmente, a escola oferece uma variedade significativa de processos de formação: profissionalizante de ator; cursos livres para crianças, adolescentes e adultos; curso de interpretação superior e curso de pós-graduação lato sensu.

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Cena de O Jardim das Cerejeiras - Foto: Valéria Mesquita

Das propostas de formação, o mais tradicional é o curso de formação de atores. De todas as companhias formadas pela escola, a mais conhecida, e com mais de dez montagens, sempre dirigidas por Marcelo Lazaratto, é a Companhia Elevador de Teatro Panorâmico, formada em 2000. Até o mês passado, a companhia ficou em cartaz com O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov.

Escola Livre de Teatro de Santo André

A Escola Livre de Teatro de Santo André foi fundada em 1990 e por ser mantida pelo poder municipal passou por problemas de manutenção. Idealizada pela excepcional criadora e pesquisadora Maria Thais, a escola transformou-se em referência nacional, sobretudo pelos procedimentos de criação, fundamentados no conceito de processo colaborativo.

Compreendendo, pelo menos, três anos de formação, as turmas passam por módulos específicos de formação: teatro épico, teatro realista, circo etc. Até pouco tempo atrás, o incentivo no processo de criação compreendia o desenvolvimento em potência de aprendizes- criadores. Música, coreografia, texto, cena, figurino, maquiagem eram experimentados e criados pelo conjunto de aprendizes.

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Cena de Azar do Valdemar - Foto: Bob Sousa

Decorrentes de improvisação e ancorados no conceito de práxis, depois de amplos processos de experimentação, desenvolvia-se um processo de costura ou elaboração final de profissional específico. Das diversas turmas formadas na escola, a Companhia d’Os Inventivos, formada em 2005, e dedicada ao teatro de rua, tem em seu repertório (decorrente da adaptação do romance Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro) uma trilogia que compreende: Canteiro; Bandido É Quem Anda em Bando e Azar do Valdemar, espetáculos dirigidos por Edgar Castro.

Outras instituições

Além das instituições apresentadas, ainda como escolas profissionalizantes, podem ser citadas: Braapa Escola de Atores, Conservatório Dramático Emílio Fontana, Escola de Atores Wolf Maya, Incenna Escola de Teatro, Televisão e Cinema, Instituto de Artes e Ciência – mais conhecida como Indac, RecriArte – Escola de Atores. Entretanto, buscou-se neste texto apresentar nomes de grupos e não de indivíduos. Como no processo de pesquisa não se conseguiu encontrar nomes de companhias formadas nas escolas citadas, destacou-se apenas os nomes destas outras instituições de formação.

Ensino superior

Além das escolas específicas de formação de intérpretes, várias instituições de ensino superior, tanto públicas como particulares, têm ministrado cursos de formação em teatro (licenciatura e bacharelado). Dentre elas, podem ser destacadas: Escola de Comunicações e Artes da USP (bacharelado e licenciatura) – sem dúvida esta é uma das mais importantes instituições na formação de artistas; o Instituto de Artes da Unesp (bacharelado e licenciatura) – escola importante na formação de professores, implantou o curso de formação de intérpretes em 2014; Instituto de Artes da Unicamp (bacharelado) – escola criada na década de 1966, mas o curso de teatro inicia-se na década posterior e foi organizado pelo diretor Celso Nunes; comunicação e artes do corpo da PUC-SP (bacharelado) – a universidade forma profissionais para atuar nas áreas de artes cênicas, como dramaturgo ou criador-intérprete; as universidade São Judas Tadeu, Mozarteum e Anhembi Morumbi, em tese, desenvolvem cursos de licenciatura em artes cênicas.

*Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pesquisador de teatro. Ele escreve no blog sempre no começo de cada mês.

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jose wilker anos 70 José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker, no começo da carreira: ele teve um início politizado - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba* 

O Brasil descobriu, assustado, na manhã deste sábado (5), a partida abrupta do ator José Wilker. Ele foi vítima de um infarto fulminante na casa da namorada, Claudia Montenegro, em Ipanema, no Rio. Tinha apenas 66 anos.

Na última vez que vi José Wilker, ele estava sorridente, no saguão do Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, em São Paulo. Moderno como sempre, tinha tênis All Star vermelhos nos pés. Estava satisfeito com a estreia de sua peça Palácio do Fim, com Vera Holtz em grande desempenho no palco.

Wilker sorria e abraçava a todos, que celebravam com ele aquela peça que falava do absurdo da guerra. Dizia obrigado com sua voz grave inconfundível.

jose wilker celso akin agnews José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

Sempre jovem, de All Star vermelho nos pés: José Wilker, em 2012, no saguão do Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo: felicidade em dirigir teatro na peça Palácio do Fim - Foto: Celso Akin/AgNews

O crítico teatral carioca Macksen Luiz afirma ao R7 que Wilker fez nesta obra “uma direção impecável”.

– Em Palácio do Fim ele mostrou novamente a solidez que tinha como artista, como homem de teatro. O Wilker começou nos palcos, só lamento que ele tenha feito mais TV ao longo da carreira e não explorado tanto essa grandeza que ele tinha no teatro.

No Festival de Teatro de Curitiba, que termina neste domingo (6), a morte do ator foi recebida com assombro.

Leandro Knopfholz, diretor do evento que foi interrompido com a informação da morte durante a entrevista coletiva de balanço final, afirmou que “Wilker era amigo do Festival”. E lembrou de sua participação no evento em 2009, com uma peça dirigida por Jô Soares.

– Quando ele fez a peça A Cabra ou Quem É Sylvia, o cenário atrasou e só conseguimos montá-lo 30 minutos antes de a sessão começar. E ele foi de um profissionalismo incrível. Além disso, no começo da carreira dele, ele fez uma peça com a minha mãe [a atriz Ester Troib Knopfholz]. Que pena. É uma grande perda para o Brasil.

jose wilker funarte José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker (de óculos), com Fauzi Arap, Glauce Rocha, Clarice Lispector e Dirce Migliaccio conversam sobre adaptação da peça Perto do Coração Selvagem, em 1965 - Foto: Carlos/Cedoc/Acervo Funarte

 

Trajetória politizada

Cearense de Juazeiro do Norte, José Wilker fez parte do Movimento de Cultura Popular em Recife na década de 1960, com espetáculos experimentais e politizados junto ao Partido Comunista, com o objetivo de “conscientizar a classe operária”. Com o golpe militar, em 1964, transferiu-se para o Rio, onde logo fez parcerias com nomes como Marília Pêra e Dulcina de Moraes. No Grupo Opinião, dirigido por João das Neves, marcou época na peça Antígona, em 1968. Em 1969, é premiado com o Molière de melhor ator por seu desempenho em O Arquiteto e o Imperador da Assíria.

Na década de 1970 fez espetáculos considerados de vanguarda, como Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, ícone dos palcos e da juventude daquela época.

Em meados da década de 1970, é descoberto pela televisão, na qual logo se torna um galã reconhecido e admirado no mundo todo. Fez importantes papeis no cinema: em 1976, fez Vadinho em Dona Flor e Seus Dois Maridos, filme de Bruno Barreto, adaptado do romance de Jorge Amado, que foi recordista de bilheteria. Fez o famoso triângulo amoroso com Sônia Braga e Mauro Mendonça. Em 1979, atuou em outro clássico Bye, Bye, Brasil, de Cacá Diegues.

Na década de 1980, se reaproximou dos palcos, assumindo a direção da Escola de Teatro Martins Pena, ao lado de Aderbal Freire-Filho e Alcione Araújo. Em 1985 volta a encenar uma peça, Assim É (Se lhe Parece), dirigido por Paulo Betti. Mais uma vez ganhou o Molière.

Emenda várias peças e faz sucesso em 1994 com Querida Mamãe, de Maria Adelaide Amaral. Na mesma década produz e protagoniza o filme Guerra de Canudos, dirigido por Sérgio Rezende, um dos marcos da retomada.

Galã

Na televisão, logo o ator engajado virou galã. Desde a primeira novela, Bandeira 2, em 1972, fez papeis memoráveis, como o presidente Juscelino Kubitschek na minissérie JK (1996) ou o empresário Fábio na minissérie Anos Rebeldes (1992). Foi ainda Mundinho Falcão na primeira versão de Gabriela (1975) e Roque na novela Roque Santeiro (1985), quando contracenou com Regina Duarte e Lima Duarte.

Um de seus papeis mais populares na TV foi o bicheiro Giovanni Improtta, na novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, em 2004.  O personagem fez tanto sucesso que virou filme. Seu último papel foi Herbert, na novela Amor à Vida, que terminou neste ano.

José Wilker deixa duas filhas: Isabel e Mariana.

jose wilker globo José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker (1941-2014): um ator com conteúdo que virou galã da TV

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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paulo goulart rafael franca globo Paulo Goulart era como se fosse nosso pai

Classe artística de luto: o ator Paulo Goulart (1933-2014) formou com Nicette Bruno uma das famílias mais queridas  e admiradas do mundo das artes no Brasil - Foto: Rafael França/Globo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Paulo Goulart, que perdemos nesta quinta-feira (13), aos 81 anos, após lutar bravamente contra um câncer, era praticamente pai de todos nós.

Nos acostumamos a ver seu rosto na TV ou no teatro, sempre com personagens marcantes onde empenhava seu conhecido talento. Além disso, ao lado de Nicette Bruno, tão grande atriz quanto ele foi um ator de peso, formou uma das famílias mais queridas e admiradas do teatro e da televisão. Um tipo de gente generosa e inteligente, como já, infelizmente, se tornou coisa rara.

Entrevistei Paulo Goulart várias vezes. Sempre me recebeu com um carinho incomensurável e uma generosidade que me faziam sentir como se fosse da família, como se a conversa não fosse entre um jornalista e um ator, mas, sim, entre dois amigos. Era de um respeito profissional com a imprensa e com a classe artística que servia de escola aos demais.

Jamais vou me esquecer quando entrevistei o casal Bruno-Goulart em 2008, no Festival de Teatro de Curitiba, na capital paranaense.

Cheguei no Teatro Guaíra sem avisar ninguém. Falei que era jornalista na portaria, e um produtor me deixou passar, mas contou que os dois ainda não haviam chegado. Resolvi esperar.

Pouco depois, vi aparecerem Paulo e Nicette, de mãos dadas, como um casal de adolescentes apaixonados. Expliquei que queria muito fazer uma matéria exclusiva com os dois, por conta do aniversário de 54 anos de casamento que eles celebravam no palco. Elegantes, aceitaram de cara o convite e me convidaram a continuar a conversa no camarim.

Enquanto a entrevista seguia, Paulo falou que queria ir ao palco. Estava preocupado se todos da plateia teriam uma boa visão do palco do Guairão, um dos maiores teatros do País, com mais de 2.000 lugares. O espetáculo era O Homem Inesperado, na qual ele fazia um escritor que se encontrava com uma fã em um trem. Fã esta vivida por Nicette. Os dois estavam formidáveis em cena. E o público se apaixonava por ambos, é claro.

Durante a conversa, os dois se lembraram do dia em que se conheceram e do dia do casamento, na Igreja de Santa Cecília, no centro paulistano. Naturalmente, percebi que continuavam igualmente apaixonados um pelo outro.

Fui embora do teatro naquele dia feliz. Por ainda ter tido tempo de conviver com artistas da geração do Paulo e da Nicette, gente que de fato ama a profissão de ator e sabe que ela pouco tem a ver com o novo discurso da "celebridade".

A última vez que falei com Paulo foi em 2011. Infelizmente, foi um dia triste. Nos encontramos no velório do diretor José Renato, no Teatro de Arena. Paulo sentia a perda de um amigo. E agora, é nossa vez de sentir sua perda.

Paulo Goulart era, antes de tudo, um artista preocupado com seu tempo e com o seu Brasil. Sobretudo com a educação das futuras gerações. Tanto que criou o projeto Teatro nas Universidades, que se propõe a levar as artes cênicas para universitários em todo País. Era seu xodó.

Seus filhos e netos, que são todos a cara dele tanto quanto de Nicette, seguem firmes por aí, herdeiros do talento, do carisma e da sensibilidade dos patriarcas desta família tão digna e cara às nossas artes. São como irmãos de todos nós. Porque Paulo Goulart era como se fosse o nosso pai. Adeus, Paulo. Seus filhos já morrem de saudade.

PS. O velório de Paulo Goulart será no Theatro Municipal de São Paulo, a partir das 23h30. O enterro será às 14h desta sexta (14), no Cemitério da Consolação, também na capital paulista.

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RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 17.ALTA  Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

O paulistano Maurício Soares Filho, em cena de Resíduo Drummond - Foto: Bia Serranoni

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Maurício Soares Filho está mergulhado na obra do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Formado em artes cênicas e em letras pela Unicamp (Universidade de Campinas), ele se aventura no espetáculo solo Resíduo Drummond, em cartaz até 27 de abril no Teatro da Livraria da Vila do shopping JK Iguatemi, em São Paulo [veja serviço ao fim].

Com direção de Luciana Garcia, a obra é uma homenagem ao poeta itabirano. Em cena, a visão de mundo do grande mestre de nossa literatura, fruto de um ano de pesquisa, quando a dupla estudou em pormenores oito livros do poeta.

Apaixonado por Drummond, Maurício conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta. Falou de literatura, dos momentos marcantes nos palcos e ainda revelou o que deixa ele muito irritado.

Leia com toda a calma do mundo.

RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 17.ALTA 2 Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

Ator e professor: Maurício Soares Filho é formado em letras e em artes cênicas pela Unicamp - Foto: Bia Serranoni

Miguel Arcanjo Prado – Qual a importância de ter feito letras além de artes cênicas?
Maurício Soares Filho – Primeiro entrei em Artes Cênicas na Unicamp, em 1987. Nossa, faz muito tempo! Logo, percebi que, embora o curso fosse ótimo e me atraísse muito, eu precisaria de uma base teórica maior para conseguir compreender os textos e mergulhar de cabeça na profissão de ator. O que eu não imaginava era que também seria tão feliz dando aulas e que me sentiria realizado na relação com os alunos por meio da literatura. No ano seguinte, 1988, prestei letras na própria Unicamp e consegui passar. Naquela época, era possível fazer dois cursos em uma universidade pública, desde que você fosse aprovado duas vezes no vestibular, que foi justamente o que aconteceu comigo. É claro que foi complicado, que vivi momentos de divisão e dúvida, mas, no final, deu tudo certo.

Como você vê a experiência de ser professor junto da profissão de ator?
Acho que a profissão de professor está diretamente relacionada ao trabalho de ator. A cada aula é como se estivéssemos representando um pouco e, especialmente em Literatura, o trabalho com textos também tem muito a ver com o teatro. O professor representa uma pessoa que ele não é, tem um texto na cabeça e precisa atingir seu público. Não é exatamente igual ao que acontece no teatro? Além disso, a movimentação dentro da sala de aula e a projeção vocal também são elementos que podem trazer um diferencial bem importante para o sucesso de uma aula.

Você tem uma história boa da época de aluno da Unicamp?
São muitas as histórias, é claro... Uma que posso destacar e que não é exatamente engraçada é justamente a do teste para o Macbeth que fiz quando estava terminando a Unicamp. Eu já dava muitas aulas e estava de casamento marcado, lua de mel e tudo! Aí apareceu essa chance e eu fui mais por desencargo de consciência do que por acreditar que conseguiria um espaço. Depois de um dia em Campinas, fui classificado para uma “segunda fase” em São Paulo que aconteceria durante uma semana, sempre das 14h às 23h todos os dias. Sem nenhuma garantia, sem nenhuma remuneração e tendo que “abandonar” provisoriamente o resto da vida inteira. Fui. E dei um jeito com as escolas, e consegui dinheiro (nem sei como) para ir e voltar de São Paulo todos os dias, e essa semana se transformou em três, porque o diretor Ulysses Cruz não se decidia... No final, fui o único escolhido de toda a leva que fez o teste em Campinas e foi um momento de realização que experimentei poucas vezes na vida! Eu nem comentei que iria casar e tal...

E como fez?
Bem pertinho do casamento eu pedi para faltar durante três dias, uma sexta, um sábado e um domingo para poder ir pelo menos até Campos do Jordão com minha esposa. Deu certo! Casei, fiz a peça, viajei muito com a companhia e consegui manter minhas aulas para o ano seguinte, porque sempre soube que o sucesso não duraria para sempre e que eu precisaria do dinheiro das escolas para sobreviver!

Quando você veio morar em São Paulo?
Sou de São Paulo. Nasci na rua Tamandaré (um dos locais em que trabalho hoje como professor), no bairro da Aclimação. Fui para Campinas apenas por causa da Unicamp e voltei para cá logo que me formei. Depois, fui me especializar em Londres, onde fiquei dois anos e meio estudando teatro. Voltei para o Brasil e passei de novo por Campinas. Atualmente moro em Perdizes, onde estou desde 2006 e não trocaria essa cidade por lugar nenhum! Mentira... Talvez pelo Rio de Janeiro, porque adoro uma praia [risos].

O que lhe atrai em São Paulo?
Gosto dos cinemas, dos restaurantes, da vida na avenida Paulista, gosto de me sentir no olho do furacão, onde tudo está acontecendo. Além disso, acho que este é o melhor lugar do Brasil para criar meus filhos, por todas as opções que uma cidade como essa oferece, apesar dos problemas!

mauricio soares Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

Maurício Soares Filho é paulistano da Aclimação e vive em Perdizes, zona oeste de São Paulo - Foto: Bia Serranoni

Quem são seus pais?
Nasci em março de 1969, em São Paulo. Minha mãe é psicóloga e meu pai empresário e advogado. Ninguém tem qualquer relação com o meio artístico.

Quando você era criança o que mais gostava de fazer?
Sempre gostei de teatro e de televisão. Sempre! Gostava de decorar poemas, de fazer “showzinhos” para a família, de gravar músicas do rádio no gravador cassete e, você não vai acreditar, brincar de escolinha! Sempre fui um menino que preferia ficar dentro de casa, nunca gostei muito de esportes e nem de sair à noite. Embora seja muito extrovertido, sempre gostei de ler e escrever e passava muito tempo sozinho.

Por que você gosta do Drummond?
Eu gosto do Drummond porque ele traz respostas para as questões que me inquietam como homem contemporâneo. Ele fala sobre esse conflito que todos nós temos entre participação e alienação, o que não se refere apenas à questão social, mas também às atitudes que temos frente à vida. Podemos simplesmente construir uma vida tranquila, em uma ilha deserta e cuidarmos das nossas questões individuais sem olhar para o mundo em torno? Isso é possível? Como sobreviver em um ambiente tão árido como é a sociedade de hoje em dia em tantos aspectos? Quem nunca sonhou em abandonar tudo e ir para uma ilha deserta se isolar?

Todo mundo...
Aprendi a gostar de Drummond na sala de aula e tudo começou com o livro Rosa do povo, considerado uma das suas obras-primas. Preparei uma aula especial sobre essa obra e aquilo me instigou, me moveu muito. A partir daí, percebi o potencial teatral que aqueles textos traziam e resolvi transformar tudo o que sentia em um espetáculo que falasse, não sobre o Drummond, mas sobre tudo o que ele pode transmitir e representar para quem se dispõe e lê-lo ou, no nosso caso, a vivenciá-lo no teatro.

Qual poesia do Drummond você mais gosta?
Puxa! São tantos. Gosto muito do poema Resíduo, que dá nome ao espetáculo. Versos como “Abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória” falam diretamente à minha alma. Ainda mais no meu caso, que sou o tipo de cara que se lembra de tudo! Isso pode ser uma benção, ou uma praga! Gosto também bastante de um texto chamado Mãos Dadas, que termina com a afirmação: “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente!” Como eu disse antes: gosto das obras que dialogam comigo, que respondem às minhas buscas mais íntimas!

Por que você resolveu ser ator?
Não resolvi ser ator. Sinto que isso estava resolvido desde a minha concepção. Não me lembro de algum dia em que tenha cogitado não representar, não fazer teatro. Tenho mesmo a sensação de que esta decisão é anterior à minha existência em si. Aliás, o amor pelo teatro é tão grande e tão complicado que, se pudesse decidir, provavelmente não faria uma opção tão complexa! Que eu seria ator, eu sempre soube, a questão era como. Optei pela universidade porque acredito no estudo e na preparação física e intelectual como um caminho para o artista se instrumentalizar. Afinal, como disse muitas vezes a Fernanda Montenegro: “o trabalho do ator é composto de 5% de inspiração e 95% de transpiração!”.

Você também escreve poesia?
Não escrevo poemas não. Não me sinto capaz de fazer isso. O contato com os textos do Drummond e do Fernando Pessoa me fez perceber que esse tipo de coisa não é pro meu bico! Gostaria muito de escrever um livro de ficção. Tenho planos e até metade de uma primeira incursão na literatura esboçada!

O que te irrita nas pessoas?
Muita coisa me irrita. Acho que sou um cara bem irritado! Talvez o pior seja aquele tipo de pessoa que vive como se não existisse mais ninguém. É o cara que olha as mensagens de celular no cinema, que estaciona o carro sem observar as faixas que dividem as vagas, que para o carrinho de supermercado no meio do corredor e que fica rindo e falando alto no restaurante. Aliás, falar durante um filme no cinema também é algo que me deixa irritadíssimo! Como eu disse, sou, em geral, bem irritado [risos].

Qual peça você mais gostou de fazer em sua carreira?
Vivi momentos inesquecíveis ao lado de Antonio Fagundes em Macbeth, de Shakespeare, dirigido por Ulysses Cruz. Viajamos o Brasil inteiro e éramos um elenco muito grande. Fiz vários amigos e tínhamos sempre casa lotada, além da oportunidade de falar o texto do Shakespeare, é claro! Isso foi em 1992 e eu tinha acabado de me casar e de me formar na Unicamp. Posso dizer que foi um período de sonho, de verdade! Mais recentemente tive a honra de trabalhar com Silnei Siqueira, um grande diretor de teatro recém-falecido e com quem fiz O Apocalipse ou o Capeta de Caruaru, de Aldomar Conrado. O texto é muito engraçado e foi encenado pelo Teatro do Largo, um grupo que nasceu dentro da faculdade de direito do Largo São Francisco e no qual trabalhei durante algum tempo. Mas é com o Resíduo que tenho tido as alegrias de hoje em dia. O trabalho de direção da Luciana Garcia trouxe uma linha para os poemas, criando uma história que conduz o espectador de uma maneira que eu nunca pensei que seria possível. Tenho me sentido abençoado por ter a oportunidade de estar em cartaz na cidade que eu amo, com uma equipe tão talentosa e dizendo esses textos que me dizem tanto respeito. Sou um cara de muita sorte.

Por que você faz teatro?
Faço teatro porque não consigo viver sem isso. É bem simples, na verdade. Já tentei ficar um tempo longe do palco e sempre ficava bem mal. O contato com o texto, com o personagem e, principalmente, com o público me alimenta. Além dessa necessidade quase egoísta, estou em um momento em que de fato acredito que sou um instrumento que pode transmitir os textos do Drummond para pessoas que talvez ainda não o conheçam e, se já o conhecerem, podem começar a vê-lo por ângulos diferentes. O teatro é o veículo que uso para chegar até as pessoas e transmitir tudo o que penso sobre estar vivo!

RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 1.ALTA  Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

O ator Maurício Soares Filho: "No teatro transmito tudo o que penso" - Foto: Bia Serranoni

Resíduo Drummond
Quando: Sábado, 20h, domingo, 18h. 75 min. Até 27/4/2014
Onde: Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi (av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, São Paulo, tel. 0/xx/11 5180-4790)
Quanto: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos


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paulo autran funarte Domingou   Os dilemas de um ator

Paulo Autran em Morte e Vida Severina, direção de Silnei Siqueira, 1969 - Foto: Acervo Funarte

Você pensará em fazer uma novela, pensará em fazer cinema. Você é mais um no meio da multidão... É o amor que vai te mover...

ricardo correa domingou divulgacao Domingou   Os dilemas de um ator

O ator Ricardo Corrêa: amor ao ofício de ator

Por RICARDO CORRÊA*
Especial para o Atores & Bastidores

Com amor à verdade, digo aos artistas de teatro: reze pra dar certo! Além disso, uma boa escola de teatro ajuda, ler todos os grandes autores e mesmo assim concorrer com gente que não sabe nem pronunciar "Godot” do “Beckett”. Daí, torcer muito para fazer uma peça de sucesso. Ter perfil. Saber qual é o teu perfil. Você irá fazer mil testes para comerciais, vai ser editado em um, vai ficar torcendo e saberá mais tarde que seu amigo pegou.  Daí, você pega um de cerveja pra fazer, te reconhecem na rua e passam a acreditar mais em você.

Você pensará em fazer uma novela. Você entra em contato com aquele agente de elenco que seu amigo ator te falou, ele te ignora. Você pensa: o que será que eu fiz? Fique tranquilo. Pra ele você é mais um no meio da multidão. Se você pegar a novela, reze para o contrato se renovar. Porque o dinheiro só vai durar o tempo do contrato.

Você também pode escrever ou produzir algo moderno, que vire hit do momento.  Se você produzir uma peça aumenta um pouco mais o seu ganho. Mas em algum momento vão falar mal de você. Não se assuste. É normal. Seria legal se você fosse indicado a algum prêmio.

Pensará em fazer cinema. Mas como? Conhecer qual produtor de elenco? No cinema você ganha a diária, nome feio, lembra diarista. Aliás, por que será que o ator que fez o filme não ganha por bilheteria?

Abriu aquele edital. Você pode escrever projetos. Você teve aquela ideia ótima e você acredita nela. Mas não tem nenhum nome famoso no teu projeto? Ah, mas aquele grupo conhecido com gente mais famosa pegou? Pegou três editais ao mesmo tempo? É isso acontece! Mas não desista.

Você pode trabalhar durante o dia num shopping e a noite fazer teatro.  Em qual hora do dia você lê o seu livro de teoria sobre o Brecht?

Pode rolar aquela animação de festa, o teatro empresa, monstros em parques... Mudar de profissão.

Você poderá dar aula de teatro. Você vai se deparar com certas dificuldades. Certo? Mas vai que pegue aulas numa escola de formação de atores. Ótimo. Na maioria das vezes, você vai ralar o tchan e não vai ganhar muito. Terá que ir pra lugares distantes, acreditando no poder de transformação que o teatro possui.

Esse poder que o teatro tem é que vai te mover muitas vezes a continuar, inclusive quando pensar em desistir. Mas respire. Fique calmo. É o amor que vai te mover a continuar no teatro.  Esse amor nutre.

Me despeço com amor à verdade.

*Ricardo Corrêa é ator. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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dinheiro getty images Veja dez dicas para ator conseguir ganhar dinheiro

Falta grana: é complicada a vida de quem deseja sobreviver no Brasil como ator - Foto: Getty Images

O ator pode ganhar dinheiro com a sua profissão... Saiba como no texto abaixo:

dionisio neto marcio del nero Veja dez dicas para ator conseguir ganhar dinheiro

O ator Dionisio Neto - Foto: Marcio del Nero

Por Dionisio Neto*
Especial para o Atores & Bastidores

1 - Atuando em uma peça de sucesso. Se for produtor é melhor, senão o salário é baixo mesmo se a peça estourar nas bilheterias. (Se você for o produtor e ganhar dinheiro vão dizer que você está roubando.)

2 - Fazendo comerciais. São 15 nãos para um sim. E o cache que vão te pagar vai te prender por um ano. Ou seja, divida o cachê por 12. É uma miséria.

3 - Fazendo filmes. Aqui se ganha por diaria. É pouco. Se for produtor é melhor. Raramente o ator ganha porcentagem de bilheteria.

4 - Dando aulas de atuação. Uma merreca. Não paga nem o condomínio.

5 - Tendo um contrato de novela. O salário dura o tempo da novela. Raramente se renova. E se renova, demora. Acabando a novela fica-se desempregado.

6 - Tendo um contrato longo com a TV Globo ou Record - dura de 4 a 5 anos. Muitos reclamam de barriga cheia. É a unica maneira de ganhar-se dinheiro mesmo não trabalhando. E no intervalo dá para fazer cinema, publicidade e teatro. É o melhor que há no mercado. Todo o resto é provisório.

7 - Ganhar na loteria. É quase tão fácil quanto manter-se como ator.

8 - Virar produtor e ganhar editais e patrocínios. É tão fácil quanto ganhar na loteria.

9 - Fazendo um personagem popular e ser chamado para campanhas de publicidade. É tão fácil quanto ganhar na loteria.

10 - Mudar de profissão.

Ps. A gente trabalha muito, ganha pouco, mas pelo menos a gente (às vezes) se diverte.

*Dionisio Neto é ator, dramaturgo e diretor. Ele estudou teatro no CPT (Centro de Pesquisa Teatral) de Antunes Filho. Também é formado em letras pela USP (Universidade de São Paulo). Natural de São Luís do Maranhão, vive em São Paulo. Já fez teatro, cinema e TV.

 

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tadeu ibarra foto bob sousa1 Dois ou Um com Tadeu Ibarra

Ator do Teatro do Abandono, Tadeu Ibarra tem chamado a atenção nos palcos de São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

Artista carioca radicado em São Paulo, o ator Tadeu Ibarra é bacharel em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas encontrou sua praia nos palcos. Formado em atuação pela SP Escola de Teatro, recentemente, ele se destacou no espetáculo Entre Ruínas Quase Nada, de seu grupo, o Teatro do Abandono. Tadeu, que não para quieto e é amigo de todo mundo, também integra o Coletivo Mínimo, dirigido por Roberto Áudio do Teatro da Vertigem. Ele topou participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas diretas cheias de possibilidades. Ou não.

Baixo Gávea ou praça Roosevelt?
Cerveja com a Phedra.

Cidade Maravilhosa ou Selva de Pedra?
Aiuruoca, no interior de Minas.

Direito engravatado ou torto no palco?
No palco com $$$...

Praia de Copacabana ou Praia de Cabo Polonio?
Nadar en bolas en el Cabo!

Barba Che Guevara ou rotinho barbeado de yuppie?
Olha pra mim, companheiro!

Elis Regina ou Maria Rita?
Meus ídolos ainda são os mesmos: Elis!

José Mujica ou Dilma Rousseff?
Liberdade pra casar e fumar.

Eu preciso aprender a ser só ou eu preciso aprender a só ser?
Só. Ser.

Maior abandonado ou o nosso amor a gente inventa?
Mentiras sinceras me interessam.

Paixão fugaz ou amor pra sempre?
Um beijo roubado...

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Veja dicas da Agenda Cultural (toda sexta, meio-dia, na Record News)

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