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jose wilker anos 70 José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker, no começo da carreira: ele teve um início politizado - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba* 

O Brasil descobriu, assustado, na manhã deste sábado (5), a partida abrupta do ator José Wilker. Ele foi vítima de um infarto fulminante na casa da namorada, Claudia Montenegro, em Ipanema, no Rio. Tinha apenas 66 anos.

Na última vez que vi José Wilker, ele estava sorridente, no saguão do Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, em São Paulo. Moderno como sempre, tinha tênis All Star vermelhos nos pés. Estava satisfeito com a estreia de sua peça Palácio do Fim, com Vera Holtz em grande desempenho no palco.

Wilker sorria e abraçava a todos, que celebravam com ele aquela peça que falava do absurdo da guerra. Dizia obrigado com sua voz grave inconfundível.

jose wilker celso akin agnews José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

Sempre jovem, de All Star vermelho nos pés: José Wilker, em 2012, no saguão do Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo: felicidade em dirigir teatro na peça Palácio do Fim - Foto: Celso Akin/AgNews

O crítico teatral carioca Macksen Luiz afirma ao R7 que Wilker fez nesta obra “uma direção impecável”.

– Em Palácio do Fim ele mostrou novamente a solidez que tinha como artista, como homem de teatro. O Wilker começou nos palcos, só lamento que ele tenha feito mais TV ao longo da carreira e não explorado tanto essa grandeza que ele tinha no teatro.

No Festival de Teatro de Curitiba, que termina neste domingo (6), a morte do ator foi recebida com assombro.

Leandro Knopfholz, diretor do evento que foi interrompido com a informação da morte durante a entrevista coletiva de balanço final, afirmou que “Wilker era amigo do Festival”. E lembrou de sua participação no evento em 2009, com uma peça dirigida por Jô Soares.

– Quando ele fez a peça A Cabra ou Quem É Sylvia, o cenário atrasou e só conseguimos montá-lo 30 minutos antes de a sessão começar. E ele foi de um profissionalismo incrível. Além disso, no começo da carreira dele, ele fez uma peça com a minha mãe [a atriz Ester Troib Knopfholz]. Que pena. É uma grande perda para o Brasil.

jose wilker funarte José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker (de óculos), com Fauzi Arap, Glauce Rocha, Clarice Lispector e Dirce Migliaccio conversam sobre adaptação da peça Perto do Coração Selvagem, em 1965 - Foto: Carlos/Cedoc/Acervo Funarte

 

Trajetória politizada

Cearense de Juazeiro do Norte, José Wilker fez parte do Movimento de Cultura Popular em Recife na década de 1960, com espetáculos experimentais e politizados junto ao Partido Comunista, com o objetivo de “conscientizar a classe operária”. Com o golpe militar, em 1964, transferiu-se para o Rio, onde logo fez parcerias com nomes como Marília Pêra e Dulcina de Moraes. No Grupo Opinião, dirigido por João das Neves, marcou época na peça Antígona, em 1968. Em 1969, é premiado com o Molière de melhor ator por seu desempenho em O Arquiteto e o Imperador da Assíria.

Na década de 1970 fez espetáculos considerados de vanguarda, como Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, ícone dos palcos e da juventude daquela época.

Em meados da década de 1970, é descoberto pela televisão, na qual logo se torna um galã reconhecido e admirado no mundo todo. Fez importantes papeis no cinema: em 1976, fez Vadinho em Dona Flor e Seus Dois Maridos, filme de Bruno Barreto, adaptado do romance de Jorge Amado, que foi recordista de bilheteria. Fez o famoso triângulo amoroso com Sônia Braga e Mauro Mendonça. Em 1979, atuou em outro clássico Bye, Bye, Brasil, de Cacá Diegues.

Na década de 1980, se reaproximou dos palcos, assumindo a direção da Escola de Teatro Martins Pena, ao lado de Aderbal Freire-Filho e Alcione Araújo. Em 1985 volta a encenar uma peça, Assim É (Se lhe Parece), dirigido por Paulo Betti. Mais uma vez ganhou o Molière.

Emenda várias peças e faz sucesso em 1994 com Querida Mamãe, de Maria Adelaide Amaral. Na mesma década produz e protagoniza o filme Guerra de Canudos, dirigido por Sérgio Rezende, um dos marcos da retomada.

Galã

Na televisão, logo o ator engajado virou galã. Desde a primeira novela, Bandeira 2, em 1972, fez papeis memoráveis, como o presidente Juscelino Kubitschek na minissérie JK (1996) ou o empresário Fábio na minissérie Anos Rebeldes (1992). Foi ainda Mundinho Falcão na primeira versão de Gabriela (1975) e Roque na novela Roque Santeiro (1985), quando contracenou com Regina Duarte e Lima Duarte.

Um de seus papeis mais populares na TV foi o bicheiro Giovanni Improtta, na novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, em 2004.  O personagem fez tanto sucesso que virou filme. Seu último papel foi Herbert, na novela Amor à Vida, que terminou neste ano.

José Wilker deixa duas filhas: Isabel e Mariana.

jose wilker globo José Wilker foi ator engajado que virou galã da TV

José Wilker (1941-2014): um ator com conteúdo que virou galã da TV

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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paulo goulart rafael franca globo Paulo Goulart era como se fosse nosso pai

Classe artística de luto: o ator Paulo Goulart (1933-2014) formou com Nicette Bruno uma das famílias mais queridas  e admiradas do mundo das artes no Brasil - Foto: Rafael França/Globo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Paulo Goulart, que perdemos nesta quinta-feira (13), aos 81 anos, após lutar bravamente contra um câncer, era praticamente pai de todos nós.

Nos acostumamos a ver seu rosto na TV ou no teatro, sempre com personagens marcantes onde empenhava seu conhecido talento. Além disso, ao lado de Nicette Bruno, tão grande atriz quanto ele foi um ator de peso, formou uma das famílias mais queridas e admiradas do teatro e da televisão. Um tipo de gente generosa e inteligente, como já, infelizmente, se tornou coisa rara.

Entrevistei Paulo Goulart várias vezes. Sempre me recebeu com um carinho incomensurável e uma generosidade que me faziam sentir como se fosse da família, como se a conversa não fosse entre um jornalista e um ator, mas, sim, entre dois amigos. Era de um respeito profissional com a imprensa e com a classe artística que servia de escola aos demais.

Jamais vou me esquecer quando entrevistei o casal Bruno-Goulart em 2008, no Festival de Teatro de Curitiba, na capital paranaense.

Cheguei no Teatro Guaíra sem avisar ninguém. Falei que era jornalista na portaria, e um produtor me deixou passar, mas contou que os dois ainda não haviam chegado. Resolvi esperar.

Pouco depois, vi aparecerem Paulo e Nicette, de mãos dadas, como um casal de adolescentes apaixonados. Expliquei que queria muito fazer uma matéria exclusiva com os dois, por conta do aniversário de 54 anos de casamento que eles celebravam no palco. Elegantes, aceitaram de cara o convite e me convidaram a continuar a conversa no camarim.

Enquanto a entrevista seguia, Paulo falou que queria ir ao palco. Estava preocupado se todos da plateia teriam uma boa visão do palco do Guairão, um dos maiores teatros do País, com mais de 2.000 lugares. O espetáculo era O Homem Inesperado, na qual ele fazia um escritor que se encontrava com uma fã em um trem. Fã esta vivida por Nicette. Os dois estavam formidáveis em cena. E o público se apaixonava por ambos, é claro.

Durante a conversa, os dois se lembraram do dia em que se conheceram e do dia do casamento, na Igreja de Santa Cecília, no centro paulistano. Naturalmente, percebi que continuavam igualmente apaixonados um pelo outro.

Fui embora do teatro naquele dia feliz. Por ainda ter tido tempo de conviver com artistas da geração do Paulo e da Nicette, gente que de fato ama a profissão de ator e sabe que ela pouco tem a ver com o novo discurso da "celebridade".

A última vez que falei com Paulo foi em 2011. Infelizmente, foi um dia triste. Nos encontramos no velório do diretor José Renato, no Teatro de Arena. Paulo sentia a perda de um amigo. E agora, é nossa vez de sentir sua perda.

Paulo Goulart era, antes de tudo, um artista preocupado com seu tempo e com o seu Brasil. Sobretudo com a educação das futuras gerações. Tanto que criou o projeto Teatro nas Universidades, que se propõe a levar as artes cênicas para universitários em todo País. Era seu xodó.

Seus filhos e netos, que são todos a cara dele tanto quanto de Nicette, seguem firmes por aí, herdeiros do talento, do carisma e da sensibilidade dos patriarcas desta família tão digna e cara às nossas artes. São como irmãos de todos nós. Porque Paulo Goulart era como se fosse o nosso pai. Adeus, Paulo. Seus filhos já morrem de saudade.

PS. O velório de Paulo Goulart será no Theatro Municipal de São Paulo, a partir das 23h30. O enterro será às 14h desta sexta (14), no Cemitério da Consolação, também na capital paulista.

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RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 17.ALTA  Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

O paulistano Maurício Soares Filho, em cena de Resíduo Drummond - Foto: Bia Serranoni

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Maurício Soares Filho está mergulhado na obra do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Formado em artes cênicas e em letras pela Unicamp (Universidade de Campinas), ele se aventura no espetáculo solo Resíduo Drummond, em cartaz até 27 de abril no Teatro da Livraria da Vila do shopping JK Iguatemi, em São Paulo [veja serviço ao fim].

Com direção de Luciana Garcia, a obra é uma homenagem ao poeta itabirano. Em cena, a visão de mundo do grande mestre de nossa literatura, fruto de um ano de pesquisa, quando a dupla estudou em pormenores oito livros do poeta.

Apaixonado por Drummond, Maurício conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta. Falou de literatura, dos momentos marcantes nos palcos e ainda revelou o que deixa ele muito irritado.

Leia com toda a calma do mundo.

RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 17.ALTA 2 Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

Ator e professor: Maurício Soares Filho é formado em letras e em artes cênicas pela Unicamp - Foto: Bia Serranoni

Miguel Arcanjo Prado – Qual a importância de ter feito letras além de artes cênicas?
Maurício Soares Filho – Primeiro entrei em Artes Cênicas na Unicamp, em 1987. Nossa, faz muito tempo! Logo, percebi que, embora o curso fosse ótimo e me atraísse muito, eu precisaria de uma base teórica maior para conseguir compreender os textos e mergulhar de cabeça na profissão de ator. O que eu não imaginava era que também seria tão feliz dando aulas e que me sentiria realizado na relação com os alunos por meio da literatura. No ano seguinte, 1988, prestei letras na própria Unicamp e consegui passar. Naquela época, era possível fazer dois cursos em uma universidade pública, desde que você fosse aprovado duas vezes no vestibular, que foi justamente o que aconteceu comigo. É claro que foi complicado, que vivi momentos de divisão e dúvida, mas, no final, deu tudo certo.

Como você vê a experiência de ser professor junto da profissão de ator?
Acho que a profissão de professor está diretamente relacionada ao trabalho de ator. A cada aula é como se estivéssemos representando um pouco e, especialmente em Literatura, o trabalho com textos também tem muito a ver com o teatro. O professor representa uma pessoa que ele não é, tem um texto na cabeça e precisa atingir seu público. Não é exatamente igual ao que acontece no teatro? Além disso, a movimentação dentro da sala de aula e a projeção vocal também são elementos que podem trazer um diferencial bem importante para o sucesso de uma aula.

Você tem uma história boa da época de aluno da Unicamp?
São muitas as histórias, é claro... Uma que posso destacar e que não é exatamente engraçada é justamente a do teste para o Macbeth que fiz quando estava terminando a Unicamp. Eu já dava muitas aulas e estava de casamento marcado, lua de mel e tudo! Aí apareceu essa chance e eu fui mais por desencargo de consciência do que por acreditar que conseguiria um espaço. Depois de um dia em Campinas, fui classificado para uma “segunda fase” em São Paulo que aconteceria durante uma semana, sempre das 14h às 23h todos os dias. Sem nenhuma garantia, sem nenhuma remuneração e tendo que “abandonar” provisoriamente o resto da vida inteira. Fui. E dei um jeito com as escolas, e consegui dinheiro (nem sei como) para ir e voltar de São Paulo todos os dias, e essa semana se transformou em três, porque o diretor Ulysses Cruz não se decidia... No final, fui o único escolhido de toda a leva que fez o teste em Campinas e foi um momento de realização que experimentei poucas vezes na vida! Eu nem comentei que iria casar e tal...

E como fez?
Bem pertinho do casamento eu pedi para faltar durante três dias, uma sexta, um sábado e um domingo para poder ir pelo menos até Campos do Jordão com minha esposa. Deu certo! Casei, fiz a peça, viajei muito com a companhia e consegui manter minhas aulas para o ano seguinte, porque sempre soube que o sucesso não duraria para sempre e que eu precisaria do dinheiro das escolas para sobreviver!

Quando você veio morar em São Paulo?
Sou de São Paulo. Nasci na rua Tamandaré (um dos locais em que trabalho hoje como professor), no bairro da Aclimação. Fui para Campinas apenas por causa da Unicamp e voltei para cá logo que me formei. Depois, fui me especializar em Londres, onde fiquei dois anos e meio estudando teatro. Voltei para o Brasil e passei de novo por Campinas. Atualmente moro em Perdizes, onde estou desde 2006 e não trocaria essa cidade por lugar nenhum! Mentira... Talvez pelo Rio de Janeiro, porque adoro uma praia [risos].

O que lhe atrai em São Paulo?
Gosto dos cinemas, dos restaurantes, da vida na avenida Paulista, gosto de me sentir no olho do furacão, onde tudo está acontecendo. Além disso, acho que este é o melhor lugar do Brasil para criar meus filhos, por todas as opções que uma cidade como essa oferece, apesar dos problemas!

mauricio soares Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

Maurício Soares Filho é paulistano da Aclimação e vive em Perdizes, zona oeste de São Paulo - Foto: Bia Serranoni

Quem são seus pais?
Nasci em março de 1969, em São Paulo. Minha mãe é psicóloga e meu pai empresário e advogado. Ninguém tem qualquer relação com o meio artístico.

Quando você era criança o que mais gostava de fazer?
Sempre gostei de teatro e de televisão. Sempre! Gostava de decorar poemas, de fazer “showzinhos” para a família, de gravar músicas do rádio no gravador cassete e, você não vai acreditar, brincar de escolinha! Sempre fui um menino que preferia ficar dentro de casa, nunca gostei muito de esportes e nem de sair à noite. Embora seja muito extrovertido, sempre gostei de ler e escrever e passava muito tempo sozinho.

Por que você gosta do Drummond?
Eu gosto do Drummond porque ele traz respostas para as questões que me inquietam como homem contemporâneo. Ele fala sobre esse conflito que todos nós temos entre participação e alienação, o que não se refere apenas à questão social, mas também às atitudes que temos frente à vida. Podemos simplesmente construir uma vida tranquila, em uma ilha deserta e cuidarmos das nossas questões individuais sem olhar para o mundo em torno? Isso é possível? Como sobreviver em um ambiente tão árido como é a sociedade de hoje em dia em tantos aspectos? Quem nunca sonhou em abandonar tudo e ir para uma ilha deserta se isolar?

Todo mundo...
Aprendi a gostar de Drummond na sala de aula e tudo começou com o livro Rosa do povo, considerado uma das suas obras-primas. Preparei uma aula especial sobre essa obra e aquilo me instigou, me moveu muito. A partir daí, percebi o potencial teatral que aqueles textos traziam e resolvi transformar tudo o que sentia em um espetáculo que falasse, não sobre o Drummond, mas sobre tudo o que ele pode transmitir e representar para quem se dispõe e lê-lo ou, no nosso caso, a vivenciá-lo no teatro.

Qual poesia do Drummond você mais gosta?
Puxa! São tantos. Gosto muito do poema Resíduo, que dá nome ao espetáculo. Versos como “Abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória” falam diretamente à minha alma. Ainda mais no meu caso, que sou o tipo de cara que se lembra de tudo! Isso pode ser uma benção, ou uma praga! Gosto também bastante de um texto chamado Mãos Dadas, que termina com a afirmação: “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente!” Como eu disse antes: gosto das obras que dialogam comigo, que respondem às minhas buscas mais íntimas!

Por que você resolveu ser ator?
Não resolvi ser ator. Sinto que isso estava resolvido desde a minha concepção. Não me lembro de algum dia em que tenha cogitado não representar, não fazer teatro. Tenho mesmo a sensação de que esta decisão é anterior à minha existência em si. Aliás, o amor pelo teatro é tão grande e tão complicado que, se pudesse decidir, provavelmente não faria uma opção tão complexa! Que eu seria ator, eu sempre soube, a questão era como. Optei pela universidade porque acredito no estudo e na preparação física e intelectual como um caminho para o artista se instrumentalizar. Afinal, como disse muitas vezes a Fernanda Montenegro: “o trabalho do ator é composto de 5% de inspiração e 95% de transpiração!”.

Você também escreve poesia?
Não escrevo poemas não. Não me sinto capaz de fazer isso. O contato com os textos do Drummond e do Fernando Pessoa me fez perceber que esse tipo de coisa não é pro meu bico! Gostaria muito de escrever um livro de ficção. Tenho planos e até metade de uma primeira incursão na literatura esboçada!

O que te irrita nas pessoas?
Muita coisa me irrita. Acho que sou um cara bem irritado! Talvez o pior seja aquele tipo de pessoa que vive como se não existisse mais ninguém. É o cara que olha as mensagens de celular no cinema, que estaciona o carro sem observar as faixas que dividem as vagas, que para o carrinho de supermercado no meio do corredor e que fica rindo e falando alto no restaurante. Aliás, falar durante um filme no cinema também é algo que me deixa irritadíssimo! Como eu disse, sou, em geral, bem irritado [risos].

Qual peça você mais gostou de fazer em sua carreira?
Vivi momentos inesquecíveis ao lado de Antonio Fagundes em Macbeth, de Shakespeare, dirigido por Ulysses Cruz. Viajamos o Brasil inteiro e éramos um elenco muito grande. Fiz vários amigos e tínhamos sempre casa lotada, além da oportunidade de falar o texto do Shakespeare, é claro! Isso foi em 1992 e eu tinha acabado de me casar e de me formar na Unicamp. Posso dizer que foi um período de sonho, de verdade! Mais recentemente tive a honra de trabalhar com Silnei Siqueira, um grande diretor de teatro recém-falecido e com quem fiz O Apocalipse ou o Capeta de Caruaru, de Aldomar Conrado. O texto é muito engraçado e foi encenado pelo Teatro do Largo, um grupo que nasceu dentro da faculdade de direito do Largo São Francisco e no qual trabalhei durante algum tempo. Mas é com o Resíduo que tenho tido as alegrias de hoje em dia. O trabalho de direção da Luciana Garcia trouxe uma linha para os poemas, criando uma história que conduz o espectador de uma maneira que eu nunca pensei que seria possível. Tenho me sentido abençoado por ter a oportunidade de estar em cartaz na cidade que eu amo, com uma equipe tão talentosa e dizendo esses textos que me dizem tanto respeito. Sou um cara de muita sorte.

Por que você faz teatro?
Faço teatro porque não consigo viver sem isso. É bem simples, na verdade. Já tentei ficar um tempo longe do palco e sempre ficava bem mal. O contato com o texto, com o personagem e, principalmente, com o público me alimenta. Além dessa necessidade quase egoísta, estou em um momento em que de fato acredito que sou um instrumento que pode transmitir os textos do Drummond para pessoas que talvez ainda não o conheçam e, se já o conhecerem, podem começar a vê-lo por ângulos diferentes. O teatro é o veículo que uso para chegar até as pessoas e transmitir tudo o que penso sobre estar vivo!

RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 1.ALTA  Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

O ator Maurício Soares Filho: "No teatro transmito tudo o que penso" - Foto: Bia Serranoni

Resíduo Drummond
Quando: Sábado, 20h, domingo, 18h. 75 min. Até 27/4/2014
Onde: Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi (av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, São Paulo, tel. 0/xx/11 5180-4790)
Quanto: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos


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paulo autran funarte Domingou   Os dilemas de um ator

Paulo Autran em Morte e Vida Severina, direção de Silnei Siqueira, 1969 - Foto: Acervo Funarte

Você pensará em fazer uma novela, pensará em fazer cinema. Você é mais um no meio da multidão... É o amor que vai te mover...

ricardo correa domingou divulgacao Domingou   Os dilemas de um ator

O ator Ricardo Corrêa: amor ao ofício de ator

Por RICARDO CORRÊA*
Especial para o Atores & Bastidores

Com amor à verdade, digo aos artistas de teatro: reze pra dar certo! Além disso, uma boa escola de teatro ajuda, ler todos os grandes autores e mesmo assim concorrer com gente que não sabe nem pronunciar "Godot” do “Beckett”. Daí, torcer muito para fazer uma peça de sucesso. Ter perfil. Saber qual é o teu perfil. Você irá fazer mil testes para comerciais, vai ser editado em um, vai ficar torcendo e saberá mais tarde que seu amigo pegou.  Daí, você pega um de cerveja pra fazer, te reconhecem na rua e passam a acreditar mais em você.

Você pensará em fazer uma novela. Você entra em contato com aquele agente de elenco que seu amigo ator te falou, ele te ignora. Você pensa: o que será que eu fiz? Fique tranquilo. Pra ele você é mais um no meio da multidão. Se você pegar a novela, reze para o contrato se renovar. Porque o dinheiro só vai durar o tempo do contrato.

Você também pode escrever ou produzir algo moderno, que vire hit do momento.  Se você produzir uma peça aumenta um pouco mais o seu ganho. Mas em algum momento vão falar mal de você. Não se assuste. É normal. Seria legal se você fosse indicado a algum prêmio.

Pensará em fazer cinema. Mas como? Conhecer qual produtor de elenco? No cinema você ganha a diária, nome feio, lembra diarista. Aliás, por que será que o ator que fez o filme não ganha por bilheteria?

Abriu aquele edital. Você pode escrever projetos. Você teve aquela ideia ótima e você acredita nela. Mas não tem nenhum nome famoso no teu projeto? Ah, mas aquele grupo conhecido com gente mais famosa pegou? Pegou três editais ao mesmo tempo? É isso acontece! Mas não desista.

Você pode trabalhar durante o dia num shopping e a noite fazer teatro.  Em qual hora do dia você lê o seu livro de teoria sobre o Brecht?

Pode rolar aquela animação de festa, o teatro empresa, monstros em parques... Mudar de profissão.

Você poderá dar aula de teatro. Você vai se deparar com certas dificuldades. Certo? Mas vai que pegue aulas numa escola de formação de atores. Ótimo. Na maioria das vezes, você vai ralar o tchan e não vai ganhar muito. Terá que ir pra lugares distantes, acreditando no poder de transformação que o teatro possui.

Esse poder que o teatro tem é que vai te mover muitas vezes a continuar, inclusive quando pensar em desistir. Mas respire. Fique calmo. É o amor que vai te mover a continuar no teatro.  Esse amor nutre.

Me despeço com amor à verdade.

*Ricardo Corrêa é ator. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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dinheiro getty images Veja dez dicas para ator conseguir ganhar dinheiro

Falta grana: é complicada a vida de quem deseja sobreviver no Brasil como ator - Foto: Getty Images

O ator pode ganhar dinheiro com a sua profissão... Saiba como no texto abaixo:

dionisio neto marcio del nero Veja dez dicas para ator conseguir ganhar dinheiro

O ator Dionisio Neto - Foto: Marcio del Nero

Por Dionisio Neto*
Especial para o Atores & Bastidores

1 - Atuando em uma peça de sucesso. Se for produtor é melhor, senão o salário é baixo mesmo se a peça estourar nas bilheterias. (Se você for o produtor e ganhar dinheiro vão dizer que você está roubando.)

2 - Fazendo comerciais. São 15 nãos para um sim. E o cache que vão te pagar vai te prender por um ano. Ou seja, divida o cachê por 12. É uma miséria.

3 - Fazendo filmes. Aqui se ganha por diaria. É pouco. Se for produtor é melhor. Raramente o ator ganha porcentagem de bilheteria.

4 - Dando aulas de atuação. Uma merreca. Não paga nem o condomínio.

5 - Tendo um contrato de novela. O salário dura o tempo da novela. Raramente se renova. E se renova, demora. Acabando a novela fica-se desempregado.

6 - Tendo um contrato longo com a TV Globo ou Record - dura de 4 a 5 anos. Muitos reclamam de barriga cheia. É a unica maneira de ganhar-se dinheiro mesmo não trabalhando. E no intervalo dá para fazer cinema, publicidade e teatro. É o melhor que há no mercado. Todo o resto é provisório.

7 - Ganhar na loteria. É quase tão fácil quanto manter-se como ator.

8 - Virar produtor e ganhar editais e patrocínios. É tão fácil quanto ganhar na loteria.

9 - Fazendo um personagem popular e ser chamado para campanhas de publicidade. É tão fácil quanto ganhar na loteria.

10 - Mudar de profissão.

Ps. A gente trabalha muito, ganha pouco, mas pelo menos a gente (às vezes) se diverte.

*Dionisio Neto é ator, dramaturgo e diretor. Ele estudou teatro no CPT (Centro de Pesquisa Teatral) de Antunes Filho. Também é formado em letras pela USP (Universidade de São Paulo). Natural de São Luís do Maranhão, vive em São Paulo. Já fez teatro, cinema e TV.

 

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tadeu ibarra foto bob sousa1 Dois ou Um com Tadeu Ibarra

Ator do Teatro do Abandono, Tadeu Ibarra tem chamado a atenção nos palcos de São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

Artista carioca radicado em São Paulo, o ator Tadeu Ibarra é bacharel em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas encontrou sua praia nos palcos. Formado em atuação pela SP Escola de Teatro, recentemente, ele se destacou no espetáculo Entre Ruínas Quase Nada, de seu grupo, o Teatro do Abandono. Tadeu, que não para quieto e é amigo de todo mundo, também integra o Coletivo Mínimo, dirigido por Roberto Áudio do Teatro da Vertigem. Ele topou participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas diretas cheias de possibilidades. Ou não.

Baixo Gávea ou praça Roosevelt?
Cerveja com a Phedra.

Cidade Maravilhosa ou Selva de Pedra?
Aiuruoca, no interior de Minas.

Direito engravatado ou torto no palco?
No palco com $$$...

Praia de Copacabana ou Praia de Cabo Polonio?
Nadar en bolas en el Cabo!

Barba Che Guevara ou rotinho barbeado de yuppie?
Olha pra mim, companheiro!

Elis Regina ou Maria Rita?
Meus ídolos ainda são os mesmos: Elis!

José Mujica ou Dilma Rousseff?
Liberdade pra casar e fumar.

Eu preciso aprender a ser só ou eu preciso aprender a só ser?
Só. Ser.

Maior abandonado ou o nosso amor a gente inventa?
Mentiras sinceras me interessam.

Paixão fugaz ou amor pra sempre?
Um beijo roubado...

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Veja dicas da Agenda Cultural (toda sexta, meio-dia, na Record News)

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tony reis foto eduardo enomoto 2013 1 Conheça Tony Reis, o ator que conquista o público do Oficina de Zé Celso com seu sorriso cativante

Baiano de Salvador, Tony Reis é um dos destaques do elenco do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Tony Reis é despachado. Com o ator baiano de Salvador não tem cara feia. No primeiro diálogo, abre aquele sorriso perfeito e verdadeiro de encantar qualquer um. Está em São Paulo há seis anos. Veio na marra. Tentar o sonho da vida artística. E vê, aos poucos, os projetos virarem realidade. Foi um dos destaques do espetáculo do Oficina Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1, de José Celso Martinez Corrêa e Marcelo Drummond.

Começou cedo no mundo das artes. “Em Salvador, você já nasce fazendo algo artístico. Seus vizinhos batucam, a família brinca de interpretar, tem roda de capoeira, de samba e terreiro em cada esquina”. Assim, afirma que não escolheu a profissão. Foi escolhido por ela.

Leia o especial do Dia da Consciência Negra!

A beleza marcante logo o levou para o caminho da publicidade. Fez muitos comerciais e até uma ponta em uma gravação de Malhação em Salvador. Gostou daquela história de representar.

Correu para os cursos de teatro da Funceb e do Sesc Casa do Comércio. Integrou o grupo Psicodélicos, mas, com o tempo, foi percebendo a dificuldade de ser ator na Bahia. Até que tomou uma decisão importante: se mudar para São Paulo.

tony reis foto eduardo enomoto 2013 2 Conheça Tony Reis, o ator que conquista o público do Oficina de Zé Celso com seu sorriso cativante

Tony é persistente e corre atrás do que quer: no começo, sofreu muito em SP - Foto: Eduardo Enomoto

No começo, sofreu muito. Percebeu de cara que os paulistanos eram bem mais fechados e sisudos que os baianos. Fazer amigos demorou. Acabou conseguindo fazer a série televisiva Som e Fúria, dirigida por Fernando Meirelles, nosso grande cineasta de Cidade de Deus. “Vim na cara e na coragem. Meus amigos me falavam, vá conhecer o teatro do Zé Celso. Você vai adorar”.

Resolveu ir ver Cacilda!!, o segundo espetáculo da saga sobre Cacilda Becker feita por José Celso Martinez Corrêa e Marcelo Drummond. Ficou encantando. “Eu me lembro que falei para mim mesmo: é isso o que quero para minha vida”. Há dois anos, integra o Teat(r)o Oficina. “Fui bem recebido e abençoado”, declara.

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Ganhou os personagens Sargento e Bicha Lili, em O Assassinato do Anão do Caralho Grande, peça de Plínio Marcos dirigida por Marcelo Drummond. Zé Celso viu, gostou e convocou Reis para fazer Macumba Antropofágica. “Foram só lágrimas quando ele me chamou”, recorda.

Em 13 de dezembro de 2013, volta aos palcos do Oficina em Cacilda!!!!, a última peça da saga. “Sempre acreditei que podia e dei minha cara a tapa. O que me fez chegar até aqui foi a coragem. Costumo dizer que o que não me mata me fortalece.”

tony reis foto eduardo enomoto 2013 3 Conheça Tony Reis, o ator que conquista o público do Oficina de Zé Celso com seu sorriso cativante

"Costumo dizer que o que não me mata me fortalece", Tony Reis, ator - Foto: Eduardo Enomoto

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lucas andrade foto eduardo enomoto 2013 Conheça Lucas Andrade, o jovem ator que se destacou como Caetano Veloso em peça do Oficina

Paulistano criado na Penha, zona leste paulistana, Lucas Andrade chamou a atenção do público paulistano ao interpretar Caetano Veloso na peça Cacilda!!!, no Teat(r)o Oficina de Zé Celso - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

No mais recente espetáculo de José Celso Martinez Corrêa, Cacilda!!! Glória no TBC – Capítulo 1, escrito em parceria com Marcelo Drummond, o jovem ator paulistano Lucas Andrade, de apenas 18 anos, viveu dois personagens de destaque. Interpretou o estudante Edson Luís, morto pela ditadura militar em 1968, e também o cantor e compositor baiano Caetano Veloso. Seu charme e sotaque baiano em cena chamaram a atenção de todos os espectadores.

Criado na Penha, na zona leste de São Paulo, ele começou a fazer teatro na escola, sob instrução do professor e ator José Barbosa. Tinha apenas 11 anos, mas sentiu que seu rumo era o palco. “Logo procurei o projeto Teatro Vocacional, da Prefeitura de São Paulo. Fazia aulas de teatro no CEU Quintas do Sol”, lembra.

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Com o tempo, veio o desejo de “aprofundar mais”. “Eu queria me profissionalizar como ator”, diz. Foi para o Estúdio de Treinamento Artístico (ETA), na Bela Vista, região central de São Paulo. Aos 16 anos, entrou para a Cia. Naturalis. “Meu primeiro espetáculo foi O Pacto, da diretora Poliana Pitteri, em 2012, no Studio 184, ali na praça Roosevelt”, recorda.

lucas andrade foto eduardo enomoto 2013 2 Conheça Lucas Andrade, o jovem ator que se destacou como Caetano Veloso em peça do Oficina

Aos 18 anos, Lucas Andrade começou a fazer teatro com 11 anos na escola - Foto: Eduardo Enomoto

Foi conhecendo gente e se enturmando. Até que veio o convite para desfilar na ala cênica da escola de samba Nenê de Vila Matilde, capitaneada pelos integrantes do Teat(r)o Oficina de Zé Celso. “A Elisete Jeremias, o Zé [Celso] e o Tony [Reis] gostaram muito de mim e me deram força para entrar no grupo. Já tinha visto o espetáculo Macumba Antropofágica e havia gostado muito”.

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Para o quarto espetáculo sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!!, que estreia no Oficina em 13 de dezembro, já está escalado para personagens importantes. “Um dos personagens será uma homenagem à primeira atriz negra do TBC [Teatro Brasileiro de Comédia]”.

Sobre ter virado Caetano em Cacilda!!!, o jovem teoriza: “Eu não tenho cara de Caetano, tenho cara de Gil. No delírio do Zé Celso, o Gil adolescente virou Caetano”. E o que o jovem Lucas acha do Caetano dos tempos atuais, quase cinquenta anos depois do Caetano que ele interpreta? “Hoje, o Caetano ficou mais careta... Na verdade, eu não sei qual está sendo a do Caetano. Eu prefiro a música dele”. As do presente ou as do passado? “As do passado”.

lucas andrade foto eduardo enomoto 2013 3 Conheça Lucas Andrade, o jovem ator que se destacou como Caetano Veloso em peça do Oficina

“Eu não tenho cara de Caetano, tenho cara de Gil. No delírio do Zé Celso, o Gil adolescente virou Caetano”, diz Lucas Andrade, um dos caçulinhas do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

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jorge doria gaiola das loucas Sem preconceito com o riso farto, Jorge Dória foi um dos grandes nomes de nossa comédia teatral

Jorge Dória (à esq.) com Carvalhinho em A Gaiola das Loucas, 1994, dirigida por Jorge Fernando - Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O carioca Jorge Pires Ferreira, o nosso ator Jorge Dória, que morreu nesta quarta (6), aos 92 anos, vítima de complicações renais e cardiorrespiratórias, deixa um verdadeiro rombo no teatro brasileiro.

Ator de comédia de raro talento, ele soube como poucos cavar a gargalhada genuína e inteligente em suas plateias.

Se seu rosto se tornou conhecido e admirado nacionalmente por conta do alcance da televisão, mas sua carreira deu importantes passos no palco do teatro brasileiro, onde foi o preferido de diretores como Domingos de Oliveira e João Bethencourt.

Tudo começou em 1940, quando entrou para a Companhia Eva Todor, na qual permaneceu por uma década girando o país ao lado da grande estrela, como conta a Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro.

Nos anos 1960, conseguiu a glória de ter um texto escrito por Vinícius de Moraes – em parceria com Pedro Bloch e Gláucio Gil – para interpretar no palco, Procura-se uma Rosa, cuja direção foi assumida por Léo Jusi.

Em 1973, outro marco: Dr. Fausto da Silva, de Paulo Pontes com direção de ninguém menos do que Flávio Rangel.

Peça polêmica em plena ditadura

A experiência farta lhe deu coragem para assumir nos anos 1970 a produção de suas peças, colocando na direção o parceiro João Bethencourt.

gaiola 1974 funarte 300x226 Sem preconceito com o riso farto, Jorge Dória foi um dos grandes nomes de nossa comédia teatral

Cena de A Gaiola das Loucas na montagem de 1974, com Jorge Dória ao centro: homossexualidade retratada no palco em plena ditadura militar - Foto: Acervo Funarte

Assim, vieram Plaza Suíte em 1971, Chicaco 1930, no ano seguinte, Freud Explica, Explica, em 1973, A Gaiola das Loucas, em 1974 - um marco por tratar do tema da homossexualidade em plenos anos de chumbo da ditadura - , Sodoma, o Último a Sair Apague a Luz, de 1978, e O Senhor É Quem, de 1980.

Nos anos 1980, se aproxima do diretor Domingos de Oliveira, com quem vai trabalhar em Amor Vagabundo (ou Eternamente Nunca) em 1982, em Escolas de Mulheres, de 1984 – que lhe rendeu o Prêmio Mambembe de melhor ator –, em A Morte do Caixeiro Viajante, de 1986, e em Os Prazeres da Vida, de 1987.

Dória também foi dirigido por Wolf Maya nos palcos em 1983, em Belas Figuras, peça de Ziraldo. José Renato também foi outro diretor com quem trabalhou em 1988 na peça A Presidenta.

Suas peças mais recentes foram O Senhor É Quem, com texto e direção de João Bethencourt, em 1993, a remontagem de A Gaiola das Loucas com direção de Jorge Fernando, estrondoso sucesso em 1994; e a derradeira, em 1999, O Avarento, de Molière, com direção de João Bethencourt. É curioso observar que esta também foi a última peça feita por Paulo Autran.

De forte carisma cênico, Jorge Dória ficou conhecido por fazer os espetáculos adequarem-se a ele, que tinha total domínio da plateia e uma veia cômica natural e inesquecível. Para despeito da crítica, no palco fazia o que bem lhe entendesse. Porque tinha certeza que do seu ofício quem mais sabia era ele próprio.

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enio goncalves Familiares e amigos se despedem de Ênio Gonçalves em SP; ator morreu de insuficiência renal

Ator e diretor gaúcho, Ênio Gonçalves morreu aos 70 anos, vítima de insuficiência renal - Foto: Reprodução

Por Miguel Arcanjo Prado

Familiares e amigos do ator e diretor Ênio Gonçalves realizaram a cerimônia de despedida do artista neste domingo (6), no Crematório da Vila Alpina, em São Paulo, onde o corpo será cremado nesta segunda (7), apurou o R7.

EnioGon alves Wanderleia filme JuventudeeTernura 1968 Familiares e amigos se despedem de Ênio Gonçalves em SP; ator morreu de insuficiência renal

Ênio fez par com a cantora Wanderléa no filme Juventude e Ternura, de 1968 - Foto: Divulgação

O velório foi realizado no Cemitério do Araçá desde a noite de sábado até o fim da manhã deste domingo.

Gaúcho de Porto Alegre, Ênio tinha 70 anos – completados no último dia 28 de agosto – e morreu vítima de insuficiência renal neste sábado (5). Ele vivia em São Paulo.

O artista teve importante papel no teatro, no cinema e na TV.

Trabalhou em mais de 20 novelas, como Meu Pé de Laranja Lima, Pedra sobre Pedra e Páginas da Vida; 40 filmes, como Juventude e Ternuna e Garota do ABC; e 50 espetáculos teatrais, entre os quais Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues, no qual contracenou com Cleyde Yáconis, na histórica montagem de 1965 dirigida por Ziembinski.

Ênio foi casado por três vezes: com Miriam Mehler, Maria Isabel de Lisandra e Mara Faustino. O ator deixa duas filhas, Fernanda e Manuella Gonçalves.

enio goncalves cleyde Familiares e amigos se despedem de Ênio Gonçalves em SP; ator morreu de insuficiência renal

Cleyde Yáconis (Geni) agarra Ênio Gonçalves (Serginho) em Toda Nudez Será Castigada - Foto: Arquivo Funarte

Leia a crítica do novo espetáculo de Antunes Filho!

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