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melhores teatro 2012 r7 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Ano de 2012 foi de muitas boas novidades no teatro brasileiro; você escolhe as melhores!

O ano de 2012 foi de muitas novidades teatrais aqui no Atores & Bastidores do R7, espaço no qual as cortinas sempre estiveram abertas para as artes do palco. Como não poderia deixar de ser, em nosso primeiro ano, ninguém melhor do que você, nosso fiel internauta, para escolher quem foram os Melhores do Teatro R7 2012.

O crítico Miguel Arcanjo Prado e o fotógrafo Bob Sousa, que acompanham de perto a cena teatral, escolheram cinco grandes destaques em 16 diferentes categorias: Espetáculo, Diretor, Ator, Atriz, Autor, Revelação, Iluminação, Cenário, Figurino, Personalidade, Trilha/Música, Festival, Grupo, Projeto, Teatro e Instituição. Agora, você escolhe, abaixo, quem merece ganhar em cada categoria. A votação vai até o dia 27 de dezembro, quando o resultado será publicado aqui no blog.

Que vençam os melhores!

Espetáculo

1 melhor espetaculo 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Bichado, Máquina de Dar Certo, O Livro de Itens do Paciente Estevão, Pessoas Absurdas e Priscilla

Qual o melhor espetáculo Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Bichado
    48.4%
  • Máquina de Dar Certo
    32.5%
  • O Livro de Itens do Paciente Estevão
    7.5%
  • Pessoas Absurdas
    3.6%
  • Priscilla - Rainha do Deserto
    8%

Diretor

2 melhor diretor 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Diretor: Felipe Hirsch, Marco Antonio Braz, Roberto Alvim, Roberto Audio e Zé Henrique de Paula

Qual o melhor diretor Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Felipe Hirsch (O Livro de Itens do Paciente Estevão)
    3.3%
  • Marco Antonio Braz (Boca de Ouro e A Falecida)
    2.5%
  • Roberto Alvim (Projeto Peep Clássic Ésquilo)
    39.7%
  • Roberto Audio (Máquina de Dar Certo)
    8.6%
  • Zé Henrique de Paula (Bichado, Mormaço, No Coração do Mundo e Senhora dos Afogados)
    46%


Ator

3 melhor ator 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Ator: Danilo Ghrangheia, Eric Lanate, Giordano Castro, Rodolfo Lima e Tiago Abravanel

Qual o melhor ator Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Danilo Grangheia (O Livro de Itens do Paciente Estevão)
    0.3%
  • Eric Lenate (No Coração do Mundo)
    51.9%
  • Giordano Castro (Um Torto e Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você)
    38.7%
  • Rodolfo Lima (Réquiem para um Rapaz Triste)
    8.7%
  • Tiago Abravanel (Tim Maia - Vale Tudo)
    0.4%


Atriz

4 melhor atriz 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Atriz: Dani Barros, Einat Falbel, Juliana Galdino, Luciana Paes e Vera Holtz

Quem foi a melhor atriz Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Dani Barros (Estamira - Beira do Mundo)
    2.5%
  • Einat Falbel (Bichado)
    65.4%
  • Juliana Galdino (Oresteia)
    24.2%
  • Luciana Paes (Ficção)
    6.1%
  • Vera Holtz (Palácio do Fim)
    1.7%

Autor

5 melhor autor 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Autor: Aldri Anunciação, Cássio Pires, Franz Klepper, Newton Moreno e Ricardo Inhan

Quem foi o melhor autor Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Aldri Anunciação (Namíbia, Não!)
    48.7%
  • Cássio Pires (Ifigênia)
    46.3%
  • Franz Klepper (Córtex e Camille e Rodin)
    1.9%
  • Newton Moreno (Maria do Caritó e Terra Santa)
    0.6%
  • Ricardo Inhan (Mormaço)
    2.4%

Revelação

6 revelacao 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Revelação: André Torquatto, Bárbara Bonnie, Luna Martinelli, Marba Goicochea e Marcos de Andrade

Quem foi a revelação Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • André Torquato (Priscilla - Rainha do Deserto)
    0.1%
  • Bárbara Bonnie (Barafonda e Senhora dos Afogados)
    53.6%
  • Luna Martinelli (Limpe Todo Sangue Antes que Manche o Carpete)
    10.3%
  • Marba Goicochea (Máquina de Dar Certo)
    36%
  • Marcos de Andrade (Toda Nudez Será Castigada)
    0.1%


Iluminação

7 iluminacao 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Iluminação: Breu, Cabaret Stravaganza, No Coração do Mundo, Os Bem-Intencionados e SP Surrealista

Qual a melhor iluminação Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Breu (Tomás Ribas)
    0.5%
  • Cabaret Stravaganza (Rodolfo García Vázquez e Léo Moreira Sá)
    3.3%
  • No Coração do Mundo (Fran Barros)
    10.9%
  • Os Bem-Intencionados (Nadja Naira)
    24.7%
  • SP Surrealista (Rodrigo Alves)
    60.6%


Cenário

8 cenario 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Cenário: A Família Addams, Bichado, Rabbit, Satyros' Satyricon (Trincha, Satyricon e Suburra) e Vermelho

Qual o melhor cenário Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • A Família Addams (Phelim McDermott e Julian Crouch)
    0.6%
  • Bichado (Zé Henrique de Paula)
    3.2%
  • Rabbit (Eric Lenate)
    63.6%
  • Satyros' Satyricon - Trincha, Satyricon e Suburra (Criação coletiva)
    32.3%
  • Vermelho (Jorge Takla)
    0.3%


Figurino

9 figurino 20121 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Figurino: Acordes, Cabaret Stravaganza, Hamlet, No Coração do Mundo, Priscilla, Rainha do Deserto

Qual o melhor figurino Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Acordes (Sônia Ushiyama Souto)
    22.7%
  • Cabaret Stravaganza (Daíse Neves)
    64%
  • Hamlet (Cássio Brasil)
    2.1%
  • No Coração do Mundo (Zé Henrique de Paula)
    9.2%
  • Priscilla - Rainha do Deserto (Tim Chappel e Lizzy Gardiner)
    1.9%


Personalidade

10 personalidade 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Personalidade: Cleyde Yáconis, Maria Alice Vergueiro, Phedra D. Córdoba, Renato Borghi e Zé Celso Martinez Corrêa

Qual a personalidade Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Cleyde Yáconis
    1.5%
  • Maria Alice Vergueiro
    39.5%
  • Phedra D. Córdoba
    50.2%
  • Renato Borghi
    0.7%
  • Zé Celso Martinez Corrêa
    8.1%


Trilha/Música

11 trilha musica 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Trilha/Música: Acordes, Máquina de Dar Certo, Priscilla - Rainha do Deserto, Senhora dos Afogados e Tim Maia

Qual a melhor trilha/música Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Acordes
    29.7%
  • Máquina de Dar Certo
    25.5%
  • Priscilla - Rainha do Deserto
    1.8%
  • Senhora dos Afogados
    41.4%
  • Tim Maia - Vale Tudo
    1.6%


Festival

12 festival 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Festival: Festival de Curitiba, FIT-BH, Mostra Fomento Dez Anos, Mirada e Satyrianas

Qual o melhor festival Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Festival de Curitiba (PR)
    66%
  • FIT-BH (MG)
    0.7%
  • Fomento Dez Anos (SP)
    2.4%
  • Mirada (Santos-SP)
    0.9%
  • Satyrianas (SP)
    29.9%

Grupo

13 grupo 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Grupo: Clowns de Shakespeare, Cia. Bruta de Arte, Cia. Estável, Cia. São Jorge de Variedades e Grupo Magiluth

Qual o melhor grupo Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Clowns de Shakespeare
    1.5%
  • Cia. Bruta de Arte
    4.2%
  • Cia. Estável
    15.2%
  • Cia. São Jorge de Variedades
    41%
  • Grupo Magiluth
    38.2%


Projeto

14 projeto 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Projeto: Barafonda, Bom Retiro - 978 Metros, Galpão 30 anos, Agosto 100 Nelson e Nova Cena Nordestina

Qual o melhor projeto Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Barafonda
    52.9%
  • Bom Retiro - 978 Metros
    8%
  • Galpão 30 Anos
    7.3%
  • Agosto 100 Nelson
    11.7%
  • Nova Cena Nordestina
    20.1%


Teatro

15 teatro 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Teatro: Anchieta - Sesc Consolação, Club Noir, Espaço dos Parlapatões, Núcleo Experimental e Viga Espaço Cênico

Qual o melhor Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Anchieta - Sesc Consolação
    5.9%
  • Club Noir
    38.4%
  • Espaço dos Parlapatões
    2.6%
  • Núcleo Experimental
    51.6%
  • Viga Espaço Cênico
    1.5%


Instituição

16 instituicao 2012 Escolha os Melhores do Teatro R7 em 2012

Instituição: Cooperativa Paulista de Teatro, Funarte, Sesc-SP, SP Escola de Teatro e Tusp

Qual é a melhor instituição Teatro R7 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Cooperativa Paulista de Teatro
    2.6%
  • Funarte
    1.8%
  • Sesc-SP
    10.1%
  • SP Escola de Teatro
    83.1%
  • Tusp
    2.4%

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cleo de paris luiz antonio jr muso musa teatro r7 Luiz Antônio Jr. e Cléo de Páris são Muso e Musa do Teatro R7 no mês de setembro de 2012

Luiz Antônio Jr. e Cléo de Paris tiveram maioria absoluta dos votos dos internautas e foram eleitos o Muso e a Musa do Teatro R7 no mês de setembro de 2012 - Fotos: Arquivo Pessoal

Por Miguel Arcanjo Prado

Uma votação acirrada aqui no Atores & Bastidores elegeu os Musos do Teatro R7 em setembro de 2012.

Luiz Antônio Jr. é o Muso do Teatro R7. Ele é ator e diretor de A Outra Cia. de Teatro, de Salvador, que fez temporada em São Paulo, na Funarte, em setembro, com as peças Remendo Remendó e Mar me Quer. Ele teve 2.316 votos, 51,6% do total, maioria absoluta.

Em segundo lugar na votação masculina ficou Rodrigo Eloi, jornalista cultural, com 1.134 votos, o que corresponde a 25,3% do total. Já, em terceiro, ficou João Paulo Lorenzon, ator de Eu Vi o Sol Brilhar em Toda a Sua Glória, com 682 votos, ou 15,3%.

muso luizantoniojr Luiz Antônio Jr. e Cléo de Páris são Muso e Musa do Teatro R7 no mês de setembro de 2012

Cléo de Páris é a Musa do Teatro R7. Ela é atriz de Os Satyros, grupo de São Paulo, e integrou, em setembro, os elencos das peças Vestido de Noiva e Cabaret Stravaganza. Ela teve 2.426 votos, 54,8% do total, maioria absoluta.

Em segundo lugar na competição feminina ficou Sandra Modesto, atriz de Luiz Antônio - Gabriela, com 1.531 votos, ou seja, 34,6% do total. Em terceiro lugar ficou Renata Calmon, atriz de Valsa Nº 6, com 264 votos, o que corresponde a 6%.

musa cleodeparis Luiz Antônio Jr. e Cléo de Páris são Muso e Musa do Teatro R7 no mês de setembro de 2012

Em breve, aqui no blog, uma reportagem especial e ensaio fotográfico com os dois vencedores.

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diego gazin capa foto miguelarcanjoprado1 Diego Gazin, o ator que faz acontecer

Diego Gazin é destaque do musical infantil de sucesso A Galinha Pintadinha - Fotos: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

Quem vai ao musical infantil A Galinha Pintadinha não imagina quantas histórias moram detrás dos atores no palco. Um deles, responsável por quatro personagens – o pai, o motorista, o fotógrafo e o sapo – tem muito o que contar.

Quando Diego Gazin desembarcou na rodoviária Barra Funda, em São Paulo, em 2000, com apenas 17 anos, só tinha um sonho: que as coisas dessem certo na carreira de ator que construiria a partir dali. Vinha sozinho da pequena Santa Fé, município de 10 mil habitantes no interior do Paraná.

diego gazin texto foto miguelarcanjoprado Diego Gazin, o ator que faz acontecerAprendeu logo que nada acontece da noite para o dia. Sofreu, chorou, correu atrás, levou muita porta na cara. Quase desistiu. Quis o destino que as coisas começassem a acontecer justo no dia em que resolveu que não era para ele aquela vida de batalha sem resultado. Assim foi. Aos poucos. Degrau a degrau.

Outro dia, sua mãe, Ivonete, viajou até São Paulo para vê-lo no palco. Apesar de o espetáculo ser para cima, chorou ao ver o filho num espaço nobre da metrópole, sendo aplaudido pelo público elegante que lotava o Teatro das Artes, no Shopping Eldorado. Foi testemunha da concretização daquela determinação do primogênito de seus três filhos com o comerciante Carlos Gazin. Um dia inesquecível para os dois.

Foi fazendo cursos na cidade natal com professores que vinham de Londrina e Curitiba que Diego resolveu que seria ator. Tinha uns 10, 11 anos. Sabia que debaixo das asas dos pais não teria chance alguma. Era preciso cair no mundo, se arriscar. Filho de família simples, chegou à conclusão que teria de ser por conta própria.

São Paulo foi cruel no começo. Como costuma ser aos forasteiros que se aventuram entre seus prédios e viadutos cinzas. Pegou muito trem lotado e comeu muito miojo. Diz que nunca deixou de ter fé em Deus. Por isso, não foi engolido pela cidade.

Mesmo diante do pouco que ganhava, o dinheiro do curso de teatro no Macunaíma sempre foi sagrado. Formou-se em 2004, com a peça O Pecado de João Agonia. A mãe veio também.

Demorou, mas desde 2006 consegue viver apenas da profissão de ator. Além de trabalhos nos palcos, faz publicidade, que ajuda a segurar as pontas. Quando fica tranquilo, ouve MPB, corre no Ibirapuera ou fica de bobeira em casa, acompanhando Laura Cardoso e Osmar Prado na TV, seus ídolos.

A primeira grande montagem foi em 2007, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, com direção de Vladimir Capella, no extinto Teatro Imprensa capitaneado por Cintia Abravanel, produtora responsável pelo lançamento de muitos talentos jovens. Desde então, as coisas melhoraram. E acontecem para ele, que não marca bobeira.

— É claro que tem hora que dá vontade de parar e de desistir. Mas aí eu penso no monte de coisas que já consegui construir. E se tem uma coisa que eu aprendi é que se a oportunidade não vem até você, você precisa ir atrás da oportunidade.

Hoje, com a maturidade que só a experiência dá, Diego quer mais. Fazer cinema e televisão. Realizar o sonho daquele menino simples de Santa Fé que subiu no ônibus com vontade de vitória.

diego gazin abaixo foto miguelarcanjoprado Diego Gazin, o ator que faz acontecer

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Por Miguel Arcanjo Prado

por pouco Ganhe um par de entradas para a pré estreia para convidados do espetáculo Por Pouco, em São PauloDois internautas do Atores & Bastidores vão ganhar um par de entradas cada um para assistir à pré-estreia para convidados do espetáculo Por Pouco, nesta quinta (20), às 21h, no Teatro Aliança Francesa (r. General Jardim, 182, República, São Paulo).

Para concorrer basta comentar este post do blog (basta clicar logo abaixo do título, à direita), deixando o e-mail e respondendo à pergunta: “o que é mais importante na vida?”.

Os autores das duas melhores respostas ganharão dois ingressos cada um. O resultado será dado nesta quarta (19), às 15h. Saiba quem ganhou!

A comédia dramática com Ilvio Amaral e Maurício Ganguçu fala de dois homens que descobrem ter uma doença terminal e resolvem aproveitar a vida de verdade.

A peça entra em cartaz para o público a partir de sexta (21) e fica até 16 de dezembro de 2012, sempre às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h. O ingresso custa R$ 30 (sexta e domingo) e R$ 40 (sábado).

A montagem tem ainda os atores Flávia Fernandes e Marcelo Aquino e direção de Ary Coslov. O texto do francês Samuel Bechetrit, traduzido por Jacqueline Laurence, é inédito no Brasil.

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barbara bonnie foto miguel arcanjo prado 1 Bárbara Bonnie, uma grande atriz em formação

Talentosa, Bárbara Bonnie se divide entre muitos ensaios e peças - Fotos: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

Bárbara Bonnie sabe o que quer. Talvez, por isso, seja tão interessante. Faz, não vacila. Corre atrás com ritmo e velocidade. Falar com ela é complicado. A menina de 25 anos não para.

Brinco que é mais fácil conseguir entrevistar Juliana Paes do que marcar um horário com ela. Ela ri, sentada na plateia do Teatro do Núcleo Experimental já vestida com as roupas de Moema, a protagonista da peça Senhora dos Afogados.

Conta que também está em cartaz em outra peça, o infantil Canção de Amor em Rosa, além de fazer a websérie Botolovers, dirigida por Caroline Fioratti, com mais de 40 mil visualizações no YouTube – sua primeira incursão no vídeo. Vive uma jovem com dois namorados.

Como se não bastasse, se prepara para estrear até o fim do ano Judas em Sábado de Aleluia, também com o Núcleo Experimental do diretor Zé Henrique de Paula, além de fazer de publicidade sempre que pinta.

—Já não tenho mais vida. Vivo das personagens.

barbara bonnie foto miguel arcanjo prado dentro Bárbara Bonnie, uma grande atriz em formação

Bárbara Bonnie: tempo curto para atriz frenética e em movimento - Fotos: Miguel Arcanjo Prado

Dias antes da entrevista, numa correria danada, ela conseguiu dar um pulo na sede da Record, na Barra Funda, onde fizemos as fotos que ilustram essa reportagem. O sol do meio dia não a deixava abrir os olhos. Ela ria por conta disso... Diante da agenda corrida, a conversa ficou para depois.

Bárbara Bonnie chamou a atenção do blog quando interpretava uma cantora de rádio no espetáculo de rua Barafonda, com a Companhia São Jorge de Variedades. Barbara cantava e parava os transeuntes.

De volta à plateia do Núcleo, ela conta que nasceu em São Paulo, mas é filha de pais baianos, seu Waldir Oliveira e dona Vanda Santana. Tem um irmão mais novo, Leo, de 23 anos, que sonha em ser músico.

Foi criada na região do Ipiranga, na zona sul da cidade. Desde pequenina só queria uma coisa: ser atriz. Aos 14, chegou em suas mãos um panfleto do Teatro Escola Macunaíma. Não pensou duas vezes e levou o curso a sério até o fim.

Na peça de formatura, fez Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, com direção do mesmo Zé Henrique de Paula, então seu professor. Naquele momento, não era a protagonista, Moema, como agora. Fazia papel pequeno. Era uma das prostitutas do cais.

Depois, fez graduação de Artes do Corpo, na PUC-SP. Em 2010, fez o CPTezinho, o curso para atores iniciantes de Antunes Filho no Sesc Consolação. Diz que “aprendeu a respirar” com o mestre.

Do CPT, partiu para a turma da Barra Funda, ao entrar para a Cia. São Jorge de Variedades. Participou desde o início do projeto de Barafonda, o aclamado espetáculo que contou a história do bairro operário.

— A Georgette Fadel [diretora da peça] foi da minha banca no TCC [Trabalho de Conclusão de Curso] na PUC. Foram dois anos de pesquisa para Barafonda existir.

O fato de ter virado uma cantora na peça – Bárbara também canta em Senhora dos Afogados – não foi por acaso. Fã de Chico Buarque, sempre gostou de cantar. Na adolescência, criou com amigos do prédio a banda de reggae Mariola Roots. Ela ri ao lembrar desses tempos, mas fala que os outros integrantes são seus amigos até hoje. Diz que foram eles quem a elegeram em junho deste ano a Musa do Teatro R7, ao votarem em seu nome aqui no Atores & Bastidores.

— Foi muito engraçado, porque usamos o conceito de musa da rádio para criar minha personagem em Barafonda. Atravessava a cidade cantando vestida de vermelho de bolinha em cima de uma bicicleta amarela. E depois eu virei Musa do Teatro R7. Brinco que alcancei o objetivo da personagem [risos].

Quando fica triste ou feliz, costuma ouvir Carta ao Tom, de Toquinho e Vinícius. É só começar a escutar os versos "Rua Nascimento Silva, 107, você ensinando pra Elizete..." que se sente bem.

Sobre a vida amorosa, diz que está bem, mas não prefere guardar seu amor só para si. Quando mudo o assunto para onde ela quer chegar, responde de uma vez só, sem pestanejar, daquele jeito intenso e enfático que Bárbara Bonnie tem.

— Eu quero me tornar uma grande atriz.

Pelo jeito, já é.

barbara bonnie foto miguel arcanjo prado poster Bárbara Bonnie, uma grande atriz em formação

A Musa do Teatro R7 Bárbara Bonnie tem um sonho: "ser uma grande atriz" - Fotos: Miguel Arcanjo Prado

 

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Teatro do Núcleo Experimental1 Teatro do Núcleo Experimental tem peça todo dia

Fachada do Teatro do Núcleo Experimental, na rua Barra Funda, 637: espetáculos de segunda a segunda

Por Miguel Arcanjo Prado

Os artistas veteranos costumam se lamuriar dos tempos em que o teatro abria todos os dias da semana, sempre com público, décadas atrás.

Pois o Teatro do Núcleo Experimental, na rua Barra Funda, 637, em São Paulo, conquistou tal proeza.

Funciona de segunda a segunda, sempre com uma peça em cartaz.

No momento, apresenta Senhora dos Afogados, de sexta a segunda, e Mormaço, de terça a quinta.

E o melhor: o público comparece todos os dias na semana.

ze henrique de paula1 Teatro do Núcleo Experimental tem peça todo dia

Zé Henrique de Paula: aposta deu certo

Diretor das duas montagens e do espaço, Zé Henrique de Paula comemora, em conversa descontraída com o R7 na última segunda, enquanto a sessão na começava.

—Estamos aqui há seis meses e achamos que agora era o momento apropriado para colocar peças em cartaz a semana inteira. Provamos que é possível. Lembro que no começo insistimos muito na sessão de segunda à noite. Ela acabou sendo uma sessão ideal para a turma do teatro, da imprensa e para aqueles que trabalham no fim de semana.

Zé conta que em breve mais um horário será aberto para o teatro infantil, aos sábados e domingos, às 16h, com a peça Canção de Amor em Rosa, dirigida por Fernanda Maia com músicas do compositor carioca Noel Rosa.

A produtora do Núcleo Experimental, Claudia Miranda, conta que foi um trabalho de formiguinha atrair o público para um dos mais novos teatros da cidade.

—Fizemos um trabalho de divulgação do espaço com os moradores do entorno e também procuramos fazer parcerias com escolas. E deu resultado. Estamos aqui há seis meses e nunca tivemos de cancelar uma sessão por falta de público.

O diretor e ator Eric Lenate é um dos que fazem questão de frequentar o espaço e é fã do cafezinho servido no Café do Núcleo, que funciona no local. Como está com duas peças com direção sua em cartaz, Um Verão Familiar, no Sesc Belenzinho, e Rabbit, no Teatro Eva Herz, ele é habitué das sessões de segunda-feira no Núcleo Experimental.

— Acho incrível a proposta, porque ressuscitou a velha tradição do teatro paulista, de ter sessões todos os dias. O Núcleo Experimental mostra que isso é possível, graças ao repertório de qualidade que mantém. O público vê uma obra, gosta e volta.

teatro nucleo experimental senhoradosafogados mormaco Teatro do Núcleo Experimental tem peça todo dia

As duas peças em cartaz no Núcleo: Senhora dos Afogados (à esq.) e Mormaço (à dir.)

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O mês chega ao fim e você, caro internauta do Atores & Bastidores, tem a missão de escolher quem merece o título de Musa e Muso do Teatro R7 em agosto de 2012.

O resultado da votação será publicado aqui no blog na próxima segunda (3). Depois, o blog fará um ensaio fotográfico e um perfil especial com os vencedores.

Veja, abaixo, as indicadas ao título de Musa do Teatro R7 e dê seu voto!

musa bibi ferreira Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Bibi Ferreira (Bibi, Histórias & Canções)
musa claudia raia Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Claudia Raia (Cabaret)
musa daniela rocha rosa Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Daniela Rocha Rosa (Boca de Ouro)
musa eloisa vitz Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Eloisa Vitz (Boca de Ouro)
musa kiara sasso Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Kiara Sasso (New York, New York)
musa louise helene schlemm Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Louise Helene Schlemm (Godspell)

Quem foi a musa do teatro em agosto de 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Bibi Ferreira (Bibi, Histórias & Canções)
    1.5%
  • Claudia Raia (Cabaret)
    1.6%
  • Daniela Rocha Rosa (Boca de Ouro)
    3.5%
  • Eloisa Vitz (Boca de Ouro)
    54.3%
  • Kiara Sasso (New York, New York)
    6.1%
  • Louise Helene Schlemm (Godspell)
    33%

Veja, abaixo, os atores indicados ao título de Muso do Teatro R7 e dê seu voto!

muso ivam cabral Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Ivam Cabral (Vestido de Noiva)
muso leandro luna Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Leandro Luna (Priscilla, Rainha do Deserto)
muso luiz antonio jr Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Luiz Antônio Jr. (Mar me Quer e Remendo, Remendó)
muso mario sergio cabral Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Mario Sergio Cabral (Viúva, porém Honesta)
muso valmir martins Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Valmir Martins (Mormaço)
muso vladimir brichta Escolha a Musa e o Muso do Teatro R7 de agosto
Vladimir Brichta (Arte)

Quem foi o muso do teatro em agosto de 2012?

Esta enquete está encerrada
  • Ivam Cabral (Vestido de Noiva)
    0.8%
  • Leandro Luna (Priscilla, Rainha do Deserto)
    2.7%
  • Luiz Antônio Jr. (Mar me Quer e Remendo, Remendó)
    33.7%
  • Mario Sergio Cabral (Viúva, porém Honesta)
    36.2%
  • Valmir Martins (Mormaço)
    26.3%
  • Vladimir Brichta (Arte)
    0.3%

[r7video http://videos.r7.com/saiba-tudo-o-que-vai-rolar-na-agenda-cultural-deste-fim-de-semana-1-e-2-/idmedia/5040fd83fc9b5f2856885a19.html]

 
 
 

 

A Outra Companhia esquenta SP com calor baiano

Bob Sousa tem acervo preservado pela Unesp; leia entrevista com o fotógrafo apaixonado pelo teatro

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autorretrato bob sousa Bob Sousa tem acervo preservado pela Unesp; leia entrevista com o fotógrafo apaixonado pelo teatro

O fotógrafo paulistano Bob Sousa em autorretrato para o blog

Por Miguel Arcanjo Prado

O fotógrafo teatral Bob Sousa, parceiro do Atores & Bastidores, está feliz da vida. Parte de seu acervo fotográfico de quase uma década e com cerca de 30 mil imagens está sendo documentada às novas gerações pela Unesp (Universidade Estadual de São Paulo).

Doze alunos trabalham na catalogação das imagens, que serão disponibilizadas gratuitamente ao público no site da instituição.

O professor do Instituto de Artes da Unesp Alexandre Mate, responsável pela iniciativa do projeto Teatro sem Cortinas, diz ao R7 que “a importância das fotos do Bob Sousa é fundamental”, sobretudo no contexto da criação de um Portal de História do Teatro.

— Trata-se de um olhar que concilia sensibilidade e agudeza com relação aos produtores de cultura, imagens que ficarão, imprimindo um modo ou um olhar de um sujeito sensível que tenta captar o sensível também do seu fotografado. Nas fotos do Bob tem-se o sujeito, despido de certa e imposta glamourização: o sujeito que tende a expressar a si, talvez de modo mais simples e mais inteiro.

Bob, que vai lançar aguardado livro com cem de seus retratos em 2013, falou ao blog sobre este momento importante em sua carreira, que simboliza mais uma etapa de reconhecimento a seu incansável trabalho. Leia a entrevista:

R7 – Por que você resolveu fotografar teatro?
Bob Sousa – Sempre me interessei muito por teatro e fotografia. Sou formado em publicidade e o teatro me acompanhou em toda a adolescência. O Grupo Ornitorrinco fez minha adolescência mais feliz.

R7 – Quem lhe ajudou no começo da carreira?
Bob Sousa – Marco Aurélio Olímpio, fotógrafo de MPB, foi meu grande mestre e apoiador. No teatro, tive uma conversa definitiva com Ivam Cabral [criador do grupo Os Satyros] numa edição das Satyrianas [evento teatral de primavera que ocupa a praça Roosevelt, no centro paulistano]. Ele me perguntou: "Você já parou para pensar que está construindo um dos maiores acervos de fotografia de teatro do nosso tempo? Nunca desista". Devo muito a ele e a essa conversa. Essa noite mudou minha percepção sobre o meu trabalho.

R7 – Quais fotógrafos você tem como referência?
Bob Sousa – No teatro: João Caldas, Lenise Pinheiro e Emidio Luisi. O Marcio Scavone sempre foi minha referência na arte de retratar pessoas.

R7 – Quando e como você começou?
Bob Sousa – Em 2004, após um curso de fotografia de show. Transferi aquele conhecimento pra a fotografia de teatro. A turma toda do curso ria e achava estranho eu sempre aparecer com fotos de espetáculos teatrais.

R7 – Conte uma situação engraçada e também uma difícil de conseguir fazer a fotografia.
Bob Sousa – Certa vez fotografei uma das maiores atrizes do teatro e da televisão brasileira no apartamento dela. Na hora de ir embora, ela começou a me dar conselhos sobre as ruas perigosas da cidade e para eu procurá-la, caso tivesse algum problema. Eu me senti acolhido como que por um parente querido... Uma foto difícil foi a do mestre Antunes Filho, que me deu apenas alguns minutos para retrata-lo. Considero esse retrato como um dos melhores que já fiz.

R7 – Qual a importância dessa parceria com a Unesp?
Bob Sousa – O trabalho com a Unesp me coloca em um caminho que julgo essencial, o da pesquisa. Meu trabalho nunca foi ligado à imprensa e não tem um cunho comercial. Essa ligação com a universidade também prevê um mestrado com pesquisa em fotografia de teatro.

R7 – Você está fazendo um livro?
Bob Sousa – O livro é um grande sonho que está se tornando realidade. A expectativa é poder lançá-lo no próximo ano, com uma grande exposição. Serão mais de 100 retratos com "pessoas de teatro". Esse universo engloba atores, diretores, dramaturgos, jornalistas, apoiadores e técnicos ligados às artes do palco. Como o projeto gráfico optou pela apresentação das fotos em ordem alfabética, Antunes Filho e Zé Celso Martinez Correa abrem e fecham a publicação. A seleção é bem abrangente, mas tem um foco no teatro de grupo da cidade de São Paulo. Alguns grandes nomes da TV também emprestaram sua imagem para o projeto.

R7 – O que você acha da parceria com o blog com a coluna O Retrato do Bob, toda segunda, aqui no Atores & Bastidores do R7?
Bob Sousa – Foi um grande presente poder ter esse espaço. É a minha aproximação com a imprensa. O início de um namoro. Estou aprendendo muito. Tudo é muito rápido e a abrangência do meu trabalho passou a ser maior. Tenho muito a contribuir na divulgação do teatro paulistano.

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velha2 Estrela do Pânico vira velha gagá e alfineta Rede TV!

Porca atriz permanece no palco durante o espetáculo A Velha, de Eduardo Sterblitch

Por Andrea Miramontes, do R7

Uma senhora gagá e solitária de 180 anos que não consegue morrer.

Essa é a personagem vivida no palco por Eduardo Sterblitch, humorista do Pânico, conhecido pelas figuras Freddie Mercury Prateado, Melhor Melhor do Mundo entre outras.

A peça A Velha arranca risos e também provoca uma certa melancolia.

A velhota tenta conviver com a solidão e desdenha da própria insanidade. Sem medo de ser infeliz, afinal está com 180 anos e não aguenta mais viver, ela diz boas verdades no palco.

Sterblitch até se aproveita da maluca para cutucar a antiga emissora do programa em que trabalha, a Rede TV! - atualmente o Pânico está na Band.

Assim como sua avó, às vezes como a mãe (ou pior ainda, como você, se já chegou nesse estágio) a velhota diverte por ser repetitiva e saudosista. Tudo ao seu tempo foi infinitamente melhor. E muitas vezes, somos obrigados a concordar com ela.

O cenário gera empatia pelo cheiro de casa de vó. Outro ponto alto é a caracterização do personagem, que deixa o humorista irreconhecível.

Mas há e elementos que poderiam ser dispensados, como os ataques de narcolepsia, doença que causa sono incontrolável. Nesse momento, um humor previsível toma conta do palco.

A porquinha que convive com a velha também fica meio deslocada. O animal é solto no cenário como elemento nonsense e provoca dó. Mas para quem ama os bichos, melhor uma porca atriz do que na churrasqueira.

A verdade é que Sterblitch não precisa de porca e tombos para arrancar risos. Seu texto hilário cuida disso e vai divertir sua segunda-feira. E esta próxima, dia  27, é a última.

Por outro lado, a velhota rabugenta e esquecida pela morte também vai te ajudar a refletir sobre o quanto é importante que a vida termine na hora certa.

A Velha
Avaliação: Bom
Quando: segunda, às 21h. Até 28/8/2012
Onde: Teatro Geo, no Ohtake Cultural (r. Coropés, 88, Pinheiros, São Paulo, tel. 0/xx/11/3728 4930)
Quanto: a partir de R$ 80
Classificação: 16 anos

[r7video http://videos.r7.com/espetaculos-de-nelson-rodrigues-sao-destaques-da-agenda-cultural-de-sp/idmedia/50379d4ffc9bc8f783c576e1.html]

Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

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spescola bobsousa8 Ivam Cabral e SP Escola de Teatro: um sonho real

Ivam Cabral é diretor executivo da SP Escola de Teatro - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos Bob Sousa

Ivam Cabral chegou aonde muita gente do teatro sonha. Com 23 anos de carreira apresentando peças em teatros alternativos do Brasil e do mundo com seu grupo Os Satyros, que fundou ao lado do companheiro Rodolfo García Vázquez, hoje ocupa uma imponente sala no prédio da SP Escola de Teatro, no número 210 da praça Roosevelt, em São Paulo, onde é o diretor executivo.

Para chegarmos até ele foi preciso marcar horário com sua secretária. Assim que entramos no local, a recepcionista pede a mim e ao fotógrafo Bob Sousa nossos documentos, que são prontamente anotados antes de nossa subida ser anunciada. Lá em cima, na antessala do diretor, sua secretária nos pede para aguardar. Ele já termina uma reunião.

Mas logo, Ivam Cabral surge risonho e nos convida para entrar em sua sala, que tem vista para as copas das árvores da praça que virou sinônimo de seu nome, do grupo que lidera e – em breve – da escola que dirige.

De cara, pergunto como se sente, à frente de uma escola teatral que, apesar de jovem, já conquista o respeito de muita gente. Ele pensa e responde.

— Se eu soubesse que eu chegaria lá acho que não iria conseguir. A SP Escola de Teatro é mesmo um projeto ambicioso, desde o começo buscamos a excelência, seja em nossos formadores, seja em nossos aprendizes.

Vagas disputadas

Desde sua criação, em novembro de 2009, a instituição cresceu. E como. Hoje, conta com duas sedes. Além do prédio na praça Roosevelt, também ocupa um charmoso edifício histórico no bairro do Brás, também na região central paulistana. E Ivam já está de olho em outro edifício vago na praça teatral.

spescola bobsousa4 Ivam Cabral e SP Escola de Teatro: um sonho real
— O projeto ficou maior do que a gente imaginava.

Logo, a SP, como quem a frequenta a chama, começou a atrair gente interessada em seus oito cursos regulares e gratuitos: atuação, cenografia e figurino, direção, dramaturgia, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco. Fora os muitos cursos de extensão ao longo do ano.

Só no último processo seletivo, mais de 1.000 candidatos tentaram as cerca de 20 vagas do curso de atuação – o que dá uma média de 50 candidatos por vaga, índice semelhante ao de cursos como medicina e comunicação social nas universidades públicas brasileiras.

Ivam espera bater recorde de inscritos no novo processo seletivo, cujas inscrições terminam nesta quinta (23) [leia o edital e saiba como se inscrever].

Tanta concorrência, faz Cabral chamar seus aprendizes (o conceito pedagógico da escola nao usa a palavra aluno) de “pequenos gênios”.

Reuniões toda sexta pela manhã

A escola teve gênese nos projetos sociais dos Satyros. Os trabalhos do grupo no bairro Jardim Pantanal, na zona leste paulistana, foram cruciais. Por meio de pesquisa com espectadores, descobriu-se que boa parte do público vinha daquele bairro, onde havia fãs fervorosos da trupe. Com direito a cartazes de peças da companhia na parede de salões de beleza.

Foi lá que Ivam Cabral percebeu que havia uma grande demanda de gente com vontade de trabalhar com teatro, não só na atuação, mas, sobretudo, na parte técnica também.

— Na SP os técnicos têm o mesmo tratamento dos aprendizes de atuação. Isso foi pensado desde o começo.

Das primeiras oficinas no Jardim Pantanal surgiram reuniões a partir de 2005 da turma de Ivam Cabral. Eram todas as sextas, pela manhã.

— Éramos um monte de bicho grilo falando que teríamos uma escola de teatro, que teria bolsa para os alunos. A gente pensava algo do tipo: qual escola que a gente gostaria de ter estudado?

Logo, nomes expoentes do teatro brasileiro também se juntaram ao grupo, como JC Serroni, Marici Salomão, Guilherme Bonfanti, Erika Riedel, Raul Barreto, Raul Teixeira e Francisco Medeiros.

Direita ou esquerda?

Mas o sonho precisava de uma coisa para virar realidade: dinheiro. A concretização veio de modo inusitado. Um político importante passou a frequentar peças dos Satyros. Logo, foi chamado a tomar cerveja nas mesas do bar do grupo. Ivam Cabral faz questão de contar o nome dele.

— A idealização da SP é do José Serra. A escola é também um sonho dele.

spescola bobsousa1 Ivam Cabral e SP Escola de Teatro: um sonho real
Diante do impacto dessa frase é inevitável a pergunta: mas o que tem a ver um político tucano com uma turma que faz um teatro ligado ao submundo e, num primeiro olhar, naturalmente bem mais próximo da turma da esquerda do que de políticos da dita direita? Preparado para o questionamento, Ivam responde com toda calma do mundo.

—Olha, nós aqui sempre tivemos carta branca. Nunca teve interferência do poder político na escola. Sempre tivemos liberdade. Se este projeto fracassar um dia, a culpa é nossa. Creio que construímos um espaço apartidário, um lugar sem legenda. A SP não tem cunho eleitoreiro. Não fomos nem somos usados por ninguém.

Mas e como a turma do teatro político reage diante dessa proximidade com Serra? Ivam permanece tranquilo ao argumentar.

— Eu continuo muito próximo do Serra e tenho orgulho disso. Mas acho que temos que ficar distantes das questões partidárias. Na SP também cabe o pessoal da Companhia do Latão e da Cooperativa Paulista de Teatro [grupos ligados à esquerda]. É um lugar de arte.

Da SP para o mundo

Política à parte, a SP está cada vez mais internacional. Atualmente, o francês François Kahn, discípulo de Grotovksi [importante diretor polonês] dá aulas para a turma de atuação. A escola também fechou recentemente parceria com a Academia de Artes Dramáticas de Estocolmo, na Suécia.

ivam miguel Ivam Cabral e SP Escola de Teatro: um sonho real
Alberto Guzik teria ficado feliz com tais notícias. O jornalista e crítico teatral de respeito resolveu virar ator dos Satyros no fim da vida e fez parte do grupo embrionário da SP, mas morreu pouco depois da fundação da instituição, vítima do câncer, aos 66 anos.

Hoje, nomeia a revista da escola, a A[L]BERTO, cujo número 2 foi lançado há poucas semanas.

— O Guzik é nosso grande mestre. Nosso divisor de águas e pilar forte. Ele esteve desde o primeiro momento. Guzik, eu, Cléo [de Páris] e o Rodolfo [García Vázquez]. Vivemos histórias muito bonitas.

Normas e um pouco de burocracia

Em meio a lembranças, a SP Escola de Teatro vive ainda um dilema burocrático. Como é uma escola livre, seus cursos não são reconhecidos pelo Ministério da Educação nem pelo Ministério do Trabalho para a emissão do registro profissional.

Ivam explica que isso ocorre porque, oficialmente, a profissão de dramaturgo não existe. Mas já está mexendo os pauzinhos para mudar essa situação.

De forma provisória, adianta que acaba de celebrar um acordo com o Sated (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão de São Paulo) para que os aprendizes da SP conquistem registro profissional quando se formarem.

— O mercado está reconhecendo quem se forma aqui. Temos ex-aprendizes dando as caras no mercado, trabalhando em teatros como o Alfa e o Bradesco.

Mas logo me vêm à mente a figura da recepcionista pedindo documento para que pudéssemos entrar na SP. E pergunto a Ivam por que tanta norma em uma instituição de artes. Ele responde de pronto.

spescola bobsousa2 Ivam Cabral e SP Escola de Teatro: um sonho real
— A SP é muito mais sistematizada do que você possa imaginar. Temos até um manual de estilo.

Tanta sistematização, resultou em um modelo pedagógico próprio, que já foi importado por mestres suecos e hoje é objeto de estudo de Ivam em seu doutorado na USP [Universidade de São Paulo].

—Temos uma pedagogia singular, que é viva, continua a ser discutida todos os dias.

Sucesso de hoje e lembrança no futuro

Ivam Cabral tem plena ciência de suas responsabilidades e busca no passado a força para não perder o foco diante do sucesso.

— Venho de origem pobre, de uma família com seis filhos. Mas sempre meus pais nos fizeram estudar. Meus irmãos chegaram muito à frente de onde estou. Tenho os pés no chão. Agora que estou aqui, não posso fazer de conta. Sou o primeiro a chegar e o último a ir embora.

Resolvo provocar e pergunto: o que vão dizer de Ivam Cabral no futuro? Depois de pensar um pouco, ele começa a responder.

— Penso no Guzik... O blog dele é um diário de uma geração... Mas a história é esquisita. Fico pensando no Boi Voador [grupo teatral da década de 1980 dirigido por Ulysses Cruz, hoje diretor da Globo]. Era um grande grupo e hoje quase não aparece na história do teatro. Pode ser que no futuro, a história nem conte que um dia o Satyros ocupou a praça Roosevelt, que existiu a SP... Mas gostaria de ser lembrado como um cara ético, sério e honesto. Queria ser lembrado como um cara que fez coisas bacanas para seus contemporâneos artistas.

spescola bobsousa6 Ivam Cabral e SP Escola de Teatro: um sonho real

Ivam Cabral (de branco) posa com aprendizes de atuação, o mestre Francisco Medeiros (à esq.) e o francês François Khan (ao centro) na sede da SP Escola de Teatro na pça. Roosevelt, centro paulistano - Foto: Bob Sousa

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