Posts com a tag "atriz"

natalia quadros foto bobsousa O Retrato do Bob: Natália Quadros, folia no palco
Foto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi numa Terça-feira de Carnaval que Natália Quadros veio ao mundo. Não deu outra: tinha mesmo de ser artista. Pequenina, imaginava tudo ao seu redor nas brincadeiras de criança. Hoje, é atriz e cantora na Cia. da Revista, com a qual já fez quatro espetáculos. A paulistana de 25 anos criada na Mooca é formada em artes cênicas pela USP (Universidade de São Paulo). Em 2015, se prepara para o espetáculo musical Reconstrução, com seu grupo, além de ainda apresentar Ópera do Malandro, de Chico Buarque. Pelo jeito, a menina segue fazendo sua folia no palco.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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odete lara1 Brasil perde Odete Lara: veja a bela atriz em 7 fotos

Odete Lara foi uma das atrizes mais bonitas que o Brasil conheceu - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Brasil perdeu nesta quarta (4) a grande atriz Odete Lara, aos 85 anos, no Rio. O velório acontece no Parque Lage, e o corpo será cremado nesta quinta (5), em Nova Friburgo, região serrana fluminense.

Com quatro dezenas de filmes no currículo, Odete foi um dos principais rostos de nosso cinema nas décadas de 1950, 1960 e 1970. Sua beleza encantou não só diretores de televisão, teatro e cinema como também a medalhões da música popular brasileira, já que a atriz também cantava. E bem.

Paulistana, era filha de imigrantes italianos, de quem puxou os olhos claros e profundos. Trabalhou nas extintas TVs Tupi e Excelsior e encantou grandes nomes como Chico Buarque e Vinícius de Moraes. Fez shows ao lado de ambos e ainda gravou o disco Vinicius e Odete Lara, em 1963, com composições do Poetinha e Baden Powell, pela gravadora Elenco.

Mas os felizardos que tiveram o prazer de chamá-la de minha mulher foram só três: o dramaturgo e diretor Oduvaldo Vianna Filho, o novelista Euclydes Marinho e o cineasta Antonio Carlos Fontoura. Ela não teve filhos.

Como uma grande diva misteriosa, Odete resolveu abandonar a carreira de atriz no auge, quando se converteu ao budismo e se isolou na região serrana fluminense. O público jamais entendeu sua ausência, mas soube respeitar sua escolha. Ela recusou fazer a personagem Odete Roitman na novela Vale Tudo, de 1988, papel que marcaria para sempre a trajetória de sua substituta, Beatriz Segall, e a história da televisão.

Sua última aparição em novela foi em Pátria Minha, em 1994. Depois, não quis saber mais dos holofotes.

O Atores & Bastidores do R7 presta uma última homenagem à atriz com sete fotos que explicitam sua enorme beleza e sua trajetória ímpar em nossa cultura.

odete lara3 Brasil perde Odete Lara: veja a bela atriz em 7 fotos

Ao lado de Jece Valadão, no clássico filme Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, baseado na peça de Nelson Rodrigues, em 1963 - Foto: Divulgação

odete lara8 antoniodasmortes Brasil perde Odete Lara: veja a bela atriz em 7 fotos

Odete Lara no filme Antonio das Mortes, dirigido por Glauber Rocha, em 1969 - Foto: Divulgação

odete lara Brasil perde Odete Lara: veja a bela atriz em 7 fotos

Odete Lara em cena do filme Rainha Diaba, de 1974 - Foto: Divulgação

odete lara 7 Brasil perde Odete Lara: veja a bela atriz em 7 fotos

Odete Lara contracena com Cláudio Marzo, no filme Copacabana me Engana, de 1968, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura - Foto: Divulgação

odete lara2 Brasil perde Odete Lara: veja a bela atriz em 7 fotos

Politizada à esquerda, Odete Lara participa com coragem de passeata contra a ditadura militar (quinta da esq. p/a dir.) na década de 1960, ao lado das colegas Eva Todor, Tonia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz e Norma Bengell - Foto: Divulgação

 Brasil perde Odete Lara: veja a bela atriz em 7 fotos

Odete Lara no filme Rainha Diaba, de Antonio Carlos da Fontoura, de 1974 - Foto: Divulgação

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gilda nomacce bob sousa O Retrato do Bob: o charme de Gilda NomacceFoto BOB SOUSA*
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Gilda Nomacce transita como ninguém entre o teatro e o cinema — do qual é queridinha da nova geração de cineastas. Musa tanto dos palcos quanto dos sets, a atriz tem peso, carisma e, claro, talento de sobra. Paulista de Ituverava, estudou artes cênicas na USP. Também fez estudos na Inglaterra (no City Lit School of Arts), nos Estados Unidos (no Watermill Center coordenado por ninguém menos que Bob Wilson) e na Rússia (no Teatro de Tabakov de Moscou). É cosmopolista, ora bolas. No Brasil, integrou nada menos do que o CPT (Centro de Pesquisa Teatral) de Antunes Filho e o grupo Os Satyros. Se no palco é um furor, no cinema coleciona inúmeros prêmios abocanhados pelos festivais nos quais seus filmes passam. Porque, afinal de contas, ninguém é imune ao riso (e ao charme) de Gilda. Ainda bem.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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maria della costa 1952 funarte Classe teatral sofre com morte de Maria Della Costa; Ivam Cabral e Mario Viana lamentam perda

Maria Della Costa em 1952: atriz foi uma das mais belas do teatro brasileiro - Foto: Funarte

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A morte da atriz Maria Della Costa, neste sábado (24), aos 89 anos, no Rio, comoveu a classe teatral. Enquanto o Brasil se despede da grande atriz neste domingo (25), o Atores & Bastidores do R7 apresenta dois depoimentos sobre a atriz. O primeiro é do dramaturgo Mario Viana, que a entrevistou na década de 1980. No segundo, o ator Ivam Cabral conta como conheceu Maria, aos prantos, no camarim do Teatro Guaíra, em Curitiba. Viva a memória de Maria Della Costa!

“Uma das mais belas atrizes”
por Mario Viana, dramaturgo e jornalista

“Estive no apartamento de Maria Della Costa uma única vez, no finzinho dos anos 80, para uma entrevista. Era naquele condomínio bonito que tem no fim da Rua dos Franceses. Ela estava em cartaz com Temos que Refazer a Casa, uma peça espanhola sobre duas irmãs disputando uma herança - a outra atriz era Maria Luiza Castelli.

Não foi nenhum sucesso, mas um dos Civita, provavelmente o Roberto, mandou um jornalista da Vejinha entrevistar sua amiga Maria. E lá fui eu. Foi uma tarde ótima, Maria tinha excelentes histórias - e um apartamento decorado com dezenas (dezenas!!!!) de pinturas que a retratavam no auge da beleza. Di Cavalcanti, Portinari, Nery, Cícero, pense em um artista plástica bom dos anos 50 em diante e ele tinha retratado Maria Della Costa, uma das mais belas atrizes a pisar os palcos brasileiros.

Ligada ao Partido Comunista, ela inspirou Jorge Amado a criar a personagem da bailarina de Os Subterrâneos da Liberdade. Atirada, Maria conseguiu erguer um belo teatro no Bixiga, o mesmo que hoje estrebucha, mal administrado por uma associação incompetente.

Destemida, Maria divulgou artistas estrangeiros e brazucas, levando suas montagens em turnês internacionais. Com Gimba, de Guarnieri, montada em 1959, ela rodou o mundo, fazendo uma mulata! Foi-se mais uma figura importante de nossa história teatral.”

“Nos abraçamos no choro de Maria”
por Ivam Cabral, ator, fundador do grupo Os Satyros e diretor da SP Escola de Teatro

“Em 1987 eu nunca tinha visto Maria Della Costa. E, num belo dia, ela aparece em Curitiba para apresentar Alice que Delícia, o texto do Bivar, dirigido por Odavlas Petti. No elenco, além de Maria, o talentoso ator Enio Gonçalves.

Fui sozinho àquela sessão e, na plateia do Guairinha, na estreia de Maria, não tinha mais do que 30 pessoas. E o espetáculo, uma comédia, não fluiu muito bem, não. Ao término, esperei que o público saísse do teatro e me dirigi ao camarim para dar um beijo no elenco.

O que encontrei, no entanto, foi um clima devastador. Maria estava chorando, consolada pelo Enio. Teria dado meia volta se Maria não me chamasse para o abraço. Assim, nós três nos abraçamos no choro de Maria.

Ficamos ali por vários minutos. E eu até me sentia um tanto desconfortável porque não os conhecia e me imaginava intruso ali.

Ao término do abraço, não houve as apresentações. E foi Maria quem começou a falar. Contou que naquela noite haviam acontecido duas coisas importantes. Uma boa, outra má. A má, que o seu produtor e companheiro de anos, Sandro Polônio, estava muito mal num hospital em São Paulo. A boa, que Enio havia ganhado o Kikito de ouro, em Gramado, como melhor ator por “Filme Demência”.

– E veja como é a vida. O Enio, aqui, celebrando o futuro com o prêmio de melhor ator e eu, o meu fracasso. Afinal, vida e morte caminham juntos.

Enio se morreu em outubro de 2013. Hoje, foi a vez de Maria...”

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anapaulagrande foto bob sousa O Retrato do Bob: Ana Paula Grande, interessanteFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

São Paulo já está morrendo de saudade do talento da atriz brasiliense Ana Paula Grande, que faz do teatro brasileiro a sua casa. Na metrópole frenética, fez de tudo: novela, comerciais e, claro, muita peça de teatro, sua paixão desde a infância. Mas o coração apertou e ela agora está de volta ao Distrito Federal (sorte da turma do Planalto Central, aliás). Atriz envolvida com as questões de seu tempo, montou recentemente a peça Tem Alguém que Nos Odeia, que abordou o espinhento tema da homofobia, à espreita de nossa sociedade, com texto de Michelle Ferreira e direção de José Roberto Jardim. Nos palcos, foi dirigida por grandes nomes como José Renato e Roberto Talma. Também fez a novela Amigas & Rivais, no SBT. No cinema, atuou nos filmes Gotas e Primeira Vez, entre outros. Ana tem aquele jeito meigo que faz a gente se encantar na primeira conversa, no primeiro olhar. É simples e interessante.

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lizette negreiros bob sousa1 O Retrato do Bob: A majestade de Lizette NegreirosFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi em 1969 que Lizette Negreiros partiu de Santos, onde nasceu no Morro de São Bento, rumo a São Paulo para fazer Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. O chamado era para dividir palco com o grande Paulo Autran, em sua companhia, dirigida por Silnei Siqueira. Logo, emendou Hamlet, convidada por Flávio Rangel para substituir Zezé Motta como Hécuba. Com a peça, contracenou com a fina flor do teatro brasileiro: Walmor Chagas — considerado o melhor Hamlet já visto no teatro brasileiro —, Lilian Lemmertz, Jonas Bloch, Beatriz Segall, Cláudio Corrêia e Castro, Otávio Augusto e Zanoni Ferreti. Daí, passou a ser requisitada pelos mais importantes artistas teatrais do País. E acabou se encontrando no teatro infanto-juvenil seu ponto certo, ao lado do Grupo de Teatro Ventoforte. Venceu duas vezes o Prêmio APCA de melhor atriz, entre outros troféus. A veia artística foi despertada lá no comecinho, ouvindo o pai tocar violão. Pelo jeito, aquela menina já tinha este ar de rainha, esta majestade.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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nydia licia foto bob sousa3 O Retrato do Bob: Nydia Licia e seus fantasmasFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Ninguém se Livra de Seus Fantasmas. Foi este o título que a atriz Nydia Licia escolheu para a sua autobiografia, lançada pela Editora Perspectiva. Afinal, a fina flor do teatro brasileiro passou por sua trajetória. Aos 88 anos, esta italiana nascida em Trieste no dia 30 de abril de 1926 é uma das bases de nosso teatro. E também sua memória viva. Memória esta que compartilha em livros fundamentais, como as biografias de Raul Cortez, Rubens de Falco e Sérgio Cardoso, além de Eu Vivi o TBC, todos lançados pela Imprensa Oficial. De família judia, chegou ao Brasil em 1939, fugindo dos horrores do nazi-fascismo. Após participar do Grupo de Teatro Experimental, de Alfredo Mesquita, entrou para o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) em 1950, quando substituiu Cacilda Becker na peça Nick Bar... Álcool, Brinquedos, Ambições dirigida por Adolfo Celi. Casou-se com o ator Sérgio Cardoso, ao lado de quem em 1953 abriu a Cia. Nydia Licia-Sergio Cardoso. Nos anos 1960, já separada, assumiu suas próprias produções. A partir dos anos 1970 se dedicou ao teatro infantil. Nas décadas seguintes, tornou-se uma das mais conceituadas professoras e pesquisadoras do teatro brasileiro. Posou para nosso Bob Sousa com a serenidade de quem não tem medo de fantasmas; muito pelo contrário, os domina como ninguém.

Visite o site de Bob Sousa

Baixe o livro Retratos do Teatro, de Bob Sousa

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manoelita lustosa Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa era uma das principais atrizes mineiras - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz Manoelita Lustosa, que morreu nesta terça (1º), em Belo Horizonte, aos 72 anos, foi um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras.

Antes de ficar conhecida em todo Brasil por atuar em novelas na Record e também na Globo, a atriz fez marcantes montagens no teatro em Minas Gerais.

manoelita bruna Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa e Bruna Marquezine, em 2003, na novela Mulheres Apaixonadas: papel marcante - Foto: Divulgação

Ela morreu em casa, de insuficiência respiratória, às 9h. Sua filha, Maria Bethânia Diniz Lustosa, conversou com o Atores & Bastidores do R7.

Emocionada, contou que sua mãe foi exemplo de amor à profissão.

— A mamãe foi uma pessoa muito ativa na área cultural. Ela começou a carreira muito nova. Ela era muito competente no que fazia.

Segundo a filha, Manoelita era muito requisitada por jovens e experientes artistas.

— Vários artistas se espelhavam nela como exemplo de disciplina profissional. Ela era apaixonada pela arte e tinha um respeito enorme pelo trabalho que fazia. Ela amava ser atriz. Sempre foi muito dedicada. É uma perda enorme.

A filha conta que Manoelita não faltou ao teatro nem mesmo quando perdeu o marido, 18 anos atrás. No fim de semana da morte, subiu ao palco. Dizia que “a arte não pode parar”.

Manoelita deixa três filhas: Manoela, Maria Bethânia e Mariana, e seis netos — um casal de cada filha. O corpo será velado a partir do fim da tarde desta terça (1º), no Cemitério Parque da Colina, na região norte de Belo Horizonte, onde deverá ser sepultada na manhã desta quarta (2).

Artistas lamentam

A morte de Manoelita Lustosa foi sentida na classe artística. A diretora e atriz Yara de Novaes, afirmou que "foi uma honra" pode ter trabalho com a atriz, em Um Céu de Estrelas. O produtor Guilherme Marques, do CIT-Ecum, declarou que Manoelita deixou um "legado maravilhoso".

A atriz gaúcha Patrícia Vilela, que atuou ao lado da colega na novela Esmeralda, no SBT, contou ao R7 que ficou muito triste ao saber da notícia.

— A gente se deu tão bem nos bastidores da novela. Era uma grande atriz e uma pessoa maravilhosa.

O ator mineiro Odilon Esteves também lamentou a morte da amiga. E lembrou-se também do episódio em que ela trabalhou logo após perder o marido.

— Manoelita fazia Na Era do Rádio quando seu esposo faleceu. Eu era adolescente e ia ver o espetáculo quase todo dia. Então, saía com eles do teatro para ir ao hospital onde ele estava internado. Na sexta-feira em que ele se foi, não teve apresentação, nem no sábado, mas no domingo, Manoelita já estava de volta ao palco. E presenciei o que só mais tarde, na escola, fui aprender como sendo o caráter votivo dessa profissão: apesar de quase toda adversidade, o artista segue seu trabalho. Uma personagem de Manoelita  cantava Último Desejo, de Noel Rosa, no espetáculo, e naquele domingo as notas da canção se misturaram a um choro profundo. Os espectadores jamais saberiam que não se tratava de representação. Coração apertado hoje! Saudade de Manoelita! E gratidão!

Clássicos e comédia

Natural de Pirapora, às margens do Rio São Francisco, Manoelita foi criada em Sete Lagoas. Desde menina, era encantada com o rádio e, depois, o teatro a TV.

Manoelita Lustosa Terezinha Michel Angelo 2 Morre atriz Manoelita Lustosa, aos 72 anos, em BH: Vários artistas se espelhavam nela, diz filha

Manoelita Lustosa, como Terezinha em Dona Xêpa: último papel na TV - Foto: Michel Ângelo

Foi agitadora cultural e exerceu cargos políticos na área da Cultura na região do Vale do Aço, durante o tempo em que morou na cidade de Timóteo. Mas foi em Belo Horizonte, para onde se mudou no começo da década de 1990, que sua carreira artística deslanchou.

Sua estreia como atriz foi em Tio Vânia, de Tchekhov, dirigida por Luiz Carlos Garrocho e Walmir José. Logo, chamou a atenção de importantes diretores mineiros como Pedro Paulo Cava, com quem fez o musical Na Era do Rádio, e Ílvio Amaral, que a consagrou junto ao público em comédias como É Dando que se Recebe e A Comédia dos Sexos.

Logo, Manoelita se tornou uma das mais respeitadas atrizes da cena local. Atuou em comédias rasgadas e de grande bilheteria na cena belo-horizontina, como Perigo, Mineiros em Férias. Fez ainda textos clássicos do teatro brasileiro, como Perdoa-me por me Traíres, de Nelson Rodrigues.

Seu último papel na TV foi em 2013, como a pasteleira Terezinha, na novela Dona Xêpa, na Record. Outro papel marcante de sua carreira televisiva foi na novela Mulheres Apaixonada, de Manoel Carlos, em 2003, como Inês, a avó maldosa de Salete, papel da então menina Bruna Marquezine.

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thais dias foto Alicia Peres2 Dois ou Um com Thais Dias

A atriz Thais Dias, da peça {ENTRE}, Coletivo Negro - Foto: Alicia Peres

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Paulista de Piracicaba e radicada em São Paulo, Thais Dias é uma das coisas mais bonitas de se ver no teatro brasileiro contemporâneo. Tem graça, beleza e viço. Atriz do Coletivo Negro, ela está em cartaz na peça {ENTRE}, no Teatro Martins Penna, no Centro Cultural da Penha, na zona leste paulistana, até 22 de junho, sempre sábado, 20h, e domingo, 19h, com entrada a R$ 10. A peça mostra o cotidiano de quatro moradores de um conjunto habitacional da periferia, com seus dilemas e suas vidas turbulentas. A atriz aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Entre ou saia?
{ENTRE}! Entre de peito aberto, pés descalços. Entre... e fique à vontade.

A bossa nova é foda ou o hip hop é foda?
Vixi... Phoda é som. Com base, batida, melodia e levada.

O teu cabelo não nega ou como você é bonito de se ver?
O teu cabelo não nega! Meu cabelo. O meu cabelo afirma.

Preto ou branco?
Preto. Preto como é. Como tá. Preto lindo fica. Brilha.

Azul ou amarelo?
Amarelo.

Copa ou Cultura?
Cultura. Sempre.

Liberdade de ser ou liberdade de ter?
Liberdade!

Uma vida na timeline ou uma história bonita só pra nós?
“... Existe de saber coisas filho meu
Não escritas sobre a gente da gente
Nos versos da vida e escritas do tempo, Filho meu
Uma historia pra gente contar...”
(Filho Meu, de Fernando Alabê, espetáculo {ENTRE}, Coletivo Negro de Teatro)
Uma historia nossa. Sendo revirada, revelada, construída, vivida, cheia de corpos, cantos, sentidos e gritos. Hoje não mais silenciosos.

Centro ou periferia?
Periferia! O que me cerca, protege, alimenta e fortalece: cidadã/artista.

A pele escura ou dinheiro não?
A pele escura/A carne dura/A face pura. E o ventre germinando a vontade de ser. Vazar, voar, transpassar poros, atravessar olhos e enraizar. Em solos férteis.

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phedra cordoba bob sousa4 O Retrato do Bob: Phedra D. Córdoba, fundamental

Atriz dos Satyros, Phedra D. Córdoba faz 76 anos: diva dos palcos alternativos - Foto: Bob Sousa

Fotos de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

26 de maio é data especial no teatro brasileiro. Dia de celebrar uma de nossas maiores divas. Afinal, é aniversário de Phedra D. Córdoba, a cubana que se converteu no maior nome dos palcos alternativos deste País. Phedra é Havana, é Walter Pinto, é calle Corrientes, é Medieval, é Nostro Mundo, é Homo Sapiens, é a árvore mais frondosa da Praça Roosevelt, pertence ao público. Phedra faz 76 anos. Merece mimos, carinhos e elogios. Porque conserva uma energia de menina. Quem duvida, vá vê-la cantar Beatles no Espaço dos Satyros 1, na peça Não Morrerás, da qual é estrela absoluta. Porque Phedra não sai do cartaz. Tem carisma de sobra. Tem técnica. Tem viço. Tem bom gosto. Tem elegância sutil. Tudo com seu sotaque gostoso de ouvir. É claro que ela teria de posar para o nosso Bob Sousa em data tão nobre. E em dose dupla. Porque Phedra D. Córdoba é fundamental.

phedra cordoba bob sousa11 O Retrato do Bob: Phedra D. Córdoba, fundamental

Phedra D. Córdoba, aos 76 anos: energia e carisma de uma eterna menina - Foto: Bob Sousa

Saiba mais sobre Phedra D. Córdoba!

Leia também: Brasil abre o palco para teatro da América Latina

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