Posts com a tag "belo horizonte"

estanoitemaecoragem Crítica: ZAP 18 faz 11 anos e arrasta rio de coragem

Grupo ZAP 18 volta com espetáculo de 2006 baseado em Brecht e Brasil contemporâneo

Por Leonardo Kildare Louback, em Belo Horizonte
Especial para o Atores & Bastidores*

Em julho último, a companhia mineira ZAP 18, Zona de Arte da Periferia, completou 11 anos de atividades, trazendo aos palcos, como comemoração, a extrema atualidade de Brecht, na adaptação Esta Noite Mãe Coragem, sete anos após sua estreia. Não haveria momento mais propício para se falar de justiça e violência.

Encabeçada pela atriz e diretora Cida Falabella, a montagem, que estreou em 2006, propõe uma mescla, quase fusão, entre a Mãe Coragem de Brecht, que perdeu seus filhos durante a guerra e a mãe do morro, que também vê seus filhos tragados pelo crime de um morro qualquer do Brasil, onde, entre um gole e outro no Bar da Rose, filhos são assassinados.

Ao longo dos futuros anos em que a trama se desenvolve, o morro vai sendo separado da “sociedade de bem”, tendo seus moradores isolados por um muro de sacos de areia, em uma alusão claríssima à repressão e ao cerceamento da população menos favorecida, “perigosa”, “bandida” e, porque não dizer, “vândala”.

Samba melancólico

A mãe coragem dessa noite na periferia de Belo horizonte entoa sambas melancólicos ao vivo, avivando um púbico que lotava o galpão sede da ZAP, localizada à Rua João Donada (do nada?), n. 18, do bairro Serrano, longe, muito longe dos lugares tradicionalmente privilegiados da arte na capital mineira.

Há um poder tão avassalador no trabalho do grupo, que a plateia se sente por vezes ela mesma acuada, sem saber quem está isolando quem, quem está negando ser quem.

Cida Falabella não só dirige, quanto rege do alto do morro seus atores/personagens. Ela, verdadeira mãe coragem de uma arte por essência periférica e exilada das classes privilegiadas, guia seus meninos e meninas (um dos atores entrou em cena no espetáculo quando tinha apenas 13 anos!) pelas mazelas de um Brasil carcomido por seu corpo sociopolítico, depravado pela falta de humanidade dos que nos deveriam cuidar, dos que renegam seu povo em nome da sede de poder de tão poucos.

Elisa Santana e Antônia Claret, duas das mais importantes artistas do teatro mineiro, dividem o peso da carroça dessa Mãe Cheia de Coragem, que negocia seus próprios filhos em um cenário por demais hostil. Junto delas, entoando seus raps e canções populares, um grande elenco dá força extrema na defesa dessa saga mais que contemporânea. Difícil ter escancarada diante de nossos olhos, por vezes só lacrimejantes, por outras encharcados, nossa própria verdade, nossa brasileira condição de povo rechaçado pelo poder de uma elite desprovida de umidade.

Brecht com ZAP

Na mistura de Brecht com a dramaturgia de Antônio Hildebrando, somada aos emocionantes discursos pessoais de cada ator ao longo da encenação, o aparente distanciamento de Brecht se torna rente, muito rente. O próprio galpão da companhia  vira, ele todo, esse lugar de interseção entre Brecht e a ZAP, entre a Alemanha historicamente devastada pela guerra dos trinta anos e tantas outras e os Brasis de diários holocaustos.

Ao público, ao final, é dada a oportunidade de falar, de invadir o espaço sacralizado desse Brecht que sobe o morro. Entre uma fala e outra do público, uma mulher jovem, muito jovem, relatou a morte de duas crianças que foram queimadas na ocupação popular Dandara, de Belo Horizonte. Com fúria emocionada, ela disse do cheiro de carne queimada que seu corpo não podia apagar. Mas nossos governantes não se incomodam com cheiro de povo, seja em chamas ou não.

Um grito no peito

Sete anos após sua estreia a Mãe Coragem parece ter encontrado em outros peitos um endosso para seu grito. Um movimento impressionante leva o Brasil às ruas e uma voz de “basta!” se alastrou por nossa falsa prosperidade e o que parecia, enfim, ser o grande momento de coragem, se torno rapidamente um espaço de opressão, seja da polícia, seja da mesma elite que nunca se interessou por grito nenhum.

Armada com uma mídia bandida, tratou de determinar quem tem ou não direito de se manifestar e a palavra “vândalo” surgiu muito oportuna para por o povo mais uma vez em um lugar de submissão ao Estado e, pior, de imensa confusão ideológica.

A única frase que tenho de coração do Herr Bertold Brecht é mais ou menos assim: “Do rio que tudo arrasta se diz violento. Não se dizem violentas, porém, as margens que o oprimem.” Há que se inteirar mais sobre margens e rios antes de se discutir o momento atual brasileiro. Presenciar Esta Noite Mãe Coragem pode ser um bom começo.

Parabéns, ZAP 18! Que nenhuma margem opressora tenha força para reprimir o rio que vocês carregam. Porque em um país em que a palavra laico é desconhecida e milhões de pessoas (muito mais que em dias de protestos) vão às ruas saudar um líder religioso, o caminho rumo à enchente popular é longo, muito longo, e cheio de percalços.

*Leonardo Kildare Louback é ator, dramaturgo, tradutor e professor de alemão. Ele escreveu esta crítica a convite do blog.

Esta Noite Mãe Coragem
Avaliação: Muito bom
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: ZAP 18 faz 11 anos e arrasta rio de coragem

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aprimeiravista Drica Moraes passa mal e cancela peça em BH

Bronquite: Drica Moraes (à esq.) e Mariana Lima, na obra que precisou ser cancelada em BH - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A atriz Drica Moraes precisou cancelar a sessão deste sábado (10) da peça A Primeira Vista, na qual atua com Mariana Lima.

A montagem seria realizada em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde houve apresentação normal nesta sexta (9).

Segundo os organizadores do projeto Teatro em Movimento, responsável pela apresentação, o motivo foi uma crise de bronquite de Drica.

Recentemente, a atriz venceu uma luta contra a leucemia.

O espetáculo, que tem destacada atuação tanto de Drica quanto de sua companheira de palco, celebra a volta da atriz ao trabalho e vem rodando o País, sempre com casa cheia.

Em São Paulo, fez temporada de sucesso no Sesc Pompeia no primeiro semestre deste ano, além de ter reinaugurado o Teatro Municipal Alfredo Mesquita. Dirigida por Enrique Dias, A Primeira Vista é um texto do canadense Daniel Maclvor com a história de uma forte relação amorosa entre duas mulheres que sonham em montar uma banda.

Leia a nota na íntegra sobre o cancelamento do espetáculo em Minas, que explica ainda como será a devolução do dinheiro do ingresso para quem já havia comprado:

“O projeto Teatro em Movimento informa o cancelamento da sessão deste sábado, 10 de agosto, às 21h, do espetáculo A Primeira Vista, no Teatro Bradesco, em Belo Horizonte.

A medida ocorre por motivo de crise de bronquite da atriz Drica Moraes.

As pessoas que compraram ingressos com cartão de crédito devem se dirigir à bilheteria do Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244, Lourdes, Belo Horizonte, MG) para preenchimento de formulário de solicitação do cancelamento da compra.

O prazo estimado para a devolução dessa  modalidade é de 18 dias. As compras realizadas em dinheiro serão devolvidas também  na bilheteria do teatro.

O prazo para a solicitação do ressarcimento é deste sábado, 10 de agosto, a domingo, 17 de agosto.

Horário de funcionamento da bilheteria do Teatro Bradesco:
Segunda-feira a sábado, de 12h às 20h
Domingos e feriados de 12h às 19h
Informações: 0/xx/31 3516.1360”

Veja dicas da Agenda Cultural da Record News com Miguel Arcanjo Prado no vídeo:

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teatro invertido eduardo enomoto 1 Teatro Invertido rompe fronteiras de Minas e conquista seu lugar nos palcos do Brasil

Os seis integrantes do Teatro Invertido posam no Centro Cultural São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

A metrópole que corre frenética na avenida 23 de Maio, avistada do terraço do Centro Cultural São Paulo, não assusta os seis integrantes do Teatro Invertido, grupo criado em Belo Horizonte em 2004.

A cidade cinza parece ter gostado da visita mineira. Tanto que preparou um potente sol de outono que dá vida e cor a tudo ao redor. Apesar da receptividade, os mineiros continuam matutos e observam os paulistanos nas espreguiçadeiras sob a grama do lugar, aproveitando cada minuto daquele dia lindo, coisa rara na cidade.

Os artistas sabem que vivem uma espécie de realização de sonho embalado há muito tempo. A companhia mineira conquista, a cada dia, respeito e público que vai além das fronteiras de Minas Gerais. São um grupo do mundo e de Minas Gerais, como diz a música de sua terra.

Após participar do último Festival de Curitiba, a trupe sobe ao palco nesta quinta (18) na 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, às 21h, no Centro Cultural São Paulo (r. Vergueiro, 1.000, Metrô Vergueiro). Os ingressos, gratuitos, começam a ser distribuídos a partir das 16h na bilheteria do local.

Eles apresentam o espetáculo Os Ancestrais, com dramaturgia e direção de Grace Passô sobre uma família soterrada. Eles se unem a uma expoente no novo teatro mineiro. E Grace também está em cartaz na capital paulista com O Líquido Tátil, no Sesc Pompeia, resultado da parceria de seu grupo, o Espanca!, com o diretor argentino Daniel Veronese.

O Teatro Invertido bem sabe que parcerias são fundamentais para seu aperfeiçoamento. Diálogo é palavra chave do grupo. Aberto ao novo, incorporou novos integrantes, aceita críticas com maturidade e procura fazer seu teatro acontecer onde quer que estejam. Como todo artista deve fazer.

O R7 conversou com cada um dos seis integrantes do Teatro Invertido e conta, a seguir, quem eles são e o que desejam:

kelly crifer eduardo enomoto Teatro Invertido rompe fronteiras de Minas e conquista seu lugar nos palcos do Brasil

Kelly Crifer, do Teatro Invetido: "Foi a Folia de Reis quem me levou ao teatro" - Foto: Eduardo Enomoto

Kelly Crifer é doce e conquista automaticamente qualquer um. De fala articulada, é uma espécie de musa automática do Teatro Invetido. Nascida em Belo Horizonte, a atriz de 31 anos foi criada em Santana da Divisa, distrito de Diamantina no Vale do Jequitinhonha. Foi lá que se apaixonou pela arte, vendo a Folia de Reis. "Eles visitavam as casas enfeitadas, meu tio-avô cantava e eu ficava encantada". Filha da professora Maria José e do caminhoneiro Egídio, Kelly sempre foi ótima em matemática. Mas descobriu que o palco poderia ser uma profissão ao pegar o revista do vestibular da UFMG e se deparar com o curso de artes cênicas. Não teve dúvida, abandonou os números e abraçou o teatro. Quando não está viajando com o Teatro Invertido, gosta de ficar em casa, quietinha, e ler biografia de grandes atores. No momento, desvenda a vida de Procópio Ferreira. "A vida de outros artistas é algo que me cativa e me enlouquece".

leonardo lessa eduardo enomoto Teatro Invertido rompe fronteiras de Minas e conquista seu lugar nos palcos do Brasil

Leonardo Lessa, do Teatro Invertido: "O trabalho de ator é minha prioridade" - Foto: Eduardo Enomoto

Leonardo Lessa fala a idade sem nenhum problema: "estou com 30 anos". Diz que já passou da fase de ter medo. Está bem resolvido. Apesar de o grupo ser democrático em suas decisões, ele é uma espécie de lider nato do Teatro Invetido. Despachado, faz as coisas acontecerem. Nascido em Belo Horizonte, começou a fazer teatro bem cedo, aos oito anos. Nunca teve dúvida de que aquela seria sua profissão. "Tirei o registro profissional de ator aos 16 anos". Na hora do vestibular, entrou de cara no curso de artes cênicas da UFMG. Lá criou o Teatro Invertido com os colegas de curso. No grupo, sempre assumiu a coordenação e o planejamento. "Foi algo natural, acho que tem a ver com minha personalidade e militância em políticas públicas para a cultura". Divide o trabalho no Teatro Invertido com o de coordenador há cinco anos do Centro Cultural do Galpão Cine Horto. Quando elogiam seu trabalho de gestor, avisa logo: "Eu gosto, mas minha prioridade é o trabalho de ator. Posso gerir, mas faço isso como artista". Acredita que o Teatro Invertido está em um momento de virada. "Temos princípios claros e parcerias frutíferas", diz. Com tantas responsabilidades, mal consegue se desligar. "É coisa de capricorniano". Por isso, nos poucos momentos em que consegue apagar o telefone e o computador, vê "a maior bobeira que encontra na TV".

rita maia eduardo enomoto Teatro Invertido rompe fronteiras de Minas e conquista seu lugar nos palcos do Brasil

Rita Maia, do Teatro Invertido: "Gosto de pensar o teatro sem hierarquia" - Foto: Eduardo Enomoto

Rita Maia comemora 20 anos de carreira. A atriz, de 39 anos, começou na profissão aos 19. Natural de Uberaba, foi ainda bebê para Belo Horizonte. Logo que se entendeu por gente, mergulhou em cursos livres de teatro. Acabou se formando em Letras na UFMG. Assim que foi criado o curso de artes cênicas na universidade, resolveu que seria sua segunda e principal faculdade. Entrou sabendo o que queria: "Montamos de cara o Grupa, o Grupo de Pesquisa em Atuação. Gosto de pensar o teatro sem hierarquia". Avalia as conquistas do Teatro Invertido como "resultado de muito trabalho". "Estou conquistando aquilo que mais queria", reitera. Conta que o cenário para o teatro na capital mineira melhorou, tem mais público e incentivos, "mas ainda não é o ideal". Faz questão de militar pela cultura em sua cidade. "Escolhi ficar em BH, então, tenho de peitar isso e fazer as coisas acontecerem lá". Tem o Grupo Galpão, a quem chama de "pai de todos", como grande referência. "Espero poder um dia trabalhar só como atriz do Teatro Invertido".

robson vieira eduardo enomoto Teatro Invertido rompe fronteiras de Minas e conquista seu lugar nos palcos do Brasil

Robson Vieira, do Teatro Invertido: "Queremos circular cada vez mais" - Foto: Eduardo Enomoto

O belo-horizontino Robson Vieira, de 36 anos, começou a fazer teatro e dança ainda adolescente, aos 14 anos. Passou por vários grupos amadores até se profissionalizar. Formou-se em dança pela Fundação Clóvis Salgado. A amizade com a atriz Kelly Crifer lhe rendeu o convite para integrar o Teatro Invertido. "Tudo que estamos conquistando é fruto de uma construção coletiva. O crescimento é resultado de desejos múltiplos". Diz que o teatro político e engajado que fazem dialogam com realidades distintas. "Queremos circular cada vez mais". Quando viaja, fica com saudade de casa e, sobretudo, de brincar com seu filho, Raul, de oito anos. "Recentemente, temos brincado muito de helicóptero e de dançar".

janaina morse eduardo enomoto Teatro Invertido rompe fronteiras de Minas e conquista seu lugar nos palcos do Brasil

Janaina Morse, do Teatro Invertido: "Estar em um grande festival é sempre uma realização" - Foto: Eduardo Enomoto

Janaina Morse é mineira, de Belo Horizonte. Mas tem um pé na Bahia: morou em Salvador por oito anos, "divididos em dois períodos de quatro". Formada em teatro no Palácio das Artes, de BH, fez Oficinão do Galpão em 2000 e, de cara, ganhou a missão de substituir a atriz Teuda Bara em Um Trem Chamado Desejo, em 2001. Viajou todo o País e conheceu de perto como é integrar um grupo sólido no cenário brasileiro e mundial. Assim que a temporada acabou, migrou para a Bahia, onde foi trabalhar no Grupo Dimenti. A volta para a capital mineira foi por conta do coração. A mãe, Maria da Conceição, ficou doente. Voltou em 2006 e ficou ao lado dela até sua partida, em 2008. Aos poucos, se reintegrou à cena mineira. Os Ancestrais é seu primeiro trabalho no Teatro Invertido. O convite partiu de Grace Passô, a diretora e dramaturga com quem estudou no Palácio das Artes. Após participar do Festival de Curitiba e agora na 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, diz estar contente. "Estar em um grande festival é sempre uma realização. Acho que é o lugar que todo mundo quer estar, né? Onde as coisas acontecem". Quando dá um tempo na frenética rotina, toca acordeon e kulelê, "que é aquele violão havaiano menor que o cavaquinho".

dimitrius possidonio eduardo enomoto Teatro Invertido rompe fronteiras de Minas e conquista seu lugar nos palcos do Brasil

Dimitrius Possidônio, do Teatro Invertido: "A vontade de atuar veio do cinema" - Foto: Eduardo Enomoto

Dimitrius Possidônio, de 28 anos, é de Almenara, no Vale do Jequitinhonha. O nome impactante vem da ascendência grega do lado paterno. Da infância, veio o gosto por se embrenhar no sertão: "Gosto do mato, de fazer fogueira e ir para cachoeira". Foi em Belo Horizonte, na adolescência, que o teatro chegou em sua vida. "A vontade de atuar veio de ver cinema". Ele se matriculou no curso de teatro do Espaço Cênico e depois no Palácio das Artes, onde se formou em 2008. O amor pelos palcos foi tão grande que vendeu um restaurante que tinha para investir na profissão. Foi o ator Leonardo Lessa quem o convidou para entrar para o grupo. "O Teatro do Invertido está indo num caminho muito bom, e agora, com os novos integrantes, está com sangue novo". Fã de Zeca Baleiro e Lucas Santana, também reserva espaço para ouvir Milena Torres, sua tia cantora e compositora. "Também gosto muito de ler. No momento, estou mergulhado na obra do Charles Bukovski".

teatro invertido eduardo enomoto 3 Teatro Invertido rompe fronteiras de Minas e conquista seu lugar nos palcos do Brasil

Com sede em Belo Horizonte, o Grupo Teatro Invertido é uma das atrações da 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo de São Paulo, gratuita, no CCSP - Foto: Eduardo Enomoto

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Veja a cobertura completa do R7 do Festival de Curitiba

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JulianaHilal OsAncestrais 13 Crítica: Família mineira é soterrada no Festival de Curitiba, em Os Ancestrais, do Teatro Invertido

Kelly Crifer (nos braços de Dimitrius Possidônio) é o destaque no elenco - Foto: Juliana Hilal/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 a Curitiba

Uma família pobre é soterrada e cria um mundo à parte debaixo dos escombros de sua casa, enquanto o resgate não vem. Este é o argumento central do espetáculo mineiro Os Ancestrais, que o grupo Teatro Invertido levou ao Festival de Curitiba, com apresentações no Espaço Cênico.

Com texto e direção da também mineira Grace Passô, do Grupo Espanca!, a obra mistura viés político de crítica social aos dramas pessoais dos membros desta família: a mãe batalhadora (Rita Maia), a avó alcoólatra descrente de tudo (Janaína Morse), o filho meio sem lugar naquele submundo (Leonardo Lessa), a filha fogosa (Kelly Crifer) e o vizinho violento e sensual (Dimitrius Possidônio).

O texto dialoga com o Brasil de hoje, onde a cada tormenta de verão vidas são destruídas com constantes desabamentos, seja na região serrana do Rio ou na periferia de Belo Horizonte, gerando comoção instantânea e nenhuma medida realmente eficaz do poder público. Este é o grande mérito da obra.

O sexto espetáculo da trupe antecipa a comemoração dos dez anos do grupo, que teve início em 2003, com a montagem Nossa Pequena Mahagony, feita com atores egressos do curso de artes cênicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e desde então presentes na cena contemporânea de Belo Horizonte.

O processo criativo de Os Ancestrais durou um ano e contou com a colaboração criativa dos atores. No elenco, quem mais se destaca é Kelly Crifer, no papel da filha cheia de vida e desejo naquele buraco sujo de terra preta. A atriz é se apresenta com entrega visceral e com interpretação de qualidade acima a de seus pares.

O cenário de Fernando Marés é outro destaque, fazendo com que a plateia seja transportada para debaixo da terra. É inventivo, forte e poético.

Já a soturna luz de Bruno Cerezoli acerta em seu começo sombrio, mas erra por permanecer o tempo todo na penumbra. Em pelo menos alguns momentos poderia ter jogado foco no trabalho dos atores, assim como a direção poderia ter exigido mais dos mesmos.

O figurino de Camila Morena da Luz e do grupo veste os personagens de acordo com a proposta da encenação, e tem seu charme nos adereços, como as máscaras utilizadas na cena em que eles transformam o buraco em um bloco carnavalesco.

A dramaturgia acaba confusa, já que a força do discurso político presente no início se dilui à medida que os dramas pessoais dos personagens ganham o primeiro plano.

Contudo, a maioria destes não passa por nenhum tipo de grande transformação diante da situação extrema que vivem. E o final, que tinha todos os elementos para causar impacto, acaba sendo frustrantemente previsível.

Os Ancestrais
Avaliação: Regular

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

Veja a cobertura completa do R7 do Festival de Curitiba

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liquido Crítica: Parceria de Veronese com Grupo Espanca!, <i>O Líquido Tátil</i> expõe força do encontro teatral

O Líquido Tátil, do Grupo Espanca!, de BH, está em cartaz no Sesc Pompeia, em SP - Foto: Guto Muniz

Por Miguel Arcanjo Prado

A obra do diretor Daniel Veronese é uma das mais importantes do teatro argentino contemporâneo. Por isso, é mais do que acertada a ideia que Grace Passô e os meninos do Grupo Espanca!, de Belo Horizonte, tiveram ao convidá-lo para uma parceria, que resultou na encenação mineira da obra O Líquido Tátil, com texto e direção do próprio Veronese, em cartaz no Sesc Pompeia, em São Paulo. O espetáculo ainda participa do Festival de Curitiba, que começa na próxima semana.

A obra do argentino – que dialoga com mestres universais como Tchekhov – sempre traz em si algo intrínseco ao ambiente intelectual portenho e o teatro que este produz. Teatro que dialoga com aquele produzido em Belo Horizonte na última década, no qual o Espanca! ocupa lugar de destaque.

Assim como Buenos Aires, Belo Horizonte tem aquela velha paixão por livros e pelas relações miúdas e complexas entre pessoas. Dessa forma, a trupe mineira se encaixou de modo ajustado à proposta da obra de Veronese. O casamento entre o argentino e o Espanca! parece ser daqueles antigos enlaces arranjados pelas casamenteiras mineiras interioranas, mas que, por sorte do destino, teve final feliz.

O Líquido Tátil é calcado no realismo, mas com leves pitadas de surrealismo, algo também comum aos espetáculos do Espanca!, como o premiado Por Elise. Isso reflete uma latinidade evidente. Por mais que o pensamento racional nos leve a um realismo, somos latinos, lugar onde a oralidade predomina com seus grandes absurdos internalizados. Ou, como concluiu o filósofo francês Jean-Paul Sartre em sua passagem por aqui, somos surreais. E pronto.

O enredo do espetáculo se passa em uma apertada e simplória sala. Nela, estão Nina (Grace Passô), uma atriz decadente já fora do palco em nome de um casamento, seu marido, o obtuso Peter (Marcelo Castro), um intelectual fervoroso defensor do teatro, e o irmão deste, o sensível Michael (Gustavo Bones), um ator em crise com os palcos e seduzido pelo cinema.

Uma verdadeira homenagem ao próprio teatro, presente na metalinguagem da dramaturgia, o espetáculo se sustenta na situação tensa destas três pessoas em cena. Não tardam a surgir embates, conflitos e situações surreais, provocando ora riso comedido, ora gargalhadas nervosas na plateia, sempre acompanhadas de alguma dose de reflexão sobre o fazer artístico.

Daniel Veronese conduziu o trio com sobriedade, sabendo dosar a loucura e a realidade de tal forma que é impossível aferir onde começa uma e onde termina outra. Tal qual é a vida.

Uma grande atriz

Quem brilha descomedidamente é Grace Passô. Dramaturga já consagrada, ela volta a mostrar a grande atriz que é, coisa que os mineiros já sabem desde que foi revelada em 2002 no espetáculo Todas as Belezas do Mundo, da Cia. Clara. Grace é forte, intensa, viva. E esta década de experiência cênica no palco e atrás dele - recentemente, ela dirigiu o Grupo Lume em Os Bem-Intencionados - só lhe fez bem. Ela passa tanta certeza no que faz, mesmo quando incorpora um raivoso cachorro, que os olhos do público teimam sempre em correr para ela, em acompanhá-la na loucura contida ou extravasada de sua personagem, em uma construção repleta de carisma e talento.

Diante da parceria com esta grande atriz, Marcelo Castro e Gustavo Bones demonstram maturidade ao galgar seus degraus no decorrer da montagem aos poucos. E o fazem com sutileza e talento de saber que, ao lado de Grace, formam um todo, um conjunto coeso. E fazer tal trabalho não é fácil para um ator. É preciso talento de sobra para entender que menos é mais. E trabalhar em nome do coletivo.

Em certo momento do espetáculo, quando a personagem de Grace sai de cena momentaneamente após um ataque de fúria, os dois atores conseguem crescer, mesmo estando diante de uma plateia saudosa da forte presença de Grace. E ambos têm mérito nesta façanha.

A beleza de O Líquido Tátil mora na beleza do próprio teatro, calcado no encontro real entre seres humanos. E, num mundo cada vez mais digitalizado e com relações afetivas mediadas pela máquina, isso se torna algo ainda mais forte e assustador.

Leia entrevista com Daniel Veronese e Grace Passô

O Líquido Tátil
Avaliação:
Muito bom
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, às 19h. Até 28/4/2013.
Onde: Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, Pompeia, SP, tel. 0/xx/11 3871-7700)
Quanto: R$ 16 (inteira)
Classificação etária: 14 anos

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Magiluth Aquilo que o meu olhar guardou para voce Foto de Mauricio Cuca 1 Grupo Magiluth faz turnê teatral por dez Estados brasileiros; Minas Gerais é a primeira parada

Grupo Magiluth, de Recife (PE), conquista os palcos de todo o Brasil: os atores Giordano Castro, Pedro Vilela e Erivaldo Oliveira em cena do espetáculo Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você - Foto: Maurício Cuca

Por Miguel Arcanjo Prado

O Grupo Magiluth é uma das mais promissoras companhias do Nordeste brasileiro. Tanto que o blog os apelidou de Os Novos Pernambucanos do teatro nacional. E, cientes de que o Brasil é merecedor de ver este teatro produzido em Recife, eles começam nesta quinta (14), em Belo Horizonte, uma turnê nacional sem precedentes na história da trupe recifense.

Até o final do primeiro semestre, levarão seus espetáculos a dez Estados brasileiros: Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Mato Grosso, Pará e Rio de Janeiro (veja, abaixo, a agenda completa).

O primeiro lugar em que eles aportam é a capital mineira, onde se apresentam a partir desta quinta-feira (14), no Teatro do Espaco Espanca! (Rua Aarão Reis, 542, Centro, BH, tel. 0/xx/11 3657.7348).

Leia: R7 invade apartamento do Grupo Magiluth

1 Torto Mauricio Cuca 2 Grupo Magiluth faz turnê teatral por dez Estados brasileiros; Minas Gerais é a primeira parada

Giordano Castro no ótimo monólogo 1 Torto - Foto: Maurício Cuca

O espetáculo Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você será apresentado nos dias 14, 16 e 17 de marco (quinta, sábado e domingo), às 21h.

Ele mostra o dilema de um grupo de rapazes e suas relações afetivas em um ambiente urbano. Um dos charmes do espetáculo é sempre dialogar com a cidade onde ele é apresentado. A direção é do grupo em parceria com Luiz Fernando Marques.

No elenco, estão Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Pedro Wagner e Pedro Vilela. Leia a crítica.

Já nos dias 16 e 17 (sábado e domingo) também tem o espetáculo solo 1 Torto, que rendeu indicação a Giordano Castro de Melhor Ator R7 de 2012, às 19h.

O espetáculo intimista, que tem direção de Pedro Wagner e dramaturgia do próprio ator, fala do dilema do ator diante de sua arte e tem ampla participação do público. Leia a crítica.

Os ingressos da curta temporada do Grupo Magiluth em Belo Horizonte estão a preço popular: R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia-entrada.

Veja a agenda do grupo nos próximos meses e programe-se para ver os meninos de Recife:

agenda magiluth Grupo Magiluth faz turnê teatral por dez Estados brasileiros; Minas Gerais é a primeira parada

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veronese espanca guto muniz Daniel Veronese e Grace Passô falam sobre dobradinha Argentina e Minas em peça do Espanca!

O argentino Daniel Veronese estabelece parceria com o Espanca!, grupo de BH - Foto: Guto Muniz

Por Miguel Arcanjo Prado

Após circular praticamente todo o Brasil, o grupo mineiro Espanca! deu, neste domingo (1º), seu primeiro passo rumo à internacionalização.

A companhia, que existe desde 2004, estreou em Belo Horizonte o espetáculo O Líquido Tátil, com texto e direção de Daniel Veronese, um dos maiores nomes do teatro argentino.

A temporada na capital mineira vai até o dia 23. Depois, seguem para o Rio, onde o Espanca! pretende ficar em longa temporada não só com este, mas também com seus trabalhos anteriores, Amores Surdos e Por Elise.

O grupo começou a se aproximar de Veronese em 2011. Grace, diretora e atriz da trupe, confessa ser fã do portenho desde 1997, quando este escreveu O Líquido Tátil.

Os ensaios foram realizados em cinco semanas, em Buenos Aires. Antenada, Grace vislumbra com a inciativa um maior contato entre o teatro brasileiro e o argentino.

No elenco, além de Grace, estão Marcelo Castro e Gustavo Bones, que traduziu a obra do castelhano para o português.

O R7 conversou com Daniel Veronese, 56 anos, e Grace Passô, 32. Veja, a seguir, as duas entrevistas exclusivas e, ao fim, também saiba como ver o serviço do espetáculo em BH e no Rio.

Entrevista com Daniel Veronese

daniel veronese guto muniz Daniel Veronese e Grace Passô falam sobre dobradinha Argentina e Minas em peça do Espanca!Miguel Arcanjo Prado – O que você achou do convite para trabalhar com um grupo de Belo Horizonte? Já conhecia a cidade e o Espanca!?
Daniel Veronese – Eu já conhecia Belo Horizonte, já o Grupo Espanca, não. Tinha ido várias vezes à cidade para participar de festivais.

Miguel Arcanjo Prado – Quais são as características dos atores do Espanca!?
Daniel Veronese – São Muito disciplinados e trabalhadores. Tivemos um ótimo contato porque eles são abertos a escutar e a modificar-se.

Miguel Arcanjo Prado – Você tem vontade de levar a peça com os meninos de Minas a Buenos Aires e outras cidades argentinas?
Daniel Veronese – Estaria bom, mas isso está fora das minhas possibilidades.

Miguel Arcanjo Prado – Você irá na temporada em Minas?
Daniel Veronese – Não sei ainda, porque estarei em Madri por quase dois meses e logo tenho um filme. Tenho vontade de ir, mas ainda não decidimos quando.

Miguel Arcanjo Prado – Como foram os ensaios?
Daniel Veronese – Ensaiamos durante umas cinco semanas em Buenos Aires.

Miguel Arcanjo Prado – Falando em Buenos Aires, quando será o próximo trabalho de seu grupo?
Daniel Veronese – Será algo no próximo ano, ainda não sei o que, mas talvez voltemos minha versão de Três Irmãs, de Tchekhov.

grace passo guto muniz Daniel Veronese e Grace Passô falam sobre dobradinha Argentina e Minas em peça do Espanca!Entrevista com Grace Passô

Miguel Arcanjo Prado – Como surgiu esse contato com o Veronese? De onde veio a ideia de convidá-lo a trabalhar com o Espanca?
Grace Passô – O trabalho de Veronese é uma referência para nossa companhia. Particularmente, assisto seus trabalhos desde 1997, e desde então ele vem construindo trabalhos de estilos diferentes, com focos distintos de trabalho, mas sempre com uma encenação radical, em algum aspecto.

Miguel Arcanjo Prado – Como é o estilo de trabalhar do Veronese? O que você e o grupo aprenderam com ele nesse tempo?
Grace Passô – No período em que estivemos com ele, o trabalho foi focado na atuação – o texto O Líquido Tátil, foi escrito em 1997, e essa foi a segunda montagem dirigida por Veronese. Dentro da sala de ensaio o que houve foi um diálogo franco entre direção e atuação. O exercício da síntese (na atuação e encenação) foi um importante aprendizado nessa montagem.

Miguel Arcanjo Prado – Ele estará na temporada em BH? E no Rio? Pretendem apresentar a obra em festivais?
Grace Passô – Ele não estará na estreia. Estrearemos e faremos a primeira temporada da peça em BH. Em seguida, no mês de outubro, vamos para o Rio, onde residiremos até janeiro de 2014, apresentando também as peças Amores Surdos, Por Elise e Marcha para Zenturo. O primeiro festival que apresentaremos O Líquido Tátil será o Fiac [Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia], em Salvador, no final de setembro deste ano.

Miguel Arcanjo Prado – Há a possibilidade de vocês fazerem a obra em castelhano na Argentina? Quando?
Grace Passô – Ainda não começamos a pensar nisso. Mas este é o nosso primeiro projeto em parceria com um artista fora do Brasil, e é claro que este fato nos inspira a começar a circular para além das margens brasileiras.

O Líquido Tátil 03 Crédito Guto Muniz Daniel Veronese e Grace Passô falam sobre dobradinha Argentina e Minas em peça do Espanca!

O Líquido Tátil está em cartaz em BH e depois irá para o Rio de Janeiro - Fotos: Guto Muniz

O Líquido Tátil, com o Grupo Espanca!

Belo Horizonte
Quando: 1º a 23 de setembro – quartas, quintas, sábados e domingos, às 20h
Onde: Teatro Espanca! (r. Aarão Reis, 542 – Centro – Belo Horizonte)
Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)

Rio de Janeiro
Quando: 3 de outubro a 4 de novembro – quarta a domingo, às 19h30
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro)
Quanto: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada)

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Por Miguel Arcanjo Prado

Após passar por Londres em uma temporada pré-olímpica que reuniu grupos de todo o mundo representando obras de William Shakespeare no Globe Theatre em maio deste ano, o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, faz duas apresentações grátis em São Paulo de Romeu e Julieta.

As sessões serão neste sábado (4) e domingo (5), às 18h, no Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1.000, Metrô Belém), e os ingressos serão distribuídos uma hora antes de cada sessão.

O grupo também apresentou a obra com sucesso no último FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte), quando levou 16 mil pessoas à praça do Papa em um único fim de semana.

Gabriel Villela é o diretor responsável pela remontagem do espetáculo, apresentado pela primeira vez há exatos 20 anos. Ele, que agora mora em São Paulo, esteve em Belo Horizonte entre 27 de fevereiro e 6 de março deste ano, quando se reuniu com o elenco original da peça para a remontagem.

Grupo galpao 042 Galpão faz apresentação grátis de <i>Romeu e Julieta</i>

Grupo Galpão apresenta Romeu e Julieta para 16 mil em praça de BH - Foto: Guto Muniz

O blog conversou com a turma do Galpão sobre este momento. Arildo de Barros, que faz assistência de direção de Villela, contou que o objetivo sempre foi fazer a obra tal qual foi feita em 1992.

— É exatamente o mesmo espetáculo. As marcações e as intenções são as mesmas.

Inês Peixoto, que entrou no Galpão justamente para fazer a Senhora Capuleto, mãe de Julieta, afirmou ao Atores e Bastidores que refazer algo pensado 20 anos atrás foi um verdadeiro desafio. Ela se uniu aos colegas para “abrir os velhos baús”, onde encontraram até “flores e cruzinhas usadas em 1992”.

— Abrir os baús foi bonito, mexeu com a gente.

A atriz Teuda Bara, a ama de Julieta, também “tinha um medo danado deste reencontro”. Mas, no encontro com Villela e os colegas do elenco, reencontrou “a alegria e o frescor” deste espetáculo, como contou ao R7.

— É uma peça que a gente não para um minuto. Uma hora você está cantando, na outra está dançando.

Inês conta que o diretor quis “reavivar as relações entre os personagens, buscar o impulso da precipitação, tão presente na trágica história de amor.

 Ele montou uma trave de madeira a um metro e meio do chão e fez com que andássemos sobre ela, igual fizemos em 1992. Esse perigo da queda iminente nos exercícios trouxe ao texto uma qualidade diferente.

Para a atriz, o reencontro com Villela é algo que também mexe com todos, pois “ele foi um diretor muito marcante na história do Galpão”.

— Romeu e Julieta foi um grande divisor de águas na trajetória do grupo. Visitamos 17 países com esta obra.

Tanta lembrança trouxe à tona uma ausência sentida nesta remontagem, a de Wanda Fernandes, que fez Julieta na primeira versão ao lado do Romeu Eduardo Moreira. Ela morreu dois anos depois da estreia. Desde 1996, Fernanda Vianna faz a personagem.

A volta de Gabriel Villela à trupe não foi por acaso. Ele já vinha sendo sondado pelos conterrâneos para dirigir a próxima montagem do Galpão, Os Gigantes da Montanha, texto do italiano Luigi Pirandello. Tudo “coisa do destino”, como acredita Inês.

Romeu e Julieta vai aquecer de novo nossa relação com Gabriel, que está em uma fase esplendorosa da carreira.

Romeu e Julieta
Quando: Sábado (4) e domingo (5), às 18h
Onde: Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1.000, Metrô Belém, São Paulo, tel. 0/xx/11 2076-9700)
Quanto: Grátis (ingresso distribuído uma hora antes da sessão)
Classificação: Livre

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poster fitbh pq Festival Internacional de Teatro de BH chega ao fim com mérito de ter levado artista aonde povo está

Diversidade no FIT-BH: cenas de Mistero Buffo (SP), Tranfiguration 1 (França), Oxlajuj B'Aqtun (Guatemala) e A Pequenina América e Sua Avó $ifrada de Escrúpulos (MG) - Fotos: Guto Muniz, Kika Antunes e Glenio Campregher/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte*

É com tristeza que os belo-horizontinos se despedem, neste domingo (24), da 11ª edição do FIT-BH (Festival de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte).

Foram 16 dias em que a capital mineira respirou arte em suas nove regiões. Afinal, o evento somou 143 apresentações em 60 lugares espalhados (mesmo) pela cidade, com 19 espetáculos internacionais vindos de 12 países, 12 nacionais e dez locais.

Com 18 anos de idade, o que faz com que seja parte da tradição cultural mineira, o festival é abraçado pelo povo belo-horizontino, que compareceu em peso às peças.

E foi no acalento do público generoso que o Galpão celebrou nos os 20 anos da montagem Romeu e Julieta, emblemática para a história do grupo de BH. E a população da cidade não faltou à festa. Só na praça do Papa a obra foi vista por 16 mil pessoas em transe. Quem disse que não há público para o teatro? O Galpão prova que teatro pode ser fenômeno de massa, sim, senhor.

A mistura brasileira e internacional, sobretudo latina, deu o tom. Os baianos do Bando de Teatro Olodum mostraram que fazem pesquisa séria sobre as questões da negritude, com seu Bença, instalado na quadra da escola de samba Cidade Jardim, encravada no alto do morro. Nada mais propício. Atores compenetrados deram o tom (sóbrio) a uma ancestralidade que muitos de nós, infelizmente, teimam ignorar. Fizeram com competência e seriedade.

Os meninos da mundana companhia, de São Paulo, também causaram frisson na cidade com o famigerado O Idiota – Uma Novela Teatral, peça que viu os 600 ingressos das cinco apresentações se esgotarem em poucas horas. Mesmo durando sete horas. A obra ficou na boca do povo.

Da turma que veio da América Latina, quem chamou a atenção foi a singeleza associada ao talento das meninas chilenas da peça Villa + Discurso, dirigida por Guillermo Calderón. A peça é um painel da história recente do Chile, tão parecida com a nossa. A identificação bateu e os mineiros, no histórico prédio da Fafich, a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG.

Os argentinos de Daniel Veronese também se sobressaíram com Los Hijos se Han Dormido, que tinha no elenco Luis Ziembrowski.

Com figurino exuberante, os guatemaltecos do espetáculo de rua Oxlajuj B'Aqtun deixaram os olhos do público inebriados com a riqueza cultural das profecias maias.

Mas o grande charme do FIT-BH foi a aproximação real entre público, imprensa e artistas. E não eram poucos: o fetival teve 358 artistas ao todo, dos quais 165 gringos. Diferentemente de outros festivais do Brasil, que mantém burocrático isolamento entre as partes, no FIT-BH a proximidade entre artistas, jornalistas e espectadores foi algo concreto, sobretudo no Ponto de Encontro montado dentro do Parque Municipal, no coração do centro, que reuniu média de 2.000 pessoas por noite.

Lugar para jogar aquela conversa fora sobre teatro, vida e arte, ao sabor de cerveja acompanhada de comida deliciosa, como só os mineiros sabem fazer. Que venha logo o 12º FIT-BH.

poster fitbh gd Festival Internacional de Teatro de BH chega ao fim com mérito de ter levado artista aonde povo está

Teatro para todos os gostos e sotaques no FIT-BH (de cima para baixo, da esq. p/ dir.): Romeu e Julieta (MG), A Mulher sem Pecado (MG), Abito (Itália), Antes do Silêncio (MG), Bença (BA), El Autor Intelectual (Colômbia) e Los Hijos se Han Dormido (Argentina) - Fotos: Guto Muniz, Kika Antunes, Glenio Campregher e Marco Aurélio Prates/Divulgação

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte*

Foram disputadíssimos os 600 ingressos para ver uma das cinco apresentações da montagem O Idiota - Uma Novela Teatral, da paulistana mundana companhia, no FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte). O evento chega ao fim neste domingo (24). 

A peça, adaptação do romance homônimo de Dostoiévski, reverberou entre o público alternativo da capital mineira.

Aury Porto, protagonista da obra, contou ao R7 que pretende tentar voltar com a peça à capital mineira para uma temporada, diante da acolhida tão fervorosa. BH terá de esperar a temporada no Rio, na sequência, acabar.

A fotógrafa Kika Antunes registrou com sensibilidade o espetáculo no Espaço Centoequatro, localizado na Praça da Estação, cartão postal de BH.

Saiba mais sobre a peça O Idiota

Leia mais da cobertura do FIT-BH no R7

Veja, abaixo, as belas imagens:

oidiota poster kika antunes fit bh Com 7 horas, peça O Idiota conquista BH

Mineiros lotaram as cinco apresentações de O Idiota no FIT-BH - Fotos: Kika Antunes/Divulgação

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

 
 

 

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