Posts com a tag "belo horizonte"

emilia timbre 4 Babá volta do passado para perturbar família em crise no drama argentino Emilia, no FIT BH

Emília, do argentino Teatro Timbre4 é uma das atrações internacionais do FIT-BH - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

O grupo argentino Teatro Timbre4 participa do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte) sem seu diretor, Claudio Tolcachir.

O argentino circula no tapete vermelho do Festival de Cannes, na França, onde promove o filme El Ardor.

cannes reuters el ardor Babá volta do passado para perturbar família em crise no drama argentino Emilia, no FIT BH

Gael García Bernal, Alice Braga, Pablo Fendick e Claudio Tolcachir (ruivo, de paletó e gravata), no Festival de Cannes, na França, na última segunda (19) - Foto: Reuters

O longa, do também argentino Pablo Fendrik, tem Tolcachir no elenco, além de estrelas internacionais como a brasileira Alice Braga e o mexicano Gael García Bernal.

Enquanto Tolcachir curte o festival francês, seus atores arrebatam Belo Horizonte com o potente drama Emilia, que estreou nesta terça (20) e faz a última apresentação nesta quarta (21), na Funarte MG.

A peça tem no elenco Elena Bogan, Carlos Portaluppi, Adriana Ferrer, Francisco Lumerman e Gabo Correa.

O enredo conta a história do reencontro de um homem já casado e com a família em colapso com sua babá no passado.

A babá, hoje uma senhora idosa, passa a interferir de forma sutil, porém potente, no cotidiano daquela família, gerando situações de enfrentamento.

Quando a peça participou do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, em São Paulo, em 2013, Tolcachir revelou ao Atores & Bastidores do R7 que teve sua própria babá como inspiração para escrever a obra, que define como ficção.

Segundo o diretor, sua própria babá, chamada Cecília, viu a peça em Buenos Aires e se emocionou muito.

Apesar de a família estar em primeiro plano no tablado, Tolcachir não gosta da classificação de “drama familiar” para sua peça.

O artista argentino afirma preferir dizer que “conta história de pessoas”. E define: “As famílias não me interessam, mas, sim, seus personagens”.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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fit publico pracaestacao guto muniz FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

FIT-BH 2014: Às vésperas da Copa, multidão se junta na praça da Estação, em Belo Horizonte, não para ver futebol ou protestar, mas para acompanhar a peça Jamais 203, da trupe francesa Générick Vapeurdo - Foto: Guto Muniz

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

A 12ª edição do FIT-BH, o Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte, entra para a história como aquela que conseguiu resistir ao atropelo da Copa do Mundo, mas acabou sofrendo arranhões de uma leve batida.

Às vésperas da Copa, Belo Horizonte, uma das cidades-sede, é um grande canteiro de obras. Desde o Aeroporto de Confins — submerso em uma poeira que invade guichês, suja malas e prejudica a respiração do passageiro e dos trabalhadores do local —, até as principais vias da cidade, a percepção é de caos contínuo e muito estresse, já que, ao que parece, nada ficará pronto até o Mundial.

Diante disso, a resistência do FIT-BH à Copa é algo a se comemorar. Até o próximo dia 25, a 12ª edição do evento bianual apresenta 54 peças de 11 diferentes países em espaços distintos da capital mineira. O público mineiro, como sempre, abraçou o festival, mas, neste ano, o evento soa mais distante e evidencia alguns problemas.

Muito já se falou sobre o fato de o FIT-BH precisar disputar atenções com gigantes: como ocorre em anos pares, precisa brigar com Copa ou Olimpíada, e também costuma ser ameaçado por disputas eleitorais, já que eleições nacionais e locais também são em anos pares. Por isso, artistas mineiros já sugeriram que o festival bianual fosse transferido para anos ímpares. Tal reivindicação jamais foi atendida pelo poder público.

fit bh publico materia prima tfc FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

Atração internacional no FIT-BH: público belo-horizontino faz fila no Parque Municipal para ver o espetáculo espanhol Matéria Prima no Teatro Francisco Nunes, reformado ao custo de R$ 11 milhões - Foto: Divulgação

Improviso e logística

Atualmente, o FIT-BH é administrado pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, ligada à Prefeitura de BH. O custo anunciado da edição 2014 é de R$ 7 milhões, o que faz dela a maior de todas, assim como a projeção de público de 230 mil pessoas até o próximo domingo (25), quando o festival que começou no último dia 6 chega ao fim.

Apesar de resistir ao ano do futebol, as marcas dos arranhões sofridos ficaram evidentes neste FIT-BH. Está no ar uma certa dose de improviso e inexperiência na execução do festival, com recorrentes problemas de logística. Não há também iniciativa de promover encontro entre jornalistas e artistas, ficando isso restrito a ações improvisadas no café da manhã do hotel.

Em tempos que comunicação ocupa lugar de destaque em qualquer evento ou organização, não houve sala de imprensa ou qualquer menção de entrevista coletiva para algum grupo, coisa que já existiu em edições anteriores e é praxe em eventos como o Festival de Teatro de Curitiba. Isso contradiz os 20 anos de história do FIT-BH, uma experiência de sobra para já ter aprendido a fazer a contento um evento de tal dimensão.

fit salada mista FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

Cena da pernambucana Salada Mista, que integra o Fitinho, novidade infantil no FIT-BH - Foto: Divulgação

Artistas comemoram

Apesar das falhas operacionais, participar do FIT-BH é motivo de comemoração para muitos artistas. O ator pernambucano Flávio Santana, do espetáculo Salada Mista, da Cia. 2 em Cena de Teatro Circo e Dança, de Recife, conta que “a Copa prejudicou o teatro de uma maneira geral em todo o Brasil”.

Para Santana, investimentos no setor escassearam. Por isso, espera que, após o Mundial, “as coisas voltem ao normal ou, quem sabe, melhorem”. O artista conta que “apesar do frio” do clima de montanha, sentiu acolhida calorosa dos mineiros. “Estar num festival como o FIT-BH é muito importante, porque é uma janela que se abre tanto para o público quanto para outros festivais”, diz.

A produtora Carina Moutinho, do grupo paulista Os Satyros, elogia a estrutura que o festival deu ao grupo para a montagem de seu espetáculo, Adormecidos, apresentado no último fim de semana na Funarte MG. “Havia uma preocupação para que nos sentíssemos bem”, afirma.

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Espetáculo paulista Sabiás do Sertão comoveu os belo-horizontinos no FIT-BH com era de ouro do rádio nacional e canções interioranas - Foto: Divulgação

Outro que demonstra estar contente na capital mineira é o diretor Luiz Carlos Laranjeiras, da peça Sabiás do Sertão, da Cia. Cênica, de São José do Rio Preto (SP). “Além de termos tido uma impressionante acolhida do público, tivemos contato com muita gente de teatro. Conheci uma curadora de Cuba, por exemplo. O intercâmbio é fundamental. O festival é um grande espaço para troca de saberes”, define.

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Peter Luppa, como o Bobo da Corte em Hamlet: "Brasileiros aplaudem com o coração" - Foto: Guto Muniz

E tal troca não se restringe a grupos brasileiros. Reconhecido mundialmente, o Berliner Ensamble ficou impressionado com o aplauso de pé de 1.700 pessoas em cada uma das duas sessões de Hamlet no Palácio das Artes. Integrante da trupe alemã, o ator Peter Luppa definiu que “o brasileiro aplaude com o coração”.

Olheiros do mundo

E a troca internacional é almejada por Belo Horizonte para seus artistas. Com o objetivo de ver o teatro mineiro viajando o Brasil e o mundo, o FIT-BH bancou a estada de cerca de 20 programadores teatrais nacionais e internacionais no festival.

Gente como o jornalista e crítico teatral Celso Curi, que integra a curadoria do Festival de Teatro de Curitiba – o maior do Brasil – e também a direção da Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo.

Ao lado do parceiro Wesley Kawaai, Curi se concentrou em montagens mineiras. “É fundamental ter o contato com outras formas de ver teatro. Este tipo de intercâmbio funciona como uma escola de programadores”, revela ao R7.

fit bh curadores guto muniz FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

Grupo de curadores e programadores teatrais que visitam o FIT-BH 2014 - Foto: Guto Muniz

Cadê o Ponto de Encontro?

Uma das ausências mais sentidas durante a maioria do FIT-BH 2014 foi a do tradicional Ponto de Encontro. Antes montado no Parque Municipal, com barraquinhas e shows musicais de nomes locais e nacionais, o espaço era o lugar ideal para que público e artistas se encontrassem depois das apresentações. Neste ano, apesar de prometido pela Fundação Municipal de Cultura, o Ponto de Encontro não existiu.

Pelo menos nos primeiros 15 dias do festival. Isso porque a organização anunciou de última hora para esta quarta (21) a criação de um Cabaré Bar, espécie de ponto de encontro improvisado, quando boa parte dos artistas e jornalistas já deixou a capital mineira.

publico nina becker glenio campregher FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

Público e artistas do FIT-BH assistem a show da cantora Nina Becker no Ponto de Encontro em 2012: este ano o espaço não existiu - Foto: Glênio Campregher

Ausência sentida e drible na Copa

O presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Leônidas Oliveira, chegou a marcar uma entrevista coletiva com os jornalistas que cobrem o FIT-BH no último sábado (17), mas ele não apareceu.

guillermo pellegrino FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

O jornalista e escritor uruguaio Guillermo Pellegrino: "FIT-BH às vésperas da Copa deixa legado cultural permanente" - Foto: Arquivo pessoal

Apesar dos problemas, o jornalista uruguaio Guillermo Pelegrino, que cobre o FIT-BH para a imprensa uruguaia e argentina, elogia a capacidade do teatro e da cultura brasileira de resistir ao maior evento futebolístico do mundo. E revela que ficou surpreso.

— Fiquei impressionado de ver um festival de teatro tão grande tão perto da Copa, de ver o Brasil apostar em cultura às vésperas do Mundial. Acho que, independentemente de qualquer coisa, o FIT-BH, nestes 20 anos de história, deixa um legado cultural permanente para Belo Horizonte e para o Brasil.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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peter luppa 2 Ator alemão de Hamlet, do Berliner Ensamble, vibra com aplauso fervoroso dos mineiros no FIT BH

Peter Luppa integra o elenco de Hamlet, do grupo alemão Berliner Ensamble - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

O pequeno ator alemão Peter Luppa é cuidadoso ao falar do Brasil. Escolhe bem as palavras. Afinal, esta é a segunda vez que visita o País, que diz gostar muito. A primeira foi 25 anos atrás, para férias inesquecíveis nas praias do Nordeste. Agora, veio por motivo de trabalho.

Luppa integra o elenco de Hamlet, a montagem do Berliner Ensamble que arrastou cerca de 3.500 pessoas ao Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em duas apresentações neste fim de semana, com filas gigantescas que acompanhavam a fachada do prédio na av. Afonso Pena. Faz o Bobo da Corte e tem mudanças de figurino tão rápidas que deixam a plateia boquiaberta.

Hamlet era o espetáculo era o mais aguardado no FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte), que celebra 20 anos de história nesta edição de 2014.

Durante o café da manhã com o Atores & Bastidores do R7, Peter Luppa conta que “o público foi ótimo”. Mas, revela que o grupo viveu momentos de tensão para encenar o clássico de William Shakespeare na capital mineira.

– Lá em Berlim, fazemos em palco giratório. Aqui, ficamos sabemos que não teríamos este recurso, pois o palco é estático. Então, tivemos de mudar muitas marcações. Em Berlim, as paredes giravam sozinhas, aqui tivemos de empurrar mesmo.

O ator revela que, apesar “ficou visualmente bonito o resultado”. Fruto de ensaios por dois dias exaustivos em Berlim e mais dois em Belo Horizonte, onde também tiveram de lidar com um palco que tem “o dobro do tamanho” do original alemão.

Ele diz gostar da “mentalidade brasileira”. E explica que nos considera um povo “muito tranquilo”. Diz que tal comportamento “é bom para o coração e para a circulação”. Conta que diante de qualquer problema, os brasileiros lhe dizem com toda a calma do mundo “nós vamos conseguir”, o que lhe deixa impressionado com tamanha autoconfiança. Sobre o carinho do público mineiro, Luppa filosofa.

– O aplauso no Brasil é muito mais caloroso do que na Alemanha. Lá, aplaudem assim [imita um aplauso preguiçoso, fazendo cara de nojo]. Aqui, não, é intenso. Tem outro tipo de amor e se entrega no aplauso. As pessoas se emocionam. É como se o público amasse aquelas pessoas que estão no palco. É de coração. A nós, só nos resta dizer: muito obrigado!

hamlet berliner ensamble Ator alemão de Hamlet, do Berliner Ensamble, vibra com aplauso fervoroso dos mineiros no FIT BH

Cena da obra alemã Hamlet, principal atração do FIT-BH, encenada no Palácio das Artes - Foto: Divulgação

Agradecimento: Daniel Hazan (intérprete de alemão)

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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la tristura materia prima Alemães, espanhóis e paulistas disputam público do FIT BH

Pré-adolescentes falam texto de adultos na peça Matéria Prima - Foto: Mário Zamora

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

O espetáculo Hamlet, do grupo alemão Berliner Ensamble, é o mais concorrido deste segundo fim de semana do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte).

Com ingressos esgotados para as duas sessões no Palácio das Artes, o maior teatro da capital mineira com seus 1.705 lugares, a montagem do clássico texto de William Shakespeare atrai a atenção dos mineiros.

Dirigida por Leandro Haussmann, a peça teve parceria com o Governo da Alemanha para ser encenada no festival. O grupo precisou fazer mudanças no cenário, já que seu teatro na Alemanha possuiu palco giratório.

Para se adaptarem ao palco estático do Palácio das Artes, precisaram de dois dias de ensaios para que a estreia deste sábado (17) ficasse perfeita.

Os aplausos calorosos no final recompensaram o esforço. Peter Luppa, ator da companhia, conta ao Atores & Bastidores do R7 que o elenco ficou emocionado com reação tão calorosa.

— Foi um aplauso muito caloroso e sincero. A gente sentia que o público demonstrava amar os artistas que estavam naquele palco.

Outra peça concorrida deste fim de semana é Matéria Prima, da Espanha, apresentada no recém-reformado Teatro Francisco Nunes. A peça do grupo La Tristura apresenta atores pré-adolescentes dizendo textos de adultos e impressiona.

Adormecidos Tiago Leal José Alessandro Sampaio Luiza Gottschalk e Katia Calsavara Foto de Andre Stefano e1389915301193 Alemães, espanhóis e paulistas disputam público do FIT BH

Cena da peça Adormecidos: Satyros emocionam plateia mineira no FIT-BH - Foto: Andre Stefano

Obra que também impressionou o público mineiro foi Adormecidos, do grupo paulistano Os Satyros, apresentada na Furnarte-MG. Muita gente chorou ao fim do texto do norueguês Jon Fosse dirigido por Rodolfo García Vázquez. No palco, dramas potentes de dois casais.

Atriz do grupo, Katia Calsavara conta ao R7 que, assim como ocorreu com os alemães, foi trabalhoso o processo de remontagem da peça em palco diferente.

— A peça foi concebida para o espaço dos Satyros, que é alternativo e pequenino, com público de 40 pessoas. Tivemos de adaptá-lo para o palco italiano, com uma plateia três vezes maior ao que estávamos acostumados. Mas funcionou muito neste formato também, e o público foi bem receptivo.

Outra peça paulista, de São José do Rio Preto, emocionou quem estava na praça Duque de Caxias, no tradicional bairro de Santa Tereza, neste sábado. Musical brasileiro, Sabiás do Sertão levou para a cena o período de ouro da música de raiz no interior do Brasil.

Muitos espectadores cantaram junto e se comoveram ao lembrar-se dos velhos tempos. Luiz Carlos Laranjeiras, que dirige a Cia. Cênica, divide com todos os integrantes o sucesso.

— O ator é o centro de tudo que acontece no teatro. Nós fazemos um trabalho coletivo e estar aqui e ter esta visibilidade e este acolhimento do público e da crítica é algo muito importante.

Produção local

Produções mineiras também têm lugar na programação do FIT-BH e disputam a preferência do público conterrâneo. A montagem local Aldebaran, que mistura fábulas no palco do Teatro Bradesco, também é um dos espetáculos mais procurados deste segundo fim de semana do evento.

E o medo de avião embala o monólogo Get Out, do grupo mineiro Quatroloscinco, apresentado no Teatro José Aparecido de Oliveira, dentro da Biblioteca Pública. Com o mote da fobia de altura, a peça coloca em debate os pensamentos e imagens pré-concebidos.

O FIT-BH continua até o próximo dia 25 de maio. Ao todo são 54 produções de 11 diferentes países. Nesta próxima semana estão na programação sucessos internacionais, como a peça argentina Emilia e as cubanas Rapsodia para el Mulo e Fichenla si Pueden, e nacionais, como Cine_Monstro, do Rio.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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sabias jorge etecheber 3 Musical Sabiás do Sertão é raiz brasileira no FIT BH

Cena da peça musical Sabiás do Sertão: artistas paulistas encantam mineiros - Foto: Jorge Etecheber

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte*

Além de Minas Gerais e dos espetáculos internacionais, cinco Estados brasileiros mandaram seus artistas para o FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte), que acontece na capital mineira até o próximo dia 20.

Um destas companhias visitantes é a Cia. Cênica, vinda de São José do Rio Preto, cidade do interior de São Paulo também famosa por seu Festival Internacional de Teatro.

O grupo existe desde 2007 e tem foco nas tradições populares do Brasil. A produção deles é tão intensa que a trupe mantém atualmente cinco peças em circulação — todas com foco em temáticas nacionais.

A escolhida para participar do FIT-BH é Sabiás do Sertão, apresentada neste fim de semana no FIT-BH. A obra estreou na sexta (16), no Conjunto Estrela Dalva. Neste sábado (17), às 18h, será apresentada na praça Duque de Caixas, em Santa Tereza. Já no domingo (18), às 16h, será encenada no Parque Guilherme Lage.

A montagem é definida pelo grupo como "um teatro musical brasileiro em um ato, uma chegança e uma andança", com direção de Luiz Carlos Laranjeiras, com co-direção de Fagner Rodrigues, que merece reconhecimento por ser o autor de espetáculo tão importante em tempos que engolimos qualquer coisa vinda da Broadway e muitas vezes damos as costas para o que temos por aqui.

sabias estevam collar 1 Musical Sabiás do Sertão é raiz brasileira no FIT BH

Sabiás do Sertão: raízes no palco - Foto: Estevam Collar

Em foco, ícones da nossa música caipira: a dupla Cascatinha & Inhana, casal no palco e na vida real, espécie de porta-bandeira de nossa música de raiz.

A montagem, com dramaturgia de Clara Roncati, revive a história da dupla, que cantou no rádio e em circos interioranos, por meio de uma companhia teatral mambembe.

Ritmos como toadas, boleros e guarânias — que evidenciam a influência de nossos vizinhos aqui na América Latina — estão presentes na obra e cativam o público, que canta junto, emocionado em reviver um tempo e um tipo de arte tão caro à nossa história artística e musical.

Que bom que ainda há artistas que, tal qual um sabiá do sertão teimoso, resistem em falar e cantar as nossas coisas.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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fit hamlet Entrevista de Quinta: Copa não prejudicou e FIT BH é o maior internacional do País, diz diretor

Hamlet, da Berliner Ensamble, da Alemanha, é a grande atração do FIT-BH: 6 a 20 de maio - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Do alto da montanha, o horizonte do mineiro sempre pareceu mais distante. "Sou do mundo, sou Minas Gerais", diz uma conhecida canção do Estado que abriga o festival teatral brasileiro que tem mais peças gringas na programação: o FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e & Rua de Belo Horizonte), que será realizado entre 6 e 25 de maio de 2014. Além do Brasil, dez países estão representados.

Ao todo, são 18 espetáculos internacionais em uma lista de 55 peças nesta 12ª edição, que marca os 20 anos do evento. Comparando, a MIT_SP (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo), realizada em março, teve dez peças internacionais. Já a edição 2014 do Festival de Teatro de Curitiba teve cinco peças internacionais, apesar de ser o maior de público, 230 mil pessoas em 2014, e em quantidade de peças, quase 500 na última edição.

Por sua vez, o Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, apesar dos 25 espetáculos internacionais em sua última edição, em 2012, não entra na briga, por ter como foco apenas produções ibero-americanos, enquanto que o FIT-BH abriga o teatro do mundo todo. Neste ano, além das 18 montagens internacionais, há 12 produções nacionais, vindas de 5 Estados, e também 25 espetáculos mineiros. No total, 163 apresentações.

Nesta Entrevista de Quinta, o Atores & Bastidores do R7 conversou com exclusividade com Leônidas José de Oliveira, presidente desde outubro de 2012 da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, responsável pelo FIT-BH.

Arquiteto e filósofo pela PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), ele é mestre em restauração do patrimônio pela Universidade de Roma e doutor em gestão da cultura e do patrimônio cultural pela Universidade de Valladolid, na Espanha.

Oliveira falou sobre o tamanho do festival, sua proximidade com a Copa do Mundo e a relação do evento com a cidade. E ainda contou quanto público espera, além de comentar a polêmica sobre o não pagamento de parte de fornecedores da última edição e também o atraso na venda dos ingressos.

Leia com toda a calma do mundo.

fit leonidas jose oliveira Entrevista de Quinta: Copa não prejudicou e FIT BH é o maior internacional do País, diz diretor

Leônidas José de Oliveira: "Copa não atrapalhou o FIT-BH; somos o maior em peças internacionais" - Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado — A Copa do Mundo prejudicou o FIT-BH?
Leônidas José de Oliveira — Não, de forma alguma. Porque nós fizemos no ano passado, em 2013, uma pré-produção. Já contatamos os grupos e fizemos os orçamentos, reservamos hotéis. Então, a organização no ano anterior possibilitou que a gente conseguisse tarifas de transporte e hospedagem mais baratas.

Miguel Arcanjo Prado — Qual a maior característica do FIT-BH?
Leônidas José de Oliveira — Estamos trabalhando muito a questão da interação, da coexistência de diferentes correntes estéticas do teatro nestes 20 dias de FIT-BH. Neste sentido, teremos o Fitinho, que tem uma estética para as crianças. Mas não abrimos mão de obras clássicas importantes, como Hamlet, pela Berliner Ensamble. Esta escolha foi também para homenagear os 450 anos de William Shakespeare. Queremos a apropriação do espaço urbano pela arte. Tem peças que vão percorrer as ruas, abertos e sem grades, para que as pessoas possam se apropriar da arte.

Miguel Arcanjo Prado — O FIT-BH celebra 20 anos. A cidade vai ganhar algum presente?
Leônidas José de Oliveira — Belo Horizonte passa por um momento muito esperado: vamos entregar junto com o FIT-BH o Teatro Francisco Nunes, que estava fechado, em reforma, há cinco anos. O Chico Nunes, como nós o chamamos aqui em BH, é um dos principais teatros do Brasil. Tanto que escolhemos este palco para abrirmos o FIT-BH no dia 6. E no dia 7 vamos entregar outro teatro municipal, o Teatro Marília, para a cidade. Ambos completamente revitalizado e com equipamentos de ponta. A reforma custou R$ 13 milhões,s endo R$ 11 milhões do Francisco Nunes e R$ 2 milhões do Marília.

fit francisco nunes Entrevista de Quinta: Copa não prejudicou e FIT BH é o maior internacional do País, diz diretor

Área interna do Teatro Francisco Nunes, em BH: reforma custou R$ 11 milhões - Foto: Adão de Souza/PBH

Miguel Arcanjo Prado — Um dos charmes do FIT-BH é o Ponto de Encontro que acontecia no Parque Municipal. Ele vai existir neste ano?
Leônidas José de Oliveira — Não será mais possível fazer no Parque por questões de meio ambiente. Então, estamos estudando um novo lugar para fazer o Ponto de Encontro. Mas, certamente, ele vai existir. O lugar deve ser fechado até o começo da próxima semana.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi feita a seleção dos espetáculos?
Leônidas José de Oliveira — Tem uma comissão de curadores, Jefferson da Fonseca e Geraldo Peninha. No ano de 2013, eles viajaram por diversos países latino-americanos, da Europa, e de outros continentes, assistindo a diversos espetáculos para ver o que entravam no conceito do FIT-BH. Eles escolheram espetáculos que mostrem uma nova forma de interpretação artística e que trouxesse ganho para Belo Horizonte. E também a escolha dos espetáculos locais foi neste sentido.

fit Prazer Cia Luna Lunera Credito Ricardo Albertini 09 Entrevista de Quinta: Copa não prejudicou e FIT BH é o maior internacional do País, diz diretor

Cena de Prazer, da Cia. Luna Lunera, que vai abrir o FIT-BH no Teatro Francisco Nunes - Foto: Ricardo Albertini

Miguel Arcanjo Prado — Qual o lugar que a produção local mineira ocupa no festival?
Leônidas José de Oliveira — Belo Horizonte tem  uma produção teatral muito grande, importante, de ponta e que não deve nada a grandes grupos internacionais. Criamos um projeto, Intercena, onde a Fundação Municipal de Cultura vai patrocinar a vinda de programadores e curadores de festivais internacionais para conhecer a produção local. Queremos internacionalizar as artes cênicas mineira. Nesta edição, são 25 trabalhos mineiros selecionados por uma comissão de especialistas a partir de um edital.

Miguel Arcanjo Prado — Algum festival teatral serve de inspiração para o FIT-BH?
Leônidas José de Oliveira — Sim. O de Lille, na França, que é uma cidade-irmã de Belo Horizonte, e os festivais de Barcelona e de Buenos Aires, que também foram referências importantes para este FIT-BH.

Miguel Arcanjo Prado — O Festival de Teatro de Curitiba, que é o maior do Brasil em número de espetáculos, serve de inspiração?
Leônidas José de Oliveira — O de Curitiba é o maior do Brasil porque tem muitos espetáculos locais. Agora, o maior festival em espetáculos internacionais é o FIT-BH.

fit grace Entrevista de Quinta: Copa não prejudicou e FIT BH é o maior internacional do País, diz diretor

Grace Passô em cena da peça Líquido Tátil, que está na programação - Foto: Guto Muniz

Miguel Arcanjo Prado — Vocês esperam quanto de público neste ano?
Leônidas José de Oliveira — Esperamos 200 mil pessoas [Curitiba teve 230 mil pessoas em 2014]. Isto representa crescimento de 25% em relação à última edição, que teve 150 mil pessoas de público. Nada mais justo esperar este crescimento, até porque crescemos em apresentações. Esta é a maior edição, tanto que não coube em 15 dias, tivemos que passar para 20, porque os teatros da cidade não comportavam tudo em duas semanas.

Miguel Arcanjo Prado — Qual o valor do investimento no FIT-BH?
Leônidas José de Oliveira — Foram R$ 7 milhões, dos quais R$ 6 milhões vieram de recursos da Prefeitura de Belo Horizonte e R$ 1 milhão de parcerias com a iniciativa privada e com o Governo da Alemanha, que nos ajudou a trazer o Berliner Ensamble com Hamlet. Afinal, são 45 artistas mais o cenário.

Miguel Arcanjo Prado — E sobre a polêmica do não pagamento de quem participou da última edição? Qual o tamanho da dívida? Quando vai ser paga?
Leônidas José de Oliveira — Não existe dívida, porque gastou-se além do contratado. Agora, os documentos já chegaram. Vou lhe explicar: o FIT-BH de 2012 foi orçado em R$ 5 milhões. Só que no acontecimento houve necessidades que fizeram ser gasto mais do que estava previsto. Como gastou a mais, precisa passar pela auditoria do município. Eu acredito que nos próximos meses vamos começar o processo de pagamento. Porque a finalização da auditoria já está acontecendo. A soma é de R$ 1,03 milhão.

Miguel Arcanjo Prado — Tem algum artista que não recebeu?
Leônidas José de Oliveira — Não tem nenhum artista nesta lista, apenas fornecedores. Todos os artistas foram pagos.

Miguel Arcanjo Prado — Por que houve atraso na venda dos ingressos, prevista para ter começado na última segunda?
Leônidas José de Oliveira — Houve um problema técnico com a empresa contratada para vender online. Mas já foi resolvido e a venda começa nesta quinta-feira (1º).

Miguel Arcanjo Prado — Qual a relação dos belo-horizontinos com o FIT-BH?
Leônidas José de Oliveira — A relação de Belo Horizonte com o teatro é antiga. A cidade tem tradição em produzir óperas e peças de teatro. Exemplo disso é a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, que em sua 47ª edição, entre fevereiro e março deste ano, colocou em cartaz 170 peças com público de 400 mil pessoas. Isso, aliado aos 20 anos de FIT-BH, criou no belo-horizontino o gosto pelo teatro. A classe artística mineira também é muito atuante. Belo horizonte tem excelentes escolas de teatro e vários grupos de renome internacional. Isso cria público cativo. O FIT-BH é o espaço para esta classe artística e este público trocar experiências com o mundo inteiro. E toda população abraça o evento; vamos fazer espetáculos nas nove regionais de Belo Horizonte e também nos aglomerados na periferia da cidade. Queremos os artistas não só na região centro-sul, mas também em espaços alternativos, dialogando com a população.

Conheça a programação completa do FIT-BH

galpao guto muniz Entrevista de Quinta: Copa não prejudicou e FIT BH é o maior internacional do País, diz diretor

Grupo Galpão faz Romeu e Julieta na praça do Papa, no FIT-BH 2012: 16 mil pessoas - Foto: Guto Muniz

Acompanhe a cobertura do R7 no FIT-BH!

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ivanov jorge etecheber3 Cearenses fazem Tchékhov grátis em SP e BH

De graça: Ivanov, do grupo Teatro Máquina, do Ceará, faz temporada em SP e BH - Foto: Jorge Etecheber

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Teatro Máquina se prepara para uma série de quatro sessões grátis em São Paulo e mais quatro em Belo Horizonte de sua montagem Ivanov.

O grupo de Fortaleza, Ceará, se apresenta de 2 a 4 de maio no CIT-Ecum, no centro paulistano. No fim de semana seguinte, de 9 a 11 de maio, faz temporada no Galpão Cine Horto, em BH.

A peça, de tom melancólico, integrou o último FIT Rio Preto (Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto), quando foi vista pelo R7leia a crítica.

O segundo texto escrito em 1897 pelo autor russoAnton Tchékhov (1860-1904) revela a trajetória de um homem que vive em conflito, afinal, sua mulher está morrendo e ele se vê apaixonado por uma jovem.

A obra representa a decadência da aristocracia rural russa no século 19, às vésperas da revolução comunista que criaria a União Soviética no começo do século 20. Fran Teixeira assume a direção da montagem.

No elenco, estão Aline Silva, Ana Luiza Rios, Edivaldo Batista, Bruno Lobo, Levy Mota e Loreta Dialla.

Ivanov
Temporada em SP
Quando: Sexta, 21h; sábado, 19h e 21h; domingo, 20h. 70 min. De 2/5/2014 a 4/5/2014
Onde: CIT-Ecum (r. da Consolação, 1623, metrô Paulista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3129-9132)
Quanto: grátis
Temporada em BH
Quando: Sexta, 20h; sábado, 19h e 21h; domingo, 19h. 70 min. De 9/5/2014 a 11/5/2014
Onde: Galpão Cine Horto (r. Pitangui, 3613, metrô Horto, Belo Horizonte, tel. 0/xx/31 3481-5580)
Quanto: grátis tanto em SP quanto em BH
Classificação etária: 14 anos

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Como matar a m e em 3 atos 1455 20140316 0381 Léo Kildare Louback escarafuncha relação entre mãe e filho para criar Como Matar a Mãe   3 Atos

Léo Kildare Louback: relação com a mãe passada a limpo no palco - Foto: Guto Muniz

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Ao ver os primeiros ensaios para o texto que dissecava parte da relação que tem com o filho, a mãe não gostou. Ficou um ano sem falar com o filho artista. O tempo passou, o projeto tomou corpo. Agora, só lhe resta sentar-se na primeira fila da plateia.

As nuances da relação muitas vezes difícil entre mãe e filho estarão no palco do Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a partir desta quinta (24), em Como Matar a Mãe - 3 Atos, texto do mineiro Léo Kildare Louback.

Aos 29 anos completados no último dia 20, ele é um dos mais inquietos artistas da nova geração teatral de Minas Gerais. Na obra debutante de sua Sofisticada Companhia de Teatro, divide direção e atuação com as atrizes Fabiane Aguiar e Soraya Martins, suas colegas de grupo.

Além de ator e dramaturgo, Louback é formado em letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, e atua ainda como tradutor de alemão. Atualmente, ainda faz pós-graduação em produção cultural.

Em conversa exclusiva com o Atores & Bastidores do R7, direto de Belo Horizonte, ele conta que o processo da peça foi difícil. "Investigamos limites entre ficção e memória. Nossas mães verdadeiras são tema, bem como mães da literatura e do teatro".

Como matar a mãe em 3 atos guto muniz Léo Kildare Louback escarafuncha relação entre mãe e filho para criar Como Matar a Mãe   3 Atos

Fabiane Aguiar, Soraya Martins e Léo Kildare Louback: Sofisticada Companhia de Teatro - Foto: Guto Muniz

O grupo está em processo desde julho de 2011. "Digo que esta peça foi a partir da minha mãe e das cartas não respondidas para meu pai", revela. Louback conta que nada foi fácil. "Minha mãe chegou a ver um esboço e ficou um ano sem conversar comigo. Mas, agora, já está mais tranquila. Tanto que ela e as mães das outras atrizes estarão na estreia".

Nome provocante

Sobre o provocante nome da obra, o ator e dramaturgo diz que vem da necessidade de "se livrar desse cordão umbilical eterno que aprisiona muitos". E ainda avançou em seu texto para uma visão da maternidade sem dogmas. "Queremos matar a ideia de amor romântico e humanizar essa mãe. Ela é uma pessoa e não um mito", define.

Trabalhar com memórias foi "superdramático" segundo o artista: "Porque mexe demais na caixa de pandora de cada um de nós". O cuidado também foi necessário na finalização, para não deixar "cenas muito fortes ou pesadas para as mães", já que sempre tiveram em mente convidá-las. "Sempre pensamos nelas, que elas estariam no palco se vendo retratadas", revela.

Em meio a tanto drama, a peça também guarda espaço para momentos bem-humorados, segundo Louback. "Há cenas muito cômicas, que diluem um pouco deste drama", entrega. E diz que, após BH, quer conquistar outras plateias: "Queremos viajar todo o Brasil".

Como matar a m e em 3 atos 1455 20140316 0129 Léo Kildare Louback escarafuncha relação entre mãe e filho para criar Como Matar a Mãe   3 Atos

Cena da peça Como Matar a Mãe - 3 Atos: dramaturgia mistura realidade e ficção - Foto: Guto Muniz

Peça, festival e livro

Além de Como Matar a Mae - 3 Atos, Léo Kildare Louback estreia no dia 29 de abril no Rio a peça Carolina de Lorca, com sua autoria e direção. "É um trabalho que une dança, teatro e performance. Busquei inspiração na mulher misteriosa que foi Clarice Lispector".

carol Léo Kildare Louback escarafuncha relação entre mãe e filho para criar Como Matar a Mãe   3 Atos

Léo Kildare Louback também é autor e diretor de Carolina de Lorca, com Carolina Correa - Foto: Guto Muniz

A peça foi feita a partir de uma proposição da atriz Carolina Correa, que faz o monólogo escrito e dirigido por Louback. Esta havia sido mãe e vivia o dilema de tocar a carreira artística e cuidar do filho bebê. "Tem muita espera, dor e sofrimento desta mulher social obrigada a parir o menino, a ser mãe, atenciosa, competente e tudo o que o papel social pede, enquanto que, muitas vezes, ela gostaria de estar em algum outro lugar de existência", define o autor.

Após o Rio, a peça será apresentada em julho na Argentina, onde Kildare dará uma oficina de dramaturgia baseada em biografias.

Em maio, ele lança o livro de contos Sobrevoo ou a Literatura Nasce com a Morte de um Pássaro, pela Editora Scriptum. O conto que dá título à obra já virou peça dirigida pelo autor e também um curta-metragem em 2009, sob direção de Cardes Amâncio.

Sobre em navegar em tantas vertentes artísticas, Louback define, de forma direta e ao mesmo tempo profunda: "Tento compreender pela arte o colapso que me habita".

Como Matar a Mãe - 3 Atos
Quando: Quinta a sábado, às 20h30, e domingo, às 19h. De 24/04/2014 a 18/05/2014
Onde: Teatro João Ceschiatti - Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, Belo Horizonte, tel. 0/xx/31 3236-7400)
Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Classificação etária: 16 anos

Carolina de Lorca
Quando: 29/4/2014, terça - Única apresentação
Onde: Solar de Botafogo (r. General Polidoro, 180, Botafogo, Rio, tel. 0/xx/21 2543-5411)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

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estanoitemaecoragem Crítica: ZAP 18 faz 11 anos e arrasta rio de coragem

Grupo ZAP 18 volta com espetáculo de 2006 baseado em Brecht e Brasil contemporâneo

Por Leonardo Kildare Louback, em Belo Horizonte
Especial para o Atores & Bastidores*

Em julho último, a companhia mineira ZAP 18, Zona de Arte da Periferia, completou 11 anos de atividades, trazendo aos palcos, como comemoração, a extrema atualidade de Brecht, na adaptação Esta Noite Mãe Coragem, sete anos após sua estreia. Não haveria momento mais propício para se falar de justiça e violência.

Encabeçada pela atriz e diretora Cida Falabella, a montagem, que estreou em 2006, propõe uma mescla, quase fusão, entre a Mãe Coragem de Brecht, que perdeu seus filhos durante a guerra e a mãe do morro, que também vê seus filhos tragados pelo crime de um morro qualquer do Brasil, onde, entre um gole e outro no Bar da Rose, filhos são assassinados.

Ao longo dos futuros anos em que a trama se desenvolve, o morro vai sendo separado da “sociedade de bem”, tendo seus moradores isolados por um muro de sacos de areia, em uma alusão claríssima à repressão e ao cerceamento da população menos favorecida, “perigosa”, “bandida” e, porque não dizer, “vândala”.

Samba melancólico

A mãe coragem dessa noite na periferia de Belo horizonte entoa sambas melancólicos ao vivo, avivando um púbico que lotava o galpão sede da ZAP, localizada à Rua João Donada (do nada?), n. 18, do bairro Serrano, longe, muito longe dos lugares tradicionalmente privilegiados da arte na capital mineira.

Há um poder tão avassalador no trabalho do grupo, que a plateia se sente por vezes ela mesma acuada, sem saber quem está isolando quem, quem está negando ser quem.

Cida Falabella não só dirige, quanto rege do alto do morro seus atores/personagens. Ela, verdadeira mãe coragem de uma arte por essência periférica e exilada das classes privilegiadas, guia seus meninos e meninas (um dos atores entrou em cena no espetáculo quando tinha apenas 13 anos!) pelas mazelas de um Brasil carcomido por seu corpo sociopolítico, depravado pela falta de humanidade dos que nos deveriam cuidar, dos que renegam seu povo em nome da sede de poder de tão poucos.

Elisa Santana e Antônia Claret, duas das mais importantes artistas do teatro mineiro, dividem o peso da carroça dessa Mãe Cheia de Coragem, que negocia seus próprios filhos em um cenário por demais hostil. Junto delas, entoando seus raps e canções populares, um grande elenco dá força extrema na defesa dessa saga mais que contemporânea. Difícil ter escancarada diante de nossos olhos, por vezes só lacrimejantes, por outras encharcados, nossa própria verdade, nossa brasileira condição de povo rechaçado pelo poder de uma elite desprovida de umidade.

Brecht com ZAP

Na mistura de Brecht com a dramaturgia de Antônio Hildebrando, somada aos emocionantes discursos pessoais de cada ator ao longo da encenação, o aparente distanciamento de Brecht se torna rente, muito rente. O próprio galpão da companhia  vira, ele todo, esse lugar de interseção entre Brecht e a ZAP, entre a Alemanha historicamente devastada pela guerra dos trinta anos e tantas outras e os Brasis de diários holocaustos.

Ao público, ao final, é dada a oportunidade de falar, de invadir o espaço sacralizado desse Brecht que sobe o morro. Entre uma fala e outra do público, uma mulher jovem, muito jovem, relatou a morte de duas crianças que foram queimadas na ocupação popular Dandara, de Belo Horizonte. Com fúria emocionada, ela disse do cheiro de carne queimada que seu corpo não podia apagar. Mas nossos governantes não se incomodam com cheiro de povo, seja em chamas ou não.

Um grito no peito

Sete anos após sua estreia a Mãe Coragem parece ter encontrado em outros peitos um endosso para seu grito. Um movimento impressionante leva o Brasil às ruas e uma voz de “basta!” se alastrou por nossa falsa prosperidade e o que parecia, enfim, ser o grande momento de coragem, se torno rapidamente um espaço de opressão, seja da polícia, seja da mesma elite que nunca se interessou por grito nenhum.

Armada com uma mídia bandida, tratou de determinar quem tem ou não direito de se manifestar e a palavra “vândalo” surgiu muito oportuna para por o povo mais uma vez em um lugar de submissão ao Estado e, pior, de imensa confusão ideológica.

A única frase que tenho de coração do Herr Bertold Brecht é mais ou menos assim: “Do rio que tudo arrasta se diz violento. Não se dizem violentas, porém, as margens que o oprimem.” Há que se inteirar mais sobre margens e rios antes de se discutir o momento atual brasileiro. Presenciar Esta Noite Mãe Coragem pode ser um bom começo.

Parabéns, ZAP 18! Que nenhuma margem opressora tenha força para reprimir o rio que vocês carregam. Porque em um país em que a palavra laico é desconhecida e milhões de pessoas (muito mais que em dias de protestos) vão às ruas saudar um líder religioso, o caminho rumo à enchente popular é longo, muito longo, e cheio de percalços.

*Leonardo Kildare Louback é ator, dramaturgo, tradutor e professor de alemão. Ele escreveu esta crítica a convite do blog.

Esta Noite Mãe Coragem
Avaliação: Muito bom
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: ZAP 18 faz 11 anos e arrasta rio de coragem

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aprimeiravista Drica Moraes passa mal e cancela peça em BH

Bronquite: Drica Moraes (à esq.) e Mariana Lima, na obra que precisou ser cancelada em BH - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A atriz Drica Moraes precisou cancelar a sessão deste sábado (10) da peça A Primeira Vista, na qual atua com Mariana Lima.

A montagem seria realizada em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde houve apresentação normal nesta sexta (9).

Segundo os organizadores do projeto Teatro em Movimento, responsável pela apresentação, o motivo foi uma crise de bronquite de Drica.

Recentemente, a atriz venceu uma luta contra a leucemia.

O espetáculo, que tem destacada atuação tanto de Drica quanto de sua companheira de palco, celebra a volta da atriz ao trabalho e vem rodando o País, sempre com casa cheia.

Em São Paulo, fez temporada de sucesso no Sesc Pompeia no primeiro semestre deste ano, além de ter reinaugurado o Teatro Municipal Alfredo Mesquita. Dirigida por Enrique Dias, A Primeira Vista é um texto do canadense Daniel Maclvor com a história de uma forte relação amorosa entre duas mulheres que sonham em montar uma banda.

Leia a nota na íntegra sobre o cancelamento do espetáculo em Minas, que explica ainda como será a devolução do dinheiro do ingresso para quem já havia comprado:

“O projeto Teatro em Movimento informa o cancelamento da sessão deste sábado, 10 de agosto, às 21h, do espetáculo A Primeira Vista, no Teatro Bradesco, em Belo Horizonte.

A medida ocorre por motivo de crise de bronquite da atriz Drica Moraes.

As pessoas que compraram ingressos com cartão de crédito devem se dirigir à bilheteria do Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244, Lourdes, Belo Horizonte, MG) para preenchimento de formulário de solicitação do cancelamento da compra.

O prazo estimado para a devolução dessa  modalidade é de 18 dias. As compras realizadas em dinheiro serão devolvidas também  na bilheteria do teatro.

O prazo para a solicitação do ressarcimento é deste sábado, 10 de agosto, a domingo, 17 de agosto.

Horário de funcionamento da bilheteria do Teatro Bradesco:
Segunda-feira a sábado, de 12h às 20h
Domingos e feriados de 12h às 19h
Informações: 0/xx/31 3516.1360”

Veja dicas da Agenda Cultural da Record News com Miguel Arcanjo Prado no vídeo:

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