Posts com a tag "bob sousa"

miriam mehler foto bob sousa5 O Retrato do Bob: Miriam Mehler, diva catalãFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Miriam Mehler completa 79 anos neste 15 de setembro de 2014. Muita gente não sabe que ela nasceu em Barcelona, na Catalunha, Espanha, quando seus pais, judeus, fugiam da Alemanha nazista. Chegaram a São Paulo em 1938, quando tinha três anos. Sua peça mais recente foi A Última Sessão, que lotou o Teatro Shopping Frei Caneca, em São Paulo, no primeiro semestre deste ano, na qual contracenava com Laura Cardoso, Nívea Maria e Etty Fraser, entre outros. Miriam é da geração de ouro dos palcos e fez parte dos mais importantes grupos da história do nosso teatro. Em 1958, atuou em Eles Não Usam Black-Tie no Teatro de Arena. Também estudou na EAD (Escola de Arte Dramática). Daí, foi para o Oficina, de Zé Celso, onde fez história na década de 1960. Foi ela quem fundou o Teatro Paiol, ao lado de Perry Salles, com quem foi casada. Mais tarde o teatro seria capitaneado pelo casal Paulo Goulart e Nicette Bruno. Na TV, fez novelas memoráveis como O Direito de Nascer, em 1978, na Tupi, As Pupilas do Senhor Reitor, em 1994, no SBT, A Escrava Isaura, em 2004, na Record, e Insensato Coração, em 2011, na Globo. Posou para nosso Bob Sousa com todo seu carisma. É a diva catalã de nosso teatro.

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adanias sousa bob sousa O Retrato do Bob: Adanias Sousa, o persistenteFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Adanias Sousa faz o possível para estar em cena. E o impossível também. Atualmente, vive o judeu Herr Schultz em Cabaret, o Musical, que faz temporada gratuita até o fim do mês, com direção de André Latorre, no Espaço Cia. do Pássaro, em São Paulo. Graduado em artes plásticas, tem pós-graduação em artes cênicas pela Faculdade Paulista de Artes. Já dirigiu também o musical Gota D'Água. Além de estar no palco, também cumpre as funções do cargo de secretário de Cultura de Cajamar, município da Grande São Paulo. E ainda encontra tempo para integrar o Coral da Cidade de São Paulo. É, realmente, um persistente.

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anderson dkassio bob sousa Dois ou Um com Anderson DKássio

O ator Anderson D'Kássio: de Macapá para o teatro musical de São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto BOB SOUSA

O ator Anderson D´Kássio faz teatro desde que se entende por gente. Começou aos quatro anos, no teatro amador, em sua terra natal, Macapá, no Amapá, norte do Brasil. Veio para São Paulo com o sonho de se profissionalizar na profissão. Fez graduação e pós-graduação em artes cênicas na cidade. Entre os nomes com quem estudou e trabalhou estão Georgette Fadel, Wolf Maya e Fernanda Chamma. Ele acaba de se despedir do espetáculo Cabaret, o Musical, dirigido por André Latorre e que segue em cartaz com temporada gratuita no Espaço Cia. do Pássaro, onde posou para o fotógrafo Bob Sousa. Fazia o escritor Clifford Bradshaw. Agora, viaja em turnê nacional com o musical infantil Palavra Cantada, sem Pé nem Cabeça, com direção de Marília Toledo. Ele aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois Ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Macapá ou São Paulo?
Macapá é minha cidade de origem, minha família toda está lá. Escolhi São Paulo para construir uma nova etapa da minha carreira e sou muito feliz aqui. Macapá é o coração e São Paulo minha razão.

Literatura ou dança?
Sou apaixonado por literatura dramática e quero ainda poder me dedicar a isso. A dança mantém meu corpo e mente conectados, vivos. Mas sinto que me comunico melhor com as palavras.

Drama ou musical?
Musical. A força que o gênero musical tem é indescritível. Ele pode chegar em todas as camadas da sociedade de maneira ímpar por unir tantos atributos. Em algum aspecto a pessoa se identifica, seja na música, na dança ou no teatro.

Liza Minelli ou Beyoncé?
Liza é um ícone, faz parte da história. Mas Beyoncé tem o que precisamos na atualidade. Um rigor e uma disciplina capazes de trazer da rua, dos guetos, a massificação da arte transformando-a em “show business”. Ela impressiona em todos os aspectos, uma artista completa que será lembrada pelas próximas centenas de anos.

Dilma ou Marina?
Votei na Dilma na última eleição e admiro sua firmeza no agir e pela sua trajetória profissional. Marina é realmente uma figura diferente na política e mostra isso através das suas atitudes. Votarei nela este ano por achar que mudar e arriscar é o princípio da descoberta. O Brasil precisa se descobrir.

Israel ou Palestina?
Não tenho muito conhecimento sobre a situação do Oriente Médio, mas a guerra nunca é a melhor saída.

Preto ou branco?
Sou eclético. Preto e branco juntos é um conjunto sempre muito bom!

Metro ou ônibus?
Metrô. Pra mim é uma das melhores invenções da humanidade e precisamos investir mais neste tipo de transporte.

Praia ou montanha?
Já fui de praia, mas hoje sou de montanha.

Eu quero a sorte de um amor tranquilo ou vem comigo, no caminho eu explico?
No amor não há regras, existe a experiência. As vezes a tranquilidade e as vezes a aventura, o desconhecido. Sou ariano, movido de paixões, mas com um coração que adora repousar e saber que pode bater mais calmo.

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alexandre borges foto bob sousa1 Entrevista de Quinta: Não quero me isolar, quero ser da turma do teatro, diz Alexandre Borges

O bom filho à casa torna: ator de sucesso na TV e no cinema, Alexandre Borges dirige dois espetáculos em São Paulo, cidade onde começou sua carreira nos palcos - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

A calma no imponente saguão do hotel Maksoud Plaza contrasta com o trânsito caótico na região da avenida Paulista. Enquanto carros buzinam furiosos, Alexandre Borges surge com uma expressão tranquila e um sorriso aberto no rosto. O caos fica do lado de fora e a paz se instaura momentaneamente.

Apesar de ser uma estrela da TV e do cinema, afinal são 25 novelas e 28 filmes no currículo, ainda mantém aos 48 anos aquele menino que em 1985 saiu de Santos rumo a São Paulo com o sonho de se tornar ator.

Ele não só conseguiu realizá-lo muito bem, como agora também se aventura em outra função. Na última terça (2), estreou no Teatro Cemitério de Automóveis, a peça Uma Pilha de Pratos na Cozinha, de Mário Bortolotto, com sua direção.

Também está em cartaz na capital paulista até 26 de outubro outra peça com direção sua, Muro de Arrimo, no Teatro Brigadeiro, com Fioravante Almeida.

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, Alexandre Borges falou sobre muitas coisas importantes para ele: a volta ao teatro paulistano, a relação com a família e os colegas de profissão, e até sobre a participação no último episódio de A Grande Família. E, claro, sobre o artista que quer continuar a ser.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Quer dizer que você agora é também diretor de teatro?
Alexandre Borges —
Pois é. Surgiram estes convites de amigos, pessoas que conheço há muito tempo, que admiro. Estou trabalhando com atores de uma geração mais nova. Foram pintando essas oportunidades. Resolvi topar. O Fioravante Almeida, do Muro de Arrimo, é meu amigo desde os tempos em que trabalhamos juntos no Oficina, quando ele estava começando. O Mário Bortolotto eu conheci em 2001, quando ele fez uma participação no filme O Invasor, do Beto Brant. De alguma maneira temos trajetórias parecidas. Somos de outra cidade e viemos para São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — Você é de Santos?
Alexandre Borges — Eu sou.

Miguel Arcanjo Prado — Estou indo agora para lá cobrir o Mirada [Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos]. Na sua época lá não tinha um festival tão grande assim...
Alexandre Borges — Não! Quem dera...[risos]

Miguel Arcanjo Prado — Como foi a estreia de Uma Pilha de Pratos na Cozinha?
Alexandre Borges — Foi ótimo! O Cemitério de Automóveis é um divisor de águas no teatro de São Paulo. O Bortolotto e aquela turma dele trouxeram uma linguagem nova. É um grupo importante, que renovou o teatro na cidade.

alexandre borges foto bob sousa21 Entrevista de Quinta: Não quero me isolar, quero ser da turma do teatro, diz Alexandre Borges

Alexandre Borges: "No começo fazia de tudo, figuração em comercial, feiras..." - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você também começou no teatro de grupo?
Alexandre Borges — Foi. Quando cheguei fiz parte do grupo Boi Voador, fiquei dez anos fazendo peças. Vim de Santos em 1985. Já fazia teatro infantil lá com meu pai, o Tanah Corrêa [um dos grandes nomes do teatro santista]. Sempre tive o sonho de ser ator. A família sempre preocupada [risos]. Meus pais são separados, e a família da minha mãe é mais tradicional... Em 1985, tomei coragem e vim para fazer um teste com o Antunes Filho, no CPT [Centro de Pesquisa Teatral], e passei. E o Boi Voador era muito ligado ao Antunes nessa época. Meu começo foi ali no Sesc Consolação, na rua Dr. Vila Nova.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi sobreviver nesta época?
Alexandre Borges — Poxa, Miguel, era dureza [risos]. Fazia de tudo, figuração em comercial, feiras, qualquer coisa que pintasse. Mas é assim mesmo, tem de se virar, tentar a independência na profissão, viver disso. Foi assim no começo. Aí rolou o cinema. E a televisão só surgiu depois de dez anos em São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — Você vive no Rio há muito tempo. Qual sua relação hoje com São Paulo?
Alexandre Borges — Quando fui para o Rio, me casei [com a atriz Julia Lemmertz], comecei a fazer televisão – estou há 21 anos lá –, mas, sempre tive o vínculo com meus amigos, meus companheiros de luta, de começo de carreira em São Paulo. Isso marca muito. Fiz com a Júlia Eu Sei Que Vou te Amar, com o Jabor, que foi aqui em São Paulo. Aí meu filho, Miguel, nasceu eu dei um tempo de teatro.

Miguel Arcanjo Prado — Por quê?
Alexandre Borges — A televisão estava me exigindo bastante e eu quis ser um pai presente, estar junto, ver a evolução. Aí dei um tempo no teatro. Quatro anos atrás, retomei minha relação com o teatro. Aí surgiu Eu te Amo, outra montagem com o Jabor, e Poema Bar, um espetáculo de poesia que já fiz no Rio, em São Paulo e na Europa. Eu faço Vinícius de Moraes e Fernando Pessoa, com um pianista de Portugal. Depois, vieram os convites desses atores que me chamaram para dirigir.

Miguel Arcanjo Prado — Como você virou diretor?
Alexandre Borges — Foi o Fábio Amaral, produtor, quem falou que eu poderia dirigir uma peça. Dois anos depois surgiu Uma Pilha de Pratos na Cozinha. E depois veio a peça Muro de Arrimo, com o Fioravante. Falei: põe meu nome aí, estamos juntos.

Miguel Arcanjo Prado — Foi difícil encarar esta mudança?
Alexandre Borges — De alguma maneira, eu sempre fui me preparando para esse lado da direção. Fui observando, trabalhando, tendo o gosto de ver a coisa. Direção é desde o trabalho do ator, mas ao mesmo tempo o figurinista te traz um desenho, o cara do cenário te mostra algo, e você vai vendo o que é legal, o que precisa mudar... Em vez de ser luz azul pode ser vermelha, a foto do programa pode ser esta... Você vai participando de todo o processo em um trabalho conjunto. Acho que me preparei para isso, porque no teatro já operei som, fui contrarregra, fiz divulgação, produzi, ajudei montar luz, fui atrás de patrocínio, viajei... Aos poucos fui caminhando para este lugar.

Miguel Arcanjo Prado — Sua mulher é atriz, sua enteada [Luiza Lemmertz] também já começou a fazer teatro aqui em São Paulo, com o Zé Celso e o Antunes. Como é ser de uma família de artistas?
Alexandre Borges — Nunca tivemos expectativa de a Luiza seguir carreira... O Miguel não sabemos o que vai ser. Acho que o artístico é importante. Os pais têm de estimular, levar ao teatro, a uma exposição, a um museu, a um concerto. A criança precisa ser estimulada a ter um senso estético. Mais do que uma carreira artística, quero que o Miguel tenha esse olhar artístico, de sacar o que é uma música clássica, o que é um rock, o que é o trabalho do ator, do músico, da dança. Isso deixa a pessoa com um refinamento para a vida, não importa se vai ser jornalista, ator, engenheiro. Ele vem ver a peça em São Paulo, comenta. A Luiza foi a mesma coisa, a gente sempre procurou que ela participasse de nossa vida artística, viajasse com a gente. Ela já decidiu que quer ser atriz. Agora, o Miguel ainda não sabemos, ele ainda vai decidir.

alexandre borges foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: Não quero me isolar, quero ser da turma do teatro, diz Alexandre Borges

"Não quero me isolar. Quero ser da turma do teatro", diz Alexandre Borges - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — O que você anda fazendo além do teatro?
Alexandre Borges — Em cinema, lancei o Getúlio, que foi um grande sucesso [no filme ele interpreta Carlos Lacerda, rival do presidente]. Na TV estou dando um tempo. Vou participar do último capítulo de A Grande Família. Vão ligar para o Lineu e dizer que estão pensando fazer um seriado e vão estudar a família dele como referência. Aí vem o Daniel Filho e a turma da TV pra casa deles. Cada ator convidado vai fazer um personagem como se fosse de A Grande Família. Eu vou fazer o Evandro Mesquita. Adorei este convite, porque sou fã da série.

Miguel Arcanjo Prado — Como é reencontrar São Paulo depois de 20 anos no Rio?
Alexandre Borges — Tem um pouco da memória emotiva, de você andar em mesmos lugares onde andou 25 anos atrás. Reencontrando pessoas e conhecendo pessoas novas. Para mim é um reencontro muito emocional, me renova. O artista sempre tem de estar em xeque, procurar coisas novas, desafio. Quero me colocar em uma situação que não é confortável. Agora tenho uma responsabilidade maior, preciso entregar um produto para o produtor, para o ator, para o público. Saí da minha zona de conforto. E eu sou isso: esse cara que quer fazer coisas novas, participar junto dos atores da nova geração, estar na roda.

Miguel Arcanjo Prado — Voltar a fazer parte da turma?
Alexandre Borges — Sim. Isso mesmo. Não quero me isolar. Quero ser da turma do teatro. Isso me rejuvenesce, me faz voltar ao estado anterior, onde tinha de me virar fazendo figuração, feira, teatro infantil...

Miguel Arcanjo Prado — E ainda não se hospedava no Maksoud Plaza...
Alexandre Borges — Exatamente. O Maksoud é um upgrade [risos]. Isso tudo me faz sentir vivo, atuante. E tudo é para o público. O público de São Paulo me dá muito carinho.

Miguel Arcanjo Prado — Mesmo na TV, você sempre é chamado para fazer paulistanos. Eu me lembro de você em A Próxima Vítima, que era uma novela bem de São Paulo. Também agora em Tititi...
Alexandre Borges — Eu levo um pouco de São Paulo para o Rio. Adoro o Rio, adoro estar lá, mas muito da poluição de São Paulo está impregnado aqui ó [bate no braço, mostrando as veias e sorrindo].

alexandre borges foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: Não quero me isolar, quero ser da turma do teatro, diz Alexandre Borges

Alexandre Borges, de volta a SP: "O artista sempre tem de estar em xeque" - Foto: Bob Sousa

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alexandre falcao foto bob sousa O Retrato do Bob: Alexandre Falcão, rumo ao norteFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Cerca de 2.000 quilômetros separam Tupi Paulista e Porto Velho. A primeira, no extremo oeste de São Paulo. A segunda, nos rincões amazônicos do norte do País. No meio desta longa trajetória feita por Alexandre Falcão, está uma parada fundamental em São Paulo. Ele começou no teatro cedo, no Cefam de sua terra natal. Filho de uma professora de biologia, sempre gostou de arte engajada com a natureza. Tanto que formou-se em gestão ambiental na USP (Universidade de são Paulo) e depois fez mestrado em artes na Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho). Orientado pelo prof. dr. Alexandre Mate, estudou teatro de rua e política. E disso entende muito bem: é membro do coletivo Alma (Aliança Libertária Meio Ambiente), em Itaquera, zona leste paulistana. Em 2014, passou no concurso da Universidade Federal de Rondônia e tornou-se professor do curso de teatro desta instituição. Pegou as malas e voou para o norte do país com um sonho em mente: misturar arte, teatro e natureza. Um dia antes de embarcar no avião para Porto Velho, posou para nosso Bob Sousa nos corredores do Instituto de Artes da Unesp, na Barra Funda, em São Paulo. Lugar que já faz parte de sua nostalgia.

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leticia coura foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

A atriz e cantora Letícia Coura: ela gosta de samba, e de teatro também - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

A mineirinha de Belo Horizonte Letícia Coura é uma das figuras emblemáticas do teatro paulistano. Na cidade há mais de 20 anos, logo se misturou à turma do palco e também ao pessoal da música. Transita pelas duas áreas com todo o conforto do mundo.

Ela integra o grupo Revista do Samba, que acaba de lançar seu quinto disco, Samba do Revista. O trio, que ainda tem Vitor da Trindade e Beto Bianchi, é considerado referência em seu estilo musical. Além de cantora, também é atriz e integra o elenco do Teat(r)o Oficina dirigido por Zé Celso.

Agora em setembro, estará com o grupo no Mirada, o Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos, apresentando a peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, na qual vive a atriz Cleyde Yáconis, mais uma personagem emblemática para seu currículo, onde já figura Tarsila do Amaral.

Letícia recebeu o Atores & Bastidores do R7 para esta Entrevista de Quinta em uma tarde de sol no Teat(r)o Oficina, no Bixiga, região central de São Paulo.

Ao contar sua história, explicou sua batida perfeita entre a música e o teatro. E ainda revelou seu projeto futuro: construir a discografia das músicas das cinco décadas do Oficina.

Leia com toda a calma do mundo.

leticia coura foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

Letícia Coura e seu cavaquinho: ela quer construir a discografia do Teat(r)o Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você é de Belo Horizonte, né?
Letícia Coura — Sim, mas já estou tanto tempo aqui em São Paulo que, às vezes, parece que minha vida em BH foi em outra encarnação [risos]. Meus pais eram do interior de Minas, meu pai era desembargador e minha mãe, contadora.

Miguel Arcanjo Prado — Como era quando criança?
Letícia Coura — Era a mais animada da sala, na festa junina, então, era emprestada para as quadrilhas das outras salas. Sempre gostei de música. Fiz violão clássico, depois passei para o popular, cantei em coral... Como cantora sou ótima atriz e como atriz sou uma ótima cantora [risos].

Miguel Arcanjo Prado —E quando chegou a hora do vestibular?
Letícia Coura — Escolhi comunicação na UFMG, sou sua colega de curso. Tenho uma irmã médica e um irmão arquiteto. Já estudava música, mas fiz comunicação. Na época da faculdade, comecei a fazer performance e vídeo. Fiquei um ano fora, morei em Genebra e Londres, e um pouquinho na França. Lá na Suíça toquei numa banda. Estudei inglês, viajei...

Miguel Arcanjo Prado — E foi bom dar este tempo?
Letícia Coura — Foi bom sair de casa, porque me virei sozinha. Trabalhei em restaurante, essas coisas. Ir para a Europa me fez ver que eu era ligada à cultura brasileira. Vi que conhecia muito a música brasileira. E quis voltar para o Brasil.

leticia coura foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

Letícia Coura nasceu em Belo Horizonte, morou na Europa, mas foi parar em SP - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado —Aí você terminou o curso na Fafich [Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG]?
Letícia Coura — Terminei, fiz jornalismo e publicidade. Acho que fiz curso superior porque disseram para mim que se um dia eu fosse presa teria direito à cela especial [risos].

Miguel Arcanjo Prado — E o que você fez?
Letícia Coura — Abri uma produtora com amigos lá em BH. Aí fiz um concurso para ser jornalista do Tribunal do Trabalho e passei. Acho que foi a única felicidade que dei para a minha mãe [risos].

Miguel Arcanjo Prado — Mãe mineira adora ver filho passando em concurso público [risos]. E aí você virou servidora?
Letícia Coura — Sim. Mas este trabalho me possibilitou fazer um monte de coisa que tinha vontade. Estudei dança, fiz balé, gafieira, dança afro...E continuei na música. Era um trabalho que não atrapalhava... Tive muita influência do Clube da Esquina, comecei a fazer shows pelo DCE [Diretório Central dos Estudantes da UFMG]. Aí resolvi pedir transferência para São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — E conseguiu?
Letícia Coura — Sim. Cheguei em São Paulo em 1991. No começo, me dava uma angústia, sabe. Aí no prédio em que fui morar tinham dois músicos. Comecei a fazer a ULM [Universidade Livre de Música] e montei um show com o Chico Amaral [compositor mineiro, parceiro em vários sucessos do Skank] lá em BH. Ficava um pé lá, outro pé cá.

Miguel Arcanjo Prado — E o teatro?
Letícia Coura — A Titane [cantora mineira] estava morando em São Paulo e me indicou para fazer uma peça com a Beatriz Azevedo, porque ela precisava de uma cantora. Chamava-se I Love. Fizemos turnê em Campinas e tudo!

leticia coura foto bob sousa1 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

Foi ao ver peça do Oficina com Raul Cortez que Letícia ficou cativada pelo grupo - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E o Oficina?
Letícia Coura — Morava na rua Vergueiro e fui ver As Boas do Oficina no Centro Cultural São Paulo, com o Raul Cortez no elenco. Era tão bonito! Lembro que pensei: ainda bem que me mudei para esta cidade que tem uma peça como essa. Aí a Beatriz me chamou para ir num ensaio de Hamlet, no Oficina. Lembro que era um Domingo de Ramos. Neste dia conheci o Zé [Celso, diretor do Oficina]. E aí acabei entrando para o Oficina e larguei o emprego no Tribunal do Trabalho.

Miguel Arcanjo Prado — Foi uma decisão difícil?
Letícia Coura — Foi. Estava tudo muito puxado, ensaios. E vi que não queria mais. Pedi para sair e não me arrependi. Já estava ligada ao teatro, então tive de fazer uma opção. É claro que de grana foi complicado. Comecei a dar aula de canto e aquilo me abriu um mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Você resolveu investir na música?
Letícia Coura — Sim. Gravei o disco Bambambã, que é um disco com interpretações bem teatrais. Fiz turnê. Também fiz as Bacantes, no Oficina, na virada de 1999 para 2000. Depois, fui fazer peça no Satyros. Fiz a primeira peça com eles na praça Roosevelt. Lembro do Rodolfo [García Vázquez, diretor do Satyros] passando cera no chão antes de o teatro abrir [risos]. Conheci o Ivam [Cabral, ator] quando eles estavam voltando de Portugal. Ele tinha trazido um autor francês, Bernard-Marie Koltés e eu havia feito a tradução. Fizemos Retábulo da Avareza, Luxúria e Morte, no elenco tinha o Ivam, a Patrícia Vilela, o Daniel Gaggini, o Tadeu Perroni...

leticia coura foto bob sousa5 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

Letícia Coura integra o trio Revista do Samba, reconhecido até na Europa - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Ainda não tinha a Phedra D. Córdoba?
Letícia Coura — Não! Eu lembro do dia em que a Phedra foi ver o Retábulo pela primeira vez. Lembro que o Ivam ficou todo intrigado, perguntando quem era aquela senhora [risos]... Depois a Phedra fazia ótimas apresentações no bar dos Satyros!

Miguel Arcanjo Prado —E a música?
Letícia Coura — Aí lancei meu segundo disco, Vian, em um show no Satyros, com direção do Rodolfo, com os poemas do autor francês Boris Vian musicados. O Ivam foi muito importante nesta época e fazia o show comigo, criamos juntos. Era em linguagem de cabaret. Foi uma época boa... O Satyros tinha coisa a semana inteira. Quando não fazia meu show, ficava na bilheteria. Depois, montei a Revista do Samba, que é o trio no qual estou até hoje ao lado do Vitor da Trindade e do Beto Bianchi. Foi a gente que fez o show da reabertura do Bar Brahma, na clássica esquina da Ipiranga com São João.

Miguel Arcanjo Prado — O grupo tem muito prestígio.
Letícia Coura — Olha, gravamos o primeiro disco, Clássicos do Samba, e logo fizemos turnê na Europa. O segundo disco, Outras Bossas, só saiu na Europa. Em 2005, fizemos o projeto Revista Bixiga Oficina do Samba, resgatando sambas paulistanos e trabalhando com as crianças do bairro.

Miguel Arcanjo Prado — E aí você passou a se dividir entre o grupo e as peças do Oficina?
Letícia Coura — Sim. Fiz Os Sertões, O Banquete, tudo... Neste ano, em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, que agora vamos apresentar no Mirada, lá em Santos, faço a Cleyde Yáconis. Já fiz também a Tarsila do Amaral... São personagens muito ricas e emblemáticas. Sempre trabalho a música dentro do Oficina. E sabe qual é o meu grande sonho?

Miguel Arcanjo Prado — Qual?
Letícia Coura — É um dia consegui fazer a discografia inteira das peças do Oficina. Porque a história musical do grupo é muito rica e merece ser registrada para o futuro.

leticia coura foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

A cantora e atriz Letícia Coura, no Teat(r)o Oficina: onde une teatro e música - Foto: Bob Sousa

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magiluth foto bob sousa3 Grupo Magiluth volta a SP com Viúva, porém Honesta para 2 sessões pelo Palco Giratório

O ator Giordano Castro, em cena da peça Viúva, porém Honesta, do Grupo Magiluth - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

O Grupo Magiluth volta a apresentar sua irreverente versão para a peça Viúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues, em São Paulo.

A obra já rodou o Brasil, sempre com sucesso de público e de crítica. O texto, mais que atual, é uma “farsa irresponsável”, como bem definiu Nelson Rodrigues, e faz crítica ferrenha à imprensa e à sociedade brasileira.

A peça foi concebida em São Paulo, durante a permanência do grupo pernambucano na cidade em 2012. A obra já fez temporada de sucesso em São Paulo neste ano, com filas dobrando o quarteirão no Itaú Cultural da avenida Paulista.

Os rapazes de Recife agora se apresentam nesta terça (26) e quarta (27), no Teatro do Sesc Santana, na zona norte da capital paulista. O ingresso custa R$ 20 a inteira, R$ 10 a meia-entrada, mas comerciário e dependente paga apenas R$ 5.

O Grupo Magiluth é formado por Pedro Vilela, Pedro Wagner, Giordano Castro, Lucas Torres, Erivaldo Oliveira, Mário Sergio Cabral e Thiago Liberdade, os sete Novos Pernambucanos do teatro brasileiro.

magiluth foto bob sousa4 Grupo Magiluth volta a SP com Viúva, porém Honesta para 2 sessões pelo Palco Giratório

Grupo Magiluth em cena: deboche, irreverência e talento pernambucano no teatro brasileiro - Foto: Bob Sousa

Leia mais sobre o Magiluth no R7

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matias umpierrez foto bob sousa O Retrato do Bob: Matías Umpierrez, solidão que nadaFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Matías Umpierrez conquista o público paulistano com seu projeto TeatroSOLO. Até setembro, ocupa variados espaços da cidade com espetáculos escritos e dirigidos por ele e que são vistos por apenas um espectador por sessão. Para o diretor, a solidão não é algo terrível, mas, sim, uma capacidade de comunicação e reflexão mais íntima. Além da terra natal, Buenos Aires, seu projeto já aportou em Nova York e na Espanha. O portenho já fez teatro, televisão e cinema em seu país. De 2007 até este ano, coordenou a área teatral do Centro Cultural Rojas, da Universidade de Buenos Aires. Posou para o nosso Bob Sousa com ar de que aprender a ser só nem sempre precisa ser um problema.

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Desagua 5  creditos divulgacao Teatro de Rua: Peça questiona a falta de água em SP

[Des]água: ritos de rios e ruas como forma de interromper o curso do sistema - Foto: João Claudio de Sena

"A gente precisa é de uma revolução"
Coletivo Alma

Por SIMONE CARLETO*
Especial para o R7

No horário de início do espetáculo [Des]água, do Coletivo Alma (Aliança Libertária Meio Ambiente), o grupo forma uma roda para o aquecimento.

Ao emitir os sons da bela vocalização que fazem como preparação para a cena, atraem as pessoas que transitam pelo local. Como comentou Anderson Silva Oliveira, trabalhador do setor de produção de uma fábrica e que ia cortar o cabelo quando observou os instrumentos musicais colocados na praça do Patriarca, em São Paulo, durante apresentação na Mostra de Teatro de Rua Lino Rojas 2013.

Na mesma praça, o grupo fez temporada do espetáculo até o dia 20 de agosto de 2014 e agora segue para apresentações em diversas cidades do Estado.

Em meio ao trânsito de pessoas e sons próprios do local, com o forte calor do sol, o elenco convocou o público para a representação, desejando boa tarde e abrindo alas para o teatro de rua.

 Teatro de Rua: Peça questiona a falta de água em SP

Coletivo Alma: grupo tem forte militância ambiental na zona leste de São Paulo  - Foto: João Claudio de Sena

Com direção geral de Edgar Castro, os atores e atrizes logo mostram que cantam, dançam, representam e tocam instrumentos, características de artistas que desenvolvem diversas habilidades para conquistar o público. Na rua, a capacidade de comunicação é calcada nessa presença viva.

A trupe se apresenta, contando a respeito de sua origem e militância ambiental na zona leste de São Paulo. A dramaturgia do espetáculo é concebida pelo coletivo com colaboração de Rogério Guarapiran em quadros que podem ser vistos individualmente. No elenco, estão Adilson Fernandes “Camarão”, Adriana Gaeta, Alexandre Falcão, Ana Rolf, Fabrício Zavanella, Letícia Elisa Leal, Mauro Grillo e Thiago Winter.

Eles dão vida às personagens da fábula, mostrando dois povos: o povo bacia, que celebra a natureza, e o povo pneu, que aprisiona a força das águas – e se encontram às margens de um rio morto, entrando em conflito.

Os artistas representam diferentes papéis, com figurinos de Samara Costa em cores que remetem à relação com a terra e a natureza e são transformados com adereços durante o espetáculo. Assim, contam a história de como os seres humanos no sistema capitalista exploram recursos naturais e pessoas como se fossem infinitos.

Cadê o rio?

“Cadê o rio que estava aqui?” Pneus, bacias, balde, moringas, água e a música executada ao vivo com direção de Raniere Guerra dão os tons das cenas, que presentificam a pesquisa realizada em lugares em que o curso dos rios foi canalizado com a urbanização.

Desagua 1 creditos Annaline Curado Teatro de Rua: Peça questiona a falta de água em SP

Cadê o rio que estava aqui? - Foto: Annaline Curado

O grupo discute os desdobramentos e engrenagens de um sistema que chegou a um quadro insustentável: tendo a água como alegoria, mostra-se o esgotamento do planeta.

O coro entoa: “Pra onde você vai? Tudo compra, compra, e nada alivia!”. São apresentados animais em águas contaminadas; população ribeirinha em área que sofre ameaça de remoção. “Como nossa vida rio pode seguir livre?”, diz a integrante do “povo bacia”.

Retrata-se a vida caótica na cidade, em meio ao individualismo, nervosismo, confusão e palavrões; a exploração dos trabalhadores; processos de disputa por lucro, poder; cooptação e alienação.

A empresa que produz água engarrafada [Des]água mostra em detalhes alguns meandros desses processos e ainda distribui uma “amostra grátis” do produto, numa pequenina garrafa.

Proposta à reflexão

Então, a partir da interação com o público e forte presença do caráter ritualístico do teatro, o grupo acentua a possibilidade de reflexão, evidenciando contradições e provocando os presentes a pensar em possíveis soluções.

Desse modo, aprofundam a abordagem sobre o tema de forma contundente e realizam um dos principais aspectos do teatro de forma épica: antes de somente julgar é preciso colocar em questão e em relação.

*Simone Carleto é atriz, diretora e arte-educadora com graduação e mestrado em artes pela Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho). Doutoranda pela mesma instituição, com a orientação do prof. dr. Alexandre Mate, pesquisa propostas de formação de atores e atrizes e coordena a Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos. A coluna Teatro de Rua é uma idealização do fotógrafo Bob Sousa; ela é escrita por pesquisadores da pós-graduação do Instituto de Artes da Unesp. 

Desagua 3 creditos Annaline Curado Teatro de Rua: Peça questiona a falta de água em SP

Enquanto o nível do reservatório cai a cada dia, o Coletivo teatral Alma chama atenção da população de SP para a falta de água em espetáculo de rua - Foto: Annaline Curado

 [Des]água
Com o coletivo Alma (Aliança Libertária Meio Ambiente)
Onde e quando:
Atibaia (dia 25 de agosto), às 16h na Praça Guanabara
Itanhaém (dia 27 de agosto) às 19h na Praça Narciso de Andrade (Praça Central)
Jandira (dia 14 de setembro) às 16h no Assentamento do MST
Presidente Prudente (19 de setembro) às 20h no espaço da Federação Prudentina de Teatro
Panorama (dia 20 de setembro) às 19h no Departamento de Cultura
Tupi Paulista (dia 22 de setembro) às 10h na Escola Municipal Prof. Leônidas Ramos de Oliveira
Quanto: Grátis (obs. em caso de chuva as apresentações em espaço aberto serão canceladas).
Classificação etária: Livre

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laila garin bob sousa5 Entrevista de Quinta: “Não me confundo com Elis”, diz Laila Garin, protagonista de Elis, a Musical

Atriz e cantora baiana, Laila Garin conquista Brasil ao viver Elis Regina nos palcos- Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

O Brasil descobre o talento de Laila Garin [a pronúncia correta é Garran]. A baiana, filha de uma brasileira e de um francês, conquista o público ao encarnar Elis Regina no espetáculo Elis, a Musical, que volta para São Paulo em mais duas sessões nos próximos dias 30 e 31 de agosto no Espaço das Américas, após temporada de sucesso no Teatro Alfa.

Laila recebe Bob Sousa e eu para esta Entrevista de Quinta no apart hotel onde está morando, na região da avenida Paulista, em São Paulo, cidade que faz parte de sua história, como revela depois.

De repente, a porta do elevador se abre e sua voz se impõe no ar. Chega ao saguão falando ao telefone. Parece que todo mundo quer falar com Laila.

No último sábado (16), Laila fez parte do melhor momento do programa Criança Esperança, na Globo, cantando, tal qual Elis, ao lado de Ney Matogrosso e de colegas de espetáculos musicais, a Canção da América. O Brasil inteiro ficou boquiaberto com o que viu e ouviu.

Durante a conversa com o Atores & Bastidores do R7, entre uma mordia e outra na maçã, falou de forma pausada, dando peso a cada palavra. Tal qual aquela cantora Pimentinha que o Brasil perdeu tão cedo e jamais se conformou.

Leia com toda a calma do mundo.

laila garin bob sousa2 Entrevista de Quinta: “Não me confundo com Elis”, diz Laila Garin, protagonista de Elis, a Musical

Laila Garin fez musical e teatro de pesquisa em São Paulo antes de encarar Elis - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Laila, a Elis é muito forte, marcante, como você faz para não virar a Elis diante deste sucesso todo?
Laila Garin — Pela própria abordagem da peça... Ninguém nunca quis que imitasse Elis. Meu trabalho não é imitação; mesmo. Acho que as pessoas entendem como uma homenagem, por mais que lembrem coisas relacionadas a Elis. Tem a parte da saudade de Elis, mas também tem muito de memórias pessoais, de coisa que as pessoas viveram.

Miguel Arcanjo Prado — É que cada um tem a sua Elis...
Laila Garin — Isso. A peça, contando a história da Elis, acaba contando a história da música e do País. São memórias que transcendem a Elis. E é o que a Elis fazia. As pessoas não são tão loucas por Elis só porque ela tem uma voz maravilhosa e ponto. Mas, porque o que ela faz cantando toca as pessoas em suas questões mais pessoais, até porque ela faz isso de uma forma pessoal também.

Miguel Arcanjo Prado — Tem quem pense que você é a Elis reencarnada?
Laila Garin — Eu não tenho como controlar a cabeça das pessoas, mas sinto que o público, quando vem falar comigo, ressalta minhas características como artista. E acho que vai depender também das coisas que vou fazer depois de Elis. Tem muita gente assistindo, graças a Deus. É teatro, não é TV, mas com essa peça a gente conseguiu atingir o máximo de espectadores. É grandioso demais. Mas também tinha gente que me conhecia de outros trabalhos. Eu não me confundo com Elis; de jeito nenhum! [risos]

Miguel Arcanjo Prado — Conheci você no palco do Teatro Itália, fazendo Eu Te Amo Mesmo Assim. Para mim foi uma aparição como foi a de Marisa Monte, fiquei impressionado com sua voz. Como você lida com o fato de um dia estar lá no Teatro Itália, em uma peça pequena, e agora estar neste turbilhão que é o musical, encabeçando uma superprodução, com você na proa de um navio?
Laila Garin — Eu acho que, primeiro, eu não tenho 20 anos de idade. Nem 18. Não sou deslumbrada. Segundo, que esta visão de que agora estou no navio é real porque é uma produção grande, é um navio gigante. Mas continua sendo teatro, é coletivo. Tenho os colegas em cena, preciso do cara da luz, do som, do Dennis [Carvalho, diretor]. Tem um trabalho danado. Essa visão de glamour é mais de fora. Tenho um dia a dia de atleta tendo que cuidar do que como, do que durmo. É uma trabalheira danada!

Miguel Arcanjo Prado — Quando você começou no teatro?
Laila Garin — Comecei cedo. A primeira vez que subi no palco tinha cinco anos. E a partir dos 11 eu nunca parei. Tenho uma visão do artesanato do teatro. E Elis foi construído em cada detalhe. Não é de uma hora para outra que as coisas acontecessem. Elis é um grande passo na minha carreira, nunca recebi e fui indicada para tantos prêmios [ela levou o Prêmio Shell de Melhor Atriz e está indicada ao Prêmio APCA na mesma categoria].

laila garin bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Não me confundo com Elis”, diz Laila Garin, protagonista de Elis, a Musical

Leila Garin: "Eu não tenho 20 anos de idade. Nem 18. Não sou deslumbrada" - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você nunca tinha sentado no sofá do Jô Soares...
Laila Garin — Exatamente. Mas o meu trabalho veio num crescendo, que foi escolhido. Passei sete anos em São Paulo, dos quais cinco fiz teatro de pesquisa. Levava nove meses ensaiando uma peça para 80 espectadores, com o Cacá Carvalho, na Casa Laboratório. Depois, fui para o Rio de Janeiro trabalhar com o João Falcão, fazer Eu te Amo, que você viu. Por mais que fosse pequeno, era para fazer uma temporada e a gente fez sete, com uma repercussão qualitativa intensa. Depois veio o Gonzagão, que teve uma repercussão maior ainda. Você viu também, né?

Miguel Arcanjo Prado — Vi lá no Festival de Curitiba... Queria te perguntar uma coisa: você acha que hoje fazem falta artistas que se coloquem politicamente e façam uma obra mais emblemática, que consiga ir além da voz, que transcenda?
Laila Garin — Eu acho. Mas estamos também em outro contexto. O momento político não é tão claro. Na época da Elis, os inimigos eram mais claros, vivíamos em uma ditadura e a gente precisava de liberdade de expressão. Talvez a gente tenha algumas músicas ou cantores que tomem algum partido. Você tem um hip hop, um rap que tem claramente um discurso social. Mas a Elis não era compositora... E a Elis também foi acusada de várias coisas, de ser muito fria, de ser muito técnica, de estar de um lado, até porque ela já era a cantora desde cedo. Para mim faz falta as vísceras mesmo. Não acho que tem de ficar sabendo da vida pessoal das pessoas, mas quando falo de cantar colocando de si é um engajamento artístico, de alma, de víscera. Às vezes parece que está tudo muito blasé e não tem muita diferença de um cantor para o outro.

Miguel Arcanjo Prado — É verdade.
Laila Garin — Minhas referencias estão todas na geração da Elis praticamente. Por mais que tenham algumas atuais que eu goste muito: eu adoro Renata Rosa [cantora paulistana] e Mayra Andrade [cantora cabo-verdiana]. Eu adoro cantores pop também, mas acho que esse diferencial, assim, está em poucos.

Miguel Arcanjo Prado — Para onde vai o musical?
Laila Garin — Depois de São Paulo, vamos fazer turnê por algumas capitais, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Curitiba.

Miguel Arcanjo Prado — E Salvador?
Laila Garin — Eu estou torcendo, estão organizando aí... Para mim vai ser muito especial ir para Salvador.

Miguel Arcanjo Prado — Você morou na França?
Laila Garin — Meu pai é francês, e eu passei cinco meses na França antes de vir para São Paulo em 2003. Então, passei sete anos aqui e depois fui para o Rio em 2010.

laila garin bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Não me confundo com Elis”, diz Laila Garin, protagonista de Elis, a Musical

Laila Garin: "Em São Paulo, você exercita um anonimato que faz você pensar qual é o seu valor independentemente do reconhecimento e da aprovação do outro" - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você sofreu em São Paulo?
Laila Garin — Aqui eu aprendi a ser uma pessoa melhor. Além de ser filha única, a Bahia tem essa coisa de ser mãe. Na Bahia eu tinha um trabalho reconhecido dentro da classe teatral. Em São Paulo você exercita um anonimato que faz você pensar qual é o seu valor independentemente do reconhecimento e da aprovação do outro. Você tira de você mesmo. Talvez isso volte à sua pergunta primeira. Eu tive essa escola. Primeiro fui para Paris, que apesar de ser bem menor que São Paulo, foi uma porrada. Depois, São Paulo. Tive de chegar, dizer: "oi, sou fulana de tal". Eu vim fazer o musical Grease e pensei que iria conhecer todo mundo do teatro. E nada disso, só fiquei conhecendo o povo do musical.

Miguel Arcanjo Prado — O teatro de São Paulo tem muito disso, de turmas que não se misturam, tem o teatro da praça Roosevelt, o da pesquisa, o musical, o comercial...
Laila Garin — Exatamente. É tão grande e o mercado é tão diverso que conheci primeiro só o povo do musical. Depois passei cinco anos fazendo pesquisa e neguinho do musical nem sabia que eu estava aqui. Foi aqui que eu comecei a ter um pouquinho mais de autonomia. Eu gosto muito de São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — E o Rio?
Laila Garin — O Rio foi solar, foi bem mágico. E pela magia da cidade e pela magia de João Falcão. Fui trabalhar com ele. Eu ia fazer Carmen Miranda com ele e o projeto acabou não acontecendo e fiquei com essa frustração. Também queria ter feito o filme A Máquina e não rolou.... Porque ele é dessa área música e teatro, que sempre acreditei. Estava com um projeto para fazer em Marselha e surgiu o Eu te Amo Mesmo Assim, mas ninguém sabia direito como iria ser. Só sabia que tinha de estrear tal dia. Eu falei: "vocês estão loucos?" Mas eu topei e me mudei para o Rio.

Miguel Arcanjo Prado — Laila, você canta muito bem, faz tempo que não surge no Brasil uma cantora que canta [risos]. E você canta. Não pensa em investir nisso?
Laila Garin — Obrigada [tímida]. O teatro sempre teve em primeiro plano, mas fiz muita coisa como cantora na Bahia. Em São Paulo a coisa não foi muito pra frente. No Rio, fiz um disco, fiz um Som Brasil...A gente está vendo isso agora. Eu sempre cantei atrás de um personagem. Foram estilos muito diversos, do canto lírico ao samba. Estou tentando entender que música pode me traduzir mais.

Miguel Arcanjo Prado — Achar seu recado artístico?
Laila Garin — Recado pode parecer pretensioso, que eu tenho alguma coisa para dizer. Eu não tenho. Tenho perguntas.

Miguel Arcanjo Prado — Já tem compositor mandando música?
Laila Garin — Tem gente que manda coisas... [pensativa] Eu não vou deixar de ser atriz. Estou pesquisando algumas coisas de música, mas o teatro é meu lugar também. Elis tem ainda uma vida longa, depois da turnê nacional a gente vai voltar par ao Rio. Tem de ver como vai isso... Tem coisa aí pela frente...

Miguel Arcanjo Prado — A cena mais importante sua no musical é a da entrevista final de Elis. É ali que você se coloca como grande atriz. Como é fazer esta cena?
Laila Garin — Essa cena foi especial. O Nelson [Motta, autor] e o Dennis [Carvalho, diretor] foram generosos e abertos. Eles aceitaram e a gente fez junto. A gente foi fechando, mexeu um pouquinho no texto, entraram algumas coisas que eu também pude escolher, isso é importante para aproximar, coisas que eu acredito também e que representam a Elis. Isso é delicado. E foi lindo. Algumas pessoas aqui em São Paulo falaram que o musical era chapa branca, que fica muito leve no final, mas é uma citação de um show que a Elis fez com o Daniel Filho. Quando a Elis morreu muita gente ficou falando da autópsia e das questões das drogas, mais do que da perda daquela pessoa e daquela artista que deixaria um buraco imenso. Ficou mais com essa coisa mórbida, que é natural, porque a gente quer ver o corpo estendido no chão, mas já que a gente tem essa natureza ruim, é bom estimular outras coisas do espírito. O Caio Fernando Abreu escreveu na época, lembrando que era a Elis, a artista, que estava indo embora. A peça não tem a coisa realista, do copo de uísque e tudo mais, mas pelo menos tem a tentativa de mostrar o sofrimento, a dor. Tem essas camadas.

Miguel Arcanjo Prado — Laila, por que você é artista?
Laila Garin — Por que eu não tenho outra alternativa.

Miguel Arcanjo Prado — Eu acho que você está falando igual a Elis...
Laila Garin — Como é "falando igual a Elis"?

Miguel Arcanjo Prado — Com esse jeito pausado, dando peso a cada palavra, se colocando. A Elis falava assim.
Laila Garin — Talvez eu já falasse assim. Eu tenho uma mãe [a professora aposentada da Faculdade de Comunicação da UFBA, Nadja Miranda] muito parecida com a Elis. Na franqueza, no temperamento — pelo menos do que eu vi de Elis, porque como ela mesmo diz, ninguém conhece ninguém. É da geração dessas mulheres fortes, que não são nenhum pouco perua, mulherzinha. Talvez até um pouco masculinas no jeito de agir, mas como diz Nelsinho [Motta], se Elis não fosse assim, não teria sobrevivido, até porque vivia num mundo masculino... Mas eu vi muito Elis, estou fazendo Elis cinco vezes por semana, posso estar falando mais pausado. Isso poderia acontecer com qualquer personagem que eu tivesse fazendo, não que a Elis seja uma personagem.

Miguel Arcanjo Prado — Mas não se preocupe, porque é lindo falar assim.
Laila Garin — É que eu tenho essa coisa já. E é o que eu gosto. A mulher que eu acho massa é essa mulher aí.

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Laila Garin: "Sou artista porque não tenho outra alternativa" - Foto: Bob Sousa

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