Posts com a tag "bob sousa"

elisete jeremias otto barros eduardo enomoto bob sousa Oficina ganha ala teatral na Nenê de Vila Matilde; saiba como desfilar com os artistas em 2015

Elisete Jeremias e Otto Barros são diretores da ala do Oficina na Nenê - Fotos: Bob Sousa e Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA e EDUARDO ENOMOTO

O Teat(r)o Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa, o nosso Zé Celso, terá ala especial no desfile da escola de samba Nenê de Vila Matilde no Carnaval 2015.

Será a ala 23, a última da escola, intitulada Um Povo que Sorri. Ela tem a importante missão de encerrar o Carnaval paulistano, já que a Nenê é a última agremiação do grupo especial a desfilar, com previsão de entrada na avenida às 6h do dia 14 de fevereiro de 2015.

Os diretores de ala são Elisete Jeremias e Otto Barros. Elisete já foi diretora de cena do Oficina, posto hoje ocupado por Otto, seu pupilo.

ze celso bob sousa5 Oficina ganha ala teatral na Nenê de Vila Matilde; saiba como desfilar com os artistas em 2015

Zé Celso vai expor experiência no exílio em Moçambique no Anhembi - Foto: Bob Sousa

Ela conta ao Atores & Bastidores do R7 que sua função na escola “é a mesma que exercia no teatro”. E diz que o Oficina já tem história com a Nenê.

—O Oficina já saiu em 2013 na ala Canudos, com Zé Celso fazendo o Antônio Conselheiro, e grande parte do elenco fazendo personagens de Os Sertões.

Moçambique e Zé Celso

O enredo da Nenê neste ano é Moçambique – A Lendária Terra do Baobá Sagrado.

Marcio Telles, diretor de Harmonia da Nenê, estará no Oficina nesta quinta (30), para acertar todos os detalhes do Carnaval com os artistas da companhia. Ele ouvirá ainda o depoimento de Zé Celso, que estava exilado em Moçambique quando houve a revolução no país africano, que culminou na independência do país em 1975. A experiência do diretor ajudará na dramaturgia da ala.

A encenação da ala no Anhembi está a cargo do ator e diretor do Oficina Marcelo Drummond. Luciano Chirolli, outro grande nome dos palcos, será o coordenador de evolução.

Na equipe da ala ainda estão Felipe Stucchi, que fará o registro fotográfico, e Victor Gally, responsável pela comunicação.

Há vagas

Os integrantes do Oficina terão prioridade para ocuparem as 80 vagas da ala. Mas, como revela Elisete, sobrarão vagas, que serão disponibilizadas para pessoas da comunidade artística interessadas em ir para o Anhembi ao lado da turma de Zé Celso.

— Com certeza abriremos vagas para a comunidade artística interessada. As pessoas têm de ter pelo menos 18 anos, de ter disposição, disponibilidade, disciplina para os ensaios, entusiasmo, resistência e emoção!

marcelo drummond bob sousa Oficina ganha ala teatral na Nenê de Vila Matilde; saiba como desfilar com os artistas em 2015

Marcelo Drummond será responsável pela encenação da ala - Foto: Bob Sousa

Quem tiver interesse em desfilar pode fazer um cadastro no site montado pela ala. Precisa informar nome, e-mail, telefone, número de figurino, número de sapato e dizer no campo mensagem por que deseja desfilar.

Os ensaios já começaram na quadra da escola e serão intensificados no fim do ano e também em janeiro e fevereiro de 2015.

Histórico

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Nenê de Vila Matilde foi fundada em 1949 por Seu Nenê, lendária figura do samba paulistano e é uma das mais tradicionais agremiações carnavalescas do Brasil.

A escola já levou 11 vezes o título de campeã do Carnaval de São Paulo, sendo tricampeã duas vezes. É a entidade com mais títulos durante o século 20.

Já o Teat(r)o Oficina foi fundado por Zé Celso em São Paulo 1958 e é considerado um dos mais importantes grupos teatrais do mundo.

nene mocambique 2015 Oficina ganha ala teatral na Nenê de Vila Matilde; saiba como desfilar com os artistas em 2015

Imagem oficial do enredo da Nenê de Vila Matilde para o Carnaval 2015 - Foto: Divulgação

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karamazov osirmãos nafoto MarcosdeAndradefrenteAntonioSalvadorfundo bob sousa2 Os Irmãos Karamázov ganha 1ª montagem no teatro

Antonio Salvador (à esq.) e Marcos de Andrade (à dir.), no projeto Karamázov - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

Muita gente já ouviu falar da obra Os Irmãos Karamázov, clássico escrito pelo russo Fiódor Dostoiévski em 1879 e publicado em novembro de 1880, ou seja, há exatos 134 anos.

Contudo, no País em que a média de leitura é de quatro livros por ano, incluindo aí a Bíblia, os religiosos e os de autoajuda, é raro encontrar quem realmente leu a obra de cabo a rabo.

Portanto, a primeira montagem do texto no teatro brasileiro é muito bem-vinda e serve para aproximar o público brasileiro dessa joia da literatura mundial.

A Companhia da Memória encampou a missão, sob direção de Ruy Cortez. Não foi tarefa fácil adaptar tão complexa obra. Tanto que o resultado é o projeto Karamázov, com três diferentes peças: Uma Anedota Suja, Os Irmãos e Os Meninos.

KARAMÁZOV OS IRMÃOS  nafoto EduardoOsoriofrente RicardoGellifundo creditodafotobobsousa Os Irmãos Karamázov ganha 1ª montagem no teatro

Eduardo Osório (de amarelo) e Ricardo Gelli em cena: três peças podem ser vistas juntas ou também separadamente na SP Escola de Teatro até 15/12/14 Foto: Bob Sousa

Assinam a dramaturgia Luís Alberto de Abreu e Calixto de Inhamuns, a partir de não só Os Irmãos Karamázov como também Uma História Lamentável, do mesmo autor. O projeto estreia neste sábado (1º) e fica em cartaz na SP Escola de Teatro da praça Roosevelt até 15 de dezembro [veja serviço ao fim].

Estão no elenco Rafael Steinhauser, Jean Pierre Kaletrianos,Antonio Salvador, Eduardo Osório, Marcos de Andrade e Ricardo Gelli. André Cortez fez a cenografia. Já os figurinos foram criados por Anne Cerutti, enquanto que Fábio Retti fez a iluminação. O projeto ainda contou com a consultoria em cultura russa de Jênia Kolesnikhova.

A programação ainda engloba encontros na série Irmãos Karamázov: um Romance Múltiplo, nos dias 7, 14 e 18 de novembro, sempre às 21h (nestes dias não haverá peça). Já estão confirmados nos bate-papos nomes como das doutoras Elena Vássina e Fátima Biancchi, professoras da USP.

Afinal, o livro que influenciou gente como Nietzche e Freud precisa ser conhecido, encenado, debatido e, sobretudo, lido.

karamazov osirmaos nafoto RicardoGelli bob sousa Os Irmãos Karamázov ganha 1ª montagem no teatro

Ricardo Gelli na montagem do clássico russo por Ruy Cortez - Foto: Bob Sousa

Karamázov
Quando: Sexta, sábado, domingo e segunda. De 1/11/2014 a 15/12/2014
Karamázov: Uma anedota suja
Sex e sab 20h, dom 17h, seg 19h - Peça em 1 ato. 60 minutos.
Karamázov: Os irmãos
Sex e sab 21h30, dom 18h30, seg 20h30 - Peça em 2 atos. 110 minutos, incluindo intervalo de dez minutos.
Karamázov: Os meninos
Sex e sab 23h30, dom 20h30, seg 22h30 - Peça em 1 ato. 50 minutos.
Observação: A obra pode ser vista em 3h45 em um  único dia ou separadamente.
Onde:
SP Escola de Teatro - Sede Roosevelt (Praça Roosevelt, 210, Consolação, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3775-8600)
Quanto: R$ 20 reais (inteira) e R$ 10 reais (meia-entrada); promoção na compra do segundo e terceiro ingresso, a inteira sai R$ 10 e a meia-entrada sai R$ 5
Classificação etária: 14 anos

karamazov osirmãos nafoto AntonioSalvadorbob sousa Os Irmãos Karamázov ganha 1ª montagem no teatro

Antônio Salvador em cena de Karamázov, primeira montagem no teatro do Brasil - Foto: Bob Sousa

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daniela giampietro bob sousa 1 500x750 O Retrato do Bob: Daniela Giampietro, de todosFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Daniela Giampietro é mulher de teatro. No palco ou na plateia, gosta de gente de todos os tipos, de todas as idades. A atriz, além de integrar a Companhia Estável de Teatro, é também professora de teatro infanto-juvenil da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, entidade formadora de artistas no ABC Paulista. Estudiosa, faz atualmente mestrado em artes na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", sob orientação de Alexandre Mate. Gosta de investigar tudo aquilo relacionado aos palcos e, sobretudo, à rua. Afinal de contas, o teatro tem de ser para todos.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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marcio aurelio foto bob sousa1 O Retrato do Bob: Marcio Aurelio, o respeitoFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O diretor Marcio Aurelio é cuidadoso com suas obras. Tanto que, frequentemente, assume também cenário e figurinos, para que tudo saia do jeito que ele quer. Desde que estudou com Eugênio Kusnet, enquanto ainda cursava biblioteconomia na USP, decidiu que seu rumo era o teatro. Tanto que fez uma guinada e prosseguiu com mestrado e doutorado na área de artes cênicas da mesma universidade, tornando-se uma das referências na área.  Estreou nos palcos em 1974. E logo a carreira deslanchou, trabalhando com autores como Ziraldo e Alcides Nogueira. A parceria com este último foi fundamental na carreira de ambos. Em 1990, criou a Cia. Razões Inversas, que tem histórico de montagens celebradas pelo público e crítica. Artista completo, domina os clássicos sem temer o novo, mesclando tudo isso em uma carreira que tem o respeito absoluto de quem ama o teatro brasileiro.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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professores foto bob sousa2 bete dorgam Feliz Dia do Professor! Veja 7 mestres do teatro

15 de outubro é Dia do Professor: Bete Dorgam, que ensina novas gerações de aristas - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

Este 15 de outubro é um dia especial. Afinal, nele comemora-se o Dia do Professor, uma das profissões mais importantes do mundo. Afinal, os bons mestres são fundamentais em qualquer carreira. No teatro, não é diferente. Para celebrar a data, o Atores & Bastidores do R7 pediu ao fotógrafo Bob Sousa uma galeria com sete mestres queridos das artes cênicas. Veja só quanta gente boa reunida!

Mario Bolognesi
professores foto bob sousa1 mario bolognesi1 Feliz Dia do Professor! Veja 7 mestres do teatro

Maria Thaís
professores foto bob sousa3 maria thais Feliz Dia do Professor! Veja 7 mestres do teatro

Ingrid Koudela
professores foto bob sousa4 ingrid koudela Feliz Dia do Professor! Veja 7 mestres do teatro

Neyde Veneziano
professores foto bob sousa5 neyde veneziano2 Feliz Dia do Professor! Veja 7 mestres do teatro

Lucia Romano
professores foto bob sousa6 lucia romano Feliz Dia do Professor! Veja 7 mestres do teatro

Alexandre Mate
professores foto bob sousa7 alexandre mate Feliz Dia do Professor! Veja 7 mestres do teatro

 

Bete Dorgam
professores foto bob sousa2 bete dorgam Feliz Dia do Professor! Veja 7 mestres do teatro

 

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bia borin foto bob sousa O Retrato do Bob: Bia Borin, de tudo, um muitoFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Bia Borin vive a responsabilidade de desvendar Marilyn Monroe no palco, na peça Tempos de Marilyn, de Sergio Roveri com direção de José Roberto Jardim. A obra fica em cartaz em São Paulo até o fim do mês no Viga Espaço Cênico. Inteligente, a atriz brasiliense cursou artes cênicas na USP e também fez o Núcleo de Artes Cênicas do Sesi. Mas sabe que canudo é só o começo. Tanto que correu atrás da vida e foi aprender mais com grandes nomes do teatro, como Esio Magalhães, Roberto Lage e Dagoberto Feliz. E voou mais longe: fez residência na Inglaterra com Alan Ayckbourn, ícone do West End londrino, acompanhando a peça Neighbourhood Watch, no tradicional Stephen Joseph Theater. No corre-corre da vida de artista, ainda arruma tempo para estar na série Experimentos Extraordinários, do Cartoon Network. E fazer, como gosta de dizer, "de tudo, um muito". Está mais do que certa.

*BOB SOUSA é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp). Sua coluna O Retrato do Bob é publicada no Atores & Bastidores do R7 toda segunda-feira, com grandes nomes dos palcos. Já às sextas, a coluna O Retrato do Bob sai no blog R7 Cultura, com personalidades do mundo cultural.

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diogo spinelli bob sousa O Retrato do Bob: Diogo Spinelli, mestre e aprendizFoto BOB SOUSA*

Foi aos dez anos, assistindo ao grupo XPTO no Teatro Popular do Sesi, em São Paulo, que Diogo Spinelli se encantou com o teatro. Na adolescência, levou a paixão a sério e começou a fazer peças na escola. Na hora do vestibular, prestou artes cênicas e entrou para a USP. Logo, virou aprendiz de nomes como Maria Thais, Cibele Forjaz e Sérgio de Carvalho. Após a formatura, virou ele próprio mestre para adolescentes que, como ele um dia, se encantam pelos palcos. Em 2011, com amigas atrizes, fundou a Cia. Alô, Doçura!. Sob sua direção, o grupo encena A Idade da Ameixa, do argentino Aristides Vargas, no Teatro Commune. Spinelli ainda encontra tempo para investigar o grupo potiguar Clowns de Shakespeare em seu mestrado. Afinal, gosta de ser, ao mesmo tempo, mestre e aprendiz.

*Bob Sousa é fotógrafo e autor do livro Retratos do Teatro (Editora Unesp).

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ilo krugli foto bob sousa R7 O Retrato do Bob: Ilo Krugli, o mestre sem idadeFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O artista Ilo Krugli nasceu em 1930, em Buenos Aires, Argentina, mas seu destino artístico foi mesmo o Brasil, onde chegou em 1960. Figura fundamental da história do teatro feito para as crianças, atuou com destaque tanto nos palcos cariocas como nos paulistas, para onde se transferiu em 1980 e entrou para a história com seu grupo, o Teatro Ventoforte. É diretor, dramaturgo, escritor, artista plástico, cenógrafo e figurinista. Muitas artes em um só grande artista. Junto a mestres como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, ajudou a valorizar a arte na educação de nossas crianças. Posou para nosso Bob Sousa com seu jeito simples de ser. Com aquele jeito de mestre sem idade.

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rita bob sousa O Retrato do Bob: Rita Gutt e o adeus a CabaretFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz Rita Gutt está no processo de despedida de uma personagem emblemática em sua carreira: a dançarina Sally Bowles. Sabe que não é tarefa fácil deixar a personagem que já foi de Liza Minelli e de Claudia Raia. Corajosa, a atriz de Ibiúna radicada em São Paulo construiu sua própria versão, conquistando o público com sua voz límpida. Uma das peças universitárias de maior público dos últimos tempos, Cabaret, o Musical chega ao fim no próximo fim de semana em São Paulo. Só restam as sessões de sexta (26) e sábado (27), às 21h, no Espaço da Cia. do Pássaro, sempre com entrada gratuita e ingressos distribuídos uma hora antes. Desde a primeira temporada, em julho de 2013, no Teatro Ruth Escobar, o musical dirigido por André Latorre cativou a plateia com a simplicidade de sua verdade e o trabalho de artistas aguerridos no palco e nos bastidores. Por isso, a obra se despede do público paulistano como começou: com filas intermináveis na porta do teatro, só que agora para ver Rita Gutt cantar pela última vez: "A vida é um Cabaret, meu bem, venha pro Cabaret..."

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nash laila foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

Nash Laila: musa do novíssimo cinema brasileiro e também do Oficina - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

A pequenina Nash Laila é dona de um talento gigante. Quem a vê no palco do Teat(r)o Oficina sabe muito bem. Quem viu seus filmes também. É atriz intensa e potente.

Tanto que começou cedo e logo se destacou no cinema brasileiro, em longas como Deserto Feliz — com o qual levou o prêmio de melhor atriz do Festival do Cinema Brasileiro em Paris —, Amor, Plático e Barulho — que lhe rendeu o Troféu Candango de melhor atriz coadjuvante do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — e Tatuagem, melhor filme no Festival de Gramado.

É uma das musas do novíssimo cinema nacional de qualidade.

Em São Paulo, esta pernambucana filha da cabeleireira Cida Silva e do transportador Carlos Medeiros assumiu as rédeas da própria vida.

Dona do próprio nariz, deu esta Entrevista de Quinta ao R7 na plateia do Oficina, lugar no qual se sente livre.

Falou sobre sua trajetória e ainda desabafou: "O mundo está muito caretão". Tem razão.

Leia com toda a calma do mundo.

nash laila foto bob sousa1 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

Nash Laila está vivendo há dois anos e meio em São Paulo - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você está há quanto tempo em São Paulo?
Nash Laila — Há dois anos e meio. Fiz o filme Tatuagem, do Hilton Lacerda, e achei que era o momento de dar uma virada e me mudar para cá.

Miguel Arcanjo Prado —Você é de Recife?
Nash Laila — Cresci em Jaboatão, que fica do lado. Morava no bairro Sucupira, com rua de terra, perto da mata. Adorava roubar fruta na árvore, passei a infância brincando na rua. Com 16 anos, fui morar em Olinda.

Miguel Arcanjo Prado — Nesta época já pensava em ser atriz?
Nash Laila — Desde criança eu queria ser atriz. Fazia sempre o auto de Natal [risos]. Aos 13 anos, entrei em um curso de teatro. Depois fui trabalhar com o diretor Jorge Clésio. Fiquei três anos com ele, dos 15 aos 18. Saí para fazer meu primeiro filme, Deserto Feliz.

Miguel Arcanjo Prado — Foi neste que você virou musa do Festival do Rio?
Nash Laila — Foi muito engraçado, porque concorria com um monte de famosa e o povo devia pensar: quem é essa. Foi muito bacana. O filme era muito forte, era uma menina que sofria exploração sexual e terminava se apaixonando por um alemão.

nash laila foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

Nash Laila foi criada brincando na rua, subindo em árvore para pegar fruta - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Foi difícil para você fazer este filme tão novinha?
Nash Laila — Foi um susto. Mas diante do abismo, eu pulei. O Paulo Caldas [diretor do filme] me ouvia muito. Foi um trabalho que me marcou. Viajei bastante por conta do filme. Um ano depois de terminar de filmar este filme estávamos no Festival de Berlim. Foi muito doido. Muita responsabilidade. Cinema é um processo de várias mãos. No teatro, é a gente e o público. Cinema é edição, montagem, o olhar do diretor...

Miguel Arcanjo Prado — E aí você virou a garota do novo cinema pernambucano?
Nash Laila — Pois é [risos]... Eu fiquei dois anos divulgando o filme. Já estava meio que na correnteza, sabe? Agora, vai, pensei. Aí eu passei no vestibular da UFPE [Universidade Federal de Pernambuco], para artes cênicas e fui fazer um intercâmbio na França, em Clermont-Ferrand. Foi ótimo, uma experiência incrível. Mas, voltei e senti um certo vazio.

Miguel Arcanjo Prado —Por quê?
Nash Laila — Recife é muito cultural, mas, ao mesmo tempo, é muito paradona em determinadas épocas. Aí eu fiz a minissérie Santo por Acaso e uma participação em O País do Desejo. Aí surgiu o Tatuagem.

Miguel Arcanjo Prado — Como você entrou para o elenco?
Nash Laila — Logo que voltei da França, fiz a o processo de seleção com o Hilton Lacerda [diretor de Tatuagem]. Eu estava com muita vontade de fazer o filme. Acabou dando certo. O processo foi todo colaborativo. Então, esse núcleo, do Chão de Estrelas, meio que carregava o filme consigo.

nash laila foto bob sousa5 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

Nash Laila ainda tem jeito de menina, apesar de já ser uma atriz potente - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — O que você acha do cinema fora do eixo Rio-São Paulo?
Nash Laila — Acho maravilhoso. Essa galera de Recife, Ceará, Minas, está buscando seu lugar no cinema brasileiro e quebrando muitos tabus. Recife é uma cidade com artistas que estão buscando seu lugar, sua própria produção. Já tem a Escola de Cinema da UFPE, uma lei para o setor.

Miguel Arcanjo Prado — Depois de Tatuagem você fez outro filme?
Nash Laila — Fiz Amor, Plástico e Barulho, da Renata Pinheiro, que tinha feito a direção de arte de Tatuagem. Esse é um filme de mulher: dirigido por mulher, montado por mulher.

Miguel Arcanjo Prado — Como você foi parar no Oficina?
Nash Laila — Em 2007, vi Os Sertões lá em Recife. E isso mudou minha vida. Eu precisava fazer isso. Eu fui fazendo amigos. Depois que acabou o Tatuagem, ficou aquele clima... Então, resolvi arriscar. No Oficina, comecei sendo público e isso modificou o rumo das minhas escolhas. Estar aqui hoje é como uma síntese das coisas.

nash laila foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

"O Oficina é o lugar onde me sinto à vontade", diz atriz Nash Laila - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Por quê?
Nash Laila — No Teat(r)o Oficina me sinto à vontade. É um lugar no qual consigo me libertar no teatro, me identifico com muita coisa. A música aqui é muito forte, impulsiona. O Oficina mistura tudo o que eu gosto. Estou no Oficina desde 5 de maio de 2012. Já fiz seis peças com o Zé [Celso, diretor do Oficina].

Miguel Arcanjo Prado — Como é lidar com tantos artistas no Oficina?
Nash Laila — A grande força do Oficina é o coro, isso que me arrebatou. O Zé é muito ligado nas pessoas. Ele é muito sensível ao presente. Toda vez que ele saca que a pessoa está presente, ele vai junto.

Miguel Arcanjo Prado — Como é sua relação com São Paulo?
Nash Laila — É muito louca. De desde quando falava: jamais moro em São Paulo. Até agora que grande parte dos meus amigos moram aqui. Fui criando uma rotina, um jeito de viver. Antes, morava com meus pais. Aqui, eu me vi sozinha, tendo de fazer minhas coisas. Hoje, em São Paulo eu me sinto em casa. Claro que estou cansada do barulho, sinto saudade do mar... Acho que sou um peixinho. São Paulo para mim é maravilhosa, desde que eu vá e volte.

nash laila foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

Nash Laila, com Cacilda ao fundo, no Oficina: "Tento me colocar o máximo" - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado —Você fez no Oficina papeis importantes, como a Cacilda menina.
Nash Laila — O Zé fala de atuadores. Essa palavra tem um grande símbolo. O atuador se coloca mais do que o ator. Tanto nas escolhas quanto no processo eu tento me colocar o máximo.

Miguel Arcanjo Prado — O que você quer da vida?
Nash Laila — Eu? Tanta coisa... A gente está vivendo um momento muito sensível. O mundo está muito caretão. A gente tem que quebrar tudo, para ter um pouco de afeto. No nosso trabalho, mexemos com fogo. Gente é uma coisa que amo e odeio.

nash laila foto bob sousa7 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

"O mundo está muito caretão. Tem que quebrar tudo, para ter afeto", diz Nash - Foto: Bob Sousa

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