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magiluth foto bob sousa11 Entrevista de Quinta: “Viramos o Pequeno Príncipe”, dizem artistas do Grupo Magiluth

Os sete integrantes do Grupo Magiluth, na tradicional rua Avanhandava, no centro paulistano: "Viramos o Pequeno Prínicipe"; a partir da esq.: Thiago Liberdade, Lucas Torres, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira, Pedro Wagner, Pedro Vilela e Mário Sergio Cabral  - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Eles agora não estão mais em um apartamento de frente para o Minhocão, mas, em um hotel bacaninha do centro paulistano. Após a marcante estada em São Paulo no inverno de 2012, o Grupo Magiluth está de volta à metrópole que abriga todas as matizes do pulsante teatro brasileiro.

Agora, os garotos do mais inquieto teatro pernambucano são sete: Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral, Pedro Vilela, Pedro Wagner e Thiago Liberdade – este último uma espécie de filho pródigo que retornou ao grupo que ajudou a fundar dez anos atrás.

As fronteiras de Recife já foram perpassadas há muito por estes artistas, que em breve atravessam o oceano Atlântico para uma parceria com uma companhia europeia. Outro dia, uma fã, sim eles têm fãs, disse que o Magiluth é seu novo Pequeno Príncipe. Os Novos Pernambucanos do teatro brasileiro adoram uma relação próxima com a plateia.

Ficam até o fim do mês em São Paulo com sua debochada versão para a peça Viúva, porém Honesta, do também pernambucano Nelson Rodrigues. O espetáculo já causou furor por todo o País e chega ao olhar do exigente público paulista com a maturidade de mais de cem apresentações.

Eles passam o feriadão de Páscoa no palco do Itaú Cultural, onde se apresentam até este domingo (20), com entrada gratuita. Depois, entre 23 e 27 de abril, sempre às 20h, se apresentam na Funarte de São Paulo [veja os serviços ao fim da entrevista].

O septeto recebeu o Atores & Bastidores do R7 com exclusividade para esta Entrevista de Quinta. Em um bate-papo inteligente e bem-humorado após o café da manhã, falaram coisas fundamentais. E ainda responderam quem inspirou o Dorothy Dalton, o lendário crítico teatral criado por Nelson Rodrigues que surge na peça do grupo de forma provocativa.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – Como é esta volta a São Paulo quase dois anos depois? E vocês trouxeram o frio de novo...
Giordano Castro – Quanto frio que a gente passou naquela outra vez! Agora, a gente chegou e esfriou  [risos]
Pedro Vilela – A gente montou o Viúva, porém Honesta aqui em São Paulo, na Funarte, naquela vez. Foram dois meses ensaiando. É importante estrear  aqui após fazer 132 apresentações em 2013. Esta turnê que fizemos nos últimos meses nos trouxe maturidade no ofício. Mas, também a gente percebe que muitas dificuldades permanecem dois anos depois, sejam de comunicação e de estrutura de trabalho.

Miguel Arcanjo Prado – Estar em São Paulo é importante?
Pedro Wagner – Vir para cá sempre causa certo furor. Este trabalho demorou muito para chegar aqui. É um lerê da porra conseguir descer, conseguir chegar a São Paulo. Mas quando a gente chega é muito instigante. E também já temos amigos na cidade.
Pedro Vilela – São Paulo é o olho do furacão. É bom estar por aqui.

Miguel Arcanjo Prado – Eu percebo que vocês estão sempre em troca com outros grupos do Brasil. Gostam de trabalhar em rede?
Giordano Castro – Estamos sempre em trocas com outros artistas. Na época da montagem, também. E não só com grupos, como também com nosso público. Em Recife tem uma turma que acompanha de perto o trabalho do Magiluth.

Miguel Arcanjo Prado – Para vocês estar em São Paulo ajuda quando voltam em Recife? Porque percebi que depois daquele 2012 vocês voltaram por cima para lá...
Pedro Vilela – Recife ainda precisa que alguém de fora reconheça algo, para então passar a ter reconhecimento por lá...
Pedro Vilela – Quando voltamos, parecia a volta dos Beatles [risos].
Erivaldo Oliveira – Mas tinha um público que já nos acompanhava. E nem é um público de teatro geral, não. É um público que via as peças do Magiluth. Gente que nos ajudou a consolidar nosso trabalho.
Mário Sergio Cabral – Hoje, a gente circula o Brasil e também faz todo o Estado do Pernambuco sempre.

Miguel Arcanjo Prado – Vocês têm uma relação muito forte com Recife?
Pedro Vilela – A gente propõe festival de teatro, o Trema!, realiza intervenções nas ruas, propõe ingressos ao preço de pague quanto puder.
Pedro Wagner – Acho que esse reconhecimento hoje é possível, bem como essas ações porque conseguimos entrar em alguns lugares.
Mário Sérgio Cabral – Eu me lembro da nossa entrevista de 2012, da gente dizendo que nunca tinha conseguido patrocínio do governo de Pernambuco. Hoje, esta circulação tem apoio estadual.
Pedro Vilela – A gente ainda não se apresentou em Recife neste ano. Só temos previsto fazer Luiz Lua Gonzaga em maio, no Palco Giratório, do Sesc. Mas estamos dando um jeito de conseguir fazer mais apresentações. Estar ausente muito tempo é perigoso. Queremos voltar.
Giordano Castro – Somos de Recife. Viver lá nos interessa para nós e para o nosso trabalho. Dar este retorno à cidade é massa.

Miguel Arcanjo Prado – É uma relação forte?
Pedro Wagner – É tão forte a relação que temos com Recife que digo que ela é de amor e ódio. É tão intenso que fomos para as ruas. Não tínhamos trabalhado com performance e arte urbana até então. E foi ótimo. A cidade está um caos nestas vésperas da Copa, o trânsito está caótico. Fomos para a rua e descobrimos outras perspectivas.
Pedro Vilela – Viramos quase guerrilheiros [risos].
Pedro Wagner – Nossa página no Facebook virou espaço de denúncia.
Mário Sérgio Cabral – Isso mudou nossa postura. Por exemplo, o Giordano foi morar perto do trabalho. E ele sempre era o mais tranquilo nos ensaios. A gente, que vinha de longe e ficava preso no trânsito, chegava estressado. Recife hoje vive uma angústia.

magiluth foto bob sousa121 Entrevista de Quinta: “Viramos o Pequeno Príncipe”, dizem artistas do Grupo Magiluth

Grupo Magiluth na garoa de São Paulo: os Novos Pernambucanos do teatro - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado – Vocês são muito conectados nas redes sociais. Este trabalho de comunicação é consciente?
Thiago Liberdade – É totalmente consciente, é um reflexo desta nova era. Nossa primeira preocupação, lá no comecinho, foi em chamar o design e amigo Guilherme Luigi, para fazer a parte gráfica. Hoje, eu assumi esta parte.
Pedro Vilela – A gente começou sem nada. Então, percebemos que o melhor trabalho para fidelizar nosso público eram um bom trabalho de comunicação. Investimos em cartazes, bottons, camisetas... E nosso público sempre sentiu essa necessidade de se aproximar da gente.
Pedro Wagner – Nosso público tem relação de amizade mesmo com a gente. É muito doido isso. Teve uma espectadora que disse que nós somos seu novo Pequeno Príncipe [risos].
Thiago Liberdade – Por isso sempre viajamos em bloco, todos juntos. Isso é importante para mantermos nossa unidade não só no palco, como também no escritório, na comunicação.

Miguel Arcanjo Prado – É mais fácil circular hoje?
Giordano Castro – Hoje, existe uma rota de fuga, um circuito criado pelos próprios grupos. Mesmo em comunicação.
Thiago Liberdade – Se não conseguimos entrar em alguns espaços, criamos nossos espaços e comunicamos.

Miguel Arcanjo Prado – Quais são os próximos planos?
Pedro Vilela – Estamos começando um novo processo de investigação para estrear em 2015, sobre o fenômeno de fé fervorosa no Brasil contemporâneo. Também vamos fazer intercâmbio com o grupo português Mala Voadora. Vamos estrear lá em 2015 e no Brasil em 2016. É uma peça sobre felicidade.

Miguel Arcanjo Prado – Como é fazer Viúva com tanta estrada?
Lucas Torres – Foi uma peça que a gente teve estrutura para montar e ensaiar. Então, estreamos de forma tranquila. E a circulação tem sido assim também. Trabalhamos com plateias distintas, com diferentes níveis de humor.
Erivaldo Oliveira – Tem plateia que dá angústia. Fica lá quietinha, não produz nenhum som. Você tem sensação de que não estão reagindo, aí vem uma reação ao fim. E é positiva sempre.
Lucas Torres – Mesmo quem não gosta do tipo de humor que fazemos entra no jogo. Porque ele é muito dinâmico entre público e a gente.
Pedro Vilela – Hoje tenho de segurar os meninos e falar: não é stand-up, hoje ficou poluído demais. Porque se eles ficam soltos, fazem o que querem.

Miguel Arcanjo Prado – E como é este encontro com Nelson Rodrigues?
Pedro Wagner – Outro dia o Kil Abreu [crítico teatral], apesar de ainda não ter visto, disse que era o encontro de duas gerações de pernambucanos apimentados. Porque o Nelson tinha pimenta também. Ele escrevia com sangue nos olhos.
Mário Sergio Cabral – A gente faz teatro como se fosse a última vez. Eu tenho sempre que me aquecer muito.
Girdano Castro – A gente faz com um tesão do caralho.
Pedro Wagner – É isso. A gente tem tesão! O grupo é só de homens. Tem uma energia muito forte, sexual, presente. Somos homens libertinos.
Giordano Castro – Somos descarados uns com os outros [risos].

Miguel Arcanjo Prado – Por que vocês resolveram dar este olhar debochado a esta obra do Nelson?
Pedro Vilela – Gente, o próprio Nelson diz que Viúva, porém Honesta é uma farsa irresponsável.
Pedro Wagner – Hoje em dia, está ficando melhor ler Nelson Rodrigues do que ver montagens. Porque colocaram ele no pedestal e fazem coisas muito respeitosas.
Giordano Castro – Incharam o Nelson com tanto respeito. Não é que a gente não o respeite, mas, nós, como artistas, precisamos nos colocar na obra.
Pedro Vilela – O filho dele foi ver no Rio e veio conversar com a gente depois. Ele nos disse: “Meu pai ficaria muito feliz”. A neta dele também adorou.
Pedro Wagner – A gente se apresentou na festa de 15 anos da neta do Nelson.

Miguel Arcanjo Prado – Apesar de eu achar ótima, soube de gente que ficou com raiva da representação que vocês fazem da crítica teatral na figura do personagem Dorothy Dalton, o crítico da nova geração, com aquele cachecol. Apesar do frio, eu nem vim de cachecol hoje [risos].
Pedro Wagner – Então, a gente está colocando essa turma para sentir a sensação que a gente tem quando lê uma crítica [risos]. Quem levar muito a sério é pior para a própria pessoa. Tudo que falamos está no texto. O Nelson Rodrigues escreveu o Dorothy Dalton para um crítico específico, o Miroel Silveira. Tanto que é bem achatado o personagem. O nosso Dorothy Dalton é mais aberto. Não é para ser levado tão a sério.

Miguel Arcanjo Prado – Quem é o Dorothy Dalton do Magiluth?
Pedro Vilela – Se me perguntassem se você é o nosso Dorothy Dalton, eu responderia que sim e que não. Porque é você, e também você não é ele. Sim, porque, hoje em dia, você é o crítico que se coloca em seus textos, não tem medo de falar, cria “bafão”, ou seja, que não é aquele crítico chato, antigo. Você é realmente o crítico da nova geração, da nossa geração. Neste aspecto você é o Dorothy Dalton.
Pedro Wagner – Até porque parte da crítica ficou muito chata. Tem crítica que consegue ser mais chata que a peça!
Pedro Vilela – Mas eu digo que você não é ele também, porque o Dorothy Dalton não sabe o que está querendo dizer. Você não é assim.
Pedro Wagner – Resumindo: o Dorothy Dalton é bem mais irresponsável que você [risos].

Viúva, porém Honesta
Avaliação: Muito bom
Quando e onde: 15 a 19 de abril, às 20h; dia 20, às 19h no Itaú Cultural (av. Paulista, 149, metrô Brigadeiro); 23 a 27 de abril, às 20h, na Funarte (al. Nothmann, 1058, metrô Marechal Deodoro)
Quanto: Grátis
Classificação etária: 18 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Entrevista de Quinta: “Viramos o Pequeno Príncipe”, dizem artistas do Grupo Magiluth

magiluth foto bob sousa10 Entrevista de Quinta: “Viramos o Pequeno Príncipe”, dizem artistas do Grupo Magiluth

Magiluth conquista SP: humor cáustico pernambucano para clássico de Nelson Rodrigues - Foto: Bob Sousa

Leia mais sobre o Magiluth no R7

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Foto do BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

philippe gaulier foto bob sousa5 O Retrato do Bob: Philippe Gaulier, palhaço mestre
Philippe Gaulier acaba de completar 71 anos. Deu-se de presente aceitar uma viagem ao Brasil. Mas, não para fazer turismo. Muito pelo contrário. Esteve por aqui para disseminar seus conhecimentos sobre o universo clown em disputada oficina no Sesc Belenzinho, em São Paulo. No banco de aluno, os principais mestres do humor e pesquisadores do gênero do País. Palhaço respeitado e aclamado mundialmente, o artista francês é o criador da École Philippe Gaulier, em Paris, que ensina uma arte inteligente e provocativa há mais de 30 anos. Discípulo de Jacques Lecoq, ele apostou nas ideias próprias e ganhou seus seguidores de distintas nacionalidades, mas com uma coisa em comum: o amor pelo riso.

EXCLUSIVO: "Gente séria é muito perigosa", diz Philippe Gaulier

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genet bob sousa Crítica: Genet, o Poeta Ladrão grita contra caretice

Iluminação de Rodrigo Alves cria ambiente poético para Genet, o Poeta Ladrão - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de BOB SOUSA

O gheto no qual habitam prostitutas, garotos de programa e gente viciada em toda espécie de drogas e  na vida bandida é o abrigo do espetáculo Genet, o Poeta Ladrão, encenação de Sergio Ferrara para texto de Zean Salles.

Se num primeiro aquele excesso de homens semidesnudos de corpos esculturais reforça signos homoeróticos, sugerindo que esta parcela da população seria seu público, sua força está justamente em conseguir chegar a uma diversidade maior da sociedade. Afinal, é esta quem precisa perceber o recado contestatório de Genet.

A montagem é uma espécie de homenagem a Jean Genet (1910-1986), o grande poeta francês do submundo. Ele próprio esteve no Brasil para acompanhar a montagem histórica de seu texto O Balcão, dirigida pelo argentino Victor Garcia no Teatro Ruth Escobar, em um Brasil mergulhado no horror da ditadura militar no fatídico ano de 1969. Tal acontecimento serve de pretexto para que a obra comece, para voltar rapidamente ao passado de juventude de Genet, filho de prostituta e de pai desconhecido, perambulando entre a cadeia e as ruas da capital francesa.

A direção aposta em imagens poéticas, reforçadas pela iluminação precisa e propositiva de Rodrigo Alves. Isso atenua o excesso de concretude do texto, muitas vezes escatológico e sexualmente verborrágico. O figurino de Iraci de Jesus veste os homens robustos do elenco com signos femininos, criando uma atmosfera onde os limites sexuais não são dados ou impostos.

Ricardo Gelli, como o protagonista, é o destaque no elenco de dez atores, com nove homens e uma mulher - Gabrielle Lopez. No decorrer da obra, ele vai se impondo aos poucos, para, no ponto extremo da crise quase convulsiva de seu personagem, conquistar de vez o respeito do espectador.

Fransérgio Araújo, como o trôpego parceiro de rua por quem Genet se apaixona, faz uma atuação que caminha próxima à performance. No elenco, ainda estão Nicolas Trevijano, Felipe Palhares, Ralph Maizza, Jhe Oliveira, Magno Argolo, Bruno Bianchi e Rogério Brito, que se destaca com seu tempo próprio para o humor.

Em um mundo no qual o conservadorismo ganha força, o espetáculo Genet, o Poeta Ladrão cumpre missão de apontar um olhar mais libertário para a sexualidade e a vida em si.

Se num primeiro momento o texto pode parecer excessivo em suas expressões chulas e no compromisso com uma vida vista como decadente por boa parte da sociedade, em um segundo olhar, mais preciso, percebe-se que a obra tem aí mesmo seu grito de resistência contra a dita moral, sempre acompanhada dos tais bons costumes. Livrar-se destas amarras comportamentais é o caminho para qualquer olhar inteligente sobre o mundo. E a peça de Ferrara faz isso com os recursos que tem a seu dispor.

Genet, o Poeta Ladrão
Avaliação: Bom
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Genet, o Poeta Ladrão grita contra caretice

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philippe gaulier foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: “Gente séria é perigosa”, diz Philippe Gaulier, o mestre mundial dos palhaços

Philippe Gaulier, com seu chapéu e seu café: "Gente séria é muito perigosa" - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Bob e eu chegamos ao saguão do Hotel Intercontinental, na alemeda Santos, em São Paulo, pontualmente no horário marcado, às 14h da última segunda (7). Philippe Gaulier já nos aguarda, sentado em uma confortável poltrona, tomando café e com um charmoso chapéu panamá. O maior palhaço do mundo tem um ar sóbrio.

Mas, logo ganhamos intimidade tanto para as fotos quanto para esta exclusiva Entrevista de Quinta.

Nascido em Paris, em 4 de março de 1943, Gaulier dirige a escola que leva seu nome na capital francesa. É considerada a mais importante instituição de formação de palhaços do mundo. Foi discípulo de Jacques Lecoq [1921-1999], o grande mestre do clown francês, com quem trabalhou até fundar sua École Philippe Gaulier em 1980. A instituição funcionou também com sucesso em Londres, entre 1991 e 2002, até retornar à sua terra natal.

Gaulier está no Brasil a convite do Sesc São Paulo, para dar a disputada oficina gratuita O Clown Segundo Gaulier, ministrada a 50 artistas e pesquisadores de distintas regiões do Brasil no Sesc Belenzinho até o próximo sábado (12). Estão representados os Estados de São Paulo, Minas, Rio, Pará, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Mato Grosso, Maranhão e Rio Grande do Sul. Segundo o Sesc, a seleção de uma turma tão eclética é forma de espalhar os conhecimentos transmitidos por Gaulier a todo País. O artista também faz palestra grátis nesta quinta (10), às 20h, no Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1.000, metrô Belém). As 120 entradas serão distribuídas gratuitamente uma hora antes.

Mas, voltemos ao bate-papo. Nesta conversa com o Atores & Bastidores do R7, Philippe Gaulier falou sobre sua arte, sobre o que pensa de gente séria e ainda declarou seu amor a uma importante artista do clown brasileiro.

Leia com toda a calma do mundo:

Miguel Arcanjo Prado – O povo brasileiro tem fama de ser bem-humorado. Você acha que isso ajuda para que o brasileiro seja um bom palhaço?
Philippe Gaulier – Não. Eu penso que Espanha, Itália, França, Suíça, Inglaterra são países que têm tradição na arte clown. Os estudantes londrinos são muito bons. É um país com tradição clown muito forte. Já os alemães, não. Sem chance. O Brasil eu não sei... Apesar de que tive bons estudantes brasileiros de clown em Londres.

philippe gaulier foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Gente séria é perigosa”, diz Philippe Gaulier, o mestre mundial dos palhaços

Philippe Gaulier: "A função do palhaço é fazer a gente rir, gargalhar"- Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado – Esta é sua primeira vez no Brasil?
Philippe Gaulier – Já estive aqui em 1987. Vim para Porto Alegre, Rio e São Paulo. É um país fantástico, de pessoas fantásticas. Estou muito feliz em voltar. Algumas pessoas escolhem ser fantásticas, outras, tediosas. A Noruega, por exemplo, é um país tedioso.

Miguel Arcanjo Prado – Você foi aluno do também francês Jacques Lecoq [1921-1999], mas você acabou contestando seu mestre. Acha isso necessário em todo artista?
Philippe Gaulier – Acho que sim. O artista precisa contestar seu mestre. Antes de mais nada, tenho de dizer que ele era um professor fantástico. Não concordava com alguns pontos, É impossível se concordar com tudo. Não era idiota para concordar com tudo que meu mestre dizia. A vida sempre nos mostra coisas diferentes, além disso havia uma grande diferença de geração, 30 anos nos separavam. Acredito na necessidade da diversidade de experiências.

Miguel Arcanjo Prado – O bufão é mais perigoso que o palhaço?
Philippe Gaulier – Não é mais perigoso. É diferente. A função do palhaço é fazer a gente rir. Não sorrir apenas, mas rir bastante, gargalhar. É o trabalho dele. Já o bufão tem de dizer a verdade. Vem do gueto para falar a verdade. Mas não é mais perigoso. O [dramaturgo francês] Rabelais [1494-1553] foi criticado na França. [O dramaturgo francês] Moliére [1622-1673] também foi criticado, falavam que ele ria demais em seus textos. Ele mandou todo mundo para aquele lugar, e ainda disse que não fazia rir suficiente.

philippe gaulier foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Gente séria é perigosa”, diz Philippe Gaulier, o mestre mundial dos palhaços

Philippe Gaulier: "Se alguém fala 'eu sou sério', acho um grande tédio"- Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado – O que é preciso para ser bom palhaço?
Philippe Gaulier –  Cada geração tem dois ou três bons palhaços. É claro que tem de ser engraçado. Se não for engraçado, é melhor virar professor universitário. Porque para ser professor universitário tem de ser sério. E se alguém fala “eu sou sério”, eu acho um grande tédio. A universidade francesa está cheia de gente assim. Eles acham que são sérios, mas na verdade são um saco. É claro que, para ser palhaço, também é bom saber as regras. Aliás, primeiro vêm as regras, depois a imaginação e a descoberta. Mas, antes, as regras. Estudar muito é preciso.

Miguel Arcanjo Prado – Por que gostamos do ridículo que existe em todo palhaço?
Philippe Gaulier –  Porque não é todo mundo que está disposto a isso, a expor seu lado ridículo. Mas, o ridículo é a melhor parte de uma pessoa. Uma pessoa ridícula não tortura a outra. Mas, gente série pode ser muito perigosa. Você aí, virando a página deste seu bloquinho de papel improvisado... Isso é ridículo. Eu precisava lhe dizer isso. E isso é também seu grande charme. Se um dia você decidir falar que você é ridículo virando esta página de bloquinho, você pode vender isso, e quem sabe ser um caminho para você virar um palhaço. Todo mundo é ridículo. O palhaço ganha a vida sendo ridículo. Se você é sensível, você sempre é ridículo.

Miguel Arcanjo Prado – O que você gosta no Brasil?
Philippe Gaulier – Quando eu era jovem, eu via muitos filmes brasileiros, sobretudo os da década de 1960, do Cinema Novo. Também amo a música brasileira. Eu também amo a Cristiane Paoli-Quito [atriz, diretora e palhaça]. Adoro bossa nova. Acho o Brasil um país lindo.

Intérprete: Lana Sultani

Conheça mais sobre o trabalho de Philippe Gaulier

philippe gaulier foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: “Gente séria é perigosa”, diz Philippe Gaulier, o mestre mundial dos palhaços

Acompanhado da tradutora e discípula brasileira Lana Sultani, Philippe Gaulier conversa com Miguel Arcanjo Prado: "Você aí, virando a página deste seu bloquinho de papel improvisado... Isso é ridículo." - Foto: Bob Sousa

 

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Por MIGUEL ARCANJO PRADO

cibele forjaz foto bob sousa 1 O Retrato do Bob: A liberdade de Cibele Forjaz
Cibele Forjaz é nome grande de nosso teatro. Fundadora da Cia. Livre, ela é múltipla e faz diálogo intenso, seja em sua Casa Livre, em São Paulo, seja em outros palcos Brasil afora. Cria de mestres fundamentais como Antunes Filho e José Celso Martinez Corrêa, ela logo demonstrou ter luz própria. Aguerrida, montou nos últimos dias no TUCA Arena duas leituras encenadas de textos emblemáticos na resistência teatral à ditadura civil-militar, entre eles, Ponto de Partida, de Gianfrancesco Guarnieri, que contou com nomes como Denise Fraga e Kiko Maques no elenco. E já está envolvida em mil novos projetos. Mesmo assim, posou com gosto para o nosso Bob Sousa. Porque, com toda a liberdade do mundo, Cibele Forjaz está por toda parte.

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elias andreato foto bob sousa O Retrato do Bob: Elias Andreato, por toda parte
Elias Andreato é nome fundamental de nosso teatro. Ator, diretor, dramaturgo. É um dos artistas mais respeitados dos palcos brasileiros. Nesta semana, se apresenta no Festival de Teatro de Curitiba com a peça Um Réquiem para Antonio, nos dias 1º e 2 de abril no Teatro da Reitoria, na capital do Paraná, seu Estado natal. Mas também mantém presença em São Paulo, onde vive, como diretor da peça Meu Deus!, com Irene Ravache e Dan Stulbach. Porque Elias Andreato está por toda a parte. E sabe tudo.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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morro kiwi foto bob sousa7 Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Fernanda Azevedo, em cena da peça Morro como um País, premiada com o Shell de melhor atriz; obra volta ao cartaz no CIT-Ecum em São Paulo nesta quarta (26) - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de BOB SOUSA

A Kiwi Cia. de Teatro resolveu se manifestar sobre as críticas recebidas por Fernanda Azevedo por membros da própria classe teatral depois que ela protestou ao receber o Prêmio Shell de melhor atriz há uma semana. O grupo publicou o texto, que o blog reproduz abaixo, originalmente em seu site. Leia na íntegra:

"MISÉRIA. Reflexão sobre o Prêmio Shell de Teatro 2014.

Texto da Kiwi Companhia de Teatro sobre a repercussão do Prêmio Shell concedido a Fernanda Azevedo

Miséria

A 26ª edição paulistana do Prêmio Shell de Teatro, em março de 2014, provocou alguma discussão em função do discurso da atriz Fernanda Azevedo, que recebeu o prêmio de interpretação por seu trabalho em Morro como um País – Cenas sobre a Violência de Estado, criado pela Kiwi Companhia de Teatro.

O discurso em questão, além dos agradecimentos - de praxe, mas também sinceros - à comissão julgadora, da qual fizeram parte pequisadores de teatro que merecem nosso respeito, e às demais concorrentes ao prêmio de melhor atriz, fez referência à personagem Antígona, para quem “passado abandonado jamais se torna passado” e, como finalização, citou algumas linhas de um artigo do escritor uruguaio Eduardo Galeano, em que ele analisa a colaboração ativa da Shell com a ditadura nigeriana em meados dos anos 1990. Eis o trecho citado: “No início de 1995, o gerente geral da Shell na Nigéria explicou assim o apoio de sua empresa à ditadura militar nesse país: 'Para uma empresa comercial, que se propõe a realizar investimentos, é necessário um ambiente de estabilidade. As ditaduras oferecem isso.'”

MIGUEL ARCANJO PRADO - Deixem a Fernanda Azevedo falar!
BRUNO MACHADO - Fernanda tem direito à incoerência
KIL ABREU - Fernanda desafiou a fantasia e apanhou

Morro como um País, trabalho cênico pelo qual a atriz recebeu a premiação, discute o conceito de “estado de exceção permanente”, as violências praticadas pelo Estado, as ditaduras do cone-sul (com referências à ditadura dos coronéis na Grécia e ao genocídio em Ruanda) e o papel da arte e da cultura diante de graves crises sociais. Em uma das nossas cenas mencionamos a Ultragás,  empresa dirigida nos anos 1960 por Henning Boilesen, que apoiou e financiou a ditadura civil-militar brasileira. Na cena a Ultragás representa, sem prejuízo da sua responsabilidade pela colaboração direta com a ditadura, o grande empresariado, nacional e internacional, que se associou ao terrorismo de Estado.

Ou seja, investigar e denunciar, por todos os meios, a conivência entre empresas e regimes ditatoriais, fazem parte do nosso trabalho. No caso da Shell, além do apoio à ditadura nigeriana, que resultou na condenação da empresa e consequente pagamento de uma compensação de 15,5 milhões de dólares aos familiares de ativistas assassinados, há material consistente sobre sua conivência com a ditadura civil-militar brasileira, o que, infelizmente, não consistia exceção entre as grandes corporações empresariais, comerciais e financeiras que atuavam na época.

fernanda azevedo paduardo agnews pb Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Agraciada com Prêmio Shell de melhor atriz, Fernanda Azevedo discursa contra a empresa; fala da atriz gerou reação controversa de membros da classe artística - Foto: Paduardo/AgNews

Até agora, quase nada sobre estes fatos foi publicado na imprensa e nas redes sociais. Fala-se, no entanto, sobre a “incoerência” da atriz em criticar a Shell e aceitar o prêmio, incluindo o valor em dinheiro, R$ 8.000. Para os moralistas de plantão, ciosos em denunciar esta abominável contradição e rápidos em apontar o dedo, nós faremos outra citação, desta vez de Robert Kurz. O trecho foi utilizado, há alguns anos, no programa de outro trabalho cênico do grupo, teatro/mercadoria #1: “Faz parte da dialética do pensamento e da ação emancipatórios que a crítica do dinheiro custe dinheiro. Toda a circulação é burguesa, mas a crítica da forma burguesa, incluindo a própria circulação, tem de abrir caminho através da circulação, porque nem sequer existe outra possibilidade de divulgar os conteúdos da crítica a uma escala maior. Temos noção das contradições que se encontram associadas a esta relação entre a forma [Kurz refere-se à revista EXIT!, portanto, uma mercadoria, editada por ele] e o conteúdo (a crítica da forma da mercadoria por parte da EXIT!). A necessidade de nos debruçarmos sobre os problemas que daí resultam faz-se sentir até ao cerne das situações relacionais do nosso contexto. Isso não altera em nada o fato de que precisam ser financiadas as atividades da EXIT!, que, para além da edição da revista teórica, incluem a manutenção do website, a organização de seminários e encontros de coordenação etc..”

MIGUEL ARCANJO PRADO - Deixem a Fernanda Azevedo falar!
BRUNO MACHADO - Fernanda tem direito à incoerência
KIL ABREU - Fernanda desafiou a fantasia e apanhou

Não se trata de convencer aqueles que pensam de outra forma, inclusive porque muitos não avançam argumentos, mas apenas invectivas e frases que misturam preconceitos de classe e desonestidade intelectual. Sobre Ken Saro-Wiwa e o povo Ogoni; sobre as violações repetidas aos direitos humanos praticadas pelas grandes corporações, ontem e hoje!; sobre a infâmia da não punição de assassinos e torturadores da ditadura brasileira; sobre a atuação genocida da PM decretando a pena de morte para pobres e negros nas periferias (herança da “revolução redentora” de 64): nada. Silêncio. Mais vale fazer analogias simplistas com o convidado para jantar que critica a refeição servida (que grande tirada, hein?). Ou ainda mencionar a suposta insignificância da atriz e da peça porque o autor do comentário não as conhecem. Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano. Ou ainda argumentar [sic] que fatos antigos não merecem ser mencionados (já que o episódio nigeriano remonta há quase duas décadas). De fato, vamos esquecer a escravidão, o holocausto, o golpe militar e até mesmo a data de aniversário da minha avó, lá se vão tantos anos, afinal.

Em 1847, Marx publicou Miséria da Filosofia, ironizando uma obra de Proudhon (Filosofia da Miséria) e assentando as bases de uma nova concepção de história. Nosso tempo é de uma inacreditável miséria. Não custa lembrar que cerca de um bilhão de pessoas passa fome todos os dias. Mas além da gravidade deste fato, também é miserável saber que muitos que fazem três refeições diárias são capazes de negar o direito à crítica e incapazes de enxergar ou denunciar o modelo social em que vivemos. É miserável constatar que muitos justificam seu pequeno conforto, mas não reconhecem a legitimidade daqueles que o criticam. Miserável também é a situação da cultura no país, refém de orçamentos irrisórios, leis de renúncia fiscal e estratégias de marketing empresarial. Assim como é miserável ler comentários espirituosos sobre o nome do nosso grupo (uma sigla, aliás, caso alguém se interesse) diante da absoluta insensibilidade com a miséria, em todos os sentidos da palavra, que nos assola.

Nada disso, no entanto, é novo. Como não é novo dar golpes militares, manipular informações e ideias, torturar as palavras e oficializar o cinismo, para manter, ampliar ou readquirir privilégios. Como disse o presidente da Shell, no lugar da luta de classes, precisamos todos de um “ambiente de estabilidade”, não é verdade?

Kiwi Companhia de Teatro

www.kiwiciadeteatro.com.br

São Paulo, 23 de março de 2014"

morro kiwi foto bob sousa1 Kiwi rebate críticas a Fernanda Azevedo e ironiza: “Nossas desculpas por não nos submetermos ao circuito chique do teatro paulistano

Fernanda Azevedo, em cena de Morro como um País: atriz sofreu ataques de colegas por ter protestado no Prêmio Shell de Teatro - Foto: Bob Sousa

Nota do Editor: A Kiwi Cia. de Teatro é formada por Fernanda Azevedo, Fernando Kinas, Luiz Nunes, Dani Embón, Mônica Rodrigues, Eduardo Contrera, Luciana Fernandes Amparo, Fabio Salvatti, Demian Garcia, Maysa Lepique, Marie Ange Bordas, Paulo Emílio Buarque Ferreira e Gavin Adams. A peça Morro como um País volta ao cartaz nesta quarta (26) no CIT-Ecum (r. da Consolação, 1623, metrô Paulista), em São Paulo. Fica em cartaz quarta e quinta, às 21h, até 17 de abril, com entrada a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

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Foto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

gustavo ferreira foto bob sousa O Retrato do Bob: Gustavo Ferreira, máquina teatral
Gustavo Ferreira não para. É uma espécie de coração da máquina teatral do grupo Os Satyros. Assume produção e palco ao mesmo tempo, ciente de tudo. Quando a primavera chega, ele tem sua missão maior: coordenar um dos maiores festivais teatrais do País, as Satyrianas, que reúne milhares de pessoas e artistas sedentos de palco na praça Roosevelt e seus arredores, em São Paulo. O evento, que já até virou filme, rendeu a ele e à turma de Os Satyros o último Prêmio Shell de Teatro, na categoria inovação. No palco, emocionado, ao lado dos companheiros, Gustavo leu discurso escrito por Ivam Cabral. Compartilhou o troféu com todos que fizeram a história do festival. Porque Gustavo gosta mesmo é de andar junto. Afinal de contas, ele é da turma.

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lee nac bob sousa5 Entrevista de Quinta – Lee Taylor divide direção com Luiz Claudio Cândido e quer foco no ator

Luiz Claudio Cândido e Lee Taylor: direção a quatro mãos em LILITH S.A. - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Nada mais natural que dois atores lapidados por um dos mais exigentes diretores da história do teatro brasileiro fossem também exigentes e focados no trabalho da atuação quando na direção. Lee Taylor e Luiz Claudio Cândido, que passaram pelo CPT (Centro de Pesquisa Teatral) de Antunes Filho no Sesc Consolação, dizem que o foco agora é o trabalho do ator.

Eles dirigem a quatro mãos LILITH S.A., peça que estreia na próxima segunda (24) no Espaço Beta do Sesc Consolação, em São Paulo, e que marca o reencontro dos dois com o espaço fundamental em suas respectivas formações. A montagem é a primeira peça teatral do NAC (Núcleo de Artes Cênicas) fundado por Lee há cerca de um ano.

O espetáculo mostra uma empresa à beira da falência justo quando comemora seu centenário. Na festa de comemoração, os funcionários revelam desejos mais ocultos. O texto, produzido pela equipe com colaboração dramatúrgica de Michelle Ferreira, partiu do mito de Lilith, cujas lendas dizem ter sido a primeira mulher de Adão.

No elenco, estão Camila de Maman Anzolin, Fernando Oliveira, Frann Ferraretto e Renata Becker. Fran Barros, que acaba de ganhar o Prêmio Shell de melhor iluminação por Vestido de Noiva, assina a luz. Hercules Morais faz a assistência de direção.

Numa tarde nos arredores do Sesc Consolação, Lee e Luiz conversaram com o Atores & Bastidores do R7 para esta Entrevista de Quinta. Falaram sobre o espetáculo e planos para o futuro.

Leia com toda a calma do mundo.

lee nac bob sousa41 Entrevista de Quinta – Lee Taylor divide direção com Luiz Claudio Cândido e quer foco no ator

Amizade no teatro: Lee Taylor e Luiz Claudio Cândido fizeram artes cênicas juntos na USP - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Como vocês se conheceram?
Luiz Claudio Cândido – A gente se conheceu no curso de graduação em Artes cênicas, na USP.
Lee Taylor – Fomos da mesma turma de graduação na ECA [Escola de Comunicações e Artes] em 2002. Chegamos a realizar alguns trabalhos juntos na época, antes da minha entrada no CPT [Centro de Pesquisa Teatral, dirigido por Antunes Filho], e agora retomamos a parceria. Já o Hercules Morais, assistente e artista pedagogo do NAC, foi participante de um dos CPTzinhos em que ministrei aulas.

Como é dirigir a quatro mãos? Vocês brigam muito?
Lee – Antes de mim, o Luiz já tinha passado pelo CPT e esse é um fator bem importante para a afinidade artística entre nós no trabalho realizado no NAC, pois além da USP, também temos o CPT como experiência em comum. Acho a proposta de uma direção compartilhada bastante desafiadora, que vai ao encontro do espírito de coletividade inerente ao teatro. No caso de LILITH S.A., todo o processo de criação de cenas partiu dos atores, a direção trabalhou para potencializar, estruturar, alinhavar, dar condições e estimular a autoria de cada integrante do elenco. Uma ou outra criação de cena partiu da direção, porém apenas para dar corpo à encenação. Acredito que múltiplas visões tornaram o trabalho mais complexo e rico de camadas. Tivemos liberdade absoluta para interferir e modificar no que fosse necessário para a obra, e isso só foi possível porque colocamos a obra e a coletividade em primeiro lugar. O embate criativo é natural, pois todos buscam contribuir com sua sensibilidade e singularidade para a criação do trabalho, mas o diálogo artístico se estabeleceu em alto nível com bastante maturidade. O grande diferencial desse trabalho e o nosso diferencial (meu e do Luiz), é usar a encenação como processo artístico-pedagógico. Em LILITH S.A. nosso trabalho está a serviço dos atores e não o contrário. Acima da encenação e dos diretores está o aprendizado dos atores ao passar por essa experiência.
Luiz – É um exercício constante, desafiador e profundamente valoroso, de olhar para si e para o outro. Não é só ir lá e dirigir e pronto. Não, você tem que se encontrar consigo mesmo e com o outro. E é deste encontro que surge algo vital para os dois: no nosso caso, tudo aquilo que está no nosso espetáculo. É necessário que você preste atenção tanto em você mesmo quanto no outro e isso, nos dias de hoje, já dá bastante trabalho. Aprender a ouvir, a ceder, a se posicionar, a respeitar as fragilidades de cada um, etc., etc. É um exercício de alteridade. Com o desenrolar do processo criativo a gente foi afinando tanto a relação um com o outro que começamos a entender até aquilo que não era dito com palavras, mas com um olhar, um movimento da cabeça, uma respiração… Ah! E tudo isso, claro, mergulhado em muito, muito trabalho diário de séria e rigorosa pesquisa teatral. Por mais incrível que possa parecer, não me lembro de ter brigado com o Lee. Tivemos muitos embates criativos nos quais cada um defendeu suas ideias, seus pontos de vistas, suas escolhas estéticas, mas briga nunca. O Lee é generoso, inteligente e sensível, qualidades fundamentais em um artista.

lee nac bob sousa31 Entrevista de Quinta – Lee Taylor divide direção com Luiz Claudio Cândido e quer foco no ator

Lee Taylor e Luiz Claudio Cândido: embate criativo, mas sem brigas - Foto: Bob Sousa

Por que mexer com o mito da criação da humanidade?
Luiz – Para mim, vem de uma inquietação, de uma vontade de olhar mais atentamente para a humanidade em si, diante do contexto histórico atual: quais são os valores que estão nos norteando? Como estes valores regem as relações entre os seres humanos, entre estes e a natureza? O que é a humanidade hoje? Olhar para a humanidade não como algo natural, mas construído historicamente e que, portanto, pode ser modificada, reinventada.
Lee  – É uma oportunidade de problematizarmos a condição humana e olharmos com estranhamento para certos paradigmas que aparentemente estão sendo descontruídos, mas que ainda carecem de tempo para se consolidarem. Além disso, a configuração do elenco, composto por três mulheres e um homem, influenciou bastante na escolha do mito de Lilith. De alguma forma o mito se manifestou nas primeiras improvisações anteriores a escolha de Lilith como material de criação. O preponderante no espetáculo é a questão da insatisfação da mulher quando colocada em uma posição de submissão em relação ao homem. O confronto, fruto dessa tensão, é um tema extremamente contemporâneo e que merece ser discutido por uma perspectiva dialética, para isso recorremos ao universo shakespeariano.

Lee, como é voltar ao Sesc Consolação sem ser do CPT?
Lee – Eu me sinto em casa, conheço praticamente todos os funcionários, o Sesc Consolação é um espaço privilegiado em São Paulo. Fiz questão de estrear o primeiro espetáculo da primeira turma do NAC no Espaço Beta e agradeço ao Felipe Mancebo [gerente do Sesc Consolação] e a sua equipe por acreditar no trabalho.

O Antunes já cruzou contigo nos corredores, como foi?
Lee – Sempre nos cruzamos, praticamente toda semana, estou sempre no Sesc, nada mudou na nossa relação depois de um ano da minha saída do CPT. O Antunes não gosta muito de ir às estreias, por isso ele já combinou comigo que vai aparecer no decorrer da temporada.

O que vocês planejam para o NAC neste ano?
Lee – Este ano será fundamental para a consolidação do NAC como espaço de pesquisa teatral continuado em São Paulo. Em breve estarão abertas as inscrições para o processo seletivo do curso Poética do Ator. No ano passado tivemos quase 500 inscritos para 20 vagas e já temos mais de 600 interessados cadastrados pelo site do NAC aguardando a seleção da nova turma. Logo após a estreia do espetáculo divulgaremos as novidades para esse ano.

Qual é o objetivo do NAC?
Lee – Para além das palavras e das ideias bem intencionadas, o objetivo do NAC está sendo esboçado na prática e pode ser visto neste espetáculo. Tivemos a oportunidade de promover um processo que favoreceu a emancipação artística de cada um dos atores envolvidos. Se esses quatro atores não se tornarem grandes atores no futuro, pois já demonstraram essa potencialidade durante os ensaios, serão no mínimo pessoas com uma sensibilidade diferenciada e mais conscientes de si próprias. O espetáculo é um desafio para todos os envolvidos, é bastante radical e arriscado nesse sentido, pois tudo depende da sensibilidade dos atores na cena. Mas o elenco realiza cenas de grande dificuldade de maneira sublime e com muita sensibilidade. Essas últimas semanas, Luiz e eu viramos espectadores e ficamos comovidos com atuações extremamente poéticas desempenhadas por cada um dos atores. Não quero gerar expectativas, mas acredito que o público que puder conferir o espetáculo vai se surpreender com uma atuação de alto nível.

Como vocês selecionaram o elenco do espetáculo?
Luiz – Assisti o exercício final do Módulo 1 de todos os participantes do curso do NAC. Depois teci meus comentários com o Lee e fomos realizando a difícil tarefa da seleção. Difícil porque o nível dos artistas era muito bom, eles estavam muito bem preparados técnica e sensivelmente. Mas era necessária a seleção e acredito que fizemos ótimas escolhas.
Lee – Foi uma etapa bastante difícil que demandou dias de discussões entre mim, o Hercules e o Luiz. Depois de três meses de curso todos os 20 atores que ingressaram no NAC demostraram grande capacidade e interesse em participar da montagem, mas, infelizmente, por uma questão de aprofundamento do trabalho já prevíamos a escolha de poucos atores para a construção do espetáculo. Levamos em consideração toda potencialidade artística e singularidade dos envolvidos além do desempenho de cada um durante a primeira etapa do curso. Outro fator importante foi uma busca por reunir atores que pudessem se configurar como um coletivo forte e criativo. No entanto, o principal fator foi a disponibilidade do elenco em se arriscar artisticamente num trabalho que não faz concessões, no qual o foco principal é o desenvolvimento do trabalho do ator, e que, por esse motivo, exige dos atores um posicionamento crítico e artístico além de uma plena responsabilidade pela criação e um amplo compromisso com o espetáculo como um todo.

Lee, como vai o mestrado [em artes cênicas] na USP?
Lee – Restam apenas alguns meses para a conclusão da dissertação sobre pedagogia do ator que venho desenvolvendo sob orientação da professora doutora Maria Thais. Por conta da finalização do espetáculo do NAC não tenho conseguido me dedicar o quanto gostaria, mas a partir da próxima semana pretendo voltar a dar prioridade à escrita.

O que vocês pretendem no futuro?
Lee – Tenho recebido alguns convites para atuar em teatro, cinema e televisão, mas nada até agora me deu mais prazer artístico do que fazer parte desse processo que estamos desenvolvendo no NAC, por isso pretendo continuar dando prioridade a esse trabalho.
Luiz – Aqui no NAC a gente vivencia muitas coisas durante o processo de criação. É um processo artístico e pedagógico que nos transforma como artista e como Homem. Não tem como sairmos do mesmo jeito que entramos. É muito estudo, rigor, horas e horas de dedicação ao trabalho, muitas e muitas cenas criadas e abandonadas e recriadas e retomadas e muitas vozes discutindo, pensando arte coletivamente. E isso é completamente apaixonante, alegre, celebrativo. O que eu pretendo é que venham outros processos criativos no NAC tão ricos quanto o da LILITH S.A. Vida longa ao NAC!

LILITH S.A.
Quando: Segunda e terça, 20h. 60 min. Até 29/4/2014
Onde: Espaço Beta do Sesc Consolação (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo, metrô Santa Cecília, tel. 0/xx/11 3234-3000)
Quanto: R$ 10 (inteira); R$ 5 (meia-entrada); e R$ 2 (comerciários e dependentes)
Classificação etária: 12 anos

lee nac bob sousa6 Entrevista de Quinta – Lee Taylor divide direção com Luiz Claudio Cândido e quer foco no ator

Lee Taylor e Luiz Claudio Cândido: eles querem colocar o NAC no mapa teatral - Foto: Bob Sousa

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Foto de BOB SOUSA

jorge takla foto bob sousa 2014 O Retrato do Bob: Jorge Takla, mestre dos musicaisJorge Takla, libanês radicado no Brasil, é um dos grandes nomes do gênero musical paulistano. Diretor exigente, ele acaba de estrear mais uma superprodução, Jesus Cristo Superstar, no Complexo Ohtake Cultural. Formado pela Escola de Belas Artes e também pelo Conservatório Nacional de Arte Dramática da França, em Paris, antes de conquistar o mercado nacional se destacou no estrangeiro. Trabalhou com o diretor norte-americano Robert Wilson em Nova York, cidade onde dirigiu produções de sucesso na década de 1970. No fim desta mesma década focou a carreira no Brasil. Entre seus grandes sucessos por aqui estão My Fair Lady (2007) e Master Class (1996), quando Marília Pêra viveu a diva Maria Callas. Também comandou recentes montagens nacionais de sucessos da Broadway como West Side Story (2008), O Rei e Eu (2010) e Evita (2011). Não é à toa que ele é chamado de mestre dos musicais.

Jesus Cristo Superstar
Quando:
quinta e sexta, 21h; sábado, 17h e 21h; domingo, 18h. 130 min. Até 8/6/2014.
Onde: Teatro do Complexo Ohtake Cultural (r. Coropés, 88, Pinheiros, tel. 0/xx/11 3728-4929)
Quanto: de R$ 25 (meia) a R$ 230
Classificação etária: 12 anos

Leia reportagem sobre Jesus Cristo Superstar

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