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ricardo terceiro Sucesso em 2013, Ricardo III reestreia no CCSP

Mayara Magri e Chico Carvalho em cena da peça Ricardo III: de volta, agora no CCSP - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O espetáculo Ricardo III reestreia em São Paulo nesta sexta (17), no Centro Cultural São Paulo.

A montagem foi um dos sucessos nos palcos em 2013.

Com atuação elogiada pela classe artística e também pela crítica, Chico Carvalho é o protagonista do elenco, que conta também com Mayara Magri no papel de Rainha Elizabeth.

A temporada segue até 23 de fevereiro de 2014, com direção de Marcelo Lazzaratto e o enredo que conta a história inglesa durante a Guerra das Rosas, ocorrida entre 1455 e 1485.

A peça faz parte do projeto Shakespeare – Projeto 39, que promete encenar todas as 39 peças escritas por William Shakespeare (1564-1616) nos próximos dez anos.

A próxima montagem será Os Dois Cavalheiros de Verona, que terá direção de Kleber Montanheiro. Na sequência, Vladimir Capella assumirá Romeu e Julieta, Cacá Rosset fará As Alegres Comadres de Windsor. Já a atriz Maria Fernanda Cândido estará em Troilo e Créssida, cujo nome do diretor ainda não foi revelado.

Ricardo III
Quando: Sexta e sábado, 20h30; domingo, 19h30. Até 23/2/2014
Onde: Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (r. Vergueiro, 1.000, metrô Vergueiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3397-4002)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada); preço popular de R$ 3 na sessão do dia 21/2/2014
Classificação etária: 12 anos

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os ancestrais juliana hilal 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

É de graça: a atriz Kelly Crifer, em cena do espetáculo mineiro Os Ancestrais - Foto: Juliana Hilal/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado

Atenção, paulistanos! A partir da terça-feira (16), o Centro Cultural São Paulo vira o grande palco do teatro produzido na América Latina, na 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo. O melhor: toda programação é de graça.

Até 21 de abril, serão apresentados 11 espetáculos que envolvem o trabalho de mais de cem artistas vindos de sete diferentes países .

Idealizada por Ney Piacentini, a mostra é um projeto da Cooperativa Paulista de Teatro, entidade da qual ele é ex-presidente. Ele conta ao R7 que o evento "foi um desdobramento natural da mostra de teatro brasileiro de grupo realizada na década de 90".

ney 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Ney Piacentini, idealizador e curador da mostra teatral da América Latina em São Paulo - Foto: Bob Sousa

— Gostamos de trabalhar com temas. Neste ano, queríamos abordar o teatro e a violência, mas percebemos que esta temática teria um leque mais restrito, e abrimos para o teatro que tem relação com os temas sociais. Mesmo assim, metade das peças está ligada à violência social; as outras tangenciam o tema. Isso é importante, porque o histórico de violência na América Latina é um problema comum de todos nós.

Piacentini aposta na obra do Argos Teatro, de Cuba, como destaque da programação, sobretudo porque falam "do submundo de Havana", já que a vinda da blogueira cubana Yoani Sánches causou rebuliço no Brasil.

— A peça cubana vai provocar o debate. E também destaco o Nós do Morro, que consegue virar o jogo da segregação social.

Oportunidade única

O curador de teatro do CCSP, Kil Abreu, afirma a importância do evento na agenda do espaço,

kil abreu foto miguelarcanjoprado 3 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Kil Abreu, do CCSP: mostra é possibilidade única de acesso do público a espetáculos internacionais - Foto: Miguel Arcanjo Prado

— É um momento valioso para nós: porque a Mostra é dedicada a uma cena, a latina, que por incrível que  pareça só nos últimos anos tem sido mais presente no Brasil. Também porque, neste recorte, joga luz sobre o trabalho de companhias em atividade continuada, que têm projetos estéticos não pontuais, mas de longo fôlego, normalmente baseados na pesquisa.

Abreu ainda reforça na conversa com o R7 o fato de a mostra ser gratuita, "garantindo o acesso a uma plateia ampla que talvez não pudesse conhecer estes trabalhos se não fosse desta forma".

— Para nós da curadoria de teatro do CCSP esta relação entre pesquisa artística e acesso popular é da maior importância.

Abertura equatoriana

A abertura do evento será feita pelo grupo equatoriano El Muégano Teatro, que apresenta a peça Karaokê. Além deles e dos cubanos já citados, há espetáculos do Peru, do Chile, da Argentina e de Porto Rico.

E os brasileiros marcam presença na programação. Entre outros, se apresentam o Grupo de Teatro Invertido, de Belo Horizonte, com a peça Os Ancestrais - apresentada no último Festival de Curitiba -, o Nós do Morro, do Rio de Janeiro, e o soteropolitano Ateliê Voador.

Você pretende ir à Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo no CCSP?

  • Sim. Esta mostra promete e o melhor: é cultura grátis!
  • Não. Eu não curto muito espetáculos teatrais.
  • Eu até queria ir, mas não moro em São Paulo, infelizmente...

Veja a programação completa e programe-se para ver o melhor do teatro latino-americano:

16 El Mueganos 300x197 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Equatorianos abrem a programação no CCSP

16 de abril – terça-feira
Karaokê La orquestra vacía - El Muégano Teatro - (Equador/Guaiaquil)
20h, Sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo (CCSP) – 324 lugares
Duaração: 70 mim / Classificação: 14 anos
Sinopse: Karaoke Orquesta Vacía traz uma orquestra anacrônica, assediada por fantasmas, que saca as “sagradas notas do hino nacional, a família, a propriedade privada e o amor, num território vagamente definido”, uma cidade-estado desenhada sob os critérios da diversão, adequação e competição selvagem.
El Muégano Teatro tem assídua participação em festivais como de Cádiz, Bogotá e Recife. A companhia surgiu em Madri, em 2000, estabelecendo-se em Guaiaquil a partir de 2004. Sobre seus pilares artístico-teóricos, é com ironia que o grupo comenta: “a aridez cultural e o conservadorismo político pareceram ideais para projetar-se nos termos de Brecht e Walter Benjamin, estando na corrente em contracorrente”.

Taller de Otra Cosa 300x192 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Grupo representa Porto Rico em SP

17 de abril – quarta-feira
Coraje II – Cia. Taller de Otra Cosa (San Juan/ Porto Rico)
21h, Sala Ademar Guerra (CCSP) – 200 lugares
Duração: 60 min / Classificação: 16 anos
Sinopse: Coraje II explora o tema da violência urbana em um país sem uma guerra declarada, mas seus cidadãos vivem submersos na paranóia  gerada pela indústria da segurança que produz uma cultura que encobre a memória reprimida de uma nação militarizada envolvido em múltiplas guerras.
Fundado em 1990, o início do grupo esteve ligado à dança experimental, sob a coordenação de Viveca Vázquez. Atualmente, Taller de Outra Cosa é dirigido por Teresa Hernández, cuja preocupação é trabalhar na fronteira das artes cênicas, com temas como as identidades, a arte e os cânones estabelecidos, a violência e o poder sob suas expressões diversas.

17 SerTao Teatro 300x199 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Paraibanos também estão na mostra grátis

17 de abril, quarta-feira
Flor de Macambira - Coletivo Teatral SerTão Teatro (Brasil/João Pessoa-PB)
21h, Sala Adoniran Barbosa (CCSP) – 300 lugares
Duração: 80 min / Classificação: 12 anos
Sinopse: A peça é uma festa popular com música, comicidade e cor que conta a história da jovem Catirina, “a mais bela flor da Fazenda Macambira”, que para salvar a si e a seu amado mergulha nas profundezas de sua alma. Tipos do cotidiano brasileiro como o Coronel sanguinário, o padre mercantilista, o banqueiro especulador e marqueteiro enganador são trazidos para o palco nessa trama do sertão brasileiro.
SerTão Teatro surge em 2007 com o espetáculo Vereda da Salvação. Em 2009, monta Farsa da Boa Preguiça, em parceria com o grupo Clowns de Shakespeare. Flor de Macambira, de 2011, é seu terceiro espetáculo com o qual se apresentou por dez cidades situadas ao longo do Rio São Francisco.

Teatro Invertido 300x224 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Mineiros fazem peça de Grace Passô

18 de abril – quinta-feira
Os Ancestrais – Teatro Invertido (Brasil – Belo Horizonte/MG)
21h, Sala Ademar Guerra (CCSP) – 200 lugares
Duração: 80 min / Classificação: 16 anos
Sinopse: A montagem parte de uma situação fantástica para abordar temas como os laços familiares e a noção de propriedade da terra no Brasil. Sob a perspectiva da afetividade, a história trata das contradições dos relacionamentos, dos desejos que permeiam essa convivência. Sob a perspectiva social, reflete o fato de que no Brasil ainda não há uma política justa no que diz respeito à propriedade da terra, o fato de que a noção desse direito é resultado da história de um país colonizado, invadido e desigual.
O grupo de atores da cidade de Belo Horizonte, que surgiu no ano de 2004, tem como principal objetivo aprofundar a pesquisa em treinamento do ator e criação cênica iniciada no curso de graduação em teatro da UFMG. A cada nova montagem a companhia reafirma o seu interesse pela investigação artística e colaboração como princípios fundamentais de seu trabalho. Seus espetáculos buscam uma dramaturgia que dialogue com os desejos dos integrantes do grupo e com o tempo em que vivem. Atualmente o Invertido tem em repertório cinco peças: Nossa Pequena Mahagonny (2003), Lugar Cativo (2004), Medeiazonamorta (2006), Proibido Retornar (2009) e Estado de Coma (2010).

18 CEXES 300x225 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Grupo peruano é uma das atrações

18 de abril – quinta-feira
Halcon de Oro- Q´orihuama  - Centro de Experimentación Escénica – CEXES (Peru/Lima)
21h, Sala Jardel Filho (CCSP) – 324 lugares
Duração: 70 min / Classificação: 14 anos
Sinopse: Levando a ação cênica para as fronteiras entre teatro, dança e pantomima, o grupo peruano se nutre de tudo o que possa estimular os sentidos e gerar sensações no espectador. Rodolfo Rodríguez e Alfredo Alarcón apresentam a história de um ex-combatente, recluso no manicômio em tempos sombrios. Sua relação com um sacerdote andino o levará, no entanto, a caminho de novas provações, ‘a fim se curar.
O CEXES foi criado pelo Grupo Cultural Yuyachkani, da cidade de Lima, para a criação e investigação de encenações com jovens artistas provenientes de diversas modalidades artísticas.

19 Teatro Rabia 300x226 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Chilenos do Teatro Rabia se apresentam em SP

19 de abril, sexta-feira
Cara de Cuero - Compañía Teatro Rabia (Chile/Santiago)
21h, Sala Ademar Guerra (CCSP)
Duração: 60 min / Classificação: 16 anos
Sinopse: No texto do alemão Helmut Krausser, baseado em fatos reais:, em 1987, a polícia de Munique matou a tiros, e por engano, Werner Bloy, a quem Krausser dedica sua obra. Cara de Cuero é uma reflexão sobre a violência, o Estado, o papel da polícia na sociedade atual, utilizando como referência o personagem homônimo do filme The Texas Chainsaw Massacre (1974), de Tobe Hooper. A peça leva o espectador noite adentro, acompanhado por Cara de Cuero e sua amiga-amante. Ambos se convertem no centro de um equivocado cerco policial, do qual a saída somente será conhecida ao amanhecer.
O Teatro Rabia é uma companhia independente. Nasce no ano de 2005 e suas obras abordam as diversas problemáticas do homem contemporâneo, por meio de uma estética elaborada. Entre suas montagens estão Present Progressive , El Último Vuelo e Ganas de matar.

19 Compania Nacional de Fosforos 300x200 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Hermanos argentinos se apresentam também

19 de abril, sexta-feira
Alonso y Aguirre ¡perdidos en el Inframundo! - Compañía Nacional de Fósforos (Argentina/Buenos Aires)
21h, Sala Jardel Filho (CCSP) – 324 lugares
Duração: 60 min / Classificação: 12 anos
Sinopse: A peça decorre sob o tempo histórico de Carlos V, mandatário do enorme império romano-germânico, no século XVI. Nessa época têm início as explorações de Alonso e Aguirre, “dois heróis formidáveis ou dois imbecis”, responsáveis por lançar um novo olhar – às vezes absurdo – sobre a conquista da América, também passada pelo crivo hollywoodiano.  Estreado em Lima, em 2010, o espetáculo é uma incursão nos pântanos da história, da identidade e da memória que retorna sempre para enredar-se sobre si mesma.
Herdeiros da renovação de antigas tradições, buscadores de novas formas para pervertê-las, deformá-las e abandoná-las, A Compañía Nacional de Fósforos nasce em março de 2002 com a estréia de El Abismo no Teatro Municipal de Morón. Seus espetáculos se caracterizam por ser sempre uma procura, conjugando a teoria com a prática, adaptando velhas técnicas a novos modelos, apostando em um pensamento revolucionário, subversivo,inquisidor, irreverente.

20 Argos Teatro 300x199 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Argos Teatro: representante cubano

20 de abril, sábado
TalcoUn drama de tocador
- Argos Teatro (Cuba/Havana)
21h, Sala Ademar Guerra (CCSP) – 200 lugares
Duração: 75 min / Classificação: 16 anos
Sinopse: A peça é vencedora do Primeiro Prêmio Cubano-Alemão de Peças Teatrais 2009. Em um velho cinema de Havana, os personagens Javi, Mashenka, Zuleydi e Álvaro se encontram para recriar um universo fechado de relações marcadas pela marginalidade e interesses diversos. Um submundo de violência que jaz, muitas vezes, oculto, mas presente na realidade atual.
Fundado em 1996, o grupo cubano funciona também como um espaço de formação, realizando laboratórios permanentes para atores e estudantes. Argos Teatro já se apresentou em diversos países, entre eles México, Venezuela, República Dominicana, Colômbia, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Brasil.

20 Nos do Morro 300x198 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Cariocas do Vidigal são destaques na mostra

20 de abril, sábado
Bandeira de Retalhos - Grupo Nós do Morro (Brasil/Rio de Janeiro)
21h, Sala Jardel Filho (CCSP) – 324 lugares
Duração: 80 min / Classificação: 14 anos
Sinopse: A peça ficciona o episódio histórico de 1977, quando o governo tentou expulsar parte dos moradores do Vidigal. Eles resistiram e, com o apoio da população, de setores da igreja católica e da imprensa, mudaram a demografia do Rio de Janeiro. Originalmente um roteiro cinematográfico, escrito em 1979, o texto é inspirado na própria experiência do autor, Sérgio Ricardo, que se mudou para o Vidigal em meados daquela década.
Fundado em 1986 por Guti Fraga, o grupo tem a missão de possibilitar à comunidade do Vidigal a experiência com a arte e o acesso à cultura. Atualmente, o coletivo possui mais de cem peças teatrais encenadas, cinco curtas-metragens produzidos e mais de dez mil alunos beneficiados pelo projeto.

21 Atelie voador 300x200 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Baianos encerram as apresentações

21 de abril, domingo
Salmo 91 - ATeliê voadOR Companhia de Teatro (Brasil/Salvador)
18h, Sala Jardel Filho (CCSP)– 324 lugares
Duração: 120 min / Classificação: 16 anos
Sinospe: Segunda montagem brasileira do texto do dramaturgo Dib Carneiro Neto, que com ele venceu o Prêmio Shell 2008, Salmo 91 conta a história de dez detentos sob o pano de fundo do massacre no presídio de Carandiru, onde 111 presos foram mortos pela polícia militar, em 1992. A peça não é um relato realista do massacre e foca na perspectiva do preso sobre a vida marginal.
ATeliê VoadOR foi criada em 2002 e é sediada na Universidade Federal da Bahia, trabalhando com temas ligados à subalternidade. Nos últimos três anos debruçou-se sobre a “Trilogia do Cárcere”, composta por O melhor do homem (2010), Salmo 91 (2012) e O diário de Genet (2013).

Visite o site oficial da 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo de São Paulo!

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Veja a cobertura completa do R7 do Festival de Curitiba

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kil abreu foto miguelarcanjoprado Entrevista de Quinta: Novo curador teatral do CCSP, Kil Abreu quer palco inteligente e popular

Kil Abreu: "Estou com Brook: 'é preciso saber fazer com ou sem dinheiro'" - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

O jornalista, crítico e estudioso do teatro Kil Abreu é uma das principais cabeças que pensam as artes cênicas contemporâneas.

Ele acaba de assumir uma missão e tanto: ser curador da programação de teatro do Centro Cultural São Paulo, um dos principais espaços artísticos da capital paulista.

Nascido em Belém do Pará, em 5 de outubro de 1968, Kil está radicado em São Paulo desde 1995. É responsável pela formação de críticos e artistas da nova geração, com suas aulas cheias de teoria teatral misturada com um olhar aguçado para o palco na SP Escola de Teatro. E também pela consagração de artistas: foi jurado do Prêmio Shell, curador do Festival de Curitiba e é membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes).

Kil também já foi diretor do Departamento de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura, durante a gestão de Marta Suplicy, quando coordenou, entre outras coisas, a implantação da tão necessária Lei de Fomento ao Teatro, o Programa de Formação de Público e o Teatro Vocacional.

Além de jornalista, é mestre em Artes Cênicas pela USP (Universidade de São Paulo) e foi crítico teatral do jornal Folha de S.Paulo e da revista Bravo!.

Homem simples e generoso, apesar do impressionante currículo, Kil Abreu recebeu o Atores & Bastidores do R7 para este bate-papo sobre seu atual momento.

Leia com toda a calma do mundo:

Miguel Arcanjo Prado – Qual será a cara da sua gestão à frente da área de teatro do CCSP?
Kil Abreu – O quadro do teatro no CCSP tem avanços e demandas. Do ponto de vista estrutural, o Centro está saindo de uma reforma importante. Temos uma Sala Jardel Filho em melhores condições, e isto é ótimo. Por outro lado, a Sala Paulo Emílio agora é só para Cinema, e temos o Espaço cênico Ademar Guerra, que pela sua característica – a de ser um espaço experimental – é hoje o mais concorrido, mas ainda precisa de ajustes que estão em projeto.

kil abreu foto miguelarcanjoprado 3 Entrevista de Quinta: Novo curador teatral do CCSP, Kil Abreu quer palco inteligente e popular

Kil Abreu posa para o R7 no Centro Cultural São Paulo - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado – O CCSP é um espaço muito querido...
Kil Abreu – O fato é que o Centro Cultural é um espaço de grande importância, referencial, para os artistas e para a população. Há projetos para novas salas, que eu espero que ganhem andamento, mas isto é no longo prazo. No momento, as salas que temos, que têm boa estrutura, são divididas com a dança e com a música.

Miguel Arcanjo Prado – E o que fazer diante dessa falta de espaço?
Kil Abreu – Diante deste quadro, uma das minhas propostas, que esbarra na questão das verbas, é estender o conceito da programação na direção de outros espaços – os externos do próprio CCSP, mas também os espaços públicos da cidade. Inclusive porque uma parte importante da produção já não tem interesse nas salas. Gostaria (e digo isto propositalmente na condicional) de ver a programação avançar para fora do espaço físico da instituição. É claro que isto é quase uma utopia, mas é preciso começar olhando lá longe. Vamos ver o quanto podemos avançar.

Miguel Arcanjo Prado – Quais são os principais projetos que você quer trabalhar?
Kil Abreu – Neste momento o mais adequado seria falar em diretrizes. Há uma vocação do CCSP que já indica os caminhos que julgo mais produtivos. Devemos trabalhar com um teatro mais próximo ao experimental e à pesquisa artística e ao mesmo tempo popular no acesso.

Miguel Arcanjo Prado – E dá para conjugar essas duas coisas?
Kil Abreu – São coisas que podem perfeitamente seguir alinhadas. É claro que quando digo “experimental” vejo nisso a necessidade de que a experiência tenha estofo formal e de pensamento, não é um vale-tudo. De todo modo, este diálogo entre a aventura artística e o acesso popular é da maior importância. Interessa tanto a uma parte do melhor teatro criado em São Paulo quanto à possibilidade de que ele possa ser visto pelo público comum, não especializado.

Miguel Arcanjo Prado – Isso é bom. Não fazer teatro só para a classe artística...
Kil Abreu – Se a matéria artística, ainda que experimental, for de boa qualidade isto pode ser um excelente modo de formação de plateias, e por vias mais sofisticadas que as usuais. Ainda não sei se será possível, mas pretendo pautar espetáculos “frescos”, que estejam estreando no Centro ou que venham de temporadas recentes. É uma maneira de tentar renovar o interesse do público também.

Miguel Arcanjo Prado – Está preparado para as críticas que sempre vêm quando alguém assume um cargo público?
Kil Abreu – Sim, mas não creio que seja uma função de tanta visibilidade a ponto de mobilizar o interesse profundo das pessoas. É um trabalho importante como o são o de todos os outros parceiros e parceiras que trabalham nas curadorias do CCSP.

ccsp joao carlos renno divulgacao Entrevista de Quinta: Novo curador teatral do CCSP, Kil Abreu quer palco inteligente e popular

Centro Cultural São Paulo - Foto: Carlos Rennó

Miguel Arcanjo Prado – É um trabalho de equipe, assim como o teatro.
Kil Abreu – Sim, e é uma equipe grande e bacana. De qualquer maneira, não é a primeira vez que passo pelo serviço público. Fui diretor do Departamento de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura nos dois últimos anos da gestão Marta Suplicy e ali gerenciei junto a um pequeno batalhão de agentes culturais, entre outras coisas, os primeiros momentos de implantação da Lei de Fomento ao Teatro, o Programa Formação de público (que atendeu a centenas de milhares de estudantes e docentes), o Teatro Vocacional, etc. Foi uma aventura intensa e com todos os problemas que já conhecemos a respeito do processo de uma política cultural mais avançada dentro da máquina, que tende a só reconhecer a si mesma e é o avesso da cultura. Aquele momento foi rico neste aspecto também: para nos colocar no centro da avaliação, o que é mais que justo. Acho não só natural como necessário. Mesmo em posições modestas como esta uma gestão que não reconhece a crítica tende a também não reconhecer a diferença entre o público e o privado. E a tarefa é cuidar do bem comum, que não é pessoal, é da cidade.

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que este novo governo municipal, do Fernando Haddad, vai olhar mais para a turma do teatro?  
Kil Abreu – Sinceramente, não julgo que o teatro em São Paulo esteja desamparado, nem que o Governo Kassab não tenha olhado para ele. Eu desejaria a mesma situação para a grande maioria das capitais, Brasil afora, que vivem quadros calamitosos não só no teatro, mas em todos os aspectos da política cultural. É claro que sempre se pode avançar e não são poucas as demandas para uma cidade deste tamanho. Mas, em São Paulo há instrumentos legais que forçam esse olhar na direção do teatro e que são frutos da mobilização dos artistas. É uma garantia. Não tenho nenhuma dúvida de que a nova gestão vai cuidar muito bem disso.

Miguel Arcanjo Prado – E como será a verba que você vai administrar?
Kil Abreu – É uma verba modesta. Em princípio, não haveria do que reclamar porque a ocupação das salas é feita tendo como contrapartida a bilheteria, que vai para o artista ou grupo. Mas, se observarmos que não se trata de um espaço vocacionado para o teatro comercial e que os preços dos ingressos são – têm que ser – acessíveis, aí já teremos uma boa tarefa, que é a seguinte: como manter a qualidade de uma programação que não pode ser pautada sob a promessa de sobrevivência através da bilheteria?

Miguel Arcanjo Prado – É uma questão complicada...
Kil Abreu – No meu ponto de vista, há de novo a questão do interesse público. Se é uma produção que carrega consigo um capital simbólico que interessa ao fomento da arte e ao usufruto da população, e que não sobrevive sozinha, deve haver uma contrapartida da gestão na direção dela. Não é porque a arte tem que ser necessariamente subvencionada. É que a arte que aquele espaço abriga, com razão, tende a não sobreviver em um esquema de bilheteria, como no teatro comercial. E há, além dos espetáculos, a programação de outras tantas atividades que o Centro pode comportar e que pedem investimento também. De todo modo, penso junto com o Peter Brook: é preciso saber o que fazer com ou sem dinheiro. Porque podemos fazer coisas ruins com muito dinheiro também.

kil abreu foto miguelarcanjoprado 2 Entrevista de Quinta: Novo curador teatral do CCSP, Kil Abreu quer palco inteligente e popular

Kil Abreu quer levar a programação teatral do CCSP para outros lugares - Foto: Miguel Arcanjo Prado

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