Posts com a tag "centro cultural são paulo"

anatomia woyzeck Barbeiro apunhala amante e vira peça de teatro

Anatomia Woyzeck encerra trilogia sobre violência da Cia. Razões Inversas no CCSP - Foto: João Caldas

Por Miguel Arcanjo Prado

Um barbeiro apunhala sua amante, na cidade alemã de Leipzig, sem motivo aparente. Tudo indica que foi um crime passional.

O crime ocorrido em 1921 é a base do enredo do espetáculo Woyzeck,  escrito pelo alemão Georg Büchner. A obra ganha adaptação no Brasil sob o título Anatomia Wyzeck e é levada ao palco do Centro Cultural São Paulo pela Cia. Razões Inversas.

A montagem fecha a trilogia do grupo sobre a violência, que contou com as peças Agreste (2004) e Anatomia Frozen (2009).

Peça clássica do teatro moderno, a obra de Büchner discute a origem social da violência e como ela surge na mente humana.

Marcio Aurélio assume a direção do drama, que foi a obra alemã pioneira em contar com personagens proletários. A peça foi listada por Artaud em sua seleção do Teatro da Crueldade.

Os atores Clóvis Gonçalves, Pedro Marcelo e Washington Luiz compõem o elenco.

Anatomia Woyzeck
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. 60 min. Até 30/6/2013
Onde: Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho (r. Vergueiro, 1000, Metrô Vergueiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3397-4002)
Quanto: R$ 10 (bilheteria abre duas horas antes); no dia 31/5/2013 o ingresso vai custar R$ 2
Classificação etária: 16 anos

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flor de macambira jose ismary Peça paraibana Flor de Macambira é a melhor da 8ª Mostra Latino Americana em votação do R7

Cena de Flor de Macambira, do Coletivo Teatral SerTão Teatro (João Pessoa - PB), eleita a melhor peça da 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo pelos internautas do R7 - Foto: José Ismary

Por Miguel Arcanjo Prado

A simplicidade do interior brasileiro, com seu mundo de moças virgens e coronéis inescrupulosos, cativou o público paulistano que viu a 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo de São Paulo (leia cobertura completa do R7), que aconteceu no Centro Cultural São Paulo, entre 16 e 21 de abril, reunindo 11 espetáculos de sete países em apresentações gratuitas.

Em votação promovida pelo R7, os internautas escolheram a montagem Flor de Macambira, do Coletivo Teatral SerTão Teatro, de João Pessoa, na Paraíba, como a melhor peça do evento. O espetáculo dirigido por Christina Streva obteve 45,1% dos votos, ficando em primeiro lugar. Repleto de música e muito humor, a obra já circulava no boca a boca feito pelo público do festival como um dos melhores. No elenco, estão Gladson Galego, Isadora Feitosa, Cida Costa, Rafael Guedes, Thardelly Lima, Zé Guilherme e Pollyanna Barros.

Leia a coluna Por trás do pano - Rapidinhas teatrais

salmo91 Peça paraibana Flor de Macambira é a melhor da 8ª Mostra Latino Americana em votação do R7

Baianos do Ateliê VoadOR ficaram em segundo lugar na preferência do público, com Salmo 91 - Divulgação

O segundo melhor espetáculo, na opinião do internauta do R7, foi Salmo 91, do Ateliê VoadOR Companhia de Teatro, de Salvador, na Bahia, dirigida por Djalma Thürler. Eles emocionaram a plateia ao contar a história de vida dez presos mortos no massacre do Carandiru, justamente no dia em que 23 policiais foram condenados a 126 anos de cadeia pelo crime. Além do ótimo texto de Dib Carneiro Neto, baseado no livro de Dráuzio Varella, a obra contou com o vigor do elenco formado por Fábio Vidal, Rafael Medrado, Duda Woyda, Lucas Lacerda e Lúcio Tranchesi. Os baianos obtiveram 21,9% dos votos dos internautas.

talco alonso Peça paraibana Flor de Macambira é a melhor da 8ª Mostra Latino Americana em votação do R7

Cubanos do Argos Teatro (à esq.) e argentinos da Cia. de Fósforos (à dir.) dividem terceiro lugar - Divulgação

Em terceiro lugar houve empate: o grupo cubano Argos Teatro, que apresentou a peça Talco - Un Drama de Tocador, e o grupo argentino Compañia Nacional de Fósforos, que apresentou a obra Alonso y Aguirre - Perdidos en el Inframundo, obtiveram, cada um, 12,5% dos votos.

Os cubanos impressionaram o público brasileiro com o submundo de drogas e prostituição de Havana, com elenco vigoroso conduzido pelo diretor Carlos Celdrán formado pelos atores Waldo Franco, José Luis Hidalgo, Alexander Díaz e Rachel Pastor.  Já os argentinos romperam a barreira do idioma e fizeram rir os brasileiros com a história de dois espanhóis desastrados no Novo Mundo, com dois humoristas de talento no palco, Cristian Palácios e Juan Manuel Caputo.

A 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo é um projeto idealizado e formatado por Ney Piacentini, com coordenação geral de Alexandre Roit. A equipe do projeto contou com Marlene Salgado, Alexandre Kavanji, Luiz Amorim, Iarlei Sena, Dudu Oliveira, Fábio Spila, Isadora Giuntini, Géssica Arjona, Jhaíra, André Martins, Aurélio Prates, Eugênio La Salvia, Harley Nóbrega, Isabel WR, Maria Aparecida, Mayra Rizzo, Paula Zanetti, Tathiane Mattos, Vanessa Portugal, Wallyson Mota, Camila Scudeler, Fábio Salem, Isabela Jordani, João das Neves, Marietta Santi, Percy Encinas, Zecarlos de Andrade, Pedro Penafiel, Fabiano Moreira, Fernanda Pessoa, Luiz Gustavo Cruz, Fabiano Moreira e Carlos Escher.

Qual foi o melhor espetáculo da 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo de SP?

Esta enquete está encerrada
  • Karaokê la Orquesta Vacía (Equador)
    1.1%
  • A Folia no Terreiro de Seu Mané Pacaru (SP)
    0.5%
  • Coraje II (Porto Rico)
    1.1%
  • Flor de Macambira (Paraíba)
    45.1%
  • Os Ancestrais (Minas Gerais)
    1.6%
  • Halcon de Oro (Peru)
    1.9%
  • Cara de Cuero (Chile)
    0.3%
  • Alonso y Aguirre (Argentina)
    12.5%
  • Talco - Un Drama de Tocador (Cuba)
    12.5%
  • Bandeira de Retalhos (Rio)
    1.6%
  • Salmo 91 (Bahia)
    21.9%

Veja a cobertura completa da Mostra Latino-Americana no R7!

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talco Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Cena da obra cubana Talco, do Argos Teatro, destaque da Mostra Latino-americana de Teatro de Grupo

Por Miguel Arcanjo Prado

Durante seis dias São Paulo respirou as artes cênicas produzidas na América Latina, durante a 8ª Mostra Latino-americana de Teatro de Grupo, que terminou no último domingo (21), no Centro Cultural São Paulo.

Onze grupos de sete diferentes países apresentaram-se para o público paulistano em sessões gratuitas e representaram a diversidade do teatro feito nesta região do Planeta. Cada qual trouxe uma obra com sua visão de mundo, sua arte, seu recado, em um teatro marcado por muita opinião.

20 Argos Teatro 300x199 Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Argos Teatro: representante cubano em SP

Os cubanos do Argos Teatro foram, sem dúvida, o grande destaque. A peça Talco – Um Drama de Tocador apresentou atuações precisas em harmonioso conjunto formado pelos atores Waldo Franco, José Luis Hidalgo, Alexander Díaz e Rachel Pastor. Juntos, revelaram o submundo das drogas e da prostituição de uma Havana que mistura calor e decadência.

O diretor Carlos Celdrán (leia entrevista) potencializou a história com flashbacks e fez aposta certa no talento de seus intérpretes. A obra é forte, densa e bem construída. O alto nível artístico a coloca entre o melhor do teatro latino-americano, com personalidade própria e, claro, excesso de charme, como costumam ser os cubanos.

19 Compania Nacional de Fosforos 300x200 Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Hermanos argentinos: riso sem barreira do idioma

Argentinos fazem rir
Outros que conquistaram o público com simpatia de sobra foram os argentinos Cristian Palácios e Juan Manuel Caputo, a dupla da peça Alonso y Aguirre – Perdidoss em El Inframundo, da Cia. Nacional de Fósforos. A montagem infantil – que teria funcionado melhor em um horário da tarde – fez rir os espectadores paulistanos de variadas idades. Diante do talento dos rapazes para o humor, o público pouco se importou com a barreira do idioma – argentinos imitando um castelhano da Espanha – e mergulharam juntos na fantasia proposta pela obra sobre dois colonizadores picaretas com recursos simples e certeiros. Afinal de contas, o roteiro faz parte do passado de todos nós, latinos explorados por europeus ou norte-americanos.

bandeira de retalhos Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Bandeira de Retalhos, de Sérgio Ricardo, narra resistência popular no Vidigal – Divulgação

Política e música do Nós do Morro
Os cariocas do grupo Nós do Morro investiram forte no discurso político, mas sem ser chatos, e também agradaram ao público paulistano com a montagem Bandeira de Retalhos, peça de Sérgio Ricardo dirigida por Guti Fraga e Fátima Domingues. Nada mais autêntico do que ver os artistas moradores da favela do Vidigal contarem seu próprio passado de ameaças de expulsão e opressão policial. Tudo feito em meio à boa música – também de Sérgio Ricardo – que conduz a história. A direção soube bem aproveitar o que cada ator poderia oferecer de melhor, criando um conjunto harmonioso e tocante. O público mergulha na simplicidade das atuações cheias de vontade e força. Apesar da longa duração, o espectador acompanha até o fim a saga daqueles moradores que buscam preservar o direito de moradia e de existência numa sociedade que os exclui. O grande achado da dramaturgia é dar este recado sem fazer maniqueísmos. Na peça, o pobre não é apenas o bonzinho oprimido pelo rico maldoso, mas pode ser também vilão, porque é gente também.

17 SerTao Teatro 300x199 Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Paraibanos conquistaram plateia de SP com interior

Simplicidade brasileira
Os paraibanos do grupo Coletivo Teatral Sertão Teatro abusaram da simplicidade genuína do interior do Brasil para conquistar a plateia com o espetáculo Flor de Macambira. A obra representou arquétipos de nosso interior, como a menina pura e o coronel inescrupuloso e sanguinário, gerando comunicação imediata com o espectador, que comentou a obra pelos corredores do Centro Cultural SP. A brasilidade evidente no espetáculo dirigido por Christina Streva - de figurinos impecáveis - encheu os olhos de quem viu.

21 Atelie voador 300x200 Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Baianos falaram do Massacre do Carandiru com vigor

Massacre do Carandiru
Outro espetáculo de forte teor social foi Salmo 91, com o grupo baiano Ateliê Voador Companhia de Teatro, sob direção de Djalma Thürler. Eles levaram ao palco o conhecido texto de Dib Carneiro Neto baseado na obra do médico Dráuzio Varella, já encenado na cidade. A obra dá vida, em monólogos interpretados por afinado elenco, formado por Fábio Vidal, Rafael Medrado, Duda Woyda, Lucas Lacerda e Lúcio Trancesi, a dez personagens mortos no Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram assassinados por policiais militares no então maior presídio do País após uma rebelião. A montagem baiana é mais solta e menos técnica do que a paulistana de cinco anos atrás. Os atores do Ateliê muitas vezes não resistem e se comunicam diretamente com a plateia – fazendo do riso destes um respiro perigoso em meio a tanta tensão. Apesar disso, mantêm o peso do texto que busca lembrar que aquelas vítimas eram seres humanos, com tudo de bom e de ruim que isso significa. E a montagem ganhou ainda maior impacto por ser apresentada no mesmo dia em que policiais que participaram do crime foram condenados a mais de uma centena de anos de cadeia pela Justiça.

Teatro Invertido 300x224 Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Mineiros fazem peça de Grace Passô: cenário contundente

Família mineira soterrada
Os mineiros do Teatro Invertido apostaram na história de uma família soterrada, criada por Grace Passô, na peça Os Ancestrais. O discurso social da montagem, mais forte no começo, acaba se misturando com os dramas pessoais dos irregulares personagens. O cenário de Fernando Marés se destaca, cheio de terra e sujeira, como metáfora do lixo social no qual aquela família está mergulhada. Apesar de alguns incômodos, sobretudo no final esperado e em algumas atuações sem viço, o espetáculo tem mérito: não tem medo de se arriscar.

19 Teatro Rabia 300x226 Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Teatro Rabia: dramaturgia da fria Alemanha

Drama frio e saturado
Já os chilenos da Compañia Teatro Rabia ficaram devendo com o espetáculo Cara de Cuero, dirigido por Rodrigo Molina Meza. A montagem, apresentada no programa como uma reflexão sobre a violência do Estado pela força policial, não corresponde ao anúncio e acaba sendo um drama raso – e já saturado – sobre um casal decadente e alcoolizado, trancafiado por vontade própria em um apartamento. A dramaturgia fria e fraca, versão de um texto do alemão Helmut Krausser, pouco dialoga com América Latina, foco da mostra. Além disso, os atores Mirta Traslaviña Acosta e Herman Heyne derrapam em uma construção forçada de seus personagens e evidente falta de domínio de técnica corporal. Além disso, a máscara de couro utilizada pelo ator em boa parte da peça fez com que sua fala fosse ininteligível. Uma abertura maior na região da boca teria resolvido o problema.

18 CEXES 300x225 Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo

Grupo peruano levou poesia ao palco do CCSP

Expandindo fronteiras
Os peruanos do Centro de Experimentación Escénica saíram-se melhor com o espetáculo Halcon de Oro – Q´orihuana. Um misto de teatro, performance e pantonima, o espetáculo revela – sem falas – os sentimentos e os desvarios de um ex-combatente trancado em um manicômio, interpretado pelo intérprete potente Rodolfo Rodríguez, que contracena com o preciso Alfredo Alarcón. A peça experimenta as fronteiras do teatro e as expande, sem fazer disso uma aventura artística egoísta, como nos cansamos de ver. Muito pelo contrário, pega o público pela mão e o leva junto naquela viagem. Aí, faz todo o sentido.

Diversidade no palco
A 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo ainda contou com as apresentações do equatoriano El Muégano Teatro, que apresentou Karaokê la Orquesta Vacía; do paulistano Mamulengo da Folia, com A Folia no Terreiro de Seu Mané Pacaru; e da porto-riquenha Cia. Taller de Otra Cosa, que levou ao palco a obra Coraje II. Com altos e baixos, o evento cumpriu sua função: mostrar o que os grupos latino-americanos de teatro andam produzindo, em uma chance única para o público paulistano dialogar com espetáculos e artistas de distintos lugares, cada qual com sua visão de mundo e seu recado artístico. Que venha a 9ª edição!

Avaliacao Bom R7 Teatro Crítica: Cubanos se destacam na 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo de São Paulo8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo
Avaliação: Bom

Vote e escolha o melhor espetáculo! O resultado sai aqui no blog na sexta (26)!

Qual foi o melhor espetáculo da 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo de SP?

Esta enquete está encerrada
  • Karaokê la Orquesta Vacía (Equador)
    1.1%
  • A Folia no Terreiro de Seu Mané Pacaru (SP)
    0.5%
  • Coraje II (Porto Rico)
    1.1%
  • Flor de Macambira (Paraíba)
    45.1%
  • Os Ancestrais (Minas Gerais)
    1.6%
  • Halcon de Oro (Peru)
    1.9%
  • Cara de Cuero (Chile)
    0.3%
  • Alonso y Aguirre (Argentina)
    12.5%
  • Talco - Un Drama de Tocador (Cuba)
    12.5%
  • Bandeira de Retalhos (Rio)
    1.6%
  • Salmo 91 (Bahia)
    21.9%

Veja a cobertura completa da Mostra Latino-Americana no R7!

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salmo 91  Artistas comemoram condenação de policiais do Carandiru no fim da Mostra Latino Americana

Elenco do espetáculo baiano Salmo 91, que encerrou a Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo

Por Miguel Arcanjo Prado

A 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo terminou, na noite deste domingo (21), com discurso político no palco do Centro Cultural São Paulo.

A última peça da mostra foi Salmo 91, com texto de Dib Carneiro Neto baseado no livro de Dráuzio Varella dá história de vida a alguns dos detentos mortos no massacre do Carandiru, em 1992. A montagem foi apresentada no dia em que 23 policiais responsáveis pela chacina foram condenados pela Justiça a 156 anos de cadeia. A data emblemática foi lembrada no palco.

Após vigoroso aplauso da plateia, o diretor do grupo baiano Ateliê Voador, Djalma Thürler, subiu ao palco a convite do elenco formado pelos atores Duda Woyda, Fábio Vidal, Lucas Lacerda, Lúcio Tranchesi e Rafael Medrado.

Emocionado, o diretor lembrou que o espetáculo era apresentado no mesmo dia da condenação de policiais responsáveis pelo crime de assassinar 111 presos.

– Tínhamos apresentado a peça no dia em que o massacre do Carandiru fez 20 anos, no ano passado. E, agora, fazer o espetáculo neste dia é algo importante e muito especial para nós, pois somos um grupo que batalha pelos direitos humanos.

Na plateia, estava o autor da peça, o jornalista Dib Carneiro Neto. Em conversa com o R7, ele lembrou que “o massacre foi um marco em nossa história”.

– Ver este tema resgatado por um julgamento 20 anos depois é muito importante. Neste momento em que abro a internet e vejo um monte de gente reacionária, é muito importante mostrar no palco que os mortos eram seres humanos. Então, esta é uma peça de defesa dos direitos humanos, como bem falou o diretor no palco.

Os atores Pascoal da Conceição e Ando Camargo, que participaram do elenco da primeira montagem da peça, dirigida pelo mineiro Gabriel Villela em 2007, também estavam na plateia. Pascoal contou que teve “um olhar bem técnico” para a peça dos baianos e que, por isso, “não conseguiu entrar na emoção da obra”. Ando Camargo contou que a música de Eliana de Lima que permanece na montagem baiana foi “um caco” criado por ele nos ensaios.

Camargo ressaltou a importância da obra continuar na pele de outros atores.

– É uma obra que tem de estar sempre em cartaz. É uma história que precisa ser contada sempre.

Pascoal da Conceição concordou com o colega.

– Fiquei feliz de ver que a força do texto resiste. Até porque é um assunto que não está resolvido ainda. Existe ainda na sociedade um desejo de vingança muito grande.

Ao fim da montagem, o coordenador-geral da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, Alexandre Roit, agradeceu nominalmente a toda a equipe do festival e pediu ao público que "retorne no próximo ano com a mesma energia". Foram seis dias de foco nas artes cênicas, com 11 espetáculos vindos de sete diferentes países da América Latina. Todos com entrada gratuita.

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salmo.jpg Baianos dão vida a vítimas do massacre do Carandiru na peça Salmo 91, na Mostra Latino Americana

Na semana do julgamento, massacre do Carandiru ganha vida no CCSP - Foto: Bob Nunes

Por Miguel Arcanjo Prado

O julgamento dos policiais envolvidos no massacre do Carandiru, quando 111 presos foram exterminados no então maior presídio do País, ocupa os noticiários e também o palco do Centro Cultural São Paulo (CCSP), neste domingo (21), a partir das 18h.

Lá será apresentado espetáculo Salmo 91, de Dib Carneiro Neto, baseado no livro de Dráuzio Varella. A peça encerra a programação da 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, que trouxe 11 espetáculos de sete países a São Paulo, todos com entrada gratuita. Os ingressos são distribuídos a partir das 16h na bilheteria do CCSP.

A peça já teve montagem de sucesso, com direção do mineiro Gabriel Villela e elenco potente em 2007. Desta vez, quem assume a missão de recriar os relatos daqueles presos vítimas da truculência policial são os atores do Ateliê Voador Companhia de Teatro, de Salvador, na Bahia, com direção de Djalma Thürler.

Duda Woyda, ator da trupe, diz ao R7 que “não há comparação” da montagem baiana com a paulistana e que o diretor deixou o elenco criar à vontade, “sempre aberto” às propostas dos mesmos.

Outro ator do elenco, Lucas Lacerda, diz que é um privilégio encerrar a mostra e abordar no palco um assunto que voltou para as manchetes do jornais por conta do julgamento. “Durante muito tempo ninguém falou do massacre. No ano passado, quando ele completou 20 anos, também estávamos encenando a peça. E logo quando estreamos em São Paulo isso acontece justo na semana do julgamento”.

Fábio Vidal, também do elenco do Ateliê Voador, destaca o privilégio de encerrar a Mostra e diz que “o festival tem uma visibilidade enorme e forte presença do público paulistano”. Ao que Lacerda completa: “É um lugar de intercâmbio entre os artistas que fazem teatro na América Latina. Não apenas apresentamos nossas pecas, mas assistimos às dos colegas. Isso não acontece na maioria dos festivais. Conhece realizações cênicas tão diferentes é uma riqueza muito grande”.

Em julho, a peça Salmo 91 será apresentada em Miami, nos Estados Unidos, onde se apresentam no Festival Internacional de Teatro Hispano. O grupo afirmou ao R7 que espera retornar a São Paulo para uma temporada grande com o espetáculo. Eles querem trazer a trilogia composta pelos espetáculos O Melhor do Homem, Salmo 91 e O Diário de Genet. Salmo 91 ainda tem no elenco Rafael Medrado e Lúcio Tranchesi.

 

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mostra paulo favari Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo atrai público interessado em ver teatro com opinião

A atriz Francisca Damião, a diretora Fátima Domingues (ao centro) e o professor de história Alisson Santana conferem a feira de livros da mostra – Foto: Paulo Fávari

Por Miguel Arcanjo Prado

Nos últimos dias, em meio aos dançarinos de street dance que treinam seus passos no saguão do Centro Cultural São Paulo se mistura um público ávido por ver gente diferente no palco. São os espectadores da 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, evento que vai até domingo (21) com 11 espetáculos gratuitos de sete países.

peruano Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo atrai público interessado em ver teatro com opinião

O ator peruano do CEXES Rodolfo Rodríguez

Gente como o professor de história Alisson Santana, morador de Perdizes, bairro da zona oeste paulistana e apaixonado por teatro, que assistiu à montagem peruana Halcon de Oro – Q’orihuana, do Centro de Experimentación Escénica de Lima.

– O teatro me envolve muito mais que o cinema. Costumo frequentar o Tusp e o Centro Cultural São Paulo. Acho interessante uma mostra como essa, que permite conhecer coisas novas.

O estudante Rodrigo Margulhão, de 20 anos, também assistiu ao espetáculo, o primeiro peruano de sua vida.

– Gosto muito de teatro, mas sempre como público, pelo menos por enquanto. A gente tem de aproveitar um evento como esse.

A publicitária Amanda Farias, de 30 anos, conhece o evento há três anos, e diz “gostar do contato com os grupos latinos”. Sua amiga, a estudante de teatro Vanessa Rodrigues, de 25 anos, gostou muito do espetáculo Flor de Macambira, do Coletivo Teatral SerTão Teatro, de João Pessoa (PB). Ela afirma que “acha importante conhecer a arte de outros lugares”.

Mulheres lindas

cara de cuero Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo atrai público interessado em ver teatro com opinião

Espetáculo chileno Cara de Cuero, do Teatro Rabia

E o intercâmbio também acontece do outro lado. O diretor chileno Rodrigo Molina Meza, do Teatro Rabia, que apresentou o espetáculo Cara de Cuero nesta sexta (19), diz que “é muito importante sair do nosso país e ter contato com outros públicos”. Ele conta ainda que ficou impressionado com São Paulo, “uma cidade tão grande e diversa”. E ainda fez uma confissão: “As mulheres brasileiras são lindas. Estou com torcicolo de tanto olhar”.

Revelações à parte, a colega de grupo e atriz Mirta Traslaviña Acosta diz que “é um desafio duplo” apresentar uma obra no Brasil e em espanhol para um público que fala português. “Mas o desafio é fascinante. Dá uma vertigem gostosa”, diz. Ao que o colega e ator Herman Heyne completa: “Apostamos em um teatro urbano e com certa crítico social. Esperamos ter comunicado com as pessoas daqui”.

bandeiraderetalhos Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo atrai público interessado em ver teatro com opinião

Cena de Bandeira de Retalhos: os cariocas do Nós do Morro apresentam em SP seu teatro contundente

Verdadeira especialista em teatro com forte teor crítico, a diretora do grupo carioca Nós do Morro, Fátima Domingues, que apresenta o espetáculo Bandeira de Retalhos neste sábado (20), às 21h, considera a troca possibilitada pela mostra “algo maravilhoso”. Ela ficou encantada com a atriz porto-riquenha Thereza Hernandez, que apresentou o espetáculo Coraje II. Diz que quer “levá-la para a favela”.

– A força dela me colocou em suspensão. Saber que existem outros caminhos só trazem aprendizado. Não temos de criar uma única forma de fazer teatro. O barato é perceber que há caminhos diferentes. Esse tipo de movimento deixa a gente mais forte para continuar.

O corrdenador da mostra, Alexandre Roit, diz que "a tendência é de crescimento de público no fim de semana". E faz um importante aviso: "É bom chegar às 16h para garantir o ingresso, porque vai ter muita procura".

ccsp eduardo enomoto Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo atrai público interessado em ver teatro com opinião

Participantes da mostra acompanham grupo El Muégano Teatro, do Equador - Foto: Eduardo Enomoto

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carlos celdran argos teatro eduardo enomoto 1 “O teatro cubano hoje pode ser mais crítico”, diz Carlos Celdrán, que mostra submundo de Havana

O diretor cubano Carlos Celdrán, do Argos Teatro de Havana, da peça Talco - Un Drama de Tocador, que está na Mostra Latino-Americana: "Hoje, Cuba apresenta uma cena teatral viva e forte" - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Talco – Um Drama de Tocador é um dos espetáculos mais aguardados da 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, que acontece até domingo (21) no Centro Cultural São Paulo com entrada gratuita. O espetáculo, que será apresentado neste sábado (20), às 21h, é feito pelo Argos Teatro, companhia sediada há 15 anos em Havana, Cuba. Os ingressos começam a ser distribuídos às 16h do mesmo dia.

A premiada montagem descortina uma Havana que o regime da ilha dos irmãos Castro não costuma vender. Com autoria de Abel Gonzáles Melo e direção de Carlos Celdrán, a peça mostra um velho cinema da capital cubana, onde personagens marginais se encontram. O espetáculo mostra uma “violência oculta, mas presente” na realidade atual de Cuba.

A obra tem assistência de direção de Yemandro Tamayo, música de Denis Peralta, luz de Manolo Garriga, figurinos de Vladimir Cuenca e cenografia de Alain Ortiz. No elenco, estão Waldo Franco, José Luiz Hidalgo, Alexander Díaz e Rachel Pastor.

O Atores & Bastidores do R7 conversou com o diretor da peça, Carlos Celdrán. Ele falou sobre o seu teatro e como é fazer uma peça com um tema corajoso como este para o contexto político em que vive. Leia a entrevista exclusiva:

talco julio de la nuez 3 “O teatro cubano hoje pode ser mais crítico”, diz Carlos Celdrán, que mostra submundo de Havana

Talco - Un Drama de Tocador - Foto: Julio de la Nuez

Miguel Arcanjo Prado – Como é fazer um teatro crítico estando em Cuba?
Carlos Celdrán – Creio que o bom teatro tem uma postura crítica dos problemas da sociedade. E encontra, de alguma forma, um modo de fazer isso. O teatro tem de mostrar as contradições humanas e também políticas no palco. Mas, para isso, é preciso ter um discurso teatral sólido. Esta é nossa postura.

Vocês são um dos principais grupos de Cuba. Foi fácil conseguir autorização para vir à Mostra Latino-Americana?
Sim, foi fácil. É só apresentar a carta-convite que não há problemas. Temos 15 anos de fundação. Somos um grupo de atores jovens, já que também trabalhamos como escola. Sempre pensamos a realidade cubana em nosso teatro.

Falando em Cuba, vocês ficaram sabendo lá que a blogueira cubana Yoani Sánchez foi hostilizada recentemente pela esquerda brasileira, em sua vinda ao País, por ser crítica ao regime cubano?
Não, essa notícia não chegou lá.

A obra de vocês fala de uma Cuba que o governo da ilha não gosta muito de mostrar...
A obra fala do submundo marginal da Havana de hoje. Tem travestis, prostitutas, tráfico de drogas. São novos cenários que o teatro também tem de discutir.

Qual é o teatro que Cuba traz ao Brasil?
Eu não falo em nome de Cuba, que fique bem claro. Nós não somos políticos. Somos artistas. Me interessa que minha linguagem teatral seja vista e compreendida. E que a nossa visão de mundo e de realidade possa chocar com outro público, com nosso tema teatral e nossa visão de nossa história.

Como foi a negociação para fazer uma peça como esta?
É um processo a relação com o Estado. É uma negociação constante. Por que é um processo? Porque já foi mais lento e fechado e, pouco a pouco, abrimos os limites do que se deve falar ou não. Neste momento, o teatro cubano pode ser mais crítico do que foi antes. Foi um processo longo e difícil. Mas, hoje, Cuba apresenta uma cena teatral viva e forte. E por que é uma negociação? Porque você, como artista de teatro, precisa encontrar o jeito de falar tudo o que você quer sem que seja censurado. E o governo também tem de negociar com a gente a necessidade de apresentar uma problemática no palco. Porque uma cena sem problemas é mais perigosa que uma cena com problemas. É uma luta difícil, mas possível.

carlos celdran argos teatro eduardo enomoto 2 “O teatro cubano hoje pode ser mais crítico”, diz Carlos Celdrán, que mostra submundo de Havana

Carlos Celdrán, do Argos Teatro: "Fazer teatro em Cuba é uma luta difícil, mas possível" - Foto: Eduardo Enomoto

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os ancestrais juliana hilal 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

É de graça: a atriz Kelly Crifer, em cena do espetáculo mineiro Os Ancestrais - Foto: Juliana Hilal/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado

Atenção, paulistanos! A partir da terça-feira (16), o Centro Cultural São Paulo vira o grande palco do teatro produzido na América Latina, na 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo. O melhor: toda programação é de graça.

Até 21 de abril, serão apresentados 11 espetáculos que envolvem o trabalho de mais de cem artistas vindos de sete diferentes países .

Idealizada por Ney Piacentini, a mostra é um projeto da Cooperativa Paulista de Teatro, entidade da qual ele é ex-presidente. Ele conta ao R7 que o evento "foi um desdobramento natural da mostra de teatro brasileiro de grupo realizada na década de 90".

ney 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Ney Piacentini, idealizador e curador da mostra teatral da América Latina em São Paulo - Foto: Bob Sousa

— Gostamos de trabalhar com temas. Neste ano, queríamos abordar o teatro e a violência, mas percebemos que esta temática teria um leque mais restrito, e abrimos para o teatro que tem relação com os temas sociais. Mesmo assim, metade das peças está ligada à violência social; as outras tangenciam o tema. Isso é importante, porque o histórico de violência na América Latina é um problema comum de todos nós.

Piacentini aposta na obra do Argos Teatro, de Cuba, como destaque da programação, sobretudo porque falam "do submundo de Havana", já que a vinda da blogueira cubana Yoani Sánches causou rebuliço no Brasil.

— A peça cubana vai provocar o debate. E também destaco o Nós do Morro, que consegue virar o jogo da segregação social.

Oportunidade única

O curador de teatro do CCSP, Kil Abreu, afirma a importância do evento na agenda do espaço,

kil abreu foto miguelarcanjoprado 3 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Kil Abreu, do CCSP: mostra é possibilidade única de acesso do público a espetáculos internacionais - Foto: Miguel Arcanjo Prado

— É um momento valioso para nós: porque a Mostra é dedicada a uma cena, a latina, que por incrível que  pareça só nos últimos anos tem sido mais presente no Brasil. Também porque, neste recorte, joga luz sobre o trabalho de companhias em atividade continuada, que têm projetos estéticos não pontuais, mas de longo fôlego, normalmente baseados na pesquisa.

Abreu ainda reforça na conversa com o R7 o fato de a mostra ser gratuita, "garantindo o acesso a uma plateia ampla que talvez não pudesse conhecer estes trabalhos se não fosse desta forma".

— Para nós da curadoria de teatro do CCSP esta relação entre pesquisa artística e acesso popular é da maior importância.

Abertura equatoriana

A abertura do evento será feita pelo grupo equatoriano El Muégano Teatro, que apresenta a peça Karaokê. Além deles e dos cubanos já citados, há espetáculos do Peru, do Chile, da Argentina e de Porto Rico.

E os brasileiros marcam presença na programação. Entre outros, se apresentam o Grupo de Teatro Invertido, de Belo Horizonte, com a peça Os Ancestrais - apresentada no último Festival de Curitiba -, o Nós do Morro, do Rio de Janeiro, e o soteropolitano Ateliê Voador.

Você pretende ir à Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo no CCSP?

  • Sim. Esta mostra promete e o melhor: é cultura grátis!
  • Não. Eu não curto muito espetáculos teatrais.
  • Eu até queria ir, mas não moro em São Paulo, infelizmente...

Veja a programação completa e programe-se para ver o melhor do teatro latino-americano:

16 El Mueganos 300x197 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Equatorianos abrem a programação no CCSP

16 de abril – terça-feira
Karaokê La orquestra vacía - El Muégano Teatro - (Equador/Guaiaquil)
20h, Sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo (CCSP) – 324 lugares
Duaração: 70 mim / Classificação: 14 anos
Sinopse: Karaoke Orquesta Vacía traz uma orquestra anacrônica, assediada por fantasmas, que saca as “sagradas notas do hino nacional, a família, a propriedade privada e o amor, num território vagamente definido”, uma cidade-estado desenhada sob os critérios da diversão, adequação e competição selvagem.
El Muégano Teatro tem assídua participação em festivais como de Cádiz, Bogotá e Recife. A companhia surgiu em Madri, em 2000, estabelecendo-se em Guaiaquil a partir de 2004. Sobre seus pilares artístico-teóricos, é com ironia que o grupo comenta: “a aridez cultural e o conservadorismo político pareceram ideais para projetar-se nos termos de Brecht e Walter Benjamin, estando na corrente em contracorrente”.

Taller de Otra Cosa 300x192 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Grupo representa Porto Rico em SP

17 de abril – quarta-feira
Coraje II – Cia. Taller de Otra Cosa (San Juan/ Porto Rico)
21h, Sala Ademar Guerra (CCSP) – 200 lugares
Duração: 60 min / Classificação: 16 anos
Sinopse: Coraje II explora o tema da violência urbana em um país sem uma guerra declarada, mas seus cidadãos vivem submersos na paranóia  gerada pela indústria da segurança que produz uma cultura que encobre a memória reprimida de uma nação militarizada envolvido em múltiplas guerras.
Fundado em 1990, o início do grupo esteve ligado à dança experimental, sob a coordenação de Viveca Vázquez. Atualmente, Taller de Outra Cosa é dirigido por Teresa Hernández, cuja preocupação é trabalhar na fronteira das artes cênicas, com temas como as identidades, a arte e os cânones estabelecidos, a violência e o poder sob suas expressões diversas.

17 SerTao Teatro 300x199 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Paraibanos também estão na mostra grátis

17 de abril, quarta-feira
Flor de Macambira - Coletivo Teatral SerTão Teatro (Brasil/João Pessoa-PB)
21h, Sala Adoniran Barbosa (CCSP) – 300 lugares
Duração: 80 min / Classificação: 12 anos
Sinopse: A peça é uma festa popular com música, comicidade e cor que conta a história da jovem Catirina, “a mais bela flor da Fazenda Macambira”, que para salvar a si e a seu amado mergulha nas profundezas de sua alma. Tipos do cotidiano brasileiro como o Coronel sanguinário, o padre mercantilista, o banqueiro especulador e marqueteiro enganador são trazidos para o palco nessa trama do sertão brasileiro.
SerTão Teatro surge em 2007 com o espetáculo Vereda da Salvação. Em 2009, monta Farsa da Boa Preguiça, em parceria com o grupo Clowns de Shakespeare. Flor de Macambira, de 2011, é seu terceiro espetáculo com o qual se apresentou por dez cidades situadas ao longo do Rio São Francisco.

Teatro Invertido 300x224 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Mineiros fazem peça de Grace Passô

18 de abril – quinta-feira
Os Ancestrais – Teatro Invertido (Brasil – Belo Horizonte/MG)
21h, Sala Ademar Guerra (CCSP) – 200 lugares
Duração: 80 min / Classificação: 16 anos
Sinopse: A montagem parte de uma situação fantástica para abordar temas como os laços familiares e a noção de propriedade da terra no Brasil. Sob a perspectiva da afetividade, a história trata das contradições dos relacionamentos, dos desejos que permeiam essa convivência. Sob a perspectiva social, reflete o fato de que no Brasil ainda não há uma política justa no que diz respeito à propriedade da terra, o fato de que a noção desse direito é resultado da história de um país colonizado, invadido e desigual.
O grupo de atores da cidade de Belo Horizonte, que surgiu no ano de 2004, tem como principal objetivo aprofundar a pesquisa em treinamento do ator e criação cênica iniciada no curso de graduação em teatro da UFMG. A cada nova montagem a companhia reafirma o seu interesse pela investigação artística e colaboração como princípios fundamentais de seu trabalho. Seus espetáculos buscam uma dramaturgia que dialogue com os desejos dos integrantes do grupo e com o tempo em que vivem. Atualmente o Invertido tem em repertório cinco peças: Nossa Pequena Mahagonny (2003), Lugar Cativo (2004), Medeiazonamorta (2006), Proibido Retornar (2009) e Estado de Coma (2010).

18 CEXES 300x225 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Grupo peruano é uma das atrações

18 de abril – quinta-feira
Halcon de Oro- Q´orihuama  - Centro de Experimentación Escénica – CEXES (Peru/Lima)
21h, Sala Jardel Filho (CCSP) – 324 lugares
Duração: 70 min / Classificação: 14 anos
Sinopse: Levando a ação cênica para as fronteiras entre teatro, dança e pantomima, o grupo peruano se nutre de tudo o que possa estimular os sentidos e gerar sensações no espectador. Rodolfo Rodríguez e Alfredo Alarcón apresentam a história de um ex-combatente, recluso no manicômio em tempos sombrios. Sua relação com um sacerdote andino o levará, no entanto, a caminho de novas provações, ‘a fim se curar.
O CEXES foi criado pelo Grupo Cultural Yuyachkani, da cidade de Lima, para a criação e investigação de encenações com jovens artistas provenientes de diversas modalidades artísticas.

19 Teatro Rabia 300x226 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Chilenos do Teatro Rabia se apresentam em SP

19 de abril, sexta-feira
Cara de Cuero - Compañía Teatro Rabia (Chile/Santiago)
21h, Sala Ademar Guerra (CCSP)
Duração: 60 min / Classificação: 16 anos
Sinopse: No texto do alemão Helmut Krausser, baseado em fatos reais:, em 1987, a polícia de Munique matou a tiros, e por engano, Werner Bloy, a quem Krausser dedica sua obra. Cara de Cuero é uma reflexão sobre a violência, o Estado, o papel da polícia na sociedade atual, utilizando como referência o personagem homônimo do filme The Texas Chainsaw Massacre (1974), de Tobe Hooper. A peça leva o espectador noite adentro, acompanhado por Cara de Cuero e sua amiga-amante. Ambos se convertem no centro de um equivocado cerco policial, do qual a saída somente será conhecida ao amanhecer.
O Teatro Rabia é uma companhia independente. Nasce no ano de 2005 e suas obras abordam as diversas problemáticas do homem contemporâneo, por meio de uma estética elaborada. Entre suas montagens estão Present Progressive , El Último Vuelo e Ganas de matar.

19 Compania Nacional de Fosforos 300x200 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Hermanos argentinos se apresentam também

19 de abril, sexta-feira
Alonso y Aguirre ¡perdidos en el Inframundo! - Compañía Nacional de Fósforos (Argentina/Buenos Aires)
21h, Sala Jardel Filho (CCSP) – 324 lugares
Duração: 60 min / Classificação: 12 anos
Sinopse: A peça decorre sob o tempo histórico de Carlos V, mandatário do enorme império romano-germânico, no século XVI. Nessa época têm início as explorações de Alonso e Aguirre, “dois heróis formidáveis ou dois imbecis”, responsáveis por lançar um novo olhar – às vezes absurdo – sobre a conquista da América, também passada pelo crivo hollywoodiano.  Estreado em Lima, em 2010, o espetáculo é uma incursão nos pântanos da história, da identidade e da memória que retorna sempre para enredar-se sobre si mesma.
Herdeiros da renovação de antigas tradições, buscadores de novas formas para pervertê-las, deformá-las e abandoná-las, A Compañía Nacional de Fósforos nasce em março de 2002 com a estréia de El Abismo no Teatro Municipal de Morón. Seus espetáculos se caracterizam por ser sempre uma procura, conjugando a teoria com a prática, adaptando velhas técnicas a novos modelos, apostando em um pensamento revolucionário, subversivo,inquisidor, irreverente.

20 Argos Teatro 300x199 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Argos Teatro: representante cubano

20 de abril, sábado
TalcoUn drama de tocador
- Argos Teatro (Cuba/Havana)
21h, Sala Ademar Guerra (CCSP) – 200 lugares
Duração: 75 min / Classificação: 16 anos
Sinopse: A peça é vencedora do Primeiro Prêmio Cubano-Alemão de Peças Teatrais 2009. Em um velho cinema de Havana, os personagens Javi, Mashenka, Zuleydi e Álvaro se encontram para recriar um universo fechado de relações marcadas pela marginalidade e interesses diversos. Um submundo de violência que jaz, muitas vezes, oculto, mas presente na realidade atual.
Fundado em 1996, o grupo cubano funciona também como um espaço de formação, realizando laboratórios permanentes para atores e estudantes. Argos Teatro já se apresentou em diversos países, entre eles México, Venezuela, República Dominicana, Colômbia, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Brasil.

20 Nos do Morro 300x198 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Cariocas do Vidigal são destaques na mostra

20 de abril, sábado
Bandeira de Retalhos - Grupo Nós do Morro (Brasil/Rio de Janeiro)
21h, Sala Jardel Filho (CCSP) – 324 lugares
Duração: 80 min / Classificação: 14 anos
Sinopse: A peça ficciona o episódio histórico de 1977, quando o governo tentou expulsar parte dos moradores do Vidigal. Eles resistiram e, com o apoio da população, de setores da igreja católica e da imprensa, mudaram a demografia do Rio de Janeiro. Originalmente um roteiro cinematográfico, escrito em 1979, o texto é inspirado na própria experiência do autor, Sérgio Ricardo, que se mudou para o Vidigal em meados daquela década.
Fundado em 1986 por Guti Fraga, o grupo tem a missão de possibilitar à comunidade do Vidigal a experiência com a arte e o acesso à cultura. Atualmente, o coletivo possui mais de cem peças teatrais encenadas, cinco curtas-metragens produzidos e mais de dez mil alunos beneficiados pelo projeto.

21 Atelie voador 300x200 8ª Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo tem 11 espetáculos de 7 países de graça no CCSP

Baianos encerram as apresentações

21 de abril, domingo
Salmo 91 - ATeliê voadOR Companhia de Teatro (Brasil/Salvador)
18h, Sala Jardel Filho (CCSP)– 324 lugares
Duração: 120 min / Classificação: 16 anos
Sinospe: Segunda montagem brasileira do texto do dramaturgo Dib Carneiro Neto, que com ele venceu o Prêmio Shell 2008, Salmo 91 conta a história de dez detentos sob o pano de fundo do massacre no presídio de Carandiru, onde 111 presos foram mortos pela polícia militar, em 1992. A peça não é um relato realista do massacre e foca na perspectiva do preso sobre a vida marginal.
ATeliê VoadOR foi criada em 2002 e é sediada na Universidade Federal da Bahia, trabalhando com temas ligados à subalternidade. Nos últimos três anos debruçou-se sobre a “Trilogia do Cárcere”, composta por O melhor do homem (2010), Salmo 91 (2012) e O diário de Genet (2013).

Visite o site oficial da 8ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo de São Paulo!

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kil abreu foto miguelarcanjoprado Entrevista de Quinta: Novo curador teatral do CCSP, Kil Abreu quer palco inteligente e popular

Kil Abreu: "Estou com Brook: 'é preciso saber fazer com ou sem dinheiro'" - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por Miguel Arcanjo Prado

O jornalista, crítico e estudioso do teatro Kil Abreu é uma das principais cabeças que pensam as artes cênicas contemporâneas.

Ele acaba de assumir uma missão e tanto: ser curador da programação de teatro do Centro Cultural São Paulo, um dos principais espaços artísticos da capital paulista.

Nascido em Belém do Pará, em 5 de outubro de 1968, Kil está radicado em São Paulo desde 1995. É responsável pela formação de críticos e artistas da nova geração, com suas aulas cheias de teoria teatral misturada com um olhar aguçado para o palco na SP Escola de Teatro. E também pela consagração de artistas: foi jurado do Prêmio Shell, curador do Festival de Curitiba e é membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes).

Kil também já foi diretor do Departamento de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura, durante a gestão de Marta Suplicy, quando coordenou, entre outras coisas, a implantação da tão necessária Lei de Fomento ao Teatro, o Programa de Formação de Público e o Teatro Vocacional.

Além de jornalista, é mestre em Artes Cênicas pela USP (Universidade de São Paulo) e foi crítico teatral do jornal Folha de S.Paulo e da revista Bravo!.

Homem simples e generoso, apesar do impressionante currículo, Kil Abreu recebeu o Atores & Bastidores do R7 para este bate-papo sobre seu atual momento.

Leia com toda a calma do mundo:

Miguel Arcanjo Prado – Qual será a cara da sua gestão à frente da área de teatro do CCSP?
Kil Abreu – O quadro do teatro no CCSP tem avanços e demandas. Do ponto de vista estrutural, o Centro está saindo de uma reforma importante. Temos uma Sala Jardel Filho em melhores condições, e isto é ótimo. Por outro lado, a Sala Paulo Emílio agora é só para Cinema, e temos o Espaço cênico Ademar Guerra, que pela sua característica – a de ser um espaço experimental – é hoje o mais concorrido, mas ainda precisa de ajustes que estão em projeto.

kil abreu foto miguelarcanjoprado 3 Entrevista de Quinta: Novo curador teatral do CCSP, Kil Abreu quer palco inteligente e popular

Kil Abreu posa para o R7 no Centro Cultural São Paulo - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado – O CCSP é um espaço muito querido...
Kil Abreu – O fato é que o Centro Cultural é um espaço de grande importância, referencial, para os artistas e para a população. Há projetos para novas salas, que eu espero que ganhem andamento, mas isto é no longo prazo. No momento, as salas que temos, que têm boa estrutura, são divididas com a dança e com a música.

Miguel Arcanjo Prado – E o que fazer diante dessa falta de espaço?
Kil Abreu – Diante deste quadro, uma das minhas propostas, que esbarra na questão das verbas, é estender o conceito da programação na direção de outros espaços – os externos do próprio CCSP, mas também os espaços públicos da cidade. Inclusive porque uma parte importante da produção já não tem interesse nas salas. Gostaria (e digo isto propositalmente na condicional) de ver a programação avançar para fora do espaço físico da instituição. É claro que isto é quase uma utopia, mas é preciso começar olhando lá longe. Vamos ver o quanto podemos avançar.

Miguel Arcanjo Prado – Quais são os principais projetos que você quer trabalhar?
Kil Abreu – Neste momento o mais adequado seria falar em diretrizes. Há uma vocação do CCSP que já indica os caminhos que julgo mais produtivos. Devemos trabalhar com um teatro mais próximo ao experimental e à pesquisa artística e ao mesmo tempo popular no acesso.

Miguel Arcanjo Prado – E dá para conjugar essas duas coisas?
Kil Abreu – São coisas que podem perfeitamente seguir alinhadas. É claro que quando digo “experimental” vejo nisso a necessidade de que a experiência tenha estofo formal e de pensamento, não é um vale-tudo. De todo modo, este diálogo entre a aventura artística e o acesso popular é da maior importância. Interessa tanto a uma parte do melhor teatro criado em São Paulo quanto à possibilidade de que ele possa ser visto pelo público comum, não especializado.

Miguel Arcanjo Prado – Isso é bom. Não fazer teatro só para a classe artística...
Kil Abreu – Se a matéria artística, ainda que experimental, for de boa qualidade isto pode ser um excelente modo de formação de plateias, e por vias mais sofisticadas que as usuais. Ainda não sei se será possível, mas pretendo pautar espetáculos “frescos”, que estejam estreando no Centro ou que venham de temporadas recentes. É uma maneira de tentar renovar o interesse do público também.

Miguel Arcanjo Prado – Está preparado para as críticas que sempre vêm quando alguém assume um cargo público?
Kil Abreu – Sim, mas não creio que seja uma função de tanta visibilidade a ponto de mobilizar o interesse profundo das pessoas. É um trabalho importante como o são o de todos os outros parceiros e parceiras que trabalham nas curadorias do CCSP.

ccsp joao carlos renno divulgacao Entrevista de Quinta: Novo curador teatral do CCSP, Kil Abreu quer palco inteligente e popular

Centro Cultural São Paulo - Foto: Carlos Rennó

Miguel Arcanjo Prado – É um trabalho de equipe, assim como o teatro.
Kil Abreu – Sim, e é uma equipe grande e bacana. De qualquer maneira, não é a primeira vez que passo pelo serviço público. Fui diretor do Departamento de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura nos dois últimos anos da gestão Marta Suplicy e ali gerenciei junto a um pequeno batalhão de agentes culturais, entre outras coisas, os primeiros momentos de implantação da Lei de Fomento ao Teatro, o Programa Formação de público (que atendeu a centenas de milhares de estudantes e docentes), o Teatro Vocacional, etc. Foi uma aventura intensa e com todos os problemas que já conhecemos a respeito do processo de uma política cultural mais avançada dentro da máquina, que tende a só reconhecer a si mesma e é o avesso da cultura. Aquele momento foi rico neste aspecto também: para nos colocar no centro da avaliação, o que é mais que justo. Acho não só natural como necessário. Mesmo em posições modestas como esta uma gestão que não reconhece a crítica tende a também não reconhecer a diferença entre o público e o privado. E a tarefa é cuidar do bem comum, que não é pessoal, é da cidade.

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que este novo governo municipal, do Fernando Haddad, vai olhar mais para a turma do teatro?  
Kil Abreu – Sinceramente, não julgo que o teatro em São Paulo esteja desamparado, nem que o Governo Kassab não tenha olhado para ele. Eu desejaria a mesma situação para a grande maioria das capitais, Brasil afora, que vivem quadros calamitosos não só no teatro, mas em todos os aspectos da política cultural. É claro que sempre se pode avançar e não são poucas as demandas para uma cidade deste tamanho. Mas, em São Paulo há instrumentos legais que forçam esse olhar na direção do teatro e que são frutos da mobilização dos artistas. É uma garantia. Não tenho nenhuma dúvida de que a nova gestão vai cuidar muito bem disso.

Miguel Arcanjo Prado – E como será a verba que você vai administrar?
Kil Abreu – É uma verba modesta. Em princípio, não haveria do que reclamar porque a ocupação das salas é feita tendo como contrapartida a bilheteria, que vai para o artista ou grupo. Mas, se observarmos que não se trata de um espaço vocacionado para o teatro comercial e que os preços dos ingressos são – têm que ser – acessíveis, aí já teremos uma boa tarefa, que é a seguinte: como manter a qualidade de uma programação que não pode ser pautada sob a promessa de sobrevivência através da bilheteria?

Miguel Arcanjo Prado – É uma questão complicada...
Kil Abreu – No meu ponto de vista, há de novo a questão do interesse público. Se é uma produção que carrega consigo um capital simbólico que interessa ao fomento da arte e ao usufruto da população, e que não sobrevive sozinha, deve haver uma contrapartida da gestão na direção dela. Não é porque a arte tem que ser necessariamente subvencionada. É que a arte que aquele espaço abriga, com razão, tende a não sobreviver em um esquema de bilheteria, como no teatro comercial. E há, além dos espetáculos, a programação de outras tantas atividades que o Centro pode comportar e que pedem investimento também. De todo modo, penso junto com o Peter Brook: é preciso saber o que fazer com ou sem dinheiro. Porque podemos fazer coisas ruins com muito dinheiro também.

kil abreu foto miguelarcanjoprado 2 Entrevista de Quinta: Novo curador teatral do CCSP, Kil Abreu quer palco inteligente e popular

Kil Abreu quer levar a programação teatral do CCSP para outros lugares - Foto: Miguel Arcanjo Prado

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ccsp Trintão, Centro Cultural São Paulo é o grande templo da diversidade cultural da metrópole

Trinta anos de muita cultura para quem quiser: Centro Cultural São Paulo - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Idosos jogando xadrez, adolescentes ensaiando passos de street dance, atores criando personagens para a próxima peça, mulher bonita tomando sol, músicos com o violão debaixo do braço e estudantes que correm apressados para a biblioteca.

O Centro Cultural São Paulo tem tudo isso e mais um pouco.

Localizado ao lado da estação Vergueiro do metrô, ele acaba de completar 30 anos de vida como plataforma de lançamento de arte e conhecimento.

O Atores & Bastidores conversou com o diretor geral do CCSP, Ricardo Resende. Ele falou sobre a missão do lugar, a seleção de espetáculos teatrais e ainda revelou que gente como Lilia Cabral e Alexandre Borges deram os primeiros passos na carreira por lá. Leia o bate-papo:

Atores & Bastidores – O CCSP é responsável pelo lançamento de muitos artistas no cenário. Quem você pode citar?
Ricardo Resende – Não afirmaria que são nomes que começaram aqui no centro, mas nomes que por aqui passaram no começo de suas carreiras e tiveram sua consagração com o público e reconhecimento com a crítica especializada. Vou citar alguns. Mas a lista poderia se tornar enorme. São eles Mário Bortolotto, da Cia. Cemitério de Automóveis, que celebra 30 anos em 2012 - A Cia. começou sua carreira em São Paulo no CCSP, Lilia Cabral, Cláudia Missura, Bárbara Paz, Jairo Matos, Nilton Bicudo, Pedro Paulo Rangel, Alexandre Borges, entre outros.
 Muitos artistas visuais em início de carreira também tiverem notoriedade no nosso Programa de Exposições Anual criado em 1990 e que funciona ininterruptamente desde então. Este programa é a referência mais importante para artistas jovens na cidade de São Paulo.

Atores & Bastidores – A programação teatral do CCSP sempre traz coisas relevantes à cena. Por exemplo, foi aí que estreou Luis Antonio - Gabriela, depois aclamado. Como é feita a seleção dos espetáculos que são apresentados aí?
Ricardo Resende – De forma bastante democrática. Contamos com uma curadoria que funciona como uma banca de projetos. Temos editais em que os artistas individualmente ou em grupo apresentam suas propostas em um processo seletivo feito por uma comissão de profissionais da cultura. Os selecionados recebem uma verba para ajudar na produção do espetáculo. Outra forma é feita por convite direto da curadoria para autores, artistas e grupos relevantes e com destaque na produção contemporânea de arte. Por fim, como um espaço público que somos também se recebe propostas dos próprios artistas que são depois analisadas pela equipe curatorial da instituição. Tem funcionado bem e o CCSP é uma referência para os artistas como um fomentador nas linguagens aqui representadas como a música, o teatro, a literatura e poesia, a dança, as artes visuais e o cinema.

Atores & Bastidores – Qual a principal missão do CCSP?
Ricardo Resende – A missão ou a meta deste centro cultural é abrigar as 800 mil pessoas que frequentam anualmente as nossas atividades e as outras tantas não contabilizadas que apenas vêm para este espaço não fazer “nada”. A nossa missão é continuar a ser este espaço plural, democrático, onde se pode fazer inúmeras atividades ou assistir a programas culturais sem ter que desembolsar nada. A meta é ser este local de encontro onde todas as manifestações culturais urbanas se projetam. Uma construção que funciona no tecido urbano como uma rua e que transforma ao adentrar-se na sua arquitetura em uma praça silenciosa, acolhedora e transparente. Um lugar, como disse o arquiteto Paulo Mendes da Rocha em palestra recente no CCSP, da imprevisibilidade da vida. A missão por fim, seria a ser o “templo” da cultura contemporânea para a cidade de São Paulo.

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