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guilherme marques bob sousa5 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Vitória da especulação imobiliária? O teatro CIT-Ecum, dirigido por Guilherme Marques em São Paulo, está com seu fim decretado para o próximo dia 30 de junho - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

A figura da namoradeira pensativa na janela para o pátio interno do casarão localizado em uma das ruas mais movimentadas do centro paulistano cria a ilusão de que estamos em Minas Gerais.

Quando entramos na cozinha, a sensação é ainda mais interiorana. Estão lá o filtro de barro com água fresca e o café recém-coado estão à nossa espera.

Sentado na mesa de madeira do espaçoso e iluminado cômodo está Guilherme Marques, diretor geral do CIT-Ecum (Centro Internacional de Teatro Ecum). Apesar da calma na fala, seu rosto denuncia a tensão do momento. E não é pelo resultado do Brasil na Copa do Mundo, que começa nesta quinta (12).

No próximo dia 30, se o cenário desfavorável não mudar, Marques terá de juntar sua equipe de 15 pessoas e deixar o colorido imóvel na rua da Consolação, 1623.

Após um ano e dois meses de atividades que envolveram boa parte da classe e do público teatral, com mais de mil postos indiretos de trabalho criados pela programação de qualidade capitaneada pelo diretor artístico Ruy Cortez, o lugar pode fechar suas portas por conta do interesse da proprietária de despejar os inquilinos e vender o imóvel para uma construtora.

A notícia agitou a comunidade teatral, que se mobiliza em redes sociais e até em campanhas junto ao poder público para tentar impedir o esmagamento da cultura pela especulação imobiliária.

Cidadão do mundo e mineiro de Peçanha, cidade com 17 mil habitantes, Marques conversou com exclusividade com o Atores & Bastidores do R7 sobre este complicado momento.

Leia com toda a calma do mundo.

guilherme marques bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Guilherme Marques, em frente à colorida fachada do CIT-Ecum: "Dói muito sair" - Foto - Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — O CIT-Ecum vai fechar?
Guilherme Marques — O contrato finda agora, dia 30 de junho. Estamos tentando renegociar com a proprietária. A situação é delicada porque viemos na transição de um contrato antigo, que era do Teatro Coletivo, e, em um acordo com a família, o transformamos no CIT-Ecum.

Miguel Arcanjo Prado —Qual o prazo você pediu para prorrogar?
Guilherme Marques — Pelo menos mais seis meses. O ideal seria um contrato de cinco anos. Não sei se vamos conseguir reverter.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês têm recebido muito apoio?
Guilherme Marques — Sim. Tem uma campanha forte na classe artística e até na revista teatral Antro Positivo em defesa dos teatros da cidade. Particularmente, eles a desenvolvem neste momento porque o espaço que está mais ameaçado é o CIT-Ecum.

Miguel Arcanjo Prado — Se tiverem de ir para a rua o que farão com todas as coisas do teatro?
Guilherme Marques —
É muito difícil abandonar este espaço... Já conversei com a Prefeitura que nos cedeu um depósito para deixarmos nosso acervo. É doloroso ter de desmontar uma casa com repercussão tão positiva. Dói muito. Mas eu sou do sertão, nasci na roça, tenho essa capacidade de renovação, de recriar, de buscar forças para ir atrás de um novo espaço.

Miguel Arcanjo Prado — Fervilha no teatro brasileiro a discussão sobre a especulação imobiliária. O Zé Celso e a turma do Teatro Oficina brigam com o Silvio Santos há anos. Os Fofos Encenam também quase fecharam o espaço deles e Os Satyros chegaram a anunciar que deixariam a praça Roosevelt. Como você avalia este cenário?
Guilherme Marques — Um diálogo é possível. A construtora não pode abrir o diálogo? Em vez de acabar com o teatro, não dá para anexar ao empreendimento um centro cultural? Eu entendo o lado do proprietário. Mas, é nosso papel abrir para o diálogo e trazer a comunidade para essa discussão de preservação de espaços importantes na cidade. São Paulo não pode só construir prédio, tem de ter cultura também. O movimento cultural também precisa prosperar e crescer. E isso é possível caminhar junto. Em Belo Horizonte, nós temos duas experiências interessantes: o Pedro Paulo Cava manteve o Teatro da Cidade em parceria com a construtora. E a Fundação de Educação Artística da Berenice Menegali também. Os espaços culturais coexistem maravilhosamente bem com os prédios acima deles.

Miguel Arcanjo Prado —Você vê possibilidade de isso acontecer em São Paulo?
Guilherme Marques — Sim. É preciso abrir o diálogo. Existe um movimento, Movimento dos Teatros Independentes de São Paulo, o MoTIn, que luta pela preservação dos teatros. A Erica Teodoro participa, representando o CIT-Ecum. Eles estão trabalhando muito.

 

guilherme marques miguel arcanjo foto bob sousa Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Marques fala ao R7: "A construtora não pode abrir o diálogo? É possível coexistir prédio e cultura" - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Quem são seus braços direitos no CIT-Ecum?
Guilherme Marques —
Gostaria de destacar o trabalho da equipe. O Rafael Esteinhauser, que é nosso diretor financeiro e tem sido um colaborador incansável. A Érica Teodoro, a nossa diretora de produção, e o Ruy Cortez, nosso diretor artístico pedagógico, são fundamentais. E o Fernando Mencarelli, que é nosso colaborador mais antigo, é nosso diretor artístico associado. A Ana Teixeira, do Rio, também é importante. Assim como a Maria Thais e o Antônio Araújo, na curadoria artística. O Antônio Araújo é mineiro também.

Miguel Arcanjo Prado — Se tiverem de fechar as portas aqui vocês vão para onde?
Guilherme Marques — É uma boa pergunta. Na verdade ainda não temos nada em vista. É difícil achar um espaço com este perfil de três salas. A programação foi pensada muito pelo perfil do espaço de ter uma programação onde pudesse ter até seis espetáculos acontecendo simultaneamente. Isso é raro. Não temos ainda um local certo em mente. Mas vamos buscá-lo se for preciso.

Miguel Arcanjo Prado — Quando fizeram o contrato vocês não pensaram que um dia ele iria acabar e vocês teriam de ir embora?
Guilherme Marques — Sim, pensamos. O Serginho, do Teatro Coletivo, tinha um contrato bem antigo. Aí começou uma conversa entre o advogado da família e levantou-se a possibilidade da venda do espaço. Mas também foi conversado, naquele momento, a possibilidade da renovação do contrato. Só que a coisa foi caminhando para outro rumo. Aí se consumou a intenção da venda do espaço.

Miguel Arcanjo Prado — Quantos vocês gastaram nas reformas?
Miguel Arcanjo Prado — Quase R$ 350 mil.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês foram inocentes de gastar tanto dinheiro em reformar um lugar que não era de vocês e que o dono um dia pudesse pedir para vocês irem embora?
Guilherme Marques — Inocentes, não. Sabíamos do risco que estávamos correndo. Por acreditar, por sermos artistas, por queremos implementar na cidade um projeto como o CIT-Ecum, artístico e pedagógico... A nossa inocência, se houve, foi acreditar que reverteríamos a história. E isso não aconteceu.

Miguel Arcanjo Prado — Surgiu o movimento de tombamento do CIT-Ecum. Você acha que isso vai acontecer?
Guilherme Marques — Estamos muito felizes com esse movimento. Primeiro, porque começou de forma espontânea, pela Cooperativa Paulista de Teatro. Logo a revista Antro Positivo começou um movimento também. Vários artistas se propuseram a ajudar. Estamos conversando na esfera do município. Fomos ao Conselho Municipal do Patrimônio. Tem uma discussão muito interessante que é o pedido de tombamento do patrimônio imaterial, que surgiu no âmbito federal quando o Juca Ferreira, hoje secretário municipal de Cultura, foi ministro da Cultura. Estamos tendo um apoio da população, do movimento teatral, e a imprensa em geral tem nos apoiado muito, como você. A gente nunca sabe... Mas, acho que é possível reverter qualquer situação a partir da mobilização popular.

Miguel Arcanjo Prado —Existe a possibilidade de comprarem um lugar?
Guilherme Marques —
Não. Teríamos de ir para uma sala de produção. A ideia é conseguir um apoio governamental para ir para um teatro. Ou então, ir até para uma sala até reverter a situação.

Miguel Arcanjo Prado — São Paulo tem muitos espaços públicos sem utilização. Vocês gostariam de um convite do poder público para ocupar algum desses prédios ociosos?
Guilherme Marques —
Gostaríamos. Mas se tivermos autonomia para fazer o trabalho que fazemos aqui. Senão, ficamos engessados. As secretarias Municipal e Estadual de Cultura estão nos apoiando.

guilherme marques bob sousa1 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Um futuro para o CIT-Ecum: Guilherme Marques espera ajuda do poder público - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Qual o objetivo do CIT-Ecum?
Guilherme Marques — Olha, Miguel, desde quando pensamos a programação com o Ruy Cortez, foi primordial esse diálogo com os coletivos teatrais. Isso foi muito importante para a casa. Isso é o Ecum desde o início. O Fórum foi pensado para isso.

Miguel Arcanjo Prado — Para quem não conhece a história de vocês, explique como chegaram aqui.

Guilherme Marques — O Fórum Mundial das Artes Cênicas surgiu em 1998, em Belo Horizonte. Levamos os grandes pensadores do teatro. Foram muitas caravanas e, desde então, ele desperta o interesse dos artistas. Em 2009, no Ano da França no Brasil, criamos um centro internacional de pesquisa em artes cênicas, que é o CIT-Ecum.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês chegaram a São Paulo bem. O teatro fez muito barulho. E também criaram a MIT-SP, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo. Ela também pode acabar?
Guilherme Marques —
A MIT-SP surgiu em Belo Horizonte, após uma conversa que tive com o Antônio Araújo, do Teatro da Vertigem. Trabalhei no Festival Internacional de Teatro de Caracas, na Venezuela, em 1992, e o diretor Carlos Jimenez me perguntou como andava o “Festival da Ruth Escobar”, falando que marcou a cena latino-americana. Eu fique com isso na cabeça. Em 2008, retomei essa conversa com o Tor [Antonio Araújo], falando que São Paulo precisava de voltar a ter um festival assim. Com a mudança para São Paulo, apresentei o projeto e conseguimos de cara o apoio do Marcelo Araújo [secretário Estadual de Cultura], do Juca Ferreira [secretário Municipal de Cultura] e do Banco Itaú.

Miguel Arcanjo Prado — Mas a MIT-SP continua?
Guilherme Marques — A MIT-SP vai continuar no ano que vem. E gratuita. Quer uma informação em primeira mão?

Miguel Arcanjo Prado — Quero. Jornalista adora furo.
Guilherme Marques — A segunda edição será de 6 a 15 de março de 2015 e terá uma novidade: a única atividade que vamos cobrar ingresso vai ser o Cabaré, um bar do festival, um lugar para o encontro de artistas e público depois da peça. Ele será na Praça das Artes, no centro, estamos negociando ainda com a Prefeitura.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi para você vir para São Paulo?
Guilherme Marques — Eu me mudei para São Paulo em 2011, a convite do Ruy Cortez. Ele foi participar das ações da escola em Belo Horizonte, e ficou encantado. Estava numa fase que perdi patrocínio em BH, com época política de transição bem difícil. Aí ele deu a ideia de trazer o projeto para São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — Como a cidade lhe recebeu?
Guilherme Marques —
Sou um cara de muita sorte. São Paulo me recebeu bem. Aos 53 anos, posso te afirmar que estou na melhor fase da minha vida. Porque essa idade está me oferecendo oportunidades que eu nunca tive em Belo Horizonte. E olha que fizemos muita coisa em Belo Horizonte também! Saí de casa muito cedo, aos 15 anos, de Peçanha, no Vale do Rio Doce, Minas Gerais. Então, já morei em muitos lugares. Morei na Espanha, Venezuela, Cuba, Rio, e viajei muito [risos].

guilherme marques bob sousa6 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Na janela lateral: esperança no CIT-Ecum - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — “Sou do mundo sou Minas Gerais...”
Guilherme Marques — É [risos]

Miguel Arcanjo Prado — Mas a namoradeira não sai da janela, e o café não sai da cozinha nem o filtro de barro...
Guilherme Marques —
O engraçado é que quando voltei para Belo Horizonte queria ir para o interior ou até voltar para Peçanha [risos]. Aí veio convite para vir São Paulo... Eu comprei um terreno ali perto do Inhotim, em Brumadinho [arredores de Belo Horizonte]. Eu estava com a ideia, ainda tenho, de construir a sede do CIT-Ecum neste terreno, com o pé na água, à beira da montanha, fazer uma cozinha grande, uma hospedaria para receber os artistas...

Miguel Arcanjo Prado — Uma Woodstock do teatro?
Guilherme Marques — Sim! Adorei isso de Woodstock do teatro [risos]. E o Bob vai ser nosso fotógrafo oficial.

guilherme marques bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Guilherme Marques, do CIT-Ecum: "Sou do sertão, tenho capacidade de renovação" - Foto: Bob Sousa

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Impromadrid Foto 2 São Paulo tem Copa do Mundo do Improviso

Grupo Impromadrid, da Espanha, vai se apresentar no CIT-Ecum, em SP, no festival - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Nos últimos tempos, assim como o stand-up, outro gênero tem se desenvolvido muito no Brasil e arrebatado público a cada dia: o improviso.

São Paulo acabou se tornando uma espécie de casa deste estilo de atuar com bom humor, atraindo artistas do Brasil e também do mundo. Nada mais justo do que a cidade, que também vai sediar a abertura da Copa do Mundo de Futebol, também fosse a casa da Copa do Mundo do Improviso.

Começou nesta segunda (26), em disputada sessão no Commedians Club, em São Paulo, o Improfest - Festival Internacional de Improviso.

Até o dia 1º de junho, artistas e grupos da Argentina, Chile, Colômbia, México e Espanha se juntam aos brasileiros na disputa de quem é o campeão do mundo na arte de improvisar. O vitorioso será escolhido pelo público.

A idealização do evento é de Márcio Ballas, um dos maiores nomes nacionais do gênero.

A partir desta terça (27) e até o próximo domingo (1º), o CIT-Ecum (r. da Consolação, 1.623) sedia as apresentações. As entradas custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).

O projeto tem apoio do Iberescena (fundo de apoio a projetos de artes cênicas ibero-americanos) e tem patrocínio do canal TBS, especializado em humor.

A produção é assinada por Joca Paciello e Cristiani Zonzini.

Participam os grupos Impromadrid (Espanha), Acción Impro e Pic Nic (Colômbia), Complot Escena (México), Improtour (Argentina), Cia Nico Belmar (Chile), Caleidoscópio e Cia. do Quintal (Brasil). Veja a programação completa!

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ivanov jorge etecheber3 Cearenses fazem Tchékhov grátis em SP e BH

De graça: Ivanov, do grupo Teatro Máquina, do Ceará, faz temporada em SP e BH - Foto: Jorge Etecheber

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Teatro Máquina se prepara para uma série de quatro sessões grátis em São Paulo e mais quatro em Belo Horizonte de sua montagem Ivanov.

O grupo de Fortaleza, Ceará, se apresenta de 2 a 4 de maio no CIT-Ecum, no centro paulistano. No fim de semana seguinte, de 9 a 11 de maio, faz temporada no Galpão Cine Horto, em BH.

A peça, de tom melancólico, integrou o último FIT Rio Preto (Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto), quando foi vista pelo R7leia a crítica.

O segundo texto escrito em 1897 pelo autor russoAnton Tchékhov (1860-1904) revela a trajetória de um homem que vive em conflito, afinal, sua mulher está morrendo e ele se vê apaixonado por uma jovem.

A obra representa a decadência da aristocracia rural russa no século 19, às vésperas da revolução comunista que criaria a União Soviética no começo do século 20. Fran Teixeira assume a direção da montagem.

No elenco, estão Aline Silva, Ana Luiza Rios, Edivaldo Batista, Bruno Lobo, Levy Mota e Loreta Dialla.

Ivanov
Temporada em SP
Quando: Sexta, 21h; sábado, 19h e 21h; domingo, 20h. 70 min. De 2/5/2014 a 4/5/2014
Onde: CIT-Ecum (r. da Consolação, 1623, metrô Paulista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3129-9132)
Quanto: grátis
Temporada em BH
Quando: Sexta, 20h; sábado, 19h e 21h; domingo, 19h. 70 min. De 9/5/2014 a 11/5/2014
Onde: Galpão Cine Horto (r. Pitangui, 3613, metrô Horto, Belo Horizonte, tel. 0/xx/31 3481-5580)
Quanto: grátis tanto em SP quanto em BH
Classificação etária: 14 anos

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1 MelhoresTeatroR72012 Espetaculo Bichado Bichado faz volta triunfal no Festival de Curitiba

Os atores Einat Falbel e Paulo Cruz, protagonistas de Bichado, do Núcleo Experimental de SP: melhor espetáculo de 2012 no R7 está de volta na Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Guilherme Griebler

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Um quarto de hotel de beira de estrada abriga um casal controverso. Ele, um ex-combatente no Iraque, ela, uma garçonete largada no mundo. Tal enredo, cheio de potência e poesia, é um dos destaques na programação de 2014 do Festival de Teatro de Curitiba, que começa nesta terça (25) e vai até o próximo 6 de abril na capital paranaense.

Trata-se de Bichado, peça do norte-americano Tracy Letts montada pelo Núcleo Experimental dirigido por Zé Henrique de Paula [leia a crítica do R7 para a obra]. A obra foi eleita melhor espetáculo de 2012 pelos internautas do R7, e ainda levou melhor diretor e melhor atriz, Einat Falbel, naquele ano.

As apresentações, nesta terça (1º) e quarta (2), no Sesc da Esquina, acontecem exatamente dois anos após a estreia da peça, inaugurando a programação do Teatro do Núcleo Experimental, na região da Barra Funda, em São Paulo.

"Volta triunfal"

Em conversa com o Atores & Bastidores do R7, Einat Falbel, protagonista da obra como a garçonete Agnes, que se apaixonada pelo soldado Peter (Paulo Cruz), afirma que esta é "a volta trinfal" do espetáculo.

EXCLUSIVO: "Vendemos mais ingresso que Rock in Rio", diz Leandro Knopfholz

— Voltar  com o espetáculo sempre se tornou um sonho para o elenco original. A oportunidade de reestrear no Festival de Curitiba, pra nós, foi literalmente uma luz no fim do túnel, foi a possibilidade de viabilizar a remontagem da peça. Voltar no Festival de Curitiba é o que chamo de uma volta triunfal.

Nova temporada em SP

De Londres, onde faz mestrado, o diretor Zé Henrique de Paula revela ao R7 que não poderá estar em Curitiba, mas comemora o novo impulso que o evento trouxe à peça.

ze henrique de paula eduardo enomoto Bichado faz volta triunfal no Festival de Curitiba

Zé Henrique de Paula: Bichado tem muitas plateias a conquistar - Foto: Eduardo Enomoto

— Depois das apresentações em Curitiba, Bichado reestreia no dia 21 de abril no Teatro CIT-Ecum em São Paulo para uma temporada de seis semanas. A peça ainda tem muito fôlego pela frente e muitas plateias a conquistar.

Para Zé Henrique, que nunca esteve em Curitiba, ter uma peça no evento para seu Núcleo Experimental "é uma oportunidae única", sobretudo por dividir a cena com "os mais importantes espetáculos brasileiros dos últimos tempos". Para ele, sua peça tem recado certeiro a dar.

— Bichado é uma reflexão sobre os tempos modernos e o avanço desenfreado das tecnologias, a diminuição da privacidade e a descrença nos governos e nas formas de poder em geral.

Personagens solitários

O diretor lembra que a peça faz parte da Trilogia da Guerra, jundo com As Troianas e No Coração do Mundo, e "oferece um contraponto que precisávamos para falar dos efeitos da guerra na vida de pessoas comuns e principalmente na vida de quem voltou para casa depois da guerra".

— Mas o que mais me chamou a atenção em Bug (título original de Bichado) foi o encontro de dois personagens extremamente solitários e traumatizados por tragédias particulares (Agnes e Peter) que se reconhecem, se complementam e depois se destroem.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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palhaco esio magalhaes felipe zig Palhaço pacifista protesta contra bombas burras

Esio Magalhães é o palhaço Zabobrim, que mostra à plateia o quanto a guerra é burra - Foto: Felipe Zig

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Enquanto o Brasil pega fogo, com bombas, protestos e discursos tão inflamados quanto perigosos, o público paulistano tem a última chance de conferir um poético e político olhar para a guerra no espetáculo WWW para Freedom, do grupo Barracão Teatro, no CIT-Ecum, em São Paulo. A montagem, um divertido e comovente monólogo com o palhaço Zabobrim, personagem criado pelo artista Esio Magalhães, encerra temporada no próximo domingo (23). Leia a crítica:

Ésio Magalhães é o palhaço da nossa geração

Talento genuíno para o humor é coisa rara. Divertir, de verdade, uma plateia, enquanto a faz refletir é dádiva que poucos artistas conseguem levar a contento. Pois Esio Magalhães é um dos grandes do humor brasileiro.

Na pele do palhaço Zabobrim, o ator surge no palco em WWW para Freedom, espetáculo concebido e dirigido por ele. Com dramaturgia assinada com Tiche Vianna, sua companheira no Barracão Teatro, ele conta a história do palhaço enviado a uma guerra em nome da liberdade.

esio magalhaes 2 foto eduardo enomoto maio 2013 Palhaço pacifista protesta contra bombas burras

De cara limpa: Esio Magalhães atua na peça WWW para Freedom em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

A montagem é um duro cutucão na invasão norte-americana ao Iraque, em 2003, quando George Bush deu a desculpa esfarrapada de que Saddan Hussein – a quem matou – estava produzindo armamentos nucleares de destruição de massa; fato jamais comprovado.

Mas o tom político da peça não é duro. Nem didático. Ele se mistura às risadas fartas da plateia, em consonância com o carisma de Esio Magalhães. Dono de invejável preparo físico e de uma autêntica percepção do outro, ele hipnotiza a todos e os conduz no caminho de seu personagem, em conflito diante do comportamento durão que o mundo bélico exige e sua real propensão à brincadeira.

O espetáculo encontrou soluções poéticas singelas e fortes, como a cena do bombardeio aéreo feita por frágeis aviões de papel que deslizam suaves pelo céu do palco.

O palhaço de Esio Magalhães brinca todo o tempo com o ridículo do homem, mostrando a real beleza que mora na simplicidade. Esio tem a magia de conseguir despertar a criança em cada um dos espectadores, sem em momento algum infantilizá-los. O que ele traz à tona é uma pureza esquecida e uma gama de valores humanistas que vêm sendo perdidos diante da crueza da vida, da parafernália tecnológica, do individualismo exarcebado, da violência.

Esio Magalhães nos mostra o quanto é bonito olhar para o outro e se importar com ele de fato. E o quanto um sorriso que brota em nossos lábios de forma genuína nos faz mais felizes. Sem sombra de dúvida, Esio Magalhães é o palhaço de nossa geração.

Leia entrevista exclusiva com Esio Magalhães

WWW para Freedom
Avaliação: Ótimo
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 20h. Até 23/2/2014
Onde: CIT – Ecum (r. da Consolação, 1623, Metrô Paulista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-5922)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Palhaço pacifista protesta contra bombas burras

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tais araujo foto bob sousa 20133 Taís Araújo mergulha no caótico do coletivo teatral em busca de identidade e autonomia artística

Intimista: Taís Araújo está em cartaz com Caixa de Areia no CIT-Ecum - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Bob Sousa

Assim que Bob e eu chegamos ao CIT-Ecum percebemos que os primeiros preparativos para a estreia de Caixa de Areia, de Jô Bilac e dirigida por ele com Sandro Pamponet, na noite deste sábado (9), estão sendo tomados. É fim de tarde de sexta-feira (8). O som das buzinas do trânsito que para na descida da rua da Consolação invade a coxia do teatro, onde o contrarrega Marcel Formiga termina de pintar uma escada de preto.

Logo, Taís Araújo surge detrás do vidro da entrada, sob o sol forte, voltando do almoço. Eu mesmo vou abrir a porta. “Olha você aí, Miguel. Quanto tempo!”, ela diz, abrindo o sorriso. Corre para deixar a bolsa no camarim e volta pronta para nossa entrevista. Porque no teatro as coisas são bem mais simples. E verdadeiras. Não faz falta o glamour fabricado das estrelas da TV.

E Taís Araújo já entrou para a história da televisão. Prestes a completar 35 anos no próximo dia 25, aos 17 foi a primeira atriz negra a protagonizar uma novela, Xica da Silva, exibida pela Manchete em 1996 e depois sucesso em diversos países. Repetiu também o feito na Globo, em Da Cor do Pecado, folhetim de 2004.

Mas, aqui, ela é apenas uma atriz de teatro. Pede para subirmos ao café, no segundo andar, que está vazio, para o papo fluir com mais calma. Escolhe uma cadeira onde bate o sol. Assim começamos esta entrevista exclusiva.

Leia com toda a calma do mundo:

Miguel Arcanjo Prado – Taís, nossa última conversa foi em 2007, quando você fazia O Método Gronholm, no Teatro das Artes, e Os Solidores, com o André Fusko, no Espaço dos Parlapatões, aqui em São Paulo...
Taís Araújo – É verdade, faz um tampão. Eu me lembro que você tinha acabado de chegar em São Paulo, né?

Pois é... E por que ficou tanto tempo longe de São Paulo?
Acho que foi por conta da correria, mesmo. A peça Amores, Perdas e Meus Vestidos só veio para Santo André, mas não fizemos São Paulo. Eu já estava com sete meses do João Vicente [filho da atriz com o marido, o ator Lázaro Ramos] e não podia viajar mais de avião. Mas eu nem me lembrava que fazia tanto tempo assim...

Qual sua relação com o teatro de São Paulo?
Olha, sempre que venho, com exceção da peça que fiz com o Fusko, venho com atores do Rio. Eu sou carioca. Mas o que fica de São Paulo sempre é essa riqueza cultural. Tem teatro para todos os tipos de público. E aqui as pessoas assistem ao teatro e gostam. Acho que ir ao teatro faz parte dos paulistanos.

Como você foi parar nesta turma do Jô Bilac, que faz um teatro mais alternativo no Rio?
A aproximação rolou porque eu queria fazer um espetáculo antes de voltar a fazer novela [ a última da atriz foi Cheias de Charme, em 2012]. Aí, minha produtora me apresentou ao Jô Bilac. Eu já tinha visto peças dele e gostado muito. Ele me falou dessa história de Caixa de Areia, sobre uma crítica que reencontra sua história. O que mais me pegou foi que ele propôs ir escrevendo a peça conformes fôssemos ensaiando. No começo, só havia três páginas de texto.

E você gostou desse processo colaborativo?
Adorei. É importante fazer coisas diferentes. No nosso processo, todo mundo teve voz ativa. É caótico isso, mas também todo mundo é dono. Você ganha autonomia, exercita o lado criativo.

tais araujo foto bob sousa 20131 Taís Araújo mergulha no caótico do coletivo teatral em busca de identidade e autonomia artística

Taís Araújo: no caótico do grupo teatral ela ganha mais autonomia - Foto: Bob Sousa

Você acha o diálogo no teatro mais livre que na TV?
Olha, na televisão existe diálogo. Eu sempre criei meus personagens com ajuda do diretor, da figurinista... Não é tão solitário como muita gente pensa. Pelo menos para mim, eu sempre preciso do coletivo. A diferença do teatro é que aqui a voz de todo mundo tem o mesmo peso, não tem a hierarquia da TV.

Por que vocês escolheram o CIT-Ecum?
A nossa maior preocupação era ir para o teatro certo. A peça é intimista. Quem conhece as pecas do Jô Bilac já sabe o que vai encontrar. Esse teatro encaixa com a gente. Todo mundo fala muito bem daqui. Que é o teatro perfeito para nosso espetáculo.

Você vai ficar morando em São Paulo por um tempo?
Não. Venho toda sexta e volto toda segunda, porque aqui o horário de teatro no domingo é mais tarde, né? Vocês em São Paulo fazem às oito da noite. O Lázaro vai vir aos fins de semana sempre que puder e o João Vicente também.

Como é sua personagem?
Faço a Marisa, que é mãe da Ana. A peça conta a história da Ana, personagem que a Julia Marini e a Cris Larin dividem. A Ana é uma crítica de arte que passa a analisar a vida dela. E nisso volta às relações do passado. E a Marisa é o oposto da Ana. É verborrágica, não quer se aprofundar em nada, vive na superficialidade. Então, elas têm uma relação desencaixada. Quando é jovem, a Ana tem aversão pela mãe. Mas com a idade, lança um olhar mais generoso para a mãe. Começa a compreender.

Você que escolheu a personagem?
Na verdade eu não quis nada. Ela pulou para mim com os olhos fechados [risos]. Foi no processo. O Jô falou, “eu pensei de você ler hoje isso”, e ela foi se estabelecendo nos ensaios.

Qual a importância para você, uma atriz de televisão conhecida no mundo todo, fazer uma peça assim?
Fazer uma peça assim é muito importante para mim, Miguel. Um é que eu não estou acostumada a isso e isso é muito bom. Eu entro em contato com outro lugar, outro tipo de atores, outras realidades. Eu estou produzindo também. Compartilho isso com eles. É enriquecedor e delicioso o nosso processo caótico de liberdade.

Mas muitos por aí pensariam que você poderia estar fazendo um teatro comercial, enorme, e não um teatro pequeno, alternativo.
Mas eu faço justamente porque não acho pequeno. Acho este teatro que estou fazendo de um valor gigantesco. Eu tenho nos últimos dez anos intercalado teatro e novela. Estou querendo produzir mais teatro.

Por quê?
Por que quero trabalhar como atriz o resto da minha vida. Eu comecei muito cedo, Miguel, você sabe. Sempre fui muito receosa com minha profissão. Quando fiz 28, 29 anos, naquela época que a gente se conheceu, eu falei para mim: “É isso. É minha profissão. Tenho de investir cem por cento nela”. O teatro me ajuda a construir essa atriz que eu quero ser. Quero ser uma atriz diversa, que consiga brincar com vários gêneros. E o teatro sempre foi muito generoso comigo neste sentido.

tais araujo foto bob sousa 2013 2 Taís Araújo mergulha no caótico do coletivo teatral em busca de identidade e autonomia artística

Taís Araújo conversa com Miguel Arcanjo Prado no CIT-Ecum: "Quero ser uma atriz diversa" - Foto: Bob Sousa

Caixa de Areia
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 20h. 70 min. Até 15/12/2013
Onde: CIT-Ecum (r. da Consolação, 1623, metrô Paulista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-5922)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

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festa covil foto bob sousa 20131 Marcos de Andrade encerra temporada de Festa no Covil, mas avisa: “Peça volta em novembro a SP

Marcos Andrade interpreta filho de narcotraficante na peça Festa no Covil - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

Quem perdeu a temporada do espetáculo solo Festa no Covil, com Marcos Andrade, no Sesc Consolação, em São Paulo, pode ficar despreocupado, pois terá segunda chance.

O ator contou ao Atores & Bastidores do R7 que a obra dirigida por Mika Lins e com história de Juan Pablo Villalobos adaptada pela diretora e Ana Saggese, entrará novamente no cartaz em novembro deste ano, no CIT-Ecum, em São Paulo.

O ator recebeu a reportagem no camarim do Espaço Beta, pouco antes de encenar a última sessão da montagem no Sesc Consolação, nesta sexta (30).

Na peça, Andrade interpreta uma criança – com idade entre o fim da infância e o começo da pré-adolescência – filha de um narcotraficante e criada como príncipe pelo pai.

Com 11 anos de carreira, esta é a primeira aventura solo do ator catarinense de Joinville no palco. Formado pela Unicamp, ele trabalha há oito anos com Antunes Filho no CPT, o Centro de Pesquisa Teatral.

Para interpretar a criança, Marquinhos, como é chamado pelos amigos, teve se reinventar como ator.

— Tenho a impressão de ser um ator que sempre buscou uma visão de mundo e este papel justamente me fez aprender a desaprender tudo.

Veja as dicas da Agenda Cultural da Record News (toda sexta, meio-dia):

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esio magalhaes michelle franca Crítica: Esio Magalhães é o palhaço da nossa geração

Com poesia e simplicidade, ator Esio Magalhães faz público rir e refletir - Foto: Michelle França

Por Miguel Arcanjo Prado

Talento genuíno para o humor é coisa rara. Divertir, de verdade, uma plateia, enquanto a faz refletir é dádiva que poucos artistas conseguem levar a contento. Pois Esio Magalhães é um dos grandes da comédia brasileira.

Na pele do palhaço Zabobrim, o ator surge no palco em WWW para Freedom, espetáculo concebido e dirigido por ele. Com dramaturgia assinada com Tiche Vianna, sua companheira no Barracão Teatro, ele conta a história do palhaço enviado a uma guerra em nome da liberdade.

A montagem é um duro cutucão na invasão norte-americana ao Iraque, em 2003, quando George Bush deu a desculpa esfarrapada de que Saddan Hussein – a quem matou – estava produzindo armamentos nucleares de destruição de massa; fato jamais comprovado.

esio magalhaes michelle franca2 Crítica: Esio Magalhães é o palhaço da nossa geração

Palhaço Zabobrim critica com muito humor a invasão ao Iraque pelos EUA - Foto: Michelle França

Mas o tom político da peça não é duro. Nem didático. Ele se mistura às risadas fartas da plateia, em consonância com o carisma de Esio Magalhães. Dono de invejável preparo físico e de uma autêntica percepção do outro, ele hipnotiza a todos e os conduz no caminho de seu personagem, em conflito diante do comportamento durão que o mundo bélico exige e sua real propensão à brincadeira.

O espetáculo encontrou soluções poéticas singelas e fortes, como a cena do bombardeio aéreo feita por frágeis aviões de papel que deslizam suaves pelo céu do palco.

O palhaço de Esio Magalhães brinca todo o tempo com o ridículo do homem, mostrando a real beleza que mora na simplicidade. Esio tem a magia de conseguir despertar a criança em cada um dos espectadores, sem em momento algum infantilizá-los. O que ele traz à tona é uma pureza esquecida e uma gama de valores humanistas que vêm sendo perdidos diante da crueza da vida, da parafernália tecnológica, do individualismo exarcebado, da violência. Esio Magalhães nos mostra o quanto é bonito olhar para o outro e se importar com ele de fato. E o quanto um sorriso que brota em nossos lábios de forma genuína nos faz mais felizes. Sem sombra de dúvida, Esio Magalhães é o palhaço de nossa geração.

PS. A curtíssima temporada de WWW para Freedom em São Paulo no CIT-Ecum é um pecado. O R7 torce para que a peça volte o mais rápido possível ao cartaz. Porque público não lhe faltará.

Leia entrevista exclusiva com Esio Magalhães

WWW para Freedom
Avaliação: Ótimo
Quando: Domingo, 19h (Último dia). Até 9/6/2013
Onde: CIT – Ecum (r. da Consolação, 1623, Metrô Paulista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-5922)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Crítica: Esio Magalhães é o palhaço da nossa geração

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galdino4 foto bob sousa Juliana Galdino volta a virar macaco em Comunicação a uma Academia no CIT Ecum

Juliana Galdino tem atuação arrebatadora para o texto de Franz Kafka - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Bob Sousa

Juliana Galdino é uma das melhores atrizes de sua geração. Prova disso é sua atuação no espetáculo Comunicação a uma Academia, que volta ao cartaz em São Paulo nesta quarta (17), no CIT-Ecum.

Na obra, a artista faz assombrosa mutação em um macaco, com o texto de Franz Kafka dirigido por Roberto Alvim, seu parceiro no Club Noir e na vida. A atuação lhe rendeu indicação ao Prêmio Shell de melhor atriz em 2009. 

A peça conta a história de um macaco que profere um discurso a uma academia para explicar como se tornou humano, sempre à espreita de um guarda armado, papel de José Geraldo Jr. O texto é uma cutucada precisa nas teorias de condicionamento humano, colonialismo, adestramento e aculturação.

Estrela do espetáculo, Juliana conversou com o R7 horas antes de subir ao palco, após ficar um ano sem fazer a obra. Leia o bate-papo:

galdino2 foto bob sousa Juliana Galdino volta a virar macaco em Comunicação a uma Academia no CIT Ecum

Juliana Galdino dá vida ao texto de Franz Kafka; ao fundo, o ator José Geraldo Jr. - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado - Como é voltar com este espetáculo que foi tão bem recebido pela crítica e pelo público?
Juliana Galdino - Eu gosto muito de fazer esta peça. O texto do Kafka é uma das coisas mais bonitas que li na minha vida. Sempre as pessoas me dizem que, cada vez que assistem, elas ententem mais coisas sobre elas mesmas e sobre a potência estética do Kafka. É um assunto muito forte.

Você fica muito exausta após a peça?
Não. Ao contrário, me dá muita energia. É engraçado, quando faço coisas com as quais não tenho muita relação afetiva isso acontece. Eu não me canso. Porque você precisa fazer. E, como é um texto potente, você se deixa fazer. Uma grande obra sempre lhe dá mais do que você dá para ela.

Como você construiu esse macaco que impressiona todo mundo?
Foi uma série de concidências. Eu não ia fazer macaco! Ia fazer de cara limpa. Eu brinquei com o Roberto de me maquiar, com a maquiagem que tinha na bolsa, na hora da foto de divulgação. Eu mudei a linha do papel três semanas antes, para as fotos de divulgação! Quando eu li o texto, pensei: você não monta o texto do Kafka se não fizer algo similar do que a leitura provocou em você. Achei tão potente e tão magistral que, se eu não fizesse uma coisa na interpretação similar ao texto, seria ruim, diminuiria a potência da obra.

O texto é ótimo, mesmo.
Fiquei impressionada pela época em que o texto foi escrito, a desenvoltura do Kafka de como aborda o ser humano e a meneira como ele encaminha nosso olhar para entender coisas sobre nós. Você é obrigado a se deixar levar. Eu fico muito impressionada.

Sua entrega ao personagem é muito forte?
Eu não faço esse papel. É alguma coisa que acontece. Falando assim, fica parecendo que eu sou atriz tomada, mas não sou. Sou atriz super técnica, ajudei a criar a voz, o tom, a disposição física, mas tudo isso é habitando as energias propostas pelo autor. Eu só ajudo na voz, no desenho, mas quem faz mesmo acontecer é a atmosfera proposta pelo Kafka. A minha "construção" só tem um certo impacto porque não tentei trazer a obra até a minha dimensão ou compreensão acerca do mundo e das coisas, mas me propus a experienciar a dimensão proposta pelo autor. Tentei traduzir na minha resposta estética algo muito próximo do que experimentei quando li Comunicação. Se em algum momento eu tivesse sentido que não estava traduzindo a obra em sua potência plena não haveria porque montá-lá.

Fui outro dia ao CIT-Ecum e vi que, apesar de ser um novo espaço, já está bombando, com muito público. O que acha de voltar ao cartaz neste novo espaço para o teatro em São Paulo?
Eu não conhecia o teatro. E, quando conheci, percebi que é uma das coisas mais bonitas que já vi em são Paulo. Acho que o Ruy [Cortez, diretor artístico pedagógico do CIT-Ecum), junto com a galera inteira, fizeram um recorte superinteligente na programação. Equivale a uma espécie de festival.

São peças que deixaram saudade. 
Isso. O que eu acho mais importante é essa coisa de não procurar lançamento, mas retomar espetáculos que as companhias gostaram de fazer e as pessoas gostaram de assistir. No teatro brasileiro, a vida de uma peça é muito curta, porque, por questões de produção e recursos, você precisa estrear novos projetos, porque bilheteria não sustenta uma companhia. Achei incrível essa proposta de voltar com bons espetáculos! Além disso, tem a questão da centralização do espaço e a facilidade que é chegar lá. É espetacular.

Quem você quer que assista Comunicação a uma Academia dessa vez?
Eu acredito no destino. Quem for é porque é para ir mesmo. E quem vier será sempre bem-vindo, vai conhecer um pouco da obra do Kafka e do trabalho do Club Noir.

Saiba mais sobre a programação do CIT-Ecum!

Comunicação a uma Academia
Avaliação: Ótimo
Quando: Quarta e quinta, 21h. 60 min. Até 9/5/2013
Onde: CIT-Ecum (r. da Consolação, 1.623, Metrô Paulista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-5922)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

galdino3 foto bob sousa Juliana Galdino volta a virar macaco em Comunicação a uma Academia no CIT Ecum

Juliana Galdino em cena: macaco conta como se tornou humano - Foto: Bob Sousa

Crítica - Comunicação a uma Academia
A obra Comunicação a uma Academia, sobre um macaco que explica à banca formada pela diminuta plateia como se tornou humano, elevou a atriz Juliana Galdino ao patamar das grandes intérpretes do teatro brasileiro contemporâneo. Em um trabalho primoroso de caracterização, voz e composição de personagem, Juliana faz, a cada sessão do espetáculo dirigido por Roberto Alvim, o público acreditar piamente que ela é o macaco que aprendeu o comportamento dos homens criado por ninguém menos que Franz Kafka. A direção cuidadosa acertou na iluminação que reforça a caracterização da personagem e, muitas vezes, assusta o público. Zé Geraldo Jr., no papel do silencioso guarda à espreita da fala do animal, também acerta nos movimentos mínimos que denotam a opressão e a desconfiança sob a qual o tal macaco, mesmo já humano (será mesmo?), ainda vive.

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Veja a cobertura completa do R7 do Festival de Curitiba

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ecum Centro Internacional de Teatro Ecum é inaugurado em São Paulo com programação de sucessos teatrais

Estrelas dos palcos, Juliana Galdino e Cacá Carvalho estão na programação de abertura - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Unir artistas de repertório relevante em um lugar onde o fazer e pensar sobre teatro a nível mundial seja o grande objetivo. Esta é a proposta do Centro Internacional de Teatro Ecum, que foi inaugurado na última sexta (15), em São Paulo.

Até o mês de junho, o local receberá nada menos do que 22 espetáculos em suas três salas. Todos com trajetória de sucesso nos palcos brasileiros.

Quem abre a programação é Cacá Carvalho, com sua trilogia baseada na obra do dramaturgo italiano Pirandello. Está prevista também a volta de sucessos como Recusa, Comunicação a uma Academia, com a ótima Juliana Galdino interpretando um macaco, e Hotel Lancaster, entre outros.

O CIT-Ecum ocupa o antigo Teatro Coletivo, na rua da Consolação, 1.623. A partir de agora, o local vai sediar o Encontro Mundial das Artes Cênicas, o Ecum, antes realizado por sete edições em Belo Horizonte, desde sua fundação, em 1998. Mais de 20 mil pessoas já participaram do encontro, que já reuniu profissionais do palco de 34 diferentes países.

Guilherme Marques assume a direção geral do CIT-Ecum. A equipe ainda conta com Ruy Cortez na direção artístico-pedagógica, Rafael Steinhauser na direção executiva, Erica Teodoro, na direção de produção, Antonio Araujo e Maria Thais, na consultoria artístico-pedagógica, Ana Teixeira e Fernando Mencarelli como diretores associados e Gênia Kolesnikova na direção de relações internacionais.

A chegada dos cursos de teatro está prevista para acontecer após o encerramento da temporada de espetáculos inaugural, no mês de junho.

Saiba mais sobre o CIT-Ecum e veja a programação completa de inauguração!

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