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silvana garzaro 2 Domingou: Para Silvana Garzaro

A fotógrafa Silvana Garzaro: inteligência e sensibilidade de uma artista - Foto: Arquivo pessoal

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi com imensa alegria que subi, na última terça, ao palco do Teatro Bibi Ferreira para receber o Prêmio Inspiração do Amanhã pela atuação na cobertura teatral aqui no blog. O troféu, idealizado peça Cia. de Teatro Loucos do Tarô, me encheu de orgulho, sobretudo, por dividir o mesmo palco com gente que admiro desde que me entendo por gente.

Além dos internautas, dos colegas e direção do R7 e dos parceiros de trabalho no dia a dia, os fotógrafos Bob Sousa e Eduardo Enomoto, pensei também em uma baita companheira do meu comecinho de carreira em São Paulo.

Há sete anos vivo de jornalismo cultural nesta que é a maior e mais frenética cidade brasileira. Desde que cheguei na Selva de Pedra, recém-formado pela Universidade Federal de Minas Gerais para participar do Curso Abril de Jornalismo, na Editora Abril, sabia que as coisas não seriam tão fáceis assim. Mas nunca me faltou disposição.

Logo que o curso acabou, assumi vaga de repórter na revista Contigo!, numa aposta da ainda redatora-chefe da publicação Denise Gianoglio. Ainda não estava tão habituado ao mundo das celebridades, com seu excesso de ego, e com os eventos onde todos querem ver e, principalmente, serem vistos. Neste começo profissional, uma pessoa foi fundamental no meu processo de adaptação aos novos tempos: a fotógrafa Silvana Garzaro.

Silvana foi companheira em muitas de minhas primeiras pautas. Por pior que fosse, sempre nos divertíamos. Rápida, certeira, atenta. Não deixava passar uma. No carro, na ida ou na volta, sua diversão sempre foi me contar todos os filmes da Betty Davis, dizendo-me que, se eu queria ser um jornalista respeitado, deveria ver todos eles. Que absurdo não ter visto ainda!

Silvana também contava em detalhes o melhor da noite paulistana, seus personagens, suas lendas. Ela conhece tudo. Viu com os próprios olhos.

Se as celebridades que entrevistava muitas vezes eram ocas, Silvana preenchia meu trabalho de sentido. Inteligentíssima, digna e sensível. Uma verdadeira artista.

Ao subir ali naquele palco na última terça, um tanto quanto encabulado e cegado pela luz, que faz todo discurso parecer um átimo de segundo, pensei em muita gente importante para mim. E, entre elas, pensei em Silvana. No tanto que aprendi com esta profissional das mais competentes que conheci e que nunca, jamais, perdeu sua personalidade. E só os sensíveis percebem que esta é sua melhor parte.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de fazer grandes amigos. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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magiluth Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Os meninos do grupo pernambucano Magiluth em Viúva, porém Honesta - Foto: Divulgação

POR MIGUEL ARCANJO PRADO

A volta dos que não foram
Os danados meninos do Grupo Magiluth, os pernambucanos que mais causam no teatro brasileiro contemporâneo, mandam avisar que chegam a São Paulo no começo da próxima semana. Prometem causar ainda mais, é claro. Eles apresentam de 15 a 20 de abril, terça a sábado, 20h, e domingo, 19h, sua debochada versão para o texto Viúva, porém Honesta (leia a crítica). A obra é de ninguém menos do que Nelson Rodrigues e será encenada no Itaú Cultural (av. Paulista, 149). Já de 23 a 27 de abril, sempre às 20h, eles se apresentam na Funarte São Paulo (al. Nothmann, 1.058), que é onde a peça foi concebida durante a permanência do grupo na fria São Paulo de 2012, quando se hospedaram em um movimentado apartamento de frente para o Minhocão.

Quem é Dorothy Dalton?
O que a coluna não se cansa de perguntar é em quem os peraltas artistas do Magiluth se inspiraram para fazer a versão debochada do crítico teatral mais emblemático da dramaturgia brasileira, Dorothy Dalton. Eles prometem que responderão em breve. Aguardemos.

Melhoras
Tudo correu bem na cirurgia no maxilar do ator Laerte Késsimos, que teve o osso quebrado ao tomar um soco durante confusão na rua Augusta, em São Paulo. Agora, ele está convalescendo. Que ele volte logo aos palcos, é o que todos desejamos.

Recado do Gerald
O diretor Gerald Thomas tomou o microfone do Teatro Anchieta do Sesc Consolação, pouco antes da estreia de Entredentes, nesta quinta (10), para reiterar que ninguém podia fotografar seu espetáculo. E mandou todo mundo desligar o celular.

Não respeitou o Gerald
Mesmo com o recado, a coluna viu um senhorzinho, que ficou parado no corredor, ligando o celular para filmar uma das cenas da obra.

Ansiedade do Gerald
Falando nele, Gerald Thomas deu trabalho nos dias que antecederam a estreia mundial de sua obra. É que ele fica muito nervoso.

Ney Latorraca 007 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Ney Latorraca saiu para cumprimentar o público após a sessão sem Thomas - Foto: Leo Franco/AgNews

Cadê o Gerald?
Assim que a peça acabou, Gerald Thomas saiu pela porta dos fundos que dá direto no estacionamento do Sesc Consolação. Não quis cumprimentar ninguém. Os atores Ney Latorraca, Edi Botelho e Maria de Lima tiveram de justificar a ausência pelo nervosismo do mestre.

Cadê os convidados?
Apesar da disputa por convites para a pré-estreia de Entredentes ter sido movimentada, a coluna contou mais de 40 lugares vagos na sessão que abriu a temporada da peça. Uma pena.

Fala do Gerald
Na entrevista exclusiva que deu ao Atores & Bastidores do R7, Gerald Thomas adiantou boa parte do texto de sua nova obra. Leia!

DSC 2500 Silvia Buarque e sua mãe Marieta Severo Estréia da peça O ESTRANHO CASO DO CACHORRO MORTO Abril 2014 Foto CRISTINA GRANATO  Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A atriz Sylvia Buarque beija a mãe, Marieta Severo - Foto: Cristina Granato

Amor de mãe
Marieta Severo fez questão de ir à estreia da peça da filha, Sylvia Buarque, O Estranho Caso do Cachorro Morto, dirigida por Moacyr Goes, na sala Marília Pêra do Teatro Leblon, nesta quinta (10). Marieta ganhou um beijo enorme de sua menina. Que fofo.

Agenda Cultural

Concentração
O ator Rui Ricardo Dias, que viveu Lula no filme Lula O Filho do Brasil, está envolvido em um projeto de peça. O espetáculo é baseado em um grande texto literário brasileiro, com direção de Antônio Januzelli, o Janô, prefessor histórico da Escola de Arte Dratica da USP.

Mala feita
O diretor Celso Frateschi está em turnê pela Grande São Paulo com sua peça Horácio.

Obsessão
A peça Toc Toc já foi vista por 400 mil pessoas em seis anos. A direção é de Alexandre Reinecke, que fez 30 anos de carreira e costuma arrastar multidões para suas comédias. A obra volta ao cartaz dia 18 de abril, às 21h, no Teatro APCD, em Santana, zona norte de São Paulo.

Agenda
O Teatro Ágora abriu a temporada de monólogos Solos Férteis, um Olhar Feminino. Todas as peças com uma só atriz no palco. O início foi com Clara em Neve, de Mari Nogueira, que faz as duas últimas apresentações neste sábado e domingo, às 18h. Depois, nos dias 19, 20, 26 e 27 de abril, tem Cuidado Frágil, ao sábado, 21h, e domingo, 19h. A peça tem Priscila Jácomo dirigida por Daniel Viana e Júlia Barnabé. Por último, virá Monga, com Maria Carolina Dressler dirigida por Juliana Sanches, nos dias 3, 4, 10 e 11 de maio, sábado, 21h, e domingo, 19h. Merda para todos.

MariaCarolinaDressler00145 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Maria Carolina Dressler não para: ela está em várias peças - Foto: Divulgação

Ela não para
Falando em Maria Carolina Dressler, ela não para. Além de estar em um novo processo criativo do Grupo XIX de Teatro, ela encena neste fim de semana no Centro Cultural São Paulo a peça 3 Movimentos, com a Cia. Ocamorana, dentro do projeto que rememora os 50 anos do golpe civil-militar. Além disso ela também está na turnê nacional do espetáculo Carne, da Cia. Kiwi. Nos dias 14 e 15, a obra estará em Santos. Não bastasse tudo isso, ela ainda fará apresentação no interior de São Paulo com a aclamada peça Estrada do Sul, do Grupo XIX, na qual faz uma elegante motorista na obra que tem interação entre público e plateia dentro de automóveis em movimento e em um engarrafamento.

Dança, meu povo
O Sesc Santo Amaro abriga boa parte da programação do 5º Circuito Vozes do Corpo. De 15 de abril a 18 de maio, o evento reúne 30 companhias de dança de distintas regiões do Brasil. Saiba mais.

Rózà
Após fazer sucesso no Festival de Teatro de Curitiba 2014, a peça Rózà estreia no próximo dia 18, na Casa do Povo (r. Três Rios, 252), no Bom Retiro. A peça é inspirada na vida da filósofa Rosa de Luxemburgo, ícone feminino do pensamento de esquerda. O grupo vai aproveitar o ar rústico do espaço paulistano fundado em 1949, que andou esquecido por muito tempo e vem sendo retomado pela classe artística. Que bom.

Glória
Cristine Paoli-Quito está com a moral lá em cima depois da declaração de amor de Philippe Gaulier, o maior mestre de palhaços do mundo, em entrevista exclusiva ao R7. Foi a única artista brasileira citada pelo gênio do clown. E com admiração. Quem pode pode.

Pirou no Pirandello
O primeiro grande sucesso do dramaturgo italiano Pirandello fez a cabeça de Marco Antônio Pâmio.O diretor estreia nesta sexta (11), a peça Assim É (Se lhe Parece) no Teatro do Sesc Vila Mariana. O elenco tem nomes tarimbados do nosso palco, como Bete Dorgam, Joca Andreazza e Hugo Coelho. A obra brinca com a ideia de verdade. Antunes Filho prometeu ir, resta saber se ele vai mesmo...

Meu mundo caiu
Se Maysa Matarazzo estivesse viva, certamente iria à estreia da peça Salve a Dor de Cotovelo, nesta sexta, às 21h30, no Teatro Augusta. No palco, só canções de fossa. A peça é dirigida por Eduardo Mansur e tem no elenco Luiz Araújo, Naíma, Beto Marden e Charles Dalla. Este último, que também é diretor musical da obra, precisou substituir o ator Fernando Rios às pressas, porque ele teve um problema de saúde. A coluna deseja melhoras.

Salve a Dor de Cotovelo2 Marcelo Auge Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Luiz Araújo e Naíma: beijo de amor em peça de dor de cotovelo - Foto: Marcelo Auge

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laila garin Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

A baianinha Laila Garin tem aquilo que Deus deu; ela vive Elis Regina no Teatro Alfa - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Na noite deste sábado (29), vi Laila Garin reviver a seu modo Elis Regina e arrepiar a plateia do Teatro Alfa, em São Paulo, no espetáculo Elis, a Musical, com direção de Dennis Carvalho. Independentemente dos percalços da obra, Laila permanece intacta e consegue se transmutar naquela que foi a maior cantora do Brasil. E acaba por merecer também a mesma alcunha.

Baiana de Salvador, onde se formou em teatro na UFBA (Universidade Federal da Bahia), Laila tem aquilo que Deus deu. E técnica também. E força também. E carisma também. E tudo também.

laila garin elis vert Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

Laila não repete Elis; a reinventa - Foto: Divulgação

Laila Garin não repete Elis. A reinventa. A reverencia ao mesmo tempo em que se impõe como artista.

E a artista já havia me impressionado absurdamente em outras duas ocasiões. A primeira delas, quando a conheci no palco, foi em 2011, em uma noite em que resolvi conferir o musical Eu te Amo Mesmo Assim, que reabria o Teatro Itália, no subsolo do Edifício Itália, coração do centro paulistano.

Laila dividia o palco com Osvaldo Mil, com direção de João Sanches e supervisão de João Falcão. Ambos executavam canções de amor e dor de cotovelo. Mas Laila fazia tudo com tanta verdade que a gente ficava com um nó na garganta.

Ao escutar a voz de Laila, tomei um susto e pensei na hora comigo: como esta menina aí no palco não é uma cantora celebrada e conhecida por todos? Onde estão nas lojas os discos de Laila Garin? Fiquei triste de estar em um  País que tinha uma Laila Garin e não lhe dava todo holofote possível. Porque tomei consciência naquele momento que tratava-se de uma grande artista. Foi com esta sensação que saí caminhando pela avenida Ipiranga após ver a obra, com a certeza de que Laila Garin é a maior cantora surgida no país desde o aparecimento de Marisa Monte, que, por sua vez, foi a primeira grande após Elis.

O tempo passou e eis que, no Festival de Teatro de Curitiba de 2013, me reencontro com Laila Garin no palco do gigante Teatro Positivo. Era a estrela absoluta do musical Gonzagão, dirigido por João Falcão. Fazia estripulias com as músicas de Luiz Gonzaga, enchendo-as de vida e cor.

Na época, escrevi, na crítica do espetáculo: "Única mulher em cena, Laila Garin tem uma voz inacreditavelmente suave, além da presença e carisma que a faz desejada não só por todos os homens da trupe quanto por qualquer espectador com alguma libido". Recordo que o produtor teatral mineiro Michel Ferrabbiamo, que me acompanhava naquela sessão, ficou tão apaixonado pela atriz quanto eu. Saímos hipnotizados com sua presença. Os dois sem fala diante daquele momento de suspensão coletiva.

Agora, revejo Laila em uma produção ainda maior, já laureada com o Prêmio Shell de melhor atriz por seu desempenho como Elis. Ainda com aquela força inicial intacta, aquela presença única, aquela energia que contamina tudo e traz para bem perto de si.

Repito: Laila Garin é a maior cantora surgida no Brasil dos últimos tempos. As Anittas e suas baboseiras que me perdoem. Agora, torço ardentemente que o Brasil acorde da dormência anencéfala e a veja. E a celebre. Porque Laila Garin é um verdadeiro achado. Laila Garin é preciosidade raríssima, daquelas que já não se fazem mais.

Leia mais sobre Laila Garin no R7

laila garin elis Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

O Brasil precisa celebrá-la: Laila Garin protagoniza Elis, a Musical e arrepia plateia - Foto: Divulgação

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de ver no palco artistas de verdade. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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morro kiwi foto bob sousa1 Domingou: Deixem a Fernanda Azevedo falar!

Fernanda Azevedo, em cena de Morro como um País: atriz sofreu ataques de colegas por ter protestado no Prêmio Shell de Teatro - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Foi só a atriz Fernanda Azevedo dizer quatro linhas a mais em seu agradecimento ao Prêmio Shell de melhor atriz, nesta última semana, que parte do mundo teatral resolveu crucificá-la.

Expliquemos.

A atriz, que faz a peça Morro como um País, na qual conta as agruras do golpe militar no Brasil que ainda chegam até nós, resolveu trazer a informação no palco de que a Shell foi uma das empresas que apoiaram a ditadura. Diante da situação inesperada, o clima foi de perplexidade.

O dilema não está no que Fernanda disse, afinal, ela exerceu sua liberdade de expressão. Ele está nas reações que ela provocou.

BRUNO MACHADO: Fernanda Azevedo tem direito à incoerência
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

Ainda vivemos em uma democracia, é sempre bom lembrar. Como também é importante reiterar que artistas costumam ser questionadores e apresentar novas formas de ver o mundo.

morro kiwi foto bob sousa4 Domingou: Deixem a Fernanda Azevedo falar!

Fernanda Azevedo com Vlado no peito: homenagem ao jornalista assassinado nos porões da ditadura militar - Foto: Bob Sousa

A reação contrária a Fernanda surgiu em parte da classe artística, sobretudo nas redes sociais, aproveitando a impunidade das relações virtuais. E que bom que todos têm o direito democrático de manifestar-se.

Muitos tomaram as dores da Shell e criticaram Fernanda com veemência. A transformaram em um pária. Diante da fúria de alguns, até parecia que a atriz havia cometido um crime. Como ela pôde se rebelar contra uma grande empresa que lhe honrou com um prêmio?

Houve até quem baixasse o nível da discussão, afirmando que ela foi à festa, comeu e bebeu champanhe, para depois criticar. Como um cachorro que não reconhece o dono e morde a mão que lhe dá de comer.

Leia entrevista exclusiva com Fernanda Azevedo
Veja a cobertura completa do Prêmio Shell de Teatro de SP

Diante de tudo isso fica a questão: será que o fato de uma multinacional do petróleo oferecer alguns quitutes e bebidas à classe teatral é o suficiente para toda esta defesa passional? Ou o ataque explícito à atriz é um pedido de "me premiem, por favor, que não faço a desfeita".

Não custa nada lembrar que uma grande empresa oferecer comes e bebes em uma premiação nada mais é do que uma ação de marketing. Tudo em troco de fotografar os artistas com seu logo atrás. Como foi feito com Fernanda e todos que estavam na Estação São Paulo na última terça (18). Isso não é beneficência. O preço sai até barato diante da propaganda espontânea.

BRUNO MACHADO: Fernanda Azevedo tem direito à incoerência
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

No afã contra a colega, houve até quem dissesse que Fernanda não poderia criticar o Shell, já que levou os R$ 8.000 do prêmio. Mais um argumento falacioso. Afinal, se o júri acha que ela mereceu e resolveu concedê-la, ela tem direito de ir, receber e falar mal do prêmio se assim desejar.

Convenhamos, R$ 8.000 é uma quantia infinitesimal diante da receita da Shell, que é de quase US$ 500 bilhões, com lucro anual de mais de US$ 30 bilhões nos mais de 140 países onde atua, o que a coloca entre as três maiores empresas do mundo. E todo esse lucro, não custa nada reforçar, é feito com o suor de muita gente que parte do teatro prefere esquecer, enquanto artistas como Fernanda ainda insistem em lembrar.

Leia entrevista exclusiva com Fernanda Azevedo
Veja a cobertura completa do Prêmio Shell de Teatro de SP

Ps1. No fatídico 1968, a polêmica se deu porque os artistas do teatro paulista resolveram devolver os prêmios Saci ao jornal O Estado de S. Paulo, por este defender a censura em um editorial. Uma importante atriz encabeçou a lista do protesto. Seu nome era Cacilda Becker.

Ps2. O mesmo jornal publicou, nesta semana, que a MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo), cuja primeira edição neste mês foi sucesso de público, deveria repensar a gratuidade dos ingressos, sugerindo explicitamente que o evento tenha entrada paga na próxima edição. Pela lógica apresentada, se lotou demais não é bom. A saída seria cobrar ingresso e tirar o povo da parada. Para que gente que não pode pagar precisa de espetáculo internacional? E esqueçamos todos que parte da conta da MITsp foi paga com dinheiro público. Assim, a solução apresentada nada mais é do que a revogação do direito a um bem cultural por parte de todos os cidadãos que o financiaram. Salvo a distância, revogação de direitos civis é algo que foi mote 50 anos atrás neste País com apoio de parte da sociedade e de empresas beneficiadas, como Fernanda Azevedo bem lembrou em seu discurso.

BRUNO MACHADO: Fernanda Azevedo tem direito à incoerência
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

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Fernanda Azevedo em Morro como um País: discurso que incomoda muita gente - Foto: Bob Sousa

Leia entrevista exclusiva com Fernanda Azevedo
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morro kiwi foto bob sousa8 Domingou: Fernanda tem direito à incoerência

Fernanda Azevedo, em cena de Morro como um País: direito à incoerência - Foto: Bob Sousa

Por BRUNO MACHADO*
Especial para o Atores & Bastidores
Fotos de BOB SOUSA

Da indiferença ao constrangimento, o silêncio se tingiu de diversos tons, em meio a uma festa cujo clima lembrava um cândido baile de debutante. Foi na última terça-feira (18), durante a entrega do 26º Prêmio Shell.

Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia. de Teatro, vencedora na categoria de melhor atriz por Morro Como Um País, subiu ao palco para agradecer a láurea e criticar o apoio da petrolífera à ditadura na Nigéria, na década de 1990.

Em meio ao complicado trânsito de bandejas de casquinhas de siri e bobós de camarão, entre as quais se distinguia um ou outro ator ou diretor, já meio enfadado, ou apenas trôpego, o eloquente silêncio, como uma onda, foi crescendo para desaguar verborrágico nas áridas praias do Facebook.

Houve quem considerasse o discurso de Fernanda hipócrita. Houve quem preferisse defendê-la. Outros optaram por ridicularizar o nome da companhia teatral da qual a atriz é integrante – onde já se viu grupo de teatro de esquerda com nome de kiwi, não é mesmo?

MIGUEL ARCANJO PRADO: Deixem a Fernanda Azevedo falar
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

Incoerência é falha?

Cinquenta anos depois do golpe que catapultou os militares ao poder, as liberdades garantidas pela Constituição Federal permitiram que uma empresa que apoiou a ditadura, por meio de um júri, premiasse Fernanda por sua crítica às ditaduras e, de quebra, que ela aceitasse o reconhecimento. E ainda que todos, sem ressalvas, pudessem expor sua opinião sobre o caso. Cheia de nuances e questões pertinentes, a discussão, como quase todas as outras que rondam a esfera pública brasileira, degradou-se a uma pura e simples disputa entre direita e esquerda, Fla versus Flu, solteiros contra casados.

morro kiwi foto bob sousa5 Domingou: Fernanda tem direito à incoerência

Fernanda Azevedo, em Morro como um País: incoerência agora virou falha de caráter - Foto: Bob Sousa

Exigiu-se coerência de Fernanda como se seu discurso fosse uma redação para um exame de vestibular, e não uma posição política, nunca isenta de contradições. Os críticos de Fernanda pareceram enxergar na coerência uma espécie de pedra angular que, ausente do seu discurso e do seu trabalho artístico, fez desabar um edifício de falácias e enganos. Dos seus escombros, restou apenas um vexaminoso arremedo de militância vazia. A coerência foi, então, alçada à condição de qualidade imprescindível, sem a qual o locutor perde qualquer legitimidade e direito de fala. A incoerência se tornou falha de caráter, demérito artístico e profissional imperdoável.

Leia entrevista exclusiva com Fernanda Azevedo
Veja a cobertura completa do Prêmio Shell de Teatro de SP

Opressor financia oprimido

Sobretudo, se exaltou a coerência como se a maioria das manifestações artísticas produzidas no Brasil não fossem movidas pelas contradições e incongruências típicas do capitalismo, sistema que permite, entre outras aberrações, que o opressor financie o oprimido. Sendo assim, a única ação coerente possível seria a recusa do prêmio, bem como de qualquer salário, patrocínio, prêmio ou edital. E não só por Fernanda, mas por toda a classe teatral que, de mãos dadas, iria viver de sonhos e artesanato vendido na praia.

Talvez coerente fosse, então, recusar os serviços de quase todas as empresas existentes no mercado, uma vez que, certamente, elas diretamente apoiaram ou estiveram ligadas a apoiadores da ditadura no Brasil, na Nigéria ou em qualquer outro lugar do mundo. Ler ou escrever jornais também estaria fora de cogitação. A maciça maioria dos veículos de comunicação apoiou a opressão militar e chegou até mesmo a endossar a censura que os calava. No paroxismo, seria necessário fazer uma investigação em profundidade acerca dos mais triviais serviços prestados ao cidadão coerente, como o inocente gás de cozinha. E mesmo esse seria rechaçado uma vez que a Ultragás chegou a emprestar seus carros para que agentes da opressão pudessem entregar, sem deixar rastro ou suspeita, cidadãos subversivos na porta do DOI-CODI.

MIGUEL ARCANJO PRADO: Deixem a Fernanda Azevedo falar
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

Ditadura de contradições

A fala de Fernanda na festa de entrega do Shell expõe não só a ditadura de contradições sob a qual todos nós, artistas ou não, vivemos todos os dias. Cotidiano em que a incoerência é regra e não exceção. Evidencia também a fratura sobre a qual equilibra-se o teatro brasileiro, proibido de fazer qualquer reclamação sobre a esmola recebida.

O discurso de Fernanda contra as ditaduras, que trazem estabilidade e segurança ao florescimento do capital, acaba também por ser contra mecanismos não menos opressores, que controlam financeira e ideologicamente a produção de obras de arte e impossibilita os seus agentes de andarem com suas próprias pernas. Concluído um projeto, para dar início ao próximo, é preciso reiniciar do zero o velho processo de mendicância conhecido da classe artística.

A despeito do que dizem seus críticos, a crítica marxista de que Fernanda faz uso em seu discurso e em seu teatro não apregoa o franciscanismo. Afirma que as contradições e incoerências – a chamada dialética – são essenciais ao debate, ao surgimento do novo e da transformação social. Se a atriz vencedora do Shell foi contraditória ao receber o troféu ou não, é questão menor.

Toda a seara de questionamentos que o seu ato suscita já deixa clara a sua posição política e a coerência com o projeto artístico da sua companhia com nome de fruta exótica: o oprimido pode e até mesmo deve aceitar o dinheiro do opressor, e por meio dele, lutar pelos seus ideais, pela justiça social; pode até mesmo lutar contra o opressor. O capitalismo e a democracia, incoerentes por excelência, garantem esse direito. O capitalismo e a democracia asseguram à Fernanda Azevedo o direito à incoerência.

*Bruno Machado é jornalista formado pela ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo).

MIGUEL ARCANJO PRADO: Deixem a Fernanda Azevedo falar
KIL ABREU: Fernanda Azevedo desafiou a fantasia e apanhou

morro kiwi foto bob sousa3 Domingou: Fernanda tem direito à incoerência

Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia. de Teatro, foi atacada pelo discurso contra a Shell - Foto: Bob Sousa


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 Dois ou Um com Laura Carvalho

A atriz Laura Carvalho, que está em cartaz na peça Toc Toc, no Teatro APCD - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A atriz paulistana Laura Carvalho, que atua na peça Toc Toc, dirigida por Alexandre Reinecke no Teatro APCD, em São Paulo, aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 em participar da nossa coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Paulo Goulart ou Caio Castro?
Paulo Goulart, sempre.

Chico ou Caetano?
Sou fã dos dois, mas fico com o Chico  pela teatralidade das letras.

Copa ou manifestações?
Na Copa, Copa. Na manifestação,  manifestação.

Feijoada ou pizza?
Feijoada.

Tulipa Ruiz ou Anitta?
Tulipa Ruiz.

Woody Allen ou Pedro Almodóvar?
Também sou fã dos dois,  mas fico com Woddy Allen que foi meu primeiro amor no cinema.

Broadway ou teatro de grupo?
Teatro de grupo. Minha  formação foi com a Companhia Armazém de Teatro e com o Grupo Tapa, sou do Grupo  das Dores de Teatro e do Nosso Grupo de Teatro. Sou uma atriz de  grupo.

Mensalão ou cartel do metrô?
Sou contra caixa 2 tanto em  campanha quanto no governo. Sou a favor de que todos os casos de corrupção sejam  julgados e que todos sejam julgados com imparcialidade.

Praia ou piscina?
Piscina.

Amor tranquilo ou amor bandido?
Amor tranquilo.

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paulo goulart Domingou: O que faremos sem os Paulos?

Paulo Goulart, que morreu aos 81 anos, deixa um vazio no mundo das artes - Foto: Divulgação/Globo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Não bastasse a dor de termos perdido há quase sete anos o primeiro, agora vem a partida do segundo que nos dilacera a todos. Afinal, os Paulos sempre foram fundamentais ao teatro brasileiro e, sem ambos, tudo se torna absolutamente vazio. Porque o buraco que deixaram não é capaz de ser preenchido. Porque ambos eram gigantes no que faziam.

Paulo Goulart, que o Brasil perdeu nesta última semana aos 81 anos, era generoso em seu ofício. E não guardava tal qualidade para si. Fazia questão de compartilhá-la com todos ao redor e também fez questão de perpetuá-la aos filhos e netos, todos com sua mesma índole admirada por todos. O que poderia sair da mistura de genes de Paulo Goulart e Nicette Bruno, o casal mais querido do mundo das artes? Só coisa boa, definitivamente. Sua obsessão com o outro era tanta que criou o projeto Teatro nas Universidades, que leva há dez anos as artes cênicas a estudantes, exemplo na formação de público teatral e desenvolvimento cultural.

O outro Paulo também era marcado por sua generosidade extrema. Paulo Autran, que nos deixou aos 85 anos em 2007, era um grande. Quem acompanhou o teatro sabe que ele fazia questão de ir a todas as estreias para prestigiar o trabalho dos colegas, fossem famosos ou não. Chegava discreto e tratava a todos os jornalistas e fotógrafos como colegas. A fotógrafa Silvana Garzaro é testemunha. Porque Paulo Autran amava mesmo era o teatro e sua magia que acontece uma vez só, a cada sessão. E sabia que ele carece de divulgação e que sua simples presença tornava cada fato relevante.

Por que os meios de comunicação deram aos dois despedidas dignas de um chefe de Estado? Porque ambos eram reis da arte. Porque tanto Autran quanto Goulart sempre viram nos meios de comunicação uma maneira de fazer difundir aquilo no qual acreditavam. A elegância com que manejavam entrevistadores e fotógrafos garantia um respeito a ambos inquestionável. Simples assim.

Nossos dois gigantes souberam conquistar não só o público de seus teatros, como também os telespectadores de suas novelas e os jornalistas encarregados de cobri-las bem como os fotógrafos que tudo registram para a posteridade. Tal humildade no manejar da vida os tornavam ainda mais brilhantes. Ainda mais referência de todos. E é por isso que pergunto, neste mundo apinhado de celebridades ocas: o que faremos sem os Paulos?

paulo autran funarte Domingou: O que faremos sem os Paulos?

Paulo Autran em Morte e Vida Severina, direção de Silnei Siqueira, 1969 - Foto: Acervo Cedoc-Funarte

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e amava os Paulos. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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Alexandra Richter Dois ou Um com Alexandra Richter

Alegria em voo solo no palco: atriz Alexandra Richter está na comédia Minimanual de Qualidade de Vida, no Teatro Jaraguá, no coração do centro de São Paulo - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A carioca Alexandra Richter é rosto conhecido de nossa comédia televisiva. Mas também faz bonito no palco. Uma das estrelas lançadas pelo humorístico Zorra Total, na Globo, ela volta a São Paulo com mais um espetáculo teatral. Depois dos sucessos Divã e A História de Nós 2, esta última vista por 300 mil pessoas, agora é a vez de Minimanual de Qualidade de Vida, que está em cartaz no Teatro Jaraguá, no centro paulistano, com direção de Daniela Ocampo e texto de Ana Paula Botelho [veja serviço ao fim]. A peça aborda a excessiva falta de tempo das pessoas no mundo contemporâneo. Na TV, esteve também em Os Normais e Carga Pesada, além das novelas Laços de Família, Coração de Estudante, Cheias de Charme e Passione. No momento, bate ponto também em Malhação. A atriz aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 e topou participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Zorra ou novela?
No Zorra fui descoberta, novela ainda estou descobrindo.

Drama ou comédia?
Comédia, mas personagens vivendo situações dramáticas rendem muito humor.

Centro paulistano ou centro carioca?
Ah! Os dois.

Maldade na vida ou maldade em cena?
Só em cena.

Manifestações de rua ou euforia pela Copa?
Manifestações de rua sem vandalismo.

Estresse e muita grana ou vida zen sem lenço nem documento?
Grana, com escolhas certas pra não ter estresse.

Povo de Brasília ou políticos de Brasília?
Agumas pessoas de Brasília, principalmente a turma da ONG Contas Abertas.

Um domingo no parque ou um domingo de praia?
Um domingo no parque.

Detalhes tão pequenos de nós dois ou Que tudo mais vá pro inferno?
Detalhes tão pequenos de nós dois.

No palco sozinha ou  um camarim lotado de gente?
Ultimamente, num palco sozinha.

Minimanual de Qualidade de Vida
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 18h. 60 min. Até 27/4/2014
Onde: Teatro Jaraguá (r. Martins Fontes, 71, centro, São Paulo, metrô Anhangabaú, tel. 0/xx/11 3255-4380)
Quanto: R$ 50 (sexta e domingo) e R$ 60 (sábado)
Classificação etária: 12 anos

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recusa1 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Aclamada pela crítica, Recusa faz temporada gratuita no Bom Retiro, em SP - Foto: Alê Catan/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Brincar de índio
Recusa, peça da Cia. Teatro Balagan, volta ao cartaz no próximo dia 19. Dessa vez, fica até dia 12 de abril na Oficina Cultural Oswald de Andrade, que fica na rua Três Rios, 363, no Bom Retiro, em São Paulo. A entrada será grátis, de quarta a sábado, sempre às 20h, até 12 de abril. Os ingressos serão distribuídos meia hora antes. Vai ter gente se estapeando para ver Antonio Salvador e Eduardo Okamoto de indiozinhos...

Embarque imediato
Na sequência, a peça segue para Rondônia, onde será vista em Porto Velho e Ji-Paraná, cidade do índio que inspirou a peça dirigida por Maria Thaís e escrita por Luis Alberto de Abreu. Depois, vão para Belém e Altamira, no Pará. Tudo com o apoio do Prêmio Myriam Muniz, da Funarte, é claro.

Números
Além de ganhar APCA e Shell, Recusa já esteve em 18 cidades de oito Estados, além de ter sido apresentada em todas as comunidades indígenas da cidade de São Paulo. Eita.

Significado
Ah, Balagan, que dá nome ao grupo que faz Recusa, pode significar teatro de feira, baderna, bagunça ou confusão. O internauta escolhe a definição que melhor lhe apetecer.

paulo goulart globo Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Classe artística se despede do ator Paulo Goulart (foto) nesta sexta-feira (14) - Foto: Divulgação/Globo

Adeus, Paulo
A classe artística se despede nesta sexta (14) de Paulo Goulart, que morreu aos 81 anos na quinta (13), vítima do câncer. O velório vai até a hora do almoço no Theatro Municipal de São Paulo. Depois, o corpo segue para o Cemitério da Consolação, onde será enterrado às 14h.

Troca-troca
Oscar Magrini precisou sair da peça Tudo sobre os Homens. Partiu para outros projetos profissionais. Em seu lugar, assume Juan Alba, a convite do diretor Flávio Faustinoni. Reestreia dia 4 de abril, no Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo. Recado dado.

Fuzuê
A sessão de Sobre o Conceito de Rosto no Filho de Deus, de Romeo Castellucci, que abriu a MITsp (Mostra Internacional de Teatro) no sábado passado (8) ficou marcada pelo número de convidados que superava o número de lugares disponíveis. Gente graúda do teatro paulistano ficou do lado de fora e foi embora para casa revoltada. Com razão.

Estrela
A atriz espanhola Angelica Liddell, que apresentou a peça Eu Não Sou Bonita nesta quinta (13) dentro da programação da MITsp, mandou avisar que não receberia jornalistas nem fotógrafos. Na montagem, ela se corta ao vivo e contracena com um cavalo de verdade no palco. Então, tá.

edgar Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Ricardo Corrêa, na peça Edgar: drama de um homem que sofre de enxaqueca eterna - Foto: Divulgação

Peça da meia-noite
O drama psicológico Edgar fica em cartaz no Espaço dos Parlapatões, na praça Roosevelt, em São Paulo, todo sábado à meia-noite, até 31 de maio. Thiago Balieiro dirige o elenco formado por Alex Houf, Angela Ribeiro, Marisa Paiva, Roberto Rezende e Ricardo Corrêa. A dramaturgia é fruto de obra conjunta do grupo Eco Teatral. Conta a história de um homem cuja cabeça não para de doer, coitado.

Shows grátis
O Memorial da América Latina, em São Paulo, celebra seus 25 anos com três grandes shows gratuitos, sempre às 18h: no domingo (16), tem Elba Ramalho. Na segunda (17), Felipe Catto. Já na terça (18), para encerrar a festa, sobe ao palco Marcelo Jeneci. Imperdível.

Festibero
Falando em Memorial, o presidente da instituição, João Batista de Andrade, contou à coluna que mesmo com a reforma do auditório Simón Bolívar, que pegou fogo no fim de 2013, está mantido o Festibero, o Festival Ibero-americano de Teatro de São Paulo. Este ano o evento deve priorizar espetáculos de rua ou que possam ser feitos em tendas. Ele só está esperando sair o laudo final do prédio atingido pelo fogo, o que deverá ocorrer até maio, para marcar a data do evento. O Festival Latino-Americano de Cinema de São Paulo também está mantido, com exibição de filmes em tendas.

Agenda Cultural da Record News

Encontro marcado
A Cia. Elevador Panorâmico marcou para o dia 22 de março, no Teatro do Sesc Bom Retiro, em São Paulo, a estreia de sua nova peça: O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov. Marcelo Lazzaratto comanda tudo.

bandeiraderetalhos Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cena de Bandeira de Retalhos: os cariocas do Nós do Morro fazem turnê com a peça - Foto: Divulgação

Circulando
O musical Bandeira de Retalhos, do grupo carioca Nós do Morro, será apresentado na periferia do Rio e no litoral fluminense. Nos próximos dias será encenado no Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, na Arena Carioca Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, e no Teatro Carlos Zéfiro, em Anchieta.

Novos tempos
Muita gente ainda sente a saída da jornalista Erika Riedel do posto de diretora de Comunicação e Ideias da SP Escola de Teatro.

alice braga eduardo enomoto Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Alice Braga, na festa da APCA: só simpatia - Foto: Eduardo Enomoto

Lição
Alice Braga, nossa atriz que faz sucesso em Hollywood e já protagonizou filme ao lado de Will Smith, deu exemplo de simpatia e humildade na entrega do Prêmio APCA. Foi carinhosa com todos. Atendeu a todos os pedidos de entrevista e mais: chegou sozinha e foi embora do mesmo jeito, andando sem nenhum temor pelas ruas do bairro Pinheiros, em São Paulo, até encontrar um táxi. Gente como a gente.

Frase
A melhor frase do Prêmio APCA foi dita nos bastidores, pelo jornalista João Fernando, do Estadão. Ele não entendeu como a funkeira Anitta não foi buscar seu troféu de revelação em música popular. "Gente, se até a Tomie Ohtake, que tem cem anos, veio buscar o seu APCA, ninguém mais pode dar desculpa para faltar". Disse tudo. Leia a cobertura completa. Veja as fotos também.

Shell SP
Depois do APCA, é a vez da entrega do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. Será na noite da próxima terça (18), na Estação São Paulo, também no bairro de Pinheiros, na zona oeste paulistana. Renata Sorrah vai apresentar. E também vai ter jantar, viu, gente?

Shell Rio
Falando em Shell, no dia da entrega da versão carioca do prêmio, que aconteceu no mesmo dia da APCA, na terça (11), uma pessoa na plateia gritou "Nazaré Tedesco" assim que viu Renata Sorrah subir ao palco. É o preço de uma personagem bem-feita.

sofia botelho lenz Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A atriz Sofia Botelho lambuza a cara em cena da peça Lenz, um Outro, da Cia. 28 Patas Furiosas - Foto: Divulgação

Gente nova na área
Um novo grupo teatral anda chamando a atenção na cena paulistana. Chama-se 28 Patas Furiosas. A trupe já está chegando com tudo, com direito a espaço próprio na Vila Clementino, na zona sul de São Paulo. Eles estreiam no dia 22 de março a peça Lenz, um Outro. Fica em cartaz até dia 4 de maio. A obra é uma adaptação de uma novela alemã.

A nova da Hiato 1
Leonardo Moreira, diretor da Cia. Hiato, vai passar o fim de semana dando os retoques finais de 2 Ficções. Resolveu estrear a nova peça no mesmo dia do Prêmio Shell de São Paulo, na terça (18), no Sesc Pompeia. Luciana Paes, uma das melhores da trupe, não vai estar na temporada por conta da novela Além do Horizonte. Uma pena.

A nova da Hiato 2
Thiago Amaral, ator da Hiato, vive um drama sem fim. Ele concorre ao Prêmio Shell como melhor ator. Mas não poderá ir à festa da premiação, porque tem de estar na estreia de sua peça. Está com o coração despedaçado, pobrezinho.

bull joao caldas Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Peça Bull vai abordar o inferno que pode se tornar o ambiente de trabalho - Foto: João Caldas

Gente maldita
Sabe aquelas pessoas insuportáveis que ficam atormentando os colegas de trabalho com piadinhas maldosas? Elas são o foco da peça Bull, que vai abordar o espinhoso tema do bullying profissional. Estreia dia 9 de abril, no Tucarena, em São Paulo. A direção é de Eduardo Muniz e Flávio Tolezani. Cynthia Falabella, irmã de Débora Falabella, fará uma das vilãs da história. O texto é do inglês Mike Bartlett.

Viagem marcada
Falando em Débora Falabella, assim que voltar da lua de mel com Murilo Benício na Índia, a atriz cumprirá extensa agenda de viagens com a peça Contrações pelo Brasil. A montagem lhe rendeu o Prêmio APCA de melhor atriz, que dividiu com a colega de cena Yara de Novaes, que foi buscar o troféu na última terça (11) acompanhada de Nina, filha de Débora. A primeira apresentação é no Festival de Teatro de Curitiba, que começa no próximo dia 25.

nany Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Vai fazer falta: Nany People não é mais apresentadora do Risorama em Curitiba - Foto: Divulgação

Está acabando
Falando no Festival de Teatro de Curitiba, o diretor do evento, Leandro Knopfholz pede para avisar que está tudo pronto para o maior festival teatral do País. O Risorama, a mostra de stand-up que sempre é o maior sucesso de público, já está com entradas esgotadas para praticamente quatro dias. Após dez anos na apresentação, Nany People, querida da coluna, deixou o evento por não chegar a um denominador comum que agradasse ambas as partes. Confirmaram Diogo Portugal, Marcio Ballas, Marco Luque, Rafael Cortez, Fabio Porchat, e Rafinha Bastos e até Sérgio Mallandro.

Crítica vale meia
Na Mostra Ademar Guerra, que acontecerá dentro do Fringe, a mostra Paralela do Festival de Curitiba, o espectador poderá pagar meia-entrada se comprometer-se a escrever uma crítica da peça ao fim dos oito espetáculos que serão apresentados no Teatro Experimental da Universidade Federal do Paraná entre 27 de março e 6 de abril. Desse jeito, vai faltar vaga na APCA...

Gula
O festival Gastronomix terá mais uma edição no Festival de Teatro de Curitiba. Desta vez, dois chefs internacionais vão participar: o italiano Luciano Boseggia e o argentino  Guido Tassi. A comilança vai acontecer nos dias 5 e 6 de abril no Museu Oscar Niemeyer. Aquele do olho.

Tal pai, tal filho
Assim como o pai, Chico Anysio, o ator Bruno Mazzeo agora também tem um espetáculo solo para chamar de seu. Ele vai se apresentar no Festival de Teatro de Curitiba com Sexo, Drogas & Rock'n'roll, no Teatro Guaíra. Na montagem, dirigida por Victor Garcia Peralta, vive variados personagens que vão desde um sem-teto a uma estrela do rock. Esta será a primeira vez que o moço faz teatro fora do Rio. "Não tenho a menor ideia de como será a reação do público curitibano", diz. Logo, veremos.

Vida livre
Silvero Pereira representa a diversidade sexual no Festival de Teatro de Curitiba na peça BR-Trans. Vai dar vida a travestis, transformistas e mulheres transexuais.

buraco Lamira Foto Adilvan Nogueira 39 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Grupo Buraco D'Oráculo em cena: exemplo de cidadania em São Miguel Paulista - Foto: Adilvan Nogueira

Exemplo
O grupo Buraco D'Oráculo movimenta a região de São Miguel Paulista, no extremo da zona leste de São Paulo, em abril, com sua oitava Mostra de Teatro de São Miguel. A população da região, carente de bons projetos culturais, abraça a mostra com todo o carinho possível. A coluna dá parabéns à trupe pela brilhante iniciativa. Que venha muito mais!

Homenagem
O diretor teatral João das Neves, que fez história com o Grupo Opinião na década de 1960, é o grande homenageado do 2º Prêmio Acessibilidade 2013. Será entregue na próxima quarta (19), na sede da praça Roosevelt da SP Escola de Teatro. Na primeira edição, a homenageada foi a atriz Maria Alice Vergueiro. Aquela do Tapa na Pantera.

Em tempo
João das Neves dirigiu no ano passado a atriz portuguesa Maria de Medeiros na peça Aos Nossos Filhos, que fez sucesso em São Paulo.

Xico no palco
O inteligentíssimo jornalista Xico Sá é autor do livro que originou a peça homônima Big Jato. Estreia neste sábado (15), no Teatro Café Pequeno, no Rio. No palco, Diogo Camargos sob direção de Morgana Kretzmann. Estão todos convidados.

Existe amor em SP
Lucinha Lins está adorando sua temporada em São Paulo por conta da peça Palavra de Mulher, em cartaz no Teatro Renaissance até o dia 23 deste mês. Está cada vez mais paulistana...

Busão
A coluna não entendeu o espanto de um jornal carioca em ver a atriz Lucélia Santos andar de ônibus no Rio. Em São Paulo, praticamente toda a classe teatral anda de metrô. E até famosos como Camila Pitanga, que pegava a linha Vermelha para ensaiar na Casa Livre, na Barra Funda. Usar transporte público não é vergonha. Muito pelo contrário, é exemplo de cidadania e consciência. Afinal, a coluna também anda de ônibus e de metrô sem nenhuma vergonha. Estamos com Lucélia!

Nelson sentimental
Nilton Bicudo volta com o espetáculo Myrna Sou Eu no dia 12 de abril, no Teatro Eva Herz, em São Paulo. A direção é de Elias Andreato. Já o texto é de ninguém menos do que Nelson Rodrigues. O nosso grande mestre.

crespos Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Meninos do Coletivo de Teatro Os Crespos farão performance no largo do Arouche, em SP - Foto: Divulgação

Beijo gay
Os arretados integrantes do Coletivo de Teatro Os Crespos farão uma intervenção que promete causar no Largo do Arouche, no centro paulistano, no dia 23 de maio, um domingo, a partir das 16h. Vão abordar a homoafetividade entre homens negros. O nome da intervenção é Terra Estranha - Fragmentos a James Baldwin. Eugênio Lima assina a direção, que contou com a ajuda de Lucélia Sergio. Atuam Sidney Santian Kuanza, Luís Navarro, Vitor Bassi, Sírius Amen e ainda há a participação do Coletivo Elo da Corrente. Aos domingos, o largo do Arouche vira point de paquera jovem.

Noite de Improviso 02 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Noite de Improviso vai levar comédia ao vivo para o CIT-Ecum, em São Paulo - Foto: Divulgação

Riso farto
O CIT-Ecum, em São Paulo, vai abrigar entre os dias 21 e 23 de março a Noite de Improviso, com direção de Márcio Ballas. Ao lado dos humoristas Marco Gonçalves e Guilherme Tomé, ele promete uma hora e meia de muito riso. Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h, com entrada a R$ 30. Quem for ver rirá.

Eu voltei...
Dagoberto Feliz, o melhor diretor de 2013 pela APCA, avisa que seu espetáculo Folias Galileu estará de volta ao Galpão do Folias a partir de 19 de abril. Ficará em cartaz até 1º de junho. Coisa boa.

Torneira fechada
Enquanto São Paulo vive o drama de um possível racionamento de água, por conta da chuva que não cai na região da Cantareira, que tal levar seu filho para ver a peça Água, que conscientiza as crianças sobre este precioso bem de todos nós? Ficará em cartaz no Teatro Cacilda Becker, na Lapa, em São Paulo, de 28 de março a 27 de abril. Sábado e domingo, às 16h, com ingresso a R$ 10. Ótima pedida para a criançada.

agua Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Espetáculo infantil água ensina as crianças a cuidar deste importante bem natural - Foto: Divulgação

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vera fischer Domingou: Deixem a Vera Fischer em paz!

Vera Fischer, na Marquês de Sapucaí, no auge da beleza de seus 62 anos, continua a nossa musa e tem o direito de beber o que quiser no Carnaval - Foto: Fernando Azevedo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Carnaval, como todo mundo sabe, é a festa da carne. Ou melhor, a festa dos prazeres da carne, como a etimologia do próprio nome diz. Daí a esbórnia coletiva quase obrigatória em todo o País e que faz do Brasil destino turístico de qualquer gringo que queira colocar as manguinhas de fora antes da Quarta-feira de Cinzas.

Jorge Amado, nosso grande escritor baiano, até nos definiu como O País do Carnaval, nome de um de seus inesquecíveis romances. Pois foi justo nesta terra e nesta época do ano, onde ver pessoas sóbrias nos desfiles e blocos é algo quase impossível, que surgiu a ideia de fazer de uma conhecida atriz o Judas da vez.

Vera Fischer, nossa eterna musa, no auge da beleza de seus 62 anos, surgiu um tanto quanto inebriada em uma entrevista na Sapucaí que logo virou hit na internet.

Na gravação, Vera, descontraidíssima, contou toda serelepe que havia resolvido sair de casa só para homenagear Boni, o ex-diretor da Globo homenageado pela escola de samba Beija-Flor. Tropeçando nas palavras e até mostrando a linguinha às vezes, Vera revelou que detesta multidão e que não tem mais paciência para os camarotes da avenida.

Vera estava bêbada, todos logo concluíram ao ver o vídeo, muitos chocadíssimos. Os amigos dela até tentaram dizer que foi uma queda de pressão, e não a bebida, que obrigou a atriz a deixar o sambódromo carregada. Ninguém acreditou e, logo, os juízes de plantão acusaram a musa de dar vexame. Como pôde Vera Fischer surgir bêbada assim no Carnaval?, questionaram os cuidadores da moral alheia.

Mas, minha gente, a pergunta a se fazer é outra: como há gente hipócrita assim no Brasil e, ainda mais, em pleno Carnaval? A quem ocorre a ideia de julgar Vera Fischer por ter bebido na madrugada na Sapucaí?

Qualquer um que já esteve num desses camarotes patrocinados por cervejaria e apinhados de celebridades sabe que beber é quase que obrigatório para suportá-los.

E outra coisa: quem pula Carnaval geralmente bebe. Tanto que esta é a época de ouro de vendas para qualquer bebida alcoólica. Os blocos que agitam o Brasil não são feitos de pessoas sóbrias. Muito  pelo contrário. Daí, a conclusão: se todo mundo pode beber e se acabar no Carnaval, por que só a pobre coitada da Vera Fischer tem de manter a linha na folia? Ela deu um show de verdade, enquanto muitos famosos por aí fazem tudo escondido. É assim que tem que ser?

Por favor, deixemos todos a hipocrisia de lado e olhemos para a vida com um pouco mais de leveza e humor. Deixem a Vera Fischer em paz! Vera, beba o que você quiser. Você é dona de seu nariz e ninguém tem nada com isso.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e acha que hipocrisia não combina com Carnaval. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

 

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