Posts com a tag "crítica"

aos nossos filhos irene nobrega2 Crítica: Peça mostra que cura gay não existe

Espetáculo Aos Nosso Filhos tem a estrela portuguesa do cinema Maria de Medeiros (de vermelho): ela contracena com a carioca Laura Castro, também autora, como mãe de uma filha lésbica - Foto: Irene Nóbrega

Por Miguel Arcanjo Prado

Em um País no qual a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprova o projeto de “cura gay” na surdina, enquanto o povo protesta nas ruas, a peça Aos Nossos Filhos se torna praticamente obrigatória a qualquer um que tenha interesse em ver uma discussão atual feita pelas artes cênicas.

Em cartaz no Teatro do Sesc Santana, a obra tem texto de Laura Castro, que contracena com a estrela portuguesa Maria de Medeiros – que estrelou o filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, em 1994.

As duas interpretam um embate de filha e mãe. Medeiros, a mãe, domina a cena em uma construção crível e que impressiona pelo trabalho da atriz em amenizar o sotaque, quase imperceptível. Ela é uma médica com passado de militância esquerdista nos tempos de ditadura militar, com direito a exílio fora do País. Contudo, o discurso libertário do passado enfraquece diante da homossexualidade dentro de casa. Castro, a filha lésbica, uma advogada individualista, comunica à mãe que esta será avó. Mas quem está grávida é sua mulher.

João das Neves, em uma direção tradicional e sem arroubos, aposta no embate freudiano entre mãe e filha. Uma relação doentia como muitas que existem por aí, ainda mais agravada pela questão da homossexualidade da última, que a mãe tentou no passado “curar” com namoradinhos e cobranças.

A crise da mãe em aceitar a homossexualidade da filha é a grande tensão dramática desta montagem, que não é reducionista ou inocente quanto ao tema.

Castro, que se sai melhor como dramaturga do que como atriz, acerta em não fazer uma peça maniqueísta. Coloca na personagem da filha lésbica valores nem sempre nobres e mostra que esta também é repleta de preconceitos.

aos nossos filhos 2 Crítica: Peça mostra que cura gay não existe

Embate entre mãe e filha é tema de Aos Nossos Filhos no Sesc Santana- Foto: Irene Nóbrega

O cenário de Rodrigo Cohen propõe uma espécie de castelo de areia prestes a desmoronar diante da mais fraca onda. É sobre este frágil piso que a relação de mãe e filha caminha, entre ressentimentos, conflitos, amor e ódio. Se Cohen acertou no cenário, não repete a façanha nos figurinos, sobretudo o de Castro, que é por demais sisudo e não condizente com a personagem.

A direção também poderia ter dado um corte preciso à obra, deixando-a mais enxuta e impactante. A peça teria um final perfeito com a cena na qual as cartas caem do céu, mas insiste em continuar.

A obra tem execução de música ao vivo em determinados momentos – sob responsabilidade dos pianistas Filipe Bernardo e Iuri Salvagnini.  Contudo a entrada do músico, sobretudo no momento derradeiro da obra, soa invasiva. Seria melhor que eles tivessem ficado em posição mais discreta, já que o embate ali é entre mãe e filha. Uma figura masculina presente no palco é forte por demais para não roubar a cena.

Contudo, Aos Nossos Filhos cumpre com uma função primordial do teatro, que é pensar o seu tempo.

Os homossexuais conquistam seus direitos civis, como o casamento, e formam novas famílias. Isso é irrevogável. Nem Feliciano, com sua sanha de transformar orientação sexual em doença vai conseguir mudar.

O grande recado da obra é que homossexualidade não é doença. E não precisa de cura. Muito pelo contrário, precisa de cabeças inteligentes dispostas a dialogar e aceitar aquilo que, num primeiro momento, soa diferente.

O que a peça explicita é que estas novas famílias precisam ser incorporadas sem preconceito à sociedade. Porque, felizmente, os tempos são outros.

Aos Nossos Filhos
Avaliação: Bom
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 18h. Até 30/6/2013
Onde: Sesc Santana (av. Luiz Dumont Villares, 579, Santana, Metrô Jardim São Paulo, tel. 0/xx/11 2971-8700)
Quanto: R$ 6 a R$ 24
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Peça mostra que cura gay não existe

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zozima sinha trupe danilo dantas Crítica: Trupe Sinhá Zózima faz viagem poética para dentro da gente em ônibus pelo centro de SP

Trupe Sinhá Zózima: viagem poética dentro de um coletivo pelo centro de São Paulo - Foto: Danilo Dantas

Por Miguel Arcanjo Prado

Enquanto o fuzuê se faz nas filas dos coletivos do Terminal Parque Dom Pedro 2º, em pleno horário de pico no coração do centro paulistano, eis que, de repente, um grupo diminuto de passageiros é chamado a pegar suas malas antigas de couro e formar uma fila.

dentro malas christiane forcinito1 Crítica: Trupe Sinhá Zózima faz viagem poética para dentro da gente em ônibus pelo centro de SP

Público pega malas antigas de couro antes de embarcar n0 ônibus - Foto: Christiane Forcinito

Juntos, rumam para um ônibus velho que está parado na plataforma em frente. Ele será o veículo que vai transportar a todos a uma viagem poética para dentro de si e de suas mais tocantes lembranças no espetáculo Dentro É Lugar Longe, da Trupe Sinhá Zózima.

Rudnei Borges assina o texto, que foi criado a partir de reminiscências dos próprios atores sobre momentos de sua infância, em lembranças nas quais a vida recém-chegada se mistura com a inevitável aparição da morte. O texto é um dos mais bonitos apresentados neste ano pelo teatro paulistano. É poético, fluído e tocante.

Próximos do público, durante a viagem, ao rememorarem momentos tão tenros de seu passado, os atores levam todos a um mar de lembranças pessoais, sobretudo da infância, algumas já esquecidas pela crueza da vida adulta. Este é o maior mérito desta obra.

O elenco se esforça para ter uma unidade de registro cênico. Alessandra Della Santa, Maria Alencar, Tatiana Lustoza, Junior Docini e Priscila Reis realmente compõem um grupo. Contudo, os dois últimos se destacam. Junior, obviamente, por ser o único homem em cena e ainda tocar a sanfona. Mas também por ter uma leveza no olhar e na fala que traz o espectador sempre para junto dele. Priscila por sua vez também consegue demonstrar maior fluência do texto, que sai mais verdadeiro e menos técnico de sua boca. Mérito do trabalho da atriz.

Anderson Maurício conseguiu fazer uma direção que aproxima o público de cada história, fazendo com que os atores sejam cúmplices dos passageiros-espectadores. Estes são convidados a participar da obra, fornecendo novos elementos para a dramaturgia, sempre viva.

dentro e lugar longe christiane forcinito Crítica: Trupe Sinhá Zózima faz viagem poética para dentro da gente em ônibus pelo centro de SP

Balões coloridos levam poesia à praça Júlio Prestes, na região da cracolândia - Foto: Christiane Forcinito

Durante os 90 minutos da peça, o ônibus faz um percurso pelos principais pontos históricos do centro de São Paulo, em um diálogo verdadeiro com a cidade, no que ela tem de belo e de horror. Em uma das paradas, o público divisa pela janela do coletivo os atores brincando nas escadarias do Teatro Municipal. Em outra, uma das personagens corre eufórica pela praça Coronel Fernando Prestes, no Bom Retiro, ao encontro do pai morto. Há também momentos tensos, como quando o elenco convida o público a olhar pela janela e ver o amontoado de usuários de crack fazendo o uso da droga na região próxima à Estação Júlio Prestes.
 
E é lá que o ônibus chega à sua parada final. Os atores descem e andam de bicicleta pela praça, segurando balões coloridos. A imagem contrasta com alguns viciados que, já conhecedores deste momento da peça, se aproximam do público. E dialogam com a arte. Juntos do público, aplaudem no fim

Dentro É Lugar Longe
Avaliação: Bom
Quando: Quarta, 20h. 90 min. Última apresentação. Até 12/6/2013
Onde: Terminal Parque Dom Pedro 2º, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 96292-0447
Quanto: Grátis (retirar senhas uma hora antes; a capacidade é para apenas 28 passageiros)
Classificação etária: Livre
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Trupe Sinhá Zózima faz viagem poética para dentro da gente em ônibus pelo centro de SP

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esio magalhaes michelle franca Crítica: Esio Magalhães é o palhaço da nossa geração

Com poesia e simplicidade, ator Esio Magalhães faz público rir e refletir - Foto: Michelle França

Por Miguel Arcanjo Prado

Talento genuíno para o humor é coisa rara. Divertir, de verdade, uma plateia, enquanto a faz refletir é dádiva que poucos artistas conseguem levar a contento. Pois Esio Magalhães é um dos grandes da comédia brasileira.

Na pele do palhaço Zabobrim, o ator surge no palco em WWW para Freedom, espetáculo concebido e dirigido por ele. Com dramaturgia assinada com Tiche Vianna, sua companheira no Barracão Teatro, ele conta a história do palhaço enviado a uma guerra em nome da liberdade.

A montagem é um duro cutucão na invasão norte-americana ao Iraque, em 2003, quando George Bush deu a desculpa esfarrapada de que Saddan Hussein – a quem matou – estava produzindo armamentos nucleares de destruição de massa; fato jamais comprovado.

esio magalhaes michelle franca2 Crítica: Esio Magalhães é o palhaço da nossa geração

Palhaço Zabobrim critica com muito humor a invasão ao Iraque pelos EUA - Foto: Michelle França

Mas o tom político da peça não é duro. Nem didático. Ele se mistura às risadas fartas da plateia, em consonância com o carisma de Esio Magalhães. Dono de invejável preparo físico e de uma autêntica percepção do outro, ele hipnotiza a todos e os conduz no caminho de seu personagem, em conflito diante do comportamento durão que o mundo bélico exige e sua real propensão à brincadeira.

O espetáculo encontrou soluções poéticas singelas e fortes, como a cena do bombardeio aéreo feita por frágeis aviões de papel que deslizam suaves pelo céu do palco.

O palhaço de Esio Magalhães brinca todo o tempo com o ridículo do homem, mostrando a real beleza que mora na simplicidade. Esio tem a magia de conseguir despertar a criança em cada um dos espectadores, sem em momento algum infantilizá-los. O que ele traz à tona é uma pureza esquecida e uma gama de valores humanistas que vêm sendo perdidos diante da crueza da vida, da parafernália tecnológica, do individualismo exarcebado, da violência. Esio Magalhães nos mostra o quanto é bonito olhar para o outro e se importar com ele de fato. E o quanto um sorriso que brota em nossos lábios de forma genuína nos faz mais felizes. Sem sombra de dúvida, Esio Magalhães é o palhaço de nossa geração.

PS. A curtíssima temporada de WWW para Freedom em São Paulo no CIT-Ecum é um pecado. O R7 torce para que a peça volte o mais rápido possível ao cartaz. Porque público não lhe faltará.

Leia entrevista exclusiva com Esio Magalhães

WWW para Freedom
Avaliação: Ótimo
Quando: Domingo, 19h (Último dia). Até 9/6/2013
Onde: CIT – Ecum (r. da Consolação, 1623, Metrô Paulista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-5922)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Crítica: Esio Magalhães é o palhaço da nossa geração

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kabarett alvaro barcellos Crítica: Kabarett transporta público para anos 40

Elenco heterogênio de Kabarett demonstra unidade cênica e diverte o público - Foto: Álvaro Barcellos

Por Miguel Arcanjo Prado

Enquanto a praça Roosevelt começa a fervilhar no sábado à noite cheia de possibilidades, um pequeno grupo prefere aguardar o início do espetáculo Kabarett, na sala Miniteatro do Espaço da Cia. da Revista. A peça promete adentrar madrugada e há certa disposição na plateia para se divertir. Afinal, é sábado à noite. Enquanto esperam, muitos já se munem de drinques, para deixar a sessão mais leve.

Logo o sinal avisa que a peça vai começar, e todos se enfileiram para subir a escada no fundo do bar, que leva à diminuta sala, onde a plateia é recebida de forma efusiva pela trupe de artistas, já devidamente vestida e maquiada como uma trupe de cabaré dos anos 1940.

Kleber Montanheiro é o grande nome. Assina texto, direção, pesquisa, figurino, cenário e iluminação, além de protagonizar a peça na pele do travesti Georgette. Tudo gira no entorno dele. É ele quem comanda, completamente à vontade, a festa naquele cabaré enquanto as bombas da Segunda Guerra Mundial explodem lá fora, lugar onde a tristeza deve ficar.

O elenco é eclético e demonstra unidade. É formado, além de Montanheiro, por Adriano Merlini, Bruna Longo, Daniela Flor, Deborah Penafiel, Gabriela Segato, Heloisa Maria, Luiza Torres, Natália Quadros, Paulo Vasconcelos, Pedro Bacellar e Pedro Henrique Carneiro. Fazem personagens diversos, como a pianista gorda – e que faz de seu piano, tocado ao vivo, um charme à parte –, o marinheiro sexy ou a corista azeda, sempre reclamando de tudo.

O pequeno tamanho do espaço ajuda deixar próximo público, acomodado em mesinhas onde beberica vinho ou até caipirinha, e artistas, que apresentam seu show de variedades. Cada qual com seu grande número – alguns não tão grandes assim...

A montagem evidencia farta pesquisa sobre o gênero cabaré, queridinho por artistas de variadas gerações. Eles têm ritmo em boa parte da obra e é claro o objetivo da trupe em não deixar a peteca cair.

kleber montanheiro Crítica: Kabarett transporta público para anos 40

Espirituoso e carismático, Kleber Montanheiro é o destaque de Kabarett, da Cia da Revista - Foto: Álvaro Barcellos

Se o mundo externo afunda no ódio nazista – ou no ódio homofóbico do Brasil de hoje –, dentro do cabaré impera clima de autonomia do pensamento, liberdade para fazer críticas mordazes, além de muita diversão, porque ninguém é de ferro.

Grande parte do espetáculo é calcada na presença e no talento de Kléber Montanheiro. Com grande poder de improviso, ele faz um potente mestre de cerimônias. O público embarca em qualquer coisa que ele propor.

Certo ar de decadência e iminente derrota também paira no ar, fazendo com que, concomitantemente ao clima de euforia, paire também o medo e a expectativa do pior.

A montagem dosa essa dicotomia com destreza em grande parte da obra. Contudo, na parte final, estende-se por demais na melancolia, deixando o público um pouco enfadonho. Faltou à direção perspicácia para fazer um corte preciso neste momento derradeiro, deixando a peça com ritmo até o fim.

Contudo, tal falha não é capaz de tirar o brilho do espetáculo, que tem artistas entregues na missão de divertir o público por mais uma noite, enquanto o mundo lá fora está cada vez mais perdido. Nem que seja pela última vez.

Kabarett
Avaliação: Bom
Quando: Sábado, às 23h. 120 min. Em cartaz por tempo indeterminado.
Onde: Sala Miniteatro do Espaço Cia. da Revista (praça Roosevelt, 108, Consolação, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3255-0829)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Kabarett transporta público para anos 40

 

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danton bobsousa2 Crítica: Danton.5 é inocência diante da revolução

Daniel Aureliano (à esq.) contracena com Vitor Placca em Danton.5: o primeiro tem um quê de Gianfrancesco Guarnieri a ser lapidado; o segundo é dono de uma bela voz grave - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Bob Sousa

O projeto Primeiro Sinal sempre leva à sala Beta, localizada no terceiro andar do Sesc Consolação, em São Paulo, novos grupos teatrais em busca do primeiro grande espaço para apresentar seu trabalho.

Nada mais apropriado que a iniciativa abrigasse a primeira montagem do Núcleo dos 5, grupo de cinco atores saídos da Escola de Arte Dramática da USP, a EAD.

A trupe escolheu montar a peça Danton.5, baseada na obra do alemão Georg Büchner, com os últimos dias de vida de Georges Jacques Danton, líder da Revolução Francesa. Com o nome da obra evidencia, o personagem é divido pelos cinco atores.

Enquanto espera o começo da peça na sala de leitura, a plateia é surpreendida com a aparição de Liberdade, personagem interpretada pela atriz Mariana Rattes vestida de anjinho. Aguerrida, cumprimenta a todos, e insiste até conseguir recíproca calorosa, ao bradar gritos de Viva a Liberdade!. A aparição parece saída do túnel do tempo, vinda direto dos lendários CPCs, os Centros Populares de Cultura da UNE (União Nacional dos Estudantes) na década de 1960.

danton bobsousa3 Crítica: Danton.5 é inocência diante da revolução

Ator Ricardo Henrique (em primeiro plano) acaba por ser um dos destaques de Danton.5 - Foto: Bob Sousa

Aliás, o espetáculo tem muito do teatro jovem feito cinquenta anos atrás. Não se sabe se a homenagem é proposital ou um mero acaso. Os artistas em cena demonstram ter a mesma inocência, sem, contudo, soarem tão aguerridos quantos os jovens “subversivos” de outrora.

Os atores do Núcleo dos 5 são mais conscientes de sua incapacidade de mudar o mundo. E isso é explicitado nos monólogos que cada um faz, em uma espécie de desabafo, muitas vezes cortado abruptamente pela quebra de luz.

Inocentes também são as singelas soluções cênicas encontradas. Em alguns momentos, a montagem até lembra teatro escolar. Cristiane Paoli-Quito e José Fernando Azevedo, que fizeram a supervisão da montagem, poderiam ter tido mãos mais firmes, sobretudo para buscar unidade na atuação.

Porque ainda há momentos muito crus. Quem mais se destacam são Ricardo Henrique e Vitor Placca, que é dono de uma bela voz grave que deve ser melhor explorada por ele. Mariana Rattes está entregue, mas falta-lhe densidade que o texto pede. Daniel Aureliano vai em outra extremidade, dá intensidade demais, caindo muitas vezes no histrionismo. Mas o ator tem um quê de Gianfrancesco Guarnieri a ser lapidado que o salva. O mesmo não se pode dizer de Amarildo Félix, que fica para trás, com um registro de atuação monocórdico e sem viço.

De todo modo, a trupe acerta em sua tentativa de trazer as questões filosóficas da Revolução Francesa para os dias atuais, mas podia ter aprofundado ainda mais em descobrir quais são as guilhotinas de nosso tempo. Contudo, os integrantes do Núcleo dos 5 ainda têm tempo para aprender.

danton bobsousa1 Crítica: Danton.5 é inocência diante da revolução

Aguerridos e inocentes: Núcleo dos 5 encerra temporada de Danton.5 no Sesc Consolação - Foto: Bob Sousa

Danton.5
Avaliação: Regular
Quando: Terça (4), às 20h (Último dia). 80 min. Até 4/6/2013
Onde: Sesc Consolação – Sala Beta, 3º Andar (r. Dr. Vila Nova, 245, Consolação, Metrô Santa Cecília, São Paulo, tel. 0/xx/11 3234-3000).
Quanto: R$ 10
Classificação etária: 14 anos
Avalicacao Regular R7 Teatro PQ Crítica: Danton.5 é inocência diante da revolução

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horses hotel emi hoshi Crítica: Horses Hotel é anos 70 de butique

Espetáculo Horses Hotel tem triângulo amoroso nos anos 1970 - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado

Que os anos 1970 foram uma grande década, isso é mais do que certo. Época da contracultura, dos hippies, dos jovens do mundo buscando um ideal de paz em vez de guerra, praticantes do amor livre, antes que a Aids viesse devastar tudo, junto com a fúria careta-direitista dos governos de Ronald Reagan, nos EUA, e Margareth Tatcher, na Inglaterra.

A década já foi alvo de muitas obras, que sempre tentam ir ao encontro de sua atmosfera artística "pura" e efervescente. A montagem Horses Hotel, que encerra temporada neste domingo (2), no Rio, é mais uma tentativa de recuperar o período. Ou fazer um olhar (romântico) sobre ele.

Contudo, se os anos 1970 foram marcados pela originalidade, a obra é massacrada pela obviedade e falta de criatividade. O que surge aos olhos do público é um anos 1970 novaiorquino de butique. Parece mais um devaneio supostamente libertário de jovens bem nascidos da zona sul carioca, do que homenagem artística de fato.

É claro que há garra e boa vontade no trio de atorese formado por Ana Kutner, Renato Linhares e Emanuel Aragão, que contam ainda com a companhia do músico Roberto Souza. Mas não basta.

A dramaturgia de Alex Cassal é inconsistente, e a direção, assinada por ele e Clara Kutner, está perdida. Há vazios e quebras de ritmo constantes.

Como se não bastasse, o elenco cisma em cantar e tocar (mal) em cena. Assusta saber que houve direção musical, assinada por Amora Pêra e Paula Leal.

Repleta de clichês dos anos 1970, a montagem não chega a convencer. Ou comover. Não assusta nem quando o elenco fica desnudo.

O enredo mostra jovens artistas marginais habitando o decadente Horses Hotel, em Manhattan. Vivem o amor livre e os ditames da liberdade, no que a produção chama de "love story punk rock".

Há muitas referências, que vão desde o clássico filme Blow-up, de Antonioni, à pop art profética de Andy Warhol.

Mas, na verdade, se você quiser entrar mesmo no clima dos anos 1970 em Nova York, é melhor ler o livro City Boy, de Edmund White. Será bem mais aprazível.

Horses Hotel
Avaliação: Fraco
Quando: Domingo, às 20h. Até 2/6/2013
Onde: Oi Futuro (r. Dois de Dezembro, 63, Flamengo, Rio, tel 0/xx/21 3131-3060)
Quanto: R$ 20
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Fraco R7 Teatro PQ Crítica: Horses Hotel é anos 70 de butique

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concilio 2 Crítica: Concílio da Destruição expõe buraco burocrático no qual o teatro brasileiro se enfiou

Cena da peça Concílo da Destruição, em cartaz no Teatro Cacilda Becker, em SP - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Um mundo de editais, projetos e justificativas claras e objetivas. Planos que são traçados com a destreza – e muitas vezes até o linguajar – de um executivo de multinacional. Quem faz teatro no Brasil de hoje sabe que tudo isso está impregnado no modo de fazer artes cênicas no País.

O inferno – e muitas vezes a burrice burocrática – é necessário para sobreviver. E cria-se o absurdo da arte que precisa se justificar racionalmente (e em termos de mercado, é claro) antes mesmo de existir.

O ruim bem justificado é melhor do que o ótimo que não lida tão bem assim com o sistema. O público? Que se dane. Este vosso crítico ouviu outro dia uma atriz dizer sem nenhum pudor: “eu não me preocupo se o público virá”. Como assim? Esta não deveria ser sua principal preocupação?

Mas, com editais garantidos não é mais preciso mesmo se preocupar em trazer plateia. A não ser se existisse alguma ética. Porque boa parte do teatro atual é feita para o edital. O espectador, que deveria ser parte fundamental dessa história, é um mero acaso.

concilio 3 Crítica: Concílio da Destruição expõe buraco burocrático no qual o teatro brasileiro se enfiou

Les Commediens Tropicales abusam da tecnologia em espetáculo provocante e ousado - Divulgação

Pois o espetáculo Concílio da Destruição joga tudo isso no liquidificador e entorna tudo na cara do público, focalizado pela câmera, na mão dos atores. Tirado à sorte, o espectador pode ter seu rosto exibido no telão. Sente o frenesi e o desconforto da exposição que é o ganha pão do artista. A atitude é agressiva. É dura. Mas é também um bisturi incisivo que abre uma costura mal feita. E evidencia o qual difícil é dar a cara a tapa.

Quem deseja ver este teatro inteligente feito pelo grupo Les Commediens Tropicales precisa correr. Porque eles fazem o último fim de semana da montagem, que tem direção coletiva, no Teatro Cacilda Becker, na Lapa, em São Paulo. Mas valerá a pena ir até lá, nem que seja pelo desnorteamento que eles vão provocar em sua cabeça, caro internauta.

O enredo da peça é provocante. Num futuro próximo, todas as obras de artes do mundo terão de ser destruídas. Um edital determina que só cinco delas poderão ser preservadas. E uma nobre comissão é instituída da missão de escolher quais serão estas.

Repleta de recursos audiovisuais muito bem empregados pela trupe, a montagem é um deboche óbvio às comissões, sejam públicas ou privadas, que precisam decidir o que é válido e o que não é no mundo da arte – este crítico que vos escreve sabe bem quão inglória é tal tarefa.

E eles dialogam com as mais distintas manifestações artísticas, como a videoarte, as artes cênicas, a música (improvisada e feita ao vivo), o mundo dos quadrinhos e das artes plásticas.

O espetáculo não parece interessado em exibir boas atuações ou mesmo parecer uma concepção clássica de teatro – apesar de defender sua estética até o fim. Muito pelo contrário, ele se arrisca e provoca ao propor repensar o buraco burocrático onde a arte (e o teatro está aí dentro também) se enfiou. Será que ainda dá para sair?

concilio1 Crítica: Concílio da Destruição expõe buraco burocrático no qual o teatro brasileiro se enfiou

Realidade ou ficção? Comissão decide qual obra de arte deve ser preservada - Divulgação

Concílio da Destruição
Avaliação: Muito bom
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h. Até 2/6/2013
Onde: Teatro Cacilda Becker (r. Tito, 295, Lapa, São Paulo, tel. 0/xx/11 3864-4513)
Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Concílio da Destruição expõe buraco burocrático no qual o teatro brasileiro se enfiou

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trombose bobsousa2 Crítica: Hotel Trombose exibe frieza e decadência

Carolina Splendore, à frente, e sua gargalhada de arrogancia e desespero - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Bob Sousa

Um cheiro de caos, decadência e violência escondida debaixo do tapete invade o ar no espetáculo Hotel Trombose, em cartaz no Tusp até este domingo (27). Quem não viu deveria dar um pulo por lá para conferir o trabalho da Cia. do Mofo.

O grupo é composto de jovens egressos de variadas escolas teatrais da capital paulista, como Escola Livre, Macunaíma, CPT, Anhembi-Morumbi e Escola Dramática da USP, a EAD. De cara, a gente percebe que todos estão com muita garra e vontade de fazer o seu teatro. A trupe encontrou no jovem diretor Fernando Gimenes a mão condutora.

O texto da peça é uma adaptação que o próprio diretor fez para o livro homônimo, escrito pelo também jovem autor Felipe Valério, sobre seres obscuros que habitam um hotel decadente. O dramaturgo foi respeitoso até demais com o autor, deixando alguns momentos da peça bem literários, quando uma sacudida teatral não teria feito mal à montagem.

O elenco surge aos olhos do público fantasmagórico e vigoroso, em uma dança soturna e bizarra, num acerto da coreógrafa Carla Zanini. A penumbra inicial da iluminação é mantida pelo resto da peça, o que acaba prejudicando a apreciação dos deslumbrantes figurinos assinados por Gislaine Nascimento e Fernando Gimenes. Um pouco mais de luz, pelo menos em alguns momentos precisos, teria ajudado.

Faltou ao diretor atrevimento para imprimir mais personalidade e originalidade estética à obra. Em alguns momentos, pelo menos para quem acompanha o teatro paulistano, fica evidente que Hotel Trombose dialoga exageradamente com o teatro feito pelo Club Noir. Teria sido mais interessante ver Gimenes fazer uma ruptura com a outra companhia onde trabalha. Mas ele é jovem, tem talento que será madurado e logo aprende que um diretor precisa buscar sua assinatura.

O elenco é afiado e sempre acompanhado pelo virtuoso piano de Fanny Cabanas, que dá charme extra à montagem, com direção musical de Fabricio Zavanella. Os atores também são corretos quando cantam, mérito também do preparo vocal de Luiz Gustavo Luvizotto. As composições, originais, são assinadas pelo diretor, o autor do livro, o diretor musical e a pianista.

A peça é uma costura de cenas extraídas do livro. Há cenas fortes, como aquela na qual o ator Dawton Abranches, vestido de super-herói, incorpora um asqueroso pedófilo dialogando com uma criança prestes a ser abusada ou quando dois irmãos, crianças, veem a mãe se afogar na banheira enquanto comem cajuzinhos com uma exagerada e quase mórbida inocência infantil. Jonatã Puente e Carla Zanini estão afiados nesta cena, formando um conjunto coeso, absurdo, risível e assustador. Em meio a tantos pequenos monólogos o diálogo da dupla ganha força absurda e este se torna o grande momento da obra.

trombose bobsousa1 Crítica: Hotel Trombose exibe frieza e decadência

Jonatã Puente e Carla Zanini (à esq.) se destacam como dupla infantil que vê morte materna - Foto: Bob Sousa

Ainda há gratas surpresas, como a gargalhada de arrogância e desespero da prostituta que se crê atriz de talento no teatro da vida, interpretada com toda força e entrega possível por Carolina Splendore. A atriz sabe que aquele momento é dela. E não duvida um segundo sequer. O que faz muito bem.

Completam o elenco Rafael Ausuto, como o melancólico porteiro do hotel, Gislaine Nascimento, intérprete de uma fria sequestradora de crianças, Vânia Lima, como a amante de um assassino da máfia japonesa que só quer saber de seu macho, Gabriela Teles, na pele da mãe de uma menina nascida com dois corações, e, por fim, William Simplicio, que provoca riso na plateia como o homem que não quer saber de ser exorcizado.

Hotel Trombose é uma obra correta, com pitadas de sofisticação e com uma temática que, apesar de forte, é próxima de qualquer metrópole mergulhada na frieza e na violência cortante do cotidiano. A Cia. do Mofo mostra, nesta obra, que tem capacidade de ir longe e provocar cada vez mais. Garra, talento e vontade, eles têm. Isso está mais do que provado. Só precisam continuar acreditando mais neles mesmos e seguir em frente. Sem pestanejar.

trombose bobsousa4 Crítica: Hotel Trombose exibe frieza e decadência

Cia. do Mofo posa com diretor Fernando Gimenes e autor Felipe Valério (ao centro), no Tusp - Foto: Bob Sousa

Hotel Trombose
Avaliação: Bom
Quando: Sábado (25), às 21h; e domingo (26), às 20h. Até 26/5/2013
Onde: Tusp (r. Maria Antônia, 294, Consolacao, São Paulo, tel. 0/xx/3123-5233)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Hotel Trombose exibe frieza e decadência
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zucco cau vianna Formandos da EAD mostram vigor com Zucco

Espetáculo Zucco mistura cinema com teatro no palco da EAD, na USP - Foto: Cau Vianna

Por Miguel Arcanjo Prado

Estudar na mais tradicional escola de formação de atores do País tem seu peso. E os formandos da turma 61 da EAD, a Escola de Arte Dramática da USP (Universidade de São Paulo), parecem saber disso. É preciso avançar. Se mostrar. Dar cara a tapa.

E o fazem na montagem Zucco, com direção firme do diretor da escola, José Fernando de Azevedo, que faz apresentações gratuitas até este domingo (26) no teatro da EAD, na Cidade Universitária, em São Paulo, com produção de Bertha Heller.

zucco cau vianna 2 Formandos da EAD mostram vigor com Zucco

Rafael Lozano, em primeiro plano, faz Roberto Zucco - Foto: Cau Vianna

Pós-moderna e repleta de recurso tecnológicos no palco e fora dele, a montagem conta a história do serial killer italiano Roberto Zucco, que se matou em 1988 aos 26 anos após cometer uma série brutal de crimes pela Europa, incluindo aí o assassinato de seu pai e de sua mãe.

A tragédia paira na obra do francês Bernard-Marie Koltès, que ficou impressionado com a força daquela história e a transformou em um bem sucedido texto, escrito pouco antes da morte do autor. O personagem parece saído de uma tragédia shakespiriana diretamente para os frenéticos anos 1980, sutilmente lembrados nos figurinos de Aurea Teixeira.

O espetáculo já foi montado há três anos, com sucesso, pelo grupo Os Satyros, com direção de Rodolfo García Vázquez, também na capital paulista. Na montagem, Robson Catalunha assumiu o papel-título.

Na montagem da EAD quem protagoniza é Rafael Lozano. O ator possui corpo rijo e sedutor, mas, falta-lhe, em muitas cenas, a densidade que o papel pede. Mas o  jovem se sobressai na cena cinematográfica que acontece fora do teatro e é acompanhada pelo público pelo telão que invade a bem resolvida cenografia clean de Danilo Eric, em formato de casa.

Outra que faz desta cena o seu grande momento no espetáculo é Melissa Campagnoli, na pele de uma madame segura e destemida em seu encontro com o serial killer. A mesma atriz exala sensualidade desmedida quando interpreta a prostituta.

A atriz Aurea Barros Teixeira também vai bem como a irmã que se torna garota de programa. Já Giuliana Oliveira fica melhor no papel de prostituta do que quando faz a mãe de Zucco.

Luis Gustavo Luvizzotto e Paulo Balistieri se desdobram em variados personagens. O primeiro se sobressai quando faz o menino que é despido aos olhos de todos, em corajosa entrega. Já o segundo tem seu melhor momento como o cafetão.

Gravidíssima em cena, a atriz Angela Ribeiro emociona como a mãe da menina interpretada com segurança por Juliana Belmonte.

O drama do espetáculo, fragmentado, se desenrola em episódios, cada qual com sua gama de suspense. A tragédia não para e a montagem segue seu rumo com canções arranjadas por Vítor Caffaro e executadas pelo afinado elenco – mérito para o preparo vocal de Monica Montenegro –, acompanhado dos músicos Chico Ribas e Raul Lozano. Denilson Marques assina luz fria, tal qual a história que se desenrola no tablado.

Zucco tenta escrutar a cabeça de um assassino. Mas sabe que é algo sem explicação, tal qual é a violência nua e crua. E a montagem da EAD embarca na história com vigor e entrega de quem chega com garra à profissão de ator. Bem-vindos e boa sorte a todos da turma 61.

zucco cau vianna 3 Formandos da EAD mostram vigor com Zucco

Elenco de Zucco demonstra vigor em montagem dirigida por José Fernando de Azevedo - Foto: Cau Vianna

Zucco
Avaliação: Bom
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. Até 26/5/2013
Onde: Teatro Laboratório da EAD – Sala Alfredo Mesquita (r. da Reitoria, 215, travessa da av. Professor Luciano Gualberto, Cidade Universitária da USP, São Paulo, tel. 0/xx/11 3091-4376)
Quanto: Grátis
Classificação etária: 18 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Formandos da EAD mostram vigor com Zucco

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Todos os direitos reservados Copyright © 2013 Foto Nego Junior RaeldaRima 01 Rael mostra personalidade ao seguir seu coração

Cantor Rael segue politizado, mas um tanto quanto adocicado pelo amor em novo disco - Foto: Nego Júnior

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Nego Júnior

Aos 30 anos, o cantor Rael está maduro e sabe o que quer. Já atingiu a maturidade de fazer suas escolhas na vida e na arte. Aprendeu que é responsável por si mesmo.

Seu segundo álbum, Ainda Bem que Eu Segui as Batidas do Meu Coração, do selo Laboratório Fantasma, de Emicida, é a mais clara prova deste atual momento do músico.

Rael não é mais da Rima, apelido que o deixou conhecido. Mas o é também. E ainda é pop, é reggae, é soul, é samba, é hip hop, é música negra e brasileira que pulsa em seu ritmo. Ele se apropria de sons e os recria à sua forma, trilhando seu rumo “devagarinho” como canta na faixa Caminho. Sabe que é degrau a degrau.

O rapper continua com os pés no chão e uma visão de mundo que remete à sua origem de menino simples do Grajaú, na zona sul paulistana.  O cantor é crítico ferrenho da desigualdade social, da violência contra negros e pobres. Sabe que sua música tem posicionamento político, como evidencia na faixa Diferenças.

Continua o combativo Rael do primeiro álbum, MP3 – Música Popular do 3º Mundo, mas um tanto quanto adocicado pelo amor, como a romântica faixa Só Faltou Você deixa bem claro. A canção é uma das mais belas declarações de amor da música brasileira atual. Rael é do palco, dos fãs, mas também é de sua família. Não se deslumbra com as facilidades fáceis e falsas que um nome conhecido produz.

O show do segundo disco evidencia exatamente esta nova fase. Rael surge alinhado e elegante, de gravata – frouxa, claro, porque ele não é nenhum coxinha –, cheio de charme e com aquela sensualidade que tem o homem feito. Aquele que que sabe o que é. O que quer.

Rael levanta o público. Joga os braços. Samba com gosto. Se movimenta com segurança, envolve, seduz. Segue, sem pestanejar, o rumo da direção que apontam as batidas de seu coração. O que faz muito bem.

Todos os direitos reservados Copyright © 2013 Foto Nego Junior RaeldaRima 02 Rael mostra personalidade ao seguir seu coração

Parceiro de Criolo e Emicida, Rael é um dos mais talentosos nomes da música brasielira atual - Foto: Nego Júnior

Rael - Show do disco Ainda Bem que Eu Segui as Batidas do Meu Coração
Avaliação: Ótimo
Quando:
Domingo (26), às 18h. Única apresentação.
Onde: Sesc Ipiranga (r. Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3340-2000)
Quanto: R$ 18 (inteira)
Classificação etária: 10 anos
Baixe o disco Ainda Bem que Eu Segui as Batidas do Meu Coração, de Rael
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Rael mostra personalidade ao seguir seu coração

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