Posts com a tag "crítica"

Adormecidos José Alessandro Sampaio Foto de Rodrigo Dionisio Frame1 Crítica: Satyros se dá bem com drama Adormecidos

José Sampaio, em Adormecidos: ator conquista respeito como idoso apaixonado - Foto: Rodrigo Dionisio

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A gente acaba sempre querendo muita coisa. O te amo pra sempre junto do te amo demais é uma das nossas obsessões. Às vezes, é possível. Às vezes, não. Na cidade fria erguida no concreto, essas dores podem ser mais intensas.

A Cia. Os Satyros, acostumada a desvendar tabus no palco, resolveu mergulhar na simplicidade do relacionamento a dois na peça Adormecidos.

Referência do teatro underground brasileiro, o diretor Rodolfo García Vázquez imprime seu olhar ao drama burguês contemporâneo.

O texto é do minimalista Jon Fosse, dramaturgo norueguês de 54 anos que vem conquistando espaço na cena mundial com suas peças.

Apresenta um jovem filho que conta a história de amor de seus pais e a de desamor de um outro casal que também morou naquele lugar. O primeiro casal está em constante sintonia fina por toda a vida; o outro se afoga na falta de comunicabilidade.

O amor intenso, a aventura barata, a traição, o cuidar do outro e o passar dos anos — sempre implacável — é acentuado na montagem, na qual inventivamente a direção brinca com espelhos —um acertado cenário criado por Luiza Gottschalk. Isso cria e desconstrói atmosferas e, mais, joga o público para dentro daqueles conflitos, que são de todos nós.

Adormecidos é simples, mas não superficial, sobretudo porque dialoga com expectativas que trazemos conosco.

adormecidos andrestefano Crítica: Satyros se dá bem com drama Adormecidos

Elenco se destaca em Adormecidos, do Satyros: em primeiro plano, o casal formado por Tiago Leal e Katia Calsavara, ao fundo e ao centro, o casal formado pelos atores José Sampaio e Luiza Gottschalk - Foto: André Stéfano

O elenco está afinado. Joga junto. Henrique Mello, na pele do filho e ao mesmo tempo executor da trilha, em cena, dialoga com aquele entorno onde a perda está sempre à espreita. Vai, acertadamente, no mínimo.

Atores experientes, Katia Calsavara e Tiago Leal concretizam o desencontro constante do casal que interpretam. Há um certo enfado no ar, de ambos, com aquela situação de amor forçado. Exigido. Os atores passam todos estes sentimentos com propriedade.

Com uma atuação repleta de força, Calsavara é um dos destaques da peça, ao lado do ator José Sampaio, que vive o casal eternamente apaixonado ao lado de Luiza Gottschalk. Sampaio está tão presente e intenso em cada cena que conquista o respeito do público, sobretudo quando seu personagem chega à velhice. Neste momento, o ator se impõe ainda mais, com uma atuação comovente.

O ar alternativo dos Satyros se fez presente na sessão vista pelo R7. A lanterna empunhada por Katia Calsavara não acendeu em uma cena em que era fundamental que isso ocorresse. Os Satyros precisa se dar conta que, em certos aspectos, não é preciso levar o espírito underground às últimas consequências. Ou não, que fique assim mesmo. Talvez seja já charme e parte do folclore.

Entretanto, antes que esta crítica termine, é preciso ressaltar a delicadeza com que Daise Neves compôs os figurinos da obra. Eles dialogam intensamente com a encenação. São belos e frágeis como o amor e a vida.

Leia a coluna Dois ou Um com o ator José Sampaio!

Adormecidos
Avaliação: Muito bom
Quando: Sábado (26/7/2014), 19h, última apresentação
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Satyros se dá bem com drama Adormecidos

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

gilberto gil palco bob sousa Gil cria realidade paralela ao reencontrar João

Gilberto Gil toca sambas consagrados por João Gilberto no Theatro NET São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto BOB SOUSA

A lágrima clara sobre a pele escura de Gilberto Gil, no meio do show, faz lembrar muita coisa. Comove. Mexe com a gente.

Ele inaugurou o Theatro NET São Paulo neste fim de semana com o show de seu novo disco, Gilbertos Samba.

O álbum é uma volta ao começo, homenagem explícita a João Gilberto e seu violão.

Gil surge em palco enxuto, acompanhado de seu filho Bem Gil, de Domenico Lancelotti e Maestrinho, em sintonia fina.

Tudo começa com Aos Pés da Cruz, seguida de Você e Eu. A serenidade da bossa nova invade tudo e tira o ritmo frenético da metrópole. A gente embarca na doce viagem de Gil.

Ele diz que estar em São Paulo é uma satisfação e conta que o disco nasceu “das coisas naturais e fantasias da cabeça do artista”.

Foi em pleno deserto australiano que ele pegou o violão e as músicas de João foram surgindo, naturalmente, começando pela Aos Pés da Cruz. “Aí veio Doralice, O Pato... E me dei conta que era o disco de sambas do João Gilberto que estava vindo”. Gilbertos Samba, uma mistura dos dois.

Gil revela que fez nova música para o Rio, trilha do filme Rio, Eu te Amo. A cidade já ganhou a emblemática Aquele Abraço, quando ele partiu para o exílio em Londres mais de 40 anos atrás, deixando amargura no sorriso de quem ficou.

Explica o novo refrão, uma brincadeira com as palavras “choro e rio”. O público aprende rápido, e Gil comemora: “O Brasil tem essas coisas incríveis: São Paulo cantando para o Rio”.

Gil grita “Ajayô”. A banda responde, prontamente, “ê”. Os Filhos de Gandhy se fazem presentes num átimo de segundo antes de Doralice. “Cantar na atmosfera do João é tudo de bom”, pondera o cantor.

Diz que João abriu portas. “O João facilitou a vida da gente, prestou esse serviço a todos nós, cantar com nossas vozes, do nosso jeito”.

Conta que decidiu deixar um pouco o acordeom de lado e se aventurar no violão quando ouviu Chega de Saudade tocada e cantada por João na emblemática gravação de 1958. E lembra que não foi só ele: “Eu, Milton, Chico, Caetano, Edu... Todos nós fomos tocar violão por causa do João. Até rima [risos]”.

Gil se atreveu a colocar letra em Um Abraço no Bonfá, de João, durante uma viagem à Tunísia. Depois, para que houvesse reflexo no espelho musical criado por ele, compôs também, em Itajubá, Minas Gerais, Um Abraço no João, sem palavras.

Canta Ladeira da Preguiça e explica o porquê: “É uma forma de lembrar dela, a Pimentinha, que gravou essa canção”, referindo-se à amiga Elis Regina que o lançou para todo o Brasil. Curiosamente, é a voz dela que recebe o público antes de o show começar.

As coisas caminham para o fim, quando Gil anuncia: “Este samba vai para Dorival Caymmi, João Gilberto e Caetano Veloso”. A plateia delira e sucumbe à música. E ele vai mandando Aquele Abraço. O aplauso é forte. Gil sai do palco e fica difícil viver sem a realidade paralela criada por ele. E João.

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

sóentrenós2 Crítica: Com texto de Franz Keppler, Só... Entre Nós é ousada no tema, mas conservadora na forma

Peça Só... Entre Nós aborda o tema da traição e do amor em polêmico triângulo - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Um triângulo amoroso é algo tido como ousado. Mas, todo mundo já viu um. Seja na vida fantasiosa dos palcos ou na vida real, na qual também pipoca em abundância.

Se é tema controverso, torna-se ainda mais, pelo menos pelos padrões morais conservadores da atual sociedade brasileira, quando há uma mulher e dois homens.

Aí mora a ousadia da peça Só... Entre Nós, de Franz Keppler, um dos dramaturgos da nova cena paulistana; escreveu também as recentes Córtex e Divórcio.

Só por subverter o triângulo da ótica machista costumeira o espetáculo já ganha pontos. Ainda mais por usar como referência explícita textos de Caio Fernando Abreu, nosso gaúcho que poetizou o sofrimento solitário na metrópole paulistana. Os prédios ao fundo, sempre espreitam tudo, mas não oferecem ajuda.

Se é ousada no tema, a montagem é conservadora na forma.

Pelo jeito, em vez de jogar gás na polêmica, o diretor da obra, Joca Andreazza, prefere transformá-la em delicadeza e usa um tom quase que reverente para contar a história, excessivamente narrada. Apresenta aqueles três seres humanos com seus amores concomitantes.

Andreazza impõe sua direção, segurando seus atuadores e demonstrando um respeito ao texto que soa excessivo em alguns momentos. Uma pequena dose de ousadia tivesse feito bem à obra e subvertesse um pouco a narrativa desprovida de ação.

O elenco respeita a marcação e faz o que pode. Os movimentos são básicos, quase robóticos. Os atores Marcia Nemer-Jentzsch, Ricardo Henrique e Tiago Martelli são talentosos, mas, se  tivessem ficado mais soltos, talvez conseguissem conversar mais com os sentimentos presentes no texto em sua atuação.

Afinal, um teatro narrativo não precisa ser estático emocionalmente. Pode, e é um alento, ser invadido pelo vigor. Fernanda Montenegro, na peça Viver sem Tempos Mortos, com direção de Felipe Hirsch, deu uma verdadeira lição de como isso é possível.

Só... Entre Nós
Avaliação: Bom
Quando:
Terça, 20h (último dia). Até 15/7/2014
Onde: Espaço Beta do Sesc Consolação (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo, tel. 0/xx/11 3234-3000)
Quanto: R$ 10
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Com texto de Franz Keppler, Só... Entre Nós é ousada no tema, mas conservadora na forma

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

encerramento copa getty Crítica: Encerramento supera abertura da Copa, mas ainda fica devendo

Festa de encerramento da Copa do Brasil 2014: Shakira, com o filho, Alexandre Pires, Carlinhos Brown e Ivete Sangalo no palco do Maracanã - Foto: Getty Images

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A festa de encerramento da Copa do Brasil 2014, neste domingo (13), no Maracanã, foi um pouco melhor do que a fraquíssima abertura no Itaquerão, em São Paulo.

Mesmo assim, passou longe da grandeza das festas populares que o Brasil sabe fazer tão bem e pelas quais é conhecido no mundo inteiro.

Ainda prevaleceu um ar de apresentação de alunos de escola primária, com evoluções fracas e buracos gigantescos no gramado do estádio.

Enxuto, o encerramento foi calcado sobretudo no carisma da colombiana Shakira e da baiana Ivete Sangalo: a primeira, que levou seu bebê para o palco, entoou seu hit extra-oficial da Copa, a segunda, seus velhos sucessos do tipo "tira o pé do chão".

A Acadêmicos da Grande Rio representou o samba, mas sem nenhuma evolução marcante, a não ser as baianas empunhando bandeiras das nações participantes do Mundial. O resto foi o básico que se vê em qualquer destes shows turísticos para gringo ver.

Carlinhos Brown aproveitou bem a exposição ao lado de Shakira e bradou seu "la la la". Alexandre Pires também fez uma apresentação correta, mas nada empolgante.

As coreografias apresentadas foram simples, algo bem longe do excessivo gingado costumeiro do brasileiro.

E, claro, se houvesse o quesito evolução em um possível julgamento da abertura e do encerramento da Copa, certamente haveria eliminação, tamanhos os buracos evidentes. A impressão seria como ver a maioria da escola que ensaiou faltar ao desfile.

Ver a Fifa fazer duas festas com tanta pobreza cênica e falta de criatividade contrasta com o País que sediou a Copa, no qual parte da população já nasce requebrando e até existe um Estado onde ninguém nasce, mas estreia. Mas já foi. Tem gente que não aprende com os erros. Fazer o quê?

Festa de Encerramento da Copa do Mundo do Brasil 2014
Avaliação: Regular
Avalicacao Regular R7 Teatro PQ Crítica: Encerramento supera abertura da Copa, mas ainda fica devendo

encerramento copa getty 2 Crítica: Encerramento supera abertura da Copa, mas ainda fica devendo

Gramado do Maracanã ficou repleto de buracos durante a festa - Foto: Wagner Carmo/STR/Gazeta Press

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

musical cassia eller divulgacao Crítica: Peça sobre Cássia Eller quer ser musical, mas é só um show de covers

Dramaturgia e atuações fracas: musical faz homenagem a Cassia Eller no Rio com covers de seus sucessos - Foto: Divulgação

Por ÁTILA MORENO*
Especial para o Atores & Bastidores

Eu queria ser Cássia Eller.
Como no título da canção de Péricles Cavalcante, Cássia Eller - o Musical, encenado no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB-RJ), tenta pegar a essência da homenageada.

Os diretores João Fonseca e Vinícius Arneiro se arriscam na empreitada de levar para os palcos a vida de uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Tarefa complicadíssima.

Cássia Eller (1962-2001) é uma daquelas figuras de um brado retumbante, que se exige muita parcimônia de qualquer pessoa que se atreve, ao menos, dar um panorama sobre sua intimidade e carreira. Cair entre o “8 ou 80” é uma linha tênue.

Por um lado, a dupla acertou na produção das canções, ao escolher Lan Lan para cuidar dessa parte. A percussionista conviveu, dividiu momentos afetivos e tocou ao lado de Cássia durante anos. Nada mais plausível que o repertório casasse perfeitamente no espetáculo.

Ao lado de uma banda talentosa, os fãs serão transmutados para um lugar mágico, bem intimista. Nessa viagem, estão Malandragem (Cazuza/Frejat), Socorro (Arnaldo Antunes/Alice Ruiz), Por Enquanto (Renato Russo), Gatas Extraordinárias (Caetano Veloso), entre outras canções. O ponto alto fica com as composições de Nando Reis: All Star, O Segundo Sol, Relicário e Luz dos Olhos.

musical cassia eller divulgacao2 Crítica: Peça sobre Cássia Eller quer ser musical, mas é só um show de covers

Cena de Cássia Eller - O Musical: banda é o grande destaque da produção - Foto: Divulgação

Mesmo assim, a peça está longe de ser um espetáculo teatral musical ou mesmo um conjunto sobre os principais fatos da meteórica trajetória da cantora.

O texto de Patrícia Andrade dá só alguns acordes suaves sobre o início da carreira, os amores de Cássia, especialmente a relação com Maria Eugênia, e sua morte repentina. Tudo é jogado de maneira superficial, sem aprofundamento algum.

Cássia Eller não trazia magnitude só na interpretação musical ou na habilidade de transitar facilmente pelo samba, forró, country, blues e reggae. A "pessoa Cássia Eller" era riquíssima na complexidade e nas histórias que colecionava.

A impressão é que a peça quis focar só nas estripulias sexuais, em relações que só ajudavam a montar um roteiro de uma vida clichê, presente em qualquer artista rock and roll que está por aí.

Coube a cantora Tacy de Campos encarnar Cássia Eller. A semelhança vocal é irrefutável, mas não auxilia nenhum pouco a atuação, que deixa a desejar.

Pessoalmente, Cássia delineava uma mulher frágil e introspectiva. Característica que batia de frente com sua maquiagem performática nos palcos: um trovão agressivo e desinibido.

Tacy não dá conta nem de um nem de outro. Não se consegue enxergar nada além de um cover muito bem executado.

Salvo alguns, o elenco vive na corda bamba. Evelyn Castro se destaca entre os demais, pela invejável potência vocal, e é uma das poucas atrizes com uma alta carga dramática. Emerson Espíndola convence na difícil tarefa de interpretar vários e decisivos personagens, infelizmente muito pouco explorados no roteiro.

O cenário preto, simplista demais, ajudou a deixar tudo excessivamente fúnebre e colegial, já não bastasse o tom monocromático em toda peça.

A predileção de Cássia Eller por flores, principalmente margaridas e rosas, que têm um papel fundamental nos momentos amorosos da cantora, passa longe de ter alguma referência em mais de duas horas e meia de peça, sem intervalo.

Por fim, o que se tem, no máximo, é um cover, com alguns elementos teatrais. Não um musical, como a montagem se propõe a ser.

 

Cássia Eller - o Musical
Avaliação: Fraco
Quando: Quarta a sexta, às 19h; sábado, às 19h30, e domingo às 19h. 140 min. Até 20/07/2014
Onde: Teatro CCBB RJ (Rua Primeiro de Março, 66 - Centro), Rio, tel. 0/xx/21
Quanto:  R$ 10,00 inteira/ R$ 5,00 meia
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Fraco R7 Teatro PQ Crítica: Peça sobre Cássia Eller quer ser musical, mas é só um show de covers
*Jornalista mineiro radicado no Rio, Átila Moreno é graduado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC-Minas.Curta nossa página no Facebook!Leia também:Fique por dentro do que rola no mundo teatralDescubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Ou Você Poderia Me Beijar 4 Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Thiago Carreira, Roney Facchini e Claudio Curi em Ou Você Poderia me Beijar - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Há diversos discursos sobrepostos no palco em Ou Você Poderia me Beijar, direção de Zé Henrique de Paula, com seu Núcleo Experimental. O texto é de Neil Bartlett e da Handspring Puppet Company, que o montou com bonecos em Londres e até então inédito no Brasil.

A peça conta a história de um casal gay na África do Sul, já na terceira idade, que têm de lidar com o desagradável: com a doença terminal de um deles, eles precisam procurar uma advogada para levá-los a um cartório, com o intuito de oficializar a relação e preservar os direitos de herança do companheiro que fica.

nucleo experimental Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Cena de Ou Você Poderia me Beijar, em cartaz na Barra Funda, São Paulo, até dia 27 - Foto: Ronaldo Gutierrez

Zé Henrique, diretor sensível que é, consegue revelar a história dos dois aos poucos, sobrepondo os tempos, desde o encontro intenso e jovem do casal em uma praia nos anos 1970, até a iminência do fim desta relação seis décadas depois. A atriz Clara Carvalho, no papel das mulheres que rodeiam essa trajetória, é uma espécie de condutora neutra deste fio da vida.

O diretor tem o domínio estético de sua montagem, já que também assina a cenografia enxuta e os figurinos que são uma verdadeira aula de moda recente, com assistência de Cy Teixeira.

A encenação sofisticada de Zé, mesmo com a morte por perto e o preconceito sempre à espreita, não assume ar soturno, tampouco melodramático. Vira uma tragicomédia, já que ele extrai de seu elenco, formado por Marco Antônio Pâmio, Rodrigo Caetano, Claudio Curi, Roney Facchini, Thiago Carreira, Felipe Ramos, nos papeis do casal em três distintas etapas da vida, frases espirituosas e imagens surreais e também divertidas, como a cena do mar ou a pista de dança setentista.

Roney Facchini é o grande ator desta peça, com atuação sob medida para a estética da obra. Está ali, sem truques, crível. No elenco jovem, Carreira também se sobressai com uma verdade doce em sua atuação.

Ou Você Poderia Me Beijar 2 Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Em primeiro plano, o ator Felipe Ramos em cena: o começo de uma história de amor - Foto: Ronaldo Gutierrez

Fernanda Maia embala a história com trilha que dialoga com todos os sentimentos que surgem, o mesmo faz a luz de Fran Barros, sempre personagem das peças do Núcleo Experimental.

Aos mais modernos, a montagem poderia soar um retrato museológico, já que vivemos em uma cidade em que gays já podem se casar no cartório tal qual um casal heterossexual. Mas é preciso também lembrar que, se por um lado as coisas soam avançadas, por outro, ainda são medievais. Há, nesta mesma metrópole, notícias recorrentes de casais gays espancados nas ruas simplesmente por existir, sem que o poder público tome medidas eficientes para acabar com tal absurdo.

E é por isso que Ou Você Poderia me Beijar é tão pertinente e fundamental. Ela mostra que um casal gay é apenas um casal. Tornando-o humano, simplesmente.

Ah, um detalhe precisa ser mencionado: a peça ainda tem nesta sua realização um viés de solidariedade: a temporada atual é resultado de financiamento coletivo pela internet. Prova de que ainda tem gente que acredita no teatro. E no amor. E que resiste. Ainda bem.

Ou Você Poderia me Beijar
Avaliação: Muito bom
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. 80 min. Até 27/7/2014
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (rua Barra Funda, 637, metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

dione leal andre stefano Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Dione Leal em cena em Os Que Vêm com a Maré: atriz é destaque no elenco - Foto: André Stefano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É tudo sombrio quando a partida, sempre uma espécie de morte, ronda. Há um desacreditar que pode impulsionar a crença no que antes poderia ser o mais absurdo. Como suprir a falta? É preciso esquecer o ser amado ou reinventá-lo? O abandono é sempre cruel.

Tudo isso ronda a cabeça de quem vê a montagem de Maria Alice Vergueiro para o texto Os Que Vêm com a Maré, de Sérgio Roveri. A peça faz parte do projeto 3xRoveri, que montou o mesmo texto no Espaço dos Satyros 1, com três diferentes diretores, cada qual revolucionando o drama com sua encenação. Além de Vergueiro, do Grupo Pândega, teve ainda Rodolfo García Vázquez, do Satyros, e Fernando Neves, de Os Fofos Encenam.

No enredo, um casal (Dione Leal e Ricardo Pettine) vive às voltas com a imagem de um filho perdido (Robson Catalunha), não se sabe se para a vida ou para a morte.

O sopro de luz é a vizinha do lado (uma pulsante Suzana Muniz), que surge para relembrar os velhos tempos de pulsão de vida, mesmo hoje não sendo a mesma de outrora.

Vergueiro afirma no programa se inspirar em Jodorowsky ao criar uma estética baseada no “pânico-grotesco”. Assim, há gritos e força no desolamento.

O R7 assistiu à última apresentação da temporada, repleta de emoção, já que na plateia estavam o autor e a diretora, que via a tudo atentamente.

A atriz Dione Leal, na pele da mãe, é o grande destaque do elenco, revelando-se em uma atuação cheia de impacto, espécie de catalisadora emocional da obra. E a atriz condensa tanta força que se torna o centro pulsante do casal amargurado à espera do filho que um dia vai voltar.

Robson Catalunha também chama a atenção ao imprimir uma estética que remete aos protagonistas dos filmes de Tim Burton ao filho, assustado, acuado, vivo e morto ao mesmo tempo.

Se a escuridão ronda a tudo, Vergueiro traz instantes de flashes de vida para a cena. Porque, talvez, o momento em que a vida se torne mais potente seja realmente quando se defronta com a morte.

robson catalunha suzana muniz andre stefano Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Robson Catalunha e Suzana Muniz: ele imprime "ar Tim Burton"; ela, vida que já pulsou - Foto: André Stefano

Os Que Vêm com a Maré, direção de Maria Alice Vergueiro
Avaliação: Bom
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Vergueiro dá flashes de vida diante da morte presente em Os Que Vêm com a Maré

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos bastidores

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer está num só lugar: veja!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

sidney santiago foto roniel felipe Crítica: Cartas a Madame Satã é delicadeza artística

Sidney Santiago em Cartas a Madame Satã: última sessão neste domingo (15) - Foto: Roniel Felipe

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Debaixo de chuva e à noite, um jovem grita da rua por seu amor no alto de um edifício. O desespero do jovem apaixonado é comovedor. A plateia acompanha seu apelo compungida, em silêncio.

Alguns vizinhos do teatro se interessam por aquele jovem. Saem na janela, ao alto, e acompanham o desenrolar daquele pedido apaixonado.

Contudo, o amor não surge, não vem. A plateia é, então, convidada a entrar no teatro, onde encontra no palco o quarto daquele rapaz, que permanece ainda lá fora, sem pestanejar em sua convicção de ser ouvido em algum momento. E amado.

Cartas a Madame Satã ou me Desespero sem Notícias Suas é a terceira peça da trilogia Dos Desmanches aos Sonhos, da Cia. Os Crespos, formada por atores saídos da EAD (Escola de Arte Dramática) da USP (Universidade de São Paulo).

Em pauta, no palco, a afetividade, a negritude e o gênero. Tudo misturado em potência poética. Aquele jovem lá fora e que agora chega ao palco é negro. E homossexual.

Em um instigante e potente cenário, mérito de cuidadosa e propositiva direção de arte de Antonio Vanfill, há aparelhos televisores que multiplicam tudo, a fala e as emoções. Pós-moderno o ator se grava e se exibe, dando potência a seu discurso neste mundo que exige a representação tecnológica para que algo seja concreto, por mais absurdo que isso possa parecer.

sidney santiago pablo rodrigues 6 Crítica: Cartas a Madame Satã é delicadeza artística

Sidney Santiago Kuanza no palco - Foto: Roniel Felipe

O jovem é vivido pelo ator Sidney Santiago Kuanza. O personagem  descortina seus sonhos, seus traumas, seus medos, seus desejos e até seus desaforos.

O ator é carismático, talentoso. Navega em desafiantes nuances sem perder o vigor, tampouco a credibilidade. Consegue ganhar o público para si logo nos primeiros momentos da obra, monólogo que ele tira de letra.

Seu personagem se corresponde com Madame Satã, o lendário boêmio da Lapa, no Rio, no século passado. Uma espécie de ídolo em sua vida libertária e contestatória do que tudo está dito e tido como correto e caminho a ser seguido. Ao tomá-lo como ídolo, o personagem faz sua revolução. Nem que seja por cartas apenas.

Lucélia Sergio faz direção sensível, embalando o personagem e construindo imagens de força estética, com a ajuda de adereços empunhados pelo ator, que vão propondo o andamento da obra.

Algumas situações, como quando Santiago repete a figura mestre de cerimônia, exigindo boa noite sonoro da plateia, perdem força quando reiteradas. Há situações cuja força maior reside em serem únicas.

Mas isso não chega a prejudicar o todo da obra. O público parece convicto em acompanha junto do ator as fragmentadas histórias daquele personagem múltiplo, na dramaturgia assinada por José Fernando Azevedo. Na diversidade ele revela realidades possíveis e o público se identifica em algum momento.

A peça brinca desavergonhada com tabus, dando naturalidade aos mesmos a partir da exposição artística sem uso do pudor ou do exagero. E age politicamente expondo a negação do outro, transformado apenas em simples objeto sexual de obrigação viril, como repetidas vezes é o caso do homem negro em nossa sociedade.

Cartas a Madame Satã faz isso com delicadeza artística que não agride, nem espanta, muito pelo contrário, conscientiza, trazendo uma nova percepção possível e transformadora.

Cartas a Madame Satã ou me Desespero sem Notícias Suas
Avaliação: Muito bom
Quando: Domingo, 18h. Única apresentação em 15/6/2014
Onde: Galeria Olido (av. São João, 473, centro, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3331-8399)
Quanto: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Cartas a Madame Satã é delicadeza artística

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

rita lee Crítica: Musical Rita Lee Mora ao Lado não entende potência roqueira da homenageada

Mel Lisboa é Rita Lee: ainda falta muito para chegar à original - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Rock não é inocente. Nem infantil. Muito pelo contrário. Pelo menos o bom e velho rock’n’roll é ânsia de vida adulta, de rebeldia, de transgressão, de contestação. De eterna juventude.

Rita Lee, o grande nome feminino do rock brasileiro que leva a alcunha de rainha do estilo, é tudo isso e mais um pouco, com uma boa pitada de ironia fina, sempre coerente com o que foi e o que é.

O musical Rita Lee Mora ao Lado, em cartaz em São Paulo, coloca-se na missão de celebrá-la. Contudo, parece desconhecer a essência da homenageada. Peca por ser inocente na abordagem, na direção e na interpretação de uma das vidas mais interessantes de nossa música.

rita lee 21 Crítica: Musical Rita Lee Mora ao Lado não entende potência roqueira da homenageada

Na foto, até que ficou parecida: Mel Lisboa vive a roqueira Rita Lee - Foto: Divulgação

Classificado para maiores de 14 anos, o espetáculo parece destinado a crianças de quatro. O didatismo e a atuação próxima à do teatro infantil menospreza a capacidade de entendimento do espectador.

A encenação tem momentos constrangedores de preconceito – como quando exagera seus atores em “sapatões” e “veados” caricatos para falar das amizades da cantora em seu período na prisão.

A obra reduz a rebeldia contundente da música e da vida de Rita Lee e seus amigos, em tempos cruéis de ditadura, a níveis de comédia pastelão que não funciona. Como na cena em que Gilberto Gil explica ao delegado por que fuma maconha. A cara de idiota forçosa e a ausência de discurso são tudo que Gil nunca foi.

Há mais caricatura, como a Elis Regina de braços sempre rodopiantes, mesmo que a música não seja Arrastão. Ou um Tim Maia forçosamente misturando versos de suas canções ao texto.

E o que dizer do espalhafatoso Caetano Veloso que junta Tropicália e É Proibido Proibir em um mesmo pacote urgente e sem potência? Por fim, Ney Matogrosso surge histriônico em vez de exuberante, como o é no original. Faltou direção para conter o ator Fabiano Augusto, até porque é um dos que cantam melhor. Se apostasse mais na sutileza, teria feito algo mais crível.

Talvez a única caricatura que funcione seja a de Hebe Camargo. Apesar de a atriz Débora Reis imitar a apresentadora na velhice e não a de quase cinquenta anos atrás, período retratado no palco, o público se diverte. Pelo menos por conta da falta que sente da Hebe original, agarrando-se emocionalmente ao embuste.

Em suas duas horas e meia sem intervalo, o musical, em vez de se concentrar na trajetória de vida da homenageada, perde tempo. Como em insistir na história fictícia da vizinha invejosa da cantora, que acompanha seus passos sempre desejando seu fracasso – é uma energia para lá de negativa que conduz a peça. A atriz Carol Portes tenta jogar humor na personagem, mas é tudo tão exagerado e o texto é tão complicado, que ela fica muitas vezes exposta ao ridículo.

Parece que a obra não acredita na potência da vida e da obra Rita Lee Jones. Tanto que abre mão de executar canções fundamentais de sua trajetória para enfiar músicas de seus contemporâneos. Só no bis é que surgem aquelas canções que queríamos ouvir com calma, mas de forma apressada, porque já ninguém aguenta mais.

mel lisboa de rita lee Crítica: Musical Rita Lee Mora ao Lado não entende potência roqueira da homenageada

Mel Lisboa, caracterizada como Rita Lee: faltou ao musical focar mais na vida e na obra da artista - Foto: Divulgação

O musical ainda peca em questões técnicas básicas. Repletas da obviedade de movimentos, as coreografias têm ar de preguiça criativa. O figurino, quando teria um dos melhores momentos da moda mundial para retratar, sobretudo vestindo artistas que costumavam abusar da originalidade nas vestimentas, fazendo delas formas de protesto, prefere opções reducionistas e de gosto duvidoso.

A luz, assinada por Debora Dubois e Robson Bessa, pouco mostra a que veio. Um dos poucos momentos em que dialoga de fato com o que se passa no palco é quando Rita dá ao marido a notícia de gravidez, ou quando a cantora praticamente é morta no palco, já nos momentos finais da obra. Há um extenso momento-obituário, no qual a peça resolve matar uma legião de gente, inclusive quem nem sequer havia aparecido até então na história. Tem até Cássia Eller.

Na incumbência de retratar a vida de uma cantora, boa parte do elenco não canta bem, incluindo aí a protagonista, vivida por Mel Lisboa.

Mel se esforça, dá para ver trabalho. Mas ainda não estava pronta para tão importante missão. Ela até reproduz gestos da cantora, sobretudo uma Rita mais corcunda dos tempos atuais, mas falta-lhe vigor e segurança. E carisma ao executar as canções.

A banda, formada pelos músicos Felipe Cruz, Gregory Paoli, Junior Gaz, Marcio Guimarães e Robson Couto, faz seu trabalho. Em muitos momentos, parecem estar desconexos do que se passa no palco, preferindo concentrar-se em garantir as notas, mesmo que os vocalistas não as atinjam.

Algumas opções da direção são arriscadas e expõem indevidamente o ator no palco. Como a escolha de uma atriz que se assemelha fisicamente, mas não tem sequer metade da potência vocal de Gal Costa para viver a baiana, que é uma das maiores cantoras que o mundo já ouviu.

A dramaturgia, baseada no livro homônimo de Henrique Bartschi e assinada por Debora Dubois, Márcio Macena e Paulo Rogério Lopes não segura um espetáculo. Peca por didatismo e por forçar a graça, quando na verdade produz constrangimento.

A direção, de Márcio Macena e Debora Dubois, é despreparada para o que se propôs fazer. É perceptível a boa vontade e o intuito de fazer uma grande homenagem a Rita. Contudo, tal tributo soa às avessas. Dá vontade de sair correndo do teatro e correr para os braços da Rita Lee verdadeira, ainda original, rebelde, irônica, forte. Tudo que o musical não é.

rita lee 3 Crítica: Musical Rita Lee Mora ao Lado não entende potência roqueira da homenageada

Cena do musical Rita Lee: direção é inocente para o que se propôs a fazer - Foto: Divulgação

Rita Lee Mora ao Lado
Avaliação: Fraco
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 19h. 150 min sem intervalo. Até 27/7/2014
Onde: Teatro das Artes do Shopping Eldorado (av. Rebouças, 3970, CPTM Hebraica Rebouças, São Paulo, tel. 0/xx/11 3034-0075)
Quanto: R$ 60 a R$ 100
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Fraco R7 Teatro PQ Crítica: Musical Rita Lee Mora ao Lado não entende potência roqueira da homenageada

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

abertura copa jefferson bernardes VIPCOMM Crítica: Faltou ziriguidum à abertura da Copa do Brasil, repleta de buracos e com delay

Boca não sincronizou com o som: delay prejudicou quem viu abertura pela TV - Foto: Jefferson Bernardes/VIPCOMM

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O espetáculo de abertura da Copa do Mundo na Arena Corinthians, o Itaquerão, na tarde desta quinta (12), não condiz com a exuberância da cultura e do povo brasileiro. Nem com o que se viu nas últimas edições do evento. Resumindo: foi de uma pobreza só.

Ao contrário das aberturas dos Mundiais recentes, onde se viu o gramado apinhado de artistas minuciosamente coreografados para construírem imagens impactantes e gigantescas, a abertura da Copa do Brasil mostrou gatos pingados em um campo repleto de buracos.

Veja fotos da abertura da Copa 2014!

Tudo era pequeno, pouco, até mesmo na tela em close da TV. Imagina para quem estava no alto da arquibancada. Faltou ousadia, coisa que o brasileiro tem de sobra.

Antes a Fifa houvesse convidado as escolas de samba do Rio e de São Paulo para se juntarem no gramado com seus carros alegóricos e passistas frenéticas. Teria sido bem mais bonito e impactante aos olhos do mundo.

A impressão de quem viu a festa de abertura da Copa do Mundo do Brasil pela TV é que faltava gente não só no centro do espetáculo como também nas arquibancadas, com vazios imensos. Se não tinha mais ingressos à venda, como a Fifa explica tantos buracos?

A direção do evento também pecou, e feio, no quesito do som. As imagens apresentadas para todo o mundo tinham um vergonhoso delay em relação ao que ocorria no palco do Itaquerão.

Assim, as bocas de Claudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull não coincidiam com o som que se ouvia. Um erro primário e imperdoável em um evento desta magnitude, que expôs os artistas ao ridículo.

Para terminar, faltou ziriguidum à coreógrafa belga Daphné Cornez, responsável pelo que se viu na arena transformada em um grande palco.

E a pergunta que não quer calar: por que a Fifa convocou uma belga para coreografar abertura do País que mais tem ritmo no mundo? Porque uma europeia se temos coreógrafos reconhecidos mundialmente como a carioca Deborah Colker ou o mineiro Rodrigo Perderneiras, do Grupo Corpo?

Realmente, é incompreensível. E imperdoável.

Espetáculo de abertura da Copa do Mundo 2014
Avaliação: Fraco
Avaliacao Fraco R7 Teatro PQ Crítica: Faltou ziriguidum à abertura da Copa do Brasil, repleta de buracos e com delay

abertura copa afp Crítica: Faltou ziriguidum à abertura da Copa do Brasil, repleta de buracos e com delay

Olha o buraco! Vazios no gramado e na arquibancada fizeram desta uma abertura pobre - Foto: AFP

Curta nossa página no Facebook!

Leia também:

Fique por dentro do que rola no mundo teatral

Descubra tudo o que as misses aprontam

Tudo que você quer ler está em um só lugar. Veja só!

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com