Posts com a tag "crônica"

laila garin Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

A baianinha Laila Garin tem aquilo que Deus deu; ela vive Elis Regina no Teatro Alfa - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Na noite deste sábado (29), vi Laila Garin reviver a seu modo Elis Regina e arrepiar a plateia do Teatro Alfa, em São Paulo, no espetáculo Elis, a Musical, com direção de Dennis Carvalho. Independentemente dos percalços da obra, Laila permanece intacta e consegue se transmutar naquela que foi a maior cantora do Brasil. E acaba por merecer também a mesma alcunha.

Baiana de Salvador, onde se formou em teatro na UFBA (Universidade Federal da Bahia), Laila tem aquilo que Deus deu. E técnica também. E força também. E carisma também. E tudo também.

laila garin elis vert Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

Laila não repete Elis; a reinventa - Foto: Divulgação

Laila Garin não repete Elis. A reinventa. A reverencia ao mesmo tempo em que se impõe como artista.

E a artista já havia me impressionado absurdamente em outras duas ocasiões. A primeira delas, quando a conheci no palco, foi em 2011, em uma noite em que resolvi conferir o musical Eu te Amo Mesmo Assim, que reabria o Teatro Itália, no subsolo do Edifício Itália, coração do centro paulistano.

Laila dividia o palco com Osvaldo Mil, com direção de João Sanches e supervisão de João Falcão. Ambos executavam canções de amor e dor de cotovelo. Mas Laila fazia tudo com tanta verdade que a gente ficava com um nó na garganta.

Ao escutar a voz de Laila, tomei um susto e pensei na hora comigo: como esta menina aí no palco não é uma cantora celebrada e conhecida por todos? Onde estão nas lojas os discos de Laila Garin? Fiquei triste de estar em um  País que tinha uma Laila Garin e não lhe dava todo holofote possível. Porque tomei consciência naquele momento que tratava-se de uma grande artista. Foi com esta sensação que saí caminhando pela avenida Ipiranga após ver a obra, com a certeza de que Laila Garin é a maior cantora surgida no país desde o aparecimento de Marisa Monte, que, por sua vez, foi a primeira grande após Elis.

O tempo passou e eis que, no Festival de Teatro de Curitiba de 2013, me reencontro com Laila Garin no palco do gigante Teatro Positivo. Era a estrela absoluta do musical Gonzagão, dirigido por João Falcão. Fazia estripulias com as músicas de Luiz Gonzaga, enchendo-as de vida e cor.

Na época, escrevi, na crítica do espetáculo: "Única mulher em cena, Laila Garin tem uma voz inacreditavelmente suave, além da presença e carisma que a faz desejada não só por todos os homens da trupe quanto por qualquer espectador com alguma libido". Recordo que o produtor teatral mineiro Michel Ferrabbiamo, que me acompanhava naquela sessão, ficou tão apaixonado pela atriz quanto eu. Saímos hipnotizados com sua presença. Os dois sem fala diante daquele momento de suspensão coletiva.

Agora, revejo Laila em uma produção ainda maior, já laureada com o Prêmio Shell de melhor atriz por seu desempenho como Elis. Ainda com aquela força inicial intacta, aquela presença única, aquela energia que contamina tudo e traz para bem perto de si.

Repito: Laila Garin é a maior cantora surgida no Brasil dos últimos tempos. As Anittas e suas baboseiras que me perdoem. Agora, torço ardentemente que o Brasil acorde da dormência anencéfala e a veja. E a celebre. Porque Laila Garin é um verdadeiro achado. Laila Garin é preciosidade raríssima, daquelas que já não se fazem mais.

Leia mais sobre Laila Garin no R7

laila garin elis Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

O Brasil precisa celebrá-la: Laila Garin protagoniza Elis, a Musical e arrepia plateia - Foto: Divulgação

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de ver no palco artistas de verdade. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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vera fischer Domingou: Deixem a Vera Fischer em paz!

Vera Fischer, na Marquês de Sapucaí, no auge da beleza de seus 62 anos, continua a nossa musa e tem o direito de beber o que quiser no Carnaval - Foto: Fernando Azevedo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Carnaval, como todo mundo sabe, é a festa da carne. Ou melhor, a festa dos prazeres da carne, como a etimologia do próprio nome diz. Daí a esbórnia coletiva quase obrigatória em todo o País e que faz do Brasil destino turístico de qualquer gringo que queira colocar as manguinhas de fora antes da Quarta-feira de Cinzas.

Jorge Amado, nosso grande escritor baiano, até nos definiu como O País do Carnaval, nome de um de seus inesquecíveis romances. Pois foi justo nesta terra e nesta época do ano, onde ver pessoas sóbrias nos desfiles e blocos é algo quase impossível, que surgiu a ideia de fazer de uma conhecida atriz o Judas da vez.

Vera Fischer, nossa eterna musa, no auge da beleza de seus 62 anos, surgiu um tanto quanto inebriada em uma entrevista na Sapucaí que logo virou hit na internet.

Na gravação, Vera, descontraidíssima, contou toda serelepe que havia resolvido sair de casa só para homenagear Boni, o ex-diretor da Globo homenageado pela escola de samba Beija-Flor. Tropeçando nas palavras e até mostrando a linguinha às vezes, Vera revelou que detesta multidão e que não tem mais paciência para os camarotes da avenida.

Vera estava bêbada, todos logo concluíram ao ver o vídeo, muitos chocadíssimos. Os amigos dela até tentaram dizer que foi uma queda de pressão, e não a bebida, que obrigou a atriz a deixar o sambódromo carregada. Ninguém acreditou e, logo, os juízes de plantão acusaram a musa de dar vexame. Como pôde Vera Fischer surgir bêbada assim no Carnaval?, questionaram os cuidadores da moral alheia.

Mas, minha gente, a pergunta a se fazer é outra: como há gente hipócrita assim no Brasil e, ainda mais, em pleno Carnaval? A quem ocorre a ideia de julgar Vera Fischer por ter bebido na madrugada na Sapucaí?

Qualquer um que já esteve num desses camarotes patrocinados por cervejaria e apinhados de celebridades sabe que beber é quase que obrigatório para suportá-los.

E outra coisa: quem pula Carnaval geralmente bebe. Tanto que esta é a época de ouro de vendas para qualquer bebida alcoólica. Os blocos que agitam o Brasil não são feitos de pessoas sóbrias. Muito  pelo contrário. Daí, a conclusão: se todo mundo pode beber e se acabar no Carnaval, por que só a pobre coitada da Vera Fischer tem de manter a linha na folia? Ela deu um show de verdade, enquanto muitos famosos por aí fazem tudo escondido. É assim que tem que ser?

Por favor, deixemos todos a hipocrisia de lado e olhemos para a vida com um pouco mais de leveza e humor. Deixem a Vera Fischer em paz! Vera, beba o que você quiser. Você é dona de seu nariz e ninguém tem nada com isso.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e acha que hipocrisia não combina com Carnaval. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

 

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carnaval de rua bh2 Domingou: O Carnaval da resistência

Festa sem amarras e gratuita: Carnaval de rua renasceu em Belo Horizonte após anos de cidade vazia na folia - Foto: Divulgação/Comunidade Caranval de Rua BH

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Carnaval no Brasil surgiu como uma manifestação popular de resistência. Era o grito de liberdade possível, em quatro dias de folia que fosse, quando a turma que mandava em tudo fazia vista grossa para todo mundo junto e misturado.

Só que a festa de quem estava fora do sistema foi ficando tão grande, tão divertida e tão mais interessante, que logo o mercado resolveu botar as manguinhas de fora e cooptar o Carnaval do povo.

agora vai erica catarina Domingou: O Carnaval da resistência

Bloco Agora Vai: dez anos de resistência no Carnaval de rua de SP - Foto: Erica Catarina/Divulgação Bloco Agora Vai

Logo, os desfiles ganharam sambódromos com transmissão ao vivo para todo o mundo, arquibancadas caríssimas e, claro, os camarotes para as celebridades, que se tornaram o único assunto possível. Na Bahia, não foi diferente, com os blocos afro e afoxés jogados no escanteio em nome de estrelas fabricadas do axé.

Nos lugares onde não havia um Carnaval a ser vendido, o pouco que existia foi mirrado e pressionado por muitos governantes para deixar de existir. Assim, durante muitos anos vimos cidades brasileiras como São Paulo ou Belo Horizonte perderem seu Carnaval de rua que outrora havia sido tradicional e que nos novos tempos parecia absurdo de existir de forma espontânea sem que houvesse uma estrutura de venda por trás.

Pois, não é que o povo resistiu mais uma vez e reinventou o Carnaval?

Seja com a luta dos blocos afro em Salvador, botando a boca no trombone para terem mais visibilidade, ou os blocos de rua que hoje invadem Belo Horizonte e São Paulo, com ou sem permissão do poder público, além do Rio, onde já voltaram a ser tradição.

Porque o Carnaval não precisa de camarote nem de transmissão ao vivo na TV. Muito menos de celebridade. O Carnaval de fato, aquele que fez nosso País conhecido no mundo todo, só precisa de uma fantasia improvisada, um coração brasileiro – mesmo que estrangeiro – e aquele espírito de alegria simples e festiva que mora em todo folião que resiste.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e acredita na resistência. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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cleo de paris bob sousa Domingou   A nossa Cléo De Páris

A nossa atriz Cléo De Páris: ela é de quem sabe ver - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

Cléo De Páris é nossa. É atriz. É gente. É do teatro. É a musa indiscutível da praça Roosevelt. Lugar onde pode simplesmente ser.

Cléo De Páris é a moça bonita, de olhos azuis profundos em vez dos pretinhos básicos, por quem todos nos apaixonamos naquela noite triste em que resolvemos ver aquela peça do submundo. Aquela peça cheia de gente cheia de sonhos na cidade cinza e cruel. Gente que tentava apenas sobreviver com um suspiro de arte. Como os olhos de Cléo.

Cléo De Páris não precisa de indicações a prêmios. Nem de menções honrosas. Porque é maior do que tudo isso. Quem a viu cantando Evidências, em Édipo na Praça, de seu grupo Satyros, desafinada e artisticamente poética, com uma latinha de Skol na mão, em meio a uma luz vermelha no centro da praça, sabe. Talvez, a cena mais linda do teatro de todo o ano.

Cléo De Páris não precisa do reconhecimento mundano. Porque a gente não duvida jamais da artista que ela é, com todas as delícias e tormentas que isso carrega. Ela se entregou à arte sem culpa, porque sabia que sua sina era esta.

Cléo De Páris também é mulher. Sofre, se apaixona, beija, sonha; se expõe, se entrega. "Quem nunca?" E todos nós a vemos, a embalamos, a conquistamos, a cuidamos. Cada qual do nosso jeito, da nossa forma.

Porque Cléo De Páris é nossa, de quem tem olhos para ver.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de ver Cléo no palco e na vida. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

Leia mais sobre Cléo De Páris

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DSCF0232 Crônica da Lu: Perdas e ganhos

Luciana Rafaela Duarte: "Sentimo-nos incitados a provar o tempo todo que somos vencedores"

Por Luciana Rafaela Duarte, de Buenos Aires
Especial para o Atores & Bastidores*

Hoje fiquei pensando em como somos “obrigados” a ser felizes. Nesta época “Caras” em que vivemos, realmente é necessário estar sempre com um sorriso no rosto (de preferência maquiado), mostrar evidências de uma vida feliz e bem sucedida.

Claro, quem é que não quer ser feliz? Saudavelmente esta deve ser nossa decisão diária... Mas, falo da pressão que é não poder estar triste, num momento meio deprê, nem mesmo na hora da morte... Veja na mídia como as pessoas se comportam segundos pós-despedida de um ente “dito” querido...

Causa-me estranheza. Diz a letra da música: “Pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.  Todos nós vivemos momentos de intensa felicidade e de intensa tristeza. É normal. E diria que é até necessário tais momentos não tão bons, pois funcionam como mola propulsora da busca pelo que nos faz bem.

Sentimo-nos incitados a provar o tempo todo que somos vencedores: somos felizes, possuímos muitas coisas boas, muitos amigos, contatos influentes, somos lindos e saudáveis... Às vezes, revendo um filme dos anos 80, tenho a impressão de que se passaram mais do que algumas décadas. Tudo mudou.

Lembram-se da palavra “fossa”? Achar que aquele amor é TUDO na sua vida? Vejo as coisas agora bem distintas. No geral, todo mundo simplesmente vira a página. Porque sofrer é perda de tempo, e tempo é Dinheiro!

Não faço aqui apologia ao sofrimento, o que comparo é a repercussão histórico-social que o ensinamento básico da Nova Religiosidade vigente (auto-ajuda) faz refletir na maneira de sentirmos o que nos acontece dia-a-dia. Porque se você tem problemas, se está triste, se as coisas não caminham muito bem, ah, é porque você tem culpa no cartório! Não é uma pessoa abençoada. E isso, nenhum de nós quer ser.

Acredito realmente que a energia circula, que o Universo conspira a nosso favor, que o que desejamos é muito importante para definir nossa vida. Mas momentos difíceis fazem parte. Não precisamos estar sorrindo como palhaços todo o tempo, porque a vida não é só cor-de-rosa, um mesmo arco-íris tem azul, verde, vermelho, amarelo...

Desconfio muito de quem quer passar imagem da perfeição. Geralmente esconde coisas tenebrosas. Melhor é dar espaço pra todos os sentimentos que perpassam nossas vivências: ora alegria esfuziante, ora sensação de vazio, de saudade, ora nos sentimos as donas do mundo, ora parece que fomos esmigalhadas pelo monstro lá de fora...

E, também, é muito importante não esquecer: cada um tem Sua Felicidade. Nossa sociedade globalizada quer massificar tudo, padronizar até nossas escolhas mais íntimas. Rebelemo-nos!

Não deixemos que nos roubem de nós mesmos, sejamos íntegros para conosco, fortes para não sucumbir ao apelo. Quando uma ideia toma proporções de “o acordo social do momento” é muito difícil não entrar na onda. Mas vale a pena tentar, pelo menos pensar sobre isso.

Porque somos homens e mulheres sensíveis, que se alegram pelos bons feitos, pelos sorrisos de quem amamos, pelo carinho que recebemos, mas que também nos condoemos com as atrocidades que sofrem milhões de inocentes, nos toca ver um amigo numa situação-limite, quase desistimos da humanidade quando vemos tantas notícias de mães matando seus bebês. Não é fácil.

Porém, o fim do ano se aproxima. O mundo não vai acabar. Brindemos por isso e sejamos felizes com as escolhas diárias que fazemos. E peçamos um Ano-Novo melhor, porque algunas cositas não foram lá como desejamos e como não somos bobos nem nada, queremos mais, sempre mais. Mais amor, mais paixão, saúde, dinheiro, mais encontros que despedidas, mais ganhos que perdas. Mas... só ganha quem perde.

*A cronista Luciana Rafaela Duarte é pedagoga, professora de português, estudante de comunicação na Universidade de Buenos Aires e sabe chorar e sorrir.

 

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mar Coluna do Miguel Arcanjo n° 185: Os Trinta

Miguel Arcanjo Prado, aos 30: "Presságios à parte, a gente precisa cada qual vivenciar sua própria experiência"

Por Miguel Arcanjo Prado*

Tem gente que acha que é tipo um soar de trombetas. Outros que será tão impactante quanto a abertura do Mar Vermelho por Moisés. Mas costuma ser muito mais tranquila e certeira a chega dos 30.

Três anos atrás, Luciana Rafaela Duarte, minha prima inteligentíssima que vive em Buenos Aires – existe algo mais charmoso? –, bem que me alertou, durante um aprazível café da tarde em Palermo: tudo vai mudar quando eles chegarem. Eu ainda tinha 27. Ela já os desfrutava e dizia que não os trocaria por nada nesse mundo. E foi tiro na queda. A partir daquelas férias portenhas praticamente tudo mudou. E para melhor.

Outro dia, entrevistei o ator Rodrigo Audi, que deu igual testemunho. Disse que botou os pés pela primeira vez no chão quando eles chegaram. Foi uma espécie de renascimento mesmo. Aterrou, foi o que concluiu com uma certeza espantosa na mesa do café da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

Presságios à parte, a gente precisa cada qual vivenciar sua própria experiência. E assim o foi comigo. Como tinha de ser.

Há cerca de dez anos, quando me saracoteava cantando rock na arena da Fafich, a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, onde estudei jornalismo, tinha pavor dos 30. Parecia-me uma longínqua idade anciã. Afinal, quando se é jovem demais não somos capazes de enxergar nada mais do que a nossa linda juventude. E acho que precisa ser assim mesmo.

E é aí que a chegada dos 30 traz o seu charme. Ela vem com uma percepção melhor do entorno. Do que somos. Do que queremos. Do onde vamos chegar. Ou melhor, traduzindo em miúdos: aprendemos a diferenciar o que realmente importante nessa vida. Damo-nos conta de que não dá para ser amigo de todo mundo; é melhor um número que caiba numa mão, aqueles certeiros. E ainda: que um filme no DVD debaixo de cobertas num dia chuvoso – muito bem acompanhado, é claro – é infinitamente melhor do que o mais divulgado show ou espetáculo da cidade.

Para mim foi tiro e queda: a chegada dos 30 me trouxe uma maturidade antes nunca pensada. É claro que os dramas mexicanos continuam a existir – em doses mais moderadas, porque nós somos latinos, ora bolas –, mas a ironia com que se vê a vida aumenta. Nada deve (nem pode) ser levado tão a sério.

É quase como se houvesse um maior desenvolvimento cerebral. Outro dia, estava lendo uma dessas revistas de artigos científicos que dizia que aos 30 é que todas as conexões do cérebro funcionam de maneira coerente. Agora, acredito.

Hoje, é meu último dia com 30. Amanhã, mais precisamente às 12h20 do dia 3 de dezembro de 2012, completo 31. Antes, odiava ficar mais velho. Achava um verdadeiro acinte ir perdendo os 20 e poucos anos. Hoje, já não dou bola para tal bobagem.

Aprendi na pele a beleza dos 30. A sabedoria que eles trazem diante de situações corriqueiras que antes pareciam desesperadoras. Mas, é claro que não virei um monge budista – se bem que vi outro dia na TV uma reportagem sobre um executivo que largou tudo e se mudou para ser monge na Índia e fiquei tentadíssimo... É claro que ainda tenho os meus medos, anseios, raivas, angústias e felicidades típicos de qualquer ser humano. Só que, como já tenho 30, tudo acontece de forma mais moderada e bem mais vivida.

É por isso que me despeço dos 30 um tanto quanto nostálgico. Pela importância que tiveram. Mas como eles mesmo me ensinaram, preciso parar de choramingar e dizer o quanto antes: que venham os 31. Porque, se uma coisa aprendi nesta vida, é que o presente é o que definitivamente importa. E como!

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de viver.

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Por Miguel Arcanjo Prado*

Quando criança, ouvia empolgado o relato de minha prima Luciana sobre sua ida ao Playcenter, em uma de suas viagens a São Paulo para visitar parentes paternos.

Luciana, que tem um talento incomparável para contar histórias, dizia em pormenores como havia sido sua passagem por cada um daqueles brinquedos até então inconcebíveis para mim. Afinal, nos parquinhos de Belo Horizonte nada havia semelhante.

Eu ficava impressionadíssimo e fantasiava em minha cabeça aquela aventura. Como deveria ser tudo ir ao Playcenter! Era meu sonho de menino de infância simples.

Demorou bastante, mas realizei. Minha estreia no Playcenter foi em fevereiro de 2007, aos 25 anos. Estava pela primeira vez em São Paulo, onde cursava o Curso Abril de Jornalismo, da Editora Abril.

O meu grupo de trabalho, o da revista Superinteressante, precisava fazer um especial de TV sobre o medo. A mim, repórter foca, coube vivenciar a aventura de despencar do alto dos 60 metros do Turbo Drop, o elevador mais temido do Playcenter, para que tudo fosse registrado por uma câmera, inclusive minha tremedeira e pernas bambas depois.

Lembro-me que, mesmo trabalhando, aquela ida ao Playcenter teve um sabor de aventura. Pensei comigo: quero voltar depois com calma, para pagar a dívida com minha infância.

Como não poderia deixar de ser, aproveitei umas férias em que meu irmão Gabriel e meu primo Caio estavam por São Paulo, e resolvi que nosso grande passeio seria viver as aventuras do Playcenter.

Fomos todos crianças outra vez naquele dia, subindo e descendo a montanha-russa, ficando de ponta-cabeça no Evolution e correndo, desesperados, dos monstros dentro do Castelo dos Horrores.

Ao saber da notícia do fechamento definitivo do parque, como tantos outros, fui tomado por um sentimento de nostalgia. Tanto que fiz questão de voltar lá, neste último fim de semana, para fazer uma reportagem especial para a editoria São Paulo do R7. Fui acompanhado de gente querida para ver o parque pela última vez, dar meu adeus.

Passei este sábado de fila em fila nos brinquedos do Playcenter. Ri, brinquei, gritei, me diverti. Um dia maravilhoso, de sol, temperatura agradável e gente de todos os tipos se alegrando junta. Antes de ir embora, tiramos uma foto na entrada do parque. Tal qual um menino, fiz meu registro, para depois mostrar aos coleguinhas que eu estive lá, no Playcenter, horas antes de seu fim.


*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de se sentir criança.

Playcenter Looping Star Divulgacao Coluna do Miguel Arcanjo n° 183: Adeus, Playcenter

Looping Star: uma das aventuras do Playcenter, que chega ao fim, após 39 anos

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Caríssimo internauta,
Desde os tempos de faculdade na UFMG, resolvi fazer uma crônica semanalmente. Ultimamente, saía quando dava. A partir deste domingo, tomo vergonha na cara e aproveito este espaço para torná-la, outra vez, periódica. Todo domingo tem texto novo. Afinal, além de falar de teatro, refletir é sempre bom. Espero que goste.
Abraços,
Miguelito

Quando nada sobra e nada falta

Por Miguel Arcanjo Prado*

Num mundo tão individualista, é prazeroso ver quando algo em grupo funciona. Perceber que no lugar da ambição mesquinha de passar por cima dos outros possa existir o trabalho honesto e crível em prol do bem comum.

Essa foi a maior lição que tive nesta semana, ao conhecer de perto os seis atores pernambucanos do grupo Magiluth: Pedro Vilela, Lucas Torres, Mario Sergio Cabral, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira e Pedro Wagner.

Os moços já haviam chamado minha atenção no Festival de Curitiba, em março, no Teatro Paiol. Apesar das ressalvas que fiz à obra que vi por lá, Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você, fiquei impressionado de como eles tinham uma verdade juntos.

Na última terça, resolvi tirar a limpo a história. Estive com o fotógrafo Bob Sousa no apartamento que eles alugaram de frente para o Minhocão, no centro paulistano. Lá, vivem durante os dois meses em que ocupam a Funarte da alameda Nothmann com três peças de sexta a domingo: Um Torto, O Canto de Gregório e Aquilo que o Meu Olhar Guardou para Você.

Pude constatar in loco o que já desconfiava: os meninos têm uma energia que funciona no conjunto. É meio mágico o jeito que eles se completam no palco e na vida. Até na hora de dar entrevista parecem orquestrados por uma energia invisível que faz o equilíbrio. Cada um tem seu brilho, seu trilho, sua função, sua presença.

Além disso, estão curtindo a vida como ninguém nessa temporada quente na metrópole fria. Após a apresentação de O Canto de Gregório neste sábado, fizeram festa junina para celebrar São João.

Como são pernambucanos, a celebração foi feita nos conformes, com direito a decoração de bandeirinhas multicores e folhas de palmeiras espalhadas pelo apartamento, além de quitutes deliciosos preparados por Mariana Holanda, mulher de Pedro Vilela, que veio do Recife diretamente para colocar os rapazes nos eixos.

Clima gostoso. De gente jovem reunida. De cuca fresca. De coisas inteligentes a serem ditas e ouvidas. Ambiente raro na dureza da cidade que os meninos do Magiluth, os Novos Pernambucanos, quebram com seu talento e sua força artística de grupo.

Saiba como ver as peças do Magiluth em São Paulo

magiluth miguelarcanjoprado bob sousa Coluna do Miguel Arcanjo nº 181

Bastidores dos Novos Pernambucanos em São Paulo: Erivaldo Oliveira, Lucas Torres, Pedro Vilela, Miguel Arcanjo Prado e Pedro Wagner. No chão: Mario Sergio Cabral e Giordano Castro - Foto: Bob Sousa

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de fazer amigos.

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