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baby do brasil 2 620 barbara almeida Domingou: Baby do Brasil, Pedro Baby e o DNA

Baby do Brasil e o filho, Pedro Baby, no palco: ele trouxe a mãe de volta a todos nós - Foto: Bárbara Almeida

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Baby do Brasil no palco ainda é uma menina que dança até o sol raiar. Tem uma energia única, aquela aura carismática que faz com que o público sempre a queira bem. E que bom é vê-la de volta aos palcos, cantando aquelas canções fundamentais ao lado do filho, Pedro Baby, e de uma banda fantástica.

Idealizador do projeto, Pedro tem uma guitarra potente como a do pai, Pepeu Gomes. E Baby fez questão de dedicar ao ex-marido e pai de seus seis filhos o show realizado neste sábado (30), no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiro. Chamou o filho de DNA presente de Pepeu, a quem definiu de "um dos artistas mais talentosos deste País".

É claro que Baby também falou de sua nova fase, evangélica. Contou como pediu a Deus orientação para voltar a cantar as canções de seu passado de contracultura. Disse que fez jejum de 80 dias, subiu ao monte (em Nova York, é claro) e ouviu a aprovação divina para o projeto.

O filho é cuidadoso com a mãe. Deixa Baby à vontade para ser Baby, neste reencontro do passado com o futuro. E a plateia também.

Generosa, a cantora coloca o filho em pé de igualdade consigo e, em um momento, diz que vai fazer backing vocal para ele.

Baby faz arroubos vocais, samba, dança, se comunica com o público, tira o comportado paulistano da cadeira do teatro. Faz todo mundo ser jovem outra vez. Porque ela exala uma juventude eterna. Juventude esta que independe de seus 62 anos cronológicos ou da fé que professa no palco ou fora dele. Baby é nome fundamental da música popular brasileira. E tê-la de volta aos palcos é uma delícia. É como voltarmos todos ao paraíso, sem pecado e sem juízo. Viva Pedro Baby. Viva Baby do Brasil.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de um auê com você. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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foto tinkstock Domingou: Vale a pena perder um amigo na eleição?

"Estamos cansados de tanta mentira, hipocrisia e gente querendo se meter em direito individual alheio" - Foto: Tinkstock

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

A época de eleições é sempre um baú de pólvoras. Afinal, política é como futebol ou religião, reza a máxima. Em tempos de redes sociais, onde ofender o outro para todo o sempre é possível em um clique, a explosão é cada vez mais intensa, sobretudo na internet.

Outro dia, um conhecido, sábio, disse que se privou de brigar com qualquer pessoa até outubro por conta de alguma campanha política já em vigor. Disse que vai ignorá-la solenemente. Não sei se está correto, mas não achei a ideia de todo mal.

Já um outro amigo, tão sábio quanto, revelou que bloqueia quem apresente nas redes sociais ideias consideradas por ele perigosas. Diz que é melhor manter bem longe gente que expressa tal tipo de índole política. Assim, prefere deletá-la, sumariamente, sem chance de réplica. Não sei também se está correto, mas confesso que não achei sua ideia de jogar fora.

Fato é que, em tempos eleitorais, estamos todos mais sensíveis. Até porque estamos cansados de tanta mentira, hipocrisia e gente querendo se meter em direito individual alheio para fazer cena e ganhar determinados setores de eleitores. É muito desinteresse ao outro.

Que eu saiba, ainda vivemos em um estado laico, onde não se deve misturar convicções políticas com dogmas religiosos, como muitos vêm fazendo. Ou queremos nos tornar um Estado-religioso?

Para ter uma sociedade mais justa e igualitária, é preciso de calma, diálogo, bom senso, respeito aos direitos humanos e aos direitos individuais sobre todas as coisas. Não é porque se é maioria que se pode passar por cima do outro. Aqui vale lembrar o extremismo do nazismo, que até hoje envergonha a Alemanha. Ou mesmo a nossa vergonhosa escravidão, que já foi legitimada pela Constituição.

Os tempos mudam, e a humanidade (pelo menos espera-se) evolui junto. Contudo, pelo andar da carruagem, confesso que dá certo receio diante do Brasil e, principalmente, da timeline da gente.

E fica a pergunta: vale a pena perder um amigo nesta eleição?

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e aprendeu ainda criança que quem quer ser respeitado deve respeitar o outro. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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tigre Domingou: O tigre, o pai, o menino e o Chico

Fim trágico: menino brinca com tigre em zoológico de Cascavel (PR) enquanto o pai filma - Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É triste que pouco antes deste Dia dos Pais, um pai e um filho tenham virado notícia em uma situação que terminou de forma trágica.

Realmente foi impactante ver a imagem do menino brincando com os felinos no zoológico, enquanto o pai filmava tudo em detalhes, como se fosse bonito infringir as regras e deixar o filho pular praticamente dentro da jaula só para fazer bonito na internet depois. O custo disso foi o braço do menino, como já sabemos.

Aqui não se pretende julgar o pai, nem o filho, muito menos o zoológico. Também não vamos colocar em debate o modelo educacional de permissividade com o qual muitos filhos são criados hoje em dia. Cada cabeça sua sentença.

O que gostaríamos de levantar é um debate sobre essa necessidade de muitos conseguir mais uma curtida nas redes sociais, fazendo o que for preciso para que a experiência do presente se torne algo potencialmente vendável aos outros.

Diante desta loucura dos tempos contemporâneos, a sanha aparecida parece não ter limites. A ponto de um pai colocar a vida do filho em risco sem dar-se conta. O instinto de proteção da cria é suplantado pelo exibicionismo fútil. Tudo é permitido. Tudo é possível. Desde que cause impacto ou seja engraçadinho. Mesmo que passe dos limites do sensato.

Será que não é mais possível viver simplesmente sem que o presente seja o tempo todo projetado para o futuro diante dos olhos dos outros? É preciso julgar tudo a todo instante? É preciso a reprodução instantânea? Deveríamos parar um pouco, deixar o frenesi esfriar e tentar entrar em contato conosco e com o que nos rodeia. Nem tudo precisa ser relatado freneticamente como em uma transmissão de um canal 24 horas de notícias.

Algumas coisas são para ser apenas vividas. Com verdade, intensidade e, claro, sabedoria.

*****

chico buarque Domingou: O tigre, o pai, o menino e o Chico

Chico não deu muita bola para seus 70 anos, mas o teatro comemora mesmo assim - Foto: Divulgação

Apesar dele não ter dado muita bola à data, os 70 anos de Chico Buarque, completados em 19 de junho, rendem comemoração potente nos palcos de São Paulo: quatro musicais celebram nosso grande compositor.

A Cia. da Revista apresenta no CCBB-SP a Ópera do Malandro. Teve estreia de arromba na última quinta (7). O mesmo grupo estreia em setembro Reconstrução, em sua nova sede no bairro de Santa Cecília.

Já no Teatro Faap, desde a última sexta (8) está em cartaz Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, dirigido pela tarimbada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, os Reis dos Musicais.

Já a partir da próxima quinta (14), em sessão para convidados, estreia com direção de João Fonseca O Grande Circo Místico no Theatro NET São Paulo, o novo espaço dentro do Shopping Vila Olímpia.

Viva Chico. E feliz Dia dos Pais.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de coisas simples. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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joao ubaldo ribeiro flavio moares João Ubaldo Ribeiro abriu nossas cabeças

João Ubaldo Ribeiro nos ensinou em seus romances que desejo não é pecado - Foto: Flávio Moraes

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

João Ubaldo Ribeiro, que morreu nesta sexta (18), aos 73 anos, em sua casa, no Rio, foi o maior libertador de nossa sexualidade na literatura brasileira.

a casa dos budas ditosos João Ubaldo Ribeiro abriu nossas cabeças

Fernanda Torres na adaptação para os palcos de A Casa dos Budas Ditosos, com direção de Domingos de Oliveira: texto emblemático de João Ubaldo Ribeiro - Foto: Divulgação

Seu romance A Casa dos Budas Ditosos, adaptado brilhantemente para o teatro por Domingos de Oliveira no melhor espetáculo da carreira de Fernanda Torres, é uma aula de sensualidade, sem repressão, sem culpa.

O escritor baiano, nascido na paradisíaca Ilha de Itaparica, soube como ninguém construir com maestria em sua prosa elegante o fogo de nosso povo. Povo que ele amava e que deu título a outro romance seu reconhecido mundialmente, Viva o Povo Brasileiro. Vinha da mesma forma de Jorge Amado, outro baiano romântico e sensual.

Ler João Ubaldo Ribeiro é tornar-se seu cúmplice. E também de seus personagens abrasados, que sucumbem ao chamado do instinto, do corpo, da vida.

O Brasil, sem João Ubaldo Ribeiro, fica ainda mais careta. Mais quadrado. Mais chato.

Vai fazer uma falta enorme este homem debochado e ao mesmo tempo sincero, que mostrou a todos que não há pecado do lado de baixo do Equador. Ele nos ensinou que ter fogo não é feio, não é errado. Muito pelo contrário, é o que somos. E é o que nos faz belos. Vivos.

Por isso, os romances que criou são à base do desejo. Quem não pode ser reprimido nem acusado.

João Ubaldo Ribeiro abriu nossas cabeças.

Ai, que falta enorme que ele já faz...

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bonner poeta Globo joga culpa do fracasso do Brasil na Argentina

Bonner bufa na bancada do Jornal Nacional após Argentina chegar à final - Foto: Reprodução/Globo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O espetáculo foi deplorável. Com o mocinho da história se revelando vilão para seus fãs, desmontando sonhos e expectativas de glória.

A seleção brasileira encerrou, neste sábado (12), sua participação na Copa do Mundo do Brasil 2014 de forma deplorável. O quarto lugar depois de deixar a Holanda fazer 3 a 0 já nem assustou a cansada torcida brasileira que viu, na terça (8), seu país perder de 7 a 1 para a Alemanha nas semifinais do Mundial.

O que chama a atenção nos últimos dias, tanto quanto nossa vergonhosa seleção, é o intuito da Globo em jogar parte da culpa da mediocridade apresentada pelo nosso futebol nas costas da Argentina. Mesmo que isso não faça nenhum sentido.

A tática da Globo, que detém os direitos de transmissão do futebol brasileiro, é clara: empurrar a revolta que brasileiros estão tendo de sua própria seleção para os hermanos. Assim, tenta preservar o que ainda sobra de seu bem precioso, com o qual tanto dinheiro ganha. Para não perder seu público cativo, a Globo faz a baixeza de culpar que não tem culpa nenhuma.

Nestes últimos dias, a emissora, parceira de longa data da CBF e da Fifa, passou dos limites em atuações questionáveis de sua equipe. No dia em que a Argentina foi classificada, como noticiou a colunista do R7 Fabíola Reipert, o apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, rompeu o padrão do próprio noticiário que afirma ser imparcial, ao emitir opinião clara sobre uma notícia sem usar o formato de editorial. Usou seu espaço privilegiado para dizer, como se estivesse em uma mesa de bar, que não gostou da Argentina ter chegado à final. Sua colega de bancada, Patrícia Poeta, no mesmo dia, seguiu seu editor-chefe, e abriu o JN dizendo: "A dor de nossa derrota é agravada por nossos rivais".

Como bem observou o colega jornalista Mauricio Stycer, a Globo manipulou, inclusive, a fala de nosso craque Neymar, quando, para surpresa da emissora, ele afirmou que vai torcer para a Argentina ganhar a Copa do Brasil, porque é amigo de Messi e Mascherano. O mesmo Jornal Nacional editou a fala para que parecesse exatamente o contrário do que ele disse.

Afinal, na visão da Globo, o vilão da Copa não é nossa fraca seleção, tampouco seu técnico, Felipão, desde o começo colocada por ela nos papéis de mocinhos. A emissora já escalou há muito tempo o malvado desta história: a Argentina. E, pelo jeito, não pretende mudar seu roteiro do espetáculo às vésperas de cair o pano.

brasil3 Globo joga culpa do fracasso do Brasil na Argentina

Holanda faz o segundo gol em cima do Brasil em Brasília, neste sábado (12); final foi de 3 a 0 para os europeus, o que nos deixou no quarto lugar da Copa realizada em nossa casa - Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

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joelhada ou cotovelada Domingou: Joelhada em Neymar ou cotovelada de Leonardo? É preciso acalmar os ânimos...

Neymar fica fora da Copa 2014 ao levar uma joelhada do colombiano Zuniga; em 1994, o brasileiro Leonardo dá forte cotovelada que tira Tab Ramos, dos EUA, do Mundial de 20 anos atrás - Foto: Getty Images

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O lance que tirou Neymar da Copa do Mundo na última sexta (4), depois de levar uma forte joelhada pelas costas do colombiano Zuñiga, tirou também muitos brasileiros do sério.

É compreensível, afinal nos vimos sem o nosso maior craque no principal momento de uma Copa em nosso País. Até aí tudo bem. Que o jogador colombiano foi covarde e merece ser punido também. A dor nacional é grande. Contudo, o ódio em muitos passou dos limites, partindo para a falta de civilização e violência compulsória.

A partir da confirmação de que nosso craque estava fora do Mundial, muita gente por aí passou a atacar com violência desmedida não só Zuñiga, como também sua família e seus compatriotas. Em claro exemplo de sanha desmedida.

Já diz a máxima que violência gera violência, ao que o poeta de rua muito bem contrapôs: "Gentileza gera gentileza".

neymar sofre Domingou: Joelhada em Neymar ou cotovelada de Leonardo? É preciso acalmar os ânimos...

Neymar sofre, após receber a joelhada nas costas: não podemos perder a razão - Foto: Getty Images

Em qualquer campo de várzea do Brasil ou de qualquer lugar do mundo, a coisa mais comum é um jogador sair ferido após um carrinho ou entrada mais dura do adversário. Quem nunca jogou uma pelada com aquele amigo marrento? Quantas delas não imobilizaram joelhos e tornozelos por aí? Nem por isso, vi o País inteiro pedindo o linchamento sumário do colega de bairro mais agressivo.

É óbvio que o futebol precisa de paz, e os jogadores carecem de mais espírito esportivo. Mas, como mostra a vaia monumental ao hino do adversário, boa parte da torcida brasileira não sabe o que é isso.

Demonstra ser um bando de gente que vai para o jogo como se estivesse a caminho das cruzadas medievais. Aquelas nas quais se matava em nome de Deus. No raciocínio de quem reage de forma selvagem, aquele que feriu nosso soldado deve ser morto. Simples assim.

leonardo cartao vermelho Domingou: Joelhada em Neymar ou cotovelada de Leonardo? É preciso acalmar os ânimos...

Leonardo leva sua punição após fraturar crânio e maxilar do jogador dos EUA: cartão vermelho - Foto: Getty Images

Nestes tempos de tanta irresponsabilidade, inclusive parte da imprensa, incitando bem mais do que uma punição, mas o ódio eterno ao jogador colombiano e a seu país por tabela, não custa nada lembrar de uma fatídica partida da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, mais precisamente no estádio da cidade de São Francisco. Exatamente 20 anos atrás.

Foi quando o nosso lateral Leonardo deu uma forte cotovelada na cabeça do jogador Tab Ramos, dos Estados Unidos, encerrando a participação deste naquela Copa com fraturas no crânio e no maxilar. Na época, Leonardo levou apenas um cartão vermelho, o que deixou os brasileiros desolados.

Até hoje, Ramos, uruguaio naturalizado norte-americano, sente dores na cabeça por conta da agressão do brasileiro. Na época, não vi nenhum brasileiro ou membro de nossa imprensa pedir o linchamento público de Leonardo. Muito pelo contrário, ele foi consagrado como um dos heróis do nosso tetra.

Como diria minha mãe, lá em Minas, pimenta no olho dos outros é colírio. E ela ainda acrescentaria: não dá para jogar pedra no telhado dos outros se o nosso é de vidro. É preciso acalmar os ânimos...

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e detesta violência. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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neymar messi getty Domingou: Ódio ao outro não ganha Copa

Neymar e Messi, rivais só no campo: "Ódio ao outro não ganha Copa, mas bom futebol" - Fotos: Getty Images

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Outro dia, vi, em uma rede social, a foto de um cachorro da raça pit bull destroçando uma camisa da seleção argentina. Com todo ódio do mundo, é claro. Tudo comemorado pelo dono, com alta dose de orgulho.

Nesta semana, ouvi uma apresentadora dizer, no ar, que os brasileiros estavam tratando bem os turistas nesta Copa e soltou: "até os argentinos". Nas entrelinhas, a ideia de que o normal seria maltratá-los.

Por que tanto ódio ao outro? Não há confiança no futebol próprio? É preciso espinafrar o vizinho para tentar garantir algo?

comercial skol xenofobico Domingou: Ódio ao outro não ganha Copa

Incentivando o ódio, comercial da Skol explode os argentinos dentro de uma casa - Foto: Reprodução

A publicidade é rainha em disseminar ódio ao outro. Recente comercial de conhecida marca de cerveja brasileira debocha do Hino Nacional da Argentina, dizendo que ninguém aqui sabe cantá-lo. Como se os argentinos soubessem cantar o Hino do Brasil, coisa que nem o brasileiro sabe fazer direito até o fim. Para terminar de forma deplorável, o tal comercial termina com boa dose de violência: enxota um grupo de argentinos em uma casa, logo explodida feito um foguete.

Agora, de norte-americano ninguém debocha. Será mais fácil rir de nosso primo tão pobre quanto nós?

Entretanto, o ódio não é exclusivo para argentinos. Neste sábado (28), vi, com vergonha, parte dos brasileiros vaiar o Hino do Chile durante sua execução no Mineirão. Uma absoluta falta de respeito com o símbolo pátrio alheio. Uma pergunta: se fizessem o mesmo com o Brasil lá fora, como nos sentiríamos?

Mas, se não tratam com educação nem a presidente de seu país vão respeitar o hino dos outros? Não custa nada reforçar que o mundo já viu um povo achar que era superior aos demais: a Alemanha de Hitler.

Até vi como castigo merecido o sufoco que os canarinhos passaram para colocar o País nas quartas de final, deixando todos nós com o coração na mão até o último pênalti batido. E, verdade seja dita: o Chile jogou mais.

É lamentável que o Brasil, que se propõe a entrar para o time dos grandes países do mundo, ainda se comporte dessa forma com seus vizinhos. É bom o brasileiro entender que incentivar o ódio ao outro não ganha Copa. O que leva à vitória é algo bem mais simples e saudável: o bom futebol.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e prefere o amor ao ódio. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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danielle rosa foto eduardo enomoto 2 Domingou:  A presença da atriz Danielle Rosa

Danielle Rosa: sua presença é fundamental no Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

No teatro, o estado de presença é fundamental. José Celso Martinez Corrêa, nosso Zé Celso, do Teat(r)o Oficina, é sabedor disso, com seu teatro ritual.

danielle rosa foto eduardo enomoto 3 Domingou:  A presença da atriz Danielle Rosa

Danielle Rosa: baiana cheia de poesia e vigor - Foto: Eduardo Enomoto

Esta presença indiscutível no palco projetado por Lina Bo Bardi no coração do Bixiga, em São Paulo, é cristalizada hoje pela figura de uma atriz baiana cheia de potência, com poesia até no nome: Danielle Rosa.

Neste sábado (14), dia em que o grupo lembrou os 45 anos da morte de Cacilda Becker no palco e também homenageou a cantora do rádio Marlene, que partiu na última sexta (13), a primeira imagem de impacto na entrada do Oficina, logo no começo da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, era a figura de Danielle Rosa.

Com a potência de seu corpo exuberante, a artista exala uma brasilidade tão próxima a nós, repleta de doçura e vigor desavergonhado.

Danielle, que está até em capa de revista nas bancas de jornal, cheia de liberdade, é uma espécie de síntese destes tantos jovens que chega a São Paulo em busca simplesmente de se encontrar na arte, cheia de percalços no caminho. Porque não é fácil.

Mas ela tem doçura, pega pela mão, embala o canto de tupi or not tupi. Oswald se mistura a Mário de Andrade e Macunaíma somos todos na antropofagia de seu teatro.

Falar de Danielle Rosa é celebrar a reexistência do teatro brasileiro, que, como diz Zé Celso, precisou ressuscitar após o coma com a morte de Cacilda. E o faz na força de jovens artistas como ela. Por isso, celebremos Danielle Rosa, a nossa atriz presente.

Leia também: Danielle Rosa, o furacão sereno do Oficina

danielle rosa foto eduardo enomoto Domingou:  A presença da atriz Danielle Rosa

Danielle Rosa no palco do Teat(r)o Oficina, em São Paulo: uma atriz sempre presente - Foto: Eduardo Enomoto

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e, também, um tanto quanto antropofágico. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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ruth de souza Domingou: O teatro do negro e o negro no teatro

A atriz Ruth de Souza, um dos ícones do teatro brasileiro - Foto: Divulgação

"Aliás, por que a maioria dos elencos é branca? Por que não há negros nem nas plateias de teatro, e quando há, contam-se nos dedos? "

fabio oliveira Domingou: O teatro do negro e o negro no teatro

O ator Fabio Oliveira - Foto: Divulgação

Por FABIO OLIVEIRA*
Especial para o Atores & Bastidores

Os nossos 388 anos de escravidão sempre cobrarão seu preço. Nossa sociedade foi construída com base nessa exclusão. E a nós, cidadãos negros, pardos, indígenas, é cobrada a invisibilidade – como porteiros, domésticas, motoristas, ou como presidiários, mendigos, excluídos de todo tipo.

Ser artista e negro no Brasil é um paradoxo: se somos invisíveis, como é que estamos lá, querendo ocupar um espaço?

Vivemos um apartheid, velado, mas presente. Na faculdade, negros éramos apenas eu e mais uma menina. Viemos de onde há pouco ou nada e não somos bem-vindos aonde chegamos: por entrar por meio de cotas, uma moça me disse “então foi você que roubou o lugar da minha prima?”. A prima em questão era branca.

Na formação há quem diga que tem papéis que não são pra você – o advogado, a mulher refinada, a pessoa inteligente – e os que são pra você – a prostituta, o cafetão, o traficante.

É uma formação cara, mais acessível a pessoas brancas. Essas mesmas pessoas são de um lugar social onde a maioria é branca. Poucos convivem com pessoas negras que não sejam empregados, poucos têm amigos negros. Então, o negro é sempre o outro, é sempre de outra realidade.

Se um artista se forma sem questionar esses lugares, tende a replicar esse modelo. Qualquer pessoa negra, em sua obra, estará no limite que impõe o estereótipo: o diferente, o exótico, o outro.

Os donos dos meios de produção no Brasil, inclusive os artísticos, são na maioria brancos. Os negros são técnicos, carregadores, camareiras.

Somos os atores invisíveis nessa construção cultural. E essa mesma classe, dos donos dos meios de produção, protesta quando existe a possibilidade de um edital para artistas negros.

São muito raros os elencos com diversidade étnica. O que não é visto como um problema. Mas deveria. E por isso é fundamental e ao mesmo tempo triste que haja no Brasil grupos negros.

É fundamental para que possamos resistir como artistas, e é triste por que demonstra o pouco espaço em outros lugares, o quanto há ainda de racismo.

Muitos verão esse teatro negro como fenômeno sociológico, antes de fenômeno artístico. Mas e os elencos exclusivamente brancos? Não são também um fenômeno sociológico? Por que seriam mais artísticos?

Aliás, por que a maioria dos elencos é branca? Por que não há negros nem nas plateias de teatro, e quando há, contam-se nos dedos?

Por que a maioria dos produtores é branca? Por que não há diretoras negras no teatro, ou se há, é uma infinita minoria? Por que Chiquinha Gonzaga, negra, foi interpretada por uma mulher branca na TV?

Quantos negros no País foram Hamlet ou Medeia?

Isso está mudando, eu sei. Há exceções. Mas por que tão poucas? O mundo da arte muitas vezes apenas reflete a sociedade racista que temos. Embora após a Lei Áurea possamos andar livremente em qualquer lugar, não, não somos bem-vindos em qualquer lugar.

Ocupamos ainda o espaço da desconfiança, o espaço do medo, o espaço do “outro” em uma sociedade que ainda sonha em ser Europa, ou ao menos, como diz Chico Buarque, sonha tornar-se um imenso Portugal.

*Fabio Oliveira é ator, produtor e cantor, formado pela Universidade Anhembi Morumbi e pela Escola Livre de Teatro. Atuou nos espetáculo Till, dirigido por Renata Zhaneta, Bodas de Sangue, com direção de Simoni Boer, e A Respeito do Caso Dessa Tal de Mafalda, dirigido por Guilherme Sant'anna. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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roberto carlos Domingou: Roberto, não proíba mais um livro!

Roberto Carlos, sempre no holofote: não proíba mais um livro, por favor - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Como não é bobo, Paulo Cesar de Araújo lançou nesta semana, sem alarde, seu livro O Réu e o Rei, pela Companhia das Letras, no qual esmiúça sua relação de amor e ódio com o cantor e compositor Roberto Carlos. Afinal, ele é gato escaldado.

Não dá para esquecer que o Rei conseguiu na Justiça o direito de recolher nas livrarias a biografia que Araújo escreveu sobre ele, lançada em 2007: Roberto Carlos em Detalhes. Hoje, os exemplares que sobraram são disputados por colecionadores.

Em entrevista exclusiva à repórter do R7 Paola Corrêa, Araújo contou o que pensa sobre seu antigo ídolo e hoje virou inimigo nos tribunais. “Roberto Carlos quer ter o controle de tudo”.

Tal pretensão soa inconcebível para uma figura pública. Desde o momento em que Roberto quis ser famoso – e lutou um bocado para isso –, deveria ter consciência de que estaria trilhando uma história que não pertence só a ele.

Agora, pelo menos parte dessa história não pertence mais apenas a ele: a briga na Justiça com Araújo foi pública e pertence aos dois, cada qual com sua versão. E o público tem o direito de ouvir — e ler — ambas.

É lamentável um artista transformar seu biógrafo em réu. Se Araújo houvesse feito um livro de má fé, repleto de inverdades inventadas, seria compreensível o ódio de Roberto. Mas, não. O livro é fruto de trabalho árduo, entrevistas intermináveis, mesmo aquelas depois desmentidas, como fez Chico Buarque, que logo precisou voltar atrás após Araújo apresentar provas, levando a moral do autor de Pedro Pedreiro lá para baixo.

Os advogados de Roberto, por sua vez, já anunciaram que estão lendo a nova obra de Araújo. Aos defensores da liberdade de pensamento e de informação, só resta pedir, com todo carinho do mundo: Por favor, Roberto, não proíba o segundo livro do cara! Você não merece entrar para a história como um artista que mandou duas obras para a fogueira.

Roberto Carlos precisa entender que não durará para sempre. E que as futuras gerações têm o direito de saber quem ele foi, o que fez, em uma visão mais isenta, que é a de um pesquisador.

O Brasil precisa acordar para o perigo que é transformar uma história em peça de marketing aprovada pelo protagonista. Geralmente, atitudes desse tipo são comuns a ditadores. Não a artistas.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e é contra a censura. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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