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magiluth foto bob sousa11 Entrevista de Quinta: “Viramos o Pequeno Príncipe”, dizem artistas do Grupo Magiluth

Os sete integrantes do Grupo Magiluth, na tradicional rua Avanhandava, no centro paulistano: "Viramos o Pequeno Prínicipe"; a partir da esq.: Thiago Liberdade, Lucas Torres, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira, Pedro Wagner, Pedro Vilela e Mário Sergio Cabral  - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Eles agora não estão mais em um apartamento de frente para o Minhocão, mas, em um hotel bacaninha do centro paulistano. Após a marcante estada em São Paulo no inverno de 2012, o Grupo Magiluth está de volta à metrópole que abriga todas as matizes do pulsante teatro brasileiro.

Agora, os garotos do mais inquieto teatro pernambucano são sete: Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral, Pedro Vilela, Pedro Wagner e Thiago Liberdade – este último uma espécie de filho pródigo que retornou ao grupo que ajudou a fundar dez anos atrás.

As fronteiras de Recife já foram perpassadas há muito por estes artistas, que em breve atravessam o oceano Atlântico para uma parceria com uma companhia europeia. Outro dia, uma fã, sim eles têm fãs, disse que o Magiluth é seu novo Pequeno Príncipe. Os Novos Pernambucanos do teatro brasileiro adoram uma relação próxima com a plateia.

Ficam até o fim do mês em São Paulo com sua debochada versão para a peça Viúva, porém Honesta, do também pernambucano Nelson Rodrigues. O espetáculo já causou furor por todo o País e chega ao olhar do exigente público paulista com a maturidade de mais de cem apresentações.

Eles passam o feriadão de Páscoa no palco do Itaú Cultural, onde se apresentam até este domingo (20), com entrada gratuita. Depois, entre 23 e 27 de abril, sempre às 20h, se apresentam na Funarte de São Paulo [veja os serviços ao fim da entrevista].

O septeto recebeu o Atores & Bastidores do R7 com exclusividade para esta Entrevista de Quinta. Em um bate-papo inteligente e bem-humorado após o café da manhã, falaram coisas fundamentais. E ainda responderam quem inspirou o Dorothy Dalton, o lendário crítico teatral criado por Nelson Rodrigues que surge na peça do grupo de forma provocativa.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – Como é esta volta a São Paulo quase dois anos depois? E vocês trouxeram o frio de novo...
Giordano Castro – Quanto frio que a gente passou naquela outra vez! Agora, a gente chegou e esfriou  [risos]
Pedro Vilela – A gente montou o Viúva, porém Honesta aqui em São Paulo, na Funarte, naquela vez. Foram dois meses ensaiando. É importante estrear  aqui após fazer 132 apresentações em 2013. Esta turnê que fizemos nos últimos meses nos trouxe maturidade no ofício. Mas, também a gente percebe que muitas dificuldades permanecem dois anos depois, sejam de comunicação e de estrutura de trabalho.

Miguel Arcanjo Prado – Estar em São Paulo é importante?
Pedro Wagner – Vir para cá sempre causa certo furor. Este trabalho demorou muito para chegar aqui. É um lerê da porra conseguir descer, conseguir chegar a São Paulo. Mas quando a gente chega é muito instigante. E também já temos amigos na cidade.
Pedro Vilela – São Paulo é o olho do furacão. É bom estar por aqui.

Miguel Arcanjo Prado – Eu percebo que vocês estão sempre em troca com outros grupos do Brasil. Gostam de trabalhar em rede?
Giordano Castro – Estamos sempre em trocas com outros artistas. Na época da montagem, também. E não só com grupos, como também com nosso público. Em Recife tem uma turma que acompanha de perto o trabalho do Magiluth.

Miguel Arcanjo Prado – Para vocês estar em São Paulo ajuda quando voltam em Recife? Porque percebi que depois daquele 2012 vocês voltaram por cima para lá...
Pedro Vilela – Recife ainda precisa que alguém de fora reconheça algo, para então passar a ter reconhecimento por lá...
Pedro Vilela – Quando voltamos, parecia a volta dos Beatles [risos].
Erivaldo Oliveira – Mas tinha um público que já nos acompanhava. E nem é um público de teatro geral, não. É um público que via as peças do Magiluth. Gente que nos ajudou a consolidar nosso trabalho.
Mário Sergio Cabral – Hoje, a gente circula o Brasil e também faz todo o Estado do Pernambuco sempre.

Miguel Arcanjo Prado – Vocês têm uma relação muito forte com Recife?
Pedro Vilela – A gente propõe festival de teatro, o Trema!, realiza intervenções nas ruas, propõe ingressos ao preço de pague quanto puder.
Pedro Wagner – Acho que esse reconhecimento hoje é possível, bem como essas ações porque conseguimos entrar em alguns lugares.
Mário Sérgio Cabral – Eu me lembro da nossa entrevista de 2012, da gente dizendo que nunca tinha conseguido patrocínio do governo de Pernambuco. Hoje, esta circulação tem apoio estadual.
Pedro Vilela – A gente ainda não se apresentou em Recife neste ano. Só temos previsto fazer Luiz Lua Gonzaga em maio, no Palco Giratório, do Sesc. Mas estamos dando um jeito de conseguir fazer mais apresentações. Estar ausente muito tempo é perigoso. Queremos voltar.
Giordano Castro – Somos de Recife. Viver lá nos interessa para nós e para o nosso trabalho. Dar este retorno à cidade é massa.

Miguel Arcanjo Prado – É uma relação forte?
Pedro Wagner – É tão forte a relação que temos com Recife que digo que ela é de amor e ódio. É tão intenso que fomos para as ruas. Não tínhamos trabalhado com performance e arte urbana até então. E foi ótimo. A cidade está um caos nestas vésperas da Copa, o trânsito está caótico. Fomos para a rua e descobrimos outras perspectivas.
Pedro Vilela – Viramos quase guerrilheiros [risos].
Pedro Wagner – Nossa página no Facebook virou espaço de denúncia.
Mário Sérgio Cabral – Isso mudou nossa postura. Por exemplo, o Giordano foi morar perto do trabalho. E ele sempre era o mais tranquilo nos ensaios. A gente, que vinha de longe e ficava preso no trânsito, chegava estressado. Recife hoje vive uma angústia.

magiluth foto bob sousa121 Entrevista de Quinta: “Viramos o Pequeno Príncipe”, dizem artistas do Grupo Magiluth

Grupo Magiluth na garoa de São Paulo: os Novos Pernambucanos do teatro - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado – Vocês são muito conectados nas redes sociais. Este trabalho de comunicação é consciente?
Thiago Liberdade – É totalmente consciente, é um reflexo desta nova era. Nossa primeira preocupação, lá no comecinho, foi em chamar o design e amigo Guilherme Luigi, para fazer a parte gráfica. Hoje, eu assumi esta parte.
Pedro Vilela – A gente começou sem nada. Então, percebemos que o melhor trabalho para fidelizar nosso público eram um bom trabalho de comunicação. Investimos em cartazes, bottons, camisetas... E nosso público sempre sentiu essa necessidade de se aproximar da gente.
Pedro Wagner – Nosso público tem relação de amizade mesmo com a gente. É muito doido isso. Teve uma espectadora que disse que nós somos seu novo Pequeno Príncipe [risos].
Thiago Liberdade – Por isso sempre viajamos em bloco, todos juntos. Isso é importante para mantermos nossa unidade não só no palco, como também no escritório, na comunicação.

Miguel Arcanjo Prado – É mais fácil circular hoje?
Giordano Castro – Hoje, existe uma rota de fuga, um circuito criado pelos próprios grupos. Mesmo em comunicação.
Thiago Liberdade – Se não conseguimos entrar em alguns espaços, criamos nossos espaços e comunicamos.

Miguel Arcanjo Prado – Quais são os próximos planos?
Pedro Vilela – Estamos começando um novo processo de investigação para estrear em 2015, sobre o fenômeno de fé fervorosa no Brasil contemporâneo. Também vamos fazer intercâmbio com o grupo português Mala Voadora. Vamos estrear lá em 2015 e no Brasil em 2016. É uma peça sobre felicidade.

Miguel Arcanjo Prado – Como é fazer Viúva com tanta estrada?
Lucas Torres – Foi uma peça que a gente teve estrutura para montar e ensaiar. Então, estreamos de forma tranquila. E a circulação tem sido assim também. Trabalhamos com plateias distintas, com diferentes níveis de humor.
Erivaldo Oliveira – Tem plateia que dá angústia. Fica lá quietinha, não produz nenhum som. Você tem sensação de que não estão reagindo, aí vem uma reação ao fim. E é positiva sempre.
Lucas Torres – Mesmo quem não gosta do tipo de humor que fazemos entra no jogo. Porque ele é muito dinâmico entre público e a gente.
Pedro Vilela – Hoje tenho de segurar os meninos e falar: não é stand-up, hoje ficou poluído demais. Porque se eles ficam soltos, fazem o que querem.

Miguel Arcanjo Prado – E como é este encontro com Nelson Rodrigues?
Pedro Wagner – Outro dia o Kil Abreu [crítico teatral], apesar de ainda não ter visto, disse que era o encontro de duas gerações de pernambucanos apimentados. Porque o Nelson tinha pimenta também. Ele escrevia com sangue nos olhos.
Mário Sergio Cabral – A gente faz teatro como se fosse a última vez. Eu tenho sempre que me aquecer muito.
Girdano Castro – A gente faz com um tesão do caralho.
Pedro Wagner – É isso. A gente tem tesão! O grupo é só de homens. Tem uma energia muito forte, sexual, presente. Somos homens libertinos.
Giordano Castro – Somos descarados uns com os outros [risos].

Miguel Arcanjo Prado – Por que vocês resolveram dar este olhar debochado a esta obra do Nelson?
Pedro Vilela – Gente, o próprio Nelson diz que Viúva, porém Honesta é uma farsa irresponsável.
Pedro Wagner – Hoje em dia, está ficando melhor ler Nelson Rodrigues do que ver montagens. Porque colocaram ele no pedestal e fazem coisas muito respeitosas.
Giordano Castro – Incharam o Nelson com tanto respeito. Não é que a gente não o respeite, mas, nós, como artistas, precisamos nos colocar na obra.
Pedro Vilela – O filho dele foi ver no Rio e veio conversar com a gente depois. Ele nos disse: “Meu pai ficaria muito feliz”. A neta dele também adorou.
Pedro Wagner – A gente se apresentou na festa de 15 anos da neta do Nelson.

Miguel Arcanjo Prado – Apesar de eu achar ótima, soube de gente que ficou com raiva da representação que vocês fazem da crítica teatral na figura do personagem Dorothy Dalton, o crítico da nova geração, com aquele cachecol. Apesar do frio, eu nem vim de cachecol hoje [risos].
Pedro Wagner – Então, a gente está colocando essa turma para sentir a sensação que a gente tem quando lê uma crítica [risos]. Quem levar muito a sério é pior para a própria pessoa. Tudo que falamos está no texto. O Nelson Rodrigues escreveu o Dorothy Dalton para um crítico específico, o Miroel Silveira. Tanto que é bem achatado o personagem. O nosso Dorothy Dalton é mais aberto. Não é para ser levado tão a sério.

Miguel Arcanjo Prado – Quem é o Dorothy Dalton do Magiluth?
Pedro Vilela – Se me perguntassem se você é o nosso Dorothy Dalton, eu responderia que sim e que não. Porque é você, e também você não é ele. Sim, porque, hoje em dia, você é o crítico que se coloca em seus textos, não tem medo de falar, cria “bafão”, ou seja, que não é aquele crítico chato, antigo. Você é realmente o crítico da nova geração, da nossa geração. Neste aspecto você é o Dorothy Dalton.
Pedro Wagner – Até porque parte da crítica ficou muito chata. Tem crítica que consegue ser mais chata que a peça!
Pedro Vilela – Mas eu digo que você não é ele também, porque o Dorothy Dalton não sabe o que está querendo dizer. Você não é assim.
Pedro Wagner – Resumindo: o Dorothy Dalton é bem mais irresponsável que você [risos].

Viúva, porém Honesta
Avaliação: Muito bom
Quando e onde: 15 a 19 de abril, às 20h; dia 20, às 19h no Itaú Cultural (av. Paulista, 149, metrô Brigadeiro); 23 a 27 de abril, às 20h, na Funarte (al. Nothmann, 1058, metrô Marechal Deodoro)
Quanto: Grátis
Classificação etária: 18 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Entrevista de Quinta: “Viramos o Pequeno Príncipe”, dizem artistas do Grupo Magiluth

magiluth foto bob sousa10 Entrevista de Quinta: “Viramos o Pequeno Príncipe”, dizem artistas do Grupo Magiluth

Magiluth conquista SP: humor cáustico pernambucano para clássico de Nelson Rodrigues - Foto: Bob Sousa

Leia mais sobre o Magiluth no R7

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philippe gaulier foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: “Gente séria é perigosa”, diz Philippe Gaulier, o mestre mundial dos palhaços

Philippe Gaulier, com seu chapéu e seu café: "Gente séria é muito perigosa" - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Bob e eu chegamos ao saguão do Hotel Intercontinental, na alemeda Santos, em São Paulo, pontualmente no horário marcado, às 14h da última segunda (7). Philippe Gaulier já nos aguarda, sentado em uma confortável poltrona, tomando café e com um charmoso chapéu panamá. O maior palhaço do mundo tem um ar sóbrio.

Mas, logo ganhamos intimidade tanto para as fotos quanto para esta exclusiva Entrevista de Quinta.

Nascido em Paris, em 4 de março de 1943, Gaulier dirige a escola que leva seu nome na capital francesa. É considerada a mais importante instituição de formação de palhaços do mundo. Foi discípulo de Jacques Lecoq [1921-1999], o grande mestre do clown francês, com quem trabalhou até fundar sua École Philippe Gaulier em 1980. A instituição funcionou também com sucesso em Londres, entre 1991 e 2002, até retornar à sua terra natal.

Gaulier está no Brasil a convite do Sesc São Paulo, para dar a disputada oficina gratuita O Clown Segundo Gaulier, ministrada a 50 artistas e pesquisadores de distintas regiões do Brasil no Sesc Belenzinho até o próximo sábado (12). Estão representados os Estados de São Paulo, Minas, Rio, Pará, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Mato Grosso, Maranhão e Rio Grande do Sul. Segundo o Sesc, a seleção de uma turma tão eclética é forma de espalhar os conhecimentos transmitidos por Gaulier a todo País. O artista também faz palestra grátis nesta quinta (10), às 20h, no Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1.000, metrô Belém). As 120 entradas serão distribuídas gratuitamente uma hora antes.

Mas, voltemos ao bate-papo. Nesta conversa com o Atores & Bastidores do R7, Philippe Gaulier falou sobre sua arte, sobre o que pensa de gente séria e ainda declarou seu amor a uma importante artista do clown brasileiro.

Leia com toda a calma do mundo:

Miguel Arcanjo Prado – O povo brasileiro tem fama de ser bem-humorado. Você acha que isso ajuda para que o brasileiro seja um bom palhaço?
Philippe Gaulier – Não. Eu penso que Espanha, Itália, França, Suíça, Inglaterra são países que têm tradição na arte clown. Os estudantes londrinos são muito bons. É um país com tradição clown muito forte. Já os alemães, não. Sem chance. O Brasil eu não sei... Apesar de que tive bons estudantes brasileiros de clown em Londres.

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Philippe Gaulier: "A função do palhaço é fazer a gente rir, gargalhar"- Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado – Esta é sua primeira vez no Brasil?
Philippe Gaulier – Já estive aqui em 1987. Vim para Porto Alegre, Rio e São Paulo. É um país fantástico, de pessoas fantásticas. Estou muito feliz em voltar. Algumas pessoas escolhem ser fantásticas, outras, tediosas. A Noruega, por exemplo, é um país tedioso.

Miguel Arcanjo Prado – Você foi aluno do também francês Jacques Lecoq [1921-1999], mas você acabou contestando seu mestre. Acha isso necessário em todo artista?
Philippe Gaulier – Acho que sim. O artista precisa contestar seu mestre. Antes de mais nada, tenho de dizer que ele era um professor fantástico. Não concordava com alguns pontos, É impossível se concordar com tudo. Não era idiota para concordar com tudo que meu mestre dizia. A vida sempre nos mostra coisas diferentes, além disso havia uma grande diferença de geração, 30 anos nos separavam. Acredito na necessidade da diversidade de experiências.

Miguel Arcanjo Prado – O bufão é mais perigoso que o palhaço?
Philippe Gaulier – Não é mais perigoso. É diferente. A função do palhaço é fazer a gente rir. Não sorrir apenas, mas rir bastante, gargalhar. É o trabalho dele. Já o bufão tem de dizer a verdade. Vem do gueto para falar a verdade. Mas não é mais perigoso. O [dramaturgo francês] Rabelais [1494-1553] foi criticado na França. [O dramaturgo francês] Moliére [1622-1673] também foi criticado, falavam que ele ria demais em seus textos. Ele mandou todo mundo para aquele lugar, e ainda disse que não fazia rir suficiente.

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Philippe Gaulier: "Se alguém fala 'eu sou sério', acho um grande tédio"- Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado – O que é preciso para ser bom palhaço?
Philippe Gaulier –  Cada geração tem dois ou três bons palhaços. É claro que tem de ser engraçado. Se não for engraçado, é melhor virar professor universitário. Porque para ser professor universitário tem de ser sério. E se alguém fala “eu sou sério”, eu acho um grande tédio. A universidade francesa está cheia de gente assim. Eles acham que são sérios, mas na verdade são um saco. É claro que, para ser palhaço, também é bom saber as regras. Aliás, primeiro vêm as regras, depois a imaginação e a descoberta. Mas, antes, as regras. Estudar muito é preciso.

Miguel Arcanjo Prado – Por que gostamos do ridículo que existe em todo palhaço?
Philippe Gaulier –  Porque não é todo mundo que está disposto a isso, a expor seu lado ridículo. Mas, o ridículo é a melhor parte de uma pessoa. Uma pessoa ridícula não tortura a outra. Mas, gente série pode ser muito perigosa. Você aí, virando a página deste seu bloquinho de papel improvisado... Isso é ridículo. Eu precisava lhe dizer isso. E isso é também seu grande charme. Se um dia você decidir falar que você é ridículo virando esta página de bloquinho, você pode vender isso, e quem sabe ser um caminho para você virar um palhaço. Todo mundo é ridículo. O palhaço ganha a vida sendo ridículo. Se você é sensível, você sempre é ridículo.

Miguel Arcanjo Prado – O que você gosta no Brasil?
Philippe Gaulier – Quando eu era jovem, eu via muitos filmes brasileiros, sobretudo os da década de 1960, do Cinema Novo. Também amo a música brasileira. Eu também amo a Cristiane Paoli-Quito [atriz, diretora e palhaça]. Adoro bossa nova. Acho o Brasil um país lindo.

Intérprete: Lana Sultani

Conheça mais sobre o trabalho de Philippe Gaulier

philippe gaulier foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: “Gente séria é perigosa”, diz Philippe Gaulier, o mestre mundial dos palhaços

Acompanhado da tradutora e discípula brasileira Lana Sultani, Philippe Gaulier conversa com Miguel Arcanjo Prado: "Você aí, virando a página deste seu bloquinho de papel improvisado... Isso é ridículo." - Foto: Bob Sousa

 

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 Entrevista de Quinta: Vendemos mais ingresso que o Rock in Rio, diz Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba

Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba: mesmo sem Metallica na programação, ele tem mais público que o Rock in Rio: tem 220 mil contra 80 mil do concorrente musical - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de DANIEL SORRENTINO/Clix

Há 23 anos, esta época do ano é tempo de ver o teatro se espalhar por todas os cantos da capital paranaense no Festival de Teatro de Curitiba. O evento começou no último dia 25 e vai até 6 de abril com mais de 450 espetáculos, dos quais 66 têm entrada gratuita. E quem está à frente de tudo é o curitibano Leandro Knopfholz.

Na última terça (25), o empresário se viu diante de uma situação delicada. Um acidente, o primeiro grave em 23 anos de evento, marcou a festa de abertura no Expo Renault Barigui, quando uma peça de isopor da decoração caiu na cabeça do ator gaúcho Fagner Zadra, de 30 anos, que segue internado em um hospital paranaense. Leandro, que é amigo do artista ferido, acompanha de perto o caso, além de ter se responsabilizado por toda a assistência médica ao jovem. Após o ocorrido, definiu seu estado ao R7 como "Triste, muito triste".

Apesar da tristeza em seu início, o festival segue no ritmo de sua programação vertiginosa. Leandro comanda um contingente de mais de 500 postos de trabalho diretos, além dos mais de 1.000 indiretos que o evento gera. Só para se ter uma ideia da quantidade de gente envolvida, neste ano são 216 profissionais envolvidos com cenários, 65 maquinistas, 15 camareiras, 12 motoristas, 60 técnicos de luz, 40 técnicos de som, 68 produtores, 22 fotógrafos, 30 montadores e mais de 60 jornalistas vindos dos quatro cantos do País.

Apesar de ter transformado o teatro em sucesso comercial e de público: o Festival de Teatro de Curitiba tem orçamento de R$ 6,5 milhões e público de 220 mil pessoas, Leandro Knopfholz também já se acostumou a ouvir críticas. Mas, diante delas, não se fecha. Diz que está aberto a quem quiser procurá-lo.

Nesta exclusiva Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, concedida antes da abertura do festival, ele dá detalhes de bastidores do principal evento das artes cênicas no Brasil e também comemora ter público maior do que o Rock in Rio, que vende 80 mil ingressos. Leandro faz questão de reforçar que isso se dá sem ter a banda Metallica entre suas atrações; o que ele tem a oferecer são espetáculos teatrais.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Esta 23ª edição do Festival de Teatro de Curitiba está com 450 espetáculos e é a maior de todas. Como consegue crescer tanto?
Leandro Knopfholz — É que tudo cresce. A cidade de Curitiba cresceu e o teatro brasileiro também. Temos apenas de nos adequar. O festival tem uma característica que é descobrir e reinventar novas salas para a cidade. Nossa premissa é essa. No Fringe [a mostra paralela] garantimos espaço para todos que quiserem vir. Nossa regra é essa. A gente busca sala de teatro até em colégios antigos e salões paroquiais.

Qual característica você tem para fazer o festival dar certo há tanto tempo?
Eu estava pensando nisso esses dias. O festival me deu habilidade de relacionamento com as pessoas. Estamos suscetíveis a uma serie de situações que transcendem o evento. A gente trabalha com uma característica diferente: porque é gente para todos os lados. Não é uma fábrica com produto. Convivemos com muitas variáveis. Acho que uma característica que desenvolvi foi entender os tempos e os momentos de cada um. Porque o ego sempre está presente nas negociações. E precisamos conciliar tudo isso com nossa limitação logística, técnica e financeira.

Por que este ano o Festival não investiu em coproduções como no ano passado?
Em 2013, tínhamos uma situação diferente, com outros envolvidos. Estabelecemos parcerias como com o Sesc São Paulo e o Itaú Cultural. Agora, sozinho fica mais complicado produzir. Mas a gente não abandonou totalmente a produção. Para viabilizar a vinda de 2 x Matei estamos construindo o cenário aqui. Quem Tem Medo de Virginia Woolf? também estamos construindo o cenário, assim como o do The Rape of Lucrece e Sonata de Outono. O que abrimos mão neste ano foi pegar uma ideia do zero e transformar em um espetáculo, porque isso não depende só da gente.

Por que o Festival de Teatro de Curitiba é tão popular quando comparado aos outros festivais?
Não temos a pretensão de sermos o melhor. Mas temos três pessoas que assistem teatro no Brasil e no mundo o ano inteiro. Queremos fazer um recorte da produção nacional e internacional, dando prioridade sempre a companhias estáveis do teatro brasileiro e prestando atenção aos novos dramaturgos da cena contemporânea. Neste ano, temos um viés de histórias pessoais que viraram dramaturgia, como em BRTrans e Se Fosse Fácil Não Teria Graça. Também gostamos de peças que incorporam tecnologia à cena. Tentamos trazer representantes de tudo que vimos. Isso não quer dizer que trazemos os melhores. Trazemos aqueles que conversam com nosso discurso curatorial. Não somos melhores do que ninguém, só queremos fazer o nosso.

A Nany People apresentava há dez anos o Risorama, que é o maior sucesso de público do festival com suas noites de stand-up. Por que ela deixou o evento neste ano?
Aconteceu porque não chegamos a um acordo comercial que agradasse a ambas as partes. A Nany é madrinha do Risorama, começou na primeira edição. Isso ninguém vai mudar. Ela faz parte da história do evento. Ela continua super bem-vinda. Como não fechamos com ela, estamos com o Marcio Ballas de mestre de cerimônias neste ano. Teve um ano em que a Nany precisou faltar alguns dias e substituímos pela Dani Calabresa. A falta da Nany é uma perda enorme. Ela tem espaço para voltar quando quiser. Inclusive a chamamos para vir nem que fosse um dia, mas ela preferiu não. Quem sabe no próximo ano ela está de volta?

 Entrevista de Quinta: Vendemos mais ingresso que o Rock in Rio, diz Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba

O empresário curitibano Leandro Knopfholz transformou o teatro em um grande negócio e administra orçamento de R$ 6,5 milhões no Festival de Teatro de Curitiba: "Passo o fim de semana buscando promoção de passagem aérea barata na internet" - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por que tanta gente fala mal do Festival de Teatro de Curitiba? É inveja?
Sinceramente, não sei porque falam mal. O que a gente pretende é ser aberto a todo mundo e coerente com nossa proposta. Conversando muito com nosso público. Chamar a gente de comercial ou entretenimento para mim é elogio, não é ofensa. Temos 200 mil lugares para vender. O Rock in Rio tinha 80 mil entradas, mas tinha o Metallica de atração e é um evento casado com uma grande emissora. Nós, não. Somos independentes e fazemos teatro. E mesmo assim vendemos mais ingresso que o Rock in Rio. Se tem gente que acha que nos tachando de comerciais faz insulto, está nos fazendo um grande elogio na verdade.

O que o evento tem de bom e de ruim?
Em relação a organização, temos evoluído em todos os sentidos. Questões técnicas é difícil reclamarem. Somos conhecidos por entregar bastante as necessidades técnicas, mas existe uma reclamação do Fringe, que ele é grande e não dá apoio. Que no Fringe é cada um por si, mas essa é a proposta. A gente quer continuar crescendo. Existe gente mais acomodada, acostumado a outro modelo. Eu acho que as pessoas têm o direito e muitas vezes tem razão de criticar, não tenho pretensão de ser perfeito. Pretendo usar as críticas para melhorar cada edição. Gosto que a critica seja feita direta à gente. Eu sou um cara acessível. Ninguém precisa falar pelas costas. Se alguém tem um incômodo, pode me ligar que eu vou escutar. Estou aberto a entender as reclamações e tentar ajeitar tudo.

Chegou a circular o boato de que você sairia do Festival de Teatro de Curitiba e alguém de sua família assumiria. Isso é verdade?
Teve esse boato? Isso não é verdade. Não procede. O que eu adoraria é que, cada vez mais, o festival fosse menos personificado em mim e que, cada vez mais, pudesse ter profissionais dedicados ao evento trabalhando nele. Tenho esse plano de tentar achar mais gente que possa assumir situações. Só que estes gestores precisam ter características específicas.

[interrompendo] Que só tem quem faz o festival há 23 anos...
Pois é... Mas, a ideia ainda é trazer pessoas para fazer comigo. Mas eu te garanto, Miguel, que num prazo dos próximos três ou quatro anos eu não me vejo fora do Festival de Teatro de Curitiba.

Qual o orçamento do Festival de Curitiba?
Ele está orçado em R$ 6,5 milhões em gasto financeiro. Só que as coisas ficariam na realidade bem mais caras se não houvesse uma boa gestão. Contamos com permutas e negociações comerciais. Passo o fim de semana buscando promoção de passagem aérea na internet. Se não fossem coisas assim, o orçamento seria o dobro.

Qual a importância do curitibano para o sucesso do Festival?
O curitibano se acostumou bastante com o teatro e com o Festival. Hoje, em termos de produção teatral, Curitiba só perde para São Paulo e Rio. Só no ano passado foram produzidos 120 espetáculos na cidade. Além disso, cada vez mais na TV temos artistas saídos de Curitiba, que também foram ajudados pela visibilidade que o Festival traz aos artistas da cidade. O Festival de Teatro de Curitiba traz luz e visibilidade para a cena curitibana. Ele encurta caminhos de muitos profissionais e promove muitos encontros. Além disso, é fundamental na formação de público teatral. Hoje, para o curitibano médio, teatro é uma linguagem familiar. Não é mais mitificada.

Você tem muitos olheiros nesta edição?
Só de olheiros de emissoras de TV temos seis. Fora olheiros do Sesc, do Sesc e 25 diretores de festivais internacionais. De jornalistas, temos mais de 60 vindos de todos os cantos do País, como você. Temos jornalistas de Manaus a Porto Alegre.

Como é esta época do ano para você: no meio do festival acontecendo?
Quer que eu seja sincero? É o período do ano que eu mais sofro. O dia mais feliz para mim é quando o Festival de Teatro de Curitiba termina e eu vi que deu tudo certo.

 Entrevista de Quinta: Vendemos mais ingresso que o Rock in Rio, diz Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba

Com 450 espetáculos em 13 dias e público de 220 mil pessoas, Festival de Teatro de Curitiba, dirigido por Leandro Knopfholz, é o maior evento teatral do Brasil - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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lee nac bob sousa5 Entrevista de Quinta – Lee Taylor divide direção com Luiz Claudio Cândido e quer foco no ator

Luiz Claudio Cândido e Lee Taylor: direção a quatro mãos em LILITH S.A. - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Nada mais natural que dois atores lapidados por um dos mais exigentes diretores da história do teatro brasileiro fossem também exigentes e focados no trabalho da atuação quando na direção. Lee Taylor e Luiz Claudio Cândido, que passaram pelo CPT (Centro de Pesquisa Teatral) de Antunes Filho no Sesc Consolação, dizem que o foco agora é o trabalho do ator.

Eles dirigem a quatro mãos LILITH S.A., peça que estreia na próxima segunda (24) no Espaço Beta do Sesc Consolação, em São Paulo, e que marca o reencontro dos dois com o espaço fundamental em suas respectivas formações. A montagem é a primeira peça teatral do NAC (Núcleo de Artes Cênicas) fundado por Lee há cerca de um ano.

O espetáculo mostra uma empresa à beira da falência justo quando comemora seu centenário. Na festa de comemoração, os funcionários revelam desejos mais ocultos. O texto, produzido pela equipe com colaboração dramatúrgica de Michelle Ferreira, partiu do mito de Lilith, cujas lendas dizem ter sido a primeira mulher de Adão.

No elenco, estão Camila de Maman Anzolin, Fernando Oliveira, Frann Ferraretto e Renata Becker. Fran Barros, que acaba de ganhar o Prêmio Shell de melhor iluminação por Vestido de Noiva, assina a luz. Hercules Morais faz a assistência de direção.

Numa tarde nos arredores do Sesc Consolação, Lee e Luiz conversaram com o Atores & Bastidores do R7 para esta Entrevista de Quinta. Falaram sobre o espetáculo e planos para o futuro.

Leia com toda a calma do mundo.

lee nac bob sousa41 Entrevista de Quinta – Lee Taylor divide direção com Luiz Claudio Cândido e quer foco no ator

Amizade no teatro: Lee Taylor e Luiz Claudio Cândido fizeram artes cênicas juntos na USP - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Como vocês se conheceram?
Luiz Claudio Cândido – A gente se conheceu no curso de graduação em Artes cênicas, na USP.
Lee Taylor – Fomos da mesma turma de graduação na ECA [Escola de Comunicações e Artes] em 2002. Chegamos a realizar alguns trabalhos juntos na época, antes da minha entrada no CPT [Centro de Pesquisa Teatral, dirigido por Antunes Filho], e agora retomamos a parceria. Já o Hercules Morais, assistente e artista pedagogo do NAC, foi participante de um dos CPTzinhos em que ministrei aulas.

Como é dirigir a quatro mãos? Vocês brigam muito?
Lee – Antes de mim, o Luiz já tinha passado pelo CPT e esse é um fator bem importante para a afinidade artística entre nós no trabalho realizado no NAC, pois além da USP, também temos o CPT como experiência em comum. Acho a proposta de uma direção compartilhada bastante desafiadora, que vai ao encontro do espírito de coletividade inerente ao teatro. No caso de LILITH S.A., todo o processo de criação de cenas partiu dos atores, a direção trabalhou para potencializar, estruturar, alinhavar, dar condições e estimular a autoria de cada integrante do elenco. Uma ou outra criação de cena partiu da direção, porém apenas para dar corpo à encenação. Acredito que múltiplas visões tornaram o trabalho mais complexo e rico de camadas. Tivemos liberdade absoluta para interferir e modificar no que fosse necessário para a obra, e isso só foi possível porque colocamos a obra e a coletividade em primeiro lugar. O embate criativo é natural, pois todos buscam contribuir com sua sensibilidade e singularidade para a criação do trabalho, mas o diálogo artístico se estabeleceu em alto nível com bastante maturidade. O grande diferencial desse trabalho e o nosso diferencial (meu e do Luiz), é usar a encenação como processo artístico-pedagógico. Em LILITH S.A. nosso trabalho está a serviço dos atores e não o contrário. Acima da encenação e dos diretores está o aprendizado dos atores ao passar por essa experiência.
Luiz – É um exercício constante, desafiador e profundamente valoroso, de olhar para si e para o outro. Não é só ir lá e dirigir e pronto. Não, você tem que se encontrar consigo mesmo e com o outro. E é deste encontro que surge algo vital para os dois: no nosso caso, tudo aquilo que está no nosso espetáculo. É necessário que você preste atenção tanto em você mesmo quanto no outro e isso, nos dias de hoje, já dá bastante trabalho. Aprender a ouvir, a ceder, a se posicionar, a respeitar as fragilidades de cada um, etc., etc. É um exercício de alteridade. Com o desenrolar do processo criativo a gente foi afinando tanto a relação um com o outro que começamos a entender até aquilo que não era dito com palavras, mas com um olhar, um movimento da cabeça, uma respiração… Ah! E tudo isso, claro, mergulhado em muito, muito trabalho diário de séria e rigorosa pesquisa teatral. Por mais incrível que possa parecer, não me lembro de ter brigado com o Lee. Tivemos muitos embates criativos nos quais cada um defendeu suas ideias, seus pontos de vistas, suas escolhas estéticas, mas briga nunca. O Lee é generoso, inteligente e sensível, qualidades fundamentais em um artista.

lee nac bob sousa31 Entrevista de Quinta – Lee Taylor divide direção com Luiz Claudio Cândido e quer foco no ator

Lee Taylor e Luiz Claudio Cândido: embate criativo, mas sem brigas - Foto: Bob Sousa

Por que mexer com o mito da criação da humanidade?
Luiz – Para mim, vem de uma inquietação, de uma vontade de olhar mais atentamente para a humanidade em si, diante do contexto histórico atual: quais são os valores que estão nos norteando? Como estes valores regem as relações entre os seres humanos, entre estes e a natureza? O que é a humanidade hoje? Olhar para a humanidade não como algo natural, mas construído historicamente e que, portanto, pode ser modificada, reinventada.
Lee  – É uma oportunidade de problematizarmos a condição humana e olharmos com estranhamento para certos paradigmas que aparentemente estão sendo descontruídos, mas que ainda carecem de tempo para se consolidarem. Além disso, a configuração do elenco, composto por três mulheres e um homem, influenciou bastante na escolha do mito de Lilith. De alguma forma o mito se manifestou nas primeiras improvisações anteriores a escolha de Lilith como material de criação. O preponderante no espetáculo é a questão da insatisfação da mulher quando colocada em uma posição de submissão em relação ao homem. O confronto, fruto dessa tensão, é um tema extremamente contemporâneo e que merece ser discutido por uma perspectiva dialética, para isso recorremos ao universo shakespeariano.

Lee, como é voltar ao Sesc Consolação sem ser do CPT?
Lee – Eu me sinto em casa, conheço praticamente todos os funcionários, o Sesc Consolação é um espaço privilegiado em São Paulo. Fiz questão de estrear o primeiro espetáculo da primeira turma do NAC no Espaço Beta e agradeço ao Felipe Mancebo [gerente do Sesc Consolação] e a sua equipe por acreditar no trabalho.

O Antunes já cruzou contigo nos corredores, como foi?
Lee – Sempre nos cruzamos, praticamente toda semana, estou sempre no Sesc, nada mudou na nossa relação depois de um ano da minha saída do CPT. O Antunes não gosta muito de ir às estreias, por isso ele já combinou comigo que vai aparecer no decorrer da temporada.

O que vocês planejam para o NAC neste ano?
Lee – Este ano será fundamental para a consolidação do NAC como espaço de pesquisa teatral continuado em São Paulo. Em breve estarão abertas as inscrições para o processo seletivo do curso Poética do Ator. No ano passado tivemos quase 500 inscritos para 20 vagas e já temos mais de 600 interessados cadastrados pelo site do NAC aguardando a seleção da nova turma. Logo após a estreia do espetáculo divulgaremos as novidades para esse ano.

Qual é o objetivo do NAC?
Lee – Para além das palavras e das ideias bem intencionadas, o objetivo do NAC está sendo esboçado na prática e pode ser visto neste espetáculo. Tivemos a oportunidade de promover um processo que favoreceu a emancipação artística de cada um dos atores envolvidos. Se esses quatro atores não se tornarem grandes atores no futuro, pois já demonstraram essa potencialidade durante os ensaios, serão no mínimo pessoas com uma sensibilidade diferenciada e mais conscientes de si próprias. O espetáculo é um desafio para todos os envolvidos, é bastante radical e arriscado nesse sentido, pois tudo depende da sensibilidade dos atores na cena. Mas o elenco realiza cenas de grande dificuldade de maneira sublime e com muita sensibilidade. Essas últimas semanas, Luiz e eu viramos espectadores e ficamos comovidos com atuações extremamente poéticas desempenhadas por cada um dos atores. Não quero gerar expectativas, mas acredito que o público que puder conferir o espetáculo vai se surpreender com uma atuação de alto nível.

Como vocês selecionaram o elenco do espetáculo?
Luiz – Assisti o exercício final do Módulo 1 de todos os participantes do curso do NAC. Depois teci meus comentários com o Lee e fomos realizando a difícil tarefa da seleção. Difícil porque o nível dos artistas era muito bom, eles estavam muito bem preparados técnica e sensivelmente. Mas era necessária a seleção e acredito que fizemos ótimas escolhas.
Lee – Foi uma etapa bastante difícil que demandou dias de discussões entre mim, o Hercules e o Luiz. Depois de três meses de curso todos os 20 atores que ingressaram no NAC demostraram grande capacidade e interesse em participar da montagem, mas, infelizmente, por uma questão de aprofundamento do trabalho já prevíamos a escolha de poucos atores para a construção do espetáculo. Levamos em consideração toda potencialidade artística e singularidade dos envolvidos além do desempenho de cada um durante a primeira etapa do curso. Outro fator importante foi uma busca por reunir atores que pudessem se configurar como um coletivo forte e criativo. No entanto, o principal fator foi a disponibilidade do elenco em se arriscar artisticamente num trabalho que não faz concessões, no qual o foco principal é o desenvolvimento do trabalho do ator, e que, por esse motivo, exige dos atores um posicionamento crítico e artístico além de uma plena responsabilidade pela criação e um amplo compromisso com o espetáculo como um todo.

Lee, como vai o mestrado [em artes cênicas] na USP?
Lee – Restam apenas alguns meses para a conclusão da dissertação sobre pedagogia do ator que venho desenvolvendo sob orientação da professora doutora Maria Thais. Por conta da finalização do espetáculo do NAC não tenho conseguido me dedicar o quanto gostaria, mas a partir da próxima semana pretendo voltar a dar prioridade à escrita.

O que vocês pretendem no futuro?
Lee – Tenho recebido alguns convites para atuar em teatro, cinema e televisão, mas nada até agora me deu mais prazer artístico do que fazer parte desse processo que estamos desenvolvendo no NAC, por isso pretendo continuar dando prioridade a esse trabalho.
Luiz – Aqui no NAC a gente vivencia muitas coisas durante o processo de criação. É um processo artístico e pedagógico que nos transforma como artista e como Homem. Não tem como sairmos do mesmo jeito que entramos. É muito estudo, rigor, horas e horas de dedicação ao trabalho, muitas e muitas cenas criadas e abandonadas e recriadas e retomadas e muitas vozes discutindo, pensando arte coletivamente. E isso é completamente apaixonante, alegre, celebrativo. O que eu pretendo é que venham outros processos criativos no NAC tão ricos quanto o da LILITH S.A. Vida longa ao NAC!

LILITH S.A.
Quando: Segunda e terça, 20h. 60 min. Até 29/4/2014
Onde: Espaço Beta do Sesc Consolação (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo, metrô Santa Cecília, tel. 0/xx/11 3234-3000)
Quanto: R$ 10 (inteira); R$ 5 (meia-entrada); e R$ 2 (comerciários e dependentes)
Classificação etária: 12 anos

lee nac bob sousa6 Entrevista de Quinta – Lee Taylor divide direção com Luiz Claudio Cândido e quer foco no ator

Lee Taylor e Luiz Claudio Cândido: eles querem colocar o NAC no mapa teatral - Foto: Bob Sousa

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RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 17.ALTA  Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

O paulistano Maurício Soares Filho, em cena de Resíduo Drummond - Foto: Bia Serranoni

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Maurício Soares Filho está mergulhado na obra do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Formado em artes cênicas e em letras pela Unicamp (Universidade de Campinas), ele se aventura no espetáculo solo Resíduo Drummond, em cartaz até 27 de abril no Teatro da Livraria da Vila do shopping JK Iguatemi, em São Paulo [veja serviço ao fim].

Com direção de Luciana Garcia, a obra é uma homenagem ao poeta itabirano. Em cena, a visão de mundo do grande mestre de nossa literatura, fruto de um ano de pesquisa, quando a dupla estudou em pormenores oito livros do poeta.

Apaixonado por Drummond, Maurício conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta. Falou de literatura, dos momentos marcantes nos palcos e ainda revelou o que deixa ele muito irritado.

Leia com toda a calma do mundo.

RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 17.ALTA 2 Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

Ator e professor: Maurício Soares Filho é formado em letras e em artes cênicas pela Unicamp - Foto: Bia Serranoni

Miguel Arcanjo Prado – Qual a importância de ter feito letras além de artes cênicas?
Maurício Soares Filho – Primeiro entrei em Artes Cênicas na Unicamp, em 1987. Nossa, faz muito tempo! Logo, percebi que, embora o curso fosse ótimo e me atraísse muito, eu precisaria de uma base teórica maior para conseguir compreender os textos e mergulhar de cabeça na profissão de ator. O que eu não imaginava era que também seria tão feliz dando aulas e que me sentiria realizado na relação com os alunos por meio da literatura. No ano seguinte, 1988, prestei letras na própria Unicamp e consegui passar. Naquela época, era possível fazer dois cursos em uma universidade pública, desde que você fosse aprovado duas vezes no vestibular, que foi justamente o que aconteceu comigo. É claro que foi complicado, que vivi momentos de divisão e dúvida, mas, no final, deu tudo certo.

Como você vê a experiência de ser professor junto da profissão de ator?
Acho que a profissão de professor está diretamente relacionada ao trabalho de ator. A cada aula é como se estivéssemos representando um pouco e, especialmente em Literatura, o trabalho com textos também tem muito a ver com o teatro. O professor representa uma pessoa que ele não é, tem um texto na cabeça e precisa atingir seu público. Não é exatamente igual ao que acontece no teatro? Além disso, a movimentação dentro da sala de aula e a projeção vocal também são elementos que podem trazer um diferencial bem importante para o sucesso de uma aula.

Você tem uma história boa da época de aluno da Unicamp?
São muitas as histórias, é claro... Uma que posso destacar e que não é exatamente engraçada é justamente a do teste para o Macbeth que fiz quando estava terminando a Unicamp. Eu já dava muitas aulas e estava de casamento marcado, lua de mel e tudo! Aí apareceu essa chance e eu fui mais por desencargo de consciência do que por acreditar que conseguiria um espaço. Depois de um dia em Campinas, fui classificado para uma “segunda fase” em São Paulo que aconteceria durante uma semana, sempre das 14h às 23h todos os dias. Sem nenhuma garantia, sem nenhuma remuneração e tendo que “abandonar” provisoriamente o resto da vida inteira. Fui. E dei um jeito com as escolas, e consegui dinheiro (nem sei como) para ir e voltar de São Paulo todos os dias, e essa semana se transformou em três, porque o diretor Ulysses Cruz não se decidia... No final, fui o único escolhido de toda a leva que fez o teste em Campinas e foi um momento de realização que experimentei poucas vezes na vida! Eu nem comentei que iria casar e tal...

E como fez?
Bem pertinho do casamento eu pedi para faltar durante três dias, uma sexta, um sábado e um domingo para poder ir pelo menos até Campos do Jordão com minha esposa. Deu certo! Casei, fiz a peça, viajei muito com a companhia e consegui manter minhas aulas para o ano seguinte, porque sempre soube que o sucesso não duraria para sempre e que eu precisaria do dinheiro das escolas para sobreviver!

Quando você veio morar em São Paulo?
Sou de São Paulo. Nasci na rua Tamandaré (um dos locais em que trabalho hoje como professor), no bairro da Aclimação. Fui para Campinas apenas por causa da Unicamp e voltei para cá logo que me formei. Depois, fui me especializar em Londres, onde fiquei dois anos e meio estudando teatro. Voltei para o Brasil e passei de novo por Campinas. Atualmente moro em Perdizes, onde estou desde 2006 e não trocaria essa cidade por lugar nenhum! Mentira... Talvez pelo Rio de Janeiro, porque adoro uma praia [risos].

O que lhe atrai em São Paulo?
Gosto dos cinemas, dos restaurantes, da vida na avenida Paulista, gosto de me sentir no olho do furacão, onde tudo está acontecendo. Além disso, acho que este é o melhor lugar do Brasil para criar meus filhos, por todas as opções que uma cidade como essa oferece, apesar dos problemas!

mauricio soares Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

Maurício Soares Filho é paulistano da Aclimação e vive em Perdizes, zona oeste de São Paulo - Foto: Bia Serranoni

Quem são seus pais?
Nasci em março de 1969, em São Paulo. Minha mãe é psicóloga e meu pai empresário e advogado. Ninguém tem qualquer relação com o meio artístico.

Quando você era criança o que mais gostava de fazer?
Sempre gostei de teatro e de televisão. Sempre! Gostava de decorar poemas, de fazer “showzinhos” para a família, de gravar músicas do rádio no gravador cassete e, você não vai acreditar, brincar de escolinha! Sempre fui um menino que preferia ficar dentro de casa, nunca gostei muito de esportes e nem de sair à noite. Embora seja muito extrovertido, sempre gostei de ler e escrever e passava muito tempo sozinho.

Por que você gosta do Drummond?
Eu gosto do Drummond porque ele traz respostas para as questões que me inquietam como homem contemporâneo. Ele fala sobre esse conflito que todos nós temos entre participação e alienação, o que não se refere apenas à questão social, mas também às atitudes que temos frente à vida. Podemos simplesmente construir uma vida tranquila, em uma ilha deserta e cuidarmos das nossas questões individuais sem olhar para o mundo em torno? Isso é possível? Como sobreviver em um ambiente tão árido como é a sociedade de hoje em dia em tantos aspectos? Quem nunca sonhou em abandonar tudo e ir para uma ilha deserta se isolar?

Todo mundo...
Aprendi a gostar de Drummond na sala de aula e tudo começou com o livro Rosa do povo, considerado uma das suas obras-primas. Preparei uma aula especial sobre essa obra e aquilo me instigou, me moveu muito. A partir daí, percebi o potencial teatral que aqueles textos traziam e resolvi transformar tudo o que sentia em um espetáculo que falasse, não sobre o Drummond, mas sobre tudo o que ele pode transmitir e representar para quem se dispõe e lê-lo ou, no nosso caso, a vivenciá-lo no teatro.

Qual poesia do Drummond você mais gosta?
Puxa! São tantos. Gosto muito do poema Resíduo, que dá nome ao espetáculo. Versos como “Abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória” falam diretamente à minha alma. Ainda mais no meu caso, que sou o tipo de cara que se lembra de tudo! Isso pode ser uma benção, ou uma praga! Gosto também bastante de um texto chamado Mãos Dadas, que termina com a afirmação: “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente!” Como eu disse antes: gosto das obras que dialogam comigo, que respondem às minhas buscas mais íntimas!

Por que você resolveu ser ator?
Não resolvi ser ator. Sinto que isso estava resolvido desde a minha concepção. Não me lembro de algum dia em que tenha cogitado não representar, não fazer teatro. Tenho mesmo a sensação de que esta decisão é anterior à minha existência em si. Aliás, o amor pelo teatro é tão grande e tão complicado que, se pudesse decidir, provavelmente não faria uma opção tão complexa! Que eu seria ator, eu sempre soube, a questão era como. Optei pela universidade porque acredito no estudo e na preparação física e intelectual como um caminho para o artista se instrumentalizar. Afinal, como disse muitas vezes a Fernanda Montenegro: “o trabalho do ator é composto de 5% de inspiração e 95% de transpiração!”.

Você também escreve poesia?
Não escrevo poemas não. Não me sinto capaz de fazer isso. O contato com os textos do Drummond e do Fernando Pessoa me fez perceber que esse tipo de coisa não é pro meu bico! Gostaria muito de escrever um livro de ficção. Tenho planos e até metade de uma primeira incursão na literatura esboçada!

O que te irrita nas pessoas?
Muita coisa me irrita. Acho que sou um cara bem irritado! Talvez o pior seja aquele tipo de pessoa que vive como se não existisse mais ninguém. É o cara que olha as mensagens de celular no cinema, que estaciona o carro sem observar as faixas que dividem as vagas, que para o carrinho de supermercado no meio do corredor e que fica rindo e falando alto no restaurante. Aliás, falar durante um filme no cinema também é algo que me deixa irritadíssimo! Como eu disse, sou, em geral, bem irritado [risos].

Qual peça você mais gostou de fazer em sua carreira?
Vivi momentos inesquecíveis ao lado de Antonio Fagundes em Macbeth, de Shakespeare, dirigido por Ulysses Cruz. Viajamos o Brasil inteiro e éramos um elenco muito grande. Fiz vários amigos e tínhamos sempre casa lotada, além da oportunidade de falar o texto do Shakespeare, é claro! Isso foi em 1992 e eu tinha acabado de me casar e de me formar na Unicamp. Posso dizer que foi um período de sonho, de verdade! Mais recentemente tive a honra de trabalhar com Silnei Siqueira, um grande diretor de teatro recém-falecido e com quem fiz O Apocalipse ou o Capeta de Caruaru, de Aldomar Conrado. O texto é muito engraçado e foi encenado pelo Teatro do Largo, um grupo que nasceu dentro da faculdade de direito do Largo São Francisco e no qual trabalhei durante algum tempo. Mas é com o Resíduo que tenho tido as alegrias de hoje em dia. O trabalho de direção da Luciana Garcia trouxe uma linha para os poemas, criando uma história que conduz o espectador de uma maneira que eu nunca pensei que seria possível. Tenho me sentido abençoado por ter a oportunidade de estar em cartaz na cidade que eu amo, com uma equipe tão talentosa e dizendo esses textos que me dizem tanto respeito. Sou um cara de muita sorte.

Por que você faz teatro?
Faço teatro porque não consigo viver sem isso. É bem simples, na verdade. Já tentei ficar um tempo longe do palco e sempre ficava bem mal. O contato com o texto, com o personagem e, principalmente, com o público me alimenta. Além dessa necessidade quase egoísta, estou em um momento em que de fato acredito que sou um instrumento que pode transmitir os textos do Drummond para pessoas que talvez ainda não o conheçam e, se já o conhecerem, podem começar a vê-lo por ângulos diferentes. O teatro é o veículo que uso para chegar até as pessoas e transmitir tudo o que penso sobre estar vivo!

RD Maurício Soares Filho foto Bia Serranoni 1.ALTA  Entrevista de Quinta – Maurício Soares Filho mergulha em Drummond e provoca: “Quem nunca sonhou em ir para uma ilha deserta?”

O ator Maurício Soares Filho: "No teatro transmito tudo o que penso" - Foto: Bia Serranoni

Resíduo Drummond
Quando: Sábado, 20h, domingo, 18h. 75 min. Até 27/4/2014
Onde: Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi (av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, São Paulo, tel. 0/xx/11 5180-4790)
Quanto: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos


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rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto1 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez, na mesa de luz do Espaço dos Satyros Um: aposta no teatro expandido - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

O R7 chega ao escritório do grupo teatral Os Satyros, em cima de seu teatro, na praça Roosevelt, centro de São Paulo, e encontra o diretor Rodolfo García Vázquez em reunião com sua equipe. O relógio já passou das 14h e ele ainda não almoçou.

Assim que nos vê, aproveita a chegada da reportagem como desculpa para propor uma pausa para o almoço. Como o fotógrafo Eduardo Enomoto e eu já havíamos almoçado, aceitamos o convite para acompanha-lo em qualquer lugar onde se encontre comida nos arredores da praça que virou sinônimo da trupe de Rodolfo e Ivam Cabral, fundada há 25 anos.

Enquanto dá as últimas orientações, Rodolfo conta que mal teve tempo de comemorar seu aniversário, na terça-feira (4), tamanha a correria para a estreia do projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias, neste sábado (8), quando haverá uma maratona com as sete peças em sequência, cada uma representando um dos "sete mandamentos do mundo ciborgue", criados pelo grupo. Depois, cada uma vai ocupar um dia da semana no Satyros com entrada gratuita. Cada espetáculo tem um tema diferente e dramaturgia escrita por nome tarimbado de nossa sociedade. Um deles terá até "sexo ciborgue".

Assim que chega na calçada, Rodolfo se encontra com outro diretor, Alexandre Reinecke, que conta que também está ensaiando uma peça no teatro vizinho Parlapatões e dá um abraço de boa sorte no diretor dos Satyros.

Debaixo de chuva, chegamos a um restaurante na esquina da rua da Consolação com Nestor Pestana. Rodolfo pede bife à parmegiana com fritas e legumes salteados. A Entrevista de Quinta do Atores & Bastidores do R7 começa.

Leia com toda a calma do mundo.

jose sampaio evandro carvalho suzana muniz samira lochter marcelo maffei rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto3 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Tarde nos Satyros, com a maquete iluminada por pedaladas na bicicleta: (a partir da esq.) José Sampaio, Evandro Carvalho, Suzana Muniz, Samira Lochter, Marcelo Maffei e Rodolfo García Vázquez - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Como foi ganhar o Fomento [verba municipal de incentivo ao teatro; o Satyros obteve R$ 729 mil] para fazer este projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias?
Rodolfo García Vázquez –
Ficamos felizes. Até porque ficamos quatro anos sem ganhar. A última vez foi em Cabaret Stravaganza. E ainda mais por ganhar nestes nossos 25 anos.

Como o projeto surgiu?
Em 2009, começamos a pesquisar o que resultou a peça Hipóteses para o Amor e a Verdade, que virou filme que será lançado neste ano. Aí começamos com a pesquisa do Teatro Expandido. Percebemos que a humanidade está vivendo um outro momento. Nós não somos só os nossos corpos.

E somos o quê?
Nós somos o corpo mais as extensões tecnológicas dele. Não se pode viver mais na sociedade sem próteses cibernéticas. Acho que se a humanidade existe hoje assim, o teatro não pode passar ileso a isso. Na época do Hipóteses, a gente trabalhou com telefonia, ligava para o público, abria a internet em cena. É uma coisa que já vínhamos desenvolvendo. Cheguei a escrever um artigo sobre isso no primeiro número da revista A[L]BERTO, que é publicada pela SP Escola de Teatro [Rodolfo faz parte do time de formadores da instituição].

Para quem o Teatro Expandido quer falar?
Para a humanidade expandida. Em Cabaret Stravaganza a gente falava de cirurgia plástica, de internet, de medicamentos que as pessoas tomam e que criam novas personalidades para as pessoas. Tudo isso tem impacto e cria uma nova forma de ser humano. A noção de identidade não é só mais física, é também digital.

rodolfo garcia vazquez pablo benitez robo fabio ock bruno gael satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto21 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

A partir do alto, em sentido horário: Rodolfo García Vázquez se encontra com o colega Alexandre Reinecke na praça Roosevelt; o artista plástico uruguaio Pablo Benítez Tiscornia prepara os robôs; robô em cena no palco; e Fábio Ock e Bruno Gael terminam os vídeos do projeto - Fotos: Eduardo Enomoto

E quem compõe seu elenco?
Eu prefiro não chamar de elenco. Prefiro chamar de grupo de artistas. Temos umas 30 pessoas na equipe. São atores ciborgues falando para espectadores ciborgues. Os atores entram com celular em cena. Ele é uma prótese do ator.

Então, você não entrou na campanha contra o celular no teatro?
Eu não! Eu penso exatamente o contrário. O mundo está em outro momento. Não posso falar: “não ligue o telefone” para meu público. Eu tenho é de fazer um espetáculo tão bom que a pessoa não queira ligar o telefone!

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A energia dos Satyros: ator José Sampaio pedala para iluminar cidade-maquete - Foto: Eduardo Enomoto

Como são os sete espetáculos?
No sábado agora, vamos fazer todos em sequência, para a estreia, e depois, no primeiro mês, vamos fazer um por cada dia da semana, com entrada gratuita. São peças curtas, entre 45 e 60 minutos. Cada espetáculo partiu de um binômio da questão ciborgue e teve um texto de um provocador convidado.

Como assim?
Por exemplo, o primeiro, Não Amarás, partiu do binômio "amor e solidão". Os atores fizeram investigações a partir disso e o chamamos o psicanalista Contardo Calligaris para ser o provocador e escrever um texto. O segundo é Não Fornicarás, que aborda o sexo corporal e sexo digital, e teve texto da Rosana Hermann [colunista do R7]. O terceiro é Não Permanecerás, que aborda a relação espaço e tempo, com texto do jornalista Pedro Burgos. A quarta é Não Saberás, que fala de ciência e natureza, com texto do engenheiro genético Marcos Piani, que trabalhou no departamento de Defesa dos EUA. A quinta é Não Salvarás, que aborda fé e ateísmo e tem texto do escritor Xico Sá. A sexta é Não Morrerás, que aborda corpo e morte, com texto do médico Drauzio Varella. E, por último, a sétima é Não Vencerás, que fala de poder e individualidade, com texto da dramaturga Maricy Salomão.

Como você reuniu este time?
A gente já conhecia a maioria deles. Queríamos que escrevessem algo para eles mesmos. Lançamos um desafio e eles responderam.

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Rodolfo García Vázquez no escritório dos Satyros em meio à cenografia de E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias - Foto: Eduardo Enomoto

E vai ter mais peça nestes 25 anos dos Satyros?
Sim, estamos ensaiando um texto do seu colega [o jornalista] Sérgio Roveri, que se chama O que Vem com a Maré, que terá três versões assinadas cada um por um diretor, um deles sou eu e os outros ainda estamos definindo. Vamos estrear em abril. E ainda vamos ter um infantil.

Agora vamos para a parte polêmica. Que história é essa de “peça do Satyros terá sexo explícito”?
O que é sexo explícito neste novo mundo? Se você ligar para uma mulher num telefone de bate-papo e fizer sexo com ela, ela ter um orgasmo, isso é sexo explícito?

Eduardo Enomoto [fotógrafo do R7] – Eu acho que não.

Rodolfo García Vázquez – Por quê?

Eduardo Enomoto – Porque acho que sexo tem de ter contato, pegação. Senão é sexo virtual, ninguém enconstou em ninguém.

Rodolfo García Vázquez – É isso que estamos questionando. Estamos falando de sexo expandido.

Miguel Arcanjo Prado – Deixa eu ser mais claro, então: vai ter sexo físico, com penetração?
Rodolfo García Vázquez – Eu te devolvo a pergunta: qual é o nome do projeto? E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias. Não é E Se Fez a Humanidade Física em Sete Dias. Então, vai ter sexo ciborgue. Será a primeira peça de sexo explícito cibernético do teatro brasileiro.

Houve muito burburinho quando se falou no tal “sexo explícito” na peça de vocês... Teve gente que já saiu condenando...
A gente já passou dessa fase de se assustar com sexo. Gente, o povo não viu nossa Trilogia Libertina? [peças dos Satyros com versões para os textos de Marquês de Sade que marcaram a trajetória do grupo]. Já fizemos isso de sexo há muito tempo. Falar sem ver é fácil. É preciso ver o contexto. As pessoas estão muito caretas. Quando estávamos começando em 1990 fizemos A Filosofia na Alcova. Uma amiga me falou: “duvido que você tenha coragem de montar isso”. Mas isso já tem 25 anos! Como as pessoas ainda se preocupam tanto com isso? Naquela época a gente tinha 20 e poucos anos e queria barbarizar mesmo. Hoje, eu não estou mais nessa fase, é o que eu posso te dizer.

Acha que há muita censura até mesmo dentro da classe artística?
Olha, eu vou defender sempre a liberdade de expressão. Porque a direita está se organizando muito e ocupando lugares que a esquerda deixou livre para a direita ocupar. E estou com medo deste mundo de hoje.

rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto4 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez brinca com a boneca que integra a cenografia de sua obra - Foto: Eduardo Enomoto

Acha que as pessoas ainda não perceberam a força do mundo digital?
Eu sinto que as pessoas ainda não se deram conta do impacto brutal da ciência e da tecnologia em nossas vidas. Hoje você pode se confessar para o Papa pelo Twitter. A gente faz cenário com um aplicativo. Vou te mostrar [pega o celular e coloca um aplicativo que mostra o universo, com estrelas, planetas e constelações]. Olha isso, Miguel, se eu apontar para lá [virando-se para o balcão], ele me mostra que se eu for em linha reta eu chego em Júpiter. Isso é uma bússola astronômica.

O Galileu Galilei [astrônomo italiano, 1564-1642] iria cair para trás!
É isso que estou falando. Hoje qualquer um tem uma bússola astronômica! Você acha que tendo uma ferramenta como essa nas mãos eu vou me preocupar com pênis e vagina?

E como os atores reagiram à polêmica?
Eles ficaram com medo, é claro. Ficaram assustados. Porque teve gente de distorceu tudo. Olha, a gente já passou por muita polêmica na vida. E eu te digo uma coisa: Aqui nos Satyros nós não temos medo de polêmica!

Então me conta uma cena que você ainda não revelou para ninguém.
Está bom. Vou te contar. Tem dois atores vestidos de zebra. E eles simulam sexo. Aí, a gente transmite em tempo real para um site de encontros sexuais. E coloca essas pessoas que estão vendo no mundo todo ao vivo. Tem gente que gosta de ver duas pessoas vestidas de zebra transando. E até se masturba.

daniela machado carina moutinho suzana muniz rodolfo garcia vazquez vinicius alves satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Trabalho nos bastidores dos Satyros: (a partir da esquerda) Daniela Machado, Carina Moutinho, Suzana Muniz, Rodolfo García Vázquez e Vinicius Alves - Foto: Eduardo Enomoto

É um novo teatro que você está propondo?
O teatro do jeito que as pessoas estão pensando vai morrer. Eu não quero mais falar da tradição. Daqui a 30 anos ninguém vai ser capaz de acompanhar a evolução dentro de sua própria área de atuação. A ciência e a tecnologia vão explodir o conhecimento humano. E eu não consigo pensar em uma arte que não esteja conectada umbilicalmente com seu tempo. Tem gente que fala que a gente é futurista. Estão errados. Gente, 2001 – Uma Odisseia no Espaço [filme de 1968 do cineasta Stanley Kubrick] já passou. Isso era futurismo. Estamos em 2014, no século 21.

Vi que você acaba de passar para o mestrado em artes cênicas da USP. Está gostando de voltar a estudar lá?
Eu fiz ciências sociais na USP, acabei não concluindo e fui fazer administração na Fundação Getúlio Vargas. Mas depois voltei nas sociais para fazer mestrado. Agora, ir para a ECA é um privilégio poder voltar a uma instituição tão desafiadora. Espero aprender muito.

ivam cabral rodolfo garcia vazquez 1989 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

O começo de uma história chamada Satyros há 25 anos: Ivam Cabral (de barba) e Rodolfo García Vázquez em uma mesa de bar no largo do Arouche, centro de São Paulo, em foto de 1989 - Foto: Arquivo pessoal

Outro dia o Ivam Cabral [cofundador do Satyros com Rodolfo] colocou na internet uma foto de vocês dois em 1989 no largo do Arouche. O que mudou daquele menino para este Rodolfo que está na minha frente?
Eu acho que aprendi a confiar mais em mim. Eu era muito ambicioso, o Ivam também, A gente ficava pensando em fazer algo importante. A gente era mesmo muito louco. Acho que com o tempo deixamos de dar ouvido a coisas que nos magoavam muito. Acho que estou mais feliz comigo agora.

E do que você morre de saudade naquele menino sonhador que você foi um dia?
O que eu sinto falta daquele período é ter um horizonte grande à frente. Naquela época eu tinha uma página em branco. Hoje a página já está metade escrita. Eu sinto saudade dessa página em branco!

rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto6 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez em sua mesa de trabalho: "Sinto falta da página em branco" - Foto: Eduardo Enomoto

E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias
Quando: Sábado (8), maratona com todas as peças a partir das 16h até 1h; depois, uma peça a cada dia da semana, sempre às 19h. Até 28/9/2014.
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, metrô República, São Paulo, 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: grátis até 8/4/2014. Depois, R$ 20 cada peça.
Classificação etária: 16 anos

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Elder 164 Entrevista de Quinta – Elder Fraga transforma conto de Plínio Marcos no curta Os Bons Parceiros

O cineasta, ator e produtor Elder Fraga: curta com violência crua de Plínio Marcos - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Na próxima terça-feira (25), o cineasta e ator Elder Fraga completará 39 anos com um presente especial: a estreia do seu quarto curta-metragem, Os Bons Parceiros, às 21h30 na sala 4 do Espaço Itaú da rua Augusta, 1.470, em São Paulo. A entrada é gratuita. O filme é baseado em um conto do jornalista e dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999), nome forte do teatro nacional. Nesta Entrevista de Quinta, Elder falou sobre o projeto e sobre o autor, a quem conheceu pessoalmente. Leia com toda a calma do mundo.

foto 7 Vivian Fernadez Entrevista de Quinta – Elder Fraga transforma conto de Plínio Marcos no curta Os Bons Parceiros

Cena do curta Os Bons Parceiros, que estreia no dia 25 em SP - Foto: Vivian Fernandez

Miguel Arcanjo Prado - Qual a história do filme Os Bons Parceiros?
Elder Fraga - Cinco amigos da periferia resolvem em uma noite se juntar para fazer um arrastão e levantar uma grana. O curta dura 20 minutos.

Você pretende levar o filme para festivais?
A gente estreia no Espaço Itaú na Augusta e pretendo trabalhar o curta dentro e fora do Brasil. Estamos fazendo as legendas em inglês e espanhol. A partir de março queremos mandar o filme para o mundo todo.

Você tem novos projetos no cinema?
Tenho dois. Um curta, que deve se chamar Matinê e será protagonizado pelo ator Júlio Rocha, e começo os trabalhos do meu primeiro longa-metragem, que vai abordar o mundo das lutas do MMA e quero rodar em 2015.

Qual é sua relação com o Plínio Marcos?
Minha estreia profissional foi com Barrela, peça do Plínio com direção do Sergio Ferrara em 1999. Neste período pude conviver com o Plínio. Tive um contato com ele bem próximo.

Conte mais.
Ele não saía do teatro. Ele amava tanto a montagem que falou que nossa montagem Barrela "pegava no breu". A gente chegava no Teatro de Arena e ele já estava lá, sentadinho. Eu tinha 20 e poucos anos e ficava impressionado com sua figura, ali, tão perto.

cartaz Entrevista de Quinta – Elder Fraga transforma conto de Plínio Marcos no curta Os Bons Parceiros

Cartaz do filme Os Bons Parceiros, de Elder Fraga

E ele morreu no mesmo ano?
Sim. Ele morreu antes de a temporada acabar. Aí, eu comecei a ler a obra dele. Antes de morrer, ele tinha dito que queria que a gente montasse O Abajur Lilás também, mas não deu tempo de ele ver. Tinha o Fransérgio Araújo e a Esther Góes. Fizemos uma turnê grande.

E aí você virou especialista em fazer obra do Plínio?
Mais ou menos, porque depois o Antonio de Andrade me chamou para fazer O Homem de Papel e eu acabei não fazendo...

E como o Plínio voltou?
Ganhei o livro As Histórias das Quebradeiras do Mundaréu, de autoria do Plínio Marcos. Comecei a devorar esse livro e comecei a imaginar os contos em filmes, porque ele descreve os lugares, o ambiente, com aquela violência crua. E pensei: isso dá um filme. Seria legal levar Plínio para o cinema.

E como fez para conseguir os direitos?
Entrei em contato com Kiko Barros, que é filho dele, e ele me deu carta branca para fazer. A obra do Plínio é atual. Mantive a essência do conto, apenas com uma cara mais moderna. Coloquei cenas de 3D e animação.

Foi difícil lançar o curta?
Rodei o filme dois anos atrás, sem apoio nenhum. Eu tentei editais, mas estava muito difícil. Consegui juntar alguns parceiros do cinema para produzir de forma independente.

Quem compõe o elenco?
Já tinha uns nomes na cabeça, porque gosto de chamar eu mesmo os atores. Já tinha trabalhado com o Luciano Quirino na série 9mm [Fox], e o convidei para ser o Fogueira, que é o chefão dos bandidos. Depois fui atrás de um ator bacana para fazer um antagonista. Estava no festival com outro filme meu, Nigéria, e o Thogun falou que queria trabalhar comigo. Sou fã dele do Tropa de Elite e de O Palhaço. E tem ainda o Ricardo Gelli, o Laerte Késsimos, o Daniel Torres e o Johnnas Oliva. Chamei o Bruno Giordano para fazer a preparação do elenco.

Além de cineasta e ator, você também é produtor teatral. Como é isso?
Sempre fui ator. Eu me formei no Indac, onde tive o primeiro contato com o Sérgio Ferrara. De lá ele me convidou para fazer o Barrela. Depois, eu fiz uma sequência de espetáculos com ele, e ele me convidou para abrir uma produtora: Fraga e Ferrara Produções em 2006. E daí de lá para cá eu comecei a produzir tudo que ele faz. Aí não consegui mais atuar, porque sempre achei muito difícil atuar e produzir ao mesmo tempo. Sempre prefiro fazer uma coisa de cada vez, para que saia bem feita.

foto 4 Vivian Fernadez Entrevista de Quinta – Elder Fraga transforma conto de Plínio Marcos no curta Os Bons Parceiros

Os Bons Parceiros mostra um grupo de amigos bandidos em uma noite louca - Foto: Vivian Fernandez

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alexandre reinecke foto bob sousa 2013 Entrevista de Quinta   Alexandre Reinecke completa 30 anos de teatro: “Dando murro em ponta de faca”

Alexandre Reinecke completa 30 anos de teatro e 50 peças - Foto: Bob Sousa

Por BRUNA FERREIRA*

Ele começou aos 15 anos, completa 30 anos de carreira com 50 peças. Dez delas como ator e 40 dirigindo. No ano passado, ele tinha 12 espetáculos em cartaz, sendo que metade entrava no segundo ano de temporadas. Só que Alexandre Reinecke não gosta de pensar em números, ou estipular metas.

Se fosse me aprofundar nos projetos futuros do diretor, daria um segundo, terceiro post (e olhe lá, pois podiam ser mais). Só a comédia TOC TOC completa seis anos de estrada e vai inaugurar a temporada 2014, no Teatro APCD, no sábado (8), às 21h. Ele parece incansável, mas é um trabalhador determinado: “Essa é a minha vida. Continuo aí dando murro em ponta de faca”.

Em entrevista ao Atores & Bastidores, ele fala sobre as dificuldades em colocar uma montagem em cartaz, o que mudou nesses 30 anos e dá sua opinião sobre a educação para cultura no Brasil.

Reinecke também adianta uma novidade que vem por aí: A Besta, com os ornitorrincos e os parlapatões, o que ele descreveu como um “p*** espetáculo”. Já bateu aquela ansiedade, não é?

alexandre reinecke agnews Entrevista de Quinta   Alexandre Reinecke completa 30 anos de teatro: “Dando murro em ponta de faca”

Alexandre diz que "fez escola" com Paulo Autran para a direção - Foto: AgNews

Atores & Bastidores — Então este ano você completa 30 anos de carreira? Quando?
Alexandre Reinecke — Não tem bem uma data. Este ano eu completo 30 anos de carreira e 50 peças de teatro. Dez como ator e quarenta dirigidas e essa quadragésima vai ser uma coisa, uma marca. É uma junção dos ornitorrincos com os parlapatões, com Cacá Rosset e Hugo Possolo,mais Iara Jamra, Priscila Fantin. Serão dez atores, vai ser uma p... peça, que ainda vai falar sobre teatro. Ela se chama A Besta e começamos a ensaiar na segunda-feira passada.

Como foi o início de tudo?
Eu comecei a carreira como ator.Eu tinha 15 anos e foi lá em Campinas [interior de São Paulo]. Minha mãe foi uma grande incentivadora, quando eu falei que queria ser ator, ela logo me disse para fazer um curso.

Nossa, isso é quase raro, né? Tantas entrevistas que eu faço com atores e a gente não vê esse estímulo. É um privilégio, não?
É mesmo. Com certeza é um privilégio. Ela sempre foi muito ligada à cultura. Ela fez parte do CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE (União Nacional de Estudantes), tem uma formação intelectual, foi advogada de todos os atores do filme do Eduardo Coutinho, Cabra Marcado para Morrer, esteve presa lá na Paraíba.

Ela ainda é viva?
Sim e trabalha muito. Só para de trabalhar aos sábados e acompanha sempre o meu trabalho.

Aí você começou em Campinas…
Minha primeira peça escrevi lá, mas vim para São Paulo tentar a vida. Tive o imenso prazer de fazer Trair e Coçar, É Só Começar no auge da montagem durante quatro anos, com a Denise Fraga e todo o elenco. Eu fazia aquele vendedor de joias que virava uma bichona. Em 1993, fui dirigir a minha primeira peça, Os Alquimistas, e graças a Deus, a experiência foi boa, teve boa crítica e bom público. No ano 2000, trabalhei como assistente de Paulo Autran, que foi minha grande escola na direção de atores. Em 2002, tive o prazer de dirigir Beatriz Segall e Myriam Pires, que depois que veio a falecer, foi substituída por Nicette Bruno. Três grandes nomes. E aí as coisas começaram de vez.

alexandre reinecke agnews 1 Entrevista de Quinta   Alexandre Reinecke completa 30 anos de teatro: “Dando murro em ponta de faca”

Alexandre Reinecke e a filha, Julia - Foto: AgNews

Você acha que hoje está mais fácil realizar projetos no teatro?
Está mais difícil! Está mais difícil conseguir patrocínio e mais difícil fazer com que o público vá ao teatro. Para o ator, acho que as oportunidades são maiores, pois existe muita teledramaturgia, séries, cinema, tanto que você pode conversar com qualquer diretor, que eles vão te falar sobre a dificuldade que é formar um elenco, pois estão todos ocupados.
Mesmo com esse cenário, você tem uma meta de peças para colocar em cartaz ao ano?
Eu nunca penso em números, mas ano passado eu montei seis peças. Tinham outras seis que vieram de 2012 e seguiram em cartaz. No total, ano passado eu tive 12 peças. Acho que nenhum diretor do mundo faz isso. Era para eu estar superbem ou milionário…

E não está nenhum dos dois?
Nenhum dos dois. Eu garanto. Muito pelo contrário. É sempre uma luta muito grande.

De todos os problemas que dificultam o acesso ao teatro no Brasil, qual deles é mais urgente?
Tem que começar com a educação para o povo. Em um País que trata as pessoas como um lixo, a educação vai ser um lixo. É preciso que as pessoas se interessem pela cultura, a gente está formando um País sem educação. Isso é gravíssimo. E não temos qualquer perspectiva de mudança.

O que você mudou nesses anos todos de carreira?
A gente vai amadurecendo. Não digo que acaba, mas ficamos menos ansiosos. A gente trabalha com mais serenidade e mais segurança. Esta peça que vou fazer, por exemplo, para dirigir Cacá Rosset e Hugo Possolo… Bom, para dirigir esses caras é preciso um pouco de bagagem, né? A relação do diretor com o elenco é sempre de amor e ódio.

E o que vem por aí?
Esse ano vou ter A Besta, que é esse encontro bacanérrimo, vou montar uma peça com Norival Rizzo e Thiago Fragoso, que conseguimos os direitos. Aqui ela vai se chamar O Sucesso a Qualquer Preço, que já foi um filme com o Al Pacino. Escrevi um musical sobre capoeira em cima da música Domingo no Parque, e está tudo certo, o Gilberto Gil já aprovou. Também quero montar uma peça do mesmo autor de TOC TOC, chama-se Cego, Surdo e Mudo. E estou buscando entrar para o cinema e a televisão. Estou com o roteiro de uma comédia e ainda quero adaptar um romance.

Ou seja, você não vai parar de trabalhar.
Olha, essa é a minha vida. Eu sempre estou tomando mais “não” do que “sim”, mas continuo aí dando murro em ponta de faca.

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

TOC TOC
Quando: Sábados, 21h; domingos; 19h. Até 30/03/2014
Onde: Teatro APCD (r.Voluntários da Pátria, 547, Santana, São Paulo, tel. 0/xx/11 2223-2424)
Quanto: R$ 60 até R$ 50. Sócios APCD têm desconto
Classificação indicativa: 14 anos

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1015205 329093003888361 1737788289 o Entrevista de Quinta   Fecho os olhos e me imagino sendo a Beyoncé, diz a Palhaça Rubra

Lu Lopes no papel da Palhaça Rubra - Foto: Reprodução/Facebook

Por BRUNA FERREIRA*

Ela se chama Rubra, tem pelo menos 20 anos de existência, mas não conta a idade, pois é assim com todas as grandes personalidades. Ela sonhava ser Rita Lee, foi chamada para atuar em um filme de Tim Burton e diz que já foi cortejada por Brad Pitt, Rodrigo Santoro e Rodrigo Faro.

A Entrevista de Quinta de hoje é um presente amoroso e leve, como a vida deve ser. Lu Lopes, escritora, diretora, compositora, cantora e atriz criou a Palhaça Rubra e esta entrevista toda especial.

Durante cinco anos, Lu participou do Doutores da Alegria, que leva diversão para crianças hospitalizadas. Também fez parte do Circo Zanni. Por dez anos anos foi arte-educadora na Casa do Teatro e assistente de direção no Teatro Escola Célia Helena.

Em cartaz no Sesc Pompeia, Lu fará as últimas apresentações da Palhaça Rubra, neste fim de semana, com dois espetáculos para a família: Escalafobética e Criaturas. No primeiro, a palhaça vive em uma atmosfera de loucura sombria, encarnando uma faxineira para lá de improvável. No segundo, a personagem surge com um show musical e teatral criado a partir do livro homônimo e de sua autoria.

— Eu criei a Palhaça Rubra há 20 anos. Fiz um workshop com a Cristiane Paoli-Quito e durante essa fase fui construindo a personagem. Demorou para ela ganhar a caracterização que tem hoje. Ela, certamente, não é a mesma desde o início de sua criação. Ela ganhou uma clareza. Quanto mais velho o palhaço vai ficando, melhor ele é. O tempo faz perder alguns pudores.

Sem mais enrolação… Respeitável público, com vocês, a Palhaça Rubra:

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Rubra conta como mantém a boa forma e o bom-humor ao Atores & Bastidores -  Foto: Reprodução/Facebook

Atores & Bastidores - Rubra, você sonhava fazer tanto sucesso? Quando foi que percebeu que encontrou a fama?
Palhaça Rubra - Eu sonhava ser a Rita Lee! Queria cantar para as pessoas e que elas cantassem comigo! Hoje em dia é que consegui ser eu mesma e cantar com todo mundo que vai nos shows. Eu fecho os olhos e me imagino sendo a Beyoncé! O sucesso e a fama se encontraram dentro de mim! Eu sou um sucesso e a pessoa mais famosa dentro de mim mesma! Pode perceber! Ó!

Qual é a parte boa do sucesso? E a parte ruim?
A parte boa do sucesso é que as pessoas passam a te conhecer e ir felizonas em tudo que você faz! Enxergam a gente melhor do que a gente é! A parte ruim... Eu dou um chute no “forévis” dela e procuro me divertir até nas roubadas!

Você acha que o público confunde a sua arte com a sua vida pessoal? Dá para ter privacidade?
Privacidade é bom no banheiro. Ops… no toilet! Fora dali sempre vai ter gente querendo saber como a gente vive. Como eu sou muito famosa tenho sempre em casa instrumentos musicais, champanhe, sucos naturais e “peperêts” pra receber com elegância os curiosos de plantão e fazer um som e novas parcerias!

O que você faz para manter sempre a boa forma e o bom-humor?
Faço capoeira com o professor Bruno da Uru Brasil, yoga com o professor Pedrinho no Santosha, danço de chacrete nos shows da Ivete Sangalo e fujo dos cachorros do bairro correndo até não poder mais! O bom-humor é coisa chique mesmo! A elegância da alma e iluminação espiritual. Isso vem do bom-humor, que vem da alegria, que vem de ficar com os amigos e família!

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Rubra conta o segredo dos cabelos - Foto: Reprodução/Facebook

A sua fama atraiu muitas pessoas interesseiras? Quem são seus amigos de verdade?
A fama atraiu muitos pretendentes que querem namorar comigo! O Brad Pitt, o Rodrigo Santoro, o Rodrigo Faro! Todos esses rapazes ficam me ligando e mandando flores e colares de pérolas! Mas eu, gentilmente, explico que estou sem tempo no momento e me dedico à arte! Meus amigos de verdade são os que praticam o amor com simplicidade! Hoje de manhã apareceu um beija-flor na minha janela… Fiz amizade com ele!

O que você gosta de fazer nas horas vagas?
Amo dançar nas discotecas até o dia nascer! Já ganhei concurso, em primeiro lugar, de melhor dançarina em Osasco! Sou a rainha da pista! Pé de valsa! Chacrete maior!

Em Escalafobética, você entra em uma paranoia por limpeza, é isso mesmo? Você é boa na faxina, Rubra?
Eu limpo tudo que precisa ser limpo! Limpo de vaso sanitário a corações empoeirados!

Escalafobética também tem um pouco da atmosfera do Tim Burton? De onde veio a inspiração? Já sonhou fazer algum filme dele?
Ele me chama todo ano pra fazer os filmes dele e pra ser par romântico do Johnny Depp! Mas eu tenho muitos compromissos aqui no Brasil! Mas me inspiro nele porque ele sempre foca o lado humano e amoroso das criaturas e personagens das suas histórias! Isso é lindo e delicado!

Já em Criaturas você solta a voz, né? Quem são suas referências na música?
Eu amo a música e vivo pra fazer isso da vida! Escuto música o tempo todo… Arnaldo Antunes, Chico Salém, Jeneci, Beyoncé, Zeca Pagodinho, Spike Jones, Billie Holliday, Gorillaz, Rita Lee, Novos Baianos… e assim vai!

Rubra, esse seu cabelo é todo especial e marca sua personalidade. O que faz para cuidar dele diariamente?
Sabão de coco e vou no Jassa: cabeleleiro das estrelas!

Tem alguma coisa que você gostaria de dizer aos seus fãs, Rubra?
Sim. Vamos ser felizes. A gente merece!

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

Escalafobética
Quando: última chance, sexta 24/01/2014, 21h.
Onde: Sesc Pompeia - Espaço Cênico (r. Clélia, 93, São Paulo, 0/xx/11 3871-7700)
Quanto: R$ 3,60 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 8 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, idosos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 16 (inteira)
Classificação indicativa: 14 anos

Criaturas
Quando: último fim de semana, 25/01/2014 e 26/01/2014, sábado e domingo, 17h
Onde: Sesc Pompeia - Espaço Cênico (r. Clélia, 93, São Paulo, 0/xx/11 3871-7700)
Quanto: R$ 1,60 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 4 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, idosos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 8 (inteira)
Classificação indicativa: Livre

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lucinha lins joao caldas Entrevista de Quinta   Tenho Chico Buarque na veia, diz Lucinha Lins, atriz de Palavra de Mulher

Lucinha Lins canta no espetáculo Palavra de Mulher, que estreia em SP - Foto: João Caldas

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os 70 anos de vida de Chico Buarque, que serão completos em 19 de junho de 2014, serão celebrados com sua música a partir deste sábado (18)  em São Paulo. Para isso, um time de atrizes que tem tudo a ver com universo do compositor assume suas canções no palco.

Clássicos como Folhetim, Olho nos Olhos, Tango de Nancy e Atrás da Porta estão no repertório do espetáculo que tem direção e concepção de Fernando Cardoso, que procurou fazer um recorte do universo feminino nas canções de Chico.

Estreia no Teatro Renaissance, o espetáculo musical Palavra de Mulher, após temporadas de sucesso em Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Vitória, Santos e Sorocaba.

Em clima de cabaré, Virgínia Rosa, Tania Alves e Lucinha Lins interagem com o público, que se identifica com as músicas que elas cantam.

Esta não é a primeira vez que Lucinha Lins se aventura no universo de Chico Buarque. Lúcia Maria Werner Vianna de Carvalho Lins já viveu Vitória-Régia, a vilã de Ópera do Malandro, e a prostituta Nancy, de O Corsário do Rei, ambos espetáculos do compositor. No cinema, ainda fez interpretação definitiva para a Gata de Os Saltimbancos, no filme Os Saltimbancos Trapalhões.

Lucinha Lins conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta. A atriz de 60 anos falou sobre essa familiaridade com o músico, o mundo dos musicais e o espetáculo.

Leia com toda a calma do mundo:

Miguel Arcanjo Prado – Você acaba de fazer o musical Rock in Rio, que lhe rendeu elogios da crítica. Agora você volta com mais um musical a São Paulo?
Lucinha Lins – Pois é. Mas são espetáculos completamente diferentes. Rock in Rio era uma megaprodução, com bailarinos, orquestras, com raízes na produção de Broadway. Já Palavra de Mulher é completamente diferente. Não é um musical. É um show teatralizado. São três cantoras, Virígina Rosa, Tania Alves e eu, e três músicos, que fizeram arranjos maravilhosos. Estar ao lado deles é um privilégio. O repertório é lindo e faz parte da vida de todo mundo!

Chico sabe falar para as mulheres...
O Chico entra no universo feminino. Ele diz que é porque ele não sabe, que ele não conhece, mas é curioso. E isso nos encanta completamente. É um universo de músicas passionais, dor de cotovelo, amor, tesão, paixão. Tudo se passa num cabaré. É um espetáculo muito simples e simpático.

palavra de mulher joao caldas Entrevista de Quinta   Tenho Chico Buarque na veia, diz Lucinha Lins, atriz de Palavra de Mulher

Chico na veia: Tania Alves, Lucinha Lins e Virgínia Rosa em Palavra de Mulher - Foto: João Caldas

Vocês brincam com as músicas?
A partir das letras, brincamos com certos personagens, sou a madame, a cafetina. As meninas seriam as garotas do cabaré. Ao mesmo tempo, a gente sai desses personagens e conversa com a plateia. A gente mostra um pouco da influência de Chico na nossa vida e interage com o público. A plateia canta junto, e isso me emociona.

lucinha ivan lins Entrevista de Quinta   Tenho Chico Buarque na veia, diz Lucinha Lins, atriz de Palavra de Mulher

Lucinha nos tempos do casamento com Ivan Lins - Foto: Amílton Vieira/AgNews

Você foi casada com o Ivan Lins [atualmente a atriz é casada com o ator Claudio Tovar]. Você tinha muito contato com o Chico nesta época?
Quando eu fazia parte do mundo da música, quando era casada com o Ivan, a minha casa foi um ponto de referência. Porque lá se faziam encontros da nata da música popular brasileira. O Chico é extremamente carinhoso comigo. Não é alguém que eu encontre toda hora, mas quando a gente se encontra é um carinho, uma maravilha, um abraço gostoso.

O Chico é muito importante na sua trajetória no teatro?
Cantei Chico primeiro em Os Saltimbancos Trapalhões. Depois, tive a sorte de fazer Corsário do Rei, com direção do Augusto Boal, ao lado do Marco Nanini, com música feita por Edu Lobo e Chico Buarque para a minha personagem, o Tango de Nancy. E depois fiz a Vitória-Régia na Ópera do Malandro, direção do Charles Möeller e do Claudio Botelho. E agora, Palavra de Mulher. Tenho Chico na veia! O Claudio Botelho falou que eu sou buarquena demais.

Você é a eterna Gata de Os Saltimbancos...
Tive a sorte de cantar profissionalmente Chico, quando fiz Os Saltimbancos Trapalhões. Sempre me dizem isso, que eu sou a eterna Gata. Mexer com criança é uma coisa muito boa, muito séria, muito bonita e muito simples.

saltimbancos Entrevista de Quinta   Tenho Chico Buarque na veia, diz Lucinha Lins, atriz de Palavra de Mulher

Lucinha Lins com Os Trapalhões: interpretação definitiva para a charmosa Gata no filme Os Saltimbancos Trapalhões - Divulgação

Eu jamais vou me esquecer de você naquele filme. Eu era pequenino quando vi...
Com o passar dos anos tomei consciência dessa responsabilidade. O que você pode dar essa criança é muito sério e é muito lindo. Eu tenho declarações de amor em estacionamento de shopping, farmácia, festas. Já entrei em consultório que o médico olhou pra mim e ficou vermelho. E foi maravilhoso porque ele não resistiu e falou: “Antes de qualquer coisa eu preciso lhe dizer que você foi uma das paixões da minha vida. Eu tenho 34 anos, sou casado, tenho filhos, e você é inesquecível no meu coração”. Eu comecei a chorar. Trabalhei muito com criança no teatro e também na TV, onde cheguei a ter um programa infantil na Manchete. Na peça, quando eu brinco e canto “Nós gatos já nascemos pobre...”, independentemente da idade, a plateia exala um som que eu acho que é o som do carinho, um som de alma, do coração. Todos cantam.

lucinha claudio lins agnews Entrevista de Quinta   Tenho Chico Buarque na veia, diz Lucinha Lins, atriz de Palavra de Mulher

Lucinha com o filho Claudio Lins - Foto: AgNews

Seu filho com o Ivan Lins, o Claudio Lins, também está fazendo carreira no teatro musical. O que você acha?
O Claudinho é um artista muito especial. Com todo orgulho de mãe, ele é extremamente determinado e disciplinado. Ele fez Ópera do Malandro também. E entrou no último mês no Rock in Rio, quebrando um galho, ele fez o pai e eu a mãe! E agora está fazendo Elis, a Musical. Ele canta muito bem. Ele está dançando também. Ele faz parte de uma geração de atores espetacular. Eles vão abrindo portas e possibilidades.

Você acha que o musical veio para ficar?
Sim. Mas a gente pode esquecer do circo teatro. Musical sempre existiu no Brasil. Nos filmes da Atlântida, as atrizes sempre dançavam e cantavam. Eu acho que o musical no Brasil sempre existiu. Houve um tempo em que ele foi considerado cafona, e a gente ia lá para fora para ficar babando. Aos poucos, foram voltando muito baseado nos moldes da Broadway. Fomos trazendo isso e abrindo espaço para que estes espetáculos falassem também de nós. E estamos crescendo cada vez mais. Hoje, o público quer ver musicais com temas do Brasil. Fazer musical é barra pesadíssima. São extremamente cansativos e são caríssimos. É difícil fazer musical, mas isso está acontecendo no Brasil porque agora está se voltando para essa coisa brasileira. Os produtores querem produções brasileiras. E eu acho isso muito bom. Acho gostoso o público querer ver musicais cada vez mais brasileiros.

lucinha lins vidas jogo Entrevista de Quinta   Tenho Chico Buarque na veia, diz Lucinha Lins, atriz de Palavra de Mulher

Lucinha Lins em seu trabalho mais recente na TV, a Zizi da novela Vidas em Jogo - Foto: Munir Chatack/Record

E quando você volta para a TV?
Eu sou contratada da Record, emissora que eu adoro. Sou uma mulher de muita sorte. Trabalhei em todas as emissoras de televisão. Tudo que eu fiz na televisão até hoje foi muito bom. Sempre. Eu tive muita sorte com autores, personagens e diretores. Eu sou autoditada, eu aprendi na raça. E foi me dada uma confiança que hoje eu agradeço muito, e eu corri atrás para honrar essa confiança. Na Record, fiz três trabalhos até hoje: Vidas Opostas, Chamas da Vida e Vidas em Jogo, todas as três novelas de sucesso. Pela primeira vez na minha vida eu aceitei a ser contratada por uma emissora. Eu não fui contratada da Globo, ao contrário do que muita gente pensa, lá sempre fiz obra certa. Na Record, tenho a possibilidade de trabalhar a minha vida no teatro sendo contratada. E sempre fui presenteada com grandes personagens. Estou ansiosa para minha próxima personagem!

Vocês estão celebrando os 70 anos do Chico. Nem parece...
Este é o ano Chico Buarque, porque tem os 70 anos dele. Ano que vem são os 70 anos de Ivan Lins.

Você está com 60 anos, apesar de não parecer. Como foi fazer esta idade?
Olha, Miguel, eu prefiro começar pelos 40. Aos 40, eu me achei importantíssima, poderosa, gostosa. Cinquenta eu fiz assim: “então, tá. Agora eu sou uma adulta entrando na terceira idade, é assim. Não encham meu saco, não tenho mais paciência para certas coisas”. Agora, aos 60 anos, eu levei um susto, não fiquei confortável.

Por quê?
É um pouco assustador fazer 60 anos. Eu já vivi mais de 50% da minha existência. Você leva um susto e pensa: “caramba, será que eu entrei na reta final?”. Tem o encontro que lhe diz que a imortalidade não existe, a mortalidade bate na sua cabeça, e eu acho morrer muito chato. Não é que eu esteja sendo mórbida. É uma real que você faz assim: “caramba, eu preciso pensar melhor, jogar menos fora, ligar menos para as coisas. Não quero desperdiçar”. Aprendi que preciso me ligar mais em mim.

Palavra de Mulher
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 18h. 85 min. Até 2/3/2014
Onde: Teatro Renaissance (alameda Santos, 2.233, Cerqueira César, São Paulo, metrô Consolação; tel. 0/xx/11 3069-2286)
Quanto: sextas (inteira R$ 50,00 e meia R$ 25,00), sábado (inteira R$ 80 e meia R$ 40) e domingo (inteira R$ 70 e meia R$ 35)
Classificação etária: 12 anos

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