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leandro knopfholz annelize tozetto Com 422 peças, Festival de Teatro de Curitiba é o principal do Brasil: “Não é só para classe teatral, é para o público também”, diz Leandro Knopfholz

Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba, na manhã desta terça (24): "Não é um evento só para a classe teatral, é para o grande público também" - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos ANNELIZE TOZETTO e
DANIEL SORRENTINO/Clix

Se o número de público acumulado em 24 edições o transformasse em uma cidade, o Festival de Teatro de Curitiba seria a terceira maior do Brasil. Já levou 5 milhões de pessoas ao teatro, número menor apenas do que as populações de São Paulo e do Rio. A própria Curitiba com seu 1,8 milhão de habitantes ficaria em nono lugar na mesma lista. Já se a brincadeira fosse transformar cada peça apresentada no Festival em uma cidade, o Festival de Teatro de Curitiba, com suas mais de 7.000 peças encenadas até hoje, ganharia fácil do próprio Brasil, que só teria 5.570 municípios a oferecer.

É com esta mistura de grandiosidade e tradição que começa nesta terça (24) e vai até o próximo 5 de abril a 24ª edição do maior e mais importante festival das artes cênicas no País: o Festival de Teatro de Curitiba, o maior da América Latina.

Curitiba teve público de 230 mil na última edição

Em tempos de crise econômica e com a concorrência de outros eventos do tipo, como a MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo), Curitiba exibe seus números na batalha cênica. Só em 2014, o festival paranaense levou 230 mil pessoas ao teatro com um orçamento de R$ 6,5 milhões e quase 500 espetáculos.

Para se comparar, a MITsp deste ano, com orçamento de R$ 3,2 milhões para 12 peças, teve 17,5 mil pessoas de público em números prévios, já que o balanço final do festival paulista não foi divulgado pelos seus organizadores até o fechamento desta reportagem, nove dias após A MITsp acabar.

Ainda comparado à recente MITsp, o Festival de Teatro de Curitiba tem retorno de público maior: 13 vezes mais espectadores. E também leva mais gente ao teatro gastando menos. O gasto por espectador em 2014 em Curitiba foi de R$ 28,26. Já a segunda edição da MITsp, neste ano, gastou 653% a mais com cada espectador: R$ 182,85 por pessoa.

festival de curitiba publico daniel sorrentino clix picnik Com 422 peças, Festival de Teatro de Curitiba é o principal do Brasil: “Não é só para classe teatral, é para o público também”, diz Leandro Knopfholz

Fila gigante de público no centro histórico curitibano para ver uma peça de teatro: 230 mil pessoas foram ao Festival de Teatro de Curitiba em 2014 - Foto: Daniel Sorrentino/Clix/Arquivo R7

O orçamento do Festival de Teatro de Curitiba em 2015 é de R$ 6,5 milhões, o mesmo número de 2014 — mas que vale menos, já que a inflação foi alta nos últimos 12 meses e o dólar subiu a níveis estratosféricos. O número é distante dos R$ 8 milhões de 2013, ano de orçamento recorde. Mas, o evento segue firme com uma receita simples.

O R7 apurou que, para seguir grandioso mesmo com os cortes, a direção do evento conta com a colaboração de artistas, empresários, produtores e parceiros de longa data, que toparam renegociar valores. É assim que Curitiba segue apostando na diversidade de estilos e também numérica como receita de seu sucesso.

Nos 13 dias de evento deste ano serão 422 espetáculos ao todo: 29 na Mostra Oficial e 393 no Fringe, a tradicional mostra paralela, onde se pode ver de tudo um pouco, como é desejável no ambiente artístico democrático. E há novidades. Este ano serão sete estreias nacionais e quatro espetáculos internacionais: A House in Asia, Double Rite, Surfacing e Numax. A peça Dias de Luta, Dias de Glória, com a trajetória de Chorão, da banda Charlie Brown Jr. é um dos destaques também.

dias de gloria luis franca Com 422 peças, Festival de Teatro de Curitiba é o principal do Brasil: “Não é só para classe teatral, é para o público também”, diz Leandro Knopfholz

O roqueiro Chorão será homenageado no palco do Festival de Teatro de Curitiba: Dias de Luta, Dias de Glória, peça sobre sua vida e sua música, está na programação - Foto: Luis França/Divulgação

O Festival de Teatro de Curitiba movimenta a economia não só da capital paranaense como a nacional também, sobretudo a área ligada aos transportes, serviços e hotelaria. Afinal, cerca de 1.500 artistas do País e de fora dele rumam para a cidade para participar de espetáculos (fora os turistas apaixonados pelo teatro que programa férias para o período em Curitiba), o que o torna o um festival definitivamente de peso e de repercussão nacional como nenhum outro.

Quem recebe toda essa gente a partir desta terça-feira (24) é Leandro Knopfholz, fundador e diretor geral do festival. Em tempos de crise, faz questão de agradecer os patrocinadores: a apresentação do Banco Itaú e Tradener, e os patrocínios da Renault do Brasil, da Petrobras, da Copel, da Fundação Cultural de Curitiba/Prefeitura de Curitiba e da UEG Araucária, além do apoio da Itaipu Binacional.

Direto de Curitiba, Knopfholz conversou, com exclusividade, com o Atores & Bastidores do R7 sobre o evento e seu atual cenário na manhã desta terça (24).

Leia com toda a calma do mundo.

leandro knopfholz annelize tozetto2 Com 422 peças, Festival de Teatro de Curitiba é o principal do Brasil: “Não é só para classe teatral, é para o público também”, diz Leandro Knopfholz

Leandro Knopfholz: "Festival de Curitiba não esconde informações, somos transparentes" - Foto: Annelize Tozetto/Clix

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como o Festival de Teatro de Curitiba reage à forte concorrência de outros festivais, como a MITsp?
LEANDRO KNOPFHOLZ — O Festival de Teatro de Curitiba tem a proposta de conversar com o público. É seu grande diferencial. O teatro é a manifestação mais antiga que a gente conhece. Desde que o homem sentou-se em volta da fogueira para contar com um graveto que um bicho grande corria atrás dele, fazia teatro de alguma forma. O teatro continua sendo uma forma envolvente de se contar uma história. Isso é simples, mas é muito. A gente vive o momento em que a atenção das pessoas está cada vez mais dividida, as pessoas conversam com você e param para ver o celular. A atenção está dispersa por uma série de tecnologias, mas hoje você não tem só mais o graveto. Tem diversas formas de se contar a história. Mas, antes de tudo, ela precisa se comunicar. O festival entende teatro como uma arte que se comunica com o público, com espetáculos impactantes e que tocam as pessoas em diversas camadas, racional e emocionalmente.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O Festival de Teatro de Curitiba desmistifica o teatro?
LEANDRO KNOPFHOLZ — Sim. O Festival entende o teatro como uma arte que comunica. Ele convida o público para ir ao teatro de uma maneira corriqueira, como se fosse ao cinema. Não sei por que o teatro ainda tem uma cara mais solene. Se eu te convido para ir ao cinema, a gente sai do trabalho e vai. Já o teatro tem aquela coisa de ir para a casa antes e se arrumar todo. A gente quer desmistificar o teatro, mostrar que ele é uma coisa bacana, fácil, não precisa criar barreiras formais para ir ao teatro. O teatro é fácil, direto, se comunica e é envolvente.

rua FOTO daniel sorrentino Com 422 peças, Festival de Teatro de Curitiba é o principal do Brasil: “Não é só para classe teatral, é para o público também”, diz Leandro Knopfholz

Espaço para o teatro de rua: Festival de Teatro de Curitiba tem boa relação entre investimento e retorno de público - Foto: Daniel Sorrentino/Clix/Arquivo R7

MIGUEL ARCANJO PRADO — Voltando a comparar vocês com a MITsp, Curitiba tem público de 230 mil pessoas contra 17,5 mil do festival paulista em números prévios. Como vocês conseguem atingir tanta gente?
LEANDRO KNOPFHOLZ — Acho que um dos nossos diferenciais é o Fringe, a nossa mostra paralela democrática, que faz com que os números fiquem muito maiores e que oneram menos o festival do que uma mostra internacional. E acho que a gente busca o público. Pensamos: quanto mais cheia a sala mais barato fica o espetáculo. Se a casa fica vazia, uma peça pode custar R$ 10 mil por pessoa, se você enche, esse valor pode cair  para R$ 10. Por isso, a gente vai atrás do público.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O orçamento é o mesmo do ano passado, mas o cenário atual é de crise econômica e alta do dólar. Como vocês lidam com isso?
LEANDRO KNOPFHOLZ — A gente diminuiu a programação de 38 para 29 peças na Mostra Oficinal e cortamos uma série de coisas. Tivemos de cortar custos, sim. Diminuímos convidados e outra série de questões. Renegociei com alguns fornecedores. A tradição nos ajudou, isso sem dúvida. A credibilidade e o carinho com o evento foram coisas importantes para realizar esta edição. O festival sem dúvida tem um patrimônio que é sua história e sua tradição, que são as relações criadas, que transcendem o contato puramente comercial. O festival é ume esforço conjunto de todos os envolvidos. E isso é muito importante.

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Público vê peça gratuita do Festival de Curitiba: "A cidade, em todas as suas camadas, está envolvida no evento; e você só pode ser global se você é forte local", diz Leandro Knopfholz - Foto: Daniel Sorrentino/Clix/Arquivo R7

MIGUEL ARCANJO PRADO — O Festival de Teatro de Curitiba sempre faz questão de divulgar seu balanço em seu último dia de evento. Outros festivais seguram os números ou sequer os divulgam. O balanço da MITsp por exemplo não sai até esta nossa conversa, nove dias após o término. Qual a importância para você de um evento deste porte ser transparente com a imprensa, os artistas e o público?
LEANDRO KNOPFHOLZ — Respeitamos muito o público, a imprensa, os artistas, os produtores e os patrocinadores. Eu acho que o mundo é cada vez mais transparente. Na TV digital que meu pai comprou você vê a espinha da apresentadora do telejornal. É impossível você esconder qualquer coisa. O cidadão está com o dedo no nariz e alguém tira uma foto e coloca na rede social. O mundo é online, a TV é digital. A informação circula muito rápido. Não tem como maquiar ou distorcer. A gente tem uma filosofia aqui de administrar por indicadores. Para você administrar você tem de medir. Como trabalhamos com muitos fornecedores e parceiros, a gente tenta fazer com que essa informação flua da maneira mais rápida, precisa e transparente possível. A gente não esconde nada.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que o Festival de Teatro de Curitiba tem que os outros festivais não têm?
LEANDRO KNOPFHOLZ — Tem uma história de 24 edições e isso leva a tudo: às relações interpessoais consolidadas, à tradição, ao carinho e ao orgulho que a classe teatral de todo o País e o curitibano tem do evento. O envolvimento das pessoas com o evento no dia a dia é incrível. Ontem, por exemplo, fui pegar meu carro estacionado, e a moça da zona azul do trânsito viu que eu era “o cara do festival” e veio me pedir se eu tinha o livrinho da programação, porque ela queria se programar. Isso é uma percepção que a cidade, em todas as suas camadas, está envolvida no evento. E você só pode ser global se você é forte local. Por isso, o Festival de Teatro de Curitiba é o maior e o mais importante festival de teatro do Brasil, conhecido em todo o mundo. Porque o Festival de Teatro de Curitiba não é um evento só para a classe teatral, é para o grande público também.

sorrentino Com 422 peças, Festival de Teatro de Curitiba é o principal do Brasil: “Não é só para classe teatral, é para o público também”, diz Leandro Knopfholz

Público lota arquibancadas na peça chilena El Hombre Venido de Ninguna Parte, em 2014, na praça Santos Andrade, uma das principais de Curitiba - Foto: Daniel Sorrentino/Clix/Arquivo R7

Leia a cobertura do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

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releasereneramos1 Vídeo   Peça mistura fúria no trânsito com mitologia grega; veja entrevista com ator Rene Ramos

Rene Ramos em cena de Ulisses e Odisseu: caos urbano e mitologia - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Rene Ramos encara o monólogo Ulisses e Odisseu, que estreia nesta quinta (12), às 21h, no Espaço dos Parlapatões (praça Roosevelt, 158, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 94938-3862). A temporada será toda quinta, 21h, até 30 de abril. Na obra, Ramos faz um paralelo entre o mundo estressante de hoje com a mitologia grega. Nesta entrevista, ele conta mais sobre a montagem, que também conta com direção e dramaturgia assinadas por ele. Veja o vídeo com reportagem de Miguel Arcanjo Prado, produção e imagens de Robert Mathias.

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MIT CANCAO DE MUITO LONGE FOTO Jan Versweyveld 3 MITsp cobra ingresso depois de prometer gratuidade; diretor explica o porquê da mudança

Cena da peça Canção de Muito Longe, da Holanda, do diretor Ivo van Hove; obra tem estreia mundial na MITsp, que coproduziu a peça - Foto: Jan Versweyveld

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

“A MITsp vai continuar no ano que vem. E gratuita. A segunda edição será de 6 a 15 de março de 2015 e terá uma novidade: a única atividade que vamos cobrar ingresso vai ser o Cabaré”. Esta é a declaração de Guilherme Marques, diretor da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo), na Entrevista de Quinta publicada neste blog em 12 de junho de 2014.

O executivo do teatro se referia à edição de 2015, segunda da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que será realizada entre 6 e 15 de março, com peças da Rússia, Suíça, Alemanha, Inglaterra, Ucrânia, Holanda, Itália, Israel e Brasil. Contudo, houve uma mudança importante na declaração dele: o festival agora cobra entrada na maioria de seus espetáculos — R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entrada, à venda desde o último dia 5.

A cobrança de ingresso vem no momento em que o festival aumentou seu orçamento de R$ 2,8 milhões em 2014 para R$ 3,2 milhões em 2015. O festival conseguiu neste ano um grande patrocinador: o Itaú Unibanco. Além disso, tem correalização de Sesc em São Paulo e de dois órgãos públicos, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

A MITsp ainda conta com dinheiro público vindo das Leis Estadual e Federal de Cultura e do Fundo Nacional de Cultural. Até ano passado, a direção da MITsp pensava que, justamente por contar com verbas do Estado, seria ético não cobrar ingresso do público.

Fato é que o sucesso da primeira edição se deu justamente pela junção de uma programação de alta qualidade internacional à gratuidade, o que gerou filas gigantescas em todas as apresentações. Setores da classe teatral louvaram o fato de a população fazer filas para ver teatro. Outra parte da mesma classe, criticou a gratuidade, que em sua visão gerava filas demoradas.

O Atores & Bastidores do R7 quis saber do diretor do evento, Guilherme Marques, o porquê da mudança de sua opinião sobre a gratuidade na entrada da MITsp. Ele concedeu a entrevista exclusiva abaixo:

guilherme marques bob sousa3 MITsp cobra ingresso depois de prometer gratuidade; diretor explica o porquê da mudança

Guilherme Marques, diretor da MITsp, que passou a cobrar ingresso no festival: "Houve muita reclamação, muita mesmo, de gente que não podia passar tarde inteira na fila" - Foto: Bob Sousa

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que garantiu que a segunda edição da MITsp seria gratuita e agora há cobrança de ingresso? Por que voltou atrás?
GUILHERME MARQUES — Naquele momento, em 2014, era um desejo – não uma garantia – muito forte nosso, da equipe da MITsp, que a Mostra continuasse gratuita, porque pudemos ver o interesse enorme da população pelo tipo de programação que propusemos. Foi arrebatador ver aquelas filas em torno de espetáculos de diretores que nunca haviam estado no Brasil. Entretanto, houve muita reclamação, muita mesmo, de gente que não podia passar uma tarde inteira na fila, esperar 4 ou 5 horas pelo ingresso. E outra reclamação foi a de que não conseguíamos garantir entrada para gente de fora do Estado de São Paulo, nem do Brasil, porque como a pessoa sairia de seu Estado sem saber se entraria nos espetáculos? Então, decidimos cobrar ingressos populares (20 e 10 reais) o que permitiria acesso a todos, gente de São Paulo e de fora. Porém , é importante lembrar que dois espetáculos da mostra (Arquivo e As Irmãs Macaluso) farão sete sessões totalmente gratuitas à população. Todas as atividades reflexivas (Olhares Críticos, Encontros Formativos e Reflexões Estético-Políticas) são totalmente gratuitas.

MIGUEL ARCANJO PRADO - Qual o valor total do orçamento da segunda edição da MITsp? Qual foi o valor total do orçamento da primeira edição da MITsp? Se ele cresceu, por que cobrar ingresso agora?
GUILHERME MARQUES — O valor da MITsp em 2014 foi de 2.850.000,00 (dois milhões, oitocentos e cinquenta mil reais), o valor total da MITsp em 2015 é 3.279.872,00 (três milhões, duzentos e setenta e nove mil, oitocentos e setenta e dois reais). O que determinou a cobrança de ingressos não foi o valor que pode vir a ser arrecadado pela bilheteria, mas sim o acesso maior a pessoas do País inteiro.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual o montante de verba pública dentro deste orçamento (nas duas edições)?
GUILHERME MARQUES — Em 2015, 70% são de recursos públicos (via Proac e Pronac) e 30% de serviços e permutas. Em 2014, 100% foi de recurso público, via Pronac e Proac.

MIGUEL ARCANJO PRADO —  As verbas provêm de quais órgãos/recursos públicos?
GUILHERME MARQUES — Pronac/IR, Proac/ICMS e recurso direto do Município de São Paulo, via Secretaria Municipal de Cultura.

MIGUEL ARCANJO PRADO — As grandes filas de 2014 na MITsp foram encaradas como um problema pelo festival? Por quê?
GUILHERME MARQUES — As filas foram ao mesmo tempo uma satisfação e uma dor de cabeça. Explico. Era a primeira edição de uma mostra que não sabíamos o que poderia dar, se atingiria o público que queríamos, então, em um primeiro momento, ver a fila nos dava a certeza que o caminho era esse. Ao mesmo tempo, se víamos que uma parte da população poderia estar ali naquela fila, uma outra parte, também significativa, não poderia, pelos motivos acima apresentados. E as reclamações, todas justíssimas, nos fizeram rever o esquema dos ingressos. Para tanto, um fator primordial foi estabelecer como critério nessa mudança, o valor de ingresso a preço popular (10 e 20 reais).

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Woyzeck, dirigido por Andriy Zholdak, representa a Ucrânia na MITsp 2015 - Foto: Vladimir Lupovskoy

MIGUEL ARCANJO PRADO — O fato de o evento cobrar ingresso em sua segunda edição não o torna menos inclusivo do que foi em sua primeira edição, quando foi gratuito? Por quê?
GUILHERME MARQUES — Se considerarmos que agora, em 2015, existem pessoas de Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, enfim, de vários estados brasileiros se organizando para vir a MITsp, com os ingressos comprados, na mão, e que em 2014 não havia essa possibilidade, desse ponto de vista achamos que houve inclusão de uma parcela de pessoas interessadas em teatro, não necessariamente de São Paulo, que pode agora ter acesso ao evento. Além disso, o fato de trabalharmos com ingressos populares garante a continuidade de um acesso mais democrático.

MIGUEL ARCANJO PRADO — A venda de ingressos de forma antecipada não pode tornar a MITsp um festival voltado mais para a classe artística? Não se corre o risco de que quando o grande público souber do evento não haja mais ingressos à venda? Por quê?
GUILHERME MARQUES — Anunciamos a data dessa MITsp quando terminamos a edição de 2014. Estamos falando publicamente sobre a programação dessa Mostra desde dezembro de 2014, quando divulgamos os espetáculos que viriam. E, desde então, a grande imprensa tem noticiado o evento, portanto, acreditamos que, como em qualquer evento artístico, as pessoas podem se programar para conseguir o ingresso.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O dinheiro público investindo no evento não deveria garantir uma maior democratização do mesmo, com a gratuidade dos ingressos? Por quê?
GUILHERME MARQUES — Justamente. O dinheiro público é o que garantiu o acesso a espetáculos gratuitos e a preços populares e a todas as ações reflexivas (mesas redondas, debates e conferências, além de outras ações reflexivas) gratuitas, além de uma série de workshops e aulas, também gratuitos.

Conheça a programação e saiba como tentar vaga nos cursos da MITsp

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 Somos o maior do Brasil e vamos continuar sendo, diz Leandro Knopfholz, do Festival de Curitiba

Leandro Knopfholz: confiança na tradição de 24 anos de história para manter o Festival de Teatro de Curitiba na liderança, como o maior e mais importante do Brasil em sua área - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto DANIEL SORRENTINO/Clix

O Festival de Teatro de Curitiba faz em 2015 uma edição menor do que a apresentada 2014. O motivo foi a queda de patrocínio para o mais tradicional festival de teatro do Brasil. Mas, nem por isso, o evento abandonou sua fartura cênica.

Mesmo com o cinto apertado, Curitiba segue gigante. Se em 2014 foram mais de 450 peças, em 2015 serão 422 espetáculos apresentados na capital do Paraná nos 13 dias de evento entre 24 de março e 5 de abril: 29 na Mostra Oficial (que em 2014 teve 35 peças) e 393 no Fringe, a mostra paralela. Os números fazem da 24ª edição do evento o maior festival teatral do Brasil em 2015.

Leandro Knopfhoz, diretor geral do evento e seu idealizador, ao lado de Carlos Eduardo Bittencourt, conta que desde que o festival foi fundado, em 1992, mais de 7.000 espetáculos foram apresentados, levando 4,8 milhões de pessoas ao teatro. "Número imbatível", ele reforça.

— Todos os anos reunimos 1.500 profissionais do teatro em Curitiba. O Festival de Teatro de Curitiba é o maior do Brasil, é a maior plataforma de lançamento de espetáculos do País. Neste ano, mesmo com um cenário econômico complicado no País, não será diferente. O Festival de Teatro de Curitiba continua o maior do Brasil. E vai continuar sendo.

O orçamento do evento este ano é de R$ 6 milhões, dos quais apenas R$ 4 foram captados, valor menor do que os R$ 6,5 milhões de 2014 e R$ 8 milhões de 2013. Knofpholz confirma ao R7 os números e o reajuste orçamentário, mas parece confiante na trajetória do evento para sustentar sua grandeza.

— Mesmo o Festival de Teatro de Curitiba tendo de se adaptar às atuais circunstâncias do momento econômico do País, os 24 anos de nossa história nos permitem dizer que estaremos sempre com um evento que é o retrato do teatro brasileiro a cada ano. Isso não mudará.

forces Somos o maior do Brasil e vamos continuar sendo, diz Leandro Knopfholz, do Festival de Curitiba

Forces, da norte-americana Elizabeth Streb, abrirá o Festival de Teatro de Curitiba 2015 - Foto: Divulgação

Cinco peças estrangeiras

Sete estreias nacionais e cinco atrações internacionais (mesmo número de 2014) garantem o peso da Mostra Oficial. As brasileiras são SPon SPof Spend, Post Scriptum, OE, Abnegação 2, Meu Saba, Fishman e Ensaio para um Adeus Inesperado. Já as peças gringas são A House in Asia, Double Rite, Surfacing, Numax e Forces. Esta última, da Cia. Elizabeth Streb, dos EUA, abrirá o festival no Teatro Guaíra, mais tradicional palco paranaense.

pessoas perfeitas 3 Somos o maior do Brasil e vamos continuar sendo, diz Leandro Knopfholz, do Festival de Curitiba

Ivam Cabral em cena de Pessoas Perfeitas, do Satyros: peça estará em Curitiba - Foto: André Stéfano

Sucessos recentes nos palcos brasileiros também darão as caras em Curitiba, como Pessoas Perfeitas, do grupo Os Satyros, Gotas D'Água sobre Pedras Escaldantes, com Gilda Nomacce e Leonardo Chirolli, e Beije Minha Lápide, com Marco Nanini, habitué do evento.

O Fringe permanece como reflexo da diversidade teatral produzida no Brasil. Dez mostras especiais elencam espetáculos em blocos para o público, das quais cinco são inéditas, como a Mostra de Teatro Universitário Grutum, com peças acadêmicas, e a I Mostra Pernambucana de Teatro para a Infância.

Os eventos paralelos foram mantidos: o Gastronomix, com chefes renomados fazendo pratos concorridos, o Guritiba, com peças para os pequeninos, o Mish Mash, com o mundo da mágica, e o Risorama, a mostra de stand-up do Festival de Teatro de Curitiba que sempre é o campeã de público.

Os ingressos para a 24ª edição começam a ser vendidos nesta terça (10). Em 2014, o Festival de Teatro de Curitiba teve público de 230 mil pessoas – 160 mil ingressos foram vendidos e 77 espetáculos foram gratuitos.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba em 2014!

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entrevista de quinta miguel arcanjo prado foto eduardo enomoto 3 Entrevista de Quinta: O teatro está mais vivo do que nunca, diz Miguel Arcanjo Prado

O jornalista Miguel Arcanjo Prado, autor do blog Atores & Bastidores - Foto: Eduardo Enomoto

Por BRUNA FERREIRA*
Fotos EDUARDO ENOMOTO

Antes que você se pergunte o que está acontecendo, sim, esta é uma Entrevista de Quinta com o dono da casa. Encontramos ele na janela lateral do quarto de dormir. Gritamos um “oi” da rua de paralelepípedo e ele respondeu prontamente: “Entra! Vou passar um café”.

Bom, não foi isso o que aconteceu, mas é sempre assim que imagino o Miguel Arcanjo Prado, recebendo suas visitas todas, em uma cidade mineira incrustada numa cadeia de montanhas, suas cachoeiras e seus papos no portão.

Jornalista, colunista de teatro, editor de Cultura do R7, formado pela UFMG e pós-graduado pela USP, ele é também crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Miguelito, como é chamado pelos amigos, defende o teatro como defende o jornalismo.

Aqui, para começarmos o ano nos sentindo em casa, ele conta um pouco de sua trajetória e do Atores & Bastidores: uma aventura cheia de Paulos, Fernandonas e até uma entrevista sentado na privada.

Leia com toda a calma do mundo.

BRUNA FERREIRA — Quando você começou a cobrir teatro?
MIGUEL ARCANJO PRADO — Foi logo que entrei para fazer estágio na TV Globo Minas, em 2005. Pedi ao meu chefe de então, o Paulo Valladares, para entrevistar para o site da emissora os artistas que iam divulgar suas peças no telejornal MGTV 1ª Edição. Foi assim que entrevistei nomes como Marco Nanini, Paulo Autran, Marília Gabriela e Lilia Cabral antes mesmo de me formar. Quando me formei, me mudei no começo de 2007 para São Paulo, porque havia passado no Curso Abril de Jornalismo, da Editora Abril. Tive aulas com nomes como Mônica Bergamo, Carlos Tramontina, JR Duran, Roberto Civita e Thomaz Souto Corrêa, que é o meu grande padrinho na minha chegada em São Paulo — as madrinhas são Wania Capelli e Alice Cruz, que também trabalhavam na Abril. Depois, fui trabalhar de repórter na Contigo!, onde a Denise Gianoglio, editora-chefe, me deu a coluna de Teatro, que na época tinha duas páginas semanais. Depois fui pra Ilustrada da Folha Online, e mais uma vez o teatro apareceu. O então editor da Ilustrada, Sergio Ripardo, me convocou para cobrir o Festival de Teatro de Curitiba, onde acabei me enturmando com o pessoal do teatro de vez e passei a escrever críticas. Depois, fui para o jornal Agora São Paulo e, ao saber que gostava de teatro, a editora do caderno Show me deu a coluna de teatro, com críticas, notas e entrevistas, que saía toda sexta-feira. E aí veio o R7 e a história se repetiu... Geralmente, o teatro acaba ganhando cobertura nos veículos quando tem um jornalista na redação que é apaixonado por ele, como é o meu caso.

BRUNA FERREIRA — É verdade que você quase não virou jornalista?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
É verdade, por pouco eu virei geógrafo! Minhas disciplinas preferidas eram Geografia e História. Quando fiz o vestibular de 2001, passei em História na UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) e Geografia na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Escolhi a UFMG porque era em BH, minha cidade. Acho que Geografia foi importante porque me deu uma base de conhecimentos gerais que me ajudou no jornalismo. Mas, quando fui chegando à metade do curso, percebi que não estava feliz. Fui fazer uma disciplina optativa no curso de Comunicação Social, chamada História do Jornalismo Brasileiro, com a professora Ângela Carrato. Ao ouvi-la, fiquei encantado e resolvi que aquela seria minha profissão. Troquei de curso e, no começo de 2003, começava Comunicação Social. Às vezes penso em terminar Geografia... Parece brincadeira, mas eu já estudei muita rocha nos trabalhos de campo no interior de Minas para a disciplina Geomorfologia Climática Estrutural! [risos]

entrevista de quinta miguel arcanjo prado foto eduardo enomoto 2 Entrevista de Quinta: O teatro está mais vivo do que nunca, diz Miguel Arcanjo Prado

"Gosto da forma como os mineiros enxergam o mundo", diz Arcanjo - Foto: Eduardo Enomoto

BRUNA FERREIRA — Acho engraçado que você sempre se apresenta como um “jornalista mineiro”. Por quê?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Como diz o Drummond, Minas é sempre um retrato na parede. E, ai, como dói! [risos] Na verdade, mesmo lá em BH, eu tinha uma amiga do curso de Geografia, a Luiza Barros, que dizia que eu era “um anjo barroco mineiro com alma baiana e jeito carioca”. Acho que só sobrou o barroco mineiro [risos]. Gosto da "mineiridade", da forma como os mineiros enxergam o mundo, do alto da montanha, sempre com calma, sem essa afobação paulistana. Em Minas, o tempo é outro. E, modéstia à parte, mineiros costumam ser bons jornalistas e bons escritores [risos]. Meu primeiro texto publicado na imprensa, em 2003, no jornal O Pasquim 21, foi apresentado por um mineiro, o Zélio Alves Pinto, irmão do Ziraldo. Era uma crônica sobre um garotinho chamado Lucas, que conheci no bandejão da Faculdade de Direito da UFMG, na praça Afonso Arinos... Quer coisa mais mineira?

BRUNA FERREIRA — Sem sair de Minas Gerais, você tem uma mania que quem te conhece já ouviu: adora citar um conhecimento antigo, um ditado, que aprendeu com sua mãe ou outra pessoa de sua família [risos]. Eles são muito importantes na sua formação?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Minha mãe gosta de dizer: é de pequeno que se torce o pepino. Os ditados populares sempre fizeram parte da minha vida. Minha avó Oneida, nascida em Ouro Preto, sempre tinha um ditado para cada situação. E minha mãe, Nina, também tem até hoje. Acabo nem percebendo quando uso esse tipo de expressão. Sai de forma natural mesmo, uai... [risos].

BRUNA FERREIRA — Quando o blog Atores & Bastidores nasceu, lembro de que foi uma conquista. Como isso aconteceu?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
O blog foi um projeto que desenvolvi com muito carinho. Era um sonho antigo poder me dedicar integralmente à cobertura cultural e, sobretudo, à cobertura teatral, depois do começo da carreira dividido com o jornalismo de celebridades, com o qual aprendi muito. Fiquei muito feliz quando o Antonio Guerreiro, o diretor do R7 e grande amante do teatro, aprovou a ideia, que logo recebeu apoio também do diretor de conteúdo do portal, o Luiz Pimentel. Outra grande incentivadora do blog foi a Fabíola Reipert, que é uma jornalista de coração enorme, divertidíssima e que senta-se ao meu lado na redação. O blog vai completar três anos em 1º de março de 2015. É um dos mais lidos do portal e é campeão nacional em sua categoria. Hoje, tem o respeito do público, da imprensa e da classe artística. Isso é fruto de trabalho árduo diário e me enche de orgulho.

BRUNA FERREIRA — Na estreia do blog, você recebeu palavras de incentivo de pessoas importantes da classe artística. Alguém em especial te impressionou com as palavras?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Muitos foram generosos e deram lindos depoimentos para a abertura do blog. Gente querida como o Manoel Carlos, o Aguinaldo Silva, o Gilberto Braga, o Alcides Nogueira, a Beth Goulart, o Antunes Filho, a Beatriz Segall, o Ivam Cabral... Mas um depoimento foi marcante, porque foi dado pessoalmente. Logo antes de o blog estrear, me encontrei com a Fernanda Montenegro na saída do Teatro João Caetano, na praça Tiradentes, no Rio. Parei para conversar com ela e comentei do blog que estava para sair e disse que adoraria ter um depoimento dela abrindo. Ela falou: "Pode anotar aí". E completou: "Quanto mais se falar de teatro e, principalmente, por meio de seu blog, melhor para todos nós. Com este novo espaço, Miguel Arcanjo nos ajuda e muito. Desejo um resultado lindo e que o teatro seja sempre o foco dessa brilhante iniciativa". Fiquei emocionado. Foi assim que o Atores & Bastidores estreou com pé direito, tendo Fernanda Montenegro como madrinha.

entrevista de quinta miguel arcanjo prado foto eduardo enomoto 1 Entrevista de Quinta: O teatro está mais vivo do que nunca, diz Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado já recebeu ligação de Paulo Autran, agradecendo uma matéria - Foto: Eduardo Enomoto

BRUNA FERREIRA — O blog terá novidades em 2015?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Neste janeiro, voltei da folga de Réveillon em Minas e entrei em uma correria desatada. Já tenho dois blogs: o Atores & Bastidores e o R7 Cultura, que nasceu há poucos meses e também já é um dos mais lidos do portal. Além disso, estou fazendo até o dia 26 deste mês o blog da Fabíola Reipert, que saiu de férias e me pediu para segurar as pontas até sua volta. Mas, assim que conseguir um respiro, quero pensar coisas novas. Penso em dar mais voz ao internauta e investir mais em perfis e ensaios dos artistas do teatro, além de manter as críticas e as colunas que são sucesso: O Retrato do Bob, Entrevista de Quinta, Por trás do pano - Rapidinhas Teatrais, Dois ou Um e Domingou. E quero continuar trabalhando com os dois melhores fotógrafos do mundo: Eduardo Enomoto e Bob Sousa. Além de ter a inteligência do Átila Moreno no Rio. E ter o luxo de ter você, Bruna Ferreira, me substituindo quando eu entrar de férias. Mas isso ainda vai demorar alguns meses... Ah, quero também cobrir mais festivais de teatro neste ano. Pode convidar que eu vou.

BRUNA FERREIRA - Alguma situação lhe marcou muito na cobertura teatral?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Sim. Todos os meus contatos com o Paulo Autran. A primeira vez que o entrevistei, ainda era estagiário da TV Globo Minas, e ele estava em Belo Horizonte para fazer a peça Adivinhe Quem Vem para Rezar. Lembro que ele foi muito carinhoso comigo e falou que eu era muito novinho [risos]. Depois, nos reencontramos em São Paulo em 2007, quando já estava fazendo a coluna de teatro da revista Contigo!. Ainda era novinho, tinha 25 anos [risos]. Fiz uma matéria com ele sobre a inauguração do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros. No dia em que a revista saiu, o telefone da redação tocou e Shirley Souza, da secretaria, falou: "Miguel, tem um Paulo querendo falar com você". Quando atendi, para minha surpresa, do outro lado da linha era o Paulo Autran, dizendo que havia comprado a revista na banca, lido e gostado muito da minha matéria com ele. Falou que sabia que eu devia estar muito ocupado e que não se estenderia muito, que só havia ligado para agradecer. Fiquei boquiaberto com o gesto humilde dele. Pouco tempo depois ele morreu.... Infelizmente, artistas assim não existem mais...

BRUNA FERREIRA — Falando nos mestres, já dividi com você a responsabilidade de cobrir algumas tristes despedidas para a classe artística: Cleyde Yáconis, Walmor Chagas, Paulo Goulart... Nunca esqueço do cuidado que você tem com o texto, a foto... Por quê?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Olha, Bruna, no país sem memória, fazer uma despedida à altura do artista que morreu é uma obrigação do jornalismo cultural, cada vez mais maltratado e jogado no escanteio. Acho que cobrir com cuidado e carinho e, sobretudo, com ética, é o maior tributo que podemos prestar a estes artistas em sua partida. A profissão de jornalista tem muita responsabilidade neste momento. E o público sempre reconhece e valoriza uma cobertura bem feita. Você é testemunha disso.

BRUNA FERREIRA — O internauta que entra em seu blog já se acostumou com as votações que você promove. Musas, musos e até os melhores do ano. Você se surpreende com os resultados?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Claro! O Muso e a Musa do Teatro foi uma brincadeira que eu propus, e a classe artística teve o bom humor em embarcar. O teatro tem de parar de querer ser essa coisa sisuda, antiga, chata, cheirando a museu. O teatro é vivo, é feito também por gente jovem, descolada. Por que não um pouco de bom humor? O jornalismo não pode perder o bom humor. Agora teve esse atentado horroroso lá em Paris, que é um atentado contra a imprensa como um todo, contra a liberdade de expressão. Não podemos aceitar. Eu comecei em O Pasquim 21, um semanário bem humorado e politizado. E tento manter isso sempre. A coluna Por Trás do Pano - Rapidinhas Teatrais também tem esse clima, é meio que uma homenagem aos grandes colunistas que o Brasil já teve, com texto cheio de personalidade, gente como Ricardo Amaral e o Zózimo Barrozo do Amaral. Já na votação dos Melhores do Teatro R7, o fotógrafo Bob Sousa, meu fiel companheiro na cobertura teatral, e eu indicamos sete nomes em cada categoria. Depois, é o público quem decide. Quem consegue conquistar mais votos leva. É democrático.

BRUNA FERREIRA — Nestes últimos anos, li muitas entrevistas no blog. A Entrevista de Quinta já virou uma marca. Se tivesse que escolher as mais marcantes, quais seriam?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Entrevista boa é aquela que o entrevistado expõe seu pensamento sem medo, sem culpa. O público não aguenta mais artista querendo ser certinho, politicamente correto. Eu me inspirei nas entrevistonas do Pasquim para fazer a Entrevista de Quinta. Hoje, é um dos poucos espaços que restam na grande imprensa para o artista do teatro expor seu pensamento. Não é uma materinha com uma aspa por e-mail no meio. É uma conversa de verdade! As mais marcantes, ambas na companhia do Bob Sousa, sem dúvida, foram a do Antunes Filho, que me deu exclusividade sobre sua última peça, Nossa Cidade, que depois ganhou todos os prêmios, e, claro, a do Zé Celso Martinez Corrêa, que resolveu me dar entrevista no banheiro de seu apartamento e me colocou sentado na privada! Essa entrou para a história do teatro nacional e repercute até hoje. Muitos coleguinhas vêm zoar, perguntando o que eu fui fazer com o Zé Celso no banheiro [risos]!

BRUNA FERREIRA — Quando você faz uma crítica de peça, nem sempre o que tem a dizer sobre o espetáculo é bom. Já passou perrengue na hora de falar mal de uma peça?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Aprendi com meu professor de crítica teatral, o Kil Abreu, que "a crítica não deve ser o exercício da maldade". Acho essa frase ótima. Sempre que vejo uma peça vou de coração aberto. Agora, é claro que quando não gosto, preciso expor meu pensamento. É meu trabalho. Mas minhas críticas são respeitosas e sempre argumento o porquê de não ter gostado. Muitos artistas têm maturidade para respeitar. Claro que sempre tem aquele que leva no pessoal, vai no Facebook desabafar, ataca o crítico, faz baixaria. Acho isso lamentável. O artista tem de estar preparado para o diálogo com o outro. E, sobretudo, para ouvir o que o outro tem a dizer. Se ainda não está preparado para respeitar o crítico, é melhor não convidá-lo. Melhor ainda: faz o espetáculo em casa, para a mãe e a avó. Assim, só vai ouvir elogios.

entrevista de quinta miguel arcanjo prado foto eduardo enomoto 4 Entrevista de Quinta: O teatro está mais vivo do que nunca, diz Miguel Arcanjo Prado

Miguel Arcanjo Prado: "O teatro está mais vivo do que nunca" - Foto: Eduardo Enomoto

BRUNA FERREIRA — Três perguntas bem rápidas: qual sua peça favorita? O que está lendo? O que anda ouvindo?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Vou falar as que mais me marcaram: primeiro, O Mistério da Feiurinha, que vi ainda criança no Teatro Sesi Minas, lá em BH. A segunda, vi no fim da adolescência, também em BH: Todas as Belezas do Mundo, da Cia. Clara, dirigida pelo Anderson Aníbal e que tinha a Grace Passô no elenco, ainda começando a carreira, mas já uma grande atriz. Para terminar, uma de São Paulo: Luis Antonio - Gabriela, da Cia. Mugunzá, que foi muito emocionante. Vi a estreia no porão do Centro Cultural São Paulo e lembro-me que fiquei impactado. De livro, sempre estou lendo algo. Li muita coisa da pós-graduação, Bauman, Jung, Thompson, Kellner, mas, de romance, li recentemente Boquitas Pintadas, uma novela do escritor argentino Manuel Puig. Ando ouvindo muito os discos do Caetano nos anos 1970, em especial Cinema Transcendental, Transa, Bicho e Joia. E também o novo disco do cantor uruguaio Jorge Drexler, Bailar en la Cueva. É ótimo e tem uma música que se chama Bolívia, que me faz lembrar da nossa amiga boliviana Elba Kriss. Ah, também ouço muito Fito Paez e Fabiana Cantilo, roqueiros argentinos. Além da turma do Clube da Esquina, porque mineiro de verdade nunca deixa de ouvir.

BRUNA FERREIRA — Recentemente você fez especialização na USP?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Pois é, agora sou especialista em Mídia, Informação e Cultural pela ECA. Chique, né? [risos] Mas você, Bruna, é mais chique, porque já está na metade do mestrado [risos]. Minha dissertação foi a cobertura atual dos grupos Os Satyros e Oficina nos jornais Folha e Estadão. Meu recorte pegou o período das manifestações de junho de 2013 e ambas companhias levaram a questão política para o palco. Foi uma pesquisa muito prazerosa e instigante e tive um orientador ótimo, o Dr. Danilo Oliveira, que é jovem e gosta de teatro. Gostei muito de retomar a vida acadêmica e quem sabe entro no mestrado em 2015?

BRUNA FERREIRA — Nestes dez anos de cobertura teatral, o que conseguiu encontrar?
MIGUEL ARCANJO PRADO —
Encontrei muitas pessoas interessantes. Muitos artistas instigantes. Zé Celso, Antunes Filho, Phedra D. Córdoba, Marba Goicochea, Zé Henrique de Paula, Yara de Novaes, Pedro Granato, Eva Wilma, Leopoldo Pacheco, Amanda Acosta, Angelo Antonio, Paulo Autran, Ivam Cabral, Rodolfo García Vázquez e tantos outros... Todos dialogaram comigo de alguma forma. E também muita gente bacana nos bastidores, como a Célia, a Beth, a Dani e a Selma, da Morente Forte, a Adriana Balsanelli, o Renato Fernandes, a Eliane Verbena, o Leandro Knopfholz, do Festival de Curitiba, o Michel Ferrabbiamo, produtor cultural lá de Ipatinga, os meninos do Magiluth, de Recife, o Phillipe Serra, leitor fiel do blog que mora no Espírito Santo... É tanta gente do bem! Costumo dizer que prefiro cobrir teatro a TV porque os artistas do teatro são mais inteligentes. É claro que tem gente inteligente na televisão também, mas os do teatro costumam ser mais verdadeiros, menos marqueteiros, sabe? Eu gosto de gente de verdade. Esse negócio de pose, de ar blasé, não faz muito meu estilo. E tem muita gente batalhando neste país para fazer teatro. Apesar de sempre quererem a morte dele, o teatro está mais vivo do que nunca. Acho que o que mais me motiva neste trabalho é dar voz a estes artistas. Deixar essa turma mandar seu recado. E acho que o teatro é parceiro do blog porque entendeu que ele joga luz, traz um glamour, uma vida nova ao mundo dos palcos. Com uma pitada de mineirice, é claro! [risos].

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado.

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cleiton pereira Vídeo: Contadores de Mentira recebe Eugenio Barba e Julia Varley do Odin Teatret em Suzano, SP

Cleiton Pereira, do grupo Contadores de Mentira, no estúdio do R7 - Foto: Divulgação

O grupo Contadores de Mentira, de Suzano, na Grande São Paulo, vive um momento importante de sua trajetória. Entre 28 de novembro e 1º de dezembro, a trupe recebe a visita do diretor Eugênio Barba, um dos maiores nomes do teatro mundial, e da atriz Julia Varley, do Odin Teatret. Cleiton Pereira, diretor do Contadores de Mentira, companhia que completa 20 anos em 2015, fala nesta entrevista ao colunista e editor de Cultura do R7 Miguel Arcanjo Prado sobre a ação do projeto Intercâmbio Ofícios e Raízes. Veja o vídeo:

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quatroloscinco foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

Quatroloscinco - Teatro do Comum (a partir da esq.): Maria Mourão, Rejane Faria, Ítalo Laureano, Assis Benevenuto e Marcos Coletta: quatro espetáculos e duas oficinas em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos EDUARDO ENOMOTO

As nuvens estão carregadas e "o céu [parece estar] a cinco minutos da tempestade", para citar o título de uma peça da dramaturga mineira Silvia Gomez. Afinal, a tarde é mesmo de conversa mineira na velocidade paulistana.

A luz cai enquanto cinco integrantes do grupo Quatroloscinco - Teatro do Comum chegam ao Memorial da América Latina, recém saídos da estação de metrô da Barra Funda. Apressados, correm para as fotos velozes de Eduardo Enomoto, antes da entrevista.

Os mineiros conquistam a maior cidade do Brasil com o teatro que fazem há sete anos. Até o fim deste mês, fazem a Ocupação Quatroloscinco no Sesc Belenzinho, um dos mais importantes espaços teatrais de São Paulo, apresentando quatro espetáculos (Get Out!, É Só uma Formalidade, Humor e Outro Lado), além de duas oficinas para trocar experiências com artistas e público paulistano.

O Quatroloscinco é formado pelos atores Ítalo Laureano, Rejane Faria, Marcos Coletta, Assis Benevenuto e Maria Mourão, esta última na função de produtora.

quatroloscinco italo laureano foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

O ator Ítalo Laureano: "O Quatroloscinco funciona em rede" - Foto: Eduardo Enomoto

Ítalo Laureano, mineiro nascido e criado em Bom Despacho, conta que ainda se assusta com São Paulo. "Acho uma cidade fria, as pessoas correm muito, é tudo muito tumultuado. As pessoas te empurram, não te olham. Isso me dá um pouco de medo".  Formado em artes cênicas pela UFMG, ele será pai no começo de 2015 de uma menina, fruto do relacionamento com a atriz Carla Duque. Já escolheu o nome da primeira filha: Nina.

Conta que hoje consegue viver de atuar, que, "de uns três anos para cá o grupo conseguiu uma estrutura boa". Mas sabe que ainda há muito a batalhar, "pois teatro ainda não atinge o grande público neste País, infelizmente". Fala que gostam de trabalhar em rede, com outros grupos brasileiros e também dentro do próprio grupo, em um sistema colaborativo. Andam viajando muito: "São Paulo é nosso oitavo estado neste ano", revela. E diz que o maior objetivo da trupe é "estabelecer um lugar de afeto com o público".

quatroloscinco rejane faria foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

A atriz Rejane Faria: "Agora, a gente já se sente colocado, mas isso só aconteceu porque o Quatroloscinco conquistou o seu lugar no cenário teatral" - Foto: Eduardo Enomoto

Rejane Faria, belo-horizontina que hoje prefere morar em um sítio em Esmeraldas, nos arredores de Belo Horizonte, conta que o teatro chegou mais tarde em sua vida, mas o agarrou com unhas e dentes. Ela o descobriu já funcionária dos Correios, onde ainda trabalha, quando foi convocada para o grupo teatral da instituição. Levou tanto a sério que resolveu estudar artes cênicas na UFMG. Foi lá que criou com os colegas um grupo de estudos para pesquisar o teatro latino-americano. Assim nasceu o Quatroloscinco. O nome veio de uma reunião na qual constaram que dos cinco participantes, sempre faltava um em algum encontro.

Sobre o lugar de reconhecimento que o grupo ocupa hoje na cena nacional, afirma: "Agora, a gente já se sente colocado, mas isso só aconteceu porque conquistamos nosso lugar". Diz que "o artista tem uma voz muito forte na sociedade, é um ofício com grande responsabilidade". Afirma que para um grupo teatral sobreviver é preciso muito planejamento, muita união. "Hoje ainda temos atividades paralelas, mas um dia a gente quer viver só de teatro", espera.

quatroloscinco maria mourao foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

A atriz e produtora Maria Mourão: "Fazer teatro de grupo é como abrir uma empresa a cada ano" - Foto: Eduardo Enomoto

É Maria Mourão quem corre atrás da produção do grupo. Ela é mineira de Divinópolis radicada em Belo Horizonte. Herdou a arte de família: a mãe produzia e dirigia espetáculos infantis. Acabou fazendo o curso de jornalismo na Fumec, faculdade privada de BH, mas acabou entrando no Teatro Universitário da UFMG, o TU. Foi chegando no Quatroloscinco aos poucos. "Fui ficando", explica, com um sotaque mineiro gostoso de se ouvir.

Acabou assumindo as rédeas da produção. "Fiz pós-graduação em produção cultural na PUC-Minas, aprendi a fazer sonoplastia e iluminação". É um pacote completo nos bastidores. Sobre a continuidade do grupo conta que este é o maior desafio. "Vivemos um ano de cada vez, por enquanto temos nossa vida programada até março do ano que vem. Depois, é começar tudo de novo. Ter um grupo de teatro é como ter de abrir uma empresa nova a cada ano".

Com essa vida dinâmica e frenética, prefere não fazer planos para o futuro. "A Maria de 30 e poucos anos parou de pensar nisso [de como será a Maria dos 50 e poucos]. Sou muito ansiosa. Então, preferi relaxar e viver". E ela não tem vontade de voltar para o palco? Ela pensa, sorri, tímida, e responde, com muita calma: "Quem sabe... Acho que sim, mas para eu ir para o palco é preciso encontrar alguém para fazer tudo que eu faço! [risos]".

quatroloscinco marcos coletta foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

O ator Marcos Coletta: "A política começa nas pequenas relações" - Foto: Eduardo Enomoto

O ator Marcos Coletta, belo-horizontino criado no bairro do Padre Eustáquio, descobriu seu amor pela arte ainda na escola. Tanto que aos 16 anos entrou para o Teatro Universitário da UFMG. Conta que ainda era muito menino e nunca tinha ouvido falar até então de Stanislavski. Do curso técnico, emendou para a graduação em artes cênicas na mesma universidade. E ainda fez mestrado, orientado por Fernando Mencarelli, no qual pesquisou o ator no teatro de grupo tendo como base o Grupo Galpão, referência em Minas e no País, e o seu Quatroloscinco.

Conta que a luta do grupo foi árdua para se estabelecerem. "Foram três anos até a gente ganhar o primeiro edital". Além do Galpão, cita outros grupos mineiros um pouco mais velhos como referências: "Tem o Espanca!, o Luna Lunera...". E diz que o que lhe chamou a atenção nestes últimos sempre foram peças jovens, autorais, que dialogam com sua geração.

Nunca teve medo de se colocar na vida. E gosta que o grupo o faça. "A gente pensa política não só no macro como também no micro. A política começa nas pequenas relações", diz. Para o futuro, só espera estar ativo nas artes: "Espero que daqui a 20 anos o Quatroloscinco exista ainda".

quatroloscinco assis benevenuto foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

O ator Assis Benevenuto: "O teatro que fazemos é consequência da nossa persistência" - Foto: Eduardo Enomoto

Assis Benevenuto também é de Belo Horizonte, mas a família é de Rio Pomba, no interior mineiro, mas também já morou em outras cidades, como Muriaé e Juiz de Fora, em Minas, e Vila Velha, no Espírito Santo. Retornou à capital mineira no fim da adolescência, "para prestar vestibular para medicina ou veterinária". Acabou fazendo o curso livre de teatro e abandonou as pretensões de estudos na área de ciências biológicas.

Fez vestibular para letras na UFMG, curso que concluiu, e entrou para o curso técnico de atuação do Cefar Palácio das Artes. Entrou para o Quatroloscinco acompanhando os ensaios dos amigos. Quando percebeu, já fazia parte. Sonha que um dia o grupo conquiste espaço próprio. "Hoje, a gente só tem um quartinho para guardar nossos cenários em um espaço coletivo", conta. E emenda: "O teatro que fazemos é consequência da nossa persistência. É um sufoco, é mandar 80 projetos por ano e ser aprovado em dez no melhor dos casos. Das quatro peças que montamos, só uma foi por meio de edital. Tudo deu muito trabalho".

Acha que o atual sistema de produção teatral no país, com toda a sua burocracia, exigências e contrapartidas "está muito viciado". Na hora de explicar por que escolheu fazer disso seu destino, ele pensa e responde: "O teatro já virou a minha vida, é a nossa vida".

quatroloscinco 3 foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

Integrantes do grupo mineiro de teatro Quatroloscinco - Teatro do Comum posam no Memorial da América Latina, em São Paulo, onde fazem temporada de repertório no Sesc Belenzinho em novembro de 2014 - Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Memorial da América Latina

Conheça o site do Quatroloscinco e veja o serviço das peças e oficina deles no Sesc Belenzinho, em São Paulo!

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ze celso julia chequer r7 Zé Celso se recusa a pagar multa por cena de peça; no Fórum Criminal, atores do Oficina pedem paz

Zé Celso prestou depoimento no Fórum Criminal por conta de cena de peça - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7/7-4-2010

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Integrantes do Teat(r)o Oficina fizeram um ato artístico em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, na tarde desta quarta (5). A ação ocorreu durante depoimento do diretor José Celso Martinez Corrêa, do Zé Celso, 77 anos, e da produtora do Oficina, Ana Rúbia, e dos artistas Tony Reis e Mariano Mattos Martins, à Justiça.

O Oficina está sendo acusado de “crime contra a paz pública” por conta de uma encenação artística — um trecho da peça Acordes, inspirada em Bertolt Brecht — em novembro de 2012 na PUC-SP. Um padre se sentiu ofendido pela peça e deu queixa contra o grupo. Zé Celso considera a ação judicial de um “ato contra a liberdade de expressão”.

O R7 esteve no local e acompanhou a movimentação de fora. O depoimento não pôde ser coberto pela imprensa.

"Arte não é crime"

Segundo relato dos artistas, a Promotoria acusou os integrantes do Oficina de se esconderem atrás da arte que fazem para poderem incitar o crime contra a paz pública. O promotor propôs que o Oficina pagasse uma multa de um salário mínimo ao padre. Os artistas recusaram a proposta, por entenderem que esta ofendia toda a classe artística.

Para eles, aceitar o pagamento da multa implicaria em concordar que toda a arte possa ser criminalizada se alguém da plateia se sentir ofendido por algo dito em cena. O que feriria a liberdade de expressão garantida na Constituição e o próprio sentido da arte.

Zé Celso ficou indignado com o que ouviu na audiência, como contou ao R7 assim que saiu do Fórum Criminal.

— Ele [o promotor] ofereceu pagarmos um salário mínimo e ficar isso tudo por aí. O que eu ouvi do promotor é um crime contra a arte. Ele diz que nós nos escondemos na arte para dizer impropérios e incitar o crime contra a paz pública. Isso para mim é um crime contra a arte. A arte é livre!

O diretor do Oficina lembrou que muitos lutaram durante a ditadura pela liberdade de expressão artística e pelo fim da censura.

— Ninguém se esconde atrás da arte. Cacilda Becker quando vai ao DOPS acusada de fazer propaganda soviética por ler Pablo Neruda, ela diz: "Meu único partido é o teatro". Esta cena está em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe [peça do Oficina em cartaz]. O promotor acha que a arte é um biombo que se usa. É importante ser divulgado que estão querendo tirar a liberdade da arte. Nós não somos criminosos, os artistas lutaram muito pela liberdade e a cultura livre no Brasil e, em 2014, apesar desse movimento de ódio, a censura ainda é livre. Isso que está acontecendo é uma ofensa a todos os que lutaram pela liberdade na ditudura! Não podemos aceitar.

Mariano Mattos Martins, artista que também esteve na audiêcia, falou ao R7 que " a arte está sendo colocada como o crime; a ditadura acabou faz tempo, mas parece que não."

— A gente não aceitou isso [de pagar a multa]. A gente vai continuar, porque não aceitamos ser criminosos por fazer arte. Querem colocar a cultura e os artistas na marginalidade e diminuir o poder e a importância da arte teatral.

ze celso martinez correa julia chequer r7 Zé Celso se recusa a pagar multa por cena de peça; no Fórum Criminal, atores do Oficina pedem paz

O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, foi intimado a depor nesta quarta (5) no Fórum Criminal de SP por conta de um trabalho artístico feito com o Teatro Oficina em novembro de 2012 na PUC-SP - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7/7-4-2010

Ato artístico

Na calçada do Fórum, na avenida Doutor Abraão Ribeiro, os artistas fizeram um discurso de paz enquanto os integrantes do Oficina prestavam esclarecimentos à Justiça. Eles entoaram o cântico que traz os seguintes versos: “Paz, amor e paz. E muito mais”. A música faz parte da trilha da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, no momento em que a atriz Cacilda Becker dá depoimento ao DOPS nos anos de chumbo da ditadura.

Nesta cena, a personagem Maria Della Costa, interpretada pela atriz Juliane Elting, diz a seguinte frase: “Não achamos lógico, neste momento ilógico, nós, por personagens vividos, sermos... punidos!”.

A atriz Camila Mota, integrante do Oficina, falou com o editor de Cultura do portal R7, Miguel Arcanjo Prado, durante o ato artístico em frente ao Fórum Criminal. Veja a entrevista no vídeo abaixo:

+ Zé Celso é chamado para depor no Fórum Criminal; diretor ataca marcha a favor da ditadura militar

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janaina Vídeo: Diretora do grupo de Molière faz Não se Brinca com o Amor; Janaína Suaudeau fala da peça

Miguel Arcanjo Prado entrevista a atriz Janaína Suaudeau, da peça Não se Brinca com o Amor

A atriz Janaína Suaudeau idealizou e está em cartaz na peça Não se Brinca com o Amor, que encerra temporada neste fim de semana no Teatro Aliança Francesa (r. General Jardim, 182, metrô República), em São Paulo, com ingresso a preço popular (R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entrada). A obra fala do amor entre dois primos. Tem sessão sexta (24) e sábado (25), 20h30, e domingo (26), 18h. Ela convidou a diretora francesa Anne Kessler para comandar a obra escrita por Alfred de Musset, de quem Janaína é fã. Anne é atriz da Comédie-Française, grupo fundado por ninguém menos do que Molière. As apresentações fazem parte das comemorações dos 50 anos do Teatro Aliança Francesa. Veja o vídeo com a entrevista de Janaína Suaudeau:

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fernanda carvalho miguel arcanjo Vídeo: Livro do vestibular, Til de José de Alencar vira peça; veja entrevista com Fernanda Carvalho

Miguel Arcanjo Prado conversa com a atriz Fernanda Carvalho, da peça Til - Foto: Reprodução

A atriz Fernanda Carvalho esteve no R7 para falar da peça Til. Baseada no romance homônimo de José de Alencar, a obra se passa em Campinas (SP), no século 19. Versátil no palco, Fernanda interpreta três personagens. Til tem sessão toda quarta, às 20h, até o mês de dezembro, no Teatro Bibi Ferreira (av. Brigadeiro Luís Antônio, 931, no Bixiga), em São Paulo. Veja o vídeo:

Veja entrevistas em vídeo sobre teatro

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