Posts com a tag "entrevista"

cleiton pereira Vídeo: Contadores de Mentira recebe Eugenio Barba e Julia Varley do Odin Teatret em Suzano, SP

Cleiton Pereira, do grupo Contadores de Mentira, no estúdio do R7 - Foto: Divulgação

O grupo Contadores de Mentira, de Suzano, na Grande São Paulo, vive um momento importante de sua trajetória. Entre 28 de novembro e 1º de dezembro, a trupe recebe a visita do diretor Eugênio Barba, um dos maiores nomes do teatro mundial, e da atriz Julia Varley, do Odin Teatret. Cleiton Pereira, diretor do Contadores de Mentira, companhia que completa 20 anos em 2015, fala nesta entrevista ao colunista e editor de Cultura do R7 Miguel Arcanjo Prado sobre a ação do projeto Intercâmbio Ofícios e Raízes. Veja o vídeo:

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quatroloscinco foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

Quatroloscinco - Teatro do Comum (a partir da esq.): Maria Mourão, Rejane Faria, Ítalo Laureano, Assis Benevenuto e Marcos Coletta: quatro espetáculos e duas oficinas em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos EDUARDO ENOMOTO

As nuvens estão carregadas e "o céu [parece estar] a cinco minutos da tempestade", para citar o título de uma peça da dramaturga mineira Silvia Gomez. Afinal, a tarde é mesmo de conversa mineira na velocidade paulistana.

A luz cai enquanto cinco integrantes do grupo Quatroloscinco - Teatro do Comum chegam ao Memorial da América Latina, recém saídos da estação de metrô da Barra Funda. Apressados, correm para as fotos velozes de Eduardo Enomoto, antes da entrevista.

Os mineiros conquistam a maior cidade do Brasil com o teatro que fazem há sete anos. Até o fim deste mês, fazem a Ocupação Quatroloscinco no Sesc Belenzinho, um dos mais importantes espaços teatrais de São Paulo, apresentando quatro espetáculos (Get Out!, É Só uma Formalidade, Humor e Outro Lado), além de duas oficinas para trocar experiências com artistas e público paulistano.

O Quatroloscinco é formado pelos atores Ítalo Laureano, Rejane Faria, Marcos Coletta, Assis Benevenuto e Maria Mourão, esta última na função de produtora.

quatroloscinco italo laureano foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

O ator Ítalo Laureano: "O Quatroloscinco funciona em rede" - Foto: Eduardo Enomoto

Ítalo Laureano, mineiro nascido e criado em Bom Despacho, conta que ainda se assusta com São Paulo. "Acho uma cidade fria, as pessoas correm muito, é tudo muito tumultuado. As pessoas te empurram, não te olham. Isso me dá um pouco de medo".  Formado em artes cênicas pela UFMG, ele será pai no começo de 2015 de uma menina, fruto do relacionamento com a atriz Carla Duque. Já escolheu o nome da primeira filha: Nina.

Conta que hoje consegue viver de atuar, que, "de uns três anos para cá o grupo conseguiu uma estrutura boa". Mas sabe que ainda há muito a batalhar, "pois teatro ainda não atinge o grande público neste País, infelizmente". Fala que gostam de trabalhar em rede, com outros grupos brasileiros e também dentro do próprio grupo, em um sistema colaborativo. Andam viajando muito: "São Paulo é nosso oitavo estado neste ano", revela. E diz que o maior objetivo da trupe é "estabelecer um lugar de afeto com o público".

quatroloscinco rejane faria foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

A atriz Rejane Faria: "Agora, a gente já se sente colocado, mas isso só aconteceu porque o Quatroloscinco conquistou o seu lugar no cenário teatral" - Foto: Eduardo Enomoto

Rejane Faria, belo-horizontina que hoje prefere morar em um sítio em Esmeraldas, nos arredores de Belo Horizonte, conta que o teatro chegou mais tarde em sua vida, mas o agarrou com unhas e dentes. Ela o descobriu já funcionária dos Correios, onde ainda trabalha, quando foi convocada para o grupo teatral da instituição. Levou tanto a sério que resolveu estudar artes cênicas na UFMG. Foi lá que criou com os colegas um grupo de estudos para pesquisar o teatro latino-americano. Assim nasceu o Quatroloscinco. O nome veio de uma reunião na qual constaram que dos cinco participantes, sempre faltava um em algum encontro.

Sobre o lugar de reconhecimento que o grupo ocupa hoje na cena nacional, afirma: "Agora, a gente já se sente colocado, mas isso só aconteceu porque conquistamos nosso lugar". Diz que "o artista tem uma voz muito forte na sociedade, é um ofício com grande responsabilidade". Afirma que para um grupo teatral sobreviver é preciso muito planejamento, muita união. "Hoje ainda temos atividades paralelas, mas um dia a gente quer viver só de teatro", espera.

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A atriz e produtora Maria Mourão: "Fazer teatro de grupo é como abrir uma empresa a cada ano" - Foto: Eduardo Enomoto

É Maria Mourão quem corre atrás da produção do grupo. Ela é mineira de Divinópolis radicada em Belo Horizonte. Herdou a arte de família: a mãe produzia e dirigia espetáculos infantis. Acabou fazendo o curso de jornalismo na Fumec, faculdade privada de BH, mas acabou entrando no Teatro Universitário da UFMG, o TU. Foi chegando no Quatroloscinco aos poucos. "Fui ficando", explica, com um sotaque mineiro gostoso de se ouvir.

Acabou assumindo as rédeas da produção. "Fiz pós-graduação em produção cultural na PUC-Minas, aprendi a fazer sonoplastia e iluminação". É um pacote completo nos bastidores. Sobre a continuidade do grupo conta que este é o maior desafio. "Vivemos um ano de cada vez, por enquanto temos nossa vida programada até março do ano que vem. Depois, é começar tudo de novo. Ter um grupo de teatro é como ter de abrir uma empresa nova a cada ano".

Com essa vida dinâmica e frenética, prefere não fazer planos para o futuro. "A Maria de 30 e poucos anos parou de pensar nisso [de como será a Maria dos 50 e poucos]. Sou muito ansiosa. Então, preferi relaxar e viver". E ela não tem vontade de voltar para o palco? Ela pensa, sorri, tímida, e responde, com muita calma: "Quem sabe... Acho que sim, mas para eu ir para o palco é preciso encontrar alguém para fazer tudo que eu faço! [risos]".

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O ator Marcos Coletta: "A política começa nas pequenas relações" - Foto: Eduardo Enomoto

O ator Marcos Coletta, belo-horizontino criado no bairro do Padre Eustáquio, descobriu seu amor pela arte ainda na escola. Tanto que aos 16 anos entrou para o Teatro Universitário da UFMG. Conta que ainda era muito menino e nunca tinha ouvido falar até então de Stanislavski. Do curso técnico, emendou para a graduação em artes cênicas na mesma universidade. E ainda fez mestrado, orientado por Fernando Mencarelli, no qual pesquisou o ator no teatro de grupo tendo como base o Grupo Galpão, referência em Minas e no País, e o seu Quatroloscinco.

Conta que a luta do grupo foi árdua para se estabelecerem. "Foram três anos até a gente ganhar o primeiro edital". Além do Galpão, cita outros grupos mineiros um pouco mais velhos como referências: "Tem o Espanca!, o Luna Lunera...". E diz que o que lhe chamou a atenção nestes últimos sempre foram peças jovens, autorais, que dialogam com sua geração.

Nunca teve medo de se colocar na vida. E gosta que o grupo o faça. "A gente pensa política não só no macro como também no micro. A política começa nas pequenas relações", diz. Para o futuro, só espera estar ativo nas artes: "Espero que daqui a 20 anos o Quatroloscinco exista ainda".

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O ator Assis Benevenuto: "O teatro que fazemos é consequência da nossa persistência" - Foto: Eduardo Enomoto

Assis Benevenuto também é de Belo Horizonte, mas a família é de Rio Pomba, no interior mineiro, mas também já morou em outras cidades, como Muriaé e Juiz de Fora, em Minas, e Vila Velha, no Espírito Santo. Retornou à capital mineira no fim da adolescência, "para prestar vestibular para medicina ou veterinária". Acabou fazendo o curso livre de teatro e abandonou as pretensões de estudos na área de ciências biológicas.

Fez vestibular para letras na UFMG, curso que concluiu, e entrou para o curso técnico de atuação do Cefar Palácio das Artes. Entrou para o Quatroloscinco acompanhando os ensaios dos amigos. Quando percebeu, já fazia parte. Sonha que um dia o grupo conquiste espaço próprio. "Hoje, a gente só tem um quartinho para guardar nossos cenários em um espaço coletivo", conta. E emenda: "O teatro que fazemos é consequência da nossa persistência. É um sufoco, é mandar 80 projetos por ano e ser aprovado em dez no melhor dos casos. Das quatro peças que montamos, só uma foi por meio de edital. Tudo deu muito trabalho".

Acha que o atual sistema de produção teatral no país, com toda a sua burocracia, exigências e contrapartidas "está muito viciado". Na hora de explicar por que escolheu fazer disso seu destino, ele pensa e responde: "O teatro já virou a minha vida, é a nossa vida".

quatroloscinco 3 foto eduardo enomoto Quatroloscinco conquistam SP com teatro mineiro

Integrantes do grupo mineiro de teatro Quatroloscinco - Teatro do Comum posam no Memorial da América Latina, em São Paulo, onde fazem temporada de repertório no Sesc Belenzinho em novembro de 2014 - Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Memorial da América Latina

Conheça o site do Quatroloscinco e veja o serviço das peças e oficina deles no Sesc Belenzinho, em São Paulo!

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ze celso julia chequer r7 Zé Celso se recusa a pagar multa por cena de peça; no Fórum Criminal, atores do Oficina pedem paz

Zé Celso prestou depoimento no Fórum Criminal por conta de cena de peça - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7/7-4-2010

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Integrantes do Teat(r)o Oficina fizeram um ato artístico em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, na tarde desta quarta (5). A ação ocorreu durante depoimento do diretor José Celso Martinez Corrêa, do Zé Celso, 77 anos, e da produtora do Oficina, Ana Rúbia, e dos artistas Tony Reis e Mariano Mattos Martins, à Justiça.

O Oficina está sendo acusado de “crime contra a paz pública” por conta de uma encenação artística — um trecho da peça Acordes, inspirada em Bertolt Brecht — em novembro de 2012 na PUC-SP. Um padre se sentiu ofendido pela peça e deu queixa contra o grupo. Zé Celso considera a ação judicial de um “ato contra a liberdade de expressão”.

O R7 esteve no local e acompanhou a movimentação de fora. O depoimento não pôde ser coberto pela imprensa.

"Arte não é crime"

Segundo relato dos artistas, a Promotoria acusou os integrantes do Oficina de se esconderem atrás da arte que fazem para poderem incitar o crime contra a paz pública. O promotor propôs que o Oficina pagasse uma multa de um salário mínimo ao padre. Os artistas recusaram a proposta, por entenderem que esta ofendia toda a classe artística.

Para eles, aceitar o pagamento da multa implicaria em concordar que toda a arte possa ser criminalizada se alguém da plateia se sentir ofendido por algo dito em cena. O que feriria a liberdade de expressão garantida na Constituição e o próprio sentido da arte.

Zé Celso ficou indignado com o que ouviu na audiência, como contou ao R7 assim que saiu do Fórum Criminal.

— Ele [o promotor] ofereceu pagarmos um salário mínimo e ficar isso tudo por aí. O que eu ouvi do promotor é um crime contra a arte. Ele diz que nós nos escondemos na arte para dizer impropérios e incitar o crime contra a paz pública. Isso para mim é um crime contra a arte. A arte é livre!

O diretor do Oficina lembrou que muitos lutaram durante a ditadura pela liberdade de expressão artística e pelo fim da censura.

— Ninguém se esconde atrás da arte. Cacilda Becker quando vai ao DOPS acusada de fazer propaganda soviética por ler Pablo Neruda, ela diz: "Meu único partido é o teatro". Esta cena está em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe [peça do Oficina em cartaz]. O promotor acha que a arte é um biombo que se usa. É importante ser divulgado que estão querendo tirar a liberdade da arte. Nós não somos criminosos, os artistas lutaram muito pela liberdade e a cultura livre no Brasil e, em 2014, apesar desse movimento de ódio, a censura ainda é livre. Isso que está acontecendo é uma ofensa a todos os que lutaram pela liberdade na ditudura! Não podemos aceitar.

Mariano Mattos Martins, artista que também esteve na audiêcia, falou ao R7 que " a arte está sendo colocada como o crime; a ditadura acabou faz tempo, mas parece que não."

— A gente não aceitou isso [de pagar a multa]. A gente vai continuar, porque não aceitamos ser criminosos por fazer arte. Querem colocar a cultura e os artistas na marginalidade e diminuir o poder e a importância da arte teatral.

ze celso martinez correa julia chequer r7 Zé Celso se recusa a pagar multa por cena de peça; no Fórum Criminal, atores do Oficina pedem paz

O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, foi intimado a depor nesta quarta (5) no Fórum Criminal de SP por conta de um trabalho artístico feito com o Teatro Oficina em novembro de 2012 na PUC-SP - Foto: Julia Chequer/Arquivo R7/7-4-2010

Ato artístico

Na calçada do Fórum, na avenida Doutor Abraão Ribeiro, os artistas fizeram um discurso de paz enquanto os integrantes do Oficina prestavam esclarecimentos à Justiça. Eles entoaram o cântico que traz os seguintes versos: “Paz, amor e paz. E muito mais”. A música faz parte da trilha da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, no momento em que a atriz Cacilda Becker dá depoimento ao DOPS nos anos de chumbo da ditadura.

Nesta cena, a personagem Maria Della Costa, interpretada pela atriz Juliane Elting, diz a seguinte frase: “Não achamos lógico, neste momento ilógico, nós, por personagens vividos, sermos... punidos!”.

A atriz Camila Mota, integrante do Oficina, falou com o editor de Cultura do portal R7, Miguel Arcanjo Prado, durante o ato artístico em frente ao Fórum Criminal. Veja a entrevista no vídeo abaixo:

+ Zé Celso é chamado para depor no Fórum Criminal; diretor ataca marcha a favor da ditadura militar

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janaina Vídeo: Diretora do grupo de Molière faz Não se Brinca com o Amor; Janaína Suaudeau fala da peça

Miguel Arcanjo Prado entrevista a atriz Janaína Suaudeau, da peça Não se Brinca com o Amor

A atriz Janaína Suaudeau idealizou e está em cartaz na peça Não se Brinca com o Amor, que encerra temporada neste fim de semana no Teatro Aliança Francesa (r. General Jardim, 182, metrô República), em São Paulo, com ingresso a preço popular (R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entrada). A obra fala do amor entre dois primos. Tem sessão sexta (24) e sábado (25), 20h30, e domingo (26), 18h. Ela convidou a diretora francesa Anne Kessler para comandar a obra escrita por Alfred de Musset, de quem Janaína é fã. Anne é atriz da Comédie-Française, grupo fundado por ninguém menos do que Molière. As apresentações fazem parte das comemorações dos 50 anos do Teatro Aliança Francesa. Veja o vídeo com a entrevista de Janaína Suaudeau:

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fernanda carvalho miguel arcanjo Vídeo: Livro do vestibular, Til de José de Alencar vira peça; veja entrevista com Fernanda Carvalho

Miguel Arcanjo Prado conversa com a atriz Fernanda Carvalho, da peça Til - Foto: Reprodução

A atriz Fernanda Carvalho esteve no R7 para falar da peça Til. Baseada no romance homônimo de José de Alencar, a obra se passa em Campinas (SP), no século 19. Versátil no palco, Fernanda interpreta três personagens. Til tem sessão toda quarta, às 20h, até o mês de dezembro, no Teatro Bibi Ferreira (av. Brigadeiro Luís Antônio, 931, no Bixiga), em São Paulo. Veja o vídeo:

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nash laila foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

Nash Laila: musa do novíssimo cinema brasileiro e também do Oficina - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

A pequenina Nash Laila é dona de um talento gigante. Quem a vê no palco do Teat(r)o Oficina sabe muito bem. Quem viu seus filmes também. É atriz intensa e potente.

Tanto que começou cedo e logo se destacou no cinema brasileiro, em longas como Deserto Feliz — com o qual levou o prêmio de melhor atriz do Festival do Cinema Brasileiro em Paris —, Amor, Plático e Barulho — que lhe rendeu o Troféu Candango de melhor atriz coadjuvante do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — e Tatuagem, melhor filme no Festival de Gramado.

É uma das musas do novíssimo cinema nacional de qualidade.

Em São Paulo, esta pernambucana filha da cabeleireira Cida Silva e do transportador Carlos Medeiros assumiu as rédeas da própria vida.

Dona do próprio nariz, deu esta Entrevista de Quinta ao R7 na plateia do Oficina, lugar no qual se sente livre.

Falou sobre sua trajetória e ainda desabafou: "O mundo está muito caretão". Tem razão.

Leia com toda a calma do mundo.

nash laila foto bob sousa1 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

Nash Laila está vivendo há dois anos e meio em São Paulo - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você está há quanto tempo em São Paulo?
Nash Laila — Há dois anos e meio. Fiz o filme Tatuagem, do Hilton Lacerda, e achei que era o momento de dar uma virada e me mudar para cá.

Miguel Arcanjo Prado —Você é de Recife?
Nash Laila — Cresci em Jaboatão, que fica do lado. Morava no bairro Sucupira, com rua de terra, perto da mata. Adorava roubar fruta na árvore, passei a infância brincando na rua. Com 16 anos, fui morar em Olinda.

Miguel Arcanjo Prado — Nesta época já pensava em ser atriz?
Nash Laila — Desde criança eu queria ser atriz. Fazia sempre o auto de Natal [risos]. Aos 13 anos, entrei em um curso de teatro. Depois fui trabalhar com o diretor Jorge Clésio. Fiquei três anos com ele, dos 15 aos 18. Saí para fazer meu primeiro filme, Deserto Feliz.

Miguel Arcanjo Prado — Foi neste que você virou musa do Festival do Rio?
Nash Laila — Foi muito engraçado, porque concorria com um monte de famosa e o povo devia pensar: quem é essa. Foi muito bacana. O filme era muito forte, era uma menina que sofria exploração sexual e terminava se apaixonando por um alemão.

nash laila foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

Nash Laila foi criada brincando na rua, subindo em árvore para pegar fruta - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Foi difícil para você fazer este filme tão novinha?
Nash Laila — Foi um susto. Mas diante do abismo, eu pulei. O Paulo Caldas [diretor do filme] me ouvia muito. Foi um trabalho que me marcou. Viajei bastante por conta do filme. Um ano depois de terminar de filmar este filme estávamos no Festival de Berlim. Foi muito doido. Muita responsabilidade. Cinema é um processo de várias mãos. No teatro, é a gente e o público. Cinema é edição, montagem, o olhar do diretor...

Miguel Arcanjo Prado — E aí você virou a garota do novo cinema pernambucano?
Nash Laila — Pois é [risos]... Eu fiquei dois anos divulgando o filme. Já estava meio que na correnteza, sabe? Agora, vai, pensei. Aí eu passei no vestibular da UFPE [Universidade Federal de Pernambuco], para artes cênicas e fui fazer um intercâmbio na França, em Clermont-Ferrand. Foi ótimo, uma experiência incrível. Mas, voltei e senti um certo vazio.

Miguel Arcanjo Prado —Por quê?
Nash Laila — Recife é muito cultural, mas, ao mesmo tempo, é muito paradona em determinadas épocas. Aí eu fiz a minissérie Santo por Acaso e uma participação em O País do Desejo. Aí surgiu o Tatuagem.

Miguel Arcanjo Prado — Como você entrou para o elenco?
Nash Laila — Logo que voltei da França, fiz a o processo de seleção com o Hilton Lacerda [diretor de Tatuagem]. Eu estava com muita vontade de fazer o filme. Acabou dando certo. O processo foi todo colaborativo. Então, esse núcleo, do Chão de Estrelas, meio que carregava o filme consigo.

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Nash Laila ainda tem jeito de menina, apesar de já ser uma atriz potente - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — O que você acha do cinema fora do eixo Rio-São Paulo?
Nash Laila — Acho maravilhoso. Essa galera de Recife, Ceará, Minas, está buscando seu lugar no cinema brasileiro e quebrando muitos tabus. Recife é uma cidade com artistas que estão buscando seu lugar, sua própria produção. Já tem a Escola de Cinema da UFPE, uma lei para o setor.

Miguel Arcanjo Prado — Depois de Tatuagem você fez outro filme?
Nash Laila — Fiz Amor, Plástico e Barulho, da Renata Pinheiro, que tinha feito a direção de arte de Tatuagem. Esse é um filme de mulher: dirigido por mulher, montado por mulher.

Miguel Arcanjo Prado — Como você foi parar no Oficina?
Nash Laila — Em 2007, vi Os Sertões lá em Recife. E isso mudou minha vida. Eu precisava fazer isso. Eu fui fazendo amigos. Depois que acabou o Tatuagem, ficou aquele clima... Então, resolvi arriscar. No Oficina, comecei sendo público e isso modificou o rumo das minhas escolhas. Estar aqui hoje é como uma síntese das coisas.

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"O Oficina é o lugar onde me sinto à vontade", diz atriz Nash Laila - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Por quê?
Nash Laila — No Teat(r)o Oficina me sinto à vontade. É um lugar no qual consigo me libertar no teatro, me identifico com muita coisa. A música aqui é muito forte, impulsiona. O Oficina mistura tudo o que eu gosto. Estou no Oficina desde 5 de maio de 2012. Já fiz seis peças com o Zé [Celso, diretor do Oficina].

Miguel Arcanjo Prado — Como é lidar com tantos artistas no Oficina?
Nash Laila — A grande força do Oficina é o coro, isso que me arrebatou. O Zé é muito ligado nas pessoas. Ele é muito sensível ao presente. Toda vez que ele saca que a pessoa está presente, ele vai junto.

Miguel Arcanjo Prado — Como é sua relação com São Paulo?
Nash Laila — É muito louca. De desde quando falava: jamais moro em São Paulo. Até agora que grande parte dos meus amigos moram aqui. Fui criando uma rotina, um jeito de viver. Antes, morava com meus pais. Aqui, eu me vi sozinha, tendo de fazer minhas coisas. Hoje, em São Paulo eu me sinto em casa. Claro que estou cansada do barulho, sinto saudade do mar... Acho que sou um peixinho. São Paulo para mim é maravilhosa, desde que eu vá e volte.

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Nash Laila, com Cacilda ao fundo, no Oficina: "Tento me colocar o máximo" - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado —Você fez no Oficina papeis importantes, como a Cacilda menina.
Nash Laila — O Zé fala de atuadores. Essa palavra tem um grande símbolo. O atuador se coloca mais do que o ator. Tanto nas escolhas quanto no processo eu tento me colocar o máximo.

Miguel Arcanjo Prado — O que você quer da vida?
Nash Laila — Eu? Tanta coisa... A gente está vivendo um momento muito sensível. O mundo está muito caretão. A gente tem que quebrar tudo, para ter um pouco de afeto. No nosso trabalho, mexemos com fogo. Gente é uma coisa que amo e odeio.

nash laila foto bob sousa7 Entrevista de Quinta: O mundo está caretão, diz Nash Laila, musa do Oficina e do cinema brasileiro

"O mundo está muito caretão. Tem que quebrar tudo, para ter afeto", diz Nash - Foto: Bob Sousa

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jaime lorca Entrevista de Quinta: “Teatro não precisa ser difícil para ser bom”, diz chileno Jaime Lorca no Mirada

O ator e diretor chileno Jaime Lorca: teatro simples, sensível e inteligente no Mirada; sua peça Otelo é um dos destaques do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos - Foto: La Segunda/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

O ator, dramaturgo e diretor chileno Jaime Lorca fuma tranquilamente seu cigarro na calçada em frente ao Teatro Guarany, no centro histórico de Santos, litoral paulista. Afinal, precisa de um pouco de calma após viver um turbilhão de emoções no palco com Otelo. A peça que já é apontada como um dos grandes destaques do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, promovido pelo Sesc São Paulo e que nesta terceira edição homenageia o teatro do Chile, com sete obras deste país na programação.

Enquanto conversa com o Atores & Bastidores do R7, nesta Entrevista de Quinta, o importante nome do teatro chileno precisa parar a fala várias vezes para agradecer aos gestos espontâneos do público, que não se cansa de parabenizá-lo.

Sua versão de Otelo é simples e sofisticada. O texto clássico de William Shakespeare sobre o marido que desconfia da mulher até um fim trágico ganha novas nuances, novas miradas.

Em cena, ele e a atriz Teresista Iacobelli manipulam marionetes com precisão técnica aliada a muita emoção, criando uma história na qual é impossível não mergulhar. Isso acrescido da companhia da música de José Salinas, do figurino de Loreto Monsalve e da luz de Tito Velásquez, num conjunto harmonioso.

Na conversa, Lorca falou sobre seu teatro simples e inteligente ao mesmo tempo e ainda do sucesso no Mirada com a peça de sua Cia. Viajeinmóvil.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – Como vocês conseguem criar esta atmosfera tão impressionante como vista em Otelo?
Jaime Lorca – Fazemos sempre teatro com objeto, somando atores e marionetes. Até porque somos, antes de tudo, uma companhia de teatro. Os atores estão no centro.

Miguel Arcanjo Prado – Ficou impressionado com o aplauso tão caloroso, com direito a muitos gritos de “bravo” nas sessões de Otelo no Mirada?
Jaime Lorca – Foi uma reação muito linda. Eu creio que o público recebe a obra muito bem porque ela fala de temas que estão muito perto de cada um de nós. Shakespeare é universal, é próximo. Para entendê-lo, não é necessário ter antes uma gama de conhecimentos. Daí sua genialidade. Otelo é como um instrumento musical que tem todas as notas, desde aquelas mais difíceis e sublimas àquelas mais fáceis. Teatro não precisa ser difícil para ser bom.

Miguel Arcanjo Prado – Teatro pode ser inteligente e descomplicado?
Jaime Lorca – Sim! Claro. É bom lembrar que colocaram Shakespeare em um lugar difícil hoje em dia que não é o lugar dele. Ele escrevia suas peças nos anos 1600. Nessa época ninguém sabia ler e escrever. E ele se comunicava com todos. Por isso causa tanta comoção seus textos.

Miguel Arcanjo Prado – A obra tem múltiplas leituras?
Jaime Lorca – Sim. Muitas questões estão detrás de Otelo. No Chile, por exemplo, é muito associada ao femicídio, que é quando companheiros matam suas mulheres. É muito atual. Chegamos a apresentar a peça em uma prisão feminina e as detentas tinha reações muito fortes, comentavam a peça do começo ao fim. Gritavam, emocionadas: “assassino”, “estuprador”. Foi realmente muito impressionante. Fazer essa analogia com o homem de hoje é a nossa ideia.

Miguel Arcanjo Prado – É impressionante a sintonia sua com a companheira de cena, Teresita Iacobelli. Como vocês conseguem tamanha afinidade?
Jaime Lorca – A ideia da peça é fazer um jogo com os dois atores. Teresita e eu trabalhamos juntos há oito anos e desenvolvemos juntos essa técnica que você viu no palco.

Miguel Arcanjo Prado – A peça já viajou muito?
Jaime Lorca – Sim. No Brasil, já estivemos no Festival de Teatro de Curitiba, e também em Florianópolis e vamos para Belo Horizonte. Já viajamos muito. Agora, vamos começar uma turnê longa. Vamos passar por Argentina, Espanha, Portugal, México, Peru, Estados Unidos, Hungria e Bolívia.

Miguel Arcanjo Prado – Você não vai sair do avião...
Jaime Lorca – [risos] Isso mesmo... Nós gostamos muito do que fazemos. É artesanal. No Chile, também sempre percorremos o país de ponta a ponta. Teatro não é divertimento, é educação. Por isso, nossa peça quer dialogar com o público. Quero que as pessoas completem os espaços vazios. Não dá para comer pipoca no teatro.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

Leia a cobertura do R7 no Mirada

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2014 09 06 Banhos Roma Foto Dani Sandrini 3456 Vida de boxeador decadente é pretexto para atores mexicanos refletirem mazelas de seu país no Mirada

Jorge León e Viany Salinas em cena de Baños Roma (Banhos Roma): história de lutador do México vira ponte para descortinar realidade do norte do país - Foto: Dani Sandrini

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Santos

Os mexicanos do Teatro Línea de Sombra já chegaram ao Mirada 2014 como um dos destaques do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, promovido pelo Sesc São Paulo na Baixada Santista até o próximo dia 13.

Se em 2012, causaram frenesi com Amarillo, obra na qual revelaram os horrores da imigração ilegal entre México e Estados Unidos. Desta vez, na peça Baños Roma (Banhos Roma), investiga uma figura mítica do box mundial: José Ángel Nápolis, ou apenas Mantequilla, apelido que consagrou o lutador cubano naturalizado mexicano.

No presente, Mantequilla refugiou-se em Ciudad Juárez, na fronteira com os Estados Unidos, em pleno deserto, desprovido da opulência dos tempos de outrora.

Com o pretexto de se aproximar desta figura pop emblemática de seu país, o grupo se aproxima de um universo bem maior de questões que vão além da história do boxeador que chegou a ser amigo de Alain Delon. Para o público brasileiro, Mantequilla poderia ser um Maguila dos dias atuais ou um Anderson Silva no futuro.

Relatos e tecnologia

Baños Roma vai na mesma linha estética de Amarillo: um teatro narrativo, com pitadas de documentário, mergulhado em um mar tecnológico acrescido de imagens poéticas, em uma descontrução pós-dramática.

E é nessa desconstrução que a construção da história se faz presente, na mistura dos relatos pessoais do elenco no palco à investigação da história do boxeador. Afinal, como dizem os artistas em cena: "quando uma história é contada ela já está alterada". Ou "as fotografias não mentem, tampouco revelam a verdade".

O embate que faz a peça ser vibrante e mantém a atenção do espectador durante toda a encenação. O elenco surge em um registro sem afetações, o que contribui ainda mais para dar peso à obra.

Alicia Laguna, uma potente atriz, se junta a Jorge León, ator que também já lutou boxe, Malcom Vargas – grafiteiro que faz uma simples e impactante cena na qual conta seus embates com os policiais de Ciudad Juarez durante a pesquisa para a peça, Viany Salinas – com sua voz diminuta, mas presente - e Zuadd Atala compõem o elenco, que conta ainda com o cantor Jesús Hernandez, com sua voz gutural já conhecida do público santista.

Revelações

Mais do que revelar a história de Mantequilla, Baños Roma descortina o processo pelo qual a peça foi feita, sem que isso soe chato ou apenas um exercício de ego, como é muito comum no teatro pós-moderno.

Tudo o que eles contam no palco tem peso e beleza artística, ademais de criarem imagens repletas de poesia enquanto fazem seus relatos.

Baños Roma que titula a peça na verdade é o clube social da cidade, que já viveu tempos de glória no passado, e hoje se tornou um lugar decadente. Uma analogia à própria história do boxeador Mantequilla, que hoje apenas fuma em frente à sua casa na cidade, e também à história de Ciudad Juárez, uma terra de ninguém, onde o medo está por perto.

Ao contar a saga para revelar Mantequilla, os atores do Línea de Sombra desvendam um pouco de si e, sobretudo, expõem parte das agruras de uma região do México entregue nas mãos dos traficantes e onde o direito básico de ir e vir precisa ser justificado a cada instante. Como em muitos lugares deste nosso Brasil.

Baños Roma (Banhos Roma)
Avaliação: Muito bom

Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Vida de boxeador decadente é pretexto para atores mexicanos refletirem mazelas de seu país no Mirada

Entrevista: Jorge León e Viany Salinas, atores de Baños Roma

R7 conversou com exclusividade com os atores mexicanos Jorge León e Viany Salinas, da peça Baños Roma (Banhos Roma), do Teatro Línea de Sombra, apresentada no Mirada 2014. Leia o bate-papo:

Miguel Arcanjo Prado – Jorge, você também é boxeador?
Jorge León – Comecei sendo ator antes de ser boxeador. Topei com um projeto que me exigiu aprender boxe. Aí lutei cinco anos. Fiz 21 lutas, obtive 18 vitórias, um empate e duas derrotas.

Miguel Arcanjo Prado – Então, você entrou no projeto por isso?
Jorge León – Também. Fiz teatro na Universidade Nacional Autônoma do México e fui aluno do Jorge Vargas [diretor do Teatro Línea de Sombra]. Comentei com ele que havia lutado boxe e ele me chamou para fazer este projeto. O mais curioso é que minha mãe, a atriz Sonia León, fez uma fotonovela com o Mantequilla em 1974. Então, foi uma coisa do destino.

Miguel Arcanjo Prado – Você também é do norte do México, lugar onde se passa a peça?
Jorge León – Sim, sou de Hermosillo Sonor. Há 15 anos vivo na Cidade do México. O norte do país foi isolado na guerra do narcotráfico. É a região mais violenta do país. Regressar ao norte para mim foi regressar às minhas origens.

Miguel Arcanjo Prado – O processo investigativo da peça foi complicado?
Jorge León – Nos passaram muitas coisas nestes dois meses que estivemos em Ciudad Juarez. Aí, um dia, no hotel, nos demos conta de que era tudo muito maior do que havíamos pensado no começo. É uma cidade onde tudo se sabe e havia muita desconfiança em relação ao nosso trabalho. Chegamos a receber ameaças por telefone. A obra fala de tudo o que nos sucedeu buscando contar a história de Mantequilla.
Viany Salinas – Eu não fui à viagem e soube de tudo por eles. E resolvemos colocar isso também na peça. As coisas aconteceram de uma maneira não planejada. Surgiram coisas surpreendentes no processo desta peça que precisavam ser contadas no palco.

Miguel Arcanjo Prado – Viany, você esteve no Mirada em 2012. Como é voltar para o festival?
Viany Salinas – Estivemos com Amarillo em 2012, o Jorge nesse ano veio também, mas com Incêndios. Acho que o Amarillo abriu portas para o grupo no mundo todo, inclusive aqui no Brasil. Tivemos muita sorte. Acho que este convite para voltar é sinal de que acreditam no nosso trabalho. Ficamos muito felizes com isso.

Miguel Arcanjo Prado – Jorge, é verdade que quando você contou para o Mantequilla que sua mãe havia feito uma fotonovela com ele nos anos 70 ele nem ligou?
Jorge León – Foi isso mesmo. Eu esperava que ele fosse ter uma reação forte, mas ele nem parecia se lembrar e não deu muita importância. Aí eu percebi que aquilo era muito mais importante para mim do que para ele. Aquela fotonovela era uma memória da minha infância.

Miguel Arcanjo Prado – Em Amarillo, o grupo descortinou a imigração ilegal para os EUA pela fronteira do México. Agora, fala da situação de medo no norte do País, ao contar a história de um boxeador que foi parar na região. Vocês gostam de fazer um teatro que exponha a problemática social?
Jorge León – Não entendemos um teatro que não sirva à realidade, que esteja apartado dela. Nossa prioridade é mexer com a realidade e desenvolver nossa estética a partir daí. É preciso falar o que está sucedendo. Curiosamente, o Teatro Línea de Sombra se apresenta mais no estrangeiro do que no México. É que há tems que não são muito cômodos de se verem no palco, sobretudo para os governantes mexicanos.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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 Vídeo: Homofóbico persegue casal de lésbicas em peça; veja entrevista com atriz Ana Paula Grande

Peça Tem Alguém que Nos Odeia mostra casal de lésbica cercado pelo ódio: elenco tem as atrizes Bruna Anauate e Ana Paula Grande no Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi - Foto: Pedro Karg

A atriz Ana Paula Grande esteve no estúdio do R7 para conversar com o colunista Miguel Arcanjo Prado. Ela falou sobre a peça na qual atua, Tem Alguém Que Nos Odeia, com texto de Michelle Ferreira e direção de José Roberto Jardim, em cartaz até o fim de setembro no Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Em pauta, uma tema mais do que atual: a homofobia. Ela contracena com Bruna Anauate, sua colega na Cia. Le Cucá; as atrizes formam um casal de lésbicas que é perseguido por um vizinho homofóbico. A entrada é R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia-entrada. Tem sessão sábado, 20h, e domingo, 18h. Veja o vídeo com a entrevista completa:

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deto montenegro Vídeo: Oficina dos Menestréis faz musicais com estudantes; veja entrevista com Deto Montenegro

Miguel Arcanjo Prado entrevista o diretor Deto Montenegro, da Oficina dos Menestréis - Foto: Divulgação

O diretor da Oficina dos Menestréis, Deto Montenegro, esteve no estúdio do R7, para conversar com o colunista Miguel Arcanjo Prado sobre os dois musicais que ele dirige ao lado de Candé Brandão com alunos da rede pública, no Teatro Dias Gomes, em São Paulo. As apresentações acontecem nos dias 30 e 31 de agosto e 6 e 7 de setembro, sempre às 16h30, com entrada gratuita. Veja o vídeo:

 

Musicais da Oficina dos Menestréis com alunos da Escola Estadual João Comênius

A Dança dos Signos
Quando: Dias 30 e 31 de agosto, às 16h30
Sinopse: O espetáculo musical a A Dança dos Signos, de Oswaldo Montenegro, entrou em cartaz pela primeira vez em 1982, no Rio de Janeiro e, desde então, tem uma história de sucesso tanto de público como de crítica, sendo visto por mais de um milhão de pessoas por todo o Brasil.

O Vale Encantado
Quando: Dias 6 e 7 de setembro, às 16h30
Sinopse: Em O Vale Encantado, musical de Oswaldo Montenegro, moram os personagens do mundo da fantasia. Ali eles vivem uma vida normal, mas, cada vez que uma criança está prestes a sonhar, eles são convocados para entrar no sonho e executam as histórias que a gente conhece. Produzido pela Oficina dos Menestréis, o espetáculo conta as aventuras de seus personagens de maneira alegre e divertida, deixando fluir a emoção do texto, por meio da música, dos efeitos de luz e do diálogo. Com música ao vivo e mais de 50 artistas no palco, Vale Encantado é, na expressão mais simples, “um musical infantil pra gente grande”.

Onde: Teatro Dias Gomes (r. Domingos de Morais, 348, Vila Mariana, metrô Ana Rosa, São Paulo, tel. 0/xx/11 5575-7472)
Quanto: Grátis
Classificação etária: Livre

coluna Oficina dos Menestréis Alunos Ensino Médio projetoCOMENIUS 11 Vídeo: Oficina dos Menestréis faz musicais com estudantes; veja entrevista com Deto Montenegro

Alunos da rede pública fazem dois musicais em São Paulo com a Oficina dos Menestréis - Foto: Divulgação

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