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Jose Sampaio 014 Dois ou Um com José Sampaio

O ator paulistano José Sampaio é destaque na peça Adormecidos, do Satyros - Foto: Thiago Abe

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O paulistano José Sampaio é ator da Cia. Os Satyros. Neste sábado (26), às 19h, encerra a temporada da peça Adormecidos (leia a crítica), com texto do norueguês Jon Fosse e direção do brasileiro Rodolfo García Vázquez, no Espaço dos Satyros Um, na praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Vive um homem apaixonado do começo ao fim. Sua atuação é um dos destaques da obra. Na TV, esteve em 2013 na premiada série A Menina sem Qualidades, da MTV, dirigida por Felipe Hirsch. O ator aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar de nossa coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

E agora, José ou mundo mundo vasto mundo?
Engraçado que os dois poemas sempre me acompanharam pela vida. José, claro, por meu nome, e o Poema de Sete Faces, pela ideia de ser gauche na vida, essa coisa de fim de festa e época errada, de alguma forma sempre me pegou. Me vi muito neles e aprendi. Sempre achei Drummond um dos maiores gênios de todos os tempos, com essa capacidade de fazer caber o aperto no peito em suas palavras. Escolho os dois e mais tantos outros.

O rei da brincadeira ou o rei da confusão?
Sempre evitei confusão, ê José...

Satyros Um ou Satyros Dois?
No Dois eu comecei, tenho grande carinho pelo espaço, pelo porão, as memórias e aquela carga pesada de lá. No Um eu me encontrei, me desenvolvi, e encontrei muitos amigos. O Dois tá na memória, o Um no agora.

Dilma ou Aécio?
Um outro modelo de democracia.

Israel ou Palestina?
Tenho ótimos amigos judeus, mas não dá pra respeitar a atitude do Estado de Israel e a loucura que isso virou. Eles só estão querendo acabar com tudo logo, destruir de uma vez a Palestina. É só ver como a ofensiva deles foi avançando durante os anos, até deixar o povo palestino sem saída. E ninguém vislumbrará saída enquanto a humanidade permanecer dividida em religiões (todas as religiões) e Estados (todos os Estados), porque ambos só existem para cegar as pessoas e difundir o ódio e o medo. Não há diplomacia que dê jeito nisso.

Ucrânia ou Rússia?
Outro triste exemplo de divisão, étnica, política e econômica, que gera apenas guerra e morte. Enquanto uma estúpida crença étnica existir, haverá tantos outros casos de Ucrânia x Russa, Palestina x Israel. A salvação é que existem pessoas por aí que compreendem o fato de existir uma única humanidade, uma única raça humana. Sem países, sem religiões, sem dominação étnica. Só assim a guerra pode terminar.

Lars von Trier ou Quentin Tarantino?
Trier para encontrar a sombra. Tarantino para rir dela.

Elis ou Rita?
Elis.

Praia carioca ou interior de Minas?
Não sou lá muito afeito a praia. E Minas está no meu coração... então...

Todas as mulheres do mundo ou eu quero a sorte de um amor tranquilo?
Tenho a sorte de um amor tranquilo. Bjoteamo, minha nega!

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ze celso bob sousa2 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

O fundador e diretor do Teat(r)o Oficina, José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, à vontade, no banheiro de seu apartamento, em São Paulo, onde deu entrevista ao R7 - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

O sol começa a cair quando Bob Sousa e eu chegamos ao Teat(r)o Oficina, no número 520 da rua Jaceguai, no Bixiga, para entrevistar e fotografar José Celso Martinez Corrêa, um dos maiores diretores teatrais do Brasil e do mundo. Ele ainda não está.

Otto Barros, diretor de cena do grupo, nos convida a entrar. Acomodamo-nos na arquibancada criada por Lina Bo Bardi, para quem a nova peça é dedicada por conta do centenário de nascimento da arquiteta. Uma porta se abre. Ainda não é o Zé, mas a atriz Nash Laila, que logo vai para o fundo do teatro e se deita no chão. Esperamos.

Pouco depois, aparece Beto Mettig, assessor do grupo, com o aviso urgente: Zé não virá mais ao Oficina nos ver. O convite agora é irmos ao seu encontro, em seu apartamento, no Paraíso, onde ele nos aguarda. Corremos para lá.

Zé Celso desce no elevador até o hall para nos receber. Dá abraços e beijos. Conta que o lê o blog e nos diz: "Até que enfim o teatro tem vocês, gente que gosta de teatro". Ficamos lisonjeados. O elevador chega no seu andar, e ele nos convida a entrar no apartamento.

Mineiramente, peço licença. Logo, Zé nos conduz, enquanto diz: "Separei um lugar incrível para fazermos a entrevista". Abre a porta de seu banheiro. E começa a dirigir: "Miguel, você se senta aí, na privada. E eu fico aqui, nesta cadeira. Bob fique à vontade para fazer as fotos".

No bate-papo, repleto de inteligência e visão minuciosa de tudo ao redor, Zé Celso falou, sobretudo, de sua nova peça, Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada, ou apenas Cacilda 5, que estreia neste sábado (26) — veja serviço ao fim da entrevista — com mais um capítulo da odisseia do Oficina sobre Cacilda Becker (1921-1969).

A montagem faz do embate entre as atrizes Cacilda Becker e Tônia Carrero no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) uma alegoria do teatro brasileiro, aproveitando para dar sua visão artística a temas atualíssimos, que vão desde a ambição da especulação imobiliária, que coloca abaixo o pouco de poesia que restou em São Paulo, entulhando a Selva de Pedra com mais espigões, até a tão falada temporada paulistana de The Old Woman - A Velha, peça de Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe.

Nada fica distante do olhar atento de Zé Celso, reconhecido no mundo como um dos gênios do teatro. E o melhor: ele é nosso e faz da cultura brasileira seu principal material artístico. Aos 77 anos, está à frente do Oficina desde 1958.

Zé Celso deu também seus pitacos em outros temas. Falou da recente Copa do Mundo, do avião que caiu na Ucrânia e da sangrenta guerra entre Israel e Palestina. Além de revelar em quem pretende votar para presidente na próxima eleição e qual peça deseja montar em breve.

Leia com toda a calma do mundo.

ze celso bob sousa11 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

Zé Celso conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em seu banheiro - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Como está Cacilda 5?
José Celso Martinez Corrêa —
Estava tudo um caos, mas aí tive uma inspiração. Esta peça foi uma loucura, porque tivemos só um mês e meio para ensaiar. Então, nesta terça-feira, chegamos ao ensaio geral e estava todo mundo sem o texto, ninguém tinha decorado direito. Aí, percebi que estava com medo, apavorado. E a pior coisa que existe é o medo. Foi aí que entendi que devíamos assumir tudo isso. Então, transformei o espetáculo no show do vexame. Porque entendi que o obstáculo maior para o artista é a paranoia. Resolvi radicalizar mesmo: a peça é um grande ensaio.

Miguel Arcanjo Prado — Como é a peça?
José Celso Martinez Corrêa —
Os artistas estão se preparando para um ensaio de Seis Personagens à Procura de um Autor, de Pirandello, no novo TBC, que eu chamei de Teatro Berrini de Comédia. Sabe esses teatros chiques que estão por aí?.... Então, é como se fosse uma dessas superproduções. Tipo um Bob Wilson... Aí, o teatro é invadido pelos Coros de Pega Fogo das ruas do mundo. Os personagens do TBC têm desejo de atuação, querem exercer poder da presença... Eles estão em busca da  própria encenação da peça. Com a chegada da Tônia Carrero, as coisas mudam; Cacilda vai vê-la ali, linda e também apaixonada pelo teatro, e ainda como o novo amor de Adolfo Celi. É uma barra. É quando Cacilda sai do TBC e vai para os novos caminhos da sua odisseia...

Miguel Arcanjo Prado — Como está o elenco?
José Celso Martinez Corrêa —
O elenco está ótimo, eles têm uma força descomunal! A Camila Mota e a Sylvia Prado vão fazer a Cacilda novamente, são duas atrizes excelentes, estão fazendo cenas incríveis. Eu me emociono sempre quando vejo.

Miguel Arcanjo Prado — O que você acha do Bob Wilson?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu gosto do Bob Wilson, mas o que ele é na verdade é um artista plástico do teatro, ele faz quadros. Eu sou do te-ato.

ze celso bob sousa3 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

O diretor Zé Celso, logo após a entrevista em seu apartamento, mostra fotos da história do Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E o que vai acontecer com o "Teatro Berrini de Comédia" da peça?
José Celso Martinez Corrêa —
E esse teatro será invadido pelos Pega Fogo das Ruas, junto do público. O Marcelo Drummond está fantástico como o diretor que fará testes com os atores. Esse teatro comercial que é feito por aí... Eu mesmo fiz uma novela na Globo para ver o que era [Cordel Encantado, em 2011]. Não gostei da experiência! Fiquei pensando que com todo aquele aparato técnico eles poderiam fazer coisas incríveis! Mas, não, fazem aquela coisas... Nesta cena vamos usar o janelão, que fica do lado oeste do Oficina, que dá para a rua da Abolição. Vai ter uma névoa... Os personagens, os artistas do antigo TBC, o coro de Pega Fogo das Ruas vão todos se misturar, numa quebra de classes. Vamos mostrar a Cacilda no momento em que veio a Tônia Carrero para competir com ela. A Tônia será a atriz Joana Medeiros, que também está fantástica. Imagina isso, a Cacilda viu de repente a figura da Tônia ao lado dela e precisou reagir. O Roderick Himeros fará o Adolfo Celli, que vai se apaixonar pela Tônia. Ele está ótimo também, numa construção muito linda.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês dedicam a peça a Lina Bo Bardi?
José Celso Martinez Corrêa —
Sim! Isso é muito importante de ser dito. A peça celebra o centenário da Lina [arquiteta que criou a sede do Tea(r)o Oficina e também criou o prédio do Masp]. A Lina dizia que o Oficina-Terreiro era o "Chão de Terreiro com as Galerias do Teatro Scala de Milano, dando para as catacumbas di Silvio Santos". Vamos iluminar o público por trás, com grandes holofotes, para concretizar a visão dela.

Miguel Arcanjo Prado — Você gosta de estreia?
José Celso Martinez Corrêa —
Estreia é o pior público que existe! Vamos estrear um grande ensaio, que vai ir crescendo, junto ao público, até atingir a beleza, com a multidão. Os meninos falaram de chamar todo mundo. Eu não sei o que vai ser. A peça vai ser um grande ensaio com o público. Ela vai mudando a cada apresentação.

Miguel Arcanjo Prado — O que você achou da Copa do Mundo no Brasil?
José Celso Martinez Corrêa —
A Copa trouxe o humor de volta, tinha uma leveza no ar. Pelo menos até o 7 a 1 na semifinal. Eu achei a Copa ótima. Acho um absurdo quererem dizer que a Copa deu errado, tentarem jogar a culpa na Dilma. É claro que o 7 a 1 é inesquecível, mas faz parte do esporte e foi uma espécie de revelação de Exu. Porque os alemães bateram o tambor lá na Bahia... Eles entraram usando vermelho e preto no campo. Isso foi um sinal. Agora, temos o Dunga de técnico outra vez. O Brasil precisa mesmo é de um técnico estrangeiro, que venha para cá e mergulhe na nossa antropofagia. Que faça o que aconteceu com o TBC, que trouxe diretores estrangeiros para mergulharem na nossa cultura antropofágica oswaldiana. Porque hoje falta aquela malemolência do nosso futebol. E isso foi trazido pelos negros, esse modo de jogar com arte. E é preciso dizer que quem começou a valorizar essa herança africana no nosso futebol foi Nelson Rodrigues e sua família. Antes, era um prazer ver um jogo de futebol. Era lindo. Hoje, é aquela coisa fria, truncada, uma dureza... A gente tem de redescobrir aquele futebol que era um verdadeiro espetáculo. Até porque o futebol é o verdadeiro espetáculo do mundo. O Cristiano Ronaldo no chão, fazendo aquelas caras...

ze celso bob sousa4 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

Zé Celso gostou da Copa, mas detestou a abertura; revelou: votará em Dilma - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E o que você achou da abertura da Copa?
José Celso Martinez Corrêa —
Aquilo foi um horror! Uma vergonha! O Brasil que tem as escolas de samba, o Boi-Bumbá, aquela festa linda em Parintins, lá na Amazônia, apresentar aquela pobreza, aquela coisa sem graça. No encerramento, até que melhorou um pouquinho, porque trouxeram um pouco do Carnaval e da escola de samba, mas não chegou perto da riqueza gigante da cultura brasileira. A cultura popular brasileira é genial, é única, é exuberante!

Miguel Arcanjo Prado — E a vaia que a Dilma levou?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu acho que a Dilma deveria ter assumido aquela vaia, e não ficar retraída, com medo. Quando ela aparecia na TV dava para ver a bílis no rosto dela. Toda travada. Aquela outra, não, a Angela Merkel, da Alemanha, ela até sorria. Tudo bem que ela estava ganhando, mas ela estava muito mais leve. Agora, a Dilma estava com muito medo. Ela precisa parar com isso! Eu adoraria dirigir a Dilma! Ela deveria ter recebido a vaia de braços abertos, com gozo. Ainda mais por ser uma vaia daquela arquibancada, que é a elite branca, nervosa porque ela governou para a outra classe mais pobre. Então, ela deveria ter recebido aquela vaia como um elogio. É vaia que temos? Então, podem me vaiar! [abre os braços, sorrindo]

Miguel Arcanjo Prado — Em quem você vai votar nas eleições para presidente?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu vou votar na Dilma. Não porque seja do PT, porque não sou de partido nenhum. Mas, porque o PT ainda mantém um diálogo com o social, com a cultura. O PSDB não faz isso. É um horror a relação que os tucanos têm com a cultura e com o teatro. E a água em São Paulo que está acabando? Eu não tomo mais essa água do volume morto. Nós vamos ficar sem água! Isso parecia uma coisa distante, mas é agora!

Miguel Arcanjo Prado — E como anda a questão do terreno no entorno do Oficina que ainda pertence ao Grupo Silvio Santos?
José Celso Martinez Corrêa — O Juca Ferreira [secretário municipal de Cultura de São Paulo] está fazendo um bom trabalho. Para mim, a reabertura do Cine Belas Artes no último fim de semana foi um grande marco, com aquela gente toda em frente, abraçando o cinema. Foi lindo, eu me emocionei muito. O novo Plano Diretor de São Paulo prevê a criação de um corredor cultural no Bixiga, um enorme caminho da cultura que vai passa pelo Oficina, o TBC, a Vai-Vai. Espero que haja a troca do terreno, parece que vão conseguir um para o Grupo Silvio Santos perto do SBT, naquela região da rodovia Anhenguera, que é linda, mas não vai ser preservada, o que é uma pena. O do entorno do Oficina ficaria para a cultura. Mas a gente nunca tem certeza do que vai acontecer... A especulação imobiliária é o Creonte dos dias de hoje, tanto que fiz um Creonte especulador na peça, que está sendo feito brilhantemente pelo Marcelo Drummond. A especulação é o grande mal do mundo de hoje! Está um absurdo. Muitos grupos teatrais estão sofrendo com isso. Mas isso também fez com que os teatros que são vítimas da especulação se juntassem. Somos dez grupos unidos nesta guerra. Estamos caminhando juntos nisso. E isso é lindo, é igual à união que houve na França nos anos 1920 que reergueu o teatro francês. O terreno no entorno do Oficina tem de ser da cultura!

Miguel Arcanjo Prado — Como você vê a Guerra entre Israel e Palestina?
José Celso Martinez Corrêa —
Acho um horror o que está acontecendo agora na Palestina. Aquilo é um verdadeiro massacre dos palestinos. Aquilo parece Guerra de Troia, um massacre de um povo, matando todo mundo, não deixando vivos nem crianças, mulheres e velhos, para não deixar rastro, para não sobrar nenhum. E ainda eu fico horrorizado ao ver declarações absurdas de autoridades israelenses defendendo o massacre da população palestina, dizendo que tem de matar mesmo. O horror! E esse avião agora que foi abatido na Ucrânia cheio de passageiros, daquele jeito? As coisas estão terríveis...

Miguel Arcanjo Prado — Você tem algum novo projeto de espetáculo em mente?
José Celso Martinez Corrêa —
Quero fazer Senhora dos Afogados, do Nelson Rodrigues, que tem a família Drummond, um sobrenome mineiro como você.

ze celso bob sousa5 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

"Quero fazer Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues", diz Zé Celso - Foto: Bob Sousa

Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada (Cacilda 5)
Quando: Sábado e domingo, 19h. De 26/7/2014 a 14/9/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do Bixiga com comprovante de residência)
Classificação etária: 14 anos

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dafoe baryshnicov bob sousa “Bob Wilson joga anzol e pesca o mais profundo de nós”, dizem Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe

Willem Dafoe e Mikhail Baryshnikov durante a conversa no Sesc Pinheiros, em São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

Quando era pequeno, na extinta União Soviética da década de 1950, o menino Mikhail Baryshnikov pensava “em futebol” quando ouvia a palavra Brasil. Já no norte dos Estados Unidos, no começo dos anos 1960, o pequeno Willem Dafoe achava que Brasil era sinônimo “de selva”.

São lembranças deste tipo que contam ao R7, durante o encontro na tarde desta terça (22), para falar do espetáculo The Old Woman (A Velha). A obra dirigida por Robert Wilson, ou apenas Bob Wilson, estreia em São Paulo, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, nesta quinta (24). A temporada promovida pelo Sesc São Paulo será de apenas 11 sessões, já com ingressos esgotados. Wilson não virá ao Brasil.

dafoe bob sousa 1 “Bob Wilson joga anzol e pesca o mais profundo de nós”, dizem Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe

Willem Dafoe: "Preparação para trabalhar com Bob é ser flexível" - Foto: Bob Sousa

Aniversário e caipirinha

De volta ao encontro, Dafoe conta que tem prazer em trabalhar com o diretor texano que virou referência de teatro em todo o mundo. “A coisa mais bonita do teatro é sua artificialidade, e o Bob sabe utilizar isso. Gosto de ser moldado por ele”, afirma.

Dafoe completa 59 anos nesta terça (22). Vai comemorar com trabalho. “Saio daqui e vou ensaiar. Quem sabe depois não bebo uma caipirinha?”.

Mesmo com tanta labuta, ele e seu colega de cena, Baryshnikov, encontraram tempo para conferir nesta segunda (21) o show Gilbertos Samba, de Gilberto Gil, no Theatro NET São Paulo.

Dafoe também pode ser visto nos cinemas, no filme O Grande Hotel Budapeste. Mas faz questão de dizer que o teatro também sempre foi sua praia, já que fez parte do grupo nova-iorquino The Wooster Group entre 1977 e 2005. E frisa: “Diariamente”. Agora, se lança em trabalhos independentes, que lhe tragam desafios: “Eu me sinto desconfortável quando estou no conforto”.

Foi dos tempos de teatro de grupo que conheceu Wilson, uma das influências de seu grupo. “É a segunda vez que faço algo com ele. A preparação é ser flexível, se entregar à preparação dele. Fizemos antes A Vida e a Morte de Marina Abramovic”, ao lado da artista nascida na Sérvia. E lembra de um fato engraçado na montagem. “Como o espetáculo era baseado na vida dela, a Marina chorava em cena. Bob falava: ‘Não quero que você chore, deixe que o público chore por você”. E a Marina me dizia: “Willem, eu choro todos os dias!”

baryshnikov bob sousa “Bob Wilson joga anzol e pesca o mais profundo de nós”, dizem Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe

Mikhail Baryshnikov: "Com o Bob Wilson, você é o que você é" - Foto: Bob Sousa

Corpo moldado há quase 60 anos

Baryshnikov, lenda viva da dança mundial, conta que o convite de Bob Wilson veio “num desses jantares da vida, quando a gente fala: precisamos trabalhar juntos”. E revela que o diretor é um excelente dançarino: “Ele faz uns movimentos idiossincráticos, abruptos. Quanto mais esquisito, melhor para ele”. Tanto que algumas cenas foram criadas a partir de danças de Wilson. Baryshnikov ainda surpreende na obra: “Canto por 30 segundos, o que é suficientemente assustador [risos]”.

O bailarino de 66 anos diz que seu corpo, moldado pela dança desde os 9, logo se adaptou ao estilo de movimentação “egípcia” de Bob Wilson, na qual é importante “sustentar a imobilidade”. “Trago no corpo um acúmulo de diversas linguagens”, afirma. “Com o Bob Wilson, você é o que você é. Ele joga o anzol e pesca o mais profundo de nós”.

Os atores, assim como o diretor, não querem se precipitar ao dizer o que o público sentirá ao ver a obra, baseada na novela do russo Daniil Kharms. “Acho que isso de tudo ser feito atrás de uma máscara, convida o público a achar engraçado ou não. Não queremos incorporar o que a plateia vai sentir. Ela tem de sentir por si só”, diz Baryshnikov.

Veja fotos da peça de Bob Wilson com Baryshnikov e Dafoe 

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record news agenda cultural Veja as dicas da Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 11/07/2014

Acima, Lidiane Shayuri e Miguel Arcanjo Prado na Agenda Cultural do Hora News, na Record News; abaixo, o ator Daniel Alvim fala sobre a peça Vidas Privadas - Foto: Divulgação

Quer se divertir? Miguel Arcanjo Prado, colunista de Cultura do Hora News, jornal apresentado por Lidiane Shayuri na Record News, dá as melhores dicas na Agenda Cultural. Tem show de Daniela Mercury e Margareth Menezes na Bahia, Karina Buhr em Belo Horizonte, Festival Internacional de Hip Hop em Curitiba, Alcione no Rio, terror e animação nos cinemas e ainda a peça Vidas Privadas, com o ator Daniel Alvim, em entrevista exclusiva no estúdio.

Com edição de Aline Rocha Soares e Cinthia Lima.

Veja o vídeo:

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michelle ferreira foto bob sousa51 Entrevista de Quinta: “Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem”, diz Michelle Ferreira

Michelle Ferreira: atriz formada na EAD vira dramaturga de sucesso - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

Michelle Ferreira desconstrói a imagem que muita gente ainda tem da figura do dramaturgo. Jovem, bonita, articulada e decidida, já é um dos novos nomes da cena teatral paulistana, sobretudo após a ter escrito e dirigido a elogiada peça Os Adultos Estão na Sala.

Nesta sexta (27), vive momento marcante. Estreia no palco do Teatro Anchieta do Sesc Consolação, um dos mais tradicionais de São Paulo, sua peça Sit Down Drama, com elenco de 12 atores capitaneados pelo diretor Eric Lenate. A obra conta a história de um humorista que se dá mal após fazer uma piada ao vivo na TV.

A estreia é uma espécie de volta para a casa. Já que integrou por oito anos o Círculo de Dramaturgia do CPT (Centro de Pesquisa Teatral), sob comando de Antunes Filho, que fica no mesmo prédio do teatro.

Em uma tarde de sol de inverno no Teat(r)o Oficina, ela se encontrou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta.

Falou sobre o enredo de sua peça se parecer com a história real ocorrida com Rafinha Bastos e Wanessa Camargo, contou seu começo com uma peça escolar e falou sobre este momento de destaque.

Leia com toda a calma do mundo.

michelle ferreira foto bob sousa32 Entrevista de Quinta: “Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem”, diz Michelle Ferreira

Michelle Ferreira é autora da peça Sit Down Drama, que estreia em SP - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — A história da sua peça lembra muito o caso Rafinha Bastos versus Wanessa Camargo. Se alguém falar que você se inspirou nele o que você diz?
Michelle Ferreira — Que é mentira. Porque eu escrevi a peça antes de tudo isso acontecer. Vou até brincar: ele que deveria me pagar os direitos da própria história [risos]. Desenvolvi a história de 2008 para 2009 [o episódio Rafinha x Wanessa, quando ele disse no ar no CQC que comeria Wanessa e seu bebê, gerando sua demissão da Band, ocorreu em 2011]. E a história não é igual ao que aconteceu com ele. É só parecida. Sit Down Drama representa outras coisas também.

Miguel Arcanjo Prado — O que você acha dessa coincidência de escrever um argumento que logo depois aconteceu de verdade?
Michelle Ferreira — A coincidência é engraçada, louca, inusitada. Eu não acredito em nada, sou ateia, mas as coisas estão aí... A gente respira o mesmo ar...

Miguel Arcanjo Prado —Você quis em sua peça criticar o politicamente correto?
Michelle Ferreira — A gente vive um momento de muito politicamente correto. O que aconteceu com o Rafinha Bastos é por causa desse “Vigiar e Punir” quem cria. Tomara que ele vá assistir. Eu respeito a história dele, mas a peça não é ela, é muito mais do que isso. A diferença para o Rafinha Bastos é que meu personagem não se redime. É através dessa derrocada que o personagem se entende.

Miguel Arcanjo Prado — Como você escreve?
Michelle Ferreira — Depende. Quando estava no CPT [Centro de Pesquisa Teatral do Sesc Consolação, comandado por Antunes Filho] e não tinha perspectiva em montar, tomava mais tempo... Mas, você sabe, o melhor amigo do escritor é o deadline.

Miguel Arcanjo Prado — Do jornalista também.
Michelle Ferreira — Pois é. Normalmente, escrevo rápido. Preciso de uma teia mental antes para sentar e escrever. Mas, no momento em que escrevo, não consigo sossegar até acabar. Sou obsessiva. É vertical o negócio. Quando estou escrevendo, nem vivo direito.

Miguel Arcanjo Prado — Como você começou a escrever?
Michelle Ferreira — Desde muito criança. Eu dizia na EAD [Escola de Arte Dramática da USP], logo que eu entrei, com uns 20 anos, que eu já tinha 20 anos de carreira. Porque a minha avó me emprestou bebê para fazer o presépio vivo. Fiz o Menino Jesus, um grande papel [risos].

Miguel Arcanjo Prado — Como foi sua infância?
Michelle Ferreira — Sim. Sou filha única. Na verdade, sou neta única, porque fui criada pelos meus avós. Então, minhas companheiras de brincadeira eram a enciclopédia Barsa e o livro do Alexandre Dumas. Fui alfabetizada muito cedo. Gostava mais do mundo dos adultos do que das crianças.

Miguel Arcanjo Prado — Onde você morava?
Michelle Ferreira — Em Atibaia [região serrana próxima a São Paulo], em uma casa de campo. Fiquei lá dos sete aos 14 anos. Ficava isolada, não tinha vizinho. E meu avô me deu uma Olivetti [máquina de datilografia] quando eu tinha nove anos. Comecei a escrever muito.

Miguel Arcanjo Prado — E na escola?
Michelle Ferreira — Tinha uma professora de português descendente de alemães, chamada Hildegard, e um dia a contrariei.

Miguel Arcanjo Prado —Por quê?
Michelle Ferreira — Ela propôs de montarmos a peça Quem Casa Quer Casar, do Martins Pena. Achei uó. Eu já tinha visto muito coisa, muito cinema, nas fitas do meu avô: vi tudo do Charles Chaplin, O Poderoso Chefão, 2001 — Uma Odisseia no Espaço, Taxi Driver... Então, queria fazer outra coisa.

Miguel Arcanjo Prado —E você brigou com a professora?
Michelle Ferreira — Eu falei que não gostava da peça. Aí ela falou que já que eu achava a peça ruim, por que então não escrevia uma. Passei o fim de semana escrevendo e, na segunda, entreguei a ela minha primeira peça.

Miguel Arcanjo Prado — E ela montou?
Michelle Ferreira — Sim! Se chamava A Ascensão e Queda de um Político Corrupto. Estávamos na Era Collor, então criei um personagem que nascia no morro e terminava no Planalto. Mas tinha um fim moralista que hoje eu mudaria. O personagem termina a peça no inferno [risos].

michelle ferreira foto bob sousa41 Entrevista de Quinta: “Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem”, diz Michelle Ferreira

Michelle Ferreira escreveu sua primeira peça na infância - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você já sabia que faria teatro profissionalmente?
Michelle Ferreira — Sabia. Sempre soube. Outra coisa não ia dar... Meus avós sempre me deram muita força. Quando fiquei adolescente a gente voltou para São Paulo, porque queria me preparar para o vestibular, fazer um colegial mais forte. Eles me deram toda força. Fui muito estimulada. Mas antes do vestibular fiz intercâmbio.

Miguel Arcanjo Prado — Onde?
Michelle Ferreira — Connecticut, nos Estados Unidos. Fui crescer, me virar.

Miguel Arcanjo Prado — E o que fez na volta?
Michelle Ferreira — Queria fazer cinema por um tempo. Mas aí prestei vestibular para ciências sociais na FFLCH [Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP]. No segundo ano da faculdade, passei na EAD. Cheguei a fazer as duas juntas por dois anos, mas depois fiquei só na EAD.

Miguel Arcanjo Prado — Como era na EAD?
Michelle Ferreira — É um curso muito focado para atuação. Mas eu continuei a escrever por conta própria.

Miguel Arcanjo Prado — E como entrou para o Círculo de Dramaturgia do CPT?
Michelle Ferreira — Recebi um recorte de uma notinha no jornal, falando que estavam com processo seletivo aberto. Mandei dois textos e passei. Fiquei oito anos, de 2003 a 2011.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi?
Michelle Ferreira — Era tudo focado na produção independente de casa um. A gente levava porrada do Antunes, mas sempre dentro do nosso universo. Foi no CPT que me tornei uma dramaturga de fato. Ele acabou comigo e me mandou ir em frente. O Antunes diz que é mais fácil ser campeão de Fórmula 1 do que um bom dramaturgo. A primeira peça que escrevi lá é Urubu Comum, que ainda não foi montada.

Miguel Arcanjo Prado —E a carreira foi deslanchando?
Michelle Ferreira — Pois é. Fui conhecendo muita gente. A primeira peça montada é metade minha e metade do Germano Mello, que é Como Ser uma Pessoa Pior, com a Lulu Pavarin. A segunda também não é só minha, Estudo Hamlet.com, que fiz para o Cacá Carvalho. A primeira só minha montada profissionalmente foi Os Adultos Estão na Sala, com a Má Cia. Provoca, que é o meu grupo.

Miguel Arcanjo Prado —Você descontrói a imagem que muita gente tem do dramaturgo.
Michelle Ferreira — Todo mundo pensa no velho barbudo no gabinete, né? [risos]

Miguel Arcanjo Prado —E Sit Down Drama?
Michelle Ferreira — O Ricardo Grasson me pediu uma peça para poucos atores. Falei: não tenho condição agora de fazer uma nova. E ofereci essa. Ele leu, gostou, aí eu joguei o nome do Eric Lenate para dirigir, porque sempre quis trabalhar com ele. Só que ele me pediu uma peça com poucos atores e são 12 pessoas em cena! [risos]

Miguel Arcanjo Prado — Como você lida com essa repercussão do seu trabalho na classe artística e também junto aos críticos?
Michelle Ferreira — Eu tento achar tudo normal, embora não seja [risos]. Acho tudo louco. Isso de estrear sexta agora na casa do mestre. Chego lá no Teatro Anchieta do Sesc Consolação com o maior respeito. Não sei como vai ser. Vamos ver o que as pessoas vão achar. Podemos sair aplaudidos ou dentro de um camburão. O que é bom também, porque faz parte do folclore.

Miguel Arcanjo Prado — Tem novos projetos?
Michelle Ferreira — Vou estrear no segundo semestre Reality Final, que é uma peça que faz dupla com Sit Down Drama. Vai ser com meu grupo, a Má Cia. Provoca, que tem eu, a Flávia Strongoli, a Michelle Boeschie, o Ramiro Silveira, a Maura Hayas e a Solange Akerman. Também tenho uma produtora audiovisual, a No Cubo Filmes. Tenho feito pilotos para TV... Em julho, estreia em Porto Alegre a peça A Vida Dele. Neste ano, também vai estrear Animais na Pista, outro texto meu.

Miguel Arcanjo Prado — Você quer fazer, além de teatro, cinema e TV?
Michelle Ferreira — Sim. Eu gosto do sim para tudo.

Miguel Arcanjo Prado —Qual é a cara do seu trabalho?
Michelle Ferreira — [pensativa] Qualquer outra pessoa responderia essa sua pergunta muito melhor do que eu... Voltando à sua pergunta, não sei que cara que é, mas sei que tem.

michelle ferreira foto bob sousa21 Entrevista de Quinta: “Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem”, diz Michelle Ferreira

"Não sei qual é a cara do meu trabalho, mas sei que tem", diz Michelle Ferreira - Foto: Bob Sousa

Sit Down Drama
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 18h. 80 min. Até 10/8/2014
Onde: Sesc Consolação - Teatro Anchieta (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo, tel. 0/xx/11 3234-3000)
Quanto: R$ 6 a R$ 30
Classificação etária: 16 anos

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guilherme marques bob sousa5 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Vitória da especulação imobiliária? O teatro CIT-Ecum, dirigido por Guilherme Marques em São Paulo, está com seu fim decretado para o próximo dia 30 de junho - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

A figura da namoradeira pensativa na janela para o pátio interno do casarão localizado em uma das ruas mais movimentadas do centro paulistano cria a ilusão de que estamos em Minas Gerais.

Quando entramos na cozinha, a sensação é ainda mais interiorana. Estão lá o filtro de barro com água fresca e o café recém-coado estão à nossa espera.

Sentado na mesa de madeira do espaçoso e iluminado cômodo está Guilherme Marques, diretor geral do CIT-Ecum (Centro Internacional de Teatro Ecum). Apesar da calma na fala, seu rosto denuncia a tensão do momento. E não é pelo resultado do Brasil na Copa do Mundo, que começa nesta quinta (12).

No próximo dia 30, se o cenário desfavorável não mudar, Marques terá de juntar sua equipe de 15 pessoas e deixar o colorido imóvel na rua da Consolação, 1623.

Após um ano e dois meses de atividades que envolveram boa parte da classe e do público teatral, com mais de mil postos indiretos de trabalho criados pela programação de qualidade capitaneada pelo diretor artístico Ruy Cortez, o lugar pode fechar suas portas por conta do interesse da proprietária de despejar os inquilinos e vender o imóvel para uma construtora.

A notícia agitou a comunidade teatral, que se mobiliza em redes sociais e até em campanhas junto ao poder público para tentar impedir o esmagamento da cultura pela especulação imobiliária.

Cidadão do mundo e mineiro de Peçanha, cidade com 17 mil habitantes, Marques conversou com exclusividade com o Atores & Bastidores do R7 sobre este complicado momento.

Leia com toda a calma do mundo.

guilherme marques bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Guilherme Marques, em frente à colorida fachada do CIT-Ecum: "Dói muito sair" - Foto - Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — O CIT-Ecum vai fechar?
Guilherme Marques — O contrato finda agora, dia 30 de junho. Estamos tentando renegociar com a proprietária. A situação é delicada porque viemos na transição de um contrato antigo, que era do Teatro Coletivo, e, em um acordo com a família, o transformamos no CIT-Ecum.

Miguel Arcanjo Prado —Qual o prazo você pediu para prorrogar?
Guilherme Marques — Pelo menos mais seis meses. O ideal seria um contrato de cinco anos. Não sei se vamos conseguir reverter.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês têm recebido muito apoio?
Guilherme Marques — Sim. Tem uma campanha forte na classe artística e até na revista teatral Antro Positivo em defesa dos teatros da cidade. Particularmente, eles a desenvolvem neste momento porque o espaço que está mais ameaçado é o CIT-Ecum.

Miguel Arcanjo Prado — Se tiverem de ir para a rua o que farão com todas as coisas do teatro?
Guilherme Marques —
É muito difícil abandonar este espaço... Já conversei com a Prefeitura que nos cedeu um depósito para deixarmos nosso acervo. É doloroso ter de desmontar uma casa com repercussão tão positiva. Dói muito. Mas eu sou do sertão, nasci na roça, tenho essa capacidade de renovação, de recriar, de buscar forças para ir atrás de um novo espaço.

Miguel Arcanjo Prado — Fervilha no teatro brasileiro a discussão sobre a especulação imobiliária. O Zé Celso e a turma do Teatro Oficina brigam com o Silvio Santos há anos. Os Fofos Encenam também quase fecharam o espaço deles e Os Satyros chegaram a anunciar que deixariam a praça Roosevelt. Como você avalia este cenário?
Guilherme Marques — Um diálogo é possível. A construtora não pode abrir o diálogo? Em vez de acabar com o teatro, não dá para anexar ao empreendimento um centro cultural? Eu entendo o lado do proprietário. Mas, é nosso papel abrir para o diálogo e trazer a comunidade para essa discussão de preservação de espaços importantes na cidade. São Paulo não pode só construir prédio, tem de ter cultura também. O movimento cultural também precisa prosperar e crescer. E isso é possível caminhar junto. Em Belo Horizonte, nós temos duas experiências interessantes: o Pedro Paulo Cava manteve o Teatro da Cidade em parceria com a construtora. E a Fundação de Educação Artística da Berenice Menegali também. Os espaços culturais coexistem maravilhosamente bem com os prédios acima deles.

Miguel Arcanjo Prado —Você vê possibilidade de isso acontecer em São Paulo?
Guilherme Marques — Sim. É preciso abrir o diálogo. Existe um movimento, Movimento dos Teatros Independentes de São Paulo, o MoTIn, que luta pela preservação dos teatros. A Erica Teodoro participa, representando o CIT-Ecum. Eles estão trabalhando muito.

 

guilherme marques miguel arcanjo foto bob sousa Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Marques fala ao R7: "A construtora não pode abrir o diálogo? É possível coexistir prédio e cultura" - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Quem são seus braços direitos no CIT-Ecum?
Guilherme Marques —
Gostaria de destacar o trabalho da equipe. O Rafael Esteinhauser, que é nosso diretor financeiro e tem sido um colaborador incansável. A Érica Teodoro, a nossa diretora de produção, e o Ruy Cortez, nosso diretor artístico pedagógico, são fundamentais. E o Fernando Mencarelli, que é nosso colaborador mais antigo, é nosso diretor artístico associado. A Ana Teixeira, do Rio, também é importante. Assim como a Maria Thais e o Antônio Araújo, na curadoria artística. O Antônio Araújo é mineiro também.

Miguel Arcanjo Prado — Se tiverem de fechar as portas aqui vocês vão para onde?
Guilherme Marques — É uma boa pergunta. Na verdade ainda não temos nada em vista. É difícil achar um espaço com este perfil de três salas. A programação foi pensada muito pelo perfil do espaço de ter uma programação onde pudesse ter até seis espetáculos acontecendo simultaneamente. Isso é raro. Não temos ainda um local certo em mente. Mas vamos buscá-lo se for preciso.

Miguel Arcanjo Prado — Quando fizeram o contrato vocês não pensaram que um dia ele iria acabar e vocês teriam de ir embora?
Guilherme Marques — Sim, pensamos. O Serginho, do Teatro Coletivo, tinha um contrato bem antigo. Aí começou uma conversa entre o advogado da família e levantou-se a possibilidade da venda do espaço. Mas também foi conversado, naquele momento, a possibilidade da renovação do contrato. Só que a coisa foi caminhando para outro rumo. Aí se consumou a intenção da venda do espaço.

Miguel Arcanjo Prado — Quantos vocês gastaram nas reformas?
Miguel Arcanjo Prado — Quase R$ 350 mil.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês foram inocentes de gastar tanto dinheiro em reformar um lugar que não era de vocês e que o dono um dia pudesse pedir para vocês irem embora?
Guilherme Marques — Inocentes, não. Sabíamos do risco que estávamos correndo. Por acreditar, por sermos artistas, por queremos implementar na cidade um projeto como o CIT-Ecum, artístico e pedagógico... A nossa inocência, se houve, foi acreditar que reverteríamos a história. E isso não aconteceu.

Miguel Arcanjo Prado — Surgiu o movimento de tombamento do CIT-Ecum. Você acha que isso vai acontecer?
Guilherme Marques — Estamos muito felizes com esse movimento. Primeiro, porque começou de forma espontânea, pela Cooperativa Paulista de Teatro. Logo a revista Antro Positivo começou um movimento também. Vários artistas se propuseram a ajudar. Estamos conversando na esfera do município. Fomos ao Conselho Municipal do Patrimônio. Tem uma discussão muito interessante que é o pedido de tombamento do patrimônio imaterial, que surgiu no âmbito federal quando o Juca Ferreira, hoje secretário municipal de Cultura, foi ministro da Cultura. Estamos tendo um apoio da população, do movimento teatral, e a imprensa em geral tem nos apoiado muito, como você. A gente nunca sabe... Mas, acho que é possível reverter qualquer situação a partir da mobilização popular.

Miguel Arcanjo Prado —Existe a possibilidade de comprarem um lugar?
Guilherme Marques —
Não. Teríamos de ir para uma sala de produção. A ideia é conseguir um apoio governamental para ir para um teatro. Ou então, ir até para uma sala até reverter a situação.

Miguel Arcanjo Prado — São Paulo tem muitos espaços públicos sem utilização. Vocês gostariam de um convite do poder público para ocupar algum desses prédios ociosos?
Guilherme Marques —
Gostaríamos. Mas se tivermos autonomia para fazer o trabalho que fazemos aqui. Senão, ficamos engessados. As secretarias Municipal e Estadual de Cultura estão nos apoiando.

guilherme marques bob sousa1 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Um futuro para o CIT-Ecum: Guilherme Marques espera ajuda do poder público - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Qual o objetivo do CIT-Ecum?
Guilherme Marques — Olha, Miguel, desde quando pensamos a programação com o Ruy Cortez, foi primordial esse diálogo com os coletivos teatrais. Isso foi muito importante para a casa. Isso é o Ecum desde o início. O Fórum foi pensado para isso.

Miguel Arcanjo Prado — Para quem não conhece a história de vocês, explique como chegaram aqui.

Guilherme Marques — O Fórum Mundial das Artes Cênicas surgiu em 1998, em Belo Horizonte. Levamos os grandes pensadores do teatro. Foram muitas caravanas e, desde então, ele desperta o interesse dos artistas. Em 2009, no Ano da França no Brasil, criamos um centro internacional de pesquisa em artes cênicas, que é o CIT-Ecum.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês chegaram a São Paulo bem. O teatro fez muito barulho. E também criaram a MIT-SP, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo. Ela também pode acabar?
Guilherme Marques —
A MIT-SP surgiu em Belo Horizonte, após uma conversa que tive com o Antônio Araújo, do Teatro da Vertigem. Trabalhei no Festival Internacional de Teatro de Caracas, na Venezuela, em 1992, e o diretor Carlos Jimenez me perguntou como andava o “Festival da Ruth Escobar”, falando que marcou a cena latino-americana. Eu fique com isso na cabeça. Em 2008, retomei essa conversa com o Tor [Antonio Araújo], falando que São Paulo precisava de voltar a ter um festival assim. Com a mudança para São Paulo, apresentei o projeto e conseguimos de cara o apoio do Marcelo Araújo [secretário Estadual de Cultura], do Juca Ferreira [secretário Municipal de Cultura] e do Banco Itaú.

Miguel Arcanjo Prado — Mas a MIT-SP continua?
Guilherme Marques — A MIT-SP vai continuar no ano que vem. E gratuita. Quer uma informação em primeira mão?

Miguel Arcanjo Prado — Quero. Jornalista adora furo.
Guilherme Marques — A segunda edição será de 6 a 15 de março de 2015 e terá uma novidade: a única atividade que vamos cobrar ingresso vai ser o Cabaré, um bar do festival, um lugar para o encontro de artistas e público depois da peça. Ele será na Praça das Artes, no centro, estamos negociando ainda com a Prefeitura.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi para você vir para São Paulo?
Guilherme Marques — Eu me mudei para São Paulo em 2011, a convite do Ruy Cortez. Ele foi participar das ações da escola em Belo Horizonte, e ficou encantado. Estava numa fase que perdi patrocínio em BH, com época política de transição bem difícil. Aí ele deu a ideia de trazer o projeto para São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — Como a cidade lhe recebeu?
Guilherme Marques —
Sou um cara de muita sorte. São Paulo me recebeu bem. Aos 53 anos, posso te afirmar que estou na melhor fase da minha vida. Porque essa idade está me oferecendo oportunidades que eu nunca tive em Belo Horizonte. E olha que fizemos muita coisa em Belo Horizonte também! Saí de casa muito cedo, aos 15 anos, de Peçanha, no Vale do Rio Doce, Minas Gerais. Então, já morei em muitos lugares. Morei na Espanha, Venezuela, Cuba, Rio, e viajei muito [risos].

guilherme marques bob sousa6 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Na janela lateral: esperança no CIT-Ecum - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — “Sou do mundo sou Minas Gerais...”
Guilherme Marques — É [risos]

Miguel Arcanjo Prado — Mas a namoradeira não sai da janela, e o café não sai da cozinha nem o filtro de barro...
Guilherme Marques —
O engraçado é que quando voltei para Belo Horizonte queria ir para o interior ou até voltar para Peçanha [risos]. Aí veio convite para vir São Paulo... Eu comprei um terreno ali perto do Inhotim, em Brumadinho [arredores de Belo Horizonte]. Eu estava com a ideia, ainda tenho, de construir a sede do CIT-Ecum neste terreno, com o pé na água, à beira da montanha, fazer uma cozinha grande, uma hospedaria para receber os artistas...

Miguel Arcanjo Prado — Uma Woodstock do teatro?
Guilherme Marques — Sim! Adorei isso de Woodstock do teatro [risos]. E o Bob vai ser nosso fotógrafo oficial.

guilherme marques bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Prédio e cultura podem coexistir, diz Guilherme Marques do CIT Ecum

Guilherme Marques, do CIT-Ecum: "Sou do sertão, tenho capacidade de renovação" - Foto: Bob Sousa

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pedro granato foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Divisão entre artes vai cair, quero misturar tudo”, diz diretor Pedro Granato

O diretor paulistano Pedro Granato: o teatro dele tem múltiplas caras - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Pedro Granato é um dos diretores mais inventivos da nova geração do teatro brasileiro. Eclético, atua em várias nuances do teatro, porque não gosta de se repetir e quer mudar sempre.

Ele é dono do Teatro Pequeno Ato, que anda reavivando a rua Teadoro Baima como reduto teatral paulistano. É lá que fica também o histórico Teatro de Arena, seu vizinho.

Ele mantém no cartaz até 11 de junho sua peça Quanto Custa?, na qual disseca as relações de poder tendo como base Bertold Brecht (1898-1956), com cuidadosa estética soturna.

Granato também dirigiu Il Viaggio, no qual mergulhou no universo dos sonhos do cineasta italiano Federico Fellini (1920-1993).

Referências não faltam ao diretor, filho de artista plástico e formado em cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Há mais de uma década, se enveredou pelo teatro, seja no tablado, na caixa preta ou na rua, sem deixar de flertar com o cinema e a música sempre que pode.

Num começo de uma tarde fria de outono, enquanto o centro paulistano fervilhava do lado de fora, Pedro Granato recebeu o Atores & Bastidores do R7 no Teatro Pequeno Ato para esta Entrevista de Quinta. Falou sobre sua vida e seu teatro.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi sua infância?
Pedro Granato — Foi bem paulistana. Fui criado na esquina das avenidas Rebouças e Henrique Schaumann. Nasci rodeado de arte, com meu pai montando a exposição dele na Bienal...

Miguel Arcanjo Prado — Quem são seus pais?
Pedro Granato —Meu pai é o artista plástico Ivald Granato. E minha mãe, Lais Granato, é psicóloga e ceramista. Sou o caçula.

Miguel Arcanjo Prado — Do que você gostava de brincar quando era pequeno?
Pedro Granato — Brincava fazendo quadrinhos com meu irmão, o Diogo Granato, que hoje é bailarino. Também gostávamos de fazer instalações com cobertas, criávamos montanhas [risos].

Miguel Arcanjo Prado — E na adolescência: você era do tipo rebelde ou do tipo introspectivo?
Pedro Granato —Tive todas as fases. Fui nerd, depois fui rebelde, depois fui o que fazia piadas no fundo da sala, depois o fã de punk rock, o popular que organiza festas, o politizado do grêmio...

pedro granato foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: “Divisão entre artes vai cair, quero misturar tudo”, diz diretor Pedro Granato

Filho de artistas, Pedro Granato viveu desde pequeno rodeado de arte - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Pelo jeito você era inquieto!
Pedro Granato — Sim. Minha casa era uma loucura! Minha música de infância era Bob Dylan e Lou Reed. Não tem como não ser um pouco maluco naquela casa [risos].

Miguel Arcanjo Prado — Essa coisa de ser filho de artistas lhe influenciou?
Pedro Granato — Sim. Eu logo fui fazer oficinas de tudo que você possa imaginar. Como meu irmão dançava, fiz dança, circo, teatro... Até que veio o vestibular e entrei no cinema na ECA [Escola de Comunicações e Artes] da USP [Universidade de São Paulo].

Miguel Arcanjo Prado — Você já queria dirigir?
Pedro Granato — Já. Era final dos anos 1990 e tinha aquela coisa de falarem que diretor de cinema não sabe dirigir ator. Então, fui fazer teatro no Grupo Tapa e no Folias. Foi assim que comecei no teatro.

Miguel Arcanjo Prado — E aí foi se enturmando com a turma dos palcos?
Pedro Granato — Sim. Fiquei amigo de um monte de gente da EAD [Escola de Arte Dramática da USP]. Acabamos montando o grupo Ivo 60, que durou 12 anos. Era eu, a Ana Flávia Chrispiniano, que hoje está morando no Rio, o Felipe Sant’Angelo, que virou roteirista, a Mariana Leite, que se mudou para Chicago, e o Pedro Felício, que ainda está no teatro e atua em Quanto Custa?. Mas, mesmo com o grupo, sempre deixei claro que gostaria de fazer as minhas coisas também, de forma paralela.

Miguel Arcanjo Prado — E o cinema?
Pedro Granato — Fui fazendo curtas. Fiz um, chamado X, que tinha o Rafael Cortez, que hoje ficou famoso e apresenta programa na Record. Ele fazia uma versão do Ben Silver, o protagonista de Roda Viva, peça do Chico Buarque. O meu curta de formatura foi Uma Tragédia Brutal, com Gustavo Machado e Tatiana Thomé; era uma coisa meio Beijo no Asfalto do século 21. Gravamos na esquina onde fica hoje o Teatro Pequeno Ato, na Ipiranga com Teodoro Baima. Engraçado, porque nem pensava que um dia teria um teatro aqui...

Miguel Arcanjo Prado — Você gosta do Nelson Rodrigues?
Pedro Granato — Adoro. Ele é meu livro de cabeceira sempre. Nelson é o cara do nosso teatro!

pedro granato foto bob sousa1 Entrevista de Quinta: “Divisão entre artes vai cair, quero misturar tudo”, diz diretor Pedro Granato

Pedro Granato é bem relacionado na turma do teatro: "Conheço quase todo mundo" - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você tem muitos amigos no teatro?
Pedro Granato — Conheço quase todo mundo. Na época do Ivo 60 ganhamos cinco Fomentos [programa municipal de financiamento teatral de SP]. Então, nos aproximamos muito do movimento do teatro de grupo, do pessoal da Cia. São Jorge de Variedades, do Bartolomeu... Não me vejo como um cara do cinema. Acho que sou mais um cara do teatro.

Miguel Arcanjo Prado — Quem é o Berlam?
Pedro Granato — Ele foi um personagem que eu criei [risos]. Fazia muitos shows com ele, era meio cabaré, fiz shows em circos. Ele é muito divertido, afetado e as pessoas adoram. Mas aí decidi parar porque ele começou a ficar muito famoso e as pessoas me confundiam com ele [risos].

Miguel Arcanjo Prado — Onde ele foi parar?
Pedro Granato — Eu mandei o Berlam para umas férias na Bahia [risos]. Mas devo a ele uma aproximação grande com o mundo musical.

Miguel Arcanjo Prado — Você também dá aula?
Pedro Granato — Dou. Sou professor há três anos no Teatro Escola Célia Helena. Adoro ser professor, de incentivar as pessoas a fazerem teatro. Porque é muito foda. Eu vim de família de artistas, mas nem todo mundo tem essa sorte. Então, o que eu puder botar pilha nos outros eu boto. Dando aula, as relações ficam mais profundas. Dá para meter o dedo na ferida, bater de frente. Com jeito, é claro.

Miguel Arcanjo Prado — Qual a cara do seu teatro?
Pedro Granato — Nunca tive a pretensão de ter só um grupo, ou fazer só um tipo de teatro. Sempre quis ser diretor. E gosto que os atores estejam no centro da minha obra, se desdobrando em vários personagens. Que estejam fazendo mesmo a peça acontecer em cena, manipulando o cenário, a luz. Esteticamente, gosto muito de variar.

Miguel Arcanjo Prado — Por quê?
Pedro Granato — Porque gosto que cada trabalho tenha sua cara própria, sua concepção visual. Gosto que um trabalho seja esteticamente diferente do outro. Tenho essa coisa brechtiana do humor, de brincar com a linguagem. Também tenho muito cuidado com a direção de arte das minhas obras. Tenho essa herança familiar das artes plásticas. Geralmente, começo uma peça pela imagem que eu vejo dela.

Miguel Arcanjo Prado — Quem são suas referências?
Pedro Granato — Olha, a Cristiane Paoli-Quito foi muito importante para mim; estudei palhaço com ela. Também aprendi muito com a Tiche Vianna, o Ésio Magalhães e a Bete Dorgam. E depois tive o prazer de dirigir esses meus professores. E também a cineasta Laís Bodanzky, com quem trabalhei e é uma grande referência também. No cinema, eu piro em Almodóvar, Kubrick e Fellini. Este último me pegou muito quando dirigi Il Viaggio.

Miguel Arcanjo Prado — Quais são os novos projetos?
Pedro Granato — O Teatro Pequeno Ato segue a todo vapor. Resolvi continuar com o espaço depois que o Ivo 60 acabou. E ele tem dado certo, tenho mantido espetáculos em cartaz e alugado também para outros grupos ensaiarem. É uma fábrica de arte. O Ed Moraes, por exemplo, ensaia a nova peça dele aqui. Estou dirigindo um solo da Paula Cohen e um espetáculo de rua. Também estou gostando muito de escrever.

Miguel Arcanjo Prado — Aonde você quer chegar?
Pedro Granato — Prefiro al andar se hace el camino.... Agora, vou estudar em julho um mês no Lincoln Center, em Nova York. Vou fazer um laboratório de diretores, para pensar o teatro para as novas gerações. É preciso que o teatro se renove com essa gente que está chegando. Eu nunca fui do teatro clássico, de fazer tragédia grega para depois fazer Shakespeare. Sempre fui fazendo o meu teatro. E acho que essa divisão entre as artes vai cair. Quero misturar tudo, construir coisas novas, híbridas. Quero dar grandes pulos, não pulinhos. Quero dirigir teatro, show, rua, solos e, quem sabe, uma ópera... Adoro dirigir, construir histórias. As crises e inquietações da minha própria vida estão em todas as obras minhas. E eu gosto de público. Acho que saí do cinema e fui para o teatro porque tinha uma urgência de comunicação com o público. Gosto de fazer e ver as pessoas responderem ali, na minha cara e, quem sabe, mudar tudo no dia seguinte.

pedro granato foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Divisão entre artes vai cair, quero misturar tudo”, diz diretor Pedro Granato

O diretor Pedro Granato: "Quero misturar tudo, construir coisas novas, híbridas" - Foto: Bob Sousa

Quanto Custa?
Avaliação: Muito bom
Quando: Terça e quarta, 21h30. 60 min. Até 11/6/2014
Onde: Teatro Pequeno Ato (r. Teodoro Baima, 78, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 99642-8350)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Entrevista de Quinta: “Divisão entre artes vai cair, quero misturar tudo”, diz diretor Pedro Granato

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barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0094 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

A atriz Bárbara Salomé conquista teatro paulista e vira Neusa Sueli: a emblemática prostituta de Plínio Marcos, na peça Por Acaso, Navalha, da Cia. Caxote - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Não é fácil para uma atriz encarar a prostituta decadente Neusa Sueli, personagem emblemático do dramaturgo paulista Plínio Marcos (1935-1999). Cheia de coragem e talento, a atriz Bárbara Salomé assume tal missão.

Ao lado de Humberto Caligari, como o travesti Veludo, e Murilo Inforsato, como o cafetão Vado, ela é a estrela da peça Por Acaso, Navalha. O papel de Neusa Sueli já foi vivido por grandes atrizes, como Vera Fischer.

Na versão intimista do diretor Fernando Aveiro, da Cia. Caxote, apenas 20 pessoas assistem cada sessão no Espaço Mínimo, na Pompeia, zona oeste paulistana [veja serviço ao fim].

Bárbara ganhou a personagem da produtora Camila Biodan, que preferiu ficar nos bastidores e deu Neusa Sueli de presente para a amiga.

Bem humorada, a atriz, que também é palhaça e está em cartaz com a peça infantil Mitos Indígenas com o grupo Os Satyros, conversou com exclusividade com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta.

Contou desde o comecinho, na pequena Piedade de Ponte Nova, no interior mineiro, até o desafio de viver hoje uma das personagens mais importantes de nossa dramaturgia.

Leia com toda a calma do mundo.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0001 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Bárbara Salomé é a estrela da peça Por Acaso, Navalha, em cartaz em São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado — Você é de Minas também, né?
Bárbara Salomé — Sou de Piedade de Ponte Nova.

Miguel Arcanjo Prado — Quantos habitantes tem?
Bárbara Salomé — Uns 4.000, fica na Zona da Mata.

Miguel Arcanjo Prado —Você é filha de quem?
Bárbara Salomé —Meu pai era policial, Sebastião, e minha mãe, Dejaci, era professora. Eles estão aposentados hoje. Apesar da profissão, meu pai é muito sensível, gosta de desenhar...

Miguel Arcanjo Prado —Foi dele que você puxou a veia artística?
Bárbara Salomé — Foi. E da minha avó materna também. A dona Jacira. Ela gostava muito de teatro. Na minha família os homens são mais sensíveis e as mulheres, mais fortes.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0118 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Mineirinha de Piedade de Ponte Nova, Bárbara Salomé conquista o Brasil - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —A dona Jacira fazia teatro em Piedade de Ponte Nova?
Bárbara Salomé — Fazia. Quando ela ficou caduca, só se lembrava dos textos das peças. Porque em Minas as pessoas ficam caducas. Essa história de Alzheimer eu só fui ouvir aqui em São Paulo [risos].

Miguel Arcanjo Prado —Você tem irmãos?
Bárbara Salomé — Tenho, o Aurélio, que é mais novo. Na verdade, tive dois, porque uma irmã minha, a Thyanna, morreu quando éramos bem pequenas.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi viver uma situação forte tão cedo?
Bárbara Salomé — Foi um baque. Minha mãe ficou muito mal, fiquei uns tempos com minha avó. Mas criança tem um jeito de lidar bem com qualquer situação. Era muito pequena, brincava na rua, não ficava pensando naquilo. Tinha muitas mães na vizinhança que cuidavam de mim. Porque interior tem disso: um cuida do outro.

Miguel Arcanjo Prado —Quando você começou no teatro?
Bárbara Salomé — Foi na escola e na igreja. Também fazia jazz. Adorava inventar apresentação nas festas da cidade. Colocava texto e tudo. Aí, quando fiz 15 anos, um grupo de Ouro Preto foi se apresentar lá. Fiquei encantada. Lembro que as atrizes usavam umas roupas modernas, com meias diferentes e óculos escuros. Vi e pensei: quero ser assim.

Miguel Arcanjo Prado — E quando você saiu de lá?
Bárbara Salomé — Foi aos 16 anos. Prestei para o curso de teatro da Universidade Federal de Ouro Preto e passei.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0113 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Aos 16 anos, Bárbara Salomé saiu de casa em busca do sonho de atriz - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —Como foi a mudança?
Bárbara Salomé — Foi uma loucura. Primeiro fui morar com um amigo. Depois, fui morar em uma porão que tinha um doido vizinho que batia na janela de noite. Eu morria de medo! Depois, fui para a república Escândalo. Fiz amigos que estão comigo até hoje.

Miguel Arcanjo Prado —E como você lidava com a loucura estudantil?
Bárbara Salomé —Era muito nova. Não bebia nem fumava. Fui fazendo minhas coisas, em meio às festas. Fiz meu primeiro monólogo lá: Brazil Quem USA sou EUA, escrito pelo Ricardo Silva. Era um texto muito politizado e muito debochado também. Tem muita coisa boa que acontece no teatro fora de São Paulo. Muitas vezes quem vive aqui não faz ideia.

Miguel Arcanjo Prado —E o que você fez quando o curso acabou?
Bárbara Salomé —Entrei para o Oficinão do Grupo Galpão, em Belo Horizonte. Aos 19 anos, estava me mudando outra vez. BH foi mais difícil que Ouro Preto.

Miguel Arcanjo Prado —Onde você foi morar?
Bárbara Salomé —Fui para uma pensão que só tinha velhas, na avenida Augusto de Lima, perto do Edifício Maleta.

Miguel Arcanjo Prado — E era bom?
Bárbara Salomé —Era o horror [risos]. Em BH lidei mais com essa coisa da profissionalização. Era tudo muito competitivo. Fiz A Vida É Sonho, do Julio Maciel, e também Decameron, com o Kalluh Araújo.

Miguel Arcanjo Prado —Eu vi essa peça! Todo mundo nu... Lembro que todo mundo comentava o espetáculo em BH na época [risos]
Bárbara Salomé —Pois é. Eu nunca tinha ficado pelada no palco. E o diretor amava o Zé Celso. Foi uma grande experiência. Eu fui fazendo, fui vivendo, seguindo o fluxo.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0079 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Após estudar teatro em Ouro Preto, na UFOP, Bárbara foi atuar em Belo Horizonte - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —E seus pais?
Bárbara Salomé —Sempre me deram apoio. Claro que tem sempre aquela pergunta: tem certeza que você quer isso mesmo? Por que você não faz teatro por hobby? [risos]

Miguel Arcanjo Prado —E como você veio parar em São Paulo?
Bárbara Salomé — Cheguei a São Paulo em 2007. Antes, fiz um espetáculo empresarial para a Vale e viajei o Brasil todo. Aprendi muito. Foi nessa época, passei a admirar o trabalho do Thiago Lopes, que hoje tem o grupo Território do Avesso, em Governador Valadares. Ele é um excelente palhaço, muito talentoso. Foi por causa dele que quis ser palhaça também.

Miguel Arcanjo Prado —E você veio para São Paulo ser palhaça e tentar a vida no teatro?
Bárbara Salomé — Sim. O primeiro ano foi horrível. Morava perto do aeroporto de Congonhas. Então, meu passeio era ir ao Extra e ao Habbibs. Depois, morei em repúblicas, passei muito perrengue.Tentei tudo que você pode imaginar. Fiz teste pro Antunes [Filho, diretor], e não passei. Fiquei acabada. Desisti do teatro e fiquei dois anos só fazendo palhaço com os Amigos do Nariz Vermelho. Minha palhaça se chamava Judith. Fiz muita coisa empresarial.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0041 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Bárbara Salomé chegou a São Paulo em 2007: árduo caminho até o palco - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —E quando o teatro voltou?
Bárbara Salomé —Em 2009, consegui juntar uma grana e ir morar sozinha na Santa Cecília, no centro. Minha vida mudou completamente. Amo aquele bairro até hoje! Prestei a SP Escola de Teatro e fiz parte da primeira turma de humor. Conheci um monte de gente! Um dia, o Rodolfo [García Vázquez, diretor do Satyros e professor da escola] me chamou para fazer uma substituição em Zucco. Foi aí que voltei pro palco. A personagem era bem pequenininha: uma prostituta. Fiz ela engraçada e me inspirei na Amy Winehouse! Depois, trabalhei também com a Luciana Ramin, do Andar7 Agrupamento. Fiz Fausto in Progress, no Tusp, e também com a ExCompanhia de Teatro, no projeto Eu - Negociando Sentidos, que foi muito bacana também.

Miguel Arcanjo Prado —E agora você volta a fazer outra prostituta, só que desta vez como protagonista: a Neusa Sueli, criada por Plínio Marcos. Como foi encarar esta personagem?
Bárbara Salomé — Recebi o convite dos meninos da Cia Caxote no fim de 2013. Na terceira leitura, me apaixonei pela personagem. Comecei a ver Neusas Suelis por toda a parte.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0034 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Bárbara Salomé criou uma Neusa Sueli arquetípica: "tem muita mulher gasta por aí" - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —Como é a sua Neusa Sueli?
Bárbara Salomé —Primeiro pensei: como vou fazer essa mulher de 50 anos? Depois pensei: tem menina de 25 que já é gasta, que não fez escolhas na vida. A vida foi levando e ela ficou gasta. A minha Neusa é arquetípica. Quis ampliá-la. Essa pergunta: "será que eu sou gente?" não é só para prostituta. Minha amiga tem uma irmã modelo que está em crise porque fez 23 anos e está se sentindo velha, entende? Hoje, a questão da velhice está descolada da idade.

Miguel Arcanjo Prado —Você fez laboratório?
Bárbara Salomé —Vi muito filme do Fellini, documentários, fui na Luz [centro de prostituição no centro paulistano]. Também usei a Joana D'arc; queria outras referências, dar uma mesclada.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0021 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

"Não tem divisão entre palco e plateia", diz Bárbara Salomé sobre a montagem Por Acaso, Navalha, uma adaptação de Navalha na Carne, texto clássico do teatro brasileiro, de Plínio Marcos - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —Como está a temporada?
Bárbara Salomé —Está ótima. É bem intimista. Só para 20 pessoas. Não tem divisão entre palco e plateia. Então, muda todo dia. É ótimo fazer porque é um desafio enorme.

Miguel Arcanjo Prado —Você tem vontade de fazer cinema e TV?
Bárbara Salomé —Tenho muita vontade de fazer cinema e também televisão. Mas, tem de ter a oportunidade. Eu confio muito no meu trabalho. Essa coisa de ficar em casa esperando ser chamado não dá. Tem de trabalhar, tem de fazer. Tem de ter a troca antes para gerar frutos depois.

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0171 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Bárbara Salomé acaba de fazer 30 anos: ´"Saí do buraco da lacraia" - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado —Como foi fazer 30 anos?
Bárbara Salomé —Fazer 30 é maravilhoso. Essa coisa de ter 28, 29 é que é horrível. É o buraco da lacraia [risos]. Passei essa fase no limbo. Mas, aí fiz 30 e mudei completamente. Até mudei de nome. Antes era Bárbara Mello. Agora, virei Bárbara Salomé.

Miguel Arcanjo Prado —Por quê?
Bárbara Salomé — Minas é muito felliniana... Todo mundo tem apelido.... Mas, respondendo à sua pergunta, não sei. Mudei porque mudei. Porque precisava. Veio da intuição. Acho que foi um sopro. Falando desse jeito o povo vai pensar que eu virei a Baby do Brasil [risos].

barbara salome foto eduardo enomoto ENO 0090 Entrevista de Quinta: Bárbara Salomé é Neusa Sueli nos palcos e decreta: Hoje, velhice não tem idade

Bárbara Salomé, que antes era Bárbara Mello: "Mudei porque mudei. Veio da intuição. Acho que foi um sopro. Desse jeito o povo vai pensar que virei a Baby do Brasil" - Foto: Eduardo Enomoto

Por Acaso, Navalha
Quando: Sábado, 21h; domingo, 19h; segunda, 21. 55 min. Até 4/8/2014
Onde: Espaço Mínimo (r. Barão do Bananal, 854, Pompeia, São Paulo, tel. 0/xx/11 9-8919-2773)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

 

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olivia martins 2 Atriz Olivia Martins vibra com parceria nos palcos com Fause Haten na peça A Feia Lulu

A atriz Olivia Martins em cena da peça A Feia Lulu, inspirada no mundo da moda - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Fause Haten é realmente um artista inquieto. Tanto que sua criatividade não cabe mais só no mundo da moda. O estilista está em cartaz em São Paulo, no Teatro Faap, com a peça A Feia Lulu.

A obra é uma produção coletiva. Assinam, além do estilista, Fábio Retti, Gregory Silvar, Francisco Carlos, Marina Caron e Ondina Clais Castilho.

A obra reúne variadas linguagens artísticas e teve sua origem na performance. No enredo, a vida de um misterioso estilista. A personagem foi criada para os quadrinhos por ninguém menos que Yves Saint Laurent.

No começo nos bastidores da montagem, uma atriz foi convidada para fazer parceria com Haten no palco: Olivia Martins. Ela conversou com o Atores & Bastidores do R7 sobre teatro, moda, a amizade com Haten e a peça que chega ao fim no dia 3 de junho.

Leia com toda a calma do mundo.

olivia martins Atriz Olivia Martins vibra com parceria nos palcos com Fause Haten na peça A Feia Lulu

Olivia Martins no camarim do Teatro Faap: peça A Feia Lulu vai até o dia 3 de junho - Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Como foi o convite para entrar na peça?
Olivia Martins – Em agosto do ano passado, fui chamada para trabalhar na produção dessa peça, pois se tratava de um monólogo do Fause. Com o passar do tempo, o projeto foi mudando, tomando outra forma, e o Fause começou a sentir necessidade de mais um personagem na peça, para introduzir algumas cenas para ele. E foi aí que eu saí da produção e entrei como atriz da peça.

yves saint laurent Atriz Olivia Martins vibra com parceria nos palcos com Fause Haten na peça A Feia Lulu

Estilista francês Yves Saint-Laurent inspirou obra - Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – É um espetáculo bem alternativo. Como foi o trabalho de pesquisa e composição de personagem?
Olivia Martins – No meu trabalho como produtora já estava estudando muito, durante todo o processo, sobre a vida de Yves Saint Laurent. O livro que Yves escreveu chamado A Vilã Lulu chegou às minhas mãos no ano passado, e eu fiquei enlouquecida! Sabia que eu havia sido fisgada pela personagem. Falei para o Fause: "Se você não for usar essa personagem na sua peça, eu quero montar uma peça sobre esse ela". Acabou que o Fause usou a personagem e me chamou para ser a Ninon, a amiga da Lulu! E a personagem Ninon, que é uma criança, foi nascendo aos poucos... Tenho a sorte de dar aula de teatro para crianças de 6 a 17 anos em colégios. Observá-las me inspirou absurdamente na hora de criar e compor a personagem.

Miguel Arcanjo Prado – Você já conhecia o trabalho do Fause estilista? E o do Fause ator? Como está sendo este encontro?
Olivia Martins – Conheci o Fause quando fazíamos o curso de teatro na Escola Célia Helena. Nos formamos juntos. Primeiro, conheci o Fause ator, depois, o estilista. Isso me ajudou a não ver o Fause como um estilista famoso, e sim a vê-lo como um ator em construção, assim como eu. Ficamos amigos e o Fause me convidou para fazer assistência de figurino de musicais para ele, assistência de direção de desfile no SPFW... Foi então que surgiu A Feia Lulu e retomamos essa parceria, mas dessas vez como ator e atriz. Tem sido muito rico para nós e só tem reforçado da nossa certeza em continuarmos no caminho do teatro e da arte!

fause haten Atriz Olivia Martins vibra com parceria nos palcos com Fause Haten na peça A Feia Lulu

O estilista Fause Haten: ele também é ator - Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – A peça tem referência no mundo da moda. Você é ligada a este ambiente? O que mais a atrai nele?
Olivia Martins – Não era muito ligada. Hoje, entendo mais por causa do Fause e da peça. O Fause traz esse universo para mim por meio da vivência diária dele. O que me atrai nesse universo é o poder de criação e de transformação que o estilista tem. Eles se inspiram e criam coisas absurdamente maravilhosas! Hoje, me interessa entender como uma peça é criada, desde o papel até sua chegada na passarela. Mas acho que ainda tenho muito que aprender. A moda não é algo que você compreende com facilidade, requer um olhar aguçado.

Miguel Arcanjo Prado – A temporada está chegando ao final. Como tem sido a recepção do público?
Olivia Martins – Muito positiva. O público foi generoso conosco. Graças a Deus, tivemos uma temporada muito boa de público, superando o desafio de estarmos em cartaz com uma peça que acontece às segundas e terças feiras. Tivemos público misturado, desde estudantes de diversos cursos da faculdade Faap a pessoas ligadas à moda. Conseguimos, no mínimo, fazer aquelas pessoas saírem da peça pensando bastante sobre o que tinham acabado de assistir. Está sendo muito gratificante!

Miguel Arcanjo Prado – Você espera viajar com a peça? Já tem algo agendado?
Olivia Martins – Com certeza espero viajar com a peça! Estamos em negociação com alguns festivais com os dedos cruzados, torcendo! Acredito que uma segunda temporada também possa surgir em São Paulo. Esta peça merece ser vista por mais pessoas.

Miguel Arcanjo Prado – Além da peça, você está com algum outro projeto?
Olivia Martins – Tenho projetos com outros grupos de teatro. Na nossa área não dá para ficar parado. Temos que agarrar tudo o que aparece com unhas e dentes, certo?

A Feia Lulu
Quando: Segunda e terça, 21h. 70 min. Até 3/6/2014
Onde: Teatro Faap (r. Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo, tel. 0/xx/11 3662-7233)
Quanto: R$ 60
Classificação etária: 14 anos

olivia martins fause haten1 Atriz Olivia Martins vibra com parceria nos palcos com Fause Haten na peça A Feia Lulu

Olivia Martins e o amigo Fause Haten: parceria nos palcos une teatro e moda - Foto: Divulgação

 

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eloisa vitz eduardo enomoto Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: em meio ao caos, diretora do Grupo Gattu escreveu peça - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

Geralmente, momentos de caos costumam aguçar a criatividade artística. Foi assim com o aguerrido Grupo Gattu de Teatro, que acaba de abrir uma sala própria na zona norte de São Paulo: o Teatro do Sol, no bairro Santana, onde encena a comédia política Reino. O espaço é uma vitória após um grande pesadelo.

O nome é uma forma de espantar a tristeza que a companhia sentiu ao ter de fechar sua antiga sede, um belo casarão na rua dos Ingleses, na Bela Vista, região central de São Paulo, por não conseguir mais dar conta do alto aluguel.

Contudo, em vez de se afundar na depressão, o Gattu resolveu levantar a cabeça e seguir em frente com sua arte, mesmo sem apoio governamental.

Nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7, a diretora da trupe, Eloisa Vitz, conta como foi o processo que culminou na criação do espetáculo Reino, que conta os ditames de uma rainha que não quer abandonar o poder. O público que interprete o recado como quiser.

Eloisa, que é formada pela Escola de Arte Dramática da USP (Universidade de São Paulo) e já integrou o Grupo Tapa, faz observações importantes nesta conversa, como a dificuldade de sobrevivência teatral sem o apoio governamental — o que é oferecido atualmente não dá conta de toda a produção teatral paulistana.

Leia com toda a calma do mundo.

eloisa vitz eduardo enomoto 4 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: Grupo Gattu passou por um pesadelo de sobrevivência - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Vocês chegaram a abrir sede na Bela Vista, mas que teve de ser fechada depois. Foi o preço do aluguel que expulsou vocês do centro?
Eloisa Vitz – Foi. Abrimos a sede e não conseguimos arcar com o aluguel. Ficou muito pesado e sem apoio nenhum, foi difícil, falimos, mas conseguimos nos recuperar!

Miguel Arcanjo Prado – O que acha de outros teatros estarem sofrendo com a especulação imobiliária?
Eloisa Vitz – Não acho que seja a especulação imobiliária que está afetando outros teatros, ou pelo menos não só. Há outros fatores que afetam grupos de pesquisa teatral como o Grupo Gattu. Muitos grupos precisam do apoio do Fomento ao Teatro [programa de incentivo da Prefeitura de São Paulo] para manter suas sedes. A bilheteria não consegue mais manter o grupo. E aí ficamos em uma encruzilhada, porque poucos grupos são contemplados e muitos ficam de fora. O apoio governamental seria fundamental para dar continuidade à pesquisa teatral.

Miguel Arcanjo Prado – Por que o Gattu foi para a zona norte paulistana?
Eloisa Vitz – Primeiro, porque tenho uma relação afetiva com o bairro, sou de Santana, nasci lá e amo aquele bairro. Depois, achamos interessante descentralizar a opção de cultura e levar para a zona norte mais um polo teatral. E construímos o Teatro do Sol, que ficou lindo, e charmoso. E agora é mais um teatro para a cidade de São Paulo. Parece que temos esta missão de construir teatros [risos].

eloisa vitz eduardo enomoto 2 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz é formada pela Escola de Arte Dramática da USP e criou o Grupo Gattu - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Como é voltar à região onde você cresceu?
Eloisa Vitz – Você sabe que fomos tão bem recebidos, a região norte pareceu bastante receptiva com a nossa vinda. Fiquei lisonjeada pela acolhida. Este reencontro está sendo muito produtivo. Estamos criando laços com várias outras companhias que também estão na região.

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que o teatro precisa descentralizar e criar o hábito de frequentá-lo em outras regiões da cidade?
Eloisa Vitz – A cidade de São Paulo é enorme e temos um problema de mobilidade. Acreditamos ser de fundamental importância criar polos de Cultura em todas as regiões, garantindo acessibilidade à cultura de qualidade. Ainda mais que esta peça está com ingressos gratuitos. É lindo e apaixonante poder oferecer este espetáculo assim, totalmente sem empecilhos para a população e seguirmos com a nossa outra missão a de formação de plateia.

Miguel Arcanjo Prado – Como o público tem reagido?
Eloisa Vitz – O público está reagindo de forma fantástica ao espetáculo. As gargalhadas são nosso maior trunfo!

Miguel Arcanjo Prado – Como surgiu a ideia da peça; como foi o processo?
Eloisa Vitz – O processo da peça foi muito interessante. Eu estava destruída, devolvendo a casa, meus atores faziam a mudança e eu não conseguia ajudar a desmontar o teatro lá na rua dos Ingleses. Então, sentei no sofá no meio do caos e comecei a escrever a peça. Foi minha salvação! Depois, estávamos exaustos, eles de carregar refletores, tapetes, cenários e eu de escrever. Parávamos e eu lia as cenas para eles. Estava nascendo O Reino no meio do caos. Estávamos pesquisando a comédia. Depois dos quatro Nelson Rodrigues, queríamos estudar a comédia. Aí, eles me desafiaram a escrever. A princípio não tive coragem de assinar o texto e arranjei o pseudônimo Tito Sianini. Como Tito, fiz Frizante e Rapunzel. Com a peça Reino, tomei coragem e assino [risos].

reino grupo gattu Amanda Semerjion Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz, com a coroa, posa com o elenco de O Reino, nova peça do Gattu - Foto: Amanda Semerjion

Miguel Arcanjo Prado – Já estava na hora! Como é o enredo?
Eloisa Vitz – O Reino é uma comédia política que tem como mote a trajetória de uma rainha que faz de tudo para manter-se no poder. O humor é nossa maior arma. Não temos como mudar nada. Mas denunciamos. Apontamos.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi a seleção do elenco?
Eloisa Vitz – Somos um Grupo com repertório e atores que já trabalham comigo há muitos anos. Então, só escolho dentro do meu elenco, aquele que se encaixa melhor para o personagem.

Miguel Arcanjo Prado – Como o Gattu sobrevive há 14 anos?
Eloisa Vitz – Com paixão. Vivemos com paixão pelo teatro. Isso inclui muito trabalho, de seis a oito horas de ensaio por dia. E o desafio de captar recurso através de Leis de Incentivo Fiscal.

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que a Copa prejudicou o teatro?
Eloisa Vitz – Não. Eu acho a Copa maravilhosa para o Brasil. A questão com a Copa não é o evento em si, mas sim como os políticos aplicaram a verba pública. O que irrita é a corrupção. O desvio de verbas e o superfaturamento das obras. Poderia ser um evento maravilhoso, trazendo divisas, turismo e prosperidade para o País.

Miguel Arcanjo Prado – O Gattu faz também teatro infantil. Qual a importância disso na formação de público?
Eloisa Vitz – Antes não fazíamos, mas confesso que depois da Rapunzel, eu me apaixonei pelo teatro infantil. Amo estar na plateia e ouvir as gargalhadas das crianças! Acho que queremos mais e penso que fazer um teatro infantil de qualidade forma um público fiel ao teatro.

Miguel Arcanjo Prado – Quais são os projetos para 2014 do grupo? E para 2015?
Eloisa Vitz – Primeiro é ficarmos ricos [risos]. Depois, temos o projeto de uma longa temporada com o Reino e outra peça adulta para o segundo semestre, que já estamos ensaiando. Para 2015, um infantil sobre uma lenda brasileira e outra peça adulta!

Miguel Arcanjo Prado – Qual é a cara do teatro que o Gattu faz?
Eloisa Vitz – A excelência artística é a cara do Grupo Gattu. É nosso norte. Depois, temos o humor que nos acompanha sempre e certo ar despretensioso [risos].

eloisa vitz eduardo enomoto 3 Entrevista de Quinta: “Teatro precisa de apoio, só bilheteria não o mantém”, diz Eloisa Vitz, do Gattu

Eloisa Vitz: "O Grupo Gattu tem humor e certo ar despretensioso" - Foto: Eduardo Enomoto

Reino, com Grupo Gattu
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 20h. 75 min. Em cartaz por tempo indeterminado
Onde: Teatro do Sol (rua Damiana da Cunha, 413, Santana, São Paulo, tel. 0/xx/11 3091-2023)
Quanto: Grátis
Classificação etária: 14 anos

Conheça a trajetória de Eloisa Vitz

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