Posts com a tag "festival de curitiba"

festival de curitiba 1 erika zanatta Festival de Curitiba em 7 cliques de Erika Zanatta

Cena de teatro de rua no Festival de Curitiba 2013 - Foto: Erika Zanatta

Por Miguel Arcanjo Prado

O mês de abril chega ao fim. Ele foi marcado nos palcos pelo Festival de Curitiba, que reuniu mais 400 espetáculos na capital paranaense. O maior evento das artes cênicas do País deixou saudade em quem participou, seja no tablado ou na plateia. A fotógrafa paranaense Erika Zanatta acompanhou o evento com sua máquina sempre a postos e enviou para o blog sete imagens que marcaram o evento.

festival de curitiba erika zanatta Festival de Curitiba em 7 cliques de Erika Zanatta

Festival de Curitiba 2013 no olhar da fotógrafa Erika Zanatta

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emi hoshi DSC 5284 Crítica: Maravilhoso maltrata imagem do Rio de Janeiro com personagens caricatos

Os atores Paulo Verlings e Márcio Machado em cena do espetáculo Maravilhoso - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Foto de Emi Hoshi/Clix

Em 2012, o Teatro Inominável do Rio de Janeiro causou frisson na crítica teatral brasileira ao apresentar o espetáculo Sinfonia Sonho na mostra Fringe do Festival de Curitiba, com dramaturgia e direção do jovem Diogo Liberano.

A boa impressão foi tamanha que Liberano voltou em 2013 dentro da mostra oficial do maior evento das artes cênicas brasileiras, com um espetáculo de título ambicioso: Maravilhoso.

Com dramaturgia de Liberano e direção de Inez Viana, a montagem tenta ser uma espécie de antítese do Rio que é vendido nos comerciais e novelas da Globo.

Tal qual o cinema já fez com êxito, em longas como Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, Liberano expõe as mazelas de sua cidade de forma crua e, muitas vezes, ressentida.

emi hoshi DSC 5315 Crítica: Maravilhoso maltrata imagem do Rio de Janeiro com personagens caricatos

Cena de Maravilhoso no Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Emi Hoshi/Clix

O Rio que ele apresenta é turvo, soturno e mergulhado em corrupção. Um lugar praticamente impossível de se viver – daí a morte ser sempre algo à espreita – e bem diferente da alcunha de Cidade Maravilhosa.

Condizente com a proposta do texto, Luiz Henrique Sá criou um cenário frio e metálico, cheio de estruturas vazias. Assim, os bem cortados figurinos de Flávio de Souza ajudam a preencher de viço o palco, apesar da forte predominância do cinza, e a luz de Paulo César Medeiros inebria a tragédia na medida certa.

O enredo é uma tragédia que gira em torno de uma escola de samba às vésperas do Carnaval – nada mais carioca, basta lembrar-se de Orfeu Negro, de Tom e Vinicius.

Apesar da postura crítica em relação ao reducionismo que a propaganda faz do Rio, o espetáculo incorre no erro de transformar em caricaturas a maioria dos cinco personagens no palco: o inescrupuloso bicheiro gay que preside a escola (Marcio Machado), o amante “hétero” e capacho deste (Paulo Verlings), que larga a mulher religiosa (Carolina Pismel) pelo dinheiro do patrão. Ainda tem o jornalista Miguel, sempre com bloquinho e gravador a mãos e que sonha em denunciar a teia de corrupção (Felipe Abib) em seu jornal. Para completar, o repórter é ex-marido da rica fútil (Debora Lamm), filha de pai corrupto e que só quer usar sua influência e fortuna para ser destaque no mais imponente carro alegórico da escola.

Há momentos tensos e outros divertidos. A plateia, sempre necessitada de rir, chega a gargalhar em muitos deles, sobretudo naqueles que parecem extraídos do humorístico Zorra Total, protagonizados pelo bicheiro gay.

O elenco é irregular e faltou à direção pulso para conduzi-los a uma unidade harmoniosa. Enquanto Debora Lamm usa com dosagem precisa a veia cômica que tem, Marcio Machado constrói seu personagem gay pelo pior caminho: o do excesso de caricatura. O extremo é tamanho que expõe o ator e tira qualquer credibilidade de seu personagem, apesar de garantir a gargalhada na plateia mediana.

Paulo Verlings, por sua vez, vai bem como o protagonista comprado pelo dinheiro sujo, sabendo dosar seus rompantes de raiva com os momentos de introspecção. É quem mais se destaca. Percebe-se no ator real tentativa de construção inteligente de seu personagem. Ajuda o fato de seu personagem ser o melhor, o único com comportamento mais próximo do humano, onde reside o bem e o mal.

O jornalista aguerrido de Felipe Abib vai no que o texto pede – um personagem correto que sirva para mocinho da história. Carolina Pismel também faz a sofredora mocinha, que perde tudo para o mal até encontrar o grande amor no fim. Para estes dois, não há muito o que fazer a não ser seguir o script.

Há o acerto e a coragem na provocação que é bater nas estruturas de uma cidade que todos dizem continuar linda, mas Diogo Liberano escorrega em soluções fáceis. O jovem dramaturgo caiu na tentação de recorrer a fórmulas já vistas para resolver os problemas de seus personagens. O didatismo na reta final do espetáculo, por exemplo, menospreza a inteligência da plateia, quando se explica várias vezes por que o carro alegórico pegou fogo no meio do desfile. E a última cena parece saída do céu da novela A Viagem.

Apesar dos pesares, Maravilhoso cumpre ao que veio: cutucar a ferida de uma cidade que vende para o mundo um ideário eterno de felicidade, mesmo que por trás das fantasias coloridas haja lágrimas e sangue escorrendo. Mas, assim como a cidade onde se ambienta, Maravilhoso não é aquilo que se pinta.

Maravilhoso
Avaliação: Regular

emi hoshi DSC 5310 Crítica: Maravilhoso maltrata imagem do Rio de Janeiro com personagens caricatos

Maravilhoso bate na imagen do Rio, mas também escorrega na caricatura - Foto: Emi Hoshi/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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diario Baianos causam furor com amor gay em Curitiba

Inspirado em Jean Genet, o espetáculo baiano chamou a atenção dos curitibanos - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Ernesto Vasconcelos/Clix

Os baianos da Ateliê Voador Companhia de Teatro, com sede em Salvador, causaram furor nos dois últimos dias do Festival de Teatro de Curitiba.

Em tempos de polêmica pelo deputado Marcos Feliciano ocupar a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, eles  apresentaram a peça O Diário de Genet. A obra tem base no dramaturgo francês Jean Genet, que colocou em primeiro plano as relações homossexuais, antes relegadas ao submundo.

O diretor Djalma Thürler não fez por menos e encheu a peça de cenas homoeróticas, protagonizadas pelos atores Duda Woyda e Rafael Medrado, que exibiram o corpo em excelente forma.

Veja as imagens do espetáculo:

o diario de genet ernesto vasconcellos Baianos causam furor com amor gay em Curitiba

O Diário de Genet encerrou mostra oficial do Festival de Curitiba - Fotos: Ernesto Vasconcelos/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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gastronomix Após maratona nos palcos, Festival de Curitiba acaba com comida chique no Gastronomix

Público curitibano degustou comidinhas chiques debaixo de árvores frondosas - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Emi Hoshi/Clix

Depois de fazerem verdadeira maratona pelos palcos, com as mais de 400 peças do Festival de Teatro de Curitiba, os curitibanos mereciam um deleite. Nem que fosse só um gostinho.

Por isso, fizeram filas enormes para petiscar comidas produzidas por 13 renomados chefs de estabelecimentos da alta gastronomia do Paraná e do Brasil na quinta edição do Gastronomix, a feirinha de comida do festival.

Desta vez, o evento foi realizado neste sábado (6) e domingo (7) no Museu Oscar Niemeyer, aquele do olho. Na entrada, todos receberam talheres de madeira estilizados. Já com o prato à mão, rumavam para as mesas debaixos de árvores frondosas.

Entre as atrações, estavam o chef peruano Hajime Kasuga, o francês Erick Jacquin, além dos brasileiros André Generoso (Maceió), Zé Maria (Fernando de Noronha), Fred Trindade (Belo Horizonte) e Fábio Mattos (Joinvile).

De Curitiba, marcaram presença os chefs Marília Culpi (Azuki), Manu Buffara (Manu);  Fabiano Marcolini (Marcolini Alimentari); Daniela Caldeira (La Table Gastronomie);  Adriana de Nadai e Giuliano Hahn (Vindouro) ; Eduardo Sperandio (Ernesto Ristorante);  Délio Canabrava e Renata Ferian (Bella Banoffi).

O R7 provou algumas das misturas exóticas, como a massa com nozes e o biju de carne de porco com banana e queijo.

Os pratos tinham preço fixado a R$ 10. Mas ninguém pôde se fartar, porque as porções eram para degustação.

Então, tá.

gastromix 2 Após maratona nos palcos, Festival de Curitiba acaba com comida chique no Gastronomix

Talheres de madeira foram um dos charmes do evento no Museu Oscar Niemeyer - Foto: Emi Hoshi/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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gonzagao emi hoshi DSC 4659 Crítica: Cheio de Brasil, Gonzagão envolve público e faz brilhar Laila Garin e Adrén Alves em Curitiba

Com voz potente e carisma cênico, Adrén Alves conquistou a plateia - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

No meio da programação da mostra oficial, que trouxe poucos espetáculos que realmente mexeram com o público do Festival de Teatro de Curitiba, caso do sul coreano Pansori-Brecht, ver uma obra que envolve os espectadores é alentador.

Este é o caso de Gonzagão - A Lenda, musical dirigido por João Falcão com a história do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, cujo centenário foi celebrado em dezembro do ano passado.

Com um elenco afinado e coeso formado por nove atores-cantores e quatro músicos virtuosos, o espetáculo faz, com simplicidade e ar mambembe, um gostoso passeio por 30 canções do mestre pernambucano nascido em Exu (PE).

Apesar da unidade presente no elenco, dois atores ainda conseguem se destacar, por suas possibilidades vocais e artísticas.

gonzagao 2 emi hoshi DSC 4463 Crítica: Cheio de Brasil, Gonzagão envolve público e faz brilhar Laila Garin e Adrén Alves em Curitiba

Com voz suave e carisma, Laila Garin é a estrela do espetáculo - Foto: Emi Hoshi/Clix

A primeira é Laila Garin. Única mulher em cena, ela tem uma voz inacreditavelmente suave, além de presença e carisma que a faz desejada não só por todos os homens da trupe quanto por qualquer espectador com alguma libido.

O ator Adrén Alves também é outro que tem a mesma qualidade. Com uma aparência andrógina, reforçada pela direção, ele cabe tanto em papeis masculinos quanto femininos - e faz todos muito bem. O mesmo que Ney Matogrosso faz na música o garoto consegue fazer no palco teatral. Daí seu destaque inquestionável.

Se o cenário de Sergio Marimba não impressiona tanto - mas que seja dado o destaque para os adereços, como as sanfonas estilizadas -, o figurino assinado por Kika Lopes enche o tablado de cor e vida.

Apesar de a proposta de contar uma vida riquíssima, a encenação consegue agilidade, fazendo com que o público não desanime. As músicas bem executadas contribuem para o crescente interesse do espectador.

Outro acerto é a iluminação de Renato Machado, que dialoga o tempo todo com a dramaturgia, servindo para reforçar sentimentos que surgem, sejam de felicidade ou de tristeza. Duda Maia é responsável pela direção de movimento, e não coreografia, que fique bem claro. Se a dança fosse assumida em alguns momentos com maior profissionalismo e inventividade, o espetáculo ganharia muito mais.

Apresentado no gigante Teatro Positivo, o espetáculo deu aquela sensação de que seria um êxito retumbante se fosse levado para as ruas. Porque é uma obra com exagero de Brasil, do jeito que nosso povo gosta.

Gonzagão - A Lenda
Avaliação: Bom

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Emi Hoshi/Clix

O Festival de Teatro de Curitiba é feito de gente. Nos 13 dias do evento que termina neste domingo (7), circularam pela capital paranaense artistas, profissionais da imprensa e, claro, muito público. Afinal, a plateia estimada do evento é de 220 mil pessoas.

O R7 saiu perambulando pelo festival, na companhia da fotógrafa Emi Hoshi e selecionou dez imagens que ilustram a grande festa do teatro brasileiro. Veja aí:

emi hoshi DSC 5499 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

Os atores moçambicanos Mauro Bernardo (de roxo), Pedro Paulo (de preto) e George Cabral (de verde) representaram a África no Festival de Curitiba com o Grupo Cultural da Universidade São Tomás de Moçambique, em Maputo; eles amam o Brasil e sonham em participar de alguma novela da Record - Foto: Emi Hoshi/Clix

emi hoshi DSC 5468 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

Os atores do grupo Ateliê Voador, de Salvador (BA), Rafael Medrado, Gustavo Oliveira e Duda Woyda, olham a repercussão do Festival de Curitiba no mural da sala de imprensa - Foto: Emi Hoshi/Clix

emi hoshi DSC 5480 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

A atriz Rebeka Lucio (de amarelo), do espetáculo O Prisioneiro, do Grupo K'os, de Fortaleza (CE), aproveita a tarde livre para conferir o espetáculo lambe-lambe Espia Só, da Cia. Andante, com os atores Laércio Amaral e Jô Fornara, de Itajái (SC) - Foto: Emi Hoshi/Clix

emi hoshi DSC 5492 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

Professoras e estudantes da Epheta, escola especializada no ensino de surdos, prestigiam os espetáculos de rua do Fringe no Memorial de Curitiba - Foto: Emi Hoshi/Clix

emi hoshi DSC 5603 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

A produtora de espetáculos de rua do Fringe pelo segundo ano Jessica Quadros posa com sua filha, a pequena Lara Quadros, de sete meses e a bebê mais fofa de Curitiba- Foto: Emi Hoshi/Clix

emi hoshi DSC 5618 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

Os atores Vagner Araújo (à dir.) e Douglas Pinheiro (de azul), do grupo Mascárate Teatro, de Embu Guaçu (SP) aproveitam a tarde para tomar uma cervejinha e pensar novos projetos em uma mesa do centro histórico curitibano após apresentar o espetáculo Quarto de Empregada - Foto: Emi Hoshi/Clix

emi hoshi DSC 5642 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

A estudante de arquitetura da UFPR Thaís Andressa da Silva, de 18 anos, chamou a atenção do público do largo da Ordem por sua beleza e virou musa do evento - Foto: Emi Hoshi/Clix

emi hoshi DSC 5669 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

Tem um ingresso aí? Debora Cristina dos Santos, Raquel Francielle, Marisa Thomazzi e Vanessa Ricetti, do Movimento dos Sem Ingressos, batem ponto na porta do Memorial de Curitiba - Foto: Emi Hoshi/Clix

erika zanatta IMG 0685 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

A turma da comunicação do festival a postos: a assessora Giovana Neiva (de vestido estampado) e os fotógrafos Daniel Sorrentino (de branco), Daniel Isolani (de cinza) e Ana Cris Willerding (de preto), na sala de imprensa do festival - Foto: Erika Zanatta

emi hoshi DSC 5676 Um olhar sobre o Festival de Teatro de Curitiba: dez imagens do maior evento das artes cênicas do País

O palhaço Deivison Souza dá adeus ao Festival de Curitiba com aquele sorriso - Foto: Emi Hoshi/Clix

 

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emi hoshi DSC 5696 Mineiros levam Prazer ao Festival de Curitiba

Integrantes da Luna Lunera, os atores Marcelo Souza e Silva, Zé Walter Albinati, Isabela Paes e Odilon Esteves conversam com o R7 no Memorial de Curitiba; eles apresentam a peça Prazer - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Emi Hoshi/Clix

A Cia. Luna Lunera, de Belo Horizonte, estreia neste sábado (6), no Teatro Bom Jesus, o espetáculo Prazer, no Festival de Curitiba.

Os atores da trupe mineira já circulam pelo evento e posaram com exclusividade para o R7 no Memorial de Curitiba.

O espetáculo, codirigido por todos os integrantes, tem coordenação dramatúrgica de Jô Bilac, e conta a história do reencontro de quatro amigos. O ponto de partida foi a obra Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, da escritora Clarice Lispector.

Ainda integra o elenco o ator Cláudio Dias, que não participou do ensaio porque tinha ido tomar um café. Coisa mais mineira.

Ah, em 2008, a Luna Lunera foi o grande destaque do Festival de Curitiba, com o espetáculo Aqueles Dois.

emi hoshi DSC 5703 Mineiros levam Prazer ao Festival de Curitiba

Cinco anos depois do sucesso de Aqueles Dois no evento, a Cia. Luna Lunera, de Belo Horizonte, volta ao Festival de Teatro de Curitiba: Odilon Esteves, Isabela Paes, Zé Walter Albinati e Marcelo Souza e Silva - Foto: Emi Hoshi/Clix

 

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emi hoshi DSC 54791 Teatro Lambe Lambe conquista público do Festival de Curitiba com histórias intimistas e poéticas

A atriz Rebeka Lucio, de Fortaleza (CE), confere o Teatro Lambe-Lambe feito por Laércio Amaral e Jô Fornara com a Cia. Andante, de Itajái (SC), no Festival de Curitiba - Foto: Emi Hoshi/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Emi Hoshi/Clix

Uma caixinha escura com um ator de um lado e o único espectador do outro. A sessão exclusiva e cheia de poesia faz parte do Teatro Lambe-lambe, que encanta o público do Festival de Teatro de Curitiba no Memorial da cidade.

Não é para menos, debaixo do pano, o espectador vê o desenrolar de uma história sensível e única, na qual dedos e pequenos objetos sob domínio do ator-manipulador se transormam em histórias, com uma trilha que desenrola no fone de ouvido.

Duas trupes são responsáveis por trazer o estilo delicado de teatro ao festival: a Cia. Andante, de Itajaí (SC) e Cia. Dita Cuja, de Ribeirão Preto (SP). Eles instalaram seus aparatos no Memorial de Curitiba, onde há fila e distribuição de senhas para os interessados em viver a experiência artística.

O Teatro Lambe-Lambe ocupa um espaço cênico mínimo, no qual as mãos dos manipuladores-atores criam vida em um ambiente em miniatura, com espetáculos de curta duração. A linguagem surgiu no Brasil, na década de 1980, a partir da criação das bonequeiras baianas Ismine Lima e Denise dos Santos.

O nome vem dos antigos fotógrafos que ocupavam parques e praças do Brasil antigo. É que o aparato do teatro é semelhante às antigas máquinas fotográficas, com a tradicional cortininha.

Em meio a um cenário onde o teatro pirotécnico ganha força nas superproduções, é louvável ver uma iniciativa artística de tamanha simplicidade e dedicação exclusiva ao único espectador.

Quem ainda nunca viu precisa conhecer o quanto antes. Portanto, se vir uma dessas cabininhas em uma praça perto de você, tome assento, coloque os fones nos ouvidos, coloque a cabeça debaixo da cortininha e vire criança outra vez, mergulhando num mundo pura poesia.

Teatro Lambe-Lambe, com a Cia. Andante e Cia. A Ditacuja
Avaliação: Ótimo

emi hoshi DSC 5474 Teatro Lambe Lambe conquista público do Festival de Curitiba com histórias intimistas e poéticas

Espectadora assiste a histórias intimistas nas pequenas câmaras do Teatro Lambe-Lambe da Cia. Andante, sucesso de público no Fringe do Festival de Curitiba - Foto: Emi Hoshi/Clix

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leandro knopfholz daniel sorrentino Festival de Curitiba leva 220 mil ao teatro; diretor Leandro Knopfholz aposta em coprodução

O empresário e produtor cultural curitibano Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba: ele está em busca de parceiros - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Daniel Sorrentino/Clix

Chega ao fim neste domingo (7) a 22ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, o maior evento das artes cênicas do Brasil. Foram 13 dias nos quais 406 espetáculos foram apresentados em 67 espaços curitibanos. O público estimado é de 220 mil pessoas, o que equivale a três estádios do Morumbi lotados.

O Festival de Teatro de Curitiba tem orçamento de R$ 6,5 milhões – 80% vindo de patrocínio e 20% da bilheteria da mostra principal –, segundo a organização. Neste ano, foram 32 espetáculos na mostra principal e 374 no Fringe, a mostra paralela. É o dobro do que o evento tinha em 2008, com 18 peças na mostra oficial e 170 no Fringe, ano em que Leandro Knopfholz voltou a dirigir o festival que criou “por conta de não ter nada para fazer durante uma greve na Universidade Federal do Paraná”, segundo o próprio.

– A gente acerta mais que erra. Por isso o Festival de Teatro de Curitiba continua. Chego contente ao fim. A cidade se envolveu e esta edição mostrou que estamos no caminho certo de coproduzir. Neste ano, foram quatro coproduções.

Segundo Knopfholz, já há conversas em andamento de parcerias com nomes como o Teatro Alfa, de São Paulo, e o Sesc de São Paulo e do Rio de Janeiro. Quatro produções internacionais já estão sendo negociadas para 2014.

viuva magiluth sergio silvestri Festival de Curitiba leva 220 mil ao teatro; diretor Leandro Knopfholz aposta em coprodução

Grupo Magiluth se destacou no Fringe com deboche em Viúva, porém Honesta - Foto: Sergio Silvestri/Clix

Mostras dentro do festival

Uma corrente que ganha força no Festival de Teatro de Curitiba são as mostras dentro do Fringe, que apresentam produções de Estados brasileiros. Neste ano, além da Mostra Teatro para Ver de Perto, com grupos de Belo Horizonte, e as mostras curitibanas Coletivo de Pequenos Conteúdos e Novos Repertórios, estreou em 2013 a Mostra Baiana, com obras da Bahia que viajaram a Curitiba com apoio do governo baiano por meio da Secretaria de Estado da Cultura da Bahia e da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Sobre a mistura de teatro para todos os gostos e qualidades no Fringe, Knopfholz diz que é aberto a todos, menos a espetáculos religiosos: “Qualquer espetáculo é bem vindo, porque não queremos guerra de religião no festival”. Em 2013, houve tanto espetáculos pavorosos que não merecem nem serem citados quanto outros de grande qualidade, como Viúva, porém Honesta, do Grupo Magiluth, de Recife.

– Temos de conviver com variados interesses. O caminho é segmentar por propostas, para que todos atinjam seus objetivos. Mas também é preciso que os grupos teatrais saibam por que estão vindo para Curitiba.

O diretor enfatiza que a bilheteria do Fringe vai para os grupos e que outra meta do evento para 2014 é “dividir as contas” com outros organismos públicos ou privados que topem financiar espetáculos no evento, seja na mostra principal ou no Fringe.

Leandro Knopfholz diz que a relação com as companhias mudou ao longo da história do festival. Antes, segundo ele, os artistas vinham contentes, com “pagamento de cachê, hotel e alimentação”. Agora, “com o apoio que já tem de editais, para o cara sair de casa precisa escutar uma proposta que o faça revirar os olhos”.

– O bom é que o Festival de Curitiba tem um nome que faz com que o cara pelo menos atenda o telefone e nos escute.

leandro knopfholz daniel sorrentino 3 Festival de Curitiba leva 220 mil ao teatro; diretor Leandro Knopfholz aposta em coprodução

Leandro Knopfhoz já negocia quatro produções internacionais para 2014 - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Aprendizado com o erro

O problema da edição 2013 foi Homem Vertente, coprodução entre Brasil e Argentina que não conseguiu ficar pronta a tempo por problemas técnicos.

O público viu uma versão de 20 minutos de um espetáculo originalmente previsto para ter 50 minutos, e sem os números aéreos que prometiam ser o grande charme do espetáculo.

Tudo por conta de um motor que parou de funcionar na última terça, o que fez com que os argentinos desconfiassem dos outros motores também, preferindo não se arriscar.

Para Leandro Knopfholz, a situação serviu para aprendizado.

– Aprendemos que precisamos prestar mais atenção nos detalhes. Outro aprendizado foi a convivência e o choque cultural. Tínhamos uma obsessão em estrear. Envolveu gente, emoção, mas faltou a razão. Estávamos tão a fim que faltou a gente perguntar a nós mesmos: ‘será que vai dar tempo?’

coreana ernesto vasconcelos Festival de Curitiba leva 220 mil ao teatro; diretor Leandro Knopfholz aposta em coprodução

A sul-coreana JaRam Lee: estrela maior do Festival de Teatro de Curitiba de 2013 - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Coreana estrela

Sobre as estreias que não geraram o impacto esperado na crítica e no público, o diretor diz “que é um risco que a gente sempre corre”.

– O Festival e a curadoria fazem apostas. Não tenho a pretensão de fazer 30 espetáculos inesquecíveis. Queremos que seja um retrato do teatro brasileiro, que tem peças inesquecíveis e também aqueles esquecíveis.

Em tempos de possível guerra incitada pela Coreia do Norte, Knopfholz aponta como grande êxito a produção coreana Pansori Brecht que, apesar das duas horas e meia de duração, causou furor entre crítica e público com o ótimo desempenho da atriz sul-coreana JaRam Lee, que arrebatou a plateia com música e show de interpretação, dando conta de todos os personagens de Mãe Coragem, de Brecht.

– Foi um espetáculo impactante que coroou a iniciativa de fazer esta aposta em uma produção desconhecida do grande público. Quem não saiu nos 30 primeiros minutos adorou.

Questionado como dá conta de fazer o maior festival de teatro do Brasil, Leandro Knopfholz foi bem sincero.

– Lido com gente. Então, dá vontade de xingar, de pular da janela. Tem pressão para todos os lados: patrocinador, imprensa, público, redes sociais. Muitas vezes as relações de trabalho se misturam com as relações pessoais. Mas acho que o sorriso estampado na equipe do Festival de Teatro de Curitiba mostra que conseguimos mais uma vez.

leandro knopfholz daniel sorrentino 2 Festival de Curitiba leva 220 mil ao teatro; diretor Leandro Knopfholz aposta em coprodução

Diretor do evento, Leandro Knopfholz brinca com o material gráfico do Festival de Teatro de Curitiba: "Lido com gente, então tem pressão para todos os lados" - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

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 Atriz premiada, Patricia Cipriano vira bilheteira de mineiros no Festival de Curitiba

Atriz premiada no Paraná abandona o glamour para virar bilheteira no Festival de Curitiba - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

Fotos de Daniel Sorrentino/Clix

Quem pensa que é fácil a vida de uma atriz está redondamente enganado. Não é só palco e glamour.

Que o diga Patrícia Cipriano. Nascida em Lorena (SP) e moradora há nove anos de Curitiba, ela é ganhadora do Troféu Gralha Azul de melhor atriz em 2012, o grande prêmio do teatro paranaense, por seu trabalho na peça Ruim, da Cia. Bife Seco.

Apesar da honraria, a artista pode ser vista no Festival de Curitiba em um lugar nada glamouroso.

Ela dá expediente todos os dias na bilheteria do Teatro Novelas Curitibanas, onde funciona a mostra Teatro para Ver de Perto, com obras de Minas Gerais.

Mas ela não reclama. Artista residente da Casa Selvática, diz ao R7 que buscou conhecer também este lado sem holofote de sua profissão.

- Eu nunca tinha feito produção e quis ter esta experiência no festival. Eu só queria que fosse com os mineiros. É que rola uma amor de Curitiba com Minas, sabe? Adoro mineiro.

Uai, a gente sabe e acha bom demais da conta, sô.

 Atriz premiada, Patricia Cipriano vira bilheteira de mineiros no Festival de Curitiba

Patrícia Cipriano ganhou o Troféu Gralha Azul de melhor atriz em 2012 - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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