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Camille OSullivan in The Rape of Lucrece Photo by Keith Pattison Crítica: Inglesa brada contra estupro em The Rape of Lucrece no Festival de Curitiba

Dor que não vai: Camille O'Sullivan em The Rape of Lucrece: estrela no Festival de Curitiba - Foto: Keith Pattison

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*

Uma plateia concentrada quase por total, não fosse a espectadora que resolveu levar um bebê de meses à obra e precisou sair às pressas por conta do choro infantil, assistiu, emocionada, à atriz e cantora inglesa Camille O'Sulivan bradar contra o estupro.

Acompanhada de um virtuoso pianista, ela protagonizou a obra musical-dramática The Rape of Lucrece (O Estupro de Lucrécia), atração internacional mais esperada do Festival de Teatro de Curitiba, apresentada no Teatro da Reitoria nos últimos dias 4 e 5 de abril.

O tema, tão delicado e necessário de ser tocado, está mais do que atual por aqui. Já que o Brasil contemporâneo, apesar da revolução feminista e da posição da mulher no mercado de trabalho, ainda escancara um machismo retrógrado. Pensamento que permite que um quarto da população admita em pensar que uma mulher "merece ser atacada" por conta das roupas que veste.

THE RAPE OF LUCRECE 02 Camille OSullivan Credito Keith Pattison bxa Crítica: Inglesa brada contra estupro em The Rape of Lucrece no Festival de Curitiba

Atriz interpreta vítima e seu algoz - Foto: Keith Pattison

Mas, quem pensa que o espetáculo é fruto de uma dramaturgia contemporânea se engana. A peça é baseada em um poema escrito em 1594 por William Shakespeare (1564-1616), adaptada por Elizabeth Frestone, a diretora, Feargal Murray, o pianista em cena, e Camille O'Sullivan, a grande estrela, em uma realização da Royal Shakespeare Company, de Londres.

O cenário é mínimo, mas iluminado com sensibilidade: apenas grandes quadros pendurados, o piano ao canto do palco e, ao redor, pilhas de papeis manuscritos que remetem à feitura da obra.

Nele, Camille dona de belíssima voz que será arranhada aos poucos pelo sofrimento de sua personagem, Lucrece, também dá vida de forma impressionante a seu algoz, Tarquin, que a estupra a mulher do oficial romano Collatine no meio da noite, tirando para todo o sempre sua vontade de viver.

A atriz consegue construir a dor da violação da qual sua personagem é vítima, explicitando a vergonha, o nojo, a culpa e a perda da dignidade da vítima, para sempre maculada por seu algoz. Em seu grito de dor está presente a dor de toda mulher maltratada pela força bruta de um homem, seja por meio de atos violentos físicos ou verbais. Ela representa a fragilidade feminina dilacerada.

A encenação cria uma situação comovedora de intimidade entre artista e público. O fato de a atriz estar ali, praticamente sozinha no palco, acompanhada apenas de sua música, faz com que a plateia tenha vontade de acalentá-la e livrá-la daquele sofrimento. Sofrimento este que, de fato, nenhuma mulher merece.

The Rape of Lucrece
Avaliação: Muito bom
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Inglesa brada contra estupro em The Rape of Lucrece no Festival de Curitiba

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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jim 3 Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

Eriberto Leão em Jim: ele não vive Jim Morrison, mas um fã - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de ANNELIZE TOZETTO/Clix

Jim Morrison, que morreu em uma banheira em 1971 sob suspeita de overdose de heroína aos 27 anos, foi um dos maiores nomes do rock mundial. Autêntico, criou com sua banda, The Doors, um estilo musical que seria fartamente copiado nos anos vindouros.

Ícone da geração jovem da década de 1960, ele mergulhou fundo nas drogas em busca do autoconhecimento, reforçado no discurso psicodélico que bebia na fonte da geração beat e em nomes como Rimbaud e Nietzche.

Quem vai à peça Jim — protagonizada por Eriberto Leão, rosto conhecido da TV — à espera de um show cover do The Doors não se decepciona de todo. Na sessão da obra no Festival de Teatro de Curitiba, boa parte da plateia estampava camisetas do grupo de rock californiano. Muitos pareciam ávidos por ver Jim Morrison ressurreto no palco.

Festival de Curitiba 2014 teve público de 230 mil pessoas

Na sessão da última quarta (2), no Teatro Guairão, Leão se esforçou para cantar os 11 hits do repertório, mesmo com uma evidente rouquidão. Pelos fartos aplausos ao fim, a peça agradou aos fãs da banda neste quesito. Destaque para o grupo de músicos no palco, os excelentes roqueiros Zé Luiz Zambianchi, no teclado, Felipe Brandão, na guitarra, e Rorato, na bateria. Certamente, os melhores em cena.

Contudo, quem foi à espera da parte "teatro" da obra, divulgada também como um drama, logo percebeu que não havia consistência para tanto. Primeiro, porque a peça não é biográfica e não aposta no que teria de melhor para contar: a vida de Jim Morrison. Vai por caminho oposto. Apenas usa o cantor de pretexto para contar a história de João Motta, um insosso fã do The Doors interpretado por Leão. Um homem descrente, cansado de fracassos e à beira de acabar com a própria vida. O enredo até poderia tornar-se algo interessante, mas, a dramaturgia de Walter Daguerre nada mais é do que um compilado de citações.

jim 4 Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

Eriberto Leão e Renata Guida: par no palco em meio à música do The Doors - Foto: Annelize Tozetto/Clix

A direção de Paulo de Moraes opta em um protagonista que diz frases em um mesmo tom monocórdico. O mesmo ocorre com Renata Guida, que surge no meio da peça como um  par etéreo do protagonista. A obra poderia ser um pouco mais interessante se os atores demonstrassem na atuação serem atravessados pelo que dizem. A sensação é de automatismo.

Por mais que os personagens possam estar mergulhados em uma viagem letárgica, é enfadonho para o público a falta de peso diferenciado para frases distintas.

jim 2 Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

Eriberto Leão canta 11 hits do The Doors - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Assim como acontece durante os números musicais, a luz de Maneco Quinderé também alivia a mesmice textual, já que dialoga com os momentos soturnos do personagem e propõe novas nuances.

Apesar dos percalços, é perceptível a entrega de Eriberto Leão ao projeto. Fã confesso de Jim Morrison, ele parece usar a obra como forma de catapultar um discurso estagnado em sua garganta.

Ao fim dos aplausos na sessão vista pelo R7, o ator deixou isso evidente ao fazer um discurso politizado, no qual bradou: "Ano de Copa é o caralho. É ano de eleições". Pelo jeito, o mergulho na obra do The Doors serviu para inquietar o artista.

É evidente que, sobretudo pelo forte apelo emocional, Jim agrada aos fãs do ídolo homenageado. Contudo, a dependência afetiva, que habita o inconsciente coletivo dos fãs, não permite que se manifeste um discernimento sobre a qualidade artística do espetáculo em sua totalidade.

Tal fenômeno também está presente nas plateias de musicais biográficos recentes de ídolos brasileiros.

Mas, fato é, que, como espetáculo teatral, Jim, assim como alguns outros, ainda tem largo caminho a percorrer.

jim 1 Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

Eriberto Leão, em Jim: fãs curtem show-homenagem; mas falta teatro - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Jim
Avaliação: Regular
Avalicacao Regular R7 Teatro PQ Crítica: Verborragia tira força de peça homenagem a Jim Morrison com Eriberto Leão em Curitiba

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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curitiba 11 otempoefluidoaqui jorge mariano Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Jovens atores ocuparam o palco na peça O Tempo É Fluido Aqui - Foto: Jorge Mariano/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*

O Fringe é a mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba, que chega ao fim neste domingo (6), após 13 dias de festa teatral na capital paranaense e público total de 230 mil pessoas no maior evento das artes cênicas do Brasil. Destacar-se em meio a mais de 400 peças é tarefa difícil. O Atores & Bastidores do R7 reuniu algumas imagens de montagens que marcaram o evento com sua proposta de diversidade, como a obra curitibana O Tempo É Fluido Aqui (foto acima), dirigida e escrita por Alexandre Bonin, que reuniu jovem elenco para discutir as escolhas de cada um.

Veja, abaixo, outras peças que deram seu recado no Fringe:

curitiba 1 jorge mariano whiskyehamburguer Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Patricia Vilela e Mario Bortolotto em Whisky e Hamburguer - Foto: Jorge Mariano/Clix

Dramaturgo reconhecido, Mario Bortolotto estreou no Festival de Teatro de Curitiba seu novo drama, Whisky e Hamburguer, no qual contracenou com Patricia Vilela. A obra conta a história de um homem abandonado pela mulher, que mergulha na depressão até receber a visita de uma amiga.

curitiba 2 resta um jorge mariano Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Resta 1 foi a a posta da Cia. Antropofocus no Festival de Curitiba 2014 - Foto: Jorge Mariano/Clix

E no Fringe não faltou espaço para comédia. A peça Resta 1, da Antropofocus, de Curitiba, reuniu um verdadeiro time de improvisadores no palco. Com direção de Andrei Moscheto, a obra divertiu o público do Teatro Regina Vogue.

curitiba 3 sobreatosepalavras annelize tozetto1 Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Mineiros se inspiraram em Goethe para criar Sobre Atos e Palavras - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Vindos de Belo Horizonte, os artistas da Cia. Exposta de Teatro apresentaram a peça Sobre Atos e Palavras. Em cena, um embate entre um escritor e um advogado inspirado no livro Fausto, de Goethe. Com direção de Mariana Bizzotto, a obra foi encenada por Bia Rodrigues, Thiago Di Nazaré e Marco Fugga.

curitiba 4 nordeste pra frente lina sumizono Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

A turma do grupo Bando do Padim Vô, de Camaçari (BA), mostrou a força nordestina no palco - Foto: Lina Sumizono/Clix

O Fringe também guardou lugar para as tradições nordestinas. O espetáculo Nordeste pra Frente, do Bando do Padim Vô, de Camaçari, na Bahia, levou o ritmo de sua terra para o palco do Solar do Barão. O público vibrou com o musical composto de cordéis dos nove Estados da região mais alegre do País. A direção é de Enoque Norberto.

curitiba 5 e toda vez que ela passa susan sampaio Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

João Butoh dirigiu atores da melhor idade em E Toda Vez que Ela Passa Vai Levando Qualquer coisa Minha - Foto: Susan Sampaio/Clix

E houve espaço também para atores da melhor idade. A peça E Toda Vez que Ela Passa Vai Levando Qualquer Coisa Minha, dirigida por João Butoh com artistas da cidade paulista de São Simão, comoveu os curitibanos com seus fantasmas andando pelo centro histórico.

curitiba 6 o testamento do cangaceiro lina sumizono Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Vindo de Catanduva (SP), espetáculo O Testamento do Cangaceiro agradou quem assistiu à obra no centro curitibano - Foto: Lina Sumizono/Clix

A força do cangaço brasileiro invadiu as ruas do centro curitibano com a peça O Testamento do Cangaceiro, da Cia. Dell'arte, de Catanduva, no interior de São Paulo. Contaram a história de Cearin, um moço nordestino que tenta a sorte na cidade grande. O povo aplaudiu.

curitiba 7 oqueequeobaianotem daniel isolani Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Força e charme do povo da Bahia povoaram a peça O Que É Que Esse Baiano Tem?, do grupo Teatral Aslucianas, do Rio - Foto: Daniel Isolani/Clix

Quem viu a apresentação da peça O Que É Que Esse Baiano Tem? poderia imaginar que o grupo era de Salvador. Grande engano, a montagem é carioquíssima. Na verdade, é uma homenagem à Bahia feita pelo Grupo Teatral Aslucianas, do Rio, embalada pelas canções de Dorival Caymmi, que completaria 100 anos em 2014. Belo presente.

curitiba 8 para poe humberto araujo Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Thiago Inácio em cena de Para Poe, da Cia. Transitória, de Curitiba - Foto: Humberto Araújo/Clix

A turma da Cia. Transitória manteve sua presença forte na mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos, no TUC (Teatro Universitário de Curitiba), dentro do Fringe. Uma das obras apresentadas foi Para Poe, com um ser exótico com dramas existenciais vindos direto da década de 1980. Surreal.

curitiba 9 inquilibrio ester gehlen Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Adriano Brandão, de Cascavel, interior do Paraná dá o grito que o transforma no palhaço Tupisco Papipaquígrafo - Foto: Ester Gehlen/Clix

O palhaço também foi para a rua durante o Festival de Teatro de Curitiba. Neste caso, vindo diretamente de Cascavel, no interior do Paraná. Seu nome? Tupisco Papipaquígrafo, criação do artista Adriano Brandão, que conclamou o público a usar a imaginação em Inquilíbrio. Coisa boa.

curitiba 10 mercedez com z jorge mariano Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Comédia do Distrito Federal foi representada com Mercedes com Z - Foto: Jorge Mariano/Clix

Os brasilienses não poderiam ficar de fora do Fringe. A trupe Os Melhores do Mundo levou sua peça Mercedes com Z, dirigida por Adriana Nunes. Com um cenário digno de Almodóvar, contou as mazelas de uma simples dona de casa. Com direito a muito riso e também emoção.

curitiba 12 ohomemqueacreditava susan sampaio Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Vindo de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, monólogo O Homem que Acreditava homenageou o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu - Foto: Susan Sampaio/Clix

E houve direito também a homenagem literária no Festival de Teatro de Curitiba, 2014. O monólogo O Homem que Acreditava lembrou a obra de Caio Fernando Abreu no Fringe, no Teatro Mini-Guaíra. Marcio Meneghell, do Núcleo Rindo à Toa, subiu ao palco dirigido por Edson Bueno. Comoveu a plateia.

curitiba 13 oolhardeneuza lina sumizono Veja destaques do Fringe no Festival de Curitiba

Fabiana Ferreira assumiu o palco com o monólogo O Olhar de Neuza - Foto: Lina Sumizono/Clix

E entre os monólogos do Fringe esteve O Olhar de Neuza, sobre as agruras de uma mulher na menopausa. A peça da Cia do Abração, de Curitiba, integrou a Mostra Internacional de Solos do evento.Fabiana Ferreira assumiu a personagem-título, sob direção de Letícia Guimarães. Mostrou que é preciso se redescobrir.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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protesto eduardo enomoto2 Protestos viram comédia musical Geração dos 20 Centavos no Festival de Teatro de Curitiba

Protesto em junho de 2013 no largo da Batata, em SP - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Foto EDUARDO ENOMOTO

Os protestos que movimentam o Brasil desde junho de 2013 já chegaram ao palco. E no Festival de Teatro de Curitiba ganharam um representante no Fringe, a mostra paralela do maior evento teatral do País. Trata-se da peça Geração 20 Centavos, do Apolo Grupo de Teatro, de Mauá, na Grande São Paulo.

A peça, que estreia nesta sexta no auditório dos Correios, na capital paranaense, conta a história de Jojo Metralha, um cantor alienado que se vê, de uma hora para a outra, sob a acusação de ser um líder revolucionário.

O produtor do grupo, Felipe Rodrigues, conta que os artistas foram às marchas.

Festival de Curitiba 2014 teve público de 230 mil pessoas

– Estivemos presentes no movimento contra o aumento dos transportes públicos. Nossa peça é uma crítica às pessoas que não fazem nada e só ficam em casa, atrás do computador, falando mal dos outros.

A obra é uma comédia musical, com músicas e direção de Caio Evangelista. Estreia no dia 11 de abril no Teatro Municipal de Mauá. Já no dia 24 de abril inicia temporada no Teatro do Ator, na praça Roosevelt, no centro de São Paulo.

Rodrigues diz que o grupo “não é de direita nem de esquerda”. Muito pelo contrário.

– Estamos negando este sistema político. Mas não vamos levantar bandeiras de partidos.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9566 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Interpretadas por elenco masculino, professoras conquistam Festival de Curitiba - Foto: Lina Sumizono/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de LINA SUMIZONO/Clix

Se num passado distante algumas escolas públicas brasileiras chegaram a ser exemplos de ensino de qualidade, hoje o ensino público virou sinônimo de completo descaso e caos. Uma verdadeira balbúrdia na qual professores mal remunerados precisam enfrentar, sozinhos e desamparados pelas autoridades, o nível abissal da educação de um País que, ironicamente, teve um Paulo Freire.

A Cia. dos Atores, do Rio de Janeiro, expõe esta dura realidade de forma inventiva, mas também ferina, na peça Conselho de Classe, apresentada no Sesc da Esquina, dentro da programação da mostra oficial do 23º Festival de Teatro de Curitiba. A obra é exemplo do melhor teatro possível. Aquele que revela e questiona sua sociedade.

Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9568 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Perfis diferentes de professoras duelam entre si na peça - Foto: Lina Sumizono/Clix

Com humor refinado e discurso perspicaz, a dramaturgia de Jô Bilac consegue agarrar a plateia para dentro da história. A identificação com aquele cenário de escola pública no palco é imediata, sobretudo para quem estudou a vida inteira em instituições de ensino municipais, estaduais ou federais - como é o caso deste vosso crítico teatral.

As diretoras Bel Garcia e Susana Ribeiro imprimem ritmo intenso e inteligente à encenação e conseguem levar o público para a convenção proposta. Esta mostra um grupo de professoras, todas interpretadas por atores homens, em um conselho de classe de fim de ano improvisado - já que a maioria sequer apareceu e preferiu ir à praia, culpa do verão infernal carioca, que também serve de metáfora para a panela de pressão prestes a explodir que é a própria escola.

As educadoras precisam resolver uma crise política na qual a instituição está mergulhada, após uma revolta dos alunos insuflada por uma das docentes. Um diretor provisório (um intenso Paulo Verlings), enviado pela Secretaria de Educação, precisa acalmar os ânimos naquela quadra que mais parece um campo onde a guerra fria de tempos atrás se tornou peleja real, com quase mortos e feridos.

Em sintonia, Cesar Augusto, Leonardo Netto, Marcelo Olinto e Thierry Trémouroux dão vida às professoras. Cada qual faz uma construção minuciosa de sua personagem. Todas facilmente parte da realidade de qualquer escola pública brasileira.

Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9545 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Conselho de Classe presta serviço ao País ao lançar uma discussão social importante - Foto: Lina Sumizono/Clix

Está lá a professora que as décadas de magistério tiraram da sala de aula e a colocaram na biblioteca, mas que resiste bravamente em ser descartada. Também está presente aquela mais preocupada em vender seus cosméticos e bugigangas às colegas do que com o ensino. Ainda há lugar para a cética professora de educação física com leves pitadas de tirania, defensora da ordem acima de tudo e sabedora das artimanhas legais para defender sua mediocridade. E, claro, existe, acuada, a professora de artes idealista que acaba por perceber que a realidade é bem mais complexa do que lhe ensinou a cartilha da universidade.

Em Conselho de Classe, a Cia. dos Atores presta um serviço importante ao País ao levar para o holofote do palco do maior festival teatral brasileiro uma discussão que poucos gostam de fazer, sobretudo os governantes: o abismo no qual está mergulhada a educação pública brasileira, sobretudo as de níveis fundamental e médio.

Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9564 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Cena de Conselho de Classe: calor infernal do Rio serve de metáfora - Foto: Lina Sumizono/Clix

Ao ver a peça, que consegue a proeza de ser leve e bem-humorada ao mesmo tempo em que é inteligentíssima em sua confrontação, o público ri de nervoso, porque está também tão descrente quanto aquelas professoras no palco.

E o que esperar de um País onde todos - população e governantes - já deram como vencida a guerra por uma educação de qualidade no ensino público. É a pergunta que fica no ar, com sabor amargo.

O que o grupo de artistas da Cia. dos Atores faz é dar um grito artístico que esfrega na cara da sociedade o mal que a resignação faz. Com mediocridade e olho para o próprio umbigo, nenhuma mudança se faz.

Conselho de Classe deveria ser vista por todos os educadores e gestores de educação do País e, mais ainda, pelos políticos corruptos que costumam roubar até a verba da merenda escolar, empurrando a nossa educação ainda mais para o fosso que parece sem fundo.

Mostra Conselhodeclasse foto LinaSumizono 2W2A9575 Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

Trabalho potente da Cia. dos Atores, do Rio, Conselho de Classe mostra o buraco sem fundo no qual nossa educação pública está mergulhada - Foto: Lina Sumizono/Clix

Conselho de Classe
Avaliação: Muito bom
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Conselho de Classe arrebata Festival de Curitiba com olhar sobre caos do ensino público

 

 

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.


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jose wilker globo José Wilker é homenageado no Festival de Curitiba

Homenagem no Festival de Teatro de Curitiba, o maior do Brasil, ao ator José Wilker (1941-2014): um ator com conteúdo teatral que virou galã da TV

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*

O ator José Wilker, que morreu de infarto aos 66 anos neste sábado (5), será homenageado no Festival de Teatro de Curitiba.

Artistas de peças do Festival pretendem pedir um minuto de silêncio e também um forte aplauso a Wilker nas últimas apresentações do Festival, que termina neste domingo (6), com público de 230 mil pessoas em 13 dias de festa do teatro na capital paranaense. Afinal, Wilker começou nos palcos, onde foi ator engajado e depois virou galã da televisão.

Os atores Reynaldo Ginaecchini, Simone Zucatto e Maria Fernanda Cândido, que apresentam a peça A Toca do Coelho no Teatro Guairão às 21h deste sábado, pretendem homenagear o colega. Pouco antes de ir para o teatro, Giane afirmou ao R7 que gostava muito de Wilker.

- Fiquei surpreso quando soube da morte dele. É uma grande tristeza. O José Wilker era um artista admirável, tanto no seu trabalho como ator quanto à sua trajetória de vida.

Maria Fernanda Cândido também lamentou a perda do ator e diretor, que esteve também com peças em Curitiba em 2009 e em 2012.

- Estive junto com ele várias vezes, e o José Wilker sempre foi muito querido comigo. A sua morte foi algo inesperado, que pegou todo mundo de surpresa. O Brasil perde um grande artista, um grande homem que fazia diferença na cena cultural brasileira. Ele deixou uma linda história não só na TV como também no teatro e no cinema.

Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Teatro de Curitiba, disse que “Wilker era amigo do Festival”. E lembrou de sua participação no evento em 2012, dirigindo Palácio do Fim, e como ator em 2009, com uma peça dirigida por Jô Soares.

– Quando ele fez a peça A Cabra ou Quem É Sylvia, o cenário atrasou e só conseguimos montá-lo 30 minutos antes de a sessão começar. E ele foi de um profissionalismo incrível. Além disso, no começo da carreira dele, ele fez uma peça com a minha mãe [a atriz Ester Troib Knopfholz]. Que pena. É uma grande perda para o Brasil.

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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ERN 3551 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Ator brinca com espectador no Risorama, o espetáculo mais visto, com público de 12 mil pessoas no Festival de Teatro de Curitiba 2014 - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de ERNESTO VASCONCELOS/Clix

O Festival de Teatro de Curitiba, que termina nesta domingo (6), conseguiu levar 230 mil pessoas ao teatro em 13 dias. O número, que faz dele o maior do País, foi divulgado pelo diretor do evento, Leandro Knopfholz, em conversa com o Atores & Bastidores do R7. Segundo ele, foram 160 mil ingressos vendidos. Dos quase 500 espetáculos na programação, 71 tiveram entradas gratuitas.

Knopfholz conta que a 23ª edição manteve o foco em “ser um panorama do teatro brasileiro” e também do mundial, já que teve cinco espetáculos estrangeiros – número que ele pretende manter ou ampliar em 2015, sem prejudicar o teatro brasileiro.

ERN 4853 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Leandro Knopfholz: "Festival de Curitiba é panorama nacional e mundial" - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

– Quando voltei a dirigir o Festival, em 2008, eram 18 peças na Mostra Oficial. Hoje, não consigo fazer com menos do que 30.

No caso de peças internacionais, a negociação demanda mais tempo e ainda é preciso pensar questões logísticas, como contratos de trabalho internacional e produção local de cenário em muitas das ocasiões.

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Mais de 1.000 sessões

No Fringe, a mostra paralela para a qual “vem quem quer” segundo o diretor, contou com novidades, como a Mostra ES em Cena, com artistas capixadas. Em contraposição, a mostra com artistas de Minas Gerais deixou de existir. “Eles conseguiram patrocínio de última hora, quando a programação já estava fechada”, diz Knopfholz.

De acordo com o diretor, foram apenas 5% de peças canceladas no Fringe, em um universo de mais de 400 espetáculos. “Tivemos mais de 1.000 sessões”, diz.

Acidente com ator na abertura

Leandro Knopfholz também comentou, a pedido do R7, o acidente que marcou a abertura do evento, no dia 25 de março. Uma pesada peça de gesso se desprendeu do teto e atingiu a cabeça do ator gaúcho Fagner Zadra, que segue internado em um hospital curitibano.

fagner zada 200x300 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

O ator gaúcho Fagner Zadra permanece internado: "Ele terá recuperação total", diz diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz - Foto: Divulgação

O jovem de 30 anos, que integra o grupo de humor Tesão Piá, sofreu fratura na cervical e, aos poucos, recupera a movimentação.

O diretor do Festival de Curitiba define o ocorrido como “uma infelicidade enorme”.

– Quando soube da gravidade da situação, procurei um amigo cirurgião que é referência nesta área, de quem sou padrinho de casamento, que se dispôs na hora a cuidar do Fagner. Foi tudo muito rápido. Ele foi operado, já saiu da UTI e o prognóstico é que ele vai ter recuperação total. A gente espera que em três meses ele já esteja bem melhor. Vamos dar todo apoio a ele até que ele esteja correndo de novo.

O Festival de Curitiba divulgou nota na qual afirma que “até o momento não tem como apontar com precisão que fatores desencadearam o ocorrido” e que “iniciou uma perícia na peça decorativa para identificar as causas do acidente”.

Knopfholz conta que o dia após o acidente “foi o mais difícil para todos do Festival de Curitiba”.

– Aos poucos, fomos levantando a cabeça, porque tínhamos de cumprir o compromisso firmado com o público, os artistas e a imprensa de realizar o Festival. Tenho de agradecer à ótima equipe que tenho, todos superprofissionais e proativos.

Ausência de Gerald Thomas

gerald thomas foto © Nil Caniné 5243 200x300 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Gerald Thomas não apareceu: "Ninguém tem porta fechada", diz diretor do Festival de Curitiba - Foto: Nil Caniné

Sobre o cancelamento da peça Entredentes do diretor Gerald Thomas, após esta ter sido confirmada e divulgada na programação, Leandro Knopfholz dá uma declaração franca.

– É um saco [a desistência de última hora de Thomas]. Já estavam contratados e com o dinheiro depositado. Aí vem e-mail falando que não vão conseguir estrear. Fazer o quê?

A reportagem perguntou se, por conta do ocorrido, Thomas ficará com as portas fechadas no maior festival teatral do Brasil. Eis a resposta de Knopfholz.

– Não. Ninguém tem porta fechada por aqui.

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Risorama ou Clube do Bolinha?

O Risorama, a mostra de stand-up que teve a 11ª edição neste ano, teve público de 12 mil pessoas. É o evento mais visto do Festival de Curitiba.

bibi nanypeople Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Nany People: após dez anos, ela fez falta no Risorama - Foto: Divulgação

Neste ano, após dez anos apresentando o evento idealizado pelo humorista curitibano Diogo Portugal, a atriz Nany People deixou a festa por não chegar a um acordo de contrato com o Festival. Foi de pronto substituída por Marcio Ballas.

Composto majoritariamente por homens, a reportagem quis saber se o Risorama não se tornou uma espécie de Clube do Bolinha. O diretor do Festival de Curitiba disse que “não tinha pensado nisso” e afirmou que “pode até ser...”. Mas revelou que, apesar de os homens dominarem o palco, a maioria do público do Risorama é feminina.

ERN 4177 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Cena da peça Hamlet na Máfia, do Fringe: espaço para todos - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Oficinas e bar do Festival

Questionado sobre mais espaço para oficinas e debates com artistas de renome que participam do evento, Knopfholz afirma que “este não é o principal objetivo do Festival”, mas diz que “adoraria receber uma proposta de alguma instituição de ensino neste sentido”.

Sobre existir um espaço de encontro informal para os artistas, público e a imprensa no Festival, Knopfholz afirmou que a Prefeitura de Curitiba proibiu venda de bebidas alcoólicas nos espaços públicos. Assim, o Bar do Festival que ficava no Memorial de Curitiba precisou ser desativado.

O diretor disse que também sente falta de um espaço assim, mas não sabe se ele vingaria. “Sobretudo à noite, as pessoas se dispersam muito”, avalia. Mas, promete estudar a ideia.

– O que a gente faz no Festival de Teatro de Curitiba é aproximar possibilidades.

ERN 4857 Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Curitiba: "Possibilidades" - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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o dia em que sam morreu foto juliana hilal1 Crítica: Armazém enfia dedo na crise político social

Otto Jr contracena com Jopa Moraes na peça do Armazém: a força do sistema é contestada pela utopia de aparência fraca; contradições presentes em O Dia em que Sam Morreu - Foto: Juliana Hilal/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Foto JULIANA HILAL/Clix

Os protestos que começaram em junho de 2013 desencadearam poucas mudanças políticas efetivas – fora o não aumento da tarifa de ônibus –, mas ainda reverberam nos palcos brasileiros.

O Armazém, um dos mais prestigiados grupos do País, oriundo de Londrina (PR) e radicado no Rio, levou ao Festival de Teatro de Curitiba 2014 a estreia nacional da peça O Dia em Que Sam Morreu no Teatro Guairinha. Nela, coloca o dedo na ferida político-social brasileira. E o faz com a sensibilidade do olhar poético que é identidade da trupe, e que não deixa de ser contundente.

O espetáculo aborda os bastidores de um hospital, onde pacientes são salvos pelo dinheiro que têm, e onde reina um cirurgião inescrupuloso, dominando a todos com sua arrogância e capacidade de jogo.

Otto Jr. assume o papel cheio de potência e força bruta, uma espécie de macho alfa que paira no ar até ser contestado por um jovem enfermeiro idealista, personagem de Jopa Moraes, que começa titubeante no posto de protagonista, mas que ganha força com a evolução da encenação.

o dia em que sam morreu foto juliana hilal2 Crítica: Armazém enfia dedo na crise político social

Patrícia Selonk e Lisa E. Fávero: boas atrizes no palco do Teatro Guairinha - Foto: Juliana Hilal/Clix

Completam o elenco coeso Marcos Martins, Ricardo Martins, Lisa Fávero e Patrícia Selonk. Estas duas últimas, as mulheres do elenco, chamam tudo para si quando estão em cena. Sempre intensas. Ambas igualmente boas atrizes.

O texto de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes, que dirige a montagem, consegue expor de forma crua o desprezo pela vida alheia quando a própria vida é posta em primeiro plano, jogando para debaixo do tapete todo discurso ético.

Detalhe para o simples e ao mesmo tempo complexo cenário de Paulo de Moraes e Carla Berri, bem como para a iluminação de Maneco Quinderé, que contribui para a evolução da dramaturgia. A música executada ao vivo, sob comando de Ricco Viana, também dá potência à obra, explicitando os sentimentos dos personagens.

O espetáculo do Armazém mostra que o problema político-social brasileiro vai bem mais além dos discursos eloquentes ou de cartazes improvisados para passeatas: ele mora no âmago da sociedade, nas relações interpessoais que estabelecemos no jogo do “jeitinho brasileiro”, no qual tudo é possível e permitido sem escrúpulos.

O modelo de civilização no Brasil é posto em xeque pela obra, que expõe suas amarras cruéis e a falta de utopia reinante na sociedade. Tal utopia é representada pelo jovem enfermeiro Samuel, que teima crer em um mundo melhor e mais justo mesmo que tudo ao seu redor diga a ele que isso jamais será possível.

Mergulhado no teatro pós-moderno, o personagem e seu drama representam o grito sonhado na geração pós-desilusão. Como num movimento cíclico, o jovem em cena representa a mesma coragem que levantou jovens 50 anos atrás contra o regime totalitário que deixou ares tenebrosos no País por 21 anos. Contudo, atitudes contestatórias estão cada vez mais em desuso nos tempos em que crianças são educadas para vencer na vida a qualquer custo.

Questionamentos como estes são levantados em O Dia em que Sam Morreu. A obra aponta que não há vencedores nem derrotados. Todos estão mortos. Sem dó, o Armazém joga na cara da plateia de classe média o quão sua sobrevivência na corda bamba da vida pode ser medíocre e desprovida de sonhos. E, por isso, vazia. Tal qual a imagem de um palhaço sem memória e de riso perdido.

O Dia em que Sam Morreu
Avaliação: Muito bom
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Armazém enfia dedo na crise político social

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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marli pereira da silva foto ernesto vasconcelos Vovó larga família para ver teatro em Curitiba
Marli Pereira da Silva: R$ 1600 investidos só para ver teatro - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de ERNESTO VASCONCELOS/Clix

Ela tem 63 anos, é funcionária pública aposentada, mora no bairro Parque São Domingos, em São Paulo. Tem quatro filhos, uma netinha e apenas uma obsessão nesta época do ano: ver o máximo de peças no Fringe, a mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba que tem mais de 400 espetáculos.

Para realizar tal aventura, Marli Pereira da Silva conta ao Atores & Bastidores do R7 que gasta R$ 1.600 aproximadamente. Mas não reclama do valor investido. Ama teatro.

- Via notícias do festival e tinha este sonho há muito tempo. Vim a primeira vez em 2013, e vi 40 peças; este é meu segundo ano. Já vi 22 peças.

Marli conta que viu a primeira peça na vida aos 15 anos de idade, ainda na escola. Sentiu uma emoção tão grande que nunca mais parou de ir ao teatro. Em Curitiba, se hospedou em um hostel, pra deixar os custos mais baixos de sua aventura teatral. Não vê obras da Mostra Oficial, que têm ingresoss a R$ 60, porque "consegue ver as mesmas peças em São Paulo a R$ 8 no Sesc". Prefere as do Fringe, que são grátis ou bem baratinhas.

Em meio a tanta euforia, ela só lamenta não ter a companhia dos familiares em seu sonho.

- Meus filhos não gostam de teatro. Eles até fizeram uma camiseta que diz "vá ao teatro, mas não me chame".


*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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roqueiros R7 daniel isolani  JIM  Guairao02 Família de roqueiros faz caravana para ver Eriberto Leão cantar The Doors em Jim

Fabiano Brandão (em primeiro plano), da banda 13 Tribos, e os irmãos e primos Adriano, Adilson, Rafael e Aurélio: fãs do The Doors; peça Jim une a família no Teatro Guairão, em Curitiba  - Foto: Daniel Isolani/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de DANIEL ISOLANI/Clix

Com típicas camisetas e jaquetas de roqueiros, os parentes Fabiano Brandão, Adriano Brandão, Adilson Brandão, Rafael Mariano e Aurélio Mariano estavam ansiosos no saguão do Teatro Guairão, na noite desta quarta (2), no Festival de Teatro de Curitiba.

Eles esperavam o começo da peça Jim, com Eriberto Leão cantando as canções da banda The Doors.

Foi Fabiano quem ficou sabendo da apresentação. Ele, que já havia visto uma entrevista do ator na TV falando sobre o projeto, avisou logo os irmãos e primos. Afinal, todos são fanáticos por Jim Morrison e The Doors.

- Rolou uma conversa pelo Face[book], aí combinamos de vir juntos.

Fabiano também é roqueiro. Ele tem a banda 13 Tribos, que toca sucessos do rock clássico.

Rafael, o primo ator, também ajudou na caravana. Ele já se apresentou sete vezes no Festival de Curitiba, e organizou a fila familiar na plateia do Guairão. E confirma que o teatro é o espaço do encontro.

- O The Doors e a banda 13 Tribos do Fabiano sempre unem a família.

 *O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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