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fit publico pracaestacao guto muniz FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

FIT-BH 2014: Às vésperas da Copa, multidão se junta na praça da Estação, em Belo Horizonte, não para ver futebol ou protestar, mas para acompanhar a peça Jamais 203, da trupe francesa Générick Vapeurdo - Foto: Guto Muniz

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

A 12ª edição do FIT-BH, o Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte, entra para a história como aquela que conseguiu resistir ao atropelo da Copa do Mundo, mas acabou sofrendo arranhões de uma leve batida.

Às vésperas da Copa, Belo Horizonte, uma das cidades-sede, é um grande canteiro de obras. Desde o Aeroporto de Confins — submerso em uma poeira que invade guichês, suja malas e prejudica a respiração do passageiro e dos trabalhadores do local —, até as principais vias da cidade, a percepção é de caos contínuo e muito estresse, já que, ao que parece, nada ficará pronto até o Mundial.

Diante disso, a resistência do FIT-BH à Copa é algo a se comemorar. Até o próximo dia 25, a 12ª edição do evento bianual apresenta 54 peças de 11 diferentes países em espaços distintos da capital mineira. O público mineiro, como sempre, abraçou o festival, mas, neste ano, o evento soa mais distante e evidencia alguns problemas.

Muito já se falou sobre o fato de o FIT-BH precisar disputar atenções com gigantes: como ocorre em anos pares, precisa brigar com Copa ou Olimpíada, e também costuma ser ameaçado por disputas eleitorais, já que eleições nacionais e locais também são em anos pares. Por isso, artistas mineiros já sugeriram que o festival bianual fosse transferido para anos ímpares. Tal reivindicação jamais foi atendida pelo poder público.

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Atração internacional no FIT-BH: público belo-horizontino faz fila no Parque Municipal para ver o espetáculo espanhol Matéria Prima no Teatro Francisco Nunes, reformado ao custo de R$ 11 milhões - Foto: Divulgação

Improviso e logística

Atualmente, o FIT-BH é administrado pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, ligada à Prefeitura de BH. O custo anunciado da edição 2014 é de R$ 7 milhões, o que faz dela a maior de todas, assim como a projeção de público de 230 mil pessoas até o próximo domingo (25), quando o festival que começou no último dia 6 chega ao fim.

Apesar de resistir ao ano do futebol, as marcas dos arranhões sofridos ficaram evidentes neste FIT-BH. Está no ar uma certa dose de improviso e inexperiência na execução do festival, com recorrentes problemas de logística. Não há também iniciativa de promover encontro entre jornalistas e artistas, ficando isso restrito a ações improvisadas no café da manhã do hotel.

Em tempos que comunicação ocupa lugar de destaque em qualquer evento ou organização, não houve sala de imprensa ou qualquer menção de entrevista coletiva para algum grupo, coisa que já existiu em edições anteriores e é praxe em eventos como o Festival de Teatro de Curitiba. Isso contradiz os 20 anos de história do FIT-BH, uma experiência de sobra para já ter aprendido a fazer a contento um evento de tal dimensão.

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Cena da pernambucana Salada Mista, que integra o Fitinho, novidade infantil no FIT-BH - Foto: Divulgação

Artistas comemoram

Apesar das falhas operacionais, participar do FIT-BH é motivo de comemoração para muitos artistas. O ator pernambucano Flávio Santana, do espetáculo Salada Mista, da Cia. 2 em Cena de Teatro Circo e Dança, de Recife, conta que “a Copa prejudicou o teatro de uma maneira geral em todo o Brasil”.

Para Santana, investimentos no setor escassearam. Por isso, espera que, após o Mundial, “as coisas voltem ao normal ou, quem sabe, melhorem”. O artista conta que “apesar do frio” do clima de montanha, sentiu acolhida calorosa dos mineiros. “Estar num festival como o FIT-BH é muito importante, porque é uma janela que se abre tanto para o público quanto para outros festivais”, diz.

A produtora Carina Moutinho, do grupo paulista Os Satyros, elogia a estrutura que o festival deu ao grupo para a montagem de seu espetáculo, Adormecidos, apresentado no último fim de semana na Funarte MG. “Havia uma preocupação para que nos sentíssemos bem”, afirma.

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Espetáculo paulista Sabiás do Sertão comoveu os belo-horizontinos no FIT-BH com era de ouro do rádio nacional e canções interioranas - Foto: Divulgação

Outro que demonstra estar contente na capital mineira é o diretor Luiz Carlos Laranjeiras, da peça Sabiás do Sertão, da Cia. Cênica, de São José do Rio Preto (SP). “Além de termos tido uma impressionante acolhida do público, tivemos contato com muita gente de teatro. Conheci uma curadora de Cuba, por exemplo. O intercâmbio é fundamental. O festival é um grande espaço para troca de saberes”, define.

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Peter Luppa, como o Bobo da Corte em Hamlet: "Brasileiros aplaudem com o coração" - Foto: Guto Muniz

E tal troca não se restringe a grupos brasileiros. Reconhecido mundialmente, o Berliner Ensamble ficou impressionado com o aplauso de pé de 1.700 pessoas em cada uma das duas sessões de Hamlet no Palácio das Artes. Integrante da trupe alemã, o ator Peter Luppa definiu que “o brasileiro aplaude com o coração”.

Olheiros do mundo

E a troca internacional é almejada por Belo Horizonte para seus artistas. Com o objetivo de ver o teatro mineiro viajando o Brasil e o mundo, o FIT-BH bancou a estada de cerca de 20 programadores teatrais nacionais e internacionais no festival.

Gente como o jornalista e crítico teatral Celso Curi, que integra a curadoria do Festival de Teatro de Curitiba – o maior do Brasil – e também a direção da Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo.

Ao lado do parceiro Wesley Kawaai, Curi se concentrou em montagens mineiras. “É fundamental ter o contato com outras formas de ver teatro. Este tipo de intercâmbio funciona como uma escola de programadores”, revela ao R7.

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Grupo de curadores e programadores teatrais que visitam o FIT-BH 2014 - Foto: Guto Muniz

Cadê o Ponto de Encontro?

Uma das ausências mais sentidas durante a maioria do FIT-BH 2014 foi a do tradicional Ponto de Encontro. Antes montado no Parque Municipal, com barraquinhas e shows musicais de nomes locais e nacionais, o espaço era o lugar ideal para que público e artistas se encontrassem depois das apresentações. Neste ano, apesar de prometido pela Fundação Municipal de Cultura, o Ponto de Encontro não existiu.

Pelo menos nos primeiros 15 dias do festival. Isso porque a organização anunciou de última hora para esta quarta (21) a criação de um Cabaré Bar, espécie de ponto de encontro improvisado, quando boa parte dos artistas e jornalistas já deixou a capital mineira.

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Público e artistas do FIT-BH assistem a show da cantora Nina Becker no Ponto de Encontro em 2012: este ano o espaço não existiu - Foto: Glênio Campregher

Ausência sentida e drible na Copa

O presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Leônidas Oliveira, chegou a marcar uma entrevista coletiva com os jornalistas que cobrem o FIT-BH no último sábado (17), mas ele não apareceu.

guillermo pellegrino FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

O jornalista e escritor uruguaio Guillermo Pellegrino: "FIT-BH às vésperas da Copa deixa legado cultural permanente" - Foto: Arquivo pessoal

Apesar dos problemas, o jornalista uruguaio Guillermo Pelegrino, que cobre o FIT-BH para a imprensa uruguaia e argentina, elogia a capacidade do teatro e da cultura brasileira de resistir ao maior evento futebolístico do mundo. E revela que ficou surpreso.

— Fiquei impressionado de ver um festival de teatro tão grande tão perto da Copa, de ver o Brasil apostar em cultura às vésperas do Mundial. Acho que, independentemente de qualquer coisa, o FIT-BH, nestes 20 anos de história, deixa um legado cultural permanente para Belo Horizonte e para o Brasil.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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peter luppa 2 Ator alemão de Hamlet, do Berliner Ensamble, vibra com aplauso fervoroso dos mineiros no FIT BH

Peter Luppa integra o elenco de Hamlet, do grupo alemão Berliner Ensamble - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

O pequeno ator alemão Peter Luppa é cuidadoso ao falar do Brasil. Escolhe bem as palavras. Afinal, esta é a segunda vez que visita o País, que diz gostar muito. A primeira foi 25 anos atrás, para férias inesquecíveis nas praias do Nordeste. Agora, veio por motivo de trabalho.

Luppa integra o elenco de Hamlet, a montagem do Berliner Ensamble que arrastou cerca de 3.500 pessoas ao Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em duas apresentações neste fim de semana, com filas gigantescas que acompanhavam a fachada do prédio na av. Afonso Pena. Faz o Bobo da Corte e tem mudanças de figurino tão rápidas que deixam a plateia boquiaberta.

Hamlet era o espetáculo era o mais aguardado no FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte), que celebra 20 anos de história nesta edição de 2014.

Durante o café da manhã com o Atores & Bastidores do R7, Peter Luppa conta que “o público foi ótimo”. Mas, revela que o grupo viveu momentos de tensão para encenar o clássico de William Shakespeare na capital mineira.

– Lá em Berlim, fazemos em palco giratório. Aqui, ficamos sabemos que não teríamos este recurso, pois o palco é estático. Então, tivemos de mudar muitas marcações. Em Berlim, as paredes giravam sozinhas, aqui tivemos de empurrar mesmo.

O ator revela que, apesar “ficou visualmente bonito o resultado”. Fruto de ensaios por dois dias exaustivos em Berlim e mais dois em Belo Horizonte, onde também tiveram de lidar com um palco que tem “o dobro do tamanho” do original alemão.

Ele diz gostar da “mentalidade brasileira”. E explica que nos considera um povo “muito tranquilo”. Diz que tal comportamento “é bom para o coração e para a circulação”. Conta que diante de qualquer problema, os brasileiros lhe dizem com toda a calma do mundo “nós vamos conseguir”, o que lhe deixa impressionado com tamanha autoconfiança. Sobre o carinho do público mineiro, Luppa filosofa.

– O aplauso no Brasil é muito mais caloroso do que na Alemanha. Lá, aplaudem assim [imita um aplauso preguiçoso, fazendo cara de nojo]. Aqui, não, é intenso. Tem outro tipo de amor e se entrega no aplauso. As pessoas se emocionam. É como se o público amasse aquelas pessoas que estão no palco. É de coração. A nós, só nos resta dizer: muito obrigado!

hamlet berliner ensamble Ator alemão de Hamlet, do Berliner Ensamble, vibra com aplauso fervoroso dos mineiros no FIT BH

Cena da obra alemã Hamlet, principal atração do FIT-BH, encenada no Palácio das Artes - Foto: Divulgação

Agradecimento: Daniel Hazan (intérprete de alemão)

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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la tristura materia prima Alemães, espanhóis e paulistas disputam público do FIT BH

Pré-adolescentes falam texto de adultos na peça Matéria Prima - Foto: Mário Zamora

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

O espetáculo Hamlet, do grupo alemão Berliner Ensamble, é o mais concorrido deste segundo fim de semana do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte).

Com ingressos esgotados para as duas sessões no Palácio das Artes, o maior teatro da capital mineira com seus 1.705 lugares, a montagem do clássico texto de William Shakespeare atrai a atenção dos mineiros.

Dirigida por Leandro Haussmann, a peça teve parceria com o Governo da Alemanha para ser encenada no festival. O grupo precisou fazer mudanças no cenário, já que seu teatro na Alemanha possuiu palco giratório.

Para se adaptarem ao palco estático do Palácio das Artes, precisaram de dois dias de ensaios para que a estreia deste sábado (17) ficasse perfeita.

Os aplausos calorosos no final recompensaram o esforço. Peter Luppa, ator da companhia, conta ao Atores & Bastidores do R7 que o elenco ficou emocionado com reação tão calorosa.

— Foi um aplauso muito caloroso e sincero. A gente sentia que o público demonstrava amar os artistas que estavam naquele palco.

Outra peça concorrida deste fim de semana é Matéria Prima, da Espanha, apresentada no recém-reformado Teatro Francisco Nunes. A peça do grupo La Tristura apresenta atores pré-adolescentes dizendo textos de adultos e impressiona.

Adormecidos Tiago Leal José Alessandro Sampaio Luiza Gottschalk e Katia Calsavara Foto de Andre Stefano e1389915301193 Alemães, espanhóis e paulistas disputam público do FIT BH

Cena da peça Adormecidos: Satyros emocionam plateia mineira no FIT-BH - Foto: Andre Stefano

Obra que também impressionou o público mineiro foi Adormecidos, do grupo paulistano Os Satyros, apresentada na Furnarte-MG. Muita gente chorou ao fim do texto do norueguês Jon Fosse dirigido por Rodolfo García Vázquez. No palco, dramas potentes de dois casais.

Atriz do grupo, Katia Calsavara conta ao R7 que, assim como ocorreu com os alemães, foi trabalhoso o processo de remontagem da peça em palco diferente.

— A peça foi concebida para o espaço dos Satyros, que é alternativo e pequenino, com público de 40 pessoas. Tivemos de adaptá-lo para o palco italiano, com uma plateia três vezes maior ao que estávamos acostumados. Mas funcionou muito neste formato também, e o público foi bem receptivo.

Outra peça paulista, de São José do Rio Preto, emocionou quem estava na praça Duque de Caxias, no tradicional bairro de Santa Tereza, neste sábado. Musical brasileiro, Sabiás do Sertão levou para a cena o período de ouro da música de raiz no interior do Brasil.

Muitos espectadores cantaram junto e se comoveram ao lembrar-se dos velhos tempos. Luiz Carlos Laranjeiras, que dirige a Cia. Cênica, divide com todos os integrantes o sucesso.

— O ator é o centro de tudo que acontece no teatro. Nós fazemos um trabalho coletivo e estar aqui e ter esta visibilidade e este acolhimento do público e da crítica é algo muito importante.

Produção local

Produções mineiras também têm lugar na programação do FIT-BH e disputam a preferência do público conterrâneo. A montagem local Aldebaran, que mistura fábulas no palco do Teatro Bradesco, também é um dos espetáculos mais procurados deste segundo fim de semana do evento.

E o medo de avião embala o monólogo Get Out, do grupo mineiro Quatroloscinco, apresentado no Teatro José Aparecido de Oliveira, dentro da Biblioteca Pública. Com o mote da fobia de altura, a peça coloca em debate os pensamentos e imagens pré-concebidos.

O FIT-BH continua até o próximo dia 25 de maio. Ao todo são 54 produções de 11 diferentes países. Nesta próxima semana estão na programação sucessos internacionais, como a peça argentina Emilia e as cubanas Rapsodia para el Mulo e Fichenla si Pueden, e nacionais, como Cine_Monstro, do Rio.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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fit quadro de uma familia g FIT BH tem 54 peças de 11 países

Cena da peça mineira Quadro de Uma Família, que integra a programação local do FIT-BH - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A partir desta terça (6), o teatro invade o horizonte mineiro com o 12ª edição do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte). Até o próximo dia 25 serão apresentados 54 espetáculos de 11 países em 168 sessões, o que torna esta edição recorde.

A organização, da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, espera público de 200 mil pessoas nos 15 dias do evento.

A abertura será nesta noite, às 21h, com a apresentação da peça Prazer, da belo-horizontina Cia. Luna Lunera, reinaugurando o Teatro Francisco Nunes, após reforma de R$ 11 milhões.

O fechamento do FIT-BH também será com uma trupe local, o Grupo Galpão, que vai apresentar Os Gigantes da Montanha, versão do diretor mineiro Gabriel Villela para o clássico de Pirandello.

R$ 7 milhões

Segundo o presidente da Fundação Municipal de Cultura de BH, Leônidas José de Oliveira, “o orçamento da edição 2014 é de R$ 7 milhões, com R$ 6 milhões vindos dos cofres públicos e R$ 1 milhão em parceria com a inciativa privada”. Para ele “o FIT-BH é o espaço para a classe artística e o público trocar experiências com o mundo inteiro”.

O evento abriga um time de curadores de festivais internacionais na capital mineira, como forma de dar visibilidade mundial no futuro para as produções locais.

É o que afirma Cássio Pinheiro, coordenador do FIT-BH. Ele aposta em “uma série de encontros entre produtores locais e 20 programadores de festivais e instituições culturais do país e exterior” para celebrar parcerias.

Alemães e Shakespeare

O Brasil estará representado por produções do Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Destaques para Cine_Monstro, com Enrique Diaz, Adormecidos, com Os Satyros.

Nos 450 anos de Shakespeare, a grande atração é a apresentação do Berliner Ensamble, com sua versão para Hamlet. Outro destaque internacional é Emilia, um drama familiar do grupo argentino Timbre4.

Hamlet Berliner Ensemble FIT BH tem 54 peças de 11 países

Cena da montagem alemã de Hamlet, da Berliner Ensamble - Foto: Divulgação

Fitinho e ingressos

Outra novidade deste ano é o Fitinho. A exemplo do Festival de Teatro de Curitiba, que criou o Guritiba, o FIT-BH começa também a apostar no público infantil com peças endereçadas a esta faixa etária. Tem peça até para os muito pequeninos, como a portuguesa Concertos para Bebês, do grupo Musicalmente.

Os ingressos para as peças do FIT-BH custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Podem ser comprados no site do evento e também nos Posto da Belotur (av. Afonso Pena, 1.055, tel. 0/xx/3277-7666). Cada pessoa pode comprar no máximo seis entradas por vez.

O FIT-BH foi criado em 1994, como junção de um festival de palco, idealizado no Teatro Francisco Nunes, e um de rua, iniciativa do Grupo Galpão. Esta edição, portanto, celebra seus 20 anos de história.

tonico pereira FIT BH tem 54 peças de 11 países

Tonico Pereira: doença afasta ator do FIT-BH - Foto: Divulgação

Cancelamento

A produção precisou cancelar de última hora o espetáculo O Homem Travesseiro, do Rio. Tudo porque o ator Tonico Pereira, que integra a montagem, passa por problemas de saúde que o impedem de viajar do Rio a Belo Horizonte, informou a organização.

Quem comprou entrada para esta peça, que seria apresentada no Teatro Marília, pode ter seu dinheiro de volta ou trocar por outra peça que ainda tenha entradas disponíveis.

Leia a Entrevista de Quinta especial sobre o FIT-BH

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maria robson Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Integrante do grupo Os Satyros, criador das Satyrianas, a atriz Maria Casadevall esteve no evento e ganhou um beijo do amigo Robson Catalunha, produtor do festival paulistano - Foto: Reprodução

Por Miguel Arcanjo Prado

Entre esta quinta (14) e este domingo (17), as Satyrianas movimentaram a praça Roosevelt, no centro de São Paulo, por 78 horas. A grande festa das artes - além de teatro, há música, performances, cinema e muito mais - chega ao fim neste domingo, mas ainda dá tempo de conferir algumas imagens que marcaram o festival, como o beijo, acima, que Maria Casadevall ganhou do amigo Robson Catalunha durante a festa. Veja, abaixo, outras imagens do evento:

paloma duarte fotomix fabiosilva 81 Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

A atriz Paloma Duarte é flagrada no meio do público na praça Roosevelt - Foto: Fábio Silva/Coletivo Fotomix

A atriz Paloma Duarte circula pelas Satyrianas. Ela participa da leitura do espetáculo Espelhos Paralelos, de Lauro César Muniz, no Dramamix, com direção de Bárbara Bruno.

historiasdesegundamao fotomix luhcamargo 006 Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Cena de Histórias de Segunda Mão, nas Satyrianas - Foto: Luciana Camargo/Coletivo Fotomix

Cléo De Páris e Tato Consorti atuam em Histórias de Segunda Mão, de Marici Salomão, com direção de Eric Lenate, dentro do projeto Dramamix.

otto Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Equipe de Otto se reúne após a apresentação na SP Escola de Teatro - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Equipe de Otto, espetáculo de Marco Keppler com direção de Aline Negra Silva, comemora a apresentação, feita em um lugar inusitado: o banheiro do subsolo da SP Escola de Teatro.

limusine Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Interior da limusine que serviu de cenário para peça de Letícia Simões e Robson Catalunha - Foto: Reprodução

Uma luxuosa limusine chamou a atenção de todos na praça Roosevelt. O carro foi cenário da autopeça Manual de Sobrevivência para Aqueles que Não Sabem Dirigir, com texto de Letícia Simões e direção de Robson Catalunha, com atuação de Laerte Késsimos.

soentrenos fotomix priscilahermanny 10 Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Cena da peça Só... Entre Nós, de Franz Keppler, apresentado no evento - Foto: Priscila Hermanny/Coletivo Fotomix

O dramaturgo Franz Keppler também apresentou produção nova nas Satyrianas, a peça Só... Entre Nós, com Marcia Nemer Jentzsch, Ricardo Henrique e Tiago Martelli, sob direção de Joca Andreazza, dentro do Dramamix.

20131114 fotomix luhcamargo  4 Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

O coordenador geral das Satyrianas Gustavo Ferreira: sempre alerta - Foto: Luciana Camargo/Coletivo Fotomix

Gustavo Ferreira, coordenador geral das Satyrianas, resolve as últimas questões do evento durante sua abertura, na quinta (14), na praça Roosevelt, centro paulistano.

ciclistas bonequeiros fotomix giovana pasquini Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Criança se diverte no projeto Ciclistas Bonequeiros em plena praça Roosevelt - Foto: Giovana Pasquini/Coletivo Fotomix

Giovana Pasquini, fotógrafa do Coletivo Fotomix, que registra a festa sob coordenação de Luciana Camargo, fez uma das imagens mais bonitas das Satyrianas 2013: uma criança se diverte no projeto Ciclistas Bonequeiros, que mistura teatro lambe-lambe com teatro de brinquedos em plena praça Roosevelt.

Leia mais sobre as Satyrianas no R7!

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danilo gentili thiago bernardes Danilo Gentili é estrela do Risológico em Curitiba

Astro da TV revelado pelo stand-up, Danilo Gentili será celebrado no Risológico - Foto: Thiago Bernardes

Por Miguel Arcanjo Prado

 Curitiba já virou uma espécie de Meca do humor brasileiro. Toda a turma do stand-up costuma sempre dar as caras por lá.

E, no próximo fim de semana, os engraçadinhos de todo o País estarão na capital paranaense. É que lá será realizada desta sexta-feira (5) a domingo (7) a segunda edição do festival Risológico.

Danilo Gentili é a grande estrela do evento e receberá homenagem. Do seu jeito bem-humorado, ele conta ao Atores & Bastidores como se sente.

– Eu me sinto no fim da vida. Receber homenagem é coisa de gente que está morrendo, não?

Brincadeira à parte, Gentili elogia os curitibanos.

– Curitiba é um dos lugares onde mais tenho resposta do público. É uma cidade que sempre valorizou o stand-up no Brasil, tanto que é pioneira nos clubes de comediantes.

A lista de participantes do festival tem 50 humoristas de todo o Brasil.

O festival terá uma mostra paralela, Riso Encena, com seis espetáculos de comédia no teatro Regina Vogue, além de oficinas de humor na Escola de Ator Cômico.

A curadoria geral é do humorista paranaense Marco Zenni. Já Claudio Torres Gonzaga, redator de humor da Globo, é curador do palco principal. Entre os participantes, estão Rodrigo Capella, Marcelo Marrom, Fernando Caruso, Diogo Portugal e Marcos Castro.

Risológico
Quando: sexta-feira (5) a domingo (7). Das 19h30 às 22h50 (sexta) e das 16h30 às 22h50 (sábado e domingo)
Onde: ParkCultural (anexo ao ParkShoppingBarigui) – rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Mossunguê, Curitiba, tel. (0xx41) 3315-0808
Quanto: R$ 85 (por dia) e R$ 210 (passaporte para os três dias). Tem meia-entrada para estudantes, pessoas acima de 60 anos, professores, doadores de sangue e portadores de necessidades especiais.
Classificação: 16 anos
Informações: http://www.risologico.com.br/

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sin titulo2 Sem título, porque não há como nomear

Após passar pelo FIT-BH, obra peruana Sem Título - Técnica Mista foi destaque no Mirada - Divulgação

Por Leonardo Kildare Louback, de Belo Horizonte
Especial para o Atores & Bastidores*

Yuyachkani, estou pensando, estou recordando. Assim se traduz o nome do grupo peruano de 42 anos que aportou mais uma vez no Brasil para se apresentar no Mirada – Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos, no fim de semana passado, depois de uma belíssima passagem por Belo Horizonte, integrando a programação do FIT (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de BH), com seu trabalho Sem Título - Técnica Mista.

O público adentra o espaço sem saber se ali já começa ou se espera começar. A primeira opção é a que vale. Vitrines expõem a história do Peru, como arquivo vivo de uma memória em ebulição. No espaço principal onde se passa o espetáculo, se veem já em cena todos os atores, espalhados, observados. Dali se iniciará uma mudança consecutiva e rápida de cenas que literalmente abrem caminho por entre o público que muitas vezes nem sabe pra onde ir, como metáfora eficaz do que a história faz com seu povo. Atropelo. Fragmento. E o furor de Teresa Ralli.

Um ator, do alto, escreve as histórias contadas pelo povo peruano. Máquina de escrever parece tiro. A força dos gestos que nenhum ator desperdiça. Para certas histórias certas não há espaço para erro de desatenção. Um instrumento típico soa. Na imagem da quádrupla dos atores/personagens cor de terra, nos andinamos e esquecemos até que é teatro.

sin titulo3 Sem título, porque não há como nomearQual o limite? A belíssima aparição da Virgem Maria, encarnada pela atriz Débora Correa, nos tira voz e quase até pensamento. Roupas bordadas com textos, iluminadas no escuro do espaço e da história da violência contra o outro. Até quando este vale de lágrimas aonde eu nunca disse pra me trazer? E quando a gente se encontrará com os demais, na beira de uma manhã eterna?

Como tudo que se refere ao Yuyachkani, não há clichês. Nem mesmo certas nomenclaturas. Segundo as palavras de Jorge Baldeon, responsável pela ambientação do espaço: “Não há cenógrafos, figurinistas, não há objetos cênicos, são elementos plásticos que aportam à atmosfera igualmente que a entrada. É documentação fragmentada, que gera no espectadore mais texturas que uma leitura linear do tema. É uma introdução à obra cênica.”

Nos figurinos-indumentárias está bordada a história do Perú, e para ler, as lanternas dos outros atores nos direcionam. Em espanhol. Em camadas que não amenizam. 140.000 mulheres camponesas, índias, esterilizadas à força por Fujimori. 69.000 peruanas e peruanos mortos pelo Estado. O quechua é falado como legitimação do discurso de desforra. Houve perda humana aos montes, originária de atropelo e exclusão. 17 de janeiro de 1888, a invasão chilena em Chorillos.

Combater o esquecimento é fazer justiça, disse um dos atores do alto de sua máquina-arma. Um militar em pernas de pau estende sua mão enorme para o povo. “Os mortos que matastes gozam de boa saúde”, se lê onde antes se apoiava seu corpo gigante. Bandeira hasteada, bandeira de roupas brancas e vermelhas dos mortos.

Como no Brasil, os políticos não prescindem nem de fala. As máscaras que invadem o palco falam por si. Os gestos e rostos estáticos dizem da essência de uma política latino-americana da corrupção e do deboche na anulação do outro. E no leilão se vende até o corpo. E se faz mágica muito bem feita, para nos distrair e escancarar a habilidade de persuasão dos nossos grandes homens de planaltos ou serras.

sin titulo5 Sem título, porque não há como nomearO dinheiro falso voa pelo espaço cênico advindo de uma caixa de Banco Imobiliário. Dinheiro virtual, como o nosso mesmo o é, sem valor, incontável e passível de nos ser tomado assim, brincando. E grita a especulação em torno de nossos bens materiais e a favor de nossa exploração sem fim. E com acidez feroz, a mais moderna música descaracterizada, sem pátria, anima a festa da depravação política, com a qual também nós brasileiros estamos absurdamente acostumados.

Até no chapéu se pinta história. Os textos das paredes se repetem nas vestes, enquanto as próprias paredes são iluminadas. Tudo simultâneo, como a própria intercalação de cenas de épocas distintas, que traçam o enredo múltiplo, aparentemente desconexo de uma dramaturgia dos sons, do espaço e do corpo estonteantes. Mas acaba em festa. Festa da não desmemorialização de si e da própria história de um grupo não composto somente de artistas, mas de povo, guiados pelas habilidosas mãos do diretor Miguel Rubio Zapata.

A memoria é seletiva. Nada tão maravilhoso como derrubar fronteiras e destruir o egoísmo. A memória precisa de veículos e, com o acordeom, a religiosa canta cancíon desconhecida. Seguirei me recordando de ti, Yuyachkani. Koroshoko.

*Leonardo Kildare Louback é ator, dramaturgo e tradutor. Ele escreveu esta crítica a convite do blog.

Mirada leva 100 mil ao teatro em Santos

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Por Miguel Arcanjo Prado

Novas tendências do teatro latino-americano deram as caras na quinta edição do FilteBahia, o Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia.

O evento movimentou Salvador entre os dias 1º e 9 de setembro.

Foi uma verdadeira maratona nos palcos, com 33 espetáculos na programação.

Além de Salvador, parte da programação aconteceu em Ilhéus, Feira de Santana, Santo Amaro e Lauro de Freitas. Países como México, Colômbia, Chile, Argentina, Bolívia, Espanha, Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra mandaram representantes, bem como os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul.

Um dos diferenciais desta edição foi a criação da Mostra Internacional de Teatro Baiano, como forma de dar foco aos grupos locais, numa ação do cubano radicado na Bahia Luis Alberto Alonso, diretor artístico do evento, com Rafael Magalhães, o diretor de produção.

O evento teve público de 10,5 mil pessoas, informou a organização.

Abaixo, um gostinho para você, leitor do Atores & Bastidores aqui no R7, do que rolou no FilteBahia:

filtebahia poster FilteBahia põe foco no teatro latino americano

Destaques do FilteBahia (a partir do alto, em sentido horário): La Comida, da Argentina; Testigo de las Ruinas, da Colômbia; Ato de Comunhão, do Rio; AutoMákina, do Rio; Hamlet de los Andes, da Bolívia; e Malasombra, da Espanha - Fotos: Carlos Furman, Ximena Vargas, Paulo Severo, Cristine Rochol, Divulgação e Jaume Caldentey

 

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noivas mirada dorigley ferreira Mirada leva 100 mil ao teatro em Santos e se torna um dos mais importantes festivais da América Latina

Fim do Mirada: cem noivas de Nelson Rodrigues atravessam a balsa de Santos - Fotos: Dorigley Ferreira/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 a Santos*

O número é imponente: 100 mil pessoas viram teatro. Este é o balanço da segunda edição do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, o Mirada, obtido com exclusividade pelo R7.

O evento chegou ao fim neste sábado (15) após 11 dias de intensa programação. O público dobrou em relação à primeira edição, que homenageou a Argentina e teve 50 mil espectadores. Isso acompanha o crescimento de espetáculos: foram 38 em 2012, dos quais 23 internacionais, um aumento de 40% em relação ao ano anterior.

Das 93 sessões apresentadas no festival, 84 tiveram os ingressos esgotados. Apenas os teatros maiores, com mais de 700 lugares, tiveram cadeiras vazias em algumas apresentações. Ao todo, 17 mil ingressos foram vendidos – nos espetáculos de rua a entrada foi gratuita e livre.

Luiz Ernesto Figueiredo Neto, gerente do Sesc Santos, conta ao Atores & Bastidores que a procura pelo festival foi surpreendente.

– O Mirada já nasce grande. O crescimento do público é um reconhecimento à qualidade da programação. Isso nos dá motivação para fazer melhor em 2014.

A diretora teatral Isabel Ortega, brasileira radicada na Espanha e membro do Conselho Diretivo do Mirada, concorda que o espectador foi fiel ao evento.

– Percebi uma reação muito positiva no público. Sempre querendo mais. A qualidade de maneira geral é grande. É difícil conseguir esse equilíbrio entre quantidade e qualidade.

Sidnei Martins, assistente da Gerência de Ação Cultural do Sesc São Paulo, pretende trazer novos países na próxima edição do festival, para que este “tenha uma abrangência maior”.

– O evento é resultado de um trabalho de aproximação com esses países e de muita pesquisa. O Mirada cresce à medida que tenha uma programação relevante.

Veja a cobertura completa do Mirada no R7!

Artistas santistas se transforam em noivas

Sidnei conta que, além de olhar para o estrangeiro, o evento procurou neste ano se aproximar dos artistas santistas, que fizeram nesta edição uma perfomance com 100 noivas espalhadas pela cidade, em uma homenagem às mulheres criadas por Nelson Rodrigues, dramaturgo cujo centenário foi celebrado em 2012.

Ao todo, 150 profissionais da arte da Baixada Santista participaram do projeto que encantou os transeuntes. A despedida das noivas encerrando o festival neste sábado (15), com todas reunidas na balsa que atravessa de Santos ao Guarujá, foi um dos belos momentos do evento.

Chile será homenageado em 2014

Mesmo finalizado, o Mirada ainda respingará nos palcos paulistanos. Os espetáculos chilenos Gêmeos e El Olivo serão apresentados em São Paulo na sequência.

O México foi o grande celebrado nesta edição do Mirada, com sete espetáculos apresentados. Em 2014, apesar de ainda não ser oficial, a produção teatral do Chile estará em foco.

Gêmeos estará no Sesc Consolação nos próximos dias 19 e 20 de setembro. Já El Olivo ocupará o Sesc Belenzinho também nos dias 19 e 20.

Além dos chilenos, que estreitam laços com o Sesc preparando o terreno para 2014, a peça mexicana Incêndios, aclamada pelo público como uma das melhores do Mirada – ao lado de Amarillo, também do México – também ganhou temporada paulistana. A Companhia Tapioca Inn, com a ótima atriz Karina Gidi, se apresentará no Sesc Belenzinho em março do próximo ano.

Mirada torna Brasil líder teatral

Tais desdobramentos são resultado claro do que se propõe a ser o Mirada: um lugar de encontro e troca entre o teatro brasileiro, latino-americano e ibérico.

Apesar de ser um jovem de duas edições apenas e, sobretudo, por ser um projeto capitaneado pelo Sesc São Paulo, instituição séria e com larga tradição de apoio às artes cênicas, o Mirada já figura entre os principais festivais internacionais de teatro.

Com o evento, o Brasil, de crescimento econômico alardeado aos quatro ventos, conquista também uma espécie de liderança artística teatral na região, servindo de exemplo para que os demais países busquem iniciativas semelhantes de colocar seu teatro e o de seus vizinhos na vitrine mundial. Porque público há. E isso o Mirada já provou com os seus 100 mil aplausos.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc Santos.

Veja, abaixo, no registro sensível do fotógrafo Dorigley Ferreira, imagens das noivas de Nelson  Rodrigues encerrando o Mirada:

poster noivas dorigley ferreira Mirada leva 100 mil ao teatro em Santos e se torna um dos mais importantes festivais da América Latina

Mirada de branco: noivas de Nelson Rodrigues ocuparam Santos durante o festival - Fotos: Dorigley Ferreira/Divulgação

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amarillo Cadáver de imigrante da fronteira entre México e EUA vira poesia teatral em Amarillo, no Mirada

Teatro de linguagem plural: o ator Raúl Gonzáles em cena do ótimo Amarillo - Fotos: Blenda

Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 a Santos*

Os movimentos migratórios fazem parte da história humana. E a motivação segue a mesma de nossos ancestrais: a sobrevivência.

O espetáculo mexicano Amarillo, destaque do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, toca justamente neste ponto nevrálgico: a busca por melhores condições de vida em outro país, no caso, atravessando a perigosa e vigiada fronteira que divide o México dos Estados Unidos. Que divide o Terceiro do Primeiro Mundo.

Com bela e inventiva encenação assinada pelo diretor Jorge A. Vargas, o texto de Gabriel Contreras parte do personagem interpretado pelo potente ator Raúl Mendoza, que congrega em si todos os migrantes, em um jogo teatral já estabelecido logo no começo com o público. Ele não é apenas um. É a soma de todos.

amarillo dentro2 Cadáver de imigrante da fronteira entre México e EUA vira poesia teatral em Amarillo, no MiradaAmarillo é o nome da cidade do Texas para onde o imigrante sonha ir, em busca de dinheiro, deixando no México seu grande amor, em uma história tão repetida ao longo dos últimos tempos e que deixa, muitas vezes, cadáveres em seu rastro.

O enredo que poderia esbarrar fácil no clichê, é transformado em pura poesia pelo maduro Teatro Línea de Sombra, que existe desde 1993.

O grupo utiliza-se com propriedade de outras expressões artísticas como a videoarte, a dança contemporânea e as artes plásticas. A areia do deserto ganha lugar no palco enterrando sonhos e despedançando corações.

Com uma narratividade que conquista o espectador a cada imagem desenhada durante os 90 minutos da encenação, seja no palco ou na tela projetada ao fundo – uma extensão do tablado – o espetáculo comove sem precisar ser piegas.

O restante do elenco, Alicia Laguna, Antígona Gonzáles, María Luna e Vianey Salinas, contribui na primeira parte do espetáculo para que a história do personagem representado por Raúl seja contada da melhor forma possível, enquanto o ator Jesús Cuevas canta ao vivo e em voz gutural as músicas melancólicas e cheias de angústia compostas por Jorge Verdín e Clorofila.

Na virada do espetáculo, quando as atrizes deixam o posto de meras assistentes técnicas para ganharem presença cênica carregada de poesia, surge o outro lado da imigração: aquele que ficou, sem notícias, representado pelas mulheres deixadas pelos maridos que atravessaram a fronteira. Cheio de vigor, o elenco feminino ganha espaço, e Antígona González impressiona ao dar seu texto. É graciosa, forte e carismática.

O teatro contemporâneo muitas vezes se utiliza de elementos tecnológicos sem muita consciência. Gerando, muitas vezes, a sensação de que os recursos multimídias estão ali apenas por estar. Isso não acontece na montagem.

Em Amarillo, além do vertiginoso trabalho feito pelo elenco, cada efeito é justificado e contribui à história contada da forma mais inventiva possível, gerando um espetáculo de qualidade artística incomensurável.

Amarillo
Teatro Línea de Sombra (México)
Avaliação: Ótimo

amarillo chicas Cadáver de imigrante da fronteira entre México e EUA vira poesia teatral em Amarillo, no Mirada

ENTREVISTA COM O ELENCO
“Dá vontade de ficar no Brasil”

amarillo antigona gonzales raul mendoza Cadáver de imigrante da fronteira entre México e EUA vira poesia teatral em Amarillo, no Mirada

Antígona González e Raúl Mendoza - Fotos: Blenda

A reportagem do R7 conversou com dois atores de Amarillo, Raúl Mendoza e Antígona Gonzáles, logo após a última sessão do espetáculo mexicano no Festival Mirada, nesta quarta (12), na festa noturna à beira da piscina do Sesc Santos.

Entre outras coisas, contaram que a montagem segue sua saga internacional – das 140 apresentações já feitas, metade foi fora do México. Até o fim do ano, estarão na Argentina, nos Estados Unidos, na França e no México – onde se apresentarão em Ciudad Juarez e Chihuahua, na fronteira com os EUA.

Leia a entrevista exclusiva:

Miguel Arcanjo Prado – O espetáculo tem um trabalho de corpo muito exigente. É muito pesado fazê-lo?
Raúl Mendoza – É pesado, sim. Tem de estar descansado. Semana passada fizemos em Bogotá, em uma altitude alta. Foi complicado... Em Santos o problema já foi a umidade [risos]. Mas todos nós no grupo viemos de uma formação de teatro de corpo.

Miguel Arcanjo Prado – Por que você escolheram falar da imigração ilegal entre México e EUA?
Raúl Mendoza – Ninguém está longe de uma situação migratória. Todos temos histórias com a imigração. Não só para os Estados Unidos, mas de imigrantes que vieram para o México ou o Brasil por conta da Segunda Guerra. O espetáculo quer dar visibilidade a este fenômeno. Vamos no particular para falar do universal. Hoje já africanos que vão para Europa, latino-americanos que vão para o Brasil, e sempre há alguém ganhando muito com isso. O tráfico internacional de pessoas é um excelente negócio.

Miguel Arcanjo Prado – Foi difícil vir para o Brasil?
Antígona González – Sim, porque o Instituto Nacional de Belas Artes do México, que está apoiando outras companhias mexicanas no Mirada, não nos apoiou com as passagens aéreas. Disseram que nosso espetáculo já havia viajado muito. Então, só conseguimos vir graças ao patrocínio da Robert Sterling Clark Foundation, dos Estados Unidos, que financiaram nossas passagens.

Miguel Arcanjo Prado – O espetáculo gera imagens belas. Percebe-se a preocupação de vocês em inovar.
Raúl Mendoza – Amarillo é uma espécie de tese de um projeto que buscou nos acercar de outras artes, como as artes plásticas e a dança. O mais rico é a busca por novas linguagens, novas maneiras de dizer.

Miguel Arcanjo Prado – O espetáculo gerou algum desdobramento a vocês?
Raúl Mendoza – Hoje estamos envolvidos com os temas da imigração. Passamos a ser testemunhas do que ocorre. Conseguimos abrir um diálogo interessante com outros países. Muita gente na Europa, onde nos apresentamos, nem sabia que na fronteira entre Estados Unidos e México há um muro.

Miguel Arcanjo Prado – O que vocês estão achando do Brasil?
Antígona González – Eu amo o Brasil e estou apaixonada pelos brasileiros. Quero ficar por aqui. Todo mundo nos trata incrivelmente bem. O tratamento é muito melhor do que nos países de primeiro mundo onde estivemos. Aqui tem uma questão humana muito forte.
Raúl Mendoza – Eu nem posso falar muito [risos]. O mais rico de estar no Brasil é saber que você está na América e enfrenta um outro idioma, o português. Aqui há uma outra energia e todo mundo nos trata muito bem. Também temos a sensação de que aqui há mais dinheiro para o teatro do que no México. Acho que o Mirada é um canal para melhorar as relações entre os países Latino-americanos. Temos de quebrar as fronteiras e permitir que as pessoas se misturem. O século 21 criou muitos guetos, mas o importante é se misturar. E o Mirada faz isso.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc Santos.

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