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El jardin de los cerezos foto Dana Hosova11 Peças do Mirada têm entrada a partir de R$ 7,50

Cena da peça chilena El Jardin de Cerezos (O Jardim das Cerejeiras) - Foto: Dana Hasova

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os ingressos para a terceira edição do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos já estão à venda e têm preços convidativos ao bolso dos fãs de teatro: o mais barato custa R$ 7,50 e o mais caro, R$ 40, além de ter na programação espetáculos gratuitos. O festival foi lançado na última quinta (14) com produções de 12 países.

Moradores de São Paulo que desejarem acompanhar as peças que serão encenadas em Santos e em mais seis cidades da Baixada Santista entre 4 e 13 de setembro podem comprar as entradas no site ou nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo.

Terão direito a ônibus gratuito que os levará até o Sesc Santos e os trará de volta após os espetáculos do dia. O coletivo sairá do Sesc Vila Mariana (r. Pelotas, 141) e o lugar precisa ser reservado pelo telefone 0/xx/11 5080-3100.

Opção para escolher é o que não falta. São 40 espetáculos ao todo, sendo 25 internacionais. Caso sobrem entradas, elas serão vendidas também nos dias de sessão, nas bilheterias dos respectivos teatros uma hora antes de a peça começar.

O Chile é o grande homenageado desta edição do Mirada, que também tem peças da Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Paraguai, Peru e Portugal, além do Brasil.

Entre as peças nacionais disputadas pelo público, estão Walmor y Cacilda 64, o Teat(r)o Oficina, Fausto, da Cia. São Jorge de Variedades, e Puzzle A, de Felipe Hirsch com a Cia. Ultralíricos. Entre as gringas, já chamam a atenção dos espectadores Criadouro, do Centro Cultural da PUC do Peru, Matéria Prima, da Espanha, com o grupo La Tristura, e Banhos Roma, do México, com o Teatro Línea de Sombra, que na última edição causou furor com Amarillo.

Conheça a programação completa do Mirada.

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la funcion por hacer Cena Contemporânea chega à 15ª edição: “Festival profissionaliza teatro no DF”, diz Guilherme Reis

Cena da peça La Función por Hacer, da Espanha: destaque na programação - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Apesar de ser uma cidade com forte poder aquisitivo, fazer teatro em Brasília sempre foi difícil. Mas os artistas locais são resistentes e, atualmente, a cidade tem um dos mais importantes festivais teatrais do Brasil.

O concreto planejado será invadido pela poesia solta do teatro a partir desta terça (19), quando peça carioca Conselho de Classe será apresentada no Teatro Funarte Plínio Marcos. Ela abre a 15ª edição do Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, que acontece na capital federal até 31 de agosto.

São 13 dias de programação com 23 peças vindas da Argentina, da França, da Escócia e da Espanha, além, é claro, do Brasil. “O Cena Contemporânea tem 19 anos de história e completa 15 edições. Hoje, cresceu muito e se comunica com o Brasil inteiro e também com o melhor do teatro mundial”, diz Guilherme Reis, diretor e curador do evento.

Entre as novidades, estão Tomorrow, espetáculo co-produzido pelo próprio Cena Contemporânea em parceria com a Grã-Bretanha e com a Escócia, e a peça La Función por Hacer, da Cia. Kamikaze, eleita uma das melhores peças do teatro espanhol nos últimos 20 anos. Ainda no time de atrações internacionais, está a presença do bailarino e coreógrafo francês Jérôme Bel.

mundareu Cena Contemporânea chega à 15ª edição: “Festival profissionaliza teatro no DF”, diz Guilherme Reis

Olhar para a produção local: cena da peça Mundaréu, do Distrito Federal - Foto: Divulgação

Repercussão na classe artística

Parte do calendário cultural brasiliense, o Cena Contemporânea tem acolhida forte entre a classe artística e a juventude do Distrito Federal. Gente que aguarda ansiosa por sua chegada, como o dramaturgo Sergio Maggio.

— O Cena Contemporânea acentuou o tráfego de espetáculos com processos de pesquisas para Brasília. Antes, essas montagens estavam restritas às programações do CCBB e da Caixa, havendo um domínio das montagens mais comerciais.

Maggio, que é dramaturgo da brasiliense Criaturas Alaranjadas Cia. de Teatro, conta que foi no festival que, no começo dos anos 2000, por exemplo, Brasília viu pela primeira vez um Pret-à-Porter de Antunes Filho. Também foi frequentando uma oficina de dramaturgia no Cena Contemporânea, com o argentino Santiago Serrano, que ele tomou uma importante decisão, como revela ao R7.

— Foi aí que decidi escrever dramaturgia. O Cena foi ajudando a tirar esse atraso cultural, o que fez um imenso bem aos fazedores de teatro e ao público.

Troca entre artistas

De olho em trocas como estas, além das peças, o Cena continua com atividades formativas na programação. Um dos destaques é a oficina de atuação de Cacá Carvalho, que apresenta sua Trilogia de Pirandello no festival. Outras oficinas concorridas são a de dramaturgia com o autor argentino Santiago Serrado, e a de clown com o palhaço argentino Gabriel Chame.

O diretor do festival diz ao R7 que o Cena Contemporânea “é importante na formação de público”.

— Ele trouxe a juventude às salas de teatro. E renova seu público a cada ano. Já estamos com 90% dos ingressos vendidos.

O Cena Contemporânea é uma parceria da Cena Promoções Culturais com a Fundação Athos Bulcão. Entre os patrocinadores, estão Petrobras, Banco do Brasil e Funarte.

Para Guilherme Reis, o evento “influencia e contribui para profissionalizar o teatro de Brasília”. E faz questão de dividir o êxito com sua equipe. “Trabalho há mais de dez anos com a mesma equipe, o que possibilitou que fosse uma equipe especializada e de qualidade”, finaliza.

Conheça a programação completa do Cena Contemporânea 2014!

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fit publico pracaestacao guto muniz FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

FIT-BH 2014: Às vésperas da Copa, multidão se junta na praça da Estação, em Belo Horizonte, não para ver futebol ou protestar, mas para acompanhar a peça Jamais 203, da trupe francesa Générick Vapeurdo - Foto: Guto Muniz

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

A 12ª edição do FIT-BH, o Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte, entra para a história como aquela que conseguiu resistir ao atropelo da Copa do Mundo, mas acabou sofrendo arranhões de uma leve batida.

Às vésperas da Copa, Belo Horizonte, uma das cidades-sede, é um grande canteiro de obras. Desde o Aeroporto de Confins — submerso em uma poeira que invade guichês, suja malas e prejudica a respiração do passageiro e dos trabalhadores do local —, até as principais vias da cidade, a percepção é de caos contínuo e muito estresse, já que, ao que parece, nada ficará pronto até o Mundial.

Diante disso, a resistência do FIT-BH à Copa é algo a se comemorar. Até o próximo dia 25, a 12ª edição do evento bianual apresenta 54 peças de 11 diferentes países em espaços distintos da capital mineira. O público mineiro, como sempre, abraçou o festival, mas, neste ano, o evento soa mais distante e evidencia alguns problemas.

Muito já se falou sobre o fato de o FIT-BH precisar disputar atenções com gigantes: como ocorre em anos pares, precisa brigar com Copa ou Olimpíada, e também costuma ser ameaçado por disputas eleitorais, já que eleições nacionais e locais também são em anos pares. Por isso, artistas mineiros já sugeriram que o festival bianual fosse transferido para anos ímpares. Tal reivindicação jamais foi atendida pelo poder público.

fit bh publico materia prima tfc FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

Atração internacional no FIT-BH: público belo-horizontino faz fila no Parque Municipal para ver o espetáculo espanhol Matéria Prima no Teatro Francisco Nunes, reformado ao custo de R$ 11 milhões - Foto: Divulgação

Improviso e logística

Atualmente, o FIT-BH é administrado pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, ligada à Prefeitura de BH. O custo anunciado da edição 2014 é de R$ 7 milhões, o que faz dela a maior de todas, assim como a projeção de público de 230 mil pessoas até o próximo domingo (25), quando o festival que começou no último dia 6 chega ao fim.

Apesar de resistir ao ano do futebol, as marcas dos arranhões sofridos ficaram evidentes neste FIT-BH. Está no ar uma certa dose de improviso e inexperiência na execução do festival, com recorrentes problemas de logística. Não há também iniciativa de promover encontro entre jornalistas e artistas, ficando isso restrito a ações improvisadas no café da manhã do hotel.

Em tempos que comunicação ocupa lugar de destaque em qualquer evento ou organização, não houve sala de imprensa ou qualquer menção de entrevista coletiva para algum grupo, coisa que já existiu em edições anteriores e é praxe em eventos como o Festival de Teatro de Curitiba. Isso contradiz os 20 anos de história do FIT-BH, uma experiência de sobra para já ter aprendido a fazer a contento um evento de tal dimensão.

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Cena da pernambucana Salada Mista, que integra o Fitinho, novidade infantil no FIT-BH - Foto: Divulgação

Artistas comemoram

Apesar das falhas operacionais, participar do FIT-BH é motivo de comemoração para muitos artistas. O ator pernambucano Flávio Santana, do espetáculo Salada Mista, da Cia. 2 em Cena de Teatro Circo e Dança, de Recife, conta que “a Copa prejudicou o teatro de uma maneira geral em todo o Brasil”.

Para Santana, investimentos no setor escassearam. Por isso, espera que, após o Mundial, “as coisas voltem ao normal ou, quem sabe, melhorem”. O artista conta que “apesar do frio” do clima de montanha, sentiu acolhida calorosa dos mineiros. “Estar num festival como o FIT-BH é muito importante, porque é uma janela que se abre tanto para o público quanto para outros festivais”, diz.

A produtora Carina Moutinho, do grupo paulista Os Satyros, elogia a estrutura que o festival deu ao grupo para a montagem de seu espetáculo, Adormecidos, apresentado no último fim de semana na Funarte MG. “Havia uma preocupação para que nos sentíssemos bem”, afirma.

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Espetáculo paulista Sabiás do Sertão comoveu os belo-horizontinos no FIT-BH com era de ouro do rádio nacional e canções interioranas - Foto: Divulgação

Outro que demonstra estar contente na capital mineira é o diretor Luiz Carlos Laranjeiras, da peça Sabiás do Sertão, da Cia. Cênica, de São José do Rio Preto (SP). “Além de termos tido uma impressionante acolhida do público, tivemos contato com muita gente de teatro. Conheci uma curadora de Cuba, por exemplo. O intercâmbio é fundamental. O festival é um grande espaço para troca de saberes”, define.

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Peter Luppa, como o Bobo da Corte em Hamlet: "Brasileiros aplaudem com o coração" - Foto: Guto Muniz

E tal troca não se restringe a grupos brasileiros. Reconhecido mundialmente, o Berliner Ensamble ficou impressionado com o aplauso de pé de 1.700 pessoas em cada uma das duas sessões de Hamlet no Palácio das Artes. Integrante da trupe alemã, o ator Peter Luppa definiu que “o brasileiro aplaude com o coração”.

Olheiros do mundo

E a troca internacional é almejada por Belo Horizonte para seus artistas. Com o objetivo de ver o teatro mineiro viajando o Brasil e o mundo, o FIT-BH bancou a estada de cerca de 20 programadores teatrais nacionais e internacionais no festival.

Gente como o jornalista e crítico teatral Celso Curi, que integra a curadoria do Festival de Teatro de Curitiba – o maior do Brasil – e também a direção da Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo.

Ao lado do parceiro Wesley Kawaai, Curi se concentrou em montagens mineiras. “É fundamental ter o contato com outras formas de ver teatro. Este tipo de intercâmbio funciona como uma escola de programadores”, revela ao R7.

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Grupo de curadores e programadores teatrais que visitam o FIT-BH 2014 - Foto: Guto Muniz

Cadê o Ponto de Encontro?

Uma das ausências mais sentidas durante a maioria do FIT-BH 2014 foi a do tradicional Ponto de Encontro. Antes montado no Parque Municipal, com barraquinhas e shows musicais de nomes locais e nacionais, o espaço era o lugar ideal para que público e artistas se encontrassem depois das apresentações. Neste ano, apesar de prometido pela Fundação Municipal de Cultura, o Ponto de Encontro não existiu.

Pelo menos nos primeiros 15 dias do festival. Isso porque a organização anunciou de última hora para esta quarta (21) a criação de um Cabaré Bar, espécie de ponto de encontro improvisado, quando boa parte dos artistas e jornalistas já deixou a capital mineira.

publico nina becker glenio campregher FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

Público e artistas do FIT-BH assistem a show da cantora Nina Becker no Ponto de Encontro em 2012: este ano o espaço não existiu - Foto: Glênio Campregher

Ausência sentida e drible na Copa

O presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Leônidas Oliveira, chegou a marcar uma entrevista coletiva com os jornalistas que cobrem o FIT-BH no último sábado (17), mas ele não apareceu.

guillermo pellegrino FIT BH resiste à Copa do Mundo, mas leva arranhões

O jornalista e escritor uruguaio Guillermo Pellegrino: "FIT-BH às vésperas da Copa deixa legado cultural permanente" - Foto: Arquivo pessoal

Apesar dos problemas, o jornalista uruguaio Guillermo Pelegrino, que cobre o FIT-BH para a imprensa uruguaia e argentina, elogia a capacidade do teatro e da cultura brasileira de resistir ao maior evento futebolístico do mundo. E revela que ficou surpreso.

— Fiquei impressionado de ver um festival de teatro tão grande tão perto da Copa, de ver o Brasil apostar em cultura às vésperas do Mundial. Acho que, independentemente de qualquer coisa, o FIT-BH, nestes 20 anos de história, deixa um legado cultural permanente para Belo Horizonte e para o Brasil.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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peter luppa 2 Ator alemão de Hamlet, do Berliner Ensamble, vibra com aplauso fervoroso dos mineiros no FIT BH

Peter Luppa integra o elenco de Hamlet, do grupo alemão Berliner Ensamble - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

O pequeno ator alemão Peter Luppa é cuidadoso ao falar do Brasil. Escolhe bem as palavras. Afinal, esta é a segunda vez que visita o País, que diz gostar muito. A primeira foi 25 anos atrás, para férias inesquecíveis nas praias do Nordeste. Agora, veio por motivo de trabalho.

Luppa integra o elenco de Hamlet, a montagem do Berliner Ensamble que arrastou cerca de 3.500 pessoas ao Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em duas apresentações neste fim de semana, com filas gigantescas que acompanhavam a fachada do prédio na av. Afonso Pena. Faz o Bobo da Corte e tem mudanças de figurino tão rápidas que deixam a plateia boquiaberta.

Hamlet era o espetáculo era o mais aguardado no FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte), que celebra 20 anos de história nesta edição de 2014.

Durante o café da manhã com o Atores & Bastidores do R7, Peter Luppa conta que “o público foi ótimo”. Mas, revela que o grupo viveu momentos de tensão para encenar o clássico de William Shakespeare na capital mineira.

– Lá em Berlim, fazemos em palco giratório. Aqui, ficamos sabemos que não teríamos este recurso, pois o palco é estático. Então, tivemos de mudar muitas marcações. Em Berlim, as paredes giravam sozinhas, aqui tivemos de empurrar mesmo.

O ator revela que, apesar “ficou visualmente bonito o resultado”. Fruto de ensaios por dois dias exaustivos em Berlim e mais dois em Belo Horizonte, onde também tiveram de lidar com um palco que tem “o dobro do tamanho” do original alemão.

Ele diz gostar da “mentalidade brasileira”. E explica que nos considera um povo “muito tranquilo”. Diz que tal comportamento “é bom para o coração e para a circulação”. Conta que diante de qualquer problema, os brasileiros lhe dizem com toda a calma do mundo “nós vamos conseguir”, o que lhe deixa impressionado com tamanha autoconfiança. Sobre o carinho do público mineiro, Luppa filosofa.

– O aplauso no Brasil é muito mais caloroso do que na Alemanha. Lá, aplaudem assim [imita um aplauso preguiçoso, fazendo cara de nojo]. Aqui, não, é intenso. Tem outro tipo de amor e se entrega no aplauso. As pessoas se emocionam. É como se o público amasse aquelas pessoas que estão no palco. É de coração. A nós, só nos resta dizer: muito obrigado!

hamlet berliner ensamble Ator alemão de Hamlet, do Berliner Ensamble, vibra com aplauso fervoroso dos mineiros no FIT BH

Cena da obra alemã Hamlet, principal atração do FIT-BH, encenada no Palácio das Artes - Foto: Divulgação

Agradecimento: Daniel Hazan (intérprete de alemão)

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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la tristura materia prima Alemães, espanhóis e paulistas disputam público do FIT BH

Pré-adolescentes falam texto de adultos na peça Matéria Prima - Foto: Mário Zamora

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte

O espetáculo Hamlet, do grupo alemão Berliner Ensamble, é o mais concorrido deste segundo fim de semana do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte).

Com ingressos esgotados para as duas sessões no Palácio das Artes, o maior teatro da capital mineira com seus 1.705 lugares, a montagem do clássico texto de William Shakespeare atrai a atenção dos mineiros.

Dirigida por Leandro Haussmann, a peça teve parceria com o Governo da Alemanha para ser encenada no festival. O grupo precisou fazer mudanças no cenário, já que seu teatro na Alemanha possuiu palco giratório.

Para se adaptarem ao palco estático do Palácio das Artes, precisaram de dois dias de ensaios para que a estreia deste sábado (17) ficasse perfeita.

Os aplausos calorosos no final recompensaram o esforço. Peter Luppa, ator da companhia, conta ao Atores & Bastidores do R7 que o elenco ficou emocionado com reação tão calorosa.

— Foi um aplauso muito caloroso e sincero. A gente sentia que o público demonstrava amar os artistas que estavam naquele palco.

Outra peça concorrida deste fim de semana é Matéria Prima, da Espanha, apresentada no recém-reformado Teatro Francisco Nunes. A peça do grupo La Tristura apresenta atores pré-adolescentes dizendo textos de adultos e impressiona.

Adormecidos Tiago Leal José Alessandro Sampaio Luiza Gottschalk e Katia Calsavara Foto de Andre Stefano e1389915301193 Alemães, espanhóis e paulistas disputam público do FIT BH

Cena da peça Adormecidos: Satyros emocionam plateia mineira no FIT-BH - Foto: Andre Stefano

Obra que também impressionou o público mineiro foi Adormecidos, do grupo paulistano Os Satyros, apresentada na Furnarte-MG. Muita gente chorou ao fim do texto do norueguês Jon Fosse dirigido por Rodolfo García Vázquez. No palco, dramas potentes de dois casais.

Atriz do grupo, Katia Calsavara conta ao R7 que, assim como ocorreu com os alemães, foi trabalhoso o processo de remontagem da peça em palco diferente.

— A peça foi concebida para o espaço dos Satyros, que é alternativo e pequenino, com público de 40 pessoas. Tivemos de adaptá-lo para o palco italiano, com uma plateia três vezes maior ao que estávamos acostumados. Mas funcionou muito neste formato também, e o público foi bem receptivo.

Outra peça paulista, de São José do Rio Preto, emocionou quem estava na praça Duque de Caxias, no tradicional bairro de Santa Tereza, neste sábado. Musical brasileiro, Sabiás do Sertão levou para a cena o período de ouro da música de raiz no interior do Brasil.

Muitos espectadores cantaram junto e se comoveram ao lembrar-se dos velhos tempos. Luiz Carlos Laranjeiras, que dirige a Cia. Cênica, divide com todos os integrantes o sucesso.

— O ator é o centro de tudo que acontece no teatro. Nós fazemos um trabalho coletivo e estar aqui e ter esta visibilidade e este acolhimento do público e da crítica é algo muito importante.

Produção local

Produções mineiras também têm lugar na programação do FIT-BH e disputam a preferência do público conterrâneo. A montagem local Aldebaran, que mistura fábulas no palco do Teatro Bradesco, também é um dos espetáculos mais procurados deste segundo fim de semana do evento.

E o medo de avião embala o monólogo Get Out, do grupo mineiro Quatroloscinco, apresentado no Teatro José Aparecido de Oliveira, dentro da Biblioteca Pública. Com o mote da fobia de altura, a peça coloca em debate os pensamentos e imagens pré-concebidos.

O FIT-BH continua até o próximo dia 25 de maio. Ao todo são 54 produções de 11 diferentes países. Nesta próxima semana estão na programação sucessos internacionais, como a peça argentina Emilia e as cubanas Rapsodia para el Mulo e Fichenla si Pueden, e nacionais, como Cine_Monstro, do Rio.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

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fit quadro de uma familia g FIT BH tem 54 peças de 11 países

Cena da peça mineira Quadro de Uma Família, que integra a programação local do FIT-BH - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A partir desta terça (6), o teatro invade o horizonte mineiro com o 12ª edição do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte). Até o próximo dia 25 serão apresentados 54 espetáculos de 11 países em 168 sessões, o que torna esta edição recorde.

A organização, da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, espera público de 200 mil pessoas nos 15 dias do evento.

A abertura será nesta noite, às 21h, com a apresentação da peça Prazer, da belo-horizontina Cia. Luna Lunera, reinaugurando o Teatro Francisco Nunes, após reforma de R$ 11 milhões.

O fechamento do FIT-BH também será com uma trupe local, o Grupo Galpão, que vai apresentar Os Gigantes da Montanha, versão do diretor mineiro Gabriel Villela para o clássico de Pirandello.

R$ 7 milhões

Segundo o presidente da Fundação Municipal de Cultura de BH, Leônidas José de Oliveira, “o orçamento da edição 2014 é de R$ 7 milhões, com R$ 6 milhões vindos dos cofres públicos e R$ 1 milhão em parceria com a inciativa privada”. Para ele “o FIT-BH é o espaço para a classe artística e o público trocar experiências com o mundo inteiro”.

O evento abriga um time de curadores de festivais internacionais na capital mineira, como forma de dar visibilidade mundial no futuro para as produções locais.

É o que afirma Cássio Pinheiro, coordenador do FIT-BH. Ele aposta em “uma série de encontros entre produtores locais e 20 programadores de festivais e instituições culturais do país e exterior” para celebrar parcerias.

Alemães e Shakespeare

O Brasil estará representado por produções do Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Destaques para Cine_Monstro, com Enrique Diaz, Adormecidos, com Os Satyros.

Nos 450 anos de Shakespeare, a grande atração é a apresentação do Berliner Ensamble, com sua versão para Hamlet. Outro destaque internacional é Emilia, um drama familiar do grupo argentino Timbre4.

Hamlet Berliner Ensemble FIT BH tem 54 peças de 11 países

Cena da montagem alemã de Hamlet, da Berliner Ensamble - Foto: Divulgação

Fitinho e ingressos

Outra novidade deste ano é o Fitinho. A exemplo do Festival de Teatro de Curitiba, que criou o Guritiba, o FIT-BH começa também a apostar no público infantil com peças endereçadas a esta faixa etária. Tem peça até para os muito pequeninos, como a portuguesa Concertos para Bebês, do grupo Musicalmente.

Os ingressos para as peças do FIT-BH custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Podem ser comprados no site do evento e também nos Posto da Belotur (av. Afonso Pena, 1.055, tel. 0/xx/3277-7666). Cada pessoa pode comprar no máximo seis entradas por vez.

O FIT-BH foi criado em 1994, como junção de um festival de palco, idealizado no Teatro Francisco Nunes, e um de rua, iniciativa do Grupo Galpão. Esta edição, portanto, celebra seus 20 anos de história.

tonico pereira FIT BH tem 54 peças de 11 países

Tonico Pereira: doença afasta ator do FIT-BH - Foto: Divulgação

Cancelamento

A produção precisou cancelar de última hora o espetáculo O Homem Travesseiro, do Rio. Tudo porque o ator Tonico Pereira, que integra a montagem, passa por problemas de saúde que o impedem de viajar do Rio a Belo Horizonte, informou a organização.

Quem comprou entrada para esta peça, que seria apresentada no Teatro Marília, pode ter seu dinheiro de volta ou trocar por outra peça que ainda tenha entradas disponíveis.

Leia a Entrevista de Quinta especial sobre o FIT-BH

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maria robson Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Integrante do grupo Os Satyros, criador das Satyrianas, a atriz Maria Casadevall esteve no evento e ganhou um beijo do amigo Robson Catalunha, produtor do festival paulistano - Foto: Reprodução

Por Miguel Arcanjo Prado

Entre esta quinta (14) e este domingo (17), as Satyrianas movimentaram a praça Roosevelt, no centro de São Paulo, por 78 horas. A grande festa das artes - além de teatro, há música, performances, cinema e muito mais - chega ao fim neste domingo, mas ainda dá tempo de conferir algumas imagens que marcaram o festival, como o beijo, acima, que Maria Casadevall ganhou do amigo Robson Catalunha durante a festa. Veja, abaixo, outras imagens do evento:

paloma duarte fotomix fabiosilva 81 Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

A atriz Paloma Duarte é flagrada no meio do público na praça Roosevelt - Foto: Fábio Silva/Coletivo Fotomix

A atriz Paloma Duarte circula pelas Satyrianas. Ela participa da leitura do espetáculo Espelhos Paralelos, de Lauro César Muniz, no Dramamix, com direção de Bárbara Bruno.

historiasdesegundamao fotomix luhcamargo 006 Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Cena de Histórias de Segunda Mão, nas Satyrianas - Foto: Luciana Camargo/Coletivo Fotomix

Cléo De Páris e Tato Consorti atuam em Histórias de Segunda Mão, de Marici Salomão, com direção de Eric Lenate, dentro do projeto Dramamix.

otto Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Equipe de Otto se reúne após a apresentação na SP Escola de Teatro - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Equipe de Otto, espetáculo de Marco Keppler com direção de Aline Negra Silva, comemora a apresentação, feita em um lugar inusitado: o banheiro do subsolo da SP Escola de Teatro.

limusine Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Interior da limusine que serviu de cenário para peça de Letícia Simões e Robson Catalunha - Foto: Reprodução

Uma luxuosa limusine chamou a atenção de todos na praça Roosevelt. O carro foi cenário da autopeça Manual de Sobrevivência para Aqueles que Não Sabem Dirigir, com texto de Letícia Simões e direção de Robson Catalunha, com atuação de Laerte Késsimos.

soentrenos fotomix priscilahermanny 10 Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Cena da peça Só... Entre Nós, de Franz Keppler, apresentado no evento - Foto: Priscila Hermanny/Coletivo Fotomix

O dramaturgo Franz Keppler também apresentou produção nova nas Satyrianas, a peça Só... Entre Nós, com Marcia Nemer Jentzsch, Ricardo Henrique e Tiago Martelli, sob direção de Joca Andreazza, dentro do Dramamix.

20131114 fotomix luhcamargo  4 Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

O coordenador geral das Satyrianas Gustavo Ferreira: sempre alerta - Foto: Luciana Camargo/Coletivo Fotomix

Gustavo Ferreira, coordenador geral das Satyrianas, resolve as últimas questões do evento durante sua abertura, na quinta (14), na praça Roosevelt, centro paulistano.

ciclistas bonequeiros fotomix giovana pasquini Maria Casadevall ganha beijo nas Satyrianas; veja imagens que marcaram o evento do teatro em SP

Criança se diverte no projeto Ciclistas Bonequeiros em plena praça Roosevelt - Foto: Giovana Pasquini/Coletivo Fotomix

Giovana Pasquini, fotógrafa do Coletivo Fotomix, que registra a festa sob coordenação de Luciana Camargo, fez uma das imagens mais bonitas das Satyrianas 2013: uma criança se diverte no projeto Ciclistas Bonequeiros, que mistura teatro lambe-lambe com teatro de brinquedos em plena praça Roosevelt.

Leia mais sobre as Satyrianas no R7!

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danilo gentili thiago bernardes Danilo Gentili é estrela do Risológico em Curitiba

Astro da TV revelado pelo stand-up, Danilo Gentili será celebrado no Risológico - Foto: Thiago Bernardes

Por Miguel Arcanjo Prado

 Curitiba já virou uma espécie de Meca do humor brasileiro. Toda a turma do stand-up costuma sempre dar as caras por lá.

E, no próximo fim de semana, os engraçadinhos de todo o País estarão na capital paranaense. É que lá será realizada desta sexta-feira (5) a domingo (7) a segunda edição do festival Risológico.

Danilo Gentili é a grande estrela do evento e receberá homenagem. Do seu jeito bem-humorado, ele conta ao Atores & Bastidores como se sente.

– Eu me sinto no fim da vida. Receber homenagem é coisa de gente que está morrendo, não?

Brincadeira à parte, Gentili elogia os curitibanos.

– Curitiba é um dos lugares onde mais tenho resposta do público. É uma cidade que sempre valorizou o stand-up no Brasil, tanto que é pioneira nos clubes de comediantes.

A lista de participantes do festival tem 50 humoristas de todo o Brasil.

O festival terá uma mostra paralela, Riso Encena, com seis espetáculos de comédia no teatro Regina Vogue, além de oficinas de humor na Escola de Ator Cômico.

A curadoria geral é do humorista paranaense Marco Zenni. Já Claudio Torres Gonzaga, redator de humor da Globo, é curador do palco principal. Entre os participantes, estão Rodrigo Capella, Marcelo Marrom, Fernando Caruso, Diogo Portugal e Marcos Castro.

Risológico
Quando: sexta-feira (5) a domingo (7). Das 19h30 às 22h50 (sexta) e das 16h30 às 22h50 (sábado e domingo)
Onde: ParkCultural (anexo ao ParkShoppingBarigui) – rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Mossunguê, Curitiba, tel. (0xx41) 3315-0808
Quanto: R$ 85 (por dia) e R$ 210 (passaporte para os três dias). Tem meia-entrada para estudantes, pessoas acima de 60 anos, professores, doadores de sangue e portadores de necessidades especiais.
Classificação: 16 anos
Informações: http://www.risologico.com.br/

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sin titulo2 Sem título, porque não há como nomear

Após passar pelo FIT-BH, obra peruana Sem Título - Técnica Mista foi destaque no Mirada - Divulgação

Por Leonardo Kildare Louback, de Belo Horizonte
Especial para o Atores & Bastidores*

Yuyachkani, estou pensando, estou recordando. Assim se traduz o nome do grupo peruano de 42 anos que aportou mais uma vez no Brasil para se apresentar no Mirada – Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos, no fim de semana passado, depois de uma belíssima passagem por Belo Horizonte, integrando a programação do FIT (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de BH), com seu trabalho Sem Título - Técnica Mista.

O público adentra o espaço sem saber se ali já começa ou se espera começar. A primeira opção é a que vale. Vitrines expõem a história do Peru, como arquivo vivo de uma memória em ebulição. No espaço principal onde se passa o espetáculo, se veem já em cena todos os atores, espalhados, observados. Dali se iniciará uma mudança consecutiva e rápida de cenas que literalmente abrem caminho por entre o público que muitas vezes nem sabe pra onde ir, como metáfora eficaz do que a história faz com seu povo. Atropelo. Fragmento. E o furor de Teresa Ralli.

Um ator, do alto, escreve as histórias contadas pelo povo peruano. Máquina de escrever parece tiro. A força dos gestos que nenhum ator desperdiça. Para certas histórias certas não há espaço para erro de desatenção. Um instrumento típico soa. Na imagem da quádrupla dos atores/personagens cor de terra, nos andinamos e esquecemos até que é teatro.

sin titulo3 Sem título, porque não há como nomearQual o limite? A belíssima aparição da Virgem Maria, encarnada pela atriz Débora Correa, nos tira voz e quase até pensamento. Roupas bordadas com textos, iluminadas no escuro do espaço e da história da violência contra o outro. Até quando este vale de lágrimas aonde eu nunca disse pra me trazer? E quando a gente se encontrará com os demais, na beira de uma manhã eterna?

Como tudo que se refere ao Yuyachkani, não há clichês. Nem mesmo certas nomenclaturas. Segundo as palavras de Jorge Baldeon, responsável pela ambientação do espaço: “Não há cenógrafos, figurinistas, não há objetos cênicos, são elementos plásticos que aportam à atmosfera igualmente que a entrada. É documentação fragmentada, que gera no espectadore mais texturas que uma leitura linear do tema. É uma introdução à obra cênica.”

Nos figurinos-indumentárias está bordada a história do Perú, e para ler, as lanternas dos outros atores nos direcionam. Em espanhol. Em camadas que não amenizam. 140.000 mulheres camponesas, índias, esterilizadas à força por Fujimori. 69.000 peruanas e peruanos mortos pelo Estado. O quechua é falado como legitimação do discurso de desforra. Houve perda humana aos montes, originária de atropelo e exclusão. 17 de janeiro de 1888, a invasão chilena em Chorillos.

Combater o esquecimento é fazer justiça, disse um dos atores do alto de sua máquina-arma. Um militar em pernas de pau estende sua mão enorme para o povo. “Os mortos que matastes gozam de boa saúde”, se lê onde antes se apoiava seu corpo gigante. Bandeira hasteada, bandeira de roupas brancas e vermelhas dos mortos.

Como no Brasil, os políticos não prescindem nem de fala. As máscaras que invadem o palco falam por si. Os gestos e rostos estáticos dizem da essência de uma política latino-americana da corrupção e do deboche na anulação do outro. E no leilão se vende até o corpo. E se faz mágica muito bem feita, para nos distrair e escancarar a habilidade de persuasão dos nossos grandes homens de planaltos ou serras.

sin titulo5 Sem título, porque não há como nomearO dinheiro falso voa pelo espaço cênico advindo de uma caixa de Banco Imobiliário. Dinheiro virtual, como o nosso mesmo o é, sem valor, incontável e passível de nos ser tomado assim, brincando. E grita a especulação em torno de nossos bens materiais e a favor de nossa exploração sem fim. E com acidez feroz, a mais moderna música descaracterizada, sem pátria, anima a festa da depravação política, com a qual também nós brasileiros estamos absurdamente acostumados.

Até no chapéu se pinta história. Os textos das paredes se repetem nas vestes, enquanto as próprias paredes são iluminadas. Tudo simultâneo, como a própria intercalação de cenas de épocas distintas, que traçam o enredo múltiplo, aparentemente desconexo de uma dramaturgia dos sons, do espaço e do corpo estonteantes. Mas acaba em festa. Festa da não desmemorialização de si e da própria história de um grupo não composto somente de artistas, mas de povo, guiados pelas habilidosas mãos do diretor Miguel Rubio Zapata.

A memoria é seletiva. Nada tão maravilhoso como derrubar fronteiras e destruir o egoísmo. A memória precisa de veículos e, com o acordeom, a religiosa canta cancíon desconhecida. Seguirei me recordando de ti, Yuyachkani. Koroshoko.

*Leonardo Kildare Louback é ator, dramaturgo e tradutor. Ele escreveu esta crítica a convite do blog.

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Leia a cobertura completa do Mirada no R7

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Por Miguel Arcanjo Prado

Novas tendências do teatro latino-americano deram as caras na quinta edição do FilteBahia, o Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia.

O evento movimentou Salvador entre os dias 1º e 9 de setembro.

Foi uma verdadeira maratona nos palcos, com 33 espetáculos na programação.

Além de Salvador, parte da programação aconteceu em Ilhéus, Feira de Santana, Santo Amaro e Lauro de Freitas. Países como México, Colômbia, Chile, Argentina, Bolívia, Espanha, Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra mandaram representantes, bem como os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul.

Um dos diferenciais desta edição foi a criação da Mostra Internacional de Teatro Baiano, como forma de dar foco aos grupos locais, numa ação do cubano radicado na Bahia Luis Alberto Alonso, diretor artístico do evento, com Rafael Magalhães, o diretor de produção.

O evento teve público de 10,5 mil pessoas, informou a organização.

Abaixo, um gostinho para você, leitor do Atores & Bastidores aqui no R7, do que rolou no FilteBahia:

filtebahia poster FilteBahia põe foco no teatro latino americano

Destaques do FilteBahia (a partir do alto, em sentido horário): La Comida, da Argentina; Testigo de las Ruinas, da Colômbia; Ato de Comunhão, do Rio; AutoMákina, do Rio; Hamlet de los Andes, da Bolívia; e Malasombra, da Espanha - Fotos: Carlos Furman, Ximena Vargas, Paulo Severo, Cristine Rochol, Divulgação e Jaume Caldentey

 

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