Posts com a tag "grupo magiluth"

Foto de Bob Sousa
Texto de Miguel Arcanjo Prado

pedro wagner foto bob sousa O Retrato do Bob: Pedro Wagner, o doce mistério
O ator pernambucano de Garanhuns Pedro Wagner é o último dos seis integrantes do Grupo Magiluth a aparecer nesta coluna, retratado pelo nosso Bob Sousa. Talvez porque seja misterioso demais. Talvez porque seja doce demais. Talvez porque seja inteligente demais. Talvez porque seja magro demais. Talvez porque provoque carinho demais. Talvez porque nos leva a ter cuidado demais. Talvez porque cause confusão demais. Talvez porque tenha força demais. Talvez porque nos embaralhe demais. Talvez porque seja artista demais. Deve ser por isso que demorou tanto. Porque Pedro Wagner é difícil de desvendar. Um doce mistério.

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magiluth2 victor juca Crítica: Magiluth debocha de tudo e é sensação no Festival de Curitiba com <i>Viúva, porém Honesta</i>

Magiluth assume seu caos sem nenhuma culpa e com muita ironia e vira destaque no Festival de Curitiba em 2013 - Foto: Victor Jucá/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

O Grupo Magiluth, de Recife (PE), estreou nesta quarta (3) sua montagem de Viúva, porém Honesta no Festival de Curitiba.

A trupe composta por seis atores pernambucanos – Pedro Vilela, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira, Mario Sergio Cabral, Lucas Torres e Pedro Wagner – apresenta uma versão irreverente e cheia de personalidade para o texto escrito por Nelson Rodrigues, conterrâneo centenário do grupo. É de se espantar que a obra não tenha feito parte da mostra oficial do evento.

Apesar do ingrato horário das 13h, a estreia aconteceu com casa cheia e vigorosos aplausos no TEUNI. A apresentação se repete sempre às 13h até sábado (6).

viuva sergio silvestri Crítica: Magiluth debocha de tudo e é sensação no Festival de Curitiba com <i>Viúva, porém Honesta</i>

Magiluth faz Nelson Rodrigues com deboche e irreverência - Foto: Sergio Silvestri/Clix

Em Viúva, porém Honesta, o Magiluth reforça o deboche presente na “farsa irresponsável”, como denominou o próprio Nelson Rodrigues quando a escreveu na década de 50. Integrantes da geração que adora ironizar a tudo e a todos em frases sob encomenda para as redes sociais, os Novos Pernambucanos do Teatro Brasileiro não salvam ninguém, nem a eles mesmos.

Descascam a hipocrisia sexual brasileira, a imprensa fazedora de manchetes, os críticos teatrais – com sua pompa de arrogância e excesso de sensibilidade – e o próprio teatro, ao desconstruir todas as estruturas cênicas sob os olhos do público.

Nem a expressão “batata”, lugar-comum na obra de Nelson Rodrigues, se salva e é personificada no palco para desespero do elenco e diversão do público diante da obviedade transgressora da proposta.

Até a faxineira do teatro, que teimou em ver a estreia pela fresta da cortina lateral, tornando evidente sua presença, contribuiu sem querer para que a balbúrdia fosse instaurada.

Sabedores de que a originalidade é o maior trunfo que um artista pode ter, os rapazes arretados do Magiluth recriam a obra de Nelson Rodrigues com seus olhares e corpos ímpares cheios de vigor.

Caos e pênis de borracha

Com a libido em riste, brincam com os personagens da peça sobre a jovem viúva filha de um dono de jornal, que passam pelas mãos de todos. A mistura é tanta que até eles se confundem. Ou não. E o público ri e os acompanha na festa quase sem fim.

A iluminação contribui para o caos, bem como os figurinos e os objetos cenográfico cheios de significados que ajudam na composição dos personagens – sejam tranças loiras, boinas, blocos ou até mesmo um pênis de borracha.

A desconstrução começa de cara. Enquanto a plateia se acomoda e recebe rosas vermelhas para serem atiradas nos aplausos final, os meninos do Magiluth se despem aos poucos do figurino elegante com o qual estão vestidos.

O espírito de grupo é presente em todos os momentos. Até nas atuações. Os garotos se defendem, se ajudam, se empurram e formam um todo bonito e coeso. Tudo converge para um destaque conjunto.

O caos está presente o tempo todo, seja nos pulos, nos berros, nos corpos, na mistura eclética ou mesmo nas coreografias cafonas para as músicas bizarras que passam por sucessos de Rita Cadilac ou do Loco Mía, aquele grupo composto por garotos espanhóis que cantavam no Xou da Xuxa nos anos 80.

Em Viúva, porém Honesta, o Grupo Magiluth é coerente com a trajetória arriscada e hipnotizante que desenham para si mesmos. Se arriscam. Pulam de cabeça sem medo. Há tanta verdade na loucura deles que ninguém consegue passar incólume à presença dos rapazes. É como se, num passe de mágica, todos ficássemos magiluthzados.

viuva sergio silvestri2 Crítica: Magiluth debocha de tudo e é sensação no Festival de Curitiba com <i>Viúva, porém Honesta</i>

Meninos do Magiluth no palco do Festival de Curitiba - Foto: Sergio Silvestri/Clix

Viúva, porém Honesta - Grupo Magiluth
Avaliação: Muito bom

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

Veja a cobertura completa do R7 do Festival de Curitiba

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Foto de Bob Sousa

lucas torres bob sousa O Retrato do Bob: Lucas Torres e seus discos de vinil
O ator pernambucano Lucas Torres está metido até a alma no teatro que o Grupo Magiluth faz por aí. Nos últimos tempos, por conta das incansáveis turnês da trupe de Recife, tem viajado um bocado. E, em cada canto onde pisa, sempre vai em busca de mais uma peça para sua coleção de discos de vinil. O moço é apaixonado pelos LPs. E foi entre seus vinis que posou para o nosso Bob Sousa. Novas aquisições não vão faltar, já que o grupo passará 2013 na estrada. Com seu jeito tímido e doce, Lucas conquista a gente de cara. E quando está no palco, tem uma simplicidade que enternece. Vida longa a ele. E aos meninos do Magiluth, os Novos Pernambucanos do Teatro Brasileiro.

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Magiluth Aquilo que o meu olhar guardou para voce Foto de Mauricio Cuca 1 Grupo Magiluth faz turnê teatral por dez Estados brasileiros; Minas Gerais é a primeira parada

Grupo Magiluth, de Recife (PE), conquista os palcos de todo o Brasil: os atores Giordano Castro, Pedro Vilela e Erivaldo Oliveira em cena do espetáculo Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você - Foto: Maurício Cuca

Por Miguel Arcanjo Prado

O Grupo Magiluth é uma das mais promissoras companhias do Nordeste brasileiro. Tanto que o blog os apelidou de Os Novos Pernambucanos do teatro nacional. E, cientes de que o Brasil é merecedor de ver este teatro produzido em Recife, eles começam nesta quinta (14), em Belo Horizonte, uma turnê nacional sem precedentes na história da trupe recifense.

Até o final do primeiro semestre, levarão seus espetáculos a dez Estados brasileiros: Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Mato Grosso, Pará e Rio de Janeiro (veja, abaixo, a agenda completa).

O primeiro lugar em que eles aportam é a capital mineira, onde se apresentam a partir desta quinta-feira (14), no Teatro do Espaco Espanca! (Rua Aarão Reis, 542, Centro, BH, tel. 0/xx/11 3657.7348).

Leia: R7 invade apartamento do Grupo Magiluth

1 Torto Mauricio Cuca 2 Grupo Magiluth faz turnê teatral por dez Estados brasileiros; Minas Gerais é a primeira parada

Giordano Castro no ótimo monólogo 1 Torto - Foto: Maurício Cuca

O espetáculo Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você será apresentado nos dias 14, 16 e 17 de marco (quinta, sábado e domingo), às 21h.

Ele mostra o dilema de um grupo de rapazes e suas relações afetivas em um ambiente urbano. Um dos charmes do espetáculo é sempre dialogar com a cidade onde ele é apresentado. A direção é do grupo em parceria com Luiz Fernando Marques.

No elenco, estão Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Pedro Wagner e Pedro Vilela. Leia a crítica.

Já nos dias 16 e 17 (sábado e domingo) também tem o espetáculo solo 1 Torto, que rendeu indicação a Giordano Castro de Melhor Ator R7 de 2012, às 19h.

O espetáculo intimista, que tem direção de Pedro Wagner e dramaturgia do próprio ator, fala do dilema do ator diante de sua arte e tem ampla participação do público. Leia a crítica.

Os ingressos da curta temporada do Grupo Magiluth em Belo Horizonte estão a preço popular: R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia-entrada.

Veja a agenda do grupo nos próximos meses e programe-se para ver os meninos de Recife:

agenda magiluth Grupo Magiluth faz turnê teatral por dez Estados brasileiros; Minas Gerais é a primeira parada

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IMG 7693 Grupo Magiluth celebra centenário de Gonzagão com turnê teatral nas ruas de Pernambuco

Quando a zabumba encontra o teatro de rua: Magiluth celebra o conterrâneo centenário Luiz Gonzaga

Por Miguel Arcanjo Prado

Se estivesse vivo, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, completaria cem anos no próximo dia 13 de dezembro. Mas, se a festança já começou nos shows e cinemas de todo Brasil, ela não poderia deixar de ocupar o palco também. Ou melhor, ocupar o teatro de rua.

E claro que tal homenagem teria de vir de uma trupe pernambucana. E ninguém melhor do que o Grupo Magiluth, que representa o novo teatro de Recife, ser o responsável por transformar a música de Gonzagão em beleza cênica nas cidades de Recife, Olinda, Garanhuns, Caetés, Caruaru e Vitória.

O espetáculo Luiz Lua Gonzaga estreia neste sábado (8) e fica em cartaz até o próximo dia 16 em sua turnê frenética de fim de ano.

Com o novo projeto, os meninos do Magiluth demonstram que já estão craques em homenagear centenários. Já que celebraram o do dramaturgo Nelson Rodrigues, outro pernambucano ilustre, em agosto último, com uma montagem inteiramente masculina de Viúva, porém Honesta, que causou frenesi no Rio, em Salvador e no Recife.

O novo projeto tem apoio da Funarte, pelo Prêmio Funarte Centenário Luiz Gonzaga, que patrocinou 30 iniciativas em todo país de diferentes linguagens que visassem celebrar nosso grande cantor e compositor nordestino.

Como o ritmo do xaxado pede, o Magiluth vai ao encontro do povo no espetáculo de rua. Erivaldo Oliveira, ator da trupe, diz que objetivo é aproximar o grupo da gente que não tem costume de frequentar o teatro.

IMG 7717 Grupo Magiluth celebra centenário de Gonzagão com turnê teatral nas ruas de Pernambuco

Quando a música encontra o teatro: Luiz Lua Gonzaga

Pedro Wagner, também ator, lembra que a música é parte primordial do trabalho. Para darem conta do recado, os seis meninos do Magiluth chamaram os músicos Pedro Cardoso e João Tragtenberg, este último um catarinense que viajou a Pernambuco para aprender a tocar sanfona com o Mestre Camarão.

Pedro Vilela, diretor da montagem, prefere a palavra celebração a espetáculo para defini-la, já que o objetivo mesmo é homenagear o conterrâneo tão importante. Um dos charmes é um boneco manipulado pelo elenco, criado pelo ator Lucas Torres. “O objetivo é remeter à tradição das feiras populares, tão comuns no Nordeste”, revela.

Quem pensa que a obra é um relato enciclopédico se engana redondamente. Giordano Castro, responsável pela dramaturgia, diz que o objetivo “não foi realizar uma biografia, mas ativar questões que estão na obra de Luiz Gonzaga e na memória popular do nordestino”.

Completa o elenco Mario Sergio Cabral, o caçulinha do Magiluth e, claro, Muso do Teatro R7. A produção executiva é assinada pela sempre competente Mariana Rusu.

Veja abaixo quando e onde o Magiluth se apresenta, sempre com entrada gratuita:

ETAPA 1
Dia 8/12 – Sábado
16:00 – Praça Tertuliano Feitosa (Praça do Hipódromo) – Hipódromo, Recife.
20:00 – Praça da Sé - Olinda

Dia 10/12 – Segunda-feira
16:00 – Biblioteca Comunitária Amigos da Leitura – Alto José Bonifácio, Recife.
20:00 – Biblioteca Popular do Coque – Coque, Recife.

Dia 11/12 – Terça-feira
16:00 – Terminal do Alto do Capitão
20:30 – Praça do Arsenal – Bairro do Recife, Recife.

ETAPA 2
Dia 15/12 – Sábado
16:00 – Garanhuns - Parque Euclides Dourado
20:00 – Caetés - Praça da Matriz

Dia 16/12 – Domingo
16:00 – Caruaru - Parque Severino Montenegro
20:00 – Vitória – Praça do Distrito de Pirituba

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1torto juliana galvao Humano e sensível, 1 Torto do Grupo Magiluth mostra força cênica do ator Giordano Castro

Um grande ator: público fica sem saber se Giordano Castro conversa ou atua – Foto: Juliana Galvão

Por Miguel Arcanjo Prado

Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você foi a primeira obra que vi do Grupo Magiluth, que se apresentou no Festival de Curitiba, no começo deste ano. Naquele momento, não gostei.

Aquele monte de rapazes tentando fazer confidências à plateia, puxando o público até o centro do palco do Teatro Paiol, me soou demasiado. Foi o que escrevi.

Meses mais tarde, eis que o Magiluth aporta em São Paulo. Trazem não só Aquilo, como outros dois espetáculos, 1 Torto e O Canto de Gregório. Fiz questão de conhecê-los, apelidá-los de Novos Pernambucanos do Teatro e ver, é claro, os outros espetáculos. Gregóriofoi criticado aqui, mas ainda faltava descrever o que me significou ver 1 Torto.

Demorei, porque foi difícil encontrar um formato de escrita para uma experiência tão humana. Talvez, por isso, escrevo em primeira pessoa.

O monólogo é interpretado por Giordano Castro, o mais cativante cenicamente dos seis rapazes de Pernambuco. Giordano tem a magia que só os grandes atores têm. É engraçado, misterioso, vago e complexo. Faz a gente querer olhar para ele. Descobrí-lo.

No desenrolar do espetáculo, expõe coisas que passam em sua cabeça, olhando direto nos olhos do público, que fica desconcertado muitas vezes, sem saber se o ator conversa realmente ou atua.

Eis aí o grande mérito da montagem. Giordano se sente tão à vontade na obra – e no tablado – que seduz o espectador como quem não quer nada. E convida este a definir com ele o cenário, a posição dos objetos cênicos, o desenrolar da história, numa mais que acertada opção da direção sensível de Pedro Wagner.

No dia em que vi o espetáculo, havia pouco público. Para falar a verdade, quando cheguei, havia quase nenhum. Apenas eu e uma moça. Giordano e Pedro Wagner, à porta, espiavam para ver se chegaria mais alguém. Até que surgiu um casal. E a sessão foi feita.

O que poderia ser um fator de desânimo a qualquer um, serviu de inspiração ainda maior para o ator em seu fazer artístico. O espetáculo, de proposta já intimista, ficou ainda mais próximo, mais perto.

Foi como uma inconfidência feita num canto qualquer, sem que os outros escutassem. Algo íntimo, para ficar registrado apenas na memória.

Apesar de tão parecida com a proposta de Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você, a proposta de 1 Torto chega mais forte. Porque é mais densa. Mais intensa. Condensada na figura de Giordano. Não há dispersão. Apenas há um ator que tenta abrir seu coração vermelho e brilhante à plateia, que se vê hipnotizada pela verdade ou mentira visceralmente interpretada.

PS. Não bastasse o clima personalista, ao fim, Giordano ofereceu a sessão “a um jornalista que falou mal da gente, mas que depois nos conhecemos e ficamos amigos”. Uma frase tão simples, bela e verdadeira como aquilo que havia acabado de ver no palco daquela pequena sala da Funarte paulistana.

1 Torto
Avaliação: Ótimo

Leia mais sobre o Magiluth

[r7video]

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Pré Viúva 2 Magiluth em dois cliques: a volta dos filhos pródigos
Por Miguel Arcanjo Prado

Veja aí acima os seis meninos do Magiluth se aquecendo, já paramentados com elegante figurino, pouco antes de subir ao palco do tradicional Teatro Santa Isabel, em Recife, neste domingo (19).

Eles encenaram sua versão totalmente masculina de Viúva, porém Honesta, para celebrar os cem anos de Nelson Rodrigues, que serão completados nesta quinta (23). O dramaturgo pernambucano é o homenageado do 10º Festival Recifense de Literatura, do qual a apresentação fez parte.

Depois de impressionarem o público paulistano durante os meses de junho e julho, quando estiveram estiveram em cartaz na Funarte com três obras, os atores seis atores do Magitulh voltaram com tudo à terra natal.

Pedro Vilela, Lucas Torres, Mario Sergio Cabral, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira e Pedro Wagner foram recebidos com pompas e honra.

O público não ficou de fora desta recepção calorosa. A fila na porta do Santa Isabel deu voltas no quarteirão. Muito gente ficou do lado de fora, com os 700 lugares do teatro ocupados. Ou seja: um grande sucesso.

E olha aí abaixo nossos garotos apaixonados por teatro fazendo pose exclusiva para o Atores & Bastidores. Pela cara, dá para ver que estão bem felizes. Que bom.

Pré Viúva 3 Magiluth em dois cliques: a volta dos filhos pródigos

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OCandodeGregório 261 <i>O Canto de Gregório</i> coloca o homem em xeque

Espetáculo tem questionamentos existencialistas com a brisa fresca de Recife

Por Miguel Arcanjo Prado

As reflexões acerca da índole natural do homem sempre atiçaram pensadores ao longo do tempo. E o cerne da obra O Canto de Gregório, que o Grupo Magiluth encena na Funarte de São Paulo, é exatamente este: o que é ser um homem bom?

O texto de Paulo Santoro, montado originalmente há oito anos por Antunes Filho e seu CPT (Centro de Pesquisa Teatral) ganha fôlego novo com os meninos de Pernambuco, sob direção de Pedro Vilela.

Sai Ariêta Correa, revelada como Gregório em 2004, e entra Pedro Wagner na pele do personagem atormentado pelo fato de ser acusado de ter assassinado um homem.

De ares que vêm de Kafka, a montagem mostra um homem que coloca seus princípios no divã. Pedro Wagner dá a seu Gregório um ar de desespero sem fim.

O cenário branco, assim como os figurinos na mesma cor do trio que faz embate a Gregório, este vestido em tom escuro, ajudam a dar à obra um ar inóspito e árido.

Afinal, quando os princípios norteadores se esvaem é mesmo difícil encontrar alguma certeza.

Vilela acerta ao fazer com que a plateia entre dentro dos devaneios e participe do julgamento do personagem, suspeito de ter cometido um assassinato.

Erivaldo Oliveira, Lucas Torres e Giordano Castro compõem o trio que ora afaga, ora atormenta Gregório, todos com entrega perceptível à obra. Estão intensos e presentes no palco, sobretudo nos fartos momentos de deboche.

Apesar da unidade do grupo, Giordano acaba por se destacar com sua presença cênica e charme. Um dos momentos em que chama a atenção sobre si é quando incorpora Buda, para deleite do público. Giordano dá leveza ao texto, servindo muitas vezes de alívio e respiro que a plateia busca diante do peso de tantos questionamentos.

Apesar de ainda se manter soturna e agonizante, os meninos do Magiluth trazem para a obra o frescor que só eles têm. Mesmo com questões existencialistas aterradoras, deixam tal agonia sob uma fresca brisa artística que vem do Recife.

magiluth OCandodeGregório 9 <i>O Canto de Gregório</i> coloca o homem em xeque

O Canto de Gregório
Avaliação: Muito bom
Quando: sábado, às 21h. Até 28/7/2012
Onde: Funarte (al. Nothmann, 1.058, Campos Elíseos, Metrô Marechal, São Paulo, tel. 0/xx/3662-5177)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação: 18 anos

[r7video http://videos.r7.com/saiba-quais-atracoes-vao-agitar-criancas-e-adultos-neste-fim-de-semana-7-e-8-/idmedia/4ff71e97fc9ba08515aed19c.html]

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Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

O ator Giordano Castro, de 26 anos, tem olhar profundo, sorriso farto e personalidade com sotaque pernambucano. Viciado em sorvete, empresta seu excesso de charme às três peças que o Magiluth apresenta na Funarte de São Paulo até o fim do mês.

É o único do grupo de seis meninos do Recife que está nas três montagens: Um Torto, O Canto de Gregório e Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você. Interpreta com tanto talento e verdade, que às vezes o público duvida que ele esteja mesmo atuando. Coisa de quem nasceu para o palco.

Giordano é ariano com ascendência em escorpião. Diz que acredita um pouco nisso. Nascido em 7 de abril de 1986, o teatro chegou em sua vida como escolha acadêmica: só pisou no palco já aluno do curso de artes cênicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Foi lá que encontrou seus pares para formar o Magiluth (ele é o Gi da história).

Logo viciou em teatro. Ao ponto de viajar para acompanhar festivais teatrais Brasil afora (no palco ou na plateia), mesmo morrendo de medo de avião. Mesmo quando o mundo diz que não vai dar certo, persiste no teatro com sua turma. Há oito anos. Além do palco em miscelânea com os amigos, cuida da parte da comunicação e da dramaturgia.

Quando não está em cena nem nos braços da namorada, Thaysa Zooby, gosta de tocar violão. É fã de MPB. Curte Cartola, Benito di Paula, Otto e as novidades pernambucanas Academia da Berlinda e Eddie.

— O violão é um hobby bem meu e não entra ainda na história do grupo.

Também gosta de ler contos e crônicas. Cita Marcelino Freire, Fernando Bonassi, Marcel Aquino e Miró, um poeta da cena marginal recifense que adora. Atualmente, por conta da temporada paulistana, mora em um apartamento com os amigos no centro de São Paulo, defronte ao Minhocão.

São os Novos Pernambucanos.

Entre teatro, livros, discos, amor e amigos, só tem uma confissão a fazer antes de posar para a lente de Bob Sousa.

— Sou feliz. Muito.

giordano castro bob sousa O Retrato do Bob: o charme de Giordano Castro

O ator Giordano Castro: o charme pernambucano entre nós - Foto: Bob Sousa

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aquilo Pernambucanos misturam tudo no liquidificador e jogam na cara do público do Festival de Curitiba

Jogo de luzes coloridas se destaca na peça pernambucana em Curitiba - Foto: Divulgação

CURITIBA (PR) - Uma mistura de tudo sem muita definição. Isso caracteriza o espetáculo que o Grupo Magiluth, de Recife (PE), apresentou na Mostra Oficial da 21ª edição do Festival de Curitiba, Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você.

No que nomeiam “teatro contemporâneo”, a companhia que existe desde 2004 com atores saídos do curso de Artes Cênicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) leva cinco atores ao palco sob direção do grupo em parceria com Luiz Fernando Marques.

Em cena, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Pedro Wagner e Pedro Vilela ora mergulham em si mesmos durante o que parece ser uma festa, ora interagem com o público, fazendo o espectador comer amendoim japonês e até beber cerveja da marca patrocinadora do festival.

Na noite desta quinta (5), parte dos espectadores do Teatro Paiol aceitou o convite de sair de seu assento e participar da festa no palco. Houve até quem compartilhou informações íntimas com todo mundo. Mas também teve quem preferiu ficar quietinho no seu canto, recusando-se a sair do papel de público.

Contudo, a dramaturgia, feita pelo grupo recifense a partir de imagens de Curitiba, é construída em uma miscelânea onde tudo cabe.

Nordestina, a trupe tentou proximidade com o público sulista, inserindo no texto locais queridos dos curitibanos, como praças, bairros e até uma maternidade da cidade, mas também problemas, como o consumo do crack e a violência na periferia.

Com a deixa e sob um ar aparentemente despudorado, os atores jogam na cara da plateia seus problemas familiares, amorosos e existenciais. Um deles até tira a roupa para mostra “algo enorme” que guarda em si.

A iluminação de Pedro Vilela ganha força na cena em que um jogo de lâmpadas coloridas cria uma espécie de constelação multicor que surge aos poucos, ou quando, no escuro, os atores fazem surgir pequeninas estrelas com isqueiros gastos.

Contudo, tais momentos poéticos não conseguem de todo sustentar a peça. A montagem tenta abarcar tanta coisa que acaba se perdendo no meio do caos que instalou.

O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você
Avaliação: regular
Quando: sexta (6), às 21h (última apresentação)
Onde: Teatro Paiol (praça Guido Viaro, s/nº, Prado Velho, Curitiba)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação: 18 anos

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