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DSCF0232 Crônica da Lu: Perdas e ganhos

Luciana Rafaela Duarte: "Sentimo-nos incitados a provar o tempo todo que somos vencedores"

Por Luciana Rafaela Duarte, de Buenos Aires
Especial para o Atores & Bastidores*

Hoje fiquei pensando em como somos “obrigados” a ser felizes. Nesta época “Caras” em que vivemos, realmente é necessário estar sempre com um sorriso no rosto (de preferência maquiado), mostrar evidências de uma vida feliz e bem sucedida.

Claro, quem é que não quer ser feliz? Saudavelmente esta deve ser nossa decisão diária... Mas, falo da pressão que é não poder estar triste, num momento meio deprê, nem mesmo na hora da morte... Veja na mídia como as pessoas se comportam segundos pós-despedida de um ente “dito” querido...

Causa-me estranheza. Diz a letra da música: “Pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.  Todos nós vivemos momentos de intensa felicidade e de intensa tristeza. É normal. E diria que é até necessário tais momentos não tão bons, pois funcionam como mola propulsora da busca pelo que nos faz bem.

Sentimo-nos incitados a provar o tempo todo que somos vencedores: somos felizes, possuímos muitas coisas boas, muitos amigos, contatos influentes, somos lindos e saudáveis... Às vezes, revendo um filme dos anos 80, tenho a impressão de que se passaram mais do que algumas décadas. Tudo mudou.

Lembram-se da palavra “fossa”? Achar que aquele amor é TUDO na sua vida? Vejo as coisas agora bem distintas. No geral, todo mundo simplesmente vira a página. Porque sofrer é perda de tempo, e tempo é Dinheiro!

Não faço aqui apologia ao sofrimento, o que comparo é a repercussão histórico-social que o ensinamento básico da Nova Religiosidade vigente (auto-ajuda) faz refletir na maneira de sentirmos o que nos acontece dia-a-dia. Porque se você tem problemas, se está triste, se as coisas não caminham muito bem, ah, é porque você tem culpa no cartório! Não é uma pessoa abençoada. E isso, nenhum de nós quer ser.

Acredito realmente que a energia circula, que o Universo conspira a nosso favor, que o que desejamos é muito importante para definir nossa vida. Mas momentos difíceis fazem parte. Não precisamos estar sorrindo como palhaços todo o tempo, porque a vida não é só cor-de-rosa, um mesmo arco-íris tem azul, verde, vermelho, amarelo...

Desconfio muito de quem quer passar imagem da perfeição. Geralmente esconde coisas tenebrosas. Melhor é dar espaço pra todos os sentimentos que perpassam nossas vivências: ora alegria esfuziante, ora sensação de vazio, de saudade, ora nos sentimos as donas do mundo, ora parece que fomos esmigalhadas pelo monstro lá de fora...

E, também, é muito importante não esquecer: cada um tem Sua Felicidade. Nossa sociedade globalizada quer massificar tudo, padronizar até nossas escolhas mais íntimas. Rebelemo-nos!

Não deixemos que nos roubem de nós mesmos, sejamos íntegros para conosco, fortes para não sucumbir ao apelo. Quando uma ideia toma proporções de “o acordo social do momento” é muito difícil não entrar na onda. Mas vale a pena tentar, pelo menos pensar sobre isso.

Porque somos homens e mulheres sensíveis, que se alegram pelos bons feitos, pelos sorrisos de quem amamos, pelo carinho que recebemos, mas que também nos condoemos com as atrocidades que sofrem milhões de inocentes, nos toca ver um amigo numa situação-limite, quase desistimos da humanidade quando vemos tantas notícias de mães matando seus bebês. Não é fácil.

Porém, o fim do ano se aproxima. O mundo não vai acabar. Brindemos por isso e sejamos felizes com as escolhas diárias que fazemos. E peçamos um Ano-Novo melhor, porque algunas cositas não foram lá como desejamos e como não somos bobos nem nada, queremos mais, sempre mais. Mais amor, mais paixão, saúde, dinheiro, mais encontros que despedidas, mais ganhos que perdas. Mas... só ganha quem perde.

*A cronista Luciana Rafaela Duarte é pedagoga, professora de português, estudante de comunicação na Universidade de Buenos Aires e sabe chorar e sorrir.

 

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um diva para dois Em Um Divã para Dois, Meryl Streep mostra que dignidade é melhor caminho para salvar o amor

Meryl Streep e Tommy Lee Jones estrelam filme sobre tentativa de salvar casamento - Divulgação

Por Luciana Rafaela Duarte, em Buenos Aires
Especial para o Atores & Bastidores*

Entramos para ver o filme Um Divã para Dois em um cinema de Buenos Aires e percebemos que a grande maioria dos presentes é composta de senhoras e senhores.

Óbvio, a sinopse propagandeia que uma mulher casada aprende alguns truques pra reanimar seu casamento.

Mas também se podiam perceber carinhas jovens, curiosas por descobrir tais truques ou mesmo pra conferir o trabalho de dois grandes nomes do cinema: Meryl Streep e Tommy Lee Jones. Afinal, são atores muito queridos por públicos diversos.

Meryl é uma esposa que se sente triste pela distância que o tempo cravou entre ela e o marido. Não mais disposta a suportar esse vazio, vai em busca de algo que possa sacudir suas vidas tão acomodadas ao trabalho, jantar em casa, TV.

Não, ela não quer entregar os pontos, jogar a toalha e fingir que está tudo bem. O que chama atenção na personagem, é que mesmo em meio a situações que fazem florescer a ira, mágoa e mesmo raiva, ela consegue juntar tudo isso, mostrando que não está contente. E propõe uma saída com gentileza peculiar numa situação tão dramática (eles nem dormem mais no mesmo quarto).

Ela respira fundo, bem fundo... E dá o tom que os problemas enfrentados com amor devem ter.

Mas nem tudo são flores. Ele, embora tenha ido com ela pra tal terapia, é resistente até o último momento. Ele a ama, mas desaprendeu a arte do amor, aquelas coisinhas tão boas, que fazem o dia e a vida valerem a pena...

Um toque, um beijo, sinais de desejo... E se enfurece por ela o fazer passar momentos “constrangedores” diante do terapeuta, a quem ele xinga descaradamente. Bem, não vou contar toda a história. Vejam e tirem suas próprias conclusões.

Mas o que de fato me chamou a atenção foi perceber que mais importante que o nível do problema, é a maneira de conduzir as coisas.

Educação, empatia, inteligência e amor são fundamentais. Sabemos que em épocas como a nossa, de muito trabalho e demanda econômica e social cada vez mais pesadas, muitos casais, mesmo jovens, encontram dificuldade em manter a cumplicidade, o companheirismo , o tesão...

A saída mais imediata é ir encontrar outro parceiro, ou começar com sessões diárias de agressão sem fim. Mas, não são fugas acertadas.

A personagem de Meryl vai por outro caminho e mostra a relevância de se tratar todo e qualquer assunto com dignidade.

Geralmente dá certo.

*Luciana Rafaela Duarte é pedagoga, estuda comunicação social na Universidade de Buenos Aires e escreveu esta crítica a convite do blog.

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Ruy Guerra e Franciely Freduzeski 1 de 1 Ruy Guerra constrói beleza com paixão e miséria humana no espetáculo Exilados

O diretor de Exilados, Ruy Guerra, posa com a atriz Freciely Freduzeski - Foto: Marcos Ribas/Divulgação

Por Luciana Rafaela Duarte, em Buenos Aires
Especial para o Atores & Bastidores*

O texto de Exilados, espetáculo em cartaz no Teatro Nair Bello, em São Paulo, após uma apresentação de sucesso na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, no começo do mês, é forte. Os personagens criados por James Joyce são todos fortes. Falam alto, com firmeza, mas se pode notar o desespero por detrás do silêncio de suas almas.

Mais um triângulo amoroso. É quase sempre tão difícil desvendar as relações humanas... Talvez por isso o fascínio que exercem relações “perigosas”: não-monogâmicas e, se ocultas, melhor ainda. Dois amigos, uma mulher.

Nos diálogos vamo-nos perdendo, sem saber se o problema entre eles é que se amam todos e têm ciúmes uns dos outros, ou se acabaram se perdendo pelos corredores da vida diária e não sabem se vão ou se ficam.

Quem melhor que o diretor Ruy Guerra pra dar o tom a esse desenrolar de teias de solidão, luxúria, medo, aparências... ilusão? Ruy Guerra apaixonado, visceral, esse poeta-escritor, roteirista, fotógrafo, mestre do cinema põe-nos diante dessa trama instigante, sob o fio da provocação, buscando compreender a tênue separação entre sentimentos e ideais.

Por exemplo, quando Bertha (Franciely Freduzeski) faz o jogo que o marido, Ricard (André Garolli) pede, deixando-se levar pela sedução do amigo, Robert Hand (Álamo Facó) para ver até onde este vai, num momento, enfada-se, (ela, mulher de personalidade forte e moderna), questiona o amor e valores de seu marido que a entrega e abandona-a por seus ideais de liberdade.

Tudo isso num texto dilacerante, direto e, às vezes, estupidamente sincero, sobretudo por parte de Robert, que em tal turbilhão de emoções presenteia o público com uma certa leveza pueril. O elenco ainda tem Cristina Flores, como Beatrice, e Joana Medeiros, como Brigid.

E, no vaivém dos dilemas dos personagens identificamos um retrato da natureza humana tão sutil como verdadeiro. Somos grandes, fortes, modernos, altruístas. Mas também covardes, confusos, mentirosos e corruptíveis.

A crítica da época (1918) disse que via na obra muito da biografia do autor. E que tudo se tratava do problema da sinceridade e de sua definitiva impossibilidade, visto que sempre leva à solidão aquele que por amor tentou ser autêntico.

Passa por minha cabeça a temática da moda entre casais: o Swingers. Tão em voga, que aqui em Buenos Aires, o longa Dos Más Dos [Dois Mais Dois] é campeão de bilheteria. Trata-se de uma tentativa de sinceridade? Uma fuga dos amores ao estilo “amantes”? Querer colocar no mesmo combo “o cimento da casa e o perfume do ar”?

Com o aval dos envolvidos, óbvio. Uma amiga me conta que começou a namorar há poucos meses um cara que parece adorável. De imediato, início da paixão, sexo manhã, tarde, e noite, o que para ela é um santo remédio depois de um casamento brochante de dez anos. Só que o cara vem com a proposta: “Quero você, mas, de vez em quando, mais alguém pra nos animar”.

Ela se ressente (como não quer só a mim? ), mas, como Bertha, segue em frente.

Exilados, sucesso há tanto tempo e tão atual. Porque as paixões e misérias humanas são sempre as mesmas. Muitas vezes mudam de roupa e põem um pouquinho de maquiagem, que é a roupagem que cada época imprime em seus atores.

O grande barato é encontrar alguém que as conte de uma forma poética, delicada, sem perder a vitalidade da força do argumento. Ruy Guerra faz isso. Apropria-se dos conflitos de Joyce e conduz seu maravilhoso elenco fazendo da obra mais um êxito de sua longa e belíssima produção artística.

*Luciana Rafaela Duarte é pedagoga e estudante de comunicação na Universidade de Buenos Aires. Ela escreveu esta crítica a convite do blog.

Exilados
Avaliação: Ótimo
Quando: Sábado às 21h. Domingo às 18h. Até 7/10/2012
Onde: Teatro Nair Bello - Shopping Frei Caneca (r. Frei Caneca, 569 - 3° andar, São Paulo, tel. 0/xx/11 3472-2414)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação: 12 anos

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