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elis regina 2 Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

Laila Garin na melhor cena do musical: Elis pouco antes da morte - Foto: Felipe Panfili/AgNews

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Apesar de ter tido como um de seus mestres um norte-americano vindo da Broadway, a gaúcha Elis Regina (1945-1982) não soava a uma princesinha dos musicais. Pelo contrário, a vida e a obra da maior cantora que o Brasil conheceu eram muito autênticas.

Elis, a Musical, peça de Nelson Motta e Patrícia Andrade, com direção do estreante em teatro Dennis Carvalho, tenta minimizar as contradições da vida de Elis, tornando-a mais homogênea, mais "mocinha". O espetáculo diminui a força da Elis real na tentativa de torná-la um produto palatável e comercial, quando justamente o que Elis fez foi provar que poderia ser um produto midiático de sucesso sem abrir mão do talento e da personalidade. Provava isso a cada especial de TV ou entrevista: sempre articulada, sincera e contraditória.

elis regina 5 Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

Talento de Laila Garin é destaque - Foto: Felipe Panfili/AgNews

A superprodução funciona mais como recital musical do que propriamente como espetáculo teatral. Antes de tudo, é preciso ressaltar o canto da atriz baiana Laila Garin. Mesmo aprisionada pela urgência e frivolidade do formato, recria Elis a seu modo e assombra a todos a cada canção - o talento evidente a distancia de boa parte do elenco. E ganha respeito como atriz na cena dramática em que recria a última entrevista de Elis a um programa de TV, semanas antes de sua morte. É seu grande momento.

Percebe-se que parte da plateia reage à obra de forma passional, o que é comum quando artistas que habitam o inconsciente coletivo "ressuscitam" no palco.  Foi assim também com Tim Maia - Vale Tudo. A emoção costuma ser imediata, e o critério para julgamento fica um tanto quanto anuviado.

Os homens de Elis

De forma simples, o enredo apresenta Elis como a menina pobre que conquistou o mundo. Apesar de a encenação fazer sumir o último namorado da cantora, o advogado Samuel MacDowell Figueiredo, com quem ela falou por telefone pouco antes da morte, sobraram Ronaldo Bôscoli, o primeiro marido, e César Camargo Mariano, o segundo. Diante do que lhes é dado pelo enredo e direção, os atores fazem o que podem.

Tuca Andrade vai bem como Ronaldo Bôscoli, pai do primeiro filho de Elis, João Marcello. Mesmo com o roteiro deixando o personagem próximo a um vilão de peça infantil, ele o torna crível.

Claudio Lins aposta na leveza para compor César Camargo Mariano, o pai de Pedro Mariano e Maria Rita, os dois últimos filhos de Elis.

Outro homem importante para Elis, o bailarino norte-americano Lennie Dale, ganha cena à altura. Este criou o movimento cênico de braços que marcaria a cantora. Na pele de Dale, Danilo Timm mostra-se um exímio bailarino e defende sua cena com brilho, carisma e precisão coreográfica.

Faz falta alguma referência à diretora Myriam Muniz, que criou com Elis o espetáculo Falso Brilhante, o mais importante da carreira da cantora. Ela não é lembrada no musical, que prioriza os personagens cariocas, em detrimento dos paulistas, mesmo tendo Elis escolhido viver em São Paulo, onde morreu.

elis regina Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

Elis, a Musical traz Laila Garin como a maior cantora do Brasil - Foto: Felipe Panfili/AgNews

Perplexidade

Algumas cenas causam perplexidade: como os bailarinos que se arrastam pelo chão com manequins, ou as imitações bizarras de Paulo Francis e Marília Gabriela. A caracterização de Francis é absurda porque se apropria da locução arrastada que marcaria o jornalista na tela da Globo em um plano pessoal no qual ele não falava daquele jeito. Já a imitação de Marília Gabriela é ainda mais complicada.

À medida que a obra usa nomes reais e fatos de quem sempre esmiuçou sua vida diante das câmeras de TV, é preciso, pelo menos, manter certa coerência com os fatos.

Alguns fatos sofrem reducionismo, como a briga com o cartunista Henfil, depois que este enterrou Elis em uma charge. Isto se deu após ela cantar nas Olimpíadas do Exército em tempos que artistas partiam para o exílio justamente por não colaborar com o regime. Elis, neste momento da obra, parece ingênua, coisa que nunca foi.

O próprio autor da peça, Nelson Motta, aparece como personagem, mas omite o caso de amor que teve com Elis, enquanto esta era casada com Bôscoli. Só fica o lado de Elis mulher humilhada e maltratada pelo primeiro marido. Não custa nada lembrar que o apelido dela era Pimentinha.

Incômodo com a morte trágica

Regina Echeverria, que escreveu a biografia Furacão Elis, afirma que "Elis morreu, de fato, de uma dose letal de Cinzano e cocaína. Um erro de dose. Um acidente". O próprio autor do musical, Nelson Motta, contou o mesmo em seu livro Noites Tropicais: "sempre preocupada com a voz, a garganta, seus maiores bens, [Elis] estava evitando inalar cocaína, preferindo misturá-la com uísque: dessa forma a droga vai para o estômago e demora mais a entrar na corrente sanguínea, tornando muito difícil controlar as quantidades. Foi o que matou Elis".

Mas há, no musical, um incômodo em lidar com a morte de Elis. Talvez seja por isso que a direção perde a chance de finalizar o espetáculo quando Laila tem sua grande cena, com Elis sozinha e frágil diante da luz, respondendo a uma entrevista. Dá nó na garanta.

elis regina 3 Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

Parece que é preciso encobrir a morte de Elis com muita cor e Carnaval - Foto: Felipe Panfili/AgNews

Mas, logo, apressados bailarinos deslizantes entram com confetes e serpentinas para carnavalizar tudo. Como se fosse proibido sentir tristeza pela partida precoce e trágica da cantora. Querer maquiar tal dor é ferir tudo que Elis foi: uma artista coerente com suas fragilidades até mesmo no momento da morte, aos 36 anos, trancada no quarto, com três filhos pequenos para criar.

Elis, a Musical enquadra a memória de nossa maior cantora nestes novos tempos do politicamente correto. Está ali uma grande cantora, mas falta a grande artista, tão viva e inquieta, sem meias verdades, que gostava de instigar, de desnortear, de provocar. O que fica é a pergunta: o que Elis Regina acharia da ideia de convertê-la em mocinha da Broadway?

Elis, a Musical
Avaliação: Bom
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PHEDRA ANDRE STEFANO Crítica: Satyros inverte lógica e Phedra D. Córdoba vive intensamente e canta Beatles em Não Morrerás

A diva cubana Phedra D. Córdoba canta Something, dos Beatles, em Não Morrerás, da Cia. Os Satyros: "I don't want to leave her now You know I believe and how" - Foto: André Stéfano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Phedra D. Córdoba é um mar de signos. E o diretor Rodolfo García Vázquez parece saber disso muito bem ao colocá-la no centro do espetáculo Não Morrerás, do grupo Os Satyros, que tem texto do médico Drauzio Varella.

A obra faz parte da série E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias, com sete distintas montagens. Esta aborda a finitude da vida e também as diversas formas de corpos atuais, incluindo aí aqueles construídos, seja em mesas de cirurgias ou por meios digitalizados.

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A diva cubana Phedra D. Córdoba surge em cena com sua presença evidente de sempre. Faz um número musical, ao vivo, Something, dos Beatles, que começa com os versos "Alguma coisa no jeito que ela se move me atrai como nenhum outro amor". Uma verdadeira ode ao carisma de Phedra.

Os atores Bruno Gael, Fabio Ock, Fábio Penna, Tiago Leal e Henrique Mello são como pajens, rodeando as duas figuras centrais da obra.

BONECA ANDRE STEFANO POSTER Crítica: Satyros inverte lógica e Phedra D. Córdoba vive intensamente e canta Beatles em Não Morrerás

Rodeada pelos atores Henrique Mello e Bruno Gael, a atriz Katia Kasalvara se transforma em uma boneca quase perfeita, não fosse a falta de vida, na peça Não Morrerás, do grupo Os Satyros - Foto: André Stéfano

Porque, em contraponto a Phedra, está a personagem de Katia Casalvara, uma boneca ciborgue cujo rosto coberto pela tela de um tablet vai sendo modificado ad infinitum, tal qual os obcecados por plásticas dos tempos atuais. Uma direta e poética crítica à ditadura da beleza.

E o público logo percebe que a personagem de Katia, que a constrói de forma sensível, é desprovida de vida, mesmo diante de toda beleza pré-fabricada. A seu lado, ali, no auge dos seus 75 anos, com sua beleza concreta e histórica, Phedra está muito mais viva e plena do que aquela boneca, praticamente morta em sua beleza inventada.

É por inverter a lógica óbvia que Não Morrerás se destaca. E, claro, por colocar Phedra no lugar em que merece estar: o de diva maior da praça Roosevelt, reinando sobre o palco mais inquieto do teatro alternativo paulistano.

Não Morrerás
Avaliação: Muito bom
Quando: Domingo, 15h30. 50 min. Até 28/9/2014
Onde: Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 214, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
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Foto do BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

philippe gaulier foto bob sousa5 O Retrato do Bob: Philippe Gaulier, palhaço mestre
Philippe Gaulier acaba de completar 71 anos. Deu-se de presente aceitar uma viagem ao Brasil. Mas, não para fazer turismo. Muito pelo contrário. Esteve por aqui para disseminar seus conhecimentos sobre o universo clown em disputada oficina no Sesc Belenzinho, em São Paulo. No banco de aluno, os principais mestres do humor e pesquisadores do gênero do País. Palhaço respeitado e aclamado mundialmente, o artista francês é o criador da École Philippe Gaulier, em Paris, que ensina uma arte inteligente e provocativa há mais de 30 anos. Discípulo de Jacques Lecoq, ele apostou nas ideias próprias e ganhou seus seguidores de distintas nacionalidades, mas com uma coisa em comum: o amor pelo riso.

EXCLUSIVO: "Gente séria é muito perigosa", diz Philippe Gaulier

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feira boliviana 2 Teatro Documentário faz intervenção em feira de SP onde bolivianos seriam vendidos por R$ 1.000

Feira boliviana da rua Coimbra, no bairro Brás, em São Paulo - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os integrantes da Cia. Teatro Documentário realizaram uma intervenção artística neste sábado (12), na feira boliviana da rua Coimbra, no Brás, em São Paulo.

A ação fez parte do projeto Fomento ao Teatro de São Paulo.

A obra abordou aspectos da vida dos imigrantes bolivianos na cidade, como a exploração de sua mão de obra em confecções e a saudade do país de origem.

Muitos bolivianos que passavam pela feira, assim como brasileiros, pararam para ver a performance, que foi feita em um "portunhol" improvisado pelos artistas.

Em fevereiro deste ano, a feirinha da rua Coimbra virou notícia com o fato de um homem tentar "vender" dois imigrantes bolivianos por R$ 1.000 cada um.

Estima-se que a população de bolivianos em São Paulo chegue a 300 mil habitantes, dos quais apenas cerca de 70 mil são registrados oficialmente.

teatro documentario Teatro Documentário faz intervenção em feira de SP onde bolivianos seriam vendidos por R$ 1.000

Cia. Teatro Documentário na ação na feira boliviana do Brás, em São Paulo - Foto: Divulgação

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genet bob sousa Crítica: Genet, o Poeta Ladrão grita contra caretice

Iluminação de Rodrigo Alves cria ambiente poético para Genet, o Poeta Ladrão - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de BOB SOUSA

O gheto no qual habitam prostitutas, garotos de programa e gente viciada em toda espécie de drogas e  na vida bandida é o abrigo do espetáculo Genet, o Poeta Ladrão, encenação de Sergio Ferrara para texto de Zean Salles.

Se num primeiro aquele excesso de homens semidesnudos de corpos esculturais reforça signos homoeróticos, sugerindo que esta parcela da população seria seu público, sua força está justamente em conseguir chegar a uma diversidade maior da sociedade. Afinal, é esta quem precisa perceber o recado contestatório de Genet.

A montagem é uma espécie de homenagem a Jean Genet (1910-1986), o grande poeta francês do submundo. Ele próprio esteve no Brasil para acompanhar a montagem histórica de seu texto O Balcão, dirigida pelo argentino Victor Garcia no Teatro Ruth Escobar, em um Brasil mergulhado no horror da ditadura militar no fatídico ano de 1969. Tal acontecimento serve de pretexto para que a obra comece, para voltar rapidamente ao passado de juventude de Genet, filho de prostituta e de pai desconhecido, perambulando entre a cadeia e as ruas da capital francesa.

A direção aposta em imagens poéticas, reforçadas pela iluminação precisa e propositiva de Rodrigo Alves. Isso atenua o excesso de concretude do texto, muitas vezes escatológico e sexualmente verborrágico. O figurino de Iraci de Jesus veste os homens robustos do elenco com signos femininos, criando uma atmosfera onde os limites sexuais não são dados ou impostos.

Ricardo Gelli, como o protagonista, é o destaque no elenco de dez atores, com nove homens e uma mulher - Gabrielle Lopez. No decorrer da obra, ele vai se impondo aos poucos, para, no ponto extremo da crise quase convulsiva de seu personagem, conquistar de vez o respeito do espectador.

Fransérgio Araújo, como o trôpego parceiro de rua por quem Genet se apaixona, faz uma atuação que caminha próxima à performance. No elenco, ainda estão Nicolas Trevijano, Felipe Palhares, Ralph Maizza, Jhe Oliveira, Magno Argolo, Bruno Bianchi e Rogério Brito, que se destaca com seu tempo próprio para o humor.

Em um mundo no qual o conservadorismo ganha força, o espetáculo Genet, o Poeta Ladrão cumpre missão de apontar um olhar mais libertário para a sexualidade e a vida em si.

Se num primeiro momento o texto pode parecer excessivo em suas expressões chulas e no compromisso com uma vida vista como decadente por boa parte da sociedade, em um segundo olhar, mais preciso, percebe-se que a obra tem aí mesmo seu grito de resistência contra a dita moral, sempre acompanhada dos tais bons costumes. Livrar-se destas amarras comportamentais é o caminho para qualquer olhar inteligente sobre o mundo. E a peça de Ferrara faz isso com os recursos que tem a seu dispor.

Genet, o Poeta Ladrão
Avaliação: Bom
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silvana garzaro 2 Domingou: Para Silvana Garzaro

A fotógrafa Silvana Garzaro: inteligência e sensibilidade de uma artista - Foto: Arquivo pessoal

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi com imensa alegria que subi, na última terça, ao palco do Teatro Bibi Ferreira para receber o Prêmio Inspiração do Amanhã pela atuação na cobertura teatral aqui no blog. O troféu, idealizado peça Cia. de Teatro Loucos do Tarô, me encheu de orgulho, sobretudo, por dividir o mesmo palco com gente que admiro desde que me entendo por gente.

Além dos internautas, dos colegas e direção do R7 e dos parceiros de trabalho no dia a dia, os fotógrafos Bob Sousa e Eduardo Enomoto, pensei também em uma baita companheira do meu comecinho de carreira em São Paulo.

Há sete anos vivo de jornalismo cultural nesta que é a maior e mais frenética cidade brasileira. Desde que cheguei na Selva de Pedra, recém-formado pela Universidade Federal de Minas Gerais para participar do Curso Abril de Jornalismo, na Editora Abril, sabia que as coisas não seriam tão fáceis assim. Mas nunca me faltou disposição.

Logo que o curso acabou, assumi vaga de repórter na revista Contigo!, numa aposta da ainda redatora-chefe da publicação Denise Gianoglio. Ainda não estava tão habituado ao mundo das celebridades, com seu excesso de ego, e com os eventos onde todos querem ver e, principalmente, serem vistos. Neste começo profissional, uma pessoa foi fundamental no meu processo de adaptação aos novos tempos: a fotógrafa Silvana Garzaro.

Silvana foi companheira em muitas de minhas primeiras pautas. Por pior que fosse, sempre nos divertíamos. Rápida, certeira, atenta. Não deixava passar uma. No carro, na ida ou na volta, sua diversão sempre foi me contar todos os filmes da Betty Davis, dizendo-me que, se eu queria ser um jornalista respeitado, deveria ver todos eles. Que absurdo não ter visto ainda!

Silvana também contava em detalhes o melhor da noite paulistana, seus personagens, suas lendas. Ela conhece tudo. Viu com os próprios olhos.

Se as celebridades que entrevistava muitas vezes eram ocas, Silvana preenchia meu trabalho de sentido. Inteligentíssima, digna e sensível. Uma verdadeira artista.

Ao subir ali naquele palco na última terça, um tanto quanto encabulado e cegado pela luz, que faz todo discurso parecer um átimo de segundo, pensei em muita gente importante para mim. E, entre elas, pensei em Silvana. No tanto que aprendi com esta profissional das mais competentes que conheci e que nunca, jamais, perdeu sua personalidade. E só os sensíveis percebem que esta é sua melhor parte.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de fazer grandes amigos. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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laerte kessimos foto bob sousa Dois ou Um com Laerte Késsimos

O ator Laerte Késsimos pelas ruas da noite de São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Foto de BOB SOUSA

Laerte Késsimos é ator mineiro radicado em São Paulo. É nome conhecido da classe artística, amigo de muita gente, sempre metido em bons trabalhos. Sua peça mais recente foi Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues com direção de Eric Lenate no Teatro do Núcleo Experimental. Na última semana, assustou a todos por ter sido vítima de uma agressão na rua Augusta, em São Paulo, que o deixou com o maxilar quebrado. Ele passou por cirurgia e passa bem. Em recuperação, o ator aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Laerte Késsimos ou Laerte Coutinho?
Laerte Coutinho, é meu xará, é meu amor.

Praça Roosevelt ou rua Augusta?
Roosevelt.

São Paulo ou Governador Valadares?
São Paulo.

Esquerda ou direita?
Não pode ser no meio?

Não vai ter Copa ou Copa para todos?
Vai ter Copa e confusão.

Militância ou preguiça da política?
Preguiça total!

Satyros ou Oficina?
Cada um é cada um.

Vida louca ou vida bandida?
Vida louca.

Sexo verbal ou me enche de amor?
Me enche de amor, né?

O nosso amor a gente inventa ou eu vivo largado no mundo?
O nosso amor a gente inventa!

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Extraordinário Créditos Thiago Sabino 5 Teatro do Concreto comemora dez anos e cria Extraordinário inspirado na origem de Brasília

Extraordinário: cinco personagens em busca de um homem longe do mundo - Foto: Thiago Sabino

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Brasília, a nova capital do Brasil inaugurada por Juscelino Kubitschek há 54 anos, juntou ao mesmo tempo a realização de uma utopia com a frustração de se viver em uma cidade no meio do nada.

Extraordinário Créditos Thiago Sabino 4 Teatro do Concreto comemora dez anos e cria Extraordinário inspirado na origem de Brasília

Extraordinário celebra dez anos do Teatro do Concreto de Brasília - Foto: Thiago Sabino

Um lugar rodeada pelas imponentes construções de concreto de formas leves projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer e mergulhada na imposição do traçado definido pelo urbanista Lúcio Costa.

Pois um dos filhos mais ilustres desta terra, o Teatro do Concreto, vai mexer exatamente nestas questões iniciais na montagem Extraordinário, que celebra os dez anos da companhia teatral.

A obra tem dramaturgia de Vinícius Souza e direção de Francis Wilker. Ícone do teatro de grupo do Distrito Federal, a companhia tem número dos quais se orgulhar: nesta trajetória, foram sete espetáculos e três publicações.

Na peça, cinco personagens (vividos por Aline Seabra, Alonso Bento, Gleide Firmino, Jhony Gomantos e Nei Cirqueira) são convidados a fazer uma inusitada cobertura: a descoberta de um homem que habita um lugar nunca antes visitado.

A partir disso, o grupo questiona nossa realidade e os caminhos que a humanidade toma neste mundo pós-moderno e repleto de tecnologias. Extraordinário fica em cartaz no CCBB Brasília entre 2 de maio a 1º de junho. Uma exposição fotográfica no local também relembra a trajetória da trupe.

Extraordinário
Quando: Quinta a sábado, 19h30, domingo, 18h. De 2/5/2014 a 1º/6/2014.
Onde: CCBB Brasília (SCES Trecho 2 – Brasília, DF; tel. 0/xx/61 3108-7600)
Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

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magiluth Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Os meninos do grupo pernambucano Magiluth em Viúva, porém Honesta - Foto: Divulgação

POR MIGUEL ARCANJO PRADO

A volta dos que não foram
Os danados meninos do Grupo Magiluth, os pernambucanos que mais causam no teatro brasileiro contemporâneo, mandam avisar que chegam a São Paulo no começo da próxima semana. Prometem causar ainda mais, é claro. Eles apresentam de 15 a 20 de abril, terça a sábado, 20h, e domingo, 19h, sua debochada versão para o texto Viúva, porém Honesta (leia a crítica). A obra é de ninguém menos do que Nelson Rodrigues e será encenada no Itaú Cultural (av. Paulista, 149). Já de 23 a 27 de abril, sempre às 20h, eles se apresentam na Funarte São Paulo (al. Nothmann, 1.058), que é onde a peça foi concebida durante a permanência do grupo na fria São Paulo de 2012, quando se hospedaram em um movimentado apartamento de frente para o Minhocão.

Quem é Dorothy Dalton?
O que a coluna não se cansa de perguntar é em quem os peraltas artistas do Magiluth se inspiraram para fazer a versão debochada do crítico teatral mais emblemático da dramaturgia brasileira, Dorothy Dalton. Eles prometem que responderão em breve. Aguardemos.

Melhoras
Tudo correu bem na cirurgia no maxilar do ator Laerte Késsimos, que teve o osso quebrado ao tomar um soco durante confusão na rua Augusta, em São Paulo. Agora, ele está convalescendo. Que ele volte logo aos palcos, é o que todos desejamos.

Recado do Gerald
O diretor Gerald Thomas tomou o microfone do Teatro Anchieta do Sesc Consolação, pouco antes da estreia de Entredentes, nesta quinta (10), para reiterar que ninguém podia fotografar seu espetáculo. E mandou todo mundo desligar o celular.

Não respeitou o Gerald
Mesmo com o recado, a coluna viu um senhorzinho, que ficou parado no corredor, ligando o celular para filmar uma das cenas da obra.

Ansiedade do Gerald
Falando nele, Gerald Thomas deu trabalho nos dias que antecederam a estreia mundial de sua obra. É que ele fica muito nervoso.

Ney Latorraca 007 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Ney Latorraca saiu para cumprimentar o público após a sessão sem Thomas - Foto: Leo Franco/AgNews

Cadê o Gerald?
Assim que a peça acabou, Gerald Thomas saiu pela porta dos fundos que dá direto no estacionamento do Sesc Consolação. Não quis cumprimentar ninguém. Os atores Ney Latorraca, Edi Botelho e Maria de Lima tiveram de justificar a ausência pelo nervosismo do mestre.

Cadê os convidados?
Apesar da disputa por convites para a pré-estreia de Entredentes ter sido movimentada, a coluna contou mais de 40 lugares vagos na sessão que abriu a temporada da peça. Uma pena.

Fala do Gerald
Na entrevista exclusiva que deu ao Atores & Bastidores do R7, Gerald Thomas adiantou boa parte do texto de sua nova obra. Leia!

DSC 2500 Silvia Buarque e sua mãe Marieta Severo Estréia da peça O ESTRANHO CASO DO CACHORRO MORTO Abril 2014 Foto CRISTINA GRANATO  Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A atriz Sylvia Buarque beija a mãe, Marieta Severo - Foto: Cristina Granato

Amor de mãe
Marieta Severo fez questão de ir à estreia da peça da filha, Sylvia Buarque, O Estranho Caso do Cachorro Morto, dirigida por Moacyr Goes, na sala Marília Pêra do Teatro Leblon, nesta quinta (10). Marieta ganhou um beijo enorme de sua menina. Que fofo.

Agenda Cultural

Concentração
O ator Rui Ricardo Dias, que viveu Lula no filme Lula O Filho do Brasil, está envolvido em um projeto de peça. O espetáculo é baseado em um grande texto literário brasileiro, com direção de Antônio Januzelli, o Janô, prefessor histórico da Escola de Arte Dratica da USP.

Mala feita
O diretor Celso Frateschi está em turnê pela Grande São Paulo com sua peça Horácio.

Obsessão
A peça Toc Toc já foi vista por 400 mil pessoas em seis anos. A direção é de Alexandre Reinecke, que fez 30 anos de carreira e costuma arrastar multidões para suas comédias. A obra volta ao cartaz dia 18 de abril, às 21h, no Teatro APCD, em Santana, zona norte de São Paulo.

Agenda
O Teatro Ágora abriu a temporada de monólogos Solos Férteis, um Olhar Feminino. Todas as peças com uma só atriz no palco. O início foi com Clara em Neve, de Mari Nogueira, que faz as duas últimas apresentações neste sábado e domingo, às 18h. Depois, nos dias 19, 20, 26 e 27 de abril, tem Cuidado Frágil, ao sábado, 21h, e domingo, 19h. A peça tem Priscila Jácomo dirigida por Daniel Viana e Júlia Barnabé. Por último, virá Monga, com Maria Carolina Dressler dirigida por Juliana Sanches, nos dias 3, 4, 10 e 11 de maio, sábado, 21h, e domingo, 19h. Merda para todos.

MariaCarolinaDressler00145 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Maria Carolina Dressler não para: ela está em várias peças - Foto: Divulgação

Ela não para
Falando em Maria Carolina Dressler, ela não para. Além de estar em um novo processo criativo do Grupo XIX de Teatro, ela encena neste fim de semana no Centro Cultural São Paulo a peça 3 Movimentos, com a Cia. Ocamorana, dentro do projeto que rememora os 50 anos do golpe civil-militar. Além disso ela também está na turnê nacional do espetáculo Carne, da Cia. Kiwi. Nos dias 14 e 15, a obra estará em Santos. Não bastasse tudo isso, ela ainda fará apresentação no interior de São Paulo com a aclamada peça Estrada do Sul, do Grupo XIX, na qual faz uma elegante motorista na obra que tem interação entre público e plateia dentro de automóveis em movimento e em um engarrafamento.

Dança, meu povo
O Sesc Santo Amaro abriga boa parte da programação do 5º Circuito Vozes do Corpo. De 15 de abril a 18 de maio, o evento reúne 30 companhias de dança de distintas regiões do Brasil. Saiba mais.

Rózà
Após fazer sucesso no Festival de Teatro de Curitiba 2014, a peça Rózà estreia no próximo dia 18, na Casa do Povo (r. Três Rios, 252), no Bom Retiro. A peça é inspirada na vida da filósofa Rosa de Luxemburgo, ícone feminino do pensamento de esquerda. O grupo vai aproveitar o ar rústico do espaço paulistano fundado em 1949, que andou esquecido por muito tempo e vem sendo retomado pela classe artística. Que bom.

Glória
Cristine Paoli-Quito está com a moral lá em cima depois da declaração de amor de Philippe Gaulier, o maior mestre de palhaços do mundo, em entrevista exclusiva ao R7. Foi a única artista brasileira citada pelo gênio do clown. E com admiração. Quem pode pode.

Pirou no Pirandello
O primeiro grande sucesso do dramaturgo italiano Pirandello fez a cabeça de Marco Antônio Pâmio.O diretor estreia nesta sexta (11), a peça Assim É (Se lhe Parece) no Teatro do Sesc Vila Mariana. O elenco tem nomes tarimbados do nosso palco, como Bete Dorgam, Joca Andreazza e Hugo Coelho. A obra brinca com a ideia de verdade. Antunes Filho prometeu ir, resta saber se ele vai mesmo...

Meu mundo caiu
Se Maysa Matarazzo estivesse viva, certamente iria à estreia da peça Salve a Dor de Cotovelo, nesta sexta, às 21h30, no Teatro Augusta. No palco, só canções de fossa. A peça é dirigida por Eduardo Mansur e tem no elenco Luiz Araújo, Naíma, Beto Marden e Charles Dalla. Este último, que também é diretor musical da obra, precisou substituir o ator Fernando Rios às pressas, porque ele teve um problema de saúde. A coluna deseja melhoras.

Salve a Dor de Cotovelo2 Marcelo Auge Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Luiz Araújo e Naíma: beijo de amor em peça de dor de cotovelo - Foto: Marcelo Auge

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agenda 11 4 2014 Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 11/04/2014

Lidiane Shayuri e Miguel Arcanjo Prado no telejornal Hora News: Agenda Cultural - Foto: Reprodução

O jornalista e editor de Cultura do R7 Miguel Arcanjo Prado conta para a apresentadora Lidiane Shayuri as melhores dicas culturais. Tem exposição sobre o Maracatu Rural de Pernambuco no Centro Cultural dos Correios de Salvador, show de Felipe Cordeiro no Pelourinho, o filme Capitão América 2 nos cinemas; e ainda: teatro Mário e as Marias para as crianças e Recusa para os adultos, em São Paulo, com entrada gratuita. Veja o vídeo:

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