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IMG 9399 682x1024 Crítica: Bruno Motta supera texto de 1 Milhão de Anos em 1 Hora

O humorista Bruno Motta se apresenta no Rio com seu solo 1 Milhão de Anos em 1 Hora - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Bruno Motta é um dos humoristas mais inteligentes da nova geração. Tem pegada ácida, mas sem partir para a ofensa barata, como é comum no trabalho de muitos de seus colegas.

Outra coisa que o diferencia Bruno de nomes como Rafinha Bastos e Danilo Gentili é que seu humor ataca os opressores e não os oprimidos, como o boa receita de humor manda fazer. Afinal, bater em quem já apanha da vida é covardia.

Bruno coloca sua capacidade de segurar uma plateia em ação na montagem 1 Milhão de Anos em 1 Hora, que chega ao Teatro Leblon, no Rio, no próximo dia 9 de maio, após temporada de êxito no Teatro Nair Bello, em São Paulo.

A comédia do norte-americano Colin Quinn teve direção original de ninguém menos do que Jerry Seinfeld em Nova York. A versão brasileira é assinada por Marcelo Adnet, com direção de Cláudio Torres Gonzaga.

A premissa do espetáculo é simples: contar toda a evolução humana em uma hora, como diz o título. E, nisto, Bruno Motta é preciso e faz até questão de utilizar um relógio para garantir que o tempo seja cumprido — ao contrário de Claudio Botelho, que trapaceou a plateia fazendo durar bem mais do que duas horas o espetáculo Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, o que fez com que muitos espectadores deixassem a sala, sentindo-se desrespeitados pelo título enganoso.

Bruno tem a elegância de virar o relógio para o fundo do palco, enquanto a peça acontece, para que o público não se distraia com a contagem, o que faz muito bem.

O texto é divertido em muitos momentos, traça alguns perfis impagáveis de ícones históricos, mas, em certos momentos, carrega certa dose de preconceito: sobretudo com muçulmanos, latino-americanos e africanos.

Isto reflete que a obra não deixa de ser uma visão da história a partir do ponto de vista de um homem branco e norte-americano. A plateia precisa estar atenta a isso, para não tomar o dito no palco como “verdade história absoluta”. Sabemos que, claramente, é uma peça de ficção, mas em se tratando de público nacional, é sempre bom reforçar.

Os melhores momentos da montagem são quando Bruno Motta foge do texto original e é ele mesmo, improvisando ou mesmo fazendo textos que já integram seu repertório — quem acompanha o trabalho do artista certamente consegue reconhecer estes momentos. E a plateia reconhece isso, ao gargalhar com mais veemência nos momentos de autenticidade.

Isso nos faz chegar à seguinte conclusão: Bruno Motta não precisa de texto nova-iorquino para montar um espetáculo solo de humor. Ele mesmo é capaz de criar textos bem mais interessantes e de diálogos mais profundos com a plateia brasileira, a qual conhece como ninguém. O resultado quando este encontro acontece é riso farto.

1 Milhão de Anos em 1 Hora
Avaliação: Bom
Quando: Quinta, sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h. De 9/5/2015 a 31/5/2015
Onde: Teatro do Leblon (r. Conde Bernadotte, 26, Leblon, Rio de Janeiro)
Quanto: R$ 50
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Bruno Motta supera texto de 1 Milhão de Anos em 1 Hora

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a toca do coelho 1024x735 Bianca Rinaldi substitui Maria Fernanda Cândido em A Toca do Coelho

A pose é antiga, mas o elenco é novo: A Toca do Coelho volta a SP - Foto: Jairo Goldflus

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A peça A Toca do Coelho reestreou em São Paulo neste fim de semana com o elenco completamente reformulado.

Saem de cena Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido, e entram Anderson Di Rizzi e Bianca Rinaldi na pele de protagonistas da peça que conta a história de um casal que vive o luto de um filho morto em um acidente.

Também estão na peça Neusa Maria Faro, no lugar de Selma Egrei, e Rafael De Bona, no lugar de Felipe Hintze.

A única remascente do elenco antigo é Simone Zucato, também produtora da peça escrita por David Lindsay-Abaire e dirigida por Dan Stulbach.

A nova temporada vai até 14 de junho de 2015 com sessões às sextas, 21h30, sábado, 21h, e domingo, 18h, no Teatro Itália (av. Ipiranga, 344, metrô República), em São Paulo, com ingresso a R$ 50 a inteira.

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1002693 553202278126729 1061123984685012295 n Dois ou Um com Claudio Andrade

Claudio Andrade esté em De Artista e Louco Todo Mundo Tem um Pouco - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Claudio Andrade está na comédia De Artista e Louco Todo Mundo tem Um Pouco. A obra faz temporada até 28 de junho, sexta e sábado, 21h, e domingo, 20h, no Teatro Bibi Ferreira (av. Brigadeiro Luís Antônio, 931), em São Paulo. A entrada custa R$ 50 a inteira e R$ 25 a meia-entrada. Ele topou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Arte ou loucura?
Arte.

Povo ou poder?
Povo.

Aracaju ou Rio?
Rio.

Preto ou branco?
Preto.

Tenho andado distraído ou impaciente e indeciso?
Tenho andado distraído.

Segredos de liquidificador ou todas as mulheres do mundo?
Segredo de liquidificador.

Eduardo Cunha o Jean Wyllys?
Sem dúvidas nenhuma Jean Wyllys.

Sala preta ou palco italiano?
Palco italiano.

Beleza não põe mesa ou beleza é fundamental?
Beleza não põe mesa.

Axé ou pagode?
Pagode estilo samba.

Leia outras edições da coluna Dois ou Um

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agenda cultural 24 4 2015 1024x640 Vídeo: Veja a Agenda Cultural do Hora News, na Record News, desta sexta feira, dia 24/04/2015

Lidiane Shayuri recebe Miguel Arcanjo Prado no Hora News, na Record News

O colunista e editor de Cultura do R7, Miguel Arcanjo Prado, conta para Lidiane Shayuri as melhores dicas na Agenda Cultural do telejornal Hora News, na Record News. No teatro, tem as peças América Vizinha e A Sogra que Pedi a Deus. Em Ouro Preto, Minas, tem o Festival Nacional do Choro. Nos cinemas, tem Os Vingadores 2 - Era de Ultron e também Pássaro Branco na Nevasca e O Sal da Terra, documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado. Com edição de Aline Rocha Soares e Daniel Mori. Veja o vídeo:

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IMG 38281 1024x683 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Ricardo Gelli e Sergio Mamberti estão no Teatro Jaraguá com Visitando o Sr. Green - Foto: Ale Catan

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Filho pródigo
Sergio Mamberti volta ao teatro após 12 anos longe dos palcos em Visitando o Sr. Green, ao lado de Ricardo Gelli. A direção é Cassio Scapin, que fez a obra 15 anos atrás com o saudoso Paulo Autran.

Roendo as unhas
Cassio, aliás, estava nervosíssimo antes de começar a sessão de pré-estreia para imprensa e convidados, nesta quinta (23), no Teatro Jaraguá. "Agora estou em um outro ponto de vista. Paulo Autran está vivo no meu coração e com certeza está de alguma forma aqui esta noite", confidenciou à coluna antes de o terceiro sinal tocar.

Confissão
Mamberti contou que depois de mais de 11 anos no Ministério da Cultura, a peça marca seu reencontro com o público. "Volto a estar sobre o palco, como sempre estive por mais de 50 cinquenta anos – espaço sagrado onde passei a maior parte de minha vida", falou, emocionado.

A dedo
"Para comemorar este esperado retorno, escolhi o texto do americano Jeff Baron, Visitando o Sr. Green, prestando justa homenagem a um grande mestre e defensor do teatro brasileiro, Paulo Autran, criador desse personagem. Nada mais significativo para mim”, declarou Mamberti.

Rei morto, rei posto
Para fazer Visitando o Sr. Green, Ricardo Gelli precisou deixar o elenco de Propriedades Condenadas, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso. Foi substituído por Gustavo Haddad.

Presença VIP
O norte-americano Jeff Baron estava na pré-estreia e foi chamado ao palco. Falou, em inglês, que era um prazer ver sua obra montada duas vezes no Brasil. "É maravilhoso", definiu.

Dose dupla
Jeff também esteve na sessão para a comunidade judaica paulistana na quarta (22). Gostou tanto que repetiu a dose na sessão para a imprensa e convidados. Fez bem.

IMG 3811 1024x682 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Sérgio Mamberti ficou 12 anos longe dos palcos até fazer Visitando 0 Sr. Green - Foto: Ale Catan

Gente graúda
Os atores Arllete Montenegro e Paulo César Pereio estavam na plateia. Pereio sentou-se na primeira fila e foi o primeiro a se levantar para aplaudir de pé, assim que as luzes se apagaram.

De batom vermelho
A atriz Julia Bobrow foi à sessão muito bem acompanhada.

Selfie
Ao fim da peça, muitos espectadores pediram fotinhas com Sérgio Mamberti, Ricardo Gelli e Cassio Scapin. Eles posaram todo sorridentes.

Mimo
Ao saírem do Teatro Jaraguá, os convidados ganharam bombons.

Agenda Cultural

intocaveis joao caldas Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Sucesso de público, Intocáveis prorrogou temporada em SP - Foto: João Caldas

Mais um pouquinho
A peça Intocáveis, baseada no sucesso do cinema francês, foi prorrogada até 30 de agosto no Teatro Renaissance, em São Paulo. É que está lotando.

Me dá um dinheiro aí
O Grupo de Segunda resolveu fazer uma campanha no site Catarse para conseguir levantar a peça O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. Até vídeo eles fizieram. Para ajudar, clique aqui.

Saudade de Pina
Especialista na montagem de espetáculos de dramaturgos brasileiros, desta vez a Cia. das Artes abre 2015 com um dos maiores clássicos do teatro universal: Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Com direção de Antonio Netto, a peça estreia quarta-feira, 6 de maio, às 21h, no Teatro Commune. A obra se inspira na arte da grande coreógrafa alemã Pina Bausch (1940–2009). A temporada terá sessões às quartas e quintas, 21h, até 4 de junho. Vai, gente!

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Cena de O Terno, peça de Peter Brook no Teatro Paulo Autran, em SP - Foto: Adauto Perin

Disputado
Peter Brook, o grande diretor, está no Brasil com seu espetáculo O Terno. Está no Sesc Pinheiros, no Teatro Paulo Autran, em São Paulo, até domingo (26). Com atores negros no elenco, a montagem tem texto criado a partir do conto do escritor sul-africano Can Themba e adaptado para o teatro por Mothobi Mutloatse e Barney Simon. Tem gente disputando os ingressos a tapa.

Reta final
Manual de Autodefesa Intelectual, da Kiwi Cia. de Teatro, só fica até 10 de maio no Sesc Belenzinho. Depois não diga que não avisei.

fabio penna Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Fábio Penna (foto) criou festa Kitling com Marcelo Szykman na Kitsch Club - Foto: Lorena Garrido Borges

Refestança
Nesta sexta (24) à noite acontece a primeira edição da festa Kitling Gong Show & Party, na Kitsch Club, em São Paulo, idalizada pelos atores Marcelo Szykman e Fabio Penna. Eles querem transformá-la na nova festa da turma do teatro. Felipe Hamachi e André Santi serão os mestres de cerimônia. João Baldasserini e Milhem Cortaz serão os DJs convidados da estreia. João Faria e Marcelo Szykman são os DJs residentes. Vamos ver qual é que é.

Viva Tennessee!
Na próxima segunda (27), às 17h, o Teatro da USP, o Tusp, realiza em São Paulo, na sede da rua Maria Antônia, a leitura das peças Esta Propriedade Está Condenada e O Longo Adeus. Ambas de ninguém menos do que Tennessee Williams, considerado por muitos o maior dramaturgo norte-americano. Eva Wilma concorda.

frida diego Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Frida e Diego faz nova temporada carioca a partir desta sexta (24) - Foto: Divulgação

Mexicanos
Frida Y Diego reestreia nesta sexta (24) no Teatro Fashion Mall, no Rio. A temporada vai até 28 de junho com Leona Cavali na pele de Frida e Jose Rubens Chachá como Diego. Maria Adelaide Amaral é a autora da peça. Esse é o primeiro texto inédito dela depois de dez anos. À frente do projeto estão o diretor Eduardo Figueiredo e o diretor de produção do espetáculo, o ator Maurício Machado. Turma boa.

Los hermanos
Falando em Frida Kahlo e Diego Rivera, os personagens estão na peça América Vizinha, que será apresentada de graça neste sábado (25), às 17h, no Armazém 19h, na Vila Maria Zélia, na zona leste paulistana. Vai lotar. Então, é bom chegar bem cedo...

lauanda varone Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Lauanda Varone, Musa do Teatro R7: nova peça à vista - Foto: LolaStudio

Beleza rara
Lauanda Varone, atriz gaúcha radicada em São Paulo e que já foi eleita Musa do Teatro R7, ensaia novo espetáculo teatral. Aguardemos ansiosos.

Jovens em fúria
Fortes Batidas, peça de Pedro Granato, está dando filas gigantescas no Centro Cultural São Paulo. Termina domingo (26). Reza a lenda que os ingressos acabam em três minutos. Eita.

bob sousa Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Bob Sousa com o retrato de Maria Alice Vergueiro que está na exposição Retratos do Teatro

Retrato na parede
Bob Sousa, nosso grande fotógrafo dos palcos, expõe seus Retratos do Teatro em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, até o próximo dia 30 de abril. No Espaço Feira Shopping, com entrada gratuita. A realização é do Sesc Thermas de Presidente Prudente, em parceria com a Sindicato Patronal do Comércio Varejista do Pontal do Paranapanema e a Secretaria de Cultura de São Paulo. Dá-lhe, Bob!

Andando nas nuvens
Elder Fraga está feliz da vida depois que seu filme curta-metragem Nóia foi selecionado para passar no Festival de Cannes, na França. É pra se alegrar mesmo. Patrícia Vilela é a protagonista.

Consertando Frank Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Consertando Frank terá sessão com tradução simultânea para libras

Inclusão
A peça Consertando Frank terá sessão com tradução para libras, a linguagem brasileira de sinais, nesta sexta (24), 21h30, no Teatro MuBE Nova Cultural, em São Paulo.

Para los niños
No ar na novela Chiquititas, onde faz o papel de Vera, mãe da Clarita, a atriz Aldine Müller se prepara para a sua primeira montagem infantil. O nome é O Casamento da Baratinha Atômica, que estreia dia 2 de maio, 16h, no Teatro J. Safra, em São Paulo. Veja a foto abaixo: não é uma graça?

IMG 9713 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Muitas cores: elenco da peça infantil O Casamento da Baratinha Atômica faz pose para a coluna - Foto: Divulgação

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20150422 164554 768x1024 Entrevista de Quinta   Talento não acaba quando envelhecemos, diz atriz Arllete Montenegro

Arllete Montenegro faz parte da história da TV e da dublagem no Brasil - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É fim de tarde, os carros avançam pelo Minhocão e a chuva começa a cair em São Paulo quando a porta do apartamento no 11º andar no prédio na praça Marechal Deodoro se abre. Do outro lado está a atriz Arllete Montenegro, ícone da história da televisão.

Ela estreia nesta sexta (24), no Teatro Bibi Ferreira, a comédia De Artista e Louco Todo Mundo Tem um Pouco, com texto de Ronaldo Ciambroni e direção de Jacques Lagoa [veja serviço ao fim].

Com um sorriso no rosto, conta que acaba de retornar de uma dublagem. Estava aproveitando o tempinho livre para ver Ghost - Do Outro Lado da Vida na Sessão da Tarde. "Adoro este filme", conta, enquanto vai buscar a revista Contigo! que o porteiro acaba de entregar. Vez ou outra, vendo TV, escuta a própria voz.

Arllete foi uma das criadoras não só da teledramaturgia brasileira como também da dublagem. Começou no rádio, no fim da adolescência, quando inscreveu-se no concurso Procura-se uma Estrela da Rádio São Paulo. Tirou primeiro lugar.

Logo, virou realmente estrela de radionovelas. Daí para a televisão, foi um pulo. Começou na extinta Tupi, em 1956. No ano seguinte, foi contratada pela Record. Fez novela ao vivo e clássicos como a primeira versão de Éramos Seis. Em 1960, já muito famosa, foi contratada pela Excelsior, que vivia seu auge. Foi lá que fez A Muralha, sucesso absoluto em 1968, onde era nora de Fernanda Montenegro, sua xará duas vezes, já que o verdadeiro nome de Fernanda é Arlete.

Em 1971, retornou à Tupi, onde fez clássicos como A Viagem, em 1975, e permaneceu até o triste fim da primeira emissora brasileira.  Fez mais de 50 novelas. A partir daí, viu todos os seus colegas se transferirem para o Rio, para trabalhar na Globo.

Por precisar cuidar do marido e da mãe doentes, permaneceu em São Paulo, fazendo apenas participações esporádicas nas novelas. O teatro acabou sendo sua forma de manter viva a atuação em sua vida. E a dublagem, que nunca a abandonou.

Histórias não faltam para ela contar nesta Entrevista de Quinta ao Atores & Bastidores do R7. Leia com toda a calma do mundo.

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Arllette Montenegro, ao lado de Milton Levy, Cláudio Andrade e Dani Marcondes, colegas de elenco na peça De Artista e Louco Todo Mundo Tem um Pouco, em cartaz no Teatro Bibi Ferreira - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como foi o convite para fazer a peça De Artista e Louco Todo Mundo Tem um Pouco?
ARLLETE MONTENEGRO — A peça é um pouco nonsense, bem louca, é uma coisa do Ciambrone. É bem atual. Muita gente me disse que tem parente assim. Sabe gente que está despirocada mesmo? Ela é assim. As pessoas morrem de rir.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Está feliz?
ARLLETE MONTENEGRO — Sim. O Jacques Lagoa, que é o diretor, é meu amigo de muito tempo, mais de 30 anos. Fizemos a peça Descalços no Parque, de Neil Simon, que ganhou todos os prêmios. Ele me convidou e fiquei muito feliz. Ano passado eu fiz La Mamma como stand-in da Rosi Campos. Esta é a volta dele ao teatro. Jacques é o rei da comédia. É um excelente diretor de comédia.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Sua personagem é uma mãe possessiva?
ARLLETE MONTENEGRO — Mãe possessiva tem aos montes. Essa, além de possessiva, é louca mesmo. Acho que ela tem Alzheimer, porque esquece coisas, inventa coisas...

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você gosta de fazer teatro popular?
ARLLETE MONTENEGRO — É excelente encontrar o grande público de comédia. Eles são muito receptivos. Tenho notado que o público quer ver isso. Quando é algo mais complicado, de pensar um pouquinho, o público não tem paciência. Isso está acontecendo muito na dramaturgia.

MIGUEL ARCANJO PRADO —Por quê?
ARLLETE MONTENEGRO — Sei lá... Acho que o mundo anda tão estranho que o pessoal está querendo rir de qualquer coisa.

MIGUEL ARCANJO PRADO —Estava falando há pouco com uma outra atriz, a Cléo De Páris, justamente sobre isso, sobre essa desesperança. Como você vê isso hoje?
ARLLETE MONTENEGRO — Tem de tudo. Eu sou espiritualista. Acho que faz parte de um processo de limpeza e purificação. Então, está havendo avanços. É que a gente só ouve notícia ruim. Porque a mídia só divulga coisa ruim. A notícia ruim dá ibope. As coisas boas que acontecem não são divulgadas. Isso é que cria esse clima. Acho que os jornalistas deveriam encerrar o jornal com alguma notícia boa, para não deixar o povo tão desesperançado.

arlete montenegro edgar franco a muralha Entrevista de Quinta   Talento não acaba quando envelhecemos, diz atriz Arllete Montenegro

Arllete Montenegro com Edgar Franco em A Muralha, na década de 1960, na Excelsior - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como foi sua relação com a ditadura?
ARLLETE MONTENEGRO — Na época eu era muito alienada. Eu me lembro que no dia 31 de março de 1964 os militares entraram com metralhadoras no estúdio da Excelsior. Estávamos gravando a novela e eles, que eram tão burros, acharam que a gente iria botar a estação no ar. Eles nos prenderam a noite inteira. Até para ir ao banheiro tinha de ir acompanhado. Mas eu era muito criança, muito bobona, não tinha noção da gravidade de tudo aquilo. De manhã é que fomos saber que havia sido dado o golpe.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você se lembra de alguma perseguição?
ARLLETE MONTENEGRO — Eu não fui perseguida, porque era muito boba. Mas eu me lembro do Dionísio de Azevedo queimando livros no quintal junto do Lima Duarte, porque se eles encontrassem um livro de capa vermelha já diziam que você era comunista.

MIGUEL ARCANJO PRADO — E o que você acha dessa gente que pede a volta dos militares?
ARLLETE MONTENEGRO — Isso é loucura, é uma ignorância crassa. Imagina, voltar àquele estado de terror? Isso é absurdo. Assim como pedir o impeachment da outra, porque não vai adiantar nada, a gente só vai perder tempo e desestabilizar o País. Temos de fazer as passeatas e reclamar, sim. Eu até fui em umas aí. Mas de outro modo, forçando os políticos. Essa coisa de impeachment é bobagem. Ela entrou agora, vai gastar um dinheirão de novo, paralisar tudo. É preciso fazer o Congresso mudar.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Vamos falar de TV, porque você ajudou a criar o veículo no Brasil.
ARLLETE MONTENEGRO —Eu brinco que sou da época da TV movida a lenha.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você vê São Paulo ter perdido a teledramaturgia para o Rio?
ARLLETE MONTENEGRO —São Paulo deu bobeira. Porque quando a Tupi faliu era obrigação do SBT ter pegado aquela herança de teledramaturgia. Mas deixou o Rio tomar conta de tudo, com a Globo. Até a Record faz novela no Rio. E ninguém chama a gente. Só querem gente nova.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Eu, particularmente, gosto dos personagens feitos por atores com trajetória, da antiga, talentosos.
ARLLETE MONTENEGRO — Tem pouca da terceira idade. Hoje em dia nas novelas ninguém mais tem mãe, tia, avó, cunhada. Ninguém tem família. É tudo jovem. O próprio jovem fazendo papel de pai e mãe.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Eu me lembro da Camila Pitanga fazer mãe de gente de 20 anos. Ficava até engraçado.
ARLLETE MONTENEGRO — Tem acontecido muito isso. Só tem jovem nas novelas.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que você acha disso?
ARLLETE MONTENEGRO — Eu fico muito triste. Mando e-mail para eles me oferecendo para trabalhar, porque tem de ter mais terceira idade nas novelas. Eu quero trabalhar. Não é porque a gente envelhece que o talento acaba.

arlete montenegro 2 Entrevista de Quinta   Talento não acaba quando envelhecemos, diz atriz Arllete Montenegro

Regina Duarte, Susana Vieira, Maria Izabel e Arllete Montenegro em 1966 - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que você não foi para o Rio como os colegas da sua geração fazer novela na Globo?
ARLLETE MONTENEGRO — Eu não pude fazer. Na época recebi vários convites, mas estava com marido doente, tinha filho pequeno. Não tinha como ir. Todo mundo foi, menos eu. Teve novela de eu terminar sem o galã, que ele pediu demissão e foi para o Rio.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que ficar em São Paulo lhe trouxe de bom?
ARLLETE MONTENEGRO — Foi bom porque eu fui fazer teatro. Porque eu não tinha feito teatro... Antes eu só estava fazendo televisão. Eu fazia novela ao vivo na Record, que ainda era no Aeroporto de Congonhas. Na Record eu fiz locução de cabine, telejornal, tudo! Só fui fazer teatro com 20 anos de televisão, mas eu já dublava...

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você é uma das dubladoras mais tradicionais.
ARLLETE MONTENEGRO — Eu faço a voz da Meryl Streep. Fiz O Diabo Veste Prada.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você dubla muito?
ARLLETE MONTENEGRO — Dublo em todos os estúdios de São Paulo. Até a professora do Bob Esponja eu faço.

MIGUEL ARCANJO PRADO —É difícil dublar? Qual o segredo?
ARLLETE MONTENEGRO — Dublar é um paradoxo: você tem que estar zen e ligadão. Você já viu isso? Só gente louca consegue. É uma coisa que você tem de ter muito controle motor. Você ouve uma língua no seu ouvido, emboca na tela com um ator que não tem o seu tempo e precisa fazer com a mesma emoção. É uma coisa de gente louca. Quando começou a dublagem eles foram buscar a gente na rádio. Tentaram com o povo do teatro da época, mas não deu certo, porque eles falavam alto, para a última fila, com a voz empostada. Então, foram buscar a gente na rádio, que falava baixinho, sussurrado.

arlete flavio meuricoportugues Entrevista de Quinta   Talento não acaba quando envelhecemos, diz atriz Arllete Montenegro

Arllete Montenegro com Flávio Galvão na extinta TV Tupi - Foto: Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Sua família achou ruim de você ser artista?
ARLLETE MONTENEGRO — No começo foi uma briga, porque achavam que era tudo puta e viado [risos]. Eu me inscrevi no Procura-se uma Estrela. Na época eu morava na Casa Verde, que naquela época era na China, e trabalhava numa ótica na rua São Caetano. Mas me inscrevi na rádio São Paulo e ganhei primeiro lugar.

MIGUEL ARCANJO PRADO — E o seu nome, com surgiu?
ARLLETE MONTENEGRO — Era Arlete Branco, mas eles acharam que não tinha sonoridade. Queriam tirar o Arlete também, mas eu não deixei. Aí eu escolhi o Montenegro. Na época não sabia da Fernanda. Ela já estava trabalhando, mas no Rio. E, naquela época, São Paulo e Rio eram mundos muito distantes. Se eu soubesse que já tinha o dela não teria escolhido.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Vocês trabalharam juntas?
ARLLETE MONTENEGRO — Fizemos A Muralha, ela era minha sogra, foi um sucesso estrondoso. Foi aí que descobri que tínhamos o mesmo nome. Porque eu comprei ovos de páscoa na Record, no corredor, que descontava no holerite. Aí um dia a camareira levou a Fernandinha, filha dela, para brincar com meu filho, que era mais novinho, o Fábio, aí ela me falou: A Fernanda pagou todos os seus ovos. E eu: como assim? Ela me respondeu: Ela se chama Arlete Pinheiro Torres. Viram Arllete Montenegro e pensaram que era ela dela. Olha que engraçado. Até aniversário fazemos juntas. Ela faz no dia 15 de outubro e eu no dia 16.

MIGUEL ARCANJO PRADO — O povo pensa que vocês são irmãs?
ARLLETE MONTENEGRO — Pensa. E ela fala que sim, porque ela fala que tem preguiça de ficar contando a história.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual tipo de teatro você gosta?
ARLLETE MONTENEGRO — Eu gosto muito do teatro americano. Gosto de Tennessee Williams e Neil Simon.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quando você entrou na Globo?
ARLLETE MONTENEGRO — Eu só fui nos anos 1990, depois que minha mãe morreu, para fazer Cara & Coroa. A mais recente que fiz na Globo foi O Profeta.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que as emissoras de São Paulo deveriam investir mais em teledramaturgia?
ARLLETE MONTENEGRO — Claro! Tudo começou aqui. O SBT deveria investir mais e a Record deveria trazer as novelas para São Paulo. Temos um mercado ótimo de atores aqui. Tenho gostado muito da GNT, que tem feito muito dramaturgia. Coisas excelentes. Eu vejo tudo. Também quero fazer um bom filme. O cinema brasileiro está ótimo. Cineastas, podem me chamar que eu topo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Falta nos produtores, diretores conhecer a história da TV e quem a construiu?
ARLLETE MONTENEGRO — Sim. Se eu vou em alguma emissora agora, me perguntam: trouxe book, tem três fotos? Eles não fazem ideia da minha trajetória. Quando fui fazer Cara & Coroa, que foi o Wolf Maya quem me chamou, junto do Luis Mello e da Marilena Ansaldi, muita gente achava que eu era só de teatro. Quando me viram gravar a primeira cena ficaram impressionados porque eu fiz de primeira, não tinha dificuldade nenhuma. Eu falei, gente, mas eu faço novela desde os anos 1950! [risos].

MIGUEL ARCANJO PRADO —Você é mestre. E esse curso que você fez não tem em lugar nenhum.
ARLLETE MONTENEGRO — Eu aprendi fazendo. Nós criamos tanto a dublagem quanto a televisão. Só o teatro que a gente não criou [risos].

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Arllete Montenegro: "Só o teatro que a gente não criou" - Foto: Miguel Arcanjo Prado

De Artista e Louco Todo Mundo Tem um Pouco
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 20h. 70 min. Até 28/6/2015
Onde: Teatro Bibi Ferreira (av. Brigadeiro Luís Antonio, São Paulo, tel. 0/xx/11 3105-3129)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

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Aisthesis foto2 Thiago Sabino 1024x682 WhatsApp vira tema de leitura dramática em SP

Projeto Aisthesis fará uma encenação a partir de WhatsApp - Foto: Thiago Sabino

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A tecnologia está cada vez mais conectada com o teatro. Um projeto no Itaú Cultural entre esta sexta (24) e domingo (26) promete fazer a Encenação do Instante, com direito à Leitura Dramática de WhatsApp, o aplicativo de comunicação presente atualmente nos celulares.

Artistas e público serão dirigidos ao vivo por Luiz Fernando Marques, o Lubi, que contará com o auxílio da iluminadora Raquel Oliveira, do diretor de Arte Renato Bolelli e do sonoplasta Ricardo Garcia.

A ação integra uma série de atividades do Aisthesis, contemplado pelo projeto Rumos Itaú Cultural, com artistas paulistanos e brasilienses. Estes prometem mesclar teatro, dança contemporânea e perfomance.

As atividades acontecem no Espaço Multiuso do Itaú Cultural (av. Paulista, 149), em São Paulo.

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Foto Joao Caldas Fº 103037 Crítica: Quando Eu Era Bonita é grito de liberdade feminina

A mulher pode envelhecer: Lulu Pavarin e Ester Laccava em Quando Eu Era Bonita - Foto: João Caldas

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Em pleno século 21, o discurso machista de que uma mulher só tem vida útil enquanto é jovem (e bonita) ainda paira de forma assustadora em parte da sociedade. E é reverberado por aí por muita gente que se diz inteligente. O que é um verdadeiro horror.

Por isso, ver uma peça como Quando Eu Era Bonita, um verdadeiro grito de liberdade feminina contra as amarras preconceituosas que sufocam muitas mulheres, é um alento. A obra é escrita e dirigida por Elzemann Neves, que coloca no palco duas mulheres de meia idade em reflexão constante sobre o que sobrou delas e para elas.

Sabiamente, a encenação aposta no que tem de melhor: suas duas boas atrizes no palco, Lulu Pavarin e Ester Laccava. O centro da montagem é o diálogo constante entre ambas, num embate no qual rememoram seus dias de glória, acrescido de tédio profundo com os dias atuais, quando já não são tão mais bonitas assim e o mundo está bem mais careta e complicado.

Ambas fazem opções distintas de entrega às personagens, cada qual com seu brilho. Enquanto Ester demonstra técnica precisa, Lulu Pavarin chama o público para si com tempo cômico e entrega mais performativa à sua personagem. Apesar das nuances distintas, é evidente que há mais cumplicidade do que competição no palco.

Quando Eu Era Bonita é uma peça bem escrita e com duas potentes atrizes para dar ainda mais sentido ainda a cada uma das palavras ditas. De forma envolvente e até mesmo cúmplice, o espetáculo coloca a plateia para refletir que essa história de tempo útil para uma mulher é uma grande bobagem que só interessa a homens e mulheres preconceituosos. Gente interessante pensa diferente. Ainda bem.

Quando Eu Era Bonita
Avaliação: Muito bom
Quando: Sexta, 21h. 55 min. Até 1º/5/2015
Onde: Espaço dos Parlapatões (praça Roosevelt, 158, metrô República, São Paulo, tel.0/xx/11 3258-4449)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Quando Eu Era Bonita é grito de liberdade feminina

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vladimir capella Diretor e autor Vladimir Capella morre aos 63 anos

Vladimir Capella morreu aos 63 anos em São Caetano do Sul (SP) - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O diretor e dramaturgo Vladimir Capella morreu aos 63 anos, às 9h20 da manhã desta terça (21), no Complexo Hospitalar Maria Braido, em São Caetano do Sul, na região do ABC, em São Paulo. Ele estava internado por conta de complicações cardiorrespiratórias.

A informação foi confirmada pelo hospital ao R7.

Capella era considerado um dos maiores expoentes do teatro infanto-juvenil brasileiro.

Nascido em 31 de julho de 1951, em São Caetano do Sul, Capella estudou teatro na Fundação das Artes de São Caetano do Sul.

Foi dramaturgo, músico e diretor de teatro voltado ao público infanto-juvenil. Sua primeira direção foi Panos e Lendas, em 1978, quando já conquistou o público e a crítica especializada.

Vladimir Capella recebeu mais de cem prêmios durante sua carreira e fez montagens de sucesso como Avoar, em 1985, Antes de Ir ao Baile, em 1986 e O Saci, em 1993.

No começo do século 21, fez parcerias de sucesso com a produtora Cintia Abravenel, no extinto Teatro Imprensa, do Grupo Silvio Santos, como O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, em 2003, e A Flauta Mágica, em 2007.

O corpo será enterrado às 10h desta quarta (22) no Cemitério da Cerâmica, em São Caetano do Sul, cidade onde o velório acontece no velório do Hospital São Caetano.

Repercussão na classe artística

A morte de Vladimir Capella deixa a classe artística paulistana profundamente triste neste feriado de Tiradentes. Para Gustavo Kurlat, que trabalhou com Capella em Avoar, o amigo "tinha poesia pairando no ar o tempo todo". Diego Gazin, ator que foi dirigido por Capella em O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, afirma que ele era "um diretor incrível".

Já a atriz Maria Bia, que integrou recentemente o elenco do seriado de TV Sexo e as Nega, diz que Capella era uma "pessoa e artista incrível". Mafa Nogueira o define como "o grande professor" que ensinava "sobre a beleza e sobre a coragem". O ator Fábio Penna, que começou a carreira com ele, diz que Capella foi "o maior contador de sonhos" que conheceu.

Em conversa com o Atores & Bastidores do R7, a atriz Lulu Pavarin se emociona ao lembrar-se do amigo.

— Eu sempre dizia para o Vladimir Capella que ele era culpado por eu ter "virado" atriz. Ainda bem tive a oportunidade de agradeço-lo em vida por diversas vezes, pois foi ele que me aconselhou eu fosse atriz, depois de me dirigir num curso de teatro para amadores — eu nunca tinha feito nada de teatro na minha vida até então. Minha gratidão é eterna pois amo minha profissão assim como ele, que contagiou e alegrou a mim e inúmeras pessoas.

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Potestad. Fotos Joao Caldas 3 1024x763 Crítica: Potestad cumpre papel de lembrar horror da ditadura

Os atores Laura Brauer e Celso Frateschi em cena de Potestad - Foto: João Caldas

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É mais que bem-vindo neste momento político em que o Brasil vê parte de sua sociedade conservadora sair às ruas para pedir a volta dos militares um espetáculo que descortine a maldade de um regime de exceção.

No caso, a ditadura sob enfoque é a que vigorou na Argentina entre 1976 e 1983, não diferente em sua crueldade da praticada no Brasil entre 1964 e 1985.

O período sombrio é pano de fundo da peça Potestad, escrita pelo argentino Eduardo Pavlovsky em 1985 para contar um dos mais horrendos crimes cometidos pelos militares naquele país e que até hoje é notícia em todo o mundo: o roubo de bebês de presos políticos nos porões de tortura, adotados por famílias de raptadores.

Celso Frateschi, aguerrido ator da cena teatral e política, aceitou a escolha do texto, feita pelo diretor Pedro Mantovani, como forma de celebrar seus 45 anos de carreira, iniciada no Teatro de Arena em tempos de atores e diretores presos pelo Estado, inclusive ele.

A direção opta por uma encenação crua, na qual na primeira parte do espetáculo o personagem de Frateschi se abre diante de um público iluminado com uma luz de serviço, tal qual um holofote de tortura — o signo do recurso é compreensível, mas em certos momentos prejudica a visão do ator no centro da arena.

Ao lado de um berço coberto por um lençol branco, o senhor revela, aos poucos, que a filha tão amada por ele e sua mulher, na verdade foi retirada de dois torturados mortos, a quem ele, médico, constatou o óbito a serviço dos militares.

Diante da impossibilidade de ter filhos, o médico raptou o bebê. O personagem primeiro se apresenta como vítima de alguém a quem o filho foi retirado, quando, na realidade, é ele o algoz de outra família: de fato, a filha retirada dele foi devolvida à sua família de fato, revelando o crime cometido e do qual não demonstra ter arrependimento.

A encenação prioriza Frateschi no palco. À sua colega de cena, a atriz argentina Laura Brauer, resta ser o contraponto silencioso (mas, potente) para a verborragia excessiva do personagem vivido pelo ator. A atriz poderia ter sido melhor aproveitada pela encenação.

Frateschi tem talento reconhecido, mas, em alguns momentos, a direção o deixa escorregar no grito de fácil impacto, quando uma construção mais intimista teria elevado a potência de seu personagem e seria mais condizente com o tipo portenho por ele interpretado.

De todo modo, Potestad cumpre o papel de reavivar a barbárie dos regimes militares que assolaram a América Latina de três décadas atrás.

É importante não parar de falar sobre o que aconteceu neste lado do mundo, onde homens donos do poder converteram-se na face cruel de um Estado assassino. É importante lembrar. Para que estes tempos não voltem jamais.

Potestad
Avaliação: Bom
Quando: Quinta, sexta e sábado, 21h; domingo e feriado, 19h. 60 min. Até 17/5/2015
Onde: Espaço Cênico do Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, tel. 0/xx/11 3871-7700)
Quanto: R$ 25 (inteira); R$ 12,50 (meia) e R$ 7,50 (comerciários e dependentes)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Potestad cumpre papel de lembrar horror da ditadura

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