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 Atriz premiada, Patricia Cipriano vira bilheteira de mineiros no Festival de Curitiba

Atriz premiada no Paraná abandona o glamour para virar bilheteira no Festival de Curitiba - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

Fotos de Daniel Sorrentino/Clix

Quem pensa que é fácil a vida de uma atriz está redondamente enganado. Não é só palco e glamour.

Que o diga Patrícia Cipriano. Nascida em Lorena (SP) e moradora há nove anos de Curitiba, ela é ganhadora do Troféu Gralha Azul de melhor atriz em 2012, o grande prêmio do teatro paranaense, por seu trabalho na peça Ruim, da Cia. Bife Seco.

Apesar da honraria, a artista pode ser vista no Festival de Curitiba em um lugar nada glamouroso.

Ela dá expediente todos os dias na bilheteria do Teatro Novelas Curitibanas, onde funciona a mostra Teatro para Ver de Perto, com obras de Minas Gerais.

Mas ela não reclama. Artista residente da Casa Selvática, diz ao R7 que buscou conhecer também este lado sem holofote de sua profissão.

- Eu nunca tinha feito produção e quis ter esta experiência no festival. Eu só queria que fosse com os mineiros. É que rola uma amor de Curitiba com Minas, sabe? Adoro mineiro.

Uai, a gente sabe e acha bom demais da conta, sô.

 Atriz premiada, Patricia Cipriano vira bilheteira de mineiros no Festival de Curitiba

Patrícia Cipriano ganhou o Troféu Gralha Azul de melhor atriz em 2012 - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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mineiros1 Mineiros se unem para conquistar curitibanos

Artistas de Belo Horizonte faz pose para o R7 no Memorial de Curitiba - Foto: Daniel Isolani/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba
Fotos de Daniel Isolani/Clix

Chamar a atenção do público e da imprensa no Festival de Curitiba não é tarefa fácil. São mais de 400 espetáculos em cartaz. E a missão é ainda mais estando no Fringe, a mostra paralela com 374 peças no Festival de Curitiba 2013.

Há três anos, a exemplo do que os curitibanos já fazem, os mineiros de Belo Horizonte resolveram se unir em uma mostra especial, a Mostra Teatro para Ver de Perto.

A curadoria é do Galpão Cine Horto, importante centro cultural da capital mineira, com coordenação artística de Chico Pelúcio e Leonardo Lessa.

A turma mineirinha ocupa dois teatros na capital paranaense: o Novelas Curitibanas e o Espaço Cênico, com sete espetáculos: A Projetista, com Dudude dirigida por Cristiane Paoli Quito; Entre Nebulosas e Girassóis, da Cia. Teatro Adulto; Memórias em Improviso, de Mano a Mana; Os Ancestrais, do Teatro Invertido (leia a crítica); 15 Centímetros, da Cia. 15 de Teatro; A Noite Devora seus Filhos, do Coletivo Paisagens Poéticas; e Por Parte de Pai, do Grupo Atrás do Pano.

Chico Pelúcio conta que buscou produções recentes cujas montagens coubessem nos espaços curitibanos da mostra.

- Temos objetivo de apresentar um olhar para a nova produção mineira, de grupos que procuram novas linguagens teatrais.

Leonardo Lessa ressaltou "a mistura de gerações" como atrativo da terceira edição. Gente como Dudude, "há 42 anos na lida diária da arte", como a própria estrela do teatro mineiro desde os anos 70 contou.

Além dos espetáculos, eles ainda lançam no Festival de Curitiba a Revista Subtexto nº9, do selo Edições CPMT, distribuída gratuitamente para o público.

mineiros3 Mineiros se unem para conquistar curitibanos

Mineiros levaram sete espetáculos para o Festival de Curitiba 2013 - Foto: Daniel Isolani/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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Bicha Oca Teatro Gamboa Anderson Zeg 3 Crítica: <i>Réquiem para um Rapaz Triste   10 Anos</i> consagra Rodolfo Lima como máquina de acreditar

João Pedro Matos e Rodolfo Lima em cena de Bicha Oca: entrega realista - Foto: Anderson Zeg

Por Miguel Arcanjo Prado

O ator Rodolfo Lima é uma máquina de acreditar. Tanto que fez acontecer com muita determinação a Mostra Réquiem para um Rapaz Triste – 10 anos, que chegou ao fim neste sábado (23), com casa lotada, na Casa Contemporânea, em São Paulo.

Ele se despediu do embalado projeto e agora parte rumo ao mestrado na Unicamp. Nas últimas semanas, entregou-se por completo aos espetáculos. Até taquicardia teve. Mas já passou.

O carro-chefe da mostra foi o emblemático espetáculo Réquiem para um Rapaz Triste, o que tem uma década de vida e que ganhou a sequência inédita Cerimônia do Adeus. Ambos monólogos.

Lima também apresentou outro projeto, Bicha Oca, que fez furor no ano passado no Festival de Curitiba e no qual atua ao lado do ator baiano João Pedro Matos.

Em Réquiem para um Rapaz Triste, Rodolfo Lima vive Alice, mulher triste e solitária baseada nas personagens femininas criadas pelo escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, de quem o ator é fã confesso.

Nesta obra, Lima assume a energia feminina sem subterfúgios ou afetações, criando uma personagem surpreendentemente real e tocante.

Carismática, Alice envolve a plateia com seu relato cru e abandonado, provocando uma miscelânea de sentimentos em quem assiste ao monólogo que percorreu o País em seus dez anos de vida. A atuação na peça lhe rendeu indicação a Melhor Ator R7 em 2012.

Já em Cerimônia do Adeus, o mais novo e controverso espetáculo de Rodolfo Lima, ele apresenta a mesma personagem Alice dez anos depois de Réquiem para um Rapaz Triste, mostrando o que aconteceu com aquela mulher abandonada.

Em Bicha Oca, por sua vez, Lima se transforma e assume o papel de seu Alceu, um homossexual já em idade avançada e que vê o mundo atual com olhos severos e repreensivos, sobretudo a liberdade com a qual os gays da atualidade lidam com sua sexualidade em público. O texto é de Marcelino Freire.

Apesar de condenar a exibição do amor entre dois homens, Alceu mantém um jovem rapaz em casa, interpretado pelo despido e provocantemente belo João Pedro Matos, com quem mantém uma relação cheia de libido.

Rodolfo Lima vai fundo no underground nesta encenação, entregando-se e também conseguindo uma entrega desmedida de Matos. Ambos se despem da vaidade em prol da encenação realista proposta por Rodolfo Lima, que chega a deixar a plateia boquiaberta em alguns momentos.

Assim como em Réquiem para um Rapaz Triste, Lima surge um ator ciente do efeito que provoca no palco e que usa e abusa deste seu talento para provocar e fazer refletir. Como é missão de um grande artista.

E Rodolfo Lima é um grande artista da cena teatral brasileira. Autodidata, vai fundo naquilo que acredita sem receio algum. Máquina de acreditar, faz tudo com tanta verdade que a nós só resta acreditar com ele.

Mostra Réquiem para um Rapaz Triste - 10 Anos
Avaliação: Muito bom

Bicha Oca Teatro Gamboa Anderson Zeg 2 Crítica: <i>Réquiem para um Rapaz Triste   10 Anos</i> consagra Rodolfo Lima como máquina de acreditar

Bicha Oca integrou Mostra Réquiem para um Rapaz Triste na Casa Contemporânea, em SP - Foto: Anderson Zeg

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rodolfo lima1 Entrevista de Quinta   peça <i>Réquiem</i> faz 10 anos e Rodolfo Lima dispara: Alice é mais popular que eu

Prestes a começar mestrado na Unicamp, Rodolfo Lima faz mostra teatral em SP - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Rodolfo Lima é um dos nomes fortes do teatro alternativo e resistente paulistano. Contudo, nunca se prendeu à metrópole. Aos trancos e barrancos, cheio de coragem, leva sua arte aos quatro cantos do País, do jeito que pode, com a ajuda de amigos, sempre.

Sua obra mais conhecida é Réquiem para um Rapaz Triste, que completa dez anos de existência. No monólogo, baseado nas personagens femininas de Caio Fernando Abreu, ele interpreta Alice, uma mulher de meia idade que carrega um bocado de sofrimento nas costas. O público costuma sair das sessões com um nó na garganta. O desempenho no trabalho rendeu ao ator a indicação a Melhor Ator R7 de 2012.

Para celebrar a montagem, Lima criou uma mostra que vai até o dia 23 na Casa Contemporânea, na Vila Mariana, em São Paulo (saiba mais).

Além de voltar com a peça que o consagrou, o ator ainda apresenta as montagens Bicha Oca e Cerimônia do Adeus.

Prestes a iniciar mestrado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Rodolfo Lima se encontrou com o Atores & Bastidores do R7 em um descontraído almoço na Sala São Paulo, no centro paulistano, onde falou sobre este momento especial em sua trajetória artística.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – Como você conseguiu manter um espetáculo por dez anos de forma independente? Fez algum milagre?
Rodolfo Lima – [risos] Eu não sei qual a receita para que o trabalho atravessasse todos esses anos. Foi acontecendo. Como ele é muito fácil de ser produzido, isso facilitava os convites. Mas antes de tudo o meu desejo de me expressar e de levar para o outro um trabalho que o tocasse e modificasse o seu olhar, impulsionava meu desejo para que eu abrisse mão de outros desejos para poder realizar a peça. Então, é um misto de desejo, sonho realizado, ajuda dos amigos e convite de quem acreditava que o trabalho tinha o que comunicar.

rodolfo lima2 Entrevista de Quinta   peça <i>Réquiem</i> faz 10 anos e Rodolfo Lima dispara: Alice é mais popular que eu

Rodolfo Lima dá vida a Alice - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Por que você resolveu fazer um espetáculo com textos do Caio Fernando Abreu?
Rodolfo Lima – Caio é meu escritor de cabeceira. Sempre quis ter um – aos 15 anos já era rato de biblioteca – e quando me deparei com o livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso vi ali, um autor que me traduzia, me inquietava, me estimulava e não me fazia tão solitário. Daí para querer encená-lo foi um pulo. Meu primeiro desejo, na verdade, foi encenar À Beira do Mar Aberto, o primeiro texto dele que me arrebatou.

Miguel Arcanjo Prado – Você acabou chegando na Alice, de Réquiem para um Rapaz Triste... Você teve medo de interpretar um personagem feminino?
Rodolfo Lima – Tive medo de não ser verdadeiro. De não desgrudar da minha personalidade. Não necessariamente do universo feminino. Cresci rodeado pelo ele e era natural que eu expurgasse em algum momento essas referências. Quanto à falta de vaidade, o desapego com o corpo... Eu era considerado um estranho. A peça era a minha chance de provar que eu podia fazer algo. Que eu tinha o que comunicar.

Miguel Arcanjo Prado – Como a peça foi recebida quando estreou?
Rodolfo Lima – As pessoas reagiram bem. Precisava de ajustes, claro, mas a recepção foi bem estimuladora. Do Teatro de Arena - Eugênio Kusnet (2002), para o FRINGE (2003) [mostra de teatro independente dentro do Festival de Curitiba] houve mudanças, cheguei no formato ideal. Na época, a crítica atestou e daí, o trabalho começou a ter mais relevância. As pessoas já olhavam com outros olhos.

Miguel Arcanjo Prado – Qual a reação das pessoas na peça? Já teve alguma história inusitada?
Rodolfo Lima – No Réquiem já houve de tudo um pouco [risos]. Gente que quis beijar a personagem, namorada ciumenta que não entendia o encantamento do namorado pela Alice, gente que cantou para ela em cena, que chorou junto, que deu cigarro, lingerie, joias... As pessoas veem a peça e querem ser amiga da personagem. Ela é definitivamente muito mais popular do que eu [risos].

Miguel Arcanjo Prado – É verdade que a turnê na Bahia foi cheia de "acontecimentos"?
Rodolfo Lima – Na Bahia, apresentei a peça em diversos lugares em Salvador, Porto Seguro, Alagoinhas e Santo Amaro da Purificação. Há muitas historias, sim. Afinal, saí  do Sudeste e fui girar o Nordeste. Quando cheguei em Santo Amaro para me apresentar no Teatro Dona Canô, um belo espaço com 400 lugares, pensei: “Meu Deus, e agora?” Não tive dúvidas, reloquei a peça para o hall do teatro - que tem uma escada belíssima - à la Crepúsculo dos Deuses - e disse: “Vou fazer aqui, abra as portas e deixa todo mundo entrar”. A diretora me tachou de louco, eu disse: “Eu sei o que estou fazendo, confie em mim”. E foi assim... no halll do teatro Dona Canô que o publico santoamarense conheceu Alice, com as portas abertas.

Miguel Arcanjo Prado – Conte como foi a passagem da peça pelo Festival de Curitiba?
Rodolfo Lima – Ir a Curitiba era meu sonho. Então, realizá-lo me satisfez completamente, porque saiu uma foto e uma critica na Folha de S.Paulo, assinada pelo Sergio Salvia Coelho. Eram esses meus três sonhos: Curitiba, critica no jornal e foto. Quanta ingenuidade, né? Mas acho bonito isso. Pois eu poderia ter parado de fazer teatro ali. Teria me realizado. Mas a peça, a personagem e as pessoas foram exigindo mais e mais e mais. E cá estou. Comemorando os dez anos, com uma casa só para ela, com toda a sua historia nas paredes.

Miguel Arcanjo Prado – Como a Alice veio para você? Ela te faz sofrer também, porque é muito sofrida, tadinha...
Rodolfo Lima – No começo eu sofria, sim. Sou introspectivo, tenho um processo de mergulho, de vivenciar aquela dor, para saber diferenciar o que é meu e o que é dela. Com o passar do tempo, foi aprendendo que eu não precisava viver aquilo. Que por mais que minha historia burlasse em alguns aspectos com a dela, eu não era ela. O Réquiem foi minha grande escola de interpretação. Gosto de teóricos como o Grotowski, algumas coisas do Stanislavisk, do Artaud e pude aos poucos experimentar no meu corpo e no meu humilde trabalho o que esses homens defendem em seus livros. Hoje, não sofro mais. Ela fica devidamente no lugar dela, e eu saio para rir com os amigos. Mas, sim, ela me esgota energeticamente. No outro dia, preciso ficar recluso, me recuperando da energia desprendida.

Miguel Arcanjo Prado – Como surgiu a ideia dos dez anos da peça uma mostra?
Rodolfo Lima – Queria retornar para todos que me ajudaram - e foram muitas pessoas - um agradecimento público. Então, na Casa Contemporânea, há fotos, textos, rascunhos de projetos, trechos do blog, vídeos sobre o processo, notificando todos que passaram pela história do trabalho. Tenho mais de mil fotos e nunca paguei nenhum fotografo para isso, por exemplo. Minha história, a história da peça foi feita com  ajuda das pessoas que se comoviam ao me ver em cena, com a minha luta, com o drama da personagem. O evento na Casa é para dizer: Obrigado, sem vocês não teria chegado aqui. Pena que muitas das pessoas que fizeram essa história comigo não estarão presente para verificar. Mas eu tentei.

Miguel Arcanjo Prado – Além de Réquiem, tem outras peças também?
Rodolfo Lima – Sim, resolvi colocar outras coisas na mostra. Tem Todas as Horas do Fim, também com textos do Caio Fernando Abreu, Bicha Oca com textos do Marcelino Freire, e devo estrear ainda neste semestre Desamador, com textos de Fabricio Carpinejar. E a Alice ganhou uma continuação para o evento, intitulado Cerimônia do Adeus. Como diretor, também vou fazer Epifanias e Epifanias 2, ambos com crônicas de Abreu.

Miguel Arcanjo Prado – E o que aconteceu com a Alice dez anos depois?
Rodolfo Lima – Sextas e sábados as 21hs até o dia 23 é a chance de você vir conferir [risos]. Não posso revelar, né? Mas o que posso dizer é que a reação das pessoas está sendo de indignação. Gosto dessa reação. Gosto de manifestações, não importa quais. Ficou mais bonito e mais pontual o final, do que eu imaginava, mas... é isso ai. Criamos algo, e quando levamos ao público ele não nos pertence mais, é do público. Então, estou a digerir o que foi feito dela, dez anos depois. É um processo para mim também.

Miguel Arcanjo Prado – O que você pretende fazer daqui pra frente? Quais são seus projetos futuros?
Rodolfo Lima – Agora eu me recolho para cursar o mestrado na Unicamp, onde vou analisar a obra homoerótica do autor Newton Moreno. Também tento dar conta da minha produção crítica, já que escrevi durante seis anos sobre teatro, quero reunir alguns trechos do meu blog para um possível livro e pretendo continuar outras pesquisas, parada por causa das peças que sempre estavam em algum canto do Brasil. Mas, até o meio do ano, vou trazer à cena Desamador, meu novo solo com os textos do Carpinejar. Era para ter estreado no evento, mas não fiquei feliz com o resultado e adiei. Então, estarei estudando e gestando a nova cria. Um processo bastante amoroso e pessoal.

Saiba mais sobre a Mostra Réquiem para um Rapaz Triste - 10 Anos

rodolfo lima3 Entrevista de Quinta   peça <i>Réquiem</i> faz 10 anos e Rodolfo Lima dispara: Alice é mais popular que eu

Rodolfo Lima fez a história de Réquiem para um Rapaz Triste com ajuda de amigos - Foto: Eduardo Enomoto

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requien1Crédito Elói Corrêa2 Rodolfo Lima celebra dez anos da peça Réquiem para um Rapaz Triste com mostra na Vila Mariana

Rodolfo Lima mostra ser um ator de talento em Réquiem para um Rapaz Triste - Foto: Elói Corrêa

Por Miguel Arcanjo Prado

Uma peça emblemática da carreira do ator Rodolfo Lima e também do teatro paulistano da última década – afinal, ela passou por 23 diferentes espaços da cidade – ganha mostra especial para comemorar seus dez anos de vida. A montagem é Réquiem para um Rapaz Triste, que rendeu a Lima indicação a Melhor Ator R7 em 2012.

A Mostra Réquiem para um Rapaz Triste -10 Anos invade neste domingo (20) a Casa Contemporânea, na Vila Mariana, em São Paulo, onde fica em cartaz até 24 de fevereiro.

O espetáculo chega à primeira década de vida com a experiência de um adulto. Já percorreu as principais cidades do interior do Estado, além de colecionar apresentações Brasil afora, em cidades como Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Rio, Salvador, Santo Amaro da Purificação, Alagoinhas e Porto Seguro, além de ter sido apresentado em versão intimista em 12 casas particulares, no projeto Alice na Sua Casa.

requien2crédito Elói Corrêa1 Rodolfo Lima celebra dez anos da peça Réquiem para um Rapaz Triste com mostra na Vila Mariana

Rodolfo Lima interpreta Alice - Foto: Elói Corrêa

Rodolfo Lima assume que este espetáculo tem uma relação especial em sua trajetória. Conta que sempre há pessoas que choram, que se comovem, que vem falar com ele ao fim da montagem se dizendo tocadas. Uma apresentação teve gostinho especial, a que ele fez no Festival de Curitiba.

— Era um sonho para mim levar a peça para aquele lugar. Foi um enorme sucesso. Na época, o crítico da Folha, Sergio Sálvia Coelho, deu uma crítica favorável, com foto. Então, foi uma enorme repercussão que eu nem esperava. Foi um momento muito importante para mim.

O texto é uma compilação das personagens femininas criadas pelo escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996). O público se depara com Alice, uma mulher de meia idade que resolve rever sua vida de forma crua e dilacerante, em grande performance de Rodolfo Lima.

O evento comemorativo tem o apoio da Secretária de Cultura do Estado de São Paulo, através da Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias (ACGE), e o Centro de Cultura, Memória e Diversidade Sexual.

Novidades

A Mostra Réquiem para um Rapaz Triste – 10 Anos não conta só com o espetáculo que lhe dá o título. Haverá também exibição de vídeos, exposição de fotos do espetáculo feitas por um eclético grupo de fotógrafos e ainda a estreia de uma continuação da montagem, Cerimônia do Adeus, na qual Alice se revê dez anos depois, como conta Lima.

— O que será que aconteceu com ela neste tempo todo? Essa é a grande pergunta que será respondida no espetáculo.

Além disso, serão apresentados outras montagens de Rodolfo Lima com o seu Teatro do Indivíduo: Bicha Oca, feita a partir de textos de Marcelino Freire, na qual ele contracena com o ator baiano João Pedro Matos, e a inédita DESamaDOR, baseada no livro O Amor Esquece de Começar, do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar.

Serão cinco semanas de atividades culturais intensas e imperdíveis. Veja, abaixo, a programação completa:

Réquiem para Um Rapaz Triste – 10 Anos
Quando: 20 de janeiro a 24 de fevereiro 2013
Bicha Oca – Quartas e Quintas, 21h (de 23/01 a 21/02)
Cerimônia do Adeus – Sextas e Sábados, 21h (de 25/01 a 22/02)
Réquiem para um Rapaz Triste – Sábados, 18h (de 26/01 a 23/02)
DESamaDOR - Domingo, às 17h e 19h (de 27/01 a 24/02)
Onde: Casa Contemporânea (r. Capitão Macedo, 370, Vila Mariana, São Paulo, tel. 0/xx/11 2337-3015)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). E grátis às quartas e nas sessões das 18h dos sábados.
Duração: todas as peças têm duração de aproximadamente 50 minutos
Classificação etária: Bicha Oca (18 anos), Réquiem para um Rapaz Triste e Cerimônia do Adeus (16 anos) e DESamaDOR (livre)
Observações: As apresentações ocorridas às quartas-feiras e a primeira sessão dos sábados serão gratuitas, como contrapartida do apoio concedido pela Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias (ACGE). A capacidade é de 30 pessoas por sessão. O público poderá reservar lugar pelo e-mail teatrodoindividuo@gmail.com  ou pelo telefone (11) 9-7497-4207.

requien3Crédito Elói Corrêa3 Rodolfo Lima celebra dez anos da peça Réquiem para um Rapaz Triste com mostra na Vila Mariana

Mostra na Casa Contemporânea celebra os dez anos de Réquiem para um Rapaz Triste - Foto: Elói Corrêa

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eric lenatecoracao mundo8 Bob Sousa Afeganistão invade teatro na Barra Funda, em SP

Eric Lenate, o Melhor Ator R7 de 2012, é o grande destaque de No Coração do Mundo - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado

O Teatro do Núcleo Experimental, eleito o Melhor Teatro de 2012, em votação feita no R7, abre sua programação em 2013 com uma nova temporada do espetáculo No Coração do Mundo, dirigido por Zé Henrique de Paula, eleito o Melhor Diretor do último ano.

A montagem traz no elenco outro premiado, Eric Lenate, que levou como Melhor Ator. Com reconhecido talento, ele dá vida a um esperto afegão na montagem do texto de Tony Kushner.

chris couto coracao mundo3 Bob Sousa Afeganistão invade teatro na Barra Funda, em SP

Chris Couto vive inglesa atormentada - Foto: Bob Sousa

O enredo conta a história de uma senhora inglesa (Chris Couto), que abandona a família para uma viagem misteriosa ao Afeganistão (leia aqui a crítica).

A peça será apresentada às terças, quartas e quintas, às 21h, entre 15 de janeiro e 7 de fevereiro de 2013, no Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Metrô Marechal Deodoro, tel. 0/xx/11 3259-0898). O ingresso custa R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entrada.

Novos textos e debates

Além da peça, haverá ainda uma mostra de leituras de novos textos sobre o Afeganistão. Serão quatro textos britânicos, que serão lidos em dois dias: 28 de janeiro e 4 de fevereiro, sempre às segundas, às 20h, com entrada gratuita. Ao fim, haverá debate com o público. 

No dia 28 de janeiro, será apresentada a peça A Linha Durand, com tradução e direção de Thiago Ledier. No elenco, estão Sergio Mastropasqua, Zé Roberto Jardim e Mateus Monteiro. No mesmo dia, Eric Lenate dirige Agora É a Hora, que terá a atriz Revelação em 2012, Bárbara Bonnie, além do premiado Lee Taylor no elenco que conta ainda com Riba Carlovich e Léo Bertero. 

Já no dia 4 de fevereiro, Caroline Fioratti dirige Minissaias de Cabul, com Patrícia Pichamone e Mário Bortolotto. No mesmo dia, Inês Aranha dirige O Leão de Cabul, com Adriana Alencar, Rodrigo Caetano, Laerte Mello e Jorge Minicelli. 

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namibia nao blog rubens nemitz jr Teatro negro ocupa o Arena 47 anos após Zumbi de Augusto Boal e Guarnieri com Namíbia, Não!

Flávio Bauraqui e Aldri Anunciação em Namíbia, Não!, com direção de Lázaro Ramos - Foto: Rubens Nemitz Jr./Clix

Por Miguel Arcanjo Prado

No fictício ano de 2016, os brasileiros "de melanina acentuada" são obrigados por um decreto goveranmental a ser deportados de volta à África, de onde seus antepassados foram trazidos escravizados. Este é o argumento da peça Namíbia, Não!, carro-chefe da ocupação do histórico Teatro de Arena, em São Paulo, na mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada.

O evento acontece 47 anos depois de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal escreverem a peça Arena Conta Zumbi, marco da temática negra no teatro nacional. O texto precisou ser escrito por dois descendentes de imigrantes europeus, italianos e portugueses, respectivamente. Agora, eis que o próprio negro toma as rédeas da dramaturgia e da encenação de sua história.

O espetáculo Namíbia, Não! é de autoria do baiano Aldri Anunciação, que além de escrever o texto, contracena com o ator gaúcho Flávio Bauraqui.  A direção é do também baiano Lázaro Ramos. Todos negros. A comédia dramática foi um dos destaques do Festival de Curitiba deste ano.

"Negros são invisíveis"

O R7 se encontrou com Aldri e Flávio no hotel onde estão hospedados, na Vila Mariana, em São Paulo, nesta quinta (13). Durante um bate-papo descontraído, Aldri, idealizador da mostra, contou que tudo partiu de uma pergunta feita por uma repórter no Sul do Brasil. Ela questionou por que havia tão poucos autores negros na dramaturgia nacional.

"Na hora, pensei de cara em uns dez nomes, como a mineira Grace Passô, e vi que estávamos invisíveis. Resolvi mostrar a nossa força nesta mostra, onde estão presente 18 autores negros da dramaturgia contemporânea brasileira, além da leitura dramática de dez novos espetáculos".

O debate também está garantido, com dez palestras ao longo da programação. Aldri quer dar amplitude ao discurso artístico do negro. Em sua opinião, o assunto racial não precisa ser foco único: "O negro já é tão estereotipado na atuação. Por que também estereotipar o autor negro?".

No futuro próximo, ele pretende levar a questão para o ambiente acadêmico: "Quando fiz UFBA [Universidade Federal da Bahia] e depois me transferi para a UniRio [Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro] percebi que a academia era carente da história da dramaturgia negra. O único autor negro que estudávamos era o Abdias do Nascimento, e mesmo assim por um viés social e não artístico. Quero levar essa discussão para a universidade".

Negro dono do discurso

Flávio, que já teve atuações destacadas no cinema nacional, como em Madame Satã, afirma gostar de que a peça surja em um momento em que o Brasil discute a situação do negro. O ator é a favor das cotas raciais, assim como Aldri, que mudou de opinião em 2006, depois de ser contra por um tempo.

Os dois concordam que "por enquanto, não há outra saída". Para o gaúcho, "a nova geração tem uma cabeça diferente da anterior para as relações sociais, sexuais e raciais". Ele conta que os estudantes são os mais vibrantes na plateia, o que o faz acreditar que "estamos evoluindo".

Ao dar voz ao discurso do negro no palco histórico do Arena, Aldri recusa o lugar de acusação ou culpa. Mas busca integração: "O probelma racial não é só nosso. Afinal de contas, todo mundo tem melanina", provoca. "Apresentar a peça neste palco é tão especial porque há 47 anos éramos um objeto e agora somos sujeitos com nosso ponto de vista. Fazer Namíbia, Não! e a ocupação da Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada no Arena, onde foi encenado Zumbi, é uma inversão de posições. O negro passa a ser o sujeito responsável por seu discurso, que não é segregador, mas de união, porque esse assunto não é só do negro, mas de toda a sociedade".

Namíbia, Não!
Avaliação: Bom
Quando: Quinta a domingo, 20h. Até 17/2/2012 (recesso entre 17/12 e 9/1)
Onde: Teatro de Arena (r. Teodoro Baima, 92, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3256-9463 )
Quanto: R$ 20
Classificação: 14 anos

Veja a programação completa da mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada!

namibia nao poster rubens nemitz jr Teatro negro ocupa o Arena 47 anos após Zumbi de Augusto Boal e Guarnieri com Namíbia, Não!

Imagens da peça Namíbia, Não! pela sensível lente do fotógrafo Rubens Nemitz Jr., da Agência Clix, que fotografou o Festival de Curitiba 2012

Crítica: Namíbia, Não! dá voz ao discurso do negro

Um dos mais comentados textos do recente teatro baiano, Namíbia, Não!, dirigido por Lázaro Ramos, é assinado pelo baiano Aldri Anunciação, que também atua na obra. A dramaturgia do espetáculo é calcada em uma bem construída reflexão sobre o papel do negro na sociedade brasileira.

O conflito desenvolvido ao longo da encenação surge com um decreto governamental promulgado em 2016, que obriga todos os cidadãos brasileiros “de melanina acentuada” – em uma ótima brincadeira aos termos politicamente corretos vigentes – a retornarem a seus países africanos de origem.

Ao receber a notícia, dois primos negros, o aspirante a um cargo no Itamaraty Antonio (Aldri Anunciação) e o estudante de direito André (Flávio Bauraqui), decidem manter-se encarcerados no apartamento onde vivem para evitar a “deportação” obrigatória caso pisem na rua. Tal aprisionamento provoca nos dois reflexões e mudanças de postura diante da situação.

O cenário cria o interior do apartamento clean onde vive a dupla de primos, todo em cores brancas, em um funcional e belo trabalho de cenografia assinado por Rodrigo Frota.

Despido de qualquer referência à moda afro, os modernos e bem cortados figurinos de Diana Moreira servem para dar aos personagens um ar futurista, não deixando de acentuar a subjugação deles aos padrões estéticos ocidentais como forma de sobrevivência e ascensão social. Apesar disso, as roupas são pretas, contrastando com o ambiente branco onde vivem, numa simbologia do discurso da montagem.

Apesar de provocar risadas na plateia em alguns momentos mais espirituosos, o discurso do texto é forte e preciso. Questiona o tempo todo o papel de marginalidade dado ao negro na sociedade brasileira, lembrando desde a violência dos navios negreiros e dos chicotes nas fazendas Brasil afora até o total desamparo social vindo com a Lei Áurea de 1888, que deixou o negro em um lugar marginal dentro da sociedade brasileira.

O espetáculo tem boas contribuições de vídeos e áudios, gravados por uma turma tarimbada que vai de Wagner Moura a Suely Franco e Luis Miranda. Num inventivo recurso da direção, as vozes e os vídeos contracenam com os personagens e ajudam a conduzir a história.

Contudo, a direção de Lázaro Ramos, apesar dos aspectos positivos já mencionados, peca em deixar os atores investirem na caricatura em muitos momentos, fazendo uso de um registro teatral mais infantilizado como forma de sublinhar os momentos mais dramáticos. Bem conduzida e amarrada no começo, a dramaturgia também se perde na parte final do espetáculo, sobretudo com o falso fim, que na verdade se revela ao público como a porta de entrada para a parte mais confusa da peça.

Mesmo diante dessas escorregadas, a obra tem o mérito inquestionável de levar ao espectador uma discussão corajosa e tão necessária em nossa sociedade, que está muito longe de uma utópica igualdade racial e social. Sociedade esta que deixa o negro, muitas vezes, em um lugar desfavorável. Namíbia, Não! exacerba tal situação para levantar o debate.

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vestido de noiva andre stefano SP celebra 100 anos de Nelson Rodrigues com 12 peças do dramaturgo grátis nos teatros da cidade

Os Satyros apresentam Vestido de Noiva na mostra Agosto 100 Nelson - Foto: André Stéfano/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O próximo dia 23 é o grande dia. Nele, completam-se 100 anos do nascimento de Nelson Rodrigues, em Recife. Sim, ele não era carioca, apesar de ter feito as peças mais cariocas de todos os tempos.

O mestre do teatro moderno brasileiro é celebrado por todo País. Em São Paulo, os teatros da Prefeitura Municipal prepararam uma maratona de 12 espetáculos do mestre, com os grupos mais importantes da cidade, na mostra Agosto 100 Nelson.

E o melhor: são todos gratuitos.

Com direção de Nelson Baskerville, as montagens de 17 X Nelson, O Beijo no Asfalto e Os Sete Gatinhos, que abordam confrontos e neuroses do núcleo familiar, entram em cartaz nos Teatros Cacilda Becker e Alfredo Mesquita. Já a sempre polêmica Cia. de Teatro Os Satyros apresenta Vestido de Noiva no Teatro Cacilda Becker.

Veja, abaixo, os endereços dos locais de apresentações em São Paulo e o serviço de cada uma das peças. Os ingressos são distribuídos uma hora antes de cada sessão, até dois por pessoa.

Fique esperto!

Endereços dos teatros:

Teatro Alfredo Mesquita. Av. Santos Dumont, 1.770, Santana, Zona Norte. Tel. 2221-3657.

Teatro Cacilda Becker. Rua Tito, 295, Lapa, Zona Oeste. Tel. 3864-4513.

Teatro Décio de Almeida Prado. Rua Cojuba, 45, Itaim Bibi, Zona Oeste. Tel. 3079-3438.

Teatro João Caetano. Rua Borges Lagoa, 650, Vila Clementino, Zona Sul. Tel. 5573-3774 e 5549-1744.

Teatro Zanoni Ferrite. Av. Renata, 163, Vila Formosa, Zona Leste. Tel.: 2216-1520

Galeria Olido. Sala Olido. Av. São João, 473, Centro. Tel. 3331-8399 e 3397-0171.

Programação:

17 X NELSON - PARTE 2

Círculo dos Canastrões. Dir.: Nelson Baskerville. Com Adilson Azevedo, Adriana Guerra, Carol Carreiro e outros. 110 min. +16 anos.
Onze atores circulam através de 50 personagens das 17 peças de Nelson Rodrigues, tendo como ponto de vista o núcleo familiar, seus confrontos e neuroses.
| Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste. De 1º a 9. 4ª e 5ª, 21h
| Teatro Alfredo Mesquita. Zona Norte. Dias 15, 16 e 24, 21h

O BEIJO NO ASFALTO

Círculo dos Canastrões. Dir.: Marco Antonio Braz. Com Renato Borghi, Adilson Azevedo, Adriana Guerra e outros. 90 min. +16 anos.
Pouco antes de morrer por atropelamento, rapaz pede a um desconhecido que lhe dê um beijo, gerando uma série de problemas para o homem, causada pelo preconceito disseminado por um jornal sensacionalista.
| Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste. Dias 3 e 10, 21h
| Teatro Alfredo Mesquita. Zona Norte. Dias 22 e 23, 21h

MYRNA

Cia. de Vestido. Dir.: Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas. Adapt.: Elias Andreato. Com Luciana Borghi e Roque Gomes. Espetáculo inédito. 65 min. +12 anos.
Espetáculo baseado em textos inéditos de um pseudônimo feminino de Nelson Rodrigues, publicados originalmente em 1949 no jornal Diário da Noite, sobre um programa de rádio que responde as cartas amorosas enviadas pelas ouvintes.
| Teatro Zanoni Ferrite. Zona Leste. De 3 a 5. 6ª e sáb., 20h. Dom., 19h
| Teatro Décio de Almeida Prado. Zona Oeste. De 17 a 26. 6ª e sáb., 21h. Dom., 19h

VALSA Nº 6

Dir.: Eric Lenate. Com Renata Calmon. Espetáculo inédito. 60 min. +14 anos.
Interpretação do único e célebre monólogo de Nelson Rodrigues, que mostra uma garota de 15 anos relembrando seu suposto assassinato.
| Teatro Décio de Almeida Prado. Zona Oeste. De 3 a 12. 6ª e sáb., 21h. Dom., 19h
| Teatro Zanoni Ferrite. Zona Leste. De 24 a 26. 6ª e sáb., 20h. Dom., 19h

OS SETE GATINHOS

Dir.: Nelson Baskerville. Dir. musical e composição: Gustavo Sarzi “Caipira”. Com Renato Borghi, Adilson Azevedo, Adriana Guerra e outros. 80 min. +16 anos.
Por trás da aparência de família convencional, os hipócritas Noronhas têm quatro filhas que se prostituem para garantir a castidade e boa educação da mais nova, que, no entanto, também não é virgem.
| Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste. De 4 a 12. Sáb., 21h. Dom., 19h
| Teatro Alfredo Mesquita. Zona Norte. Dia 25, 21h. Dia 26, 19h

BOCA DE OURO

Grupo Gattu. Dir.: Eloísa Vitz. Com Elam Lima, Rafaela Ferri, Eloísa Vitz e outros. 90 min. +12 anos.
Peça em três atos que conta três versões do assassinato de um poderoso bicheiro carioca, investigado por um repórter policial.
| Teatro Alfredo Mesquita. Zona Norte. Dias 8 e 9, 21h
| Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste. De 24 a 26. 6ª e sáb., 21h. Dom., 19h

TIRANDO OS PÉS DO CHÃO - AÇÃO PERFORMÁTICA

Cia. Cênica Nau de Ícaros. Dir. e coreografia: Erica Rodrigues. Intérpretes-criadores: Marco Vettore, Álvaro Barcellos, Beatriz Evrard e outros. Locução de Myrna: Marcelo Várzea. 50 min. Livre.
Processo de criação de um espetáculo baseado no monólogo “Myrna”, uma espécie de consultório sentimental sobre o amor. O público é convidado a entrar no espaço cênico até ser suspenso, literalmente, por cordas de alpinismo.
| Teatro João Caetano. Zona Sul. De 8 a 22. 4ª, 21h

TIRANDO OS PÉS DO CHÃO

Cia. Cênica Nau de Ícaros. Dir. e coreografia: Erica Rodrigues. Intérpretes-criadores: Marco Vettore, Beatriz Evrard, Celso Reeks e outros. Locução de Myrna: Marcelo Várzea. 50 min. Livre.
Espetáculo que mostra as vicissitudes do amor a partir de um estado de suspensão, baseado em “Myrna”, monólogo que retrata diversas histórias e experiências.
| Teatro João Caetano. Zona Sul. De 9 a 26. De 5ª a sáb., 21h. Dom., 19h

DOROTÉIA

Grupo Das Dores de Teatro. Dir.: Brian Penido Ross. Com Giovanna Ghiurghi, Paloma Galasso, Rita Giovanna e outros. 70 min. +12 anos.
História de três primas viúvas e castas que recebem a visita de uma parenta distante, prostituta arrependida de seus pecados, que passará por provações para ficar junto da família.
| Teatro Zanoni Ferrite. Zona Leste. De 10 a 19. 6ª e sáb., 20h. Dom., 19h

A SERPENTE

Grupo Gattu. Dir. e dir. musical: Eloísa Vitz. Com Daniela Rocha Rosa, Eloísa Vitz, Elam Lima e outros. 60 min. +12 anos.
Infeliz no casamento e pensando em morrer, mulher se separa ainda virgem e passa uma noite com o marido da irmã, formando um complicado triângulo amoroso.
| Teatro Alfredo Mesquita. Zona Norte. De 10 a 12. 6ª e sáb., 21h. Dom., 19h
| Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste. Dias 22 e 23, 21h

VESTIDO DE NOIVA

Cia. de Teatro Os Satyros. Dir.: Rodolfo García Vázquez. Com Ivam Cabral, Cléo de Paris, Helena Ignez e outros. 90 min. +14 anos.
Em coma por conta de um atropelamento, moça revive seus conflitos com o marido e a irmã através de três pontos de vista: o da realidade, o da memória e o da alucinação.
| Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste. De 16 a 19. 5ª e 6ª, 21h. Sáb., 18h e 21h. Dom., 19h

SENHORA DOS AFOGADOS

Núcleo Experimental. Dir.: Zé Henrique de Paula. Dir. musical: Fernanda Maia. Com Tony Giusti, Einat Falbel, Bárbara Bonnie e outros. 120 min. +12 anos.
Enquanto em um cortejo fúnebre mulheres do cais relembram a morte de uma jovem prostituta, casal está de luto pelo afogamento da filha.
| Teatro Alfredo Mesquita. Zona Norte. De 17 a 19. 6ª e sáb., 21h. Dom., 19h
| Sala Olido. Centro. De 24 a 26. 6ª e sáb., 20h. Dom., 19h

O Retrato do Bob: Paulo Cruz, um ator em constante experimentação

O Retrato do Bob: Einat Falbel, toda a força de uma atriz pós-desilusão

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memorial de curitiba daniel sorrentino Um olhar sobre o Fringe, no Festival de Curitiba

Memorial de Curitiba, no centro histórico, é o QG do Festival de Curitiba - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

A mostra Fringe é o grande movimento do Festival de Curitiba.

Grupos de todo o Brasil levam seus trabalhos à capital paranaense em busca de um lugar ao sol no mundo do teatro.

A competição pelo público não é tarefa fácil.

Em 2012, quando a mostra paralela do maior evento teatral do país completou 15 anos, foram 365 espetáculos.

A turma da Clix, que registra o festival, fotografou algumas. Abaixo, uma seleção de imagens deste ano que vão entrar para a história do Fringe.

No sentido horário, de cima para baixo, os cliques foram feitos pelos fotógrafos Luc de Sampaio (peça A Regra É Cômica),  Emi Hoshi (peça Da Ordem das Coisas), Daniel Isolani (peça Isso te Interessa?), Ernesto Vasconcelos (peça Suor de Preto ou O Alto do Morro de Santa Rita) e Luc de Sampaio (peça Querô). Veja as imagens:

fringe festival curitiba 2012 clix Um olhar sobre o Fringe, no Festival de Curitiba

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novos repertorios Peças se unem para aparecer no Festival de Curitiba

Turma do teatro curitibano fala de sua luta à imprensa - Foto: Ana Cris Willerding/Clix

Não deve ser nada fácil fazer o curitibano assistir a um espetáculo da cidade durante o Festival de Curitiba.

Afinal de contas, a oferta nos 13 dias de evento é enorme: cerca de 400 espetáculos. E entre eles há os que têm estrelas da TV no elenco. Disputa injusta.

Por isso, é preciso estabelecer uma tática de guerra para que o teatro local possa sobreviver tal qual uma agulha no palheiro.

Foi diante dessa dificuldade que, para driblar a concorrência e chamar a atenção de seus conterrâneos, os grupos de teatro locais criaram uma ação que lembra o velho brado “a união faz a força”.

A turma do teatro paranaense se reuniu em duas submostras dentro do Fringe, a mostra paralela e mais pobre do festival, sem os holofotes e os patrocínios da Mostra Oficial.

Assim, conseguem chamar a atenção do público.

As companhias locais juntaram-se na mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos, com nove obras, e Novos Repertórios, com seis espetáculos apresentados no Teatro da Caixa.

Elas representam a diversidade da produção teatral curitibana, que ganha fôlego novo a cada festival realizado na cidade.

A iniciativa merece o aplauso do blog.

Leia mais sobre o Festival de Curitiba

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