Posts com a tag "musical"

Por Miguel Arcanjo Prado

São Paulo é um verdadeiro frenesi quando o assunto é teatro. Afinal, as cerca de 200 salas da capital paulista vivem em constante movimento de entra e sai de espetáculo. O Atores & Bastidores do R7 selecionou sete montagens que chegam ao fim na cidade neste fim de semana. Se você já havia pensando em ver alguma delas, é bom correr. Divirta-se!

teatro roberto silvia boriello Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

O ator Roberto Reineger é o protagonista da peça com saga farmacológica de um rapaz - Foto: Silvia Boriello

Roberto e a Filologia das Estrelas
A primeira peça do grupo A Tragédia Pop, com direção e dramaturgia do jovem Marcio Tito Pellegrini, conta a história de Roberto, um rapaz em meio a remédios, drogas e relações superficiais ao seu redor. Tudo diante de um contato dele com alienígenas. O texto é uma viagem biográfica e pós-moderna que é a cara de São Paulo e, sobretudo, da praça Roosevelt, onde está instalado o espetáculo. Preste atenção na atriz Marina Calvão, a que tem sotaque carioca. Ela é um verdadeiro charme. A peça ainda serve para refletir sobre como lidamos com um mundo cada vez mais tecnológicos e com contato humano cada vez mais fragmentado. Na trilha, Caetano Veloso canta com seu sotaque baiano a clássica canção do rock Come As You Are, do Nirvana. Duas vezes.
Sáb (25), 19h, no Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 210, centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345). R$ 20 ou nada. 16 anos. Até 25/5/2013.

teatro joao caldas Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Melissa Vettore e Leopoldo Pacheco vivem caso lendário de amor no mundo das artes - Foto: João Caldas

Camille e Rodin
Um tórrido amor uniu os artistas Auguste Rodin (1840-1917) e Camille Claudel (1864-1943). O romance não poderia ganhar palco melhor para sua adaptação teatral: o elegante do Teatro do Masp, um dos principais museus da cidade no coração da avenida Paulista. Leopolodo Pacheco e Melissa Vettore vivem o casal de artistas. As nuances de uma paixão que juntou mestre e discípula na mesma cama envolvem o público inteligente. Preste atenção no texto de Franz Klepper, um dos melhores dramaturgos do teatro brasileiro atual. A direção, assinada por Elias Andreato, também é cheia de poesia. Um drama romântico para ser visto com o amor ao lado.
Sex. (24) e sáb. (25), às 21h; dom. (26), às 19h30. No Grande Auditório do Masp (av. Paulista, 1578, Metrô Trianon, tel. 0/xx/11 3171-3627). R$ 20 a R$ 40. 12 anos. Até 26/5/2013.

teatro hotel trombose julieta bacchin Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Atriz Gislaine Nascimento integra o elenco da Cia. do Mofo em Hotel Trombose, no Tusp - Foto: Julieta Bacchin

Hotel Trombose
A peça é uma adaptação do romance de Felipe Valério pelo diretor Fernando Gimenes. A obra conta a história de cinco estrelas decadentes que vivem em um hotel de quinta categoria. A obra expõe o caráter duro das metrópoles, onde poucos se importam com o outro. A montagem tem histórias fortes, como a de um pedófilo que finge ser um super-heróis para atrair suas vítimas, as crianças. Ainda há espaço para dois irmãos que assistem à mãe morrer afogada em uma banheira, enquanto ambos comem docinhos de festa. Um espetáculo denso com a Cia. do Mofo. Só vá se não estiver deprimido. Ou não.
Sex. (24) e Sáb. (25), às 21h; dom (26), às 20h. No Tusp (rua Maria Antônia, 294, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3123-5233). R$ 20. 14 anos. Até 26/5/2013.

teatro magico oz Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Malu Rodrigues é a menina Dorothy no musical O Mágico de Oz - Foto: Amauri Nehn/AgNews

O Mágico de Oz
O musical rompe barreiras entre o mundo das crianças e dos adultos, fazendo com que todos embarquem na fantasia da menina Dorothy, vivida pela talentosa Malu Rodrigues, que canta deslumbrantemente. A montagem da tarimbada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho tem figurino preciso de Fause Haten e cenários de impressionar qualquer um. André Torquato confirma o talento de sempre como o Espantalho. O italiano Nicola Lama dá a simplicidade necessária a seu Homem de Lata. Heloísa Périssé, como a Bruxa Má do Oeste, mantém seu humor de sempre em improvisações que levam todos às gargalhadas. O único erro é Lúcio Mauro Filho e sua construção caricata do Leão Covarde. Mas a gente logo se esquece dele quando Luiz Carlos Miéle, o pai do showbizz brasileiro, entra em cena como o Mágico. As crianças ainda ficam encantadas com o cachorrinho de verdade que dá vida a Totó, o mascote da protagonista. Na verdade, o "personagem" é "interpretado" por três diferentes cãezinhos. Fofo.
Sex. (24), 21h30; sáb. (25), 16h e 20h; dom. (26), 15h e 19h. No Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, CPTM Santo Amaro, São Paulo, tel. 0/xx/11 5693-4000). R$ 40 a R$ 180. Livre. Até 26/5/2013.

teatro longo adeus Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Texto de Tennessee Williams mostra homem perdido com suas lembranças - Divulgação

Longo Adeus
O drama escrito pelo norte-americano Tennnesse Wiliams (1911-1983), um dos maiores dramaturgos de todos os tempos, ganha direção de Flávio Tolezani. O enredo conta a história de um escritor que precisa deixar o apartamento da família onde foi criado. Enquanto os carregadores vão levando os móveis e objetos de seu passado, ele acaba se perdendo em suas lembranças daquele lugar tão importante para a sua trajetória. Um espetáculo denso para refletirmos de como somos frutos de onde viemos.
Sex. (24), 21h30; sáb. (25), 21h; dom. (26), 19h. No Viga Espaço Cênico (r. Capote Valente, 1323, Metrô Sumaré, São Paulo. Tel 0/xx/11 3801-1843). R$ 30. 12 anos. Até 26/5/2013.

teatro primeiravista enriquediaz Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Drica Moraes e Mariana Lima fazem embate cênico no Sesc Pompeia - Foto: Enrique Diaz

A Primeira Vista
Duas ótimas atrizes, Drica Moraes e Mariana Lima vivem o embate de duas mulheres que têm uma relação de amor e carinho uma pela outra. A comédia dramática é do canadense Daniel MacIvor, um dos nomes fortes da atual dramaturgia mundial. As recém-conhecidas se tornam amigas e logo viram amantes, mas se separam, discutem a relação, enfim, vivem encontros e desencontros. A direção de Enrique Diaz aposta no talento das atrizes, que não deixam a dever. Uma peça para entender as DRs que fazem a cabeça das mulheres.
Sex. (24) e sáb. (25), 21h; dom. (26), 19h. No Teatro do Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, tel. 0/xx/11 3871-7700). R$ 24. 14 anos. Até 26/5/2013.

teatro milton Veja antes que acabe: este fim de semana é a última chance de ver sete espetáculos em cartaz

Musical com 16 atores só tem dois negros no elenco para cantar obra de Milton Nascimento - Foto: Guga Melgar

Milton Nascimento - Nada Será como Antes - O Musical
A obra de Milton Nascimento, um dos maiores compositores e cantores da MPB, merecia homenagem melhor. O musical traz atores com cara de Malhação e vestidos como modelos de lojas de departamento para cantar, de forma corrida, os sucessos do astro que melhor representou a música mineira no cenário nacional. A obra empacota a produção de Milton em uma embalagem comercial para degustação de uma classe média sem referência cultural e que se deslumbra diante de qualquer coisa com roupagem Broadway. Preste anteção nas coreografias óbvias e em como os intérpretes parecem não saber o que estão cantando. Se assistir ao musical, depois que chegar em casa, tente ouvir todas as canções no original. Será um grande alívio.
Sex. (24), às 18h30 e 21h30; sáb. (25), às 21h; dom. (26), às 20h. No Teatro GEO (r. Coropés, 88, Metrô Faria Lima, São Paulo, tel. 0/xx/11 3728-4930). R$ 100 a R$ 150. 18 anos. Até 26/5/2013.

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valeska reis eduardo enomoto Musical sobre samba procura artistas negros

Musical quer atores, cantores e bailarinos negros, como a bela Valeska Reis, em pose no Carnaval de São Paulo em 2013 - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado

Atores negros têm a oportunidade de participar de um novo musical paulistano: O Fino no Samba, que vai cantar nosso ritmo mais celebrado.

O Teatro Itália, que produzirá a obra com texto de Elisio Lopes Jr., direção de Kleber Bortes Sobrinho e direção musical de Bruno Elisabetsky, está em busca do elenco.

Podem se inscrever atores, cantores e bailarinos negros, entre 20 e 40 anos. É preciso comprovar experiência artística. Os currículos com foto podem ser enviados para o e-mail audicaofinodosamba@gmail.com até esta terça (7).

Os selecionados para a audição, que será realizada no Teatro Itália (av. Ipiranga, 344, subsolo do Edifício Itália, São Paulo), na segunda (13), será avisados por email até esta quinta (9).

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magico de oz1coletiva imprensa magico de oz 27621 Crítica: Musical O Mágico de Oz, da dupla Möeller e Botelho, rompe fronteiras entre adultos e crianças

Malu Rodrigues, André Torquato e Nicola Lama em cena do espetáculo - Foto: Amauri Nehn/AgNews

Por Miguel Arcanjo Prado

Muita gente teima em classificar o mundo das artes do palco como teatro adulto ou infantil. A definição realmente funciona em muitos casos, mas é jogada por terra em O Mágico de Oz, 31º musical da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho – e o último em parceria com a Aventura Entretenimento – em cartaz no Teatro Alfa, em São Paulo.

heloisa bruxa oz Crítica: Musical O Mágico de Oz, da dupla Möeller e Botelho, rompe fronteiras entre adultos e crianças

Heloísa Périssé está irreconhecível como Bruxa Má do Oeste no musical - Foto: Amauri Nehn/AgNews

A superprodução consegue envolver pais e filhos em um misto de fascinação e vontade de voltar a acreditar em um mundo de fantasia. Este é o seu mérito, sobretudo em um mundo de relações cada vez mais fria e técnicas, mediadas por máquinas.

O musical se esmera para contar de forma correta o centenário enredo da menina Dorothy, que resolve fugir de casa porque acredita ser incompreendida pelos tios e é tragada por um furacão que a leva para um novo e perigoso mundo.

A história de Lyman Frank Baum foi imortalizada no cinema em 1939, com Judy Garland no papel principal.

Mas, nos palcos brasileiros, é Malu Rodrigues quem vive a menina. Tem voz doce e afinada e presença de sobra para segurar a personagem – sua atuação destacada lembra a de Amanda Acosta no musical My Fair Lady, em 2007, pelo mesmo nível de técnica aliada ao carisma, que é indispensável nestes casos.

magico de oz3coletiva imprensa magico de oz 2407 300x200 Crítica: Musical O Mágico de Oz, da dupla Möeller e Botelho, rompe fronteiras entre adultos e crianças

Bruna Guerin e Luiz Carlos Miéle: dois destaques do numeroso elenco - Foto: Amauri Nehn/AgNews

Bruna Gerin, que já havia chamado a atenção por sua capacidade de segurar distintos personagens em uma mesma obra em Hair, se destaca outra vez na pele da tia Em (com a qual faz par com Fernando Vieira, como o Tio Frank) e também como Glinda, a bruxa boa.

A competência neste tipo de obra da dupla Möeller & Botelho se faz presente nos cenários de Rogério Falcão, nos figurinos de Fause Haten, na iluminação de Paulo Cesar Medeiros e na coreografia de Alonso Barros. Todos contribuem à sua maneira para criar uma atmosfera cativante, sem com que o foco na história seja perdido.

Heloísa Périssé dá show ao interpretar a Bruxa Má do Oeste em sua estreia no mundo dos musicais. Irreconhecível por conta da caracterização, a atriz conquista a plateia com um texto divertido e com seus costumeiros – e certeiros – cacos. Não adianta segurá-la. A atriz é bem melhor solta.

Outro nome vindo da TV, Lúcio Mauro Filho, por sua vez, derrapa na sua construção do Leão Covarde. Ele vai por um caminho no qual associa a falta de coragem à homossexualidade, em uma construção gay caricata e forçada, típica do que fazia no humorístico Zorra Total (Globo). Seu personagem destoa do todo da obra por procurar o riso fácil que advém do preconceito embutido em parte da plateia – um pecado imperdoável ao se tratar de um espetáculo dedicado também às crianças e que deveria formar novos valores e não reforçar o deboche do diferente.

Completam os amigos de Dorothy um correto, preciso e discreto Nicola Lama, como o Homem de Lata, e André Torquato, na pele do Espantalho, em uma construção de corpo e voz que reflete trabalho árduo, como o ator já havia demonstrado em Priscilla – Rainha do Deserto.

Outro charme da montagem – além do cachorrinho real de Dorothy que encanta quem adora os animais – é a presença de Luiz Carlos Miéle como o Mágico. Miéle não é ator, e isso todo mundo sabe. Nem cantor. Isso também todos nós sabemos. Mas as duas informações não fazem a menor diferença nem são capazes de tirar sua segurança no palco. Ele assume o personagem com o excesso de charme que lhe é costumeiro e a certeza de ter criado o mundo dos shows neste País. E ponto.

Ao todo, os 35 atores e 16 músicos evidenciam um conjunto coeso em seu propósito de envolver e entreter seu público, não importa qual idade este tenha. Porque, diante do musical O Mágico de Oz, todos voltamos, com gosto, a ser crianças outra vez.

Avaliacao Bom R7 Teatro Crítica: Musical O Mágico de Oz, da dupla Möeller e Botelho, rompe fronteiras entre adultos e criançasO Mágico de Oz
Avaliação: Bom
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 16h e 20h; domingo, 15h e 19h. 150 min, com intervalo. Até 26/5/2013
Onde: Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, São Paulo, tel. 0/xx/11 5693-4000)
Quanto: R$ 40 a R$ 180
Classificação etária: Livre

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fabiano augusto casa do zezinho Entrevista de Quinta: Fabiano Augusto, o moço do comercial que faz teatro em prol das crianças

O ator Fabiano Augusto veste a camisa de sua causa social no palco: espetáculo da noite desta quinta no Teatro das Artes terá toda a renda revertida para a Casa do Zezinho - Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O ator Fabiano Augusto é rosto conhecido de todo o Brasil, por conta de sua participação nos comerciais de uma loja de móveis e eletroeletrônicos, da qual foi garoto propaganda exclusivo por cinco anos e ainda faz comerciais esporádicos.

O que nem todo mundo sabe é que ele também é ator e cantor. E muita gente se surpreende ao vê-lo em cena.

Na noite desta quinta (18), ele sobe ao palco do Teatro das Artes, no shopping Eldorado, em São Paulo, para uma apresentação especial do musical infanto-juvenil A História do Incrível Peixe-Orelha.

Toda a renda será revertida para a Casa do Zezinho, entidade fundada em 1994 e que atende 1.200 crianças em situação de risco por ano, no Parque Santo Antônio, bairro da zona sul de São Paulo. O espetáculo começa às 20h e todos pagarão meia-entrada de R$ 25.

A montagem ajuda a conscientizar as crianças sobre a importância de se preservar a água, recurso primordial para a vida na Terra. No elenco, além de Fabiano Augusto, estão Alessandra Vertamatti, Luciana Ramanzini, Mariana Elisabetsky, Demian Pinto, Edgar Bustamante. A direção é de Kleber Montanheiro, com adaptação do dramaturgo Paulo Rogério Lopes para o conto de Edson Natale. A peça levou o Prêmio APCA 2012 de melhor figurino e cenário.

Pouco antes de sair para o teatro, Fabiano Augusto conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta, na qual falou sobre o projeto que embala com tanto carinho.

peixe2 Entrevista de Quinta: Fabiano Augusto, o moço do comercial que faz teatro em prol das crianças

Cena do musical infantil - Foto: João Caldas

Leia com toda a calma do mundo:

Miguel Arcanjo Prado – Vocês já apresentaram o espetáculos para as crianças da Casa do Zezinho?
Fabiano Augusto – Sim, e foi lindo. Hoje, eles vão tocar com a gente a última música. Apresentar para eles é sempre incrível. Eles estão muito abertos e a reação é completamente diferente. Muitos deles foram ao teatro pela primeira vez. É muito bom ver reações de falar junto, de participar, de questionar alto. É tudo muito vibrante.

Como surgiu a ideia de fazer o espetáculo com renda revertida para a Casa do Zezinho?
Conheço a entidade desde quando trabalhava na TV Cultura e fiz uma reportagem sobre eles há mais de dez anos. Fiquei com isso na cabeça. Ano passado, comecei a conhecer mais de ir lá e ver como eram as coisas. Fiquei impressionado com o trabalho da Tia Dag, que é a fundadora, e o trabalho que ela faz com os meninos. São mais de 1.000 crianças e jovens de idades variadas. E o mais impressionante é ver ex-integrantes da casa se tornando jornalista, professor ou músico. Não é um trabalho só assistencial, mas de educação continuada mesmo.

Eles têm uma orquestra?
Sim. E é ela quem vai tocar hoje com a gente no espetáculo. Eu fiquei impressionado com a orquestra Toca Zezinho. Ela está ameaçado a acabar por falta de dinheiro. Houve uma união de todos nós: a produtora, o autor, o dono do teatro, a equipe técnica. Todo mundo está trabalhando hoje à noite na camaradagem. Por isso, convido a todos irem para contribuir para uma causa tão importante.

O que você acha de o teatro fazer ações deste tipo, que saem do discurso social e vão para a prática?
Eu acho que isso é embrião de um projeto maior de teatro com renda revertida. Acho isso fundamental. Acho que é um desejo de todos nós artistas de fazer alguma coisa. Não consigo ficar tranquilo no carro vendo criança pedir dinheiro. Estou tentando fazer com o meu trabalho o que eu posso fazer.

O espetáculo vai continuar?
Demos uma parada agora, porque os atores terão outros trabalhos. Mas queremos voltar no segundo semestre. Mas vamos ainda circular pelo Projeto da Apa pelo interior de São Paulo, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura.

Você vai fazer outra peça?
Vou fazer o musical Enlace – A Loja do Ourives nas capitais e no Rio, onde estreamos em 5 de julho. Mas vou para o Rio começar os ensaios em duas semanas.

Você fez durante muito tempo um comercial marcante na TV. As crianças lhe reconhecem?
Nesse espetáculo, em especial, estou completamente irreconhecível. O que era uma coisa engraçada é que quando fiz o Enlace, tinha gente que falava: “olha, ele é ator e cantor”. Fiz o comercial por cinco anos, de 2002 a 2007, e voltei há um mês, mas dessa vez para fazer trabalhos esporádicos, sem ser contratado exclusivo. A gente fica muito massificado por conta do comercial. E com a imagem ligada a uma empresa. Então, fazer teatro é bom para reverter tudo isso. Eu vejo como essa imagem se desmancha quando as pessoas me veem em cena. E fico muito feliz com isso!

peixe joao caldas Entrevista de Quinta: Fabiano Augusto, o moço do comercial que faz teatro em prol das crianças

Fabiano Augusto (no centro), à frente do elenco do musical A História do Incrível Peixe-Orelha, que será apresentado nesta quinta (18), no Teatro das Artes, em SP; renda será revertida para a Casa do Zezinho - Foto: João Caldas

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Veja a cobertura completa do R7 do Festival de Curitiba

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 Entrevista de Quinta: Filha de candangos e Fiona de Shrek, Sara Sarres diz como virou estrela de musical

A brasiliense Sara Sarres integrou os elencos dos maiores musicais do mundo no Brasil - Foto: Cassiano Grandi

Por Miguel Arcanjo Prado

Sara Sarres atualmente interpreta Fiona no musical Shrek, em cartaz no Teatro João Caetano, no Rio. É sua 13ª produção do gênero, o que a torna uma das grandes estrelas do teatro musical brasileiro.

Para citar alguns exemplos, ela carrega no currículo atuações em obras de peso, como O Fantasma da Ópera, Les Miserables, Cats, West Side Story e Godspell.

Brasiliense, filha de candangos, com pai carioca e mãe baiana, diz que é feita de boa mistura. E tal tempero genético é sentido no carisma que carrega consigo em todas as produções que participa.

Nesta Entrevista de Quinta, Sara fala um pouco mais sobre sua carreira, dá conselhos a quem deseja trilhar um caminho de sucesso profissional como o dela e aponta aspectos positivos e negativos dessa febre de musicais que o País vive.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi a tomada da decisão de ser artista? Você teve apoio?
Sara Sarres – Meu pai diz que nasci artista e reconheceu que a minha paixão era séria muito cedo. Aos sete anos de idade já estudava na Escola de Música de Brasilia e na Academia Usha de Balet. Minha família sempre foi meu maior apoio, incentivo e porto seguro. Devo tudo a eles.

Você é da primeira geração dessa retomada de musicais. Foi difícil no começo?
Nada! Foi só alegria. Tinha me preparado muito, estudado feito louca até aquele momento e passei justamente para interpretar Cosette em Les Miserables, que era o meu musical favorito. Agradecia aos céus todos os dias por estar ali fazendo parte de tudo aquilo. Era um grande sonho se realizando. Quando entrei na sala de ensaio, no primeiro dia, e vi um palco giratório oficial queria ajoelhar e beijar o chão. E quando anunciaram o término da temporada ia chorando para o teatro o último mês inteiro. Não queria que acabasse.

 Entrevista de Quinta: Filha de candangos e Fiona de Shrek, Sara Sarres diz como virou estrela de musical

Sara Sarres é estrela dos musicais - Foto: Cassiano Grandi

O que mudou para melhor e o que mudou para pior desde então?
Para melhor: Finalmente temos uma aceitação incrível do público brasileiro, que abraçou os musicais, e hoje temos um mercado mais amplo, novas produtoras e vários títulos em cartaz ao mesmo tempo. Para pior: é que alguns dos novos produtores só visam lucro e se preocupam pouco em manter a qualidade e nível de exigência e excelência que batalhamos tanto para manter nos espetáculos. Deixando muitas vezes artistas e equipe desprotegidos ou buscando gente despreparada para exercer funções de extrema importância ou ferramentas fundamentais para a realização do espetáculo por valores e qualidade bem abaixo do normal. Aí, o barato sai caro. Isso reflete no palco e no público.

Qual o personagem que fez em musicais que você guarda com maior carinho?
Christine, de O Fantasma da Ópera.

Vamos falar agora de Shrek. Onde você foi buscar sua Fiona?
Em mim. Na minha infância, nas animações que cresci assistindo, os sonhos que construía, nas frustrações de crescer e entender que nem sempre as coisas acontecem do seu jeito. Mas ainda assim acreditar que o final feliz acontece para todos.

Qual a maior lição do musical Shrek?
Que o amor transforma.

Como está viver entre Rio e São Paulo, já que você mora aqui e faz o musical no Rio?
Cansativo, mas delicioso. A gente pensa que não, mas enfrentar aeroporto, trânsito e todos os pormenores de dois QG's, duas vezes por semana, cansa de verdade. Queria poder estar tendo mais tempo para estudar, dar aulas, fazer aulas. Mas o corpo pede arrego com tudo isso mais sete sessões de Shrek por semana.

Você gosta do Rio?
Fora isso, a correria, o Rio de Janeiro continua lindo. Estou apaixonada pela terra do meu paizão e o público incrível do Shrek. Sem deixar de amar São Paulo, claro. A cidade que não dorme é perfeita pra mim. Com garoa e tudo. ... Ok, sem a garoa [risos].

A TV ainda tem aproveitado pouco os artistas de musicais. Acha que deveria ter um maior intercâmbio?
Acho que sim. Mas é natural que aconteça aos poucos. Assim como os atores de TV começam a fazer musicais. Poucos são os que dominam as três vertentes [canto, dança e interpretação], mas alguns têm se aventurado. Alguns até investido em aulas para uma melhor performance no canto e na dança com ótimos resultados.

Como você cuida da sua voz? E do corpo?
Com a voz sou mais disciplinada do que com o corpo, confesso. Até porque o espetáculo é fisicamente tão intenso que já me mantém em forma. E tenho profissionais maravilhosos que me acompanham e me ajudam a manter a saúde vocal e física. Meu otorrino Dr. Reinaldo Yasaki e a fonoaudióloga Adriana Bezerra acompanham passo a passo as construções vocais dos meus personagens e as fisioterapeutas da FisioArte e Helio Nichioka do Instituto Vita sempre me socorrem com as lesões e exercícios preventivos direcionados para cada espetáculo.

Você construiu uma carreira de sucesso no mundo dos musicais. Qual o segredo?
Não acomodar. Não é porque conseguiu um bom personagem que estará para sempre no mercado. Ou sempre apto. Estudo muito até hoje. Eu me desafio, busco novas linguagens, métodos, técnicas. Nosso instrumento de trabalho é vivo e tem de estar em constante uso, manutenção e aperfeiçoamento.

O que você indica para os atores que querem seguir o caminho dos musicais?
Não deixar para estudar só em véspera de audição. Para poder estar inteiro e pleno naqueles poucos minutos terríveis de teste, sua técnica vocal, veracidade da interpretação e o controle do corpo tem que estar em total equilíbrio, fluindo no sangue de tão orgânico. Estar preparado é tudo e nunca sabemos quando a oportunidade baterá à porta.

Você tem vontade de fazer novela? E cinema?
Claro! Quero ter contato com todas as maneiras possíveis de se contar uma boa história.

diego luri e sara sarres1 Entrevista de Quinta: Filha de candangos e Fiona de Shrek, Sara Sarres diz como virou estrela de musical

Sara Sarres, a Fiona, e Diego Luri, o Shrek; musical está em cartaz no Rio de Janeiro - Foto: AgNews

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milton nascimento pb Crítica: Musical banaliza obra de Milton Nascimento

Musical homenageia Milton Nascimento, mas não perto da força do original - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Milton Nascimento faz parte do primeiro time da MPB. Reverenciado pelos grandes, tem 70 anos de vida e uma carreira de 50 anos na qual criou um estilo que marcou para sempre a música de Minas, do Brasil e do mundo. Assim como seu conterrâneo Guimarães Rosa, ele conseguiu tornar o local universal, “ser do mundo, ser Minas Gerais”.

Mexer em tão expressiva obra é arriscado. A dupla de diretores Charles Möeller e Claudio Botelho resolveu tentar e fez o musical Milton Nascimento – Nada Será como Antes, em cartaz no Teatro GEO, em São Paulo.

Möeller e Botelho são nomes tarimbados quando o assunto é reproduzir no Brasil musicais consagrados na Broadway. Tanto que ganharam a merecida alcunha de Reis dos Musicais — o ótimo O Mágico de Oz, em cartaz no Teatro Alfa, é um exemplo de acerto dos dois. Contudo, ao se embrenharem em um terreno bem mais complexo, o da canção brasileira, os dois acabaram reproduzindo uma sequência de clichês que, em vez de homenagear, banaliza a obra de Milton Nascimento. Ela até está lá, mas sem essência alguma.

O musical, orçado em mais de R$ 1 milhão, não se propõe a contar a vida de Milton. O que faz é sequenciar uma seleção de canções do mestre por uma hora e meia, divididas em estações do ano. Mas este não é o problema. O incômodo vem de como elas são apresentadas.

milton musical 1 Crítica: Musical banaliza obra de Milton Nascimento

Cantores do musical de Milton executam obra prima da MPB como se fosse trilha da Disney

Negros são míseros 14%

O elenco até se esforça, mas já começa devendo num primeiro olhar. Apenas dois atores são negros, Cássia Raquel e Wladimir Pinheiro – que sequer aparecem no cartaz do musical. Eles representam míseros 14% do total, enquanto são brancos 86% do elenco de um musical sobre um artista negro. Mas também este não é o problema. É fato que a música de Milton é universal e não pode ser classificada dentro de uma etnia, mas no mínimo seria elegante ter mais vozes negras no coral.

Apesar de terem as mais belas vozes, nem os dois atores negros conseguem salvar o elenco, que peca no global por falta de carisma ou presença cênica. A sensação que se tem é que ninguém sabe ao certo o que canta. É como se o elenco de Malhação fosse convidado a subir ao palco e cantar. Não há alma. Se Elis Regina, maior intérprete da obra de Milton além do próprio, estivesse viva para ver, provavelmente não suportaria ficar até o final.

Che Guevara de boutique

São plastificados e corretinhos demais. Parecem saído de um comercial de refrigerante. Até quando buscam alguma ancestralidade africana no batuque e no jogar de cabelos, o fazem de uma forma aparentemente sem consciência. Pedro Sol, que assume ares de galã da trupe, causa constrangimento ao surgir fantasiado de Che Guevara de boutique para cantar Para Lennon & McCartney.

Nos Bailes da Vida ganha arranjo americanizado. Outras músicas emblemáticas como Paisagem da Janela são apresentadas em forma de spot radiofônico de 30 segundos, perdendo sua força na forma banal como são apresentadas. Arranjos de qualidade duvidosa também estão presentes em Nuvem Cigana e Girassol. E Clube da Esquina n°2 é entoada com esforço perceptível e as notas não chegam a contento.

Paula e Bebeto dói nos ouvidos e a coreografia rasa de Encontros e Despedidas é totalmente desnecessária, assim como o topless de Tatih Köhler simulando ser uma sereia. Surge gratuito e injustificável artisticamente. Parece que alguém, no meio dos ensaios, sugeriu: acho que falta alguma das meninas mostrar os seios.

Outro fator de irritação é a pressa com as músicas surgem, não permitindo envolvimento com sua mensagem. Antes a direção houvesse feito cortes que permitisse maior apreciação das escolhidas. Falta paciência com a própria obra que querem homenagear.

Barroco de loja de departamentos

O cenário assinado por Rogério Falcão tenta reproduzir o que seria uma casa mineira. O trenzinho de madeira no canto do palco talvez seja o único respiro real de Minas que paira pelo cenário. Mas as pinturas na parede lembram uma peça publicitária de uma coleção passada de loja de departamento de shopping. É um barroco mercantilizado e empastelado. Aleijadinho morreria de pena se visse.

Os figurinos vão pela mesma linha. As roupas assinadas por Charles Möeller parecem saídas da mesma coleção passada de loja de departamento que inspirou o cenário.

Enquanto o Milton Nascimento real foi imortalizado com camisetinhas e suando bicas nos clipes do Fantástico, o elenco, que não derrama uma gota sequer de suor, veste uma quantidade absurda de casacos pesados, que estão mais para Suécia do que para Minas Gerais.

milton nascimento 2 Crítica: Musical banaliza obra de Milton Nascimento

Limpinho e certinho, o elenco do musical peca no quesito carisma e personalidade

A tentativa de coreografar algumas canções com mexer de cabeças e balanços para os lados parece muitas vezes primária, salvo quando, o elenco simula um trem utilizando o recurso simples das caixas no palco.

Bola de Meia, Bola de Gude parece um momento de teatro de quermesse. Mas talvez falar em quermesse seja demais para um musical que parece colocar Minas e Texas num mesmo balaio, já que as meninas usam botas de couro e jaquetas com franjas countries.

Falta personalidade

A força de nossa música sempre esteve na composição única e no canto cheio de personalidade de nossos artistas. E Milton Nascimento, com sua voz reverenciada por nomes como Mercedes Sosa e Elis Regina, é um de nossos maiores representantes. Por isso, assusta ver o elenco cantar sua obra como se fosse trilha de animação da Disney. Dá vontade de citar Caetano e dizer: “Vocês não entendem nada”.

Mas a surpresa mais ingrata é ver Canção da América cantada em inglês. É triste ver a música que marcou um período em que o Brasil retomava a democracia roubada pelos militares, que desapareceram com tantos amigos nos porões da repressão, entregue dessa forma ao idioma colonizador. É ver prostituída uma canção emblemática e símbolo de quem perdeu a vida resistindo justamente a isso.

Feito para homenagear, o musical Milton Nascimento – Nada Será como Antes parece empobrecer a música de Milton Nascimento, transformando-a em uma cópia pausterizada para ser vendida em prateleira de supermercado. A montagem é fraca e sem força. Tudo o que, definitivamente, Milton Nascimento não é.

Milton Nascimento – Nada Será como Antes
Avaliação: Fraco
Quando: Sextas, às 21h30. Sábados, às 19h e 21h30. Domingos, às 19h. 90 min. Até 26/5/2013
Onde: Teatro GEO (Rua Coropés, 88 – Pinheiros, Metrô Faria Lima, São Paulo, tel. 0/xx/11 3728-4929)
Quanto: R$ 100 a R$ 150
Classificação etária: 12 anos

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alo dolly marilia 3 miguel IMG 1662 foto paula kossatz Marília Pêra é o grande trunfo do musical <i>Alô, Dolly</i>; parte do elenco jovem escorrega na caricatura

Miguel Falabella e Marília Pêra: ele abre espaço para ela brilhar - Foto: Paula Kossatz

Por Miguel Arcanjo Prado

Miguel Falabella fez Alô, Dolly! com o coração. Afinal de contas, foi por conta deste musical, que ele assistiu aos oito anos no Teatro João Caetano, no Rio, que resolveu se tornar artista.

Quis o destino que fosse bem sucedido na profissão ao ponto de 47 anos depois poder atuar e dirigir o mesmo espetáculo que embalou seus sonhos de menino.

Falabella, que fez a tradução do texto de Michael Stewart e a versão das músicas de Jerry Herman para o português, foi astuto ao escolher sua companheira de cena. Chamou Marília Pêra, uma das grandes atrizes do País, para viver o papel título da casamenteira nova-iorquina na produção de Sandro Chaim.

A personagem, com sua maladragem e tentativa astuta de sobrevivência dialoga com o Brasil e seu famoso jeitinho. Dolly arranja a vida dos outros, por meio de casamentos afortunados, enquanto tenta também traçar para si um caminho de vitória sem que ninguém perceba, muito menos seu pretendente, o caipira Horácio, interpretado por Falabella.

alo dolly marilia IMG 1662 foto paula kossatz Marília Pêra é o grande trunfo do musical <i>Alô, Dolly</i>; parte do elenco jovem escorrega na caricatura

Marília é o grande trunfo de Alô, Dolly! - Foto: Paula Kossatz

E é Marília o grande trunfo da superprodução em cartaz no Teatro Bradesco, em São Paulo. A atriz surge em cena com um respeito que só as grandes têm pelo palco. Apresenta uma personagem bem construída, divertida e com uma leveza cênica pouco vista.

No quesito musical, Marília também demonstra maturidade ao escolher com comedimento a forma como canta.

Conhecedora de seus limites, vai no caminho certo para executar as notas propostas pela competente orquestra de 16 músicos sob a batuta dos maestros Carlos Bauzys e Daniel Rocha.

Com vigor físico impressionante para os 70 anos completos no começo do ano, Marília demonstra ser bailarina dedicada, ao exibir técnica e destreza nas coreografias junto do jovem elenco de ensembles.

Marecem ser citados: Carla Vazquez, Ingrid Gaigher, Karin Hills, Mariana Saraiva, Maysa Mundim, Thati Abra, Alê Limma, Arízio Magalhães, Daniel Cabral, Fabio Yoshihara, Guilherme Pereira, Ivan Parente, Jefferson Ferreira, Leandro Marbali, Marcel Anselme, Thiago Pires e Ygor Zago.

A bem desenhada e empenhada coreografia assinada por Fernanda Chamma é outro trunfo do musical e, inclusive, poderia ter sido mais aproveitada. Em algumas cenas, o incômodo vazio que toma conta do palco poderia ter sido preenchido com o competente time de bailarinos.

coreografia Alo Dolly by CaioGallucci 15 Marília Pêra é o grande trunfo do musical <i>Alô, Dolly</i>; parte do elenco jovem escorrega na caricatura

Aos 70 anos, Marília dança no palco como se fosse uma jovem bailarina - Foto: Caio Gallucci

Como diretor, Miguel Falabella segura o ator para deixar Marília Pêra brilhar. E ainda demonstra vontade de fugir do “personagem Miguel Falabella” na construção do caipira Horácio Vandergelder.

Apesar de escorregar algumas vezes (ora o personagem diz um mineirês “com cê” e em outras, um carioquíssimo “contigo”), o ator consegue segurar seus vícios na maior parte do tempo, e também conquista a plateia.

Elenco jovem derrapa

Se o Miguel Falabella diretor acertou ao deixar Marília dominar a cena, o mesmo demonstrou pouca firmeza com parte do elenco de jovens atores.  

Alessandra Verney, Brenda Nadler, Ester Elias, Frederico Reuter e Ubiracy Paraná do Brasil parecem unidos na tentativa de construir personagens caricatos que mais parecem saídos de uma péssima montagem infantil. Cheios de trejeitos desnecessários e muitas vezes irritantes, eles mais parecem saídos de um vagão do metrô do humorístico Zorra Total do que de um musical da Broadway. Faltou à direção dizer a eles que, muitas vezes, menos é mais.

Mas há salvação no elenco jovem: Thiago Machado surge mais experiente e convincente como o caipira Ambrósio, e Ricardo Pêra, o filho de Marília, também acerta o tom divertido de seu personagem, Rudolph Reisenweber.

Patrícia Bueno, como a velha aristocrata Ernestina Ricca — que está a cara da diva do teatro alternativo paulistano Phedra D. Córdoba —, demonstra maturidade no domínio do tempo cômico; por isso, também se destaca.

Apesar de alguns atropelos, Alô, Dolly! cumpre com a função de entreter o público. E também de realizar o sonho do menino Falabella que, generoso, colocou o foco nesta montagem no talento de uma grande atriz chamada Marília Pêra.

alo dolly marilia 2 IMG 1662 foto paula kossatz Marília Pêra é o grande trunfo do musical <i>Alô, Dolly</i>; parte do elenco jovem escorrega na caricatura

Marília Pêra em cena de Alô, Dolly!: estrela do sonho de Falabella - Foto: Paula Kossatz

Alô, Dolly!
Avaliação: Bom
Quando: Quinta, às 21h; sexta, 21h30; sábado, 18h e 21h30; domingo, 18h. 160 min. (intervalo de 15 min.). Até 2/6/2013
Onde: Teatro Bradesco (1.439 lugares) - Bourbon Shopping São Paulo (rua Turiassu, 2.100 – 3º piso – Pompeia, em São Paulo, tel. 0/xx/4003-1212)
Quanto: R$ 20 a R$ 200
Classificação etária: Livre

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andre torquato amauri nehn Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

Apesar da pouca idade, André Torquato já é estrela das superproduções - Foto: Amauri Nehn/AgNews

Por Miguel Arcanjo Prado

Parece inacreditável que alguém nascido em 17 de junho de 1993 já seja uma das grandes estrelas do teatro musical brasileiro. Mas é verdade. O nome em questão é o do brasiliense André Torquato, atualmente em cartaz como o Espantalho no musical O Mágico de Oz, no Teatro Alfa, em São Paulo.

Apesar de ter chegado tão cedo ao topo, o rapaz de 19 anos demonstra humildade e tem fala tranquila e centrada. Mora em São Paulo desde 2009, no bairro Vila Mariana, onde divide apartamento com o primo Rafael Villar, que é seu professor de canto.

No palco, costuma surpreender o público não só com a voz, mas também com uma postura corporal impecável.

André deixou a família em Brasília, há quatro anos, quando foi aprovado para viver uma das crianças do musical A Noviça Rebelde, dirigido pela tarimbada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, a mesma que agora o convidou para ser um dos protagonistas de O Mágico de Oz.

O convite veio após ele ganhar o respeito da crítica como a espevitada drag queen Felícia, do musical Priscilla, Rainha do Deserto, que encerrou temporada no fim de 2012 com casa lotada.

Ouvinte de jazz e fã do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, André Torquato conversou com o Atores & Bastidores do R7 com exclusividade. Falou sobre sucesso, juventude e futuro.

Leia com toda a calma do mundo:

andre torquato2 Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

André Torquato nasceu em Brasília (DF) - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – André, você se destacou em Priscilla, e agora nem fez teste para O Mágico de Oz, foi convidado. Você chegou muito cedo aonde muito ator quer chegar. Como você se segura para não ficar se achando demais?
André Torquato – Em toda profissão, não só a de ator, você nunca chega ao topo. Tem sempre de estudar, buscar novas técnicas e ter pé no chão para sempre ter em mente que precisa aprender. Ninguém é melhor do que ninguém. Cada um tem seu próprio mérito por suas conquistas. Eu cheguei a um lugar legal, mas sempre tem onde chegar mais e aprender mais.

Miguel Arcanjo Prado – O que vc vai fazer depois deste espetáculo?
André Torquato – Vou para Nova York passar seis meses estudando. Como comecei muito cedo, ainda não tive tempo de parar para estudar. Vou para lá estudar teatro.

Miguel Arcanjo Prado – Isso mesmo, porque você está em uma idade na qual todo mundo está começando a faculdade...
André Torquato – É isso mesmo. Por isso, quero estudar para crescer como pessoa também.

andre torquato novica Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

O começo nos musicais: André Torquato (acima, à esq.) em A Noviça Rebelde - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Eu me lembro de você começando, em A Noviça Rebelde. O fato de ter iniciado muito jovem lhe ajudou a perder o medo e também não se deslumbrar com a profissão?
André Torquato – Eu me lembro que eu era muito deslumbrado no começo. Porque era muito novo mesmo, como você falou.  Tinha 14, 15 anos. Depois que comecei a trabalhar mais, o deslumbre caiu, porque comecei a fazer parte daquilo. Foi bom eu ter começado com personagem menor em Noviça, depois fiz Gipsy e As Bruxas de Eastwick... Aí veio Priscilla e esse boom. E, agora, o Espantalho. Mas você nunca está acomodado, porque o teatro musical é uma arte que se renova muito. Sempre aparecem pessoas novas e muito boas.

andre torquato priscilla onibus Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

Grande momento em 2012: André Torquato canta sobre o ônibus de Priscilla, Rainha do Deserto - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Priscilla foi um grande momento. Como segurou a peteca de ver todo mundo aos seus pés? Deu vontade de que aquilo durasse para sempre?
André Torquato – Tem de ter um trabalho psicológico para desapegar do personagem. No final é difícil, principalmente Priscilla, que foi especial em todos os aspectos. Mudou a vida de todo mundo que fez. Espero que de quem assistiu também. Priscilla mudou a forma que eu encarava o papel de artista. Depois de Bruxas, eu me senti um pouco de funcionário público. O Priscilla me resgatou essa coisa de ser um artista. De contar uma história que transforme as pessoas. Meu papel é esse! Plantar uma semente por meio da arte, sem levantar bandeira ou fazer protesto. Foi muito difícil dizer adeus [para a personagem Felícia]. Porque estávamos com a expectativa de ir para o Rio e estava lotando até o final. Mas, por questões de patrocínio e produção, acabou. Mas o desapego faz parte da nossa função como ator.

Miguel Arcanjo Prado – Mas você deu sorte de terminar um e receber convite para outro, o que é coisa rara...
André Torquato – Fui convidado, graças a Deus. Porque teste é um horror. Eu detesto teste. É terrível. Sempre fico muito nervoso.

Miguel Arcanjo Prado – Como é fazer o Espantalho?
André Torquato – É diferente de tudo que eu já fiz. É desafiador. A Felícia [personagem em Priscilla] era mais fácil, porque tinha essa coisa explosiva. E eu tenho muito isso, essa coisa à flor da pele, tenho 19 anos, não tem como, né? [risos] Já o espantalho tem essa coisa de articulação frouxa... Então, tenho de me preparar mais antes do Espantalho do que para a Felícia.

Miguel Arcanjo Prado – O teatro musical valoriza muito o corpo. E você tem 19 anos. O que vai fazer quando não for tão novinho e bonitinho? Você tem medo de envelhecer?
André Torquato – Acho que não. Quando o ator envelhece, ganha mais vivência. A idade vai me dar sentimentos que eu ainda nunca vivi, porque tenho 19 anos. Então, o tempo vai me dar mais recursos para criar bons personagens. Por isso não tenho medo de envelhecer. Sei que é fato que o teatro musical exige muito fisicamente do ator. Eu quero curtir essa fase agora, enquanto posso. Mais para frente, penso fazer teatro convencional, TV e cinema. Enquanto isso não chega, quero sugar tudo que puder do teatro musical.

andre torquato magico Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

André Torquato (à dir.) posa com o elenco do musical O Mágico de Oz, em cartaz em São Paulo - Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Você pensa em fazer alguma faculdade?
André Torquato – Sim. Eu tenho um pouco a veia de produção no meu sangue. Meu pai é muito empreendedor, minha irmã também, minha mãe adora produção... Estava na dúvida se fazia faculdade ou não. Acho que, quando voltar de Nova York, vou entrar numa faculdade de produção cultural.

Miguel Arcanjo Prado – Você vai virar um Claudio Botelho do futuro?
André Torquato – [risos] Olha, o Claudio é muito talentoso, é compositor, produtor, diretor... Aí eu já não sei. Depende de onde o curso vai me levar... Eu não achava nunca que seria o Espantalho e cá estou eu [risos].

Miguel Arcanjo Prado – Você quer chegar aonde?
André Torquato – Quero poder continuar transformando as pessoas, no palco, na minha função de artista. É isso que mais amo fazer. Quero fazer isso para o resto da minha vida, não importa que seja no musical, no teatro convencional, no cinema ou na produção.

andre torquato espantalho Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

Papel sem fazer teste: André Torquato foi convidado para viver Espantalho de O Mágico de Oz - Divulgação

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foto Guga Melgar 36 Musical <i>O Mágico de Oz</i> chega a SP no dia 22

Após sucesso em terras cariocas, O Mágico de Oz promete conquistar paulistanos - Foto: Guga Melgar

Por Miguel Arcanjo Prado

Está marcada para 22 de fevereiro a estreia do musical O Mágico de Oz, no Teatro Alfa, em São Paulo.

O espetáculo é uma adaptação do clássico texto de L. Frank Baum, que ganhou definitiva versão cinematográfica com Judy Garland, em 1939.

A superprodução carioca é assinada pela mais tarimbada dupla de diretores do mundo dos musicais nacionais: Charles Möeller e Cláudio Botelho.

Os números são grandiosos. Só o elenco de artistas é composto de 35 atores e 16 músicos. Entre eles estão Luiz Carlos Miéle, Heloisa Perissé, Lucio Mauro Filho, André Torquato, Nicola Lama, e Malu Rodrigues como a menina Dorothy.

Nos bastidores, 150 profissionais dão conta do recado. E não têm tarefa fácil, afinal, são 14 cenários diferentes e mais de 300 figurinos.

Veja, abaixo, algumas imagens deste grande musical:

omagicodeoz guga melgar Musical <i>O Mágico de Oz</i> chega a SP no dia 22

Com números grandiosos, superprodução O Mágico de Oz chega a São Paulo - Fotos: Guga Melgar

O Mágico de Oz
Quando: Sexta, às 21h30; sábado, às 16h e 20h; domingo, às 15h e 19h. 150 min. Estreia dia 22/2/2013. Até 26/5/2013
Onde: Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, tel. 0/xx/11 5693.4000 e 0300 789 3377)
Quanto: Sextas: R$ 40 (Balcão 2), R$ 70 (Balcão 1), R$ 120 (Plateia) e R$ 140 (Vip)/ Sábados e Domingos: R$ 60 (Balcão 2), R$ 110 (Balcão 1), R$ 160 (Plateia) e R$ 180 (Vip)
Classificação etária: livre

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elenco div Escritora amada por adolescentes, Thalita Rebouças agora conquista os palcos

Elencos de Rock in Rio - O Musical e Tudo Por um Pop Star posam juntos. Foto: Divulgação

Por Nina Ramos, do R7, no Rio

Ela é adorada por teens de todo o País por conta dos livros que retratam dramas, complexos e casos típicos da adolescência. Depois de conquistar as prateleiras, Thalita Rebouças vê sua obra ganhar os palcos e fazer sucesso.

Está em cartaz no Rio de Janeiro – em dois teatros! – o espetáculo musical Tudo Por um Pop Star. Dirigido por Pedro Vasconcelos, a montagem tem texto adaptado por Gustavo Reiz e é baseado do primeiro livro de Thalita, lançado há 10 anos.

A história conta a aventura de três amigas que moram em Resende, no interior do Rio, e partem para a capital do estado só para realizarem o sonho de ver de pertinho o show da boyband Slava Body Disco Disco Boys.

Produzido pela Aventura Entretenimento, este é o primeiro musical do grupo ligado ao mundo teen. Eles já foram responsáveis por outras peças como O Mágico de Oz, A Noviça Rebelde, Hair, e mais recentemente Rock in Rio – O Musical, que também está em cartaz no Rio.

Aliás, o elenco de Rock in Rio foi prestigiar a galera de Pop Star. O flagra deste numeroso encontro ilustra este post.

Tudo Por Um Pop Star
Onde: Teatro Clara Nunes (R. Marquês de São Vicente, 52, Shopping da Gávea)
Próximas datas: sáb 16/02, às 16h; dom 17/02, às 16h; qua 20/02, às 20h
Quanto: R$ 30 (meia-entrada), R$ 42 (clientes e funcionários da Bradesco Seguros e Previdência) e R$ 60 (inteira)
Classificação etária: livre

Onde: Imperator - Centro Cultural João Nogueira (R. Dias da Cruz, 170, Méier)
Próximas datas: sex 15/02, às 17h; sáb 16/02, às 20h30
Quanto: R$ 20 (meia-entrada), R$ 28 (clientes e funcionários da Bradesco Seguros e Previdência) e R$ 40 (inteira)
Classificação etária: livre

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