Posts com a tag "musical"

retratos bob sousa luciano andrey O Retrato do Bob: Luciano Andrey, múltiplo talento
Foto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quem está acostumado a ver Luciano Andrey atuando em grandes palcos pode não saber que o artista também mostra seu talento nos bastidores do mundo teatral. Protagonista marcante para a montagem musical de Priscilla, Rainha do Deserto, ele agora é responsável, ao lado de Bianca Tadini, pela elogiada versão brasileira para o musical Jesus Cristo Superstar, sucesso no Teatro do Complexo Ohtake Cultural. Formado pela EAD (Escola de Arte Dramática) da USP (Universidade de São Paulo), ele faz teatro desde a adolescência. Já atuou em montagens como Ópera do Malandro, Mambo Italiano, A Madrinha Embriagada, Vingança, My Fair Lady, West Side Story e O Rei e Eu, estes três últimos de Jorge Takla, com quem voltou a trabalhar no musical sobre a vida de Cristo. Porque Luciano é artista de múltiplo talento.

Leia mais sobre Luciano Andrey!

Jesus Cristo Superstar
Quando:
quinta e sexta, 21h; sábado, 17h e 21h; domingo, 18h. 130 min. Até 8/6/2014.
Onde: Teatro do Complexo Ohtake Cultural (r. Coropés, 88, Pinheiros, tel. 0/xx/11 3728-4929)
Quanto: de R$ 25 (meia) a R$ 230
Classificação etária: 12 anos

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elis regina 2 Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

Laila Garin na melhor cena do musical: Elis pouco antes da morte - Foto: Felipe Panfili/AgNews

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Apesar de ter tido como um de seus mestres um norte-americano vindo da Broadway, a gaúcha Elis Regina (1945-1982) não soava a uma princesinha dos musicais. Pelo contrário, a vida e a obra da maior cantora que o Brasil conheceu eram muito autênticas.

Elis, a Musical, peça de Nelson Motta e Patrícia Andrade, com direção do estreante em teatro Dennis Carvalho, tenta minimizar as contradições da vida de Elis, tornando-a mais homogênea, mais "mocinha". O espetáculo diminui a força da Elis real na tentativa de torná-la um produto palatável e comercial, quando justamente o que Elis fez foi provar que poderia ser um produto midiático de sucesso sem abrir mão do talento e da personalidade. Provava isso a cada especial de TV ou entrevista: sempre articulada, sincera e contraditória.

elis regina 5 Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

Talento de Laila Garin é destaque - Foto: Felipe Panfili/AgNews

A superprodução funciona mais como recital musical do que propriamente como espetáculo teatral. Antes de tudo, é preciso ressaltar o canto da atriz baiana Laila Garin. Mesmo aprisionada pela urgência e frivolidade do formato, recria Elis a seu modo e assombra a todos a cada canção - o talento evidente a distancia de boa parte do elenco. E ganha respeito como atriz na cena dramática em que recria a última entrevista de Elis a um programa de TV, semanas antes de sua morte. É seu grande momento.

Percebe-se que parte da plateia reage à obra de forma passional, o que é comum quando artistas que habitam o inconsciente coletivo "ressuscitam" no palco.  Foi assim também com Tim Maia - Vale Tudo. A emoção costuma ser imediata, e o critério para julgamento fica um tanto quanto anuviado.

Os homens de Elis

De forma simples, o enredo apresenta Elis como a menina pobre que conquistou o mundo. Apesar de a encenação fazer sumir o último namorado da cantora, o advogado Samuel MacDowell Figueiredo, com quem ela falou por telefone pouco antes da morte, sobraram Ronaldo Bôscoli, o primeiro marido, e César Camargo Mariano, o segundo. Diante do que lhes é dado pelo enredo e direção, os atores fazem o que podem.

Tuca Andrade vai bem como Ronaldo Bôscoli, pai do primeiro filho de Elis, João Marcello. Mesmo com o roteiro deixando o personagem próximo a um vilão de peça infantil, ele o torna crível.

Claudio Lins aposta na leveza para compor César Camargo Mariano, o pai de Pedro Mariano e Maria Rita, os dois últimos filhos de Elis.

Outro homem importante para Elis, o bailarino norte-americano Lennie Dale, ganha cena à altura. Este criou o movimento cênico de braços que marcaria a cantora. Na pele de Dale, Danilo Timm mostra-se um exímio bailarino e defende sua cena com brilho, carisma e precisão coreográfica.

Faz falta alguma referência à diretora Myriam Muniz, que criou com Elis o espetáculo Falso Brilhante, o mais importante da carreira da cantora. Ela não é lembrada no musical, que prioriza os personagens cariocas, em detrimento dos paulistas, mesmo tendo Elis escolhido viver em São Paulo, onde morreu.

elis regina Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

Elis, a Musical traz Laila Garin como a maior cantora do Brasil - Foto: Felipe Panfili/AgNews

Perplexidade

Algumas cenas causam perplexidade: como os bailarinos que se arrastam pelo chão com manequins, ou as imitações bizarras de Paulo Francis e Marília Gabriela. A caracterização de Francis é absurda porque se apropria da locução arrastada que marcaria o jornalista na tela da Globo em um plano pessoal no qual ele não falava daquele jeito. Já a imitação de Marília Gabriela é ainda mais complicada.

À medida que a obra usa nomes reais e fatos de quem sempre esmiuçou sua vida diante das câmeras de TV, é preciso, pelo menos, manter certa coerência com os fatos.

Alguns fatos sofrem reducionismo, como a briga com o cartunista Henfil, depois que este enterrou Elis em uma charge. Isto se deu após ela cantar nas Olimpíadas do Exército em tempos que artistas partiam para o exílio justamente por não colaborar com o regime. Elis, neste momento da obra, parece ingênua, coisa que nunca foi.

O próprio autor da peça, Nelson Motta, aparece como personagem, mas omite o caso de amor que teve com Elis, enquanto esta era casada com Bôscoli. Só fica o lado de Elis mulher humilhada e maltratada pelo primeiro marido. Não custa nada lembrar que o apelido dela era Pimentinha.

Incômodo com a morte trágica

Regina Echeverria, que escreveu a biografia Furacão Elis, afirma que "Elis morreu, de fato, de uma dose letal de Cinzano e cocaína. Um erro de dose. Um acidente". O próprio autor do musical, Nelson Motta, contou o mesmo em seu livro Noites Tropicais: "sempre preocupada com a voz, a garganta, seus maiores bens, [Elis] estava evitando inalar cocaína, preferindo misturá-la com uísque: dessa forma a droga vai para o estômago e demora mais a entrar na corrente sanguínea, tornando muito difícil controlar as quantidades. Foi o que matou Elis".

Mas há, no musical, um incômodo em lidar com a morte de Elis. Talvez seja por isso que a direção perde a chance de finalizar o espetáculo quando Laila tem sua grande cena, com Elis sozinha e frágil diante da luz, respondendo a uma entrevista. Dá nó na garanta.

elis regina 3 Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

Parece que é preciso encobrir a morte de Elis com muita cor e Carnaval - Foto: Felipe Panfili/AgNews

Mas, logo, apressados bailarinos deslizantes entram com confetes e serpentinas para carnavalizar tudo. Como se fosse proibido sentir tristeza pela partida precoce e trágica da cantora. Querer maquiar tal dor é ferir tudo que Elis foi: uma artista coerente com suas fragilidades até mesmo no momento da morte, aos 36 anos, trancada no quarto, com três filhos pequenos para criar.

Elis, a Musical enquadra a memória de nossa maior cantora nestes novos tempos do politicamente correto. Está ali uma grande cantora, mas falta a grande artista, tão viva e inquieta, sem meias verdades, que gostava de instigar, de desnortear, de provocar. O que fica é a pergunta: o que Elis Regina acharia da ideia de convertê-la em mocinha da Broadway?

Elis, a Musical
Avaliação: Bom
Quando: Sexta, 21h30; sábado, 16h (sem Laila Garin) e 20h; domingo, 17h; quinta, 21h. 180 min. Até 13/7/2014
Onde: Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, CPTM Santo Amaro, São Paulo, tel. 0/xx/11 5693-4000)
Quanto: R$ 40 a R$ 180
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Musical faz Elis virar mocinha da Broadway

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feira de opinião Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Cia Antropofágica reúne interessados em mudar o mundo - Divulgação

O que você pensa do Brasil de hoje?
É com esta pergunta que a I Feira Antropofágica de Opinião ou II Feira Paulista de Opinião pretende reunir gerações diferentes e interessadas em discutir as questões atuais, contradições e novos caminhos possíveis da política e na estética. O encontro acontece nos dias 15 e 16 de fevereiro, das 14h às 22h, no Centro Cultural Tendal da Lapa, em São Paulo. O diretor da Companhia Antropofágica, Thiago Vasconcelos, quer reunir coletivos teatrais, e músicos e poetas e “proporcionar tensões” que apontem “novos caminhos”. O evento é uma homenagem ao que aconteceu em 1968, em resistência à repressão da ditadura militar e que contou com nomes como Augusto Boal, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Lauro César Muniz, Jorge Andrade, Plínio Marcos, Ary Toledo, Caetano Veloso, Edu Lobo, Gilberto Gil e Sérgio Ricardo. Dentre os convidados estão Cecília Boal, Umberto Magnani e Chico de Assis. A entrada é gratuita. Informações no tel. 0/xx/11 3871-0373.

Cidade Luz
Um reencontro cheio de promessas de amor em Paris, na capital da França, embalado pelas canções mais românticas do século XX. Nós Sempre Teremos Paris é uma opção para os apaixonados e para quem espera se apaixonar, que entra em cartaz nesta sexta-feira (14), no Teatro Raul Cortez, em São Paulo. O espetáculo musical com Françoise Forton terá curta temporada atéo dia 30 de março, às sextas, sábados e domingos, com ingressos populares de R$ 40. Promete emocionar os corações com versões de La Vie en Rose e Garota de Ipanema. Vendas pelo telefone 0/xx/11 4003-1212.

hell Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Hell chega a Porto Alegre - Foto: Reprodução/Instagram

No Sul
Bárbara Paz mandou avisar no Instagram que está chegando em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no Theatro São Pedro, com o espetáculo Hell. As apresentações são em todo o fim de semana. Na semana passada, o teatro cancelou os espetáculos por conta das homenagens ao ator e músico Nico Nicolaiewsky, um dos criadores do espetáculo Tangos e Tragédias, que morreu aos 56 anos vítima do câncer. As sessões de Hell acontecerão normalmente.

50 anos de golpe militar
A peça Pedro e o Capitão volta em 2014 a São Paulo, no Teatro Jaraguá, para curta temporada até o dia 1o de maio, às terças, quartas e quintas, às 21h. O espetáculo é a primeira montagem no Brasil do texto do uruguaio Mario Benedetti. Um preso político (Pedro) encontra-se cara a cara com seu interrogador (Capitão) e deste confronto surgem homens de carne e osso, que compartilham inseguranças e resistências. Indicado para maiores de 16 anos com ingressos no valor de R$ 20. Vendas no tel. 0/xx/11 4003-1212.

Mais musical
Lupicínio Rodrigues é o grande homenageado de Vingança, espetáculo musical de Anna Toledo, que reestreia no CCBB, em São Paulo, em temporada às quartas, quintas e sextas, às 20h, até o dia 18 de abril. Três triângulos amorosos, muita boemia, paixões e traições no Sul do Brasil,na década de 1950, embalados por canções de sucesso como Vingança, Maria Rosa, Nervos de Aço, Felicidade entre outras. Pra curar a dor de cotovelo com músicas executadas ao vivo. O espetáculo é indicado para maiores de 16 anos e custa R$ 10.

Comédia dramática
A Sede das Cias, de Ivan Sugahara e Tárik Puggina, traz o espetáculo Preciso Andar até o dia 24 de fevereiro, de sexta a segunda, às 20h, no Rio de Janeiro. Esta é a primeira montagem carioca do autor inglês Nick Payne e mostra seis personagens que passam por transformações em suas vidas. Crises ligadas ao amor e à sexualidade. A peça é indicada para maiores de 16 anos e tem ingressos de R$ 30. Informações no tel. 0/xx/21 2137-1271.

Preciso Andar menor Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Peça trata questões como o amor e o sexo - Foto: Divulgação

 

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marina palha felipe diniz div Dois ou Um com Marina Palha

A atriz Marina Palha fez "Rock In Rio — O Musical" e está na novela "Além do Horizonte" - Foto: Felipe Diniz

Por BRUNA FERREIRA*

A atriz Marina Palha, de 28 anos, pode roubar sua atenção pelo rosto de traços marcantes, o jeito de menina, pela atuação inteligente ou pela voz doce. Aos nove anos fez sua primeira peça, sem ter ideia de que seu futuro já estava traçado naquele momento. Aos 17 anos, fez parte do elenco da peça Confissões de Adolescente e desde então não parou mais. Atualmente no ar como a Joana, da novela global Além do Horizonte, foi no teatro que fez seu nome. Ela participou do musical Rock in Rio, interpretando a cantora Sandy. A oportunidade na TV fez com que ela desistisse do papel no espetáculo Elis, O Musical. É formada em artes cênicas pela UniRio e chegou a estudar em Roma e Los Angeles. Aqui na Dois ou Um ela mostra que gosta tanto das possibilidades quanto das escolhas.

Cantar ou dançar?
Dançar cantando! Impossível separar as duas coisas na minha vida.

Amazônia ou Los Angeles?
Estar na Amazônia me proporcionou momentos de grande sintonia com a natureza e consequentemente comigo mesma. Estar afastada dos grandes centros, naquela imensidão que é a nossa floresta e com os pés descalços na terra, foi um momento riquíssimo! Agora em Los Angeles é um encontro com o fervo da indústria cinematográfica, o que eu também não abriria mão jamais! Diria que fico com os dois, em momentos diferentes da vida.

Rock in Rio ou Os Saltimbancos?
Rock in Rio!

Sandy ou Júnior?
Fico com a individualidade de cada um.

Copa do Mundo ou Eleições 2014?
Pulo [risos]!

Casamento ou namoro?
Casamento. Acredito muito nos laços que a gente estabelece ao longo da vida. Sou de cultivar as relações. "A felicidade só é real quando compartilhada", do filme Na Natureza Selvagem.

Adolescentes ou balzaquianas?
Balzaquianas, certo! A gente melhora muito com o tempo…

Dinheiro ou vocação?
Vocação! Se você investe no que sabe, o dinheiro vem! Mais dia, menos dia, ele vem.

Rolezinho ou comerciantes?
Apoio qualquer tipo de movimento com uma causa. Sem violência, sem baderna, sem invadir o espaço alheio. Fora isso, não vejo sentido.

Cazuza ou Tim Maia?
Cazuza para os momentos de inquietude e Tim Maia no volume máximo.

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

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claudia jarbas crazy for you Crítica: Musical Crazy for You leva entretenimento à plateia no ritmo do sapateado bem executado

Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello: dupla é o casal número 1 dos musicais - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello sabem que sua parceria no palco e nos camarins dá certo como atrativo para o público. O casal já se tornou o mais importante de nossa produção de musicais nacionais adaptados da Broadway.

Se em Cabaret a dupla no palco chamou a atenção tanto dos espectadores quanto da crítica – e logo se tornou um casal na vida real –, em Crazy for You, em cartaz no Teatro do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, não é diferente.

A química entre os dois artistas é uma das molas propulsoras do sucesso da temporada em questão. Dá para sentir a energia de que eles estão ali se divertindo, fazendo o que sempre sonharam.

Se o ambiente em Cabaret era denso com os nazistas à espreita, em Crazy for You tudo é bem mais leve e colorido.

claudia jarbas Crítica: Musical Crazy for You leva entretenimento à plateia no ritmo do sapateado bem executado

Claudia e Jarbas: comédia na veia - Foto: Divulgação

O musical de George e Ira Gershwin e Ken Ludwig conta a história de uma caipira, Polly, que se apaixona por um sapateador bem nascido em Nova York e rejeitado pela Broadway, Bobby. Juntos, no fim de mundo onde ela mora, eles vão tentar salvar o teatro da família dela.

Sandro Chaim, mais uma vez, é cuidadoso na produção e arregimentou nomes importantes da cena, como Fábio Namatame, que assina o figurino, Duda Arruk, responsável pelo cenário, e Wagner Freire, que capitaneou a iluminação.

Miguel Falabella fez uma versão brasileira que respeita o texto original e dá um charme local à montagem, fazendo daquele interior norte-americano um interior universal, que poderia ser tanto interior mineiro quanto o paulista, por exemplo. José Possi Neto assina a direção geral e, desta vez, parece exigir mais do elenco do que em Cabaret. É evidente o aperfeiçoamento da equipe.

O grande charme deste musical é sua coreografia de sapateado, muito bem executada pelo elenco, o que demonstra que os ensaios exaustivos sob comando da coreógrafa Angelique Ilo geraram resultado evidente.

Claudia e Jarbas têm carisma para segurar boa parte da montagem e as atuações de ambos superam em muito a de boa parte do coro – onde muitos cantam e dançam divinamente, mas quando o assunto é atuar escorregam para uma interpretação infantilizada. Já Claudia e Jarbas, experientes, não embarcam nesta roubada, apesar de estarem engraçadíssimos.

Inclusive é esta capacidade como atriz de Claudia Raia que faz com que o público faça vista grossa para a falta de potência vocal da artista. Ela até executa as notas – deixando evidente o trabalho lapidar do diretor musical Marconi Araújo –, mas não tem linda voz. Guerreira, não faz disso um martírio e explora o que pode oferecer.

coro claudia Crítica: Musical Crazy for You leva entretenimento à plateia no ritmo do sapateado bem executado

Claudia Raia rodeada de suas meninas do coro: coreografias bem executadas - Foto: Divulgação

No elenco, alguns atores se destacam: Rodrigo Negrini imprime força e viço a seu Lank Hawkins, o ambicioso dono do hotel interiorano. Seus embates com outros personagens são críveis e o fazem destacar. Hellen de Castro, como a dondoca Irene Roth, também chama a atenção, sobretudo pela bela voz e a segurança em cena.

Outro charme é Carla Vazquez, como a atrapalhada e desmiolada dançarina da Broadway Patsy. A atriz possui dom inato para a comédia e não soa forçada. Muito pelo contrário, suas aparições, com seu rosto e sorriso marcantes, são cheias de graça e provocam imediata identificação e acolhida do público.

No coro feminino, Mariana Matavelli ganha o olhar do espectador nos números de dança pela leveza e precisão técnica com que executa os passos. Ainda se destacam Marilice Cosenza, com olhar marcante e presença intensa, bem como Mariana Gallindo, dona de charme evidente.

No todo, o espetáculo funciona perfeitamente em seu objetivo de provocar um momento agradável para seu público. Afinal, Crazy for You é um musical feito puramente para entreter sem nenhuma culpa. E consegue cumprir a contento sua missão, criando uma atmosfera em que acreditamos que todos os problemas do mundo podem ser resolvidos com o simples ato de sapatear.

crazy for you Crítica: Musical Crazy for You leva entretenimento à plateia no ritmo do sapateado bem executado

Hellen de Castro e Rodrigo Negrini, em primeiro plano: destaques do elenco - Foto: Divulgação

Crazy for You
Avaliação: Muito bom
Quando: Quinta e sexta, 21h; sábado, 17h e 21h; domingo, 18h. 170 min. Até 7/2/2014
Onde: Teatro do Instituto Tomie Ohtake (r. Coropés, 88, Pinheiros, metrô Faria Lima, São Paulo, tel. 0/xx/11 4003-5588)
Quanto: R$ 50 a R$ 200
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Musical Crazy for You leva entretenimento à plateia no ritmo do sapateado bem executado

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madrinha caio gallucci2 Crítica: Em A Madrinha Embriagada, Miguel Falabella faz homenagem melancólica ao mundo dos musicais

Talentoso, Ivan Parente dá charme e vigor ao discurso melancólico de seu protagonista, o amargo Homem da Poltrona, espécie de alterego do autor da versão brasileira, Miguel Falabella - Foto: Caio Gallucci

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

No mundo mágico dos musicais tudo se resolve no final e todos ficam felizes e saem cantando e saltitando pelo palco, certo? Errado.

Pelo menos em A Madrinha Embriagada, que retorna aos palcos nesta quarta (8) após um breve recesso de fim de ano, as coisas não são bem assim. A obra tem direção e versão de Miguel Falabella para o musical norte-americano The Drowsy Chaperone.

A montagem, que ganhou indicação de melhor espetáculo no Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), faz sessões gratuitas até junho, dentro do projeto de teatro musical do Sesi-SP.

O objetivo alardeado é formar novo público para o gênero no País, bem como aproximá-lo de camadas da população que não têm recursos para pagar os costumeiros caros ingressos das superproduções do gênero.

Ao homenagear o mundo dos musicais, Falabella celebra também as próprias estrelas do gênero em sua retomada no País a partir da virada do século 21. Nomes que se tornaram estrelas da Broadway nacional, como Kiara Sasso, Sara Sarres e Saulo Vasconcellos, compõem o elenco.

madrinha caio gallucci Crítica: Em A Madrinha Embriagada, Miguel Falabella faz homenagem melancólica ao mundo dos musicais

Personagens ganham vida na sala de um apartamento em A Madrinha Embriagada - Foto: Caio Gallucci

O enredo apresenta o Homem da Poltrona, um solteirão gay de meia idade e de ar deprimido. Em casa, sozinho, resolve escutar pela enésima vez o velho vinil herdado de sua mãe que traz a gravação do musical A Madrinha Embriagada nos anos 1920.

Enquanto ele ouve o disco, os personagens ganham vida na sala de sua casa e são interrompidos no decorrer do enredo para que o homem possa traçar comentários de um aficionado pelo gênero que deseja demonstrar seus conhecimentos ao público.

O grande charme do musical é também seu maior problema: as interferências do protagonista com comentários ferinos e ressentidos com a vida, muitas vezes provocam mais incômodo do que graça.

Algumas falas do Homem da Poltrona reforçam preconceitos. Por exemplo, soam xenofóbicas as declarações sobre o personagem argentino, bem como sugerem um machismo retrógrado quando disserta sobre as mulheres. Assim, muitas vezes o que deveria causar riso gera certo constrangimento.

Falabella optou por transportar a história para a São Paulo da década de 1920, na qual a cidade começava a ganhar ares de metrópole cosmopolita com gente vinda de todos os lugares do mundo, e uma elite cada vez mais preocupada com expressões artísticas nacionais que culminou na Semana de 1922.

Por isso, a ópera ouvida na vitrola pelo protagonista se passa no Theatro São Pedro, no tradicional bairro paulistano da Barra Funda. Os “atores” que interpretam os personagens do musical também são uma homenagem de Falabella aos pioneiros nas artes dramáticas no Brasil. Todos ganham versões tupiniquins em sua versão para o original norte-americano com livro de Bob Martin e Don McKellar e músicas de Lisa Lambert e Greg Morrison.

madrinha Crítica: Em A Madrinha Embriagada, Miguel Falabella faz homenagem melancólica ao mundo dos musicais

Stella Miranda, Ivan Parente e Sara Sarres são alguns dos destaques do musical - Foto: Caio Gallucci

O elenco, mesmo diante da proposta de uma atuação de ares canastrões para todos, está afinado, entrosado e coeso.

Destacam-se Sara Sarres, que exibe técnica precisa de dança e canto ao compor a atriz que resolve abandonar a carreira para se casar, e também Kiara Sasso, que conquista o público como a engraçada esposa do produtor que sonha com o estrelato.

Stella Miranda confia na técnica precisa e também no carisma que tem ao construir sua madrinha bêbada. Saulo Vasconcellos, na pele do produtor, constrói um tipo cheio de charme canastrão – sobretudo quando sai fora das marcações e expõe os colegas para ganhar o público, artimanha típica dos atores-vedete do começo do século 20.

Já Cleto Baccic sai-se melhor como diretor geral de produção do que como ator, já que seu personagem argentino é uma caricatura elevada ao cubo – fora a falta de pesquisa na construção da linguagem do personagem, que mistura o castelhano argentino com termos só utilizado por espanhóis, o que é tão grave quanto se os norte-americanos colocassem um ator com sotaque português para fazer um brasileiro.

A direção encontra achados cruciais, como a bela abertura, com o protagonista falando no escuro com a plateia – criando uma experiência sensorial concreta – ou a forma divertida que ele “educa” os espectadores a desligarem o celular.

A parte técnica exibe trabalho bem amarrado e em integração. A cúmplice direção cênica de Floriano Nogueira, a delicada direção musical de Carlos Bauzys, as corretas coreografias de Kátia Barros, a impactante cenografia de Renato Theobaldo e Beto Rolnik, a iluminação envolvente de Fábio Retti, bem como os figurinos suntuosos de Fause Haten e a ambientação sonora de Gabriel D’Angelo, contribuem para envolver o espectador com a história.

Mas quem mais se sobressai é o autor e direção da versão brasileira: Miguel Falabella. O “João Canarinho”, versionista do musical em sua montagem, é um alterego de si mesmo. Bem como o autor também se imprime no personagem Homem da Poltrona – missão difícil encarada por um competente Ivan Parente, que dá leveza ao personagem mesmo em seus momentos mais escuros – uma atitude de depressão com a vida de um velho amargo.

E o clima melancólico – que vem acompanhando Falabella nos últimos tempos – paira no ar. Está ali, latente, certo inconformismo com a falta de amor, de reconhecimento, com a chegada da velhice, com o novo que vem atropelando tudo sem dar o devido crédito ao que veio antes.

A visão para o mundo do teatro musical presente na montagem soa em alguns momentos com a de um diretor do teatro underground que precisou se render à força econômica do gênero, mas que despertou com isso um inconformismo artístico. Por isso, o desconstrói com uma firmeza que chega a ser cruel em determinados momentos.

E essa visão turva é jogada na cara do público, desavisado, que entrou ali pensando em se entreter e se depara com um artista em conflito consigo mesmo e com seu público. Que provoca e exibe sua dor em meio a cantos e danças.

madrinha caio gallucci3 Crítica: Em A Madrinha Embriagada, Miguel Falabella faz homenagem melancólica ao mundo dos musicais

A Madrinha Embriagada é homenagem às próprias estrelas da "Broadway brasileira" - Foto: Caio Gallucci

A Madrinha Embriagada
Avaliação: Bom
Quando: Quarta a sexta, 21h. Sábado, 16h e 21h. Domingo, 19h. 120 min. Até 29/6/2014
Onde: Teatro Sesi (av. Paulista, 1.313, Cerqueira César, metrô Trianon-Masp, São Paulo, tel. 0/xx/11 3146-7405)
Quanto: Grátis (reservas pelo site); ingressos sobressalentes distribuídos 15 min. antes de cada sessão
Classificação etária: 10 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Em A Madrinha Embriagada, Miguel Falabella faz homenagem melancólica ao mundo dos musicais

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tim maia Tim Maia   Vale Tudo, o Musical está de volta

Cantor Tim Maia é interpretado pelo ator Danilo de Moura no musical - Foto: Caio Gallucci

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Retorna ao palco do Teatro Procópio Ferreira, nesta sexta (3), o espetáculo Tim Maia - Vale Tudo, o Musical, que causa frenesi nas plateias há dois anos.

Sucesso de público, a montagem que começou com Tiago Abravanel como protagonista, agora tem Danilo de Moura no papel de Sebastião Rodrigues Maia (1942-1998), o cantor que revolucionou a música pop brasileira com canções que ficaram eternizadas.

A montagem traz 25 músicas e tem direção de João Fonseca.

Ela conta a trajetória de Tim dos 12 aos 55 anos, mostrando sua amizade com nomes importantes da MPB, como Elis Regina.

Leia a crítica.

Tim Maia – Vale Tudo, o Musical
Avaliação: Muito bom
Quando: Sexta, às 21h30; sábado, às 17h e 21h; e domingo, às 18h. 170 min.
Onde: Teatro Procópio Ferreira (r. Augusta, 2.823, Jardins, São Paulo, tel. 0/xx/11 3083-4475)
Quanto: R$ 50 a R$ 120
Classificação: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Tim Maia   Vale Tudo, o Musical está de volta

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hilda furacao 1 Em reprise na TV, Hilda Furacão vai virar musical

Hilda Furacão, sucesso de 1998 é reprisado no Viva e vai virar musical em breve - Foto: Divulgação/Globo

Por Miguel Arcanjo Prado

O escritor mineiro Geraldo Carneiro tem uma só obsessão nos últimos tempos: transpor o romance Hilda Furacão, do também mineiro Roberto Drummond (1933-2002), para o mundo dos musicais.

O livro de 1991 sobre a jovem da sociedade de Belo Horizonte que resolveu virar prostituta do Maravilhoso Hotel da rua Guaicurus, região boêmia da capital mineira, virou minissérie de sucesso na Globo em 1998 – no momento a produção é reprisada no canal pago Viva.

hilda furacao isis valverde ana paula arosio Em reprise na TV, Hilda Furacão vai virar musical

Ísis Valverde (à esq.) pode viver no palco papel imortalizado por Ana Paula Arósio (à dir.) na televisão - Fotos: Divulgação

Carneiro chegou a contar ao jornal O Estado de Minas, em junho deste ano, que deseja nomes tarimbados para compor as músicas de seu musical e sonha com que a atriz mineira Ísis Valverde seja a protagonista. Ela ainda não fechou contrato.

Na TV, Ana Paula Arósio, no auge de sua beleza, imortalizou a personagem, que fazia par romântico com Rodrigo Santoro, na pele de Frei Malthus, o religioso por quem a prostituta se apaixona. Danton Mello interpretava autor, Roberto Drummond, na época da história, a década de 1960, um jovem repórter do jornal O Binômio, que marcou época na imprensa mineira e brasileira.

O projeto do musical é tocado pelo escritório carioca Borges & Fieschi Produções Culturais.

Hilda Furacão já virou peça nos palcos de Belo Horizonte, em montagem dirigida por Marcelo Andrade, com Mariane Vicentini, como Hilda, e Cláudio Lins, como Malthus. A obra esteve em cartaz entre 1997 e 1999. O espetáculo tinha composições de Flávio Venturini e ainda Ney Matogrosso cantando a música tema.

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quandoagenteama1 Crítica   Com atores negros afinados, musical sobre canção de Arlindo Cruz mostra o sabor de amar

Elenco de atores negros está afinado e em unidade no musical brasileiríssimo - Foto: Divulgação

Por Átila Moreno, no Rio*
Especial para o Atores & Bastidores

Um musical genuinamente brasileiro com forte carga da nossa cultura popular e que escolheu o samba como matéria-prima para falar dos dissabores e prazeres do amor.

Mas não é um samba qualquer. A peça Quando a Gente Ama optou por dissecar as letras da fase romântica do sambista e compositor Arlindo Cruz.

Este poderia ser só mais um musical, como tantos que estão por aí, pelos palcos afora. No entanto, com pitadas de comédia e drama, o diretor e autor João Batista conseguiu trazer entretenimento e reflexão sobre um tema que é carta carimbada e rasgada em muitos corações.

São várias histórias de gente comum e trabalhadora. Oito atores vão interpretar vários casais que frequentam uma roda de samba, com trajetórias que falam sobre separação, brigas, desencontros e encontros, declarações divertidamente apaixonadas, conquistas, recomeço, e claro, como pano de fundo, o amor.

A forma inteligente de contar tantas histórias está no roteiro que não tentar definir o amor e, sim, proporcionar ao público uma vivência e uma troca de experiência. Cada um vai sair dali de um jeito, ao se reconhecer nas diversas passagens de Quando a Gente Ama.

Isso faz com que o musical cresça, principalmente, como drama, e não só como uma forma de diversão. São divagações que expressam luz e sombra, aconchego e angústia, desilusão e esperança.

João Batista juntou um time de talentos em vários campos. O cenário simplista e sofisticado, criado por Doris Rollemberg, dá a exata dimensão que estamos percorrendo algum dos bares da Lapa ou de Santa Teresa, no Rio de Janeiro.

E quando as luzes se apagam (em conjunto com um trabalho harmônico de Renato Machado), toda aquela ambientação parece sugerir uma roda de samba, sendo vista pelas janelas de diversos prédios. Estamos ali não só como público de um bar e também como observadores distantes?

O elenco tem uma particularidade. Boa parte é formada por atores negros, algo raro nas produções teatrais inclusive cariocas. E o mesmo olhar vale para a plateia que se forma nesse espetáculo.

Mesmo com vozes tão diferentes e de potencialidades distintas (o que leva a momentos repletos de emoção como na abertura Dor de Amor), o grupo de atores consegue ter harmonia e entrega contundentes, com um banda ao fundo sempre impecável.

Cada um deles se destaca em determinado quesito. É simplesmente admirável o talento de Wladimir Pinheiro, que já apareceu em outros trabalhos como Orfeu e Milton - Nada Será como Antes.

Em Fora de Ocasião, num momento solo, Wladimir prova porque é um monstro vocal e um voraz intérprete. Ele encarna perfeitamente uma releitura musical espetacular ao cantar uma das letras mais tristes de Arlindo Cruz.

Outro peso que segura boa parte do espetáculo é Jéssica Moraes, que é a carta na manga do diretor. Jéssica participa somente dos números musicais e, mesmo assim, sua voz aveludada e intrigante é arma suficiente pra levar graça às letras mais tocantes, como em Vai Embora Tristeza. O que ela faz em Quando Falo de Amor é candura exemplar. Deixaria Alcione, que cantou a música com Arlindo Cruz, divinamente encantada.

Patrícia Costa consegue trazer habilidades tanto na dança quanto numa voz extremamente afinada e poderosa. O mesmo pode-se dizer de Edio Nunes, com seu gingado contagiante e performando um típico malandro carioca e machão.

A versatilidade de Wilma Melo é um espetáculo a parte, e ela se destaca principalmente em Casal Sem Vergonha. A atriz dança, é engraçada e é dramática na medida certa, inserindo cada elemento bastante coerente nos diversos tipos que seus personagens exigem ao longo do musical.

Cris Viana, que não faz esforço pra encarnar a típica mulher que enche os olhos de ternura e beleza, mostra um talento vocal até então desconhecido de boa parte do público, acostumado a vê-la nas novelas da Globo, como Duas Caras e Fina Estampa.

Já Milton Filho conquista o público nos momentos engraçados, mas se prejudicou em Se Eu Encontrar com Ela, em que faz um personagem bêbado, desiludido com a separação, pois o arranjo musical não combina com a voz de um típico personagem embriagado, ficando difícil para o personagem convencer o público de sua veracidade.

Já David Júnior, apesar da beleza peculiar, interpretando um típico garotão, ainda traz uma imaturidade na hora de atuar, e, às vezes, se torna figurante com relação aos demais.

Para encerrar o musical, o maior acerto for ter escolhido O Que É Amor, canção em que que Arlindo Cruz chegou a fazer uma belíssima parceria com Maria Rita. É uma reunião de vozes afinadíssimas, num momento em que nenhum dos atores decepciona, expressando tudo ali, com tanta admiração e prazer, a dor e o sabor que é amar.

*Átila Moreno é jornalista formado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC Minas.

Quando a Gente Ama
Avaliação: Ótimo
Quando: de quarta a domingo às 19h. 90 min. Até 22/12/2013
Onde: Teatro Sesc Ginástico (Av. Graça Aranha, nº 187 - Centro/RJ) - 2279-4030
Quanto: quarta, quinta e domingo R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia) e R$ 5,00 (associados Sesc); sexta e sábado R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (meia) e R$ 8,00 (associados Sesc);
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Crítica   Com atores negros afinados, musical sobre canção de Arlindo Cruz mostra o sabor de amar

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may polly addams Entrevista de Quinta – Documentário mostra vigor do teatro musical e coloca preconceito em xeque

Mayara Calixto e Pollyanna Leite nos bastidores dos musicais: amor pelo gênero virou documentário primordial para a história do teatro musical feito no Brasil no início do século 21 - Foto: Arquivo pessoal

Por Miguel Arcanjo Prado

O boom de musicais que o Brasil vive neste início de século 21 acaba de ganhar um registro à altura do fenômeno que faz de nosso País o terceiro maior produtor mundial de espetáculos do gênero. Trata-se do documentário Da Broadway aos Palcos do Brasil, que já está disponível integralmente na internet.

Enquanto muitos por aí torcem o nariz para o estilo teatral que lota salas e dá emprego digno a milhares de artistas, uma turma sacudida resolveu fazer algo mais importante: ir atrás de quem faz o espetáculo acontecer e mostrar por que os musicais viraram sucesso.

Estrelas e especialistas na área de espetáculos surgem no filme, fazendo um panorama inédito e primordial para se entender o fenômeno cultural.

O documentário foi idealizado e produzido como trabalho de conclusão de curso dos alunos de Rádio e Televisão do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP), na cidade de Salto, no interior de São Paulo. Além de Pollyanna Leite e Mayara Calixto, idealizadoras do filme, também integram o projeto Felipe Noris, Simone Costa e Leticia Meneses.

O longa foi considerado pelo Intercom um dos cinco melhores documentários produzidos por estudantes de comunicação social na região Sudeste do Brasil em 2013.

O Atores & Bastidores do R7 conversou nesta Entrevista de Quinta com Mayara Calixto e Pollyanna Leite, diretoras do documentário e criadoras do site Backstage Musical, que cobre os espetáculos do gênero.  Elas contaram como transformaram o amor pelo gênero em uma pesquisa primordial para o entendimento futuro do que viveu o gênero musical nestes últimos anos.

Leia com toda a calma do mundo:

Miguel Arcanjo Prado – Qual a importância que vocês veem na realizacao de um documentário como o de vocês?
Mayara Calixto – Para nós, a maior importância desse trabalho é quebrar o preconceito com o gênero e mostrar a importância, dificuldade e beleza dos musicais no Brasil. Além do crescimento dele no País.
Pollyanna Leite – Primeiro, queríamos mostrar o que é esta arte do teatro musical, que não é só um bando de gente "cantando e dançando do nada" e, sim, um trabalho árduo que envolve muita gente que estuda muito e tem muita força de vontade pra fazer com que tudo saia perfeito.

may polly luciano Entrevista de Quinta – Documentário mostra vigor do teatro musical e coloca preconceito em xeque

Pollyanna Leite (à esq.) e Mayara Calixto posam com o ator Luciano Andrey, protagonista do musical Priscilla, Rainha do Deserto - Foto: Arquivo pessoal

Qual foi a maior dificuldade que vocês enfrentaram?
Mayara – A nossa maior dificuldade foi nos adaptar a viajar até São Paulo para as entrevistas. Somos do interior e estudávamos e fazíamos estágio na época. Mas fizemos de tudo, pois sabíamos como era difícil também para os nossos entrevistados. Outra dificuldade foi gravar dentro de teatros, a qual era a nossa ideia inicial de cenário. Com a burocracia, resolvemos adaptar as locações, não dando tanta importância a ela e sim ao entrevistado.
Pollyanna – A maior dificuldade foi a falta de recursos... Houve também a dificuldade de que algumas portas fossem abertas para nós. E a falta de material de pesquisa no Brasil sobre o teatro musical é absurda. Falta imagens, dados... Isso foi uma grande dificuldade.

Como vocês foram recebidos pelas estrelas dos musicais no processo das entrevistas?
Mayara – Fomos muito bem recebidos por todos, sempre muito queridos e interessados no trabalho e na divulgação do gênero, na quebra de preconceito e na melhoria dos teatros. Aproveitamos esta entrevista para dizer mais uma vez que agradecemos a todos!
Pollyanna – Todas as pessoas que entrevistamos nos trataram extremamente bem, foram muito atenciosas, pacientes e simpáticas. São pessoas incríveis que dispuseram do seu tempo geralmente tão curto! Para nos ajudar. Mas todos falavam que os musicais precisavam de um trabalho como esse para que o trabalho deles fosse melhor reconhecido por quem não conhece ou não gosta de musicais.

Qual o retorno do público que vocês já tiveram?
Polly – O retorno que tivemos até agora foi muito positivo! Tanto dos atores que participaram do documentário quanto do público. Alguns até já disseram que usarão como material de pesquisa e isso nos deixou muito feliz! E também o documentário ficou entre os cinco melhores feitos por estudantes de comunicação no Sudeste no Intercom 2013.
Mayara – Até agora só recebemos críticas boas, de todos que assistiram e de quem participou. A nossa ideia é que ele continue sendo material de pesquisa e divulgador do gênero. Estamos muito felizes com o filme. E ainda mais agora, que ele pode ser visto por todos na internet.

Veja o documentário Da Broadway aos Palcos do Brasil!

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