Posts com a tag "núcleo experimental"

Ou você poderia me beijar Roney Facchini e Cláudio Curi Foto de Ronaldo Gutierrez 1 Em tempos de beijo gay na TV, casal homossexual enfrenta a morte após 60 anos de companheirismo

Cláudio Curi e Roney Facchini serão casal gay que viveu junto por 60 anos - Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação

Por BRUNA FERREIRA*

Dois homens que se conheceram na África do Sul passam a viver uma história de amor e companheirismo que vai durar 60 anos, até que um deles, sofrendo com um enfisema pulmonar, precisa dar a notícia do fim ao parceiro. Enquanto conhecemos suas histórias, vamos percebendo as dificuldades e a dor do adeus.

Baseada em uma história real, Ou Você Poderia me Beijar é um espetáculo que estreia no dia 7 de fevereiro no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo, e que fica em cartaz até o fim de abril.

Com direção de Zé Henrique de Paula, o elenco conta com a atriz Clara Carvalho, interpretando todas as personagens femininas da montagem. Seis atores dão vida ao mesmo casal em fases distintas da vida. Roney Facchini e Cláudio Curi, são os dois homens aos 80 anos. Marco Antônio Pâmio e Rodrigo Caetano, são a dupla na maturidade, aos 50 anos. Os jovens apaixonados são vividos por Thiago Carreira e Felipe Ramos, ambos com 20 anos.

Em entrevista ao Atores & Bastidores, o ator Roney Facchini adianta um dos recursos usados na peça.

— Eu faço 32 anos de carreira no teatro agora em março e esta foi a coisa mais instigante que já fiz. As duplas de atores vivem o mesmo casal em idades diferentes, mas estamos os seis, ao mesmo tempo no palco. E não se tratam de memórias, cada casal está vivendo o seu tempo. É uma imagem muito poética.

Cláudio Curi, que interpreta o parceiro de Facchini na velhice, diz que os atores começaram a se preparar em outubro do ano passado, mas que só intensificaram o ritmo dos ensaios no início deste ano.

— Estamos ensaiando mesmo há um mês, com bastante intensidade, até por que vai ter música. Todos nós vamos cantar lá. Eu tô muito feliz de fazer esse espetáculo, é um lindo espetáculo, um trabalho superimportante. Essa peça veio de Londres, onde era encenada originalmente com bonecos. Tenho certeza que todo o público vai se emocionar.

Ou você poderia me beijar Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano Foto de Ronaldo Gutierrez 1 Em tempos de beijo gay na TV, casal homossexual enfrenta a morte após 60 anos de companheirismo

Público conhece casal em três fases da vida - Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação

Enquanto na última semana, se celebrava o beijo gay dos personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso, na novela Amor à Vida, no horário nobre, Ou Você Poderia me Beijar dá um passo adiante na questão dos direitos homoafetivos. Facchini diz ao R7, que o espetáculo não é militante.

— Ela não levanta uma bandeira. Na verdade, eu acho que já é o “passo 2” da luta contra a homofobia. Em um primeiro momento é preciso conseguir espaço, já em um segundo é preciso tratar com naturalidade. A peça trata do amor com simplicidade. Estive em San Francisco [nos Estados Unidos], pois um amigo meu mora lá e não tem aquela ideia de cidade gay. Existem famílias gays, mas é tudo muito natural. A nossa montagem se preocupa em falar de amor.

Curi concorda com o colega de elenco e reforça a ideia de que o espetáculo vai atingir em cheio a todos, independente da orientação. Inclusive,o grupo estuda a possibilidade de colocar o espetáculo em cartaz durante o Festival de Teatro de Curitiba deste ano.

— Não vai ter estereótipo. Vamos mostrar como é o amor de um casal. Na realidade, a história de amor é sempre universal. Vamos falar sobre durabilidade, o amor que perdura por épocas e sobre como é difícil aceitar o fim. Um dos personagens está morrendo e é muito difícil. Tem detalhes que precisam ser acertados, pensar o que fazer com a casa, o testamento e a dificuldade em aceitar a finitude.

 

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

 

Ou Você Poderia me Beijar
Quando: Sextas e sábados,21h; domingos; 19h. Até o dia 27 de abril
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, metrô Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 40 (inteira),R$ 20 (meia), R$ 10 (cadastrados)

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nossa classe Crítica: Nossa Classe evidencia brutalidade humana

Elenco de dez atores leva público para a Polônia pré-Segunda Guerra Mundial - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por Miguel Arcanjo Prado

O bicho homem tem nele embutido o vício de querer se diferenciar de seus semelhantes. Sobretudo no sentido de achar-se melhor que os demais. Tal sanha já produziu muito horror e sangue no passado. E, infelizmente, segue produzindo o mesmo horror e sangue nos dias atuais.

E é esta a questão crucial da peça Nossa Classe, apresentada no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo.

nossa classe31 Crítica: Nossa Classe evidencia brutalidade humana

Nossa Classe mostra fatos históricos na Polônia pré-Segunda Guerra Mundial - Foto: Ronaldo Gutierrez

O texto de Tadeus Stobodzianek leva o público à Polônia dos anos 1920 e 1930, mergulhada em conflitos político-sociais até o último fio de cabelo antes da impiedosa Segunda Guerra Mundial.

O espectador acompanha as mudanças de ares, cada vez mais pesados, ora comunistas, ora nazistas, por meio de uma heterogênea turma de crianças, que ao longo da montagem vai crescendo e ganhando a vida adulta – com tudo de ruim que ela traz.

À medida que os anos passam, as diferenças entre os colegas de outrora vão se tornando gritantes e, muitas vezes, incompatíveis.

O ódio entre comunistas e nacionalistas e, depois, entre poloneses e judeus vai provocar esta bestialidade que nos acompanha chamada violência. O poder gera humilhação daquele que foi subjugado. E é bom lembrar que tal comportamento não é exclusividade de comunistas ou nazistas, foco do texto e representado na encenação com máscaras de Stalin e Hitler. Menos demonizados pela história, capitalistas, cristãos ou judeus também fizeram e fazem maldades - basta correr à biblioteca mais próxima ou ou assistir ao noticiário noturno para concluir tal coisa.

nossa classe4 Crítica: Nossa Classe evidencia brutalidade humana

Figurinos elegantes e bem cortados ajudam a transportar público no tempo - Foto: Ronaldo Gutierrez

Os figurinos assinados pelo diretor Zé Henrique de Paula com assistência de Cy Teixeira ajudam a criar o clima, unidos ao cenário minimalista. As roupas são bem cortadas, elegantes e transportam o público no tempo, bem como contribui para isso a iluminação soturna e focada de Fran Barros – efeito já repetido com êxito em montagens anteriores do Núcleo.

Diante de tanto embate no texto, a trilha bem conduzida por Fernanda Maia serve como alívio imediato em meio ao horror.

Mas há certo incômodo na montagem: o excesso de ilustração daquilo que se narra. Mesmo que esta seja uma opção estética, em alguns momentos teria sido melhor confiar mais na narrativa, como na cena de estupro, que fica explícita e dura demais. Outro fator de estranhamento é uma falta de diálogo mais evidente com a contemporaneidade, ficando a obra presa por demais ao passado – tal ponte com outros fatos históricos apenas surge rapidamente no texto que o diretor escreveu para o programa da peça.

O elenco é oriundo de uma oficina de atores do Núcleo Experimental. Apesar da irregularidade perceptível, percebe-se um esforço na direção em colocar os atores dentro de um eixo. E é impossível negar que, independentemente do resultado alcançado, todos estão realmente entregues a seus papéis.

A maioria vai melhor quando está a cargo dos personagens na fase adulta. Na fase criança, há uma infantilidade exacerbada e até caricata em alguns.

Assim, acabam se destacando Henrique Caponero, com doses críveis de malvadeza, e Fabio Redkowicz, como um judeu que conseguiu livrar-se do holocausto com a mudança para os EUA, mas sofre por ter deixado os amigos para trás. Entre as mulheres, a sempre presente Maria Paula Lima também chama a atenção para si.

Completam o elenco Felipe Calçada, Bruno Gael, Priscila Oliva, Estrela Straus, Gutto Szuster, Pedro Passari e Rafael Augusto.

Independentemente dos acertos e possíveis tropeços da encenação, o principal recado de Nossa Classe está no detrás de seu texto e permanece contundente: que a brutalidade humana sempre jaz adormecida e pode ser despertada ao mínimo ruído. É preciso estar atento.

Nossa Classe
Avaliação: Bom
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. 95 min. Até 15/9/2013
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Nossa Classe evidencia brutalidade humana

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universos ronaldo gutierrez Crítica: Peça Universos desanda com saída de atriz

Renata Calmon (à esq.) foi substituída por Bruna Thedy (à dir.): a primeira faz muita falta - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por Miguel Arcanjo Prado

Teatro é arte efêmera. Uma mesma montagem pode ter distintas caras, dependendo do dia, da energia dos atores, da plateia. Por isso é sempre arriscado, porque depende, exclusivamente, daquele encontro.

Ciente disso, em 2012, o diretor Zé Henrique de Paula recriou, com maestria, um mesmo espetáculo. Sabia que um novo espaço/elenco pedia nova peça. Foi assim que Casa Cabul virou No Coração do Mundo e surpreendeu muita gente.

A obra, antes no palco italiano, ganhou o intimista e informal espaço de seu teatro, o Núcleo Experimental, levando o público a viajar junto com a protagonista vivida por Chris Couto para o Afeganistão. Este foi o grande acerto da montagem de 2012.

Contudo, quem viu Casa Cabul e No Coração do Mundo notou que uma coisa, pelo menos, não funcionava na nova versão: a substituição de Kelly Klein por Renata Calmon, na pele da filha da protagonista. Calmon destoava do elenco, com registro acima do tom, o que era reforçado ainda mais quando a atriz batia texto com Eric Lenate, ótimo em cena como um astuto afegão.

Pois veio a chuva de críticas, aqui inclusive, e Renata Calmon conseguiu digeri-las com elegância e sobriedade – coisa para poucos e mérito da atriz.

Leia também a Entrevista de Quinta com Beth Goulart!

Sabedora de que a melhor resposta é com um novo trabalho – até porque ninguém tem a obrigação de ser ótimo sempre –, ela voltou ao mesmo palco do Teatro do Núcleo Experimental, dessa vez de forma arrebatadora como protagonista da montagem Universos.

universos ledier calmon ronaldo gutierrez Crítica: Peça Universos desanda com saída de atriz

Thiago Ledier, ainda com Renata Calmon: ator parece perdido com a mudança - Foto: Ronaldo Gutierrez

Tradutora do texto original do britânico Nick Paine, Calmon tinha um domínio da fala, da voz e do corpo, fazendo crível sua cientista Melissa, par do apicultor Roger, na pele do cativante Thiago Ledier.

Pois eis que, por ironia do destino, logo quando acerta, Renata Calmon precisa deixar a obra duas semanas antes de a temporada terminar. Vai para um novo projeto, com o mesmo Eric Lenate parceiro de cena em No Coração do Mundo, agora na função de seu diretor.

Sem sua protagonista feminina, a Zé Henrique de Paula nada restava fazer a não ser substituí-la nas duas semanas derradeiras. E escalou a atriz Bruna Thedy para a difícil missão.

O R7, que viu a obra com Calmon em seu penúltimo dia em cena (leia a crítica), resolveu voltar na sessão desta terça (14), para ver o desempenho de Thedy no papel.

A primeira percepção é que, apesar do texto de inteligente e provocativo, a direção propositiva e a luz poética de Fran Barros, a chave do êxito da montagem estava na química que existia entre Calmon e Ledier.

E a conclusão: sem Calmon, a obra não funciona. Bruna Thedy tem o mérito de fazer sua Melissa completamente diferente, de não tentar copiar o que a colega fazia, até porque seria impossível. O problema é que sua Melissa não conquista e não convence.

A atriz comete o mesmo erro de Calmon em No Coração do Mundo: escolheu um registro fora do tempo da obra, e parece sozinha e abandonada, enquanto Thiago Ledier aparenta não saber o que fazer com aquela situação e liga o piloto automático, o que deixa a obra mais complicada.

Se o público ria à beça na sessão com Calmon, na última, parecia não conseguir entrar na história. Um clima de tensão pairava no ar. Faltava viço, faltava cor.

Se Calmon demonstrava cenicamente entendimento perfeito das reiterações de situações propostas pelo texto e pela direção, Bruna Thedy parece desconhecer as nuances no dizer que dariam sentido à montagem.

A atriz escolhe ir por um perigoso caminho superficial, deixando o espectador saudoso da segurança com um quê de arrogância que Calmon dava ao papel.

E, talvez, fosse exatamente por isso que o personagem de Ledier, como um cachorrinho aos pés da amada, ganhava o colo (e a torcida) do público, sensibilizado com as situações patéticas daquele rapaz convincentemente apaixonado.

O recado que esta substituição de Renata Calmon por Bruna Thedy dá é que o teatro é arte viva. Não é apenas técnico. Atores não são peças que podem ser substituídas assim, no meio de um processo. Pelo menos, se não for encontrado outro esteja à altura do desempenho anterior, ou então, que apresente proposta mais interessante. O que, infelizmente, não é o caso.

Universos
Quando: Quinta (16), às 21h. 70 min. Último dia.
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

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Universos   Foto Ronaldo Gutierrez 1 Crítica: Universos brinca com vida que podemos ter

Thiago Ledier e Renata Calmon: casal cheio de química na peça Universos - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por Miguel Arcanjo Prado

O que de fato é real? Qual o limite de sustentação de uma relação? Qual o peso de pequenas ações cotidianas na construção de nosso destino? Qual o limite de nossa racionalidade diante do amor?

Questionamentos como estes são plausíveis ao espectador que assiste ao espetáculo Universos, em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo. A montagem é a primeira de uma trilogia sobre o amor capitaneada pelo diretor Zé Henrique de Paula.

Paula volta a investir em um teatro urbano e questionador, dessa vez com o mais recente texto do jovem dramaturgo britânico Nick Payne, que mistura física quântica e amor em seu enredo. Com uma montagem dinâmica e cheia de reiterações, o diretor acaba fazendo uma homenagem ao próprio fazer teatral.

A peça mostra os encontros e desencontros do casal formado pela cientista Melissa (Renata Calmon) e o apicultor Roger (Thiago Ledier), após se conhecerem em um churrasco de amigos. Esta quinta (2), é o último dia de Renata Calmon na peça. A partir de terça (7), Melissa passa a ser papel da atriz Bruna Thedy.

Como pano de fundo para as idas e vindas do casal, em cortes precisos no tempo/espaço em inventiva solução da direção, o espetáculo aborda ainda a constante perda de memória de Melissa. Nisso, faz referência sutil ao filme Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet em 2004. O cabelo vermelho de Calmon é o mesmo de Winslet e o pôster do filme fica escondido em meio aos badulaques do apartamento de Melissa.

Por falar no apartamento, a cenografia de Zé Henrique de Paula é coesa ao aglutinar em cada canto do palco a morada de cada personagem – na verdade, amontoados de objetos que fazem sentido a cada um deles –, fazendo do sofá, ao centro do palco, o ponto de encontro. O piso também integra os ambientes, com uma estampa que tanto pode simbolizar átomos estudados por Melissa quanto colmeias cultivadas por Roger.

Os figurinos, também assinados pelo diretor, ajudam na construção da passagem de tempo, representando o desenrolar daquela história em diferentes estações do ano. Em contrapartida, a luz de Fran Barros, ao dialogar o tempo todo com o que se passa no palco, impulsiona os sentimentos dos espectadores, que torcem para que aquele romance dê certo.

O casal de atores tem química que faz o espetáculo crescer além da proposta do autor e do diretor. Thiago Ledier envolve o público com seu personagem, uma espécie de representação da fragilidade masculina diante de uma mulher emancipada. O ator é preciso, claro e comovente em sua simplicidade, como quando faz a cena na qual pede a mão de Melissa em casamento.

Também em boa atuação, Renata Calmon, por sua vez, além do domínio do texto – traduzido por ela mesma –, demonstra segurança cênica que deixa sua personagem ainda mais forte, mesmo diante da fragilidade de uma doença. E ainda é preciso ressaltar a voz lapidada que a atriz apresenta nesta obra, seduzindo a audição de quem ouve.

Universos é uma peça simples e complexa ao mesmo tempo, como é a vida, ou as versões que fazemos dela. É uma peça na qual se pode rir e chorar. E, ao fim, chegar à conclusão de que as pequenas decisões cotidianas são as peças fundamentais que constroem ou derrubam a nossa realidade.

Avaliacao Muito Bom R7 Teatro Crítica: Universos brinca com vida que podemos ter

Universos
Avaliação: Muito bom
Quando: Terça, quarta e quinta, às 21h. 70 min. Até 16/5/2013
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Nota do Editor: a partir da próxima terça a personagem Melissa será feita pela atriz Bruna Thedy.

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experimental eduardo enomoto2 R7 invade ensaio da peça <i>Universos</i>, que estreia nesta terça no Teatro do Núcleo Experimental

Zé Henrique de Paula conversa com Renata Calmon e Thiago Ledier no ensaio - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

O Atores & Bastidores do R7 resolveu dar uma passada rápida no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, onde estreia nesta terça-feira (26) o espetáculo Universos.

Encontramos o diretor Zé Henrique de Paula dando as últimas dicas para os compenetrados atores Renata Calmon e Thiago Ledier, que atuam na nova montagem do espaço eleito pelos internautas o Melhor Teatro R7 de 2012.

Como avisamos de nossa passagem de última hora, resolvemos não interferir muito no trabalho dos meninos, e deixá-los à vontade para acertar os últimos detalhes para a estreia.

A obra inaugura a nova trilogia do grupo, que agora falará de amor. A última trilogia foi baseada na guerra, com as peças Mormaço, No Coração do Mundo e Troianas. Além de Universos, a nova trilogia do amor terá ainda Ou Então Você Podia Me Beijar, de Neil Bartlett, e Nossa Música, de Abi Morgan. Todas vão estrear no espaço até o fim do ano.

Quem assina o texto é o jovem dramaturgo inglês Nick Payne, com tradução de Renata Calmon. A atriz interpreta Melissa, uma cientista que se aproxima do apicultor Roger (Ledier).

Paula mantém sua turma, com Fernanda Maia na direção musical, Inês Aranha na preparação do elenco e Cy Teixeira, que assina os figurinos com ele, também autor da cenografia. Herbert Bianchi faz a assistência de direção, e Fran Barros, a iluminação. A produção está a cargo de Sergio Mastropasqua e Claudia Miranda.

O diretor afirma que utilizou até conceitos da física para a montagem, como a "teoria da entropia, que afirma que o universo tende a caminhar da ordem ao caos".

experimental eduardo enomoto R7 invade ensaio da peça <i>Universos</i>, que estreia nesta terça no Teatro do Núcleo Experimental

O diretor Zé Henrique de Paula observa Renata Calmon e Thiago Ledier em cena - Foto: Eduardo Enomoto

Universos
Quando: terça a quinta, às 21h. 70 min. Estreia em 26/2/2013. Até 25/4/2013.
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, Metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada e público cadastrado)
Classificação etária: 12 anos

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cabaret bob sousa1 Crítica: <i>Cabaret   E o Tal Mundo Não se Acabou</i>, do Núcleo Experimental, quase chega lá

Elenco de Cabaret - E o Tal Mundo Não se Acabou posa no Núcleo Experimental - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

As mazelas fazem parte da vida de um artista assim como da de qualquer ser humano. Contudo, o público sonha em acreditar que a vida daqueles que estão no palco é diferente, embarcando profundamente na ilusão que teatro proporciona.

E é essa magia o ponto forte do gênero cabaret, que teve sua maior força na Europa do século 20, assolada pelas duas Grandes Guerras Mundiais. Se o ar, por conta de disputas políticas e bélicas, estava irrespirável naquele então, os artistas noturnos serviam para criar uma atmosfera de ilusão e festa, mesmo que esta durasse apenas até a manhã seguinte.

Com dramaturgia de Thiago Ledier e direção de Fernanda Maia, Cabaret – E o Tal Mundo Não se Acabou busca esse clima de show de variedades. E coloca como pano de fundo a brincadeira, ainda pertinente, com o não-fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, conforme teriam previsto os maias.

Como boa diretora musical que é, Fernanda consegue dar mais brilho às vozes, com os arranjos simples e certeiros, porque nem todos cantam a contento. Já as coreografias, simplórias por demais, não chegam a chamar a atenção. Alguns corpos parecem perdidos em cena, mesmo quando não é o objetivo.

Apesar de tentar embarcar na leveza do gênero, a dramaturgia envereda por um ambiente bem mais denso. Mas os textos poéticos perdem força ao serem ditos em tom declamatório por boa parte do numeroso e irregular elenco, formado por Adriana Alencar, Adriana Fonseca, Aretê Bechelli, Bibi Piragibe, Bruno Gael, Claudia Miranda, Cy Teixeira, Danilo Rodriguez, Juliana Calderón, Nabia Villela, Natasha Sonna, Priscilla Oliva, Rafaela Cassol, Thiago Carreira, Tony Germano, Valmir Martins e Vivi Bertocco.

Assim, após um rodopiar de belas mulheres com figurino provocante, o público pode ser bofeteado com um cru relato de abuso sexual infantil. Nada mais desconcertante. Não bastasse, o tom festivo mantido depois às duras penas acaba por banalizar o que foi dito.

O Núcleo Experimental é um dos melhores espaços teatrais da cidade, sempre com vasto repertório de peças intimistas e provocantes. A grande máxima do espaço é manter o lugar vivo com uma troca constante de montagens. E inovar sempre implica em correr riscos. Às vezes, não dá tão certo. Cabaret – E o Tal Mundo Não se Acabou foi uma tentativa de o grupo se aproximar de um gênero difícil. Quase chegaram lá.

Cabaret – E o Tal Mundo Não se Acabou
Avaliação: Regular

 

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eric lenatecoracao mundo8 Bob Sousa Afeganistão invade teatro na Barra Funda, em SP

Eric Lenate, o Melhor Ator R7 de 2012, é o grande destaque de No Coração do Mundo - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado

O Teatro do Núcleo Experimental, eleito o Melhor Teatro de 2012, em votação feita no R7, abre sua programação em 2013 com uma nova temporada do espetáculo No Coração do Mundo, dirigido por Zé Henrique de Paula, eleito o Melhor Diretor do último ano.

A montagem traz no elenco outro premiado, Eric Lenate, que levou como Melhor Ator. Com reconhecido talento, ele dá vida a um esperto afegão na montagem do texto de Tony Kushner.

chris couto coracao mundo3 Bob Sousa Afeganistão invade teatro na Barra Funda, em SP

Chris Couto vive inglesa atormentada - Foto: Bob Sousa

O enredo conta a história de uma senhora inglesa (Chris Couto), que abandona a família para uma viagem misteriosa ao Afeganistão (leia aqui a crítica).

A peça será apresentada às terças, quartas e quintas, às 21h, entre 15 de janeiro e 7 de fevereiro de 2013, no Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Metrô Marechal Deodoro, tel. 0/xx/11 3259-0898). O ingresso custa R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entrada.

Novos textos e debates

Além da peça, haverá ainda uma mostra de leituras de novos textos sobre o Afeganistão. Serão quatro textos britânicos, que serão lidos em dois dias: 28 de janeiro e 4 de fevereiro, sempre às segundas, às 20h, com entrada gratuita. Ao fim, haverá debate com o público. 

No dia 28 de janeiro, será apresentada a peça A Linha Durand, com tradução e direção de Thiago Ledier. No elenco, estão Sergio Mastropasqua, Zé Roberto Jardim e Mateus Monteiro. No mesmo dia, Eric Lenate dirige Agora É a Hora, que terá a atriz Revelação em 2012, Bárbara Bonnie, além do premiado Lee Taylor no elenco que conta ainda com Riba Carlovich e Léo Bertero. 

Já no dia 4 de fevereiro, Caroline Fioratti dirige Minissaias de Cabul, com Patrícia Pichamone e Mário Bortolotto. No mesmo dia, Inês Aranha dirige O Leão de Cabul, com Adriana Alencar, Rodrigo Caetano, Laerte Mello e Jorge Minicelli. 

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einat falbel foto kit gaion Senhora dos Afogados consagra talento de Einat Falbel e lança uma nova estrela, Bárbara Bonnie

Atriz Einat Falbel mostra talento de sobra no espetáculo Senhora dos Afogados - Fotos: Kit Gaion

Por Miguel Arcanjo Prado

O diretor do Núcleo Experimental, Zé Henrique de Paula, conseguiu, em Senhora dos Afogados, a proeza de unir, a seu modo, duas febres no teatro brasileiro em 2012: Nelson Rodrigues e os musicais.

Contudo, neste País sem memória, não custa nada lembrar que a primeira montagem da peça foi feita em 2007, cinco anos antes do celebrado centenário do nosso maior dramaturgo.

É claro que o ano comemorativo, bem como a abertura do Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo, serviu de incentivo para a remontagem. Se bem que o maior mérito deste espetáculo é consagrar o talento de Einat Falbel e revelar a jovem estrela Bárbara Bonnie, protagonistas da obra.

Bárbara Bonnie Foto de Kit Gaion Senhora dos Afogados consagra talento de Einat Falbel e lança uma nova estrela, Bárbara Bonnie

Bárbara Bonnie: nasce uma nova estrela - Foto: Kit Gaion

Família complicadaRespeitoso ao teatro rodrigueano e também ao musical, Zé resolveu contar, com sua assinatura precisa, a história da complicadíssima (e tão universal em seus conflitos) família Drummond, chefiada pelo sisudo juiz Misael (um correto Tony Giusti) e que vive à beira mar, onde jazem seus entes.

Com a ajuda da direção musical primorosa de Fernanda Maia e da assistência de direção de Fabrício Pietro, o elenco de 21 atores preparados por Inês Aranha demonstra ser um verdadeiro achado.

Apesar das levíssimas nuances na capacidade interpretativa, a direção conseguiu colocar cada um, com aquilo que tinha a oferecer de melhor, em um lugar onde ajudasse na composição de um todo coeso e hipnotizante.

Além das protagonistas já citadas e que serão analisadas na sequência, merece destaque Thiago Carreira, que foge da caricatura para construir o sensível – e suscetível – irmão caçula, Paulo.

O tripudiante coro de vizinhos formado por Luciana Ramanzini, Thiago Ledier, Fabio Redkowicz e Caio Salay, com seus movimentos orquestrados cheios de graça e deboche, também conquista, bem como Lourdes Giglioti rouba a cena em suas entradas como a avó demente dos Drummond ou a mãe velha matriarca das prostitutas.

Completam o grupo de atores Paulo Cruz, como o obsessivo marinheiro que se infiltra na família Drummond, Rodrigo Caetano, como o Vendedor de Pentes, Alexandre Meirelles, como Sabiá, e Gabi Germano, Bibi Piragibe, Natasha Sonna, Cy Teixeira e Lara Hassum, fazendo o coro de prostitutas do cais.

thiago carreira einat falbel Senhora dos Afogados consagra talento de Einat Falbel e lança uma nova estrela, Bárbara Bonnie

Einat Falbel com Thiago Carreira: destaque no elenco

Assinatura elegante

Zé não quis revolucionar Nelson Rodrigues. Muito pelo contrário, está lá, quase intocado, o texto instigante que fez do dramaturgo um escritor imortal. Mesmo assim, o diretor consegue deixar tudo sob a névoa obscura do teatro que só o Núcleo Experimental faz. Não é preciso violar para assinar, mas, sim, dialogar, é o que Zé ensina, elegantemente.

E o mesmo acontece no namoro com o teatro musical. Se este poderia passar pelo lugar do deboche, procura o outro lado, bem mais sensato, o do respeito, com uso de técnica precisa e competência artística.

O elenco executa ao vivo com precisão vocal e interpretativa as 11 canções, entre composições de Chico Buarque de Holanda, como Pedaço de Mim e À Flor da Pele, e de Djavan, como A Ilha e Ventos do Norte, todas com novos significados poéticos na boca dos personagens.

E cada música é acompanhada com virtuosismo por Fernanda Maia, ao piano, e Eduardo Sato, no violoncelo, os dois um show à parte.

Duas grandes atrizesSe a música inebria, as interpretações das duas atrizes protagonistas são arrebatadoras. Einat Falbel, como a mãe, D. Eduarda, e Bárbara Bonnie, como a filha, Moema, conquistam respeito do público com um duro embate de gerações.

Einat Falbel (leia o perfil da atriz) fecha com chave de ouro um ano precioso em sua carreira e sai consagrada da montagem. A atriz, que no começo do ano mostrou talento de sobra como a garçonete sozinha e decadente de Bichado, do mesmo diretor, agora surge mais densa e impressionantemente precisa.

Einat tem força em cada palavra que diz. Em sua boca, nenhum texto é dito em vão; em seu corpo, tudo é passível de crença. O desalento de Eduarda, odiada pela filha e sogra e rejeitada pelo marido é sentido em cada olhar que ela dá.

Foto de Kit Gaion Bárbara Bonnie e Lourdes Gigliotti Senhora dos Afogados consagra talento de Einat Falbel e lança uma nova estrela, Bárbara Bonnie

Jovem talentosa: Bárbara Bonnie (esq.) com Lourdes Gigliotti

E Zé Henrique conseguiu a proeza de achar talento à altura de Einat para a perfeita composição do embate entre mãe e filha, primordial nesta peça mítica de Nelson Rodrigues. Bárbara Bonnie é a grande revelação (leia o perfil da atriz).

Se a jovem atriz já havia chamado a atenção do espectador mais atento em Barafonda, da Cia. São Jorge de Variedades, mesmo diante de um pelotão de 30 atores em um espetáculo de rua, dessa vez ganha palco com espaço e personagem de brilho suficiente para que mostre a que veio.

E o faz de uma forma coesa, vibrante e bonita. Bárbara constrói uma Moema fria, contida em seu ódio a todos, inveja da mãe e amor pervertido pelo pai. O talento da atriz faz da personagem ainda mais intensa, provocativa e, antes de tudo, humana, assim como é humana a Eduarda construída por Einat.

Senhoras do palcoO grande achado das duas, que contribui enormemente para o êxito da obra, é abrir mão da competição de quem teria o público nas mãos, tão comum em uma profissão repleta de vaidade. Mas, ainda bem, essa não é a preocupação delas.

Cada uma está tão dentro de sua personagem, defendendo-a com unhas e dentes, que se tornam igualmente fortes e cativantes, mesmo em seus mais profundos devaneios.

Nesse exercício de apenas dar o máximo de si que elas fazem, quem ganha é o espectador, presenteado com um espetáculo inesquecível e com duas senhoras do palco.

barbara bonnnie foto kit gaion 2 Senhora dos Afogados consagra talento de Einat Falbel e lança uma nova estrela, Bárbara Bonnie

Tensa, mas sem exageros: Bárbara Bonnie conquista respeito em Senhora dos Afogados - Fotos: Kit Gaion

Senhora dos Afogados
Avaliação: Ótimo
Quando: Sexta, sábado e segunda, às 21h. Domingo, às 19h. 120 min. Até 19/11/2012
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, Metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 30 (grátis às sextas)
Classificação: 12 anos

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No coraçaÌfo do mundo Eric Lenate e Chris Couto Foto de Ronaldo Gutierrez2 No Coração do Mundo desvenda mistérios de Cabul

Eric Lenate e Chris Couto são os grandes destaques no elenco - Fotos: Ronaldo Gutierrez/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Não é tarefa fácil conseguir transportar o público para um lugar geográfico diferente daquele onde está. Nem que isso ocorra apenas na fantasia de cada espectador.

O espetáculo No Coração do Mundo, no Teatro do Núcleo Experimental, em São Paulo, consegue tal façanha.

O diretor Zé Henrique de Paula resolveu reformular a peça Casa Cabul, antes apresentada em palco italiano, e a transformou em uma obra onde texto, artistas, público e espaço se mesclam na pequena sala na Barra Funda.

O roteiro do norte-americano Tony Kushner conta a história de Sra. Ceiling, uma inglesa infeliz em suas relações familiares e que se encanta com um velho guia de viagens sobre Cabul, a capital do Afeganistão.

De tanto ler o livro, ela resolve abandonar a vidinha de classe média britânica e partir rumo ao lugar desconhecido em uma aventura praticamente suicida.

Chris Couto consegue mesclar leveza e densidade na construção da personagem – agora bem mais cativante do que na primeira versão do texto com a mesma atriz. Chris parece ter descoberto que as situações dramáticas também são providas de certa dose de humor. E é aí que ganha o público.

E a plateia acompanha a personagem na viagem longínqua, quando, em efeito cênico vibrante, o Afeganistão se descortina diante do público, convidado a mudar de lugar.

Diretor cuidadoso com suas obras, Zé Henrique de Paula (que trabalha em parceria com o assistente Thiago Ledier) assina também cenografia exuberante e figurino cheios de peças de cores fortes e vibrantes, que entregam pesquisa árdua (ele contou com assessoria dos especialistas em cultura afegã Adriana Carranca e Sayed Mustafá), sobretudo nas vestimentas dos personagens afegãos. A iluminação de Fran Barros dialoga com o desenrolar da história.

Fernanda Maia é responsável pela direção musical, que demonstra precisão quando canta Nábia Vilela, intérprete de Mahala, uma afegã desprovida do direito do conhecimento em seu país por ser mulher, escondida sob uma burca.

Mas a música, mesmo bem dirigida, provoca certo incômodo quando surge como preparativo para as trocas de ato. O coro de afegãos canta Frank Sinatra. A canção ícone da cultura norte-americana vai de encontro ao que os personagens muçulmanos representam.

No coraçaÌfo do mundo Eric Lenate e Renata Calmon Foto de Ronaldo Gutierrez No Coração do Mundo desvenda mistérios de Cabul

Eric Lenate contracena com Renata Calmon: ele se sobressai - Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação

No elenco preparado por Inês Aranha, o grande achado é Eric Lenate, como o esperto afegão Khwaja, que logo se torna tutor da jovem inglesa Priscila (Renata Calmon) na busca por sua mãe, desaparecida em Cabul.

O personagem do ator mostra ser resultado de uma minuciosa construção, que passa pelo corpo, voz, olhar, trejeitos e, claro, talento. Logo, Lenate se impõe como o melhor em cena. E cresce ainda mais quando contracena com Renata, sobretudo pelo abismo que separa a precisão dele do histrionismo dela.

O coro de afegãos formado por Alexandre Meirelles, Thiago Ledier, Laerte Késsimos, Felipe Ramos, Thiago Carreira e Marcelo Villas Boas cumpre bem a tarefa de ser uma presença constante e ameaçadora.

Já os intérpretes dos personagens britânicos ficam atrás. Tony Giusti, como o marido de Sra. Ceiling, e Herbert Bianchi, na pele de um jovem ocidental viciado em heroína e ópio nas ruas de Cabul, apresentam resultado pouco convincente.

No Coração do Mundo joga luz a um lugar desconhecido e maltratado pelo mundo ocidental. Zé Henrique de Paula humaniza o Afeganistão das guerras sem fim. É  é aí que mora o mérito da peça: fazer com que reconheçamos aquilo que nos é tão diferente não pelo discurso, mas pelo coração.

No Coração do Mundo
Avaliação: Bom
Quando: Terça, quarta e quinta, às 21h. 100 min. Até 13/12/2012
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: Grátis (ingressos distribuídos uma hora antes)
Classificação: 16 anos

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coluna aquelesdois Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Aqueles Dois é o espetáculo de maior sucesso nacional da Luna Lunera - Foto: Diego Pisante

Por Miguel Arcanjo Prado

Mineiros no Rio
Os meninos da Luna Lunera, companhia teatral de Belo Horizonte, estão fazendo as malas. O destino é o Rio, onde ficam em temporada de 4 a 21 de outubro na Caixa Cultural. A Mostra Comemorativa de 10 anos da Luna Lunera levará aos cariocas os espetáculos Cortiços, Nesta Data Querida e Aqueles Dois (foto). Este último conta a história de Caio Fernando Abreu sobre a forte amizade entre dois amigos de uma repartição do centro de São Paulo. Tem uma poética cena de nudez masculina dos quatro atores do elenco. Imperdível.

Culpa do público
Atreva-se, de Jô Soares, prorrogou temporada no Teatro das Artes, em São Paulo, até 25 de novembro.

Acabou
Os Satyros encerram nesta sexta (28), às 21h, no Sesc Santo André (SP) a temporada da peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. Leia mais sobre o adeus.

Quase no fim
Só vão até domingo (30), as inscrições para as Satyrianas 2012, que acontece de 1º a 4 de novembro, na praça Roosevelt, em São Paulo. Quem tem um projeto artístico pode participar. Basta mandar e-mail pedindo a ficha de inscrição para inscricoesprojetos@gmail.com.

 Agenda Cultural
[r7video http://videos.r7.com/confira-destaques-da-agenda-cultural-em-sao-paulo/idmedia/5065c4a592bbdc2dfb1e2cdb.html]

O motivo
A turma da mundana companhia afirma que adiou a estreia da peça Pais e Filhos, desta sexta (28) para sábado (29), no Sesc Pompeia, em São Paulo, por “motivos técnicos”. Hoje, fazem uma espécie de ensaio abertos. Para jornalistas e convidados, só amanhã. Ah, leia a nossa entrevista exclusiva com o diretor, o russo Adolf Shapiro!

nabia Por trás do pano – Rapidinhas teatraisCadê Cabul?
A antiga peça Casa Cabul, dirigida por Zé Henrique de Paula, foi readaptada e mudou de nome: vai se chamar No Coração do Mundo. Estreia 16 de outubro, no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, com entrada grátis. Houve uma ceifa no elenco. Chris Couto permanece na obra. Um dos novos destaque é entrada da atriz mineira Nábia Villela (foto), que vai cantar em cena. Como o sobrenome entrega, a menina é sobrinha do diretor Gabriel Villela.

De menor
Começa nesta sexta (28) o 6º Festival Internacional de Teatro Infanto-juvenil Paidéia. Tem grupos da Alemanha, Chile, Holanda, Suíça e Turquia. Vai até dia 2 de outubro. Na sede da Cia. Paidéia (r. Darwin, 153, Alto da Boa Vista) e no Sesc Santo Amaro (r. Amador Bueno, 505), em São Paulo. Os ingressos são baratinhos, com preços de R$ 10 a R$ 20. Veja a programação completa.

Escurinho
A República Ativa de Teatro marcou para o dia 6 de outubro, às 16h, a estreia do espetáculo infantil Quem Apagou a Luz?. Será no Teatro Cacilda Becker (r. Tito, 295, Lapa), em São Paulo. Ficam por lá até 11 de novembro. O grupo é formado por ex-alunos do curso de artes cênicas da FPA, a Faculdade Paulista de Artes. Que graça.

coluna sim sergio baia Por trás do pano – Rapidinhas teatraisRumo ao altar
De olho no filão de moças desesperadas para usar vestido branco, véu e grinalda, estreia no Rio neste sábado (29), SIM – Senhoritas Interessadas em Matrimônio. A peça dirigida por Alexandre Brito fica no Teatro Cândido Mendes, de sexta a domingo. No elenco, Amanda Vides Veras, Lara Gay, Paula Mello e Thais Belchior. Detalhe curioso: parte do texto foi escrito por Thiago Bomilcar Braga a partir de vivências das próprias atrizes. Vai encarar?

Nirvana
O dramaturgo amigo da coluna Sergio Roveri manda avisar que sua peça Aberdeen – Um Possível Kurt Cobain reestreia dia 6 de outubro, no Armazém XIX (r. Mário Costa, 13, Vila Maria Zélia), em São Paulo. Fica até 21 de outubro, sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). José Roberto Jardim dirige o ator Nicolas Trevijano na viagem rumo ao Nirvana...

Recado do Zé Celso
A turma do Oficina está com inscrições abertas para a segunda turma da Universidade Antropófaga. A primeira fez o espetáculo Macumba Antropofágica. Quem estiver a fim devem encaminhar até 1º de outubro o material solicitado por Zé Celso para o e-mail acordes@teatroficina.com.br. Para saber o que o decano mestre quer (ele nomeia “chamamento”) tem de entrar no site do Oficina.

Tablado falante
Como Transformar a Cidade em um Grande Palco é o tema da palestra que Gilberto Dimenstein dará neste sábado (29), às 18h, na sede da praça Roosevelt da SP Escola de Teatro.

Praça aberta
Falando na famigerada praça, ela será devolvida à população paulistana, reformada, neste sábado (29). A turma do teatro vai marcar presença. E fazer barulho. Leia mais sobre a reforma.

Até logo, Lume!
O Grupo Lume encerra domingo (30) a peça Os Bem-Intencionados, no Sesc Pompeia, em São Paulo. O espetáculo dirigido por Grace Passô fez tanto sucesso que não há mais nenhuma entrada. Todas foram vendidas. Agora, rumam para Campinas, terra natal da trupe. Mas sonham em voltar em 2013 a Sampa, além de participar de festivais, é claro. Leia a crítica da peça!

Maravilha
Uma Alice Imaginária, peça da Cia. dos Imaginários concebida e dirigida por René Piazentin, estreia dia 5, no Teatro Commune, em São Paulo. Abaixo, imagem exclusiva para a coluna feita pela fotógrafa Lilian Segui.
Alice Imaginária cred LilianSegui Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Polêmica no interior
O dramaturgo e diretor Mateus Barbassa apresenta o espetáculo Nós Somos Jovens (foto abaixo), neste sábado (29), às 20h30, no Teatro Marista de Ribeirão Preto. Com Fernando Cardoso, Paloma Arantes, Laílson Nunes, Rayana Rodrigues, Guilherme Tsuji e Léo Fochi, a peça fala de temas polêmicos como bullying, suicídio e assédio sexual. Promete causar.
coluna nos somos jovens Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

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Veja a Agenda Cultural do telejornal Record News São Paulo:

(Com Nathalia Boscolo, editora da Record News)

[r7video http://videos.r7.com/confira-destaques-da-agenda-cultural-em-sao-paulo/idmedia/5065c4a592bbdc2dfb1e2cdb.html]

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