Posts com a tag "núcleo experimental"

preto no branco1 Crítica: Preto no Branco reforça o preconceito

Bruna Thedy e Sidney Santiago Kuanza em cena da peça Preto no Branco - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

 "A carne mais barata do mercado é a carne negra"
 (A Carne, de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti, na voz de Elza Soares)

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que o diretor Zé Henrique de Paula e seu Núcleo Experimental são artistas talentosos, aguerridos, de boa vontade e que afirmam buscar melhorar a sociedade na qual fazem sua arte, mesmo que haja, neste caminho, tropeços imprevisíveis.

É preciso reconhecer tal qualidade do grupo e de seu diretor. Posto isto, passemos a explicar o porquê da perplexidade diante do espetáculo Preto no Branco, em cartaz em São Paulo.

Após tocar no tema da homossexualidade na peça Ou Você Poderia me Beijar, de forma sutil e poética, Zé Henrique de Paula e seu Núcleo Experimental resolveram falar de racismo de uma forma dura e cruel.

Efeito colateral

O texto combina violência com a ironia típica do humor inglês — distante da plateia brasileira, que insiste em enxergá-lo de forma literal.Assim, o discurso desejado tem efeito contrário.

preto no branco 21 Crítica: Preto no Branco reforça o preconceito

Clara Carvalho e Marco Antônio Pâmio em cena da peça Preto no Branco - Foto: Ronaldo Gutierrez

Preto no Branco é um discurso (branco) sobre o racismo que os negros sofrem. Isso começa no próprio título brasileiro, que sugere uma invasão negra de um espaço previamente do branco (o título original inglês é menos explícito em relação ao enfrentamento racial: Mirror Teeth, "dentes no espelho").

Pensada originalmente para a sociedade inglesa, a peça, ao ser transposta para outra realidade, a brasileira, que vive um momento de ebulição de seus preconceitos, jogando por terra o mito de povo cordial, ganha novos contornos, novos significados e novas apreensões. Assim, a peça, no encontro com o público brasileiro, acaba subvertida.

Gargalhadas preconceituosas

A autoria é do jovem britânico (branco) Nick Gill, que parece ter tido boa intenção ao escrever a obra. O recurso que ele utiliza é evidenciar a problemática, expondo padrões de comportamento preconceituosos em relação ao negro (e também às mulheres). Só que, em vez de a obra tornar-se uma experiência pedagógica para o público brasileiro, opera como reforço do preconceito que deseja combater.

Na sessão vista pelo R7, grande parte da plateia se identificou com a família (branca) racista. Cada frase preconceituosa no palco gerava gargalhadas. E o texto é repleto de frases duras e cruéis que, ditas fora do palco, levariam à prisão a quem as proferisse.

Em forma de riso, parte do público desvenda um racismo velado, que não deixa de ofender e oprimir. Esta encenação possibilita isso. Uma analogia possível seria colocar judeus para ouvirem piadas no palco sobre o holocausto e ainda terem o espectador da poltrona ao lado gargalhando.

Lembrando o teórico francês do teatro contemporâneo Jean-Pierre Serrazac, no seu livro Crítica do Teatro, "o espectador compreende se é compreendido e só é compreendido se compreender”. Assim, o espetáculo, pensado como um alerta, torna-se uma aberração de si próprio no encontro com um espectador que não consegue dialogar com a ironia proposta pela dramaturgia.

Diante da proposta estética, parte do público se sente à vontade para externar seu preconceito também.

preto no branco 31 Crítica: Preto no Branco reforça o preconceito

Thiago Carreira e Bruna Thedy na peça Preto no Branco - Foto: Ronaldo Gutierrez

O pensado originalmente em Preto no Branco é pervertido por seu estilo realista, que faz com que o público se identifique com os personagens arquetípicos de uma família classe média branca racista e, mais ainda, pela potência das atuações de seu talentoso elenco: Clara Carvalho (a mãe), Marco Antônio Pâmio (o pai), Thiago Carreira (o filho), Bruna Thedy (a filha e a namorada do filho) e Sidney Santiago Kuanza (o jovem namorado negro e um policial negro).

O papel do negro

O enredo se baseia na história de uma família que se espanta com o novo namorado da filha, negro e muçulmano. E segue apresentando como esta família lida com o “incômodo” dentro de casa. A encenação respeita as gags de humor propostas pela dramaturgia, com entradas e saídas de atores ao modo vaudeville.

Em Preto no Branco o lugar do negro é: inferior, subalterno, submisso, desejável só para a prática sexual, assediado, subjugado, aliciado e estuprador.

Basta ver o percurso do único ator negro na obra. O primeiro personagem, o jovem namorado (negro), aceita as humilhações às quais é exposto sem revidar, até ser persuadido a tornar-se uma espécie de capanga do pai (branco) da namorada, para ser parte da família.

O segundo personagem, o jovem policial (negro) que investiga um crime ocorrido, a princípio aparece como um possível redentor. Mas, logo é subjugado e incentivado pela família (branca) a cometer um crime bárbaro, que no discurso racista da própria peça seria comum aos negros.

Para que não haja dúvidas, o crime hediondo (cometido contra uma jovem branca desacordada) é apresentado de forma violenta e realista até que as luzes se apagam. Esta é a última imagem do negro que a peça deixa.

PS. Seria interessante (e provocante) para a realidade da plateia brasileira uma encenação que propusesse o enredo da peça com uma família negra se espantando com o namorado branco da filha.

Preto no Branco
Avaliação: Fraco
Quando: Sexta, 20h; sábado, 19h; domingo, 18h. 90 min. Até 30/11/2014
Onde: Sesc Bom Retiro (al. Nothmann, 185, Bom Retiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3332-3600)
Quanto: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia-entrada); R$ 9 (comerciários e dependentes)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Fraco R7 Teatro PQ Crítica: Preto no Branco reforça o preconceito

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2 Preto no branco Bruna Thedy e Sidney Santiago Foto Ronaldo Gutierrez Racismo e preconceito são foco de Preto no Branco

Bruna Thedy e Sidney Santiago Kuanza em cena da peça Preto no Branco - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O diretor Zé Henrique de Paula parece sempre antenado com a sociedade. Tanto que estreia nesta sexta (31), no Teatro do Sesc Bom Retiro, em São Paulo, a peça Preto no Branco.

O espetáculo aborda espinhentos temas, como racismo, preconceito, consumismo e alienação. Ou seja, infelizmente tudo a ver com o Brasil de hoje, que viu vergonhosas — e criminosas — manifestações nesta semana de puro preconceito nas redes sociais.

Antes pudéssemos dizer que a temática da peça é algo ultrapassado. Quem dera...

3 Preto no branco Clara Carvalho e Marco Antônio Pâmio Foto Ronaldo Gutierrez Racismo e preconceito são foco de Preto no Branco

Clara Carvalho e Marco Antônio Pâmio em Preto no Branco - Foto: Ronaldo Gutierrez

O texto é do jovem autor londrino Nick Gill. Aliás, de teatro inglês Zé Henrique de Paula entende, já que fez na Inglaterra seu mestrado, quando foi correspondente internacional para este blog com a coluna Zé in London, um grande sucesso no R7.

Para a montagem com seu Núcleo Experimental, o diretor convocou atores potentes, muitos dos quais já fazem parte de sua turma: Marco Antônio Pâmio, Clara Carvalho, Thiago Carreira, Bruna Thedy e Sidney Santiago.

O enredo mostra a reação de uma família britânica branca com o novo namorado da filha, um jovem negro de religião muçulmana. Zé diz que o que o chamou a atenção no texto foi a "maneira como ele explora o tema do racismo, com muito humor e ironia".

— A peça nos coloca frente a frente com nossos preconceitos e, especialmente, com uma estrutura social de classes em que há opressão do capital, colonialismo e segregação, elementos que, apesar de a peça ser inglesa, são infelizmente universais e ecoam as manchetes dos jornais no Brasil de hoje.

Como é de seu feitio, Zé assina também figurinos e cenário. Já a trilha ficou a cargo de sua velha e talentosa parceira Fernanda Maia. Fran Barros, outro talento, assume a luz.

Sempre um alento na cena paulistana, o Núcleo Experimental já produziu 11 peças que lhe renderam 14 indicações a prêmios e público de quase 100 mil pessoas. O grupo congrega 55 atores e 14 técnicos. Gente da melhor qualidade.

Preto no Branco
Quando: Sexta, 20h, sábado, 19h. 90 min. Até 30/11/2014
Onde: Sesc Bom Retiro (al. Nothmann, 185, Campos Elíseos, São Paulo, tel. 0/xx/11 3332-3600)
Quanto: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia) e R$ 9 (comerciários e dependentes)
Classificação etária: 14 anos

O Brasil ainda é um país racista e preconceituoso?

  • Sim, infelizmente. É uma vergonha e temos de lutar para acabar com isso.
  • Não, nunca soube de nenhum preconceito por aqui.

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Ou Você Poderia Me Beijar 4 Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Thiago Carreira, Roney Facchini e Claudio Curi em Ou Você Poderia me Beijar - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Há diversos discursos sobrepostos no palco em Ou Você Poderia me Beijar, direção de Zé Henrique de Paula, com seu Núcleo Experimental. O texto é de Neil Bartlett e da Handspring Puppet Company, que o montou com bonecos em Londres e até então inédito no Brasil.

A peça conta a história de um casal gay na África do Sul, já na terceira idade, que têm de lidar com o desagradável: com a doença terminal de um deles, eles precisam procurar uma advogada para levá-los a um cartório, com o intuito de oficializar a relação e preservar os direitos de herança do companheiro que fica.

nucleo experimental Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Cena de Ou Você Poderia me Beijar, em cartaz na Barra Funda, São Paulo, até dia 27 - Foto: Ronaldo Gutierrez

Zé Henrique, diretor sensível que é, consegue revelar a história dos dois aos poucos, sobrepondo os tempos, desde o encontro intenso e jovem do casal em uma praia nos anos 1970, até a iminência do fim desta relação seis décadas depois. A atriz Clara Carvalho, no papel das mulheres que rodeiam essa trajetória, é uma espécie de condutora neutra deste fio da vida.

O diretor tem o domínio estético de sua montagem, já que também assina a cenografia enxuta e os figurinos que são uma verdadeira aula de moda recente, com assistência de Cy Teixeira.

A encenação sofisticada de Zé, mesmo com a morte por perto e o preconceito sempre à espreita, não assume ar soturno, tampouco melodramático. Vira uma tragicomédia, já que ele extrai de seu elenco, formado por Marco Antônio Pâmio, Rodrigo Caetano, Claudio Curi, Roney Facchini, Thiago Carreira, Felipe Ramos, nos papeis do casal em três distintas etapas da vida, frases espirituosas e imagens surreais e também divertidas, como a cena do mar ou a pista de dança setentista.

Roney Facchini é o grande ator desta peça, com atuação sob medida para a estética da obra. Está ali, sem truques, crível. No elenco jovem, Carreira também se sobressai com uma verdade doce em sua atuação.

Ou Você Poderia Me Beijar 2 Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

Em primeiro plano, o ator Felipe Ramos em cena: o começo de uma história de amor - Foto: Ronaldo Gutierrez

Fernanda Maia embala a história com trilha que dialoga com todos os sentimentos que surgem, o mesmo faz a luz de Fran Barros, sempre personagem das peças do Núcleo Experimental.

Aos mais modernos, a montagem poderia soar um retrato museológico, já que vivemos em uma cidade em que gays já podem se casar no cartório tal qual um casal heterossexual. Mas é preciso também lembrar que, se por um lado as coisas soam avançadas, por outro, ainda são medievais. Há, nesta mesma metrópole, notícias recorrentes de casais gays espancados nas ruas simplesmente por existir, sem que o poder público tome medidas eficientes para acabar com tal absurdo.

E é por isso que Ou Você Poderia me Beijar é tão pertinente e fundamental. Ela mostra que um casal gay é apenas um casal. Tornando-o humano, simplesmente.

Ah, um detalhe precisa ser mencionado: a peça ainda tem nesta sua realização um viés de solidariedade: a temporada atual é resultado de financiamento coletivo pela internet. Prova de que ainda tem gente que acredita no teatro. E no amor. E que resiste. Ainda bem.

Ou Você Poderia me Beijar
Avaliação: Muito bom
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. 80 min. Até 27/7/2014
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (rua Barra Funda, 637, metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Ao expor encontro do amor com a morte, Ou Você Poderia me Beijar derruba preconceito

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Ou você poderia me beijar Roney Facchini e Cláudio Curi Foto de Ronaldo Gutierrez 1 Em tempos de beijo gay na TV, casal homossexual enfrenta a morte após 60 anos de companheirismo

Cláudio Curi e Roney Facchini serão casal gay que viveu junto por 60 anos - Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação

Por BRUNA FERREIRA*

Dois homens que se conheceram na África do Sul passam a viver uma história de amor e companheirismo que vai durar 60 anos, até que um deles, sofrendo com um enfisema pulmonar, precisa dar a notícia do fim ao parceiro. Enquanto conhecemos suas histórias, vamos percebendo as dificuldades e a dor do adeus.

Baseada em uma história real, Ou Você Poderia me Beijar é um espetáculo que estreia no dia 7 de fevereiro no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo, e que fica em cartaz até o fim de abril.

Com direção de Zé Henrique de Paula, o elenco conta com a atriz Clara Carvalho, interpretando todas as personagens femininas da montagem. Seis atores dão vida ao mesmo casal em fases distintas da vida. Roney Facchini e Cláudio Curi, são os dois homens aos 80 anos. Marco Antônio Pâmio e Rodrigo Caetano, são a dupla na maturidade, aos 50 anos. Os jovens apaixonados são vividos por Thiago Carreira e Felipe Ramos, ambos com 20 anos.

Em entrevista ao Atores & Bastidores, o ator Roney Facchini adianta um dos recursos usados na peça.

— Eu faço 32 anos de carreira no teatro agora em março e esta foi a coisa mais instigante que já fiz. As duplas de atores vivem o mesmo casal em idades diferentes, mas estamos os seis, ao mesmo tempo no palco. E não se tratam de memórias, cada casal está vivendo o seu tempo. É uma imagem muito poética.

Cláudio Curi, que interpreta o parceiro de Facchini na velhice, diz que os atores começaram a se preparar em outubro do ano passado, mas que só intensificaram o ritmo dos ensaios no início deste ano.

— Estamos ensaiando mesmo há um mês, com bastante intensidade, até por que vai ter música. Todos nós vamos cantar lá. Eu tô muito feliz de fazer esse espetáculo, é um lindo espetáculo, um trabalho superimportante. Essa peça veio de Londres, onde era encenada originalmente com bonecos. Tenho certeza que todo o público vai se emocionar.

Ou você poderia me beijar Marco Antonio Pâmio e Rodrigo Caetano Foto de Ronaldo Gutierrez 1 Em tempos de beijo gay na TV, casal homossexual enfrenta a morte após 60 anos de companheirismo

Público conhece casal em três fases da vida - Foto: Ronaldo Gutierrez/Divulgação

Enquanto na última semana, se celebrava o beijo gay dos personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso, na novela Amor à Vida, no horário nobre, Ou Você Poderia me Beijar dá um passo adiante na questão dos direitos homoafetivos. Facchini diz ao R7, que o espetáculo não é militante.

— Ela não levanta uma bandeira. Na verdade, eu acho que já é o “passo 2” da luta contra a homofobia. Em um primeiro momento é preciso conseguir espaço, já em um segundo é preciso tratar com naturalidade. A peça trata do amor com simplicidade. Estive em San Francisco [nos Estados Unidos], pois um amigo meu mora lá e não tem aquela ideia de cidade gay. Existem famílias gays, mas é tudo muito natural. A nossa montagem se preocupa em falar de amor.

Curi concorda com o colega de elenco e reforça a ideia de que o espetáculo vai atingir em cheio a todos, independente da orientação. Inclusive,o grupo estuda a possibilidade de colocar o espetáculo em cartaz durante o Festival de Teatro de Curitiba deste ano.

— Não vai ter estereótipo. Vamos mostrar como é o amor de um casal. Na realidade, a história de amor é sempre universal. Vamos falar sobre durabilidade, o amor que perdura por épocas e sobre como é difícil aceitar o fim. Um dos personagens está morrendo e é muito difícil. Tem detalhes que precisam ser acertados, pensar o que fazer com a casa, o testamento e a dificuldade em aceitar a finitude.

 

*Bruna Ferreira é repórter do R7. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Universidade de São Paulo), onde cursa mestrado. Ela escreve interinamente neste blog até 18/2/2014, período de férias do colunista Miguel Arcanjo Prado.

 

Ou Você Poderia me Beijar
Quando: Sextas e sábados,21h; domingos; 19h. Até o dia 27 de abril
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, metrô Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 40 (inteira),R$ 20 (meia), R$ 10 (cadastrados)

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nossa classe Crítica: Nossa Classe evidencia brutalidade humana

Elenco de dez atores leva público para a Polônia pré-Segunda Guerra Mundial - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por Miguel Arcanjo Prado

O bicho homem tem nele embutido o vício de querer se diferenciar de seus semelhantes. Sobretudo no sentido de achar-se melhor que os demais. Tal sanha já produziu muito horror e sangue no passado. E, infelizmente, segue produzindo o mesmo horror e sangue nos dias atuais.

E é esta a questão crucial da peça Nossa Classe, apresentada no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo.

nossa classe31 Crítica: Nossa Classe evidencia brutalidade humana

Nossa Classe mostra fatos históricos na Polônia pré-Segunda Guerra Mundial - Foto: Ronaldo Gutierrez

O texto de Tadeus Stobodzianek leva o público à Polônia dos anos 1920 e 1930, mergulhada em conflitos político-sociais até o último fio de cabelo antes da impiedosa Segunda Guerra Mundial.

O espectador acompanha as mudanças de ares, cada vez mais pesados, ora comunistas, ora nazistas, por meio de uma heterogênea turma de crianças, que ao longo da montagem vai crescendo e ganhando a vida adulta – com tudo de ruim que ela traz.

À medida que os anos passam, as diferenças entre os colegas de outrora vão se tornando gritantes e, muitas vezes, incompatíveis.

O ódio entre comunistas e nacionalistas e, depois, entre poloneses e judeus vai provocar esta bestialidade que nos acompanha chamada violência. O poder gera humilhação daquele que foi subjugado. E é bom lembrar que tal comportamento não é exclusividade de comunistas ou nazistas, foco do texto e representado na encenação com máscaras de Stalin e Hitler. Menos demonizados pela história, capitalistas, cristãos ou judeus também fizeram e fazem maldades - basta correr à biblioteca mais próxima ou ou assistir ao noticiário noturno para concluir tal coisa.

nossa classe4 Crítica: Nossa Classe evidencia brutalidade humana

Figurinos elegantes e bem cortados ajudam a transportar público no tempo - Foto: Ronaldo Gutierrez

Os figurinos assinados pelo diretor Zé Henrique de Paula com assistência de Cy Teixeira ajudam a criar o clima, unidos ao cenário minimalista. As roupas são bem cortadas, elegantes e transportam o público no tempo, bem como contribui para isso a iluminação soturna e focada de Fran Barros – efeito já repetido com êxito em montagens anteriores do Núcleo.

Diante de tanto embate no texto, a trilha bem conduzida por Fernanda Maia serve como alívio imediato em meio ao horror.

Mas há certo incômodo na montagem: o excesso de ilustração daquilo que se narra. Mesmo que esta seja uma opção estética, em alguns momentos teria sido melhor confiar mais na narrativa, como na cena de estupro, que fica explícita e dura demais. Outro fator de estranhamento é uma falta de diálogo mais evidente com a contemporaneidade, ficando a obra presa por demais ao passado – tal ponte com outros fatos históricos apenas surge rapidamente no texto que o diretor escreveu para o programa da peça.

O elenco é oriundo de uma oficina de atores do Núcleo Experimental. Apesar da irregularidade perceptível, percebe-se um esforço na direção em colocar os atores dentro de um eixo. E é impossível negar que, independentemente do resultado alcançado, todos estão realmente entregues a seus papéis.

A maioria vai melhor quando está a cargo dos personagens na fase adulta. Na fase criança, há uma infantilidade exacerbada e até caricata em alguns.

Assim, acabam se destacando Henrique Caponero, com doses críveis de malvadeza, e Fabio Redkowicz, como um judeu que conseguiu livrar-se do holocausto com a mudança para os EUA, mas sofre por ter deixado os amigos para trás. Entre as mulheres, a sempre presente Maria Paula Lima também chama a atenção para si.

Completam o elenco Felipe Calçada, Bruno Gael, Priscila Oliva, Estrela Straus, Gutto Szuster, Pedro Passari e Rafael Augusto.

Independentemente dos acertos e possíveis tropeços da encenação, o principal recado de Nossa Classe está no detrás de seu texto e permanece contundente: que a brutalidade humana sempre jaz adormecida e pode ser despertada ao mínimo ruído. É preciso estar atento.

Nossa Classe
Avaliação: Bom
Quando: Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. 95 min. Até 15/9/2013
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Nossa Classe evidencia brutalidade humana

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universos ronaldo gutierrez Crítica: Peça Universos desanda com saída de atriz

Renata Calmon (à esq.) foi substituída por Bruna Thedy (à dir.): a primeira faz muita falta - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por Miguel Arcanjo Prado

Teatro é arte efêmera. Uma mesma montagem pode ter distintas caras, dependendo do dia, da energia dos atores, da plateia. Por isso é sempre arriscado, porque depende, exclusivamente, daquele encontro.

Ciente disso, em 2012, o diretor Zé Henrique de Paula recriou, com maestria, um mesmo espetáculo. Sabia que um novo espaço/elenco pedia nova peça. Foi assim que Casa Cabul virou No Coração do Mundo e surpreendeu muita gente.

A obra, antes no palco italiano, ganhou o intimista e informal espaço de seu teatro, o Núcleo Experimental, levando o público a viajar junto com a protagonista vivida por Chris Couto para o Afeganistão. Este foi o grande acerto da montagem de 2012.

Contudo, quem viu Casa Cabul e No Coração do Mundo notou que uma coisa, pelo menos, não funcionava na nova versão: a substituição de Kelly Klein por Renata Calmon, na pele da filha da protagonista. Calmon destoava do elenco, com registro acima do tom, o que era reforçado ainda mais quando a atriz batia texto com Eric Lenate, ótimo em cena como um astuto afegão.

Pois veio a chuva de críticas, aqui inclusive, e Renata Calmon conseguiu digeri-las com elegância e sobriedade – coisa para poucos e mérito da atriz.

Leia também a Entrevista de Quinta com Beth Goulart!

Sabedora de que a melhor resposta é com um novo trabalho – até porque ninguém tem a obrigação de ser ótimo sempre –, ela voltou ao mesmo palco do Teatro do Núcleo Experimental, dessa vez de forma arrebatadora como protagonista da montagem Universos.

universos ledier calmon ronaldo gutierrez Crítica: Peça Universos desanda com saída de atriz

Thiago Ledier, ainda com Renata Calmon: ator parece perdido com a mudança - Foto: Ronaldo Gutierrez

Tradutora do texto original do britânico Nick Paine, Calmon tinha um domínio da fala, da voz e do corpo, fazendo crível sua cientista Melissa, par do apicultor Roger, na pele do cativante Thiago Ledier.

Pois eis que, por ironia do destino, logo quando acerta, Renata Calmon precisa deixar a obra duas semanas antes de a temporada terminar. Vai para um novo projeto, com o mesmo Eric Lenate parceiro de cena em No Coração do Mundo, agora na função de seu diretor.

Sem sua protagonista feminina, a Zé Henrique de Paula nada restava fazer a não ser substituí-la nas duas semanas derradeiras. E escalou a atriz Bruna Thedy para a difícil missão.

O R7, que viu a obra com Calmon em seu penúltimo dia em cena (leia a crítica), resolveu voltar na sessão desta terça (14), para ver o desempenho de Thedy no papel.

A primeira percepção é que, apesar do texto de inteligente e provocativo, a direção propositiva e a luz poética de Fran Barros, a chave do êxito da montagem estava na química que existia entre Calmon e Ledier.

E a conclusão: sem Calmon, a obra não funciona. Bruna Thedy tem o mérito de fazer sua Melissa completamente diferente, de não tentar copiar o que a colega fazia, até porque seria impossível. O problema é que sua Melissa não conquista e não convence.

A atriz comete o mesmo erro de Calmon em No Coração do Mundo: escolheu um registro fora do tempo da obra, e parece sozinha e abandonada, enquanto Thiago Ledier aparenta não saber o que fazer com aquela situação e liga o piloto automático, o que deixa a obra mais complicada.

Se o público ria à beça na sessão com Calmon, na última, parecia não conseguir entrar na história. Um clima de tensão pairava no ar. Faltava viço, faltava cor.

Se Calmon demonstrava cenicamente entendimento perfeito das reiterações de situações propostas pelo texto e pela direção, Bruna Thedy parece desconhecer as nuances no dizer que dariam sentido à montagem.

A atriz escolhe ir por um perigoso caminho superficial, deixando o espectador saudoso da segurança com um quê de arrogância que Calmon dava ao papel.

E, talvez, fosse exatamente por isso que o personagem de Ledier, como um cachorrinho aos pés da amada, ganhava o colo (e a torcida) do público, sensibilizado com as situações patéticas daquele rapaz convincentemente apaixonado.

O recado que esta substituição de Renata Calmon por Bruna Thedy dá é que o teatro é arte viva. Não é apenas técnico. Atores não são peças que podem ser substituídas assim, no meio de um processo. Pelo menos, se não for encontrado outro esteja à altura do desempenho anterior, ou então, que apresente proposta mais interessante. O que, infelizmente, não é o caso.

Universos
Quando: Quinta (16), às 21h. 70 min. Último dia.
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

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Universos   Foto Ronaldo Gutierrez 1 Crítica: Universos brinca com vida que podemos ter

Thiago Ledier e Renata Calmon: casal cheio de química na peça Universos - Foto: Ronaldo Gutierrez

Por Miguel Arcanjo Prado

O que de fato é real? Qual o limite de sustentação de uma relação? Qual o peso de pequenas ações cotidianas na construção de nosso destino? Qual o limite de nossa racionalidade diante do amor?

Questionamentos como estes são plausíveis ao espectador que assiste ao espetáculo Universos, em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, em São Paulo. A montagem é a primeira de uma trilogia sobre o amor capitaneada pelo diretor Zé Henrique de Paula.

Paula volta a investir em um teatro urbano e questionador, dessa vez com o mais recente texto do jovem dramaturgo britânico Nick Payne, que mistura física quântica e amor em seu enredo. Com uma montagem dinâmica e cheia de reiterações, o diretor acaba fazendo uma homenagem ao próprio fazer teatral.

A peça mostra os encontros e desencontros do casal formado pela cientista Melissa (Renata Calmon) e o apicultor Roger (Thiago Ledier), após se conhecerem em um churrasco de amigos. Esta quinta (2), é o último dia de Renata Calmon na peça. A partir de terça (7), Melissa passa a ser papel da atriz Bruna Thedy.

Como pano de fundo para as idas e vindas do casal, em cortes precisos no tempo/espaço em inventiva solução da direção, o espetáculo aborda ainda a constante perda de memória de Melissa. Nisso, faz referência sutil ao filme Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet em 2004. O cabelo vermelho de Calmon é o mesmo de Winslet e o pôster do filme fica escondido em meio aos badulaques do apartamento de Melissa.

Por falar no apartamento, a cenografia de Zé Henrique de Paula é coesa ao aglutinar em cada canto do palco a morada de cada personagem – na verdade, amontoados de objetos que fazem sentido a cada um deles –, fazendo do sofá, ao centro do palco, o ponto de encontro. O piso também integra os ambientes, com uma estampa que tanto pode simbolizar átomos estudados por Melissa quanto colmeias cultivadas por Roger.

Os figurinos, também assinados pelo diretor, ajudam na construção da passagem de tempo, representando o desenrolar daquela história em diferentes estações do ano. Em contrapartida, a luz de Fran Barros, ao dialogar o tempo todo com o que se passa no palco, impulsiona os sentimentos dos espectadores, que torcem para que aquele romance dê certo.

O casal de atores tem química que faz o espetáculo crescer além da proposta do autor e do diretor. Thiago Ledier envolve o público com seu personagem, uma espécie de representação da fragilidade masculina diante de uma mulher emancipada. O ator é preciso, claro e comovente em sua simplicidade, como quando faz a cena na qual pede a mão de Melissa em casamento.

Também em boa atuação, Renata Calmon, por sua vez, além do domínio do texto – traduzido por ela mesma –, demonstra segurança cênica que deixa sua personagem ainda mais forte, mesmo diante da fragilidade de uma doença. E ainda é preciso ressaltar a voz lapidada que a atriz apresenta nesta obra, seduzindo a audição de quem ouve.

Universos é uma peça simples e complexa ao mesmo tempo, como é a vida, ou as versões que fazemos dela. É uma peça na qual se pode rir e chorar. E, ao fim, chegar à conclusão de que as pequenas decisões cotidianas são as peças fundamentais que constroem ou derrubam a nossa realidade.

Avaliacao Muito Bom R7 Teatro Crítica: Universos brinca com vida que podemos ter

Universos
Avaliação: Muito bom
Quando: Terça, quarta e quinta, às 21h. 70 min. Até 16/5/2013
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Nota do Editor: a partir da próxima terça a personagem Melissa será feita pela atriz Bruna Thedy.

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experimental eduardo enomoto2 R7 invade ensaio da peça <i>Universos</i>, que estreia nesta terça no Teatro do Núcleo Experimental

Zé Henrique de Paula conversa com Renata Calmon e Thiago Ledier no ensaio - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

O Atores & Bastidores do R7 resolveu dar uma passada rápida no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, onde estreia nesta terça-feira (26) o espetáculo Universos.

Encontramos o diretor Zé Henrique de Paula dando as últimas dicas para os compenetrados atores Renata Calmon e Thiago Ledier, que atuam na nova montagem do espaço eleito pelos internautas o Melhor Teatro R7 de 2012.

Como avisamos de nossa passagem de última hora, resolvemos não interferir muito no trabalho dos meninos, e deixá-los à vontade para acertar os últimos detalhes para a estreia.

A obra inaugura a nova trilogia do grupo, que agora falará de amor. A última trilogia foi baseada na guerra, com as peças Mormaço, No Coração do Mundo e Troianas. Além de Universos, a nova trilogia do amor terá ainda Ou Então Você Podia Me Beijar, de Neil Bartlett, e Nossa Música, de Abi Morgan. Todas vão estrear no espaço até o fim do ano.

Quem assina o texto é o jovem dramaturgo inglês Nick Payne, com tradução de Renata Calmon. A atriz interpreta Melissa, uma cientista que se aproxima do apicultor Roger (Ledier).

Paula mantém sua turma, com Fernanda Maia na direção musical, Inês Aranha na preparação do elenco e Cy Teixeira, que assina os figurinos com ele, também autor da cenografia. Herbert Bianchi faz a assistência de direção, e Fran Barros, a iluminação. A produção está a cargo de Sergio Mastropasqua e Claudia Miranda.

O diretor afirma que utilizou até conceitos da física para a montagem, como a "teoria da entropia, que afirma que o universo tende a caminhar da ordem ao caos".

experimental eduardo enomoto R7 invade ensaio da peça <i>Universos</i>, que estreia nesta terça no Teatro do Núcleo Experimental

O diretor Zé Henrique de Paula observa Renata Calmon e Thiago Ledier em cena - Foto: Eduardo Enomoto

Universos
Quando: terça a quinta, às 21h. 70 min. Estreia em 26/2/2013. Até 25/4/2013.
Onde: Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Barra Funda, Metrô Marechal Deodoro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-0898)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada e público cadastrado)
Classificação etária: 12 anos

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cabaret bob sousa1 Crítica: <i>Cabaret   E o Tal Mundo Não se Acabou</i>, do Núcleo Experimental, quase chega lá

Elenco de Cabaret - E o Tal Mundo Não se Acabou posa no Núcleo Experimental - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

As mazelas fazem parte da vida de um artista assim como da de qualquer ser humano. Contudo, o público sonha em acreditar que a vida daqueles que estão no palco é diferente, embarcando profundamente na ilusão que teatro proporciona.

E é essa magia o ponto forte do gênero cabaret, que teve sua maior força na Europa do século 20, assolada pelas duas Grandes Guerras Mundiais. Se o ar, por conta de disputas políticas e bélicas, estava irrespirável naquele então, os artistas noturnos serviam para criar uma atmosfera de ilusão e festa, mesmo que esta durasse apenas até a manhã seguinte.

Com dramaturgia de Thiago Ledier e direção de Fernanda Maia, Cabaret – E o Tal Mundo Não se Acabou busca esse clima de show de variedades. E coloca como pano de fundo a brincadeira, ainda pertinente, com o não-fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, conforme teriam previsto os maias.

Como boa diretora musical que é, Fernanda consegue dar mais brilho às vozes, com os arranjos simples e certeiros, porque nem todos cantam a contento. Já as coreografias, simplórias por demais, não chegam a chamar a atenção. Alguns corpos parecem perdidos em cena, mesmo quando não é o objetivo.

Apesar de tentar embarcar na leveza do gênero, a dramaturgia envereda por um ambiente bem mais denso. Mas os textos poéticos perdem força ao serem ditos em tom declamatório por boa parte do numeroso e irregular elenco, formado por Adriana Alencar, Adriana Fonseca, Aretê Bechelli, Bibi Piragibe, Bruno Gael, Claudia Miranda, Cy Teixeira, Danilo Rodriguez, Juliana Calderón, Nabia Villela, Natasha Sonna, Priscilla Oliva, Rafaela Cassol, Thiago Carreira, Tony Germano, Valmir Martins e Vivi Bertocco.

Assim, após um rodopiar de belas mulheres com figurino provocante, o público pode ser bofeteado com um cru relato de abuso sexual infantil. Nada mais desconcertante. Não bastasse, o tom festivo mantido depois às duras penas acaba por banalizar o que foi dito.

O Núcleo Experimental é um dos melhores espaços teatrais da cidade, sempre com vasto repertório de peças intimistas e provocantes. A grande máxima do espaço é manter o lugar vivo com uma troca constante de montagens. E inovar sempre implica em correr riscos. Às vezes, não dá tão certo. Cabaret – E o Tal Mundo Não se Acabou foi uma tentativa de o grupo se aproximar de um gênero difícil. Quase chegaram lá.

Cabaret – E o Tal Mundo Não se Acabou
Avaliação: Regular

 

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eric lenatecoracao mundo8 Bob Sousa Afeganistão invade teatro na Barra Funda, em SP

Eric Lenate, o Melhor Ator R7 de 2012, é o grande destaque de No Coração do Mundo - Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado

O Teatro do Núcleo Experimental, eleito o Melhor Teatro de 2012, em votação feita no R7, abre sua programação em 2013 com uma nova temporada do espetáculo No Coração do Mundo, dirigido por Zé Henrique de Paula, eleito o Melhor Diretor do último ano.

A montagem traz no elenco outro premiado, Eric Lenate, que levou como Melhor Ator. Com reconhecido talento, ele dá vida a um esperto afegão na montagem do texto de Tony Kushner.

chris couto coracao mundo3 Bob Sousa Afeganistão invade teatro na Barra Funda, em SP

Chris Couto vive inglesa atormentada - Foto: Bob Sousa

O enredo conta a história de uma senhora inglesa (Chris Couto), que abandona a família para uma viagem misteriosa ao Afeganistão (leia aqui a crítica).

A peça será apresentada às terças, quartas e quintas, às 21h, entre 15 de janeiro e 7 de fevereiro de 2013, no Teatro do Núcleo Experimental (r. Barra Funda, 637, Metrô Marechal Deodoro, tel. 0/xx/11 3259-0898). O ingresso custa R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entrada.

Novos textos e debates

Além da peça, haverá ainda uma mostra de leituras de novos textos sobre o Afeganistão. Serão quatro textos britânicos, que serão lidos em dois dias: 28 de janeiro e 4 de fevereiro, sempre às segundas, às 20h, com entrada gratuita. Ao fim, haverá debate com o público. 

No dia 28 de janeiro, será apresentada a peça A Linha Durand, com tradução e direção de Thiago Ledier. No elenco, estão Sergio Mastropasqua, Zé Roberto Jardim e Mateus Monteiro. No mesmo dia, Eric Lenate dirige Agora É a Hora, que terá a atriz Revelação em 2012, Bárbara Bonnie, além do premiado Lee Taylor no elenco que conta ainda com Riba Carlovich e Léo Bertero. 

Já no dia 4 de fevereiro, Caroline Fioratti dirige Minissaias de Cabul, com Patrícia Pichamone e Mário Bortolotto. No mesmo dia, Inês Aranha dirige O Leão de Cabul, com Adriana Alencar, Rodrigo Caetano, Laerte Mello e Jorge Minicelli. 

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