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leticia coura foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

A atriz e cantora Letícia Coura: ela gosta de samba, e de teatro também - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

A mineirinha de Belo Horizonte Letícia Coura é uma das figuras emblemáticas do teatro paulistano. Na cidade há mais de 20 anos, logo se misturou à turma do palco e também ao pessoal da música. Transita pelas duas áreas com todo o conforto do mundo.

Ela integra o grupo Revista do Samba, que acaba de lançar seu quinto disco, Samba do Revista. O trio, que ainda tem Vitor da Trindade e Beto Bianchi, é considerado referência em seu estilo musical. Além de cantora, também é atriz e integra o elenco do Teat(r)o Oficina dirigido por Zé Celso.

Agora em setembro, estará com o grupo no Mirada, o Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos, apresentando a peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, na qual vive a atriz Cleyde Yáconis, mais uma personagem emblemática para seu currículo, onde já figura Tarsila do Amaral.

Letícia recebeu o Atores & Bastidores do R7 para esta Entrevista de Quinta em uma tarde de sol no Teat(r)o Oficina, no Bixiga, região central de São Paulo.

Ao contar sua história, explicou sua batida perfeita entre a música e o teatro. E ainda revelou seu projeto futuro: construir a discografia das músicas das cinco décadas do Oficina.

Leia com toda a calma do mundo.

leticia coura foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

Letícia Coura e seu cavaquinho: ela quer construir a discografia do Teat(r)o Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você é de Belo Horizonte, né?
Letícia Coura — Sim, mas já estou tanto tempo aqui em São Paulo que, às vezes, parece que minha vida em BH foi em outra encarnação [risos]. Meus pais eram do interior de Minas, meu pai era desembargador e minha mãe, contadora.

Miguel Arcanjo Prado — Como era quando criança?
Letícia Coura — Era a mais animada da sala, na festa junina, então, era emprestada para as quadrilhas das outras salas. Sempre gostei de música. Fiz violão clássico, depois passei para o popular, cantei em coral... Como cantora sou ótima atriz e como atriz sou uma ótima cantora [risos].

Miguel Arcanjo Prado —E quando chegou a hora do vestibular?
Letícia Coura — Escolhi comunicação na UFMG, sou sua colega de curso. Tenho uma irmã médica e um irmão arquiteto. Já estudava música, mas fiz comunicação. Na época da faculdade, comecei a fazer performance e vídeo. Fiquei um ano fora, morei em Genebra e Londres, e um pouquinho na França. Lá na Suíça toquei numa banda. Estudei inglês, viajei...

Miguel Arcanjo Prado — E foi bom dar este tempo?
Letícia Coura — Foi bom sair de casa, porque me virei sozinha. Trabalhei em restaurante, essas coisas. Ir para a Europa me fez ver que eu era ligada à cultura brasileira. Vi que conhecia muito a música brasileira. E quis voltar para o Brasil.

leticia coura foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

Letícia Coura nasceu em Belo Horizonte, morou na Europa, mas foi parar em SP - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado —Aí você terminou o curso na Fafich [Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG]?
Letícia Coura — Terminei, fiz jornalismo e publicidade. Acho que fiz curso superior porque disseram para mim que se um dia eu fosse presa teria direito à cela especial [risos].

Miguel Arcanjo Prado — E o que você fez?
Letícia Coura — Abri uma produtora com amigos lá em BH. Aí fiz um concurso para ser jornalista do Tribunal do Trabalho e passei. Acho que foi a única felicidade que dei para a minha mãe [risos].

Miguel Arcanjo Prado — Mãe mineira adora ver filho passando em concurso público [risos]. E aí você virou servidora?
Letícia Coura — Sim. Mas este trabalho me possibilitou fazer um monte de coisa que tinha vontade. Estudei dança, fiz balé, gafieira, dança afro...E continuei na música. Era um trabalho que não atrapalhava... Tive muita influência do Clube da Esquina, comecei a fazer shows pelo DCE [Diretório Central dos Estudantes da UFMG]. Aí resolvi pedir transferência para São Paulo.

Miguel Arcanjo Prado — E conseguiu?
Letícia Coura — Sim. Cheguei em São Paulo em 1991. No começo, me dava uma angústia, sabe. Aí no prédio em que fui morar tinham dois músicos. Comecei a fazer a ULM [Universidade Livre de Música] e montei um show com o Chico Amaral [compositor mineiro, parceiro em vários sucessos do Skank] lá em BH. Ficava um pé lá, outro pé cá.

Miguel Arcanjo Prado — E o teatro?
Letícia Coura — A Titane [cantora mineira] estava morando em São Paulo e me indicou para fazer uma peça com a Beatriz Azevedo, porque ela precisava de uma cantora. Chamava-se I Love. Fizemos turnê em Campinas e tudo!

leticia coura foto bob sousa1 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

Foi ao ver peça do Oficina com Raul Cortez que Letícia ficou cativada pelo grupo - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E o Oficina?
Letícia Coura — Morava na rua Vergueiro e fui ver As Boas do Oficina no Centro Cultural São Paulo, com o Raul Cortez no elenco. Era tão bonito! Lembro que pensei: ainda bem que me mudei para esta cidade que tem uma peça como essa. Aí a Beatriz me chamou para ir num ensaio de Hamlet, no Oficina. Lembro que era um Domingo de Ramos. Neste dia conheci o Zé [Celso, diretor do Oficina]. E aí acabei entrando para o Oficina e larguei o emprego no Tribunal do Trabalho.

Miguel Arcanjo Prado — Foi uma decisão difícil?
Letícia Coura — Foi. Estava tudo muito puxado, ensaios. E vi que não queria mais. Pedi para sair e não me arrependi. Já estava ligada ao teatro, então tive de fazer uma opção. É claro que de grana foi complicado. Comecei a dar aula de canto e aquilo me abriu um mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Você resolveu investir na música?
Letícia Coura — Sim. Gravei o disco Bambambã, que é um disco com interpretações bem teatrais. Fiz turnê. Também fiz as Bacantes, no Oficina, na virada de 1999 para 2000. Depois, fui fazer peça no Satyros. Fiz a primeira peça com eles na praça Roosevelt. Lembro do Rodolfo [García Vázquez, diretor do Satyros] passando cera no chão antes de o teatro abrir [risos]. Conheci o Ivam [Cabral, ator] quando eles estavam voltando de Portugal. Ele tinha trazido um autor francês, Bernard-Marie Koltés e eu havia feito a tradução. Fizemos Retábulo da Avareza, Luxúria e Morte, no elenco tinha o Ivam, a Patrícia Vilela, o Daniel Gaggini, o Tadeu Perroni...

leticia coura foto bob sousa5 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

Letícia Coura integra o trio Revista do Samba, reconhecido até na Europa - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Ainda não tinha a Phedra D. Córdoba?
Letícia Coura — Não! Eu lembro do dia em que a Phedra foi ver o Retábulo pela primeira vez. Lembro que o Ivam ficou todo intrigado, perguntando quem era aquela senhora [risos]... Depois a Phedra fazia ótimas apresentações no bar dos Satyros!

Miguel Arcanjo Prado —E a música?
Letícia Coura — Aí lancei meu segundo disco, Vian, em um show no Satyros, com direção do Rodolfo, com os poemas do autor francês Boris Vian musicados. O Ivam foi muito importante nesta época e fazia o show comigo, criamos juntos. Era em linguagem de cabaret. Foi uma época boa... O Satyros tinha coisa a semana inteira. Quando não fazia meu show, ficava na bilheteria. Depois, montei a Revista do Samba, que é o trio no qual estou até hoje ao lado do Vitor da Trindade e do Beto Bianchi. Foi a gente que fez o show da reabertura do Bar Brahma, na clássica esquina da Ipiranga com São João.

Miguel Arcanjo Prado — O grupo tem muito prestígio.
Letícia Coura — Olha, gravamos o primeiro disco, Clássicos do Samba, e logo fizemos turnê na Europa. O segundo disco, Outras Bossas, só saiu na Europa. Em 2005, fizemos o projeto Revista Bixiga Oficina do Samba, resgatando sambas paulistanos e trabalhando com as crianças do bairro.

Miguel Arcanjo Prado — E aí você passou a se dividir entre o grupo e as peças do Oficina?
Letícia Coura — Sim. Fiz Os Sertões, O Banquete, tudo... Neste ano, em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, que agora vamos apresentar no Mirada, lá em Santos, faço a Cleyde Yáconis. Já fiz também a Tarsila do Amaral... São personagens muito ricas e emblemáticas. Sempre trabalho a música dentro do Oficina. E sabe qual é o meu grande sonho?

Miguel Arcanjo Prado — Qual?
Letícia Coura — É um dia consegui fazer a discografia inteira das peças do Oficina. Porque a história musical do grupo é muito rica e merece ser registrada para o futuro.

leticia coura foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: Quero fazer a discografia do Oficina, diz atriz e cantora Letícia Coura

A cantora e atriz Letícia Coura, no Teat(r)o Oficina: onde une teatro e música - Foto: Bob Sousa

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ze celso bob sousa2 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

O fundador e diretor do Teat(r)o Oficina, José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, à vontade, no banheiro de seu apartamento, em São Paulo, onde deu entrevista ao R7 - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

O sol começa a cair quando Bob Sousa e eu chegamos ao Teat(r)o Oficina, no número 520 da rua Jaceguai, no Bixiga, para entrevistar e fotografar José Celso Martinez Corrêa, um dos maiores diretores teatrais do Brasil e do mundo. Ele ainda não está.

Otto Barros, diretor de cena do grupo, nos convida a entrar. Acomodamo-nos na arquibancada criada por Lina Bo Bardi, para quem a nova peça é dedicada por conta do centenário de nascimento da arquiteta. Uma porta se abre. Ainda não é o Zé, mas a atriz Nash Laila, que logo vai para o fundo do teatro e se deita no chão. Esperamos.

Pouco depois, aparece Beto Mettig, assessor do grupo, com o aviso urgente: Zé não virá mais ao Oficina nos ver. O convite agora é irmos ao seu encontro, em seu apartamento, no Paraíso, onde ele nos aguarda. Corremos para lá.

Zé Celso desce no elevador até o hall para nos receber. Dá abraços e beijos. Conta que o lê o blog e nos diz: "Até que enfim o teatro tem vocês, gente que gosta de teatro". Ficamos lisonjeados. O elevador chega no seu andar, e ele nos convida a entrar no apartamento.

Mineiramente, peço licença. Logo, Zé nos conduz, enquanto diz: "Separei um lugar incrível para fazermos a entrevista". Abre a porta de seu banheiro. E começa a dirigir: "Miguel, você se senta aí, na privada. E eu fico aqui, nesta cadeira. Bob fique à vontade para fazer as fotos".

No bate-papo, repleto de inteligência e visão minuciosa de tudo ao redor, Zé Celso falou, sobretudo, de sua nova peça, Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada, ou apenas Cacilda 5, que estreia neste sábado (26) — veja serviço ao fim da entrevista — com mais um capítulo da odisseia do Oficina sobre Cacilda Becker (1921-1969).

A montagem faz do embate entre as atrizes Cacilda Becker e Tônia Carrero no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) uma alegoria do teatro brasileiro, aproveitando para dar sua visão artística a temas atualíssimos, que vão desde a ambição da especulação imobiliária, que coloca abaixo o pouco de poesia que restou em São Paulo, entulhando a Selva de Pedra com mais espigões, até a tão falada temporada paulistana de The Old Woman - A Velha, peça de Bob Wilson com Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe.

Nada fica distante do olhar atento de Zé Celso, reconhecido no mundo como um dos gênios do teatro. E o melhor: ele é nosso e faz da cultura brasileira seu principal material artístico. Aos 77 anos, está à frente do Oficina desde 1958.

Zé Celso deu também seus pitacos em outros temas. Falou da recente Copa do Mundo, do avião que caiu na Ucrânia e da sangrenta guerra entre Israel e Palestina. Além de revelar em quem pretende votar para presidente na próxima eleição e qual peça deseja montar em breve.

Leia com toda a calma do mundo.

ze celso bob sousa11 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

Zé Celso conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado em seu banheiro - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Como está Cacilda 5?
José Celso Martinez Corrêa —
Estava tudo um caos, mas aí tive uma inspiração. Esta peça foi uma loucura, porque tivemos só um mês e meio para ensaiar. Então, nesta terça-feira, chegamos ao ensaio geral e estava todo mundo sem o texto, ninguém tinha decorado direito. Aí, percebi que estava com medo, apavorado. E a pior coisa que existe é o medo. Foi aí que entendi que devíamos assumir tudo isso. Então, transformei o espetáculo no show do vexame. Porque entendi que o obstáculo maior para o artista é a paranoia. Resolvi radicalizar mesmo: a peça é um grande ensaio.

Miguel Arcanjo Prado — Como é a peça?
José Celso Martinez Corrêa —
Os artistas estão se preparando para um ensaio de Seis Personagens à Procura de um Autor, de Pirandello, no novo TBC, que eu chamei de Teatro Berrini de Comédia. Sabe esses teatros chiques que estão por aí?.... Então, é como se fosse uma dessas superproduções. Tipo um Bob Wilson... Aí, o teatro é invadido pelos Coros de Pega Fogo das ruas do mundo. Os personagens do TBC têm desejo de atuação, querem exercer poder da presença... Eles estão em busca da  própria encenação da peça. Com a chegada da Tônia Carrero, as coisas mudam; Cacilda vai vê-la ali, linda e também apaixonada pelo teatro, e ainda como o novo amor de Adolfo Celi. É uma barra. É quando Cacilda sai do TBC e vai para os novos caminhos da sua odisseia...

Miguel Arcanjo Prado — Como está o elenco?
José Celso Martinez Corrêa —
O elenco está ótimo, eles têm uma força descomunal! A Camila Mota e a Sylvia Prado vão fazer a Cacilda novamente, são duas atrizes excelentes, estão fazendo cenas incríveis. Eu me emociono sempre quando vejo.

Miguel Arcanjo Prado — O que você acha do Bob Wilson?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu gosto do Bob Wilson, mas o que ele é na verdade é um artista plástico do teatro, ele faz quadros. Eu sou do te-ato.

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O diretor Zé Celso, logo após a entrevista em seu apartamento, mostra fotos da história do Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E o que vai acontecer com o "Teatro Berrini de Comédia" da peça?
José Celso Martinez Corrêa —
E esse teatro será invadido pelos Pega Fogo das Ruas, junto do público. O Marcelo Drummond está fantástico como o diretor que fará testes com os atores. Esse teatro comercial que é feito por aí... Eu mesmo fiz uma novela na Globo para ver o que era [Cordel Encantado, em 2011]. Não gostei da experiência! Fiquei pensando que com todo aquele aparato técnico eles poderiam fazer coisas incríveis! Mas, não, fazem aquela coisas... Nesta cena vamos usar o janelão, que fica do lado oeste do Oficina, que dá para a rua da Abolição. Vai ter uma névoa... Os personagens, os artistas do antigo TBC, o coro de Pega Fogo das Ruas vão todos se misturar, numa quebra de classes. Vamos mostrar a Cacilda no momento em que veio a Tônia Carrero para competir com ela. A Tônia será a atriz Joana Medeiros, que também está fantástica. Imagina isso, a Cacilda viu de repente a figura da Tônia ao lado dela e precisou reagir. O Roderick Himeros fará o Adolfo Celli, que vai se apaixonar pela Tônia. Ele está ótimo também, numa construção muito linda.

Miguel Arcanjo Prado — Vocês dedicam a peça a Lina Bo Bardi?
José Celso Martinez Corrêa —
Sim! Isso é muito importante de ser dito. A peça celebra o centenário da Lina [arquiteta que criou a sede do Tea(r)o Oficina e também criou o prédio do Masp]. A Lina dizia que o Oficina-Terreiro era o "Chão de Terreiro com as Galerias do Teatro Scala de Milano, dando para as catacumbas di Silvio Santos". Vamos iluminar o público por trás, com grandes holofotes, para concretizar a visão dela.

Miguel Arcanjo Prado — Você gosta de estreia?
José Celso Martinez Corrêa —
Estreia é o pior público que existe! Vamos estrear um grande ensaio, que vai ir crescendo, junto ao público, até atingir a beleza, com a multidão. Os meninos falaram de chamar todo mundo. Eu não sei o que vai ser. A peça vai ser um grande ensaio com o público. Ela vai mudando a cada apresentação.

Miguel Arcanjo Prado — O que você achou da Copa do Mundo no Brasil?
José Celso Martinez Corrêa —
A Copa trouxe o humor de volta, tinha uma leveza no ar. Pelo menos até o 7 a 1 na semifinal. Eu achei a Copa ótima. Acho um absurdo quererem dizer que a Copa deu errado, tentarem jogar a culpa na Dilma. É claro que o 7 a 1 é inesquecível, mas faz parte do esporte e foi uma espécie de revelação de Exu. Porque os alemães bateram o tambor lá na Bahia... Eles entraram usando vermelho e preto no campo. Isso foi um sinal. Agora, temos o Dunga de técnico outra vez. O Brasil precisa mesmo é de um técnico estrangeiro, que venha para cá e mergulhe na nossa antropofagia. Que faça o que aconteceu com o TBC, que trouxe diretores estrangeiros para mergulharem na nossa cultura antropofágica oswaldiana. Porque hoje falta aquela malemolência do nosso futebol. E isso foi trazido pelos negros, esse modo de jogar com arte. E é preciso dizer que quem começou a valorizar essa herança africana no nosso futebol foi Nelson Rodrigues e sua família. Antes, era um prazer ver um jogo de futebol. Era lindo. Hoje, é aquela coisa fria, truncada, uma dureza... A gente tem de redescobrir aquele futebol que era um verdadeiro espetáculo. Até porque o futebol é o verdadeiro espetáculo do mundo. O Cristiano Ronaldo no chão, fazendo aquelas caras...

ze celso bob sousa4 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

Zé Celso gostou da Copa, mas detestou a abertura; revelou: votará em Dilma - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E o que você achou da abertura da Copa?
José Celso Martinez Corrêa —
Aquilo foi um horror! Uma vergonha! O Brasil que tem as escolas de samba, o Boi-Bumbá, aquela festa linda em Parintins, lá na Amazônia, apresentar aquela pobreza, aquela coisa sem graça. No encerramento, até que melhorou um pouquinho, porque trouxeram um pouco do Carnaval e da escola de samba, mas não chegou perto da riqueza gigante da cultura brasileira. A cultura popular brasileira é genial, é única, é exuberante!

Miguel Arcanjo Prado — E a vaia que a Dilma levou?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu acho que a Dilma deveria ter assumido aquela vaia, e não ficar retraída, com medo. Quando ela aparecia na TV dava para ver a bílis no rosto dela. Toda travada. Aquela outra, não, a Angela Merkel, da Alemanha, ela até sorria. Tudo bem que ela estava ganhando, mas ela estava muito mais leve. Agora, a Dilma estava com muito medo. Ela precisa parar com isso! Eu adoraria dirigir a Dilma! Ela deveria ter recebido a vaia de braços abertos, com gozo. Ainda mais por ser uma vaia daquela arquibancada, que é a elite branca, nervosa porque ela governou para a outra classe mais pobre. Então, ela deveria ter recebido aquela vaia como um elogio. É vaia que temos? Então, podem me vaiar! [abre os braços, sorrindo]

Miguel Arcanjo Prado — Em quem você vai votar nas eleições para presidente?
José Celso Martinez Corrêa —
Eu vou votar na Dilma. Não porque seja do PT, porque não sou de partido nenhum. Mas, porque o PT ainda mantém um diálogo com o social, com a cultura. O PSDB não faz isso. É um horror a relação que os tucanos têm com a cultura e com o teatro. E a água em São Paulo que está acabando? Eu não tomo mais essa água do volume morto. Nós vamos ficar sem água! Isso parecia uma coisa distante, mas é agora!

Miguel Arcanjo Prado — E como anda a questão do terreno no entorno do Oficina que ainda pertence ao Grupo Silvio Santos?
José Celso Martinez Corrêa — O Juca Ferreira [secretário municipal de Cultura de São Paulo] está fazendo um bom trabalho. Para mim, a reabertura do Cine Belas Artes no último fim de semana foi um grande marco, com aquela gente toda em frente, abraçando o cinema. Foi lindo, eu me emocionei muito. O novo Plano Diretor de São Paulo prevê a criação de um corredor cultural no Bixiga, um enorme caminho da cultura que vai passa pelo Oficina, o TBC, a Vai-Vai. Espero que haja a troca do terreno, parece que vão conseguir um para o Grupo Silvio Santos perto do SBT, naquela região da rodovia Anhenguera, que é linda, mas não vai ser preservada, o que é uma pena. O do entorno do Oficina ficaria para a cultura. Mas a gente nunca tem certeza do que vai acontecer... A especulação imobiliária é o Creonte dos dias de hoje, tanto que fiz um Creonte especulador na peça, que está sendo feito brilhantemente pelo Marcelo Drummond. A especulação é o grande mal do mundo de hoje! Está um absurdo. Muitos grupos teatrais estão sofrendo com isso. Mas isso também fez com que os teatros que são vítimas da especulação se juntassem. Somos dez grupos unidos nesta guerra. Estamos caminhando juntos nisso. E isso é lindo, é igual à união que houve na França nos anos 1920 que reergueu o teatro francês. O terreno no entorno do Oficina tem de ser da cultura!

Miguel Arcanjo Prado — Como você vê a Guerra entre Israel e Palestina?
José Celso Martinez Corrêa —
Acho um horror o que está acontecendo agora na Palestina. Aquilo é um verdadeiro massacre dos palestinos. Aquilo parece Guerra de Troia, um massacre de um povo, matando todo mundo, não deixando vivos nem crianças, mulheres e velhos, para não deixar rastro, para não sobrar nenhum. E ainda eu fico horrorizado ao ver declarações absurdas de autoridades israelenses defendendo o massacre da população palestina, dizendo que tem de matar mesmo. O horror! E esse avião agora que foi abatido na Ucrânia cheio de passageiros, daquele jeito? As coisas estão terríveis...

Miguel Arcanjo Prado — Você tem algum novo projeto de espetáculo em mente?
José Celso Martinez Corrêa —
Quero fazer Senhora dos Afogados, do Nelson Rodrigues, que tem a família Drummond, um sobrenome mineiro como você.

ze celso bob sousa5 Entrevista de Quinta, no banheiro, com Zé Celso: Transformei medo em espetáculo, diz diretor

"Quero fazer Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues", diz Zé Celso - Foto: Bob Sousa

Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada (Cacilda 5)
Quando: Sábado e domingo, 19h. De 26/7/2014 a 14/9/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do Bixiga com comprovante de residência)
Classificação etária: 14 anos

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alessandro ubirajara foto bob sousa2 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Ator, artista plástico e chef: Alessandro Ubirajara cuida da comida do Oficina - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos BOB SOUSA

As peças do Teat(r)o Oficina exigem muito fisicamente de seus artistas. Nos espetáculos-ritual comandados por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, estar com vigor é fundamental.

No coro do grupo, um ator sempre se destacou, por sua intensidade: Alessandro Ubirajara. Com o tempo, um outro talento do jovem, que também é artista plástico, conquistou o paladar de seus colegas: as comidinhas que ele trazia para o camarim, todas minuciosamente preparadas.

Há um ano, resolveu que teria de ser um artista a comandar o posto de alimentar os artistas do Oficina. E assumiu o posto de chef do grupo.

Gaúcho radicado em São Paulo desde 2007, Ubirajara desenvolve pesquisa potente e pioneira sobre a comida no teatro. De forma antropofágica, diz: “Misturo cheiros e sabores para alimentar artistas”.

Quem quiser provar seu tempero pode ir hoje ao Jantar Orgânico que ele vai promover no restaurante A Leiteria da Canastra, no Butantã, zona oeste de São Paulo [veja serviço ao fim].

Em uma tarde de inverno no Oficina, Ubirajara conversou com o Atores & Bastidores do R7 nesta Entrevista de Quinta sobre este seu momento e também contou sua trajetória. Artimanha do destino, revelou que conheceu Zé Celso na Polícia Federal, onde trabalhava no setor de passaportes.

Leia com toda a calma do mundo.

alessandro ubirajara foto bob sousa3 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Radicado em São Paulo desde 2007, o gaúcho Alessandro Ubirajara é artista de diversas frentes; atualmente, busca aliar a alimentação saudável ao teatro no Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado —Por que Ubirajara?
Alessandro Ubirajara — Meu pai também é Ubirajara. Meu avô lia muito José de Alencar [risos].

Miguel Arcanjo Prado — De onde você é? Quem é sua família?
Alessandro Ubirajara — De Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul, bem perto da fronteira com o Uruguai. Lá faz muito frio. Até neva... Sou o mais velho da Maria do Carmo e do Charlei Ubirajara, meus pais. Tenho avó japonesa, avô negro do Uruguai, e também sangue italiano, alemão e índio.

Miguel Arcanjo Prado — Isso é que é antropofagia. E o que você queria ser quando crescesse?
Alessandro Ubirajara — Artista plástico. Tanto que me formei na área lá em Porto Alegre. Morei muito tempo em Sapucaia, que é perto. Meu avô era agente ferroviário. Cheguei a morar em muitas estações de trem. Sempre mudei muito.

Miguel Arcanjo Prado — Como você era quando pequenino?
Alessandro Ubirajara — Eu gostava de desenhar, colorir, pintar. Meu apelido na escola era Pintor. Todo mundo em Sapucaia lembra quando eu pintei o túnel da cidade...

Miguel Arcanjo Prado — E como você chegou em São Paulo?
Alessandro Ubirajara — Foi em 2007. Sempre ouvia falar daqui, do Masp, da Pinacoteca, da USP. Queria muito viver em São Paulo. Mas, cheguei tão ingênuo que fui nas galerias com uma pastinha na mão apresentar meus trabalhos, achando que iria expor de cara.

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Alessandro Ubirajara mudou-se para São Paulo com uma pasta debaixo do braço - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Levou muitos nãos?
Alessandro Ubirajara — Sim. Só a Casa da Xiclet, na Vila Madalena, aceitou meu trabalho. São Paulo tem uma frieza e um anonimato. Mas também tem uma liberdade absoluta. Quando eu me sinto inseguro, vou a lugares de arte, a museus e bibliotecas. Eu busquei o anticorpo para me possibilitar sobreviver na cidade.

Miguel Arcanjo Prado — E como você sobreviveu?
Alessandro Ubirajara — Foi difícil. Fui morar com uma amiga. Comecei em Guaianases [na zona leste], muito depois fui para Santa Cecília [bairro do centro]. Arrumei um emprego no setor de passaportes da Polícia Federal, na Lapa. Fiquei lá dois anos. E isso foi muito importante, porque um dia atendi a uma pessoa muito especial.

Miguel Arcanjo Prado — Quem?
Alessandro Ubirajara — O Zé Celso. Eu já tinha visto Os Bandidos em Porto Alegre e fiquei impressionado com o Oficina. Vendo aquela peça, parecia que tudo me entendia. Era completo e epifânico. Acho que meu destino era o Oficina. O Zé entrou na PF lendo um livro, como se não estivesse em lugar nenhum. Estava ligado na busca dele, em sua perspectiva artística. Isso mexeu comigo. Fiquei louco.

Miguel Arcanjo Prado — E vocês se aproximaram a partir daí?
Alessandro Ubirajara — Sim. Eu fiz o passaporte dele. E fiquei com aquilo do Oficina na cabeça. Ele me convidou para ver a exposição Ocupação Zé Celso. Quando cheguei lá, falei par ele: “eu quero ser artista”. No dia seguinte, ele me ligou e me chamou para fazer Cacilda !!.

alessandro ubirajara foto bob sousa6 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

No começo no Oficina, Alessandro Ubirajara conciliou trabalho na Polícia Federal, onde conheceu Zé Celso no setor de passaportes, e teatro: sempre um ator ativo e intenso nas peças - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — E você conciliou a Polícia Federal com o Oficina?
Alessandro Ubirajara — No começo, sim. Era muito engraçado. Mas aí eu resolvi sair de lá, porque comecei a viajar com as peças. Fui aprendendo a produzir também, com a Elisete Jeremias, que era a diretora de cena do Oficina. Morei com ela um ano e aprendi muita coisa. Passei a ter de sobreviver de forma antropofágica, trabalhando e aprendendo.

Miguel Arcanjo Prado — E como veio a cozinha na sua vida?
Alessandro Ubirajara — A cozinha entrou nesse meu aprendizado antropofágico. É o lugar onde exploro potencialidades. Em 2012, fizemos um circo no terreno aqui ao lado do Oficina. E criamos um bar, eu, a Danielle Rosa e o Bruno Nogueira. Chamava-se Bambambã Cabaret Bar. Comecei a me interessar em pesquisar a cozinha no teatro. Era uma habilidade que eu já tinha, todo mundo amava minha polenta.

Miguel Arcanjo Prado — E você foi se aprofundando na cozinha?
Alessandro Ubirajara — Sim. Percebi que a cozinha era um ponto central, um ponto de encontro. Fizemos uma festa junina no Oficina que foi linda. Eu criei muitas comidas, assumi a cozinha, vieram vários chefes que me ensinaram muita coisa. Gente como a Bia Magalhães, a Elaine Vargas, o Paulo Franco.

alessandro ubirajara foto bob sousa4 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara, o artista da cozinha do Teat(r)o Oficina - Foto: Bob Sousa

Miguel Arcanjo Prado — Você se divide entre cozinha e palco?
Alessandro Ubirajara — Sim. Até Walmor y Cacilda 64: Robogolpe eu fiz isso. No Cacilda!!!!!, que estreia no fim do mês, eu vou ficar só na cozinha. Vai ser o primeiro que não vou estar em cena. Eu comecei uma pesquisa sobre a comida do ator, pensando na sua saúde e nutrição. Porque para fazer uma peça do oficina tem de estar forte, é comida de atleta, mas não pode ser pesada. Tem de ter comida no camarim. E, para que ela existisse de verdade, alguém precisava assumir isso. Adoro acordar cedo e ir na zona cerealista buscar os ingredientes. E faço de tudo: o Zé é cardíaco e tenho de fazer algo que não prejudique o coração dele. Já a Camila Mota é macrobiótica. Os nordestinos não comem sem carne. Então, alimento os corpos destes artistas diversos.

Miguel Arcanjo Prado — Você é um artista da cozinha?
Alessandro Ubirajara — Sim. A comida é ritual, é uma ligação. Ela dialoga. É um personagem. Sinto que estou ligado por este trabalho. O Zé Celso disse que minha força maior está na cozinha de teatro. A minha pesquisa artista neste momento é esta. Estou misturando sabores e cheiros. Eu já fui primeiro artista plástico, depois ator, agora chef. Estou buscando meu lugar, mas, durante a busca, não paro de criar.

alessandro ubirajara foto bob sousa11 Entrevista de Quinta: “Misturo sabores e alimento artistas”, diz Alessandro Ubirajara, chef do Oficina

Alessandro Ubirajara, no palco do Oficina: ele alimenta artistas com consciência - Foto: Bob Sousa

Jantar Orgânico pelo chef Alessandro Ubirajara
Quando: Quinta (3/7/2014), 18h às 21h
Onde: A Leiteria da Canastra (rua Major Almeida Queiroz, 18, Butantã, São Paulo, tel. 0/xx/11 4563-9525 ou 0/xx/11 9-8120-1471)
Quanto: Couvert (R$ 10); jantar adulto (R$ 35); jantar infantil (R$ 20); taça de vinho (R$ 15); taça de suco de uva ou mexerica (R$ 4); aceita dinheiro e cheque
Classificação etária: livre

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robogolpe5 Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

Acauã Sol e Giuliano Ferrari em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Felipe Stucchi; veja galeria

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Teat(r)o Oficina é atual, mesmo que o título da peça pareça algo do passado. Isso é evidente em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, em cartaz em São Paulo até 29 de junho.

Em um primeiro olhar, a obra coloca no palco como o golpe civil-militar de 1º de abril 1964 atingiu em cheio a classe artística, levando o horror ao teatro. Mas, um segundo olhar, mais atento, desvenda muito além disso.

A obra dialoga com seu presente, com ironia e contestação. E, em tempos de Copa, o Brasil rachado no discurso infantil de bons contra maus precisa de pensadores como os do Oficina, mais comprometidos com a função artística do que com vitória ou derrota no futebol.

robogolpe3 Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

Sylvia Prado e Juliane Elting em cena - Foto: Felipe Stucchi

A peça é fruto de uma inquietação do diretor José Celso Martinez Corrêa durante as rememorações do cinquentenário do golpe. Para compor a encenação, deglutiu, como sempre, tudo ao redor, expondo no palco este clima de enfrentamentos que vive o País sede da Copa do Mundo. E propondo uma reflexão para além do teatro.

No palco, o recado de Zé Celso é claro e não usa de subterfúgios. Para que tudo fique bem didático, sem ser reducionista, ele brinca com a imagem do Robocop, herói norte-americano recém ressuscitado em Hollywood pelas mãos do cineasta brasileiro e seu xará José Padilha, de Tropa de Elite.

Na peça, Robocop vira o RoboGolpe — ou seria a RoboCopa?.

É o brasileiro escondido atrás da armadura consumista, repressiva e moralista.

robogolpe2 Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

Zé Celso no Oficina: porrada artística - Foto: Felipe Stucchi

O Carnaval, nossa maior expressão, vira um axé baiano no qual Zé Celso e os atores do Oficina dançam e cantam junto à plateia, entoando o refrão: "Ê... Robocop, RoboGolpe, RoboCopa". Tudo coreografado com cenas de abuso policial ainda presentes no Brasil de hoje.

A partir da provocação feita pela obra, é possível pensar:  o golpe antes vindo pela força bruta autorizada por quem detinha a grana poderia ressurgir travestido de democracia orquestrada? Até porque, no Brasil de hoje, é possível potencializar politicamente vitórias ou derrotas em campo.

Por isso, o discurso do Oficina é contundente, sobretudo por reverberar a quatro meses das eleições. E não sobra nem para a dita esquerda a favor do Mundial, tampouco para a suposta direita torcedora do fracasso do País.

O Oficina é pungente justamente por ser a favor da cultura brasileira e da resistência que ela sempre demonstrou diante de qualquer regime autoritário, seja por armas ou pelo discurso fabricado em agências publicitárias e disseminado em redes sociais. Em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe não há situação nem oposição. Há apenas o que precisa ser dito. E este é o papel de grandes artistas: pensar para além do aprisionamento de estar ligado a qualquer forma de poder.

Veja fotos da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Elenco aguerrido

Quem viu o palco do Oficina apinhado de artistas nas últimas montagens, sente a diminuição no número de atores, fruto da falta de verba para o teatro neste ano pré-eleições e com investimentos priorizados para o futebol.

robogolpe nash laila Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

A atriz pernambucana Nash Laila: destaque - Foto: Felipe Stucchi

Mas quem permanece é aguerrido. Não deixa a peteca cair. Jovens atores como Lucas Andrade, Roderick Himeros, Liz Reis, Tony Reis, Carolina Henriques, Alessandro Ubirajara, Otto Barros, Marcello Finimundi, Selma Paiva, Glauber Amaral e Pedro Toscano mantêm o público atento e forte.

As atrizes se destacam. A mineira Camila Mota tem atuação sutil e repleta de força, quando faz Cacilda em diálogo com Walmor Chagas (Marcelo Drummond, que tem sua melhor cena quando vive o presidente suicida Getúlio Vargas).

A exuberância da atriz baiana Danielle Rosa também é destaque. Sempre presente, é a imagem mais impactante do começo da obra — assim como a de Zé Celso em uma cadeira de rodas, desconstruída em sua volta triunfal ao fim.

Ainda merecem ser citadas a forte Letícia Coura, como Cleyde Yáconis, e a pequenina Nash Laila, uma pernambucana sem amarras e intensa.

Na representação do embate das atrizes Cacilda Becker e Maria Della Costa com o delegado do DOPS, Sylvia Prado, como Cacilda, e Juliane Elting, como Maria, também têm grandes momentos de força cênica repletas de elegância.

Acauã Sol, como o delegado e também como o RoboGolpe, representa a  crueldade inteligente por trás de tudo, sempre aliada aos entreguistas perfeitamente representadas pelo músico e ator Giuliano Ferrari. Além de Ferrari no piano, baixo e guitarra, a excelente banda do Oficina tem ainda Carina Iglecias, na percussão, Chicão, no piano, Juliana Perdigão, no saxofone, clarinete, clarone e flauta, e Letícia Coura no cavaquinho, além do DJ Jean Carlos na sonoplastia. Uma das melhores bandas em atividade em São Paulo.

 

Veja fotos da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Walmor y Cacilda 64: Robogolpe
Avaliação: Muito bom
Quando:
Sábado, 21h; domingo, 19h. 120 min. Até 29/6/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do bairro com comprovante)
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Oficina faz de RoboGolpe uma RoboCopa

Veja fotos da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Veja o vídeo da peça do Oficina:

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walmorycacilda foto felipe stucchi 4 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Walmor y Cacilda 64: Robogolpe está em cartaz até 29 de junho no Oficina - Foto: Felipe Stucchi

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O fotógrafo Felipe Stucchi registrou a encenação de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, no Teat(r)o Oficina, no último sábado (14), em São Paulo. A peça, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, fica em cartaz até 29 de junho, sempre aos sábados, 21h, e domingo, 19h, com entrada a R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia-entrada — moradores do bairro pagam R$ 5. No enredo, os bastidores do golpe civil-militar de 50 anos atrás, associados a fatos contemporâneos, como a Copa do Mundo da Fifa 2014, que acontece no País. Tudo com a visão antropofágica do Oficina, é claro. Afinal, o grupo gosta de fazer um sempre presente e intenso. Leia a crítica da peça!

walmorycacilda foto felipe stucchi 14 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

A atriz Camila Mota, que interpreta Cacilda Becker na peça do Oficina - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 18 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

O diretor José Celso Martinez Corrêa em cena do espetáculo - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 16 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Os atores Marcelo Drummond e Camila Mota, em uma das cenas finais da obra - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 15 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

As atrizes Sylvia Prado e Juliane Elting, como Cacilda Becker e Maria Della Costa - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 12 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

A atriz Danielle Rosa como a Maria Alice Vergueiro durante a encenação - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 8 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

A turma de atores do Teat(r)o Oficina: Walmor y Cacilda 64: Robogolpe (Zé Celso ao fundo) - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 17 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

O ator e diretor de cena do oficina Otto Barros, na parte final da peça, com a banda ao fundo - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 2 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

A turma do Teat(r)o Oficina, com o diretor Zé Celso, canta e dança durante a peça - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

O ator Acauã Sol, que vive o homem transformado no Robocop/Robogolpe - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 6 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Os atores Roderick Himeros, Glauber Amaral e Tony Reis em cena de Robogolpe - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 3 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Os atores Acauã Sol e o músico e ator Giuliano Ferrari em cena da peça - Foto: Felipe Stucchi

walmorycacilda foto felipe stucchi 22 Veja fotos de Walmor y Cacilda 64: Robogolpe

Atores e público entoam hino do Oficina em volta do teatro no Bixiga - Foto: Felipe Stucchi

Leia a crítica: Oficina faz de RogoGolpe uma RoboCopa

Veja o vídeo com o clipe Robocop RoboGolpe RoboCopa:

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cacilda becker 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

A atriz Cacilda Becker: ela nunca morre no palco do Teat(r)o Oficina - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Vai ser com muito vigor teatral no palco do Oficina, em São Paulo, que os 45 anos de morte da atriz Cacilda Becker (1921-1969) serão lembrados, durante a encenação da peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, a partir das 21h deste fatídico sábado (14).

No dia 14 de junho de 1969, Cacilda morreu após 38 dias de coma, depois de sofrer um derrame cerebral em pleno palco, encenando Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906-1989).

ze celso foto jennifer glass 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

Zé Celso em cena de Walmor e Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, escreveu um texto especial por conta da efeméride: 45 anos da Ethernidade de Cacilda.

Nele, pede que as cartas e entrevistas de Cacilda Becker sejam publicadas, "pois sua importância não se refere somente ao teatro brasileiro; é universal".

Na visão de Zé, Cacilda "antropofagiou" a melhor dramaturgia do hemisfério norte, colocando, por exemplo, o minimalismo de João Gilberto na trilha de suas montagens.

— Cacilda eletrificava suas personagens. Criava, como todo grande artista, a partir da devoração de seu corpo feito de ossos, nervos, artérias à mostra. Era muito magrinha, mas tinha o que é mais precioso e necessário em sua arte: as entranhas transparentes de seu Corpo Elétrico Quântico Aceso!

Zé Celso afirma que os textos que Cacilda escreveu, ainda desconhecidos, "contribuem tanto (ou mais) pra esta arte quanto Stanislavski, como Artaud".

—Pena que parte de sua correspondência amorosa com [Adolfo] Céli esteja proibida pelas duas famílias: a de Céli (na Itália, pelo filho do diretor, onde se encontram as cartas) e aqui no Brasil, por seu filho.

WALMOR Y CACILDA fofo5 Gal Oppido 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

Memória misturada com atualidade: Sylvia Prado, como Cacilda, e Juliane Elting, como Maria Della Costa, na peça Walmor e Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Gal Oppido

Cacilda Rainha

O diretor do Oficina ainda revela que haverá mais uma capítulo da série sobre Cacilda Becker. A primeira peça, Cacilda!, teve Bete Coelho, Leona Cavalli e Giulia Gam no papel título. A segunda, Cacilda!! Estrela Brazyleira a Vagar, teve Ana Guilhermina. A terceira, Cacilda!!! Glória no TBC e 68 AquiAgora, e a quarta, Cacilda!!!! Fábrica de Cinema & Teatro, tiveram o papel título dividido por Sylvia Prado e Camila Mota, que também assumem a atriz na peça Walmor y Cacilda 64: Robogolpe, em cartaz. E vem mais por aí, segundo Zé.

— Estamos agora ensaiando a Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada. Acho que montamos no OficinaUzynaUzona 50% da Odisseia. Se a vida me permitir, quero montar toda, pois sinto que temos de passar pra todas as gerações que aqui estão – e pras que virão – o fenômeno fascinante que essa atriz, aatriz, astro deixou no rastro luminoso de sua passagem pela Terra.

Glamour no DOPS

Zé lembra de um episódio curioso vivido por Cacilda durante o regime militar que entrou na peça Robogolpe.

— Veio os 50 anos de Golpe de 64 e eu me lembrei que havia uma parte que se passava durante o Golpe Militar, onde Cacilda Becker, Maria Della Costa (quase toda Classe Teatral de SamPã) foram depor no DOPS em carros de luxo, vestidas com os grandes figurinistas internacionais da época, numa estratégia política absolutamente inédita, inesperada. Na imundice que era o DOPS de São Paulo, deram um show de elegância pop, hipnotizando o delegado com a arte teatral e conseguindo que os teatros fechados pelo Golpe Militar fossem todos reabertos.

Robogolpe  Fotos  Jennifer Glass 2 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

Camila Mota como Cacilda Becker - Foto: Jennifer Glass

Segundo o artista, Walmor y Cacilda 64: Robogolpe "vai enfrentar a Copa", ficando em cartaz até 29 de junho no Oficina. Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada estreia em 26 de julho.

Falta de grana e nova atriz

A nova obra tem elenco reduzido, "devido à grave situação econômica" do Oficina. E Zé revela que há uma vaga importantíssima no elenco que ainda não foi fechada:

— Estamos em busca desesperada da atriz que possa trazer a beleza e o talento da Tônica Carrero, enfrentando a Rainha Cacilda.

Zé conta que cumpre, com a saga, uma promessa feita ao irmão, Luiz Antônio Martinez Corrêa, assassinado no Natal de 1987.

—A Odisseia foi imaginada antes por meu. Quando fui internado com erizipéla na Ala dos Indigentes na Santa Casa – estava apavorado achando que tinha Aids –, fiz então uma promessa pra Luiz Antônio e pra Cacilda, de escrever a peça que ele tinha começado a imaginar e colocar a grande atriz – até transcendendo a Arte Teatral – como num desfile imenso de escola de Samba. Vamos comemorar dia 14 de junho de 2014 ensaiando estes 45 anos que inicialmente produziram um coma no teatro brasileiro; nós, depois que pusemos na pista Cacilda!, ressuscitamos!

Walmor y Cacilda 64: Robogolpe
Quando: Sábado, 21h; domingo, 19h. 120 min. Até 29/6/2014
Onde: Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo, tel. 0/xx/11 3106-2818)
Quanto: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do bairro com comprovante)
Classificação etária: 16 anos

Conheça o blog do Zé Celso!

Robogolpe  Fotos  Jennifer Glass 4 45 anos depois: Morte de Cacilda Becker produziu coma no teatro; mas ressuscitamos, diz Zé Celso

Marcelo Drummond vive Walmor Chagas e Camila Mota, Cacilda, na peça Robogolpe - Foto: Jennifer Glass

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coluna Robogolpe foto   Jennifer Glass Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Ditadura e artes em pauta: cena do novo espetáculo de Zé Celso - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Robogolpe
A turma do Teat(r)o Oficina está em polvorosa nesta sexta (25). É que logo mais, às 21h30, eles estreiam sua nova peça: Walmor y Cacilda 64 - Robogolpe. Tem gente disputando a tapa os ingressos. O texto e a direção é de José Celso Martinez Corrêa, o nosso Zé Celso. Desta vez, uma novidade: a peça dura apenas duas horas ou 120 minutos cravados. Pelo menos é o que eles prometem.

Robogolpe 2
A peça está focada na herança maldita que a ditadura militar, que vigorou no País entre 1964 e 1985, deixou para a classe artística. A direção musical é de Adriano Salhab, Montorfano e Giuliano Ferrari. Como sempre, a trilha sonora é original e executada na hora. Porque quem sabe faz ao vivo, diria o pensador Faustão.

Robogolpe  Fotos  Jennifer Glass 12 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Robogolpe no Oficina: ditadura militar sob o olhar de Zé Celso - Foto: Jennifer Glass

Robogolpe 3
A peça ressuscita nomes importantes de nosso teatro: Walmor Chagas é assumido por Marcelo Drummond; já Cacilda Becker é interpretada por Camila Mota; Letícia Coura vive Cleyde Yáconis; e ainda, Juliane Eltiong é Maria Della Costa. Só a nata.

Robogolpe 4
Zé Celso pede para avisar que ele contou com a colaboração da "conselheira poeta" Catherine Hirsch para fazer a peça. Recado dado.

Robogolpe 5
A temporada da nova peça será aos sábados, às 21h, e domingos, às 19h, até 1º de junho de 2014. O Oficina fica na rua Jaceguai, 520, no Bixiga. O ingresso é R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia. Zé Celso convida todos a irem. Vai, gente.

magiluth bob sousa Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Erivaldo Oliveira, do Magiluth, em cena de Viúva, porém Honesta em SP - Foto: Bob Sousa

É bom para o moral
Após causar sensação com filas dando volta no quarteirão da avenida Paulista no Itaú Cultural, onde até Rita Cadillac apareceu para ver, os meninos do Grupo Magiluth, de Recife, ocupam até este domingo a Funarte São Paulo com sua vigorosa versão para o espetáculo Viúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues. Sexta e sábado, 20h, domingo, 19h, com entrada gratuita. O endereço é alameda Nothmann, 1058, perto do metrô Santa Cecília. Você tem de se agitar, não se deixe esfriar...

É bom para o moral 2
Os pernambucanos do Magiluth já têm até um grupo de fãs em São Paulo. Tipo groupie. É que agora eles viraram o Pequeno Príncipe de muita gente...

magiluth bob sousa Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Grupo Magiluth em São Paulo: sessões grátis de Viúva, porém Honesta na Funarte - Foto: Bob Sousa

De volta
Angela Dip reestreia em São Paulo no dia 3 de maio, às 20h, a peça O Barril. Lá no Teatro da Vila do Shopping JK Iguatemi. A obra estreou em 1998 e já percorreu 47 cidades brasileiras. A direção é de Vivien Buckup, filha de Eva Wilma e John Herbert.

Festibero
Vai até domingo (27) no Memorial da América Latina, em São Paulo, o Festibero (Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo). Tem peça todo dia a partir das 17h com entrada gratuita. Coisa boa.

Fim de festa
Também vai até domingo (27) a temporada de Farnese de Saudade, com Vandré Silveira, na Caixa Cultural de São Paulo, na Sé. A entrada também é gratuita. Todos os dias 19h15.

silvia gomez Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A jornalista e dramaturga mineira Silvia Gomez: leitura de peças na Casa Livre - Foto: Emidio Luisi

Texto vivo
A Cia. Livre de Cibele Forjaz promove entre 6 e 22 de maio o projeto Dramaturgos Brasileiros Contemporâneos. Sempre às terças e quintas, às 20h, na Casa Livre em São Paulo. Serão lidos textos de gente tarimbada, como Silvia Gomez e Cássio Pires. A entrada é gratuita.

Entre tapas e beijos
Daniel Dantas e Zezé Polessa vivem um casal em pé de guerra na peça Quem Tem Medo de Virginia Woolf. Estreia nesta sexta (25), no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, após participar do Festival de Teatro de Curitiba. É bom o público ir com fôlego, porque a obra dura 140 minutos. Mais que o Robogolpe de Zé Celso.

Recordar é viver
Não custa nada lembrar que a obra virou filme obrigatório homônimo com ex-casal Elizabeth Taylor e Richard Burton em 1966. Se não viu, veja.

Polêmica

Uma cena com Nany People está causando burburinho no trailer do filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, dos Satyros, que deve estrear em 2015. Leia a Entrevista de Quinta com Nany e veja o trailer.

 Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

Croqui do cenário da peça Vidas Privadas, que estreia no dia 10 de maio em SP - Foto: Divulgação

Elegância
O cenógrafo Marco Lima recriou uma sacada de um hotel da Riviera Francesa e também a sala de um apartamento parisiense para ambientar a peça Vidas Privadas, do inglês Noel Coward, com direção de José Possi Neto. Estreia dia 10 de maio, no Teatro Jaraguá, em São Paulo. No elenco, José Roberto Jardim, Lavínia Pannunzio, Daniel Alvim e Maria Helena Chira. Très chic.

De olhos bem abertos
A turma da peça Cuidado Frágil, com Priscila Jácomo, avisa que na sessão deste sábado (26), haverá audiodescrição da obra no Teatro Ágora, em São Paulo. Serão 35 lugares na plateia para deficientes visuais ou pessoas com baixa visão. Interessados em reservar podem escrever para cuidadofragilteatro@gmail.com. A peça que tem direção de Daniel Viana e Júlia Barnabé integra o projeto Solos Férteis, um Olhar Feminino, só com monólogos de atrizes.

Gente de Teatro
Eliane Verbena é uma das responsáveis pela divulgação do teatro paulistano. Profissional formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora, a mineira radicada em São Paulo comanda a Verbena Comunicação desde 2001.  Sabe tudo de artistas e estreias. Por isso, é gente de teatro.

coluna eliane verbena Por trás do pano   Rapidinhas teatrais

A assessora teatral Eliane Verbena, da Verbena Comunicação: gente de teatro - Foto: Reprodução

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Ze Celso e Juliana Perdigao CACILDA foto Jennifer Glass Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

O diretor paulista Zé Celso e a cantora mineira Juliana Perdigão em cena no Oficina - Foto: Jennifer Glass

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A turma sacudida do Teat(r)o Oficina manda avisar: é agora ou nunca. Expliquemos.

cacilda jennifer glass Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Elenco potente no Oficina: (a partir do alto, em sentido horário) Tony Reis, Lucas Andrade e Beto Mettig - Foto: Jennifer Glass

Neste fim de semana, acontecem as duas últimas sessões da saga sobre a atriz Cacilda Becker (1921-1969) capitaneada por José Celso Martinez Corrêa, o nosso Zé Celso, e Marcelo Drummond.

Sempre com seu numeroso e fogoso elenco que conta com mais de 60 artistas, é claro.

Cacilda!!! Glória no TBC e 68 AquiAgora tem última sessão neste sábado (22), às 18h. Já no domingo é a vez da despedida de Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema & Teatro, também às 18h.

Ambas acontecem no histórico prédio do Oficina, projetado há 20 anos por Lina Bo Bardi (r. Jaceguai, 520, São Paulo). O ingresso custa R$ 40 a inteira, mas moradores do Bixiga pagam apenas R$ 5, mediante comprovação de endereço.

Para incentivar os indecisos, alguns membros da equipe do Oficina explicam, abaixo, por que todo mundo deve ir.

Veja só que beleza:

camila mota foto bob sousa1 Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Camila Mota vive Cacilda Becker na saga comandada por Zé Celso - Foto: Bob Sousa

“O prazer de viver uma experiência extenuante. As peças Cacilda!!! e !!!! tem longa duração, por volta de 5h30 cada uma – são extenuantes e propiciam ao público a possibilidade de uma revolução nos corpos semelhante à provocada pelas baladas. Mas são de outra natureza, são espetáculos de teatro, uzynas geradoras de energia e transformação criadas por um coro, banda, tecnologia, uma pequena multidão da Cia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona que há 55 anos tem como uma das bases de seu trabalho a cultivação de poder humano, das permanentes transformações do corpo. É catarse com roteiro: começo, meio e fim pras infinitas absorções de cada sessão.”
Camila Mota – Atriz

danielle rosa 1 foto eduardo enomoto 2013 Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Danielle Rosa é uma das estrelas das montagens do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

“Os Cantos. Ouve-se dos camarins, das galerias, da pista, dos arcos. Ah!!!! É o canto da panspermina, canto de uma sereia? É o Canto do Pica-Pau. Entre Ps dos picos e Bs dos beijos. O canto que me canta, que te canta e encanta quem atravessa os arcos da rua Lina Bardi. Cacilda tem dessas coisas. Músicas prenhes de vida, envoltas por acordes macios e cortantes. Textos em forma de poesia que refletem na vida real. Mas qual o verdadeiro realismo do Teatro ou da Vida?”
Danielle Rosa – Atriz

roderick himeros1 Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

O ator Roderick Himeros integra o grupo de 60 atuadores do Oficina - Foto: Deivid Leme

“Estamos no líquido amniótico de Cacilda; ouça as múltiplas exclamações. Ah! Ah! Ah! Ah! Abre os ouvidos, interjeiciona junto à atriz matriz. A taquicardia ritma as intensidades das emoções na emissão da matriz – para atingir quem tem suas antenas porosas para o AquiAgora."
Roderick Himeros – Ator

leticia coura Oficina se despede de Cacilda no fim de semana; atores da obra contam por que você deve assistir

Letícia Coura também está no elenco da saga sobre Cacilda Becker - Foto: Jennifer Glass

“Estamos de novo tendo a coragem e a cara-de-pau de cantar/recriar Villa Lobos!!! Choro 3, o Pica-Pau, que inspira e excita todo o primeiro ato de Cacilda!!! e volta inteiro em Cacilda!!!!. Só pra ver o coro cantando isso já vale ir viver as duas peças, sábado e domingo. E é bom assim: imersão!!!!”
Letícia Coura – Atriz

Leia mais depoimentos sobre a peça!

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beto mettig foto bob sousa Dois ou Um com Beto Mettig
Por Miguel Arcanjo Prado

Foto de Bob Sousa

Beto Mettig é baiano, mas já entendeu São Paulo há um bom tempo. Radicado na metrópole paulista há quatro anos, é formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, onde também fez o Curso Livre de Artes Cênicas da UFBA. Atualmente, se divide no Teat(r)o Oficina de José Celso Martinez Corrêa entre os papéis de ator e também de jornalista responsável pela assessoria do grupo. Recentemente, juntou os dois no palco em Cacilda!!!, espetáculo da saga sobre Cacilda Becker no qual viveu, entre outros personagens, o crítico teatral Decio de Almeida Prado. Bem antes, ainda em sua Salvador natal, aprontou muito com a Cia. Baiana de Patifaria, além de ter feito o musical Lábaro Estrelado, no qual contracenava com Laila Garin, que hoje vive Elis Regina no aclamado musical carioca. Beto, que é cheio de charme e tem muita história para contar, topou participar da nossa coluna Dois ou Um. Dez perguntas diretas cheias de possibilidades. Ou não.

Silvio Santos ou Zé Celso?
Que tal os dois numa banheira de espuma, sem culpa nenhuma? O Brasil, o teatro e a TV iam ganhar muito!

Cidade da Bahia ou Sampa Desvairada?
Trago Salvador dentro de mim. Vivo desvairadamente feliz aqui em Sampã.

Gil ou Caetano?
Caetano.

Bandeira vermelha ou azul?
Joga um branco no meio e vira a bandeira da Bahia! Tem que ter axé para encarar uma guerra ou viver em paz.

Ator ou jornalista?
Minha gente é a do teatro. Meu vocabulário, meu texto, minhas referências, meu humor, tudo vem daí.  Quando sou jornalista, sou também ator.

José Genoino ou José Serra?
José Celso.

Manifesto Antropofágico de 1922 ou Tropicália ou Panis et Circencis de 1968?
Sou cada vez mais inclusivo. Quero todos!

Nudez ou caretice?
Precisa responder...!? A caretice está cada vez mais perigosa.

Cacilda ou Sertões?
Fui público em Os Sertões. Em Cacilda estou em cena, na criação, e não tem nada comparável a viver uma experiência como essa. Mas essas duas odisseias do Oficina estão mais ligadas do que parece...

Bixiga ou Higienópolis?
Edifício Louveira, na rua Piauí, ou Oficina, na rua Jaceguai...? Posso ser feliz com Vilanova Artigas e Lina Bo Bardi. Temos os dois em São Paulo, não precisamos reduzir nada! Mas a mistura de culturas do Bixiga ainda tem o poder, como poucos, de fazer São Paulo lembrar de onde vem muita coisa incrível dessa cidade.

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danielle rosa 1 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Criada em Vitória da Conquista, na Bahia, Danielle Rosa é o furacão do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quem vê Danielle Rosa no palco do Teat(r)o Oficina, em São Paulo, fica boquiaberto. A atriz exala confiança em cada cena. Seduz. Um verdadeiro furacão.

Quando a gente se encontra com Danielle fora do contexto cênico percebe que ela é calma, tranquila. Parece um pouco tímida, mas se entrega. É verdadeira.

Nasceu em Campinas, São Paulo, por um mero acaso. Considera-se baiana de Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha, onde morou de um aos 18 anos, quando abandonou a terra natal para estudar artes cênicas na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.

Caçula dos cinco filhos da dona de casa Dinalva Rosa Oliveira e de João de Oliveira, que já morreu, infelizmente, ela diz ser filha "de família meio nômade".

— Decidi ser atriz com 11 anos. Lembro-me que um dia acordei e falei: vou ser atriz. Foi como se tivesse ouvido um chamado.

danielle rosa 3 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Danielle Rosa é formada em artes cênicas pela UFBA e faz teatro desde os 15 anos - Foto: Eduardo Enomoto

Só começou nos palcos aos 15, primeiro com o grupo teatral do Instituto de Educação Euclides Dantas, onde estudou. Depois, com o grupo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia).

— Mudei-me para Salvador em 2013. Fui morar na Casa do Estudante da UFBA. Logo, montei com amigos o grupo Finos Trapos.

Mas a Bahia logo ficou pequena para o sonho simples e tão difícil de Danielle: sobreviver de sua profissão de atriz. Foi quando viu Os Sertões, encenação de José Celso Martinez Corrêa para o romance de Euclydes da Cunha com o Oficina em 2007. Conheceu ali o teatro que queria fazer. Decidiu que era hora de mudar-se mais uma vez.

— Vim para São Paulo com a cara e a coragem. Pensei comigo: não posso ficar esperando, preciso correr atrás do que acredito.

Sofreu muito na metrópole, mas decidiu "aguentar até o limite". Quando sente falta do acolhimento baiano, volta à terra natal para fazer "um respiro".

Entrou para o Oficina em 2011. No ano seguinte, embarcou com o grupo para a Europa, onde se apresentou na Bélgica e em Portugal com o espetáculo Bacantes. Depois, integrou Acordes, e, agora, Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1, no qual chamou a atenção do R7 e de todo o público como aquela sereia do inconsciente de todos nós.

danielle rosa 2 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Sensual e de forte presença, Danielle Rosa foi um dos destaques de Cacilda!!! do Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Agora, viaja com o quarto e último espetáculo da saga sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema e Teatro, que tem estreia marcada no palco do Oficina para o próximo dia 14 de dezembro.  Em meio a tantas peças, Danielle sonha ainda em fazer cinema, em conquistar estabilidade profissional cada dia mais.

Diz que gosta do jeito de fazer teatro de Zé Celso e sua turma. Conta que em "cada dia de ensaio é preciso estar plena", que vive "uma descoberta diária". Questionada de onde vem a força que demonstra em cena, pensa e responde.

— O aqui e agora é único. Isso dá muita vida a tudo o que acontece. Cada dia em que saio do fosso para fazer a cena é especial.

Sobre o destaque que teve em Cacilda!!!, explica de forma serena.

— Acho que aconteceu em parte porque sou a primeira a aparecer nua [risos]. Eu lido de forma natural com a nudez. Não penso nisso e busco a segurança no olhar das pessoas. Acredito muito em meu trabalho e neste teatro que faço. E também sou segura com meu corpo. Acho, que de alguma forma, o público sente isso também. No Oficina, sempre estou à vontade.

danielle rosa 4 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

De alma baiana, a atriz Danielle Rosa é um furacão cheio de serenidade - Foto: Eduardo Enomoto

 

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