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ERN 46821 Jovem ator de Maringá, Nathan Gualda espera crescer na carreira após Festival de Curitiba

Nathan Milléo Gualda: após teatro, ele também quer fazer cinema e TV - Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotoa de ERNESTO VASCONCELOS e JULIANA HILAL/Clix

No Festival de Teatro de Curitiba, que acontece até o próximo domingo (6), jovens atores sonham em crescer na carreira e conquistar novos públicos. Gente como Nathan Milleó Gualda, de 21 anos.

Natural de Maringá, no interior do Paraná, ele mora em Curitiba há quatro anos e três meses, como conta ao Atores & Bastidores do R7. Dividiu apartamentos com primas, mas agora já tem sua independência e mora sozinho na capital paranaense.

– Fiz o bacharelado em artes cênicas na FAP (Faculdade de Artes do Paraná) e também o curso de formação de atores do Cena 1. Meus pais sempre me apoiaram.

Tanto empenho já rendeu frutos. Ele ganhou em 2013 o Troféu Gralha Azul de ator revelação pelo desempenho na obra Algum Pontinho no Caminho entre o Céu e a Terra.

Agora, teve uma chance importante neste festival. Fez um pequeno papel na premiada peça carioca A Arte da Comédia, na qual viveu o sacristão.

Ele também integra dois infantis em cartaz no evento: Os Fantásticos Equilibristas e Rapunzel e Mais Algumas Histórias Cabeludas, todas dirigidas por Mauricio Vogue no teatro Regina Vogue. E quer mais.

– Acho que as coisas estão começando a acontecer para mim aqui em Curitiba. Quero muito fazer cinema e também sou aberto à TV. E nunca parar de fazer teatro, porque para mim o teatro é um ato de amor ao próximo, de mostrar novas possibilidades de vida.

IMG 6302 Jovem ator de Maringá, Nathan Gualda espera crescer na carreira após Festival de Curitiba

Nathan Milléo Gualda: de Maringá, ele dá os primeiros passos em Curitiba - Foto: Juliana Hilal/Clix

 

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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beatriz aquino foto bob sousa 143 Conheça Beatriz Aquino, a beleza e o talento da musa do teatro que veio do mundo dos negócios

Beatriz Aquino, no palco do Espaço dos Satyros: musa do teatro - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Quem viu a peça Lou&Leo sabe que a atriz Beatriz Aquino é uma musa indiscutível. Chamou tanto a atenção nos palcos do Centro Cultural São Paulo e do Espaço dos Satyros 1 que foi eleita Musa do Teatro R7 pelos internautas do portal.

Cearense de Fortaleza, Beatriz teve o primeiro contato com a arte por meio da dança. Fã de Fernanda Montenegro, Pedro Paulo Rangel e Cassia Kiss, fazia balé e dança contemporânea nos tempos de pré-adolescência.

Sentiu pela primeira vez aquele frio na barriga do palco quando se apresentava em festivais. “Adorava aquela sensação”, confessa. Conta que herdou a sensibilidade da mãe, que é artesã. É caçula de oito irmãos. Em casa, “sempre foi uma bagunça”.

Com o crescimento veio a necessidade do trabalho. E a arte precisou ser deixada de lado. Mudou-se para São Paulo aos 17 anos e se formou em publicidade e propaganda pela Anhembi Morumbi, mas foi para o mundo dos negócios.

“Trabalhei durante anos como headhunter [caçadora de talentos coorporativos] em consultorias internacionais”. Conta que morou em lugares como Paris, Milão e Nova York. Mas não se sentia completa. “As relações eram muito frias, sempre voltadas ao business e à produtividade”.

Mesmo com dinheiro no bolso, se sentia “sufocada”. Decretou, então, uma revolução em sua vida; não queria mais aquilo, mas não sabia direito como recomeçar.

beatriz aquino foto bob sousa 141 Conheça Beatriz Aquino, a beleza e o talento da musa do teatro que veio do mundo dos negócios

Beatriz Aquino é de Fortaleza, morou em Paris, Nova York e Milão, e hoje vive em São Paulo - Foto: Bob Sousa

“Nesse processo de autoconhecimento, me lembrei da sensação que tinha quando dançava”, revela. Ainda em Paris, se matriculou em um centro cultural. Fez dança do ventre, capoeira, dança moderna e yoga. Com sede de aprendizado, fez workshop com a turma do Theatre du Soleil.

Assim que voltou ao Brasil, em 2010, se matriculou na Escola de Teatro Macunaíma: “Ali, nos palcos, realmente me encontrei”. Viveu “anos mágicos” no contato com professores e colegas artistas. Teve contato com textos profundos, como de Federico García Lorca.

Em 2012, estreou profissionalmente como atriz, no espetáculo A Flor de Varsóvia, texto de Luccas Papp e direção de Jacy Lage. E foi um grande desafio, já que fazia a antagonista, uma psiquiatra francesa que enlouquece ao perder os filhos na 2ª Guerra Mundial.

Sede de aprendizado

Foi ao ver a peça Luis Antonio – Gabriela, da Cia. Mugunzá, que decidiu que queria trabalhar com o diretor Nelson Baskerville. A montagem era sobre o irmão travesti do diretor. Um sucesso de público e de crítica. “Ele consegue tirar sensibilidade e beleza de um mundo ainda muito marginalizado. Acho que esse é o papel da arte no mundo. Dar voz a quem não tem”, define.

Ao saber que Baskerville dirigiria Lou&Leo, a peça biográfica sobre Leo Moreira Sá, que nasceu mulher e se tornou um homem, ela se ofereceu para dar assistência na peça. “Estava disposta a fazer qualquer trabalho desde que pudesse estar perto do Nelson, aprendendo”.

No dia a dia de leituras e ensaios ganhou a personagem Gabi, par romântico do protagonista. “No início, o Nelson não queria que a Gabi fosse personificada, mas durante o processo foi surgindo muita coisa e a Gabi nasceu”.

Para ela, a personagem é “quase um ser etéreo, meio anjo, meio demônio”. No palco, foi desafiada mais uma vez. “Tive de repensar minha relação com o corpo, pois, na peça, eu tirava a parte de cima da roupa”. E ainda cantava, conquistando de vez o público.

Em 2014, sonha em conseguir uma personagem de forte carga dramática. Acaba de voltar de Florença, na Itália, onde estudou o teatro italiano. Mergulhou em Pirandello e na comédia dell’arte.

Sem depender do tônus da pele

Revela que lida bem com a beleza. E confessa que se acha bonita, sim. “Não todos os dias, claro”, diz, sorrindo.

— Senti isso quando trabalhava no mundo corporativo. É aquela velha história, você tem que provar em dobro que é bom. Mas hoje já mudou. No Teatro não tem espaço pra isso. Você tem que estar entregue. Se for ali pra se exibir, leva uma rasteira na hora! É por isso que me apaixonei, pois posso fazer teatro até ficar velhinha, sem depender do tônus da minha pele [risos].

No futuro, quer fazer muito teatro e cinema. Num futuro mais distante, sonha em montar uma escola de teatro para crianças, em uma cidadezinha do interior de Minas ou de São Paulo.

Por conta de sua conexão com o mundo espiritual, diz que perdeu os medos. E cita Elis Regina para definir o que lhe deixa completa.

— “Eu quero uma casa no campo, onde eu passa ficar do tamanho da paz”. Este é meu conceito de felicidade.

beatriz aquino foto bob sousa 142 Conheça Beatriz Aquino, a beleza e o talento da musa do teatro que veio do mundo dos negócios

Beatriz Aquino: seu ideal de felicidade é "uma casa no campo" - Foto: Bob Sousa

 

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carol rodrigues eduardo enomoto 1 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues: logo na primeira peça ela foi eleita Musa do Teatro R7 - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Carol Rodrigues é boa atriz. E é linda. É também articulada. Fala bem, com um charmoso sotaque goiano.

Rodrigues é o sobrenome do avô paterno que acabou não saindo em seu nome oficial. Resolveu então adotá-lo e reinventar seu nome artístico, antes Carol Carolina. Quer coisas novas em 2014.

Termina agora o curso de atuação da SP Escola de Teatro e foi eleita Musa do Teatro R7 por sua atuação em seu primeiro espetáculo profissional: Entre Ruínas Quase Nada, do Teatro do Abandono, encenado na Casa do Povo, em São Paulo.

E isso ocorreu mesmo com sua beleza escondida atrás da feiura do fantasma de um homem com voz gutural que interpretava. Mas seu charme e vigor cênico estavam mais do que presentes.

carol rodrigues eduardo enomoto 2 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues é de Goiânia, mas vive em São Paulo desde 2008 - Foto: Eduardo Enomoto

Morou até os 24 anos em Goiânia, caçula dos quatro filhos do empresário Wilton Divino da Silva e da pedagoga Vânia Silva. Com os irmãos encaminhados, entrou para o curso de relações públicas da Universidade Federal de Goiás. Durante a graduação, chegou a morar um ano em Segóvia, onde cursou a Universidade de Valladolid.

Entretanto, o teatro era uma vontade desde criança. Aos 13, entrou para um curso de teatro da Escola Musyca, onde teve aulas com Mazé Alves. Mas a urgência do vestibular a fez deixar o palco para outro momento.

carol rodrigues eduardo enomoto 5 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Morena de beleza que hipnotiza quem está à sua volta, a goiana Carol Rodrigues quer viver da profissão de atriz; ela já conquistou os internautas do R7 e acaba de se formar em atuação - Foto: Eduardo Enomoto

Chegou a São Paulo em 2008, para fazer uma pós-graduação em comunicação empresarial. Foi morar com amigos. “São Paulo é assim: você chega e jogam um chumbo na sua cabeça”, lembra.

Aprendeu a andar de ônibus e de metrô, sofreu saudade da família, demorou a encontrar sua turma. Resolveu ser atriz. “O choque da cidade me fez olhar o que eu realmente queria”.

carol rodrigues eduardo enomoto 3 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues é relações públicas pela Universidade Federal de Goiás - Foto: Eduardo Enomoto

Aí o teatro apareceu. Após cursar uma escola para atores com a qual não se identificou, ficou sabendo pela amiga atriz Inara Vechina das inscrições para a SP Escola de Teatro, gratuita, o que fazia grande diferença. Passou. “Foi uma luz no fim do meu túnel”, conta.

Logo, foi conhecendo caras diversas do teatro brasileiro. E foi se compreendendo também. “Foi um crescimento que achei que nunca fosse alcançar. Entendi o que eu era e o que queria”, lembra.

carol rodrigues eduardo enomoto 4 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues acaba de concluir o curso de atuação da SP Escola de Teatro - Foto: Eduardo Enomoto

Aprendeu muitas coisas na marra. Conta que encontrou gente disposta a ajudá-la, como o coordenador de seu curso, Francisco Medeiros, o Chiquinho, e o diretor de sua peça, Filipe Brancalião.

Sobre qual é o lugar da beleza estonteante que tem, pensa, e responde: “A beleza sempre foi algo com que eu me preocupava. Sempre busquei trabalhos que pudessem me colocar em outro lugar que não fosse o da garota bonita. Fiz trabalhos assim durante todo o curso. O engraçado foi que no meu último experimento no curso, fiquei bonita em cena. Mas veio no momento certo. Já estava tranquila em relação a isso”, diz.

carol rodrigues eduardo enomoto 7 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Dona de beleza estonteante, Carol Rodrigues sempre buscou personagens complexos para interpretar, pois não quer ser apenas a garota bonita - Foto: Eduardo Enomoto

Com o diploma na mão, quer uma coisa só: “trabalhar muito”. Não tem preconceitos com seu ofício. “Quero fazer teatro, cinema e televisão. Ser atriz é algo que me faz ser quem sou, que me revelou como pessoa. Existe uma realidade sensível no artista que o coloca e o chama. Como atriz, faço uma expressão de vida. Se puder viver disso, vou ser muito feliz”.

Que assim seja.

carol rodrigues eduardo enomoto 6 Carol Rodrigues, o talento e a beleza da atriz

Carol Rodrigues apenas começa a subir escada de sua trajetória como atriz; ela vai longe - Foto: Eduardo Enomoto

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tiago leal eduardo enomoto 1 Tiago Leal, o menino tímido do interior gaúcho que virou ator e conquistou a metrópole paulista

Gaúcho da fronteira, Tiago Leal chamou a atenção dos internautas do R7 - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Tiago Leal é gaúcho de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, divisa com o Uruguai. Foi criado em fazenda, longe de gente e bem mais perto da natureza. Talvez, por isso, seja ainda tímido diante de uma equipe de reportagem. Ele foi eleito Muso do Teatro R7, por conta de sua atuação no espetáculo Adormecidos, do grupo Os Satyros, em São Paulo — a obra volta ao cartaz em janeiro de 2014.

Caçula e único homem dos três filhos do fiscal rural Alberto Leal e sua esposa, Vania, ele confessa: “Sempre tive fobia de gente”. Quando era menino e chegava visita em casa, se escondia. Aos 17 anos, quando era hora de partir da cidade pequena em busca de estudo universitário, que não havia por lá, resolveu repetir o terceiro ano do ensino médio para adiar a decisão. “Gostava de ir de bicicleta para a escola. Sempre fui bicho do mato”.

Costumava brincar no teatro abandonado da sua cidade, sem saber que um dia faria do palco sua profissão.

tiago leal eduardo enomoto 2 Tiago Leal, o menino tímido do interior gaúcho que virou ator e conquistou a metrópole paulista

Tiago Leal estudou teatro em Porto Alegre e também no CPT de Antunes Filho - Foto: Eduardo Enomoto

Aos 18, não teve jeito, foi estudar direito em Porto Alegre, para alegria de sua mãe. Do lado do apartamento onde se instalou, no boêmio bairro do Bonfim, havia o Teatro Escola de Porto Alegre. Resolveu dividir seu tempo entre o estágio no Tribunal de Justiça e o palco vizinho.

Logo se enturmou e foi chamado para fazer a peça A Guerra dos Ratos, com direção de Zé Adão Barbosa, com Cia. das Índias. “Foi lá também que a Cléo De Páris começou”, revela, sobre sua hoje companheira na Cia. Os Satyros.

Neste tempo, “dormia seis horas por dia e trabalhava que nem um cavalo”. Mas fazia o que queria. “Meu diretor falava que quem nasceu para fazer teatro tinha uma maldição [risos]”.

Formou-se advogado, mas nem foi buscar o diploma. Enveredou-se de vez pelos palcos. “Fui emendando uma peça atrás da outra”, lembra. Foi dirigido por Marco Fronchetti, até que Júlio Conte lhe chamou para fazer a remontagem da peça Bailei na Curva, que tinha também no elenco o hoje consagrado ator de cinema Júlio Andrade. Viveu o sucesso.

tiago leal eduardo enomoto 31 Tiago Leal, o menino tímido do interior gaúcho que virou ator e conquistou a metrópole paulista

Tiago Leal é integrante há oito anos do grupo teatral Os Satyros - Foto: Eduardo Enomoto

“Aproveitei para juntar um dinheiro e vir para São Paulo tentar pela segunda vez o CPT [Centro de Pesquisa Teatral] de Antunes Filho”. Dessa vez, o grande diretor lhe aprovou. “Mudei com a cara, a coragem e a grana do espetáculo”, recorda.

Sobre como foi sair da posição confortável de ator de uma peça de sucesso em Porto Alegre para o posto de jovem pupilo de Antunes na capital paulista, ele opina: “Sempre fui de um lugar muito pequeno, então, não tinha nada a perder”. Ficou dois anos no CPT, até que o dinheiro acabou e ele precisou sobreviver na metrópole.

“Dividia um quarto com quatro pessoas e precisava pegar água no Sesc para beber”, lembra, sobre a fase difícil. Surgiu a possibilidade de atuar no infantil É o Bicho, dirigido por Rosi Campos. “Passei como substituto do Kayky Brito. Então, o público ia vê-lo e dava de cara comigo [risos]”. Ele recorda que foi divertido fazer o teste. “De repente, estavam todos os ‘atores sérios’ do Antunes vestidos de mosquito da dengue, de urso, de criança na audição, porque todo mundo precisava sobreviver. Lembro-me que rimos muito daquela situação”.

E aí o grupo Os Satyros surgiu em sua vida. Está há oito anos na trupe fundada por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez. “Fiz muitas coisas com eles, como a peça Hipóteses para o Amor e a Verdade, que virou filme depois”.

tiago leal eduardo enomoto 41 Tiago Leal, o menino tímido do interior gaúcho que virou ator e conquistou a metrópole paulista

Bem-humorado, o ator Tiago Leal ainda se lembra dos tempos difíceis de quando chegou em São Paulo: "Já dividi muito sofá e animei muita criança no Sesc Itaquera" - Foto: Eduardo Enomoto

Hoje, mora sozinho em uma região nobre do centro paulistano, o que considera uma conquista. “Já dividi muito sofá velho e animei muitas crianças no Sesc Itaquera [risos]”. Com campanhas publicitárias aliadas ao posto fixo no grupo teatral, conseguiu se estabilizar. Mas sabe que tudo sempre é imprevisível nesta profissão. “Eu gosto muito de interior. Gosto de assistir ao Globo Rural de domingo. Quem sabe um dia eu não vá criar galinhas em um sítio?”, especula.

Está se preparando para uma maratona de peças com os Satyros em 2014, ano em que o grupo vai celebrar seus 25 anos. “Estou ensaiando muito e também dou aulas na oficina de atores do grupo”.

Aos 39 anos, diz que os amigos brincam, dizendo que ele é uma senhora inglesa muito fina e um maloqueiro aprisionados juntos em um corpo de playboy. Sobre o corpo sarado e os braços fortes que chamam a atenção e fizeram dele Muso do Teatro R7, desconversa. “Estão me zoando com essa história de ser muso. Até parei de nadar, porque acho que estou muito grande”. A quem interessar possa, ele nada todos os dias às 7 da manhã na piscina do estádio do Pacaembu.

Acanhado, diz que não entende por que desperta o interesse dos outros. “Acho a minha vida tão sem graça. Sempre achei a vida do outro mais interessante. Acho que por isso virei ator”.

tiago leal eduardo enomoto 5 Tiago Leal, o menino tímido do interior gaúcho que virou ator e conquistou a metrópole paulista

“Acho a minha vida tão sem graça. Sempre achei a vida do outro mais interessante. Acho que por isso eu virei ator”, diz o ator Tiago Leal, que sonha em um dia poder voltar para o interior - Foto: Eduardo Enomoto

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danielle rosa 1 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Criada em Vitória da Conquista, na Bahia, Danielle Rosa é o furacão do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quem vê Danielle Rosa no palco do Teat(r)o Oficina, em São Paulo, fica boquiaberto. A atriz exala confiança em cada cena. Seduz. Um verdadeiro furacão.

Quando a gente se encontra com Danielle fora do contexto cênico percebe que ela é calma, tranquila. Parece um pouco tímida, mas se entrega. É verdadeira.

Nasceu em Campinas, São Paulo, por um mero acaso. Considera-se baiana de Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha, onde morou de um aos 18 anos, quando abandonou a terra natal para estudar artes cênicas na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.

Caçula dos cinco filhos da dona de casa Dinalva Rosa Oliveira e de João de Oliveira, que já morreu, infelizmente, ela diz ser filha "de família meio nômade".

— Decidi ser atriz com 11 anos. Lembro-me que um dia acordei e falei: vou ser atriz. Foi como se tivesse ouvido um chamado.

danielle rosa 3 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Danielle Rosa é formada em artes cênicas pela UFBA e faz teatro desde os 15 anos - Foto: Eduardo Enomoto

Só começou nos palcos aos 15, primeiro com o grupo teatral do Instituto de Educação Euclides Dantas, onde estudou. Depois, com o grupo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia).

— Mudei-me para Salvador em 2013. Fui morar na Casa do Estudante da UFBA. Logo, montei com amigos o grupo Finos Trapos.

Mas a Bahia logo ficou pequena para o sonho simples e tão difícil de Danielle: sobreviver de sua profissão de atriz. Foi quando viu Os Sertões, encenação de José Celso Martinez Corrêa para o romance de Euclydes da Cunha com o Oficina em 2007. Conheceu ali o teatro que queria fazer. Decidiu que era hora de mudar-se mais uma vez.

— Vim para São Paulo com a cara e a coragem. Pensei comigo: não posso ficar esperando, preciso correr atrás do que acredito.

Sofreu muito na metrópole, mas decidiu "aguentar até o limite". Quando sente falta do acolhimento baiano, volta à terra natal para fazer "um respiro".

Entrou para o Oficina em 2011. No ano seguinte, embarcou com o grupo para a Europa, onde se apresentou na Bélgica e em Portugal com o espetáculo Bacantes. Depois, integrou Acordes, e, agora, Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1, no qual chamou a atenção do R7 e de todo o público como aquela sereia do inconsciente de todos nós.

danielle rosa 2 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

Sensual e de forte presença, Danielle Rosa foi um dos destaques de Cacilda!!! do Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Agora, viaja com o quarto e último espetáculo da saga sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema e Teatro, que tem estreia marcada no palco do Oficina para o próximo dia 14 de dezembro.  Em meio a tantas peças, Danielle sonha ainda em fazer cinema, em conquistar estabilidade profissional cada dia mais.

Diz que gosta do jeito de fazer teatro de Zé Celso e sua turma. Conta que em "cada dia de ensaio é preciso estar plena", que vive "uma descoberta diária". Questionada de onde vem a força que demonstra em cena, pensa e responde.

— O aqui e agora é único. Isso dá muita vida a tudo o que acontece. Cada dia em que saio do fosso para fazer a cena é especial.

Sobre o destaque que teve em Cacilda!!!, explica de forma serena.

— Acho que aconteceu em parte porque sou a primeira a aparecer nua [risos]. Eu lido de forma natural com a nudez. Não penso nisso e busco a segurança no olhar das pessoas. Acredito muito em meu trabalho e neste teatro que faço. E também sou segura com meu corpo. Acho, que de alguma forma, o público sente isso também. No Oficina, sempre estou à vontade.

danielle rosa 4 foto eduardo enomoto 2013 Danielle Rosa, o furacão sereno do Teatro Oficina

De alma baiana, a atriz Danielle Rosa é um furacão cheio de serenidade - Foto: Eduardo Enomoto

 

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tony reis foto eduardo enomoto 2013 1 Conheça Tony Reis, o ator que conquista o público do Oficina de Zé Celso com seu sorriso cativante

Baiano de Salvador, Tony Reis é um dos destaques do elenco do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Tony Reis é despachado. Com o ator baiano de Salvador não tem cara feia. No primeiro diálogo, abre aquele sorriso perfeito e verdadeiro de encantar qualquer um. Está em São Paulo há seis anos. Veio na marra. Tentar o sonho da vida artística. E vê, aos poucos, os projetos virarem realidade. Foi um dos destaques do espetáculo do Oficina Cacilda!!! Glória no TBC - Capítulo 1, de José Celso Martinez Corrêa e Marcelo Drummond.

Começou cedo no mundo das artes. “Em Salvador, você já nasce fazendo algo artístico. Seus vizinhos batucam, a família brinca de interpretar, tem roda de capoeira, de samba e terreiro em cada esquina”. Assim, afirma que não escolheu a profissão. Foi escolhido por ela.

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A beleza marcante logo o levou para o caminho da publicidade. Fez muitos comerciais e até uma ponta em uma gravação de Malhação em Salvador. Gostou daquela história de representar.

Correu para os cursos de teatro da Funceb e do Sesc Casa do Comércio. Integrou o grupo Psicodélicos, mas, com o tempo, foi percebendo a dificuldade de ser ator na Bahia. Até que tomou uma decisão importante: se mudar para São Paulo.

tony reis foto eduardo enomoto 2013 2 Conheça Tony Reis, o ator que conquista o público do Oficina de Zé Celso com seu sorriso cativante

Tony é persistente e corre atrás do que quer: no começo, sofreu muito em SP - Foto: Eduardo Enomoto

No começo, sofreu muito. Percebeu de cara que os paulistanos eram bem mais fechados e sisudos que os baianos. Fazer amigos demorou. Acabou conseguindo fazer a série televisiva Som e Fúria, dirigida por Fernando Meirelles, nosso grande cineasta de Cidade de Deus. “Vim na cara e na coragem. Meus amigos me falavam, vá conhecer o teatro do Zé Celso. Você vai adorar”.

Resolveu ir ver Cacilda!!, o segundo espetáculo da saga sobre Cacilda Becker feita por José Celso Martinez Corrêa e Marcelo Drummond. Ficou encantando. “Eu me lembro que falei para mim mesmo: é isso o que quero para minha vida”. Há dois anos, integra o Teat(r)o Oficina. “Fui bem recebido e abençoado”, declara.

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Ganhou os personagens Sargento e Bicha Lili, em O Assassinato do Anão do Caralho Grande, peça de Plínio Marcos dirigida por Marcelo Drummond. Zé Celso viu, gostou e convocou Reis para fazer Macumba Antropofágica. “Foram só lágrimas quando ele me chamou”, recorda.

Em 13 de dezembro de 2013, volta aos palcos do Oficina em Cacilda!!!!, a última peça da saga. “Sempre acreditei que podia e dei minha cara a tapa. O que me fez chegar até aqui foi a coragem. Costumo dizer que o que não me mata me fortalece.”

tony reis foto eduardo enomoto 2013 3 Conheça Tony Reis, o ator que conquista o público do Oficina de Zé Celso com seu sorriso cativante

"Costumo dizer que o que não me mata me fortalece", Tony Reis, ator - Foto: Eduardo Enomoto

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lucas andrade foto eduardo enomoto 2013 Conheça Lucas Andrade, o jovem ator que se destacou como Caetano Veloso em peça do Oficina

Paulistano criado na Penha, zona leste paulistana, Lucas Andrade chamou a atenção do público paulistano ao interpretar Caetano Veloso na peça Cacilda!!!, no Teat(r)o Oficina de Zé Celso - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

No mais recente espetáculo de José Celso Martinez Corrêa, Cacilda!!! Glória no TBC – Capítulo 1, escrito em parceria com Marcelo Drummond, o jovem ator paulistano Lucas Andrade, de apenas 18 anos, viveu dois personagens de destaque. Interpretou o estudante Edson Luís, morto pela ditadura militar em 1968, e também o cantor e compositor baiano Caetano Veloso. Seu charme e sotaque baiano em cena chamaram a atenção de todos os espectadores.

Criado na Penha, na zona leste de São Paulo, ele começou a fazer teatro na escola, sob instrução do professor e ator José Barbosa. Tinha apenas 11 anos, mas sentiu que seu rumo era o palco. “Logo procurei o projeto Teatro Vocacional, da Prefeitura de São Paulo. Fazia aulas de teatro no CEU Quintas do Sol”, lembra.

Leia o especial do Dia da Consciência Negra!

Com o tempo, veio o desejo de “aprofundar mais”. “Eu queria me profissionalizar como ator”, diz. Foi para o Estúdio de Treinamento Artístico (ETA), na Bela Vista, região central de São Paulo. Aos 16 anos, entrou para a Cia. Naturalis. “Meu primeiro espetáculo foi O Pacto, da diretora Poliana Pitteri, em 2012, no Studio 184, ali na praça Roosevelt”, recorda.

lucas andrade foto eduardo enomoto 2013 2 Conheça Lucas Andrade, o jovem ator que se destacou como Caetano Veloso em peça do Oficina

Aos 18 anos, Lucas Andrade começou a fazer teatro com 11 anos na escola - Foto: Eduardo Enomoto

Foi conhecendo gente e se enturmando. Até que veio o convite para desfilar na ala cênica da escola de samba Nenê de Vila Matilde, capitaneada pelos integrantes do Teat(r)o Oficina de Zé Celso. “A Elisete Jeremias, o Zé [Celso] e o Tony [Reis] gostaram muito de mim e me deram força para entrar no grupo. Já tinha visto o espetáculo Macumba Antropofágica e havia gostado muito”.

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Para o quarto espetáculo sobre Cacilda Becker, Cacilda!!!!, que estreia no Oficina em 13 de dezembro, já está escalado para personagens importantes. “Um dos personagens será uma homenagem à primeira atriz negra do TBC [Teatro Brasileiro de Comédia]”.

Sobre ter virado Caetano em Cacilda!!!, o jovem teoriza: “Eu não tenho cara de Caetano, tenho cara de Gil. No delírio do Zé Celso, o Gil adolescente virou Caetano”. E o que o jovem Lucas acha do Caetano dos tempos atuais, quase cinquenta anos depois do Caetano que ele interpreta? “Hoje, o Caetano ficou mais careta... Na verdade, eu não sei qual está sendo a do Caetano. Eu prefiro a música dele”. As do presente ou as do passado? “As do passado”.

lucas andrade foto eduardo enomoto 2013 3 Conheça Lucas Andrade, o jovem ator que se destacou como Caetano Veloso em peça do Oficina

“Eu não tenho cara de Caetano, tenho cara de Gil. No delírio do Zé Celso, o Gil adolescente virou Caetano”, diz Lucas Andrade, um dos caçulinhas do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

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ENO 0087 copy Junior Docini, o ator que desbrava a metrópole com jeito de menino do interior

"Gosto de experimentar no palco", diz Junior Docini, ator de São Caetano do Sul, em SP - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Apesar do impacto visual inicial que provoca, o ator Junior Docini, eleito Muso do Teatro R7, logo se mostra homem simples. O jeitão de menino de interior contrasta com a figura imponente.

Nasceu em 21 de julho de 1987, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, onde vive até hoje. “Sempre vivi em São Caetano, gosto de lá, onde está minha família, meus amigos”.

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Junior Docini emocionou a família em cena de Dentro É Lugar Longe, da Trupe Sinhá Zózima - Foto: Eduardo Enomoto

Segundo dos três filhos do gerente comercial Adevanir Docini e da dona de casa Nanci Nascimento Docini, viveu cedo a perda do pai. Na peça Dentro É Lugar Longe, com a trupe Sinhá Zózima, revive esta dor em cena.

“Procurei o pai que nunca conheci. Minha família se emocionou muito quando viu a peça”, conta. Carrega consigo, orgulhoso, o nome do pai. É Adevanir Antônio Docini Junior.

Cresceu brincando na rua, perto das duas avós e da mãe, a quem chama de “sua vida”.

Sobre a beleza, desconversa. Diz que ficou assustado com a história de ser eleito Muso do Teatro R7. “Sempre fui o feio da turma quando criança. Na adolescência, era gordinho, baixinho e na escola me deram o apelido de Tio Chico, igual ao personagem da Família Addams”, conta, sorrindo.

Foi aos 15 anos que seu corpo mudou. Espichou de uma vez só, emagreceu. “Aí a beleza começou a aparecer”. Andou de skate, jogou futebol, teve a banda de rock Apolo 87, em parceria com o irmão músico, Eduardo, o Duda. O baixista do grupo, João Pedro, um dia lhe convidou para ir a um curso de teatro.

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Eleito Muso do Teatro R7, Junior Docini diz que nem sempre foi bonito: "Na adolescência, era baixinho, gordinho. Tão feio que meus amigos que apelidaram de Tio Chico, aquele personagem da Família Addams" - Foto: Eduardo Enomoto

Bonitão, Junior logo chamou a atenção de todo mundo. Quando viu, já estava escalado para as peças do Teatro Experimental Maria Tita, com o qual viajou muito nos festivais da vida. Aos 18 anos, entrou para a Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Não parou mais. Hoje, é orientador na instituição.

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Junior Docini diz que herdou a veia artística da mãe, dona Nanci, que adora cantar - Foto: Eduardo Enomoto

Herdou a veia artística da mãe, que adora cantar. “A dona Nanci é a rainha do videokê do bairro. Meus amigos adoram ir lá em casa cantar com ela”.

Diz que adora fazer peça da Trupe Sinhá Zózima, que acontecem dentro de um ônibus em movimento. “Assim que o Anderson Mauricio [diretor] me chamou eu fui. Nem quis saber de grana. Fui pela arte”.  Além de Dentro É Lugar Longe, atuou também em Cordel do Amor sem Fim.

“Também fiz o Folias [grupo teatral do bairro Santa Cecília, em São Paulo] entre 2009 e 2011. Sempre estou em algum espetáculo em cartaz”, entrega. “Sou um ator que gosta de mudança, de experimentar. Gosto de andar por aí, de pesquisar”, define.

Será protagonista do próximo longa de Fauzi Mansur, que deve ser lançado em breve. Tem vontade de fazer mais cinema e também televisão. “Meu sonho é fazer outros tipos de atuação”.

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Junior Docini está em cartaz em Dois Perdidos Numa Noite Suja, com texto de Plínio Marcos e direção de Amir Haddad; ele também será protagonista do próximo longa de do cineasta Fauzi Mansur - Foto: Eduardo Enomoto

Atualmente, além de viajar com a Sinhá Zózima, se prepara para a estreia de Dois Perdidos Numa Noite Suja, texto de Plínio Marcos com a Cia. do Lixo [veja serviço abaixo]. Contracena com Valter Carriel na obra dirigida por Amir Haddad, a quem define como "um sábio, um mestre”.

Envolto em tantos projetos, Junior ainda encontra tempo para fazer capoeira. “Sou professor de capoeira. Sabia que já fui campeão brasileiro e paulista?”. Bom, isso já é assunto para um outro dia...

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Apesar da beleza evidente, Junior Docini tem jeitão de menino do interior - Foto: Eduardo Enomoto

Dois Perdidos numa Noite Suja
Quando: Quarta a domingo, 20h e 21h30. De 8/11/2013 até 8/12/2013
Onde: Espaço Cultural Criar (r. Limeira, 148, Jardim Pedroso, Mauá, São Paulo, tel. 0/xx/11 5084-0620)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

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lauanda varone eduardo enomoto 1 Lauanda Varone, a atriz atrás de um sonho

Lauanda Varone, uma musa gaúcha determinada nos palcos da metrópole São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quando é dia de domingo, Lauanda Varone se junta com a mãe e a tia, no alto do apartamento da rua Vergueiro, em São Paulo, para ouvir músicas tradicionalistas do Rio Grande do Sul. É o momento de nostalgia para recuperar as forças para enfrentar a dureza da semana paulistana.

Lauanda é atriz. Chamou a atenção na peça O Casal Palavrakis, em cartaz até 2 de novembro no Teatro Heleny Guariba, na praça Roosevelt. Tanto que foi eleita Musa do Teatro R7 pelos internautas do portal.

Nasceu em Cruz Alta, interior do Rio Grande do Sul. Há sete anos, resolveu deixar tudo para trás e mudar-se para São Paulo. A mãe e a tia vieram juntas, embalar o sonho dela.

Diz que seu interesse por teatro vem “desde pequena”. Tanto que, assim que pode, foi estudar teatro em Santa Maria, cidade há 130 km de sua terra natal. Tinha apenas 11 anos. Fazia todos os cursos artísticos disponíveis na região.

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Lauanda Varone é de Cruz Alta, no interior do Rio Grande do Sul, onde começou no teatro - Foto: Eduardo Enomoto

A mãe, a professora universitária Neiva Varone, sempre deu todo o apoio. Logo, viu Lauanda entrar para o Grupo Teatral Máschara. A filha ficou conhecida na cidade. Mas, a menina queria mais.

“Vim para São Paulo fazer um teste em uma agência de atores. Assim que chegamos, falei para minha mãe: eu quero morar aqui”, lembra.

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Menina do interior: Lauanda não reclama do trânsito e do metrô paulistano; ela gosta - Foto: Eduardo Enomoto

A mãe embarcou na aventura da filha. “Ela tinha acabado de montar um consultório de psicopedagogia e largou tudo. Mas ela também tinha vontade de se mudar. Conseguiu se aposentar e veio. Depois, também veio minha tia, Maria Helena, que já morava conosco no Sul”.

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Lauanda Varone tem 24 anos e "muita vontade de crescer" - Foto: Eduardo Enomoto

Lauanda Varone tem 24 anos e “muita vontade de crescer”. Entretanto, viu que as coisas em São Paulo não eram tão simples quanto em seus sonhos de menina do interior. Contudo, não se deixou assustar pelo tamanho grande de tudo. “Até trânsito e metrô lotado eram uma curtição para mim. Era um deslumbramento que não sei se passou por completo”, conta.

Mas muitas coisas se assentaram com o tempo. “Em Cruz Alta todo mundo do meio teatral sabia que eu era atriz. Aqui, em São Paulo, não ser uma pessoa reconhecida no meio do teatro foi muito louco para mim. Tem muita gente querendo isso. Caiu a ficha de que o que eu queria era bem mais complexo do que eu imaginava”, avalia.

Precisou fazer “um trabalho de desconstrução” diante do novo. Se abrir para novas referências e paradigmas. No meio tempo, estudou um bocado: fez duas faculdades, de produção audiovisual e rádio e TV, uma pós-graduação em artes cênicas na Faculdade Paulista de Artes e ainda entrou para o curso de atuação da SP Escola de Teatro. “Comecei a me abrir para outras maneiras de enxergar o teatro que antes nem se passavam pela minha cabeça. Tive de desaprender bem mais do que aprender”.

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Lauanda Varone pode ser vista nos palcos na peça O Casal Palavrakis, em SP - Foto: Eduardo Enomoto

Sua primeira peça veio em 2008, Antes que Seja Tarde, com direção de Dan Rosseto. A segunda é O Casal Palavrakis, com direção de Reginaldo Nascimento. “Entrei para fazer produção de vídeo, mas uma atriz precisou sair e ele me convidou. O Reginaldo abriu as portas do teatro para mim”.

Launda sabe que “sobreviver de teatro é coisa difícil”. Mas segue em busca deste sonho antigo. “Crescer no teatro tem a ver também com crescimento individual e meu autoconhecimento. Quero conseguir me transformar para tocar o público”, declara.

Está aberta para as oportunidades que vierem além dos palcos. Mas afirma que sempre com os pés no chão. “Quando você está no interior, acha que fazer televisão é dar certo na vida. Depois que você chega aqui em São Paulo, vê que não é bem assim. Se um dia acontecer TV e cinema, será bem-vindo, mas vou sempre manter minha praia no teatro”.

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A atriz gaúcha e Musa do Teatro R7 Lauanda Varone: "O teatro é a minha praia" - Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Centro Cultural São Paulo, pela locação para o ensaio fotográfico.

O Casal Palavrakis

Avaliação:
Bom
Quando:
Sábado, 21h. 80 min. Até 2/11/2013
Onde: Teatro Studio Heleny Guariba (praça Franklin Roosevelt, 184, Consolação, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3259-6940)
Quanto: R$ 30
Classificação etária: 16 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Lauanda Varone, a atriz atrás de um sonho

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livia la gatto eduardo enomoto 2 Livia La Gatto, a atriz que ri com inteligência

Livia La Gatto: quando inteligência se une à visão bem-humorada da vida - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

A atriz Livia La Gatto é despachada. Fala bem, é articulada, tem carisma. É fã de Terça Insana e de Drica Moraes, a quem considera “um estouro”. Gosta de imitar as pessoas, de brinca com a situação. Tem raciocínio rápido. É bem-humorada. Fica feliz em ver as pessoas sorrindo.

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O talento de Livia La Gatto chamou a atenção do público na peça Cuidado: Garoto Apaixonado - Foto: Eduardo Enomoto

Na peça adolescente Cuidado: Garoto-Apaixonado, tal qual um Galileu Galilei mudou a ordem de rotação vigente e eclipsou todo o resto como a divertida bibliotecária com sotaque argentino. Fez de sua coadjuvante o papel principal. Coisa de quem tem talento.

Para quem precisa de referências, Lívia lembra uma mistura de Denise Fraga com Ingrid Guimarães. Ao ouvir isso, diz que é elogio, pois admira as duas.

Fazer a peça foi uma insistência dela. Pediu o papel para a diretora Flávia Garrafa. Personagem que a própria Flávia havia interpretado 15 anos atrás, quando Lívia viu a obra, ainda adolescente.

Nasceu em São Paulo. É aquariana, mas diz que o seu ascendente em áries a salvou. Foi criada na zona sul, em Santo Amaro. Há um ano, saiu da casa dos pais para dividir apartamento com duas amigas no largo da Batata, em Pinheiros. Com a troca do trem pelo metrô, ganhou mais tempo na vida.

É filha da psicóloga Rosangela La Gatto e do argentino Guillermo La Gatto, consultor de mercado. É dele o sobrenome que chama a atenção. "Não sei de onde vem, deve ser de uma família italiana antiga [risos]". O pai foi um verdadeiro aventureiro. Em plena ditadura militar argentina, escapou de seu país com amigos em um carro e veio parar no Brasil, onde refez a vida. É dele o sotaque que Lívia faz no palco.

Lívia é filha única. Como o irmão que sempre quis não veio, fez muitos amigos. A primeira peça que fez foi no grupo de teatro da escola, logo depois que viu Marcelo, Marmelo, Martelo e decidiu que seria atriz. Tinha 11 anos.

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A atriz Livia La Gatto teve uma banda que marcou as festas da USP: Los Bagaceras - Foto: Eduardo Enomoto

O grupo de teatro Expressão era conduzido por uma jovem e divertida professora chamada Flávia Garrafa, que mais tarde cruzaria com ela em vários momentos. Não sabia direito por que fazia teatro. Mas esperava ansiosa a semana inteira pela aula de teatro. “Gostava de estar lá”, resume.

Hoje, formada em artes cênicas pela Universidade de São Paulo, ela também dá aulas. Colou grau e pegou o diploma nesta semana, logo depois desta entrevista e sessão de fotos no R7. Com os alunos, vive o outro lado e gosta.

Lívia trabalha desde muito cedo. “Sempre fui a muambeira da escola, vendia de tudo”, lembra. A grana apertada na família a levou logo a se virar. Foi hostess, animadora de buffet infantil, monitora de acampamento, secretária, atendente de videolocadora – época em que Raul Cortez era seu cliente e seu coração batia forte cada vez que ele a cumprimentava antes de pegar um filme –, garçonete.

Começou a dar aula de teatro com apenas 19 anos. Aprendeu a ganhar seu próprio dinheiro e comprou sua guitarra. Porque Lívia também canta. E compõe. “Gosto da bagaceira dos anos 1980 e 1990”, confessa.

Sempre está metida com algo novo. Acaba de encerrar a temporada de Cuidado: Garoto Apaixonado no Teatro Sérgio Cardoso. Mas, engana-se quem pensa que ela tem mais tempo. Dá aula de teatro na escola pública Oswaldo Aranha e na particular Porto Seguro . E ainda faz aula de sapateado e canto na Casa Operária.

E permanece no cartaz com a peça Salém, dirigida por Júlio Braga, no Teatro Alfredo Mesquita, além de ensaiar a peça O Labirinto de Filó, que estreia em setembro no Espaço Canto Cidadão.

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Livia La Gatto nasceu em São Paulo e é filha de uma brasileira e de um argentino - Fotos: Eduardo Enomoto

Logo que saiu da USP, criou com amigos o Grupo de Teatro Meio, que estudava comédia. Foram corajosos e alugaram um espaço perto do metrô Marechal Deodoro, que ficou quatro anos aberto. “Não ganhou fomento nem patrocínio e, infelizmente precisamos fechar. Eu precisava trabalhar, ganhar dinheiro. Grupo é foda. Vira sua família, mas tem a questão da grana, que você acaba tirando do bolso para o grupo existir”.

Mergulhou também na música. Criou com amigos a banda Los Bagaceras, sucesso nas festas animadas da USP com o hit Amor de Micareta, composto por ela. “Íamos dos Mamonas Assassinas aos Beatles. A gente tocou muito também no Espaço da Cia. da Revista, ali na praça Roosevelt”.

Não perdia a chance de rebater uma piada desde pequena. “É gostoso quando você fala algo e todo mundo ri. Eu gosto de gente bem-humorada. O humor é uma forma de ver o mundo. Na escola, não namorava o bonitão, mas o gordinho engraçadinho [risos]”.

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Livia La Gatto não para: atua em várias peças, e ainda faz aula de sapateado e canto - Foto: Eduardo Enomoto

Fica triste quando sente que gente do teatro tem preconceito com a comédia. Não gosta que vejam o riso como algo menor. “Ator tem de topar tudo, não ter preconceito. Tem gente que sobe no salto sem ter. Fiquei anos estudando comédia na USP, em um grupo de pesquisa, fomos de Os Três Patetas a Friends. O humor é matemático. Tem suas regras e seu tempo”.

Para o futuro, espera coisas boas, trabalhar com grandes atores, crescer em sua profissão. “Eu quero tudo. Quero fazer teatro, cinema, televisão. Quero comunicar com as pessoas. Não quero ficar nessa de só fazer teatro para a classe. Eu gosto de todas as artes juntas, acontecendo”.

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Salto para o futuro: Livia La Gatto quer crescer como atriz e se comunicar cada vez mais com o público: "Não quero ficar nessa de só fazer teatro para a classe. Gosto de todas as artes juntas, acontecendo" - Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Carmem San Diego (make up)

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