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IMG 7693 Grupo Magiluth celebra centenário de Gonzagão com turnê teatral nas ruas de Pernambuco

Quando a zabumba encontra o teatro de rua: Magiluth celebra o conterrâneo centenário Luiz Gonzaga

Por Miguel Arcanjo Prado

Se estivesse vivo, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, completaria cem anos no próximo dia 13 de dezembro. Mas, se a festança já começou nos shows e cinemas de todo Brasil, ela não poderia deixar de ocupar o palco também. Ou melhor, ocupar o teatro de rua.

E claro que tal homenagem teria de vir de uma trupe pernambucana. E ninguém melhor do que o Grupo Magiluth, que representa o novo teatro de Recife, ser o responsável por transformar a música de Gonzagão em beleza cênica nas cidades de Recife, Olinda, Garanhuns, Caetés, Caruaru e Vitória.

O espetáculo Luiz Lua Gonzaga estreia neste sábado (8) e fica em cartaz até o próximo dia 16 em sua turnê frenética de fim de ano.

Com o novo projeto, os meninos do Magiluth demonstram que já estão craques em homenagear centenários. Já que celebraram o do dramaturgo Nelson Rodrigues, outro pernambucano ilustre, em agosto último, com uma montagem inteiramente masculina de Viúva, porém Honesta, que causou frenesi no Rio, em Salvador e no Recife.

O novo projeto tem apoio da Funarte, pelo Prêmio Funarte Centenário Luiz Gonzaga, que patrocinou 30 iniciativas em todo país de diferentes linguagens que visassem celebrar nosso grande cantor e compositor nordestino.

Como o ritmo do xaxado pede, o Magiluth vai ao encontro do povo no espetáculo de rua. Erivaldo Oliveira, ator da trupe, diz que objetivo é aproximar o grupo da gente que não tem costume de frequentar o teatro.

IMG 7717 Grupo Magiluth celebra centenário de Gonzagão com turnê teatral nas ruas de Pernambuco

Quando a música encontra o teatro: Luiz Lua Gonzaga

Pedro Wagner, também ator, lembra que a música é parte primordial do trabalho. Para darem conta do recado, os seis meninos do Magiluth chamaram os músicos Pedro Cardoso e João Tragtenberg, este último um catarinense que viajou a Pernambuco para aprender a tocar sanfona com o Mestre Camarão.

Pedro Vilela, diretor da montagem, prefere a palavra celebração a espetáculo para defini-la, já que o objetivo mesmo é homenagear o conterrâneo tão importante. Um dos charmes é um boneco manipulado pelo elenco, criado pelo ator Lucas Torres. “O objetivo é remeter à tradição das feiras populares, tão comuns no Nordeste”, revela.

Quem pensa que a obra é um relato enciclopédico se engana redondamente. Giordano Castro, responsável pela dramaturgia, diz que o objetivo “não foi realizar uma biografia, mas ativar questões que estão na obra de Luiz Gonzaga e na memória popular do nordestino”.

Completa o elenco Mario Sergio Cabral, o caçulinha do Magiluth e, claro, Muso do Teatro R7. A produção executiva é assinada pela sempre competente Mariana Rusu.

Veja abaixo quando e onde o Magiluth se apresenta, sempre com entrada gratuita:

ETAPA 1
Dia 8/12 – Sábado
16:00 – Praça Tertuliano Feitosa (Praça do Hipódromo) – Hipódromo, Recife.
20:00 – Praça da Sé - Olinda

Dia 10/12 – Segunda-feira
16:00 – Biblioteca Comunitária Amigos da Leitura – Alto José Bonifácio, Recife.
20:00 – Biblioteca Popular do Coque – Coque, Recife.

Dia 11/12 – Terça-feira
16:00 – Terminal do Alto do Capitão
20:30 – Praça do Arsenal – Bairro do Recife, Recife.

ETAPA 2
Dia 15/12 – Sábado
16:00 – Garanhuns - Parque Euclides Dourado
20:00 – Caetés - Praça da Matriz

Dia 16/12 – Domingo
16:00 – Caruaru - Parque Severino Montenegro
20:00 – Vitória – Praça do Distrito de Pirituba

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pedro vilela magiluth foto bob sousa O Retrato do Bob: Pedro Vilela, o sonhador coletivo

Torcedor do Náutico, o ator e diretor do Magiluth Pedro Vilela posa para Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

Pedro Vilela tudo resolve no Magiluth, grupo de Recife do qual São Paulo já sente saudade – eles passaram os últimos dois meses na metrópole paulista, em temporada de três espetáculos na Funarte.

Líder natural da companhia de seis atores pernambucanos, sabe a importância da palavra gestão. E faz valer o que diz desde que entrou no grupo para ser iluminador. Por isso, ganhou respeito e espaço.

Está acabando por se tornar um diretor natural da trupe. Com a montagem de Viúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues, que apresentam neste domingo (19) no Teatro Santa Isabel, o mais tradicional de Recife, faz sua segunda direção.

A encenação do Magiluth abre o 10° Festival Recifense de Literatura. Depois, esperam conseguir do Poder Público local um teatro que os abrigue na capital pernambucana, porque as coisas não andam nada fáceis para os artistas nos palcos de lá.

A primeira direção de Vilela foi em O Canto de Gregório, apresentando na temporada paulistana e que chega ao Rio em outubro agora.

Quando era pequeno, o menino Pedro, criado no centro recifense, ao lado da Igreja da Santíssima Trindade, chegou até a pensar em ser padre. Foi coroinha e tudo, encantado por toda aquela liturgia da Igreja.

Depois, torcedor do Náutico, quis ser jogador de futebol, mas logo percebeu que sua sina era ser artista. Afinal, qual lugar melhor do que o palco do teatro para realizar trapaças iguais àquelas com as quais se divertia menino, vendo Pica-Pau e Pernalonga aprontar?

No momento, mata a saudade de casa. Mas comemora a temporada em Sampa. Foi criativa. Moraram os seis em um apartamento que respirava arte em todos os cômodos. E usaram extenuantes ensaios na Funarte, a uma quadra do apê, para dar o toque do Magiluth à obra do centenário Nelson Rodrigues, que nasceu em Recife há exatos cem anos no próximo dia 23.

Foi Vilela quem escolheu montar Viúva, porém Honesta, uma farsa irresponsável de nosso dramaturgo, cheia de reviravoltas. A peça foi apresentada no Rio, no Teatro Dulcina, que reuniu artistas de todo o País para homenagear o mestre. Coincidência, ele e os meninos montaram a obra em dois meses, tempo igual ao que Nelson Rodrigues levou para escrevê-la e levá-la ao palco.

Para dar conta de tanta batalha, Pedro Vilela conta com a companhia de Maira Rusu, sua mulher há três anos. Ela passou e passa, a seu lado, por todos os perrengues e conquistas do grupo. Segura a barra.

Aos 27 anos, ele tem um sonho coletivo: ver o Magiluth crescer, conquistar sua sede, onde possam montar seus trabalhos, receber e formar novos artistas na capital pernambucana. Como líder nato, pensa em todos.

— O Magiluth não quer ser um estranho no ninho. Queremos contagiar todo Recife. Por isso, meu sonho é coletivo.

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Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

Os atores pernambucanos do Magiluth vivem a “nossa linda juventude”. Por conta da temporada de três peças que fazem até julho na Funarte, em São Paulo, Um TortoO Canto de Gregório e Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você, eles alugaram um apartamento enorme, com vista linda de morrer para o centro, defronte ao Minhocão.

Foi lá que nos receberam de um jeito despretensioso, íntimo e caloroso no fim da manhã da última terça-feira (18).

Com idade entre 23 e 30 anos, os seis atores, Pedro Vilela, Lucas Torres, Mario Sergio Cabral, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira e Pedro Wagner, curtem morar juntos na metrópole.

magiluth bob sousa 19 6 12 Magiluth em SP: seis homens moram juntos em apartamento no Minhocão para viver de teatro

Os Novos Pernambucanos do Teatro: Erivaldo Oliveira, Pedro Wagner, Pedro Vilela, Lucas Torres, Mario Sergio Cabral e Giordano Castro - Magiluth - Foto: Bob Sousa

Quando batemos à porta, alguns saíam do banho. O apartamento é uma espécie de QG dos Novos Pernambucanos do Teatro, apelido que receberam deste jornalista em referência aos Novos Baianos, que sacudiram a música brasileira nos anos 70. “Só a Baby está difícil de achar”, brinca Pedro Wagner.

Mas mulher não faz falta no apartamento no 10º andar do edifício numa esquina da avenida São João. “É que mulher às vezes é muito chata”, confessa Erivaldo. Pedro Vilela parece não concordar. Conta que sua esposa, Mariana, chega nos próximos dias para uma curta temporada no apê.

Novidade de Recife

O grupo surgiu em 2004, quando integrantes da extinta Cia. Gambiarra se juntaram aos primeiros elementos do Magiluth (Marcelo Oliveira, Giodarno Castro, Lucas Torres e Thiago Liberdade – Magiluth é a somatória das primeiras sílabas dos quatro nomes originais). “Somos o KLB do teatro”, gargalham, entre uma tragada e outra no cigarro. Apesar da saída de Marcelo e Thiago, o nome foi mantido.

De cara, os meninos saídos do curso de licenciatura em teatro da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) conquistaram o jovem público recifense, sedento pela novidade: intimista, o Magiluth faz um tipo de teatro incomum no Nordeste. Sempre quiseram fazer o deles, sem vontade de “entrar na noia de teatro de produtores” nem embarcar na limitação de apenas dar aula. “Somos atores, viciados em teatro”, explica Pedro Wagner.

A grande virada veio em 2009, quando começaram a viajar. Porto Alegre, Brasília, São Luís, Rio, Guaranhuns, São Paulo e Curitiba foram desbravadas.

Turbulências e amizades

Quem sofre com tantas viagens é Giordano, que até grita dentro do avião, dependendo da intensidade da turbulência. Para infelicidade do rapaz, já passou por tudo: de turbina com defeito a voo arremetido. Toma remédio para dormir, mas os comprimidos só fazem efeito quando chega ao destino. “As viagens de avião para mim são intermináveis”, confessa.

A participação no projeto Rumos, do Itaú Cultural, em 2011, foi fundamental para selar laços com outras companhias. Se ajudam desde então.

Bem quistos pela turma do teatro, os rapazes já estão ambientados em São Paulo, apesar de sofrerem nos dias de muito frio. Acostumaram-se até com os viciados em crack nas ruas do centro. Nem se assustam mais. Curtem tudo tanto que dizem “não saber ainda o que vai ser a volta ao Recife”. É que os retornos sempre são seguidos de crise.

Entretanto, jamais negam as origens. “É preciso sempre olhar seu quintal para depois olhar o quintal de fora”, diz Mario. Giordano completa: “Somos do Recife. Nossas referências estão todas lá”, enquanto oferece um biscoito.

É à beira do rio Capibaribe que fica a sede alugada do grupo. Que sonham um dia ser própria. “A gente nunca conseguiu projeto nenhum nosso ser aprovado nos editais de Pernambuco. Só conseguimos editais de outros Estados ou nacionais”. Uma vergonha, autoridades pernambucanas.

“Depois de São Paulo e do Festival de Curitiba, a repercussão foi enorme com nosso trabalho”, conta Lucas, satisfeito de ver que o grupo também conquistou a imprensa especializada.

E pelo jeito o sucesso vai continuar, já que, no fim de julho  ocupam o Teatro Vila Velha, em Salvador. Depois, se apresentam no Rio, no começo de agosto, com uma versão só com homens para Viúva, Porém Honesta, do centenário Nelson Rodrigues.

Caos e festa junina

Mas eles curtem mesmo é o presente, coletivo. Aproveitam a vida boa, fazendo o que mais gostam.

Para dar ordem ao caos do apartamento de seis machos, dividem as tarefas domésticas. Na geladeira, fica a escala de quem lava a louça. Foi preciso a burocracia do papel, porque “tiveram alguns probleminhas”.

Como bons pernambucanos, são festeiros. Prometem para breve celebração junina que vai abalar o prédio. Vão chamar amigos íntimos que fizeram na cidade. “Vocês estão na lista de convidados”, nos contam. Lisonjeados, Bob e eu confirmamos: “É claro que vamos”.

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aquilo Pernambucanos misturam tudo no liquidificador e jogam na cara do público do Festival de Curitiba

Jogo de luzes coloridas se destaca na peça pernambucana em Curitiba - Foto: Divulgação

CURITIBA (PR) - Uma mistura de tudo sem muita definição. Isso caracteriza o espetáculo que o Grupo Magiluth, de Recife (PE), apresentou na Mostra Oficial da 21ª edição do Festival de Curitiba, Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você.

No que nomeiam “teatro contemporâneo”, a companhia que existe desde 2004 com atores saídos do curso de Artes Cênicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) leva cinco atores ao palco sob direção do grupo em parceria com Luiz Fernando Marques.

Em cena, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Pedro Wagner e Pedro Vilela ora mergulham em si mesmos durante o que parece ser uma festa, ora interagem com o público, fazendo o espectador comer amendoim japonês e até beber cerveja da marca patrocinadora do festival.

Na noite desta quinta (5), parte dos espectadores do Teatro Paiol aceitou o convite de sair de seu assento e participar da festa no palco. Houve até quem compartilhou informações íntimas com todo mundo. Mas também teve quem preferiu ficar quietinho no seu canto, recusando-se a sair do papel de público.

Contudo, a dramaturgia, feita pelo grupo recifense a partir de imagens de Curitiba, é construída em uma miscelânea onde tudo cabe.

Nordestina, a trupe tentou proximidade com o público sulista, inserindo no texto locais queridos dos curitibanos, como praças, bairros e até uma maternidade da cidade, mas também problemas, como o consumo do crack e a violência na periferia.

Com a deixa e sob um ar aparentemente despudorado, os atores jogam na cara da plateia seus problemas familiares, amorosos e existenciais. Um deles até tira a roupa para mostra “algo enorme” que guarda em si.

A iluminação de Pedro Vilela ganha força na cena em que um jogo de lâmpadas coloridas cria uma espécie de constelação multicor que surge aos poucos, ou quando, no escuro, os atores fazem surgir pequeninas estrelas com isqueiros gastos.

Contudo, tais momentos poéticos não conseguem de todo sustentar a peça. A montagem tenta abarcar tanta coisa que acaba se perdendo no meio do caos que instalou.

O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você
Avaliação: regular
Quando: sexta (6), às 21h (última apresentação)
Onde: Teatro Paiol (praça Guido Viaro, s/nº, Prado Velho, Curitiba)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação: 18 anos

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