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Dizer aquilo que nao pensamos em linguas que nao falamos foto Guilherme Bonfanti 4 Teatro da Vertigem abre o jogo sobre nova peça

Nova do Vertigem: cena de Dizer Aquilo que Não Pensamos em Línguas que Não Falamos - Foto: Guilherme Bonfanti

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O Teatro da Vertigem marcou para a próxima quinta (18) um encontro para abrir o jogo em relação a seu novo processo criativo: Dizer Aquilo que Não Pensamos em Língua que Não Falamos, com direção de Antônio Araújo e dramaturgia de Bernardo Carvalho.

Antes de dar as caras no Brasil, a peça já fez duas curtíssimas temporadas na Europa, com mistura de brasileiros e belgas no elenco.

Esses meninos do Vertigem são fogo. Tanto que apresentaram-se em Bruxelas, no Villes en Scène, e também no Festival de Avignon.

O bate-papo com os paulistanos sobre a obra começa às 20h, na sede da trupe, na rua Treze de Maio, 340, na Bela Vista, em São Paulo, onde só cabem 40 pessoas (tel. 0/xx/11 3255-2713). Pode ir quem quiser e não será cobrada entrada (quem for esperto vai chegar cedo). Além do diretor, estarão na mesa Eliana Monteiro, Guilherme Bonfanti e Roberto Audio.

A peça Dizer Aquilo que Não Pensamos em Língua que Não Falamos conta a história de um homem que não fala desde que a mulher morreu. Aí, ele resolve voltar com a filha à cidade onde viveu durante um exílio político.

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bibi ferreira Aos 92 anos, Bibi Ferreira canta Sinatra em show

Bibi Ferreira canta Frank Sinatra aos 92 anos: ela está com tudo - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Bibi Ferreira é um assombro no palco. Disso, o Brasil inteiro já sabe. Mesmo assim, aos 92 anos, faz questão de demonstrar sua proeza mais uma vez.

A atriz e cantora filha de Procópio Ferreira estreia novo espetáculo nesta sexta (19), celebrando os 15 anos do Teatro Renaissance, em São Paulo.

No show Bibi Ferreira Canta Repertório de Frank Sinatra, ela se une ao maior cantor da música dos Estados Unidos.

E carrega consigo uma verdadeira orquestra, com 18 músicos regidos pelo maestro Flávio Mendes. O roteiro do show é assinado por Bibi, Mendes e Nilson Raman, seu produtor de longa data.

A volta de Bibi ao Renaissance é natural, já que foi ela quem inaugurou o teatro em 1999, com Bibi canta Piaff.

Sem falsa modéstia, Bibi diz que está mais do que familiarizada com o novo repertório: "Demorei muitos anos, mas cheguei à minha praia". Bibi é a primeira mulher a fazer um show só com músicas de Sinatra. Tinha mesmo de ser ela.

No repertório do show de 70 minutos estão clássicos como Night and Day, Please, Ol' Man River, I've Got You Under My Skin e, claro, My Way.

A temporada vai até 7 de dezembro de 2014. Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 20h. A entrada varia de R$ 100 a R$ 140. O Teatro Renaissance fica na alameda Santos, 2.233, em São Paulo, próximo ao metrô Consolação.

 

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TROFEU ARLEQUIM 2014 Veja quem levou o Troféu Arlequim 2014 do Festival de Teatro Cidade de São Paulo

Troféu Arlequim 2014: acima, Hamelete, do Grupo Careta, melhor espetáculo adulto; abaixo, Vovô Fugiu de Casa, da Cia. Dom Caixote, melhor espetáculo infantil - Fotos: Javier Cencig e Agatha Paulita

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O 5º Festival de Teatro Cidade de São Paulo chegou ao fim na última semana, após movimentar o Teatro União Cultural, em São Paulo. O evento deu o Troféu Arlequim aos melhores, dentre as 13 peças para adultos e sete para crianças que foram apresentadas. O evento é criação de Eduardo Marins e tem patrocínio dos Correios. O júri foi formado pela dramaturga e atriz Jhaíra, o dramaturgo, diretor e ator Rui Xavier e o dramaturgo, diretor e crítico Lucianno Maza. Os vencedores na categoria melhor espetáculo, Grupo Careta e Cia. Dom Caixote, ganharam temporada no mesmo espaço onde o festival foi realizado.

Veja, abaixo, quem ganhou:

ILUMINAÇÃO - INFANTIL
Indicados:
Iohan Iori (O Sorriso do Gato de Alice)
Luiz F. Petuxo (Vovô Fugiu de Casa)
Wagner Pinto (Meia, Sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé)
Vencedor: Luiz F. Petuxo (Vovô Fugiu de Casa)

ILUMINAÇÃO - ADULTO
Indicados:
Alexandra Deitos (4ª Reticência)
Eder Soares & Wanderley Damaceno (O Longo Caminho Que Vai De Zero a Ene)
Marcelo Jacob (Hamelete)
Vencedor: Alexandra Deitos (4ª Reticência)

FIGURINO - INFANTIL
Indicados:
Celly Martins & Tally Mendonça (Violeta, A Menina Leitora)
Guilherme Fraga (Vovô Fugiu de Casa)
Muriel Vitória (O Sorriso do Gato de Alice)
Vencedor: Guilherme Fraga (Vovô Fugiu de Casa)

FIGURINO – ADULTO
Indicados:
Milton Fucci (Hamelete)
Stella Portieri (Viúva, Porém Honesta)
Thiago Jacob (Escola de Mulheres)
Vencedor: Milton Fucci (Hamelete)

CENOGRAFIA – INFANTIL
Indicados:
Joyce Cristina (Quem Comeu As Historinhas?)
Luiz F. Petuxo (Vovô Fugiu de Casa)
Muriel Vitória (O Sorriso do Gato de Alice)
Vencedor: Luiz F. Petuxo (Vovô Fugiu de Casa)

CENOGRAFIA – ADULTO
Indicados:
Luiz F. Petuxo (O Parturião)
Priscilla Ribeiro (S-Antas)
Thiago Jacob (Escola de Mulheres)
Vencedor: Luiz F. Petuxo (O Parturião)

ATOR COADJUVANTE – INFANTIL
Indicados:
Alef Barros (Violeta, A Menina Leitora)
Rodolfo Chagas (Xaulim e as Estátuas)
Tainan Leopoldo (Meia, Sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé)
Vencedor: Tainan Leopoldo (Meia, Sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé)

ATOR COADJUVANTE – ADULTO
Indicados:
Ademir Esteves (Escola de Mulheres)
Alberto Vizoso (Hamelete)
Yves Carrasco (Hamelete)
Vencedor: Alberto Vizoso (Hamelete)

ATRIZ COADJUVANTE - INFANTIL
Indicados:
Marcia Okubo (Violeta, A Menina Leitora)
Tally Mendonça (Violeta, A Menina Leitora)
Rose Bertolucci (Vovô Fugiu de Casa)
Vencedor: Tally Mendonça (Violeta, A Menina Leitora)

ATRIZ COADJUVANTE - ADULTO
Indicadas:
Danielle Scavone (Viúva, Porém Honesta)
                   Magali Camargo (O Monstro de Jackson)
Márcia Oliveira (Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Vencedora: Danielle Scavone (Viúva, Porém Honesta)

ATOR – INFANTIL
Indicados:
Daniel San Martin (Vovô Fugiu de Casa)
Mauro Przewozinski (Meia, Sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé)
Vitor Faria (Vovô Fugiu de Casa)
Vencedor: Daniel San Martin (Vovô Fugiu de Casa)

ATOR – ADULTO
Indicados:
Davi Caseira (Memórias Póstumas de Brás Cubas)
David Carolla (O Longo Caminho Que Vai de Zero e Ene)
Anderson Negreiro (O Longo Caminho Que Vai de Zero e Ene)
Vencedor: David Carolla (O Longo Caminho Que Vai de Zero e Ene)

ATRIZ – INFANTIL
Indicadas:
Carolina Piai (Violeta, A Menina Leitora)
Bruna Lopes (Xaulim e as Estátuas)
Priscila Figueiredo (Meia, Sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé)
Vencedora: Priscila Figueiredo (Meia, Sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé)

ATRIZ – ADULTO
Indicadas:
Marília Grampa (S-Antas)
Priscilla Ribeiro (S-Antas)
Stella Portieri (Viúva, Porém Honesta)
Vencedora: Stella Portieri (Viúva, Porém Honesta)

DIRETOR – INFANTIL
Indicados:
Lucas França (Violeta, A Menina Leitora)
Luiz F. Petuxo (Vovô Fugiu de Casa)

Rick dos Anjos (Xaulim e as Estátuas)
Vencedor: Luiz F. Petuxo (Vovô Fugiu de Casa)

DIRETOR – ADULTO
Indicados:
Lívia Simardi (Hamelete)
Zé Aires (Viúva, Porém Honesta)
Wanderley Damaceno (O Longo Caminho Que Vai de Zero e Ene)
Vencedor: Zé Aires (Viúva, Porém Honesta)

PRODUÇÃO - INFANTIL

Indicados: Cia. Dom Caxote (Vovô Fugiu de Casa)
Priscila Figueiredo (Meia, Sapato e Chulé... Tudo Dá no Pé)
Tally Mendonça (Violeta, A Menina Leitora)
Vencedor: Cia. Dom Caxote (Vovô Fugiu de Casa)
PRODUÇÃO - ADULTO
Indicados: Cia. Loucos do Tarô (Viúva, Porém Honesta)
Ed Fuster & Karen Francis (4ª Reticência)
Patrícia Palhares (Hamelete)
Vencedor: Patrícia Palhares (Hamelete)

ESPETÁCULO – INFANTIL
Indicados:
Violeta, A Menina Leitora (Grupo Obinha! de Teatro)
Vovô Fugiu de Casa (Cia. Dom Caixote)
Xaulim e as Estátuas (Grupo Teatrorama)
Vencedor: Vovô Fugiu de Casa (Cia. Dom Caixote)

ESPETÁCULO – ADULTO
Indicados:
Hamelete (Grupo Careta)
Memórias Póstumas de Brás Cubas (Grupo Artemis de Teatro)
Viúva, Porém Honesta (Cia. Loucos do Tarô)
Vencedor: Hamelete (Grupo Careta)

Temporada dos espetáculos vencedores:

Infantil - VOVÔ FUGIU DE CASA Adaptado e dirigido por Luiz Felipe Petuxo. Com Cia. Dom Caixote.
Teatro União Cultural. Sábados e domingos, 16h. Livre. 60 min. Estreia: 20 de Setembro. Até: 19 de Outubro.* R$ 30,00.
* Dias 11 e 18 de Outubro, excepcionalmente, não haverá espetáculo.
Sinopse: Aventura. Vencedor do Festival de Teatro Cidade de São Paulo 2014. Baseado no premiado livro de mesmo nome de autoria de Sérgio Capparelli, o espetáculo conta a envolvente amizade e a fuga delirante de um avô e seu neto quando a família decide internar o primeiro em um asilo.

Adulto - HAMELETE de Octávio da Matta. Direção: Lívia Simardi. Com Grupo Careta.
Teatro União Cultural. Quartas e quintas, 21h. 12 Anos. 70 min. Estreia: 17 de Setembro. Até: 09 de Outubro. R$ 30,00.
Sinopse: Comédia. Vencedor do Festival de Teatro Cidade de São Paulo 2014. A obra prima de William Shakespeare deixou sua marca no sertão brasileiro e sua história se passa na fazenda Dinamarca. Transformado num poema em forma de cordel, juntando à tragédia, elementos de comédia da cultura popular nacional.

TEATRO UNIÃO CULTURAL
Rua Mário Amaral, 209, Paraíso. Telefone: 0/xx/11 2148-2904. Metrô Brigadeiro (Lado Jardins). 285 lugares. Horário da bilheteira: Quarta a sexta, 13h às 16h e 17h às 21h, e sábado e domingo, 13h às 16h30 e 17h30 às 21h.

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miriam mehler foto bob sousa5 O Retrato do Bob: Miriam Mehler, diva catalãFoto BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Miriam Mehler completa 79 anos neste 15 de setembro de 2014. Muita gente não sabe que ela nasceu em Barcelona, na Catalunha, Espanha, quando seus pais, judeus, fugiam da Alemanha nazista. Chegaram a São Paulo em 1938, quando tinha três anos. Sua peça mais recente foi A Última Sessão, que lotou o Teatro Shopping Frei Caneca, em São Paulo, no primeiro semestre deste ano, na qual contracenava com Laura Cardoso, Nívea Maria e Etty Fraser, entre outros. Miriam é da geração de ouro dos palcos e fez parte dos mais importantes grupos da história do nosso teatro. Em 1958, atuou em Eles Não Usam Black-Tie no Teatro de Arena. Também estudou na EAD (Escola de Arte Dramática). Daí, foi para o Oficina, de Zé Celso, onde fez história na década de 1960. Foi ela quem fundou o Teatro Paiol, ao lado de Perry Salles, com quem foi casada. Mais tarde o teatro seria capitaneado pelo casal Paulo Goulart e Nicette Bruno. Na TV, fez novelas memoráveis como O Direito de Nascer, em 1978, na Tupi, As Pupilas do Senhor Reitor, em 1994, no SBT, A Escrava Isaura, em 2004, na Record, e Insensato Coração, em 2011, na Globo. Posou para nosso Bob Sousa com todo seu carisma. É a diva catalã de nosso teatro.

Visite o site de Bob Sousa

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menores foto copo diseno Crítica: Teatro dando uma de pobre coitado vira motivo de riso em peça mexicana no Mirada

Mexicana Menores que o Guggenheim mostra angústia de se fazer teatro - Foto: Copo Diseño

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

Estar atentos aos editais. Escrever projetos. Entregar toda a documentação direitinho. Esperar pelo resultado. Nem sempre ganhar. E, quando tudo dá certo, a vitória vai só até o fim da temporada. Porque, depois, é preciso recomeçar tudo outra vez.

A conhecida instabilidade profissional e financeira do artista de teatro na América Latina é o pano de fundo da peça mexicana Menores que o Guggenheim, do grupo Los Guggenheim. O espetáculo foi apresentado no Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, que chegou ao fim neste sábado (13).

Na encenação, mergulhada na metalinguagem até o último fio de cabelo, um grupo de teatro tenta sobreviver com uma nova peça, enquanto procura espantar o fantasma dos tempos em que dois de seus integrantes tentaram se aventurar na Europa em um sonho fracassado de conquistar o "Primeiro Mundo".

O título da peça sai da relação de um dos personagens com o Museu Guggenheim Bilbao, no País Basco, diante do qual se dá conta de ser um latino-americano e não um europeu, em um rompante de autopreconceito.

Alejandro Ricaño, que assina dramaturgia e direção, constrói uma atmosfera de fracasso iminente, tão comum nos países latino-americanos, com um sentimento presente de inferioridade diante da metrópole de seu passado colonial que ainda é difícil expurgar.

O achado da montagem é expor esta realidade de interiorização da própria cultura diante daquela europeia, vista como superior, infelizmente, ainda tão presente neste lado do Atlântico. E ainda mostrar que os donos do discurso de que o teatro é um pobre coitado também têm seus mecanismos de oprimir o ainda em situação pior. Isso fica muito claro na relação de opressão que os produtor-diretor da peça tem com seu elenco.

A peça acerta ao fazer seu discurso sobre uma base de humor, tendo intérpretes carismáticos em cena conquistando o espectador até mesmo quando os diálogos são de um preconceito evidente.

Na encenação, o artifício dos artistas para levantar a obra de teatro dentro da obra de teatro dá lugar a outras discussões latentes que circundam a história, como a orientação sexual escondida de um dos integrantes ou o racismo em relação ao ator albino do elenco — uma metáfora para a situação do próprio negro no teatro mexicano; e também brasileiro.

O único tropeço da peça é estender-se demasiadamente em sua reta final, o que acaba de tornar enfadonho o seu repetir tal qual um disco arranhado sobre o mesmo tema. Um bom corte na parte derradeira teria feito muito bem.

De toda forma, Menores que o Guggenheim é um espetáculo que registra com propriedade a angústia cotidiana comum ao artista latino-americano, com seu sonho de realizar sua arte. Por mais que olhe para o próprio umbigo, o faz com mérito, inteligência e graça. E mostra que, para sair desse disco arranhado de pobre coitadinho é preciso, antes de tudo, abandonar de vez esse choramingar.

Menores que o Guggenheim
Avaliação: Bom
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Teatro dando uma de pobre coitado vira motivo de riso em peça mexicana no Mirada

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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Menores que o Guggenheim
Avaliação: Bom

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13 sonhos Crítica: Colombianos fazem público do Mirada mergulhar em sonho e navegar no inconsciente

Um amor cheio de dor: dança apaixonada é um dos melhores momentos de 13 Sonhos - Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

O burburinho foi grande em relação a 13 Sonhos (ou somente um atravessado por um pássaro), espetáculo colombiano que se apresentou na garagem do Sesc Santos nesta terceira edição do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, que chegou ao fim neste sábado (13). Tanto que foi preciso agendar sessões extras.

13 sonhos3 Crítica: Colombianos fazem público do Mirada mergulhar em sonho e navegar no inconsciente

13 Sonhos teve sessões extras no Mirada - Foto: Divulgação

Tal qual um mergulho de Alice no País das Maravilhas, a superprodução do Teatro Odeon concebida e dirigida por Laura Villegas levou o público a uma espécie de sonho-delírio dividido em 13 etapas, cada qual uma potente instalação.

A obra dialoga com praticamente todas as vertentes artísticas possíveis e exige, em momentos certeiros, certa participação do público, chamado a utilizar sentidos como o paladar e mesmo o tato, quando uma chuva cai sobre suas cabeças de forma provocante.

13 sonhos2 Crítica: Colombianos fazem público do Mirada mergulhar em sonho e navegar no inconsciente

Confissões telefônicas em nome do amor: público escuta com cumplicidade - Foto: Divulgação

Sabedores da proposta ousada que oferecem, os artistas  dão champanhe aos espectadores no começo de tudo, em uma espécie de bar cabaré. É uma sugestão para se estar mais sensível à experiência estética proposta, o que parece apropriado.

Em meio a tantas cenas, uma chama a atenção por sua precisão técnica ao mesmo tempo repleta de emoção: o pas de deux no qual dois bailarinos se dilaceram em nome de um amor que se mistura à crueldade. A dança é envolvente e o público acompanha, curioso, os diálogos entre o casal por meio de escutas telefônicas. É o grande momento do espetáculo.

Com as possibilidades infinitas do sonho, o Odeon fez o público santista percorres suas 13 estações, nas quais parte da história era contada, fazendo ou não sentido. Há uma acidade de carro, um pássaro sapateador, uma diva que dança no palco. Afinal, os sonhos carecem da obrigação de serem precisos.

Muito pelo contrário, os sonhos — e os pesadelos também — são uma experiência absolutamente estética mergulhada no subconsciente. Assim, o espetáculo, ao fazer seu público chegar perto deste estado sensivelmente delicado, ganha respeito e contundência.

13 Sonhos (ou somente um atravessado por um pássaro)
Avaliação: Muito bom
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Colombianos fazem público do Mirada mergulhar em sonho e navegar no inconsciente

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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rapsodia gutomuniz Crítica: Cubana tortura plateia do Mirada e expõe com crueza sobrevivência na ilha de Fidel Castro

Cena da peça Rapsódia para uma Mula (Rapsódia para el Mulo): grito de sobrevivência em meio à derrocada do socialismo em Cuba - Foto: Guto Muniz

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

Espetáculos cubanos são sempre motivo de curiosidade quando apresentados fora da ilha sob comando dos irmãos Castro desde 1959.

Afinal, ver artistas deste país em cena é uma forma de apreender o que se passa realmente no contexto cubano, o que não costuma ser objeto de divulgação nos meios oficiais.

Quem viu Rapsódia para uma Mula, peça do grupo El Ciervo Encantado que representou Cuba na terceira edição do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, esteve diante de uma visão sombria e confrontante da realidade cubana. Quase que intragável.

Assim que os refletores que quase cegam a plateia — uma referência clara à tortura — diminuem sua força, o público vê surgir no espetáculo-performance a artista Mariela Brito. Ela está nua, com o corpo apenas pintado de forma tribal. E começa a arrastar por intermináveis 55 minutos uma carroça pelo cenário, num rumo que é dar voltas sobre o próprio eixo.

rapsodia 2 Crítica: Cubana tortura plateia do Mirada e expõe com crueza sobrevivência na ilha de Fidel Castro

Rapsódia para uma Mula: combate diário pela sobrevivência em Cuba sem perder a esperança - Foto: Divulgação

Espécie de Mãe Coragem da ruína socialista, ela traz em sua carroça bugigangas distintas, em um arrastar cotidiano, uma espécie de combate diário repleto de esperança. Entre outros objetos, há espaço na carroça para uma pedra pesada, um retrato de família e um livro que faz clara referência ao comunismo decadente.

Enquanto a atriz se arrasta pelo palco com uma expressão de espanto que não sai de seu rosto, fazendo com que babe durante a caminhada lenta, uma rádio toca trilhas sonoras de grandes sucessos do cinema hollywoodiano de forma leviana.

A inspiração para o espetáculo dirigido por Nelda Castillo foi o poema homônimo de José Lezama Lima. A direção e a perfomer conseguem traduzir um clima de tensão misturada com cansaço tanto no corpo da artista quanto na plateia.

A realidade cubana surge em uma alegoria triste e constantemente assombrada, mas, sobretudo, resignada com seu infortúnio.

O momento final, no qual Brito chega ao limite do corpo e utiliza uma necessidade fisiológica como recado artístico potente, é também a possibilidade de confronto a quem não tem o direito a voz, ao discurso livre.

Ao fim, refletores voltam a cegar a plateia, enquanto a atriz permanece imóvel em sua triste sina. Rapsódia para uma Mula é um espetáculo tão difícil quanto deve ser viver e ser artista em uma ditadura. Mesmo que de viés supostamente esquerdista.

É importante salientar que o fato de o espetáculo existir diz muito sobre a Cuba atual. Prova de que a censura na ilha hoje já não é mais tão feroz quanto em tempos de outrora. Sinal de que a ditadura também já não é mais tão potente assim.

Rapsódia para uma Mula
Avaliação: Bom
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Cubana tortura plateia do Mirada e expõe com crueza sobrevivência na ilha de Fidel Castro

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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castigo valentino saldivar Crítica: Castigo desvenda abuso infantil no Mirada

Castigo: criança sem saída diante da opressão de um pai monstruoso em peça chilena - Foto: Valentino Saldivar

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

O Chile encerrou o Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, neste sábado (13), exibindo uma potência teatral que justifica ter sido o país convidado de honra no evento promovido pelo Sesc. Foram sete peças chilenas dentre as 25 internacionais da programação com 40 espetáculos.

Castigo, do Teatro La Memória em parceria com a Fundação Teatro a Mil, levou ao palco o incômodo tema do abuso infantil praticado em família, infelizmente tão comum em sociedades covardes, machistas e patriarcais.

Espinhento e muitas vezes ignorado, o assunto é tratado em um teatro de estado, com uma estética realista e ao mesmo tempo poética, na qual o silêncio diz muito ao impor opressão que não precisa sequer ser verbalizada. E tal opressão se dá em distintas camadas dentro das paredes daquela casa, em um jogo sórdido onde só há fracasso, maldade e rancor.

castigo1 Crítica: Castigo desvenda abuso infantil no Mirada

Um jantar intragável: ambiente realista de Castigo reproduz cotidiano opressor - Foto: Valentino Saldivar

A obra tem direção de dramaturgia de Cristian Plana, que se baseou em O Filho da Criada, de August Strindberg. A peça conta com um elenco que une técnica e talento, formado pelos talentosos Alexandra von Hummel, Daniela Ropert, Diego Salvo, Natalia Ríos e Rodrigo Soto.

castigo valentino saldivar2 Crítica: Castigo desvenda abuso infantil no Mirada

Olhar cúmplice com a maldade: Castigo mostrou potência teatral do Chile no Mirada - Foto: Valentino Saldivar

Juntos, formam uma família de um passado não tão distante assim, na qual o pai reina como opressor e abusador do menino, sob olhares cúmplices de sua mulher e da empregada da casa, e mais, traumatizando a filha menor, que cresce neste ambiente doentio repleta de traumas.

O cenário de Fernando Quiroga, Cristián Canales e Sandro Compayante dialoga com o tom realista da montagem, criando com perfeição a atmosfera de um jantar intragável na sala de uma espécie de casa grande na qual o senhor é dono de todos, sem chance de contestação.

O espetáculo é duro, como o é este tipo de abuso na vida real, no qual os próprios pais, em vez de proteger suas crias, como seria a lei natural da natureza, tornam-se seus algozes, gerando traumas e destruindo futuros.

A cena poética ao final, com os personagens lutando contra a força implacável de uma tempestade de neve que começa a encobrir tudo, mostra que, por mais que se tente enterrar algumas tristes memórias, elas são capazes de se manterem vivas e dilacerantes.

Castigo
Avaliação: Ótimo
Avaliacao Otimo R7 Teatro PQ Crítica: Castigo desvenda abuso infantil no Mirada

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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2014 09 10 Teatro ofic Walmor cacilda Foto Nilani Goettems 7653 Mirada faz Pelé e Neymar dividirem reinado com teatro em Santos; 70 mil viram peças do festival

Multiétnico: Teat(r)o Oficina apresenta Walmor y Cacilda 64: Robogolpe no Mirada 2014 - Foto: Nilani Goettems

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos

A terra que revelou Pelé e Neymar para o mundo virou também palco do teatro ibero-americano no Brasil. Buscar a integração maior entre o teatro brasileiro e o de outros países latino-americanos, além de Espanha e Portugal, é o chamariz do Mirada, cujo nome já deixa clara a ideia de um olhar contínuo.

2014 09 08 S. Jorge Menino Foto Nilani Goettems 6758 Mirada faz Pelé e Neymar dividirem reinado com teatro em Santos; 70 mil viram peças do festival

Peça São Jorge Menino é apresentada à beira mar em Santos, durante o Mirada 2014 - Foto: Nilani Goettems

A terceira edição do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos chega ao fim neste sábado (13) tendo apresentado 40 espetáculos na Baixada Santista, dos quais 25 foram internacionais.

O público final é de 70 mil pessoas, mais que três vezes a capacidade do estádio da Vila Belmiro, do Santos Futebol Clube, onde Pelé e Neymar foram revelados.

O número de público em 2014 é menor que os 100 mil de 2012 e maior do que os 50 mil de 2010. Segundo a organização, o número caiu em relação à última edição porque esta contou com o evento Rodrigueanas, que reuniu muitas pessoas pelas ruas santistas, com as noivas que homenageavam o centenário de Nelson Rodrigues.

Mais uma vez, o eventou buscou apresentar o melhor do teatro produzido na Península Ibérica e na América Latina, como forma de se traduzir a diversidade da região. O Chile, país convidado de honra, apresentou peças potentes como Otelo e Castigo.

Tradução de culturas

Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc em São Paulo, avaliou o festival em conversa exclusiva com o R7.

"A América Latina toda reflete sobre sua identidade no Mirada. Isso você vê nos trabalhos de todos os países, que traduzem as suas culturas. Refletem o passado, o presente e o futuro. Assim, o porvir é sempre positivo", afirma.

neto Mirada faz Pelé e Neymar dividirem reinado com teatro em Santos; 70 mil viram peças do festival

Luiz Ernesto Figueiredo, o Neto, gerente do Sesc Santos, faz o balanço: "A equipe do Mirada merece meu respeito" - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Para Luiz Ernesto Figueiredo, o Neto, gerente do Sesc Santos, o Mirada já conseguiu o "reconhecimento internacional". "Tivemos a procura de muitos produtores de fora que quiseram acompanhar o festival", conta.

Segundo ele, 93% dos espetáculos tiveram lotação esgotada. "Apenas em alguns casos específicos tivemos espectadores que compraram ingresso e não apareceram", conta. Esta edição contou com quatro novos espaços na cidade, totalizando 25 palcos.

Neto diz ao R7 que está satisfeito com sua equipe, formada por 280 funcionários do Sesc Santos e mais 90 emprestados de outras unidades da rede Sesc em São Paulo. "Isso sem contar em mais de 500 pessoas da rede em São Paulo que nos ajudaram a planejar o Mirada".

A cidade de Santos, na visão de Neto, precisa melhorar a rede hoteleira para atender às exigências de um festival do porte do Mirada, que aumentou o número de artistas de 420 em 2012 para 600 em 2014. "É uma cidade de tradição de turismo de fim de semana, com muitos leitos em pequenos estabelecimentos e poucos grandes hotéis. Como temos o objetivo de estabelecer a troca e a convivência entre os artistas, isso precisa melhorar. Mas faço questão de agradecer a parceria com a Prefeitura de Santos, fundamental para o festival".

Neto finaliza a terceira edição do Mirada agradecendo a todos que colaboraram com o evento. "O Mirada é feito para as pessoas. E o fazemos respeitando os trabalhadores e as questões de segurança. Deu tudo certo. A equipe do festival merece todo o meu respeito", diz.

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A atriz Juliane Elting, do Teat(r)o Oficina, durante sessão do Mirada, em Santos - Foto: Nilani Goettems

Troca de experiências

O Mirada atraiu muita gente de teatro com vontade de trocar experiências e fazer parcerias. Este tema é obsessão do produtor Felipe González, diretor da Difusa Fronte(i)ra, a única produtora especializada em produção cultural da América Latina. A entidade tem sede em São Paulo, mas com direito a braços em cidades como Buenos Aires e Cidade do México.

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Peça 13 Sonhos (Ou Somente um Atravessado por Um Pássaro), da Colômbia - Foto: Jorge Pizarro

“Queremos facilitar a circulação da cultura na América Latina, aproximando grupos, e tentando proporcionar criações coletivas. Existimos desde 2006 e produzimos uma média de cinco projetos novos por mês”, revela.

Ele ainda dá uma pista a quem quiser procurá-lo: “Gostamos de trabalhos que quebram a estrutura do teatro tradicional”, diz González.

Trabalhos como o colombiano 13 Sonhos, que fez uma instalação na garagem do Sesc Santos, e o mexicano Banhos Roma com uma narrativa fragmentada e tecnológica foram nesta linha no Mirada, enquanto que o mexicano Menores que o Guggenheim fez humor com o fazer teatro.

"Compartilhamento de vivências"

A diretora paraguaia Paola Irún também aposta em uma integração cada vez maior do teatro latino-americano. Com seu grupo En Borrador fez uma residência conjunta com o [ph2] estado de teatro, grupo paulistano, durante o festival.

“O Mirada é um espaço onde convivem olhares diferentes, um lugar de compartilhamento de vivências”, diz Irún. A brasileira Paola Lopes, do [ph2], concorda: “A troca é fundamental na criação de qualquer projeto artístico consistente”.

Jorge Baez, ator paraguaio do En Borrador, diz que o “desafio é imenso” e que o Mirada é um avanço importante. “É um festival com variadas propostas estéticas. O panorama que apresenta é enorme”.

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Os atores Lucas Andrade e Nash Laila em Walmor y Cacilda 64: Robogolpe - Foto: Ennio Brauns

Ponto para Zé Celso

Apesar de o Mirada ter acertado em muitos aspectos, o R7 sentiu falta, por exemplo, de atores negros nas montagens. Contam-se nos dedos da mão as companhias que tinham integrantes negros em seus elencos. Ao lado do Projeto Bispo e de Pindorama, o Teat(r)o Oficina foi uma das exceções no contexto do festival, ao apostar em um elenco multiétnico. Ponto para o seu diretor, Zé Celso.

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Festival Mirada dialoga com a cidade de Santos: teatro por toda a cidade do litoral de SP - Foto: Nilani Goettems

Um festival que se propõe a ser um panorama da diversidade latino-americana precisa se atentar para a representação étnica no palco, sobretudo com grupos importantes produzindo um teatro negro de vigor na atualidade, como Os Crespos e Coletivo Negro, em São Paulo, e o Bando de Teatro Olodum, em Salvador. Fica a observação como incentivo a um aprimoramento no futuro.

Leia a cobertura do R7 no Mirada

Olhar múltiplo

Rafael Viana, da equipe nacional do projeto do Sesc Palco Giratório, participa do Mirada como forma de fazer descobertas.

Ele conta que neste ano o Palco Giratório faz circular 30 espetáculos por 700 cidades brasileiras. E reforça a importância de um olhar múltiplo: “Nossa equipe do Palco Giratório tem 30 curadores. Isso é fundamental para que as escolhas sejam diversas. Vir ao Mirada é uma forma de fazer um intercâmbio de ideias e experiências”, conta.

O professor da Unesp Alexandre Mate, um dos mais importantes pesquisadores do teatro brasileiro, também aposta no diálogo. “É importante saber o que pensam os promotores de cultura na América Latina. São Paulo tem uma produção teatral incontestável, mas faltam espaços de interlocução como o Mirada promove.”

Fernando Yamamoto, produtor do grupo potiguar Clowns de Shakespeare, que estreou a obra Nuestra Senhora de las Nuvens no Mirada, afirma que participar do festival vai marcar a trajetória da companhia. “Poucos festivais têm esse espaço de troca, geralmente, a gente chega, monta, se apresenta e vai embora sem conhecer ninguém. No Mirada, isso é diferente”, declara.

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Isabel Ortega: foco na qualidade - Foto: Divulgação

Qualidade

Isabel Ortega, da equipe de curadoria do Mirada, diz que é importante acompanhar de perto o evento para que ele seja aperfeiçoado. “Este ano ele cresceu quase que o dobro em relação à última edição. E temos de estar atentos para que este crescimento na quantidade não afete a qualidade, que é um dos diferenciais do Mirada”, afirma.

Pepe Blamé Meira, diretor do Festival Internacional de Teatro de Cádiz e também integrante da curadoria do Mirada, declara que o evento precisa continuar sendo “heterogênio e multicultural”, com espaço “para qualquer tipo de linguagem”.

Olhar santista

Junior Brassalotti, ator do Projeto Bispo, que reuniu artistas de Santos na programação do Mirada, lembra que o olhar para fora não pode deixar também para trás o olhar para a própria cidade de Santos e seus artistas: “O Mirada também ressignifica a cidade e valoriza a autoestima do artista local”. A peça dele trabalhou com moradores do centro de Santos.

Leia a cobertura do R7 no Mirada

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Sérgio Luís Oliveira, curador do Mirada: troca entre o teatro ibero-americano - Foto: Reprodução

O gerente do Sesc Santos, Luiz Ernesto Figueiredo, o Neto, concorda. “O desafio é crescer na ocupação da cidade de Santos e fazermos também esse olhar pra dentro. O Mirada nasceu com o olhar para fora, agora tem o desafio de olhar para a gente de Santos também”, pondera.

O programador de teatro do Sesc Santos, Leonardo Nicoletti, lembra que "o teatro santista vive um período de efervescência e de forte luta política". Assim, em sua opinião, "o Mirada, sobretudo por ter uma obra da cidade, o Projeto Bispo, valoriza as artes cênicas locais e fortalece as ações teatrais de interferência na cidade".

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Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc SP: "Adesão do público da Baixada Santista ao Mirada foi maravilhosa" - Foto: Divulgação

Para Danilo  Santos de Miranda, diretor regional do Sesc em São Paulo, a "adesão foi maravilhosa" do público da Baixada Santista ao Mirada. "A reação do público foi extraordinária. O Mirada fortalece o teatro da América Latina", afirma.

Cidade de Pelé, Neymar e teatro

O jornalista e crítico teatral colombiano Alberto Sanabria, do jornal El Tiempo, conta que gostou muito de acompanhar o festival e diz, sem pestanejar: “Santos era apenas a cidade do Pelé e do Neymar para os colombianos. Agora, é também a cidade do teatro”.

Sergio Luís Oliveira, curador do Mirada, finaliza, dizendo que o intercâmbio concreto é o que diferencia o festival de outros no Brasil: “Além da peça, temos oficinas, workshops, bate-papo, encontrões. Para nós a ideia de convívio é importante. Queremos estabelecer, cada vez mais, conexões entre pessoas durante o Mirada”.

Que venha o próximo.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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jaime lorca otelo Chile marca Mirada 2014 com teatro potente

Jaime Lorca e Teresita Iacobelli em Otelo: peça chilena foi uma das melhores do Mirada 2014 - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

Depois de México e Argentina, chegou a vez do Chile ocupar o principal posto do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, promovido pelo Sesc São Paulo.

Com sete peças na programação, o país é o homenageado desta terceira edição, que chega ao fim neste sábado (13), como convidado de honra, em parceria com a Fundación Teatro a Mil, que promove o famoso festival teatral Santiago a Mil.

O Teatro La Memoria apresentou Castigo, um drama de um artista passando a limpo sua relação com o pai. Já o tradicional Teatro Camino mostrou O Jardim das Cerejeiras, clássico texto de Tchekhov. A Imaginação do Futuro foi o espetáculo escolhido pela Companhia La Resentida, com os últimos dias de Salvador Allende no comando do país. Enquanto que o Teatro en el Blanco apresentou A Reunião, que causou muito impacto no festival. Assim como Otelo, da Comapanhia Viajeinmóvil, apontada por muitos como a melhor peça do Mirada 2014.

O Chile ainda apresentou dois espetáculos de rua: O Homem Vindo de Lugar Nenhum, da Companhia Gran Rayneta, e O Cavaleiro da Morte, do Coletivo La Pato Gallina. Assim, encerra o evento tendo exibido um teatro de potência incontestável.

Véronique Mondini, representante do Conselho Nacional de Cultura e Artes do Chile, conta ao R7 que a diversidade dos palcos chilenos está muito bem representada no evento.

“São cinco peças de sala e duas de rua, em uma seleção feita pelo Sesc em conjunto com o comitê diretivo do Mirada. Ser o país convidado de honra em um dos mais importantes festivais da América Latina é motivo de orgulho para o Chile”, afirma.

O governo chileno dividiu as contas com o Sesc, pagando o transporte aéreo e o transporte cenográfico. A entidade brasileira custeou a estadia, a alimentação e os cachês das companhias.

“O Mirada já é um festival grande e de muita influência. Participar dele é um passo para a internacionalização cada vez maior do teatro chileno, que aposta no projeto Iberescena desde 2006, apoiando a integração artística na região”, afirma Mondini.

Modelo de gestão

A representante chilena diz que ficou impressionada com o modelo institucional do Sesc, uma instituição privada que funciona como o setor público, levando cultura, alimentação e esporte à população a preços mais em conta.

“Ainda é um modelo utópico para a realidade do Chile, mas este tipo de troca promovida pelo Mirada é importante, porque vemos que é possível. Isso nos permite voltar e propor novos modelos”, declara.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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