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Ricardo Corrêa Dois ou Um com Ricardo Corrêa

O ator Ricardo Corrêa está na peça jovem A Social, que estreia neste sábado (4), no Espaço dos Parlapatões, em São Paulo - Foto: Renato Peixoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Ricardo Corrêa estreia a peça A Social, escrita por ele, no Espaço dos Parlapatões (praça Roosevelt, 158, São Paulo), neste sábado (4). A temporada vai até 28 de agosto, sempre aos sábados, às 17h. Focada no público jovem, a peça dirigida por Thiago Ledier com a Cia. Artera de Teatro mostra adolescentes que descobrem o mundo ao redor. No elenco estão Ana Tardivo, Davi Reis, Mari Blanski, Thiago Carreira e o próprio Ricardo. Ele aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Adolescência ou juventude?
Os dois. Nesses últimos tempos a minha ligação está muito forte com adolescentes, seja na vida e na arte. Fase difícil, cheia de medos. Juventude pra mim é um estado de alma. As pessoas que se encontram vivendo a sua juventude são aquelas que movimentam novas ideias no meio em que vivem. São os jovens que, por terem acesso às experiências dos seus antecessores e por terem a disponibilidade de uma vida inteira pela frente, podem introduzir novidades.

Roosevelt ou Jardins?
Os dois. Apesar de que na Roosevelt se concentra a maioria dos meus amigos e conhecidos. Gosto da cidade em si, onde tem amigos se é feliz.

Boechat ou Malafaia?
Respeitar as diferenças.

Eduardo Cunha ou Jean Wyllys?
Jean Wyllys  e o fim do preconceito contra a população LGBT.

Redução da maioridade ou educação para todos?
Educação para todos. Para o Estado é mais fácil punir do que educar.

Ciclovia ou carro blindado?
Ciclovia. Cada vez mais gente na rua, ocupando essa cidade, seja de bicicleta, skate ou patins, se manifestando.

Sertanejo universitário ou rock'n'roll?
Rock'n'roll. Mas se tocar sertanejo na festa, eu danço sem problemas.

Thiago Carreira ou Thiago Ledier?
Os dois. São talentosos e grandes parceiros.

Carta pelo correio ou Whatsapp?
Whatsapp. Alguém hoje em dia manda carta?

Qualquer maneira de amor vale a pena ou saber amar é saber deixar alguém te amar?
Qualquer maneira de amor vale a pena. Mais amor! Acho que as pessoas devem ter o direito de amar quem elas quiserem.

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ZD Totatiando 221 foto Roberto Setton 1024x682 Zélia Duncan mistura teatro e música em espetáculo

Zélia Duncan, no palco: um pouco de música e um pouco de teatro - Foto: Roberto Setton

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A cantora Zélia Duncan já marcou a data da estreia de seu espetáculo ToTatiando em São Paulo.

Será em 11 de agosto, no Teatro Porto Seguro.

A peça é uma homenagem à obra de Luiz Tatit e também à cidade de São Paulo.

A quem espera apenas uma cantora, ela avisa:

— Não é show. É a proposta de representar algumas das músicas de Tatit, onde eu e minha preciosa diretora, Regina Braga, enxergamos possíveis personagens.

Ela revela que a peça cria o teatro por meio da música.

— Antes de mais nada, sou uma intérprete musical, com muito orgulho. Mas se tornou parte da minha experiência como artista me lançar em outras aventuras, que possam representar um desafio, que possam me levar ao inusitado e a algo novo.

A temporada paulistana do espetáculo será às terças, 21h, até 27 de outubro.

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baianos laila garin bob sousa Neste 2 de Julho veja 7 artistas baianos que movimentam nosso teatro

A baiana Laila Garin, radicada no Rio, está na novela Babilônia e fez sucesso nos palcos como Elis Regina - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O dia 2 de Julho é especial na Bahia. Afinal, a data representa o dia em que o Estado se tornou independente de Portugal, em 1823. O Brasil já havia conquistado sua independência em 7 de setembro de 1822, com o grito de Dom Pedro Iº, mas a Bahia só conseguiu se libertar dos colonizadores quase nove meses depois. O blog aproveita a data para apresentar sete nomes baianos que fazem a diferença em nosso teatro.

baianos tony reis foto eduardo enomoto Neste 2 de Julho veja 7 artistas baianos que movimentam nosso teatro

Soteropolitano radicado em São Paulo, Tony Reis é ator do Teat(r)o Oficina - Foto: Eduardo Enomoto

baianos luiz antonio sena jr Neste 2 de Julho veja 7 artistas baianos que movimentam nosso teatro

Baiano de Alagoinhas, Luiz Antônio Sena Jr. mora em Salvador e é ator do grupo A Outra Cia. de Teatro - Foto: Andréa Magnoni

baianos danielle rosa 4 foto eduardo enomoto 2013 Neste 2 de Julho veja 7 artistas baianos que movimentam nosso teatro

Baiana de Vitória da Conquista, Danielle Rosa é atriz e musa do Teat(r)o Oficina, de São Paulo - Foto: Eduardo Enomoto

baianos beto mettig Neste 2 de Julho veja 7 artistas baianos que movimentam nosso teatro

Baiano de Salvador, o ator Beto Mettig já integrou a Cia. Baiana de Patifaria e hoje está no Teat(r)o Oficina, em São Paulo - Foto: Divulgação

baianos roquildes junior Neste 2 de Julho veja 7 artistas baianos que movimentam nosso teatro

Baiano de Salvador, Roquildes Jr. é ator e músico do grupo A Outra Cia. de Teatro - Foto: Divulgação

baiana eddy verissimo foto paulo fuga Neste 2 de Julho veja 7 artistas baianos que movimentam nosso teatro

Também de Salvador, Eddy Veríssimo é atriz e produtora do grupo A Outra Cia. de Teatro - Foto: Paulo Fuga

 

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pascoal flip walter craveiro 1024x683 Pascoal da Conceição surpreende Flip como Mário de Andrade

Pascoal da Conceição surpreende auditório lotado na abertura da Flip como Mário de Andrade - Foto: Walter Craveiro/Flip

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Pascoal da Conceição realizou uma performance-surpresa na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em plena mesa de abertura, na noite desta quarta (1º).

Ele surpreendeu a todos ao surgir na frente do palco, interpretando um dos personagens de maior sucesso de sua carreira: o escritor Mário de Andrade, que é o homenageado desta edição da Flip.

Pascoal interpreta o autor no teatro há muito tempo e também fez o personagem na minissérie Um Só Coração, na Globo. Sua atuação como Mário de Andrade é considerada uma das mais marcantes em nossa dramaturgia.

Pascoal chegou a enviar e-mails à organização da Flip, pedindo para participar da homenagem ao escritor, mas não obteve resposta. Assim, foi por conta própria, fazendo uma proposição artística.

Recentemente, Pascoal foi à redação da revista Veja, performando como o escritor, que havia sido desqualificado por um texto da publicação.

Na Flip, o ator foi aplaudido pelo auditório.

Paulo Werneck, curador da Flip, disse que a surpresa fugiu do script, mas foi bem-vinda.

As redes sociais da Flip, que vai até domingo (5), noticiaram a presença de Pascoal no evento.

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lydia1 930x523 Entrevista de Quinta – Não queremos virar museu tão cedo, diz atriz e diretora do Grupo Galpão

Lydia Del Picchia: atriz e diretora do Galpão por acaso do destino - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Com 30 anos de história e o respeito da classe teatral de todo o País, o Grupo Galpão quer saber de cantar.

No musical De Tempo Somos, em cartaz até 12 de julho no Sesc Santana, em São Paulo, os atores de Belo Horizonte entoam músicas que marcaram a trajetória da trupe mais popular de Minas Gerais.

Nesta Entrevista de Quinta, o Atores & Bastidores do R7 conversa com Lydia Del Picchia, diretora do espetáculo na companhia de Simone Ordones e atriz do grupo há duas décadas.

Ela lembra sua formação artística, que começou em São Paulo, ainda menina, da relação com a dança em Belo Horizonte, e de sua entrada repentina para o Galpão, que a abocanhou sem opção de volta.

Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem uma formação meio mineira, meio paulista? Como assim?
LYDIA DEL PICCHIA —
Meus pais são músicos, meu pai é violinista e maestro e minha mãe é pianista e educadora. Eles viveram em SP a maior parte da minha infância, onde considero que iniciei meus estudos nas artes, pois tenho muito vivas as lembranças das aulas de musicalização e rítmica na Fundação das Artes de São Caetano do Sul – e de fato elas foram a base de todo meu aprendizado mais tarde. Mas foi quando me mudei para Belo Horizonte, aos 12 anos,  é que pude me dedicar integralmente à dança, no Transf.orma – Centro de Dança Contemporânea. Lá fui aluna, professora, bailarina, assistente artística e coreógrafa, enfim, uma formação bastante diversificada. E tive a oportunidade de trabalhar com vários artistas da dança, da música e diretores de teatro também.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Ser filha de artistas facilitou ou piorou as coisas?
LYDIA DEL PICCHIA —
Bem, no meu caso facilitou, sempre tive o apoio e incentivo dos meus pais e da família para minhas escolhas profissionais.

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Lydia (ao centro), em cena do musical De Tempo Somos, do Grupo Galpão - Foto: Guto Muniz

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você estudou música e dança até chegar ao teatro. Qual a importância destas primeiras formações?
LYDIA DEL PICCHIA —
A música foi mais na infância mesmo, e logo depois me interessei pela dança. Estudei no Trans-Forma por dez anos, durante os quais comecei também a dar aulas na escola e participar do grupo. A Nena [Marilene Martins], diretora da escola e do grupo, sempre foi uma artista antenada e à frente do seu tempo. Ela é a grande responsável, não só pela minha formação como artista, mas também de muita gente bacana em BH – Dudude Herrmann, Arnaldo Alvarenga, Lucia Ferreira, Rodrigo, Miriam e Pedro Pederneiras, Paola Rettore, Tarcísio Homem. Ela sempre foi muito criteriosa e cuidadosa em como passava os conteúdos para os professores da escola, em como iríamos conduzir as aulas e o programa. Além disso, pelo Trans-Forma passaram importantes nomes não só da dança, mas de música e teatro como Klauss e Angel Vianna, Ivaldo Bertazzo, Eid Ribeiro, Graciela Figueiroa, Paulo Cesar Bicalho, Rufo Herrera, José Adolfo Moura, Fred Romero, Sônia Mota, Rolf Gelewski, Bettina Bellomo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como eram as aulas?
LYDIA DEL PICCHIA —
Tínhamos aulas de improvisação, composição, didática, rítmica, apreciação musical, enfim, um mundo além das técnicas de dança, e isso abriu o olhar de quem passou por ali. Eu sou atriz integrante do Grupo Galpão desde 1995 e coordenadora pedagógica do Galpão Cine Horto desde 2004, e tenho certeza de que foi essa minha formação que me permitiu o trânsito para o teatro de uma maneira tranquila, é essa experiência que me orienta ainda hoje.

MIGUEL ARACANJO PRADO — Mas quando você entrou no Galpão?
LYDIA DEL PICCHIA —
Entrei no Galpão num momento em que estava querendo dar um tempo do trabalho com a dança, estava me desligando do Grupo 1º Ato, onde estive por três anos, e sem projetos concretos. Aí, na mesma semana, o Eduardo me ligou dizendo que estavam precisando de alguém para substituir a Simone em “A Rua da Amargura”. Ela estava grávida e teria que parar de atuar por uns seis meses. Acho que fui indicada pela Babaya, que fazia a preparação vocal do Galpão e estava também trabalhando com o 1º Ato naquele momento. Eu já havia trabalhado com o Grupo num espetáculo dirigido pela Carmen Paternostro, Triunfo – Um Delírio Barroco, com a Cia. De Dança do Palácio das Artes, onde eu fui assistente durante 10 anos. A gente já se conhecia, tínhamos afinidades. Foi uma delícia fazer aquela substituição, já tinha assistido ao espetáculo na estreia e brinquei com eles dizendo que quando precisassem de alguém poderiam me chamar... Durante a temporada do espetáculo em São Paulo, o grupo decidiu encarar a remontagem do Romeu e Julieta, eu fui convidada a participar também, e acabou que os seis meses viraram 20 anos...

De Tempo Somos 1611 20141127 0813 Guto Muniz1 1024x590 Entrevista de Quinta – Não queremos virar museu tão cedo, diz atriz e diretora do Grupo Galpão

Galpão resolveu recuperar canções que marcaram as três décadas do grupo - Foto: Guto Muniz

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que o teatro tem de especial em relação à dança e à música para você?
LYDIA DEL PICCHIA —
Minha formação foi na dança teatro, éramos todos apaixonados por Pina Baush... No Galpão, sempre trabalhamos com a criação dos atores sobre os personagens, ou temas, antes de definir a linguagem/estética que vamos perseguir. Não que a gente trabalhe com técnicas de dança, mas sempre tivemos práticas corporais na criação e manutenção dos espetáculos. Meus companheiros de grupo já sabem que a minha primeira abordagem, seja de um texto, ou de um personagem, vem sempre a partir do corpo, da musicalidade, do trabalho no espaço, essa é uma característica minha, minha maneira de entender o que eu faço. A partir daí consigo me relacionar com os outros atores e propor alguma coisa para o coletivo. Nesse espetáculo que estamos fazendo, De Tempo Somos, que dirigi junto com a Simone, a encenação é toda baseada em jogos de espaço, de dança, me senti muito à vontade para propor coisas ao grupo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você gosta de morar em Belo Horizonte, por quê?
LYDIA DEL PICCHIA —
BH é um ótimo lugar para se morar e trabalhar, e a oferta relacionada à cultura – exposições, shows, espetáculo, teatros e eventos – cresceu muito nos últimos dez anos! Gosto de dizer que BH é uma grande cidade do interior, pois ainda é possível manter relações próximas, cuidar da família, visitar os amigos e aproveitar o que a cidade oferece. E acho que é uma cidade que acolhe especialmente os coletivos de trabalho.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual o lugar de BH que você mais gosta?
LYDIA DEL PICCHIA —  Pode parecer que estou puxando a sardinha pro meu lado, mas eu adoro o Galpão Cine Horto, nosso centro cultural em BH. É um lugar de pessoas apaixonadas e comprometidas! Considero ali um lugar de formação importante pra mim, foi onde parei um pouco para estudar teatro, além de que fiz muitos amigos ali, desenvolvi projetos, me perdi e me achei... Outro lugar que adoro em BH é a Avenida do Contorno na primavera - quem conhece sabe do que estou falando - um caminho enorme de ipês amarelos e rosas, lindo demais! Me lembra um tempo que não conheci da Cidade Jardim...

MIGUEL ARCANJO PRADO — E como é estar em São Paulo? Qual sua relação com a cidade?
LYDIA DEL PICCHIA — Adoro São Paulo, sem demagogia! Tenho vários parentes e amigos aqui, e o público de São Paulo no assiste desde sempre, já apresentamos todos os nossos espetáculos aqui, é uma cidade que conhece e acompanha nossa história. Fazer essa temporada do De Tempo Somos em SP está tendo um gostinho especial!

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De Tempo Somos está em cartaz no Sesc Santana, em São Paulo - Foto: Guto Muniz

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que você é artista?
LYDIA DEL PICCHIA —
Vixe... Por que macaco gosta de banana? Sempre vivi no meio de artistas, sempre senti na pele a dor e a delícia... A arte me salvou da minha timidez, da minha introspecção, sempre me mostrando novas maneiras de ver o mundo, de enxergar o outro. Não sei, essa pergunta está muito difícil...

MIGUEL ARCANJO PRADO — Então, voltemos a falar de Galpão. Como o grupo lida com o grandioso que ele se tornou? Como fazer para não deixar o nome consagrado diminuir a vontade de inovar?
LYDIA DEL PICCHIA — Nós não pensamos o tempo todo nesse “grandioso”, não dá para construir alguma coisa a partir disso. Sabemos que somos uma referência importante, mas não queremos virar museu tão cedo... Acho que essa referência nos estimula mais em saber que estamos mostrando que é possível fazer e viver de teatro, é possível manter um coletivo de trabalho, podemos nos reinventar, enfim, a característica do grupo de ser um coletivo de atores – e somos 12 – sem um diretor fixo nos permite um movimento constante, as propostas surgem cada hora de uma pessoa, de um lugar diferente. A gente procura sempre olhar para as nossas falhas, para as lacunas, o que gostaríamos de conhecer e desenvolver a cada momento, e são essas dúvidas que nos conduzem para um novo projeto, é a partir daí que vamos descobrir o tema a ser pesquisado, se queremos ir para rua ou para dentro de um teatro, quem vamos convidar para dirigir. 

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que o Galpão é tão querido pelo público?
LYDIA DEL PICCHIA — Acho que tem muito a ver com os espetáculos de rua, com a linguagem popular do grupo, com a preocupação que temos de ser um grupo de pesquisa, mas também em como os espetáculos chegam ao público, com a comunicabilidade deles. O Galpão é um dos grupos que mais viaja pelo Brasil, estamos sempre em turnês não só pelas capitais e Festivais, mas também pelos interiores, e com a longevidade do grupo, temos conquistado um público que nos acompanha, assiste a vários espetáculos, muitas vezes quando nos apresentamos em uma cidade somos procurados por grupos que vem de longe nos assistir porque já nos viram em sua cidade... No De Tempo Somos fazemos uma homenagem ao nosso público dedicando algumas canções para personagens que passaram pela nossa história e que nos marcaram também. Para gente é importante o contato com o público também para além dos espetáculos. Sempre estivemos envolvidos em coordenações de festivais, oficinas, bate-papos, a criação do Galpão Cine Horto em BH é o maior exemplo disso, lá podemos compartilhar nossas ideias e projetos de criação e formação com a cidade.

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Galpão é um dos grupos que mais viajam o Brasil com suas peças - Foto: Guto Muniz

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você também trabalha nos bastidores do Galpão? Como é este trabalho executivo no teatro?
LYDIA DEL PICCHIA —
Todos nós do elenco trabalhamos em alguma coisa além da atuação, seja na produção, comunicação, administração, organização do nosso espaço, no Cine Horto... Eu trabalho junto à nossa equipe técnica na logística, juntamente com a produção, e montagens dos espetáculos, camarins, organização da carga dos espetáculos em repertório e do nosso depósito de material, manutenção de cenários e figurinos, tem trabalho ali que não acaba mais e que quem vê o espetáculo pronto nem imagina! Quando estamos em turnês, geralmente o trabalho começa às 8h com a descarga do material no espaço e montagem do cenário, som e luz. A chegada do elenco se dá por volta de três a quatro horas antes dos espetáculos, dependendo se precisaremos fazer teste de microfones ou não. Fazemos um aquecimento corporal, vocal, passagem de som, maquiagem e entramos para o espetáculo. Na maioria das vezes, após o espetáculo desmontamos tudo, carregamos o caminhão e partimos para a próxima cidade, onde começa tudo de novo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que vocês quiseram fazer um musical justo agora?
LYDIA DEL PICCHIA — Na verdade esse é um desejo antigo do grupo. Já em 2000, quando montamos Um Trem Chamado Desejo, a ideia inicial era a gente fazer um pocket show com sambinhas dos anos 40/50 para ser apresentado em espaços menores. Aí a gente quis roteirizar as músicas, surgiram personagens interessantíssimos, convidamos o [Luis Alberto] Abreu para nos ajudar com o roteiro, o Tim Rescala com as músicas... E a coisa evolui para um espetáculo que adoro, mas ficou longe da ideia de pocket. Aí a ideia do musical foi adiada, até agora. No nosso último espetáculo, Os Gigantes da Montanha, temos dois atores/músicos convidados no elenco e apareceu a oportunidade de realizar esse desejo. O Luiz Rocha, um dos convidados, acabou fazendo a direção musical e os novos arranjos das músicas que selecionamos dentro de um repertório desses, pelo menos, 25 anos em que o grupo executa suas trilhas de espetáculos ao vivo. O trabalho com a música sempre foi muito caro ao Galpão.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por quê?
LYDIA DEL PICCHIA — Não só pela comunicação direta que ela tem com a plateia, mas com o que o esforço que tocar e cantar em grupo nos exige, a possibilidade do exercício do coletivo, o desafio de aprender as músicas, cantar a três ou quatro vozes, a atenção e presença que isso nos demanda, tudo isso é agregador ao trabalho do ator que vive em grupo. Não é só pelo resultado, mas pelos benefícios que o processo nos possibilita. De Tempo Somos é um espetáculo muito feliz nesse sentido, nos permitindo rever grande parte da nossa história sem ficarmos presos ao que já fomos. A ideia sempre foi atualizar, apesar de não gostar muito dessa palavra, nosso repertório, e a entrada do Luiz nesse contexto foi fundamental, por não estar apegado aos trabalhos e conseguir dar cara nova a várias músicas. Como diz um das músicas no espetáculo: “Por más que mires el rio que fluye delante de ti, nuca verás las mismas águas”...

De Tempo Somos
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 18h. 70 min. Até 12/7/2015
Onde: Sesc Santana (av. Luiz Dumont Villares, 579, Santana, metrô Jardim São Paulo, tel. 0/xx/11 2971-8700
Quanto: R$ 30
Classificação etária: 12 anos

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mudanca habito bob sousa3 Musical Mudança de Hábito faz promoção

Karin Hils é a protagonista do musical Mudança de Hábito, em São Paulo - Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O musical Mudança de Hábito, em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo está com promoção até o dia 2 de agosto.

Quem comprar dois ingressos paga o segundo com 50% de desconto. A produção afirma que a promoção é válida apenas para quem comprar duas inteiras entre 2 de julho e 2 de agosto de 2015.

O espetáculo sobre a divertida cantora que vira regente do coral de freiras terá sessão extra no feriadão de 9 de julho.

Veja, abaixo, como será o horário no feriadão:

- 09 de julho (quinta-feira): Sessão às 17h (extra) e às 21h.
- 10 de julho (sexta-feira): Sessão às 21h.
- 11 de julho (sábado): Sessão às 17h e 21h.
- 12 de julho (domingo): Sessão às 16h (sessão das 20h foi cancelada)

Leia a crítica e saiba mais sobre o musical!

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cena aberta Peça grátis com Débora Falabella se despede do Centro Cultural SP

Um lobo à espreita de um casal que quer adotar um bebê: fim de temporada - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Quem viu as filas do último fim de semana garante que serão disputadas as últimas sessões da peça Mantenha Fora do Alcance do Bebê, com a atriz Débora Falabella. O espetáculo gratuito encerra temporada no Centro Cultural São Paulo neste domingo (5).

A montagem tem texto da dramaturga e jornalista Silvia Gomez e é dirigida por Eric Lenate.

Com seu novo espetáculo, Silvia foi premiada na 1ª Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo, ao lado dos espetáculos O Taxidermista, de René Piazentin, e Memórias Impressas, de Claudia Shapira, que estreiam, respectivamente, em 10 e em 31 de julho.

Mantenha Fora do Alcance do Bebê ainda traz no elenco Anapaula Csernik, Jorge Emil e Diego Dac. Conta a história de uma mulher, papel de Débora, que tenta adotar um bebê, em meio a uma estranha conversa com a assistente social, o marido e um lobo à espreita.

O diretor diz que a peça ganhou forma em apenas cinco ensaios. Ele afirma que o texto “é extremamente vigoroso” e que “flerta com o surrealismo”.

Silvia, por sua vez, conta que escrever a peça não foi tarefa fácil. “O dramaturgo tem obrigação de olhar o mundo a sua volta e analisá-lo. Precisa remexer o seu próprio lodo e isso, nem sempre, é algo simples”.

Para o curador de teatro do Centro Cultural São Paulo, Kil Abreu, as novas peças são um retrato da cena atual: “Tivemos a felicidade de ver premiados três textos que mostram um pouco da diversidade na produção dos autores contemporâneos. São três maneiras agudas de ler a época através da cena”.

Ele aproveita para avisar que o segundo edital do projeto está aberto e já recebe inscrições de autores interessados em mostrar seus trabalhos ao público no ano que vem.

azul Peça grátis com Débora Falabella se despede do Centro Cultural SP

Com Débora Falabella (de vermelho), Mantenha Fora do Alcance do Bebê tem texto de Silvia Gomez - Foto: Divulgação

Mantenha Fora do Alcance do Bebê
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 20h. 80 min. Até 5/7/2015
Onde: Centro Cultural São Paulo (r. Vergueiro, 1.000, metrô Vergueiro, São Paulo)
Quanto: Grátis (retirada de entradas uma hora antes)
Classificação etária: 14 anos

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geladeira fotoraulzito 03 Crítica: A Geladeira é grito corajoso no mar de desesperança

Fernando Fecchio em cena da peça A Geladeira, de Copi - Foto: Raul Zito

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Copi é um dos grandes nomes da escrita argentina do fim do século 20. Raúl Damonte Botana, seu nome verdadeiro, nasceu em meio aristocrático — tanto a família paterna quanto a materna eram donas de importantes diários de Buenos Aires —, mas foi por meio do desbunde, com sua prosa inteligente e ferina, que se fez conhecido.

Com uma infância rodeada do melhor que a cultura mundial poderia lhe oferecer, logo, Copi decidiu cruzar o Rio da Plata e também o oceano Atlântico e se radicar em Paris, onde se juntou a nomes potentes como o uruguaio Alejandro Jodorowski e o espanhol Fernando Arrabal, revolucionando a cena artística underground parisiense.

Além de tudo isso, Copi era gay. E fazia questão de militar em prol de direitos civis para esta parcela da população. E, como tantos outros grandes artistas jovens naquele começo dos anos 1980, como o cantor brasileiro Cazuza e o desenhista norte-americano Keith Haring, ele contraiu o vírus HIV, para o qual perdeu a luta pela vida em 1987.

Mas a obra de Copi perdura e continua a dialogar com as gerações contemporâneas. Inclusive a brasileira. Prova disso é a montagem A Geladeira, monólogo com o ator Fernando Fecchio, sob direção de Nelson Baskerville, em São Paulo (o texto também teve outra montagem neste ano, no Rio, pelo ator Márcio Vito).

ageladeira fotoamandavieira 15 Crítica: A Geladeira é grito corajoso no mar de desesperança

Fernando Fecchio em cena de A Geladeira - Foto: Amanda Vieira

A obra mostra um homem, L., que, diante do seu aniversário de 50 anos, se depara com uma geladeira, que lhe faz aflorar personagens de seu passado, que vão desde a mãe até sua psicanalista.

Sobram sentidos na peça de Copi, que faz uma espécie de releitura atrevida de si próprio na obra, desconstruindo padrões de identidade e de sexualidade preestabelecidos.

Apesar de repetir fórmulas já utilizadas em Luis Antonio - Gabriela, o diretor Nelson Baskerville leva essa ebulição de sentidos para o palco, no cenário de pitadas surrealistas criado com Amanda Vieira.

Fecchio faz entrega verdadeira ao personagem, abarcando seus medos e excentricidades, além de se aproximar sem temor do bizarro.

A montagem tenta forçar uma aproximação da realidade de Copi, um argentino, gay e rico exilado em Paris, com o Brasil — o samba carnavalesco talvez seja o máximo do exagero buscado. Mas, a obra consegue abarcar até isso.

Até mesmo porque faz todo o sentido, nesta feroz e violenta cidade de São Paulo, olhar para Copi sob uma perspectiva da realidade contemporânea do Brasil, país mergulhado em uma assustadora onda conservadora, que muitas vezes grita de forma mais feroz do que nos tempos sombrios da ditadura.

Por isso, a inquietude presente em A Geladeira (e sua desesperança também) mexe tanto com a gente. Fernando Fecchio merece os parabéns pela coragem. E por nos fazer pensar, que é o que todos nós precisamos para não sucumbir. E resistir.

A Geladeira
Avaliação: Bom
Quando: Quarta, 21h. 60 min. De 8/7/2015 a 12/8/2015
Onde: Espaço dos Parlapatões (praça Roosevelt, 158, centro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-4449)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: A Geladeira é grito corajoso no mar de desesperança

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 Beatles une pais e filhos em peça no Teatro UMC

Show reúne hits dos Beatles para os pequeninos no Teatro UMC, em SP - Foto: Karina Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

As crianças paulistanas vão poder desvendar, ao lado de seus pais, as canções de uma das mais importantes bandas de todos os tempos: The Beatles.

Esta é a proposta do espetáculo Beatles para Crianças, idealizado por Fábio Freire, que chegou a conhecer Paul McCartney por conta do projeto.

Trata-se de um show de rock para os pequeninos e os grandões também, transformando o palco e a plateia em uma balada pop.

É claro que os principais hits dos Beatles embalam o espetáculo.

As apresentações são no Teatro UMC (av. Imperatriz Leopoldina, 550, Vila Leopoldina, São Paulo, tel. 0/xx/11 2574-7749) com entradas a R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia-entrada. Nos domingos 5, 12 e 19 de julho, às 16h, e na quinta, 9 de julho, às 11h.

The Beatles Yellow Submarine Blu ray cover art Beatles une pais e filhos em peça no Teatro UMC

Yellow Submarine não pode faltar no repertório que canta Beatles para os pequenos - Foto: Divulgação

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estadoindependente fotodejuniorceccon 4 Luta de Che Guevera inspira espetáculo Estado Independente

Cena do espetáculo Estado Independente: sessões gratuitas em SP - Foto: Junior Ceccon

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

"Che Guevara, mente fortemente revolucionária". Assim diz a letra da música Um Povo Comum Pensar, composta por Suka, do Olodum.

A música tem o mesmo espírito da proposta do novo espetáculo da Cia. Carne Agonizante: celebrar e pensar o revolucionário argentino Ernesto Che Guevara e sua luta pela igualdade social.

O tema inspirou o espetáculo Estado Independente.

A coreografia e a direção são assinadas por Sandro Borelli, que também idealizou o projeto.

A montagem poderá ser vista de graça entre 2 e 12 de julho, sempre de quinta a sábado, 21h, e domingo, 19h, no Kasulo Espaço de Arte e Cultura (r. Sousa Lima, 30, Barra Funda), em São Paulo.

Alex Merino, Amanda Santos, Everton Ferreira, Laia Martinês, Magô Borges, Mainá Santana e Rafael Carrion estão no elenco aguerrido.

É bom chegar cedo, porque só cabem 35 pessoas no espaço.

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