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Foto de Bob Sousa
Por Miguel Arcanjo Prado

angela ribeiro bobsousa O Retrato do Bob: Angela Ribeiro espera JoaquimAngela Ribeiro, uma das mais talentosas atrizes da nova geração, espera seu primeiro filho, Joaquim, no palco da Escola de Arte Dramática da USP. E foi no tablado da mais tradicional instituição de formação de atores do País que ela posou para o nosso Bob Sousa, pouco antes de encenar a montagem de formatura da turma 61, Zucco, dirigida por José Fernando Azevedo. Esta é a segunda obra teatral que Angela faz de barrigão.

No começo do ano, exibiu a gestação com os frenéticos passos de dança do ótimo Máquina de Dar Certo, dirigido por Roberto Audio, com a Cia. Bruta de Arte, no Teatro Martins Penna, na zona leste. Agora, encerra no palco, às vésperas de o filho nascer, sua trajetória de estudos na EAD. "Toda hora que penso nisso, fico chorando. Minha turma é muito especial", conta.

Com tanto agito — ela ainda teve tempo de fazer dois curtas-metragens —, assume: "Estou com dificuldade de parar. Parece que as coisas não param! Mas no dia 26, depois que a última sessão de Zucco acabar, prometo que fico quieta e espero ele nascer", jura. Na reta final da gravidez, Angela confessa estar tranquila. "Converso o tempo todo com meu filho e peço para ele esperar pelo menos até domingo para nascer", revela.

A previsão médica é que o bebê chegue por aqui em junho, depois do dia 6. "Não tenho medo do parto normal. Tudo que eu fiz foi para ajudar meu corpo para a chegada do Joaquim, para ele nascer bem". Ela diz que o filho já está acostumado com o mundo teatral. "Ele mexe muito mais quando eu fico emocionada em uma cena do que quando me movimento". Pelo jeito, o bebê já entende das coisas.

Primeiro fruto de sua união com o ator e diretor Thiago Balieiro, Joaquim "tem tudo para ser artista", nas palavras da mãe. Disso a gente não duvida. "Quero contar para ele tudo, falar dessa época, de eu grávida trabalhando. Estou registrando tudo isso para um dia mostrar para ele". Joaquim já nasce com currículo artístico extenso. Estamos à sua espera, garoto.

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mel lisboa bobsousa O Retrato do Bob: Mel Lisboa, uma atriz aguerridaMel Lisboa é uma estrela da TV, mas mantém os pés no chão no teatro político. E foi como simples atriz em meio a ensaio que posou para o nosso Bob Sousa. Ela integra a Cia. Pessoal do Faroeste, em São Paulo, na qual é protagonista da peça Homem Não Entra, dirigida por Paulo Faria. Está em cartaz no espaço do grupo na rua do Triunfo, 305, em plena região da Cracolândia, no centro paulistano. A obra fala da expulsão das prostitutas do bairro Bom Retiro, em 1953, quando foram levadas para a Luz, onde permanecem até hoje. É apresentada aos sábados, às 23h, e aos domingos, às 17h, até 18 de agosto de 2013. O público paga quanto quiser. A atriz, que encena parte da montagem entre mendigos e viciados em crack no meio da rua, vive ao mesmo tempo o glamour do mundo das celebridades e a crua realidade dos vizinhos de seu teatro. Contudo, sabe que estar ali é militância. É voz de combate. É consciente que o peso de seu nome traz ilumina a Luz, berço da Boca do Lixo hoje mergulhado na decadência fruto do descaso do poder público e da sociedade. É por isso que Mel Lisboa é uma atriz aguerrida.

Agradecimento: Raphael Henry (make-up)

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heloisa maria bob sousa O Retrato do Bob: Heloisa Maria, uma loba no palcoA atriz Heloisa Maria comemorou os quatro anos do espaço da Cia. da Revista no último sábado. A sede da trupe é uma das conquistas desta artista formada pelo Teatro Escola Célia Helena, onde ainda dá aulas, e pelo Instituto de Artes da Unesp. Aos 18 de carreira, acaba de chegar na idade da loba: fez 40 anos. Mas não encuca. Sabe que o tempo só lhe torna uma mulher mais interessante, como dá para ver neste Retrato do Bob, e uma atriz com mais possibilidades. Além do teatro, já se aventurou pelo cinema e pela TV. Mas é no palco que estão os grandes mestres de sua vida. Já passou por mãos importantes do teatro nacional, como Reinaldo Maia, Bete Dorgan, Mario Bolognesi, Marcelo Lazzaratto, Matteo Bonffitto, Alexandre Mate e Roberto Lage. E, atualmente, é dirigida por Kleber Montanheiro, nas peças Kabarett, em cartaz aos sábados, às 23h, e Cabeça de Papelão, aos domingos, às 21h, na praça Roosevelt, 108. Todo mundo tem de ir. Ver a loba em cena.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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ze roberto jardim bob sousa O Retrato do Bob: José Roberto Jardim, a leveza bruta dos palcosO ator paulistano José Roberto Jardim é nome forte do teatro. Sua bela figura é leve e bruta. Formado pela Escola de Arte Dramática da USP, começou na Ópera de Pequim, em 1989. E fez sucesso na China, onde foi premiado três vezes por suas performances. A experiência lhe deu estofo para assumir movimentos cênicos e coreografias de diversos espetáculos e vídeos. Desde 2001, integra a Cia. Teatral Os Fofos Encenam, que tem sede no Bixiga, tradicional bairro teatral paulistano. Com a mesma, coleciona prêmios. Na TV, já foi visto nas novelas Da Cor do Pecado (Globo), Cidadão Brasileiro e Luz do Sol (Record). Há pouco, terminou a temporada de Terra de Santo, com Os Fofos, montagem da qual foi destaque. Foi no camarim de lá que posou para o nosso Bob Sousa. E agora segue em turnê com  Aberdeen - Um Possível Kurt Cobain, espetáculo que dirige com a história do roqueiro rebelde. O moço é assim, sempre com propostas cheias de arte.

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caca carvalho bob sousa O Retrato do Bob: A generosidade de Cacá Carvalho
Um dos nomes mais representativos do teatro brasileiro, o ator Cacá Carvalho não conhece o deslumbramento. Conhecido em todo o País por seu incansável trabalho nos palcos e o personagem Jamanta, nas novelas Torre de Babel (1998) e Belíssima (2005), ele é generoso com quem quer que seja. O artista acaba de apresentar sua trilogia de Pirandello no novíssimo CIT-Ecum, espaço cênico que chegou com destaque à cena paulistana com sua programação de qualidade. Foi lá que o moço posou para o nosso Bob Sousa, onde propôs a mescla do ensaio de A Poltrona Escura com o ensaio fotográfico. Coisa de um grande artista.

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 O Retrato do Bob: A nobreza de Amanda Banffy
A atriz e diretora Amanda Banffy sofreu há quatro anos uma dor imensa. A morte do pai, homem que migrou da Hungria para o Brasil após o comunismo dominar o país. Mas, em vez de sofrer apenas, utiliza a dor da perda como mola propulsora de sua arte. A imagem do pai exigente a motiva a fazer sempre o melhor. Dele, herdou também o sobrenome importante. Nobres, os Banffy (cujo significado é filho de vice-rei ou governador) estão na região da Transilvânia há mais de mil anos, onde foram donos de inúmeros castelos.  É formada em artes cências pela ECA-USP e também pelo Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho, onde teve a honra de fazer a assistência de direção do grande mestre no espetáculo Policarpo Quaresma. Além dos palcos, flerta também com o cinema e já fez quatro filmes, entre eles Dois Coelhos (2012). Na internet, apresenta o programa Noivas TV Web. Nos palcos, se dedica à montagem de um espetáculo de dramaturgia francesa contemporânea, que terá direção de Eric Lenate. Além disso, estará na peça Os Justos, com direção de Daniel Sommerfeld, e dois filmes: O Fantasma do Cineclube, com direção de Diiomédio Piskator, no qual será a mocinha, Cigana; e G.A.D.O, dirigido por Tony Ciambra. Neste último, vive uma personagem que começa como prostituta, vira freira, mendiga e depois de morta se torna santa. Não é para qualquer um.

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daniel maia bob sousa O Retrato do Bob: a música sem fim de Daniel Maia
Muitas músicas de alguns dos melhores espetáculos dos últimos tempos foram compostas por Daniel Maia. Músico e ator, já trabalhou com o diretor Gabriel Villela, foi vocalista da banda de Elba Ramalho e até compôs para a Cia. de Dança do Palácio das Artes, de sua terra natal, Belo Horizonte. O moço é bom. Tanto que gente como Elias Andreato, Alexandre Reinecke, Cássio Scapin e Ligia Cortez fazem questão de trabalhar ao seu lado. Por isso, a agenda de Daniel não para. No próximo dia 18, estreia O Andante, de Elias Andreato, com música original composta por ele. No dia seguinte, assina também a música de Fukushima Mon Amour, solo de Tadashi Endo, que estreia no Theaterwerkstatt, em Hannover, na Alemanha. Não bastasse, em novembro, haverá mais dois espetáculos com músicas dele: Incubadora e O Feio. É música que não tem fim.

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Paulo Cruz foto bob sousa O Retrato do Bob: Paulo Cruz, um ator em constante experimentaçãoPor Miguel Arcanjo Prado
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Quase três décadas antes de ser a estrela da peça Bichado, o menino Paulo Cruz era espoleta. Na terceira série primária, escrevia, dirigia e atuava nas peças infantis de sua escola, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, sua terra natal.

Na adolescência, descobriu outra vocação: cantar. Criou uma banda de rock e, em paralelo, entrou para o coral cênico da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Foi aí que a paixão da velha infância voltou.

— Foi no coral que relembrei como era bom estar no palco.

Logo se enfiou em todos os workshops de teatro possíveis. Mas, na hora do vestibular, acabou optando por jornalismo. Fez só até o terceiro ano na Faculdade Cásper Líbero. Hora em que resolveu encarar a vocação e se matriculou na escola de teatro Indac, em São Paulo.

Sua primeira peça profissional foi em 2005, Sete Contra Tebas, dirigida por Inês Aranha. Dois anos depois, fez a websérie Zona Incerta, sucesso da revista Superinteressante. Interpretava o cientista Miro Bittencourt. Seu trabalho foi tão convincente que, na época, o senador Arthur Virgílio fez discurso em Brasília contra seu personagem fictício, achando que tudo era real. Ponto para o ator.

Paulo também dá seus primeiros passos no cinema. Fez o curta Amor Caliente, de Rodrigo Diaz Diaz. E agora, ao lado de Elton Takii, fez a preparação de atores do filme Corações Sujos, dirigido Vicente Amorim, que estreia neste segundo semestre.

Com Núcleo Teatro XPTO, viajou boa parte do Brasil com a peça Na Ponta da Língua. Foi em uma dessas viagens que descobriu que o Núcleo Experimental estava selecionando atores para a peça Bichado, sucesso do primeiro semestre nos palcos paulistanos que encerra temporada nesta segunda (6).

—Estava apresentando espetáculo em Bataguaçu, no Mato Grosso do Sul, e viajei 14 horas de ônibus até São Paulo só para fazer o teste.

Foi escolhido pelo diretor Zé Henrique de Paula para viver o perturbado desertor da Guerra do Golfo Peter Evans, que acaba provocando uma revolução na vida da garçonete Agnes (Einat Falbel), no texto do norte-americano Tracy Letts.

— Adoro teoria da conspiração e o personagem traz um monte de dados reais em sua fala. Isso até me assustou um pouco, mas depois ele me abriu para um monte de coisas interessantes.

Assim como o personagem, há dois anos, Paulo Cruz está sem endereço certo. Vai vivendo o que o teatro lhe proporciona, sempre com a ajuda dos fieis amigos.

— Sou muito solitário. Gosto de ter momentos sozinho. Só espero não ser tão louco quanto o Peter [risos].

Mesmo com as adversidades da profissão, desistir do teatro jamais foi uma possibilidade.

— Não conseguiria viver tudo que vivi se não fosse atuando. O que mais me emociona é poder viver outra pessoa durante um tempo. Posso experimentar minhas máscaras.

Sobre o futuro, espera coisas boas, diante da maturidade alcançada aos 35 anos.

— Estou começando agora a fazer TV e cinema. Sempre tive vontade de trabalhar com esses dois veículos, além do teatro. Quero experimentar daqui para a frente...

Sobre ter sido eleito muso do teatro pelos internautas do R7, aqui no Atores & Bastores, ele se diverte.

— Foi engraçado. Isso me pegou de surpresa, estava no metrô quando um amigo me avisou. Claro que muitos colegas me “zoaram”. Fiquei pensando: “eu, muso?”. Faço um louco sangrento na peça! Bom, mas todo reconhecimento é gostoso. Pelo menos isso me mostrou que eu não sou tão horrível [risos].

O Retrato do Bob: Einat Falbel, toda a força de uma atriz pós-desilusão

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Por Miguel Arcanjo Prado
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O ator Giordano Castro, de 26 anos, tem olhar profundo, sorriso farto e personalidade com sotaque pernambucano. Viciado em sorvete, empresta seu excesso de charme às três peças que o Magiluth apresenta na Funarte de São Paulo até o fim do mês.

É o único do grupo de seis meninos do Recife que está nas três montagens: Um Torto, O Canto de Gregório e Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você. Interpreta com tanto talento e verdade, que às vezes o público duvida que ele esteja mesmo atuando. Coisa de quem nasceu para o palco.

Giordano é ariano com ascendência em escorpião. Diz que acredita um pouco nisso. Nascido em 7 de abril de 1986, o teatro chegou em sua vida como escolha acadêmica: só pisou no palco já aluno do curso de artes cênicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Foi lá que encontrou seus pares para formar o Magiluth (ele é o Gi da história).

Logo viciou em teatro. Ao ponto de viajar para acompanhar festivais teatrais Brasil afora (no palco ou na plateia), mesmo morrendo de medo de avião. Mesmo quando o mundo diz que não vai dar certo, persiste no teatro com sua turma. Há oito anos. Além do palco em miscelânea com os amigos, cuida da parte da comunicação e da dramaturgia.

Quando não está em cena nem nos braços da namorada, Thaysa Zooby, gosta de tocar violão. É fã de MPB. Curte Cartola, Benito di Paula, Otto e as novidades pernambucanas Academia da Berlinda e Eddie.

— O violão é um hobby bem meu e não entra ainda na história do grupo.

Também gosta de ler contos e crônicas. Cita Marcelino Freire, Fernando Bonassi, Marcel Aquino e Miró, um poeta da cena marginal recifense que adora. Atualmente, por conta da temporada paulistana, mora em um apartamento com os amigos no centro de São Paulo, defronte ao Minhocão.

São os Novos Pernambucanos.

Entre teatro, livros, discos, amor e amigos, só tem uma confissão a fazer antes de posar para a lente de Bob Sousa.

— Sou feliz. Muito.

giordano castro bob sousa O Retrato do Bob: o charme de Giordano Castro

O ator Giordano Castro: o charme pernambucano entre nós - Foto: Bob Sousa

Veja todos os Retratos do Bob

Leia a reportagem sobre o Magiluth em SP

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Por Miguel Arcanjo Prado
Foto de Bob Sousa

José Celso Martinez Corrêa. Melhor, apenas Zé Celso. Nome simples. De gente.

Mito vivo do nosso teatro que ainda causa furor. Cotidianamente. Do jeito que gosta. Pelado, de preferência.

No seu reduto, é rei. Líder supremo do Teat(r)o Oficina há meio século, é seguido por súditos fiéis em seu preceito: a liberdade suprema.

Contra o tabu. Contra o falso moralismo. A favor de simplesmente poder ser.

Perseguido pela ditadura, viveu para receber perdão do Estado. Declarou que gastaria a indenização de R$ 500 mil com vinho e maconha.

Coisas de um homem tão livre. Tão nosso.

O disputado retrato de Bob Sousa desta semana não poderia ser melhor.

Aos 75, Zé passa batom. E o vermelho de sua boca nos traz vida. Viva Zé!

ze celso martinez correa foto bob sousa poster1 O Retrato do Bob: Zé Celso, o mito de batom

Zé Celso colore nosso teatro de plena liberdade - Foto: Bob Sousa/Divulgação

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