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critica atila Crítica: Ao expor angústia de rapaz que só diz uma palavra por dia, Solilóquio recupera a ingenuidade

Peça carioca Solilóquio traz outra vez a inocência dos tempos de outrora - Foto: Divulgação

Por ÁTILA MORENO
Especial para o R7*

Hoje em dia, num mundo cada vez mais banalizado, compensa mesmo falar de amor? Ainda mais um tema abordado tantas vezes? Pelo menos a peça Solilóquio, um Amor sem Palavras, em cartaz no Centro Cultural Solar de Botafogo, na capital fluminense, calibra muito bem sua principal arma: ele mesmo, o amor.

O caminho utilizado pelo diretor Zé Helou é contumaz. Aproveitou a leveza e o ótimo texto de Renata Amaral, adaptado da peça Humulus, o Mudo, de Jean Anouilh e Jean Aurenche,  para contar a história peculiar de Haroldo.

Este, um menino criado pela avó e três tias, que acaba sendo vítima de uma tragédia que o leva a uma anormalidade: ele só pode falar uma palavra por dia. Depois de se apaixonar na infância, ele decide guardar as palavras para poder se declarar ao seu amor.

Camadas

Não é uma história qualquer sobre amor. Aí está o grande acerto. Com uma sinopse primorosa, o diretor desfia o amor em diversas camadas.

Solilóquio pode sugerir a analogia com o amor platônico, tanto aquela ideia do senso comum, quanto aquela defendida pelo filósofo Platão (348/347 a.C.).

soliloquio Crítica: Ao expor angústia de rapaz que só diz uma palavra por dia, Solilóquio recupera a ingenuidade

Amor platônico está presente na peça - Foto: Divulgação

Haroldo vivencia esse amor platônico, ou seja, o amor não correspondido. Ao se apaixonar por Helena (Viviana Rocha), ele não a toca, não se aproxima, não consegue se manifestar devido à sua condição e fica preso num mundo mais idealizado.

Amor carnal

De uma maneira mais geral, Platão via o amor carnal como uma escada que poderia levar a outros mais elevados. De certa forma, Haroldo vai passando por essas situações até se firmar naquele amor que é a raiz de todas as suas virtudes.

Mas, antes disso, o protagonista vivencia o amor físico, o amor ao belo, o amor ao conhecimento (a chegada do professor Teodoro), todos esses o levam a algum lugar de encontro consigo mesmo.

O personagem principal parece reproduzir esse amor platônico no nosso olhar mais comum. Mas diante da trama, vemos que ele se desloca para o outro amor, dinamizado por Platão.

Elenco tem química

Mas tudo isso poderia soar piegas se a peça não trouxesse um envolvimento dos seus atores de forma tão natural. A química entre eles é a base que amarra todo esse êxito.

Coadjuvantes e protagonistas (Haroldo é interpretado por dois atores em diferentes fases da vida) mostram um talento raro de se achar nesse tipo de produção carioca, que exige um esforço ímpar dos profissionais: aqueles que vão interpretando vários personagens ao mesmo tempo e não perdem a simbiose diante de diálogos ágeis, dinâmicos e criativos.

Há de se destacar que Rodrigo Miranda (Haroldo mais novo) e Jonas de Sá (Haroldo na fase adulta) dão cada um o peso que o personagem exige e inclusive num tempo da história que não é cronológico. O primeiro expressa muito a timidez e a introspecção na infância, e o outro dá o tom perfeito ao atuar somente com os gestos, conseguindo ampliar ainda mais as angústias do protagonista.

As atrizes que interpretam as tias dão um show particular. Laura Araujo, Mariana Bassoul e Renata Amaral se configuram como o cronômetro indispensável na vertente cômica da peça. São personagens deliciosas que merecem até uma história separada numa outra produção, ou seja, um reboot como é chamado nos seriados televisivos.

O roteiro não entrega nada tão fácil e abusa bastante dos elementos disponíveis em cena. O cenário de Lilian Doyle traz um espetáculo a parte, com suas mudanças repentinas e que se encaixam perfeitamente no quebra-cabeça cênico. A direção de movimentos ficou a cargo de Fabiana Valor que fez um trabalho sincronizado e que chega ser quase mimético, de tão emblemático.

Entraves

No entanto, Solilóquio padece de alguns entraves. Apesar de equilibrar muito bem o lado cômico e dramático, esse mesmo humor parece caçoar das aflições vivenciadas pelo protagonista, principalmente na cena em que ele é levado para uma casa de prostituição. É algo que, por pouco, quase perde a mão, ficando escrachado demais.

Alguns termos usados nos diálogos não condizem com a época que a peça sugere indicar, até mesmo com a localidade onde a história se passa e também com a idade dos seus personagens. Isso se nota no discurso das três irmãs em determinados momentos da trama.

Mesmo assim, Solilóquio ganha mérito por nos revelar uma ingenuidade perdida nos tempos atuais. Uma ingenuidade gostosa e nostálgica que talvez amacie esses tempos tão banalizados, nem que seja por meros 75 minutos.

*Jornalista mineiro radicado no Rio, Átila Moreno é graduado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC-Minas.

Solilóquio, um amor sem palavras
Avaliação: Bom
Quando: Terça e quarta às 20h. 75 min. Até 1º/10/2014
Onde: Centro Cultural Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180, Botafogo, Rio, tel. 0/xx/11 2543-5411)
Quanto: R$30 (inteira) R$15 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Ao expor angústia de rapaz que só diz uma palavra por dia, Solilóquio recupera a ingenuidade

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fernanda montenegro nossa cidade Fernanda Montenegro faz visita surpresa e emociona elenco de Nossa Cidade, de Antunes Filho

Fernanda Montenegro causa comoção no elenco de Nossa Cidade, de Antunes Filho - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O elenco da peça Nossa Cidade, de Antunes Filho, encerrou a temporada carioca neste domingo (17), no Sesc Ginástico, com chave de ouro. Estava na plateia ninguém menos do que Fernanda Montenegro, que foi acompanhada de sua filha, Fernanda Torres.

Fernandona fez questão de ir ao camarim levar seus cumprimentos aos atores. A atriz sempre é generosa com seus colegas de palco. Inclusive fez questão de dar pessoalmente depoimento para o lançamento deste blog, assim que soube que seria um espaço dedicado à cobertura teatral.

Leonardo Ventura, protagonista da peça, ficou emocionado com a visita da atriz ao camarim. "Ela me abraçou carinhosamente e nos tratou como companheiros de ofício", conta.

Outro que ficou boquiaberto foi Mateus Carrieri, também integrante do elenco de Nossa Cidade. "Depois de 15 anos, volto a atuar no Rio de Janeiro com a generosa presença da dama Fernanda Montenegro em nossa plateia. Vou guardar esse abraço e as coisas que ela nos disse em um lugar bem especial no coração", declarou.

Nossa Cidade levou o Prêmio Shell de Teatro de melhor diretor para Antunes Filho e o Prêmio APCA de melhor espetáculo de 2013. Leia a crítica.

Leia mais sobre Antunes Filho e Nossa Cidade

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feijoada gil Baryshnikov e Dafoe comem feijoada de Gilberto Gil

Gilberto Gil, Jorge Mautner, Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe na feijoada - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os astros internacionais Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe já estão ambientados ao ritmo carioca.

A prova final de abrasileiramento de ambos foi dada nesta quarta (6): os dois se fartaram na feijoada promovida por Gilberto Gil no apartamento do músico, em São Conrado, zona sul carioca.

Jorge Mautner também foi convidado e compõe o quarteto fantástico da foto. Aliás, Dafoe já está acostumado a pedidos de foto, já que não para de fazer selfies com fãs por onde quer que passe. É que ele foi o Duende Verde da saga Homem-Aranha e muita gente o reconhece. Assim, não consegue ter sossego.

As estrelas da peça Bob Wilson estão no Rio desde segunda (4), onde fazem temporada do espetáculo The Old Woman (A Velha) (leia a crítica) entre 8 e 12 de agosto na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. A obra já causou furor em São Paulo, onde foi apresentada no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros até o último domingo (3) com sessões esgotadas.

Durante a temporada paulistana, Baryshnikov e Dafoe foram ao novo show de Gil, Gilbertos Sambas. Foi aí que Gil fez a promessa de dar uma feijoada para a dupla em sua casa, cumprida nesta quarta.

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musical cassia eller divulgacao Crítica: Peça sobre Cássia Eller quer ser musical, mas é só um show de covers

Dramaturgia e atuações fracas: musical faz homenagem a Cassia Eller no Rio com covers de seus sucessos - Foto: Divulgação

Por ÁTILA MORENO*
Especial para o Atores & Bastidores

Eu queria ser Cássia Eller.
Como no título da canção de Péricles Cavalcante, Cássia Eller - o Musical, encenado no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB-RJ), tenta pegar a essência da homenageada.

Os diretores João Fonseca e Vinícius Arneiro se arriscam na empreitada de levar para os palcos a vida de uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Tarefa complicadíssima.

Cássia Eller (1962-2001) é uma daquelas figuras de um brado retumbante, que se exige muita parcimônia de qualquer pessoa que se atreve, ao menos, dar um panorama sobre sua intimidade e carreira. Cair entre o “8 ou 80” é uma linha tênue.

Por um lado, a dupla acertou na produção das canções, ao escolher Lan Lan para cuidar dessa parte. A percussionista conviveu, dividiu momentos afetivos e tocou ao lado de Cássia durante anos. Nada mais plausível que o repertório casasse perfeitamente no espetáculo.

Ao lado de uma banda talentosa, os fãs serão transmutados para um lugar mágico, bem intimista. Nessa viagem, estão Malandragem (Cazuza/Frejat), Socorro (Arnaldo Antunes/Alice Ruiz), Por Enquanto (Renato Russo), Gatas Extraordinárias (Caetano Veloso), entre outras canções. O ponto alto fica com as composições de Nando Reis: All Star, O Segundo Sol, Relicário e Luz dos Olhos.

musical cassia eller divulgacao2 Crítica: Peça sobre Cássia Eller quer ser musical, mas é só um show de covers

Cena de Cássia Eller - O Musical: banda é o grande destaque da produção - Foto: Divulgação

Mesmo assim, a peça está longe de ser um espetáculo teatral musical ou mesmo um conjunto sobre os principais fatos da meteórica trajetória da cantora.

O texto de Patrícia Andrade dá só alguns acordes suaves sobre o início da carreira, os amores de Cássia, especialmente a relação com Maria Eugênia, e sua morte repentina. Tudo é jogado de maneira superficial, sem aprofundamento algum.

Cássia Eller não trazia magnitude só na interpretação musical ou na habilidade de transitar facilmente pelo samba, forró, country, blues e reggae. A "pessoa Cássia Eller" era riquíssima na complexidade e nas histórias que colecionava.

A impressão é que a peça quis focar só nas estripulias sexuais, em relações que só ajudavam a montar um roteiro de uma vida clichê, presente em qualquer artista rock and roll que está por aí.

Coube a cantora Tacy de Campos encarnar Cássia Eller. A semelhança vocal é irrefutável, mas não auxilia nenhum pouco a atuação, que deixa a desejar.

Pessoalmente, Cássia delineava uma mulher frágil e introspectiva. Característica que batia de frente com sua maquiagem performática nos palcos: um trovão agressivo e desinibido.

Tacy não dá conta nem de um nem de outro. Não se consegue enxergar nada além de um cover muito bem executado.

Salvo alguns, o elenco vive na corda bamba. Evelyn Castro se destaca entre os demais, pela invejável potência vocal, e é uma das poucas atrizes com uma alta carga dramática. Emerson Espíndola convence na difícil tarefa de interpretar vários e decisivos personagens, infelizmente muito pouco explorados no roteiro.

O cenário preto, simplista demais, ajudou a deixar tudo excessivamente fúnebre e colegial, já não bastasse o tom monocromático em toda peça.

A predileção de Cássia Eller por flores, principalmente margaridas e rosas, que têm um papel fundamental nos momentos amorosos da cantora, passa longe de ter alguma referência em mais de duas horas e meia de peça, sem intervalo.

Por fim, o que se tem, no máximo, é um cover, com alguns elementos teatrais. Não um musical, como a montagem se propõe a ser.

 

Cássia Eller - o Musical
Avaliação: Fraco
Quando: Quarta a sexta, às 19h; sábado, às 19h30, e domingo às 19h. 140 min. Até 20/07/2014
Onde: Teatro CCBB RJ (Rua Primeiro de Março, 66 - Centro), Rio, tel. 0/xx/21
Quanto:  R$ 10,00 inteira/ R$ 5,00 meia
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Fraco R7 Teatro PQ Crítica: Peça sobre Cássia Eller quer ser musical, mas é só um show de covers
*Jornalista mineiro radicado no Rio, Átila Moreno é graduado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC-Minas.Curta nossa página no Facebook!Leia também:Fique por dentro do que rola no mundo teatralDescubra tudo o que as misses aprontam

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samba futebol clube Conheça os indicados ao Prêmio Shell do Rio no primeiro semestre de 2014

Samba Futebol Clube é o espetáculo com mais indicações ao Prêmio Shell do Rio - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi divulgada nesta segunda (7) a lista dos indicados ao Prêmio Shell de Teatro do Rio, referentes ao primeiro semestre de 2014. A cerimônia de entrega da 27ª edição só acontecerá no começo de 2015.

A peça com mais indicações é o musical Samba Futebol Clube, presente em seis categorias: autor, direção, figurino, iluminação, música e inovação.

Outros destaques são E Se Elas Fossem para Moscou, com cinco indicações, e Irmãos de Sangue, também com cinco.

O júri carioca é formado por Ana Achcar, Bia Junqueira, João Madeira, Macksen Luiz e Moacir Chaves.

Cada vencedor leva um troféu com o logotipo da multinacional e R$ 8.000.

Veja os indicados:

Direção
André Curti e Artur Ribeiro por Irmãos de Sangue
Christiane Jatahy por E se Elas Fossem para Moscou?
Gustavo Gasparani por Samba Futebol Clube

Ator
André Curti por Irmãos de Sangue
Artur Ribeiro por Irmãos de Sangue
Gustavo Gasparani por Ricado III

Atriz:
Julia Bernat por E se Elas Fossem para Moscou?
Stella Rabello por E se Elas Fossem para Moscou?

Cenário:
André Curti e Artur Ribeiro por Irmãos de sangue
Marcelo Lipiani por E se Elas Fossem para Moscou?

Figurino:
Antonio Medeiros por 2 X Matei
Marcelo Olinto por Samba Futebol Clube

Iluminação:
Bertrand Perez e Artur Ribeiro por Irmãos de Sangue
Paulo Cesar Medeiros por Samba Futebol Clube

Música:
Felipe Radicetti por Sacco e Vanzetti
Nando Duarte por Samba Futebol Clube

Categoria Inovação:
Christiane Jatahy pela construção de uma dramaturgia singular através da integração de teatro e cinema no espetáculo E se elas fossem para Moscou?
Elenco de Samba Futebol Clube, que tornou possível a renovação da estrutura do musical através de sua capacidade de atuar com excelência nas diversas funções do gênero

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a toca do coelho leo marinho agnews Com Gianecchini e Maria Fernanda Cândido, peça A Toca do Coelho comemora 100 apresentações

Elenco de A Toca do Coelho celebra cem apresentações com bolo no palco - Foto: Leo Marinho/AgNews

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O elenco do espetáculo A Toca do Coelho celebrou a centésima apresentação da obra, ocorrida no último sábado (7), na sala Fernanda Montenegro do Teatro Leblon, no Rio.

A peça, que estreou em São Paulo e faz temporada no Rio após circular o Brasil, tem direção de Dan Stulbach.

No elenco, estão Reynaldo Gianecchini, Maria Fernanda Cândido, Selma Egrei, Simone Zucato e Felipe Hintze.

O drama conta a história de um casal que não sabe como lidar com a perda do filho. Leia a crítica.

Quem atua melhor na peça A Toca do Coelho?

  • Selma Egrei
  • Felipe Hintze
  • Simone Zucato
  • Reynaldo Gianecchini
  • Maria Fernanda Cândido

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o comediante Após morte repentina, José Wilker assina direção

Com Ary Fontoura, peça O Comediante tem direção assinada por Wilker - Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

José Wilker ainda está presente nos palcos brasileiros.

Apesar de ter morrido repentinamente no mês de abril, aos 69 anos, vítima de um enfarte, a direção da peça O Comediante, em cartaz no Rio, é assinada por ele.

isabel wilker Após morte repentina, José Wilker assina direção

Filha de José Wilker, Isabel Wilker prestigiou a peça nesta segunda (9) - Foto: Leo Marinho/AgNews

A obra, com Ary Fontoura no posto de protagonista, está em cartaz no Teatro Clara Nunes.

Wilker morreu já na reta final dos ensaios da montagem, deixando a equipe desolada.

Após o período de luto, Anderson Cunha assumiu a coordenação da peça e assina a codireção ao lado de Wilker, cujo nome permanece no cartaz.

O enredo apresenta Walter Delon, um ator que está esquecido pelo público há mais de duas décadas.

Aos 81 anos, Ary interpreta o papel no texto do jovem autor Joseph Meyer.

No elenco, ainda estão Angela Rabello, Carolina Loback e Gustavo Arthiddoro.

Você acha que o Brasil esquece seus atores do passado?

  • Sim, o Brasil é um país que não valoriza seus artistas, sobretudo os mais velhos.
  • Não, acho que os atores da antiga ainda são prestigiados.

jose wilker globo Após morte repentina, José Wilker assina direção

José Wilker (1941-2014): ele ensaiou até as vésperas da morte repentina - Foto: Divulgação

O Comediante
Quando: Quinta, sexta e sábado, 21h30, domingo, 20h. 90 min. Até 28/9/2014
Onde: Teatro Clara Nunes - Shopping da Gávea (r. Marquês de São Vicente, 52, Gávea, Rio, tel.0/xx/21 2274-9696)
Quanto: R$ 80 (quinta e sexta) e R$ 90 (domingo e sábado)
Classificação etária: 14 anos

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pesadelo Crítica: Cabeça decapitada falante trava guerra fantástica com homem no musical Pesadelo

Musical Pesadelo, da Cia Sala Escura de Teatro, está em cartaz no Rio de Janeiro - Foto: Humberto Araújo

Por ÁTILA MORENO, no Rio
Especial para o Atores & Bastidores*

Inimigos declarados também são aliados ocultos, já dizia Deepak Chopra no livro Efeito Sombra. Por mais que o escritor indiano não seja uma referência assumida no espetáculo Pesadelo, em cartaz no Rio, a última parte da Trilogia da Cia Sala Escura de Teatro, há de se considerar que esta frase e a filosofia por trás do livro caem muito bem no abismo enigmático encenado pelo grupo.

A história mirabolante conquista pelo seu realismo fantástico. O personagem principal, interpretado pelo convincente Bruno Quaresma, se depara, depois de um dia estressante, num universo particular e intrigante.

pesadelo maria assuncao1 Crítica: Cabeça decapitada falante trava guerra fantástica com homem no musical Pesadelo

A atriz Maria Assunção vive a cabeça decapitada no musical de realismo fantástico - Foto: Humberto Araújo

A cabeça de uma mulher (a atriz Maria Assunção) toma vida e resolve raptar o protagonista para um mundo onírico/paralelo. Ali, ambos vão travar um duelo sem saída.

E detalhe, tudo isso orquestrado por uma banda ao fundo e mais 12 atores em cena, desfilando pelo inferno ou purgatório, como queira o espectador. Sim, estamos falando de um musical fantasmagórico, em que os delírios se tornam bastante inquietantes, por sinal.

O autor e diretor Iuri Kruschewsky, que se inspirou nas obras do psiquiatra suíço Carl Jung e do romancista britânico Lewis Carroll, de Alice no País das Maravilhas, consegue trazer uma originalidade, difícil de encontrar hoje nos palcos, inclusive nos musicais.

O texto é afiadíssimo, propositalmente confuso e irônico, e não poupa espaço para dilacerar as sensações do público.

Por mais que Pesadelo caia na tentação de trazer tantas referências e cacofonias, e ainda com elenco de apoio fraco, a peça acerta justamente por agrupar outros notáveis elementos teatrais.

A coreógrafa e bailarina Lavínia Bizzotto não poupa movimentos para expressar a sexualidade reprimida de seus personagens.

A cenografia de Flávio Graff invade realmente o palco, com passarelas e vitrines, indicando um labirinto mental. A figurinista Elisa Faulhaber dá o tom claustrofóbico e escuro que a peça exige.

No entanto, o ponto alto está nas mãos de Maria Assunção. A atriz tem a difícil tarefa de convencer o público de que ali está uma cabeça falante. Mas ela vai além. Dá consistência a seu complexo personagem, com os mais variados níveis de tensão, rancor e solidão, vociferados sem dó para o público.

Pesadelo vai desmembrando as agruras de homem aparentemente preso no seu próprio pesadelo? Ou é a batalha dele contra seus medos? Ou mesmo uma interminável guerra contra o seu passado? Não espere respostas prontas e se atente para um final desafiador.

Pesadelo
Avaliação: Bom
Quando: Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 20h. 1h25. Até 25/05/2014
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto (Rua Humaitá 163, Humaitá, Rio, tel. 0/xx/21 2535-3846)
Quanto: R$ 30
Classificação etária: 16 anos
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DSC 2148 Aderbal Freire Filho Marieta Severo Ary Fontoura 8º Prêmio APTR Abril 2014 Foto CRISTINA GRANATO  8º Prêmio APTR consagra Incêndios e Conselho de Classe em noite de gala no Rio; veja quem levou

Aderbal Freire-Filho, Marieta Severo e Ary Fontoura comemoram Prêmio APTR - Foto: Cristina Granato

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma verdadeira constelação de celebridades esteve no Centro Cultural João Nogueira, o Imperator, no Méier, na zona norte carioca, para celebrar o teatro no 8º Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio), nesta terça (8).

O ator Ary Fontoura foi o grande homenageado da festa, que também prestou tributo póstumo aos artistas Paulo Goulart, José Wilker, Walmor Chagas, Jorge Dória, Kalma Murtinho, Marga Jacoby, Norma Bengell, Cleide Yáconis, Virgínia Lane, Fauzi Arap e Sebastião Vasconcelos, que morreram recentemente.

Os vencedores foram escolhidos por críticos e profissionais ligados ao teatro.

As peças que tinham mais indicações foram Incêndios, com dez (leia crítica). Ela acabou levando quatro troféus. Conselho de Classe, com sete indicações, levou três (leia crítica).

Cada vencedor foi agraciado com R$ 15 mil. Apenas a categoria melhor produção levou R$ 20 mil. No total, foram distrubuídos R$ 200 mil.

Para a próxima edição, em 2015, o prêmio promete mudanças: só poderão ganhá-los os espetáculos previamente inscritos. Os jurados da edição foram Daniel Shenker, Lionel Fischer, Macksen Luiz, Mauro Ferreira, Rafael Teixeira, Rodrigo Monteiro, Tania Brandão, Barbara Heliodora, Angela Reis, Gilberto Bartholo, e Reinaldo Ferreir, além do voto do colegiado da APTR.

Veja, abaixo, quem levou:

Homenageado: Ary Fontoura

Espetáculo:Incêndios

Direção: Bel Garcia e Susana Ribeiro, por Conselho de Classe

Autor: Jô Bilac, por Conselho de Classe

Ator protagonista: Marcelo Olinto, por Conselho de Classe

Atriz protagonista: Marieta Severo, por Incêndios

Ator coadjuvante: George Sauma, por A Importância de ser Perfeito

Atriz coadjuvante: Kelzy Ecard, por Incêndios, e Clarisse Derzié Luz, por À Beira do Abismo me Cresceram Asas

Cenário: Fernando Mello da Costa, por Incêndios

Figurino: Thanara Schonardie, por A Importância de ser Perfeito

Iluminação: Maneco Quinderé, por Jim

Música: Ricco Vianna, por Jim

Produção: Elis - a Musical

Categoria especial: Camilla Amado

DSC 2143 Vencedores do Prêmio 8º Prêmio APTR Abril 2014 Foto CRISTINA GRANATO  8º Prêmio APTR consagra Incêndios e Conselho de Classe em noite de gala no Rio; veja quem levou

Vencedores do 8º Prêmio APTR do Rio comemoram no palco - Foto: Cristina Granato

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renata sorrah aderbal freire filho Prêmio Shell de Teatro do Rio vira palco de protesto

Renata Sorrah entrega Prêmio Shell de melhor diretor a Aderbal Freire-Filho - Foto: Divulgação/Shell

Por Átila Moreno, no Rio*
Especial para o Atores & Bastidores

Diante das manifestações populares, que ocorreram em 2013 e seguem neste ano, o Prêmio Shell de Teatro do Rio também iniciou a noite de entrega, nesta terça (11), em tom de protesto. A cerimônia foi no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, zona sul carioca. Contudo, barricadas e confrontos violentos ficaram de lado na capital fluminense, pelo menos desta vez.

O grupo Reage Artista, indicado a uma das categorias do evento, subiu ao palco fantasiado com capas prateadas, carregando uma faixa com os dizeres “Lei de Incentivo à Cultura Rio Já”. Uma clara referência ao Movimento das Diretas Já.

premiados1 Prêmio Shell de Teatro do Rio vira palco de protesto

Premiados posam juntos na cerimônia de entrega do Prêmio Shell do Rio - Foto: Divulgação/Shell

Em seguida, a atriz Renata Sorrah, vencedora do prêmio de melhor atriz em 2013, deu início à apresentação, aos gritos de alguém na plateia reverenciando sua personagem Nazaré Tedesco, na novela Senhora do Destino.

Ela provocou mais risos quando soltou “Eu sempre sonhei em fazer isso”, ao anunciar um dos primeiros prêmios da noite, quando tirou o papel do envelope.

shell laila garin Prêmio Shell de Teatro do Rio vira palco de protesto

Laila Garin: melhor atriz por Elias, a Musical - Foto: Divulgação/Shell

Quem ganhou foi Gabriel Moura, que concorria na categoria Música, pelo espetáculo Cabaré Dulcina. Enfático, ele não deixou de alfinetar as políticas culturais em relação ao teatro.

Logo após, vieram os vencedores na categoria iluminação, com Tomás Ribas por Moi Lui; figurino com Thanara Schönardie, por A Importância de Ser Perfeito; e cenário com Aurora dos Campos, por Conselho de Classe. Conselho de Classe e Elis, a Musical foram as peças com maior número de indicações, três cada uma.

Neste ano, uma das novidades é a categoria especial passar a ser chamada de inovação. Marcus Vinícius Faustini foi premiado pelo conceito e proposta do Festival Home Theatre. O movimento Reage Artista, que era um dos concorrentes, mereceu destaques do ganhador durante o agradecimento.

Aplaudido de pé, por todos, Aderbal Freire-Filho conquistou a concha dourada como melhor diretor, por Incêndios (confira a crítica da coluna aqui). Ele também foi uns do que direcionou uma crítica ácida à falta de incentivo cultural no país: “a pobreza do teatro é maior do que eu pensava”.

Emocionado, Aderbal agradeceu a toda equipe e ofereceu o prêmio a Marieta Severo, que não concorria à categoria de atriz neste ano. “O palco é o paraíso do ator, é o reino deles, e este vai especialmente para Marieta Severo”, diz.

Outros prêmios mais esperados da noite vieram em seguida. Julia Spadaccini, com A Porta da Frente, foi a melhor autora. Ela também concorria com sua outra peça, Aos Domingos, na mesma categoria.

enrique diaz Prêmio Shell de Teatro do Rio vira palco de protesto

No palco, em família: Enrique Diaz é o melhor ator por Cine Monstro - Foto: Divulgação/Shell

Enrique Diaz, por Cine Monstro, ganhou como melhor ator, e Laila Garin, por Elis, a Musical, venceu a categoria melhor atriz, disputadíssima por Bárbara Paz, Zezé Polessa, Camilla Amado e Suely Franco.

A homenagem especial deste ano foi para a suíça Marie Louise Nery, por sua contribuição, durante cinco décadas, como aderecista, figurinista, cenógrafa e formadora de profissionais do teatro no Brasil.

renata Marie Louise Nery Prêmio Shell de Teatro do Rio vira palco de protesto

Ao lado da apresentadora Renata Sorrah, a suíça Marie Louise Nery (de branco), homenageada no Prêmio Shell - Foto: Divulgação/Shell

No telão, a plateia pôde vivenciar os momentos mais marcantes da carreira dela: o desfile da escola de samba Salgueiro, em 1959, uma das primeiras revoluções na estética do carnaval carioca, e o trabalho no programa Sítio do Pica-Pau Amarelo, de 1977 a 1986, confeccionando quase 150 bonecos.

Nos seus quase 90 anos, ela resistiu à dificuldade de locomoção e subiu ao palco, dando um pequeno agradecimento, mas carregado de grande emoção.

O Prêmio Shell de Teatro foi criado em 1989 e é considerado referência. A premiação é realizada no Rio e em São Paulo, onde acontecerá na próxima terça (18). O júri da capital carioca é formado por Ana Achcar, Bia Junqueira, João Madeira, Macksen Luiz e Sérgio Fonta.

shell noite1 Prêmio Shell de Teatro do Rio vira palco de protesto

Noite do Prêmio Shell reuniu a classe teatral carioca no Espaço Tom Jobim - Foto: Divulgação/Shell

Veja, abaixo, em negrito, quem levou:

Música:
Delia Fischer por “Elis, a musical”
Ricco Vianna por “Jim”
Gabriel Moura por “Cabaré Dulcina”
Rodrigo Penna por “Edukators”

Iluminação:
Maneco Quinderé por “Jim”
Paulo Cesar Medeiros por “Venus em visom”
Renato Machado por “Vestido de Noiva”
Tomás Ribas por “Moi Lui”

Figurino:
Marília Carneiro por “Elis, a musical”
Thanara Schönardie por “A importância de ser perfeito”
Antônio Guedes por “O médico e o monstro”
Marcelo Pies por “Como vencer na vida sem fazer força"

Cenário:
Aurora dos Campos por “Conselho de Classe”

Joelson Gusson por “As horas entre nós”
André Sanches por “Vestido de Noiva”
Rogério Falcão por “Como vencer na vida sem fazer força”

Inovação:
Aderbal Freire-Filho, pela mobilização da classe teatral em busca da recuperação da Sociedade Brasileira de Autores (SBAT).
Movimento “Reage Artista”, por ampliar a participação dos artistas cariocas no planejamento cultural da cidade do Rio de Janeiro.
Sede das Companhias, pela dinamização do espaço com uma proposta inovadora de ocupação, promovida pelo encontro da Cia dos Atores, Os dezequilibrados e Pangeia Cia de Teatro.
Marcus Vinícius Faustini, pelo conceito e proposta do “Festival Home Theatre”.

Direção:
Aderbal Freire-Filho por “Incêndios
Bel Garcia e Susana Ribeiro por “Conselho de Classe”
Isabel Cavalcanti por “Moi Lui”
Rodrigo Portella por “Uma história oficial”

Autor:
Jô Bilac por “Conselho de Classe”
Julia Spadaccini por “A porta da frente”
Rodrigo Portella por “Antes da Chuva”
Julia Spadaccini por “Aos domingos”

Ator:
Daniel Dantas por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”
Enrique Diaz por “Cine Monstro”
Ricardo Blat por “A arte da comédia”
Thelmo Fernandes por “A arte da comédia”

Atriz:
Bárbara Paz por “Venus em visom”
Laila Garin por “Elis, a musical”
Zezé Polessa por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”
Camilla Amado por “O lugar escuro”
Suely Franco por “As mulheres de Grey Gardens- o musical”

*Átila Moreno é jornalista formado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC Minas.

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