Posts com a tag "rodolfo garcía vázquez"

nao fornicaras Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Como nos velhos tempos: Satyros volta a ser ousado e debochado em Não Fornicarás - Foto: André Stéfano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma forma inimaginável de dublagem da delicada canção Codinome Beija-Flor, de Cazuza, surge diante dos olhos do público da peça Não Fornicarás, em performance do ator Ivam Cabral. A entrega é desmedida e digna de respeito.

Diante do impacto, o espectador costumeiro do grupo Os Satyros se satisfaz em reencontrar aquela velha conhecida ousadia que se mistura à própria história da trupe e que andava um pouco sumida ultimamente. Em Não Fornicarás, vemos o Satyros dos velhos tempos.

A montagem, dirigida por Rodolfo García Vázquez, faz parte do pacote comemorativo dos 25 anos da trupe da praça Roosevelt no projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias. Em pauta, as relações do homem com a tecnologia.

Em Não Fornicarás, o texto-provocação da colunista do R7 Rosana Hermann serve de base para explicitar como o homem não detém seus impulsos sexuais primitivos diante da máquina. Muito pelo contrário, a utiliza como forma de obter prazeres inconfessáveis.

A encenação de Vázquez abusa de recursos simples, porém eficientes, para criar o clima no qual o pecado mora ao lado. Ou, melhor, bem próximo, a um clique.

satyros Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Acima, Robson Catalunha brinca com a boneca inflável; abaixo, Julia Bobrow discute a perda da inocência e o abuso tecnológico - Foto: André Stéfano

Cheio de libido, o elenco está comprometido com o discurso da obra e leva o público o tempo todo à atmosfera proibida que a peça revela.

O horário da meia-noite, no qual o R7 viu a montagem, talvez fosse mais apropriado, já que ajudava a entrar no clima — agora, a peça está no horário carola de domingo, às 19h, mas nada que a prejudique.

O ator Robson Catalunha é uma espécie de mestre de cerimônias, papel em que sempre se sai muito bem. Conversa com a plateia e conduz as cenas. Aos atores Fabio Penna e Julia Bobrow cabem viver as situações dramáticas apresentadas, como a da garotinha púbere que se vê conectada com um pedófilo.

É impressionante ver a mesma Bobrow que encarna a lascívia na cena da abertura, usando apenas sua voz, logo depois virar o retrato da inocência prestes a ser desmantelada.

Pablo Benitez Tiscornia e Giovanna Romanelli, desnudos, são uma espécie de Adão e Eva dos novos tempos tecnológicos, expondo seus corpos sem pudor aos olhares devoradores por todos os lados.

Completa o elenco o casal Marcelo Thomaz e Nina Nóbile. Ambos intensos sob a segunda pele de zebra e responsáveis pela cena que fez a fama da peça antes mesmo de sua estreia: o tal do sexo explícito transmitido pela internet para todo o mundo em tempo real. Esta crítica prefere não se ater aqui a detalhes sensacionalistas, mas dizer a quem morre de curiosidade para saber o que realmente se passa: vá ver a peça.

No dia em que o R7 assistiu à montagem, completaram o elenco Ivam Cabral, com sua perfomance de impacto já mencionada, e Henrique Mello, aniversariante do dia que entrou em cena para ganhar os parabéns — que público e elenco cantaram de bom grado no meio do espetáculo (nada mais Satyros).

E são coisas simples assim, sem pompas ou medos, que fazem da peça um reencontro do grupo consigo mesmo. Em Não Fornicarás, o Satyros lida muito bem com um tema que lhe é velho conhecido: o sexo, ainda visto por muitos como tabu.

Em uma encenação pulsante, volta a dialogar com seu público primeiro, aquele que lotava todas as sessões da Trilogia Libertina do Marquês de Sade, formado por jovens de todas as idades perdidos pela praça Roosevelt. Gente que encontra no palco do Satyros um sentido para o absurdo da repressão e da hipocrisia que rodeia a vida contemporânea.

Em Não Fornicarás, o Satyros volta para os braços do underground. É debochado, atrevido, contestador. É, sobretudo, jovem. É Satyros. Nem que por apenas mais uma sessão cheia de verdade artística.

Não Fornicarás
Avaliação: Muito bom
Quando: Domingo, 19h. 50 min. Até 28/9/2014
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 18 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

nao fornicaras 2 Crítica: Satyros se reencontra em Não Fornicarás

Cena de Não Fornicarás: Satyros volta a tocar em tema que domina: sexo tabu - Foto: André Stéfano

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Adormecidos José Alessandro Sampaio Foto de Rodrigo Dionisio Frame1 Crítica: Satyros se dá bem com drama Adormecidos

José Sampaio, em Adormecidos: ator conquista respeito como idoso apaixonado - Foto: Rodrigo Dionisio

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A gente acaba sempre querendo muita coisa. O te amo pra sempre junto do te amo demais é uma das nossas obsessões. Às vezes, é possível. Às vezes, não. Na cidade fria erguida no concreto, essas dores podem ser mais intensas.

A Cia. Os Satyros, acostumada a desvendar tabus no palco, resolveu mergulhar na simplicidade do relacionamento a dois na peça Adormecidos.

Referência do teatro underground brasileiro, o diretor Rodolfo García Vázquez imprime seu olhar ao drama burguês contemporâneo.

O texto é do minimalista Jon Fosse, dramaturgo norueguês de 54 anos que vem conquistando espaço na cena mundial com suas peças.

Apresenta um jovem filho que conta a história de amor de seus pais e a de desamor de um outro casal que também morou naquele lugar. O primeiro casal está em constante sintonia fina por toda a vida; o outro se afoga na falta de comunicabilidade.

O amor intenso, a aventura barata, a traição, o cuidar do outro e o passar dos anos — sempre implacável — é acentuado na montagem, na qual inventivamente a direção brinca com espelhos —um acertado cenário criado por Luiza Gottschalk. Isso cria e desconstrói atmosferas e, mais, joga o público para dentro daqueles conflitos, que são de todos nós.

Adormecidos é simples, mas não superficial, sobretudo porque dialoga com expectativas que trazemos conosco.

adormecidos andrestefano Crítica: Satyros se dá bem com drama Adormecidos

Elenco se destaca em Adormecidos, do Satyros: em primeiro plano, o casal formado por Tiago Leal e Katia Calsavara, ao fundo e ao centro, o casal formado pelos atores José Sampaio e Luiza Gottschalk - Foto: André Stéfano

O elenco está afinado. Joga junto. Henrique Mello, na pele do filho e ao mesmo tempo executor da trilha, em cena, dialoga com aquele entorno onde a perda está sempre à espreita. Vai, acertadamente, no mínimo.

Atores experientes, Katia Calsavara e Tiago Leal concretizam o desencontro constante do casal que interpretam. Há um certo enfado no ar, de ambos, com aquela situação de amor forçado. Exigido. Os atores passam todos estes sentimentos com propriedade.

Com uma atuação repleta de força, Calsavara é um dos destaques da peça, ao lado do ator José Sampaio, que vive o casal eternamente apaixonado ao lado de Luiza Gottschalk. Sampaio está tão presente e intenso em cada cena que conquista o respeito do público, sobretudo quando seu personagem chega à velhice. Neste momento, o ator se impõe ainda mais, com uma atuação comovente.

O ar alternativo dos Satyros se fez presente na sessão vista pelo R7. A lanterna empunhada por Katia Calsavara não acendeu em uma cena em que era fundamental que isso ocorresse. Os Satyros precisa se dar conta que, em certos aspectos, não é preciso levar o espírito underground às últimas consequências. Ou não, que fique assim mesmo. Talvez seja já charme e parte do folclore.

Entretanto, antes que esta crítica termine, é preciso ressaltar a delicadeza com que Daise Neves compôs os figurinos da obra. Eles dialogam intensamente com a encenação. São belos e frágeis como o amor e a vida.

Leia a coluna Dois ou Um com o ator José Sampaio!

Adormecidos
Avaliação: Muito bom
Quando: Sábado (26/7/2014), 19h, última apresentação
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Satyros se dá bem com drama Adormecidos

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satyros andre stefano3 Satyros faz maratona no Domingo de Páscoa

Os atores Ivam Cabral, Robson Catalunha e Julia Bobrow em cena no Satyros - Foto: André Stefano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O grupo paulistano Os Satyros anuncia que vai fazer uma verdadeira maratona teatral neste Domingo de Páscoa (20).

satyros andre stefano22 Satyros faz maratona no Domingo de Páscoa

Samira Lochter e José Sampaio - Foto: André Stefano

Os artistas vão apresentar, uma atrás da outra, as sete peças da série E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias, do diretor Rodolfo García Vázquez. Cada peça tem um enredo independente.

Entre os autores estão nomes como Dráuzio Varella e Rosana Hermann.

Satyros faz peça com sexo ciborgue e diretor diz: "Não temos medo de polêmica"

As sessões começam às 14h e vão até o fim do dia. A trupe afirma que manterá as sete peças aos domingos até o dia 11 de maio.

A primeira é Não Permanecerás, às 14h. Depois, às 15h30, vem Não Morrerás, com Phedra D. Córdoba. Às 17h é a vez de Não Vencerás.

Já às 18h30 é a sessão de Não Salvarás. A noite ainda reserva Não Saberás, às 20h, Não Amarás, às 21h30, e Não Fornicarás, às 23h.

Phedra D. Córdoba canta Beatles e causa furor

As peças acontecem no espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, metrô República, tel. 0/x/11 3258-6345).

O ingresso para cada obra custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

satyros andre stefano Satyros faz maratona no Domingo de Páscoa

Público faz fila na Roosevelt para ver maratona E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias - Foto: André Stefano

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PHEDRA ANDRE STEFANO Crítica: Satyros inverte lógica e Phedra D. Córdoba vive intensamente e canta Beatles em Não Morrerás

A diva cubana Phedra D. Córdoba canta Something, dos Beatles, em Não Morrerás, da Cia. Os Satyros: "I don't want to leave her now You know I believe and how" - Foto: André Stéfano

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Phedra D. Córdoba é um mar de signos. E o diretor Rodolfo García Vázquez parece saber disso muito bem ao colocá-la no centro do espetáculo Não Morrerás, do grupo Os Satyros, que tem texto do médico Drauzio Varella.

A obra faz parte da série E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias, com sete distintas montagens. Esta aborda a finitude da vida e também as diversas formas de corpos atuais, incluindo aí aqueles construídos, seja em mesas de cirurgias ou por meios digitalizados.

 Leia mais sobre Phedra D. Córdoba!

A diva cubana Phedra D. Córdoba surge em cena com sua presença evidente de sempre. Faz um número musical, ao vivo, Something, dos Beatles, que começa com os versos "Alguma coisa no jeito que ela se move me atrai como nenhum outro amor". Uma verdadeira ode ao carisma de Phedra.

Os atores Bruno Gael, Fabio Ock, Fábio Penna, Tiago Leal e Henrique Mello são como pajens, rodeando as duas figuras centrais da obra.

BONECA ANDRE STEFANO POSTER Crítica: Satyros inverte lógica e Phedra D. Córdoba vive intensamente e canta Beatles em Não Morrerás

Rodeada pelos atores Henrique Mello e Bruno Gael, a atriz Katia Calsavara se transforma em uma boneca quase perfeita, não fosse a falta de vida, na peça Não Morrerás, do grupo Os Satyros - Foto: André Stéfano

Porque, em contraponto a Phedra, está a personagem de Katia Calsavara, uma boneca ciborgue cujo rosto coberto pela tela de um tablet vai sendo modificado ad infinitum, tal qual os obcecados por plásticas dos tempos atuais. Uma direta e poética crítica à ditadura da beleza.

E o público logo percebe que a personagem de Katia, que a constrói de forma sensível, é desprovida de vida, mesmo diante de toda beleza pré-fabricada. A seu lado, ali, no auge dos seus 75 anos, com sua beleza concreta e histórica, Phedra está muito mais viva e plena do que aquela boneca, praticamente morta em sua beleza inventada.

É por inverter a lógica óbvia que Não Morrerás se destaca. E, claro, por colocar Phedra no lugar em que merece estar: o de diva maior da praça Roosevelt, reinando sobre o palco mais inquieto do teatro alternativo paulistano.

Não Morrerás
Avaliação: Muito bom
Quando: Domingo, 15h30. 50 min. Até 28/9/2014
Onde: Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 214, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Muito Bom R7 Teatro PQ Crítica: Satyros inverte lógica e Phedra D. Córdoba vive intensamente e canta Beatles em Não Morrerás

 Leia mais sobre Phedra D. Córdoba!

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rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto1 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez, na mesa de luz do Espaço dos Satyros Um: aposta no teatro expandido - Foto: Eduardo Enomoto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de EDUARDO ENOMOTO

O R7 chega ao escritório do grupo teatral Os Satyros, em cima de seu teatro, na praça Roosevelt, centro de São Paulo, e encontra o diretor Rodolfo García Vázquez em reunião com sua equipe. O relógio já passou das 14h e ele ainda não almoçou.

Assim que nos vê, aproveita a chegada da reportagem como desculpa para propor uma pausa para o almoço. Como o fotógrafo Eduardo Enomoto e eu já havíamos almoçado, aceitamos o convite para acompanha-lo em qualquer lugar onde se encontre comida nos arredores da praça que virou sinônimo da trupe de Rodolfo e Ivam Cabral, fundada há 25 anos.

Enquanto dá as últimas orientações, Rodolfo conta que mal teve tempo de comemorar seu aniversário, na terça-feira (4), tamanha a correria para a estreia do projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias, neste sábado (8), quando haverá uma maratona com as sete peças em sequência, cada uma representando um dos "sete mandamentos do mundo ciborgue", criados pelo grupo. Depois, cada uma vai ocupar um dia da semana no Satyros com entrada gratuita. Cada espetáculo tem um tema diferente e dramaturgia escrita por nome tarimbado de nossa sociedade. Um deles terá até "sexo ciborgue".

Assim que chega na calçada, Rodolfo se encontra com outro diretor, Alexandre Reinecke, que conta que também está ensaiando uma peça no teatro vizinho Parlapatões e dá um abraço de boa sorte no diretor dos Satyros.

Debaixo de chuva, chegamos a um restaurante na esquina da rua da Consolação com Nestor Pestana. Rodolfo pede bife à parmegiana com fritas e legumes salteados. A Entrevista de Quinta do Atores & Bastidores do R7 começa.

Leia com toda a calma do mundo.

jose sampaio evandro carvalho suzana muniz samira lochter marcelo maffei rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto3 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Tarde nos Satyros, com a maquete iluminada por pedaladas na bicicleta: (a partir da esq.) José Sampaio, Evandro Carvalho, Suzana Muniz, Samira Lochter, Marcelo Maffei e Rodolfo García Vázquez - Foto: Eduardo Enomoto

Miguel Arcanjo Prado – Como foi ganhar o Fomento [verba municipal de incentivo ao teatro; o Satyros obteve R$ 729 mil] para fazer este projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias?
Rodolfo García Vázquez –
Ficamos felizes. Até porque ficamos quatro anos sem ganhar. A última vez foi em Cabaret Stravaganza. E ainda mais por ganhar nestes nossos 25 anos.

Como o projeto surgiu?
Em 2009, começamos a pesquisar o que resultou a peça Hipóteses para o Amor e a Verdade, que virou filme que será lançado neste ano. Aí começamos com a pesquisa do Teatro Expandido. Percebemos que a humanidade está vivendo um outro momento. Nós não somos só os nossos corpos.

E somos o quê?
Nós somos o corpo mais as extensões tecnológicas dele. Não se pode viver mais na sociedade sem próteses cibernéticas. Acho que se a humanidade existe hoje assim, o teatro não pode passar ileso a isso. Na época do Hipóteses, a gente trabalhou com telefonia, ligava para o público, abria a internet em cena. É uma coisa que já vínhamos desenvolvendo. Cheguei a escrever um artigo sobre isso no primeiro número da revista A[L]BERTO, que é publicada pela SP Escola de Teatro [Rodolfo faz parte do time de formadores da instituição].

Para quem o Teatro Expandido quer falar?
Para a humanidade expandida. Em Cabaret Stravaganza a gente falava de cirurgia plástica, de internet, de medicamentos que as pessoas tomam e que criam novas personalidades para as pessoas. Tudo isso tem impacto e cria uma nova forma de ser humano. A noção de identidade não é só mais física, é também digital.

rodolfo garcia vazquez pablo benitez robo fabio ock bruno gael satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto21 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

A partir do alto, em sentido horário: Rodolfo García Vázquez se encontra com o colega Alexandre Reinecke na praça Roosevelt; o artista plástico uruguaio Pablo Benítez Tiscornia prepara os robôs; robô em cena no palco; e Fábio Ock e Bruno Gael terminam os vídeos do projeto - Fotos: Eduardo Enomoto

E quem compõe seu elenco?
Eu prefiro não chamar de elenco. Prefiro chamar de grupo de artistas. Temos umas 30 pessoas na equipe. São atores ciborgues falando para espectadores ciborgues. Os atores entram com celular em cena. Ele é uma prótese do ator.

Então, você não entrou na campanha contra o celular no teatro?
Eu não! Eu penso exatamente o contrário. O mundo está em outro momento. Não posso falar: “não ligue o telefone” para meu público. Eu tenho é de fazer um espetáculo tão bom que a pessoa não queira ligar o telefone!

jose sampaio eduardo enomoto satyros 5 320141 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

A energia dos Satyros: ator José Sampaio pedala para iluminar cidade-maquete - Foto: Eduardo Enomoto

Como são os sete espetáculos?
No sábado agora, vamos fazer todos em sequência, para a estreia, e depois, no primeiro mês, vamos fazer um por cada dia da semana, com entrada gratuita. São peças curtas, entre 45 e 60 minutos. Cada espetáculo partiu de um binômio da questão ciborgue e teve um texto de um provocador convidado.

Como assim?
Por exemplo, o primeiro, Não Amarás, partiu do binômio "amor e solidão". Os atores fizeram investigações a partir disso e o chamamos o psicanalista Contardo Calligaris para ser o provocador e escrever um texto. O segundo é Não Fornicarás, que aborda o sexo corporal e sexo digital, e teve texto da Rosana Hermann [colunista do R7]. O terceiro é Não Permanecerás, que aborda a relação espaço e tempo, com texto do jornalista Pedro Burgos. A quarta é Não Saberás, que fala de ciência e natureza, com texto do engenheiro genético Marcos Piani, que trabalhou no departamento de Defesa dos EUA. A quinta é Não Salvarás, que aborda fé e ateísmo e tem texto do escritor Xico Sá. A sexta é Não Morrerás, que aborda corpo e morte, com texto do médico Drauzio Varella. E, por último, a sétima é Não Vencerás, que fala de poder e individualidade, com texto da dramaturga Maricy Salomão.

Como você reuniu este time?
A gente já conhecia a maioria deles. Queríamos que escrevessem algo para eles mesmos. Lançamos um desafio e eles responderam.

rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto3 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez no escritório dos Satyros em meio à cenografia de E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias - Foto: Eduardo Enomoto

E vai ter mais peça nestes 25 anos dos Satyros?
Sim, estamos ensaiando um texto do seu colega [o jornalista] Sérgio Roveri, que se chama O que Vem com a Maré, que terá três versões assinadas cada um por um diretor, um deles sou eu e os outros ainda estamos definindo. Vamos estrear em abril. E ainda vamos ter um infantil.

Agora vamos para a parte polêmica. Que história é essa de “peça do Satyros terá sexo explícito”?
O que é sexo explícito neste novo mundo? Se você ligar para uma mulher num telefone de bate-papo e fizer sexo com ela, ela ter um orgasmo, isso é sexo explícito?

Eduardo Enomoto [fotógrafo do R7] – Eu acho que não.

Rodolfo García Vázquez – Por quê?

Eduardo Enomoto – Porque acho que sexo tem de ter contato, pegação. Senão é sexo virtual, ninguém enconstou em ninguém.

Rodolfo García Vázquez – É isso que estamos questionando. Estamos falando de sexo expandido.

Miguel Arcanjo Prado – Deixa eu ser mais claro, então: vai ter sexo físico, com penetração?
Rodolfo García Vázquez – Eu te devolvo a pergunta: qual é o nome do projeto? E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias. Não é E Se Fez a Humanidade Física em Sete Dias. Então, vai ter sexo ciborgue. Será a primeira peça de sexo explícito cibernético do teatro brasileiro.

Houve muito burburinho quando se falou no tal “sexo explícito” na peça de vocês... Teve gente que já saiu condenando...
A gente já passou dessa fase de se assustar com sexo. Gente, o povo não viu nossa Trilogia Libertina? [peças dos Satyros com versões para os textos de Marquês de Sade que marcaram a trajetória do grupo]. Já fizemos isso de sexo há muito tempo. Falar sem ver é fácil. É preciso ver o contexto. As pessoas estão muito caretas. Quando estávamos começando em 1990 fizemos A Filosofia na Alcova. Uma amiga me falou: “duvido que você tenha coragem de montar isso”. Mas isso já tem 25 anos! Como as pessoas ainda se preocupam tanto com isso? Naquela época a gente tinha 20 e poucos anos e queria barbarizar mesmo. Hoje, eu não estou mais nessa fase, é o que eu posso te dizer.

Acha que há muita censura até mesmo dentro da classe artística?
Olha, eu vou defender sempre a liberdade de expressão. Porque a direita está se organizando muito e ocupando lugares que a esquerda deixou livre para a direita ocupar. E estou com medo deste mundo de hoje.

rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto4 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez brinca com a boneca que integra a cenografia de sua obra - Foto: Eduardo Enomoto

Acha que as pessoas ainda não perceberam a força do mundo digital?
Eu sinto que as pessoas ainda não se deram conta do impacto brutal da ciência e da tecnologia em nossas vidas. Hoje você pode se confessar para o Papa pelo Twitter. A gente faz cenário com um aplicativo. Vou te mostrar [pega o celular e coloca um aplicativo que mostra o universo, com estrelas, planetas e constelações]. Olha isso, Miguel, se eu apontar para lá [virando-se para o balcão], ele me mostra que se eu for em linha reta eu chego em Júpiter. Isso é uma bússola astronômica.

O Galileu Galilei [astrônomo italiano, 1564-1642] iria cair para trás!
É isso que estou falando. Hoje qualquer um tem uma bússola astronômica! Você acha que tendo uma ferramenta como essa nas mãos eu vou me preocupar com pênis e vagina?

E como os atores reagiram à polêmica?
Eles ficaram com medo, é claro. Ficaram assustados. Porque teve gente de distorceu tudo. Olha, a gente já passou por muita polêmica na vida. E eu te digo uma coisa: Aqui nos Satyros nós não temos medo de polêmica!

Então me conta uma cena que você ainda não revelou para ninguém.
Está bom. Vou te contar. Tem dois atores vestidos de zebra. E eles simulam sexo. Aí, a gente transmite em tempo real para um site de encontros sexuais. E coloca essas pessoas que estão vendo no mundo todo ao vivo. Tem gente que gosta de ver duas pessoas vestidas de zebra transando. E até se masturba.

daniela machado carina moutinho suzana muniz rodolfo garcia vazquez vinicius alves satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Trabalho nos bastidores dos Satyros: (a partir da esquerda) Daniela Machado, Carina Moutinho, Suzana Muniz, Rodolfo García Vázquez e Vinicius Alves - Foto: Eduardo Enomoto

É um novo teatro que você está propondo?
O teatro do jeito que as pessoas estão pensando vai morrer. Eu não quero mais falar da tradição. Daqui a 30 anos ninguém vai ser capaz de acompanhar a evolução dentro de sua própria área de atuação. A ciência e a tecnologia vão explodir o conhecimento humano. E eu não consigo pensar em uma arte que não esteja conectada umbilicalmente com seu tempo. Tem gente que fala que a gente é futurista. Estão errados. Gente, 2001 – Uma Odisseia no Espaço [filme de 1968 do cineasta Stanley Kubrick] já passou. Isso era futurismo. Estamos em 2014, no século 21.

Vi que você acaba de passar para o mestrado em artes cênicas da USP. Está gostando de voltar a estudar lá?
Eu fiz ciências sociais na USP, acabei não concluindo e fui fazer administração na Fundação Getúlio Vargas. Mas depois voltei nas sociais para fazer mestrado. Agora, ir para a ECA é um privilégio poder voltar a uma instituição tão desafiadora. Espero aprender muito.

ivam cabral rodolfo garcia vazquez 1989 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

O começo de uma história chamada Satyros há 25 anos: Ivam Cabral (de barba) e Rodolfo García Vázquez em uma mesa de bar no largo do Arouche, centro de São Paulo, em foto de 1989 - Foto: Arquivo pessoal

Outro dia o Ivam Cabral [cofundador do Satyros com Rodolfo] colocou na internet uma foto de vocês dois em 1989 no largo do Arouche. O que mudou daquele menino para este Rodolfo que está na minha frente?
Eu acho que aprendi a confiar mais em mim. Eu era muito ambicioso, o Ivam também, A gente ficava pensando em fazer algo importante. A gente era mesmo muito louco. Acho que com o tempo deixamos de dar ouvido a coisas que nos magoavam muito. Acho que estou mais feliz comigo agora.

E do que você morre de saudade naquele menino sonhador que você foi um dia?
O que eu sinto falta daquele período é ter um horizonte grande à frente. Naquela época eu tinha uma página em branco. Hoje a página já está metade escrita. Eu sinto saudade dessa página em branco!

rodolfo garcia vazquez satyros 5 3 2014 foto eduardo enomoto6 Entrevista de Quinta   Satyros fazem peça com sexo ciborgue e diretor Rodolfo García Vázquez declara: “Nós não temos medo de polêmica”

Rodolfo García Vázquez em sua mesa de trabalho: "Sinto falta da página em branco" - Foto: Eduardo Enomoto

E Se Fez a Humanidade Ciborgue em Sete Dias
Quando: Sábado (8), maratona com todas as peças a partir das 16h até 1h; depois, uma peça a cada dia da semana, sempre às 19h. Até 28/9/2014.
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, metrô República, São Paulo, 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: grátis até 8/4/2014. Depois, R$ 20 cada peça.
Classificação etária: 16 anos

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ediponapraca phedra d cordoba cleo de paris foto bob sousa Crítica: Grupo Os Satyros transforma deficiência em estética em seu espetáculo Édipo na Praça

A diva e a musa: as atrizes Phedra D. Córdoba (à esq.) e Cléo De Páris (à dir.), em Édipo na Praça - Fotos: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Bob Sousa

O diretor Rodolfo García Vázquez é astuto na arte de criar imagens impactantes e construir uma encenação interessante mesmo com poucos recursos.

Édipo na Praça, espetáculo no qual o grupo Os Satyros se encontra com o clássico da mitologia grega e termina temporada nesta Satyrianas, é um exemplo dessa característica do diretor e, por conseguinte, de sua trupe.

A peça tem a presença de um coro ao vivo, o Coral da Cidade de São Paulo regido pelo maestro Luciano Camargo, um diferencial que envolve o espectador, sobretudo na primeira parte, que se passa dentro do teatro – a segunda parte é feita na praça Roosevelt. A cena com o barulho advindo das taças com água é realmente impactante.

O roteiro obedece ao clássico, com pitadas fartas do contemporâneo como tempero. Édipo é o rei amaldiçoado, que matará sem saber o seu pai e se casará com sua mãe.

Maldito

Phedra D. Córdoba, a diva cubana dos Satyros, faz o profeta Tirésias, em uma aparição soturna e com o recurso tecnológico de sua boca em uma tela de celular. A cara dos Satyros.

Édipo é vivido por José Sampaio – antes, o papel era do ator português Óscar Silva, que dava, com seu sotaque carregado, outra tinta ao personagem, explicitando um pouco mais a confusão na qual está metido, com um ar próximo da esquizofrenia. Já Sampaio praticamente se concentra apenas em dizer o texto. Falta impacto a seu protagonista.

Cléo De Páris é Jocasta, a rainha que se casará com o filho sem saber; esta mistura sua figura de musa da praça Roosevelt à da matriarca. É dela uma das melhores cenas da peça, na qual a atriz canta Evidências, da dupla sertaneja Chitaozinho e Xororó, envolta em fumaça rosa e trancafiada em um grande aquário no centro da praça. Tal imagem, com Cléo ali, cantando desafinada e segurando uma latinha de cerveja, humaniza sua personagem, a faz crível e mais próxima dos espectadores. É uma cena tocante pela crueza poética de sua verdade.

Próximo à realidade

E é isso que faz a obra o tempo todo: procura aproximar o texto clássico da realidade da plateia. Há clara tentativa de diálogo com o seu tempo na montagem dos Satyros. Seja no diálogo entre os atores Robson Catalunha e Henrique Mello com a plateia dentro do teatro – no qual Catalunha se sobressai como uma espécie de comediante de stand-up que sabe lidar com o imprevisto e o improviso; seja na tentativa de abarcar os skatistas da praça em vez de demonizá-los.

Algumas associações parecem surgir à toque de caixa, com o tom pomposamente político nas referências às manifestações de junho que tiveram a praça Roosevelt como cenário de enfrentamento entre protestantes e polícia. Bem como a tentativa de fazer com que o público carregue cartazes de protesto na segunda parte da obra – com o clima de revolta já arrefecido atualmente, poucos espectadores se interessaram pela proposta na sessão vista pelo R7. Mesmo assim, só de buscar abarcar a temática – em vez de olhar para o próprio umbigo – e dialogar com seu tempo político, é algo que traz mérito à obra.

De volta ao elenco, Gustavo Ferreira faz Creonte, o tio ambicioso, e Dyl Pires fica com o posto de narrador. Ambos estão claramente entregues, por mais que o registro intenso de ambos destoe do todo. Aí cabe uma observação: não há uma unidade de registro no elenco. Cada um vai por um caminho. Talvez seja esta mesma a proposta da direção, em explicitar a diversidade de seus atores sem amarrá-los a uma unidade. O teatro dos Satyros, assim,  transforma o que seria deficiência em estética.

Poesia final

A peça vai bem enquanto está dentro do Espaço dos Satyros Um, mas sofre queda abrupta quando vai para fora. Afinal, teatro de rua é tarefa das mais complicadas. O público fica meio perdido diante das cenas, por mais que os atores se esforcem em fazer a todos seguir a bandeira branca que indica o caminho correto.

Phedra D. Córdoba, em sua última aparição em frente a um hotel barato, está pouco aproveitada. Sua figura é tão forte que ela poderia interagir mais com o público naquele momento derradeiro, em vez de apenas apontar.

A cena anterior, na qual o público vê Édipo comendo uma pizza e tomando cerveja com Catalunha e Mello em um boteco, também é de uma ironia que mais parece piada interna.

Contudo, na cena final, o coro volta com tudo e há o impacto da poética imagem de Cléo De Páris e seus balões vermelhos na cidade cinza, cuja visão é um alento ao que faltou.

Édipo na Praça
Avaliação: Bom
Quando:
Sexta e sábado, 20h. 100 min. Até 16/11/2013
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos
Avaliacao Bom R7 Teatro PQ Crítica: Grupo Os Satyros transforma deficiência em estética em seu espetáculo Édipo na Praça

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ediponapraca phedra d cordoba cleo de paris foto bob sousa Os Satyros comemoram 25 anos com Édipo na Praça

A diva e a musa da praça Roosevelt: as atrizes Phedra D. Córdoba (à esq.) e Cléo De Páris (à dir.), em cena da peça Édipo na Praça - Fotos: Bob Sousa; Veja galeria completa da nova montagem do grupo paulistano Os Satyros!

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Bob Sousa

O grupo paulistano Os Satyros começa as comemorações de seus 25 anos, que serão completados em 2014, com a peça Édipo na Praça.

Com direção de Rodolfo García Vázquez, a montagem estreia nesta sexta (16), no Espaço dos Satyros Um, na praça Roosevelt, em São Paulo.

A peça traz a mitologia grega de Édipo para os tempos atuais e ainda faz referência a fatos ocorridos na praça, como o enfrentamento entre policiais e manifestantes em junho de 2013.

O Atores & Bastidores do R7 acompanhou com exclusividade o último ensaio da montagem. Veja fotos exclusivas de Bob Sousa e também a reportagem completa no vídeo abaixo:


Édipo na Praça

Quando: Sexta, sábado e domingo, 20h. 100 min. Até 30/11/2013
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

RESULTADO - QUEM LEVOU UM PAR DE INGRESSOS:
Os internautas que levaram um par de ingressos cada um para ver a peça Édipo na Praça são:
Sábado (17/8/2013), 20h - Iara Psico (dois ingressos)
Domingo (18/8/2013), 20h - Vagner Epifânio (dois ingressos)
Ps. Os vencedores devem chegar ao teatro uma hora antes da sessão e apresentar documento com foto na bilheteria, se identificando como vencedores da promoção no blog Atores & Bastidores do R7.

Veja as fotos de Bob Sousa de Édipo na Praça!

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rodolfo ivam Satyros terá programa no Multishow sobre internet

Rodolfo García Vázquez e Ivam Cabral, a dupla criadora do Satyros tem projeto para a TV paga - Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A trupe paulistana Os Satyros, que começa a celebração de seus 25 anos nesta sexta (16), com a estreia da peça Édipo na Praça, tem outra novidade.

O R7 apurou que o grupo capitaneado por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez vai invadir a televisão.

Uma parceria do Satyros Cinema com a produtora curitibana WG7BR, de Gil Baroni, será responsável por um novo programa do canal pago Multishow.

A série terá 20 episódios e tem estreia prevista para outubro.

Como Os Satyros são vidrados em novas tecnologias, o programa vai falar sobre a internet.

A atração reunirá blogueiros para comentar os assuntos que bombam na rede.

O nome do programa deve ser escolhido nos próximos dias. Entre os nomes possíveis, estão Programa de Internet e WEBZ. Os dez primeiros episódios já estão gravados.

O projeto da atração conta ainda com a colaboração de Leandro Knopfholz, o diretor do Festival de Teatro de Curitiba.

O programa deverá ganhar uma segunda temporada, com mais 20 episódios.

Esta não é a primeira vez que Os Satyros se aventuram na televisão. No passado, eles já fizeram parceria com a TV Cultura.

Afinal, essa turma do Satyros não para.

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GetOut 001 Divulgação Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Espetáculo Get Out!, de Assis Benevenuto, faz curta temporada em BH - Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Foi por medo de avião...
O ator mineiro Assis Benevenuto estreia o espetáculo solo Get Out! na próxima sexta (5), na Funarte Minas Gerais (r. Januária, xxx). Além de atuar, ele assina texto e direção. O enredo mostra um homem que não consegue embarcar no avião com medo de um acidente aéreo. A peça é a terceira do grupo Quatroloscinco. Fica em cartaz até 14 de julho, sempre sexta e sábado, 20h, e domingo, 19h. O ingresso é baratíssimo: R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia-entrada.

Agenda Cultural da Record News

Encontro
Cissa Guimarães faz coletiva de imprensa para divulgar a temporada paulistana de seu espetáculo Doidas e Santas na próxima segunda (1º), no Hotel Quality da Bela Cintra. Estreia em 5 de julho no Teatro das Artes, no shopping Eldorado. Foi vista por 130 mil no Rio.

A novidade
Regina Braga já fechou a data de estreia de seu novo espetáculo. Será em 26 de julho, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. A obra se chama Desarticulações. O texto é da argentina Sylvia Molly. Isabel Teixeira assina a direção. O cenário, de Marcos Pedroso, que fez história no Teatro da Vertigem, é uma verdadeira instalação que interage com o público do museu. Vai dar o que falar.

Teatro político 1
A turma do teatro ficou revoltada com a tal da "cura gay", vergonha da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Ed Moraes, ator que não tem papas na língua, divulgou uma singela forma de grafar o nome do político mais odiado dos últimos tempos: Felix ci anus. Vai pegar.

Teatro político 2
Artistas do palco de Belo Horizonte estiveram presentes na manifestação que parou Minas Gerais na última quarta-feira (26). Os atores Alexandre de Sena e Gustavo Bones foram alguns dos que deram as caras. A classe artística mineira tem ficado boquiaberta com a violência policial em BH.

Teatro político 3
Ainda sobre a onda de protestos que move o País, disse o diretor Rodolfo García Vázquez, do grupo Os Satyros: "A velha política, não só do Brasil, mas do mundo inteiro, não está entendendo nada. Claro. São mundos paralelos. Os velhos são todos analógicos. E as ruas dos manifestantes são digitais." Eita.

Teatro político 4
Kil Abreu, curador de teatro do Centro Cultural São Paulo e dos mais renomados críticos do País, também chamou a atenção sobre uma palavrinha que não sai das manchetes: "É fácil verificar que o conceito de vandalismo muda da noite para o dia na nossa imprensa. Depende muitíssimo das circunstâncias. Você, tratado como o cidadão consciente de hoje, pode ser o vândalo de amanhã. Ou vice-versa." Kil sabe das coisas.

Acabando
Este sábado (28) acontece a última apresentação da peça Caso 6457. No Satyros 1, às 23h59. É a última chance, gente.

krisis Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Cena de Krisis: brasileiros fazendo bonito em Atenas, na Grécia - Foto: Cesar Meier

Para grego ver
Os meninos da Companhia Nova de Teatro, que já tem 12 anos de estrada, estão a todo vapor em Atenas, na Grécia. Eles apresentam por lá, na próxima quarta (3), Krisis – Work in Progress, no Attis Theatre. A obra, dirigida por Lenerson Polonini, é inspirada em fragmentos de tragédias e trata da crise na qual está mergulhado o homem contemporâneo. Após a parada grega, o espetáculo aporta em São Paulo no dia 18 de julho. A viagem teve apoio do Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da Cultura. Eduardo Brito e Carina Casuscelli assinam a dramaturgia. No elenco, estão Carina Casuscelli, Rosa Freitas, Marcelo Jacob, Cléo Moraes e Milena Faria. Coisa fina.

Jogue as tranças, mina!
O Grupo Gattu reestreia no próximo sábado (6), a peça infantil Rapunzel. Eloisa Vitz dirige o texto de Tito Sianini. Ficará no Teatro do Corinthians, sábado e domingo, às 16h. Haja trança...

Experimentos
A SP Escola de Teatro apresenta, em suas sedes do Brás e da Roosevelt, os experimentos cênicos de fim de semestre neste sábado, a partir das 9h. A entrada é gratuita. Saiba mais.

Intercâmbio
Baseada na obra de João Cabral de Melo Neto, a peça O Rio, do Teatro Didático da Unesp, estreia no Tusp nesta sexta (28), às 21h. Fica em cartaz até 14 de julho. Vai, gente!

O Livro do Bob
Já está em fase final o livro de retratos teatrais de Bob Sousa. O lançamento, no segundo semestre, promete ser um arraso. A coluna será a primeira da fila de autógrafos, é claro.

Sem marmelada
Fique esperto! Estão abertas até a próxima sexta (5) as inscrições para o 6º Festival Paulista de Circo. O evento acontece entre 12 e 15 de setembro, em Piracicaba, no interior de São Paulo. São duas modalidades de inscrição: números circenses com 8 a 15 minutos de duração, a serem apresentados em lona ou ao ar livre, e espetáculos de 50 a 90 minutos, para lona. Mais informações no site oficial.

Mexe, mexe
Começa nesta sexta (28) a Mostra Sesc de Teatro de Animação 2013. O evento vai até 7 de julho e tem 21 companhias, sendo 10 nacionais, representando seis Estados, duas coproduções brasileiras, com Franca, Estados Unidos e Canadá, e nove internacionais, vindas da França, Inglaterra, Itália, Holanda, Espanha, Argentina, Chile e Austrália. São 18 espetáculos e 5 intervenções, em 90 sessões para crianças e adultos, além de oficinas, encontros e vivências. Saiba a programação completa!

rita gutt Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Cabaret: Rita Gutt vive a lendária personagem Sally Bowles, que já foi de Liza Minelli - Foto: Arquivo pessoal

Cabaret 1
Estreia na próxima terça (2), no Teatro Ruth Escobar (rua dos Ingleses, 209, Bela Vista, SP), uma versão intimista do musical Cabaret. A direção é de André Latorre, com estudantes de teatro da Faculdade Paulista de Artes. Rita Gutt, dona de bocarra à la Angelina Jolie, protagoniza a montagem, como a célebre personagem Sally Bowles. Lembrando que a personagem foi defendida no cinema por ninguém menos do que Liza Minelli, a quem este vosso colunista já entrevistou no tumultuado aeroporto de Guarulhos, diga-se de passagem. No elenco, ainda estão Gabriel Ivanoff, Anderson D’Kássio e Juan Manuel Tellategui. E o melhor: ninguém paga nada. Tem sessão todo o mês de julho, segunda, terça e quarta, às 19h e às 21h. Vai lotar. Então, chegue cedo para garantir. Depois, não diga que não avisei...

Cabaret 2
O clima de cabaré também invadiu a turma 62 da Escola de Arte Dramática da USP. Os jovens artistas apresentam o espetáculo Escada da Madame B. até 14 de julho. De quarta a sábado, às 21h30, e domingo, as 20h30, no Teatro Laboratório da Escola de Comunicações e Artes da USP, na Cidade Universitária. A entrada é gratuita, mas é bom chegar pelo menos uma hora antes para garantir seu ingresso. Porque todo mundo vai.

Gente de Teatro
Frederico Paula é jornalista e assessor dos mais tarimbados do mercado teatral. Dirige o escritório Nossa Senhora da Pauta. Pelo nome, já se percebe que o cara tem bom humor. É ligado a grupos de pesquisa, de teatro de raiz. Costuma assessorar espetáculos que têm respeito imediato da classe artística e dos críticos. E Fred, como os amigos o chamam, é sempre educadíssimo com todos. Um doce, como diriam os mineiros. E completamente apaixonado por teatro, pelo qual sempre batalha. Por isso, merece estar aquí. Frederico Paula é gente de teatro!

frederico paula2 Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Gente de Teatro: Frederico Paula é jornalista e assessor de imprensa teatral - Foto: Arquivo pessoal

 

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praca roosevelt eduardo enomoto Diretor dos Satyros diz que classe média medíocre vai expulsar o teatro da praça Roosevelt

Adeus, Roosevelt: Satyros dizem que foram expulsos do local que ajudaram a recuperar - Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado

Nesta semana só se falou em uma coisa no mundo teatral: o anúncio de que o grupo teatral Os Satyros vai deixar a praça Roosevelt. Afinal de contas, o grupo é praticamente sinônimo do lugar e, justiça seja feita, foi o grande responsável pela revitalização do local, antes um fétido e violento ponto de tráfico de drogas e prostituição.

rodolfo garcia vaz bobsousa Diretor dos Satyros diz que classe média medíocre vai expulsar o teatro da praça Roosevelt

García Vázquez: culpa da classe média - Foto: Bob Sousa

Rodolfo García Vázquez, diretor dos Satyros, acusa a "classe média medíocre" e a especulação imobiliária pela "expulsão" do grupo do local. Em entrevista à Folha de S.Paulo desta semana, Ivam Cabral, o outro fundador dos Satyros, disse que o grupo pode ir para a Luz, onde atualmente está a região da Cracolândia.

Vázquez resolveu usar a internet para explicitar os motivos do anúncio de que os Satyros deixam a Roosevelt em 2013.

Com vocês, as palavras do diretor:

"A especulação imobiliária tem duas consequências. A primeira é visível e numérica: são os aluguéis exorbitantes. Depois de seis meses de alugueis atrasados, estamos, enfim, regularizando as contas. Meses e meses os artistas sem receber nada, pois tínhamos só contas em atraso. Dificuldades mil.

Mas nunca tivemos medo da falta de dinheiro. Isso não nos impede de ter vontade de lutar pelo espaço. Mas há outra coisa ainda pior. A crise de identidade que a Praça enfrenta hoje.

Os novos moradores, aliados aos antigos vingadores, sonham que a Praça se transforme no Itaim Bibi do centro. Mas isso não tem nada a ver com o histórico dela vindo lá dos anos 50 e 60, nem com a chegada dos skatistas, nem com o que os teatros fizeram para sua recuperação. Alguns querem que a Praça seja um local tranquilo para a moradia, algo como uma Perdizes controlada, com bares cult para bons moços frequentar até certa hora e boas instalações para novas padarias badaladas com nome afrancesado...

Até algumas pessoas que se dizem de esquerda estão caindo nesse jogo também. Estamos isolados. O que a Praça Roosevelt quer ser para a cidade e qual é o nosso papel nisso? Essa é a questão principal. Nós contribuimos para uma transformação radical de uma das regiões mais deterioradas da cidade e agora a classe média-medíocre quer transformar esse espaço no seu quintal, mais preocupados com o cachorródromo do que com a força cultural que ela pode trazer para a cidade...

Isso nos inquieta de verdade. Estas pessoas tão bem educadas são muito mais difíceis do que os traficantes que tivemos que enfrentar quando chegamos à Praça, na época em que éramos ameaçados de morte, e não de morte espiritual."

Vídeo faz sucesso com a classe teatral ironizando situação dos Satyros

Como brasileiro é um ser cheio de bom humor, faz sucesso na internet, sobretudo entre a classe teatral, um vídeo que parodia toda essa situação usando aquela clássica cena do filme A Queda, subido na rede por Alex Gruli.

Já foi visto até o momento por quase 6.000 pessoas. Você pode vê-lo também aqui. É rir para não chorar.

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